Domingo é dia de calar as armas à polícia. Domingo é dia de revolta e de gritar por justiça. Porque só a luta pode travar a matança. Depois do luto aqui é hora de reivindicar aqui.
Diz o Daniel Oliveira que prestamos demasiada atenção aos seus “traques”. Quando alguém tem em tão boa conta a sua própria opinião resta muito pouco a acrescentar. Sobre a política do BE relativamente às presidenciais está tudo dito em filme aqui em cima e em texto no link aqui em baixo.
A polícia voltou a matar sem razão. MC Snake, músico português de hip-hop, foi mais uma vítima do tiro fácil das brigadas de intervenção da PSP. Parece que não parou na operação stop e que estava com problemas mecânicos. Não se encontrou até ao momento mais nenhuma ilegalidade (para quem ache que isso justifica o que quer que seja!). Se ao invés de um y10 a cair de velho, fosse isto, isto ou isto com um branco engravatado a conduzir a 300km por hora, alguém acredita que o polícia disparava?
MC Snake perdura no seu verso mas quem lembra os perseguidos na calada do silêncio? Quem os canta para além do povo do gueto?
O Público de hoje (ou deveria dizer simplesmente Pub?) vem com uma daquelas capas duplas que já praticamente todos os jornais nos habituaram. A diferença é que desta vez a coisa parece mesmo uma capa. Da manchete ao logótipo dos 20 anos. Toda ela é enternecedora. O casal apaixonado… ela meia beta, ele meio freak, o sorriso dos dois, enfim, o dia do consumidor celebrado como deve ser, ou seja, em comunhão na catedral do MacDonalds.
A tradição dos jornais tomarem posição política em capa é antiga. Quem não se lembra das capas negras do DN sobre Timor? Do Diário de Coimbra contra a co-incineração em Souselas? Das ilustrações sobre o 25 de Abril nos anos em que ainda se comemorava o seu aniversário? As Torres Gémeas em colapso, que só o Público já deve ter publicado 20 vezes? (só para lembrar algumas relativamente recentes).
Esta capa entra precisamente nesse imaginário. Celebremos todos então. Assim, cegamente. Num dia em ao invés de um sorriso parvo deveríamos lembrar o que precisamos e não podemos consumir e paralelamente o que temos a mais e, de todo, não precisamos.
Quanto ao Público, apenas uma sugestão: saiam de Picoas e mudem para o Intendente.
Acabou o Congresso do PSD. Não se ouviu um debate, um projecto, uma ideia. Não se clarificaram pontos de vista, nem estratégias, nem tácticas. Marcelo não saiu candidato e Passos Coelho quase saiu derrotado e com mais desgaste do que qualquer primeiro-ministro com dois mandatos. Rangel saiu quase vencedor (afinal tem a JSD consigo, a AAC, o Jardim e ainda por cima gosta de Heavy Metal) e Aguiar Branco entrou como saiu, ou seja, sem ninguém a acreditar que corria para ganhar mais do que um bom tacho na corte do que vier a ser coroado. Castanheira, mesmo com o meu apoio envenenado, não deve sequer ir a votos. Santana aprovou a sua própria expulsão no futuro e não houve nenhum Dom Sebastião a fazer em Mafra o que Cavaco havia feito na Figueira da Foz. Tudo na mesma. Agora começam as semanas do cacique. Passos Coelho e Rangel vão mostrar apenas (são iguais em tudo o resto) qual a melhor maneira de chegar a líder do PSD, se através da carreira política ou por intermédio do cheiro a poder. Aposto no segundo. O país continua bem servido à direita de um partido-circo em que mais ninguém acredita. Para os interesses desta área política o PS será sempre melhor. Este congresso do PSD se para outra coisa não serviu, revelou que o verdadeiro partido da direita liberal já tem líder e não vai a votos tão cedo (nenhuma força política o que derrotar nos próximos dois anos). Foi José Sócrates o grande vencedor do certame de Mafra seja quem for que venha a ganhar o arrebanhamento.
Este é o melhor retrato da JSD que podem ter. Vejam-nos a todos (em particular o último, de um tal de Hélio Martins) e depois coloquem-nos todos a falar ao mesmo tempo. Verão o belo coro que se descobre e que não deram por mal empregue o vosso tempo. Daqui a muito poucos anos serão estes os representantes do povo social-democrata e, ocasionalmente, os representantes do povo português. Depois de visualizar estes vídeos fico com uma certeza: Rangel (mesmo sem nome de petisco) já ganhou.
A força da candidatura do Rangel afinal vem de Coimbra. De onde mais? A AAC continua a garantir que o país terá sempre líderes com futuro. Já o país ter futuro é outra conversa completamente diferente.
O congresso do PSD começou e a primeira intervenção a levantar os delegados foi o elogio rasgado de Lopes a Leite. Será que o desdenho virou amor, ou trata-se simplesmente do pagamento de um negócio sem sentido? Será que qualquer um dos dois acredita em qualquer uma destas palavras?
Afinal não há só três candidatos a líder do PSD (eles dizem candidatos a primeiro-ministro mas esquecem que têm eleições legislativas depois de eleitos para o partido). Para além do Coelho, do Branco e do Rangel (único sem nome de petisco) há também um Castanheira. E notem bem: este não é um Castanheira qualquer! É amigo ao mesmo tempo de Menezes, Jardim, Albuquerque e Bota sendo que ainda por cima é da Briosa e de Coimbra!
Pela pujança do seu site, do seu blog, e pelo elevado sentido estético e ético do seu registo de poemas, posso desde já recomendar às centenas de leitores social-democratas o voto neste homem (É ESTE BOA FÉ, É ESTE!!!). Para os preguiçosos que evitem o link ou porventura para este ou aquele céptico, deixo uma citação do melhor rasgo, como direi, épico:
PS: Manuel Alegre (sei que me lê todos os dias): os seus dias de glória de político-poeta estão acabados!
Fui três vezes ao estádio da luz. O Benfica perdeu duas vezes (Getafe e Académica, 1-2 e 0-3 respectivamente) e empatou (ontem) com o Marselha. Das três visitas ao que os vermelhos chamam de “catedral” vim de lá sempre satisfeito com o resultado mas incomodado com outras coisas. (Desta feita vim maravilhado com a exibição do Lucho e do Júlio César… para mim os dois tinham lugar, de caras, na Briosa).
Apesar de novinho ainda sou do tempo da pevide, da bejeca e do courato, do tempo em que se levavam crianças à bola para que elas para além do jogo (para o qual não tinham a mínima paciência) brincassem umas com as outras e, entre outras coisas, jogassem à bola no peão. O “ir à bola” era uma actividade social, lúdica, gastronómica (começava com almoço ou acabava com um lanche) e evidentemente, desportiva.
Hoje “ir à bola” é algo completamente diferente. Como aliás ir ao cinema. Os espaços tornaram-se assépticos, a cerveja não pode ter álcool, não há pevides, não se vê uma criança a correr no peão atrás de outras crianças ou simplesmente de uma bola. Não se vê grupos superiores a quatro pessoas juntas e o que era uma acto de jubilo social passou a ser um acto de frustração masturbatório.
Não há doping financeiro que faça milagres. O triplete já tinha ardido com a eliminação da Taça do Rei aos pés do Alcórcon, o Lyon tirou os merengues da Champions e o Barcelona há-de fazer o resto no campeonato. Madrilistas e espanholistas estão bem é assim e assim.
Os nomes dos heróis do Santiago Barnabéu são: Lloris; Reveillere, Cris, Boumsong (Källström) e Cissokho; Toulalan, Makoun (Gonalons) e Pjanic (Ederson); Govou, Lisandro López e Delgado. O maestro foi Claude Puel.
O aumento da idade da reforma para os 65 anos, apoiada (ou silenciada) pelos principais partidos de esquerda e pela generalidade dos sindicatos, gera em mim profunda indignação. Tudo bem a esquerda limitar o seu discurso à defesa do trabalho (com o desemprego que aí anda pode entender-se a deriva ortodoxa), tudo bem também com o silêncio relativamente à má distribuição da labuta (com o desemprego que aí anda ninguém entenderia a deriva situacionista) e quase tudo bem também com o desaparecimento da defesa do tempo para viver que foi um lema antigo de uma esquerda que se dizia nova. Ou seja, está tudo bem andarem calados mas está tudo mal em apoiarem tamanha falta de humanidade, como esta que nos quer enterrar ao mesmo tempo que ainda cumprimos horários. Shame on you!
Para uma grande jornada de luta dos trabalhadores contra o governo Sócrates, participa na 3ª Assembleia do MayDay Lisboa.Esta 4ª feira, 10 de Março, às 21h em Telheiras.
Lamentavelmente, quando se discute a semiótica da publicidade, em particular no que diz respeito à mulher, esquecemos o essencial e sobrevalorizamos o acessório. Mais do que as mamas à mostra importa lembrar que a maior das opressões vem acima de tudo dos calos das mãos. É que das mamas há aquel@s que também tiram prazer, e dos calos nunca se soube de ninguém que ficasse com tesão. Razão tem o outro. O que são precisas são fodas emancipatórias.
Sou pouco dado a efemérides. Vejo nelas sempre um lastro de preguiça de quem não quer saber dos motivos da festa durante os resto dos dias do ano. Os bons católicos passam o ano a pecar mas o natal e os outros dias todos da igreja são sempre santos; os pães sem sal passam o ano deprimidos para sambar até cair no carnaval; no nosso aniversário o telefone toca acima de tudo com quem se esquece de nós nos dias a sério da vida.