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demagogia é isto: fazer perder o significado às palavras

13 de Setembro de 2009 por Francisco Santos

palavra: xenofobia

A Dra. Ana Gomes explique lá: se um político timorense invocar, numa determinada discussão sobre opções políticas (por exemplo, a negociação dos recursos naturais de Timor-Leste), o interesse nacional de Timor-Leste em contraponto ao interesse nacional da Austrália – ambos igualmente respeitáveis – na mesma questão conflituante, isso é estar a xenofobar os australianos?

uma pergunta simples (para cabecinhas que queiram pensar)

13 de Setembro de 2009 por Francisco Santos

Se Espanha é assim tão inofensiva a cuidar dos seus interesses, porque será que bastaram poucas horas para toda a imprensa de referência de nuestros hermanos caír em cima de Ferreira Leite e vir em socorro do engenheiro? Açoites a niños*…

*para quem tiver memória. para quem puder entender.

dia de debate

12 de Setembro de 2009 por Francisco Santos

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falta de vergonha

12 de Setembro de 2009 por Francisco Santos

Parece que há gente incomodada por Manuela Ferreira Leite não se ter disponibilizado para mostrar o seu lado mais pessoal à SIC. Mas não apoquenta estas alminhas que o partido socialista, prometendo no seu programa que “promoverá a criação de redes de bibliotecas básicas de cultura em língua portuguesa e a criação de redes de escolas, no quadro de uma agenda solidária de apoio ao desenvolvimento e à alfabetização, entre outras banalidades similares, não tenha vergonha de divulgar e amplificar no seu site o lado pessoal de Sócrates como nunca o viu, no qual o admirável líder nos serve uma coxa declamatória de uma ode de Ricardo Reis pertencente a Álvaro de Campos ? Quanto a alfabetização estamos conversados: o PS bem pode começar por alfabetizar o seu estimável engenheiro, talvez apetrechando a biblioteca de São Bento com alguns instrumentos básicos: sugere-se o “Rosto e as Máscaras”, a colectânea pessoana organizada por David Mourão Ferreira. Lê-se numa tarde.

Se calhar também será melhor os marketeiros não o mandarem falar de Chopin

10 de Setembro de 2009 por Francisco Santos

José Sócrates como nunca o viu à SIC (mas já o vimos assim, sim senhor, já vimos muito deste vazio noutras ocasiões):

“Gosto muito da ode do Ricardo Reis, principalmente aquela que fala da Noite, aquela parte em que ele fala dos Portugueses falando de si…….[récita e tal]…..Essa vocação universalista portuguesa tão bem descrita por esse poeta nesse trevo de quatro folhas [certamente passou-se] em que parte de nós atiram aos quatro pontos cardeais é muito próprio da alma portuguesa…ode de Ricardo Reis…fim de citação [Está a ouvir Alexandra? Vá ler poesia, que ele certamente tem lido bastante: ode de Ricardo Reis

(…)

Uma folha de mim lança para o Norte,
Onde estão as cidades de Hoje que eu tanto amei;
Outra folha de mim lança para o Sul,
Onde estão os mares que os Navegadores abriram;
Outra folha minha atira ao Ocidente,
Onde arde ao rubro tudo o que talvez seja o Futuro,
Que eu sem conhecer adoro;
E a outra, as outras, o resto de mim
Atira ao Oriente,
Ao Oriente donde vem tudo, o dia e a fé,
Ao Oriente pomposo e fanático e quente,
Ao Oriente excessivo que eu nunca verei,
Ao Oriente budista, bramânico, sintoísta,
Ao Oriente que tudo o que nós não temos,
Que tudo o que nós não somos, (…)

ÁLVARO DE CAMPOS *

* Oh fatalidade! Logo lhe havia de saír o heterónimo que no Opiário diz: “Eu fingi que estudei engenharia…”  

coisas de antigamente

9 de Setembro de 2009 por Francisco Santos

José Sócrates não pretende repor os benefícios fiscais eliminados pelo Governo de coligação no orçamento de 2005. Quando o documento foi apresentado, o PS considerou que estes benefícios eram um ataque à classe média.

«Quanto aos benefícios fiscais, o que eu referi foi que haverá estabilidade fiscal. Houve uma decisão para acabar com estes benefícios e de baixar o IRS. Eu na altura fui contra. Mas acho que passado este tempo, o que devemos fazer é lutar para termos estabilidade fiscal, que é muito importante para as famílias e as empresas», afirmou José Sócrates.

José Sócrates, Janeiro de 2005, depois de  investido no sentido de estado.

tributo allegro ma non troppo

9 de Setembro de 2009 por Francisco Santos

Lei 100/2009 de 7 de Setembro

Alteração ao n.º 13 do art.º 81.º do Código de IRC:

São tributados autonomamente, à taxa de 35 %, os gastos ou encargos relativos a indemnizações ou quaisquer compensações devidas, não relacionadas com a concretização de objectivos de produtividade previamente definidos na relação contratual, quando se verifique a cessação de funções de gestor, administrador ou gerente (…)

Obrigado Dr. Carlos Lobo.

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Rethinking CEO stock Options: it may well be the prevalence of stock options that has contributed to the current economic mess.

jornalismo contra a descrença

8 de Setembro de 2009 por Francisco Santos

Grande título no jornal i:

Economia portuguesa continua a cair… mas com menos força

Sugestões para miglioramento de outros títulos:

Desemprego continua a subir…  mas um dia de cada vez

Inspectores do fisco vão ganhar menos que os restantes…mas mais que os tarefeiros

Tribunal não agrava medidas de coacção a ex-gestores do BCP…mas juiz promete estar atento

Tribunal de Justiça da UE decide contra Bwin

8 de Setembro de 2009 por Francisco Santos

O Governo português alega que a concessão de direitos exclusivos para a organização de jogos de fortuna ou azar à Santa Casa permite garantir o funcionamento de um sistema controlado e seguro. Por um lado, a longa existência da Santa Casa, de mais de cinco séculos, demonstra a fiabilidade deste organismo. Por outro lado, este governo sublinha que a Santa Casa funciona na sua estrita dependência. O enquadramento jurídico dos jogos de fortuna ou azar, os Estatutos da Santa Casa e o envolvimento do governo na nomeação dos membros dos seus órgãos administrativos permitem ao Estado exercer um efectivo poder de tutela sobre a Santa Casa. Esse regime legal e estatutário dá suficientes garantias ao Estado sobre o estrito cumprimento das regras no sentido de salvaguardar a honestidade dos jogos de fortuna ou azar organizados pela Santa Casa.

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é tudo muito simples

8 de Setembro de 2009 por Francisco Santos

Um depoimento corajoso no simplex, no que toca à identificação de problemas da sociedade portuguesa. Até nos permitimos ilustrá-lo, remetendo para exemplos reais:

O nosso atraso, em termos de percentagem de licenciados, ou de número de jovens que concluem o ensino secundário, ou da simples capacidade de preencher um formulário, é tão grande, que muitos dos nossos perenes problemas têm nele profundas raízes: a dependência do Estado para resolver os problemas através de subsídios, o mau funcionamento generalizado das repartições públicas (e de muitas instituições privadas), a baixa eficácia dos nossos trabalhadores, a falta de visão dos nossos empresários, a bur(r)ocracia reinante, o baixo nível cultural da população, a valorização da imagem relativamente ao saber, televisões com programação de nível rasteiro, e muitos outros. Como consequência, a Justiça não funciona, a Saúde tem problemas básicos, o país não tem saúde financeira, porque não produz o suficiente, nem inova para competir e ser melhor que os outros países de nível de riqueza semelhante.

Só surpreende ser publicado num blogue de apoio ao partido que, nos últimos 14 anos, governou 11.

A frase do dia

6 de Setembro de 2009 por Francisco Santos

Jorge Lacão: “Nós somos democratas, nós somos tolerantes, mas não nos peçam para sermos parvos”, afirmou o secretário de Estado e cabeça-de-lista do partido por Santarém.

A postura deste PS socretino, em torno do affaire Moura Guedes com as subsequentes e rebuscadas explicações esquizofrénicas para o sucedido, aproxima-se da postura assumida por aquele respeitável chefe de família e amantíssimo esposo, que depois de dar uma valente coça na esposa, acordada a vizinhança do prédio, tudo reunido no patamar, a polícia chamada pela porteira, acossado pelo agente que toca insistentemente à campainha para que abra a porta, se vira para a vítima dizendo com candura: “Estás a ver o que me obrigaste a fazer?!”

Camarada Jerónimo (com vodka não vai nada mal)

5 de Setembro de 2009 por Francisco Santos

red-bull

se a higiene autoriza a censura, importam-se de continuar por onde deveriam ter começado? (II)

4 de Setembro de 2009 por Francisco Santos

baiao

se a higiene autoriza a censura, importam-se de continuar por onde deveriam ter começado?

4 de Setembro de 2009 por Francisco Santos

fernandomendes

memórias

4 de Setembro de 2009 por Francisco Santos

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De um tempo em que estes ilustres opinantes não vislumbravam uma decisão canalha semelhante, como radicando apenas no foro íntimo (sic – ouvido por aí) de uma empresa privada.

Pelo JCD no Blasfémias

mundivisão

3 de Setembro de 2009 por Francisco Santos

Mientras en Portugal, la oposición se ha puesto en pie de guerra contra el gobierno del socialista José Sócrates, la televisión del Grupo PRISA en este país ha suspendido el informativo con más audiencia para que no emita un reportaje que podría comprometer al primer ministro. Fuentes de la cadena han confirmado a la agencia Lusa de noticias, que la orden ha venido directamente de Prisa España.

num país de sacanas há sempre um sacana disponível para satisfazer a vontade declarada do chefe. o chefe não precisa de mandar, dar instruções em papel selado ou tiros no pé

3 de Setembro de 2009 por Francisco Santos
Que adianta dizer-se que é um país de sacanas?
Todos o são, mesmo os melhores, às suas horas
E todos estão contentes de se saberem sacanas.
Não há mesmo melhor do que uma sacanice
Para fazer funcionar fraternamente
A humidade da próstata ou das glândulas lacrimais,
Para além da rivalidade, invejas e mesquinharias
Em que tanto se dividem e afinal se irmanam.
Dizer-se que é de heróis e santos o país,
E ver se se convertem e puxam para cima as calças?
Para quê, se toda a gente sabe que só asnos,
Ingénuos e sacaneados é que foram disso?
 
Não, o melhor seria aguentar, fazendo que se ignora.
Mas claro que logo todos pensam que isto é o cúmulo da sacanice,
Porque no país dos sacanas, ninguém pode entender
Que a nobreza, a dignidade, a independência,
a Justiça, a bondade, etc., etc., sejam
Outra coisa que não patifaria de sacanas refinados
A um ponto que os mais não capazes de atingir.
.
 
No país dos sacanas, ser sacana e meio?
Não, que toda a gente já é pelo menos dois.
Como ser-se então neste país? Não ser-se?
Ser ou não ser, eis a questão, dir-se-ia.
Mas isso foi no teatro, e o gajo morreu na mesma
 
Jorge de Sena
 
 
Κύριε ἐλέησον [em vernáculo: Senhor, tende piedade da desempenada estupidez de quem nos toma por parvos]
 

e agora Coelho?

1 de Setembro de 2009 por Francisco Santos

Jorge_Coelho

Dos três consórcios que ontem entregaram propostas para o concurso de Alta Velocidade entre Lisboa e o Poceirão, o que é liderado pela construtora espanhola FCC e o grupo italiano Impregilo foi o que apresentou a proposta de concessão de construção mais barata.

O valor avançado pela FCC/Impregilo é de 1,87 mil milhões de euros.

Também na componente da renda a solicitar anualmente ao Estado por este grupo privado, a FCC/Impregilo apresentou o valor mais baixo, na ordem dos 10,738 milhões de euros em cada ano.

Na corrida ao troço entre Lisboa e o Poceirão estavam os consórcios Brisa/Soares da Costa, FCC/Impregilo e a Mota-Engil.

[cenas dos próximos capítulos: considerando que ao custo corresponde, no anúncio do concurso, um coeficiente de ponderação de apenas 50%, querem apostar como as propostas mais caras vão pontuar na qualidade das soluções técnicas e na superior gestão global do empreendimento?]

leitura para estes dias

26 de Agosto de 2009 por Francisco Santos

Da Sociological Inquiry (publicado pela Newsweek):

How We Support Our False Beliefs

Referência na Science Daily:

“[...] For the most part people completely ignore contrary information.

“The study demonstrates voters’ ability to develop elaborate rationalizations based on faulty information

aprendendo com Montaigne

21 de Agosto de 2009 por Francisco Santos

Il y a plus affaire à interpréter les interprétations qu’à interpréter les choses, et plus de livres sur les livres que sur autre sujet : nous ne faisons que nous entregloser.

Tout fourmille de commentaires : d’auteurs, il en est grand cherté.Le principal et plus fameux savoir de nos siècles, est-ce pas savoir entendre les savants ? Est-ce pas la fin commune et dernière de toutes études ?

Nos opinions s’entent les unes sur les autres. La première sert de tige à la seconde : la seconde à la tierce (…) il n’est monté que d’un grain, sur les épaules du pénultième.

Montaigne, Essais