O jardim dos caminhos que bifurcam
17 de Fevereiro de 2010 por Ricardo Noronha

Penso que não se deve dramatizar excessivamente em torno de tudo isto. As separações são situações normais e as barricadas podem ser úteis, desde que não se convertam em obstáculos intransponíveis que impeçam novos encontros e reencontros. Estamos de saída, não porque um eucalipto tenha secado o solo mas, pelo contrário, porque as muito favoráveis condições deste jardim de inverno tornaram o canteiro pequeno para tantas e tão frondosas raízes. Ocorreu um choque de ideias, percepções e posições no interior do 5 Dias e chegou-se à conclusão que seria melhor continuar noutros moldes o debate acerca desse choque.
Como referiu o Zé, esse debate teve lugar aqui, em várias situações e a propósito de mais do que um tema, mas a dada altura começou a resvalar para questões laterais e a assumir formas que não apenas dificultavam a clarificação de posições como se substituíam a essa clarificação. Penso que houve responsabilidades várias nesse processo e não enjeito as minhas. Mas isso dificilmente será o mais importante neste momento.
O mais importante será continuar esse debate por outros meios, percorrendo a distância entre as várias barricadas, de maneira a que nenhuma delas fique isolada das outras. O problema, a existir um problema, não é que algumas pessoas deixem de escrever no 5 Dias. O problema seria sempre que as pessoas deixassem de escrever de todo ou, o que seria equivalente, que deixassem de escrever umas para as outras.
Felizmente a mundialização capitalista e a incessante necessidade de valorização do capital, a par do engenho de alguns formidáveis asiáticos, tornou relativamente fácil o acesso a ferramentas de edição on-line, o que permitirá que continuemos a divergir e a trocar insultos (polidamente), com o brilhantismo a que vos temos habituado. O um dividiu-se em vários, numa dialéctica de consequências imprevisíveis e própria de suaves bolcheviques.
Nada temam portanto. Como a de Manuela Moura Guedes, a nossa voz continuará a fazer-se ouvir. Bastará um pouco de zapping na barra de navegação do vosso browser ou, o que é mais provável, uma polémica em que as questões candentes do nosso movimento se vejam debatidas com minúcia para que, tendo mudado alguma coisa, o fundamental permaneça idêntico. É certo que partir é morrer um pouco, mas eu saio desta tasca sem dor, sem rancor e sem remorsos. Com vontade de cá voltar para ruidosas polémicas, cuspidelas para o chão, vinho tinto e loucos que correm nus aos urros sob a chuva. Ao fim e ao cabo, como dizia o outro, nunca mais tão jovens beberemos.




















