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COMENTÁRIOS

Cronologia das coincidências

8 de Fevereiro de 2010 por Nuno Ramos de Almeida

1. Segundo dados revelado pelo Sol e Correio da Manhã, são apanhados em escutas elementos da PT e do BCP do PS a combinar um negócio de compra de parte da TVI e saída da sua direcção de informação. Fazem tudo isso alegando cumprir a vontade de Sócrates.

2. Nas escutas a Armando Vara são apanhadas conversas com Sócrates no mesmo sentido.

3. O procurador e o juiz de Aveiro responsáveis pelo caso extraem certidões sobre crimes não abrangidos pelo processo Face Oculta, em que afirmam haver sérios indícios de que Sócrates e gente das suas relações esteja a cometer um crime contra o Estado de direito ao planificar mudar a direcção de informação de órgãos de comunicação social que lhes são antipáticos.

4. Os magistrados de Aveiro, segundo o Correio da Manhã, avisam o PGR, Pinto Monteiro, do plano para a TVI, em Junho.

5. Segundo a imprensa, avisados por alguém, os envolvidos nas escutas mudam todos de telemóvel, tirando o sucateiro que apenas muda de chip, permitindo assim aos investigadores continuarem a escutá-lo.

6. O primeiro-ministro usa a posição do Estado na PT para inviabilizar o negócio. Facto que lhe permite agora dizer que foi ele que impediu o negócio.

7. O PGR manda apenas as certidões com as escutas de Vara a falar com Sócrates para serem apreciadas pelo Supremo Tribunal de Justiça.

8. Em vez da secção competente do STJ julgar o caso, o seu presidente, Noronha do Nascimento, chama a si a competência e despacha (ignora-se em que processo) pela nulidade das escutas.

9. O PGR, tendo o conhecimento de todas as certidões, inclusive das conversas de Sócrates, das que envolviam elementos da PT e Armando Vara, e dos documentos aprendidos pela PJ que revelavam um contrato de compra da PT de parte da Média Capital, considera que em tudo isso não há indício de prática de crime. E arquiva as certidões.

10. Instado a revelar a fundamentação do seu despacho e permitir , como é de lei, o acesso público ao processo. O PGR escuda-se nas escutas invalidadas, que seriam citadas nos despachos, para manter para sempre secreto o processo. Garantindo, assim, que ninguém teria acesso à fudamentação que levou Pinto Monteiro a considerar que, com esta quantidade de factos, não havia nenhum indício da prática de crimes.

11. O Sol e o Correio da Manhã revelam os despachos dos magistrados de Aveiro, em que fica patente um conjunto de factos pouco explicados.

12. O primeiro-ministro fala em jornalismo de buraco de fechadura.

13. António Vitorino vem dizer, no seu programa da RTP, que o facto de um administrador da PT e outros quadros de empresa falarem de um plano do primeiro-ministro não quer dizer que ele o conhecesse. Fica por explicar a ida de Sócrates ao professor Fofana, evento que lhe permitiu falar com Armando Vara de factos que, segundo António Vitorino, ele não conhecia.
Vitorino tem uma certa razão, o primeiro-ministro também fala de economia e em inglês, e não sabe nada disso.

Sócrates, o primeiro empresário do Estado

7 de Fevereiro de 2010 por Nuno Ramos de Almeida

O único blogue que conquistou tolerância de ponto, nos feriados, e que mostra um zelo profissional inquebrantável na defesa do grande líder surgiu com uma nova linha de defesa do engenheiro:

“É claro que só por delírio se pode considerar que José Sócrates desenvolveu uma actividade neste sentido quando, se isso é verdade, desenvolveu diligências para obter mudanças de titularidade nos órgãos de comunicação social. Aliás, numa sociedade de mercado, isso é o que fazem empresários, jornalistas e até políticos na sua actividade corrente. O que não podem é recorrer a meios ilícitos para o efeito.”

Câmara Corporativa, via Blasfémias

Daniel Bensaïd, comunista herético

6 de Fevereiro de 2010 por Nuno Ramos de Almeida


Artigo de Lowy, publicado no Esquerda.net

Daniel Bensaïd deixou-nos. É uma perda irreparável, não somente para nós, seus amigos, seus camaradas de luta, mas para a cultura revolucionária. Com a sua irreverência, o seu humor, a sua generosidade, a sua imaginação era um exemplo raro de intelectual militante, no sentido forte da expressão.

Lembro-me das nossas longas conversas, por vezes discussões, à volta duma mesa sobretudo no momento entre a sobremesa e o café, no «Charbon», o seu restaurante favorito. Não estávamos sempre de acordo, longe disso, mas como não gostar dele e admirar a sua extraordinária criatividade e, acima de tudo, o seu espírito de resistência para com e contra tudo, para infâmia da ordem estabelecida?
«Auguste Blanqui, comunista herético» era o título dum artigo que Daniel Bensaïd eu próprio redigimos juntos, em 2006 para um livro de socialistas do séc. 19 em França, organizado pelos nossos amigos Philippe Corcuff e Alain Maillard). Este conceito aplica-se perfeitamente ao seu próprio pensamento, obstinadamente fiel à causa dos oprimidos, mas alérgico a toda a ortodoxia. Ler o resto »

O candidato de esquerda

6 de Fevereiro de 2010 por Nuno Ramos de Almeida

As declarações de Manuel Alegre sobre as notícias do SOL e do Correio da Manhã e o plano de Sócrates para “solucionar” jornalistas demonstram que, apesar do namoro sem quebras do BE, Alegre está disposto a engolir sapos do tamanho do Freeport para conseguir o apoio de Sócrates. Resta saber se, caso seja eleito, Alegre conseguirá transcender o papel de capacho usado para limpar todos os pequenos problemas judiciais que surjam ao presidente do conselho. A anos luz, do putativo candidato, estão as declarações de João Cravinho que lembra que o centro da corrupção está nesta “classe política”. Não podem arranjar um candidato de esquerda?

O país da palhaçada

6 de Fevereiro de 2010 por Nuno Ramos de Almeida

No dia da capa do Correio da Manhã, a SIC e a TVI abriram com a agressão de Carlos Queiroz a um comentador. Temos o país que merecemos. Jornalismo de variedades.

Por uma política de valores na justiça

5 de Fevereiro de 2010 por Nuno Ramos de Almeida


John Heartfield

Portugal gostava de ser como a Itália. Eles são ricos e corruptos. Infelizmente, nós não somos ricos. Um italiano dá o exemplo, um primeiro-ministro português inveja, e, provavelmente, a Mota-Engil ganha o ajuste directo.
Revelamos, em primeira mão, a matriz da próxima mudança das leis judiciais deste país. Separação dos poderes para quê? Com isto, vamos ter um país cheio de valores. Para quando uma comenda para Pinto Monteiro?

Os chantagistas

4 de Fevereiro de 2010 por Nuno Ramos de Almeida

O governo Sócrates está a fazer um pé de vento por causa de 50 milhões de euros. É a estratégia da demissão. O país está num completo caos económico. Sócrates faz tudo para demitir-se, para que a culpa seja do governo que se segue. 50 milhões de euros são uma gota de água nos 6156, 6 milhões de euros de fundos comunitários que este governo desperdiçou. Nos quase 3 mil milhões de contrapartidas aos investimentos militares que foram atirados para o lixo. Já para não falar das muitas centenas de milhões de euros dados em negócios desastrosos do Estado com Mota-Engil, como a renovação da concessão do terminal dos contentores de Alcântara até à eternidade.

Finais felizes

4 de Fevereiro de 2010 por Nuno Ramos de Almeida


Depois da guerra do Peloponeso, Esparta forçou Atenas a aceitar o comando dos 30 tiranos. Este governo era composto por aristocratas amigos de Sócrates. A ideia de um governo imposto de fora, é, segundo um cronista do Financial Times, uma das hipóteses possíveis, analisadas pela União Europeia, para obrigar países como Grécia e Portugal a seguirem uma política de austeridade social drástica. São, pelos vistos, sempre os mesmos que pagam a crise. Atenção, porque os 30 tiranos duraram dois anos e aquilo acabou em cicuta.

O vício da liberdade

4 de Fevereiro de 2010 por Nuno Ramos de Almeida


No próximo sábado às 21 horas na RTP2 é exibido um excelente documentário sobre Cruzeiro Seixas. Vi, ontem, na Fábrica do Braço de Prata, e é surpreendente. Quero realçar o trabalho de dois amigos meus: a realização do Ricardo Espírito Santo e a direcção de arte do José Pedro Rosado. O documentário “Cruzeiro Seixas – o vício da liberdade” tem a autoria do jornalista Alberto Serra.
Durante quase uma hora, vemos desfilar este Portugal pobre mas honrado, assistimos à erupção dos surrealistas portugueses. Entramos nos cafés. Ouvimos Cesariny e muito mais. Um verdadeiro Gin Tonic.

Ligações frágeis

30 de Janeiro de 2010 por Nuno Ramos de Almeida

‘O homem sem ligações’ de que falava Zygmunt Bauman aplica-se bem ao filme Nas Nuvens. Vivemos uma época em que tudo se tornou efémero. Quem sempre trabalhou acorda sem emprego. Como no filme, os tipos do costume vendem-nos essa transformação como um progresso. Quando despedem os pobres coitados, explicam-lhes que ‘todos os grandes homens começaram por ser despedidos, e que este pequeno problema vai tornar-se uma grande oportunidade’. Na vida real os comentadores neoliberais de serviço garantem-nos que não ter segurança no trabalho faz bem à economia. O que interessa que destrua a vida de 600 mil portugueses? São simples danos colaterais para um propósito mais grandioso.
Hoje, ouvi um tipo numa rádio muito cheio de si, a criticar os jornalistas de serem de esquerda e de não perceberem, como ele que tinha uma pós-graduação, o que é a economia. Alguém explica à criatura que a economia é uma escolha, não está pré-determinda nem gravada na pedra. Para uns, a economia são as mais valias bolsistas, para outros, a quantidade de empregos gerados. Uma coisa, como todos sabemos, não implica a outra. Como Cavaco Silva disse uma vez , quando era primeiro-ministro, sobre a crise do Vale do Ave: ‘há empresários ricos com empresas falidas’. A economia é uma luta. Não existe uma solução mágica que contente todos, existem escolhas e políticas diferentes. Cabe-nos a nós escolher um lado.

PS- A quantidade de comentadores que diz que os jornalistas são de “esquerda”, como se isso fosse verdade ou fosse um grande condicionamento à comunicação social. Sinceramente, nunca vi nenhuma dessas vozinhas protestar que os donos dos grupos de comunicação social são maioritariamente de direita, como se a propriedade e a concentração dos meios de comunicação social em alguns grupos não condicionasse a sua pluralidade.

Alain Badiou: Por detrás da lei do lenço islâmico, o medo

29 de Janeiro de 2010 por Nuno Ramos de Almeida

Ler o texto aqui

A excitação do tédio

28 de Janeiro de 2010 por Nuno Ramos de Almeida

Stalin and Marilyn, de Leonid Sokov

Não acredito nas virtudes da deriva. Debord dizia que ‘a fórmula para mudar o mundo não a encontrámos nos livros , mas vagueando’. Acho simpática a ideia que a revolta deve ser prazenteira, mas profundamente errada. Só a dor erradica o tédio. Os murros têm a vantagem de nos fazerem acreditar que estamos vivos. Não há redenção sem sofrimento: É a única coisa com que concordo com o catolicismo, para além da bonita imagem de João Paulo II a chibatar-se. E, claro, da certeza que as carmelitas descalças ficam melhor de bigode.
‘Libertar o mundo da História’, lê-se no Fight Club. Não sei o que é, mas parece-me um excelente projecto. Aceitam recibos verdes?

Perdido na tradução

26 de Janeiro de 2010 por Nuno Ramos de Almeida

Parece que falamos com sombras quando estamos num país onde não conseguimos entender as pessoas. Alguma coisa se perde no momento em que pretendemos traduzir uma língua com 46 consoantes e 24 vogais, para o nosso alfabeto de referência. “Mai” quer dizer “Não”, mas também quer dizer: “novo”, madeira”, “queimar” e “microfone”. Mai mai mai mai mai, como quem diz: ‘não queimes o microfone novo com a madeira’. As línguas tonais são verdadeiras armadilhas. Simbolizam as fronteiras intransponíveis para quem quer perceber uma cultura. Nas ruas do turismo, ouve-se permanentemente a cantilena do “massage”. As noites estão pejadas de gogo-girls invisíveis à sociedade. Mulheres que alimentam as suas aldeias pobres do norte, cujo o comportamento a sociedade tailandesa condena, mas por imperativo religioso, que exige não dizer mal dos outros, e por hipocrisia social, se tornaram simplesmente invisíveis para quem não é turista. No amanhecer, são essas mesmas mulheres que acompanham os estrangeiros à praia, tomando banho de mar, por uma questão de “modéstia”, completamente vestidas.
Estranho país com três sexos no bilhete de identidade, em que o ‘olá’ declina-se conforme a opção sexual. Mais do que a confusão dos fusos horários, perdi-me na tradução.

PS- Espero não ter escrito muitos disparates, para mais informações sobre o país dos livres (thai), ler este blogue, este ou o Combustões.

Vou de reportagem, regressa o Rainha :)

13 de Janeiro de 2010 por Nuno Ramos de Almeida


Nos próximos 10 dias, de 14 a 24, estarei aqui em reportagem. O Luís Rainha, agora que é mestre (17 valores!!!), prometeu regressar. É uma pena eu não estar cá, quando ele começar a distribuir castanhada pela maravilhosa blogosfera, com o fantástico feitio que o celebrizou. Se encontrar um coqueiro com net, mando uns posts.

PS- É verdade, FF, também ando de avião e parece que não é da Aeroflot. Já sei que o verdadeiro proletário vai de gaivota, mas é a vida.

De vitória em vitória, até à derrota final

10 de Janeiro de 2010 por Nuno Ramos de Almeida

O Daniel, sem me nomear, acusa-me de ter o culto da derrota. Era bom a gente perceber o que é uma derrota e uma vitória, para nos entendermos. Para o Daniel, a vitória é derrotar Cavaco Silva. Para ele, o maior problema parece vir da Presidência da República.

O objectivo do Daniel, parece ser, uma coligação governamentel entre PS e Bloco, que ele gostaria que não tivesse Sócrates. Para mim, o objectivo é conseguir criar um polo à esquerda do PS que tenha a ambição de determinar a política portuguesa.

Neste sentido, não vejo as presidênciais como o alfa e omega que traçam o destino do país. Lamento discordar do Daniel, para mim, o maior problema da democracia portuguesa está no mau governo de Sócrates. O maior perigo é dar a Sócrates os instrumentos para ter um governo, um presidente e dar-lhe de bandeja a maioria absoluta nas próximas legislativas. Por sua vez,  a maior dificuldade da esquerda portuguesa, é termos um PS, que é o maior partido eleitoral da esquerda, a fazer uma política de direita. Derrubar o governo Sócrates e ir criando uma alternativa de esquerda, devem ser as prioridades políticas da esquerda da esquerda.

Apoiar, neste contexto, à primeira volta, o mesmo candidato que Sócrates, é legitimar o partido socratista, permitir confundir Sócrates com a esquerda, e entregar-lhe centenas de milhar de votos nas próximas eleições legislativas. É dar um passo atrás no necessário processo de fazer corresponder os votos da esquerda aos partidos de esquerda.

A participação do Bloco numa candidatura apoiada por Sócrates vai ser um abraço de urso. Alegre vai sacrificar todas as diferenças com o centro-esquerda e o centro (código de trabalho, política de alianças) ao sonho de ser eleito presidente. Mais de que um presidente Alegre, comprometido com Sócrates, nós precisamos de reforçar uma esquerda que não se confunda com Sócrates e, sobretudo, que não o reforce.

Alegre podia ter tido um papel histórico na recomposição desta esquerda, se tivesse aceite personificar a vontade de muitos milhares de socialistas que não concordam com Sócrates. Escolheu a sua ambição pessoal, em ver de participar num processo colectivo da reestruturação da esquerda. Fez mal. Faz mal o Bloco se apoiar, nestas circunstâncias, a sua candidatura.

Improvavelmente alegre

9 de Janeiro de 2010 por Nuno Ramos de Almeida

Ao contrário dos meus amigos Renato, Carlos e Tiago, eu não tenho uma opinião definida em relação à provável candidatura de Manuel Alegre. O mundo e o PS andaram tanto para a direita que o poeta tornou-se, comparativamente, num homem bastante à esquerda. Se não duvido de certas qualidades de Alegre, tenho poucas certezas em relação à sua utilidade. Uma candidatura de Alegre apoiada pelo PS de Sócrates, à primeira volta, nunca contará com o meu voto. A eleição de um candidato manietado pela actual direcção do PS, é um voto na política de direita, nas negociatas e na promiscuidade entre o governo e os interesses privados. Não pretendo legitimar a sua existência apoiando um seu candidato. Mais, acho até perigoso – numa conjuntura que o governo pretende “Berlusconizar” a justiça, dominar a comunicação social e conseguir um poder absoluto – ter um presidente e um governo na dependência directa de Sócrates.
A candidatura de Manuel Alegre é interessante no caso de ser feita sem o apoio do partido socratista. Nesse contexto, pode dar voz às centenas de milhar de eleitores socialista que não se reconhecem neste PS. Ajudando a construir um espaço de uma esquerda a sério que possa ambicionar ganhar e governar à esquerda. Nesse espaço cabe Manuel Alegre, por direito próprio, e poderá ser, se o quiser, um protagonista deste necessário realinhamento da esquerda.
Para além de resistir, a esquerda deve ter ambição de poder mudar este pais. Apenas com a participação de sectores de esquerda do PS, do PCP, do Bloco e de muitas e muitos independentes isso será possível. Só nessas circunstâncias, e com esse objectivo, votarei Alegre.

Divergências sanadas

8 de Janeiro de 2010 por Nuno Ramos de Almeida


O bigode, as patilhas e os braços abertos identificam a esforçada cidadã em pleno esforço de autocrítica voluntária

Poder é parecido com foder

8 de Janeiro de 2010 por Nuno Ramos de Almeida


As palavras são poderosas. A Bíblia garante que Deus criou as coisas nomeando-as. O poder das coisas está inscrito no seu nome. Perdemos a capacidade de controlar o mundo, porque deixamos de conseguir chamar as coisas pelo seu próprio nome. Como é possível mudar um mundo que não se conhece?
Segundo o Livro, Deus não gostou da liberdade humana e derrubou a orgulhosa Torre de Babel que tentava tomar os céus de assalto. Dividiu os homens para que esquecessem a língua do poder e para que ficassem enredados e divididos na Babel dos idiomas. Liberdade, inteligência e sexo eram pecados que tinham que ser punidos.
Desde aí, tanto a política quanto a cabala têm falhado a possibilidade de reconstituir a humanidade universal da ‘terra sem amos’. Apenas a poesia aparece para sustentar o velho desafio.
“A poesia é que recapitula o mundo
chamando em cada chama
pela chama de cada sílaba”, escreve o poeta Manuel Gusmão.
A poesia é uma coisa séria. Não é por acaso que Platão pretendia expulsar os poetas da cidade. A poesia revela-nos a vida e subverte os equilíbrios de poder.
Por uma questão de higiene mental é preciso não confundir este atalho para a língua sagrada com os ademanes xaroposos.
Mesmo no sexo e no amor, a poesia queima, com ferro em brasa, os versinhos afogueados dos beijinhos, dos repousos quentinhos e dos miminhos.
Leia-se o Eclesiastes de Adília Lopes que transcende as piroseiras, revelando vida:
“Tempo de foder
tempo de não foder
saber gerir
os tempos
compor
saber estar sozinha
para saber estar contigo
aqui estão as minhas contas
do que foi”.

Enquanto a malta tentava criar um, dois, três, muitos Vietnames… a blogosfera criou mais dois blogues

5 de Janeiro de 2010 por Nuno Ramos de Almeida


O Albergue Espanhol – um compromisso histórico entre jantantes, jornalistas do DN, amigos do Passos Coelho, sob a mirada atenta do nosso António Figueira.

Córtex Frontal – Um bicho carpinteiro depois da autópsia que conta com a nossa fundadora Joana Amaral Dias e o Medeiros Ferreira.

Para os dois blogues: boas postas.

Suicídios em 20 segundos

4 de Janeiro de 2010 por Nuno Ramos de Almeida

Ideia da Morgada

Um dos aspectos divertidos do 5 dias é ser um blogue de discussão. O problema é que há uma certa tendência autofágica nas conversas na internet. A esquerda da esquerda tem mais um problema tradicional: confunde a discussão com a pessoalização. A história recente foi muito intensa. as pessoas continuam presas a velhas questões com reduzido interesse e muitas ofensas. O desafio do 5 dias é não se levar muito a sério e conseguir ultrapassar a maldição das discórdias pessoais que minam as discussões interessantes. As divergências podem ser uma riqueza. As ofensas pessoais, não. Era bom termos a capacidade de aprender nas divergências e de não tropeçarmos nas eventuais ofensas. Muitas delas são mais mal lidas do que reais. Pessoalmente, tenho a certeza que a maioria dos posts que escrevo não têm nenhuma importância e não passam de retórica. E não me ofendo com isso.