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	<title>cinco dias &#187; Zé Neves</title>
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		<title>Fui</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Feb 2010 12:26:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Este é o meu último post. Uma parte dos blogues políticos persegue uma identidade bastante definida. Outros adoptam estratégias multiculturais. Tem sido o caso do 5dias. O meu interesse por políticas multiculturais é o seguinte. Trata-se apenas e só de &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/02/17/fui/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Este é o meu último post. Uma parte dos blogues políticos persegue uma identidade bastante definida. Outros adoptam estratégias multiculturais. Tem sido o caso do 5dias. O meu interesse por políticas multiculturais é o seguinte. Trata-se apenas e só de conseguir reunir condições mais favoráveis a que impere a confusão. E durante muito tempo a confusão foi rainha e senhora deste blogue. Ainda bem. Entretanto, os desentendimentos que temos tido perderam, no último mês e meio, uma boa parte da sua politicidade. E o que perderam em politicidade foram ganhando em autoridade. Neste filme, o que é menos relevante é saber quem são os bons e quem são os maus. Quando há uma separação, o historiador político mais convencional pergunta quem foi, quem foi mesmo, que teve a culpa, a culpa definitiva e verdadeira, e enche a boca com traição, génio, fé, carisma e outros pormenores. Mas o historiador das estruturas, por mais ou menos estruturalista que seja, jamais subirá a esse nível. E eu, que não sou um adepto do historiador das estruturas, menos serei do historiador político convencional.</p>
<p>Entretanto, o mais importante neste  post de despedida é escrever isto: quero brindar a todos e todas que aqui me acolheram, sem excepção, mas em particular ao Nuno Ramos de Almeida, amigo de razões e camarada do coração, pelo menos desde o longínquo ano de 1848. Deixo um abraço especial, também, ao Luís Rainha, ao Tiago Saraiva e ao António Figueira, os postadores mais habituais, que continuarei a seguir com toda a atenção. Ao Renato Teixeira deixo também uma saudação, certo de que poderei contar com ele para assinalar todos os meus desvios, as minhas traições, os meus pecados. Do Ricardo Noronha, por afazeres vários, de que não nos conseguimos livrar, não vale a pena despedir-me. O Miguel Serras Pereira já foi, mas pode ser que o encontre por aí&#8230; Quanto aos leitores e comentaristas, particularmente estes últimos, não há razão para grandes despedidas. Pode bem dar-se o caso de nos reencontrarmos brevemente noutra tasca. Haja vinho, haja pão. Por ora, deixo-vos com o Carlos Vidal. Boa noite e boa sorte.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Nem teoria da conspiração nem simples coincidência</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Feb 2010 18:26:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não estamos reduzidos a uma escolha entre Sócrates e quem se opõe a Sócrates. Como não nos deixámos reduzir a uma escolha entre eleger Ferreira Leite e não eleger Ferreira Leite. Devemos combater sempre esta lógica dicotómica. Pagaremos caro se &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/02/10/nem-teoria-da-conspiracao-nem-simples-coincidencia/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não estamos reduzidos a uma escolha entre Sócrates e quem se opõe a Sócrates. Como não nos deixámos reduzir a uma escolha entre eleger Ferreira Leite e não eleger Ferreira Leite. Devemos combater sempre esta lógica dicotómica. Pagaremos caro se assim não for. Se não amanhã, depois. Todas as lógicas dicotómicas devem ser abandonadas por quem não se encontra satisfeito com o actual estado das coisas porque a lógica dicotómica é o actual estado das coisas. Foi ela que imperou quando nos disseram que deveríamos votar Sócrates para não ter Ferreira Leite. É ela que impera quando nos dizem que o que interessa, antes de tudo o resto, é minar o governo de Sócrates. Mais: isto é tão mais importante na medida em que as últimas eleições legislativas, com a percentagem de votos alcançada pelo PCP e pelo BE, contribuíram para desenhar uma linha de escape à dicotomia de sempre. Para quem privilegia a intervenção política no terreno político-institucional, que não é o meu caso, creio que a opção mais interessante será trabalhar no sentido da tripartição do campo político. É um excelente sinal que tanto BE como PCP se tenham mantido afastados da manifestação de amanhã. Era aliás bom que os partidos à esquerda do PS, no actual quadro de aproximação do PS à sua direita, como sucede com o orçamento de Estado, tivessem a capacidade de apresentar conjuntamente um sinal mínimo de alternativa ao actual estado de coisas. É certo que há falta de capacidade de diálogo entre PCP e BE (não me interessa agora explorar as culpas, assumo, até porque acho que no futuro as coisas só podem melhorar) mas temos tido a CGTP a articular, num plano mais abrangente do que a esfera partidária autoriza, pelo topo e pela base, a hipótese de uma linha política (não necessariamente governativa!) alternativa ao PS. A manifestação de amanhã é uma manifestação política e, como tal, é político saber com quem estamos ou deixamos de estar. A questão não está em invocar teorias da conspiração – como já foi erradamente feito – ou em julgar os actos de amanhã pelos benefícios que trará a outros depois de amanhã – como também já foi feito neste debate. Importa sim não perder de vista que o principal motivo pelo qual não se deve apoiar a manifestação de amanhã não é de ordem táctica: a questão central, para mim (mas acho que isto é válido para quem, neste blogue, não apoia a manifestação de amanhã), é a impossibilidade de defendermos a liberdade de expressão apoiando-nos num manifesto que se preocupa com a ameaça do Estado e nada diz acerca da ameaça dos privados. Admito, é claro, e respeito, opções diferentes. Mas vale a pena ter noção de que, ao incluirmo-nos em algo, estamos sempre a excluir outro tanto. A conversa sobre os que agem e os que não agem, os que afirmam e os que se limitam a negar, os práticos e os téoricos, é por isso oca, vazia, pobre. Quando se faz uma coisa, não se faz outra. Quando se diz que o problema é Sócrates, descarta-se o problema dos privados. Quando se fala de expressão sem falar da expressão que está para lá da língua (a limitação física à entrada de delegados sindicais em sede de empresas, por exemplo), descarta-se a segunda em prol da primeira. Quando se fala da liberdade sem falar da igualdade, descarta-se a segunda. Dir-me-ão que é só uma manifestação. Mas uma manifestação não é só uma manifestação. Muito menos para quem valoriza a manifestação enquanto momento do político por excelência. E eu, sinceramente, já tenho a minha agenda militante demasiado preenchida para ter tempo de ir às manifestações dos outros. Quanto muito, vou pedir ao maradona que me autografe o portátil. Fui.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Porque espero que chova copiosamente na quinta-feira à tarde</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Feb 2010 15:26:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Comecemos com um apontamento positivo, como diz o outro. A discussão à esquerda em torno da manifestação a favor da liberdade de expressão poderá vir a ter um efeito iluminador para o futuro: aqueles que foram classificados como sectários porque não apoiam &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/02/10/por-que-espero-que-chova-copiosamente-na-quinta-feira-a-tarde/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Comecemos com um apontamento positivo, como diz o outro. A discussão à esquerda em torno da manifestação a favor da liberdade de expressão poderá vir a ter um efeito iluminador para o futuro: aqueles que foram classificados como sectários porque não apoiam Alegre são agora considerados como excessivamente unitários, e aqueles que eram considerados como demasiadamente unitários por apoiarem Alegre são agora acusados de atenderem mais ao acessório do que ao essencial. Boas novas, portanto, e talvez daqui para a frente possamos deixar para trás, de uma vez para sempre, palavras moles como unitarismo e sectarismo. Não digo que sejam palavras que devem ser atiradas de uma só vez para o caixote de lixo da História, mas convenhamos que, muitas vezes, são atalhos que não nos levam muito mais longe do que o ponto de início das discussões que começamos. Mas, antes de deitarmos aquele par de “ismos” para o caixote de lixo da história, talvez possamos ainda aproveitar o que ele nos tem para oferecer na análise do caso da manifestação dos bloggers.</p>
<p><span id="more-31378"></span></p>
<p>É que em toda esta discussão tendemos a trabalhar com dois paradigmas que não se aplicarão ao caso. O primeiro é o paradigma do unitarismo/sectarismo pela base: seguindo este, tal como não rejeitamos estar ao lado de pessoas de direita numa manifestação contra a ministra da educação, não haverá motivo para deixarmos de estar ao lado de pessoas de direita na manifestação de amanhã. O segundo paradigma é o do unitarismo/sectarismo pelo topo: tal como nos recusamos a ir para o governo com a direita, não devemos ir parar a uma manifestação de que a direita é uma das promotoras. Ora, se é verdade que a manifestação de amanhã não é um acontecimento de “topo”, também não é simplesmente uma coisa da “base”. Dir-me-ão que é algo vindo de um lugar intermédio da vida política, que será a blogoesfera. Mas será este lugar inocente? É que é essa inocência que tem sido aparentada em jornais e televisões que dão conta da manifestação. Quando é dito que a manifestação de amanhã surge da blogoesfera, esta surge como aquele terreno desinteressado e espontâneo onde só existiram seres livres e autênticos com a candura intelectual do Henrique Raposo. E esta imagem deve ser combatida. O problema não é, note-se, uns caramelos de esquerda adornarem uma lista de subscritores composta por uns caramelos de direita. Ou vice-versa. Trata-se sim da diluição do conflito político-ideológico em torno da ideia de uma pátria ameaçada. Eu acho que Sócrates não merece tanto. E acho que a ideia de uma comunidade blogoesférica é qualquer coisa de muito pouco interessante e que deveríamos combater energicamente. Embora, diga-se, não seja deste blogue, nem das pessoas deste blogue que assinaram o tal manifesto, que essa ideia de comunidade recebe mais alento. Pelo contrário, se há blogue que atira pedras a torto e a direito (não deixando, por isso, de correr o risco de ser &#8220;recuperado&#8221; para o mainstream pelo seu/nosso exotismo &#8211; mas isto <em>c&#8217;est la vie</em>), é este aqui de onde nos escrevo. A comunidade blogoesférica, uma espécie de parlamento sem gravata nem regimento, se existe e se foi inventada por alguém foi por uma geração de nove ou dez bloggers (digo geração porque é assim que se gostam de ver) que reivindicou para a blogoesfera política um estilo próprio de acção, uma geração que passa a vida a dizer que é de esquerda como os partidos já não são e que é de direita como os partidos já não são e que, ainda assim, sendo mais ideologicamente &#8220;livre&#8221; e &#8220;frontal&#8221;, tem amigos de um e de outro lado da barricada. Ora, aqui chegados, o que é novo não é que malta de esquerda tenha amigos de direita ou vice-versa (embora eu ache que o número de casos deste género é manifestamente exagerado, tratando-se de uma espécie de culto do ecletismo e da heterodoxia que não me alegram particularmente). O que será novo nesta comunidade política de amizade blogoesférica é uma certa vontade em dizê-lo alto e em bom som, numa espécie de demarcação em relação à política dos partidos e seus dirigentes ou da rua e dos seus militantes. Mas, talvez eu esteja a ler mal as coisas e o meu receio seja que os meus amigos de esquerda me abandonem e passem a ir almoçar ao 31 da Armada. Que, aliás, disseram-me que mudou de dono e que agora é aquela senhora da televisão que é proprietária, o que não augura nada de bom em relação à manutenção da qualidade do entrecosto italiano.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Liberdade, liberdade, liberdade, do trabalho contra o capital</title>
		<link>http://5dias.net/2010/02/09/liberdade-liberdade-liberdade-do-trabalho-contra-o-capital/</link>
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		<pubDate>Tue, 09 Feb 2010 10:54:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Diz o dito manifesto que o “primeiro-ministro de Portugal tem sérias dificuldades em lidar com a diferença de opinião”. Sim, é certo, mas não consta que outro qualquer primeiro-ministro tenha passado melhor com o facto. Quanto muito, podemos discutir o &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/02/09/liberdade-liberdade-liberdade-do-trabalho-contra-o-capital/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Diz o dito manifesto que o “primeiro-ministro de Portugal tem sérias dificuldades em lidar com a diferença de opinião”. Sim, é certo, mas não consta que outro qualquer primeiro-ministro tenha passado melhor com o facto. Quanto muito, podemos discutir o grau, mas mesmo isso… Ora, a partir daqui, se isto não implica que deixemos de combater a intolerância de um qualquer primeiro-ministro bem concreto e definido, aconselha porém a que não o façamos em nome de um outro primeiro-ministro qualquer, ou, pior ainda, de uma figura soberana como o actual Presidente da Junta. Apelar a um Presidente  da República, que, mais a mais, no caso concreto e bem definido pelo ano corrente deste país, não dá mostras de ter mais jeitinho para matéria de liberdade de expressão do que o actual primeiro-ministro, não é uma solução muito entusiasmante… Enfim, o mais importante será isto: não discutiremos a liberdade sem discutir o problema da igualdade, porque expressão não é apenas coisa de palavra, faz-se com o corpo (a própria palavra, diz-se, faz-se muitas vezes com a língua) e o corpo é aquilo que, entre muitas outras coisas, vive sob trabalho e o trabalho assalariado que temos é a negação da liberdade de expressão. A partir daqui, dificilmente se poderá encontrar pontos comuns entre a esquerda e o campo liberal para uma agenda em torno da liberdade de expressão. O condicionamento da liberdade de expressão é o condicionamento da capacidade de criação – seja sob que regime for – e enganam-se aqueles que entendem que os famigerados valores pós-materiais são coisa que diz respeito apenas e só a um bando de intelectuais. Tudo é inseparável, a liberdade e a igualdade, o intelectual e o manual. E não há como etapizar tudo isto.</p>
<p><span id="more-31230"></span></p>
<p>Com isto, é claro, corro o risco de me juntar ao coro principal de críticas, que dizem que, no fundo, no fundo, vem agora à superfície a prova provada de que os extremos se tocam e sempre se tocaram. Esta é, porém, uma crítica que não tem cabimento nem alimento, que procura apenas tolher a nossa capacidade de movimentação. Replica-se simplesmente a linguagem mastigada da “aliança negativa”. Por isso, queria também dizer que não devemos temer, por princípio, alianças objectivas de qualquer tipo. Porque quem as critica julga-se descobridor de uma objectividade que não deixa nunca de ser, na sua parte de leão, a reificação de um ponto de vista subjectivo. Um ponto de vista demasiado calculista ou excessivamente envergonhado – como me parece suceder por estes dias pelas bandas do Jugular…- para se assumir e dar o peito às balas ou, então, fazer meia-volta e zarpar. Ou seja, quanto a essas críticas, segundo as quais os homens e mulheres de esquerda (pareço o Alegre&#8230; chiça) que assinaram o dito abaixo-assinado teriam cometido uma qualquer traição ao espírito antifascista em nome de um interesse meramente táctico, não há muito a fazer, porque haverá sempre alguém demasiado preguiçoso que prefere atalhar caminho com teorias da conspiração que não passam da simples constatação de evidências.</p>
<p>Outra coisa, porém – e é por isso, e porque o assunto não me parece assim tão relevante, que não assino o dito cujo manifesto &#8211; serão alianças proto-subjectivas: é que um abaixo-assinado, não sendo um programa de governo, também não é pau-para-toda-a-obra. Já aqui foi chamado a debate o caso do referendo do aborto, em que ninguém destas bandas recusou ou recusaria um voto proveniente das bandas mais à direita. O que é verdade, pois sim. Mas um voto que se encontra com outro voto numa urna é uma coisa diferente de fazer política reunidos, como se fez na ocasião do referendo do aborto, reunindo-se machistas tolerantes e feministas radicais com base na ideia de que seria possível aferir um mínimo denominador comum. E eu continuo a lamentar que a campanha pelo Sim no referendo do aborto tenha sido um momento de retracção de um discurso feminista importante e suficientemente crítico do actual estado das coisas.</p>
<p>Enfim, de novo. Um tipo lê a lista de subscritores do manifesto e, com a excepção dos bons amigos deste blogue, arrepia-se um pouco. Dir-me-ão: uma vez colocada a coisa em cima da mesa, não há como contornar a dialéctica do sim ou sopas. Mas eu talvez fizesse um uso menos rígido da dialéctica…</p>]]></content:encoded>
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		<title>Quando a Política é Refém da Lei</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Feb 2010 22:06:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No Jugular, João Pinto e Castro traz para cima da mesa o problema da forma e do conteúdo: diz que não devemos discutir o conteúdo das ditas escutas, na medida em que discordemos da forma. Eu não sei se discordo &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/02/08/quando-a-politica-e-refem-da-lei/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No Jugular, <a href="http://jugular.blogs.sapo.pt/1561744.html">João Pinto e Castro </a>traz para cima da mesa o problema da forma e do conteúdo: diz que não devemos discutir o conteúdo das ditas escutas, na medida em que discordemos da forma. Eu não sei se discordo ou concordo com a forma, se a coisa devia ter permanecido em segredo ou se devia ter sido alardeada às claras, se o Sócrates é pior ou melhor que o Berlusconi, se a RTP de hoje é pior do que a do Cavaco, ou coisa que o valha. Não sei nem me interessa vir a saber. Mas sei que nunca devemos ficar reféns da lógica invocada pelo João Pinto e Castro. E o próprio João Pinto e Castro oferece-nos um bom argumento. É que, ao contrário do que Pinto e Castro sugere, a lei e o seu cumprimento formal nunca impediram um bom crime. Não foi o Estado estalinista tão cioso em fazer cumprir o seu ritual legalista, por exemplo? Não é verdade que, não só não lhes bastou matar Bukharine, como ainda tiveram que lhe &#8220;sacar&#8221; uma confissão de culpa? Enfim, não sejamos apanhados no erro de submeter a política ao imperativo do formalismo legal, porque isso seria submeter a política à esfera do Estado e há mais mundo para lá disso. Ninguém, que eu saiba, exige que Sócrates seja processado ou condenado em sede de lei. Trata-se de debate político, que não tem nenhuma obrigação diante do formalismo jurídico, mesmo se eu não concorde &#8211; e não concordo &#8211; quer com o tom quer com o contexto que dá tom ao abaixo-assinado que por aí corre. Vivemos num Estado de Direito, mas este não se sobrepõe ao debate político. Até porque há mais mundo para lá do respeito pela lei, mundo onde se tome partido a favor das lutas dos que caíram nas teias da lei, mundo de que o <a href="http://5dias.net/2010/02/08/onde-se-fala-de-prisoes/">Ricardo Noronha </a>dá conta no post aqui em baixo. E de cuja notícia era bom que, do Arrastão ao Jugular, passando pelo Mário Crespo, se fizesse mais eco. Enfim, num próximo post prometo-me ocupar de um tema mais candente, a saber: as técnicas incruentas de repressão e os famosos <em>stewards</em>.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Uma Judiciosa Combinação de Medo e Esperança</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Feb 2010 14:32:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O João Rodrigues tem-nos alertado pacientemente para as virtuosidades da candidatura de Manuel Alegre. Em seu entender, aquela será uma batalha que valerá a pena travarmos, desde logo por uma razão que se desdobra: Manuel Alegre será o único candidato que &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/02/01/uma-judiciosa-combinancao-de-medo-e-esperanca/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O <a href="http://arrastao.org/sem-categoria/o-candidato-no-centro-do-debate/">João Rodrigues </a>tem-nos alertado pacientemente para as virtuosidades da candidatura de Manuel Alegre. Em seu entender, aquela será uma batalha que valerá a pena travarmos, desde logo por uma razão que se desdobra: Manuel Alegre será o único candidato que permitirá a economia de uma dupla cajadada: a vitória sobre o candidato da direita, por um lado, e a afirmação de um mínimo de distanciamento crítico face ao centro, por outro lado. Este argumento do João – mas creio que as suas razões não distam das razões da direcção do BE e de alguns outros apoiantes de Alegre que se situam à esquerda do próprio Alegre – não é de somenos. Desde logo porque insinua um imperativo discutível, também caro ao Daniel: necessitaríamos, dirão ambos, se não de vitórias, pelo menos da possibilidade real de lutarmos por vitórias, pois de outro modo os nossos pés poderão ficar firmados numa outra terra que não esta. Eu, como já aqui escrevi noutras ocasiões, discordo desde logo do que o João e o Daniel entendem por vitória, por real e por mais uma série de outras coisas, incluindo esquerda e direita. Assim como discordo da facilidade com que, por vezes, sacam do argumento “os pés firmes na terra”. Além do imediato odor a chulé e a estrume (o segundo nem é assim tão mau, concedo), a imagem lembra-me demasiadas coisas ao mesmo tempo: o materialismo simplista criticado por Marx nas teses sobre Feuerbach, o mito chauvinista dos ossos dos mortos e enterrados na mãe-pátria irrigada pelo sangue dos seus idos filhos; e, <em>last but not the least</em>, embora deva confessar que me custa escrever isto, a ilusão ruralista-libertária de alguns <em>soixante-huittards</em> que queriam descobrir a praia sob a calçada (embora, em abono da verdade, tenha sido tudo muito mais interessante do que isto, já que se tratou de fazer a praia sobre a calçada). Mas, deixemos esta variação idiota cuja triplicidade não deixa de nos ajudar a situar Alegre em mais uma forma geométrica, além do seu quadrado e do rectângulo luso, e foquemos o essencial.</p>
<p> <span id="more-30739"></span></p>
<p>E o essencial, pelo menos deste meu post, é apontar a um dos efeitos perniciosos do alegrismo. O alegrismo vem instituir mais um cavaleiro da esperança. Com efeito, segundo o João, nestes tempos em que a esperança será um bem escasso, Alegre produzirá a esperança que permitirá à malta vencer o medo. Ora, quando aqui chegamos, o que ali atrás nos parecia discutível, mas ainda assim sensato – travar uma batalha que pode ser mobilizadora; vencer a direita com distanciamento crítico face ao centro –, começa a perder força de critério e a tornar-se melindroso. Em primeiro lugar, de que esperança estamos a falar? A pergunta faz sentido porque vemos que a investidura de Alegre como cavaleiro da esperança parece trazer consigo a invisibilidade da esperança que se poderá igualmente encontrar no seio da plebe. É isso que sucede quando o João diz que a esperança é um bem escasso e que o povo estará tolhido pelo medo, medo de quem tem medo de ser vítima da crise. E, assegurando-nos que isto não tem que ver com o medo de existir referido por José Gil, e de facto não tem, o que o João nos oferece nem por isso é animador: porque, ao contrário do que o João afirma, a esperança não é um bem assim tão escasso… Sabemos bem, e o João sabe melhor do que muitos de nós, que há esperança (mas também poderíamos aqui escrever racionalidade, moralidade, desejo, poder) sempre que há revolta, resistência, protesto. A ideia de que o pobre possa ser uma figura desesperada pode até revelar muita compaixão e, na melhor das hipóteses, acalentar gestos de solidariedade importantíssimos (importantes, desde logo, para a própria autonomia do pobre), mas igualmente destitui o pobre da capacidade e do poder de luta e de revolta. É o mesmo tipo de destituição que ocorre quando, em torno do desempregado, do precário, do imigrante ou da mulher, parte substancial dos sindicatos limita-se a um discurso de vitimização daqueles subalternos. Sei que a crítica deste discurso de vitimização é, não raras vezes, empreendida por quem, a partir de uma posição liberal e ou neoliberal, procura simplesmente dizer que, por obra e graça da liberdade do contrato, estaremos todos em condições iguais e que por isso não há nem deixa de haver vítimas. Mas sei também que o discurso da vitimização serve igualmente bem a quem se pretenda armar em cavaleiro da esperança dos outros, por esta via recusando a esses outros o poder de lutarem sem tutela contra a desigualdade que liberais e neoliberais não querem ver. E isto é válido para o vanduardismo marxista-leninista como para o vanguardismo social-democrata. Trata-se, então, de uma batalha complicada, que, porém, não revemos recusar, seja a nível de debates “reformistas” seja a nível de debates “revolucionários”. A questão passa por debates reformistas em que devemos defender claramente, alto e em bom som, que uma medida como o subsídio de desemprego ou o rendimento garantido não é piedade nem caridade nem assistência nem humanismo, mas um direito de quem recebe (e um direito que não é apenas ou simplesmente social, mas que é também económico-produtivo e de liberdade política). E passa por debates revolucionários em que a crítica cumpra uma dupla função: recusar o mundo que nos é servido, mas, igualmente, encontrar, além  da evidência e da superfície desse mundo que recusamos ou consagramos, os antagonismos que fazem as dinâmicas (os devires, as mudanças, o que seja) de um mundo que é menos estático e petrificado do que nos parece à primeira vista.</p>
<p>Enfim, mais do que Alegre propriamente dito, o que me interessa é, obviamente, o João Rodrigues. Que não desespere, que há mais mundo além das presidenciais. Isto já vai longo e é claro que deixo para uma outra ocasião a frase – na verdade, todo um programa de&#8230; adornamento…, não leves a mal – do próprio João e segundo a qual Alegre faria uma combinação judiciosa (palavra que afinal sempre encontra utilidade) entre patriotismo, europeísmo e cosmopolitismo. Só espero que o João não esteja a falar do 5º Império, como referia o Alegre no outro dia. E não vale dizer que é só mais uma combinaçãozita  judiciosa em articulação com o lançamento de uma 5ª Internacional.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Os Atalhos e a Bicicleta do Daniel Oliveira</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Jan 2010 00:06:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Não sei o que o Daniel Oliveira pretende com este tipo de argumento. Sei que não procura um debate. Pretenderá apenas vencer os que considera serem seus opositores? Se é isto, bem que pode ficar com a bicicleta.   Há quem, em &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/01/25/os-atalhos-e-a-bicicleta-do-daniel-oliveira/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não sei o que o Daniel Oliveira pretende com <a href="http://arrastao.org/sem-categoria/ou-como-alguns-sectores-proximos-do-bloco-estao-a-leguas-do-eleitorado-do-bloco/">este</a> tipo de argumento. Sei que não procura um debate. Pretenderá apenas vencer os que considera serem seus opositores? Se é isto, bem que pode ficar com a bicicleta.   Há quem, em nome de uma suposta génese “revolucionária” do Bloco de Esquerda, critique o Daniel Oliveira dizendo que o Daniel Oliveira defenderia propostas de conteúdo “reformista”. O meu problema é outro e aquele tipo de críticas não me interessa de todo. O meu problema não reside no facto do Daniel Oliveira defender isto ou defender aquilo mas sim o modo como tende a fazê-lo (nem sempre, por certo), procurando simplesmente naturalizar um seu ponto de vista subjectivo ao apresentá-lo como o ponto de vista objectivo, que só aqueles que não têm os pés assentes na terra é que poderão cair no erro de rejeitar. Atalhar o debate do modo que o fez implica privilegiar uma determinada forma de conhecer a “realidade”, em que só é possível reter o que é unívoco, permitindo-lhe  assim confirmar ou desmentir a sua posição. E é assim que, em lugar daqueles que, mostrando-nos a necessidade de nos atermos à “linha justa”, para tanto invocavam as leis de ferro da dialéctica da natureza, temos hoje o Daniel Oliveira, que, em seu apoio, invoca as justas percentagens dos estudos de opinião. Não creio que as coisas melhorem.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Alma e Razão em Daniel Oliveira</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Jan 2010 16:01:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Bem sei que o título parece mais coisa de livro da Imprensa Nacional &#8211; Casa da Moeda do que de um post de blogue. Mas vamos ao que interessa. Diz o Daniel: &#8220;Não voto com estados de alma. Voto com &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/01/21/alma-e-razao-em-daniel-oliveira/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bem sei que o título parece mais coisa de livro da Imprensa Nacional &#8211; Casa da Moeda do que de um post de blogue. Mas vamos ao que interessa. Diz o Daniel: <a href="http://arrastao.org/sem-categoria/guronsans-que-nunca-tomei/">&#8220;Não voto com estados de alma. Voto com racionalidade.&#8221;</a> E é então que voltamos ao mesmo de sempre. Tal como na última discussão, o Daniel Oliveira aparece aqui a reduzir a política &#8211; e a racionalidade &#8211; a uma questão instrumental. E o pior é que a única alternativa que concebe a esta via é a via da afirmação idealista de um mundo ilusoriamente puro - é com os pés assentes nesse mundo que ele nos fala quando insiste em reclamar a superioridade moral da não-violência.</p>
<p>A nossa sorte (minha e do Daniel, desde logo) é que haverá mais mundo além do que aquele que a falsa alternativa entre os que afirmam e os que negam Maquiavel faz por aparecer. Os que afirmam exaltadamente Maquiavel tendem a fazer recurso à ideia de maquiavelismo, dizendo-nos que é politicamente necessário o cálculo táctico-estratégico, porque os fins não seriam conseguidos sem recurso a meios contraditórios com esses fins. Os que negam pejorativamente Maquiavel tendem a recusá-lo em nome da ideia de que os fins não justificam os meios. O Daniel, que me perdoe o reparo paternalista, tende demasiadas vezes a duas de uma: ou afirma ou nega Maquiavel. Quando, possivelmente, não nos interessa embarcar nem uma nem noutra via. </p>
<p>Três notas mais acerca do post do Daniel. Prometo ser breve. Leiam-me lá.</p>
<p><span id="more-30187"></span>Em primeiro lugar, concordo com o Daniel quando diz: se confrontados com a escolha entre o &#8220;mal menor&#8221; e o &#8220;mal maior&#8221;, optaremos pelo primeiro. Sem amargura, sem gurosan, sem conversa de sapos. No caso das presidenciais, todavia, está por garantir que não se verificará um empate técnico&#8230; Se continuarem a insistir na oposição entre um Alegre que, ao menos, não será &#8220;inculto&#8221;, ao passo que o outro tipo é aquele que veio lá de &#8220;boliqueime&#8221; e que come o bolo-rei com a boca aberta, eu cá começo verdadeiramente a desconfiar se o romantismo alegrista não cairá irremediavelmente mais para os lados do reaccionarismo do que para outra coisa qualquer. Estou a provocar um pouco, é certo, e até admito que, no dia do voto final, poderei votar em Alegre. Mas o meu ponto é este: em relação ao sentido político da candidatura de Alegre, nada está garantido. E surpreende-me a facilidade com que pessoas que tanto criticam Alegre não levem a sério as suas próprias críticas. Dou um exemplo que me parece importante: não se pode dizer que nos desagrada o nacional-patriotismo de Alegre como se esta fosse uma mera questão de estilo. Em política, as questões de estilo são tão políticas como outras quaisquer. Tal como as questões de forma, ou o que se queira chamar. O nacional-patriotismo de Alegre não é uma questão meramente &#8220;poética&#8221;; ou melhor, a questão &#8220;poética&#8221; não é meramente &#8220;poética&#8221;. É uma questão política, económica, ética, moral, social, tudo isso e mais alguma coisa. E em tempos de intensa nacionalização da esquerda portuguesa (a começar pelo Bloco ou pelos nossos amigos neo-keynesianos) isto não é uma coisa menor.</p>
<p>Em segundo lugar, parece-me um erro estar a dar lições de &#8220;unidade&#8221; ao PCP a propósito das presidenciais. O PCP saberá, estou absolutamente seguro disto (mesmo se não estou seguramente de acordo com isso) levar a água ao moinho de Alegre. Poderá hesitar, por razões suas (perfeitamente legítimas), em apresentar um candidato ou em apoiar Alegre (embora eu apostasse que o PCP apresentará um candidato e que ele será o Carlos Carvalhas, que assim voltará a ter o meu voto). Poderá hesitar, num segundo momento, em desistir ou em ir até às urnas. Mas não hesitará, seguramente, em apoiar Alegre numa segunda volta. E poderá contribuir, com os votos do seu candidato, a forçar uma segunda volta, pois haverá quem não vote em Alegre numa primeira volta e prefira votar no PCP e depois acabe, no movimento da campanha, por votar em Alegre; isto embora também seja verdade, reconheço, que não é líquido que a não redução do processo eleitoral a uma só volta favoreça Alegre; de qualquer dos modos, prudência é, a este nível, o melhor que pode ser recomendado a este respeito; além de que, é o minha última nota politológica, prometo, um apoio do PCP a Alegre numa primeira volta poderá levar a uma mais fácil concentração de voto anti-comunista em Cavaco). Em relação ao PCP, há aliás uma coisa que o Daniel não leva em linha de conta, o que é compreensível. A direcção do PCP precisa de &#8220;sentir&#8221; o partido para decidir o que existir para decidir a este respeito. Trata-se de uma questão democrática (mesmo se centralista) e de uma questão de produção de conhecimento: a direcção do PCP &#8220;sente&#8221;/&#8221;conhece&#8221; a política nacional através das suas estruturas de base e não tanto através do seu grupo parlamentar. É a vantagem de ser um partido-movimento&#8230;</p>
<p>Em terceiro lugar, e retomando o primeiro parágrafo deste post, poderíamos, evidentemente, discutir uma política &#8221;vencedora&#8221; (como o Daniel exige) mas não pensarmos apenas em vencer o próximo jogo. O problema da redução da política a uma questão de vitória ou derrota é que, desse modo, jamais se conseguiriam certas e determinadas vitórias. E não estou a falar, sequer, do dia da tomada do palácio de inverno, que eu também não dou para esse peditório (quem quer derrubar os palácios de inverno talvez faça melhor em não tomá-los, a menos que seja para ser enterrado no meio dos escombros &#8211; que era o que o Amílcar Cabral pretendia quando nos falava do suicídio da pequena-burguesia dirigente, se não não estou em erro). A questão é bem mais simples. Quantos votos inúteis, em eleições inúteis, foram precisos para que Lula se tornasse, num belo dia, o presidente do Brasil? E quantos apelos unitaristas, convidando-o a desistir, de modo a não enfraquecer o candidato interno tido como o mais forte (Clinton), recusou Obama para chegar onde chegou? Isto independentemente da minha falta de simpatia política por Obama e da minha simpatia crítica em relação a Lula (que deriva da minha disciplina negrista). </p>
<p>Em resumo, e retomando o primeiro parágrafo: a política que me interessa não precisa de bíblia nenhuma. Mas também não cabe numa folha de cálculo.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Novo Elogio do Eduquês</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Jan 2010 22:54:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Há espécies que tendem a atrair as esperanças de quase toda a humanidade. Espécies que gostamos de adorar como se fossem a essência de todo o bem. Os bombeiros, por exemplo. Toda a gente gosta dos bombeiros e a humanidade descobre-se &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/01/18/novo-elogio-do-eduques/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://ech.cwru.edu/Resource/Image/G02.jpg" alt="" width="489" height="289" /></p>
<p>Há espécies que tendem a atrair as esperanças de quase toda a humanidade. Espécies que gostamos de adorar como se fossem a essência de todo o bem. Os bombeiros, por exemplo. Toda a gente gosta dos bombeiros e a humanidade descobre-se sempre um pouco mais falhada quando se sabe que, afinal, foi mesmo o bombeiro quem ateou o fogo. Semelhante descrença ocorre quando os fiéis descobrem que alguns padres tendem à criminalidade sexual, embora o padre, diga-se, tenha melhor sorte que o bombeiro e este possa legitimamente invejar a resistência da figura clerical às provas que dão conta da sua possível malignidade.</p>
<p><span id="more-29989"></span></p>
<p>Quando entramos no universo infantil, os referentes alteram-se. Além da avó e do avô (que neto pode não gostar da sua avó ou do seu avô?), temos os golfinhos. Basta dizer que funcionam como o negativo do terrível tubarão. Mesmo os <em>Simpsons</em> – naquele episódio em que Springfield é atacada por golfinhos-assassinos, no que terá sido uma sátira aos tubarões do Spielberg? –, mesmo os <em>Simpsons</em>, dizia, não conseguiram colocar em causa a pureza do golfinho.</p>
<p>Ora, os professores pertencem a este mesmo tipo de espécie. As razões serão muitas. Entre elas, é claro, o facto de existirem muitos professores de que os alunos guardam as melhores memórias. A tentativa de transformar os professores em tubarões junto da opinião pública, tentativa que marcou parte da última legislatura, desde logo embateu com aquelas memórias. Agora, se não acreditamos em tubarões, também é verdade que não devemos acreditar em golfinhos. E por isso importa debater o modo de governo que impera na sala de aula, debate este que tem estado envolto em mistificações de vária ordem.</p>
<p>A primeira mistificação é de ordem historiográfica e traz consigo uma série de outras mistificações: os críticos do eduquês tendem a julgar que o modelo antigo – isto é, o modelo que os terá educado – era muito melhor do que o modelo actual; o modelo antigo seria um modelo que tinha defeitos mas que produziria resultados positivos. Ou seja, notem bem, os críticos do eduquês fazem o elogio de si e da “sua” geração, o elogio deles que, apesar de terem sofrido às mãos da escola salazarista, resultaram ainda assim como… bons. Eles são os tais “resultados positivos”, que assim se distinguem da “massa” que hoje atravessa as escolas e este efeito de distinção que é assim obtido não devia ser tão facilmente ignorado por muitos dos que – à esquerda, pelo menos à esquerda – aderem tão facilmente à crítica ao eduquês. Alguns historiadores da educação, como Jorge Ramos do Ó, Rui Canário ou António Nóvoa, têm chamado a nossa atenção para isto mesmo. Sem muito sucesso, diga-se, porque a malta gosta é do Nuno Crato, das bujardas que a Maria Filomena Mónica manda sobre o assunto ou do Marinho Pinto a lamentar o laxismo em que isto está desde que se abandonou a obrigatoriedade do latim na infantil. Enfim, à direita como à esquerda, prefere-se muitas vezes saudar a estratégia da punição enquanto forma de civilização. Tal como sucedia nas colónias, exactamente assim: será preciso infligir dor e provação para que o infligido se “faça homem”.</p>
<p>Os críticos mais sofisticados do eduquês dizem mesmo que &#8220;isto&#8221; anda tudo ligado. E que o mal é do neoliberalismo e do novo espírito do capitalismo, de que o eduquês não seria mais do que o complemento perfeito. No fundo, Maio de 68 – tomado como momento épico da crítica às figuras quotidianas da autoridade: crítica do polícia-sinaleiro, do pai, do professor, do padre – seria não só contemporâneo mas também consentâneo com o neoliberalismo. Não será por acaso, acrescentam, que ambos partilhariam a crítica do Estado e a exaltação da liberdade.</p>
<p>O que este tipo de ideias ignora é que aquilo que se designa como eduquês, ou como modelo novo por oposição ao antigo, não é propriamente novo. Desde há muito que, nesse espaço de conflituosidade que é a sala de aula, o professor e o aluno negoceiam formas de governo. E nessas negociações a autoridade do primeiro é forçada a fazer cedências à resistência do segundo e  o desejo do segundo vai sendo recuperado pela autoridade do primeiro, desenvolvendo-se assim &#8221;modelos&#8221; de educação que não esperaram por Maio de 68 ou pelos neoliberalismos. Embora estes não sejam alheios à questão, sendo aliás aqui que podemos encontrar boa parte das diferenças entre um autor como Zizek e uma dupla como Hardt e Negri. Mas isto fica para um outro post.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Precisamos é de mais eduquês</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Jan 2010 23:38:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Durante os últimos anos, o conflito entre professores e ministra da educação monopolizou o debate em torno da escola. De um lado, os docentes revoltados; do outro, a ministra autoritária. Entre quem se revolta e quem exerce a autoridade do Estado, não preciso &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/01/14/eduques/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Durante os últimos anos, o conflito entre professores e ministra da educação monopolizou o debate em torno da escola. De um lado, os docentes revoltados; do outro, a ministra autoritária. Entre quem se revolta e quem exerce a autoridade do Estado, não preciso dizer que, em princípio, fico a torcer pelos primeiros. Mas não é por isso que esqueço que não é só a ministra que governa. Muitos são aqueles que governam: o presidente governa, o patrão governa, o chefe-de-família governa, o líder sindical governa, o padre governa, o professor governa. E espanta-me que quem tanto reclamou  (e bem) contra o autoritarismo da ministra possa dar como natural e desejável a figura de autoridade do professor. Enfim, o debate em torno da educação e o modelo de governo na sala de aula, apesar de ser das coisas mais sensíveis que se discute em Portugal, é não raras vezes marcado por desconhecimento histórico. Os críticos do eduquês, por exemplo, alguma vez olharam para a história da educação em Portugal? É que talvez descobrissem que as tais ideias que associam aos pós-modernos nem sequer nasceram no dia de ontem. Não são um &#8220;mal&#8221; parido por 1968, pelo PREC ou pela massificação do ensino. No prefácio que escreveu a uma obra incontornável da historiografia portuguesa, a <a href="http://www.wook.pt/ficha/o-governo-de-si-mesmo/a/id/203597">tese de doutoramento </a>de Jorge Ramos do Ó, o excelentíssimo reitor António Nóvoa retomava uma frase de Rosseau para nos relembrar justamente que era a ambição de um melhor governo - e não simplesmente um primeiro ensaio de autonomia, anarquia e comunismo &#8211; que imbuía o célebre suiço. Dizia o famigerado cultor do bom selvagem: “deixem que o vosso aluno acredite sempre ser ele o mestre, quando, na verdade, são sempre vocês que o são”. E acrescentava: “A criança só deve fazer aquilo que quer; mas deve querer apenas aquilo que vocês querem que ela faça&#8221;. Se olharmos apenas para o poder que se exerce através do chicote, provavelmente ignoraremos as outra formas de poder. E sabemos que são mais poderosas aquelas que captam a vontade do próprio dominado, tornando-o parte do processo de governo.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Alegrismos</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Jan 2010 15:23:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Aqueles e aquelas que tencionam votar em Alegre, sem que neste se revejam, não devem admitir sequer a hipótese de que a consciência lhes acabe por pesar sobre os ombros. A relação de representação, ao contrário do que dizem alguns dos seus &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/01/11/alegrismos/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aqueles e aquelas que tencionam votar em Alegre, sem que neste se revejam, não devem admitir sequer a hipótese de que a consciência lhes acabe por pesar sobre os ombros. A relação de representação, ao contrário do que dizem alguns dos seus apologistas, não é uma relação espelhada. Ninguém tem que se rever naquele em que vota. Era só o que nos faltava se, não ficando os representantes reféns dos representados, tivessem estes que ficar presos àqueles. O único sapo que eu, eleitor desta república, teria que engolir no dia em que fosse votar em Alegre seria o próprio gesto de ir votar em quem quer que fosse. No meu caso, porém, a questão é ainda mais fácil, porque, apesar de ser fiel à tese “prognósticos só no fim do jogo”, está-me cá a parecer que não votarei em Manuel Alegre. Nos últimos tempos, nos últimos anos, digamos antes, Alegre teve posições com as quais as minhas opiniões coincidiram por mais do que uma vez, é certo, mas parece-me hoje claro que toda a actuação de Alegre (planeadamente ou não, não me interessa) deu corpo a uma prática política inaceitável. Se é verdade que Alegre começou, e bem, por criticar tendências de fechamento, burocratização e autoritarismo por parte do sistema partidário (e nem me interessa se ele foi parte activa do sistema partidário que criticou), porém sucede que, desde cedo, a sua emancipação da tutela de Soares e de Sócrates se transformou numa autêntica aventura cavaleiresca, de gosto e sentido sempre muito duvidosos – e eu, tal como o Dr. Álvaro Cunhal, prefiro o Sancho Pança ao Dom Quixote. Que a generalidade da esquerda, com a excepção do PCP (cujas reservas podem ser entendidas como prova de sectarismo, mas que podem também ser vistas como sinal de moderação), tenha embarcado nesta aventura, e aí tencione continuar por mais algum tempo, é algo que me esmorece. É que não podemos passar horas a fio a criticar (e bem) o chavismo ou evismo ou o lulismo ou o obamismo (nestes dois últimos casos, infelizmente, não se vê muita crítica a andar por aí…) e nada dizermos em relação ao alegrismo. E, note-se bem, longe de mim a tentativa de comparar os processos sociais que o populismo consubstancia naqueles movimentos sul-americanos, merecedores do meu apoio, ou que inclusivamente consubstancia no caso norte-americano, com aquilo que se tem passado com o alegrismo. Este melhor poderia ser definido – caso isto não fosse um paradoxo – como uma espécie de “populismo” sem “povo”. A simples ideia, aceite e reiterada por tantos, de que o futuro da esquerda portuguesa passa pela figura de um homem é uma contradição insanável para quem admite que a esquerda deve alguma coisa a uma tradição em que se procura uma participação política cada vez mais alargada das &#8220;massas&#8221; e não o culto dos &#8220;grandes homens&#8221; que são eleitos (pelo povo ou por nosso senhor)  para decidir o que será pior ou melhor para a maioria da população de descamisados. Ir para o poder e ter poder não são a mesma coisa, já nos avisava, sensatamente, alguém tão insuspeito de simpatias esquerdistas como o historiador Eric Hobsbawm, num texto seminal escrito nos 50 anos da Frente Popular francesa. De tal modo que, no dia em que Alegre ganhar as eleições presidenciais, a esquerda portuguesa poderá dizer, com legitimidade, que tem alguém no poder; mas dificilmente poderá dizer, nesse dia, que nos aproximámos da tal “esquerda popular”, de que Francisco Louçã foi falando, de forma vaga mas enérgica, nos últimos anos. Não vale tudo para vencer a direita.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Para a História das Culturas Híbridas</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Jan 2010 00:19:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[«Aliás, Jesus Correia, como futebolista, foi um jogador extraordinário pelas características particulares originárias do hóquei. Não era em rigor um futebolista. Era, antes, um hoquista transplantado para o futebol. Talvez seja preferível dizer: era claramente um hoquista-futebolista… Mais de metade &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/01/08/para-a-historia-da-cultura-em-portugal-1/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft" src="http://2.bp.blogspot.com/_QKrT-LuXMmQ/SvNXwN6EtyI/AAAAAAAACN8/ATMM_4-O0m8/s640/cardozo_everton.jpg" alt="" width="602" height="402" /></p>
<p>«Aliás, Jesus Correia, como futebolista, foi um jogador extraordinário pelas características particulares originárias do hóquei. Não era em rigor um futebolista. Era, antes, um hoquista transplantado para o futebol. Talvez seja preferível dizer: era claramente um <em>hoquista-futebolista</em>… Mais de metade dos seus movimentos eram mais de hoquista do que de futebolista! As suas jogadas mais frequentes, no drible ou no remate ao golo, eram oriundas do hóquei… A sua prodigiosa rapidez de reflexos era apurada, para não dizer desenvolvida, pelos patins. E uma apreciável percentagem dos seus estudos à baliza, sobretudo quando se internava e surgia a avançado-centro ou a interior do lado contrário, não eram <em>pontapés de futebolista</em> mas autênticas <em>sticadas </em>de hoquista, tão semelhante era a utilização da perna e do pé, para atirar à baliza, contrariando as noções técnicas do futebol, ao movimento do stique – a empurrar, da esquerda para a direita, a bola para dentro da baliza. Por vezes, a cópia era perfeita: corria da ponta direita para o centro do terreno e, já em frente da baliza, em lugar de desferir remate ao jeito de um futebolista, utilizava a perna direita como se fora o stique, passando-a pela frente da perna esquerda, e no movimento de regresso batia a bola da esquerda para a direita, atirando para longe do alcance do guarda-redes.»</p>
<p>Cândido de Oliveira, em 1954.</p>]]></content:encoded>
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		<title>O Outro Lado da Crítica</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Jan 2010 00:42:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A política é a arte do possível, diz-se por estes dias. Cruzei-me com a ideia neste post do Miguel Vale de Almeida, a propósito da aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo e da não-aprovação da adopção. Que dizer, &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/01/05/o-outro-lado-da-critica/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A política é a arte do possível, diz-se por estes dias. Cruzei-me com a ideia neste post do <a href="http://blog.miguelvaledealmeida.net/?p=1115">Miguel Vale de Almeida</a>, a propósito da aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo e da não-aprovação da adopção. Que dizer, para além do óbvio, isto é, que me alegra a sua alegria e que me anima a aprovação do casamento e que me desanima a não-aprovação da adopção? Dizer, talvez, que a ideia de que a política é a arte do possível não me pareça uma ideia nem muito radical nem muito sensata. É porque houve quem tivesse passado muitos anos, em tempos em que quase toda a gente dizia que o casamento homossexual não era possível, a insistir numa tal proposta, é por isso – não só, mas também – que o casamento é hoje possível. Limitarmo-nos ao que é possível é limitarmo-nos ao que é evidente e o nosso papel político não é apenas governar o possível, mas também ir além do que é evidente. Enfim, depreciamos demasiadamente o lugar da crítica, lugar que o Miguel seguramente valoriza, mas do qual está agora mais afastado, para pena nossa e destes tempos em que a crítica mais respeitada é a que desdenha os que criticam. Temos um primeiro-ministro que diz à oposição de esquerda que esta só sabe criticar, uma oposição de esquerda que diz à esquerda que corre por fora que esta só sabe criticar, e por aí adiante, até à vitória final do pragmatismo e do espírito positivo. Por cima do bolo, a cereja: o lugar dominante dos dias de hoje e que é dizer-se que não basta criticar, que é preciso também construir, e que o mal dos portugueses é só saberem criticar. Depois queixem-se que o pior livro do José Gil é o que mais vende ou que a Laurinda Alves acabe por ser eleita deputada.</p>
<p> <span id="more-29268"></span></p>
<p>Com tudo isto, não quero dizer que devemos advogar um culto do Não em detrimento do culto do Sim. Gostaria antes que procurássemos levar a cabo processos políticos em que o negativo não se dissocia do positivo, isto é, em que a crítica não precede simplesmente a ciência mas é recorrente a esta; assim como o movimento será recorrente ao partido, o poder constituinte ao poder constituído, etc.. Por isso é que tanto importa que a luta contra o que existe contenha desde logo os princípios organizadores do novo. E regresso ao início, quando disse que a ideia de que a política é a arte do possível me parece simultaneamente pouco radical e pouco sensata. Pouco radical porque limita o possível ao que é evidente, como já disse, e pouco sensata porque poderá trazer consigo o princípio do vanguardismo, seja reformista ou seja revolucionário, pois a ideia de que a crítica seria insuficiente parece muitas vezes ser, acima de tudo, o sinal de uma nossa incapacidade em encontrarmos possibilidades de transformação além da linguagem construtiva (e neste sentido, não-crítica) que caracteriza o discurso político-ideológico-científico. Como se não fosse da vida ordinária (das vidas ordinárias, na multiplicidade das singularidades que a compõe e na precariedade dessas mesmas singularidades) que as coisas pudessem e tivessem que surgir. Como se a economia moral da multidão não albergasse possibilidades de levar a cabo um processo de mudança político-social. Enfim, temo que a depreciação da crítica tenda, não raras vezes, a remeter-nos para uma clivagem entre o tempo do Não (da crítica, da rua, das massas) e o tempo do Sim (da ciência, das instituições, das vanguardas), como se estes pudessem (devessem) ser dois momentos separados, logo convocando dois tipos de protagonistas hierarquizados: massas e elites, movimento operário e partido político, representantes e representados.</p>
<p>Ora, se entendermos a crítica como um exercício de negação que é tão actual e constituinte como os exercícios de afirmação, percebemos que a crítica revela o que já existe mas que ainda (e pode ser que para sempre, <em>não há quem o saiba</em>) está oculto, retomando-se aqui muito do debate em torno do problema da alienação. Trata-se, note-se, de um problema que não tem que ser limitado a uma determinada discussão teórica, frequentemente referenciada aos debates da dialéctica negativa ou da teoria crítica. A crítica, com todas as ressonâncias marxistas e frankfurtianas em termos de pensamento político-filosófico, acabaria por ser compaginável com uma certa ideia de involuntarismo (no que este possa ter de anti-vanguardista), na medida em que ambas as vias traduzissem a convicção de que o mundo existente pode deixar de ser esse próprio mundo existente – isto é, a possibilidade da auto-emancipação, de uma sociedade civil contraditória que dispensa a síntese de um qualquer agente de índole e forma estatal. Não quer isto dizer que o que de novo surgirá deva ser tido como algo que já está necessariamente inscrito na realidade prévia, pois de outro modo não seria novo. Mas quer dizer que o novo nasce contra o velho, mas também em relação com o velho, sendo que é aqui que a questão da dicotomia reforma-revolução ressurge como importante. A verdade é que, tanto revolucionários como reformistas, muitas vezes depreciam abusivamente a crítica. Face aos revolucionários deveremos dizer que não nos serve um pensamento sobre os fins que não se preocupe com os meios. Contra os reformistas devemos referir que o facto de não adoptarmos uma relação puramente instrumental entre fins e meios não significa que os meios sejam tudo e os fins nada interessem. Tratar-se-á não de dissolver meios e fins num só, mas de procurar uma relação em espiral entre ambos. Cada geração tem direito à sua revolução, dizia Thomas Jefferson (acho eu).</p>]]></content:encoded>
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		<title>Para a História do Comunismo em Portugal e na Suécia</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Jan 2010 00:38:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Para desanuviar, e em ano de mundial, deixo excertos de uma crónica do ido Cândido de Olivera, publicada em A Bola. O jogo em causa é entre a URSS e a Inglaterra, estávamos no Mundial de 58, na Suécia. Cândido morreria pouco &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/01/05/para-a-historia-do-comunismo-em-portugal-e-na-suecia/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://i.cdn.turner.com/sivault/multimedia/photo_gallery/0912/soccer.world.cup.groups.of.death/images/1958.brazil.ussr.2.jpg" alt="" width="437" height="511" /></p>
<p>Para desanuviar, e em ano de mundial, deixo excertos de uma crónica do ido Cândido de Olivera, publicada em A Bola. O jogo em causa é entre a URSS e a Inglaterra, estávamos no Mundial de 58, na Suécia. Cândido morreria pouco tempo depois. Esta era, se não estou em erro, a primeira vez que assistia ao vivo a um jogo da URSS. Nota de edição: quando Cândido refere &#8220;mormente quando não abundam os ensejos de a ver em acção!&#8221;, estará a referir-se, possivelmente, ao facto &#8211; noticiado pelo Avante! de então &#8211; da FPF recusar propostas de encontros com a sua congénere soviética. Sobre as questões tácticas, é favor soltarem o Luís Freitas Lobo que há dentro de cada um de vós e botarem comentário. (A foto presumo que seja do jogo com o Brasil, se não estou em erro no mesmo campeonato).</p>
<p>«<em>Os jogadores soviéticos, com cinco ou seis bolas, dividiram-se em pequenos grupos e consumiam esses minutos correndo com elas, executando passes em alarde de virtuosismo técnico, “cortando” a bola, jogando-a com o calcanhar, num tipo de exibição de “circo”… E nesses momentos acudia-nos a ideia geralmente criada de que a sua equipa é, acima de tudo, um produto de excepcional preparação atlética e de uma cerrada e intransigente organização defensiva e, por isso mesmo, possuindo uma muito reduzida gama de esquemas de ataque. Mas, o jogo começou e afinal só houve motivo para pensarmos que cada um tem uma forma particular de interpretar o jogo das outras equipas, mormente quando não abundam os ensejos de a ver em acção!</em></p>
<p><em>Todavia, uma versão nos pareceu inteiramente cabida: trata-se de uma equipa com um excepcional ou, melhor dizendo, com uma tão invulgar capacidade atlética que lhe permite manter durante os noventa minutos uma toada de jogo que assenta, com efeito, numa muito cuidada preparação física para poder ser mantida durante quase todo o jogo: todos a defender e todos a atacar!</em></p>
<p><em>[…] um plano de defesa e de ataque que utiliza os dez jogadores: avançando todos, quando atacam, descendo todos à defesa, quando são atacados! A linha de ataque, em regra, não parte isolada, ou apoiada num ou nos dois médios. Não. É seguida pelos dois médios e pelos dois defesas laterais e o próprio defesa-central se adianta, até à linha de meio-campo, embora seja o jogador que se mantém sempre mais perto do guarda-redes.</em></p>
<p><em>[…] Os atacantes jogam preferencialmente pelo chão, em troca sucessiva de passes, e só por imposição do adversário recorrem ao passe por alto para o outro flanco. O jogo mais metodizado, porém, é o da defesa e, daí, a arguição de ser uma equipa que assenta o seu sistema de jogo num plano defensivo em que procuram sempre ter superioridade numérica</em>»</p>]]></content:encoded>
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		<title>Da Vida Ordinária</title>
		<link>http://5dias.net/2010/01/04/heroismo-organizacao-e-vida-ordinaria/</link>
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		<pubDate>Mon, 04 Jan 2010 00:43:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Rui Bebiano concorda e discorda com o que ali postei. Vamos à discordância. Diz o Rui Bebiano: «Agora aquilo que não vislumbro é a possibilidade desse gesto refundador emanar naturalmente da vida de todos os dias, e das mãos de pessoas &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/01/04/heroismo-organizacao-e-vida-ordinaria/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.sangam.org/2009/01/images/Subcomandante_Marcos.jpg" alt="" /></p>
<p>O <a href="http://aterceiranoite.org/2010/01/02/cepticismo/">Rui Bebiano</a> concorda e discorda com o que <a href="http://5dias.net/2009/12/31/ao-cair-do-pano/">ali</a> postei. Vamos à discordância. Diz o Rui Bebiano: <em>«Agora aquilo que não vislumbro é a possibilidade desse gesto refundador emanar naturalmente da vida de todos os dias, e das mãos de pessoas comuns, sem a intervenção de protagonistas organizados e mesmo de heróis que, como todos os heróis, ignoram a hesitação e a dúvida»</em>. Estou de acordo com a recusa da naturalidade do gesto refundador. Mas o oposto da naturalidade não tem que ser algo de artificial e sim algo surgido da própria naturalidade. O oposto da naturalidade não tem que passar pela intervenção de um “elemento vindo de fora”, de índole mais científica (<em>«protagonistas organizados»</em>) ou romântica (<em>«heróis»</em>). Possivelmente, o problema não se colocará se formos capazes de, e para utilizar uma imagem que o historiador George Rudé um dia nos deixou, desenvolver formas de saber e poder em que não haja lugar para uma muralha da china a separar o que é considerado como inerente (dir-se-ia, também, espontâneo, natural) e o que seja derivado (organizado, artificial). Contra o heroísmo, talvez pudéssemos fazer uso do involuntarismo deleuziano, seguindo a pista lançada por alguns dos seus leitores, segundo os quais aquele faria a crítica ao vanguardismo e, simultaneamente, restabeleceria a esperança e a crença nas possibilidades de transformação acometidas na vida ordinária. Isto não significa, e pressuponho que seja para isto que o Rui Bebiano me queira alertar, que a ideia do comunismo como movimento anti-heróico possa ignorar que o movimento comunista não existe fora da história. John Holloway, aliás, é um autor particularmente atento a esse desdobramento &#8220;imanentista&#8221; e revolucionário (a-partir-contra-e-mais-além) do movimento. Ou não fosse no zapatismo, nas suas figuras contraditórias do comandante que é sub-comandante e do herói sem rosto, que ele se tivesse filiado ao longo dos últimos anos.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Ponto de Ordem à Mesa</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Jan 2010 00:27:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Diz o post do Carlos Vidal que, de há uns meses para cá, com a minha participação e do Ricardo Noronha, assim como as visitas regulares, nas caixas de comentário, do Viana e do Niet, este blogue estará a desviar-se do seu &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/01/04/ponto-de-ordem-a-mesa/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Diz o <a href="http://5dias.net/2009/12/30/uma-licao-de-pintura-e-uma-licao-de-politica-de-caravaggio-a-lenine/">post</a> do Carlos Vidal que, de há uns meses para cá, com a minha participação e do Ricardo Noronha, assim como as visitas regulares, nas caixas de comentário, do Viana e do Niet, este blogue estará a desviar-se do seu caminho providencial. Perante esta degenerescência moral, tão dramaticamente sentida pela comunidade que o Carlos Vidal decide não poupar nos insultos que dispara, quer-me parecer que se lhe colocam duas alternativas: ou o Carlos Vidal pega em armas e decide-se a correr com os elementos desviantes do blogue ou vai ter que continuar a engolir mais uns sapos aqui por estas bandas. Importante mesmo era não repetirmos este infeliz episódio. É que eu tenho paciência para muita coisa, tenho mesmo, mesmo, mas ainda sou demasiado inquieto para não me chatear com o facto de alguém, por ignorância ou estupidez, chamar-me fascistóide e outras coisas do género<strong>.</strong> Posto isto, considere-se o factor de degenerescência do blogue que tanto apoquenta o Carlos Vidal: diz ele que, de há uns meses para cá, anda por aqui muita verborreia, gerando-se apenas impasses e paralisias. Evidentemente, este é um argumento que se desdiz: se o Carlos Vidal recorre ao verbo para lutar contra a verborreia, é porque entende que o verbo é desde logo um meio de acção. O que incomoda o Carlos Vidal, parece-me, não é a verborreia em geral (até porque isso confrontá-lo-ia com a sua em particular), mas a verborreia de alguns que pensam diferentemente do próprio Carlos Vidal. Quem escreve contra a verborreia de outro – reclamando para si, ao invés, qualquer coisa que seria mais real do que o verbo, qualquer coisa que o Carlos Vidal designa por acção – está a deslegitimar os argumentos do outro sem ir de encontro ao seu conteúdo, antes deslegitimando a própria acção argumentativa. Trata-se de um artifício duplamente penoso: penoso porque desvia-nos do essencial que é o debate crítico; e é ainda mais penoso porque retoma o pior dos tiques do anti-intelectualismo. Com efeito, a tentativa de opor verbo e acção, de modo tão abrupto e grosseiro, faz uso de uma concepção simplista do que seja o materialismo, reduzindo este ao domínio das coisas e entendendo estas, acima de tudo, como aquilo que seria físico – seja isto o que for<strong>.</strong> O que me distancia do Carlos Vidal não é a importância ou não da acção ou do verbo. É antes a sua concepção reiteradamente estalinista do comunismo. Eu estou do lado de lá da barricada - tal como estão muitos comunistas, muitos anarquistas, muitos leninistas e, até, muitos marxistas-leninistas.<a title="Add to favorites" rel="nofollow" href="javascript:AddToFavorites();"></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Ao Cair do Pano</title>
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		<pubDate>Thu, 31 Dec 2009 15:05:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;O movimento do comunismo é anti-heróico. Os heróis mantêm-se afastados da comunidade, atraem para si mesmos a força comunitária da acção. A tradição revolucionária está repleta de heróis, pessoas que se sacrificaram pela revolução, pessoas que abandonaram esposas, filhos, amigos, &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/12/31/ao-cair-do-pano/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://homepage.mac.com/zichi/.Pictures/blogger2/picasso-stalin3.jpg" alt="" width="537" height="411" /></p>
<p>&#8220;O movimento do comunismo é anti-heróico. Os heróis mantêm-se afastados da comunidade, atraem para si mesmos a força comunitária da acção. A tradição revolucionária está repleta de heróis, pessoas que se sacrificaram pela revolução, pessoas que abandonaram esposas, filhos, amigos, para dedicar-se desinteressadamente a mudar o mundo, enfrentando privações e perigos físicos, muitas vezes até enfrentando a tortura e a morte. Ninguém negaria a importância dessas figuras e, no entanto, há algo muito contraditório na ideia de uma revolução heróica ou, inclusive, na ideia do herói revolucionário. O objectivo da revolução é a transformação da vida comum, quotidiana, e é certamente dessa vida comum e ordinária que a revolução deve surgir. A ideia da revolução comunista é criar uma sociedade em que não sejamos conduzidos, em que todos assumamos a responsabilidade, portanto, o nosso pensamento e as nossas tradições devem mover-se em termos de não-líderes e de não-heróis.&#8221;</p>]]></content:encoded>
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		<title>To Stalin or not to Stalin</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Dec 2009 11:31:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[A crise de legitimidade, representação, demarcação, whatever, por que passou recentemente (ontem) o 5 dias é para mim assunto encerrado. Sobra da refrega, no entanto, uma questão que gostaria de colocar ao Carlos. Perante a sua identificação como um estalinista empedernido, &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/12/29/to-stalin-or-not-to-stalin/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A crise de legitimidade, representação, demarcação, <em>whatever</em>, por que passou recentemente (ontem) o 5 dias é para mim assunto encerrado. Sobra da refrega, no entanto, uma questão que gostaria de colocar ao Carlos. Perante a sua identificação como um estalinista empedernido, entre outros atributos diabólicos que lhe são inúmeras vezes imputados, o Carlos tende muitas vezes a reagir dizendo-lhes que sim, que claro que sim e mais sim ainda. Fá-lo, parece-me, mas não estou certo e por isso este post, porque não quer entrar num jogo de abstracção em relação a um passado que, independentemente de nele se rever ou não, de algum modo <em>assume</em>, recusando assim a posição pura e angélica de quem de tudo consegue lavar as mãos. Até aqui, mais coisa menos coisa, e assim sendo, compreendo perfeitamente o gesto do Carlos: é necessário não ficarmos reféns da chantagem que permanentemente é feita a todos e todas que entendam que tudo deve começar por dizermos &#8220;Não&#8221; ao actual estado das coisas. Essa chantagem diz que quem diz &#8220;Não&#8221; nada mais faz do que defender o horror estalinista e por aí adiante. A questão está em que aceitar o estereótipo e enfatizá-lo pode servir para subvertê-lo e caricaturá-lo, mas também para nos deixarmos enredar num debate que só confunde. Parece-me que o centro da questão é este: não é simplesmente a diabolização do passado comunista que deve ser rejeitada, é a ideia de que esse passado é um só e não um conjunto de tensões e contradições, com diabos, anjos e tudo o resto que entre estes se situa. E, a partir daqui, podemos então sim cuidar desse passado, retomar os debates que aí foram tidos, as clivagens que aconteceram, não para simplesmente repetir a história, mas para construir algo de novo. Rejeitar esse passado como se ele fosse uma coisa una e homogénea não é solução, mas herdar não é um gesto diferente &#8211; é simplesmente o contrário. Enfim, parece-me que quem critica as ideias de representação política, de democracia burguesa, de capitalismo (e deixo de lado o facto, em que todos estaremos de acordo, de nenhum destes conceitos poder ser facilmente manejado), não pode simpatizar – nem por caminhos irónicos – nem com os nacionalismos comunistas, nem com a ditadura sobre o proletariado, nem com o capitalismo de Estado (conceitos que também não são límpidos, reconheço). Para que seja claro para todos que o &#8220;estás marcado&#8221; utilizado pelo Carlos não tem nenhum tipo de ressonância policial.</p>
<p>ps: é evidente &#8211; mas convém dizer &#8211; que não está em causa o carácter mesquinho e obtuso do comentário do Ferreira Fernandes. Que não tem nada de novo: quando ele diz que o Nuno não pode &#8211; por dever de coerência &#8211; trabalhar para uma empresa capitalista e ser contra o capitalismo, está simplesmente a recorrer ao argumento estafado segundo o qual um trabalhador não pode fazer greve contra a &#8220;sua&#8221; própria empresa.</p>]]></content:encoded>
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		<title>A Crise da Representação</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Dec 2009 18:58:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não teria necessidade de me demarcar do que o Carlos Vidal escreveu aqui, caso o seu post não falasse em nome do blogue. Como parece que falava, demarco-me. A minha participação neste blogue deve-se ao seguinte: alegra-me a construção de um &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/12/28/a-crise-da-representacao-2/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não teria necessidade de me demarcar do que o Carlos Vidal escreveu <a href="http://5dias.net/2009/12/27/quem-e-ferreira-fernandes-ainda-nao-jantei-i-e-daqui-por-3h-ja-posso-expelir/">aqui</a>, caso o seu post não falasse em nome do blogue. Como parece que falava, demarco-me. A minha participação neste blogue deve-se ao seguinte: alegra-me a construção de um espaço que reúna pessoas de diversas tendências político-ideológicas situadas à esquerda do centro – valham estas referências geográficas o que valerem…. Este é, creio eu, o único blogue onde convivem leninistas (que não confundo com estalinistas), anarquistas, bloquistas, autonomistas, entre algumas outras espécies não identificáveis. Trata-se, da minha parte, de um convívio que só é possível na medida em que se assumam claramente as divergências – como se tem feito – e que se evite falar em nome da malta toda. As críticas ao 5dias como um todo facilitam que aceitemos a ideia de que o 5dias é um todo. É uma tentação, mas é um erro que não poderá ser cometido.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Ainda a Janela Indiscreta do Pedro Rolo Duarte</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Dec 2009 11:03:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Pedro Rolo Duarte responde, nos comentários ao meu  post, à crítica que aí fiz ao seu programa. Entende que o insultei e responde-me na mesma moeda. Diz ainda que o programa não é jornalístico mas sim de opinião. Se o &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/12/22/ainda-a-janela-indiscreta-do-pedro-rolo-duarte/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Pedro Rolo Duarte responde, nos comentários ao meu  <a href="http://5dias.net/2009/12/19/pobreza/#comments">post</a>, à crítica que aí fiz ao seu programa. Entende que o insultei e responde-me na mesma moeda. Diz ainda que o programa não é jornalístico mas sim de opinião. Se o Pedro Rolo Duarte entende as minhas palavras como ofensivas, admito que a culpa possa ter sido minha. Mas gostava, ainda assim, que os alegados insultos não impedissem que o Pedro Rolo Duarte se centrasse nos dois pontos que eu referi no post anterior. Em primeiro lugar, é ou não incompetência que alguém que tem um programa (jornalístico, opinativo, humorístico, o que queiram) acerca de blogues, ao dedicar uma peça ao 5dias, diga que este é um blogue próximo do BE? Em segundo lugar, não será o preconceito, apenas e só o preconceito, que permite ao Pedro Rolo Duarte sugerir que o Daniel Oliveira, quando não defende o recurso à violência, fá-lo por oportunismo e não por convicção? O facto do Pedro Rolo Duarte não estar ao abrigo do estatuto de jornalista não legitima nem o erro nem o preconceito. Ou só os jornalistas é que podem almejar o céu?</p>]]></content:encoded>
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		<title>Pobreza</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Dec 2009 00:25:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pedro Rolo Duarte dá prova de uma extraordinária incompetência e de uma abundante má-fé na peça radiofónica (procurem o programa desta sexta-feira) que dedica ao debate que foi sendo tido aqui e no Arrastão. Primeiro a incompetência: Rolo Duarte considera os dois blogues &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/12/19/pobreza/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pedro Rolo Duarte dá prova de uma extraordinária incompetência e de uma abundante má-fé na <a href="http://ww1.rtp.pt/multimedia/index.php?prog=2361">peça radiofónica </a>(procurem o programa desta sexta-feira) que dedica ao debate que foi sendo tido aqui e no Arrastão. Primeiro a incompetência: Rolo Duarte considera os dois blogues próximos do Bloco de Esquerda, qualquer coisa que alguém minimamente atento não faria. Dir-me-ão que é um erro, seguramente que é, mas eu, sinceramente, não compreendo como isto é possível. Que o meu avô dissesse isso, eu percebia, mas alguém que é pago para fazer um programa acerca de&#8230;blogues?!?! No fundo, acho que a culpa é nossa, de todos nós. Muitas vezes dizemos que na origem dos disparates de alguma (ou muita, nem sei) comunicação social encontram-se razões político-ideológico-económicas de qualquer espécie. E, no entanto, o que se passa neste caso, e eventualmente em vários outros, é a burrice que resulta da pura e simples ignorância, da falta de rigor e seriedade profissional. Já no fim da peça temos o comentário engraçadote, claro, que se limita a surfar a onda com total desprezo e falta de respeito pelas razões travadas pelos intervenientes no debate. Isto é que é jornalismo? E alguém tem o email do provedor da coisa?</p>]]></content:encoded>
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		<title>&#8220;Nem a vossa paz, nem a vossa guerra!&#8221;</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Dec 2009 18:25:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não queria deixar de dar troco ao Daniel, embora este post seja menos maduro do que gostaria. Mas vamos lá&#8230; É o monopólio da violência por parte do Estado democrático, defende o Daniel, mas eu não gosto de monopólios de poder e &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/12/18/nem-a-vossa-paz-nem-a-vossa-guerra/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não queria deixar de dar troco ao <a href="http://arrastao.org/sem-categoria/pior-e-possivel/">Daniel</a>, embora este post seja menos maduro do que gostaria. Mas vamos lá&#8230; É o monopólio da violência por parte do Estado democrático, defende o Daniel, mas eu não gosto de monopólios de poder e acho que a nossa tarefa é combater todo e qualquer monopólio de poder. Bem sei que existem centralismos democráticos e centralismos que não são democráticos, tal como existem nacionalismos democráticos e outros que não o são. Todavia, não creio que o combate contra o centralismo democrático seja dissociável do combate contra o centralismo puro e duro. Vejo com muita dificuldade a possibilidade de construirmos uma distinção clara entre democracia e ditadura que não passe pelo combate a todo e qualquer centralismo  &#8211; da providência, do rei, do governo, do Partido. Por isso entendo o combate democrático enquanto um combate que, não só não se limita ao elogio do Estado democrático em detrimento do Estado ditatorial, como efectivamente se implica na luta contra aquilo a que poderíamos chamar genericamente a forma-Estado.</p>
<p><span id="more-28497"></span></p>
<p>O Daniel elogia -  tal como faz a <a href="http://jugular.blogs.sapo.pt/1402747.html">Irene Pimentel </a>- as virtude do Estado democrático. Compreende-se e em parte concordo. O Estado democrático é frequentemente celebrado pelo seu cariz inclusivo: o voto concedido não apenas aos que mais têm mas também aos que menos têm. Mas ficar por aqui seria redundar numa visão demasiado economicista, por um lado, e escassamente económica, por outro. Trata-se de uma visão demasiado economicista porque ela só permite a nossa atenção à progressiva integração estatal do que se convencionou designar como classes trabalhadoras da nação. Esquecendo-se assim o cariz excludente do Estado democrático. É que ao escrever a palavra povo e ao configurar o espaço da cidadania, o Estado democrático politicamente inclui tanto quanto exclui. Um primeiro nível dessa exclusão é o que permite dividir a população entre povo nacional e povos internacionais. A capacidade centralizadora e o poder de violência do Estado democrático colocam-no numa situação de monopólio que lhe permite explorar ou eliminar populações que ficam além da fronteira, algures num continente mais a sul ou alhures no meio de um oriente qualquer, sejam populações colonizadas ou populações cidadãs de países independentes. Esta exclusão por via nacional opera territorialmente à escala do mundo, face a outros povos, mas não só. Como sabemos, opera e operou também socialmente, no interior da própria nação, instituindo os sem-povo: as mulheres, os imigrantes, os colonizados. Trata-se, note-se, de exclusões operadas legalmente pelo Estado democrático e de exclusões que não serão questionáveis se aceitarmos (de bom ou de mau grado) o princípio da monopolização da violência por parte do Estado democrático. Ou se aceitarmos o bom senso que o Daniel nos recomenda a fim de discernirmos os diferentes níveis de violência. O bom senso não é um argumento que mereça respeito. Porque a questão que fica por responder quando o Daniel nos fala de uma violência de primeira (de índole imediatamente física) e uma violência de segunda (de índole mais simbólica) é desde logo esta: quando se tenta entrar à força num país e se é vedado pela burocracia que nega o visto de entrada, a violência do migrante é de primeira e a do burocrata é de segunda? A fisicalidade e o simbolismo da violência dependem frequentemente do ponto de vista. Daqui decorre, aliás, toda a impertinência do argumento segundo o qual o Estado democrático impede as guerras de tribos e de outros senhores feudais, garantindo um mínimo de harmonia nacional e de paz social e sendo que de outra forma viveríamos no reino do terror e do caos (há mais vida para além do rousseaunismo primário e do anti-rousseausnimo primário!). Este argumento não pode ser aceite porque aquele trabalho negativo (de negação de violência) que o Estado democrático executa no seio da nação é igualmente um trabalho positivo (de afirmação de violência) que executa no plano do mundo e no plano da sociedade. Como vimos, é a própria edificação de uma comunidade nacional a partir da sociedade e à margem do resto do mundo que não decorre sem aquela exclusão violenta que nega direitos a uns e concede a outros, pondo em andamento um mecanismo quotidiano de rarefacção e concentração do poder.</p>
<p>Mas o elogio dominante ao Estado democrático e ao monopólio estatal da violência (e aqui o Daniel concodará seguramente comigo) comete ainda um outro pecado: o de assentar numa visão da democracia tendencialmente indiferente à economia.  Além da exclusão do cidadão de outra nacionalidade, além da exclusão do velho e novo lumpen e seus adjacentes da condição de cidadania, o Estado democrático opera ainda uma outra exclusão: a exclusão da economia do domínio da democracia, num processo em que a separação entre uma violência de primeira e uma violência de segunda, assim como a separação entre uma monopolização da violência em contexto ditatorial e em contexto democrático, volta a não oferecer nenhuma solução satisfatória. O Ricardo já aqui escreveu e eu não poderia estar mais de acordo: para quem aceita que a liberdade possa também ser a liberdade de um explorar um outro, o monopólio da violência pelo Estado democrático pode bem ser o horizonte máximo. Para quem não aceita (e eu não aceito), a conversa é outra: de facto, que violência é primeira e que violência é segunda nesta alternativa que vos apresento: a violência de quem rouba, ocupa e invade propriedade privada; ou a violência de quem protege essa propriedade, da cerca que interdita o acesso, da grade que fecha o condomínio? A propriedade (privada mas também estatal) não é a única forma de violência, mas a propriedade é um exercício quotidiano de violência garantido &#8211; não só mas também - pelo monopólio da violência por parte do Estado democrático ou ditatorial.</p>
<p>Em última instância, é a dupla dimensão inclusiva/excludente do Estado democrático que leva à impossibilidade de assumirmos como válida a alternativa violência/pacifismo; ou, se quiserem, caos/ordem. Cultivar a violência coloca-nos do lado do Estado democrático (ou ditatorial) que oprime o outro. Cultivar o pacifismo, e seguir a lógica, que o Daniel valoriza, de separação entre uma violência de primeira e uma violência de segunda é um erro igualmente crasso. Precisamos de nos livrar da falsa alternativa violência/pacifismo. Para podermos (fica para outro post&#8230;) começar a pensar a relação fins/meios, que é tudo menos fácil, pois claro, e em relação à qual o Daniel foi adiantando tópicos de debate bastante relevantes.</p>
<p>Bom fim-de-semana e boa sorte.</p>
<p>PS: Tenho pena sincera que a Irene Pimentel se furte ao debate, que não seja frontal e que prefira o insulto.</p>]]></content:encoded>
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		<title>A Tasca e o Manicómio</title>
		<link>http://5dias.net/2009/12/16/a-tasca-e-o-manicomio/</link>
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		<pubDate>Wed, 16 Dec 2009 11:40:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sei que não foi por mal que o Daniel Oliveira recorreu ao imaginário da tasca para descrever o que ele entende ser o espírito dominante deste blogue. Sei também que o imaginário da tasca não &#8220;ofende&#8221; este blogue e julgo poder falar por todos e todas &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/12/16/a-tasca-e-o-manicomio/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sei que não foi por mal que o Daniel Oliveira recorreu ao imaginário da tasca para descrever o que ele entende ser o espírito dominante deste blogue. Sei também que o imaginário da tasca não &#8220;ofende&#8221; este blogue e julgo poder falar por todos e todas que por aqui andam. Por mim, seguindo a reputação de verborreico intelectualista que um dos nossos comentadores frequentemente me imputa, é desde logo importante ressalvar que tascas há muitas e que a cultura popular (seja isto o que for, <em>here we go again&#8230;</em>) é qualquer coisa de mais heterogéneo do que a maior parte das nossas representações faz parecer. Bom, mas retomando. Sei que o Daniel recorreu ao imaginário da tasca, sei que não foi por mal, sei que foi qualquer coisa que lhe saiu. Quero crer, igualmente, que <a href="http://jugular.blogs.sapo.pt/1397954.html">Fernanda Câncio </a>(com quem nunca me cruzei na vida, e contra a qual nada me move, a não ser divergências políticas em relação a várias questões e concordância em relação a algumas outras) não agiu por mal (palavra complicada, mas vocês percebem-me) quando recorreu ao imaginário da loucura para se referir a este blogue e adjacentes. Mas não ter sido por mal não diminui o erro nem o tom descontraído com que se escreve diminui a pobreza do argumento. Argumentos cujo modo, aliás, destoa parcialmente do empenho e do engajamento dos seus autores em outras circunstâncias. Ou será que não? Espero que sim e acho que há motivos para isso. O Daniel, por exemplo, é um dos opinadores mediáticos mais preocupado em lutar contra o elitismo dos opinadores que se julgam acima do &#8220;povo&#8221;, tantas vezes subjacente ao discurso decadentista de figuras como Vasco Graça Moura. Fernanda Câncio, por sua vez, passa anos e anos a lutar contra o recurso a argumentos de índole psiquiátrica para censurar comportamentos tidos como &#8220;desviantes&#8221;, como sucede amiúde no caso do debate em torno das orientações sexuais. Lamento por isso que nem um nem outro pareçam querer hesitar na hora de recorrer a esses mesmos argumentos de autoridade para atalhar caminho em discussões que já não têm vontade de ter mas que ainda parecem ter vontade de vencer. Trata-se, provavelmente, de um duplo vício de que ninguém está livre: queremos vencer discussões que não queremos verdadeiramente ter; recorremos a argumentos de autoridade cuja lógica pretendemos combater. Vício de que não me reivindico livre, claro está. Mas é um vício pernicioso e que deve ser tratado sem misericórdia. Porque a questão não pode ser apenas defender o &#8220;povo&#8221; contra as elites opinadoras dominantes ou os &#8220;homossexuais&#8221; contra a homofobia reinante; isso seria trabalhar em moldes mais próximos da caridade-vanguardista do que da autonomia dos sujeitos; seria achar que não estamos acima do povo mas que estamos à frente do povo; que não estamos a lutar contra um critério discriminatório mas pura e simplesmente a falar em nome de uma identidade discriminada. A questão que nos deve preocupar a todos e todas é desmascarar os mecanismos que negam, uma e outra vez e em circunstâncias várias, que vão do interior da fábrica até à sala de jantar (lugar nebuloso, é verdade), passando ainda pelos debates blogoesféricos, a igualdade entre todos e todas. Igualdade que, claro está, não exclui a diferença, o debate, a discussão, o conflito. No meu caso, aliás, a igualdade é apenas um pressuposto para tudo isto. E agora vou andar nu aos urros e à chuva. Amanhã à noite é que é dia de tasca, para ver os vermelhos na tv. Já no domingo vamos ao estádio.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Renato Teixeira e Daniel Oliveira</title>
		<link>http://5dias.net/2009/12/15/renato-teixeira-e-ou-daniel-oliveira/</link>
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		<pubDate>Tue, 15 Dec 2009 01:03:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[A agressão a Berlusconi não me suscitaria qualquer comentário. Mas o debate gerado a partir daí interpela. Escrevo, mesmo à pressa, aproveitando-me do diálogo entre o Renato e o Daniel, porventura abusando da paciência de um e de outro, canibalizando &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/12/15/renato-teixeira-e-ou-daniel-oliveira/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A agressão a Berlusconi não me suscitaria qualquer comentário. Mas o debate gerado a partir daí interpela. Escrevo, mesmo à pressa, aproveitando-me do diálogo entre o Renato e o Daniel, porventura abusando da paciência de um e de outro, canibalizando os seus argumentos em proveito de uma prosa própria. Então é assim: soube da agressão a Silvio Berlusconi pelo <a href="http://5dias.net/2009/12/13/o-que-a-democracia-nao-resolve-resolve-o-povo/">post </a>do Renato Teixeira. O efeito foi o seguinte: nem sequer tive tempo de perceber se o acontecimento me agradava ou se antes me incomodava. Provavelmente, nem uma coisa, nem outra. O que seguramente me inquietou foi a pronta e entusiasmada reacção do Renato. Disse o Renato que o “povo” (<em>here we go again</em>…) fez o que a democracia não fez. Não consigo acompanhar a prontidão com que este comentário do Renato procurou capitalizar politicamente o acto. Talvez eu esteja a ficar demasiado lento. Hesitante, contemplador, impassível, reformista, vendido, o que quer que seja. Ou talvez entenda que não há radicalidade política sem um mínimo de sensibilidade crítica. Sensibilidade que aconselharia a uma utilização mais prudente de conceitos como povo e democracia (e se o conceito de povo já é problemático, ainda mais será se usado em oposição ao de democracia!). Resumindo, não consigo deixar de ler o post do Renato como uma demonstração de um seu menor interesse pelo acto efectivamente perpetrado e o que nele se inscrevesse. O comentário do Renato apenas pretende convocar o que se passou para animar uma sua narrativa preconcebida? Se assim é, arrisco-me a dizer que o seu foi um comentário conservador. Note-se que a palavra conservadorismo não cai aqui de pára-quedas. Traz no seu encalço o seguinte: o Renato imediatamente procurou revestir o acto de agressão com um sentido político, confinando o que nele se jogasse ao que de proveitoso poderia resultar para a sua digladiação contra o que entende ser a linha política conservadora de um Rui Tavares ou de um Daniel Oliveira ou de um Miguel Portas ou de. Talvez eu esteja a ser injusto – o Renato dirá – e a questão seja tão simples como esta: o comentário do Renato trai-se. E trai-se porque se tomarmos o acto como qualquer coisa da ordem do intempestivo, então não faz sentido reconhecer nele uma lei, dele se extraindo nada de inusitado – e por isso revolucionário – mas sim uma lição. Dizer que o agressor de Berlusconi fez aquilo que a democracia (parlamentar, burguesa, capitalista – espero que seja a essas apenas que o Renato se esteja a referir) não fez é, antes de mais, colocar essa democracia que em nada nos satisfaz no centro da nossa própria prática política. O gesto louco (independentemente da loucura ou não de quem efectuou o dito gesto) é assim rapidamente reconduzido à normalidade de sempre. O gesto nada importa, o fim acaba por ser tudo. Ora, o problema da democracia que o Renato critica não é resolver ou deixar de resolver; é a forma como resolve ou não resolve.      </p>
<p><span id="more-28354"></span></p>
<p>Não surpreende, por isso, que a lógica do comentário do Renato acabe por não se desviar da lógica do <a href="http://arrastao.org/sem-categoria/transbordar-as-margens/">Daniel</a>. Ambas partilham a mesma…digamos…temporalidade. Veja-se que o Daniel diz que é indiscutível que a agressão acabe por beneficiar o próprio Berlusconi. Trata-se aqui da linguagem mastigada, vezes sem conta mastigada, do cálculo político-institucional, cálculo a que o Daniel recorre com alguma regularidade; parece – este cálculo – uma coisa aprumada e sofisticada, porque passaria por descobrir o cinismo ou a ironia do processo histórico, passaria por desmascarar a mentira da verdade – revelar o conservadorismo do revolucionário – e expor a verdade verdadeira e por aí adiante. Contudo, a lógica de raciocínio do Daniel é sempre a mesma, sempre dependente de uma estrutura dialéctica absolutamente rígida: foram os anarquistas gregos que fizeram o jogo do governo grego, é o agressor italiano que faz o jogo do governo italiano (e é certo, como lembrou alguém, que em Itália a tradição se presta a este tipo de análise), foi o feminismo radical que faz o jogo do conservadorismo, etc., em processos de desdobramento mecânico que podemos encontrar, hoje por hoje, nas fórmulas &#8221;coligação negativa&#8221; e similares. Por aqui, temo que não consigamos ir a nada que ainda não conheçamos, que não sejamos capazes de ir além do conhecimento esquemático baseado na famigerada dicotomia das condições objectivas e subjectivas.  O Daniel está tão preso ao circuito tacticista que nem sequer constata que é a sua própria impotência e inimputabilidade que, desse modo, ele cria e recria uma e outra vez; a primeira questão que o Daniel deveria colocar não era o que vai objectivamente acontecer ou deixar de acontecer, mas sim o que ele subjectivamente pensa sobre o assunto e como se pronuncia sobre ele e como interage com outras subjectividades em todo este processo de construção de sentidos políticos. </p>
<p>É certo que o que move o Daniel é mais do que isto. A sua crítica à agressão a Berlusconi tem também que ver com uma questão de princípios, como ele refere. O Daniel é um pacifista, diz-se. Mas este apelo aos princípios não é mais preocupante do que aquela imersão nos meandros do tacticismo. São mundos opostos, mas não serão simetricamente opostos? É como se existissem dois mundos paralelos que nunca se cruzam: o do tacticismo e o dos princípios. A ligação entre ambos – o que se chamaria de política? – é muito ténue. Tende-se a limitar a política a uma de duas coisas: ou o labirinto tacticista ou o puro terreno dos princípios – ou o maquiavelismo ou o anti-maquiavelismo. É a partir deste terreno puro que o Daniel nos fala com não menos certezas do que aquelas que investe quando se fala a partir do cálculo tacticista cujos meandros tanto o encantam. E esta firmeza com que o faz – não vacila nem nos princípios nem no tacticismo – torna difícil que a ligação entre uma e outra coisa deixe de ser remota. Temos assim uma opinião política que se move entre o mais puro idealismo e o materialismo mais simplista; ou melhor, que pula entre uma e outra coisa, sem nunca se mover entre elas. Diz-nos o Daniel que é pacifista e nem hesita em contrapor a grevista de fome ao agressor de Berlusconi, o que não deixa de ser assustador: independentemente de toda a complexidade de forças e poderes subjacente à greve de fome (reduto que para muitos é da esfera da loucura…), independentemente da violência imbricada na greve de fome, não me parece que a luta política deva ser reduzida a ideias-tipo deste género: fazer greve de fome ou dar uma porrada num chefe-de-governo?!? (E devo dizer que contrapor uma e outra coisa não me parece menos boçal – mesmo se mais simpático – do que quer que seja…). O Daniel, além do mais, não é pacifista nenhum. O Daniel diz que é pacifista, mas ele sabe (?) que não é bem assim. A mim parece-me que o Daniel simplesmente defende a monopolização estatal da violência. Monopolização que, diga-se, para o Daniel  tem que ocorrer num quadro democrático, porque, como é evidente, o Daniel não é contra o recurso à violência para combater estados ditatoriais. O Daniel não é contra o 25 de Abril nem contras as manifestações no Irão, só para dar dois exemplos. Recusar a violência é uma impossibilidade porque a violência é como o poder: existe, inevitavelmente existe. O melhor da tradição da esquerda, a este respeito, levava-nos até a este ponto: a dizermos uma outra vez que não damos para nenhuma guerra entre as choupanas. Mas a frase não fica aqui: dizia-se também nenhuma paz com os castelos. <em>No war but class war</em>. Recusar a violência não tem cabimento terrestre: seja em quadro democrático seja em contexto ditatorial, a questão não é o pacifismo. A ideia de uma eliminação da violência é tão irreal como o projecto de eliminação do poder. A ideia de que poderemos viver num mundo sem violência é refém de uma concepção angélica de violência, que não só limita esta a uma dimensão física, como desde logo se esquece que todas as práticas físicas (e há outras?) envolvem uma dimensão de poder em que aquilo que se apresenta como a mais perfeita negação da violência – caso máximo: fazer amor, reproduzir, dar vida, ser mãe – não parece ser indiferente às imagens paradigmáticas da força. Enquanto há vida, existem relações de poder; enquanto existem relações de poder, há violência; e por aí em diante. A questão importante é, essa sim, a da organização democrática (comunista, se quiserem, quem quiser) da violência, do poder, da vida. Não podemos – e quereríamos? – higienizar o sexo até ao ponto em que nele não encontrássemos sinal de violência alguma; o que não significa, é claro, que não saibamos que há uma luta contra a desigualdade que deve ser travada no interior da relação sexual. Mas sobre sado-masoquismo há quem perceba melhor do que eu, seguramente.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Biopolítica</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Nov 2009 19:16:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Esta terça-feira, dia 17 de Novembro, pelas 18h30, no Teatro Maria Matos, o António Guerreiro e o Nuno Nabais discutem a ideia de biopolítica. Eis o tiro de partida para o debate: &#8220;Nos últimos anos, a biopolítica de Michel Foucault &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/11/15/biopolitica-2/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Esta terça-feira, dia 17 de Novembro, pelas 18h30, no Teatro Maria Matos, o <strong>António Guerreiro</strong> e o <strong>Nuno Nabais</strong> discutem a ideia de biopolítica. Eis o tiro de partida para o debate: &#8220;Nos últimos anos, a biopolítica de Michel Foucault tornou-se um sugestivo lugar de debate. O recurso ao conceito parece anunciar que a discussão da política terá que decorrer num plano que extravasa largamente o domínio do institucional, alastrando-se a todas as esferas da vida, no momento em que emergem novas técnicas de governo da população. Entretanto, e a partir da obra de autores como Giorgio Agamben, Roberto Esposito ou Antonio Negri, a noção de biopolítica tem sido objecto de interpretações diversas, por vezes até contraditórias, nuns casos apresentando o conceito como &#8220;grito de alerta&#8221; contra o actual estado das coisas, noutros interpretando-o como gesto de abertura de novos campos de poder político&#8221;. Apareçam.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Robert Enke, 1977-2009</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Nov 2009 00:10:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ Não que o destino de todos os guarda-redes tenha que ser o suicídio, mas quem o foi – e não estou a falar de experiências pontuais, melhor designadas por “jogar à baliza” – não deixará de concordar que o lugar &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/11/13/robert-enke/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> Não que o destino de todos os guarda-redes tenha que ser o suicídio, mas quem o foi – e não estou a falar de experiências pontuais, melhor designadas por “jogar à baliza” – não deixará de concordar que o lugar convida a uma certa melancolia. Passei muito tempo da minha vida a cumprir a função de guarda-redes. A tal ponto que, ainda hoje, posso dizer com alguma naturalidade que sou guarda-redes – a discussão em torno de ser comunista deixo para o fim-de-semana, depois de ler tudo o que por aqui e por aí se tem escrito sobre esse assunto… A melancolia da posição de guarda-redes é tal que, não raras vezes, julguei habitar um tempo diferente, isolado do tempo de jogo experimentado pelos restantes colegas, tempo do qual estavam mais inteiradas as pequeníssimas multidões que, não se encontrando no interior das quatro linhas, assistiam aos jogos de pé, e não sentadas, tomando-se assim parte mais activa do filme do que eu próprio conseguia, longínquo guarda-redes que só efemeramente se torna protagonista de primeiro plano. Este sentimento de exclusão &#8211; não necessariamente negativo, abonemos - variou sempre, é claro, de acordo com o maior ou menor volume de encomendas que chegavam à área. Mas, no geral, um guarda-redes era um tipo que estava ali, na margem do campo, à espera do que desse e viesse, em pura e simples contemplação, subitamente interrompida mas prontamente retomada. Se isto não é minimamente romântico, não sei. Durante alguns anos, jogou-se muito mau futebol no Estádio da Luz e nem por isso deixei de estar presente, no caso deste recinto enquanto espectador, nunca jogador, embora às vezes tenha igualmente desempenhado a tarefa de apanha-bolas. Nestas ocasiões, colocava-me atrás da baliza do topo sul durante o aquecimento do Benfica, a observar de perto Michel Preud’Homme, a dois, três, quatro metros do seu raio de acção. Ouvia o som do esférico quando era suavemente cortado pelas suas luvas – e só um inculto é que não percebe o que isto significa. Quando Michel Preud’Homme deixou o Estádio da Luz, a minha idade também já não me aconselhava à tarefa de apanha-bolas. E voltei a ver o jogo da bancada, sempre da bancada. Foi aí que conheci Robert Enke. Era um excelente guarda-redes, muito seguro entre os postes, não tão perfeito a nível das bolas altas, ainda assim melhor do que qualquer outro guarda-redes que tenha passado por este país na última década. O seu traço mais singular, no entanto, residiria na sua forma de enfrentar o um-para-um: nessas ocasiões, várias vezes poderíamos ver Enke a defender recorrendo aos seus membros inferiores e, ainda assim, nunca citando a figura do guarda-redes de andebol – na verdade, um hipopótamo com a agilidade de uma ginasta acrobática – ou a pose do guarda-redes de hóquei em patins – esse cavaleiro medieval que se move acagaçado como uma pata-choca. Para a história dos saberes da posição de guarda-redes, aquele talvez tenha sido o maior legado de Robert Enke. Para a história do Benfica, fica a certeza de um grande guarda-redes, que morre no ano em que, se por cá estivesse, mais motivos teria para se deixar levar na melancolia da sua posição. Nos tempos que corre, ali atrás, não passa nada, nada se passa. Quanto ao resto, estou com o <a href="http://acausafoimodificada.blogs.sapo.pt/352781.html">maradona </a>– só espero que os jornais não continuem a chafurdar a sua vida e a sua morte, à procura das “razões”. Viva Robert Enke! Viva!</p>]]></content:encoded>
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		<title>O Comunismo do Daniel Oliveira e do Carlos Vidal</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 18:04:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Vinte anos depois da queda do Muro de Berlim, a utilização da palavra comunista por alguém que assim se identifique é problema que está para ficar. O primeiro problema é, desde logo, o da necessidade (ou não) da auto-identificação político-ideológica enquanto gesto necessário &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/11/09/o-comunismo-do-daniel-oliveira-e-do-carlos-vidal/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vinte anos depois da queda do Muro de Berlim, a utilização da palavra comunista por alguém que assim se identifique é problema que está para ficar. O primeiro problema é, desde logo, o da necessidade (ou não) da auto-identificação político-ideológica enquanto gesto necessário ao debate político-ideológico. Sobre isto, porém, e para já, chuto para canto - até porque esta é uma questão genérica, isto é, que se coloca a todas as tradições e correntes políticas. Centro-me, então, no problema concreto: alguém dizer-se comunista hoje. Ora, aqui chegados, curiosamente, encontramos uma espécie coincidência de opostos: por um lado, temos aqueles que, por se assumirem como comunistas, entendem ter um dever de fidelidade com o “Socialismo Real” – um gesto de fidelidade que, parece-me, mas ele saberá explicar-se melhor do que eu, é protagonizado, de quando em vez, pelo Carlos Vidal. Por outro lado, temos os que entendem que, porque o “Socialismo Real” deve ser rejeitado, a própria ideia comunista deverá ser rejeitada – nas palavras do <a href="http://arrastao.org/sem-categoria/um-dia-feliz/">Daniel Oliveira</a>, o estalinismo está no “DNA” do comunismo. Ambas as posições esquecem algo que baralha os termos do debate: é que houve comunistas que morreram e foram assassinados por comunistas, sendo que, a esta luz, manter qualquer ideia de pura e simples fidelidade ou rejeição do passado soviético implicaria esquecer os “vencidos” da História. Quanto a mim, assumo-me como comunista, embora entenda que o problema genérico, que chutei para canto ali em cima, assole permanentemente a própria ideia de alguém assumir-se comunista. E isto é um problema mas é também uma solução. Comunista sem obsessão identitária, comunista mais da parte do comum do que do ista?</p>]]></content:encoded>
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		<title>Karl Marx, Crítico do Nacionalismo Económico</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Nov 2009 21:24:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[  Está desde ontem nas bancas este pequeno livro com dois textos de Marx, a &#8220;Crítica de List&#8221; e o &#8220;Discurso sobre o livre comércio&#8221;. O livro é editado pela Antígona, os textos são traduzidos por José Miranda Justo e o prefácio, de onde &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/11/08/marx-critico-do-nacionalismo-economico/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-full wp-image-27073" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2009/11/capalist.bmp" alt="" width="256" height="438" /></p>
<p> </p>
<p>Está desde ontem nas bancas este pequeno livro com dois textos de Marx, a &#8220;Crítica de List&#8221; e o &#8220;Discurso sobre o livre comércio&#8221;. O livro é editado pela Antígona, os textos são traduzidos por José Miranda Justo e o prefácio, de onde são retiradas as palavras que seguem aqui em baixo, foi escrito por mim. Trata-se de um Marx eventualmente surpreendente, na medida em que encontramos, aqui, um autor igualmente crítico do proteccionismo e do livre-cambismo. Nem a vossa liberdade, nem a vossa protecção, parece dizer o jovem Marx.  Do prefácio: &#8220;[...] Será também aqui que radica a preferência marxiana pela teoria do valor de troca em detrimento da teoria listiana das forças produtivas. Se tanto o proteccionismo como o comércio livre obstam à libertação imediata das necessidades humanas – perpetuando a condição laboral e propondo ao proletário que entregue a sua sorte a outrem, seja a mão invisível do comércio internacional, seja o interesse nacional da burguesia industrial alemã –, a preferência pela teoria das forças produtivas implicaria a renúncia completa à possibilidade imediata dessa libertação. A definição do proletariado enquanto força produtiva, com o optimismo civilizacional e o nacionalismo económico que lhe eram subjacentes, fazia com que a questão da libertação das necessidades humanas fosse prometida para um tempo futuro, em lugar de ser sublinhada a actualidade da negação dessa libertação. Esta actualidade negativa, cuja materialidade é preferida por Marx em detrimento do idealismo de uma promessa futura, estava, sim, implícita na definição do proletariado enquanto valor de troca. «Se designo o homem como “valor de troca”, a expressão implica já que as condições sociais o transformaram em “coisa”. Se o trato como “força produtiva”, coloco no lugar do sujeito real um outro sujeito, substituo o homem por um outro agente, e a partir daí o homem já só existe como causa da riqueza. A sociedade humana, toda ela, passa a ser uma máquina destinada a criar riqueza. A causa não é de modo algum superior ao <em>efeito</em>. O efeito passa a ser apenas a causa abertamente <em>manifestada</em>.» Negando a humanidade do proletariado, ao reduzi-lo a mercadoria, coisificando-o, a teoria do valor de troca radica-nos porém – sem que o deseje, é certo – no terreno dessa mesma realidade negada, única instância de onde pode imanar a luta do proletariado e a possibilidade deste ir além de si mesmo.&#8221;</p>]]></content:encoded>
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		<title>Goodbye, Mr. Socialism</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Nov 2009 23:06:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;Recordo-me daqueles imensos festejos, a multidão que atravessava o Muro e que ao mesmo tempo o demolia. Tenho aqui em casa, justamente, um pedaço do Muro, numerado, um pedação que me foi dado por um velho amigo, um teólogo. A demolição do &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/11/07/goodbye-mr-socialism/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Recordo-me daqueles imensos festejos, a multidão que atravessava o Muro e que ao mesmo tempo o demolia. Tenho aqui em casa, justamente, um pedaço do Muro, numerado, um pedação que me foi dado por um velho amigo, um teólogo. A demolição do Muro e a travessia da Porta de Brandeburgo foram acontecimentos verdadeiramente entusiasmantes de inúmeros pontos de vista, sejam quais forem as conclusões a que hoje possamos chegar. Na minha visão, 1989 corresponde a 1968. Enquanto que em 1968 se destruíram muros que oprimiam a nossa sociedade, em 1989 destruiu-se o muro que defendia o socialismo real, detendo-o à margem do mercado mundial. Então, como eu dizia, vi na televisão essa população feliz, que vinha a este lado comprar um par de sapatos; no fundo eram verdadeiramente miseráveis dentro da nova ideologia comunista, mas nada disso se podia comparar à alegria genuína que sentiam ao sair daquele mundo totalitário, ao encontrarem um pouco de liberdade.&#8221;</p>
<p>Antonio Negri, em &#8221;Goodbye, Mr. Socialism&#8221;. Editado em Portugal, há pouco tempo, pela Ambar e com o título &#8220;Adeus, Senhor Socialismo&#8221;.</p>]]></content:encoded>
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		<title>A Crise da Representação</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Nov 2009 23:48:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Terça-feira, dia 3 de Novembro, pelas 18h30, o Ricardo Noronha e o José Bragança de Miranda vão estar no bar do Teatro Maria Matos, a debaterem o tema que dá título a este post. Deixo o parágrafo de apresentação do &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/11/02/a-crise-da-representacao/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Terça-feira, dia 3 de Novembro, pelas 18h30, o Ricardo Noronha e o José Bragança de Miranda vão estar no bar do Teatro Maria Matos, a debaterem o tema que dá título a este post. Deixo o parágrafo de apresentação do debate, proposto pela unipop: “De forma a dar conta da distância entre uma elite de representantes e o conjunto dos representados, é amiúde referido que vivemos em plena crise da representação. Assim, os debates em torno da abstenção ou dos votos em branco, ou a referência ao enfraquecimento dos poderes dos Estados nacionais no quadro da globalização, alimentam a ideia de uma crescente crise da representação. Paralelamente, a problemática da representação convoca um debate cujo alcance supera a actualidade político-institucional. No quadro da política, mas não só aqui, o ideal de representação parece pressupor a possibilidade de uma relação incorruptível entre quem representa e aquilo que é representado. De tal modo assim seria que, na relação estabelecida entre governante e governado, o sujeito primeiro reflectiria transparentemente o objecto representado. Contudo, se não estivermos seguros desta transparência, o debate da representação deverá começar por perguntar se a representação é sempre um lugar de crise e, por outro lado, questionar se é possível pensar em política e em democracia além da representação.” Até lá.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Confesso-me plagiador, ou: o elogio comumnista do plágio</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/29/confesso-me-plagiador-ou-o-elogio-comumnista-do-plagio/</link>
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		<pubDate>Thu, 29 Oct 2009 11:36:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Os meus bons dias, particularmente àqueles que me chamaram de vendido para cima, ali em baixo, num singelo post onde eu procurava listar um conjunto de factores endógenos que em parte explicariam a queda dos regimes do “Socialismo Real”. Ora, devíamos ter em &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/10/29/confesso-me-plagiador-ou-o-elogio-comumnista-do-plagio/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os meus bons dias, particularmente àqueles que me chamaram de vendido para cima, <a href="http://5dias.net/2009/10/28/a-queda-do-socialismo-real/">ali </a>em baixo, num singelo post onde eu procurava listar um conjunto de factores endógenos que em parte explicariam a queda dos regimes do “Socialismo Real”. Ora, devíamos ter em atenção que o que ali está, <em>ipsis verbis</em>, sem aspas e sem a respectiva denominação de origem controlada, é um dos pontos do programa do Partido Comunista Português, programa em vigor, que não se aprende nos cursos de Ciência Política e de Relações Internacionais, mas que deve ser lido por todas e todos os militantes do partido, partido esse no qual militei durante a segunda metade da década de 90 do século passado, pelo qual tenho um imenso respeito político, intelectual e humano, e a cujo passado dediquei – com a lealdade e o sentido crítico possíveis, não imagino uma coisa sem a outra – os últimos nove anos da minha vida profissional. Para o diabo que vos carregue, pois, mais aos vossos raciocínios espertalhões, do mais pífio sentido dialéctico, que se limitam a dizer que quem critica os regimes de Leste está a defender o capitalismo. Não gostar de Stalin não significa gostar de Ieltsin e se há quem não tenha percebido isto, lamento, mas não percebeu nem perceberá nada de nada. Por certo, isto não desculpará o meu plágio, também ele meio armado ao pingarelho. Plagiei, plagiei, plagiei, confesso-o, agora que fui denunciado, de fio a pavio, pelo comentador das 3h16. Peço-vos, apenas, mais uns segundos de atenção, antes que me crucifiquem, de vez, no altar dos direitos de autor: estou cansado de ser acusado de anti-comunismo apenas e só porque critiquei o estalinismo. Compreendam-me: embora não faça questão de andar na rua com a palavra comunista escrita na minha testa, e apesar de não ter cartão de sócio de nenhuma agremiação desportiva que se reivindique do comunismo, desde que me conheço politicamente que me filio numa tradição comunista. Sei, é claro, que esta tradição é plural e, como é bom de ver, imensamente contraditória. Trata-se de um problema complexo, com o qual não vivo obcecado, mas que também não julgo ser de ordem meramente filológica. A este respeito, e para já, ocorre-me apenas citar, em meu apoio, as palavras de Mario Tronti, datadas dos anos 60: «O que são para nós, Marx, Lenine e as experiências operárias do passado? Certamente, coisas diferentes do que são para outros. É justo que assim seja. Todos os outros tinham encontrado lá dentro aquilo que, segundo nós, nem sequer se deve procurar: urna nova posse intelectual do mundo, que se tornou uma direcção para os estudos; uma nova ciência da vida, ou seja, a tranquilidade na escolha de um lugar na sociedade; uma nova consciência da história, a pior e mais perigosa de todas as coisas…». Para mim, o estalinismo foi, é e será o contrário do comunismo. Qualquer estalinista está do outro lado da minha barricada. Deixo de fora, note-se bem, o marxismo-leninismo, tradição da qual discordo frontalmente, mas que, reparem, distingo do palavrão estalinismo, mesmo se a distinção desilude alguns marxistas-leninistas, que preferem o culto do hífen ao debate do marxismo e ao debate do leninismo. Aqueles que só sabem viver no mundo da “sociedade”, da “alternativa”, do “modelo”, do “regime”, aqueles que, perante isto que vivemos aqui e agora, no ocidente de hoje, só têm a contrapor aquilo que aconteceu no leste de ontem, a esses queria apenas lembrar que um tal argumento é uma chantagem, que não me apanha desprevenido, justamente porque essa é a mesma chantagem que hoje é feita por quem pergunta, aos que criticamos o espectáculo reinante, qual o modelo alternativo que temos para oferecer. O capital não é uma coisa, é uma relação social; uma relação da qual nos queremos evadir, por certo, mas uma evasão que não tem como não partir das forças cuja luta dá vida à relação. Regresso, por fim, e nem a propósito, a Mario Tronti: «Nenhum operário que luta contra o patrão pergunta: e depois? A luta contra o patrão é tudo. A organização desta luta é tudo. E tudo isto é já um mundo. Decerto. É o mundo velho que é necessário abater. Mas quem vos diz que para o abater não basta esta simples vontade de <em>derrubamento do poder</em>, organizada em classe dominante?». E deixo esta também, vinda do mesmo sítio: «Se é verdade que é urgente e, talvez, preliminar a tudo, repor de pé urna estratégia internacional da revolução, devemos compreender que tal não se fará enquanto continuarmos a brincar com o mapa-mundo de crianças inventado pela geografia política burguesa e que, para comodidade didáctica, se encontra dividido em primeiro, segundo e terceiro mundo».</p>]]></content:encoded>
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		<title>A Queda do &#8220;Socialismo Real&#8221;</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/28/a-queda-do-socialismo-real/</link>
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		<pubDate>Wed, 28 Oct 2009 16:04:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Passam agora vinte anos sobre a queda dos regimes ditatoriais que vigoraram nos países da Europa de Leste. Os acontecimentos mostraram que nesses países, apesar das grandes transformações e realizações democráticas revolucionárias de carácter económico, social e cultural, acabou por &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/10/28/a-queda-do-socialismo-real/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Passam agora vinte anos sobre a queda dos regimes ditatoriais que vigoraram nos países da Europa de Leste. Os acontecimentos mostraram que nesses países, apesar das grandes transformações e realizações democráticas revolucionárias de carácter económico, social e cultural, acabou por instaurar-se e instituir-se em determinadas circunstâncias históricas um “modelo” que violou características essenciais de uma sociedade socialista e se afastou, contrariou e afrontou aspectos essenciais dos ideais comunistas. Em vez do poder político do povo, um poder excessivamente centralizado nas mãos de uma burocracia, cada vez mais afastado da intervenção e vontade das massas e cada vez menos sujeito a mecanismos fiscalizadores da sua actuação. Em vez do aprofundamento da democracia política, a acentuação do carácter autoritário do Estado. Em vez de uma economia dinamizada pela propriedade social dos principais meios de produção, uma economia excessivamente estatizada desincentivando progressivamente o empenhamento dos trabalhadores e a produtividade. Em vez de um partido de funcionamento democrático, enraizado nas massas e delas recebendo energias revolucionárias, um centralismo burocrático baseado na imposição administrativa de decisões tanto no partido como no Estado, agravado pela fusão e confusão das funções do Estado e do partido. Em vez de uma teoria viva e criativa, a sua dogmatização e instrumentalização.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Um livro para a Rita Rato ler no próximo natal</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Oct 2009 16:52:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando foi publicado o Livro Negro do Comunismo, um conjunto de intelectuais, todos eles muito respeitáveis e competentes nos seus ofícios académicos, organizou uma resposta: o Livro Negro do Capitalismo. Compreendo a reacção. Mas nunca encheu as medidas. Continua a &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/10/27/um-livro-para-a-rita-rato-ler-no-proximo-natal/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando foi publicado o <em>Livro Negro do Comunismo</em>, um conjunto de intelectuais, todos eles muito respeitáveis e competentes nos seus ofícios académicos, organizou uma resposta: o <em>Livro Negro do Capitalismo</em>. Compreendo a reacção. Mas nunca encheu as medidas. Continua a faltar um <em>Livro Negro do Comunismo</em> que seja escrito por comunistas. Um livro que talvez não opte pelo espírito subjacente à ideia de “Livro Negro”, um livro que talvez não chame comunismo ao que, por regra, se chama comunismo. Mas um livro que, sem dúvida, não se limite a chutar para canto os números e as desgraças – por vezes mal contabilizadas e tantas vezes pior contadas, é certo – que é possível encontrarmos plasmados no <em>Livro Negro do Comunismo</em>. Esse livro, que nos faz falta, não teria que ser, note-se, produto de investigações e trabalhos inéditos. Poderia e deveria ser uma antologia, juntando textos de autores tão diferentes como Trotsky, Lefebvre, Benjamin, Debord, Lefort, Tronti, etc. Porque a questão não é simplesmente a de permanecermos ou não fiéis ao passado comunista, mas sim a de sabermos a que passado comunista queremos permanecer fiéis. Os comunistas precisam de um livro que, não tendo o propósito de criminalizar a ideia comunista, também não se limite simplesmente a dizer que o ideal foi pervertido. Não creio que a ideia comunista saísse mais frágil de um processo de auto-crítica. Pelo contrário, ao recusar-se olhar criticamente para o passado das experiências comunistas, prescinde-se da primeira condição do comunismo. Afinal, dele é condição necessária o princípio de uma emancipação que só o será se for auto-emancipação e – não há volta a dar – não há auto-emancipação sem auto-crítica. Um livro destes era um livro que eu não me importava que me fosse oferecido no próximo natal. E acho que a Rita Rato também não se importaria que lhe fosse oferecido.</p>]]></content:encoded>
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		<title>A política a partir de baixo e a economia moral da multidão</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/26/a-politica-a-partir-de-baixo-e-a-economia-moral-da-multidao/</link>
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		<pubDate>Sun, 25 Oct 2009 23:33:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Quando falamos de política tendemos a conceber uma actividade profissional que ocupa o quotidiano de executivos governamentais e representantes parlamentares. Entretanto, sabemos que esta limitação destitui de politicidade a actividade dos que estão à margem daqueles círculos institucionais. Importa por &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/10/26/a-politica-a-partir-de-baixo-e-a-economia-moral-da-multidao/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>&#8220;Quando falamos de política tendemos a conceber uma actividade profissional que ocupa o quotidiano de executivos governamentais e representantes parlamentares. Entretanto, sabemos que esta limitação destitui de politicidade a actividade dos que estão à margem daqueles círculos institucionais. Importa por isso recolocar a relação entre política e grupos menos privilegiados num plano de debate que não esteja subordinado aos critérios definidos no quadro daqueles círculos institucionais, critérios estes que tendem a ignorar o que se poderia entender como experiências plebeias da política, experiências que remetem para conceitos como &#8220;economia moral da multidão&#8221; ou &#8220;armas dos fracos&#8221; e ecoam a história de inúmeros casos de resistência quotidiana e rebeldia popular&#8221;</em>.</p>
<p>Esta terça-feira, no Teatro Maria Matos, a antropóloga Paula Godinho e a historiadora Fátima Sá vão discutir estas e outras coisas, num debate intitulado a política &#8216;a partir de baixo&#8217;. É às 18h30 e deixo-vos aqui, igualmente, a sugestão de leitura para o debate, feita pela unipop. Trata-se de um excerto de um livro recentemente editado pela Antígona, &#8221;A Economia Moral da Multidão na Inglaterra do Século XVIII&#8221;, de Edward Palmer Thompson.</p>
<p>  <img src="http://lemonodor.com/archives/images/william-morris-wallpaper.jpg" alt="" width="433" height="569" /></p>
<p><em>&#8220;Muitos dos nossos historiadores do desenvolvimento podem ser acusados de um reducionismo económico crasso por eliminarem as complexidades inerentes à motivação, à conduta e ao desempenho, o que aliás levaria esses mesmos historiadores a protestar, caso descobrissem semelhante limitação no trabalho dos seus colegas marxistas. As suas explicações comungam de uma mesma debilidade: uma visão redutora do homem económico. Verdadeiramente surpreendente talvez seja o ambiente intelectual-esquizóide que permite que esta historiografia quantitativa co-exista (nos mesmos locais e por vezes nas mesmas mentes) com uma antropologia social que dimana de Durkheim, Weber ou Malinowski. Sabemos tudo acerca do delicado tecido de normas e reciprocidades sociais que regulam a vida dos ilhéus de Trobriand e acerca das energias psíquicas envolvidas nos cultos de carga da Melanésia; mas nas nossas histórias, a determinada altura, esta criatura social infinitamente complexa, o homem da Melanésia, torna-se o mineiro de carvão inglês oitocentista que leva espasmodicamente a sua mão à barriga e reage a estímulos económicos elementares.</em></p>
<p><em>            À perspectiva espasmódica contraporei a minha própria perspectiva. Em quase todas as acções da multidão oitocentista é possível encontrar alguma noção legitimadora. Através do conceito de legitimação, pretendo afirmar que os homens e as mulheres da multidão acreditavam estar a defender direitos ou costumes tradicionais e, em geral, de terem o apoio de um amplo consenso comunitário. Em determinadas ocasiões, este consenso popular era confirmado por algum tipo de resolução da parte das autoridades. Mais frequentemente, porém, o consenso era de tal modo forte que se sobrepunha a sentimentos de medo ou deferência.</em></p>
<p><em>            Os motins de subsistência em Inglaterra, no século XVIII, eram uma forma de acção popular directa altamente complexa e disciplinada, com objectivos claros. Saber em que medida foram estes objectivos atingidos – ou seja, até que ponto o motim de subsistência foi uma forma de acção “bem sucedida” – constitui uma questão demasiado complexa para ser tratada no âmbito deste texto. Mas a questão pode pelo menos ser colocada, em lugar de ser, como costuma acontecer, simplesmente abandonada e ignorada. Para que tal suceda, contudo, há, primeiro, que identificar os objectivos da própria multidão. É por certo verdade que os motins eram provocados por grandes aumentos dos preços, por práticas abusivas da parte de comerciantes ou pela fome. Mas agravamentos opróbrios como estes ocorriam no quadro de um consenso popular acerca do que eram as práticas legítimas e as práticas ilegítimas do mercado, da moagem, da produção de pão, etc.. Esse quadro, por seu turno, assentava num sólido e tradicional entendimento acerca das normas e obrigações sociais, e das funções económicas inerentes aos diversos sectores da comunidade, que, no seu conjunto, podem ser descritos como a economia moral dos pobres. Afrontar semelhantes preceitos morais constituía habitualmente um motivo para a acção directa – tanto quanto a efectiva privação.</em></p>
<p><em>            Embora não possa ser descrita como “política” em nenhum sentido mais avançado do termo, esta economia moral também não pode ser descrita como apolítica, uma vez que supõe noções definidas do bem comum, que, diga-se, eram apaixonadamente defendidas. Noções a que o povo dava eco tão estrepitosamente que as próprias autoridades se tornavam, em certa medida, suas prisioneiras. Esta economia moral repercutiu-se assim sobre a política governamental e o pensamento do século XVIII de modo muito abrangente, não emergindo apenas em momentos de perturbação. A palavra “motim” é demasiado pequena para englobar tudo isto.&#8221;</em></p>]]></content:encoded>
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		<title>Irene Pimentel e Maria Manuela Cruzeiro</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Oct 2009 14:38:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Num dos seus textos mais desconhecidos, José Pacheco Pereira recomendou, a propósito de um livro fascinante que então criticava com agressividade e inteligência, a leitura do dito cujo e a sua posterior destruição por via do fogo. A memória mais ardilosa tende a &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/10/22/irene-pimentel-e-maria-manuela-cruzeiro/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Num dos seus textos mais desconhecidos, José Pacheco Pereira recomendou, a propósito de um livro fascinante que então criticava com agressividade e inteligência, a leitura do dito cujo e a sua posterior destruição por via do fogo. A memória mais ardilosa tende a reter apenas a parte da recomendação que diz respeito ao processo de incineração, mas, na verdade, a ordem das coisas era importante. E continua a ser: ler primeiro, queimar depois. Num <a href="http://jugular.blogs.sapo.pt/1247830.html">post </a>escrito de um jeito demasiado curto e grosso, a historiadora Irene Pimentel diz que a sua colega Maria Manuela Cruzeiro, em texto <a href="http://caminhosdamemoria.wordpress.com/2009/10/22/expo98-%E2%80%93-um-oceano-de-equivocos/">aqui </a>publicado, estabelece «comparações descontextualizadas e anacrónicas». Diz também que MMC instrumentaliza a História, que conclui que democracia e ditadura são uma e a mesma coisa e que assim nos leva a abdicar da defesa da democracia. Nada menos do que isto.<span id="more-26657"></span> Pode ser feitio meu, é claro, mas, parece-me que, quando queremos mandar para o caixote de lixo um texto de outrém, podemos fazê-lo no recato do nosso lar, ou, caso contrário, se temos mesmo a intenção de tornar pública a nossa legítima fúria, talvez seja sensato darmo-nos ao trabalho de justificar um pouquinho mais as nossas posições. Malhar, como faz a IP? Sim, pode ser. Mas malhar com princípio, meio e fim, método que, diga-se, e concorde-se ou não com as suas posições, é possível encontrarmos no texto da MMC.</p>
<p>Passemos, entretanto, ao que verdadeiramente interessa. Do meu ponto de vista, o texto da MMC é um texto importante. Discordo, desde logo, de uma coisa: da tendência para se resumir a experiência de um “grande evento” à vontade do organizador desse “grande evento”, mas este é um debate que deixo para outra ocasião. Com efeito, deixando esta questão de fora , devo dizer que concordo, genericamente, com a MMC. Trata-se de um texto em que se sublinha a continuidade do imaginário imperial entre o antes e o depois do 25 de Abril, chamando-se a atenção, nomeadamente, para o facto de, em torno do lusotropicalismo, se ter estabelecido uma narrativa obcecada em descobrir no passado colonial português um espírito de convívio e de harmonia cuja exaltação remete para a invisibilidade toda a dimensão conflitual associada ao colonialismo português. Dizer que este efeito do lusotropicalismo sobrevive – com modificações, é certo, e modificações que não são despiciendas, também é certo – à queda do Império, eis algo que tem sido feito por vários autores. E a Irene Pimentel nem precisa de sair do seu blogue para encontrar reflexões muito interessantes acerca deste assunto&#8230; </p>
<p>Convém não esquecer que o colonialismo português foi tão suportado por fascistas como por democratas insignes, razão entre outras que ajudam a compreender a continuidade de uma ideologia imperial antes e depois de Abril. A reflexão da MMC, diga-se, é tanto mais interessante quanto ela nos lembra que a Expo’98 surge em palco, não só mas também, como um evento comemorativo da própria democracia portuguesa. A MMC sente-se revoltada com a coincidência, por razões históricas, mas não só, pois chama a atenção, igualmente, para o facto da decisão de realizar a Expo’98 não ter resultado de um processo de discussão assim tão democrático e de, enquanto grande projecto visando a “unidade nacional”, ter construído um consenso unanimizador que funcionou como um interdito absoluto à própria crítica, crítica em nome da qual defende a ideia de democracia. Perante isto, a IP mostra-se simplesmente assustada &#8211; e talvez seja por isso que reaja tão violentamente &#8211; com a hipótese de resultar, da análise da MMC, uma equiparação entre ditadura e democracia.</p>
<p>Ora, o problema maior da crítica da IP é este: a facilidade com que implicitamente desvaloriza a temática colonial e imperial. A IP pode, com efeito, pretender que o critério ditadura/democracia impere sobre tudo o mais. E que não se fale de legado imperial a propósito de um nacionalismo português democrático, porque isso significaria, em seu entender, que fascismo e democracia serão uma mesma coisa, o que, diria eu, é um raciocínio um nadinha abusivo. Mas aquela desvalorização da questão colonial/imperial trai as próprias pretensões da IP. A questão, com efeito, é esta: será que o raciocínio da IP é efectivamente fiel à oposição democracia/ditadura? Não creio. A IP limita a reflexão sobre o problema ditadura/democracia a um nível meramente nacional, esquecendo que ele foi e é dependente da questão colonial e pós-colonial.</p>
<p>Porventura, a questão torna-se mais clara quando deslocalizamos o debate do caso português. Do ponto de vista do militante anticolonial argelino, de pouco lhe valeu que a França fosse uma democracia e não uma ditadura. A moderação da democracia francesa conviveu bem com o extremismo do seu colonialismo. Mas, mesmo quando nos confinamos ao caso português, convém não nos afastarmos da complexidade do problema. Quando falamos de cidadania, devemos tomar o conceito como inclusivo, na medida em que ele, desde logo, contempla a atribuição de um voto e de uma série de direitos a cada português, seja elee rico, seja ele pobre, seja ele homem, seja ela mulher; mas, ao mesmo tempo, devemos ter em atenção que o conceito de cidadania é, igualmente, um conceito excludente, na medida em que a cidadania é nome do estatuto negado a muitos dos que aqui vivem e que para aqui querem vir viver.</p>
<p>Que em toda esta amálgama - colonialismo democrático francês e colonialismo ditatorial português, colonialismo republicano e colonialismo salazarista, colonialismo salazarista e colonialismo oposicionista, estatuto do indígena e “estatuto” do clandestino - não se devam procurar linhas de continuidade além de linhas de demarcação, isso é o que me surpreende verdadeiramente no post da IP, tantos anos depois de Jaime Serra e Francisco Martins Rodrigues, já para não falar nos anarquistas de &#8220;A Batalha&#8221;, terem sublinhado as continuidades entre colonialismo monárquico, absolutista, liberal, republicano e fascista; ou, se preferirem, tão poucos anos depois de antropólogos como Miguel Vale de Almeida terem chamado a atenção para a persistência de um imaginário lusotropicalista.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Ópio do Povo</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Oct 2009 13:54:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[As palavras de José Saramago são uma provocação dirigida ao coração de todos os crentes. Mas representam também uma dificuldade para boa parte da esquerda. Da minha parte, começo por saudar a provocação. Mais a mais, quando vejo que o &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/10/20/opio-do-povo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As palavras de José Saramago são uma provocação dirigida ao coração de todos os crentes. Mas representam também uma dificuldade para boa parte da esquerda. Da minha parte, começo por saudar a provocação. Mais a mais, quando vejo que o alarme por ela suscitado permite, finalmente, enterrar o “affaire Maité”. Entretanto, à boleia do Nobel, vale a pena pensar na dificuldade em que as suas palavras colocaram tantos ateus de esquerda, entre os quais me incluo. <span id="more-26616"></span></p>
<p>Ao eleger a Bíblia como seu alvo, fazendo-o com maior ou menor sofisticação, e sendo certo que não é despiciendo o modo saramaguiano de declarar publicamente o que quer que seja, o nosso escritor jogou pela medida grande. Ele sabe – se não sabe, desconfio que desconfie – que o Livro de Job e o Evangelho de Marcos não são uma e a mesma coisa, como refere o <a href="http://5dias.net/2009/10/20/biblia/">Bruno</a>; isto é, ele sabe que uma coisa é sempre uma reunião, quando não uma tensão, entre várias coisas diferentes, quando não contraditórias. Mas quiçá Saramago se tenha fartado. Fartado de, lá por saber que uma coisa é sempre coisa vária, ter que andar para aqui a calar, uma e outra vez, a sua legítima vontade. E a sua vontade é colocar o dedo na ferida propriamente dita – ou no que ele julga ser a ferida propriamente dita. Ora, esta sua atitude parece não ter vindo a calhar. Andamos nós a procurar livrar-nos da má fama do slogan que diz da religião que esta não passa do &#8221;ópio do povo&#8221; e, a contra-corrente, Saramago regressa ao palco para levar tudo à frente, tudo a eito, à grande e com o maior estrondo possível. A sua agressividade, com efeito, perturba-nos, até porque, ao longo das últimas décadas, à esquerda, habituámo-nos a tocar na questão religiosa munidos de todas as pinças. Percebemos que a relação entre política e religião era e é assunto complicado, que se presta a deturpações de toda a espécie, como demonstra este mesmo episódio. Habituámo-nos a dizer que ir por aí – pela crítica da religião – é meio caminho andado para perder as massas de vista e outro tanto para se abdicar do espírito de diálogo entre as famigeradas civilizações. A nossa cautela e os nossos caldos de galinha, independentemente dos seus motivos, produziu, diga-se, resultados muito importantes, que são hoje adquiridos incontornáveis e preciosos em qualquer movimento político e social à esquerda: com efeito, descobrimos que nem todos os religiosos são miguelistas empedernidos (falta-nos descobrir que nem todos os miguelismos são miguelistas empedernidos, mas isso é outra conversa), descobrimos teleologias da libertação e o seu radicalismo (que hoje se encontram à esquerda dos próprios governos brasileiros de esquerda), encontrámo-nos como católicos progressistas (que até servem para líderes de bancada parlamentar), descortinámos que as religiões (descontando o &#8220;God bless America&#8221;&#8230;) são aliadas no combate anti-imperialista à guerra e no culto da Paz, e descobrimos, até, que as religiões primitivas citam os comunismos primitivos. Enfim, aprendemos a saber que que Ratzinger não é Frei Bento Domingues, que a crítica do islamismo tem vindo de par com o racismo, que Bin Laden não é o Sheik Munir, etc., etc., etc. Ao mesmo tempo, e pergunto se uma coisa implicaria a outra e julgando eu que não implicaria, deixámos de colocar em causa a própria condição da crença, passámos a desconfiar absolutamente das grandes narrativas políticas dos homens mas a relativizar a nossa crítica às grandes narrativas divinas, como se persistirmos nesta crítica pudesse revelar a natureza totalitária de uma nossa esquerda que muitos dos seus opositores dizem estar sempre disposta a mudar o povo por decreto quando este se revela menos progressista do que esperaríamos. Enfim, fomos amiúde sensíveis à conversa anti-esquerdisto-ateísta. E se ser sensíveis ao que nos crítica não deverá ser visto com penoso, no caso é. Porque aquela conversa, na maior parte das vezes, apresenta uma qualidade discutível. Insiste, por exemplo, na via da amálgama, fazendo coincidir o anti-clericalismo de muitos republicanos com o ateísmo de muitos comunistas. Ora, talvez valha a pena dizer duas coisas a este respeito.</p>
<p>Em primeiro lugar, mas isto não é o mais importante, convém lembrar que o conflito histórico entre republicanos e Igreja Católica (que se reacenderá timidamente no próximo ano) não é, no caso português como noutros, um conflito da pura ordem das coisas do espírito. Teve igualmente algo que ver com a própria ordem das coisas, das terras, dos bens, das propriedades, do poder político, etc.. Isto, por um lado. Em segundo lugar, e este é o ponto mais importante, convém dizer que a crítica da religião em Marx, a partir da qual se consagrará a célebre expressão do “ópio do povo”, não é pura e simplesmente convergente com o anti-clericalismo de inspiração republicana. Este, na sua imensa diversidade, por certo ignorada por mim próprio, está amiúde preocupado em tomar a religião como produto de uma simples conspiração clerical. O filão marxiano, que também não desdenha o anti-clericalismo republicano, porém, aponta outra direcção crítica: equacionar a religião a partir da problemática da alienação, problemática que só a imensa precipitação, de marxistas, não-marxistas e anti-marxistas, pode, de quando em quando, resumir na história de uma ou muitas urdiduras palacianas e de outras tantas intrigas de corte. “A angústia religiosa é ao mesmo tempo a expressão da dor real e o protesto contra ela. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração, tal como o é o espírito de uma situação sem espírito. É o ópio do povo”. Assim escrevia Marx, cujo trabalho em torno da religião tem ocupado um dos seus leitores mais fecundos, seu nome Michael Löwy. </p>
<p>Ou seja: uma coisa são pelo menos duas coisas, uma negada e outra não negada, mas duas coisas inscritas numa só coisa. Saramago, creio eu, sabe bem, ou se não sabe seguramente intui, isto mesmo. Talvez se tenha fartado, isso sim, de ver a malta toda a fugir – como o diabo da cruz, diga-se – à velha fórmula do “ópio do povo”. Ora, se citarmos a frase por inteiro, acrescentado o que antecede o <em>sound-byte</em> opiáceo, não há o que dela incontornavelmente nos separe.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Comumnismo</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Oct 2009 09:26:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;No bairro de Alvalade, em Lisboa, um grupo de vizinhos transformou um logradouro público, onde existia uma lixeira, num jardim. Fiquei a saber deste sucesso da acção colectiva através de uma interessante reportagem do i na mesma semana em que &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/10/19/comumnismo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;No bairro de Alvalade, em Lisboa, um grupo de vizinhos transformou um logradouro público, onde existia uma lixeira, num jardim. Fiquei a saber deste sucesso da acção colectiva através de uma interessante reportagem do<em> i </em>na mesma semana em que foi anunciada a atribuição do Prémio Nobel da Economia a Elinor Ostrom, a primeira mulher a receber este galardão.</p>
<p>Pode dizer-se, sem grande exagero, que Ostrom dedicou uma vida inteira a mostrar que as motivações humanas não se resumem ao egoísmo materialista dos que acham que o que é de todos não é de ninguém. Os mesmos que julgam que os recursos só podem ser geridos com a espada do soberano e com os muros da propriedade privada, as duas soluções íntimas de um sistema que não incentiva o exercício da imaginação institucional.</p>
<p>Na realidade, as comunidades conseguem, em circunstâncias que Ostrom ajudou a clarificar, descobrir sistemas de regras variados, formais e/ou informais, que permitem evitar a predação por alguns dos recursos que são de todos ou a tentação de ficar discretamente à janela a ver os vizinhos a plantarem o tal jardim de que no fim todos irão beneficiar. Da gestão bem sucedida de baldios ao software livre em permanente evolução graças à contribuição generosa de tantos, passando pela autogestão de empresas, são muitas as potencialidades do trabalho cooperativo.</p>
<p>O debate democrático e o envolvimento na tomada de decisão sobre o uso dos recursos ou a existência de níveis de desigualdade socioeconómica reduzidos são alguns dos ingredientes do compromisso duradouro entre indivíduos, da confiança, que permite conjugar a primeira pessoa do plural na economia. Eu faço a minha parte porque nós estamos juntos num projecto marcado pela reciprocidade. A gestão bem sucedida da propriedade comum depende da confiança e pode por sua vez ajudar a cultivá-la, superando assim a tragédia dos comuns, esse abuso desencadeado pelo somatório dos egoísmos desconfiados.</p>
<p>Numa época em que o conhecimento, a nova riqueza comum, é alvo dos apetites capitalistas de quem só entende a linguagem estreita dos muros privados, que dificultam a cooperação ancorada em motivações que vão muito para além do egoísmo &#8211; a chamada tragédia dos anticomuns -, o trabalho realista de Ostrom é de uma grande utilidade. Sobretudo para os cientistas sociais que apostam na diversidade institucional, a promover por políticas públicas inteligentes, como solução para as crises de uma economia onde as pessoas têm muito poucas oportunidades genuínas de dizer uma palavra importante: nós.&#8221;</p>
<p><strong>Este texto é da autoria de </strong><a href="http://ladroesdebicicletas.blogspot.com/2009/10/nos.html"><strong>João Rodrigues</strong></a><strong> e foi publicado no jornal <em>i</em>, hoje, com o título &#8220;Nós&#8221;.</strong> Comumnismo é só um trocadilho meu. E um programa.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Luís Sá</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Oct 2009 20:09:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Vítor Dias recorda, com imensa tristeza e saudade, dez anos passados sobre a morte de Luís Sá. Da minha parte, é com um sorriso nos lábios que não deixo de assinalar tamanha efeméride. O facto da minha relação com o Luís &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/10/16/luis-sa/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://tempodascerejas.blogspot.com/2009/10/luis-sa-15-10-1999-15-10-2009.html">Vítor Dias </a>recorda, com imensa tristeza e saudade, dez anos passados sobre a morte de Luís Sá. Da minha parte, é com um sorriso nos lábios que não deixo de assinalar tamanha efeméride. O facto da minha relação com o Luís Sá não ter sido tão próxima como a do Vítor Dias permite-me a ligeireza destas palavras, que talvez ajudem, por um momento que seja, a aliviar a dor de camaradas que lhe eram mais próximos. Conheci o Luís Sá em reuniões do Partido, daquelas que duram muitas horas, de rabinho sentado, e que confirmam o que já todos sabíamos: um bom militante comunista é cidadão com verdadeiro “cu de aço”. (Sobre os problemas ergonómicos e afins que apoquentam os espaços de reunião, haveria ainda que assinalar um outro, que sempre me pareceu ser descurado no interior do Partido, pelo menos no Vitória: a história do marxismo, dividindo-se em questão agrária, questão nacional, questão colonial, deveria igualmente disponibilizar um lugar maior para a questão da iluminação, cujo único sinal de preocupação que até hoje encontrei foi evidenciado por camaradas estrangeiros, os quais, juntando arte, ciência e engenho, capacitaram a sede do PCF - em Paris, construída por Niemeyer e com um dispositivo de iluminação artificial congeminado por engenheiros franceses e soviéticos - com um sistema de luz em que o peso das sombras será praticamente nulo, particularmente no interior da sala ovni que albergará, ainda hoje, reuniões do comité central. Ora, como sabem todos e todas que tiveram reuniões partidárias de longo fôlego, a sombra em contexto de iluminação artificial é factor de fadiga progressiva, com as canetas a pesarem a dobrar, primeiro na mão, depois o perfil projectado sobre as folhas de apontamentos, já para não falar no cansaço, igualmente duplo, provocado pelos gestos das maõs e dos braços. Os camaradas que empreenderam a reorganização do Partido em Portugal, no início dos anos 40, escreveram, num dos primeiros documentos oficiais, que não bastava comunistas de língua, era necessário homens e mulheres de rija têmpera – mas, esqueceram-se de ponderar o problema do traseiro, talvez porque só fizesse sentido equacionar efeitos nocivos da necessária burocratização da actividade militante quando superado o problema da clandestinidade &#8211; isto é, há torturas bem piores do que a sombra.) Conheci o Luís Sá em algumas daquelas longas reuniões, dizia eu, mas o período em que convivi mais de perto com ele foi de rua. Imediatamente antes da sua morte. Durante a campanha eleitoral de 1999, o Luís Sá era um dos primeiros candidatos na lista de Lisboa e eu era um dos vários camaradas que faziam parte dessa lista. Depois das eleições, em que o Partido obteve um bom resultado, fui para Barcelona, cumprir o meu ano de Erasmus, que Deus o guarde. E foi aí que soube da morte do Luís Sá. Que me deixou triste e desanimado, como raras vezes sucedeu. Deixo, para animar a malta toda, notícias de uma daquelas reuniões infindáveis em que ele esteve presente. Era uma reunião da direcção do Sector Intelectual, uma reunião de debate político, em torno da regionalização, poucas semanas antes do respectivo referendo. Na dita, um camarada amigo, muito amigo mesmo, e tão perspicaz como ingénuo na sua infinita inteligência, deu um ar da sua graça singular. Inscreveu-se para falar. Era para fazer uma pergunta ao Luís Sá, camarada da Comissão Política que, não pertencendo à Direcção do Sector Intelectual, connosco reunia, porque a regionalização era um dos dossiês que acompanhava de perto, dirigindo, com outros camaradas, a campanha pelo SIM. A pergunta ao Luís Sá era, dizia aquele camarada, não de sua autoria, mas de uma sua tia muito idosa, uma tia que ele tinha, uma tia que era uma democrata, uma tia que era uma boa pessoa, mas que não era necessariamente uma comunista, mesmo se, todavia, votava regularmente no Partido, preferência que resultava do imenso respeito que lhe merecia a histórica figura do camarada Álvaro Cunhal. Ora, para sua confusão, a tia do nosso camarada havia lido, no <em>Expresso</em>, uma notícia que dava conta de uma alegada oposição à regionalização por parte do camarada Álvaro. Estava por isso confusa, desorientada, à nora, sem saber que votar. Queria a certeza de que era mesmo verdade que o camarada Álvaro estava contra a regionalização e daí a pergunta do sobrinho e a necessária resposta das altas instâncias do Partido. Instado a esclarecer, a alta instância da ocasião, o Luís Sá, deu uma resposta que, ainda hoje, quando me recordo deste pequeno episódio, me deixa mais perto do sorriso tranquilo e mavioso que ele não raras vezes trazia nos seus lábios, e com o qual nos oferecia o mais sincero &#8221;Meu Caro&#8230;&#8221;. Respondeu ele: “Camarada, diz à tua tia, assim tão idosa, que já tem idade para começar a pensar pela sua própria cabeça”. Não é mal visto, pois não?</p>]]></content:encoded>
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		<title>Errata</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Oct 2009 21:25:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Há intelectuais de direita que passam a vida a sonhar com uma ditadura de esquerda. O Henrique Raposo diz que estava proibido de ler &#8220;A República Velha&#8221; aquando da Faculdade, mas&#8230;, como é que hei-de dizer&#8230;, o Henrique está a faltar à verdade &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/10/15/libertem-o-henrique-raposo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há intelectuais de direita que passam a vida a sonhar com uma ditadura de esquerda. O <a href="http://clubedasrepublicasmortas.blogs.sapo.pt/202451.html">Henrique Raposo </a>diz que estava proibido de ler &#8220;A República Velha&#8221; aquando da Faculdade, mas&#8230;, como é que hei-de dizer&#8230;, o Henrique está a faltar à verdade dos factos. Nos seus méritos e nos seus deméritos, o livro de Vasco Pulido Valente é uma obra importante na historiografia portuguesa. Não precisa ser afamada pelo espectro da censura para ser lida. Mas, enfim, que a verdade não seja um obstáculo a um artigo publicado no <em>Expresso</em>.</p>]]></content:encoded>
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		<title>O Anti-Santanismo Primário</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Oct 2009 11:46:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Os resultados das eleições de Lisboa, longe de colocarem um ponto final na carreira política de Pedro Santana Lopes, não deixam de se traduzir numa derrota que, mais não seja temporariamente, baixa as expectavivas santanistas, que vinham tirando o sono a vários &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/10/15/o-anti-santanismo-primario/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os resultados das eleições de Lisboa, longe de colocarem um ponto final na carreira política de Pedro Santana Lopes, não deixam de se traduzir numa derrota que, mais não seja temporariamente, baixa as expectavivas santanistas, que vinham tirando o sono a vários lisboetas e, ao que parece, a uma grande maioria das gentes da esquerda, seja lá isto o que for. Não me custa a acreditar que o santanismo, como muitos dos seus implacáveis críticos assinalaram, caracteriza-se por uma imensa dose incompetência, umas toneladas de irresponsabilidade e outros tantos quilos de descaramento. Nada que, com efeito, seja indispensável ao nosso bem-estar e ao das nossas cidades. Mas, posto isto, importa dizer que, se as eleições de domingo resolveram, por momentos, o problema do santanismo, elas não resolveram um outro problema, que se encontra a montante e a jusante daquele: o anti-santanismo primário. O anti-santanismo é um impulso primário cultivado pela esquerda portuguesa nos últimos anos e com o qual deveríamos aprender a conviver mais civilizadamente. Ou seja, na figura de Santana Lopes, convergem críticas justas e ponderadas – como não? – mas também um bom número de idiotices. As críticas de José Saramago à vida privada de Pedro Santana Lopes, por exemplo, representam muito do pior que se pode fazer no campo do debate político, aproximando o Nobel do seu arqui-rival Aníbal Cavaco Silva. É, aliás, interessante verificarmos como Pedro Santana Lopes se torna, por vezes, num saco de encher pancada, ora achincalhado pela esquerda política e cultural, ora rebaixado pelo chamado cavaquismo. A dúvida, claro está, reside em saber se não passamos demasiado tempo a odiar Santana e a manter o nosso respeitinho por todas as outras figuras detentoras de cargos de poder. Não defendo que Dias Loureiro, Cavaco, Sócrates, Costa, Jerónimo, Louçã, <em>whatever</em>, sejam achincalhados da mesma forma que Santana o é, mas parece-me que a demonização de uns e a celebração de outros está longe de se afigurar como um caminho sensato. Devo dizer, por exemplo, que a decisão de Sampaio demitir Santana (não confundir com a decisão de nomear Santana) me pareceu destituída de razoabilidade. E, como esta, uma série de interrogações poderiam e deveriam ser feitas: não gritaríamos populismo a propósito da oferta de bicicletas como brinde de campanha? Não clamaríamos eleitoralismo a propósito do programa de festas que Costa montou no Parque Meyer? E que tal falar de fascismo em relação às câmaras de vigilância que serão instaladas nas ruas da cidade? Ou de shopping-centerização da cidade a propósito do que se passou na Praça das Flores ou das decorações da TMN por ocasião do Natal? Glosando outrem, a pergunta que importará responder é esta: porque amamos tanto odiar Pedro Santana Lopes? Uma das respostas, mas há outras, convoca a nossa imensa vontade em imaginarmos uma elite dirigente, que se definiria pela exclusão de Santana Lopes, e no seio da qual, apesar das diferenças de opinião político-ideológica, estará reunido um conjunto mínimo de virtudes éticas e morais. A “boa moeda”, como dizia o Presidente Aníbal Cavaco Silva. Quem quiser, que a compre.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Bloco de Esquerda</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Oct 2009 12:00:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em reacção ao resultado do BE nas autárquicas, levantam-se vozes críticas.  Mas as críticas, diga-se, apontam para vários lados. Parte delas é de âmbito exclusivamente eleitoral, visando, sobretudo, equacionar que razões levaram o BE a ter menos votos do que esperava e o que &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/10/13/bloco-de-esquerda/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em reacção ao resultado do BE nas autárquicas, levantam-se vozes críticas.  Mas as críticas, diga-se, apontam para vários lados. Parte delas é de âmbito exclusivamente eleitoral, visando, sobretudo, equacionar que razões levaram o BE a ter menos votos do que esperava e o que deve ser feito para o BE vir a obter mais votos, restrigindo-se a análise do problema às vicissitudes da política de alianças do BE. São críticas, digamos, fáceis, que se inspiram, não raras vezes, no prestígio que os lemas do unitarismo e do frentismo colhem na memória histórica à esquerda, mas que ignoram quer o lado excludente do frentismo e do unitarismo (a unidade entre comunistas e socialistas na França de final dos anos 30 implicou a exclusão das reivindicações anticoloniais da agenda da esquerda francesa, por exemplo) quer a dimensão basista em que o frentismo se apoiou (unidade, unidade, unidade, mas unidade &#8221;a partir de baixo&#8221;, o que coloca o problema do sectarismo muito além da questão das alianças eleitorais e, até, do estrito âmbito do que por regra se entende por política). Existe, entretanto, uma outra via crítica, que coloca um problema que me parece muito mais importante. Um problema pouco discutido no BE, pelo que me apercebo, e que não precupará a generalidade dos seus dirigentes, ainda pelo que me apercebo. Um problema que interpela o BE nas suas diferentes matizes, da suposta heterodoxia do Daniel Oliveira à alegada ortodoxia do Luís Fazenda. Este problema é o da redução da vida partidária à vida parlamentar, da comunicação política ao espaço mediático dominante, das bases e dos meios da militância (mais ou menos partidarizada) a um núcleo dirigente e seus assessores. Este núcleo dirigente e seus assessores, cuja generosidade e competência não está em causa (como não esteve, nunca, nas críticas feitas à direcção do PCP por alguns dos seus críticos internos), detém demasiado poder para um partido que pretende reinventar democraticamente as formas de fazer política. Diz o Rui Bebiano, num post em que refere muitas coisas de que discordo, mas que, neste ponto, assino por baixo: <a href="http://aterceiranoite.org/2009/10/12/e-agora/">&#8220;Tornou-se agora mais sensível uma das debilidades do Bloco que tem acompanhado o seu trajecto. Refiro-me ao facto de, durante a maior parte do tempo, a sua agenda se ter concentrado em excesso no trabalho parlamentar e nos calendários eleitorais, reduzindo progressivamente uma das áreas de intervenção do BE original que era a participação diária dos seus militantes, e também das suas estruturas nacionais, em causas que tenham a ver com interesses e expectativas situados para além do combate institucional. Reconheça-se: um espaço que o PCP tem sabido preencher melhor&#8221;</a>.</p>]]></content:encoded>
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		<title>O Populismo segundo Ernesto Laclau</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/12/o-populismo-segundo-ernesto-laclau/</link>
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		<pubDate>Mon, 12 Oct 2009 22:14:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[A propósito do debate que se realiza às 18h30 desta terça-feira, dia 13, no teatro Maria Matos, intitulado &#8220;Política, Razão e Emoção&#8221; e que conta com a participação de Manuel Villaverde Cabral e de Manuel Loff, a Unipop publicou, no &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/10/12/o-populismo-segundo-ernesto-laclau/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A propósito do debate que se realiza <a href="http://u-ni-pop.blogspot.com/2009/07/politica-para-alem-da-politica.html">às 18h30 desta terça-feira, dia 13</a>, no teatro Maria Matos, intitulado &#8220;Política, Razão e Emoção&#8221; e que conta com a participação de Manuel Villaverde Cabral e de Manuel Loff, a Unipop publicou, no jornal do Teatro Maria Matos, uma pequena montagem de entrevistas a Ernesto Laclau, onde este tece alguns comentários acerca da ideia de populismo. Fica aqui para todos. Editado a partir de entrevistas aos jornais <em>Clarín</em> (Maio 2007) e <em>Folha de São Paulo</em> (Maio 2006).</p>
<p><strong> </strong><em>A partir de seus trabalhos o populismo deixou de ser uma palavra pejorativa para muitos. Como fez isso? </em>Fiz o que os cristãos fizeram com a cruz, que era um sinal de opróbrio e eles a transformaram em algo positivo. No sentido que eu lhe dou, populismo são as demandas dos de baixo que ainda não estão bem inscritas no discurso político, mas que começam a se expressar. É nesse sentido que penso que o populismo é um fenômeno positivo. Claro que isto pode ir em sentidos divergentes, porque há populismos de direita ou de esquerda.</p>
<p><strong> </strong><em>Qual a sua definição de populismo? </em>Primeiro, sou contra a ideia de que o populismo seja um conceito pejorativo, ou seja, que o único que é válido é o momento institucionalista e que o movimento de mobilização é sempre vilipendiado. Mas o conceito também não é necessariamente positivo. Não é algo que se relacione como um tipo de regime ou ideologia. É uma forma de construir o político que consiste em privilegiar o que eu chamo de lógica da equivalência sobre a lógica institucional diferenciada. Por exemplo, se temos uma localidade onde os moradores pedem à prefeitura que seja criada uma linha de ônibus para levar e trazer ao trabalho. Se é criada, sem problemas. Mas, se não conseguem, isso vira uma frustração. Quando as pessoas têm outras dessas demandas frustradas, de saúde, de educação, então começa a ter uma certa solidariedade entre todas essas demandas. Então, tende-se a dicotomizar o espaço social entre o campo dos que estão no poder e dos que estão abaixo. Isso já é uma situação pré-populista. Quando todas essas cadeias equivalenciais de demanda se cristalizam em torno de certos símbolos comuns, nesse caso já temos o populismo no sentido estrito.</p>
<p><strong> </strong><em>O sr. defende o governo Chávez, que a experiência alarga a participação democrática. Mas há ganhos efetivos? </em>O caso de Chávez é o que mais se aproxima do populismo clássico pelo fato mesmo de que se tinha lá um sistema político podre, com uma base clientelista, com uma escassíssima participação de massa. Havia a típica situação pré-populista: havia demandas que ninguém podia canalizar dentro do sistema político. Chávez começa a interpelar essas massas por fora do sistema institucional tradicional. Faz essas massas participarem do sistema político pela primeira vez. Isso se produz por meio de mecanismos populistas, através da identificação com o líder. O que se dá não é um populismo do tipo autoritário, porque essa não é uma mobilização de cima. Pelo contrário, há um aspecto de auto-organização das massas, nos locais de trabalho. E nisso a participação dos técnicos cubanos foi decisiva. É um ganho efetivo. Não há dúvidas que o futuro latino-americano passa por esse tipo de projeto.</p>
<p><em>As críticas feitas a partir dos Estados Unidos ou da Europa se concentram em Chávez como suporte do populismo de esquerda&#8230; </em>Eu estive na Venezuela no ano passado e vi como vai se dando o processo nessa sociedade. Antes do governo de Chávez essas demandas populares não encontravam eco, hoje isso é possível. Antes da chegada de Chávez o que existia na Venezuela era um regime superclientelístico de gestão da coisa pública, como na Argentina dos anos 30. Quando as demandas das bases não encontram inscrição nos modelos institucionais normais se dá a identificação com um elemento transcendente que é a figura aglutinadora do líder. Essa é a característica geral de todos os regimes populares, não só na América Latina. O gaullismo na França era um fenômeno similar.</p>
<p><strong> </strong><em>E o excesso de personalismo de alguns governantes não pode ameaçar a democracia como sistema? </em>Creio que não. A ameaça para as democracias na América Latina não vem dos populismos, mas do neoliberalismo. Os maiores atentados contra a democracia na região ocorreram em regimes como o de Videla, Com Martínez de Hoz ou com Pinochet e os Chicago Boys, no Chile. O que acontece é que no populismo se encontram os dois elementos, a mobilização a partir de baixo e a identificação a partir de cima. E o que os discursos da direita tratam de dizer é que o que conta é apenas a identificação de cima com o líder e não vêem o processo da mobilização a partir de baixo, mas os dois elementos estão em tensão. Muitas vezes a identificação com o líder se confunde com autoritarismo, mas pode ter identificação com o líder e mobilização de massas simultaneamente ao aumento da participação democrática.</p>]]></content:encoded>
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		<title>A POLíTiCA</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Oct 2009 21:45:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Apareçam neste ciclo de debates organizado pela Unipop e pelo Teatro Maria Matos. É de 13 de Outubro a 26 de Novembro, terças-feiras, sempre às 18h30.  As sugestões de leitura abaixo referidas estão disponíveis no Jornal do Teatro Maria Matos, entre as páginas 23 &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/10/08/a-politica/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Apareçam neste ciclo de debates organizado pela <a href="http://u-ni-pop.blogspot.com/2009/07/politica-para-alem-da-politica.html">Unipop</a> e pelo <a href="http://www.teatromariamatos.egeac.pt/">Teatro Maria Matos</a>. É de 13 de Outubro a 26 de Novembro, terças-feiras, sempre às 18h30.  <em>As sugestões de leitura abaixo referidas estão disponíveis no </em><a href="http://www.teatromariamatos.egeac.pt/DiasHistoriasImprovaveis/TMM_Programa0_email.pdf"><em>Jornal do Teatro Maria Matos</em></a><em>, entre as páginas 23 e 27. </em></p>
<p> </p>
<p><strong><img src="http://ocirculo.files.wordpress.com/2009/04/thefifthestatewithapologiestogiuseppepellizzadavolpedo.jpg" alt="" width="478" height="300" /></strong></p>
<p><strong>13 de Outubro</strong><br />
<strong>POLÍTICA, RAZÃO E EMOÇÃO<br />
</strong><em>Com <strong>Manuel Villaverde Cabral </strong>e <strong>Manuel Loff</strong></em><br />
A frequente utilização da ideia de populismo tem levado à sua banalização, a ponto de ser legítimo perguntar se nos tempos que correm populismo não é apenas a forma mais rápida de desautorizar projectos políticos de que se discorda. Simultaneamente assistimos a uma crescente tecnicização do debate político, definindo-se a política enquanto assunto de especialistas que deverá privilegiar um tratamento preferencialmente racional, de acordo com o qual uma qualquer relação entre política e emoção reveste um sentido patológico.<br />
SUGESTÃO DE LEITURA: O POPULISMO SEGUNDO ERNESTO LACLAU</p>
<p><strong>20 de Outubro</strong><br />
<strong>POLÍTICAS DE IDENTIDADE<br />
</strong><em>Com <strong>Miguel Vale de Almeida</strong> e <strong>António Figueira</strong></em><br />
Nas últimas décadas, a palavra identidade tornou-se um conceito recorrente no debate político. A nível dos movimentos sociais tem sido frequentemente defendida a necessidade de construir identidades que, fundindo dimensões políticas e culturais, permitam a várias figuras subalternas – colonizados, camponeses, indígenas, negros, mulheres, gays – forjar um poder de resistência e transformação que reaja às políticas de identidade dominantes, baseadas no colonialismo, no racismo, no machismo ou na homofobia. Entretanto, este identitarismo estratégico tem sido igualmente criticado pelo facto de ser incapaz de trabalhar uma alternativa que coloque em causa a própria ideia de uma política baseada na noção de identidade, deixando assim por problematizar categorias como nação, género ou família.<br />
SUGESTÃO DE LEITURA: ERIC HOBSBAWM E AS POLÍTICAS DE IDENTIDADE</p>
<p><strong>27 de Outubro</strong><br />
<strong>A POLÍTICA ‘A PARTIR DE BAIXO’<br />
</strong><em>Com <strong>Fátima Sá </strong>e <strong>Paula Godinho</strong></em><br />
Quando falamos de política tendemos a conceber uma actividade profissional que ocupa o quotidiano de executivos governamentais e representantes parlamentares. Entretanto sabemos que esta limitação destitui de politicidade a actividade dos que estão à margem daqueles círculos institucionais. Importa por isso recolocar a relação entre política e grupos menos privilegiados num plano de debate que não esteja subordinado aos critérios definidos no quadro daqueles círculos institucionais, critérios estes que tendem a ignorar o que se poderia entender como experiências plebeias da política, experiências que remetem para conceitos como “economia moral da multidão” ou “armas dos fracos” e ecoam a história de inúmeros casos de resistência quotidiana e rebeldia popular.<br />
SUGESTÃO DE LEITURA: A MULTIDÃO DE E.P.THOMPSON</p>
<p><strong>3 de Novembro</strong><br />
<strong>A CRISE DA REPRESENTAÇÃO<br />
</strong><em>Com <strong>José Bragança de Miranda</strong> e<strong> Ricardo Noronha</strong></em><br />
De forma a dar conta da distância entre uma elite de representantes e o conjunto dos representados, é amiúde referido que vivemos em plena crise da representação. Assim, os debates em torno da abstenção ou dos votos em branco, ou a referência ao enfraquecimento dos poderes dos Estados nacionais no quadro da globalização, alimentam a ideia de uma crescente crise da representação. Paralelamente, a problemática da representação convoca um debate cujo alcance supera a actualidade político-institucional. No quadro da política, mas não só aqui, o ideal de representação parece pressupor a possibilidade de uma relação incorruptível entre quem representa e aquilo que é representado. De tal modo assim seria que, na relação estabelecida entre governante e governado, o sujeito primeiro reflectiria transparentemente o objecto representado. Contudo, se não estivermos seguros desta transparência, o debate da representação deverá começar por perguntar se a representação é sempre um lugar de crise e, por outro lado, questionar se é possível pensar em política e em democracia além da representação.<br />
SUGESTÃO DE LEITURA: PIERRE BOURDIEU E O MISTÉRIO DO MINISTÉRIO</p>
<p><strong>10 de Novembro</strong><br />
<strong>POLÍCIA E POLÍTICA<br />
</strong><em>Com <strong>Manuel Deniz Silva</strong> e <strong>Tiago Pires Marques</strong></em><br />
Em vários países do século XX, a memória da polícia política remete necessariamente para os tempos da ditadura e sabemos que a crítica desses tempos cria uma oposição radical entre a ideia de polícia e a ideia de política. E hoje ainda, quando se trata de debater a relação entre política e polícia, é de um exercício físico e violento do poder de Estado que estamos muitas vezes a falar. Entretanto, polizei, policy, política, polícia, são palavras que percorrem um mesmo universo histórico, num quadro de continuidade e de ruptura que envolve a administração interna, a ordem pública, o direito, a estatística. Neste contexto, e partindo das aproximações de Michel Foucault e Jacques Rancière, esta sessão procura situar o debate político à luz de um mais amplo entendimento da relação entre polícia e política.<br />
SUGESTÃO DE LEITURA: POLÍCIA, POLÍTICA, FOUCAULT E RANCIÈRE</p>
<p><strong>17 de Novembro</strong><br />
<strong>A BIOPOLÍTICA<br />
</strong><em>Com<strong> António Guerreiro </strong>e <strong>Nuno Nabais</strong></em><br />
Nos últimos anos, a biopolítica de Michel Foucault tornou-se um sugestivo lugar de debate. O recurso ao conceito parece anunciar que a discussão da política terá que decorrer num plano que extravasa largamente o domínio do institucional, alastrando-se a todas as esferas da vida, no momento em que emergem novas técnicas de governo da população. Entretanto, e a partir da obra de autores como Giorgio Agamben, Roberto Esposito ou Antonio Negri, a noção de biopolítica tem sido objecto de interpretações diversas, por vezes até contraditórias, nuns casos apresentando o conceito como “grito de alerta” contra o actual estado das coisas, noutros interpretando-o como gesto de abertura de novos campos de poder político.<br />
SUGESTÃO DE LEITURA: PETER PÀL PELBART, BIOPOLÍTICA E BIOPOTÊNCIA NO CORAÇÃO DO IMPÉRIO</p>
<p><strong>24 de Novembro</strong><br />
<strong>DA CIÊNCIA POLÍTICA À FILOSOFIA<br />
</strong><em>Com <strong>Bruno Peixe</strong>,<strong> Lisete Rodrigues</strong> e <strong>Eduardo Pellejero</strong></em><br />
Ao longo dos últimos anos, os cientistas políticos assumiram um lugar proeminente no comentário e na análise política. Assumindo frequentemente a figura do especialista e do perito, os seus comentários tendem a focar preferencialmente dinâmicas eleitorais e institucionais e, de forma visível em Portugal, a ciência política tem conhecido assinalável desenvolvimento académico, demarcando-se da História, da Antropologia ou da Economia Política. Entretanto, nos últimos anos também assistimos a uma recuperação da filosofia enquanto discurso que é condição da política – e vice-versa – e que em certos casos vem mesmo rejeitar a própria ideia de uma articulação entre ciência e política. Esta sessão procura debater o lugar do conhecimento e das ideias na vida política.<br />
SUGESTÃO DE LEITURA: BADIOU, FILOSOFIA &amp; POLÍTICA</p>
<p>Info sobre os conferecistas, no blogue-site da <a href="http://u-ni-pop.blogspot.com/2009/07/politica-para-alem-da-politica.html">unipop</a>.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Adopções</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Oct 2009 09:59:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[O Miguel Vale de Almeida chama a atenção para uma notícia publicada no DN, acerca de um estudo recentemente levado a cabo por Vanessa Ramalho. Da notícia, o Miguel destaca: «Os homossexuais, em geral, não são “neuróticos e ansiosos”. Pelo contrário, &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/10/08/adopcoes/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Miguel Vale de Almeida chama a atenção para uma notícia publicada no DN, acerca de um estudo recentemente levado a cabo por Vanessa Ramalho. Da notícia, o Miguel destaca: <a href="http://blog.miguelvaledealmeida.net/?p=1025">«Os homossexuais, em geral, não são “neuróticos e ansiosos”. Pelo contrário, são “afectuosos, tranquilos, confiantes e firmes nas decisões”, características que fazem deles melhores pais do que muitos heterossexuais, mais “neuróticos, ansiosos e inseguros”. Conclusões surpreendentes de uma tese em psicologia sobre homoparentalidade, que desfaz estereótipos como o de que uma criança criada por homossexuais tem maiores probabilidades de ser gay ou lésbica. (…)»</a> A mim, no entanto, a notícia deixa-me de pé atrás. Explico-me, esmiuçando o pedaço de texto acima linkado. A seu respeito, começo por dizer que estou de acordo &#8211; como não?!? - com a negativa inicial: os homossexuais em geral não são neuróticos nem ansiosos. Mas estou de acordo, antes de mais, por causa do &#8220;em geral&#8221;. Por norma &#8211; em geral, se preferirem&#8230; - deveríamos ter todo o cuidado em começar uma frase acerca de questões de discriminação por um &#8221;em geral&#8221;, a menos que seja, como é o caso, para se negar a própria generalidade. &#8220;Em geral&#8221; é uma fórmula que opera uma redução da multiplicidade a uma identidade e que nos deixa a combater a discriminação em nome da nossa alegada diferença e não do nosso direito à igualdade. Explico-me melhor: em geral, nem homossexuais, nem heterossexuais, nem homens, nem mulheres, nem portugueses, nem chineses são neuróticos ou ansiosos.</p>
<p>Agora, a consequência da negação da generalização não poderá ser a afirmação de uma generalidade de sentido contrário - e é esta afirmação que a notícia nos traz. Com efeito, os meus problemas com a notícia do DN (e, se calhar, com a investigação de Vanessa Ramalho) surgem na frase seguinte à negação inicial. Aparentando-se necessariamente complementar da antecedente, a frase é&#8230; pobrezinha: dizer que, em geral, os homossexuais são mais afectuosos e tranquilos e confiantes é tão absurdo como dizer que são mais neuróticos, ansiosos e o que seja.</p>
<p>Finalmente, também desconfio da última afirmação citada pelo MVA: o estudo contrariará estereótipos segundo os quais um filho de homossexuais tornar-se-á homossexual. É que se, por um lado, é importante desfazer o estereótipo, na medida em que é importante desfazer todos os estereótipos, para mais garantindo-se, neste caso, a imprevisibilidade das nossas orientações sexuais (independentemente da orientação predominante no meio envolvente e também &#8211; embora aqui a discussão seja mais complicada - independentemente da nossa orientação sexual num dado momento ou circunstância); por outro lado, temo que este tipo de estudos, pelo menos tal como divulgado na notícia do DN, não passe de um tranquilizante, que contribui para reduzir o  neurotismo homofóbico, mas que se limita a normalizá-lo - é que o argumento, a mim, soa-me assim (admito que seja o meu mau humor a falar mais alto): deixem que os homossexuais adoptem à vontade porque está cientificamente provado que  isso não vai levar à proliferação da &#8220;espécie&#8221;.</p>]]></content:encoded>
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		<title>autonomia, autonomias, autonomia italiana</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Oct 2009 15:33:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Esta entrada da wikipedia para autonomismo é bastante razoável. Permito-me trazê-la até aqui, de modo a chamar a atenção dos mais desatentos para o debate que prossegue ali em baixo. Trata-se, no caso do que podemos agrupar sob o epíteto autonomista, de uma tradição muito diversa, que vai &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/10/07/autonomia-autonomias-autonomia-italiana/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Autonomism">Esta</a> entrada da wikipedia para autonomismo é bastante razoável. Permito-me trazê-la até aqui, de modo a chamar a atenção dos mais desatentos para o debate que prossegue <a href="http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/#comments">ali </a>em baixo. Trata-se, no caso do que podemos agrupar sob o epíteto autonomista, de uma tradição muito diversa, que vai da autonomia de Castoriadis ao autonomismo de Negri, do trotsquismo pós-colonial (?) de C.L.R. James ao <em>operaismo </em>italiano de Tronti, do neo-zapatismo de John Holloway  a algumas obras historiográficas de Manuel Villaverde Cabral. Trata-se, politicamente, de um leque diverso de experiências, das lutas operárias, do &#8220;outro movimento operário&#8221;, travadas nos EUA ou na Europa, com destaque para Itália e França, à emergência de um feminismo autonomista, entre outras coisas crítico da ideia de emancipação da mulher pelo trabalho, passando ainda por várias lutas em torno de centros sociais, rádios alternativas, etc.. Teoricamente, hoje, sobretudo a partir das correntes italianas, em grande medida exiladas em Paris e noutros locais, merece destaque um conjunto importante de obras e autores que, em Portugal, arrisco-me a dizer, é praticamente desconhecido a nível da militância e da investigação. Vejam os trabalhos de <a href="http://www.traficantes.net/index.php/trafis/editorial/catalogo/coleccion_mapas/derecho_de_fuga_migraciones_ciudadania_y_globalizacion">Sandro Mezzadra</a> em torno da imigração, de <a href="http://www.generation-online.org/p/plazzarato.htm">Maurizio Lazzarato </a>contra a economia política, de <a href="br.geocities.com/polis_contemp/Virno_gramatica_multidao.pdf">Paolo Virno </a>sobre linguagem,  de <a href="http://www.generation-online.org/c/fc_rent2.htm">Carlo Vercellone </a>acerca do rendimento garantido e do capitalismo cognitivo, de <a href="http://www.fims.uwo.ca/people/faculty/dyerwitheford/index.htm">Nick Dyer-Witheford</a> em torno do que chamou cyber-marx. E uns outros tantos. Voltaremos a isto, mas, por ora, é só <em>name dropping</em>. Quem não quiser esperar, siga os links subsumidos pelos nomes dos cromos. Vão dar a textos e livros de acesso gratuito.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Que Fazer?</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Sep 2009 14:35:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Resultou das eleições uma dada composição parlamentar. Acerca da correlação de forças entre os grupos de mandatados, falar-se-á amiúde, durante os próximos dias, para não dizer meses. Acerca do jogo que se inicia, não terei muito a comentar. Ao longo &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/09/30/que-fazer/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Resultou das eleições uma dada composição parlamentar. Acerca da correlação de forças entre os grupos de mandatados, falar-se-á amiúde, durante os próximos dias, para não dizer meses. Acerca do jogo que se inicia, não terei muito a comentar. Ao longo da campanha, participei no debate, com a convicção possível – excessiva, para uns, escassa, no entender de outros. Ao contrário de muito boa gente, seguramente movida pelas melhores intenções, demito-me da problemática da governação. O dia só tem vinte e quatro horas e julgo ser mais urgente tomar outro caminho, em parte sugerido pelo apelo ao voto do <a href="http://5dias.net/2009/09/25/do-miguel-serras-pereira-e-acerca-das-proximas-eleicoes/">Miguel Serras Pereira</a> e pelo não-apelo do <a href="http://5dias.net/2009/09/29/para-que-serve-o-voto-na-esquerda-radical/">Ricardo Noronha</a>. Haja vontade e poderemos todos retomar algumas das coisas debatidas, há cerca de dois anos, numa discussão que o Daniel fez, então, o favor de centralizar <a href="http://arrastao.org/esquerda/debate-a-esquerda/comment-page-1/">aqui </a>no Arrastão. Entretanto, imagino que esta demissão da problemática do Poder possa ser considerada como atitude fácil, preguiçosa, cómoda. Mas não só não acho que a militância deva ser um martírio e um sacrifício, como também não creio que o poder seja apenas aquele que se nomeia com maiúscula. Jogos de poderes são coisa que não falta por aí, das relações domésticas às relações laborais, da sala de aulas à cena dos espectáculos, como bem nos recorda, saudavelmente desencantado, o <a href="http://aterceiranoite.org/2009/09/27/de-repente-os-outros/">Rui Bebiano</a>. Em resumo, a nossa politicidade não dependerá dos timings em que somos convocados pelas instâncias supremas da República. Dito isto, é justo perguntar: o que me motivou a intervir nestas eleições? <span id="more-26157"></span></p>
<p>Para além da camaradagem com alguns dos seus protagonistas, talvez tenha sido, sobretudo, a possibilidade de ir conversando com os demais mandantes. E, não tanto, a preocupação com o apuramento de potenciais mandatados. Fosse a democracia representativa o tempo de uma eterna campanha eleitoral, em que o sufrágio jamais veria a luz do dia, e eu seria o seu primeiro apologista. A análise política das eleições não deve ser restrita, a meu ver, aos seus efeitos institucionais e político-partidários. As eleições são, igualmente, um momento em queé possível medirmos – com todas as limitações inerentes ao método e à própria ideia de medição – o estado de alma do eleitorado, ou, se preferirem, as suas culturas políticas. E é nesse sentido que, a meu ver, os resultados de domingo são motivadores, denunciando o crescimento de uma predisposição para uma transformação à esquerda do centro, radical, revolucionária, reformista, o que seja. Esta predisposição – que deverá ser sobriamente contida pela predisposição para votar Paulo Portas – é diversa, e conterá, inclusivamente, muitas contradições, sendo que a pluralidade é intraduzível pelas representações parlamentares. Mas a impossibilidade da tradução, longe de ser um problema, é uma virtude. O gesto de quem optou por votar à esquerda do PS – num cenário em que o apelo ao “voto útil” era efectivo – deve ser considerado um dado de partida para uma vida política que <em>exceda</em> o campo político – circunscrito por debates parlamentares, comentário televisivo, decretos-lei, comícios partidários – e não um ponto de uma meada cujo fio será apenas retomado numa futura contagem de cabeças, a realizar aquando de uma próxima campanha eleitoral.</p>
<p>Animar este excesso da política é propósito que poderia ser assumido pelas direcções do BE e do PCP. Mas, infelizmente, duvido que tal aconteça. No caso do primeiro, tem-se caminhado no sentido de consagrar a esfera parlamentar como instância central de actividade, subordinando-a a uma lógica revolucionária ou reformista de simples tomada do poder. Faço minhas as palavras deixadas pelo Miguel Serras Pereira no post acima linkado: «<em>Votaria no BE com mais convicção se este em vez de insistir tanto na conquista por dirigentes de lugares dirigentes na cena política estabelecida, insistisse na transformação dos modos e lugares de exercício do poder, apresentando a possibilidade de ter deputados na Assembleia da República como um passo não para virmos a ter Francisco Louçã (ou qualquer outro militante do BE) no lugar de primeiro-ministro, mas para avançarmos na construção de uma democracia que dispensasse esse cargo; não para virmos a ter o BE no governo, mas para transformarmos o modo de ser e a lógica hierárquica do governo; não para termos outras medidas políticas, mas outra maneira de fazer política».</em> No caso do PCP, menor é a propensão para a subordinação da vida política à esfera parlamentar e institucional, mas a situação acaba por não ser mais favorável, porque, da parte da direcção do partido, há falta de vontade em alimentar processos políticos, culturais e sociais em que a posição do partido não seja a dominante. O PCP lida com “massas”, mas se aqui está presente a necessidade de alargar a ideia de política além de uma concepção elitista da política, está igualmente implicada a concepção do partido como uma elite alternativa às dominantes. E isto é mais do mesmo. Por isso, creio, nos próximos quatro anos, a quem votou à esquerda do PS, aqui incluindo muitos militantes partidários, restará&#8230; quem votou à esquerda do PS. Trata-se de um resto, mas, vejam, de um resto que não é escasso. A luta pela emancipação ou é um processo de auto-emancipação ou não é e deverá ser esse o sentido da ideia de autonomia. Resta, então, levarmo-nos a sério, isto é, ressuscitarmos a vontade de transformação que depositámos na urna sob a forma de voto. Quando escrevi, <a href="http://5dias.net/2009/09/28/dos-dezanove-por-cento-de-votos-na-esquerda-radical-ou-uma-belissima-fissura-no-sagrado-principio-da-propriedade-privada/">ali </a>atrás, que os 19% de votos na esquerda radical eram, para mim, motivo de regozijo, pensava na possibilidade de ir excedendo o actual sistema de divisão do trabalho político e, não tanto, no novo arranjo político-institucional que viria pautar aquele velho sistema. Do meu ponto de vista, o mais importante é debater, já, de modo descentralizado, disseminado, quotidiano, comum, que projectos podem ser construídos, reforçados, renovados, “a partir de baixo”, mobilizados por alguns, poucos ou muitos daqueles que fazem parte dos 19%, mas, também, por outros tantos e tantas que votaram noutros partidos, e, é claro, por uma imensa abstenção, para nem falarmos acerca daqueles que nem recenseados estão, caso de muitos imigrantes. Os eleitores votaram. Terão os seus representantes parlamentares. Mas não se deverão confinar ao estatuto de representados durante quatro anos mais. Qualquer esquerda que procure alterar a forma da política e não apenas o seu conteúdo, qualquer esquerda que saiba que forma é conteúdo, deverá centrar a sua prioridade na procura daquilo que o Miguel Serras Pereira descreveu como sendo o horizonte da sua perspectiva política: “<em>governo igualitário e regular dos cidadãos pelos cidadãos – ou, se quiseres, a cidadania governante contra o poder de Estado e o poder político por ele enquadrado que se exerce através e a coberto da esfera económica “despolitizada””.</em> O ciclo eleitoral termina, abre-se uma nova época na esfera político-institucional, mas o mais importante é que os mandantes desbravem o seu caminho próprio, através de uma actividade política a nível do associativismo, de movimentos sociais, da questão laboral, da produção intelectual, da vida económica. Passamos demasiado tempo a comentar o lance polémico do último desafio que opôs governo e oposição, presidente e primeiro-ministro, assim esquecendo que há partidas que estão a ser disputadas todos os dias, a todas as horas, por todo o país, dos recreios das escolas às ruas dos bairros. Chamem-lhe política &#8220;a partir de baixo&#8221;, biopolítica, política popular, experiências plebeias – a verdade é que há uma vida política além do bolo-rei do presidente da república, do mau humor do primeiro-ministro ou da aritmética dos grupos parlamentares, e o poder não é uma coisa que seja mais determinada aqui do que ali.</p>
<p>Que fazer? As pistas que a História nos deixa são muitas. Cooperativas de produção, comissões de bairro, centros sociais, sindicalismos, universidades populares, batalhas do lazer, enfim, uma imensa constelação de experiências, em que a política é mais do que uma campanha de quinze dias, durante os quais um, dois, três, quatro, cinco líderes falam aos nossos ouvidos, nós escutamos, depois votamos, por fim acabamos a comentar durante quatro anos o que se faz ou deixa de fazer com os nossos votos. Não tem que ser assim. E apenas se assim não for é que alguma coisa mudará. Independentemente das vicissitudes – que não reputo de insignificantes – da vida político-institucional. A campanha eleitoral acabou. A campanha política só agora começa. <em>Il faut</em> que todos meixam a peida.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Dos dezanove por cento de votos na esquerda radical ou uma belíssima fissura no sagrado princípio da propriedade privada</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Sep 2009 00:18:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A esquerda radical &#8211; é tempo de aceitarmos o epíteto sem prurido? &#8211; alcançou um resultado muito interessante, confirmando a possibilidade de interrompermos os mecanismos do inevitável, que reduzem a política a um simples acto de gestão do que já existe. Trata-se de uma lição. Há &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/09/28/dos-dezanove-por-cento-de-votos-na-esquerda-radical-ou-uma-belissima-fissura-no-sagrado-principio-da-propriedade-privada/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A esquerda radical &#8211; é tempo de aceitarmos o epíteto sem prurido? &#8211; alcançou um resultado muito interessante, confirmando a possibilidade de interrompermos os mecanismos do inevitável, que reduzem a política a um simples acto de gestão do que já existe. Trata-se de uma lição. Há dez anos atrás, ninguém acharia este resultado possível, mas foi. E foi porque existiram homens e mulheres que lutaram por um conjunto de princípios por eles tidos como elementares &#8211; princípios afirmados independentemente de supostas impossibilidades derivadas de condições ditas objectivas e dependentemente de possibilidades resultantes das suas vontades subjectivas - que acabámos por chegar a este ponto de situação. Em proporção muito diferente, é certo, BE e PCP cresceram. Há uns anos atrás, cinco, dez, quinze anos, alguém aqui arriscaria, porventura, que uma força à esquerda do PS, e dissociada do PCP, pudesse chegar aos 10% de votos? E alguém igualmente arriscaria que o PCP manteria e até subiria a sua votação? Talvez. Mas nunca ninguém pensaria que acontecessem ambas as coisas, todos achávamos que uma coisa seria feita à custa da outra. O facto de não ter sido assim é o elemento mais enigmático que o presente cenário político-eleitoral oferece a todos os militantes, activistas e eleitores que votaram à esquerda do PS, ou, até, a muitos dos que votaram no próprio PS. Cabe-nos não desaproveitar este &#8220;sinal dos deuses&#8221;, o que nos deverá levar muito além do próprio âmbito partidário e institucional. É claro que os 19% da esquerda radical não retiram efeito mediático ao resultado do CDS. E os significados da subida do partido de Paulo Portas não devem ser minimamente menosprezados - aliás, é pena que houvesse gente que se lembrasse do fantasma salazarista a propósito de um tgv e não a respeito do culto do trabalho e da ordem feito por Portas. Mas, notem bem, qualquer anticomunista que se preze, a si, aos seus e aos seus bens, estará seguramente mais preocupado com os nossos 19% da esquerda radical do que estará aliviado com os 10,5% do CDS de Paulo Portas. A votação de BE e PCP vem alargar os campos do possível de modo inusitado; deverá, por isso mesmo, colocar de sobreaviso todos os que  classificaram as propostas da esquerda radical como sintoma de loucura, irracionalidade, extremismo. Há 19% de pessoas que votaram em partidos que, de acordo com a maioria dos comentadores e especialistas, querem desprivatizar tudo e mais alguma coisa. E mesmo que não seja verdade que esses partidos tenham planos de tal ordem, o facto de se neles se ter votado diz-nos muito acerca dos limites desse respeito supostamente natural que a espécie humana nutriria pelo princípio sagrado da propriedade privada. Enfim, o anticomunismo primário de tantos e tantas comentadores conseguiu criar este monstro que é a esquerda radical. O monstro seguramente agradece e, nos próximos anos, tudo faremos para ajudá-lo a engrandecer-se na sua disformidade. O velho comunismo, o novo esquerdismo, a democracia económica, se não os encontramos matematicamente programados nas verdades proclamadas pelos partidos que a eles são associados, seguramente se reanimam com as mentiras com que os seus adversários pretenderam caluniar tais partidos. Destruidores de pátrias, ateístas empedernidos, adeptos da preguiça, redistribuidores obsessivos, inimigos da concertação, peões da luta de classes &#8211; saibamos estar à altura destas calúnias, aceitando-as se não com orgulho, palavra de que não gostamos, pelo menos com um sorriso nos lábios.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Do Miguel Serras Pereira e acerca das próximas eleições</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Sep 2009 18:11:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em resposta à minha declaração de voto, feita ali atrás, o Miguel Serras Pereira deu-se ao trabalho de escrever este pequeno texto-comentário. Ao contrário do meu apelo ao voto, o texto do MSP tem muita coisa para debatermos. Depois das eleições, voltarei aqui. &#8220;Caro Zé Neves, &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/09/25/do-miguel-serras-pereira-e-acerca-das-proximas-eleicoes/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em resposta à minha declaração de voto, feita <a href="http://5dias.net/2009/09/25/declaracao-de-voto-3/">ali </a>atrás, o Miguel Serras Pereira deu-se ao trabalho de escrever este pequeno texto-comentário. Ao contrário do meu apelo ao voto, o texto do MSP tem muita coisa para debatermos. Depois das eleições, voltarei aqui. <span style="color: #000000;"><em><span style="font-size: 10pt; font-family: Tahoma;">&#8220;Caro Zé Neves, tenho lido com todo o interesse as tuas reflexões pré-eleitorais, que têm, entre outros, o mérito de relativizar o alcance da intervenção no correspondente jogo (intervenção recomendável, todavia, pois quem quer o mais, quer o menos, e dizer que votar &#8211; em branco, se se quiser &#8211; nas eleições não vale a pena deixa-nos numa posição desconfortável para pedir mais ocasiões de deliberação e decisão política à margem dos aparelhos e contra a actual divisão do trabalho político). Mas para não me alargar demasiado direi aqui que te acompanharei votando no BE, por razões que ora são solidárias das tuas, ora nem tanto, deixando-te e aos outros a tarefa de julgar onde nos aproximamos e onde nos afastamos. Votarei no BE porque este é o partido que, apesar de tudo, [é] mais aberto a perspectivas de alargamento da cidadania activa, e o horizonte da minha perspectiva política é o governo igualitário e regular dos cidadãos pelos cidadãos – ou, se quiseres, a cidadania governante contra o poder de Estado e o poder político por ele enquadrado que se exerce através e a coberto da esfera económica “despolitizada”. Votaria no BE com mais convicção se este em vez de insistir tanto na conquista por dirigentes de lugares dirigentes na cena política estabelecida, insistisse na transformação dos modos e lugares de exercício do poder, apresentando a possibilidade de ter deputados na Assembleia da República como um passo não para virmos a ter Francisco Louçã (ou qualquer outro militante do BE) no lugar de primeiro-ministro, mas para avançarmos na construção de uma democracia que dispensasse esse cargo; não para virmos a ter o BE no governo, mas para transformarmos o modo de ser e a lógica hierárquica do governo; não para termos outras medidas políticas, mas outra maneira de fazer política. É, de resto, por isso que, admitindo embora a possibilidade e a necessidade de o grosso dos militantes e companheiros de jornada do PCP virem a integrar as fileiras do combate pela cidadania governante, penso que o PCP enquanto tal é, não só irrecuperável, como continua portador de um projecto de sociedade e tipo de regime que qualquer projecto de autonomia terá de remover do seu caminho. Do mesmo modo, é porque no BE – e apesar dos lugares mais ou menos cimeiros que possam ocupar – o contingente de “revolucionários profissionais”, que pretendem deter a consciência, a verdade histórica e o direito à direcção dos trabalhadores (disciplinando por via policial e militar em sendo caso disso as “ilusões” e “erros” da sua mão-de-obra), me parece, ao contrário do que pensa o Miguel Vale de Almeida, tender a esbater-se, que – tendo também em vista tornar mais instável a hegemonia da cena política e o próprio regime, pondo a democratização das instituições na ordem do dia – darei ao Bloco o meu voto, estando disposto a apoiar muitas das lutas que trava. Haveria por certo muito mais reservas a pôr ao programa do BE, não só no plano das cedências práticas que tem feito à política profissional (a democracia e a classe política, bem como a distinção permanente e estrutural entre governantes e governados, são incompatíveis), mas também no das medidas concretas propostas (e, entre outras coisas, no que se refere à política internacional). Só que, para comentário, este já vai longe. Aceita pois editar este meu apelo ao voto no BE, baseado embora em considerandos que por vezes divergem dos teus, mas que remetem para o que penso serem aspectos nucleares à conquista dessa condição necessária da autonomia a que chamo a cidadania governante. </span><span style="font-size: 10pt; font-family: Tahoma;">Um abraço, miguel serras pereira&#8221;</span></em></span></p>]]></content:encoded>
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		<title>o último dia do simplex</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Sep 2009 08:52:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Simplex poderia ter começado a estudar as propostas do Bloco há mais tempo. Assim não se fazia passar por virgem ofendida e sempre tinha tempo para pensar aquilo que lê. Neste último dia de campanha, tiraram folga para inventar &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/09/25/o-ultimo-dia-do-simplex/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O <a href="http://simplex.blogs.sapo.pt/322268.html">Simplex </a>poderia ter começado a estudar as propostas do Bloco há mais tempo. Assim não se fazia passar por virgem ofendida e sempre tinha tempo para pensar aquilo que lê. Neste último dia de campanha, tiraram folga para inventar várias coisas. Que o Bloco é a favor do serviço militar obrigatório ou que a proposta de avaliação dos professores é igual à da direita e o Bloco andou a escondê-lo. Acerca do serviço militar obrigatório, nem sequer vou dizer o que quer que seja. Sobre a educação, vejam <a href="http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1350870">esta </a>notícia, do ano passado, e vejam se Louçã não defendia o mesmo que defendeu ontem.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Declaração de Voto</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Sep 2009 23:41:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tenho muitas críticas a fazer em relação ao Bloco e ao PCP e a cada dia que passa estou mais seguro de que a política que faz falta é a que se faz à margem dos partidos e do Estado. Não entendo &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/09/25/declaracao-de-voto-3/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tenho muitas críticas a fazer em relação ao Bloco e ao PCP e a cada dia que passa estou mais seguro de que a política que faz falta é a que se faz à margem dos partidos e do Estado. Não entendo que a política seja necessariamente uma relação contratual entre representantes e representados. Isto não significa que a presente refrega eleitoral me seja indiferente, como aliás se tem visto. Confesso, mesmo, que não consigo explicar racionalmente o meu empenho nestas coisas e, na verdade, a estas horas deveria era estar a dormir, porque amanhã temos uma aula sobre o Mouzinho da Silveira. Mas, sucede que, ao seguir a campanha na tv, não consigo deixar de sentir que aquela também é a “minha gente”. E, quando digo “aquela”, digo os homens e mulheres que fazem a militância do Bloco e do PCP. Posso achar que canalizam as suas energias para um confronto que não é o mais importante, esse da história dos passos perdidos,  mas a importância que atribuem ao confronto que estão a travar empresta-me a sua própria inquietação. Que sejam todos felizes no domingo, é que eu desejo, do fundo do coração e do modo mais lamechas possível. Entretanto, algumas pessoas que têm lido o meu apelo ao reforço da votação no PCP e no BE perguntam-me se vou votar nos dois partidos. E como é que isso se faz. Não tenho resposta satisfatória, mas devo dizer qual será a minha opção, com o à vontade que resulta do facto de me parecer minoritária aqui neste blogue: no próximo domingo, votarei no BE. Dizem-me que se trata de um albergue espanhol, mas eu sempre me senti bem em albergues espanhóis. Além de que, por mais que eu ache que a gente do PCP é também a minha gente, temo que o sentimento não seja recíproco. Ao fim e ao cabo, eu sou comunista, mas não sou marxista-leninista, e isto é, para o Comité Central, uma impossibilidade lógica. Nada disto, porém, importa muito. Os votos fazem-se aos domingos, mas as barricadas erguem-se durante os dias de semana. E estou certo que encontrarei &#8220;a minha gente&#8221;, toda ela, do mesmo lado da barricada &#8211; já esteve mais longe, aliás. E se, após a subida eleitoral de domingo, ainda sobrar algum espaço para este gordo que aqui vos escreve, contem comigo para a primeira calhauzada. Ou então para distribuir panfletos e escrever posts inúteis.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Bloco Central</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Sep 2009 20:28:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[A três dias das eleições, está a dar um programa na televisão pública em que Marcelo Rebelo de Sousa e António Vitorino estão a comentar as eleições, com a moderação pastosa de Judite de Sousa. Trata-se de um comentário imparcial, &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/09/24/bloco-central-2/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A três dias das eleições, está a dar um programa na televisão pública em que Marcelo Rebelo de Sousa e António Vitorino estão a comentar as eleições, com a moderação pastosa de Judite de Sousa. Trata-se de um comentário imparcial, sensato, equilibrado, em que ninguém se lembrou de perguntar por que raio é que não estão pessoas de outros partidos. Até porque dizem que é um especial de informação e de especial nada tem, já que o normal é termos que gramar o professor do PSD e o programador do PS todas as semaninhas.  Do que consegui apanhar, transcrevo os comentários de cada um acerca de cada um dos líderes dos cinco partidos. Sobre Jerónimo, diz Vitorino: “Igual a si próprio e calor humano”. Diz Marcelo: “Boa pessoa. Muito humano.” Sobre Portas, diz Vitorino: “Igual a si próprio. Sentido especial da sua colocação própria em relação a nichos. Aquela da lavoura é impagável”. Diz Marcelo: “Constrói o byte”. Sobre Louçã, diz Vitorino: “Irritou-se muito. Foi perdendo o auto-controlo”. Diz Marcelo: &#8220;Não recuperou&#8221;. Sobre Ferreira Leite, diz Vitorino: “Dificuldades anímicas e caracteriológicas”. Diz Marcelo: “Fez duas ou três arruadas, mas não têm nada das montagens de Sócrates”. Sobre Sócrates, diz Vitorino: “Fez o combate de uma vida e se ganhar é merecido”. Diz Marcelo: &#8220;agarrou-se à oportunidade da sua vida&#8221;.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Apelos ao voto lgbt</title>
		<link>http://5dias.net/2009/09/24/apelos-ao-voto-lgbt/</link>
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		<pubDate>Thu, 24 Sep 2009 19:16:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Em mais um apelo ao voto em Sócrates, o Miguel Vale de Almeida apresenta, como principal razão, a possibilidade do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Não será novidade que o faça, mas vale a pena sublinhar que, até hoje, o MVA não havia &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/09/24/apelos-ao-voto-lgbt/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em mais um apelo ao voto em Sócrates, o Miguel Vale de Almeida apresenta, como principal razão, a possibilidade do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Não será novidade que o faça, mas vale a pena sublinhar que, até hoje, o MVA não havia afirmado com tanta clareza ser este o principal motivo para o vermos a apelar ao voto no PS. E a clarificação é importante porque o MVA volta a não esconder as suas críticas à governação do PS em outras questões, que, aliás, não considera serem menos relevantes, como a questão laboral ou a questão do ensino. Mas, aceitemos debater o apelo do MVA no terreno que ele coloca. Aceito-o, e digo-o desde já, porque não considero a questão laboral mais ou menos importante do que as questões sexuais, ao contrário do que o MVA acaba agora por fazer e ao contrário do que fazem alguns dos críticos do MVA. Ora, o meu ponto é este: cingindo-me à agenda do movimento lgbt,  o apelo do MVA continua a não fazer sentido e parece-me destituído de bom-senso. É que se há coisa que não serve para diferenciar o PS dos partidos à sua esquerda, é justamente esta. Historicamente (isto é, há uns meses) foi o PS que votou contra o casamento homossexual, mas amanhã, se PS, PCP e BE tiverem a maioria de votos no parlamento, o casamento homossexual será aprovado. A menos, claro está, que o PS recue, o que não seria inédito em questões como estas. A mim, parece-me claro que  todos os deputados do PCP e do BE votarão a favor do casamento homossexual, até porque já o fizeram num passado recente. Pode o MVA garantir o mesmo em relação ao PS? Não haverá liberdade de voto na bancada do PS? E, havendo, será que todos os deputados do PS votarão a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo? Mais ainda: quantos votos do PS, além do seu, é que o MVApode garantir para a aprovação da possibilidade de adopção? Ou isto fica para a próxima década, porque há que estabelecer prioridades? É que esta lógica das prioridades é a mesma que levou a que, durante anos e anos, se disesse que a questão do casamento homossexual não era assim tão premente.</p>]]></content:encoded>
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		<title>As acções da Mota-Engil e a cotação do PS</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Sep 2009 11:57:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[As acções da Mota-Engil e a evolução das sondagens. A notícia deve ser lida com cautela. Conviria perguntar pelas acções de outras empresas de construção civil, embora também seja verdade que um plano de obras públicas não tem (ou tem?) &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/09/24/as-accoes-da-mota-engil-e-a-cotacao-do-ps/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As acções da Mota-Engil e a evolução das sondagens. A notícia deve ser lida com cautela. Conviria perguntar pelas acções de outras empresas de construção civil, embora também seja verdade que um plano de obras públicas não tem (ou tem?) que ser destinado às grandes empresas privadas de sempre. A notícia é, ainda assim, muito tentadora. Perante a correlação entre uma coisa e outra, é fácil tirarmos conclusões acerca da promiscuidade entre PS e Mota-Engil, dizermos que a culpa do estado a que isto chegou é da corrupção e da promiscuidade. No entanto, duvido que esse seja o caminho mais radical. O que a notícia tem de mais interessantes é que o problema não é tanto a obscura relação entre Estado e Privado. Sem dúvida que nesta correlação entre sondagens partidárias e cotação bolsista reside um problema fundamental da relação entre político e económico, mas trata-se de um problema que, passando por questões de justiça, não passa necessariamente por questões de tribunal, polícia e prisão, já que, na <a href="http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS&amp;id=387759">notícia</a> do <em>Jornal de Negócios</em>, tudo é claro, legal e transparente. O problema da correlação não estará nos &#8220;lapsos&#8221;, nos &#8220;erros&#8221; e nas &#8220;fraudes&#8221; deste sistema político-económico que nos tem governado. Mas na própria natureza das relações entre mercado e democracia.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Boomerang</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Sep 2009 10:51:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Em fim de campanha, não resisto a fazer um post <em>a la</em> Simplex. Reza assim: não deixa de ser divertido que, uma vez eliminada a hipótese de uma vitória do PSD, e colocando-se a hipótese de uma nova maioria absoluta Sócrates, o voto &#8220;útil&#8221; à esquerda acabe por ser o voto no PCP e no BE,  a fim de impedir a maioria absoluta e de criar condições para um governo Sócrates um pouquinho mais à esquerda.</p>]]></content:encoded>
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		<title>A Crise do Voto Útil</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Sep 2009 11:02:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O “voto útil” apela à transformação da política num simples procedimento eleitoral de apuramento de uma elite governativa, à qual caberá gerir convenientemente a população, menorizando o parlamento enquanto lugar de um conflito de ideias e propostas, que supostamente espelhará &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/09/23/a-crise-do-voto-util/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O “voto útil” apela à transformação da política num simples procedimento eleitoral de apuramento de uma elite governativa, à qual caberá gerir convenientemente a população, menorizando o parlamento enquanto lugar de um conflito de ideias e propostas, que supostamente espelhará a diversidade de opiniões nessa mesma população. O eleitor idealizado pelo apelo ao “voto útil” é o eleitor hiper-racional, que escolhe o voto obedecendo a uma lógica contabilística, afim à que seguem boa parte das teses económicas dominantes, que idealizam o consumidor como um sujeito cuja racionalidade opera matematicamente. O problema desta lógica, note-se, não reside apenas no facto das teses que nela se apoiam se pretenderem verdadeiras, quando, pelo contrário, as subjectividades são bastante mais imprevisíveis do que aquelas teses podem julgar, imprevisibilidade a que os mais sensatos de nós simplesmente chamariam de humanidade. O problema do neoliberalismo não é tanto a sua invalidade científica, sempre discutível, mas o da efectividade da utopia hiper-racionalista a que aspira. E que inspira os apelos de Sócrates ao “voto útil”, pedindo aos eleitores que votem contra a sua própria cultura política. No próximo domingo, votarei no Bloco de Esquerda e, tivesse eu um segundo voto, entregá-lo-ia ao PCP. Mais não fosse, os votos à esquerda do PS têm ainda maior importância no actual contexto de crise mundial. Porque é importante dar força a quem sempre criticou as políticas neoliberais, mas, sobretudo, porque é importante dar força a quem excede a lógica hiper-racionalista que foi, ela mesma, abalada pela crise. Caminhemos alegremente para a tripolarização da vida partidária. Por um lado a direita, por outro lado o PS - e, por outro lado ainda, a esquerda.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Ciência Política (2)</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Sep 2009 20:43:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Concordo com o André Freire quando diz que a questão da estabilidade política não depende da existência de uma maioria absoluta. E quando coloca a questão da pluralidade representativa como matéria prioritária. Desconfio até que votaremos na mesma paróquia. Mas não acompanho o &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/09/22/ciencia-politica-2/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Concordo com o André Freire quando diz que a questão da estabilidade política não depende da existência de uma maioria absoluta. E quando coloca a questão da pluralidade representativa como matéria prioritária. Desconfio até que votaremos na mesma paróquia. Mas não acompanho o André Freire em várias coisas. Creio que ele vê com bons olhos um governo entre PS/BE e eu nem por isso; e talvez seja por esta razão que sou levado a escrever este post. Creio que acontece ao André Freire, por vezes, o mesmo que referi, <a href="http://5dias.net/2009/09/22/ciencia-politica/">ali </a>atrás, a propósito de Marina Costa Lobo: trata-se do cientista político que exprime opiniões pessoais discutíveis mas que o faz à boleia de fórmulas consensuais indiscutíveis. Ora, isto torna a discussão mais difícil, porque primeiro é preciso descontruir, desconstruir, desconstruir: diz o André Freire- <a href="http://ladroesdebicicletas.blogspot.com/2009/09/incertezas-para-as-legislativas-i-i.html">«há um certo défice de cultura democrática na “esquerda radical”: em democracia os números contam e, por isso, nunca poderão ser os pequenos a determinar as principais linhas de uma coligação. A não ser que também só consigam governar com maioria absoluta…»</a>. Ora, a mim parece-me que o défice de cultura democrática também estará em utilizarmos a democracia como argumento de autoridade que legitima uma opinião que diverge de outras que não são menos democráticas. Além do mais, não me parece apropriado dizer que a &#8221;esquerda radical&#8221; pretenda determinar as principais linhas de uma coligação em que seja minoritária. E não me parece aceitável exigir que PCP e BE possam passar quatro anos no parlamento a votar contra uma grande parte do programa que apresentaram a votos (embora admita que esta discussão seja complicada). Tanto Jerónimo como Louçã têm dito que só com uma grande alteração na correlação de força entre os partidos de esquerda e centro-esquerda é que se poderá pensar em soluções governativas com PCP e BE. Jerónimo tem dito que o PCP será governo quando o povo quiser e Louçã diz que pretende alcançar uma maioria. Nenhum deles, aliás, fala de maioria absoluta como condição para governo. Mais ainda: se, daqui a quatro ou oito anos, uma coligação entre PCP e BE, mais uns quantos socialistas desavindos com o PS, obtiver mais um voto que o PS, creio que tanto Jerónimo quanto Louçã contarão com o PS para formar governo.</p>]]></content:encoded>
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		<title>A METRóPOLE, FáBRICA SOCIAL. Debates da unipop e do teatro maria matos.</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Sep 2009 15:41:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;A cidade constitui-se metrópole a partir do momento em que uma série de equipamentos e edifícios ligados em rede transformam cada via de acesso num fluxo produtivo. Uma teia de ligações, configurada por sistemas de transportes públicos, pontes e vias &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/09/22/a-metropole-fabrica-social-debates-da-unipop-e-do-maria-matos-ja-para-a-semana/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;A cidade constitui-se metrópole a partir do momento em que uma série de equipamentos e edifícios ligados em rede transformam cada via de acesso num fluxo produtivo. Uma teia de ligações, configurada por sistemas de transportes públicos, pontes e vias rápidas, redes sem fios e circuitos de vídeovigilância, é diariamente activada pela circulação dos habitantes da metrópole, os quais percorrem os escritórios, as fábricas, as salas de espectáculo, as lojas, as escolas, os hospitais, os jardins e os centros comerciais em que se produz e reproduz a vida social. A metrópole assemelha-se então a uma fábrica social, lugar de mobilização cooperativa da força de trabalho, onde se encontram as matérias-primas, circulam as mercadorias e onde se pratica o consumo, alimentando os circuitos de uma economia global.</p>
<p>Esta natureza produtora da metrópole encontra eco em alguns debates. Quando governantes e urbanistas invocam a imagem da “cidade criativa”, em parte reconhecem a natureza produtora da vida espiritual metropolitana. E quando nos falam acerca da necessidade de criação de uma imagem de “marca” para uma cidade, de algum modo repetem o gesto empresarial de criação do logotipo, símbolo que se inscreve no produto e cuja compra permite consumir um certo estilo de vida. Entretanto, a metrópole enquanto fábrica social extravasa largamente o que pode ser contido por aquelas formulações. Veja-se o caso da “cidade criativa”, fórmula que tende a reduzir a produção metropolitana a uma dimensão elitista, reduzindo a metrópole dos produtores – que liga margem sul e margem norte, que engloba centros e periferias, que articula indústria, serviços e comércio – a uma pequena e mui nobre cidade de criadores, de acesso restrito a alguns grupos profissionais de índole artística, uma cidade preferencialmente localizada em novos bairros de charme que emergem no interior dos velhos bairros populares dos centros históricos.</p>
<p>A contra-corrente desta concepção emergente que transforma a fábrica metropolitana em cidade criativa, a primeira sessão deste seminário de quatro dias começará por debater o conceito de “cidade criativa”. Contando, para este efeito, com a participação de investigadores das ciências sociais que se têm dedicado aos estudos urbanos, perguntamos para que servem as “cidades criativas”? No segundo dia, com a ajuda de quem trabalha a metrópole em planos tão diversos como as políticas de transporte e as representações cinematográficas, transitamos da cidade dos criadores à metrópole dos produtores. Esta passagem permitirá que, no terceiro dia, analisemos o governo metropolitano, debruçando-nos nomeadamente sobre a sua implicação no trabalho de arquitectos e urbanistas chamados a debate. O seu traço livre constitui muitas vezes a face mais visível de práticas e discursos de «renovação urbana» apontados à requalificação de zonas degradadas e à valorização do espaço público, mas a arte e engenho de arquitectos e urbanistas também participa, de forma menos evidente, de estratégias dirigidas à administração de pessoas e bens. Finalmente, no quarto dia, focaremos os conflitos que ocorrem na metrópole e que são habitualmente tratados de forma despolitizada e avulsa (as chamadas “questões locais”) ou enquanto questões do foro criminal (a invenção dos “bairros perigosos”). Neste debate em torno das lutas metropolitanas, à procura de velhas e novas ligações entre antagonismos diversos, contaremos com a participação de activistas envolvidos nas lutas pelos transportes públicos, membros de comissões de moradores, dinamizadores de associações culturais, etc.&#8221;</p>
<p>Retirado do texto de apresentação do seminário. O programa integral da iniciativa pode ser consultado <a href="http://u-ni-pop.blogspot.com/2009/07/metropole-fabrica-social.html" target="_blank">aqui</a>.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Ciência Política</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Sep 2009 23:24:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Reparem bem nos artigos escritos por Marina Costa Lobo. As categorias que utiliza foram construídas ao longo do seu percurso científico mas também do seu caminho político. Nada a fazer, acontece a todos. E, no entanto, Marina Costa Lobo e a maior parte &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/09/22/ciencia-politica/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Reparem bem nos artigos escritos por Marina Costa Lobo. As categorias que utiliza foram construídas ao longo do seu percurso científico mas também do seu caminho político. Nada a fazer, acontece a todos. E, no entanto, Marina Costa Lobo e a maior parte dos cientistas políticos que dominam o espaço mediático em Portugal [<em>corrigido após comentário ezequielano</em>] julgam-se uma espécie à parte. Sempre que falam de política, acreditam (?) fazê-lo independentemente da sua politicidade e apenas a partir da sua cientificidade. Quando <a href="http://tempo-politico.blogspot.com/2009/04/nao-ha-trade-off-entre-convergencia.html">Marina Costa Lobo </a>conclui que o BE é anti-europeísta porque votou contra os principais tratados da União Europeia, não vê o erro que comete: confina a ideia de União Europeia às políticas hoje vigentes na União Europeia. O mesmo é válido em relação à sua apreciação do PCP. Marina Costa Lobo diz igualmente que o partido é anti-europeísta. A classificação, neste caso, parece mais razoável, mesmo que seja discutível. Mas a conclusão que Marina Costa Lobo retira da classificação a que procede é seguramente tão equívoca como a análise a que submete o BE. À Marina Costa Lobo não passará pela cabeça que o antieuropeismo do PCP, reflectindo porventura uma dimensão nacionalista que tende a reduzir o mundo ao tamanho do país, reflecte igualmente uma dimensão internacionalista segundo a qual a Europa é uma unidade demasiado pequena. E isto, podendo ser contraditório, não é uma contradição que caiba ao cientista político resolver cientificamente. Não me surpreende, por isso, que o barómetro partidário que Costa Lobo recentemente construiu, em conjunto com outros colegas, dê no que dê. Aí é presumido que os partidos à esquerda do PS são menos cosmopolitas do que o PS porque serão partidos anti-europeístas (veja-se mais <a href="http://agruaelinda.blogspot.com/2009/08/desnorteados-ou-bussola-explicada-as.html">aqui</a>). Ignora-se aqui, desde logo, que uma das críticas de PCP e BE à União Europeia tem que ver com a recusa de uma Europa-Fortaleza, fechada à imigração.</p>]]></content:encoded>
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		<title>2º Colóquio Comunistas em Portugal 1921-2009</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Sep 2009 21:52:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Com a presença de vários investigadores, e organizado pelo colectivo Política Operária, decorrerá em Lisboa, no próximo fim-de-semana, a segunda edição do colóquio Comunistas em Portugal. O programa pode ser consultado aqui.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Com a presença de vários investigadores, e organizado pelo colectivo Política Operária, decorrerá em Lisboa, no próximo fim-de-semana, a segunda edição do colóquio Comunistas em Portugal. O programa pode ser consultado <a href="http://caminhosdamemoria.wordpress.com/antologia/ii-coloquio-sobre-%C2%ABos-comunistas-em-portugal-%E2%80%93-1921-2009%C2%BB/">aqui</a>.</p>]]></content:encoded>
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		<title>moralismos e tecnocracia</title>
		<link>http://5dias.net/2009/09/20/falso-moralismo-e-tecnocracia/</link>
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		<pubDate>Sun, 20 Sep 2009 19:15:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Carlos Santos diz-nos que  a manchete do Expresso acerca do Bloco de Esquerda é em princípio indigna para o jornal. Mas logo acrescenta que, neste caso concreto, não é indigna coisa nenhuma. No entender de Santos, Louçã deve provar o seu próprio veneno, isto &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/09/20/falso-moralismo-e-tecnocracia/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ovalordasideias.blogspot.com/2009/09/vicios-privados-virtudes-publicas.html">Carlos Santos </a>diz-nos que  a manchete do <em>Expresso</em> acerca do Bloco de Esquerda é em princípio indigna para o jornal. Mas logo acrescenta que, neste caso concreto, não é indigna coisa nenhuma. No entender de Santos, Louçã deve provar o seu próprio veneno, isto é, sendo Louçã moralista, é bem feito que ele seja alvo de uma crítica moralista. A pouca seriedade da argumentação que tem sido apresentada no Simplex não encontra melhor resumo do que aqui, no post de um dos seus escribas mais activos e, reconheça-se, mais competentes. Veja-se que o principal problema de Santos em relação a Louçã não é a intervenção deste contribuir ou não para um estilo moralista. Fosse isto e Santos jamais aplaudiria uma crítica moralista, mesmo se dirigida contra Louçã. Nenhum ser humano tem um sentido de dignidade/indignidade tão inconstante como o que Santos revela no início do seu post. O problema que Santos tem com Louçã é, na verdade, um problema de divergência política. Esta divergência entre PS e BE tem sido muitas vezes comprovada por recurso à confrontação entre as propostas programáticas de BE e PS, mas não me parece que seja esse o ponto mais relevante &#8211; essas divergências programáticas, em parte, são o reflexo de outra coisa. Com efeito, o ponto mais relevante de divergência entre PS e BE (ou PCP) tem que ver com a própria ideia de política subjacente à actividade de cada partido. Para Santos, política é governo, negociação e consenso. Tudo o que não se submeta a isto não é considerado como parte da essência da política, sendo assim demonizadas quer a crítica (negativa, desmoralizadora, a-histórica) quer a manifestação (destrutiva, improdutiva, sectária). Por isso, e ao contrário de alguns comentários acerca do Simplex que têm sido feitos, eu não creio que a fúria com que ali se escreve contra PCP e BE seja o resultado dos interesses pessoais de homens e de mulheres simplesmente interessados em arranjar um lugar nas assessorias dos próximos ministérios. Não seguirei por esse caminho de calúnia, porque julgo que ele é insidioso e, ao produzir um juízo de carácter em vez de dar início a uma análise menos dependente das vicissitudes pessoais de cada qual, acaba por falhar a questão principal. E a questão principal tem que ver com a vocação tecnocrata que marca profundamente a cultura política de vários dos Simplex. Trata-se de pessoas que estão empenhadas em colocar a sua competência ao serviço do governo do país, pessoas que acumularam um saber técnico através de percursos académicos mais ou menos meritórios e que querem agora ver as suas competências aproveitadas pelos governos futuros, em prol do que julgam ser o progresso da nação. Ora, o pânico desta gente é que o país não se pacifique e que não se reúnam condições para que os seus saberes possam ser considerados na justa medida. Temem cada vez mais que o país seja tomado por um clima de conflituosidade social em que nenhum plano de reforma poderá ser simplesmente executado a partir do que se traça nos seus estudos e relatórios. O tipo de frustração hoje sentida pela ministra da educação &#8211; e digo-o com o à vontade de quem não sente grande simpatia pela generalidade das posições da fenprof em relação ao sector &#8211; é o verdadeiro pesadelo que assola muitos dos jovens turcos de Sócrates. Trata-se de um pesadelo que deve ser saudado. Pode ser que  Santos e outros, quando acordarem, consigam compreender quão elitista é a sua visão da política.</p>]]></content:encoded>
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		<title>da vida extraordinariamente excitante de leonel moura</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Sep 2009 01:03:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/2009/09/20/da-vida-extraordinariamente-excitante-de-leonel-moura/</guid>
		<description><![CDATA[No Simplex, Leonel Moura escreve que o PSD está à direita do CDS. A menos que isto seja uma tentativa de criar condições para uma aproximação entre PS e CDS, o que sinceramente duvido se vindo da parte do Leonel Moura, não será &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/09/20/da-vida-extraordinariamente-excitante-de-leonel-moura/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No Simplex, <a href="http://simplex.blogs.sapo.pt/295182.html">Leonel Moura </a>escreve que o PSD está à direita do CDS. A menos que isto seja uma tentativa de criar condições para uma aproximação entre PS e CDS, o que sinceramente duvido se vindo da parte do Leonel Moura, não será mais do que um disparate proveniente de alguém que não se importa de economizar na inteligência (na dele e na nossa) em nome da obtenção de mais uns votos. Acrescenta ainda Leonel Moura que a campanha eleitoral mostra que o BE é uma clique de agitadores que, na verdade, é muito conservadora no que respeita à &#8220;vidinha&#8221;. Mas que porcaria de argumentação é esta? Por que raio é que a &#8220;vidinha&#8221; das gentes do bloco, de que Moura se faz conhecedor profundo &#8211; e por alminha de quem? - havia de ter que se coadunar com o alegado aventureirismo excitante do quotidiano do próprio Leonel Moura? Haja pachorra. Querem mesmo fazer psicologia barata em lugar de debate político? Sinceramente, às vezes, acho que o principal problema de Bloco e PCP é serem confrontados com uma oposição que não é capaz de produzir uma crítica que não seja a mais rasteira.</p>]]></content:encoded>
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		<title>O Louçã do PS</title>
		<link>http://5dias.net/2009/09/18/o-louca-do-ps/</link>
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		<pubDate>Fri, 18 Sep 2009 17:17:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[No geral, discordo deste post do João Almeida Santos. Mas, no universo PS, ele tem desde logo a virtude de ser um texto com o qual se pode discutir. Não esperava outra coisa do autor, confesso. Até porque há algumas coisas que ele diz &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/09/18/o-louca-do-ps/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No geral, discordo deste post do João Almeida Santos. Mas, no universo PS, ele tem desde logo a virtude de ser um texto com o qual se pode discutir. Não esperava outra coisa do autor, confesso. Até porque há algumas coisas que ele diz e com as quais concordo. Seja como for, quando tiver mais tempo, desenvolverei tudo isto. Para já, e no que àquele post diz respeito, sublinho uma passagem que me parece reveladora de uma hesitação no discurso do PS em relação a Francisco Louçã: ora se diz que Louçã tem excesso de ideologia ora se diz que tem falta de identidade política. Diz João Almeida Santos: «<a href="http://joaodealmeidasantos.blogspot.com/2009/09/o-bloco-e-classe-media.html">Louçã fala de agendas escondidas. Mas ele vai mais longe: esconde a sua identidade política atrás de um enorme reposteiro de medidas avulsas de inspiração anticapitalista, proto-socialista ou vagamente comunista»</a>. Perante isto, eu gostava de saber que último reduto da «identidade política» de Francisco Louçã é que o João Almeida Santos gostaria de ver revelado. E o que espera ele encontrar de verdadeira essência (não vale recorrer a cenas maradas de psicologia) por detrás daquilo que diz ser o «enorme» reposteiro de medidas de inspiração anticapitalista, proto-socialista e vagamente comunista que diz serem defendidas por Louçã. É que se isto não lhe chega para aferir uma identidade política&#8230; Querem o quê? Que Louçã apresente um programa de uma nova sociedade e o retrato de um homem novo? Que não apresente medidas concretas? Mas não é de totalitarismo e de utopia que já hoje o acusam? A mim parece-me, isso sim, que o PS &#8211; e a generalidade dos comentadores &#8211; continua a ter imensas dificuldades em compreender como é que, em Portugal, é possível haver 20% de votos à esquerda do PS. Eu, sinceramente, também não compreendo como foi possível, nos últimos dez anos, o BE alcançar a força eleitoral que tem hoje e sem que com isso o PCP tivesse saído significativamente enfraquecido. Enquanto não percebo, todavia, tento não me precipitar em análises muito categóricas. E festejo. Quando chegarmos aos 51%, o que já esteve mais longe, estou certo que haverá quem faça um doutoramento sobre esta e outras matérias.</p>]]></content:encoded>
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		<title>problemas do mau humor conceptual</title>
		<link>http://5dias.net/2009/09/18/o-proprio-movimento-o-calor-o-ruido-estrondoso/</link>
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		<pubDate>Thu, 17 Sep 2009 23:14:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Nem tudo é mau. Sinal de que alguma coisa se move é que até já se fala de luta de classes em convenções do PS. Por isso talvez não seja despropositado trazer à liça um autor como E.P.Thompson. Escrevia ele: «Os sociólogos que &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/09/18/o-proprio-movimento-o-calor-o-ruido-estrondoso/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nem tudo é mau. Sinal de que alguma coisa se move é que até já se fala de luta de classes em convenções do PS. Por isso talvez não seja despropositado trazer à liça um autor como E.P.Thompson. Escrevia ele: «Os sociólogos que pararam a máquina do tempo e, com uma boa dose de pretensão e mau humor conceptual, desceram à casa de máquinas para dar uma olhadela, contaram-nos que em nenhuma parte puderam localizar e classificar uma classe. Apenas podem encontrar uma multidão de pessoas com diferentes profissões, rendas, hierarquias de <em>status</em> e tudo o mais. Decerto têm razão, uma vez que a classe não é esta ou aquela parte da máquina, mas <em>a maneira pela qual a máquina trabalha</em> uma vez colocada em movimento; não este ou aquele interesse, mas a <em>fricção </em>de interesses – o próprio movimento, o calor, o ruído estrondoso.» Assim escrevia E.P.Thompson, autor recentemente publicado pela <em>Antigona </em>num <a href="http://www.wook.pt/ficha/a-economia-moral-da-multidao-na-inglaterra-do-seculo-xviii/a/id/220589">pequeno livro</a>. Vale a pena comprarem. A minha mãe diz que a tradução é muito boa. Entretanto, enquanto não chegam as festividades natalícias, deixo um <a href="http://www.esquerda.net/virus/media/06virusepthompson.pdf">link </a>para um outro texto de Thompson, primeiramente editado no Brasil e recentemente publicado na <em>Vírus</em>.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Assumir que se vota na direita para não ser assim tão de direita &#8211; coisas que podem acontecer ao partido socialista</title>
		<link>http://5dias.net/2009/09/17/assumir-que-se-vota-na-direita-para-nao-ser-assim-tao-de-direita-coisas-fantasticas-que-acontecem-ao-partido-socialista/</link>
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		<pubDate>Thu, 17 Sep 2009 10:50:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[À esquerda do PS tem-se acusado o PS de fazer o jogo da direita porque o PS votou num homem da direita para liderar a comissão europeia, ao que o PS responde que não votou em Durão Barroso por ele ser de direita &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/09/17/assumir-que-se-vota-na-direita-para-nao-ser-assim-tao-de-direita-coisas-fantasticas-que-acontecem-ao-partido-socialista/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>À esquerda do PS tem-se acusado o PS de fazer o jogo da direita porque o PS votou num homem da direita para liderar a comissão europeia, ao que o PS responde que não votou em Durão Barroso por ele ser de direita mas porque ele é português. A emenda do PS é pior do que o soneto que lhe é imputado. Em Portugal, ele há coisas que só parecem acontecer ao PS: chegar a um tal ponto de indiferença político-ideológica que a única coisa minimamente decente que poderá alegar em sua defesa será o facto de ter votado num tipo de direita porque ele é de direita e não porque ele é português. No meio de tudo isto, o que me surpreende é o silêncio (que eu tenha reparado, é certo) daqueles independentes que não têm hesitado em gritar salazarismo sempre que se deparam com Manuela Ferreira Leite. <a href="http://simplex.blogs.sapo.pt/276400.html">Talvez devessem começar a perguntar se é impunemente que discursam com a bandeira nacional a ondular as suas palavras</a>.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Mais para a esquerda ou mais para a direita, não deixe o seu &#8220;name dropping&#8221; em casa</title>
		<link>http://5dias.net/2009/09/16/para-o-mal-ou-para-o-bem-nao-deixe-o-seu-name-dropping-em-casa/</link>
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		<pubDate>Wed, 16 Sep 2009 14:00:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=25455</guid>
		<description><![CDATA[Derrida, Foucault, Nietzsche, Heidegger, Badiou, Zizek, Rancière, todos convocados pela enciclopédica sabedoria do João Galamba, movendo-se imparavelmente contra um Marx tido por ultrapassado. O name dropping do Galamba é impressionante e é um progresso em relação aos episódios dos filhos-da-puta. Mas, para um ignorante como eu, &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/09/16/para-o-mal-ou-para-o-bem-nao-deixe-o-seu-name-dropping-em-casa/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Derrida, Foucault, Nietzsche, Heidegger, Badiou, Zizek, Rancière, todos convocados pela enciclopédica sabedoria do João Galamba, movendo-se imparavelmente contra um Marx tido por ultrapassado. O <em>name dropping</em> do Galamba é impressionante e é um progresso em relação aos episódios dos filhos-da-puta. Mas, para um ignorante como eu, a resposta torna-se complicada &#8211; o Nuno que se desunhe. Não será fácil. Antes de mais, o Nuno terá que decidir a que Galamba é que vai responder: se ao que faz uso de Focault e companhia contra Marx, se ao que faz uso de Marx contra Foucault e companhia. Se ao Galamba que, no seu primeiro discurso do filho-da-puta, escrevia: <a href="http://jugular.blogs.sapo.pt/992318.html">“Este é um caminho escolhido por alguns (felizmente poucos) que se dizem de esquerda, que substituíram Marx por interpretações juvenis de Nietzsche, Foucault e companhia”</a>. Se ao que agora escreve: <a href="http://jugular.blogs.sapo.pt/1139299.html">“Por alguma razão, autores como Derrida e Foucault viraram-se para filósofos como Nietzsche e Heidegger. A razão é simples: as coordenadas revolucionárias definidas por Marx perderam actualidade”</a>.</p>]]></content:encoded>
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		<title>De como o espírito positivo dá cabo do ímpeto reformista &#8211; argumentos para não se votar nem no Partido da Laurinda Alves nem no Partido do José Sócrates</title>
		<link>http://5dias.net/2009/09/16/por-que-nao-votarei-nem-no-partido-da-laurinda-alves-nem-no-partido-do-jose-soacrtates-ou-de-como-o-espirito-positivo-da-cabo-do-impeto-reformista/</link>
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		<pubDate>Wed, 16 Sep 2009 11:50:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/2009/09/16/por-que-nao-votarei-nem-no-partido-da-laurinda-alves-nem-no-partido-do-jose-soacrtates-ou-de-como-o-espirito-positivo-da-cabo-do-impeto-reformista/</guid>
		<description><![CDATA[Diz-se que é preciso sermos mais positivos e que não basta sermos críticos para que a realidade seja transformada. Traduzindo em votos, isto significaria que, ao registo crítico de Louçã e Jerónimo, deveríamos preferir o espírito positivo de Sócrates e &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/09/16/por-que-nao-votarei-nem-no-partido-da-laurinda-alves-nem-no-partido-do-jose-soacrtates-ou-de-como-o-espirito-positivo-da-cabo-do-impeto-reformista/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Diz-se que é preciso sermos mais positivos e que não basta sermos críticos para que a realidade seja transformada. Traduzindo em votos, isto significaria que, ao registo crítico de Louçã e Jerónimo, deveríamos preferir o espírito positivo de Sócrates e de uma modernidade que rebrilha contra a imagem mais baça de uma Ferreira Leite tida como impávida, inerte, imóvel, imbecil. De acordo com esta conversa do espírito positivo, enquanto Louçã e Jerónimo se limitariam a pregar o quanto pior melhor, de modo a anteciparem o dia da revolução, Sócrates procuraria, passo a passo, grão a grão, ir melhorando o actual estado de coisas, gerindo o possível – e tudo isto seria uma esquerda moderna e democrática. O problema em tudo isto está naquilo que se entende por possível. É que a política não é a simples gestão do possível mas sim uma luta pelo que é e deixa de ser possível e pelo que se entende como possível, impossível, necessário, inevitável. Isto mesmo deveria ficar à vista de toda e qualquer esquerda, mais não fosse por obra e graça da actual crise, que interrompe o que era inevitável e introduz o aleatório na ordem do previsível. Quem diria, há um ano atrás, que um dos pontos fundamentais da actual campanha seriam as nacionalizações ou o reforço dos serviços públicos?</p>
<p>            Para mim é claro que a escolha a fazer nas próximas eleições não é entre a reforma de uns e a revolução de outros. Quando Sócrates afirma que Louçã é radical e que Jerónimo é utópico, a sua afirmação diz tanto acerca do revolucionarismo de BE e PCP como diz acerca dos limites do ímpeto reformista do PS. A escolha a fazer nas próximas eleições é sim entre uma esquerda que propõe reformas que Sócrates considera serem revolucionárias – e não digo que não o sejam, limito-me a não me opor a reformas revolucionárias – e aquilo que o próprio Sócrates considera ser do domínio do possível. A questão é sabermos se o possível do PS de Sócrates chega e basta e se o PS pode ser abandonado a si próprio, como foi ao longo destes últimos quatro anos de maioria absoluta. Deixo dois exemplos de matérias onde o PS tem reclamado créditos reformistas. Primeiro exemplo, a questão do aborto. É verdade que foi graças ao PS, ao PCP e ao BE, e a muitos outros e outras que estão fora do quadro partidário, que a despenalização da IVG finalmente ocorreu – mas importa não esquecer que foi graças ao PS que ela não sucedeu anteriormente. Outro exemplo: será graças ao PS (pelo menos à maioria dos seus deputados), ao PCP e ao BE que o direito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo poderá vir a ser reconhecido, mas é graças ao PS que ele ainda não o é. Dou estes exemplos, mas não pretendo provar, através deles, que o PS de hoje tenha menos mérito nestas conquistas do que têm PCP e BE. Em política, as vitórias morais contam e devem ser distribuídas por tudo e todos que delas se reclamem. Dou os exemplos para mostrar, isso sim, que no momento em que se for votar convém ter em conta que o reformismo do PS de hoje tende a ser aquilo que o PS de ontem classificara como radicalismo de PCP e BE. O reformismo do PS será tanto maior quanto maior for a força eleitoral de PCP e BE – como mostraram as eleições europeias, não há melhor forma de levar o PS a tentar uma viragem à esquerda (por mais tímida que seja) do que fortalecer PCP e BE. É evidente que as reformas por que o PS hoje reclama alguns créditos à esquerda seriam impossíveis sem a força de PCP e BE.<span id="more-25444"></span></p>
<p>                  A elasticidade – digamos assim – dos posicionamentos políticos do PS não deve levar a que os seus dirigentes sejam objecto de um juízo de carácter, como é frequente suceder à esquerda; a elasticidade caracteriza a vida da generalidade dos agrupamentos político-partidários e é o fruto das andanças de uma coisa simples, a que se pode chamar correlação de forças eleitorais, de tal modo que PCP e BE – também eles – fazem hoje propostas que ontem não faziam ou que não faziam de forma tão explícita. Não se trata, em nenhum destes casos, PS, BE ou PCP, de uma questão de maior ou menor firmeza, mas sim de percebermos que as posições políticas não sucedem fora da história. Mas, atenção, é também aqui que chega o ponto mais importante: o PS farta-se de dizer que BE e PCP devem viver com os pés assentes na terra e que devem fazer propostas políticas condizentes com os tempos que correm. Este lugar comum dos apoiantes de Sócrates arrisca-se, no entanto, a repetir simplesmente críticas de natureza conservadora, dirigidas contra todo e qualquer projecto político de transformação, seja este de natureza reformista ou revolucionária. Dizer que a política não sucede fora da História não nos deve obrigar a ser fiéis ao conservadorismo subjacente ao papão anti-comunista segundo o qual toda a proposta política de mudança é um gesto de natureza ditatorial e de engenharia social, papão que nesta campanha tem sido alimentado de forma tão perniciosa quer pelo PS quer pela direita. Dizer que a política sucede na História pode ser um acto anti-conservador, na medida em que signifique dizer que a História e a política são terreno de conflito e não de ordem, sendo justamente a hostilidade do PS ao conflito que faz com que a sua crítica a PCP e BE se limite ao conservadorismo mais rude. Pelo contrário, a maior firmeza político-ideológica de PCP e BE não deriva da força de carácter absoluta dos seus dirigentes, mas do lugar relativo em que se situam ante a realidade – e este lugar é o lugar de quem toma partido num conflito, de quem não é equidistante no conflito entre patrão e trabalhador, de quem não é equidistante no conflito entre fortes e fracos. É verdade que PCP e BE se têm mantido mais firmes do que o PS na defesa de algumas posições e que o fizeram mesmo quando o ar dos tempos não lhes era muito favorável – a crítica do neoliberalismo, hoje na boca do PS, é a crítica que o PS de ontem classificava como sinal de radicalismo e totalitarismo económicos de uma esquerda que considerava ultrapassada e simplesmente estalinista; mas PCP e BE mantiveram-se fiéis a esta crítica, porque, a partir do ponto de vista dos protagonistas das lutas sociais dos últimos anos, o neoliberalismo foi uma realidade que interessava destruir e nunca uma realidade que se poderia simplesmente aceitar como inevitabilidade histórica. O ponto de vista de PCP e BE não é apenas o ponto de vista científico que objectiva a sociedade em prol de políticas consensuais que visam a harmonia social, mas é também o ponto de vista crítico que avança políticas alternativas que têm os pés assentes na mesma terra em que se encontram sujeitos que lutam contra outros sujeitos. Chamem a isto o populismo de quem toma partido pelos pobres, o apelo a que os fracos intensifiquem a luta de classes, a persistência de uma cultura de protesto ou a importância de um sindicalismo vivo e actuante para o futuro desenvolvimento económico do país – em qualquer dos entendimentos, e em todos eles há problemas a serem debatidos, estamos a falar da importância da crítica e da recusa da equidistância. Por isso, o que nos parecer ser a menor firmeza do PS – digo-o e repito-o porque estou ciente que palavras como acanhamento, coerência ou firmeza traem ao que venho – deve ser lido, isso sim, como sinal de um partido que não tem uma relação problemática com a realidade, porque é um partido obcecado com o projecto de representar o todo – a unidade nacional, o interesse geral, a sociedade – e que por isso se recusa a tomar partido. Só quem toma partido é que faz um uso da crítica que a torna capaz de problematizar a realidade e é através das perguntas para as quais nem sempre se tem resposta que alguma vez se poderá chegar a uma resposta diferente das que existem já hoje oficializadas por comentadores, analistas, cientistas políticos e outros que tais. Não há vontade de transformação – reformista ou revolucionária – sem uma relação problemática com a realidade. A constante excitação do PS com tudo o que é “pensamento positivo”, “diálogo”, “consenso”, “negociação”, “avançar”, “concertação”, “construir”, assim como a correspondente desvalorização pelo PS de tudo o que soe a “resistência”, “luta”, “conflito”, “crítica”, “protesto”, limita os horizontes políticos do PS ao reino pequeno e tacanho do óbvio. Porque desvaloriza o que é negativo, o PS só toma como realista aquilo que é evidente e o evidente é o que continua e é incontornável e não o que é transformável e reformável; o evidente é a persistência do que tem acontecido, o simples peso da tradição e do que se herda. Uma relação assim tão leviana e pacífica com a realidade impede a apreensão e adesão a qualquer sentido de mudança da realidade. Como diz um futuro deputado do PS, que provavelmente nem reparou no significado do que estava a dizer, quem governa não pode denunciar. Ou seja, é deixar andar, é deixar-se andar. O PS desvaloriza a utopia e a resistência e limita-se ao que se vê, nunca percebendo que há sempre mais do que uma forma de ver a realidade e que o que é impossível para uns chega a ser necessário para outros. Para muitos apoiantes de Sócrates é desejável mas impossível acabar com a exploração laboral, para outras pessoas isto é simplesmente necessário. A realidade não é um dado mas é um problema – para o bem e para o mal – e só uma esquerda que tenha problemas com a realidade é que merece o nosso voto. Se é para cultivar a paz social e a harmonia entre os seres humanos, rejeitar o conflito social e fazer apelos à unidade nacional e ao avanço de Portugal e acabarmos todos a regar as florzinhas do jardim e dar milho aos pombos no reino do contentamento, então mais vale votar no partido da Laurinda Alves do que no partido de José Sócrates.</p>
<p>         O meu problema com o PS não reside no facto deste pretender ser, por natureza, um partido reformista; mas sim no facto do seu reformismo ser a tal ponto acanhado que conviria antes perguntar se é justificado falarmos de natureza reformista. O meu voto será à esquerda do PS.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Vasco Pulido Valente por Rick D.</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Sep 2009 20:16:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Rick Dangerous prossegue a sua série &#8220;O Impasse Reaccionário&#8221;. Este segundo capítulo é dedicado aos últimos escritos de Vasco Pulido Valente. E vale a pena ser lido do princípio ao fim.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Rick Dangerous prossegue a sua série &#8220;O Impasse Reaccionário&#8221;. Este segundo capítulo é dedicado aos últimos escritos de Vasco Pulido Valente. <a href="http://spectrum.weblog.com.pt/arquivo/2009/09/post_24.html" target="_blank">E vale a pena ser lido do princípio ao fim</a>.</p>]]></content:encoded>
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		<title>apelar aos instintos mais básicos do povo português</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Sep 2009 11:25:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Cada uma das palavras do título deste post deveria ser cuidadosamente discutida. Sabemos que os instintos são da ordem da natureza mas que a cultura não lhes é alheia. Sabemos que as coisas que julgamos serem básicas estão, na verdade, &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/09/15/apelar-aos-instintos-mais-basicos-do-povo-portugues/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cada uma das palavras do título deste post deveria ser cuidadosamente discutida. Sabemos que os instintos são da ordem da natureza mas que a cultura não lhes é alheia. Sabemos que as coisas que julgamos serem básicas estão, na verdade, enredadas em processos que são mais complexos do que básicos. Por exemplo, não é do domínio da necessidade que todos e todas pulsemos com o cruzar de pernas de Sharon Stone em <em>Basic Instinct</em>. E sabemos ainda que povo é uma categoria não menos problemática do que massas, classes, elites, etc. Mas deixemos as palavras do título repousar em sossego, por um momento que seja, e aceitemos que o tópico do anti-espanholismo recorre aos instintos mais básicos do povo português, como tem sido referido. Aceitando que assim seja, convém, no entanto, não cair mais uma vez na tentação de agitar o fantasma salazarista a propósito de Manuela Ferreira Leite. Coisa em que um governo PS não faz diferença significativa em relação a um governo PSD, é a nível do contributo de ambos os partidos para os tópicos nacionalistas, em relação aos quais uns e outros se sentem tanto mais à vontade na medida em que os críticos dos nacionalismos estejam sempre a remeter o pecado nacionalista para as largas costas de António Oliveira Salazar. Sabe-se que tanto PS como PSD ocupam um lugar importante na história recente do nacionalismo em Portugal – da Expo98 ao Euro2004. Aliás, quem responde ao fantasma do anti-espanholismo de Ferreira Leite dizendo que ela é que trabalhou para “os espanhóis” não está a fazer menos pela vida do anti-espanholismo. Estão bem uns para os outros.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Commonwealth</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Sep 2009 22:31:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A hostilidade socialista à palavra nacionalização (adormecida quando se tratou de nacionalizar o BPN&#8230;) tem levado a que, à esquerda do PS, nos centremos uma e outra vez num debate económico limitado à dicotomia público-privado. Entretanto, é importante sublinhar que o debate tem que ir além do &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/09/10/commonwealth/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A hostilidade socialista à palavra nacionalização (adormecida quando se tratou de nacionalizar o BPN&#8230;) tem levado a que, à esquerda do PS, nos centremos uma e outra vez num debate económico limitado à dicotomia público-privado. Entretanto, é importante sublinhar que o debate tem que ir além do que permite a dupla Estado-mercado. Acerca disto, valerá a pena ler e discutir o novo livro de Michael Hardt e Antonio Negri, a ser lançado nos próximos dias. Depois de <em>Império</em> e <em>Multidão</em>, chega agora <em>Commonwealth</em> &#8211; titulo que talvez não tenha uma tradução muito evidente, parece-me. Editora portuguesa interessada em publicar o livro, é favor contactar-me. Conheço rapaz simpático e diligente que, neste caso apenas, oferece serviços de tradução de qualidade razoável e praticamente gratuitos, tudo por benfiquismo. Enquanto isso, e para quem preferir entreter-se com bonecada, deixo aqui um link para uma <a href="http://video.google.com/videoplay?docid=2635346703079622747#">conferência </a>de Michael Hardt, sucedida o ano passado, na Suécia, numa altura em que os autores estavam ainda a preparar a nova obra. A conferência decorreu no âmbito de um fórum social europeu e era suposto Negri estar presente, mas acabou por aparecer apenas Hardt. A explicação vem no início do video: Negri adoeceu subitamente, engripando, em consequência do facto de, no dia anterior, um grupo de manifestantes ter partido algumas das janelas do Hilton, estalagem onde Negri se encontrava instalado. E que sempre é melhor que Rebibia.</p>]]></content:encoded>
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		<title>A TERCEIRA MARGEM &#8211; edição revista e aumentada</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Sep 2009 11:57:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Revolucionária, liberal, democrática, soarista, comunista, maoista, extremista, alegrista, renovadora, socialista, anarquista, o que quer que seja. Se existe algo que deverá ser comum a todas as esquerdas é a ideia de que a pluralidade não é um valor incompatível com &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/09/10/a-terceira-margem-edicao-revista-e-aumentada/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Revolucionária, liberal, democrática, soarista, comunista, maoista, extremista, alegrista, renovadora, socialista, anarquista, o que quer que seja. Se existe algo que deverá ser comum a todas as esquerdas é a ideia de que a pluralidade não é um valor incompatível com a estabilidade – e mais ainda: mesmo que admitamos a incompatibilidade, a pluralidade será sempre considerada como o valor inquestionável.</p>
<p>Todos sabemos perfeitamente que um voto no PS será útil ao PS, um voto no BE será útil ao BE, um voto no PCP será útil ao PCP. Independentemente das posições de cada qual, procurar um critério que permita aferir objectivamente o que é um “voto útil” é tarefa reservada apenas e só a entidades maiúsculas, como a História, Portugal, Verdade, Deus, Progresso, Atraso, Avanço. Nenhuma destas entidades se fez ventríloquo do PS. A concepção de poder alimentada pelo argumento do “voto útil” pode permitir angariar mais uns votos em prol de Sócrates, mas a “lapalissada” mantém-se válida: os meios não justificam os fins. Construir uma escala de valores destinada a pontuar a utilidade da escolha de cada eleitor, na qual o voto em Sócrates ou em Ferreira Leite será o mais útil porque só estes poderão exercer o cargo de primeiro-ministro (o que nem sequer é verdade: podemos desde logo ter um primeiro-ministro que seja uma síntese PS-PSD), reduz as eleições parlamentares ao simples apuramento de um chefe e esta redução configura um problema que não me parece menor. Como nos mostra metade do século XX português, para haver estabilidade governativa não é preciso haver democracia. A democracia é somente indispensável à pluralidade da representação política. Muito pior do que os tiques autoritários de um ou de outro primeiro-ministro, é o culto da figura do primeiro-ministro, seja ele qual for. Este culto anima uma concepção meramente governativa da vida democrática e depende de uma acepção monárquica do próprio poder executivo. Abandonar os apelos ao “voto útil” seria uma boa oportunidade para PS e PSD mostrarem alguma consequência em face das suas preocupações com o “espírito salazarento” e a “asfixia democrática”. Infelizmente, não me cheira que seja isso que vá suceder.</p>
<p>Sectores de opinião próximos ao primeiro-ministro têm apelado recorrentemente ao “voto útil” de todos os que se situem à esquerda do governo: no próximo 27 de Setembro, aqueles que votaram em bloquistas e comunistas, assim como muitos dos que votaram em Manuel Alegre e Mário Soares e uma parte importante dos que apoiarão António Costa em Lisboa, deveriam abdicar da sua intenção de votar à esquerda de José Sócrates. Há muitas campanhas pelo “voto útil” e esta não é inédita, mas o seu sucesso depende muito das circunstâncias específicas. Há quinze anos atrás, quando o PS de António Guterres lançou semelhante campanha, fê-lo propondo acabar com dez anos de cavaquismo e nessa ocasião o PS apresentava um programa de mudança que pretendia fazer a síntese dos vários movimentos de oposição aos governos PSD. A isto acrescia que os sinais de vida à esquerda do PS não eram propriamente animadores. À excepção do PCP, nenhum outro partido constituía uma alternativa eleitoral relevante. E o próprio PCP, com a saída de cena de Álvaro Cunhal e abalado pela queda do Muro de Berlim, passava por um período necessariamente conturbado. Hoje a situação é diferente. Em primeiro lugar, quem agora governa – e para esse efeito beneficiou de uma maioria absoluta inédita na história do PS – é o próprio PS. Em segundo lugar, a composição política do PS mudou, com o afastamento de figuras conotadas com a sua ala esquerda, nomeadamente Alegre. Em terceiro lugar, nos últimos anos decorreram importantes transformações à esquerda do PS.</p>
<p>No que ao PCP diz respeito, é hoje claro que os anúncios de sua morte foram precipitados. Apesar do que se possa opinar acerca de muitas das posições da sua actual direcção, e este ex-militante que vos escreve não será com certeza o menos crítico a esse respeito, não é possível continuar a reduzir o PCP a um simples resíduo tribal e afirmar que a sua relevância é apenas histórica. Num país com tamanho nível de desigualdades, seria difícil imaginarmos o estado do regime democrático sem uma direcção centralista como a do PCP, que traduz regularmente os sinais de revolta social para uma linguagem político-institucional. Como seria difícil imaginarmos o estado de desenvolvimento do país se, em lugar de enfrentar a resistência laboral, o patronato português caísse ainda mais vezes na tentação de procurar enriquecer à custa de salários miseráveis. Entretanto, foi possível ao PCP desempenhar esta função progressista graças ao facto de estarmos perante o único partido político português que é também uma rede social tecida quotidianamente, construída “a partir de baixo”, através da animação de centros de trabalho e de organismos de base em que a política poderá vir a ser recuperada enquanto actividade plebeia, do comum, gizando as alternativas “concretas” que estão aquém e além do que pode conter qualquer “abstracção” programática apresentada por todo e qualquer partido, incluindo o próprio PCP.</p>
<p>Por outro lado, e ainda à esquerda do PS, os últimos anos vieram igualmente mostrar que a força do BE excede largamente a caricatura de que foi inicialmente objecto. A sua expressiva votação em cidades como Barreiro ou Entroncamento, assim como a sua capacidade de penetrar eleitoralmente em regiões do norte e do interior do país, onde a esquerda comunista sempre enfrentou debilidade organizativa, mostra a fragilidade da crítica populista que o reduz a um fenómeno caviar. A insistência bloquista em articular uma crítica da exploração laboral, do racismo e das questões de género não é prova de inconsistência ideológica e sim revela a capacidade de libertar a reflexão ideológica de preconceitos segundo os quais os homossexuais seriam todos eles artistas, o feminismo todo ele burguês, o povo todo ele machista, os trabalhadores todos eles portugueses. O BE teve o mérito de criar um espaço político que, filiando-se parcialmente em tradições social-democratas e marxistas-leninistas, abre caminho além dessas duas principais correntes políticas da esquerda novecentista.</p>
<p>Estas e outras transformações por que passou o espaço político à esquerda do PS, em Portugal como no Mundo - da Alemanha a Paris e à Bolívia, passando pela Grécia, pela Venezuela, pelo Brasil, por Buenos Aires, por Porto Alegre ou por Seattle - resultam incompreensíveis para o PS de Sócrates e de António Vitorino, a quem a última década do século XX parecera prometer a extinção de qualquer perspectiva política anticapitalista. Infelizmente, a crítica do PS a comunistas e bloquistas limita-se a reforçar o sectarismo dos extremistas do centro, para os quais é necessário ser anti-comunista e anti-esquerdista para não se cometer o pecado de vir a ser comunista ou bloquista. Classificar o PCP enquanto “pré-moderno” e o BE enquanto “pós-moderno”, ao mesmo tempo que se agita todos os papões do anti-comunismo primário (a nacionalização das criancinhas, os extremos que se tocam, a irracionalidade de Louçã, a cassete que só é de Jerónimo), permite a Sócrates, Vitorino e Simplex obterem um efeito de estilo, mas nada nos diz acerca da ideia de modernidade que anima o próprio PS. Podemos mesmo perguntar se o efeito obtido não é justamente o de se esconder a realidade política dos últimos quatro anos por via de clichés sociológicos que se desmoronam quando vemos que, ao contrário dos deputados do PS, os deputados “pré-modernos” do PCP votaram a favor de propostas tão “pós-modernas” como a do casamento homossexual e os deputados “pós-modernos” do BE foram vistos e revistos à porta de empresas, a tomar o partido de figuras tão “pré-modernas” como os trabalhadores em luta, contra a equidistância de um governo que esqueceu que há uma parte mais fraca na relação entre capital e trabalho.</p>
<p>Ao longo dos últimos anos, o PS dispôs de tempo suficiente para protagonizar uma viragem política à esquerda, na medida em que aos seis anos de guterrismo somaram-se mais de quatro anos Sócrates. O PSD tem muita culpa no estado a que isto chegou e Sócrates é diferente de Ferreira Leite, mas quando reparamos que, durante os últimos doze anos, dez foram vividos sob governo socialista, resta-nos concluir que a diferença entre os dois partidos do centro não é suficiente para abdicarmos de, com o nosso voto, construirmos uma outra diferença. Por certo que esta diferença não resolverá as fragilidades de PCP e de BE nem muito menos a debilidade da nossa vontade de alcançar uma transformação significativa da situação presente. Não se espera que a direcção do BE, que tanto acalentou a ideia de um partido-movimento, repare enfim que a dinâmica do PCP se encontra mais próxima dessa realidade movimentista do que a do próprio BE, muitas vezes reduzido a uma dimensão parlamentarista. Não se espera que a direcção do PCP compreenda que a sua radicalidade depende mais da porosidade da sua rede militante do que da pureza identitária certificada pelo seu comité central nem que olhe para a história do comunismo como um problema e uma solução e não apenas como uma solução. Não se espera que uns e outros, PCP e BE, compreendam que a sua acção política deveria preocupar-se mais em ser parte de conflitos globais do que em almejar representar o todo nacional. E também não se espera que, nós, eleitores que simpatizamos com valores de esquerda, nós, “povo da esquerda”, abrileiros ressentidos, maioria sociológica do país, jovens eleitores, cidadãos da cidadania – o que quer que seja – levemos finalmente a sério uma outra &#8220;lapalissada&#8221;: o dia do voto não é o mais importante e não nos podemos continuar a limitar politicamente à fraca figura de representados.</p>
<p>Se no dia 27 de Dezembro, PCP e BE se aproximarem ou superarem os 20% de votos, a terra continuará a girar à volta do sol e o salário mínimo não chegará aos 1500€. Mas para mim é claro que, quanto maior for o crescimento eleitoral de BE e PCP, maior a repercussão governativa das críticas e das propostas em que estas forças partidárias se apoiam. A viragem do PS à esquerda, depois das eleições Europeias de Junho, foi muito ténue e insatisfatória, é certo, mas, ainda assim, só foi possível porque PCP e BE tiveram uma boa votação. E o crescimento eleitoral das forças às esquerda do PS, não respondendo à urgência dos tempos que correm – mas à força desta urgência, que é reconhecida por todos, a começar pelos próprios apoiantes do PS, só corresponderia a força de uma ruptura que nenhum partido de esquerda, muito menos o PS, estará disposto a acalentar –, é motivo de alento para quem não se conforme com o esquema em que uns poucos comem uvas e outros muitos trabalham nas grainhas. A importância de se criar uma terceira margem do eleitorado reside não tanto no reforço partidário de BE e PCP, mas desse reforço poder contribuir para animar uma multiplicidade de elementos políticos muito diversos – comissões de trabalhadores, revistas críticas, associações de bairro, movimentos de imigrantes – e intensificar lutas não menos importantes – pela distribuição do rendimento, pela autonomia dos produtores, por uma vida além da produção, por formas de propriedade comuns, pela liberalização dos costumes, pela vitória do benfica.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Ler às mijinhas</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Sep 2009 11:42:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ Eduardo Pitta repete o erro de Sócrates. O fim das deduções fiscais na área de educação e saúde e em domínios onde haja provisão pública é uma medida que vem de par com outras medidas propostas pelo BE visando o aumento &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/09/09/ler-as-mijinhas/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <a href="http://simplex.blogs.sapo.pt/245881.html">Eduardo Pitta </a>repete o erro de Sócrates. O fim das deduções fiscais na área de educação e saúde e em domínios onde haja provisão pública é uma medida que vem de par com outras medidas propostas pelo BE visando o aumento da provisão pública nas áreas da saúde e educação. Tira-se de um lado, dá-se de outro, robustecendo o Estado e retirando o espaço de manobra do sector privado em áreas essenciais como a saúde e a educação. Discutível? Sim, mas discutamos a coisa por inteiro. E talvez concluamos que a tal da classe média, em matéria de saúde e educação, prefira não pagar o que quer que seja do que pagar e deduzir parte daquilo que paga a privados. Ler programas às mijinhas pode ser menos trabalhoso mas tem a desvantagem de aumentar a inteligibilidade e de não evitar a demagogia. Em relação aos PPR&#8217;s, remeto para as posições do <a href="http://arrastao.org/sem-categoria/quando-bagao-esteve-a-esquerda-de-socrates/">Daniel Oliveira</a>.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Sócrates, Vital Moreira e Louçã</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Sep 2009 03:15:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Acerca da forma precipitada e demagógica como Sócrates comentou o programa do BE, vale a pena acrescentar o seguinte. Contra a despenalização das drogas leves, argumenta-se muitas vezes com base na tese da escalada: fumas um charro, logo darás na veia. Trata-se, &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/09/09/socrates-vital-moreira-e-louca/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acerca da forma precipitada e demagógica como Sócrates comentou o programa do BE, vale a pena acrescentar o seguinte. Contra a despenalização das drogas leves, argumenta-se muitas vezes com base na tese da escalada: fumas um charro, logo darás na veia. Trata-se, obviamente, de uma tese simplista e equívoca, constrúida de frente para trás. No cúmulo, levaria à interdição do leite materno, porque uma pessoa começa por aí, passa à coca-cola, depois à cerveja, depois ao tabaco, depois ao charro e finalmente encontra a sua redenção na veia. Ora, o papão anti-comunista que Sócrates agitou a propósito do tema das nacionalizações é animado pela mesma lógica: segundo muitos dos críticos das propostas bloquistas e comunistas de nacionalização da economia, estas propostas visam nacionalizar a GALP ou a EDP mas logo acabarão por nacionalizar tudo e mais alguma coisa, das cuecas da prima à bengala da avó. </p>
<p>Já no que se refere à questão dos benefícios fiscais, descobrimos agora, e por memória do <a href="http://tempodascerejas.blogspot.com/2009/09/debate-socrates-louca.html">Vítor Dias</a>, que a proposta do Bloco é bastante parecida à que foi feita, há pouco tempo atrás, por essa figura cimeira do radicalismo esquerdista, seu nome Vital Moreira.  Com a diferença, parece-me, que Vital Moreira não defendia a gratuitidade dos serviços públicos, como defende o programa do Bloco.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Louçã e Sócrates</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Sep 2009 01:59:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[É interessante a quantidade de posts publicados no Simplex a defender que Sócrates venceu Louçã. É do domínio da crença: se repetirem cem mil vezes que é o sol que gira à volta da terra, então o sol girará à volta da terra. Não &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/09/09/louca-e-socrates/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É interessante a quantidade de posts publicados no Simplex a defender que Sócrates venceu Louçã. É do domínio da crença: se repetirem cem mil vezes que é o sol que gira à volta da terra, então o sol girará à volta da terra. Não quero com isto dizer que Louçã ganhou a Sócrates. Trata-se de um tipo de consideração que, por si só, não me preocupa. Portas terá ganho a Jerónimo e daí não resulta que conceda razão a Portas. Até porque estamos a falar de campeonatos diferentes: Louçã, como Jerónimo, não joga aqui a batalha da sua vida, mas sim uma batalha de uma guerra que acredita ser mais longa, ao passo que Sócrates joga desde já tudo: concorre para ser governo e para ter uma maioria absoluta. Para Louçã, como para Jerónimo, o &#8220;ganho&#8221; de um debate não se deve medir apenas a curto prazo; nem a questão do poder de governo se coloca hoje mesmo. O que me interessa constatar, aliás, é a transformação dos pontos da agenda económica agora debatida. Há um ano atrás aquele que dissesse que as eleições legislativas teriam nas nacionalizações um dos tópicos de maior divergência seria considerado um louco. A questão nem se colocava. Há um ano atrás, quanto muito, discutir-se-ia os limites das privatizações. Hoje discutimos os limites das nacionalizações e o primeiro-ministro vê-se na circunstância de ler e debater com afinco - mesmo que seja para discordar e para fazê-lo de forma pouco séria - o programa de um partido que o próprio primeiro-ministro considera como radical, extremista e fanático. Independentemente de quem ganhou ou perdeu o debate, para mim o mais significativo é que sejam os tópicos do discurso económico do PCP e do BE que agora centram as divergências. Regressando, enfim, aos apoiantes de Sócrates: entre os vários posts do Simplex, raro é o que não se resume ao comentário escrito com o entusiasmo e a agressividade dos crentes. Existe, no entanto, alguém, como Eduardo Graça, que se dá ao trabalho de argumentar mais sobriamente. E como resultado da sua argumentação resolve ir repescar na sua gaveta um panfleto do MES, onde se escrevia: <a href="http://simplex.blogs.sapo.pt/243898.html">“<em>O socialismo é a associação livre de produtores livres e iguais, a sociedade em que aos produtores e apenas a eles caiba decidir o que se produz, como se produz e para que se produz</em>”. </a>Hoje, o Eduardo Graça já não acredita no que o panfleto diz e usa-o contra Louçã. Mas amanhã nada garante que assim continue a ser e que o Eduardo não regresso às ideias da sua juventude. Até porque o primeiro passo já foi dado: tirar o socialismo da gaveta e colocá-lo no horizonte das possibilidades, mesmo que para negá-lo. Numa coisa, creio, todos os socialistas &#8211; mesmo os que foram da JSD, como Sócrates, que apagou esse momento do seu percurso biográfico, no que me parece ter sido um lapso de memória evitável - poderão desde já começar por concordar: a sociedade em que os produtores não são livres nem iguais, não decidem o que se produz, como se produz e para que se produz, esta sociedade, é uma realidade mas esta realidade é insuportável. A não ser, é claro, para aqueles que não vêem problema algum no esquema de divisão do trabalho segundo o qual uns comem as uvas e os outros retiram as graínhas.</p>
<p>ps &#8211; curiso ver Sócrates recusar a redução do governo à sua pessoa. Para quem tem um site Sócrates2009 e diz que a escolha a fazer no dia 27 é entre ele e Ferreira Leite, não está mal.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Terceira Margem</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Sep 2009 19:21:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[O facto do frente-a-frente entre Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa ter sido marcado por um clima mais ameno suscitou reacções negativas junto do Miguel Vale de Almeida, do Rui Bebiano e do Daniel Oliveira. Trata-se de três pessoas com &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/09/07/terceira-margem/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O facto do frente-a-frente entre Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa ter sido marcado por um clima mais ameno suscitou reacções negativas junto do <a href="http://blog.miguelvaledealmeida.net/?p=1010">Miguel Vale de Almeida</a>, do <a href="http://aterceiranoite.org/2009/09/04/o-original-e-o-generico/" target="_self">Rui Bebiano </a>e do <a href="http://arrastao.org/sem-categoria/sem-surpresa/">Daniel Oliveira</a>. Trata-se de três pessoas com posições diferentes e que votarão diversamente – o primeiro no PS, os outros dois no BE. Mas, em todo o caso, são três pessoas que entendem ser necessário aprofundar a demarcação entre PCP e BE. E em parte entendem-no porque julgam que a política se faz de clivagem e confronto, ideia que partilho. Mas, por outra parte, entendem-no porque não lhes agrada, de todo, ver BE e PCP em posições não-antagónicas - e aqui não os acompanho. No caso do MVA, o BE deveria distanciar-se do PCP em prol de uma ideia de “esquerda liberal”, na qual não terão cabimento os comunistas ortodoxos e que deverá federar o PS e o BE, com o primeiro a liderar. No caso do DO, o apelo à distância faz-se em nome de um futuro programa reformista de esquerda, que o BE deverá formular tendo os socialistas e não os comunistas como os seus interlocutores privilegiados. No caso do RB, o seu apelo à distância entre BE e PCP faz-se em nome da necessidade de rompermos com o legado marxista-leninista do século XX. Julgo compreender as três posições, mas discordo de todas. Creio partilharem um sentimento anti-PCP que estreita o horizonte de possibilidades que imaginam para o futuro da esquerda em Portugal. Em relação às razões do MVA, não creio que o voto dos deputados PCP tenha faltado à “esquerda liberal” a que ele se tem referido, pelo menos que tenha falhado mais consistentemente do que o voto dos deputados PS. Isso é particularmente claro a nível de “costumes” e basta recordar o voto do PCP a favor do casamento homossexual – os comunistas ortodoxos podem ser tidos como simples conservadores, mas o seu conservadorismo foi simplesmente mais progressista do que o da esquerda moderna do PS, que dizia, há poucos meses atrás, não estar o país preparado para o casamento homossexual. Em relação às razões do DO, não creio que o PCP esteja menos vocacionado para protagonizar uma política reformista de esquerda do que estará o BE, nem que esteja mais distante de vir a ser parte de um governo do que o BE; além disto, aquilo que no PCP mais desagrada ao DO (questões de política internacional e modelo de democracia interna), é problema que não encontrará melhor solução no espaço do PS . A social-democracia e o marxismo-leninismo têm uma história de contradições e atritos infindáveis, mas também têm uma história de aproximações e afinidades, em ambos os casos predominando uma concepção centralista de organização do partido, nalguns casos tratando-se de centralismo democrático, noutros de centralismo e ponto final. Em relação ao RB, a questão é mais complicada, pelo menos a julgar pelo sítio em que eu próprio me posiciono: por um lado, encontro nele uma pulsão anti-PCP que indicia (?) uma pulsão anti-comunista <em>tout court</em>; por outro, estou de acordo com a necessidade em romper radicalmente com o legado do marxismo-leninismo. Creio, porém, que essa ruptura pode ser feita <em>com</em> –<em> </em>e não <em>contra</em> – os próprios marxistas-leninistas, porque esta ruptura tem mais condições para suceder a partir da tradição do comunismo do que renegando a essa mesma tradição. Romper com o marxismo-leninismo mas admitir dialogar com a social-democracia não  resolve nenhum problema – nem a estratégia de classes contra classes nem a estratégia de frente popular respondem ao desafio de uma nova concepção do poder, distante da forma-estado e da forma-partido, e à qual o RB tem por vezes dado eco. Ou seja, vejo a amenidade do encontro entre PCP e BE como o possível princípio de algo positivo. À esquerda, temos debatido estas eleições demasiado presos à figura de um determinado eleitor - um eleitor imaginado amiúde e cuja numerosa existência os vários comentadores não parecem tentados a colocar em causa. Trata-se aí do eleitor situado entre o PS e o BE, eleitor ao qual o PS tem dirigido muitos dos seus apelos de “voto útil”. O debate entre Jerónimo e Louçã, todavia, trouxe à cena um novo eleitor – digo eu, suspeito me confesso, na medida em que refiro um eleitor em cuja figura me revejo genericamente. Independentemente de serem inúmeras as razões que terão levado Jerónimo e Louçã a não se confrontarem como dois gladiadores romanos, razões tácticas seguramente pesaram para que assim sucedesse: ambos os líderes, cientes do que diferencia os seus partidos, terão achado que o seu potencial eleitorado, independentemente de vir a votar num ou noutro, nutre um mínimo de respeito político por cada qual.  Tratar-se-á de um eleitorado que entende não haver muito mais a esperar do bipartidarismo até hoje reinante e que, não julgando necessariamente que PS e PSD são uma e a mesma coisa, conclui que à diferença entre estes importa, isso sim, acrescentar uma nova diferença, uma terceira margem. O que faremos com esta possível nova diferença é outra coisa, sendo que não será de todo idiota falarmos de novas dinâmicas partidárias. E, sobretudo, de novos e renovados movimentos políticos e sociais, à margem da política institucional.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Friendly Fire</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Sep 2009 18:54:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Se é efectivamente verdade que votar no PCP e no BE é o mesmo que votar no PSD, conforme tem sido explicado repetidamente pelo Simplex, então talvez Jerónimo e Louçã devessem começar a vender essa magnífica ideia aos eleitores PSD. Se &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/09/01/friendly-fire/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se é efectivamente verdade que votar no PCP e no BE é o mesmo que votar no PSD, conforme tem sido explicado repetidamente pelo Simplex, então talvez Jerónimo e Louçã devessem começar a vender essa magnífica ideia aos eleitores PSD. Se quereis votar PSD, votai PCP ou BE.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Miguel Vale de Almeida (II)</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Aug 2009 12:01:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Há já alguns anos, tive o prazer de ter sido aluno do MVA. Foi uma experiência fascinante, da qual muitos alunos serão privados por obra e graça de quem votar no PS. A cadeira que o MVA leccionava intitulava-se “Corpo, &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/08/31/miguel-vale-de-almeida-ii/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há já alguns anos, tive o prazer de ter sido aluno do MVA. Foi uma experiência fascinante, da qual muitos alunos serão privados por obra e graça de quem votar no PS. A cadeira que o MVA leccionava intitulava-se “Corpo, ‘Raça’ e Género” e para mim aquelas aulas não foram um simples conjunto de sessões acerca dos temas que hoje se vulgarizaram sob a fórmula de “questões fracturantes”. Na verdade, era quase indiferente que, em vez de género, o título da cadeira comportasse uma palavra como classes, para dar exemplo de uma temática bem menos apimentada. A “questão fracturante” sobre a qual nos debruçámos durante aquele semestre não dependeu nunca do maior ou menor <em>sex appeal</em> dos “conteúdos programáticos”, este redondo vocábulo que hoje faz o MVA celebrar, com espanto e entusiasmo, o programa eleitoral de um PS cujos sinais de viragem à esquerda continuam a ser considerados insuficientes pelo próprio MVA. O que se discutia nas aulas do MVA esteve sempre aquém e além dos tópicos mastigados pelos discursos da sociologia, da política, da antropologia, da teoria. Mais do que género, ‘raça’, classes, identidades, unidade, linhas divisórias, modernidade, esquerda, direita, o que ali discutíamos era o processo da formação desses discursos e as relações de poder neles inscritas. Não se tratava de um exercício puramente académico ou científico, isso não existia com o MVA, mas de um trabalho intelectual que, não sendo doutrinário ou propagandístico, nos interpelava de tal modo que se tornava indissociável de qualquer praxis. Aquelas aulas eram demasiado boas para que as dúvidas aí suscitadas pudessem permanecer no interior das paredes da sala. Por isso, as aulas do MVA, e muitos dos seus escritos, deram sempre novo ânimo à minha filiação numa tradição de intervenção em que a forma de acção política é indissociável dos “conteúdos programáticos” avançados por essa mesma política. Uma tradição que, para mim, apesar e por causa dos séculos XIX e XX, apesar e por causa da minha experiência pessoal, faz sentido definir, não só mas também, como uma tradição comunista – isto para usarmos uma palavra que o MVA tem vindo a rejeitar com um fervor crescente. Nas aulas do MVA nunca deixou de estar em jogo um problema também ele inerente à história do movimento operário e do socialismo: na verdade, desmontávamos, sessão após sessão, os saberes e os poderes de quem falava em nome de. De quem, em nome do progresso dos brancos, falava em nome do atraso dos negros. De quem, em nome da civilização familiar, falava em nome da promiscuidade homossexual. De quem, em nome de uma identidade masculina, falava em nome de uma imaturidade feminina. Para um militante comunista, é claro, tudo isto trazia à superfície outros problemas e outras soluções, nomeadamente em relação aos partidos que, em nome da classe, falavam contra a falta de consciência da classe. Após ter sido seu aluno, mantive-me perto do MVA e hoje tenho por ele um respeito intelectual e uma estima pessoal que não está minimamente em causa. Creio, aliás, que este sentimento será partilhado por muitos dos que, à esquerda do PS como no movimento LGBT, não irão seguir os apelos do MVA para que votemos Sócrates. E desde há muito tempo, pelo menos desde um debate que tivemos no ISCTE, e no qual também participou o Vítor Dias, que eu estou mais ou menos ciente de tudo aquilo que politicamente me aproxima ao MVA e do muito que separa. Entretanto, é também verdade que agora, ao ver o MVA na bancada parlamentar do PS, receio que aquilo que nos separará se agigante um pouco mais, porque em causa estará a forma da acção política. Vi, há já algumas semanas, uma reportagem televisiva da sessão de apresentação do Programa do PS. Na ocasião, Sócrates falava do palanque, dizendo que “nós contamos com os Portugueses”, que “os Portugueses farão aquilo”, que “o Progresso avança e o Atraso retrocede”, e outros slogans acerca da necessidade de “Avançar Portugal”; e vi o MVA sentado, a aturar aquilo tudo, enquanto eu sempre o imaginei ali mas a criticar a retórica identitária e o seu clamor nacionalista, o palanque e a sua natureza conservadora, o discurso estereotipado e os chavões da ordem e do progresso. Dir-se-á que uma crítica destas não tinha qualquer cabimento numa ocasião daquelas. Mas este é justamente o problema.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Miguel Vale de Almeida (I)</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Aug 2009 12:00:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Este post do MVA parece ser um simples esclarecimento à imprensa mas é mais importante do que isso. Entre outras coisas, dá conta de uma sua incomodidade ante estratégias de apropriação partidária de uma agenda LGBT. Temo, no entanto, que &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/08/31/miguel-vale-de-almeida-i/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Este <a href="http://simplex.blogs.sapo.pt/191678.html">post </a>do MVA parece ser um simples esclarecimento à imprensa mas é mais importante do que isso. Entre outras coisas, dá conta de uma sua incomodidade ante estratégias de apropriação partidária de uma agenda LGBT. Temo, no entanto, que este incómodo seja insolúvel: ou o MVA se acomoda lá dentro no PS ou continuará a sentir-se incomodado mas fora do PS. Posso, é claro, estar enganado, e o PS modificar-se muito nos próximos tempos, mas parece-me que a lógica político-partidária em que o MVA agora se envolveu fará com que ele retome, com redobrado fulgor, as inquiteções que, em bom rigor, haviam levado ao seu afastamento do BE, há já alguns anos atrás. O lugar do MVA no movimento LGBT é, salvo as diferenças de escala dos movimentos, semelhante ao lugar que Carvalho da Silva ocupa no movimento sindical. Ambos são o rosto mediático dos movimentos e, no caso do MVA, esta identificação acentuou-se ainda mais depois da sua saída do BE. E se sobre Carvalho da Silva, apesar das diferenças políticas que se lhe reconhecem em relação à actual direcção do PCP, pairam sempre suspeitas que tendem a reduzir o movimento sindical a uma mera “correia de transmissão” do PCP; no caso do movimento LGBT e do PS, não haverá muitas razões para que não acabe por suceder o mesmo. Até porque, à fragilidade do movimento LGBT em relação ao movimento sindical, temos que somar o facto do PS, em relação ao PCP e ao BE, estar muito mais engrenado numa lógica estatocêntrica, para a qual vida política é igual a vida institucional (redução <a href="http://simplex.blogs.sapo.pt/194733.html">aqui </a>exemplificada pelo Hugo Mendes, para quem política é sinónimo de consenso e e antónimo de conflito).  Quando me disseram que o MVA seria deputado do PS, não gritei &#8220;traição&#8221;, mas também não julguei que a sua decisão fosse o resultado compreensível de um mero compromisso entre o PS e a agenda LGBT. Não só esta agenda tem mais pontos do que a agenda política do MVA, como a própria agenda política do MVA tem muitos mais pontos além da questão LGBT. Em última instância, tanto me surpreende que o MVA apoie um partido que votou contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, como surpreende o facto de ele apoiar um partido que reduziu as quotas da imigração e tem a política de nacionalidade que se conhece (e já não falo de questões laborais). Na verdade, por mais que tente entender as razões apresentadas pelo MVA, continuo sem compreender a sua decisão de entrar para as listas do PS. Entrar na esfera do PS não significa apenas optar por um programa ou por um líder. Isso é o menor dos problemas e o meu problema com o PS não tem tanto que ver com o seu líder ser ou não ser Sócrates &#8211; como <a href="http://5dias.net/2009/08/25/como-utilizar-socrates/">ali </a>expliquei. Entrar na esfera do PS é participar numa cultura política na qual é muito difícil respirar criticamente. Isto também é verdade, é claro, para os outros partidos, mas a voracidade de PS e PSD é única e aqui não há diferenças programáticas que interessem. Se aceito o argumento do MVA segundo o qual haverá no grupo parlamentar do PS uma pluralidade político-ideológica que não deverá ser menosprezada e que ele poderá influenciar positivamente, já não compreendo como o MVA poderá vir a conviver com os comportamentos éticos diferentes que diz existirem no PS. Tal como o MVA, eu sou contra críticas moralistas, por vezes feitas pelos partidos à esquerda do PS, críticas que, longe de serem sinal de radicalismo, parecem-me o contrário, isto é, parecem-me operar a substituição de análises radicais aos modos de fazer e em seu lugar tratam de proceder a acusações fulanizadas preocupadas em identificar modos de ser. Entretanto, ser contra o moralismo não significa que, em nome do que quer que seja de mais progressivo que julguemos vir a conseguir obter, tenhamos que habitar a casa de um grupo parlamentar em que existem comportamentos éticos diferentes.</p>]]></content:encoded>
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		<title>À Irene Pimentel</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Aug 2009 13:48:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Imagino que a Irene Pimentel esteja a responder às críticas que fiz ali atrás. Ou então estou a pôr-me em bicos de pés. Seja como for, à Irene Pimentel, com sincero respeito, queria dizer o seguinte. O que eu retenho como &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/08/27/a-irene-pimentel/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Imagino que a Irene Pimentel esteja a responder às críticas que fiz <a href="http://5dias.net/2009/08/24/irene-pimentel-no-reino-do-objectivamente/" target="_blank">ali </a>atrás. Ou então estou a pôr-me em bicos de pés. Seja como for, à Irene Pimentel, com sincero respeito, queria dizer o seguinte. O que eu retenho como mais importante na sua resposta é o seguinte: <a href="http://simplex.blogs.sapo.pt/172543.html" target="_blank">&#8220;Não, não penso que algo de terrível esteja para acontecer após 27/9. E se eu dissesse tal tremendo disparate, ou estaria a ser oportunista (o que esforço por não ser) ou a padecer de grave anacronismo (o que é grave numa historiadora). Além disso, se eu estivesse a dizer esse tremendo disparate, estaria a ter a mesma atitude dos que eu critico: aqueles que dizem que vivemos num período de «asfixia democrática» e os que chamam «fascista» a tudo (sem saber o significado da palavra e do conceito), mas que, quando o «perigo fascista» se aproxima, não sabem detectá-lo&#8221;</a>. Apraz-me constatar que assim seja. A minha crítica à Irene Pimentel tinha justamente que ver com uma impertinente agitação do espantalho do salazarismo a propósito de Ferreira Leite, agitação que julguei ser feita pela Irene <a href="http://simplex.blogs.sapo.pt/109158.html" target="_blank">ali</a> e <a href="http://simplex.blogs.sapo.pt/157690.html">ali</a>. E se aí não é sugerido que Ferreira Leite é Salazar “revisitado”, peço desculpa, sou eu, com toda a certeza, que não fui rigoroso, mas sim precipitado. <strong>Entretanto</strong>, a Irene Pimentel, num tom crispado que talvez seja desnecessário manter tão em alta, diz que não faz comparações abusivas, mas não resiste a acrescentar que, se as fizesse, à sua cabeça subiria logo<a href="http://simplex.blogs.sapo.pt/172543.html"> &#8220;a forma como o Partido Comunista Alemão contribuiu para a subida de Hitler ao poder ao erigir os sociais democratas como &#8220;sociais fascistas&#8221;</a>&#8220;. Em relação a isto, duas coisas. Em primeiro lugar, ou o que é devido não impede que a Irene faça comparações, e ela então faz; ou impede e então é melhor mesmo não fazer. Em segundo lugar, manifesto novamente a minha discordância em relação a este tipo de argumentação. Eu também tenho muitas críticas a fazer em relação à estratégia do Partido Comunista Alemão no final dos anos 20 e início dos anos 30 e podemos ficar aqui mil e uma horas a discutir a estratégia de &#8220;classe contra classe&#8221; e todas essas coisas. Mas eu não escreverei que o PC Alemão contribuiu para a subida de Hitler ao poder. Este tipo de afirmação é simplista e remete o historiador para um papel eventualmente legítimo mas que recuso. Em lugar de compreender a complexidade do passado, de procurar reabrir o passado à desordem que o marca, de situar as inúmeras bifurcações e multiplicidades, o historiador e o intelectual surgem aqui como escritores da ordem, de raciocínio continuista, preocupados em estabelecer a continuidade das coisas para além de tudo o que remeta para a discontinuidade, dedicando-se a subsumir e sintetizar o que está disperso numa ordem que entende objectiva, natural ou divina. Nunca vê que é ele próprio, a sua legítima subjectividade, que está a falar quando se diz que os comunistas contribuiram para a chegada do nazismo. Segundo esta lógica, o que mais interessaria reter não seria o antagonismo entre comunistas e nazis (de que a Irene dá conta no seu post, aliás, ao referir que os comunistas alemães foram dos primeiros a ir parar a campos de concentração), mas sim um resultado final, que seria o triunfo de Hitler.<span id="more-24510"></span> O antagonismo não teria “valor” histórico de qualquer espécie; os vencidos são sempre vencidos e a sua história é sempre inútil??!? <strong>Por fim,</strong> há um aspecto um pouco mais desagradável, mas também menos relevante, no post da Irene Pimentel. Ela classifica os que criticam a sua crítica a Ferreira Leite de serem defensores de Ferreira Leite, vindos <a href="http://simplex.blogs.sapo.pt/172543.html" target="_blank">&#8220;curiosamente de partidos que eu julgaria opostos ao PSD&#8221;</a>. Isto é caceteirismo ou, se preferirem, a dialéctica na sua versão mais empobrecedora. Recorda a forma de argumentar dos americanistas que diziam não podermos criticar a intervenção norte-americana no Iraque porque isso significava apoiarmos objectivamente Saddam Hussein; ou dos anti-americanistas que dizem não podermos criticar o regime iraniano porque isso significa apoiar objectivamente o imperialismo norte-americano. Já quanto à minha eventual filiação partidária, não sucede que seja como a Irene diz; ela, é claro, não teria que saber isso, mas poderia optar por não falar do que não sabe. O Simplex deveria parar de achar que toda a gente que critica o PS está ao serviço do KGB. Quem escreve no Simplex pode estar muito convencido da sua heterodoxia, dando-se ao luxo de classificar todos os outros como ortodoxos. Mas deveria compreender que a exaltação da heterodoxia impede a sobriedade que é sua condição. A continuar assim, o Simplex não é sensato nem radical. Redunda num simples caso de extremismo do centro.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Como utilizar Sócrates</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Aug 2009 11:49:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Não morro de ódio nem de amor por José Sócrates. E, ao contrário dos seus biógrafos de serviço, nunca procurei descobrir o seu verdadeiro ser. Entretanto, interesso-me pelos Sócrates que vão sendo inventados aqui e ali. Se não se cair &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/08/25/como-utilizar-socrates/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não morro de ódio nem de amor por José Sócrates. E, ao contrário dos seus biógrafos de serviço, nunca procurei descobrir o seu verdadeiro ser. Entretanto, interesso-me pelos Sócrates que vão sendo inventados aqui e ali. Se não se cair na tentação mesquinha de procurar descobrir o que é falso ou verdadeiro nesses retratos, dá para ir compreendendo alguma coisa acerca do estado do tempo. O autêntico Sócrates, estou certo, há-de estar algures pelo meio, entre a Beira Baixa, a Universidade Independente e o Palácio de São Bento, a montante e a jusante de todas as suas representações, sempre em bolandas, a deixar de ser aquilo que é para passar a ser uma outra coisa. Como todos nós, diga-se, muito embora o facto da nossa personalidade não ser objecto de culto contribuir para que a nossa instabilidade seja mais óbvia e por isso menos assinalável. Interessam-me então os vários Sócrates porque eles dizem tanto ou mais acerca de quem retrata do que acerca de quem é retratado. Veja-se o Sócrates do “voto útil”. É uma imagem penosa. Que contrasta quer com o Sócrates pré-Europeias, alguém cuja capacidade de acção perdoaria um certo e alegado pendor arrogante, quer com o Sócrates pós-Europeias, no qual se reinventaria um coração dialogante e social-democrata. O Sócrates do “voto útil” é, antes, um homem tendencialmente impotente. É o que lhe calha a partir do momento em que os seus apoiantes não o apresentam como o principal motivo para votarmos PS. O que os defensores do “voto útil” nos dizem é que o motivo para votarmos no PS não é o PS mas sim Manuela Ferreira Leite e os espíritos malignos que ela encarna. O que talvez seja dar demasiada importância a Ferreira Leite e reduzir Sócrates a menos do que o próprio merecerá.<br />
Entre os apoiantes de Sócrates, há também, é claro, quem nos tente convencer de que devemos votar no homem porque ele é inimputável. No caso desta linha de argumentação, temos uma “corrente quente” e uma “corrente fria”. Segundo a “corrente quente”, tratar-se-ia de um louco, furioso, desmedido, incontinente, que em desespero de causa se vira para o eleitorado de esquerda e grita bem alto: “agarrem-me se não eu faço um governo com o PSD!”. No caso da “corrente fria”, trata-se de um homem que não o é, um elemento de uma máquina de poder cuja racionalidade é apenas e só cálculo e pragmatismo – sem paixão, sem princípios, sem ideias. Alguém tão vazio de si que se permite virar para o eleitorado de esquerda e dizer-lhe, com frieza e sentido matemático extremo: “se não me dão o poder de uma maioria absoluta, logo alinharei com o vosso pior inimigo!” (e aqui se percebe que quem argumenta em prol do “voto útil” sabe perfeitamente que quem se encontra à esquerda do PS guarda uma distância maior em relação ao PSD do que aquela que guarda o próprio PS). Em qualquer dos casos, corrente quente ou corrente fria, a inimputabilidade de Sócrates deixa sempre uma pergunta por responder: se o bloco central é um cenário tão monstruoso quanto verosímil, não será mais aconselhável não entregarmos o nosso voto a um dos dois partidos que incorporará o possível monstro? O bloco central representa o monstro contra o qual deveríamos votar no PS, dizem-nos, mas para que a ameaça seja verosímil também têm que admitir que esse mesmo PS em quem devemos votar poderá vir a ser parte do monstro que desejamos eliminar. Um tipo começa o dia 27 de Setembro decidido a votar PS contra o Bloco Central mas pode acabar o dia a concluir que votou no Bloco Central. Isto é o que é suposto comprarmos?</p>]]></content:encoded>
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		<title>Irene Pimentel no Reino do Objectivamente?</title>
		<link>http://5dias.net/2009/08/24/irene-pimentel-no-reino-do-objectivamente/</link>
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		<pubDate>Mon, 24 Aug 2009 11:48:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Irene Pimentel publicou no Simplex um cartoon de Rui Pimentel em que este não hesitava na hora de associar Manuela Ferreira Leite ao salazarismo. A fundamentação da acusação residia no facto da líder do PSD estar contra o TGV e &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/08/24/irene-pimentel-no-reino-do-objectivamente/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Irene Pimentel publicou no Simplex um <a href="http://simplex.blogs.sapo.pt/109158.html" target="_blank">cartoon de Rui Pimentel</a> em que este não hesitava na hora de associar Manuela Ferreira Leite ao salazarismo. A fundamentação da acusação residia no facto da líder do PSD estar contra o TGV e o novo aeroporto. Não vou discutir agora a impertinência da associação, apenas dizer que ela acompanha a tendência do PS acusar o PSD de estar enfeitiçado pelo salazarismo, caminho que não me parece muito interessante e acerca do qual já falei em <a href="http://5dias.net/2009/08/19/salazar-e-simplexidade/">post anterior</a>. (Neste caso específico, acrescentaria apenas que a redução do salazarismo à sua dimensão “ruralista”, orgulhosa do país pequeno e pobre, não parece sequer muito recomendável do ponto de vista histórico). Entretanto, sucede que na entrevista que concedeu à RTP, há uns dias atrás, Manuela Ferreira Leite não só não teceu louvores a Salazar, como ainda se pôs a dissertar acerca de um suposto clima de «asfixia democrática» que pairará sobre Portugal. Algo que, há alguns anos atrás, com mais ou com menos fundamento, todos os líderes de partidos da oposição costumavam dizer, em jeito de balanço, a propósito dos governos PSD de maioria absoluta.</p>
<p>Ora, o que nos diz Irene Pimentel acerca disto? Pois <a href="http://simplex.blogs.sapo.pt/157690.html" target="_blank">Irene Pimentel </a>vem agora criticar Manuela Ferreira Leite por esta referir que vivemos num clima de «asfixia democrática». Diz ainda que as declarações de Ferreira Leite, não sendo justificadas, servem apenas para relativizar «situações de falta de liberdade», caucionando objectivamente o período da ditadura. Isto é: Ferreira Leite fala contra um suposto perigo de «asfixia democrática» e Pimentel comenta isso classificando as declarações como um possível contributo de Ferreira Leite para a legitimação de um clima ditatorial. O post da Irene Pimentel é parte de uma tendência de simplificação, que eu não esperava ver alimentada pela Irene Pimentel, e que é frequente assolar o Simplex. E o raciocínio subjacente ao post é característico de todos os que se julgam iluminados pelo dom que lhes permite sentirem-se donos e senhores de uma História em que todas as relações são reduzidas a relações de causa e efeito e a cujo sentido os iluminados podem aceder de forma categórica. Pode até ser raro o cientista político ou o comentador político que não julgue habitar este reino do objectivamente, mas qualquer acto de militância (a começar no apoio de Pimentel a Sócrates, com o qual não concordo, mas que obviamente respeito) é suposto tratar de fazer a política descer desse reino até cá baixo. Não é aceitável que o Simplex insista no argumento do &#8220;voto útil&#8221;, reduzindo uma e outra vez a complexidade do eleitorado e da política em democracia a relações todas elas muito mecânicas e lineares, do género: não votas PS e votas PCP/BE, logo favoreces objectivamente o PSD. Seria bom que o Simplex começasse a discutir política com os comuns mortais.  A menos que por lá alguém tenha contactos privilegiados com um Além qualquer. Ou andam todos a dar na Dialéctica da Natureza?</p>]]></content:encoded>
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		<title>Tipologias do Nacionalismo</title>
		<link>http://5dias.net/2009/08/20/tipologias-do-nacionalismo/</link>
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		<pubDate>Thu, 20 Aug 2009 16:42:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Aproveito para agradecer as boas-vindas. Prometo vir a decepcionar. E como desperdicei o primeiro post com coisas pesadas, aproveito este para balelas. Em primeiro lugar, peço ao Tiago Saraiva para não voltar a colocar o meu nome como título de &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/08/20/tipologias-do-nacionalismo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aproveito para agradecer as boas-vindas. Prometo vir a decepcionar. E como desperdicei o primeiro post com coisas pesadas, aproveito este para balelas. Em primeiro lugar, peço ao Tiago Saraiva para não voltar a colocar o meu nome como título de um post, à semelhança do que fez ali em baixo. É simpático mas é chato, um tipo vê o seu nome assim, sem mais, e assusta-se, leva a mão ao peito para ver se o coração ainda está a bater, pensa que já foi, que já bateu a bota, e afinal não. Em segundo lugar, e apesar de não me desonrar passar a ser conhecido como um dos outros tipos a quem um futuro deputado chamou filho-da-puta, importa esclarecer que não sou irmão desse tal João Gonçalves. Eu sei que o país é de “bons costumes” e que as putas não abundam, mas a minha mãe e a mãe do tal Gonçalves são pessoas diferentes. Balelas à parte, esta conversa toda acerca do filho-da-puta, concordamos, deve mesmo é ser relativizada. Adoptando de forma muito simplificada tipologias dos estudiosos dos nacionalismos, dir-se-ia que um gajo, quando é chamado de filho-da-puta, tem à sua disposição, pelo menos, dois modelos de reacção: o primeiro é o modelo etnogenealógico, é a reacção do gajo que acredita mesmo que estão a querer ofender sua mãe; o segundo é o cívico-territorial, é a reacção do gajo que se incomoda, mas apenas e só porque todos os filhos têm o direito à cidade, independentemente do sangue que lhes corre na veia, do nome que levam às costas ou da profissão dos pais. </p>]]></content:encoded>
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		<title>Salazar e Simplexidade</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Aug 2009 18:13:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Neves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Deveria ser evidente que a relação entre as direitas portuguesas e o legado salazarista não é assunto fácil. E, no entanto, é cada vez maior a facilidade com que o PS de Sócrates afirma uma suposta continuidade entre Ferreira Leite &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/08/19/salazar-e-simplexidade/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Deveria ser evidente que a relação entre as direitas portuguesas e o legado salazarista não é assunto fácil. E, no entanto, é cada vez maior a facilidade com que o PS de Sócrates afirma uma suposta continuidade entre Ferreira Leite e Salazar. Mesmo que a primeira ajude à festa, quem leve a sério o problema do salazarismo em Portugal deveria discutir seriamente o perigo do seu regresso, o que obviamente implica exceder a figura de Manuela Ferreira Leite. Possivelmente, o PS de Sócrates não leva a sério o problema do fascismo e limita-se a ver o antifascismo como um tema histórico que lhe permite atalhar caminho na sua recente tentativa de aproximação aos eleitores que têm votado nos partidos à sua esquerda e aos sectores alegristas que pensam vir a fazê-lo. Não sei se este atalho levará o PS de Sócrates a algum lado e, assim de repente, lembro-me apenas da grande cruzada antifascista que embalou a derrota de João Soares às mãos de Pedro Santana Lopes. Mas há uma coisa que o apelo do PS de Sócrates consegue: simplificar as coisas a tal ponto que a política dispensa qualquer análise mais complexa. Com efeito, a simplexidade com que se vem agora estabelecer uma linha de continuidade entre PSD e salazarismo começa por fazer esquecer que, mesmo durante o tempo do fascismo, as análises efectuadas pelos principais sectores da oposição, a começar pelo próprio PCP, não eram assim tão pouco sofisticadas que nos levassem a rotular de fascista todos os seres vivos que não se reivindicavam de esquerda ou de centro-esquerda. Não se compreende, aliás, que o PS de Sócrates se atire ao ar sempre que alguém diz que PS e PSD estão cada vez mais iguais e que, pelo contrário, não hesite um segundo que seja na hora de dizer que PSD e Salazar estão abençoados pelo mesmo espírito.</p>
<p>PS e PSD não são iguais, por certo, mas PSD e Salazar também não são iguais. Isto não quer dizer que daqui se apoie Manuela Ferreira Leite, pois não temos que limitar as nossas opções à dicotomia “Ferreira Leite – Oliveira Salazar”. Tal como reconhecer que PS e PSD são diferentes não significa que tenhamos que limitar as nossas opções à dicotomia “Sócrates – Ferreira Leite”. O boletim de voto tem mais do que duas casas.</p>]]></content:encoded>
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