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	<title>cinco dias &#187; Morgada de V.</title>
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		<title>Only a Northern song</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Apr 2012 11:39:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;Como os &#8216;Blue Meanies&#8217; de &#8216;O submarino amarelo&#8217;, as retinas de Rui Rio não suportam as cores vibrantes e indisciplinadas dos sonhos. Ontem, por sua ordem, a Polícia cercou o bairro, invadiu armada a Escola da Fontinha, prendeu pessoas e &#8230; <a href="http://5dias.net/2012/04/20/only-a-northern-song/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>&#8220;Como os &#8216;Blue Meanies&#8217; de &#8216;O submarino amarelo&#8217;, as retinas de Rui Rio não suportam as cores vibrantes e indisciplinadas dos sonhos. Ontem, por sua ordem, a Polícia cercou o bairro, invadiu armada a Escola da Fontinha, prendeu pessoas e destruiu e pilhou as instalações. E Pepperland voltou de novo a ser cabisbaixa e cinzenta.&#8221; </em><a href="http://www.jn.pt/Opiniao/default.aspx?content_id=2431279&amp;opiniao=Manuel%20Ant%F3nio%20Pina">Manuel António Pina, no JN</a></p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://5dias.net/2012/04/20/only-a-northern-song/"><img src="http://img.youtube.com/vi/CaG_yyKJnB4/2.jpg" alt="" /></a></span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Et merde</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Apr 2012 11:49:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A Ana Cristina Leonardo enviou-me esta pagela, com instruções para a reenviar a mais dez incréus inocentes. Mal me vi metida nesta alhada, tratei logo de encomendar protecção num site que vende &#8220;produtos esotéricos ao melhor preço do mercado&#8221; (as &#8230; <a href="http://5dias.net/2012/04/14/et-merde/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A Ana Cristina Leonardo enviou-me <a href="http://wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com/2012/04/corrente-passos-coelho-ama-te-envia-10.html">esta pagela</a>, com instruções para a reenviar a mais dez <del>incréus</del> inocentes. Mal me vi metida nesta alhada, tratei logo de encomendar <a href="http://www.tendadaalma.com/index.php?page=shop.product_details&amp;flypage=yagendoo_VaMazing_2.tpl&amp;product_id=1012&amp;category_id=27&amp;option=com_virtuemart&amp;Itemid=1">protecção</a> num site que vende &#8220;produtos esotéricos ao melhor preço do mercado&#8221; (as medalhinhas do padre Cruz também estão muito em conta), mas percebi logo que nem São Cipriano me iria safar desta. Temendo pela salvação dos meus pecados, andei a ver como é que as outras vítimas exorcizaram esta assombração. E em verdade vos digo: a melhor resposta, que reproduzo já a seguir em toda a sua glória multimédia, está num blogue chamado <a href="http://jardimdeluz.blogspot.pt/2012/04/sem-fingimentos.html">Jardim de Luz</a>. Oremos, irmãos.</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://5dias.net/2012/04/14/et-merde/"><img src="http://img.youtube.com/vi/JYqewHfzt4o/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align: justify;">P.S. Quanto a reenviar o santinho a dez pessoas, por amor de deus&#8230; Isto é um blogue comunista, contra-a-corrente e muito ateu: pagelas, amuletos e iconografia, só se for com o camarada Estaline.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Zona laranja</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Apr 2012 20:48:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Há uns anos, quando os americanos ocuparam o Iraque, refugiaram-se no palácio do antigo ditador, um enclave luxuoso com piscinas e centros comerciais que ficaria conhecido por &#8220;Zona Verde&#8221;. Mal ali chegaram, no afã habitual que os caracteriza, funcionários inexperientes &#8230; <a href="http://5dias.net/2012/04/11/zona-laranja/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Há uns anos, quando os americanos ocuparam o Iraque, refugiaram-se no palácio do antigo ditador, um enclave luxuoso com piscinas e centros comerciais que ficaria conhecido por &#8220;Zona Verde&#8221;. Mal ali chegaram, no afã habitual que os caracteriza, funcionários inexperientes nomeados por Bush trataram de traçar, no sossego do computador, soluções burocráticas para o país. Um deles, chamado James K. Haveman (qualquer semelhança com &#8220;Caveman&#8221; é uma deliciosa coincidência fonética)<em>,</em> a quem alguém ainda mais tonto do que ele entregou a pasta da Saúde, decide que aquilo de que o Iraque precisa é de uma campanha anti-tabaco. Nas ruas de Bagdad vai uma guerra mortífera; nos hospitais, cortes de energia matam bebés em incubadoras. Não há analgésicos nem medicamentos. Mas para o funcionário americano, o problema, claro, é o tabaco.</p>
<p style="text-align: justify;">Vem tudo contado no excelente &#8220;Vida Imperial na Cidade Esmeralda&#8221;, do jornalista Rajiv Chandrasekaran:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Haveman arrived in Iraq with his own priorities. (&#8230;). He urged the Health Ministry to mount an anti-smoking campaign, and he assigned an American from the CPA [Coalition Provisional Authority] team — who turned out to be a closet smoker himself — to lead the public education effort. Several members of Haveman&#8217;s staff noted wryly that Iraqis faced far greater dangers in their daily lives than tobacco. The CPA&#8217;s limited resources, they argued, would be better used raising awareness about how to prevent childhood diarrhea and other fatal maladies. </em></p>
<p style="text-align: justify;">Quando li isto, há uns anos, não consegui afastar a imagem de um iraquiano barbudo a fumar para cima dos posters sanitários do ocupante: &#8220;Smoking kills&#8221;. Barbudo, a fumar e a rir: é assim que eu gosto de imaginar o meu iraquiano — embora reconheça que o humor, essa válvula de escape, também tem os seus limites.</p>
<p style="text-align: justify;">Fast forward para o presente: Portugal, 2012. A Troika ocupou o país. Aconselhado pelos burocratas da Comissão Europeia e do FMI, o ministro da Saúde fecha hospitais e maternidades. Relatos na imprensa dão conta de gente a morrer com cancro por não conseguir pagar os tratamentos. O povo deixa de ter dinheiro para as urgências. Estar de baixa passa a ser um luxo reservado a doentes ricos. Comer também: criancinhas vão para a escola sem terem jantado, e pequeno-almoço, viste-lo. Mas o Governo está atento à saúde dos menores: vai proibir os paizinhos de fumar no carro, e exigir além disso a colocação de &#8220;advertências mais explícitas nas embalagens que mostrem e exemplifiquem as consequências do tabagismo na saúde&#8221;, <a href="http://www.publico.pt/Sociedade/fumar-no-carro-com-criancas-vai-ser-proibido-1541691">Paulo Macedo dixit</a>. Não sei o que é que este ministro anda a fumar, mas deve ser MUITO fixe.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Manuel Cruz a património mundial da Unesco já!</title>
		<link>http://5dias.net/2012/03/31/manuel-cruz-a-patrimonio-mundial-da-unesco-ja/</link>
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		<pubDate>Sat, 31 Mar 2012 12:41:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[ornatos violeta, rock rendez-vous from ornatos violeta on Vimeo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><iframe src="http://player.vimeo.com/video/2849286?title=0&amp;byline=0&amp;portrait=0" frameborder="0" width="400" height="320"></iframe></p>
<p><a href="http://vimeo.com/2849286">ornatos violeta, rock rendez-vous</a> from <a href="http://vimeo.com/user1168097">ornatos violeta</a> on <a href="http://vimeo.com">Vimeo</a>.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Acho que ainda não ouvimos este</title>
		<link>http://5dias.net/2012/03/28/acho-que-ainda-nao-ouvimos-este/</link>
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		<pubDate>Wed, 28 Mar 2012 22:27:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="420" height="315" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/WAkX8faQnwg?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="420" height="315" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/WAkX8faQnwg?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>]]></content:encoded>
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		<title>Eu produzia era umas belas de umas baforadas para cima deste estudo</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Mar 2012 22:37:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Trabalhadores que fumam produzem 10% menos Não lhes chegava escorraçar os fumadores para as ruas, agora vêm com esta treta da produtividade, uma cena neo-liberal sem filtro que eu gostava de ver bem amortalhada. Isto de os fumadores perderem 10 &#8230; <a href="http://5dias.net/2012/03/27/eu-produzia-era-umas-belas-de-umas-baforadas-para-cima-deste-estudo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=2387317&amp;seccao=Sa%FAde">Trabalhadores que fumam produzem 10% menos</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não lhes chegava escorraçar os fumadores para as ruas, agora vêm com esta treta da produtividade, uma cena neo-liberal sem filtro que eu gostava de ver bem amortalhada. Isto de os fumadores perderem 10 minutos por cigarro são contas inflacionadas de malta que não fuma, mesmo contando as viagens no elevador; mas o que chateia é o princípio mesquinho, pica-ponto, desta lógica servil (já disse neo-liberal?). É o espírito do taxímetro, a lógica do funcionário que mede a produtividade pelo relógio, agrilhoado à secretária até serem horas de sair, acoplada à regra de três simples &#8220;se Y produz X por minuto, Y produz X x 480 em outros tantos minutos&#8221; — o que não tem em conta as vezes que o meu chefe* desliga o cérebro, um sistema de refrigeração automático que se activa de 10 em 10 segundos, nem a dificuldade do povo em fazer contas.</p>
<p style="text-align: justify;">Homo Sapiens, ergueste-te tu das savanas africanas para isto? Foi para isto que se inventou a música <object width="75" height="80" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/pp-wmEKWLSo?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="75" height="80" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/pp-wmEKWLSo?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object>, a poesia e a greve geral? A sério, pá.</p>
<p style="text-align: justify;">(via <a href="http://lishbuna.blogspot.com/2012/03/va-experimentem-impedir-me-de-fumar-e.html">outro perseguido</a>)</p>
<p style="text-align: justify;">* <em>Claramente, os autores deste estudo não conhecem o meu chefe, que nunca fumou um cigarro na vida mas é capaz de desproduzir mais em cada hora de trabalho que muitos trabalhadores num mês inteiro. Eu quando o vejo a desproduzir mais do que a conta tenho vontade de o mandar dar uma voltinha até ao Smoker&#8217;s Corner, mas a malta não sabe o que é bom para a saúde, e prefere desproduzir em ambiente fechado, o dia todo a inalar o éfebê. </em></p>]]></content:encoded>
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		<title>A verdadeira história de Jos Van der Meer</title>
		<link>http://5dias.net/2012/03/09/a-verdadeira-historia-de-jos-van-der-meer/</link>
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		<pubDate>Fri, 09 Mar 2012 16:32:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Se o gordo do Z. não tem tido aquela complicação com a banda gástrica um dia antes do fecho, eu ainda estava a aviar &#8216;press releases&#8217; de tintas ecológicas e mobiliário de jardim. &#8220;Vais tu a casa do Keller Esteves &#8230; <a href="http://5dias.net/2012/03/09/a-verdadeira-historia-de-jos-van-der-meer/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong></strong>Se o gordo do Z. não tem tido aquela complicação com a banda gástrica um dia antes do fecho, eu ainda estava a aviar &#8216;press releases&#8217; de tintas ecológicas e mobiliário de jardim. &#8220;Vais tu a casa do Keller Esteves fazer a reportagem&#8221;, despachou o chefe. &#8220;Leva fotógrafo&#8221;. Os veteranos assobiaram. &#8220;Eh, miúda! Ir a casa do luso-americano é como ir ao MoMA sem as filas, é tudo de Poul Kjaerholm para cima. Vê lá não confundas o Gerrit Rietveld com o Wim!&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu andava com sonos atrasados depois de semanas a memorizar &#8220;Les plus belles chaises design&#8221; pela noite dentro, profissão oblige. Claramente, as noites de Fred Anthony Keller Esteves II, &#8220;Fred para os amigos&#8221;, tinham mais horas que as minhas: na biblioteca de dois andares empilhavam-se 10 mil títulos sobre arte e design do século XX. Esmagada, aterrei num PK22 de bela patine.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Os seus móveis são incríveis&#8221;, elogio, com o fotógrafo a flaxar maniacamente tudo o que tem quatro pernas – três no caso da cadeira Formiga de Arne Jacobsen que serve de suporte a uma  pilha de revistas no canto da sala.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Ah, mas ainda não viu o meu bem mais precioso&#8221;. Leva-me ao corredor que conduz ao quarto. Ao fundo, a porta que Charlotte Perriand desenhou para o hotel Les Arcs, entreaberta, deixa adivinhar uma sucessão de móveis que eu reconheço da Elle Décoration.</p>
<p style="text-align: justify;">Fred aponta para um aparador baixinho com portas de correr garridas. &#8220;Sabe de quem é?&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Folheio mentalmente uma pilha de edições da Architectural Digest. &#8220;Parece saído da escola holandesa&#8230; Friso Kramer, Cees Braakman&#8230; Qualquer coisa produzida pela Pastoe&#8230; Tubax?&#8221; , arrisco.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Nope! Mas não está longe, não está longe&#8230; Lembra-lhe muitas coisas, o meu aparadorzinho&#8230;&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Sim, parece-me que já o vi em algum lado&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Ah! É essa a beleza do objecto: o arquétipo, a forma pura que a mente reconhece, a proverbial cadeira ideal de Platão – ou neste caso, o aparador&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;O Platão falou em aparadores?&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Ri-se. &#8220;É um Jos Van der Meer. Raríssimo, só foram feitos três. Um está no Museu Britânico do Design. Outro foi vendido na Christie’s por 50 mil patacas. E eu tive a felicidade de&#8230;&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Admito a minha ignorância. Nunca ouvi falar de Jos Van der Meer. Belga?&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Holandês. Não se mortifique, eu também nunca tinha ouvido falar dele. Não encontra um único livro na minha biblioteca que fale dele. Nem na minha biblioteca nem em biblioteca nenhuma. O homem nunca existiu!&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-79572"></span></p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;E no entanto, qualquer movélzinho dele vale mais que três Eames Lounge chairs juntas&#8221;, prossegue, a varrer o espaço com os olhos, como que a assegurar-se de que não há nenhum Eames à vista.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Eames, Eames… Aquilo é uma praga pior que a Lacoste. Os pólos até eram bem feitos, mas quem é que quer ser apanhado de crocodilo ao peito? A malta acha logo que é da candonga. Os Eames são um enorme crocodilo na sala, e é pena, porque aquelas cadeiras em fibra de vidro são definitivamente &#8216;cute&#8217;. Olhe, foi por aí que o meu Jos começou&#8230; Tem tempo para uma história?&#8221;. Refastelada num cadeirão &#8220;Mushroom&#8221; cor de canário a fugir, com o fotógrafo emboscado na cozinha, tenho tempo para tudo.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;O Jos Van der Meer – perdoe-me por não lhe revelar o nome verdadeiro – era um falsário com alma de artista. Um talento: nada dessas cópias toscas de cadeirões Wassily que se vendem no ebay por quaisquer 500 euros, não. Para ele o prazer estava todo na ilusão, no logro&#8230; Já não se fazem burlões como o Jos: vendeu mil cadeiras LCW de uma edição limitada de 50. Forradas a pele sintéctica de chita americana, edição Herman Miller de 1947. Apócrifa, claro&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Claro&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;As cadeiras vinham todas de uma &#8216;sweatshop&#8217; chinesa. O Jos era um perfeccionista, e produzia amorosamente todos os autocolantes com a lista das patentes, que depois envelhecia com lavagens na máquina e colava por baixo dos assentos. Martelava as cadeiras, deixava-as à chuva a ganhar patine&#8230; Tinha um gozo especial em mostrar os defeitos do produto. &#8216;<em>Slight discoloration on the back (see pictures). Minor scratches under the seat. In good vintage condition</em>&#8216;. O gozo não era fazer passar cópias chinesas por cadeiras autênticas, isso toda a gente faz. O gozo era enganar o preto com a história das edições especiais, &#8216;extremely rare!&#8217;. E a margem era de 750 por cento. &#8216;Easy bucks&#8217;. Toda a gente quer uma cópia genuína da &#8216;real thing&#8217;.  O crocodilo na sala, está a ver&#8230;”.</p>
<p style="text-align: justify;">“Um-Umm”.</p>
<p style="text-align: justify;">“Mas fartou-se. Vender a torre Eiffel a pacóvios tem graça a primeira vez, mas depois cansa. Virou-se para o design escandinavo. Cansou-se outra vez. E um dia teve a ideia que viria a revolucionar a história das burlas no mobiliário vintage: em vez de falsificar os móveis, falsificou o designer&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu lançava olhares aflitos à luzinha vermelha do gravador, não páres agora!</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;A pedido dele, uma jornalista que andava a cobrir-lhe a cama Eileen Gray noite sim, noite não publicou um perfil delirante no Washington Post. &#8216;O designer misantropo&#8217;. Jos Van der Meer era revelado ao mundo como o terceiro segredo de Fátima contado aos pastorinhos do design, pobre génio enterrado sem fama nem glória. No entretanto, já o Jos-vivo tinha criado entradas na Wikipédia em todas as línguas, com erros de palmatória em árabe e mandarim, é certo – culpa da agência de tradução –, e uma foto cheia de grão sacaneada de um obituário polaco dos anos 30. Twitou tweets laudatórios, falsificou páginas de fãs no FB, e lançou-se aos blogues do design como sete &#8216;bots&#8217; a um osso. Pouco tempo depois, em França, um alfarrabista vendia a um coleccionador de Mid Century Modern o &#8216;Vers une architecture&#8217; com uma dedicatória do Le Corbusier. &#8216;Ao meu amigo Jos Van der Meer, artista acima dos artistas, farol do homem moderno&#8217;. A falsificação de assinaturas era uma especialidade do Jos-vivo, que desde pequenino rubricava as justificações para a escola no cursivo elaborado do pai, e um amigo em Paris fez de pato, vendendo por cinco euros aquela primeira edição autografada pelo mestre. Três semanas depois, o Jos-vivo pôs à venda num leilão suíço uma &#8216;credenza&#8217; (os franceses chamam-lhe &#8216;enfilade&#8217;, parece) assinada pelo Jos-morto. Vendeu-se por 15 mil euros, pagos por um testa-de-ferro do Jos-vivo com o que lhe sobrou das Eames falsas e um empréstimo que pediu ao pai a fundo perdido. Um investimento em causa própria. Aficionados do modernismo teciam loas ao humanismo revolucionário das criações do holandês. O blogue Apartment Therapy – conhece, claro – dedicou-lhe um post: &#8216;Como obter o look Jos Van der Meer sem hipotecar a casa segunda vez&#8217;, com propostas de móveis parecidos com os do Jos à venda nas lojas Target. Fotos da nova casa da Lady Gaga na Marie Claire Maison identificavam &#8216;uma mesa recuperada de um matadouro, rodeada das cadeiras Jos Van der Meer, modelo J07&#8242;. A glória chegou quando a Ikea lançou as estantes e cómodas Cöndra, uma cópia descarada do trabalho do artista apócrifo. O Jos-vivo ria-se a bom rir. Pôs à venda no e-bay dois cadeirões do Jos-morto, exemplares únicos carpinteirados pelo próprio em materiais reciclados, à maneira de Rietveld, entregas em todo o mundo. Bateu recordes de preço. O nome passou a fazer parte das &#8216;metatags&#8217; de qualquer venda de tarecos online:  &#8216;Eames, Verner Panton, Mies Van der Rohe, Jos Van der Meer&#8217; passaram a ser as buscas com mais &#8216;hits&#8217; no google. Museus do Design de todo o mundo disputavam as peças que o Jos-vivo ia falsificando a conta-gotas com a ajuda de um marceneiro insuspeito e madeira de cofragem comprada por tuta e meia numa serralharia abandonada dos anos 40. Agora, Jos só precisava de vender um banquinho de quando em vez para aguentar a vida estróina que levava&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Morreu?&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;No ano passado&#8221;, confirma Fred, contrito. &#8220;Mas antes deixou-me o aparadorzinho que V. viu na entrada, com o respectivo certificado de autenticidade&#8221;. Sorri.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;E como é que descobriu que o Jos-vivo, quer dizer, o Jos-entretanto-morto&#8230; Enfim, que a história que me contou&#8230;&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Ah, segredos do métier. Posso dizer-lhe que o aparadorzinho comprou o meu silêncio até agora. E olhe que foi um silêncio caro&#8221;. Ri-se.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Mas se o Jos nunca existiu, o seu aparador não vale rigorosamente nada&#8221;, atiro.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Aí é que V. se engana, minha cara: outros têm a cópia do original &#8216;made by Vitra&#8217; e o caracinhas mais velho. Eu tenho a cópia genuína, the real thing!&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Escrevi o meu &#8220;exposé&#8221; na Architectural Trends com má consciência. Fred era um tipo simpático, mas eu era estagiária, tinha contas a pagar, e o escândalo prometia imortalizar o meu nome a tinta indelével num contrato de duração indeterminada. E depois, ele nunca disse &#8216;off-the-record&#8217;.</p>
<p style="text-align: justify;">Três dias depois, liga-me Fred a agradecer: fotos belíssimas, texto escorreito, &#8220;V. vai longe, minha cara&#8221;. E mais: um coleccionador privado quer desembaraçá-lo do aparadorzinho verdadeiro do falso designer holandês contra uma maquia de seis algarismos. &#8220;Van der Meer vive! Mas eu não vendo! A não ser pelo preço certo!&#8221;, ri-se.</p>
<p style="text-align: justify;">Naquele momento senti-me tão usada como uma cadeira Thonet num bistrot da Rive Gauche.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Um dia seremos muitos</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Nov 2011 22:32:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://5dias.net/2011/11/14/um-dia-seremos-muitos/"><img src="http://img.youtube.com/vi/l-0s4TQwQe8/2.jpg" alt="" /></a></span></p>]]></content:encoded>
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		<title>É oficial: sou a pessoa que põe mais vídeos do JP Simões por cm² de blogue</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Nov 2011 22:54:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://5dias.net/2011/11/09/e-oficial-sou-a-pessoa-que-poe-mais-videos-do-jp-simoes-por-cm%c2%b2-de-blogue/"><img src="http://img.youtube.com/vi/oka0BjnB2Wo/2.jpg" alt="" /></a></span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Levezinha</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Nov 2011 13:02:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O meu irmão é diletante das duas rodas há tempo suficiente para se guiar pelo famoso lema da internacional ciclista: não caminhes quando podes estar parado, não fiques parado se puderes estar sentado, não te sentes quando podes estar deitado. &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/11/09/levezinha/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O meu irmão é diletante das duas rodas há tempo suficiente para se guiar pelo famoso lema da internacional ciclista: não caminhes quando podes estar parado, não fiques parado se puderes estar sentado, não te sentes quando podes estar deitado. Por isso esta semana, a galgar as ladeiras que levam do tribunal de São João Novo à cadeia da Relação – uma subida onde o ponto de embraiagem treme e os melhores motores fraquejam –, reduziu para uma velocidade confortável a que na gíria se chama &#8220;avozinha&#8221;, e ia pedalando em esforço, ajudado por uma chuva leve, quando ultrapassou três miúdas a penantes. A tríade de mini-guninhas, todas nos 13, 14 anos, mas já com rabos a competir para chegar ao tamanho dos das mães, observou com olho crítico o corredor e a ladeira. A sentença não tardou: &#8220;Olha, pois, na mais &#8216;lebe&#8217; também eu!&#8221;.<br />
Eu não queria aproveitar este retalho da vida portuense para moralizar, mas enfim – é o país que temos.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Ninguém falha melhor</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Nov 2011 01:33:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://5dias.net/2011/11/09/ninguem-falha-melhor/"><img src="http://img.youtube.com/vi/yDAGc2jbKNE/2.jpg" alt="" /></a></span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Homens que convertem a água em vinho</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Nov 2011 01:19:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://5dias.net/2011/11/08/homens-que-convertem-a-agua-em-vinho/"><img src="http://img.youtube.com/vi/LrNz37uc7kc/2.jpg" alt="" /></a></span></p>]]></content:encoded>
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		<title>O fado do Tóni Esperas</title>
		<link>http://5dias.net/2011/10/18/o-fado-do-toni-esperas-2/</link>
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		<pubDate>Tue, 18 Oct 2011 21:48:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Diz o John Lisbon que Tom Waits gosta de fado, e eu acredito. &#8220;É tão fã que chegou mesmo a compor um (em improvável ternário&#8230;), inicialmente planeado para Mule Variations, mas só publicado como décima faixa de Blood Money: &#8216;The Part You &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/10/18/o-fado-do-toni-esperas-2/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Diz o <a href="http://lishbuna.blogspot.com/2011/10/lost-in-translation-dead-combo-lisboa.html">John Lisbon</a> que Tom Waits gosta de fado, e eu acredito.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>&#8220;É tão fã que chegou mesmo a compor um (em improvável ternário&#8230;), inicialmente planeado para Mule Variations, mas só publicado como décima faixa de Blood Money: &#8216;The Part You Throw Away&#8217;, aquela canção que ele gosta de citar como exemplo de desejável ruído no canal de comunicação, quando Terry Gilliam o ouviu cantar &#8216;In a Portuguese saloon&#8217; e supôs que o texto fosse &#8216;On the porch the geese salute&#8217;. E justificava-se: &#8216;Gosto de coisas mal compreendidas. Gosto de ouvir uma canção num rádio ao longe e não a perceber bem quando é interrompida pelo som de um avião, do vento ou de um tractor. Gosto das peças que faltam. Não gosto das coisas muito arrumadinhas. Espero que haja muito mais gente que me compreenda mal&#8217;&#8221;.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Espero que haja mais gente ainda a não perceber que isto é fado, mas essa é a parte que eu deito fora. Letra com tradução marada <a href="http://letras.terra.com.br/tom-waits/294428/traducao.html">aqui</a>, queixas <a href="http://lishbuna.blogspot.com/">ali</a>. Ah, grande Tóni!</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://5dias.net/2011/10/18/o-fado-do-toni-esperas-2/"><img src="http://img.youtube.com/vi/KmSMKxcFdOs/2.jpg" alt="" /></a></span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Coitada da Heidi</title>
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		<pubDate>Sat, 08 Oct 2011 13:26:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[O Auden tem uns versos em que zurze nas montanhas, e eu dei-lhe razão entre duas curvas, a tentar não olhar para fora da janela, na subida para o Santuário de Nossa Senhora da Peneda. Tínhamos conseguido evitar a Mata &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/10/08/coitada-da-heidi/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O Auden tem uns versos em que zurze nas montanhas, e eu dei-lhe razão entre duas curvas, a tentar não olhar para fora da janela, na subida para o Santuário de Nossa Senhora da Peneda. Tínhamos conseguido evitar a Mata da Albergaria, um sítio onde ao meio-dia parecem seis da tarde (hora de Inverno), por causa da minha topofobia crónica ao Baixo Gerês, e agora ali estava eu pronta a rever a tese de que não sofro de vertigens, defendida pelos mais ilustres especialistas em mim. Ao volante, curva-e-contracurva, a minha irmã apita mais que o padeiro. Manadas de cavalos selvagens pastam nos buracos do asfalto. Do meu lado, escarpas a pique. Vamos a 10 Km/h, mas eu respiro mal. Olaré-laré-li-hoo. <span id="more-72328"></span></p>
<p style="text-align: justify;">No café Paris, no flanco do santuário, as coisas melhoram marginalmente. Respira-se autenticidade bucólica. Lá dentro joga o Benfica. Cá fora, portugueses de férias prometem &#8220;fessées&#8221; aos filhos. Penso em chamar os helicópteros da Air Rescue, mas os telemóveis não funcionam. O chão ainda me treme debaixo dos pés. O campo, quando lhe dá para crescer em altura, é horrível.</p>
<p style="text-align: justify;">Nada que o meu irmão não soubesse já. Esse intrépido ciclista teve um dia de atravessar o parque nacional no Inverno, a regressar de Santiago de Compostela com mais dois camaradas, e pôde constatar o óbvio: civilização nem vê-la, nem um tasco aberto. Sem víveres nem esperança, a bater o dente em cima da bicicleta, foi grande o júbilo dos três quando detectaram sinais de vida num rés-do-chão transformado em boteco, janelinhas de alumínio cravadas na pedra, na melhor arquitectura vernácula. O acesso à lareira está impedido por três velhos criofóbicos. Não se vê um boi. &#8220;Boas&#8221;. Um dos bravos do pelotão, bom rapaz mas nado e criado em meio urbano, com todas as limitações geo-políticas que isso acarreta, toma a palavra. &#8221;Era um croissant misto prensado, sem manteiga, e meia de leite directa, se faz favor&#8221;. &#8220;Branco ou tinto?&#8221;, pergunta o proprietário. &#8220;Cheio&#8221;, cede o mais razoável dos três.</p>
<p style="text-align: justify;">Recordemos Auden: &#8220;Para uma criatura que não é felina e se transviou, cinco minutos mesmo na mais bela das montanhas é tempo demais&#8221;.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-large wp-image-72331" title="Arquitectura vernácula" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2011/10/DSC02055-292x520.jpg" alt="" width="292" height="520" /><em>Arquitectura típica</em></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-large wp-image-72332" title="Artesanato minhoto" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2011/10/DSC02062-292x520.jpg" alt="" width="292" height="520" /><em>Produtos regionais</em></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-large wp-image-72335" title="Heliporto da Peneda" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2011/10/DSC02065-292x520.jpg" alt="" width="292" height="520" /><em>Heliporto da Peneda</em></p>]]></content:encoded>
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		<title>Hermes há só dois</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Oct 2011 23:29:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A culpa foi de um tio brasileiro. Hermes-com-agá Pereira era o único na aldeia com esse nome quando fez a quarta classe, o único nas festas de Ponte da Barca em Agosto, a fazer rir as raparigas, e continuou a &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/10/07/hermes-ha-so-dois/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A culpa foi de um tio brasileiro. Hermes-com-agá Pereira era o único na aldeia com esse nome quando fez a quarta classe, o único nas festas de Ponte da Barca em Agosto, a fazer rir as raparigas, e continuou a ser o único no rol da inspecção para ir à tropa, já de viagem marcada para o Canadá. &#8220;Veio de lá uma médica que só falava inglês, dizia para nos despirmos e nós não percebíamos nada. Éramos mais de cem, mas no barco só fomos quarenta&#8221;.<br />
Anos 50. Num boteco no Rossio, sem conhecer ninguém, ouve chamar o seu nome. “Dá aí um copo de vinho ao Hermes”. Estendem-se duas mãos para o agarrar. Alto lá, o Hermes sou eu. Um copo de vinho para o novo Hermes sana o diferendo. Nessa noite o Hermes do Gerês, mais tarde Hermes do Ontário, condutor de tréilers, não teve de contar os trocos para jantar. &#8220;Ó mulher! Põe mais um prato na mesa que eu há setenta e um anos que vivo e só hoje é que conheci o meu homólogo!&#8221;.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Um dois, um dois&#8230; Ah. Um dois, um dois&#8230; Ah. Ah.</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Oct 2011 22:05:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Nuno não acredita, mas a verdade é que fiquei estes meses todos sem acesso à internet nem computador nem blogues por causa de um bicho. Passei parte das férias no Gerês, um sítio onde se usa água do Fastio &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/10/06/um-dois-um-dois-ah-um-dois-um-dois-ah-ah/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O Nuno não acredita, mas a verdade é que fiquei estes meses todos sem acesso à internet nem computador nem blogues por causa de um bicho. Passei parte das férias no Gerês, um sítio onde se usa água do Fastio para descarregar o autoclismo, e ter-vos-ia contado coisas terríveis sobre vespas assassinas e vacas tresmalhadas e potros à solta e a total incapacidade dos minhotos para fazer pão &amp; chouriças se a geringonça estivesse operacional. Enfim, sofri muito. As coisas ainda não estão completamente resolvidas (estou a escrever do micro-ondas, na potência “descongelar”), mas com alguma pastilha elástica e um par de clipes nos sítios certos, tenho a certeza que.</p>
<p style="text-align: justify;">Entretanto o Steve Jobs morreu, mas este é capaz de não ser o momento para vos falar da minha conversão aos Macs.  Voltamos logo que o frango acabe.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Música para os tempos que correm, parece que a VII</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Jul 2011 22:05:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="640" height="390" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/xSlH0MystHM?version=3&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="640" height="390" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/xSlH0MystHM?version=3&amp;hl=pt_BR" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>E ainda um linquinho para a nossa leitora compulsiva da Constituição (que acumula com a pasta de leitora compulsiva do Stieg Larsson)</title>
		<link>http://5dias.net/2011/07/28/e-ainda-um-linquinho-para-a-nossa-leitora-compulsiva-da-constituicao-que-acumula-com-a-pasta-de-leitora-compulsiva-do-stieg-larsson/</link>
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		<pubDate>Thu, 28 Jul 2011 03:28:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Ei-lo (também com a transcrição da entrevista, caso não haja paciência para o videozinho).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.democracynow.org/2011/7/27/before_death_acclaimed_girl_with_dragon">Ei-lo</a> (também com a transcrição da entrevista, caso não haja paciência para o videozinho).</p>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Leitura muito recomendável para quem continua a insistir na tese do louco</title>
		<link>http://5dias.net/2011/07/28/leitura-muito-recomendavel-para-quem-continua-a-insistir-na-tese-do-louco/</link>
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		<pubDate>Thu, 28 Jul 2011 03:18:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;(&#8230;) what’s interesting is [Breivik] analyzes what he thinks the media reaction is going to be. And so, he predicts correctly that, you know, a lot of mainstream media is just going to dismiss him as a madman, as insane. &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/07/28/leitura-muito-recomendavel-para-quem-continua-a-insistir-na-tese-do-louco/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>&#8220;(&#8230;) what’s interesting is [Breivik] analyzes what he thinks the media reaction is going to be. And so, he predicts correctly that, you know, a lot of mainstream media is just going to dismiss him as a madman, as insane. &#8216;You can use that to your advantage&#8217;, he says, &#8216;because they’re not going to take you very seriously&#8217;. And he says, but the other thing is, he says, a lot of cultural conservatives, like Pat Buchanan, he said, they will be forced to condemn what I’ve done. They may, in fact, genuinely condemn what he’s done, he says, but they’re going to read my manifesto, and they’re going to find in it this great document, this wake-up call, as Pat Buchanan has described it, &#8216;wholly accurate&#8217;, as American Christian right leader Bryan Fischer of the American Family Association has described it.&#8221;</em></p>
<p style="text-align: justify;">Análise do manifesto de Breivik, a ver aqui ou no site do programa <a href="http://www.democracynow.org/2011/7/27/norwegian_shooting_suspects_views_echo_xenophobia">Democracy Now!</a>, onde também está disponível a transcrição da entrevista – eu prefiro ler porque me distraio facilmente, vocês façam como se estivessem nas vossas casas.</p>
<p><object width="560" height="349" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/obwfT5Q67IQ?version=3&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="560" height="349" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/obwfT5Q67IQ?version=3&amp;hl=pt_BR" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>]]></content:encoded>
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		<title>Música para os tempos que correm &#8211; IV</title>
		<link>http://5dias.net/2011/07/27/musica-para-os-tempos-que-correm-iv/</link>
		<comments>http://5dias.net/2011/07/27/musica-para-os-tempos-que-correm-iv/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 27 Jul 2011 00:14:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Acho que nem os fãs da Teresa Stratas terão nada a objectar. (Ok, &#8220;Youkali&#8221; só leva um &#8220;l&#8221;, e o câmara não é nenhum Brastemp, e o som também não é grande espingarda – e não, não sei o que deu &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/07/27/musica-para-os-tempos-que-correm-iv/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="640" height="510" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/cmoxcVB7XDo?version=3&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="640" height="510" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/cmoxcVB7XDo?version=3&amp;hl=pt_BR" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
<p style="text-align: justify;">Acho que nem os fãs da Teresa Stratas terão nada a objectar.</p>
<p style="text-align: justify;">(Ok, &#8220;Youkali&#8221; só leva um &#8220;l&#8221;, e o câmara não é nenhum Brastemp, e o som também não é grande espingarda – e não, não sei o que deu à Shara Worden para aparecer vestida de Roberto Carlos. Mas tirando isso.)</p>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Música para os tempos que correm (dedicada ao Renato, que tem estado a aguentar o comércio interno e externo deste blogue praticamente sozinho)</title>
		<link>http://5dias.net/2011/07/26/musica-para-os-tempos-que-correm-dedicada-ao-renato-que-tem-estado-a-aguentar-o-comercio-interno-e-externo-deste-blogue-praticamente-sozinho/</link>
		<comments>http://5dias.net/2011/07/26/musica-para-os-tempos-que-correm-dedicada-ao-renato-que-tem-estado-a-aguentar-o-comercio-interno-e-externo-deste-blogue-praticamente-sozinho/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 26 Jul 2011 16:55:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Hoje em dia a doença mais difícil de diagnosticar, a única doença que verdadeiramente ainda não foi  diagnosticada, é a normalidade&#8221;. JP Simões]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="480" height="390" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/kV4xpMVCamw?version=3&amp;hl=en_GB" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="480" height="390" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/kV4xpMVCamw?version=3&amp;hl=en_GB" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Hoje em dia a doença mais difícil de diagnosticar, a única doença que verdadeiramente ainda não foi  diagnosticada, é a normalidade&#8221;. JP Simões</p>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Ouçam isto e já falamos</title>
		<link>http://5dias.net/2011/07/17/oucam-isto-e-ja-falamos/</link>
		<comments>http://5dias.net/2011/07/17/oucam-isto-e-ja-falamos/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 17 Jul 2011 12:46:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando se fala em , há sempre alguém que diz (e parece que não é segredo para ninguém que ela cresceu a ouvir Captain Beefheart no meio das ovelhinhas, que o &#8220;To Bring You My Love&#8221; começa com um verso &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/07/17/oucam-isto-e-ja-falamos/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Quando se fala em <object width="80" height="90" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/43_fgxwVi_c?version=3&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="80" height="90" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/43_fgxwVi_c?version=3&amp;hl=pt_BR" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object>, há sempre alguém que diz <object width="80" height="90" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/WifCzN8BNF4?version=3&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="80" height="90" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/WifCzN8BNF4?version=3&amp;hl=pt_BR" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object> (e parece que não é segredo para ninguém que ela cresceu a ouvir Captain Beefheart no meio das ovelhinhas, que o &#8220;To Bring You My Love&#8221; começa com um verso do <object width="80" height="90" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/hCSPf5Viwd0?version=3&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="80" height="90" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/hCSPf5Viwd0?version=3&amp;hl=pt_BR" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object>, que &#8220;Meet Ze Monsta&#8221; é uma citação-homenagem a &#8220;Tropical Hot Dog Night&#8221; – vide verso &#8220;Meet the monster tonight&#8221; –, que os dois eram amigos e falavam por telefone, e que ele gostava muito do &#8220;Uh Uh Her&#8221; – um absoluto mistério para quem, como eu, continua a achar que é o álbum mais dispensável da colecção).</p>
<p>O que eu não percebo é por que razão as pessoas que a seu tempo ouviram isto<br />
<object width="80" height="90" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/zxYXV2RrwIs?version=3&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="80" height="90" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/zxYXV2RrwIs?version=3&amp;hl=pt_BR" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object>, não falam disto <object width="80" height="90" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/wbbVXBHt6yk?version=3&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="80" height="90" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/wbbVXBHt6yk?version=3&amp;hl=pt_BR" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object> – ou porque, tendo ouvido isto <object width="80" height="90" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/hNVmV3KtrSc?version=3&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="80" height="90" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/hNVmV3KtrSc?version=3&amp;hl=pt_BR" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object>, não falam de <object width="80" height="90" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/62yS1U2ZdVs?version=3&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="80" height="90" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/62yS1U2ZdVs?version=3&amp;hl=pt_BR" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object>, ou mesmo da relação de <object width="80" height="90" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/qannFs974gg?version=3&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="80" height="90" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/qannFs974gg?version=3&amp;hl=pt_BR" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object> com <object width="80" height="90" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/8xfcOnv_3SE?version=3&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="80" height="90" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/8xfcOnv_3SE?version=3&amp;hl=pt_BR" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object>.</p>
<p>Eu tenho desculpa: em 1970 ainda não existia, e depois continuei tranquilamente a não perceber nada de. Mas tu, <a href="http://lishbuna.blogspot.com/">João Lisboa</a>, porque me deixaste na ignorância nos últimos 16 anos?</p>
<p style="text-align: justify;">(Sinto-me como o Darwin quando descobriu conchinhas no alto da montanha &#8211; yeaaah alright!)</p>]]></content:encoded>
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		<title>Vozes de burro não chegam ao céu</title>
		<link>http://5dias.net/2011/07/12/vozes-de-burro-nao-chegam-ao-ceu/</link>
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		<pubDate>Tue, 12 Jul 2011 14:13:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[No dia em que as bolsas caíram e os ministros das Finanças da Zona Euro se reuniram à pressa num bunker em Bruxelas, a burrica da tia Margarida ficou sem os dentes que a atormentavam. Em bom rigor, talvez tenha sido &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/07/12/vozes-de-burro-nao-chegam-ao-ceu/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">No dia em que as bolsas caíram e os ministros das Finanças da Zona Euro se reuniram à pressa num <em>bunker</em> em Bruxelas, a burrica da tia Margarida ficou sem os dentes que a atormentavam. Em bom rigor, talvez tenha sido na véspera (a <a href="http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1904004">notícia da Lusa</a> foi posta a circular logo de manhã), e fossem outros os burros que o veterinário tratou nesse dia, o mesmo em que uma comissária europeia apelou ao desmantelamento das agências de &#8220;rating&#8221;, o site da Moody&#8217;s crashou, e Durão Barroso foi à RTP dizer que a Itália, &#8220;sem surpresas&#8221;, é a próxima. Certo é que enquanto o mundo estava de olhos postos nas bolsas, o veterinário João Rodrigues andava a tratar da saúde aos burros da raça asinina de Miranda, irmãos dos burros zamorano-leoneses − uma causa meritória mas provavelmente perdida, porque tudo indica que os bichos têm menos hipóteses de sobreviver que a moeda europeia.</p>
<p style="text-align: justify;">Tratando-se de burros, choveram comentários asininos nos sites que publicaram a história. E era fácil gozar com o prato, passar do burro de quatro patas ao de duas ou invocar as taxas moderadoras no acesso aos cuidados de saúde equina, entre outros desvios de antropomorfização. Eu fui criada no planalto mirandês, e estou por isso imunizada contra delírios bucólicos do tipo Cidade &amp; As Serras, mas admito que fiquei aliviada, em primeiro grau e sem qualquer ironia, por saber que alguém, algures entre Sendim e Fermoselle, da ladeira de Trás-os-Montes às arribas de Castela &amp; Leão, se dedica a esta causa perdida, indiferente ao dogma do lucro e à volatilidade dos mercados. Não sei se estas pessoas &#8220;estão [mesmo] a salvar o mundo&#8221; (ou sequer os burros), como defendia outro transmontano remoto; mas pareceu-me a notícia mais sensata do dia. Também é possível que eu esteja a precisar muito de férias debaixo do sol leonês.</p>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Ocorreu um problema. Tente novamente mais tarde.</title>
		<link>http://5dias.net/2011/07/09/ocorreu-um-problema-tente-novamente-mais-tarde/</link>
		<comments>http://5dias.net/2011/07/09/ocorreu-um-problema-tente-novamente-mais-tarde/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 09 Jul 2011 19:31:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Até há coisa de dois meses e 17 dias, a internet tinha um problema que me fazia duvidar da urbanidade do google e da boa-fé dos algoritmos. Sucedia que quando se escrevia as palavras &#8220;Freud &#38; Ana&#8221; nos melhores motores &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/07/09/ocorreu-um-problema-tente-novamente-mais-tarde/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Até há coisa de dois meses e 17 dias, a internet tinha um problema que me fazia duvidar da urbanidade do google e da boa-fé dos algoritmos. Sucedia que quando se escrevia as palavras &#8220;Freud &amp; Ana&#8221; nos melhores motores de busca, este vídeo <object width="78" height="88"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/0CrWvm_g7Kk?version=3&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="78" height="88" src="http://www.youtube.com/v/0CrWvm_g7Kk?version=3&amp;hl=pt_BR" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"></embed></object> não aparecia em nenhum dos resultados, como sabe quem tenha feito a experiência até há cerca de dois meses e 17 dias. O problema foi finalmente resolvido há exactamente dois meses e 16 dias, mais coisa menos coisa, mas eu só descobri agora. Mais se informa que quem esperava dar de caras com a plenitude da <em>angst</em> juvenil ali na rua Fernandes Tomás, quase a chegar a Santos Pousada, do lado dos números ímpares, &#8220;ou outra eternidade que não essa&#8221;, pode eventualmente ficar desiludido. Em contrapartida, outros documentos coevos, como este <object width="78" height="88"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/gFy9hoBj4Us?version=3&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="78" height="88" src="http://www.youtube.com/v/gFy9hoBj4Us?version=3&amp;hl=pt_BR" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"></embed></object>, estão exactamente como os recordávamos.</p>]]></content:encoded>
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		<title>I’ve seen the future, brother: it is Fátima Campos Ferreira</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Jul 2011 02:37:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[O futuro deu ontem no programa Prós &#38; Contras, transmissão em diferido, apanhando-me desprevenida em casa alheia. Viram? Eu já não via televisão desde o Verão passado, o que só por si me devia ter preparado para o choque: Portugal &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/07/06/i%e2%80%99ve-seen-the-future-brother-it-is-fatima-campos-ferreira/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O futuro deu ontem no programa <a href="http://ww1.rtp.pt/icmblogs/rtp/pros-contras/?2-parte-do-Pros-e-Contras-de-2011-07-04.rtp&amp;post=34235">Prós &amp; Contras</a>, transmissão em diferido, apanhando-me desprevenida em casa alheia. Viram? Eu já não via televisão desde o Verão passado, o que só por si me devia ter preparado para o choque: Portugal tinha voltado aos anos 80, que é a cara com que Portugal fica sempre que o convidam para falar na RTPi (em contrapartida, quando vai à SIC, Portugal parece tão à frente que eu é que me sinto com 80 anos), tudo contribuindo para agravar a impressão de estar a assistir à retransmissão da final da taça dos campeões da segunda divisão distrital. Pelas caras, adivinho que perdemos, mas tinha de ver para crer. Era o futuro. Era a crise. Era tarde (antes tinha dado o “Quem quer ser milionário”, e também acabou mal).<span id="more-67799"></span><br />
Primeira revelação: a crise, a origem da crise e as soluções para sair da crise são espantosamente consensuais. Do contra só arranjaram o Carlos Carvalhas, que a produção sentou do lado dos Prós para não o deixar sozinho contra os Prós da outra equipa. Os Prós de ambos os lados acham que a crise é má mas que temos de nos aguentar à troika. O contra-de-serviço propõe que sejam os bancos a pagar a crise, mas isso estragava a segunda parte do programa à Fátima Campos Ferreira, que já tinha convidado dois moços para falar sobre poupanças, a solução Prós &amp; Prós para a economia, a rinite alérgica, a desertificação e o buraco do ozono. Um já vai no terceiro livro a explicar às pessoas o bê-á-bá das finanças pessoais, “Como poupar e fazer crescer o seu dinheiro”. A receita é a mesma do arquitecto Saraiva: comer mais em casa e não gastar tudo em carros, explica um rapaz com cara de quem poupa à brava em copos e drogas. “Mas o dinheiro não pode ficar parado!”, clama Fátima Campos Ferreira. É a deixa para o guru das finanças pessoais criticar as contas-poupança e desafiar os portugueses a apostar em fundos de investimento. “Se uma pessoa, investindo um bocadinho na sua cultura financeira, souber escolher melhor um fundo, uma determinada acção em determinada empresa internacional, pode estar melhor do que uma pessoa que só conhece os investimentos em depósitos a prazo”.<br />
Uma pessoa do lado de cá do ecrã tem uma epifania, um relance de um determinado futuro melhor: o <em>homo consumens</em> que ainda somos rasteja para fora dos <em>shoppings</em>, convertido em homem-aforrador, e daí caminha, erecto e de gravata, rumo à evolução final, o homem-investidor. Assomam-me visões dos filhos que nunca terei a debitar Nasdaquês, colados ao telemóvel, e estou a dar graças pelos preservativos e a pílula do dia seguinte quando um Pró com cara de já ter chegado ao último estádio evolutivo me corta a “trip” distópica. Que se a Grécia vai ao fundo vamos todos com ela. Things are going to slide in all directions, uh-uuh-uuuh, prognósticos só no fim do jogo.<br />
É uma nota de incerteza que perturba o andamento do programa, mas Fátima Campos Ferreira aponta a saída. “<em>E vamos para a frente, porque há mais vida! Continuamos a viver neste lindo rectângulo à beira-mar, no sul da Europa! Vamos continuar a viver, a estar cá! E alguma coisa se há-de arranjar! Nós havemos de sair disto! Boa noite, até para a semana!</em>”.</p>
<p style="text-align: justify;">Visionárias palavras: confirmo que tenho planos para estar viva na próxima semana, mas é pouco provável que consiga &#8220;estar cá&#8221;, se puder evitá-lo. Confio em qualquer caso que o país saia disto sem mim, e até, quem sabe, sem a Fátima Campos Ferreira.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Esquerda, volver</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Jun 2011 01:39:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Veio do mais pobrezinho, aos oito entrou para as obras, foi ganhando, tem carrinha, esta tarde de domingo traça no café a situação do país: - Não sou como os políticos, que só querem para eles. Isto tem de mudar! &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/06/28/esquerda-volver/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;<em>Veio do mais pobrezinho, aos oito entrou para as obras, foi ganhando, tem carrinha, esta tarde de domingo traça no café a situação do país:<br />
- Não sou como os políticos, que só querem para eles. Isto tem de mudar!<br />
Os outros,  toldados da cerveja, aguardam o anúncio. Sente-se o ambiente de um soviete em preparo [...].</em>&#8221;<br />
(o resto da crónica sobre a alvorada da revolução transmontana pode ser lido <a href="http://tempocontado.blogspot.com/2011/06/esquerda-direita.html">aqui</a>).</p>]]></content:encoded>
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		<title>Медленно se vai ao longe</title>
		<link>http://5dias.net/2011/06/14/%d0%bc%d0%b5%d0%b4%d0%bb%d0%b5%d0%bd%d0%bd%d0%be-se-vai-ao-longe/</link>
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		<pubDate>Tue, 14 Jun 2011 23:50:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[A Menina Limão e a Ana Cristina Leonardo decidiram, concomitantemente mas ao que tudo indica sem associação criminosa, lixar-me passar-me uma corrente. Infelizmente para todas as partes envolvidas, é-me impossível responder-lhes com a concisão do Vida Breve. As minhas desculpas.   &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/06/14/%d0%bc%d0%b5%d0%b4%d0%bb%d0%b5%d0%bd%d0%bd%d0%be-se-vai-ao-longe/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A <a href="http://meninalimao.blogspot.com/2011/06/gosto-muito-d.html">Menina Limão</a> e a <a href="http://wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com/2011/06/menina-limao-mandou-me-uma-corrente.html">Ana Cristina Leonardo</a> decidiram, concomitantemente mas ao que tudo indica sem associação criminosa, <del>lixar-me</del> passar-me uma corrente. Infelizmente para todas as partes envolvidas, é-me impossível responder-lhes com a concisão do <a href="http://vidabreve.wordpress.com/2011/06/13/socorro-uma-corrente/">Vida Breve</a>. As minhas desculpas.  <span id="more-66133"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>1 – Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?</strong><br />
Esta pergunta trai a obsessão anti-releitura que atacou a sociedade actual. Eu e os livros temos uma relação aberta, mas quando nos damos bem, não vemos razão nenhuma para não irmos mais vezes juntos para a cama.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>2 – Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?</strong><br />
O Sexus (nunca consegui ler as partes filosóficas). O Alexandra Alpha. Tudo o que me veio parar às mãos do James Joyce. É melhor pararmos por aqui.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>3 – Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?</strong><br />
Sou contra a monogamia literária.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>4 – Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?</strong><br />
Quem é que, por algum motivo, faz estas perguntas?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>5 &#8211; Que livro leste cuja ‘cena final’ jamais conseguiste esquecer? [Quem é que, por algum motivo, escreve ‘cena final’ entre aspas?]</strong><br />
Aquele em ele diz &#8220;A carne é fraca&#8221; e ela responde &#8220;Mas o molho é óptimo&#8221; (não percebo porque é que nunca ninguém cita o &#8220;Adeus Princesa&#8221; nestes inquéritos).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>6- Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura? </strong><br />
Mal aprendi a juntar as primeiras letras desenvolvi um problema do foro obsessivo-compulsivo que me obrigava a ler sem parar. Sem que nada o justificasse, eu, estando de olhos abertos, lia. Letreiros na rua. O preçário do Zé e do Manuel Natário. Os rótulos dos produtos de limpeza. Um dia a minha mãe apanhou-me a declamar a literatura inclusa de uma benzodiazepina, julgo que Valium, e achou que aquilo era de mais. Como terapia de substituição passou-me os sete tomos da &#8220;Recherche&#8221;. Perdão, os Sete. Nesses tempos remotos ainda não tinham inventado a Isabel Alçada, por isso tive de me desenrascar com o Miguel Strogoff e o mais que havia na mesma colecção. Também li o Conde de Monte Cristo antes de o Alexandre Dumas ter vendido os direitos para o cinema. Em contrapartida, aos 11 anos achava que o Júlio Dinis era o melhor escritor do universo, e tal como o Rogério Casanova, ainda hoje não admito que digam mal do Konsalik à minha frente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?</strong><br />
&#8220;The God Delusion&#8221;. Tinha fé que o Dawkins visse a luz antes de acabarmos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>8. Indica alguns dos teus livros preferidos.</strong><br />
Por amor de Deus.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>9. Que livro estás a ler neste momento?</strong><br />
Nenhum. Estava a pensar começar o “Guerra e Paz”, mas as lombadas dos três primeiros volumes traduzidos pelo Filipe e pela Nina Guerra (de quem não tenho razão de queixa até agora) fazem-me lembrar os manuais de Direito Internacional Privado. Quem nunca teve DIP que atire a primeira pedra.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>10. Indica dez amigos para o Meme Literário. </strong><br />
E se ouvíssemos antes <a href="http://www.youtube.com/watch?v=YE-LZZgZ4Cw">uma musiquinha</a>?</p>]]></content:encoded>
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		<title>Fundo perdido</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Jun 2011 00:37:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[A malta devia achar que o Sidney da Pontinha era as Nações Unidas: à menor chatice, liga para o preto. O Nokia apitava todo o dia como uma central telefónica das antigas. Malam apanhou-o a conduzir uma retro-escavadora numa obra &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/06/10/fundo-perdido/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A malta devia achar que o Sidney da Pontinha era as Nações Unidas: à menor chatice, liga para o preto. O Nokia apitava todo o dia como uma central telefónica das antigas. Malam apanhou-o a conduzir uma retro-escavadora numa obra em Cascais e percebeu logo que a solidariedade mundial não estava para ali virada. &#8220;Preciso que me emprestes aí um cinco euro&#8221;. Sidney gritou-lhe que estava a trabalhar, mas no auricular, Malam insistia: o dedo que tinha levado uma marretada estava com o dobro do tamanho, a coisa doía, mas no hospital exigiam-lhe cinco euros para entrar &#8211; uma liquidez financeira que ele, Malam, não tinha de momento, nem teria até receber dali a três dias. &#8220;Pede aí cinco euro a um conterrâneo que eu depois te dou&#8221;, aconselhou a ONU. Mas Malam já tinha explicado a situação a vários conterrâneos portugueses, e os conterrâneos portugueses nada. O problema é que todo o seu património está retido no banco por causa do atraso tecnológico da SIBS, que não equipa os Multibancos com moedas. &#8220;Mas quanto dinheiro é que tu tens?&#8221;. &#8220;Quatro euros e vinte e sete cêntimos&#8221;. Sidney, retro-escavadora a ver navios, passa-se com o défice de desenrascanço do camarada: foda-se, vai ao banco levantar esse dinheiro e pede aí um euro, eu logo à noite te dou esse dinheiro!<br />
Malam entrou na Caixa Geral de Depósitos com a confiança de um pilha-galinhas sem experiência. Não estava habituado a ir ao balcão: ele e a CGD falavam sempre pelo buraco na parede, RE-TI-RE O SEU CAR-TÃO, e por ele as coisas estavam muito bem assim. Por isso, quando chegou à senha dele, fez muitas perguntas: fáxavor, eu posso levantar esses quatro euro? O dinheiro era dele, podia levantar o que quisesse. &#8220;Todo&#8221;, pediu. &#8220;Os 27 cêntimos também?&#8221;. &#8220;Eu posso levantar os 27 cêntimos?&#8221;. Homem, o dinheiro é seu. Mas que mal lhe pergunte, porque é que quer levantar o dinheiro todo, vai fechar a conta? Mau, queres ver que afinal o empregado também não tem trocos? E contou a história clínica pela enésima vez. Aqui o funcionário fez aquilo a que na gíria financeira internacional se chama um &#8220;non-refundable grant&#8221;: deixe estar o seu dinheiro quietinho, tome lá dez euros.<br />
Estava assegurada a paz das nações.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Olá, cá estou eu, a bloguer descontínua</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Jun 2011 11:15:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Já estou na paragem do autocarro quando os vejo: 15, 20 peixes na montra de uma boutique chique de artesanato africano, espetados em pedestais com alturas diferentes, como totens a flutuar num aquário. Atravesso a rua para ver o cardume &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/06/02/ola-ca-estou-eu-a-blogger-descontinua/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Já estou na paragem do autocarro quando os vejo: 15, 20 peixes na montra de uma boutique chique de artesanato africano, espetados em pedestais com alturas diferentes, como totens a flutuar num aquário. Atravesso a rua para ver o cardume mais de perto. São de madeira, como a generalidade da estatuária africana, queixada articulada como as marionetas, os maiores com um metro de comprimento, os mais pequenos com 40 centímetros; mas o que os distingue das máscaras e estátuas africanas que a loja também vende, além do pedestal de ferro que os converte automaticamente em objectos de arte, é a cor: brancos, laranja, azuis, vermelhos, amarelos, pintados à mão por pescadores do Mali que não imaginam que os seus peixes podem custar quase dois mil euros numa loja do Sablon. &#8221;Vendem-se lindamente&#8221;, garante-me um africano com botões de punho e camisa de seda, divertido com o meu interesse ictiológico. &#8220;Ainda na semana passada vendi uns ao curador do Museu de Arte Moderna de [...], levou-me cinco. São espantosamente modernos&#8221;. Assegura-me que os artistas recebem &#8220;a justa compensação&#8221; pelo seu trabalho, e é verdade que o preço não choca o comprador familiarizado com as <a href="http://www.thelollipopshoppe.co.uk/products/storage/cabinets/the-crate/">caixas de madeira</a> do Jasper Morrison, que custam o que custam e são iguaizinhas às caixas de vinho e de legumes das mercearias, &#8220;a apropriação do objecto&#8221;, elogiava uma revista parva de decoração dessas que enchem a boca com &#8220;<em>havres de lumière</em>&#8221; e falam em &#8220;vestir as janelas&#8221;. &#8220;As pessoas entram aqui convencidas que podem regatear com o preto, sabe como é? – <em>les africains crèvent de faim!&#8221;.</em> Ri-se muito. &#8221;Pas moi! Sempre que me falam em descontos, subo o preço, &#8216;agora custa o dobro – não, o triplo!&#8217;&#8221;. Ri-se mais. &#8220;Os objectos têm uma alma, é preciso respeitar a alma do objecto&#8221;, diz num tom subitamente sério, e eu receio a conversa da treta que ali vem, incongruente com o pragmatismo que me diverte quase tanto como os peixes. &#8220;Alguns não se vendem, ficam aí imenso tempo na montra, e eu então tenho de ter uma conversinha com eles. Que se passa, pequeninos, qual é o problema?&#8221;. Olha para um peixe verde no lado direito da montra, e é verdade que é menos vistoso que os outros, pobre peixinho feio. &#8220;Quando não há maneira de os vender&#8230; Subo o preço! Quando custam o dobro, vendem-se num instante&#8221;. Rimo-nos os dois. &#8220;É trágico, sabe? A sociedade ocidental dá demasiada importância ao dinheiro, as pessoas só pensam no dinheiro. Dinheiro, dinheiro, dinheiro, o dinheiro converteu-se num ídolo, numa espécie de&#8230;&#8221;.  &#8221;Totem?&#8221;, proponho. &#8220;Isso. C’est tragique&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>ACP (Auto-crítica pública): Na minha ausência, o Renato postou coisas, entrou imensa gente (olá a todos), o Renato postou mais coisas, e foram aprovadas regras anti-morgada por um colectivo que claramente não leu a última série de posts da sassmine nem respeita as garantias constitucionais de todos nós. Por enquanto decidiram expulsar quem estiver seis meses sem escrever, mas é possível que isto venha a ser usado contra arguidas que não têm rigorosamente nada a dizer desde Março e que por isso não dizem rigorosamente nada desde sensivelmente a mesma altura, por cúmulo jurídico e/ou infracção continuada. Vivemos tempos difíceis para a liberdade de cabulação. </em></p>]]></content:encoded>
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		<title>Chateia-me que as pessoas me roubem ideias que eu podia ter tido se me dessem mais tempo</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Mar 2011 23:42:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Encontrei finalmente a solução para revitalizar este blog, demasiado intermitente para acompanhar a vibração do mundo contemporâneo. É assim: vou contratar o melhor blogger chinês. Este blog passará a receber pelo menos 400 ou 500 internautas chineses por dia. Vão &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/03/28/chateia-me-que-as-pessoas-me-roubem-ideias-que-eu-podia-ter-tido-se-me-dessem-mais-tempo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Encontrei finalmente a solução para revitalizar este blog, demasiado intermitente para acompanhar a vibração do mundo contemporâneo. É assim: vou contratar o melhor blogger chinês. Este blog passará a receber pelo menos 400 ou 500 internautas chineses por dia. Vão chover as comissões e os </em>sponsors<em>. Aliás, justifica-se criar um departamento só para o blogger chinês. Sócios, é este o projecto! É este o futuro! Estou concentradíssimo!</em> (<a href="http://umblogsobrekleist.blogspot.com">aqui</a>)</p>]]></content:encoded>
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		<title>Sim, recordar é viver, mas a malta quer esquecer</title>
		<link>http://5dias.net/2011/03/23/sim-recordar-e-viver-mas-a-malta-quer-esquecer/</link>
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		<pubDate>Wed, 23 Mar 2011 00:15:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[(imagem roubada a um blogue chamado palâtre que se finou há meses largos e já não existe sequer em cache)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-60186" title="Polaróide_Sócrates-1" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2011/03/Polaróide_Sócrates-1.jpg" alt="" width="400" height="400" /><em>(imagem roubada a um blogue chamado palâtre que se finou há meses largos e já não existe sequer em cache) </em></p>]]></content:encoded>
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		<title>Esperto no cabeço</title>
		<link>http://5dias.net/2011/03/19/esperto-no-cabeco/</link>
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		<pubDate>Sat, 19 Mar 2011 05:54:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Não há fumo sem fogo, nem na verdade é preciso haver fogo para chamar os bombeiros: eles não demoraram a materializar-se para arrombar a porta do apartamento do Sidney da Pontinha depois de ele lhes ter ligado do Nokia a &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/03/19/esperto-no-cabeco/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Não há fumo sem fogo, nem na verdade é preciso haver fogo para chamar os bombeiros: eles não demoraram a materializar-se para arrombar a porta do apartamento do Sidney da Pontinha depois de ele lhes ter ligado do Nokia a prestações. &#8220;O preto esqueceu-se das chaves dentro de casa&#8221;, gritou o bombeiro de turno, a despachar quatro homens para o local. A polícia demorou mais a chegar, e sem identificar o alegado morador, os bombeiros está quieto, calha de o preto ser um assaltante e depois a gente é cúmplice, topas? &#8220;Documentos&#8221;, pediu a autoridade, consubstanciada em dois. Sidney sacou da carteira com a tranquilidade dos justos e a elegância que levara uma namorada alentejana com mãe cinéfila a baptizá-lo assim, &#8220;a minha mãe diz que pareces mesmo o Sidney Puátiê&#8221; – quem? &#8220;Alfa Xis&#8221;, leu a autoridade no Bilhete de Identidade emitido pelo Arquivo de Identificação de Lisboa, e Alfa Xis, uma fome do caraças depois de 10 horas a acartar tijolo, achou que estava mais perto da cozinha. Estavas. &#8220;Cartão de residência&#8221;, inquiriu a autoridade. &#8220;Cartão de residência?&#8221;, perguntou Alfa Xis do alto do seu metro e noventa. &#8220;Sim, cartão de residência&#8221;, repetiu a autoridade. &#8220;Como é que eu vou ter cartão de residência se eu sou cidadão português?&#8221;, perguntou Alfa Xis, a rir-se da ignorância na cara da autoridade. A autoridade fez peito. &#8220;Tu não és estrangeiro? Os estrangeiros têm de ter autorização de residência para viver em Portugal&#8221;. Alfa Xis pensou no peixe, a descongelar desde madrugada no quentinho da casa, tirou suavemente o BI das mãos da autoridade, e pôs-lho à frente dos olhos, cartão amarelo para a autoridade: &#8220;Como é que eu posso ser estrangeiro com um Bilhete de Identidade português?&#8221;. A autoridade também achou curioso, porque voltou a pegar no BI e deu-lhe duas voltas. &#8220;Olha&#8221;, disse Alfa Xis, a tratar a autoridade numa base de tu-cá-tu-lá, que era o que a autoridade claramente preferia, &#8220;vou perguntar ao SEF se também tenho direito a um cartão de residência para portugueses, mas agora, aqui comigo, só tenho Bilhete de Identidade&#8221;. Aquilo soou a compromisso aos ouvidos da autoridade, que também tinha jantar à espera, não se sabe se carne ou se peixe: assina aqui, podem arrombar. Pouco depois Alfa Xis entrava em casa, direito à faca mais afiada da cozinha, mas antes de atacar a dourada com sevícias de cozinheiro, largou um portuguesíssimo foda-se.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Quais Homens da Luta, qual quê: humor a sério é na petição anti-eles</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Mar 2011 17:00:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Que porcaria, assim não saimos da cepa torta, sempre a perder todos os anos os festivais&#8221; &#8220;RTP leva a musica mais eurovisiva para Alemanha! Leva a carla por favor!&#8221; &#8220;Por favor, Sr Primeiro Ministro, faça uma lei em que os &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/03/08/quais-homens-da-luta-qual-que-humor-a-serio-e-na-peticao-anti-eles/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Que porcaria, assim não saimos da cepa torta, sempre a perder todos os anos os festivais&#8221;</p>
<p>&#8220;RTP leva a musica mais eurovisiva para Alemanha! Leva a carla por favor!&#8221;</p>
<p>&#8220;Por favor, Sr Primeiro Ministro, faça uma lei em que os Portugueses sejam proibidos de votar&#8221;</p>
<p><em>(tudo tal e qual <a href="http://peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2011N7498">aqui</a>, na petição <del datetime="2011-03-08T16:31:25+00:00">Caluda! Semos Probes!</del> Contra os Homens da Luta. Obrigada, <a href="http://5dias.net/2011/03/08/quando-ouvires-alguem-defender-a-nao-politizacao-do-movimento-nao-te-esquecas-que-isso-faz-parte-de-uma-agenda-politica/">Tiago Mota Saraiva</a>, por me teres dado a conhecer esta pérola que tanto fez para melhorar o meu dia. Portugal é uma alegria!)</em></p>]]></content:encoded>
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		<title>Fiquem com mais uma música esquisita proposta pelo António Figueira</title>
		<link>http://5dias.net/2011/03/05/fiquem-com-mais-uma-musica-esquisita-proposta-pelo-antonio-figueira/</link>
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		<pubDate>Sat, 05 Mar 2011 15:30:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Só não vem no Ivan Ilitch porque o Tolstói teve uns problemas com os direitos de autor.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Só não vem no Ivan Ilitch porque o Tolstói teve uns problemas com os direitos de autor.</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://5dias.net/2011/03/05/fiquem-com-mais-uma-musica-esquisita-proposta-pelo-antonio-figueira/"><img src="http://img.youtube.com/vi/6nyeSGaBcrA/2.jpg" alt="" /></a></span></p>]]></content:encoded>
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		<title>&#8216;Tá mesmo tudo no Ivan Ilitch</title>
		<link>http://5dias.net/2011/03/05/ta-mesmo-tudo-no-ivan-ilitch/</link>
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		<pubDate>Sat, 05 Mar 2011 11:47:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[A internet é como as cerejas, embora sem uma empregada que retire os caroços: já não sei como, fui parar ao De Rerum Natura, onde descobri um daqueles textos pseudo-pedagógicos (no caso, um diálogo apócrifo mal amanhado entre Camões e &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/03/05/ta-mesmo-tudo-no-ivan-ilitch/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A internet é como as cerejas, embora sem uma empregada que retire os caroços: já não sei como, fui parar ao De Rerum Natura, onde descobri um daqueles textos pseudo-pedagógicos (no caso, um <a href="http://dererummundi.blogspot.com/2011/03/ola-eu-sou-luis-de-camoes.html">diálogo apócrifo mal amanhado entre Camões e António Gedeão</a>) com que as novas oportunidades dos liceus querem agora educar os meninos, a ver se contemporanizam a literatura, e assim, passando por cima do facto, óbvio, de que aprender – história, literatura, química, etc – exige essa coisa incómoda que é deixar o próprio umbigo, correndo o risco de, no processo, aprender alguma coisa.<br />
Desconhecia a existência desses textos, e teria ficado devidamente chocada, não fosse há dias ter encontrado um exemplo insuperável desta corrente pedagógica que supõe que as crianças são umas bestas, e que há que lhes acenar com a cenoura da contemporaneidade e do que lhes é familiar para conseguir que levantem as estúpidas cabecinhas dos Game Boys. Foi − onde havia de ser? – num site americano. Claro que lá eles estão muito à frente: em vez de infantilizarem no liceu, infantilizam na universidade.<br />
O caso é que aqui há dias, quando fiz <a href="http://5dias.net/2011/02/27/ta-tudo-no-ivan-ilitch/">um post sobre uma noite nas urgências</a> em que incidentalmente referia A Morte de Ivan Ilitch, fiquei a saber, cortesia do Major, que há dois Ivan Ilitches: o juiz do Tolstói e um anarca austríaco que existiu mesmo e teve, curiosamente, a mesma sorte do outro – morreu. Achei curioso, e decidi googlar a coisa. Entre os vários resultados, apareceu-me um curso universitário nos EUA dedicado exclusivamente a esse petit chef-d&#8217;oeuvre russo. A cadeira chama-se &#8220;Big Read&#8221;, o que deixa logo uma pessoa em cuidado, porque o livro é, como sabem, mínimo; mas se o livro é pequeno e se lê em duas penadas, as exigências do curso, essas, são enormes. Pede-se que os alunos façam um trabalho de grupo sobre o livro, baseado nas indicações do professor, tendo sempre em conta que o projecto deve ser multimédia, &#8220;an important dimension of this project&#8221;. Entre as várias propostas de trabalho, há um projecto de decoração de interiores (porque foram as cortinas, como toda a gente sabe, que assassinaram o Ivan Ilitch), as alegadas opiniões do Tolstói sobre o aquecimento global (um capítulo que na minha edição foi estranhamente cortado), e ainda esta pérola:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>The relation between husband and wife in The Death of Ivan Ilyich leaves room for improvement. What is the source of the gap between them? Research Tolstoy’s personal life and his writings having to do with marriage in the 1880s. Based on your research and your analysis of the novel, <strong>play Dr. Phil to Praskovya Fyodorovna and Ivan Ilyich</strong>. (<a href="http://uiuc.libguides.com/ivanilyich">aqui, em diferido</a>)</em></p>
<p style="text-align: justify;">Confirma-se que está tudo no Ivan Ilitch: a vida e a morte, o Tom Hanks e a Sida, a Susan Sontag, o terrorismo, e, o que é capaz de ser o mesmo, o inefável Dr Phil.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Uma questão aritmética</title>
		<link>http://5dias.net/2011/03/02/uma-questao-aritmetica/</link>
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		<pubDate>Wed, 02 Mar 2011 21:22:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Miguel Esteves Cardoso Golo do Sporting &#8211; ainda bem! Que bom para eles. Folgo em ver, sinceramente. No entanto, por muito amigo que eu seja do Zé Diogo Quintela, tenho a tristeza de dizer que nem uma vitória na Luz &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/03/02/uma-questao-aritmetica/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Miguel Esteves Cardoso</strong> Golo do Sporting &#8211; ainda bem!<br />
Que bom para eles.<br />
Folgo em ver, sinceramente.<br />
No entanto, por muito amigo que eu seja do Zé Diogo Quintela, tenho a tristeza de dizer que nem uma vitória na Luz seria capaz de devolver a esperança aos corações leoninos.<br />
É uma falha humana, que aguento, contra vontade e com pesada culpa: por muito que me examine e me castigue, tentando ser justo e misercordioso, não consigo desejar o bem do pobre Sporting. Mesmo quando ele precisa mais.<br />
Quando o Sporting triunfa, todos somos sportinguistas, por solidariedade. Quando falha, podemos ser do clube de que somos. É uma questão aritmética: nunca temos de ser sportinguistas. Haverá maior orgulho na vida do que não ser?</p>
<p><a href="http://static.publico.pt/sites/storify/">Aqui, ao vivo</a>.</p>]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Contributos para uma genealogia da moral (pós-nietzscheana)</title>
		<link>http://5dias.net/2011/03/01/contributos-para-uma-genealogia-da-moral-pos-nietzscheana/</link>
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		<pubDate>Tue, 01 Mar 2011 22:32:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[moi: olha lá J.: dize moi: imagina que eras a Nelly Furtado J.: ok moi: ou, God forbid, a Mariah Carey ou a Beyoncé J.:: mamas grandes yaaaaayyyyyyyy check moi: e sobretudo muuuiiiiito dinheiro J.: espectáculo moi: a sério, faz &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/03/01/contributos-para-uma-genealogia-da-moral-pos-nietzscheana/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>moi:</strong> olha lá<br />
<strong>J.:</strong> dize<br />
<strong>moi:</strong> imagina que eras a <a href="http://www.publico.pt/Mundo/nelly-furtado-vai-doar-um-milhao-de-dolares-que-recebeu-de-khadafi_1482715">Nelly Furtado</a><br />
<strong>J.:</strong> ok<br />
<strong>moi:</strong> ou, God forbid, a Mariah Carey<br />
ou a Beyoncé<br />
<strong>J.:</strong>: mamas grandes<br />
yaaaaayyyyyyyy <img src='http://5dias.net/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' /><br />
check<br />
<strong>moi:</strong> e sobretudo muuuiiiiito dinheiro<br />
<strong>J.:</strong> espectáculo<br />
<strong>moi:</strong> a sério, faz um esforço<br />
<strong>J.: </strong> onde é q assino<br />
<strong>moi:</strong> és famosa que dói<br />
tens uma conta bancária que não fazes ideia<br />
o mundo idolatra-te<br />
certo, a parte do mundo foleira, mas estás em maioria<br />
podes escolher jantar em Paris ou em Buenos Aires, é a mesma merda<br />
e ir de jet privado<br />
e ainda te sobram uns trocos para viveres à larga nos próximos 150 anos<br />
se tiveres juicinho e não gastares tudo em coca<br />
<strong>J.:</strong> vale<br />
e dp?<br />
fura-se-me uma mama?<br />
<strong>moi:</strong> aceitas ir cantar quatro músicas à festa de anos do Khadafi, mesmo que o gajo te pague um milhão de dólares?<br />
ou à festa de anos de qq pessoa, mesmo boas pessoas<br />
enfim, se fosse alguém porreiro a convidar, ainda era uma honra, mas aí ias gratuitamente, right?<br />
agora um milhão para cantar em festas de filhos de ditadores? festinha privada, como se elas não tivessem onde cair mortas e andassem a rebolar-se pelos karaokes da vida?<br />
não é um bocado preço de saldo?<br />
<strong>J.:</strong> é uma vergonha, de facto<br />
posso ficar com as mamas? </p>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Tá tudo no Ivan Ilitch</title>
		<link>http://5dias.net/2011/02/27/ta-tudo-no-ivan-ilitch/</link>
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		<pubDate>Sun, 27 Feb 2011 04:06:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Como é que nós estamos?&#8221;. Ummfmm. &#8220;Na mesma?&#8221; Ummfmm. &#8220;Mau, não pode ser! Não se sente mesmo melhor?&#8221;. Urgências do hospital de São João, três da manhã. O homem tem um braço a soro, o outro a proteger os olhos. Uma &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/02/27/ta-tudo-no-ivan-ilitch/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">&#8220;Como é que nós estamos?&#8221;. Ummfmm. &#8220;Na mesma?&#8221; Ummfmm. &#8220;Mau, não pode ser! Não se sente mesmo melhor?&#8221;. Urgências do hospital de São João, três da manhã. O homem tem um braço a soro, o outro a proteger os olhos. Uma mulher diz obscenidades. Mães acompanham adolescentes com cólicas. Homens, mulheres e crianças, tudo sob a alçada da mesma médica. O caso não deve ser grave, porque nos deram pulseiras amarelas. Deram, não: estou há meia dúzia de horas nas urgências e já falo como a médica, como é que nós estamos? Estamos pois à espera do resultado das análises, eu e a minha doente, mas a minha pulseira é, em bom rigor, lilás, a cor dos acompanhantes no código cromático do hospital. Enfermeiros ajustam o soro dos doentes. Há tanta gente a soro que deve fazer parte do tratamento compulsivo, isso e as análises que toda a gente espera, sentados nas cadeiras paralelas às paredes. A rotina só é interrompida pela falsa loira que diz obscenidades, &#8221;você gosta de punheta?&#8221;. A velha minúscula que a acompanha encolhe os ombros, igualzinha à actriz que fazia de mãe do Jô Soares, pensar que eu saí de dentro dela. &#8220;Punheta de bacalhau, não gostam? Bem bom!&#8221;. Entre elas e eu há uma dúzia de doentes, incluindo a minha, mas falam ambas alto, a mais nova a passar receitas, a mais velha resignada aos sorrisos amarelos, &#8220;que remédio, já estou habituada, é sempre a mesma coisa quando vimos ao hospital&#8221;. Saio para mais um cigarro e para contar ao meu irmão como é que nós estamos, &#8220;&#8216;tá tudo no Ivan Ilitch, sabes?&#8221;, se dependesse da médica os doentes curavam-se por obra e graça das perguntas dela, bata verde e All Star, como nas séries americanas, só que aqui é tudo gente a soro à espera das análises, &#8220;tudo da mesma maneira para todas as pessoas&#8221;, e isso também, garante o meu irmão, vem no Ivan Ilitch. Entra mais uma adolescente com cólicas e mãe acoplada, as análises ainda demoram? A médica não tem óculos como no Ivan Ilitch mas olha-me severamente, e é exactamente como se dissesse: &#8220;Arguid[a], se não se mantiver nos limites das perguntas que lhe são feitas, serei obrigad[a] a dar uma ordem para que [a] retirem da sala de audiências&#8221;. &#8220;Estou farta desta merda! Eu bato com a cabeça na parede até sair daqui, ouviste?!&#8221;. De repente a mulher da punheta desata aos coices e murros, acontece tudo muito depressa, como nos filmes, por uma vez as All Star justificam-se e a médica pode enfim sprintar como nas séries, dois seguranças atrás dela, a loira a uivar no chão. &#8220;Esta doente entrou com quê?!&#8221;. Silêncio. &#8220;Com o que é que entrou esta doente?!&#8221;. &#8220;Sôtora, a doente é aquela senhora&#8221;, atreve-se um dos doentes, a apontar para a velha-pensar-que-eu-saí-de-dentro-dela, de pé a olhar para a filha, &#8220;essa senhora só veio acompanhar&#8221;.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Supositório</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Feb 2011 01:33:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Segundo a Lusa, esta senhora foi vítima de um &#8220;alegado roubo&#8221;, seguido de sequestro, durante os quais terá levado um suposto balázio uma suposta facada no putativo abdómen. Felizmente os médicos não só terão tratado como parece que trataram mesmo &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/02/26/supositorio/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Segundo a Lusa, esta senhora foi vítima de um <a href="http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=12594">&#8220;alegado roubo&#8221;</a>, seguido de sequestro, durante os quais terá levado <del datetime="2011-02-26T14:29:26+00:00">um suposto balázio</del> uma suposta facada no putativo abdómen. Felizmente os médicos não só terão tratado como parece que trataram mesmo os presumíveis ferimentos que a alegada vítima alegadamente sofreu, e tão bem o terão feito ou fizeram que ela está agora alegadamente estável (e já recebia supostas visitas no dia em que li este take da reputada agência), se entretanto, como se espera, não piorou.</p>
<p style="text-align: justify;">A melhor resposta a este estado de alegadismo jornalístico foi dada por Arturo Pérez-Reverte, que depois de ter sido repórter de guerra, é pago há anos para se indignar semanalmente (um trabalho que eu faço gratuitamente todos os dias) numa revista espanhola; as crónicas são cada vez mais parecidas umas com as outras, mas nesta de 2007, que se chama <a href="http://www.perezreverte.com/articulo/patentes-corso/148/el-presunto-taliban/">&#8220;El presunto talibán&#8221;</a>, dá vontade de nos co-indignarmos pro bono e sairmos por aí a chamar talibã, assim a seco, aos presuntos que aí andam.</p>
<p style="text-align: justify;">(Notas de leitura para quem não via a TVE em pequenino: &#8220;presunto&#8221; não é o ibérico, é o nosso &#8220;presumível&#8221;; e &#8220;taliban&#8221; é, claro, talibã, como presumo que todos saibam – embora nestas coisas não se deva dar muita folga à presunção).</p>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>António Figueira apresenta (**Spoiler Alert!**) novo livro de ficção</title>
		<link>http://5dias.net/2011/02/25/antonio-figueira-apresenta-spoiler-alert-novo-livro-de-ficcao/</link>
		<comments>http://5dias.net/2011/02/25/antonio-figueira-apresenta-spoiler-alert-novo-livro-de-ficcao/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 25 Feb 2011 01:36:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[O António Figueira apresenta esta semana o seu novo livro de ficção. Vão dizer-vos que é o primeiro, mas é na verdade o segundo: antes veio um romance delirante sobre o Estado-nação chamado &#8221;Modelos de Legitimação da União Europeia&#8221;, o qual, &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/02/25/antonio-figueira-apresenta-spoiler-alert-novo-livro-de-ficcao/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft size-full wp-image-57969" title="Orik Field" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2011/02/Orik-Field.jpg" alt="" width="330" height="500" /></p>
<p style="text-align: justify;">O António Figueira apresenta esta semana o seu novo livro de ficção. Vão dizer-vos que é o primeiro, mas é na verdade o segundo: antes veio um romance delirante sobre o Estado-nação chamado &#8221;Modelos de Legitimação da União Europeia&#8221;, o qual, disfarçado de obra de divulgação filosófica, recebeu no seu tempo o prémio Jacques Delors para o melhor estudo académico sobre temas comunitários (**Spoiler Alert!**: o Estado-nação morre!).</p>
<p style="text-align: justify;">O novo livro que a nação reclamava há anos chama-se &#8220;O Filho de Campo de Ourique e Outras Histórias&#8221;. Como o nome deixa adivinhar (**Spoiler Alert!**), tem uma história chamada &#8220;O Filho de Campo de Ourique&#8221; e outras histórias que não se chamam &#8220;O Filho de Campo de Ourique&#8221; mas são igualmente boas, e está à venda nas melhores livrarias desde segunda-feira (às piores vai chegar mais tarde). Quem já leu faz-lhe rasgados elogios. Quem não leu também.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu já li, conheço a peça, e sei que ele tem um ego robusto, capaz de resistir às tiradas ditirâmbicas que se têm escrito e certamente vão ainda escrever-se sobre ele; mas V., leitor, cuidado. Vão tentar dizer-lhe, a si que o conhece de gingeira, que há histórias nas histórias e estilo no estilo e essas merdas com que a crítica tenta explicar o inexplicável: por que é que o Figueira é bom. Nisso se afadigam, e por isso lhe louvam a imaginação com que imagina o que imagina e a precisão com que conta o que conta. Há gente capaz de lhe falar (há gente para tudo) na mestria com que ele lida &#8220;com múltiplos registos&#8221; ou na &#8220;fluidez da prosa&#8221;. Graças a deus, we know better. A prosa do AF não é fluida: tem frases que dão a volta ao quarteirão, estrangeirismos a dar com um pau, e pronomes pessoais redundantes com que uma pessoa se sobressalta, ai meu deus, meu deus, meu deus. A verdade (**Spoiler Alert!**) é que quando se lê o AF tem-se a impressão, incómoda e, a espaços, verdadeiramente chocante, de estar a ler português, essa coisa rara entre todas na literatura portuguesa. É incompreensível que a editora não o tenha traduzido dessa rude língua em que ele escreve para uma das muitas não-línguas que se falam em Portugal: assim ninguém o entende, amigo, e não ganha o prémio Saramago.</p>
<p style="text-align: justify;">Em suma: a prosa não é redonda, não é &#8220;elevada&#8221;, nem quer elevar-se, ao contrário da obra do herói que dá nome ao livro. (**Spoiler Alert!****Spoiler Alert!****Spoiler Alert!**) Para vocês que não o leram, o Filho de Campo de Ourique (1961-1986) é, por causa de um incêndio que lhe queima os manuscritos, &#8221;<em>o primeiro grande não-autor da história da literatura mundial</em>&#8220;. Morto <em>intestatus</em> e <em>impublicatus</em>, idolatrado pela crítica literária e estudiosos de todas as áreas científicas, da sua não-obra (esse &#8220;&#8216;<em>buraco negro&#8217; das letras</em>&#8220;) puderam dizer os mais argutos: &#8220;<em>por mais voltas que se dê, não será possível obscurecer o essencial: que o Filho desmaterializou a literatura, a idealizou, a tornou soprável ao vento e passível de ser contada aos passarinhos, a levou ainda mais além, no caminho da adesão da ideia sonhada à palavra gravada, criou categorias novas e insuspeitas e, com o pouco que tinha ao pé de si – ali entre Santa Isabel e os Prazeres – criou largo, e visou alto, e acertou certo</em>&#8221; (&#8220;O Regresso do Filho de Campo de Ourique&#8221;, in &#8220;O Filho de Campo de Ourique&#8221;, D. Quixote, 2011). Com o António Figueira, os passarinhos, coitados, bem podem esperar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Informações úteis:</strong> o António Figueira vai estar esta sexta-feira, às 15h, numa mesa-redonda no Correntes d&#8217;Escritas, essa &#8220;meca da criação literária&#8221;, como lhe chama Eduardo Lourenço, para debater o tema &#8220;Espalho sobre a página a tinta do passado&#8221; (por amor de deus, não se ria). O debate é moderado pelo José Mário Silva, e conta, entre outros, com o Francisco José Viegas e a Inês Pedrosa. Olhem o <a href="http://lusografias.blogspot.com/2011/02/xii-edicao-correntes-d-escrita-povoa-de.html">linquinho</a>.</p>]]></content:encoded>
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		<title>&#8220;A-t-on des nouvelles de Monsieur de La Pérouse?&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Feb 2011 01:52:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Só mais este, e prometo que a seguir deixo o La Pérouse em paz lá no fundo do mar onde ele repousa, porque já excedi a quota de posts mensal e o Nuno ainda se lembra de pedir controlo anti-doping. &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/02/21/a-t-on-des-nouvelles-de-monsieur-de-la-perouse/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Só mais este, e prometo que a seguir deixo o La Pérouse em paz lá no fundo do mar onde ele repousa, porque já excedi a quota de posts mensal e o Nuno ainda se lembra de pedir controlo anti-doping. Googlando, cheguei a dois artigos (<a href="http://alex.francois.free.fr/AF-Vnk-Times-e.htm#a">aqui</a> em inglês, <a href="http://alex.francois.free.fr/AF-Vnk-Liberation-itv-e.htm#a ">al</a>i em francês, cada um com os seus encantos) sobre uma expedição para esclarecer o mistério do desaparecimento do almirante francês, duzentos anos depois do naufrágio da Bússola e do Astrolábio, os navios comandados pelo navegador. Na tripulação seguia um linguista, Alexandre François (que aliás tem o blogue onde encontrei os tais artigos). Entre outras coisas, descobriu que os indígenas de Vanikoro chamam a uma espécie local de feijão &#8220;cassoulet&#8221;, indício de que a tripulação francesa passou por lá. Achei graça à ideia da linguística ao serviço da arqueologia, e mais ainda tratando-se do mesmo La Pérouse da conversa entre Swann e o general, o mesmo que eu queria converter em verbo, com muita propriedade. Proponho a seguinte definição: pérouser (verbo intransitivo): discursar sobre a pessoa amada substituindo o seu nome por qualquer referência a ela associada, desconhecida do interlocutor.</p>]]></content:encoded>
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		<title>À chacun sa madeleine</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Feb 2011 23:48:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Depois do vivo entusiasmo que o meu post sobre La Pérouse suscitou (obrigada, Sérgio C, sejas tu quem fores) e de o Ouriquense também ter citado Barthes, em francês e tudo, decidi voltar à carga. O meu objectivo é dar a Proust o que &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/02/21/a-chacun-sa-madeleine-2/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Depois do vivo entusiasmo que o meu <a href="http://5dias.net/2011/02/20/perouser-verbo-intransitivo/">post sobre La Pérouse</a> suscitou (obrigada, Sérgio C, sejas tu quem fores) e de o Ouriquense <a href="http://ouriquense.blogs.sapo.pt/322274.html">também ter citado Barthes</a>, em francês e tudo, decidi voltar à carga. O meu objectivo é dar a Proust o que é de Proust, porque apesar de o referir profusamente nessa obra de referência sobre a fenomenologia amorosa que é o Fragments d&#8217;un discours amoureux, Barthes, no capítulo que dedica a esta cena das alocuções secretas (&#8220;L&#8217;entretien&#8221;, pág. 87 na minha edição), não refere o diálogo que para mim é o mais eloquente testemunho literário desse comportamento observável na vasta percentagem da humanidade que conheço. Mas talvez seja melhor assim, e o episódio não sofra o mesmo destino da madeleine, por quem os leitores passam com a voracidade coleccionista dos japoneses, já tanta gente o conhece que perdeu a frescura e o poder evocativo, é parte da cultura popular, e está por isso condenado a ser citado por dá cá aquele Proust. La Pérouse, não: quem quer que desembarque na cena continua hoje a poder apreciar o diálogo entre Swann e o general como descoberta inteiramente nova, inteiramente sua, e rir-se com a réplica do &#8220;Il a sa rue&#8221;, como eu quando tinha 19 anos e a li pela primeira vez em Porto Santo, à sombra das falsas palmeiras que faziam de guarda-sol, sem saber que o Swann era eu, era a J., éramos todos nós, porque na comédia do amor só mudam os actores.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Não sei se isto é anti-semitismo, mas eu sempre disse que a culpa era do Judeu</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Feb 2011 20:48:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A Tina Turner está de volta.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A <a href="http://5dias.net/2011/02/02/tambem-acho-uma-porcaria/">Tina Turner</a> está <a href="http://ouriquense.blogs.sapo.pt/322024.html#comentarios">de volta</a>.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Pérouser, verbo intransitivo</title>
		<link>http://5dias.net/2011/02/20/perouser-verbo-intransitivo/</link>
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		<pubDate>Sun, 20 Feb 2011 17:59:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Os almoços de domingo ocorrem porque quem convida e quem é convidado não tem a noção do que ali vem, um bocado como aquelas pessoas que prometem a alma ao diabo e depois ficam muito admiradas quando ele lhes bate &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/02/20/perouser-verbo-intransitivo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Os almoços de domingo ocorrem porque quem convida e quem é convidado não tem a noção do que ali vem, um bocado como aquelas pessoas que prometem a alma ao diabo e depois ficam muito admiradas quando ele lhes bate à porta. <span id="more-57706"></span>Eu protestei vivamente quando cheguei à minha própria casa às 11 da manhã, com três horas para cozinhar para seis pessoas, pôr a mesa e eliminar tant bien que mal os vestígios da noite anterior, e por isso não me surpreendeu ver a J. com cara de quem preferia continuar enterrada, quando ela me chegou mais cedo para ajudar. &#8220;Quem diabo teve esta ideia do almoço de domingo?!&#8221;, pergunto eu a ver se a faço rir; mas a ressaca não perdoa, e não há meio de a fazer sair do monossilabismo que me estraga a mesa. Subitamente anima-se. &#8220;Estudaste na Alemanha? Não sabia que tinhas estudado lá!&#8221;. O C., que até aí debitara as histórias que todos lhe conhecemos com a mesma displicência com que a J. muda lascas de bacalhau de sítio, anima-se também. &#8220;Sim! O ambiente era porreiro, muito internacional, havia imensos espanhóis&#8221;. &#8220;Sim!, sim!, há muitos espanhóis na Alemanha, e muita gente que fala espanhol, não é curioso?&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Curiosíssimo: a J. passa de morta-viva a alegria da festa sem guronsar nem tocar no vinho (e muito menos no bacalhau), e eu sei porquê. A minha amiga anda embrulhada com um alemanito vagamente revolucionário, e o gajo, entre outras prendas, fala um castelhano castiço que aprendeu em Cuba. É quanto baste para que o assunto da diáspora espanhola lhe interesse, por metonímia, embora forçada. &#8220;Ouve lá, não penses que não te topei hoje, a &#8216;pérouser&#8217; descaradamente&#8221;, dir-lhe-ei depois. &#8220;A quê?&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta juventude não lê, ou saberia que La Pérouse é simultaneamente o nome de um navegador francês naufragado em Vanikoro (Júlio Verne <a href="http://fr.wikisource.org/wiki/Page:Verne_-_Vingt_mille_lieues_sous_les_mers.djvu/160">conta a história</a> nas Vinte Mil Léguas Submarinas) e a rua onde vive a Odette de Swann, a mesma que ele pronuncia gulosamente durante uma soirée chez Madame de Saint-Euverte, pouco antes de ouvir  a &#8220;petite phrase&#8221; musical de Vinteuil que tanto o faz sofrer.  O general de Froberville diz que preferia casar com Mme de Cambremer a ser massacrado pelos selvagens, Swann bolina para o assunto que lhe interessa:</p>
<p style="text-align: justify;"><em> – Ah ! lui dit-il, il y a eu de bien belles vies qui ont fini de cette façon&#8230; Ainsi vous savez&#8230; ce navigateur dont Dumont d&#8217;Urville ramena les cendres, </em><strong><em>La Pérouse</em></strong><em>&#8230;(et Swann était déjà heureux comme s&#8217;il avait parlé d&#8217;Odette). C&#8217;est un beau caractère et qui m&#8217;intéresse beaucoup que celui de </em><strong><em>La Pérouse</em></strong><em>, ajouta-t-il d&#8217;un air mélancolique.<br />
– Ah ! parfaitement, </em><strong><em>La Pérouse</em></strong><em>, dit le général. C&#8217;est un nom connu. Il a sa rue.<br />
– Vous connaissez quelqu&#8217;un rue </em><strong><em>La Pérouse</em></strong><em> ? demanda Swann d&#8217;un air agité.<br />
– Je ne connais que Mme de Chanlivault, la sœur de ce brave Chaussepierre. Elle nous a donné une jolie soirée de comédie l&#8217;autre jour. C&#8217;est un salon qui sera un jour très élégant, vous verrez !<br />
– Ah ! elle demeure rue </em><strong><em>La Pérouse</em></strong><em>. C&#8217;est sympathique, c&#8217;est une jolie rue, si triste.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="font-style: normal;">A rua pode ser triste mas a cena é cómica, à força da repetição: atente-se (sublinhados meus) na quantidade de vezes que Swann diz o nome do almirante francês, à l&#8217;insu do general, como quem esfrega as palavras na cara do interlocutor. Barthes dizia que a linguagem é uma pele: &#8220;je frotte mon langage contre l&#8217;autre&#8221;. E o outro, na ausência do ser amado, pode ser qualquer pessoa, um confidente que não está dentro do segredo, que não sabe, pois, que Odette vive na rue La Pérouse ou que a Alemanha castelhanófona alberga o alemão anónimo &#8220;qui est là, au bout de mes maximes&#8221;. Este recurso a &#8220;alocuções secretas&#8221;, como lhe chama Barthes, faz de tal forma parte do comportamento amoroso que é estranho que os antropólogos não o tenham ainda baptizado com um termo que identifique universalmente o fenómeno.</span></em></p>]]></content:encoded>
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		<title>Abaixo o Renato Teixeira, por andar a dormir em serviço</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Feb 2011 01:28:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8230;e não postar os linquinhos in a timely manner, obrigando-me a mim, uma calaceira com méritos firmados, a procurar sozinha os artigos do Robert Fisk (este e este de ontem, este e este de hoje). Shame on you!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">&#8230;e não postar os linquinhos in a timely manner, obrigando-me a mim, uma calaceira com méritos firmados, a procurar sozinha os artigos do Robert Fisk (<a href="http://www.independent.co.uk/news/world/middle-east/they-didnt-run-away-they-faced-the-bullets-headon-2219267.html">este</a> e <a href="http://www.independent.co.uk/opinion/commentators/fisk/robert-fisk-dark-humour-in-a-time-of-dictatorship-2219317.html">este</a> de ontem, <a href="http://www.independent.co.uk/news/world/middle-east/blooms-replace-bullets-in-bahrain-while-the-region-hits-boiling-point-2220132.html">este</a> e <a href="http://www.independent.co.uk/opinion/commentators/fisk/robert-fisk-these-are-secular-popular-revolts-ndash-yet-everyone-is-blaming-religion-2220134.html">este</a> de hoje). Shame on you!</p>]]></content:encoded>
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		<title>Por falar nisso, eis o meu new diary-agenda</title>
		<link>http://5dias.net/2011/02/17/por-falar-nisso-eis-o-meu-new-diary-agenda/</link>
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		<pubDate>Thu, 17 Feb 2011 05:00:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Cansada de ter de me lembrar sozinha, sem auxiliares de memória, dos dias em que não posso marcar nada para poder faltar tranquilamente ao italiano, entre outros compromissos que faço por falhar de forma metódica, e como não me habituo &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/02/17/por-falar-nisso-eis-o-meu-new-diary-agenda/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Cansada de ter de me lembrar sozinha, sem auxiliares de memória, dos dias em que não posso marcar nada para poder faltar tranquilamente ao italiano, entre outros compromissos que faço por falhar de forma metódica, e como não me habituo a usar o telemóvel para fazer café e essas multimerdas que eles agora fazem, comprei uma agenda. Não foi a tiragem limitada a 2011 exemplares que me convenceu (uma exclusividade foleira que faz de mim a n. 264/2011, como na tropa), nem a ideia de nomear cada dia com uma efeméride pateta, como esta</p>
<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-57476" title="Abril" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2011/02/copier1-300x168.jpg" alt="" width="300" height="168" /></p>
<p>ou esta</p>
<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-57479" title="Paris" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2011/02/Paris-300x187.jpg" alt="" width="300" height="187" /></p>
<p>ou esta</p>
<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-57481" title="histoire" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2011/02/histoire-201x300.jpg" alt="" width="201" height="300" /></p>
<p style="text-align: justify;">
<p>(todas vagamente inspiradas no <a href="http://fr.wikipedia.org/wiki/Calendrier_pataphysique">calendário inventado pelos patafísicos</a>, mas em versão loucura soft); nem sequer a antevisão de um tempo futuro hiperfraccionado, para satisfação de todos os pretendentes ao ano disto e ao dia daquilo, em hora disso ou minuto dessoutro, &#8221;saturando a história num mundo que parece querer esconjurar o terror de que não se passe nada&#8221; (tradução livre da bula introdutória que acompanha a coisa). Não. O que realmente me convenceu foi</p>
<p><img class="aligncenter size-large wp-image-57482" title="talvez" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2011/02/talvez-479x520.jpg" alt="" width="479" height="520" /></p>
<p>este </p>
<p><img class="aligncenter size-large wp-image-57483" title="trop tard" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2011/02/trop-tard-520x403.jpg" alt="" width="520" height="403" /></p>
<p>marcador. Raramente me senti tão compreendida pela sociedade de consumo.</p>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Se o Assange não estivesse tão obcecado com o imperialismo americano, estas coisas já se sabiam</title>
		<link>http://5dias.net/2011/02/16/se-o-assange-nao-estivesse-tao-obcecado-com-o-imperialismo-americano-estas-coisas-ja-se-sabiam/</link>
		<comments>http://5dias.net/2011/02/16/se-o-assange-nao-estivesse-tao-obcecado-com-o-imperialismo-americano-estas-coisas-ja-se-sabiam/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 16 Feb 2011 02:37:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando não estão a postar como uns desalmados, os camaradas discutem por email as grandes questões do nosso tempo: a revolução dos povos, a morada do melhor chinês da baixa, se o Nuno sou eu ou se eu sou o &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/02/16/se-o-assange-nao-estivesse-tao-obcecado-com-o-imperialismo-americano-estas-coisas-ja-se-sabiam/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Quando não estão a postar como uns desalmados, os camaradas discutem por email as grandes questões do nosso tempo: a revolução dos povos, a morada do melhor chinês da baixa, se o Nuno sou eu ou se eu sou o Nuno, tudo encriptado em código binário e altamente secreto. A razão por que hoje decidi quebrar a confidencialidade do nosso intenso epistolário é de força maior. Há duas horas, mais minuto menos minuto, o António Figueira enviou um email classificado &#8220;URGENTE&#8221; em que pergunta, com o desespero dos info-excluídos, &#8220;o que é que aconteceu <em><strong>aos fonts</strong></em> do nosso blog???&#8221; (sublinhado meu, pontos de interrogação dele). Parece que no backoffice estava tudo em itálico (o que, como se sabe, pode atrasar a marcha inexorável dos posts, quando não do proletariado). Eu não sei o que aconteceu, mas acho que o mundo tem de tomar posição sobre a moção de censura que conto apresentar já a seguir a este ponto final. Podemos adoptar a minha regra de nomear os vocábulos estrangeiros pelo género e artigo usados no equivalente português, excepto quando a mim me soar mal? Ficaríamos assim com &#8220;a cottage&#8221; (a cabana, a casa de campo, a vivenda, tudo feminino) e &#8220;o schedule&#8221; (as in &#8220;what&#8217;s the schedule?&#8221; – programa, horário, etc), mas continuaríamos a dizer impenitentemente &#8220;as fonts&#8221; (parece que se diz &#8220;fontes&#8221; em português, apesar de &#8220;tipos de letra&#8221; servir perfeitamente), e, sobretudo, &#8220;os SMSs&#8221;. Consta-me que em Portugal se diz &#8220;as SMSs&#8221;, o que bate certo com a minha rule de polegar, tratando-se como se trata de mensagens, mas soa horrivelmente ao meu ear &#8211; que, como se sabe, tem poder de veto sobre os meus éditos gramaticais, sem possibilidade de resolver a coisa em segunda votação na Assembleia da República. Não me oponho a que o Zé Nuno resolva esse minor glitch com AS fontes, se é que ainda não está resolvido, mas parece-me que não estamos a dar atenção suficiente a este problem. A questão é: vocês dizem &#8220;uma SMS&#8221;? São coisas como esta que impedem a minha normal convivência com a pátria.</p>
<p style="text-align: justify;">Adenda: entretanto parece que o Carlos Vidal desitalicou o problema. Aguardamos que tome posição sobre os SMS.</p>]]></content:encoded>
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		<title>(.)(.)NA por todas e todas por (.)(.)NA</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Feb 2011 12:56:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Só a mais absoluta indigência e falta de sentido cívico explicam que eu ainda não vos tenha alertado para esta extraordinária descoberta da Menina Limão (blogger, designer e garimpeira-a-dias da música de cortar os pulsos). Estão a ver o &#8220;Eu &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/02/02/na-por-todas-e-todas-por-na/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://5dias.net/2011/02/02/na-por-todas-e-todas-por-na/"><img src="http://img.youtube.com/vi/PW2ZkVb-vDE/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p>Só a mais absoluta indigência e falta de sentido cívico explicam que eu ainda não vos tenha alertado para esta extraordinária descoberta da Menina Limão (blogger, designer e garimpeira-a-dias da música de cortar os pulsos). Estão a ver o &#8220;Eu sou seu sabiá&#8221; (&#8220;se o mundo for desabar sobre a sua cama e o medo se aconchegar sob o seu lençol&#8221;, etc)? É isso sem tirar nem pôr, mas ao contrário. Se não perceberam, <a href="http://meninalimao.blogspot.com/2011/01/na.html">ela explica melhor</a>.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Também acho uma porcaria</title>
		<link>http://5dias.net/2011/02/02/tambem-acho-uma-porcaria/</link>
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		<pubDate>Wed, 02 Feb 2011 11:37:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Espero que isto seja um daqueles anúncios precipitados à la Tina Turner, e que o eremita volte rapidamente aos palcos mundiais, de perninha depilada e madeixas. Saberemos depois pela imprensa especializada que o Judeu lhe ficou com as contas-poupança na &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/02/02/tambem-acho-uma-porcaria/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Espero que <a href="http://ouriquense.blogs.sapo.pt/321574.html">isto</a> seja um daqueles anúncios precipitados à la Tina Turner, e que o eremita volte rapidamente aos palcos mundiais, de perninha depilada e madeixas. Saberemos depois pela imprensa especializada que o Judeu lhe ficou com as contas-poupança na CGD de Ourique, revés financeiro que o obrigará a escrever até ter idade para ser tio-avô do Leonard Cohen, para alegria de muitas famílias.</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://5dias.net/2011/02/02/tambem-acho-uma-porcaria/"><img src="http://img.youtube.com/vi/hnHBO9FY4Ic/2.jpg" alt="" /></a></span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Alguém pode convidar este homem para escrever no 5dias?</title>
		<link>http://5dias.net/2011/01/15/alguem-pode-convidar-este-homem-para-escrever-no-5dias/</link>
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		<pubDate>Sat, 15 Jan 2011 19:21:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu não cumpro o plano quinquenal, não falo sobre as presidenciais nem avanço teorias psico-sociológicas sobre o homicídio do Carlos Castro, mas tenho sentido dos meus deveres cívicos e patrióticos. Por isso, passei parte substancial desta tarde que agora finda a &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/01/15/alguem-pode-convidar-este-homem-para-escrever-no-5dias/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Eu não cumpro o plano quinquenal, não falo sobre as presidenciais nem avanço teorias psico-sociológicas sobre o homicídio do Carlos Castro, mas tenho sentido dos meus deveres cívicos e patrióticos. Por isso, passei parte substancial desta tarde que agora finda a pôr as quotas do sono em dia, e uma parte menos substancial a transcrever a letra da &#8220;Marcha dos Implacáveis&#8221;, a única música conhecida do <a href="http://ipsilon.publico.pt/2011/texto.aspx?id=272603">novo disco do JP Simões</a>, que era para já ter saído mas afinal parece que só em Fevereiro. Rejubilemos.</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://5dias.net/2011/01/15/alguem-pode-convidar-este-homem-para-escrever-no-5dias/"><img src="http://img.youtube.com/vi/QVneDyzF-WE/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p><em>&#8220;Marcha dos Implacáveis&#8221;</em> (ou, como eu prefiro, &#8220;O Pesadelo do Dr. Coiso&#8221;)</p>
<p><em>Hoje<br />
Amanheci assassinado<br />
Depois de um sonho alucinado<br />
A noite inteira eu quis gritar<br />
Vinham de todo o lado mortos-vivos<br />
Que me rasgavam os ouvidos<br />
Com gemidos e aflições<br />
Somos os pobres, pobres, fracos, os párias<br />
A corja de humilhados, de mutilados<br />
Somos as bestas brutas que te assombram<br />
Noite e dia, noite e dia, noite e&#8230;<br />
Quero fugir mas estou sem pernas e sem braços<br />
Passam por mim os meus bagaços<br />
Chove sangue no Rossio<br />
Vou<br />
Em nuvens de ossos e sapatos<br />
E uma espada [?] dos astros<br />
Brotam cobras do vazio<br />
Estou na estação central do reino do medo<br />
Subúrbio dos abismos em hora de ponta<br />
Tudo o que eu temo chega hoje<br />
A raiva, o caos, a culpa, a culpa, a culpa, a culpa</em></p>
<p><em>Quem lá vem?<br />
Ah, quem é que vem com a cara escancarada?<br />
Quem lá vem?<br />
Ah eu sei que vem a rir à gargalhada<br />
É um carnaval de horrores<br />
A marcha dos implacáveis<br />
Quem lá vem vem p’ra te comer<br />
E tu bem sabes que mereces<br />
Reza, agora, reza<br />
Ninguém ouve as tuas preces</em></p>
<p><em>Hoje<br />
Caí da cama &#8220;apavogado&#8221;<br />
Com o pijama ensopado<br />
No tapete de Arraiolos<br />
Depois<br />
Em pleno Conselho de Estado<br />
Fui informado de atentados, de revoltas e explosões<br />
84,9 por cento de três milhões e meio de desempregados<br />
Avançam loucos para São Bento e gritam mata, esfola, mata, esfola, mata<br />
86 por cento em dívida externa<br />
Por gastos opulentos e fraudes bancárias<br />
Economistas flatulentos e ministros fazem fila, fogem, fogem<br />
Vêm crianças tortas, mortas de fome<br />
Os velhos e as viúvas desamparadas<br />
A classe média em peso empunha<br />
Paz, acorda, acorda, acorda, acorda, acorda<br />
E a revolta explode pela província<br />
E culpa-se o patrão e o vizinho do lado<br />
E é fratricídio, homicídio, suicídio, estupro, estupro, estupro, estupro</em></p>
<p><em>Quem lá vem?<br />
Ah, quem é que vem com a cara escancarada?<br />
Quem lá vem?<br />
Ah eu sei que vem a rir à gargalhada<br />
É um carnaval de horrores<br />
A marcha dos implacáveis<br />
Quem lá vem vem p’ra te comer<br />
E tu bem sabes que mereces<br />
[contra mim falo]<br />
Reza, agora, reza<br />
Ninguém ouve as tuas preces</em></p>]]></content:encoded>
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		<title>Hell can wait</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Jan 2011 02:43:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Aqueles que têm paciência para ler o que de vez em quando eu vou escrevendo por aqui, passe o pronome pessoal redundante à la António Figueira, saberão da loucura que de vez em quando me acomete, felizmente ainda com menos &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/01/03/hell-can-wait/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Aqueles que têm paciência para ler o que de vez em quando eu vou escrevendo por aqui, passe o pronome pessoal redundante à la António Figueira, saberão da loucura que de vez em quando me acomete, felizmente ainda com menos frequência, que é tentar, contra as minhas inclinações e a ordem natural das coisas, <a href="5dias.net/2009/11/13/to-do-or-not-to-do/">arrumar os meus papéis</a>. Os fins de ano são dias nefastos, e tal como há quem resolva perder peso, deixar de fumar ou ganhar o Euromilhões, eu decidi que não entraria em 2011 sem a papelada triada e arquivada; evidentemente, como só conto comigo para fazer essas tarefas serviçais, o Ano Novo apanhou-me na mesmíssima. Sossegai porém, portugueses: ontem, dia 2 de Janeiro do corrente, acordei &#8220;de súbito sabendo de todos os papéis / ou outra eternidade que não essa&#8221;, cumprindo um dia mais tarde a resolução de não deixar para amanhã aquilo com que posso chatear-me hoje, mas sentindo-me basicamente tão chateada como antes de ter tudo arrumado. O Natal correu bem, obrigada: na consoada comi a dourada que devia ter cozinhado no dia anterior, adiando o bacalhau para o dia 25 e o peru para o 26, e provando ao mundo que a estirpe de procrastinação de que sofro comporta também, além da incapacidade de adiar a frustração, a variante de adiar as coisas boas, felizmente nem todas. It must run in the family: o meu irmão, com quem tenho algum material genético em comum, passou o Natal comigo, e trouxe com ele uma porrada de russos traduzidos pelo Filipe e pela Nina Guerra, a minha prenda de mim para mim (este ano fui inexcedivelmente generosa comigo). Como não trazia reading materials of his own, atrelou-se à Confissão do Tolstói em que eu estava de olho, mas durante os breves dias que durou a estadia, fez de tudo para a evitar: leu o Doors of Perception, folheou desinteressadamente o Castañeda, torceu o nariz ao De Quincey, e acabando-se-lhe a temática dos vícios, perguntou molemente do sofá: &#8220;Aquilo ali é Graham Greene?&#8221;. Eu tchekhovava com gosto, mas aquilo confundiu-me. &#8220;Não estás a gostar da Confissão?&#8221;. &#8220;Estou a gostar imenso&#8221;. &#8220;Então por que é que insistes em ler tudo o que há para ler antes de acabares a Confissão?&#8221;. Ele então explicou-me que, tendo decidido ler esse livro, lê-lo passara a ser uma tarefa, aprazível, certamente, mas ainda assim uma tarefa. Em suma, se o meu irmão tivesse decidido ler o Doors of Perception em vez da Confissão, teria acabado a Confissão enquanto eu despachava seis Tchékhovs, e ainda lhe sobrava tempo para um Dostoiévski.<br />
Estes fenómenos têm explicações psicanalíticas mais ou menos telegénicas: a incapacidade de adiar recompensas (eles falam assim), a preguiça caída em desgraça nesta época de produtivismo, o perfeccionismo, o medo do fracasso, o medo do sucesso, a natureza impulsiva, a debilidade da vontade, a revolta contra figuras de autoridade, a falta de figuras de autoridade, o medo da morte, o Facebook, etc. I plead guilty to all menos o Facebook, mas desisto de me reformar. Não há nada mais irritante que o entusiasmo dos neófitos, e como eu aos 37 anos já vou tarde para começar, se tudo correr como os astros apontam e o 5dias não implodir entretanto, daqui a um ano aqui me terão a queixar-me da papelada e do difícil que é em qualquer conjuntura uma pessoa ser eu. Feliz Ano Na Mesma para vocês também.</p>]]></content:encoded>
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		<title>You took me by surprise (dedicado ao Julian)</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Dec 2010 13:15:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[WikiLeaks]]></category>

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		<description><![CDATA[]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="425" height="349"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/DUcuxvRkybo?version=3&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="349" src="http://www.youtube.com/v/DUcuxvRkybo?version=3&amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Este post, parecendo que não, é político</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Dec 2010 13:10:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[WikiLeaks]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;But the Almighty Lord hath struck him, and hath delivered him into the hands of a woman.&#8221; — The Vulgate, Judith, xvi. 7 Nietzsche dizia que a prova da inferioridade das mulheres se via no facto de terem passado milénios &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/12/10/este-post-parecendo-que-nao-e-politico/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;<em>But the Almighty Lord hath struck him,<br />
and hath delivered him into the hands of<br />
a woman.</em>&#8221; — The Vulgate, Judith, xvi. 7</p>
<p style="text-align: justify;">Nietzsche dizia que a prova da inferioridade das mulheres se via no facto de terem passado milénios na cozinha sem terem desenvolvido uma teoria geral da nutrição, mas isso foi porque levou tampa da Lou Salomé e da Cosima e por causa de umas sanchas que lhe caíram mal. <em>Ceci dit</em>, há que reconhecer que nem sempre usámos os ingredientes ao nosso dispor para cozinhar a revolução. Exemplos históricos da união feminina em prol da mudança social? Lísistrata &amp; as Mães de Bragança. Dir-me-ão que o primeiro caso é de ordem ficcional, e o segundo é mau demais para ser verdade, mas é não ter em conta o poder dos arquétipos na conformação da realidade. Em ambos os casos, as mulheres usam o sexo com a mesma extensão dos poderes do Presidente da República: vetam. Dar o corpo ao manifesto, que é bom, népias. O que faz o mulherio, nomeadamente de esquerda, perante o cerco à liberdade de expressão que nos preocupa a todas? Googla fotos do Assange e suspira (com a meritória excepção da <a href="http://wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com/search/label/Julian%20Assange">Ana Cristina Leonardo</a>*, que suspira, googla fotos do gajo e serve-o às postas como prato do dia). Ora os tempos que atravessamos exigem novas formas de luta, formas criativas de luta. Quando alguém é vítima de uma acusação caluniosa, não falta quem venha dizer &#8220;somos todos vítimas-de-manobras-caluniosas&#8221;, numa espécie de &#8220;je m&#8217;accuse&#8221; solidário; como não podemos ser o Assange, resta-nos o &#8220;queremos todas ser surpreendidas pelo Assange&#8221;. Enfim, para quando um movimento &#8220;Surprise me&#8221;? Seria uma espécie de let&#8217;s call the girls bluff of, porque ninguém ignora que a acusação de violação – mesmo a violação between consenting adults, como parece ter sido o caso – tem o poder de uma mancha de crude a alastrar pelo oceano, indeferindo liminarmente o contraditório e levando ao arquivamento do sentido crítico da opinião pública internacional. Mulheres de todo o mundo, uni-vos! Não é só a liberdade das sociedades ocidentais ou a reputação do Assange que justifica o apelo às armas, é também a reputação feminina que está em causa: aquela loira gira que acusa o Assange e a outra que não aparece nas fotos mas também não deve ser má são as últimas de uma longa lista de castradoras sexy encabeçadas por Salomé, Judite e Dalila, o mito da mulher que faz perder a cabeça ao desprotegido sexo forte. Urge demarcarmo-nos destes baixos <em>agissement</em>s. Acredito que nem todas achem o Assange simpático, que haja quem prefira homens mais baixos ou mais gordos, ou que agora não lhes apeteça; mas a causa da liberdade exige sacrifícios e abnegação, e as refractárias podem sempre seguir os conselhos das Braganza mothers&#8217; mums: lie back and think of Sweden.</p>
<p style="text-align: justify;">* A Ana Cristina Leonardo é, de todas as bloggers do ano não nomeadas para blogger do ano, a que tem mais intenções de voto nas minhas sondagens.</p>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Traz Outro Voto Também (hino de campanha)</title>
		<link>http://5dias.net/2010/12/09/traz-outro-voto-tambem-hino-de-campanha/</link>
		<comments>http://5dias.net/2010/12/09/traz-outro-voto-tambem-hino-de-campanha/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 09 Dec 2010 19:58:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Morgada Companheira e camarada Estamos contigo se vieres por bem Sempre que o mundo desaba Podemos contar que não escrevas nada Se houver alguém que conheças Diz-lhe que vote também Em rascunho Os teus posts ficaram Em toda a parte &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/12/09/traz-outro-voto-tambem-hino-de-campanha/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Morgada<br />
Companheira e camarada<br />
Estamos contigo se vieres por bem<br />
Sempre que o mundo desaba<br />
Podemos contar que não escrevas nada</p>
<p>Se houver alguém que conheças<br />
<a href="http://combateblogs.blogspot.com/">Diz-lhe que vote também</a></p>
<p>Em rascunho<br />
Os teus posts ficaram<br />
Em toda a parte<br />
Gazetaste bem<br />
Em toda a parte<br />
Gazetaste bem</p>
<p>Se já votaste Morgada<br />
<a href="http://combateblogs.blogspot.com/"> Vota noutro computador também</a></p>
<p>(download disponível em breve para telemóvel)</p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://5dias.net/2010/12/09/traz-outro-voto-tambem-hino-de-campanha/feed/</wfw:commentRss>
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		</item>
		<item>
		<title>Somos a maior</title>
		<link>http://5dias.net/2010/12/08/somos-a-maior/</link>
		<comments>http://5dias.net/2010/12/08/somos-a-maior/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 08 Dec 2010 12:56:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[O camarada Tiago Mota Saraiva e moi-même fomos nomeados bloggers do ano no combate de blogues. O Tiago é internacionalmente conhecido pelo seu labor stakhanovista, mas eu devo ter sido nomeada por Deus, porque duvido que o primeiro-ministro assuma responsabilidades &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/12/08/somos-a-maior/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O camarada Tiago Mota Saraiva e moi-même fomos nomeados bloggers do ano no <a href="http://combateblogs.blogspot.com/">combate de blogues</a>. O Tiago é internacionalmente conhecido pelo seu labor stakhanovista, mas eu devo ter sido nomeada por Deus, porque duvido que o primeiro-ministro assuma responsabilidades neste vergonhoso ajuste directo que muito nos honra. Benfiquismos à parte, é um combate entre duas mundividências, um choque de bloguizações: o Tiago é da escola arquitectónica à dúzia é mais barato; eu inaugurei um género, a blogger que não bloga. Trabalho vs indigência. Nesta sociedade corrupta rendida aos valores da produtividade, é um combate perdido à partida. Mas pronto, na segunda volta podemos todos engolir um sapo e apelar ao voto útil na esquerda produtiva.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Dança comigo</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Dec 2010 15:05:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Ao terceiro bitoque que Mané lhe comeu, veio a declaração. Bonitinha, gosto de ti desde o primeiro dia que te vi. Isso tinha sido três dias antes: D. Lina viu-o entrar com outro angolano, o outro mais baixo e mais &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/12/05/danca-comigo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Ao terceiro bitoque que Mané lhe comeu, veio a declaração. Bonitinha, gosto de ti desde o primeiro dia que te vi. Isso tinha sido três dias antes: D. Lina viu-o entrar com outro angolano, o outro mais baixo e mais preto, os dois encolhidos com o briol português, quem acha que o Alentejo é quente havia de lá sofrer o Inverno, e enquanto lhes desfiava o prato do dia, fruta ou sobremesa à escolha, o alto não tirou os olhos dela. Não ligou: marcha-atrás, ó Mané, já me tinham dito que os africanos têm muito blá-blá, mas ver-te e amar-te questão de um instante, volta atrás, ó cavaleiro. &#8220;Estou a perceber. Queres uma recapitulação?&#8221;. Recapitulou. Dois dias depois já D. Lina dançava o Kizomba. O café passou a fechar mais cedo. No andar de cima, o candeeiro fazia horas extra. D. Lina deitava contas à vida. Um ex-marido a cheirar a aguardente, uma filha em Lisboa, outra na emigração, a vida e a anca a arredondar-se para pior no final do mês. Os tempos iam maus para o negócio, mas D. Lina sorria. O que era preciso era diversificar: passou a servir, além das migas fritas em unto, música ao vivo aos sábados e peixe frito com tomatada de limão. Malagueta e funaná. Num instante tinha no café a África subsariana em peso, a que de dia trabalhava na construção do shopping A Vida é Bela, nos arrabaldes de, e à noite gastava os euros em vinho da casa e cachupa à alentejana. Os portugueses tinham dado às de city diogo para construir shoppings no Canadá, os que ficavam só tinham olhos para o Benfica ou iam a Espanha comprar caramelos, e já nem os ucranianos queriam nada com isto. Alguns cabo-verdianos. O café continuou a fechar mais cedo para D. Lina fazer contas com o Mané, mas até a brava senhora dar o sinal do recolher obrigatório, dançava-se bochecha com bochecha. A integração em curso era digna dos maiores louvores da Alta Comissária para a Imigração. A RTP reportou. &#8220;Os africanos&#8221;, observou a Carmen da mercearia para um grupo de activistas dos direitos dos imigrantes, &#8220;são mais limpos, mais educados e mais evoluídos que os portugueses&#8221;. Não disse que tinham mãos mais capazes para o trabalho porque não quis ser mal interpretada, mas lá que eram gente mais rija, lá.<br />
Nesse ano aconteceram coisas estranhas: para começar, nevou, sinal de que até o tempo andava doido. A procura de depilação brasileira a frio aumentou 82,3%. Mulatos faziam vai-e-vem entre a pensão Portalegre e as casas das melhores viúvas. Diz-se que D. Zeza, que fazia doces para fora e abastecia de bolo de bolacha e quindins o café de D. Lina, se encheu de ímpetos colonialistas e barrou um guineense inteiro com mousse de chocolate. Más línguas. A vida, desde que os africanos arribaram ao Alentejo, ficou muito mais melhor.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Pornografia na blogosfera</title>
		<link>http://5dias.net/2010/12/04/pornografia-na-blogosfera/</link>
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		<pubDate>Sat, 04 Dec 2010 15:39:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[D. Sancha apanhada nas redes da máfia russa.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://nefriakai-1.blogspot.com/2010/12/ghost-in-translation-2.html">D. Sancha apanhada nas redes da máfia russa</a>.</p>]]></content:encoded>
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		<title>O Vermelho e o Negro confirma a excelente bitola exibicional que vem exibindo nesta segunda época</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Dec 2010 01:10:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[O que se perde na tradução poderia ser minorado se não existissem os «bons revisores», mas eu prefiro chamar-lhes correctores (porque corrigem e dão correctivos). São os betinhos da forma escrita, eu chamo-lhes correctinhos. Os «bons revisores» são contratados para &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/12/02/o-vermelho-e-o-negro-confirma-a-excelente-bitola-exibicional-que-vem-exibindo-nesta-segunda-epoca/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>O que se perde na tradução poderia ser minorado se não existissem os  «bons revisores», mas eu prefiro chamar-lhes correctores (porque  corrigem e dão correctivos). São os betinhos da forma escrita, eu  chamo-lhes correctinhos. Os «bons revisores» são contratados para  policiar textos traduzidos, até sabem um pouquinho de inglês e de  francês, é-lhes facultado o original e, onde o original inova, foge à  ordem, faz boa escrita original com chama e vida, os correctinhos repõem  a ordem estabelecida, banalizam, gramaticalizam, brandem o cliché,  complicam (são burocratas) e tornam tudo muito, muito pesado. São os  funcionários exemplares da língua. Tenho até a impressão de que os  inventores do «quão», do «imenso charme» e do «algo» foram os  correctinhos e não os tradutores. Os editores gostam deles, mesmo quando  são editores-escritores muito criativos, mas consta que não lhes  entregam os seus livros para rever. Já dou exemplos, mas agora vou fumar  um cigarro que já estou a ficar nervoso.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://nefriakai-1.blogspot.com/2010/11/ghost-in-translation.html">(continue a ler para chegar ao neologismo &#8220;gralhicida&#8221;, em rigoroso exclusivo para a blogosfera)</a></strong><em><br />
</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><br />
</em></p>
<p style="text-align: justify;">]]></content:encoded>
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		<title>O manô Leminski</title>
		<link>http://5dias.net/2010/11/30/o-mano-leminski/</link>
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		<pubDate>Tue, 30 Nov 2010 22:25:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Já me matei faz muito tempo Me matei quando o tempo era escasso E o que havia entre o tempo e o espaço Era o de sempre Nunca mesmo o sempre passo Morrer faz bem à vista e ao baço &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/11/30/o-mano-leminski/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Já me matei faz muito tempo<br />
Me matei quando o tempo era escasso<br />
E o que havia entre o tempo e o espaço<br />
Era o de sempre<br />
Nunca mesmo o sempre passo</p>
<p>Morrer faz bem à vista e ao baço<br />
Melhora o ritmo do pulso<br />
E clareia a alma</p>
<p>Morrer de vez em quando<br />
É a única coisa que me acalma&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Paulo Leminski (1944-1989), escritor, poeta, tradutor e professor brasileiro, faixa-preta de <a title="Judô" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jud%C3%B4">j</a>udô (<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_Leminski">cito</a>). É dele a letra de uma música de Caetano Veloso, &#8220;Verdura&#8221;, <a href="http://letras.terra.com.br/caetano-veloso/1066720/">aqui amortalhada pelo jovem Alejo</a>. É possível que alguns de entre vós não achem tanta graça ao vídeo como eu, que o nome do poeta não vos faça pensar no suicídio em massa dos lemmings, e que não fiquem depois a saber pela <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Lemming">Wikipédia</a> que se trata afinal de um mito cozinhado com a conivência da Disney, que suicidou milhares destes bichos para um documentário. Enfim, nem todos terão decidido que hoje era um excelente dia para abrir o Rosso di Montalcino, z. agr. Pian dell&#8217;Orino, 2007, reservado para ocasiões especiais em que não se passa rigorosamente nada (e é pena).</p>]]></content:encoded>
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		<title>Redacção do &#8220;Que diz o pivô&#8221; junta-se à Greve Geral. Cão também faz greve</title>
		<link>http://5dias.net/2010/11/23/redaccao-do-que-diz-o-pivo-junta-se-a-greve-geral-cao-tambem-faz-greve/</link>
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		<pubDate>Tue, 23 Nov 2010 15:59:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[O Pedro Penilo furou a greve que durava há mais de um ano – viva o Pedro Penilo! É ir ler, camaradas, é ir ler.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-51159" title="pivô_grevegeral" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/11/pivô_grevegeral.jpg" alt="" width="400" height="362" />O Pedro Penilo furou a greve que durava há mais de um ano – viva o Pedro Penilo! É ir ler<a href="http://quedizopivo.blogspot.com/2010/11/o-pivo-voltou-para-logo-levar-com-greve.html"></a>, camaradas, é <a href="http://quedizopivo.blogspot.com/2010/11/o-pivo-voltou-para-logo-levar-com-greve.html">ir ler</a>.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Nova táctica de Black Bloc testada no campo de treino do 5dias</title>
		<link>http://5dias.net/2010/11/20/nova-tactica-de-black-bloc-testada-no-campo-de-treino-do-5dias/</link>
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		<pubDate>Sat, 20 Nov 2010 01:03:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://5dias.net/2010/11/20/nova-tactica-de-black-bloc-testada-no-campo-de-treino-do-5dias/"><img src="http://img.youtube.com/vi/ze9l1-6se8k/2.jpg" alt="" /></a></span></p>]]></content:encoded>
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		<title>O slideshow também é uma arma</title>
		<link>http://5dias.net/2010/11/17/o-slideshow-tambem-e-uma-arma/</link>
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		<pubDate>Wed, 17 Nov 2010 11:58:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Com videozinho.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-50866" title="Cavaco 1" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/11/Cavaco-1.png" alt="" width="667" height="472" /></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-50871" title="Pé de atleta" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/11/Pé-de-atleta.png" alt="" width="662" height="476" /></p>
<div><img class="aligncenter size-full wp-image-50867" title="Cavaco 2" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/11/Cavaco-2.png" alt="" width="668" height="474" /></div>
<div><img class="aligncenter size-full wp-image-50868" title="Cavaco 3" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/11/Cavaco-3.png" alt="" width="669" height="475" />Com <a href="http://cavacosilva.pt/slideshow/vida/">videozinho</a>.</div>]]></content:encoded>
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		<title>Não vás embora mamã, não me deixes aqui</title>
		<link>http://5dias.net/2010/11/17/nao-vas-embora-mama-nao-me-deixes-aqui/</link>
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		<pubDate>Wed, 17 Nov 2010 00:58:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Viste as novas fotos que a C. pôs no Facebook?&#8221;. Eu não tenho Facebook, e parece abjuração ou esconjuro, tantas vezes digo a frase, &#8220;estás a perder a moda dos desenhos animados preferidos no Facebook!&#8221;, alerta o meu irmão, &#8220;as &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/11/17/nao-vas-embora-mama-nao-me-deixes-aqui/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">&#8220;Viste as novas fotos que a C. pôs no Facebook?&#8221;. Eu não tenho Facebook, e parece abjuração ou esconjuro, tantas vezes digo a frase, &#8220;estás a perder a moda dos desenhos animados preferidos no Facebook!&#8221;, alerta o meu irmão, &#8220;as fotos&#8221;, insiste Sir T., &#8220;as fotos da C. no Facebook&#8221;. &#8220;Olha que devias vê-las, estás muito gira&#8221;. I beg your pardon? &#8220;Estás muito gira nas fotos em que apareces com a C. São do casamento da A., não as viste?&#8221;. Não, não as vi; quantos amigos da C. (que podem ou não ser meus amigos, ou amigos dela, já agora) viram as minhas fotos, aquelas em que estou muito gira e as que meu deus, era o vinho, meu deus, era o whisky, só deus sabe, se tiver Facebook; calhando, a C. legendou-as ou alguém lhes pôs uma tag, que eu não tenho Facebook mas falo feicebuquês, não pensem. Dou por mim a desejar que a vida real viesse com aquele botão do desamigar acoplado, click. &#8220;Great pictures, devias vê-las&#8221;. Como, se não tenho Facebook, porra? &#8220;Oh, ela é tua amiga, de certeza que tas mostra&#8221;.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Acto pelo qual perdoo ao João Lisboa as simpatias pró-National</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Nov 2010 21:26:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://5dias.net/2010/11/15/acto-pelo-qual-perdoo-o-joao-lisboa-pelas-simpatias-pro-national/"><img src="http://img.youtube.com/vi/EXAvi1vjs_o/2.jpg" alt="" /></a></span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Processo de Reaportuguesamento em Curso</title>
		<link>http://5dias.net/2010/11/14/processo-de-reaportuguesamento-em-curso/</link>
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		<pubDate>Sun, 14 Nov 2010 13:42:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[A televisão, no tempo em que ela era monogâmica, alimentava metade das conversas do dia seguinte, unindo a nação no cimento comum da cultura popular. Éramos todos portugueses porque sabíamos todos a última rábula do Herman (ou pelo menos a &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/11/14/processo-de-reaportuguesamento-em-curso/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/KDaZz8aVdns?fs=1&amp;hl=pt_BR"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/KDaZz8aVdns?fs=1&amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">A televisão, no tempo em que ela era monogâmica, alimentava metade das conversas do dia seguinte, unindo a nação no cimento comum da cultura popular. Éramos todos portugueses porque sabíamos todos a última rábula do Herman (ou pelo menos a tese era essa), e por isso houve quem temesse que o advento dos novos canais (televisões e internet) viesse comprometer a coesão nacional. Quero garantir-vos que a união está salva. Eu não tenho televisão, não tenho Facebook, uso o Youtube com moderação (para ouvir o JP Simões ou a <a href="http://www.youtube.com/watch?v=8uQ9ybSgnTg">onça</a> do Creature Comforts &#8211; ultimamente também clássicos da música country dos anos 70), quase não recebo emails &#8220;Fw: Fw: Fw: Fw&#8221;, e saí de Portugal há tempo suficiente para ir perdendo as grandes referências que franqueiam o acesso à &#8220;appartenance&#8221; nacional. Mas depois vou de férias e estrago tudo. Desta vez vim de lá a saber em que circunstâncias de tempo e lugar se pode usar a frase &#8220;<em>e eu dei-lhe o grito: &#8216;nããããããoooo!</em>&#8216;&#8221;, e apesar de ignorar, tal como os restantes 10 milhões de portugueses mais os cinco que andam cá fora a fazer pela vida, quem é o pai da criança, sou capaz de trautear, quase três meses depois, o refrão inteiro da canção. Perante isto, quaisquer juízos estéticos são inúteis: é indiferente se gosto ou não de música pimba, se me rio com os apanhados ou os acho boçais, e se as notícias que me chegam diariamente da pátria me fazem corar de vergonha: eu SEI. Não há volta a dar-lhe, sou uma de vós.</p>]]></content:encoded>
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		<title>A Rede Social (spoiler warning)</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Nov 2010 11:19:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[No fundo houve traições, amizades destruídas, dinheiro, tribunais. Tudo para que um dia fosse possível alguém partilhar com o mundo: &#8220;ppl preciso de telhas pró estábulo&#8221;. (encontrado aqui)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><a href="http://thesockgap2.blogspot.com/2010/11/facebook.html">No fundo houve traições, amizades destruídas, dinheiro, tribunais. Tudo para que um dia fosse possível alguém partilhar com o mundo: &#8220;ppl preciso de telhas pró estábulo&#8221;.</a> </p></blockquote>
<p>(encontrado <a href="http://horas-perdidas.blogspot.com/2010/11/facebook.html">aqui</a>)</p>]]></content:encoded>
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		<title>Prix M&#8217;As Tu Lu*</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Nov 2010 12:41:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Acabo de receber, émue, os prémios O Luís M. Jorge Lê-Me, o João Lisboa Lê-me e a Ana Cristina Leonardo &#8220;Rules&#8221; Também Passa os Olhos Por Mim. Eu já tinha sido agraciada com o Goncourt Eu Leio O Luís M. &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/11/12/prix-mas-tu-lu/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-50608" title="skrotinhos" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/11/skrotinhos.gif" alt="" width="231" height="206" /><br />
Acabo de receber, émue, os prémios <a href="http://vidabreve.wordpress.com/2010/11/10/foi-voce-que-pediu-outra-corrente/"><strong>O Luís M. Jorge Lê-Me</strong></a>, o <a href="http://lishbuna.blogspot.com/2010/11/o-luis-m.html"><strong>João Lisboa Lê-me</strong></a> e a <a href="http://wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com/2010/11/como-sou-uma-mulher-livre-atiro-dardos.html"><strong>Ana Cristina Leonardo &#8220;Rules&#8221; Também Passa os Olhos Por Mim</strong></a>. Eu já tinha sido agraciada com o Goncourt Eu Leio O Luís M. Jorge, nas vertentes prosa e poesia, o Anti-MTV Award Eu Leio O João Lisboa, e o Michelin três estrelas Eu Sou Cliente da Pastelaria, por isso o Luís M. Jorge, o João Lisboa e a Ana Cristina Leonardo podem ficar descansados que os prémios ficam numa casa decente, embora com um rendimento per capita inferior à ambição dos agentes económicos. Na impossibilidade de nomear outros nas mesmas categorias, passo a atribuir em alternativa o mui cobiçado galardão <strong>Não Sei Se o Luís M. Jorge e o João Lisboa ou a Ana Cristina Leonardo Te Lêem Mas Eu Leio-te e Gostava de Te Ler Mais Vezes</strong> (em referências futuras, &#8220;prémio Leio&#8221;), lamentavelmente não monetário nem reembolsável por outras contrapartidas, às seguintes pessoas e obras:</p>
<p>&#8212;&gt; <a href="http://quedizopivo.blogspot.com/">Pedro Penilo</a>, pela autoria e confecção de um dos melhores e mais injustamente ignorados blogues de sempre (e que falta nos fazia);<br />
&#8212;&gt; <a href="http://ladyohmydog.blogspot.com">Lady Oh My Dog!</a>, pela inesquecível <a href="http://ladyohmydog.blogspot.com/2010/03/o-prato-do-dia.html">imagética</a> envolvendo <a href="http://ladyohmydog.blogspot.com/2010/02/recompensas-e-que-era.html">mama</a>s e <a href="http://ladyohmydog.blogspot.com/2010/01/pus-um-bambi-porque-nunca-tinha.html">ovários</a>, e por ser, ontológica e metafisicamente falando, uma das bloggers com mais graça deste lado do hemisfério, toutes catégories confondues;<br />
&#8212;&gt; <a href="http://nefriakai-1.blogspot.com">GAF</a> (entrada directa por ter denunciado um <a href="http://acausafoimodificada.blogs.sapo.pt/">inimigo do povo</a> e por ter cunhado a expressão &#8220;<a href="http://nefriakai-1.blogspot.com/2010/10/racismo-politico.html">de etnia comunista</a>&#8220;, suficiente para o imortalizar nos séculos vindouros);<br />
&#8212;&gt; João Gaspar, por ter mau feitio e <a href="http://ma-caligrafia.blogspot.com/">pior caligrafia</a>;<br />
&#8212;&gt; Tiago Ribeiro, do <a href="http://minoriarelativa.blogspot.com/">Minoria Relativa</a>, que, não se nota, mas <a href="http://5dias.net/author/tmcribeiro">também escreve para nó</a>s;<br />
&#8212;&gt; <a href="http://ouriquense.blogs.sapo.pt/">Ouriquense</a>, por ser, a todos os títulos, uma gaja honorária, e também por gostar de nós (este prémio encoraja o proselitismo);<br />
&#8212;&gt; <a href="http://www.tempocontado.blogspot.com/">Tempo Contado</a>, pelo transmontanismo militante, pedindo postecipadamente desculpa por este post incluir a palavra &#8220;mamas&#8221; (não sei se &#8220;ovários&#8221; conta, mas peço desculpa também).</p>
<p>As pessoas referidas neste rol podem ficar descansadas, que eu leio-as sem mexer os lábios, clico com jeitinho nos links e quando saio deixo tudo no mesmo sítio.<br />
Obrigada a todos e desculpem.</p>
<p><em>* tb conhecido por prémio Dardos, que se traduz em referências descaradamente apologéticas de blogues a outros blogues (distinção nem sempre agradável para os destinatários, que podem ser surpreendidos com o prémio A Câmara Corporativa Lê-vos e Gosta Do Que Lê). Não envolve qualquer obrigação de compra.</em></p>]]></content:encoded>
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		<title>Portugal también existe</title>
		<link>http://5dias.net/2010/11/11/portugal-tambien-existe/</link>
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		<pubDate>Thu, 11 Nov 2010 09:43:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="480" height="270"><param name="movie" value="http://www.eljueves.es/mp/73BBBC501B7226ED0AEF7C20F771A4C2.swf"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.eljueves.es/mp/73BBBC501B7226ED0AEF7C20F771A4C2.swf" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="270"></embed></object></p>]]></content:encoded>
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		<title>“A classic of lost love and nimble fingers on a keyboard”</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Nov 2010 18:31:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[I know all there is to know about the tagging game]]></category>
		<category><![CDATA[Vai chamar Morgadinha dos canaviais à tua tia]]></category>

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		<description><![CDATA[]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="640" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Z5ErKq4o4sQ?fs=1&amp;hl=pt_BR"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/Z5ErKq4o4sQ?fs=1&amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="640" height="385"></embed></object></p>]]></content:encoded>
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		<title>A cantiga é uma arma</title>
		<link>http://5dias.net/2010/11/09/a-cantiga-e-uma-arma/</link>
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		<pubDate>Mon, 08 Nov 2010 23:56:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Isto (não sei como chamar-lhe), a que cheguei pela mão do João Lisboa, está disponível em versão para toque de telemóvel. Acho que é chegada a hora de as mãos de todos nós se erguerem, pegarem na caneta que tiverem &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/11/09/a-cantiga-e-uma-arma/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://soundcloud.com/cavacosilva2011/hino-oficial-de-campanha-cavaco-silva-2011">Isto</a> (não sei como chamar-lhe), a que cheguei pela mão do <a href="http://lishbuna.blogspot.com/2010/11/erguer-portugal-esta-na-nossa-mao-amar.html">João Lisboa</a>, está disponível em versão para <a href="http://soundcloud.com/cavacosilva2011/toque-telemovel-hino-oficial-de-campanha-cavaco-silva-2011">toque de telemóvel</a>. Acho que é chegada a hora de as mãos de todos nós se erguerem, pegarem na caneta que tiverem mais à mão, e assinarem uma petição para que Cavaco Silva volte a fazer campanha em outdoors – custe o que custar!</p>]]></content:encoded>
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		<title>Como perder amigos e não exercer puto de influência nas pessoas</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Nov 2010 18:36:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[A conversa rolava formosa e não segura sobre temáticas de desinteresse geral, o trabalho, a crise, os filmes que temos visto e os filmes a evitar, o tempo que faz lá fora, o mal que está Portugal, quando deu uma &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/11/06/como-perder-amigos-e-nao-exercer-puto-de-influencia-nas-pessoas/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A conversa rolava formosa e não segura sobre temáticas de desinteresse geral, o trabalho, a crise, os filmes que temos visto e os filmes a evitar, o tempo que faz lá fora, o mal que está Portugal, quando deu uma guinada para a direita e se dirigiu perigosamente para as ravinas do amor (perdão, Amor). Comentava-se a elevada taxa de divórcios (ao que parece, um em cada dois casamentos acaba em separação), quando alguém sentenciou que os casamentos falham porque as pessoas &#8220;deixaram de lutar pelo amor&#8221; (o que a mim me fez logo pensar em confrontos entre activistas do partido dos Amantes pela Manutenção da Ortodoxia nas Relações e a polícia de choque, assim uma espécie de manifs de solteiros contra casados, com palavras de ordem, cabeças partidas e cocktails molotov). Nesta altura, que fiz eu? a) Travei, como os bons condutores? b) Guinei para a esquerda, para endireitar a direcção? c) Saltei do carro em andamento? d) Encomendei a alma ao criador? a) Não, b) não, c) não d) e não. I should have known better (e normalmente sei), mas fosse por causa da taxa de alcoolemia ou do desgaste da paciência que os mercados vêm acusando, observei que de qualquer forma o casamento por amor era uma criação recente, que podíamos sempre inventar outra coisa, e devíamos aliás inventar outra coisa, porque isto de ir a casamentos de ateus confessos em igrejinhas barrocas para depois a malta se divorciar antes de dar uso à baixela é giro, e tal, mas com a emancipação da mulher e o paradigma da satisfação pessoal que bem ou mal nos rege a todos, foi chão que já deu uvas. Julgava eu que estava a constatar o óbvio, e censurei-me até por debitar tanta sociologia de bolso, mas então uma amiga avança de cotovelos na mesa e olhos em brasa e diz-me que a culpa de as coisas estarem como estão é de pessoas como eu, &#8220;que não acreditam no amor&#8221;, e se lhe dou licença e não me causa transtorno, ela continuará a acreditar no tal do amor contra ventos e estatísticas. Eu posso ser a cínica de que me acusam mas sou uma mãos largas, por isso autorizei-a logo ali, no uso dos meus poderes absolutos, a acreditar no amor, no Sporting, na transmigração das almas, nos anões da tia Verde Água e na Fada Sininho &#8211; embora toda a gente saiba que, por mais palmas que os meninos batam, o Sporting não vai ser campeão. Este absolutismo com que se considera o amor uma coisa tão natural como a fotossíntese, em vez da construção social que evidentemente também é, não tolera  dissidentes. Um amigo que frequenta um clube de encontros na internet, perante a quantidade de mulheres que declaram estar à espera do &#8220;right one&#8221;, ousou sugerir que namorassem com ele enquanto esperam &#8211; e eu, que o conheço, sei que ele não quis ofender as convicções religiosas de ninguém. Pois esteve a ponto de ser banido pelas integristas do amor: hell hath no fury like a woman who thinks love (perdão, Love) is being scorned.</p>]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Bolachas deprimentes e outras coisas boas</title>
		<link>http://5dias.net/2010/11/05/bolachas-deprimentes-e-outras-coisas-boas/</link>
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		<pubDate>Thu, 04 Nov 2010 23:54:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[As bolachas ainda estão em protótipo, mas neste blogue há carimbos para editores e escritores de sucesso, lembretes para jornalistas de esquerda, títulos honoríficos prontos a carimbar, insultos em várias línguas, e o resto vão lá ver que procurar os links, copiar os &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/11/05/bolachas-deprimentes-e-outras-coisas-boas/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-50075" title="gaufrettes_1" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/11/gaufrettes_1.jpg" alt="" width="400" height="218" /><br />
<img class="aligncenter size-full wp-image-50077" title="gaufrettes_personne" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/11/gaufrettes_personne.jpg" alt="" width="400" height="216" /><br />
<img class="aligncenter size-full wp-image-50079" title="gaufrettes_2" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/11/gaufrettes_2.jpg" alt="" width="400" height="220" /><br />
<img class="aligncenter size-full wp-image-50080" title="gaufrettes_4" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/11/gaufrettes_4.jpg" alt="" width="400" height="218" /><br />
<img class="aligncenter size-full wp-image-50082" title="gaufrettes_5" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/11/gaufrettes_51.jpg" alt="" width="400" height="219" /><br />
<img class="aligncenter size-full wp-image-50084" title="gaufrettes_6" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/11/gaufrettes_6.jpg" alt="" width="400" height="231" /></p>
<p>As <a href="http://le-tampographe-sardon.blogspot.com/2010/07/gaufrettes-deprimantes.html">bolachas</a> ainda estão em protótipo, mas <a href="http://le-tampographe-sardon.blogspot.com">neste blogue</a> há <a href="http://le-tampographe-sardon.blogspot.com/2008/05/tampons-pour-diteurs.html">carimbos para editores</a> e <a href="http://le-tampographe-sardon.blogspot.com/2008/05/tampon-pour-auteur-succs.html">escritores de sucesso</a>, lembretes para <a href="http://le-tampographe-sardon.blogspot.com/2008/01/aide-mmoire.html">jornalistas de esquerda</a>, <a href="http://le-tampographe-sardon.blogspot.com/2008/09/titres-honorifiques.html">títulos honoríficos</a> prontos a carimbar, <a href="http://le-tampographe-sardon.blogspot.com/2008/09/vulgar-stamps.html">insultos</a> em <a href="http://le-tampographe-sardon.blogspot.com/2008/04/tampons-vulgaires-pour-le-lundi-matin.html">várias <a href="http://le-tampographe-sardon.blogspot.com/2008/10/insultes-de-buenos-aires.html">línguas</a>, e o resto vão lá ver que procurar os links, copiar os links, lincar os links e clicar nos links é uma maçada para todas as partes envolvidas. Descontos para <a href="http://le-tampographe-sardon.blogspot.com/2008/11/plutt-rouge-que-mort.html">mencheviques</a> e <a href="http://le-tampographe-sardon.blogspot.com/2008/01/homo-sovieticus.html">marxistas-leninistas</a>; pessoas que gostam de <a href="http://le-tampographe-sardon.blogspot.com/2009/02/message-aux-enseignants.html">criança</a>s e <a href="http://le-tampographe-sardon.blogspot.com/2008/04/les-animaux-mignons.html">gatinhos</a>, s&#8217;abstenir.</p>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Maria João Pires em dueto com Trompa Berrante (acústico)</title>
		<link>http://5dias.net/2010/10/27/maria-joao-pires-em-dueto-com-tromba-berrante-acustico/</link>
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		<pubDate>Wed, 27 Oct 2010 22:04:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Dureza de ouvido? Problemas para distinguir uma variação harmónica de uma melódica? Ignorância musical persistente e crónica [I raise both hands]? Chame a Trompa Berrante! Caveat: não gosto de ver chamar &#8220;surdinho&#8221; ao Beethoven ou &#8220;velhinho&#8221; ao Bach (o abuso &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/10/27/maria-joao-pires-em-dueto-com-tromba-berrante-acustico/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dureza de ouvido? Problemas para distinguir uma variação harmónica de uma melódica? Ignorância musical persistente e crónica [I raise both hands]? Chame a <a href="http://euterpe.blog.br/analise-de-obra/tema-com-variacoes">Trompa Berrante</a>!</p>
<p><span style="color: #808080;">Caveat: não gosto de ver chamar &#8220;surdinho&#8221; ao Beethoven ou &#8220;velhinho&#8221; ao Bach (o abuso dos diminutivos é uma das pechas deste </span><a href="http://euterpe.blog.br"><span style="color: #808080;">blogue</span></a><span style="color: #808080;">), nem de algum didactismo (são muito explicadinhos, como diria a avó de um neto anónimo muito conhecido entre nós), mas lá que cumprem a função de explicar o básico a quem, como eu, não percebe contraponto disto, pã-pã-rã-pã.</span></p>
<p><em><span style="font-style: normal;">(<a href="http://last-tapes.blogspot.com/2010/10/magnifica.html">remerciements</a>)</span></em></p>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>The show must go wrong</title>
		<link>http://5dias.net/2010/10/23/the-show-must-go-wrong/</link>
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		<pubDate>Sat, 23 Oct 2010 21:10:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;E cá estão os pianos — são novos em folha!&#8221;. As pianistas olharam horrorizadas para os dois Yamahas acabados de desembrulhar. &#8220;Aposto que nunca tocaram em pianos novos&#8221;, insiste o promotor, orgulhoso. Não, nunca tocaram em pianos novos, porque não se &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/10/23/the-show-must-go-wrong/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">&#8220;E cá estão os pianos — são novos em folha!&#8221;. As pianistas olharam horrorizadas para os dois Yamahas acabados de desembrulhar. &#8220;Aposto que nunca tocaram em pianos novos&#8221;, insiste o promotor, orgulhoso. Não, nunca tocaram em pianos novos, porque não se toca em pianos novos, como sabe qualquer pessoa com dois dedos de testa (mais um do que a natureza concedeu ao empresário, ele próprio pouco rodado): o animal, quando chega ao palco, quer-se usado e abusado, domado e submisso, mas enfim, já nada surpreende o duo: primeiro foi o coro, internado em massa com uma intoxicação alimentar — um imprevisto que as obrigou a encher o buraco deixado pelas Bodas de Stravinsky com Mozart &amp; Bach a metro —, depois os dois pianistas convidados perderam o voo, alegadamente por problemas de tráfego (uma situação que afecta muitos músicos em trânsito em Amsterdão, garantem-me), e finalmente os gajos que deviam virar as páginas telefonam a cancelar no próprio dia. &#8220;Stage fright&#8221;, explica a A. &#8220;Os viradores de páginas sofrem de medo do palco? Quem é que os gajos se julgam?&#8221;. &#8220;Sabes lá&#8230;&#8221;.<br />
Não sei: era suposto lá ter estado, &#8220;vai ser porreiro, cinco dias em Istambul, toda a çorba que quiseres, pensa nisso&#8221;, mas a depressão que se abateu sobre os agentes económicos impediu-me de assistir ao concerto em directo, e agora ouço-lhe os azares em diferido. Chovia torrencialmente quando a A. foi fotocopiar a partitura das variações de Paganini, arranjo de Lutoslawski para dois pianos, para poder alinhar as folhas mais complicadas e suprir a falta dos viradores de páginas acometidos de pânico. A A. não é supersticiosa, mas lá que havia merda, havia: sala cheia, olheiro russo na primeira fila, tudo parecia ir bem quando um gato da cor dos pianos entra pelos bastidores, atravessa o palco, e se dirige, afoito, para as pernas das pianistas, provocando um número inusitado de flashes e um sururu <em>vivace</em> mas <em>troppo</em> para se cantar o fado.<br />
&#8220;Que horror, A.! O que é que fizeste?&#8221;<br />
&#8220;Oh, um truque de Jedi que aprendi há uns anos. Disse-lhe telepática mas firmemente: &#8216;<em>These aren´t the pianists you&#8217;re looking for. You can go about your business. Move along</em>&#8216;&#8221;.<br />
&#8220;E ele, foi?&#8221;<br />
&#8220;Não. Mas temos boas fotos com o bicho, depois vês&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 13px; font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif; line-height: 19px;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/J856VKlltvA?fs=1&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" src="http://www.youtube.com/v/J856VKlltvA?fs=1&amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></span></p>
<p><em>(&#8220;Beautiful page turning!&#8221;, diz o comentário mais votado no youtube.)</em></p>]]></content:encoded>
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		<title>Para que conste</title>
		<link>http://5dias.net/2010/10/21/para-que-conste-2/</link>
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		<pubDate>Thu, 21 Oct 2010 16:12:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Passou despercebida entre nós a notícia do procurador que, para justificar um atraso de 20 minutos, ditou para a acta dez quadras compostas no metro. Não percebo o que se passa no mundo em geral e na blogosfera em particular &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/10/21/para-que-conste-2/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Passou despercebida entre nós a notícia do procurador que, para justificar um atraso de 20 minutos, ditou para a acta dez quadras compostas no metro. Não percebo o que se passa no mundo em geral e na blogosfera em particular para eu só saber disto um dia depois de o caso ter sido revelado pelo <a href=" http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/exclusivo-cm/poemas-com-seios-dao-queixa-de-juiza214242237">Correio da Manhã</a>. A notícia vem hoje no <a href="http://www.publico.pt/Sociedade/o-procurador-poeta-e-a-juiza-sem-sentido-de-humor_1462004">Público</a>, mas continuo a preferir o laconismo do CM: demasiadas explicações destroem a poesia do episódio.</p>]]></content:encoded>
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		<title>The marriage of Miss Frieda van Amburg and Willie Branton, which was announced in this paper a few weeks ago, was a mistake which we wish to correct</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Oct 2010 19:58:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Por causa de uma troca de letras involuntária, o eremita converteu a poetisa Sylvia Plath em irmã de um médio inglês que jogou no Tottenham nos anos 90, a título póstumo e sem consequências para a exegese da obra de &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/10/18/the-marriage-of-miss-frieda-van-amburg-and-willie-branton-which-was-announced-in-this-paper-a-few-weeks-ago-was-a-mistake-which-we-wish-to-correct/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Por causa de uma  troca de letras involuntária, o <a href="http://ouriquense.blogs.sapo.pt/263382.html#comentarios">eremita</a> converteu a poetisa Sylvia Plath em irmã de um médio inglês que jogou no Tottenham nos anos 90, a título  póstumo e sem consequências para a exegese da obra de um e de outro.  Alertado para o lapso, o eremita corrige e castiga-se: promete escrever  uma redacção punitiva e &#8220;ler 20 poemas da <em>Syvia</em> [sic] Plath até  segunda-feira&#8221;. Não venho sugerir o agravamento da pena (20 poemas por gralha  já é um tratamento cruel e desumano), mas raramente terá sido tão apropriado dizer &#8220;pior a  emenda que o  soneto&#8221;.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Que maçada, Zé Fernandes</title>
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		<pubDate>Sat, 16 Oct 2010 14:30:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Em vésperas de ir para os Estados Unidos, os meus irmãos deram-me um único mas prudente conselho: &#8220;Leva uma poltrona! Leva a enciclopédia geral! Leva caixas de espargos!&#8221;. Quem passou as férias a ler o Moby Dick em vez de &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/10/16/que-macada-ze-fernandes/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em vésperas de ir para os Estados Unidos, os meus irmãos deram-me um único mas prudente conselho: &#8220;Leva uma poltrona! Leva a enciclopédia geral! Leva caixas de espargos!&#8221;. Quem passou as férias a ler o Moby Dick em vez de reler &#8220;A Cidade e as Serras&#8221; é capaz de não se lembrar, mas isto é o que o Jacinto diz ao Zé Fernandes quando o amigo lhe anuncia que tem de regressar à Guiães natal, abandonando a Paris civilizada para acorrer aos negócios do tio.<br />
&#8220;—<em>&#8216;Para Guiães! Oh Zé Fernandes, que horror!&#8217; E toda essa semana me lembrou solicitamente confortos de que eu me deveria prover para que pudesse conservar, nos ermos silvestres, tão longe da Cidade, uma pouca de alma dentro de um pouco de corpo</em>.&#8221;<br />
Sem espaço para a poltrona, eu levei os espargos, 600 deles, muitos isqueiros, e patchs de nicotina suficientes para dopar a tripulação de um Jumbo 747 durante a volta ao mundo em 80 dias; e quando, depois de duas semanas a viajar nesse remoto país, me perderam a bagagem (que não foi parar a Tormes, Salamanca, mas sim a Tóquio, Japão), e me vi sem uma muda de roupa nem uma pasta de dentes a que chamar minha, dei graças à previdência que me levou a acomodar os legumes na mochila e não na mala.<br />
Ser fumador sujeita-nos a muita maçadazinha, mas em lado nenhum encontrei esta perseguição aos fiéis da Igreja Adventista da Nicotina a Todas as Horas, claramente uma violação da liberdade religiosa instituída pelos Pilgrims Fathers. Em Berkeley, tinha eu acabado de fumar um cigarrinho num jardim a céu aberto, numa área sem proibições à vista desarmada (não sem antes confirmar com um grupo de estudantes que era possível fumar ao ar livre, sim, sem ser desterrada para Guantanamo), quando vem uma fulana a sprintar de sirene ligada e nos interroga, numa excelente imitação do Hercule Poirot com tensão pré-menstrual: &#8220;Qual de vocês estava a fumar?!? Qual de vocês estava a fumar?!?!&#8221;. Os meus companheiros, solidários, não quiseram denunciar-me, e eu não quis que o grupo perdesse as bolsas e subsídios que lhes permitem a frequência dessa nobre instituição de ensino por minha causa, por isso não tive outro remédio senão chegar-me à frente e confessar o crime. &#8220;I&#8217;m sorry&#8230; I didn&#8217;t know&#8230; There aren’t any signs&#8230; I didn&#8217;t know&#8230; I&#8217;m… European&#8230;&#8221;. Foi quanto bastou para aplacar a fúria da brigada anti-tabaco. &#8220;Enough said&#8221;, mãos erguidas em sinal de paz para com a apache europeia; &#8220;I apologize for getting so angry&#8221; (&#8220;incensed&#8221; would have been a better word, mas esta é a falta de rigor semântico que se encontra hoje nas universidades americanas), &#8220;mas o problema é que o fumo sobe e entra pelos nossos gabinetes!&#8221;. Ela tinha cara de quarenta e muitos anos a desafiar o cancro de pele sem protector solar, mas músculos mais sólidos que eu aos 18, por isso aposto &amp; ganho que faz parte das massas que fazem jogging no meio do trânsito, peito aberto ao dióxido de carbono, deixai vir a mim o desgaste das articulações e o enfarte do miocárdio, mas o glorioso aroma do tabaco in the morning, vade retro, fumador. Esta neurose com a saúde e a insensatez dominante produzem outros cocktails pouco potáveis; eu acho enternecedor que me peçam identificação para me servirem um inocente copo de vinho, quando é patente e notório que deixei de ter 21 anos há quase outros tantos, mas parece-me que se uma criatura pode levar com um balázio aos 18 ao serviço do imperialismo pátrio, também tem idade para emborcar um <em>shot</em> sem ter de prestar contas a ninguém, Zé Fernandes.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Os amanhãs que cantam</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Oct 2010 22:03:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/_rIIwXg_Rs4?fs=1&amp;hl=pt_BR"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/_rIIwXg_Rs4?fs=1&amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object></p>]]></content:encoded>
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		<title>Three can play that game</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Oct 2010 21:43:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/t4-ifX6ypvw?fs=1&amp;hl=pt_BR"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/t4-ifX6ypvw?fs=1&amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object></p>]]></content:encoded>
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		<title>Terrorista não praticante</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Oct 2010 00:59:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Graças ao estatuto de cidadã europeia e uma preferência por destinos civilizados, raramente preciso de visto para viajar, mas há tempos tive de ir aos Estados Unidos. O motivo da viagem, que não interessa para a história, obrigava-me a pedir &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/10/14/terrorista-nao-praticante/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Graças ao estatuto de cidadã europeia e uma preferência por destinos civilizados, raramente preciso de visto para viajar, mas há tempos tive de ir aos Estados Unidos. O motivo da viagem, que não interessa para a história, obrigava-me a pedir o aval das autoridades americanas, para o que é necessário preencher um formulário só disponível na internet &#8211; um processo que alia as agruras da burocracia ao inferno das novas tecnologias, tudo se conjugando para desencorajar visitantes e, concomitantemente, reforçar com o mais poderoso arsenal de técnicas dissuasivas a segurança dessa grande nação. Está lá tudo: perguntas no peculiar inglês técnico dos americanos, páginas que se vão abaixo depois de termos investigado e inserido, com recurso a irmãos e família, os dados biográficos dos antepassados, perguntas altamente vexatórias (&#8220;What is your current salary?&#8221;), recusa arbitrária de várias fotografias de rosto com a acusação caluniosa e infame de &#8220;má qualidade técnica&#8221; &#8211; e vão chamar &#8220;blurred&#8221; às vossas founding mothers, sim? O mais empedernido terrorista cometeria jihad antes de chegar ao fim, mas falhando tudo, as autoridades americanas ainda perguntam: &#8220;<em>Are you a member or a representative of a terrorist organization? &#8211; YES / NO</em>&#8220;. O bom do terrorista que conscienciosamente seleccione o YES pode a seguir, querendo e dispondo de tempo lá no bulício das grutas afegãs, utilizar uma caixa de texto com a designação &#8220;EXPLAIN&#8221; para fornecer diligentemente mais elementos sobre as actividades profissionais a que ele e a organização a que pertence se dedicam.</p>
<p>Nesta fase, já eu e o génio informático que me serviu de assessor tínhamos perdido, de forma que cheguei a temer definitiva, o sentido de humor, e lemos a pergunta seguinte sem danos para os abdominais: &#8220;<em>Have you ever ordered, incited, committed, assisted, or otherwise participated in genocide?</em>&#8220;. &#8220;Never until today&#8221;, ameaçou o meu amigo, &#8220;never until today&#8221;. Ele faz parte de uma antiga tribo de pacifistas ingleses, mas eu gastei metade de um dicionário corrente de calão antes de conseguir continuar, e sinceramente achei a fleuma dele pouco solidária; mas então ele explicou-me que já tinha visto aquelas perguntas noutro lado, porque apesar de ser cidadão de Sua Majestade e estar casado de papel passado, a mulher teve a infelicidade de não nascer inglesa, querendo a sorte que o Reino Unido não tenha acordos com o país dela, com o que ambos gastam parte substancial das respectivas vidas adultas a preencher formulários deste tipo sempre que querem ir juntos a Inglaterra. &#8220;É sempre assim: os americanos inventam uma treta qualquer e nós copiamo-los, mas para pior. E depois está tudo escrito numa língua que eu não percebo&#8221;.</p>
<p>Fui ver: a neve não caía, mas lá estavam, <a href="http://www.ukvisas.gov.uk/en/howtoapply/vafs/">no site do Governo inglês</a>, as mesmas iluminadas questões &#8211; já praticou genocídio (&#8220;sim, mas sempre entre consenting adults&#8221;), crimes contra a humanidade, mais uma sucessão de perguntas de lavra britânica a que eu fui poupada na <em>visa application</em> americana, incluindo &#8220;traffic offences&#8221;, na forma tentada ou consumada (e não, não estão a falar de droga, são multas de trânsito). Suponho que para garantir a rectidão e probidade das visitas, o Governo inglês venha um dia a acrescentar à lista de crimes assaltos à lata das bolachas de avós, vírgula, próprias ou alheias, vírgula, indefesas. Eu sei que acham que sou uma exagerada, mas leiam-me este pedaço de prosa, ignorando tanto quanto possível a colocação genocida de vírgulas. I rest my case. </p>
<p><img src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/10/VISA-UK.png" alt="" title="VISA UK" width="925" height="364" class="aligncenter size-full wp-image-48596" /></p>]]></content:encoded>
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		<title>Linhas trocadas</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Oct 2010 17:07:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O nome pode não inspirar confiança, tratando-se, como tudo parece indicar, de uma empresa de telemóveis, mas a honestidade com que descrevem os serviços prestados é enternecedora.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O <a href="http://www.linhastrocadas.com/">nome</a> pode não inspirar confiança, tratando-se, como tudo parece indicar, de uma empresa de telemóveis, mas a honestidade com que descrevem os serviços prestados é enternecedora.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-48563" title="Linhas trocadas" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/10/Linhas-trocadas.png" alt="" width="428" height="285" /></p>]]></content:encoded>
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		<title>E se fingíssemos que estamos todos ocupados a fazer coisas extraordinariamente complicadas no Excel?</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Oct 2010 23:37:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[As pessoas pontuais têm uma vantagem em relação às pessoas atrasadas: estão do lado do relógio e do ponto. Isto confere-lhes uma força moral difícil de derrotar com armas de fabrico caseiro, e devia bastar-lhes para se sentirem superiores. Não, ainda têm do &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/10/07/e-se-fingissemos-que-estamos-todos-ocupados-a-fazer-coisas-extraordinariamente-complicadas-no-excel/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As pessoas pontuais têm uma vantagem em relação às pessoas atrasadas: estão do lado do relógio e do ponto. Isto confere-lhes uma força moral difícil de derrotar com armas de fabrico caseiro, e devia bastar-lhes para se sentirem superiores. Não, ainda têm do seu lado a força bruta dos números &#8211; são mais. O pontual chega à hora de todos e não tem que dar satisfações a ninguém; já o atrasado tem contra si o chefe, o Código de Direito do Trabalho, a seita dos pontuais e as meninas da portaria, o que, pela desproporção de armas, constitui uma variante de bullying não sancionada com o rigor devido pela Convenção de Genebra e protocolos adicionais. Perante esta frente de censura maciça, o atrasado ocasional tem desculpas, forjadas ou reais; mas que defesa pode ter o atrasado crónico? Nenhuma, senão a constância dos seus atrasos. Eu, admito, tenho dificuldades em chegar ao trabalho todos os dias à mesma hora, nem o trabalho precisa na verdade que eu chegue todos os dias à mesma hora, ou sequer todos os dias; mas se pudesse beneficiar de um horário adaptado à minha realidade sócio-económica e antecedentes criminais, calculado com base no tempo que eu demoro de manhã a convencer-me da impreterível necessidade de me apresentar ao trabalho (uma variável, como dizê-lo, variável), tenho a certeza de que surpreenderia tudo e todos com a minha capacidade para cumprir regras do foro horário, provando aos cépticos e às meninas da portaria que também eu sou capaz de respeitar regulamentos e portarias com rigor, constância e brio. Agora agradecia que quem está a olhar com cara de olha-me esta, ainda escreve no 5dias se dirigisse imediatamente ao post mais próximo e parasse de chatear (tu sabes quem és, Nuno Ramos de Almeida).</p>]]></content:encoded>
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		<title>Pão pão, queijo queijo</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Sep 2010 11:35:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Passava das três da tarde e eu não tinha almoçado (nem pequeno-almoçado, tirando um café e um número de cigarros superior a cinco e inferior a 10), por isso desisti da faca &#38; garfo e entrei na primeira loja de sandes &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/09/04/pao-pao-queijo-queijo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Passava das três da tarde e eu não tinha almoçado (nem pequeno-almoçado, tirando um café e um número de cigarros superior a cinco e inferior a 10), por isso desisti da faca &amp; garfo e entrei na primeira loja de sandes que vi, uma dessas com pergaminhos na fachada, &#8220;a vender sandes desde 1900-e-troca-o-passo&#8221;. Stocks esgotados, porém, nem uma sandes para amostra. &#8220;Podemos fazer mais, o que é que deseja?&#8221;. Ora eu desejava um daqueles pãezinhos integrais por detrás da menina ao balcão, com salmão fumado, pode ser? Não, &#8220;on ne fait pas ça dans notre gamme&#8221;: os pãezinhos integrais podem servir-se com queijo, chouriço ou fiambre, mas salmão fumado, não. A provar que sou um ser humano extraordinariamente bem adaptado à estupidez circundante, não só não me ri como o Jack Nicholson no The Shining como ainda perguntei, educadamente, com que tipo de pão poderia eu comer o bendito salmão. &#8220;Avec du pain brioché, madame&#8221;. Et merde, não gosto de pain brioché, não poderia a menina abrir uma excepção e fazer-me a sandes em pão normal, branco por exemplo, já estou por tudo, cobrando-me naturalmente o que tiver de cobrar pelo upgrade? Não há ninguém à vista, sou a única cliente e testemunha do eventual desvio às regras da gama; a menina hesita, resolve perguntar a uma colega mais velha. &#8220;Não&#8221;, vem a resposta, &#8220;a gama não permite&#8221;. Eu tenho pressa e larica, venha então o pão integral com <em>jambon cuit</em> (o nosso fiambre). A menina pega no cobiçado pão, abre-o, e começa a barrar manteiga (&#8220;pouca&#8221;, pedi eu em voz sumida, temendo que &#8220;a gama&#8221; obrigasse a uma quantidade de manteiga incompatível com a linha, mas não: escapei com o pão levemente amanteigado e um olhar de censura). &#8220;Vous désirez autre chose avec le jambon?&#8221;. &#8220;Sim, salmão fumado&#8221;, pensei, mas em vez disso disse &#8220;salada, se &#8216;a vossa gama&#8217; autorizar&#8221;. Autorizava: a menina abriu mais dois tupperwares, tirou alface e tomate, et voilà, estava pronta a minha sandes de fiambre, em pão integral como manda a gama, e a gama é quem mais ordena. Eu sou da geração em que uma sandes era uma sandes e o cliente tinha sempre razão, mas contra a minha vontade expressa vivo agora num mundo em que uma sandes deixou de ser um produto para se transformar numa &#8220;experiência&#8221; cozinhada por directores de marketing que não têm a noção do ridículo nem da sandes. &#8220;Quer beber alguma coisa?&#8221;. Não quis, e fiquei por isso sem saber as tendências do prêt-à-emporter na linha sandes-bebida, colecção Outono-Inverno.</p>]]></content:encoded>
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		<title>O inquérito ao inquérito</title>
		<link>http://5dias.net/2010/08/10/o-inquerito-ao-inquerito/</link>
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		<pubDate>Tue, 10 Aug 2010 14:04:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;Desconfiança Corrosiva&#8221;, de Pedro Lomba, no Público (integralmente copiado daqui): &#8220;Em Dezembro do ano passado escrevi nesta página que não era possível continuar a confiar num Procurador-Geral da República que hesita tanto e se explica tão pouco. Não era possível continuar a &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/08/10/o-inquerito-ao-inquerito/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">&#8220;Desconfiança Corrosiva&#8221;, de <strong>Pedro Lomba,</strong> no Público (integralmente copiado <a href="http://cachimbodemagritte.blogspot.com/2010/08/ruina-do-mp.html">daqui</a>):</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;<em>Em Dezembro do ano passado escrevi nesta página que não era possível continuar a confiar num Procurador-Geral da República que hesita tanto e se explica tão pouco. Não era possível continuar a confiar num Procurador-Geral que no processo Face Oculta acumulou imprecisões e confusões. Além de ter atrasado actos processuais da maior urgência, eximiu-se de abrir inquérito sobre os indícios recolhidos naquele processo e nunca explicou – pelo contrário, até nos sonegou &#8211; os fundamentos do seu despacho de arquivamento.<br />
Não imaginei que o caso Freeport repetisse e agravasse este padrão no comportamento de Pinto Monteiro: a sua dificuldade em responder ao escrutínio público de uma forma que torne as suas decisões inteligíveis e coerentes; a sua incapacidade em gerar confiança nas instituições; a sua fuga à claridade, a falta de autoridade que tem demonstrado dentro da estrutura do Ministério Público. São contradições a mais, desmentidos a mais para que a nossa confiança neste guarda dos guardas se mantenha intacta.<br />
O caso Lopes da Mota e as primeiras informações vindas a público sobre alegadas obstáculos ao trabalho dos procuradores Vítor Magalhães e Pais de Faria já tinha sido um sinal. Pinto Monteiro garantia a normalidade da investigação, mas o inquérito a Lopes da Mota demonstrou o contrário, que as pressões existiram.<br />
Desde então Pinto Monteiro ora promete o esclarecimento de aspectos equívocos da investigação, ora tenta fugir dele. Lamenta em abstracto os seus escassos poderes, mas diz que caberá ao Conselho Superior do Ministério Público identificar os poderes que lhe faltam. Considera-se sabotado pelo sindicato do Ministério Público, mas o seu estatuto atribui-lhe o poder para dar instruções vinculativas aos magistrados, poder que ele nunca exerceu, talvez para fugir ao compromisso e ao escrutínio.<br />
E vamos agora para o segundo inquérito à investigação do Freeport (o primeiro foi aberto pelo Conselho Superior do Ministério Público de Fevereiro de 2009 e ninguém sabe como acabou). Só que desta vez, sendo o processo público, o verdadeiro inquérito à investigação podemos ser nós a fazê-lo. Felizmente é o que já está a acontecer.<br />
Quanto mais aprofundamos as decisões e declarações de Pinto Monteiro, mais descobrimos um rol de contradições sobre o modo como o Procurador-Geral e a directora do departamento de investigação penal, Cândida Almeida, exerceram as suas competências no processo Freeport.<br />
Basta ter acompanhado nos últimos dias a imprensa (Público, DN, Expresso) para perceber que Pinto Monteiro e Cândida Almeida se contradizem ou são contraditados pelos factos. A interpretação a que alguns acriticamente aderiram sobre os procuradores-infames que não ouviram Sócrates porque não quiseram, pois tiveram mais do que condições para isso, era inteiramente falsa e deslocada.<br />
Afinal, os procuradores insistiram na necessidade em ouvir o primeiro-ministro e o actual ministro da presidência e desde Maio que o facto era conhecido de Cândida Almeida. Afinal, Cândida Almeida estava ao corrente do que se passava quando inconcebivelmente negociou com os procuradores a sua inclusão no despacho final. Afinal, os procuradores não confiavam em Cândida Almeida que já em 2009, numa entrevista à RTP, veio dizer que tinha recusado uma “investigação conjunta com a polícia inglesa” com o argumento de que os dois sistemas jurídicos são diferentes (como se não fosse para casos de criminalidade transnacional que essas investigações se justificam), confirmando-se agora uma relação entre o veto a essas equipas especiais e a rejeição à partida de qualquer hipótese de desvio da investigação para o primeiro-ministro.<br />
Chamar anomalias a todos estes incidentes parece-me pouco. Resumir tudo o que se passou a uma mera guerra interna no Ministério Público, também. O caso é bem mais grave. Revela que este Procurador-Geral e a Procuradora Cândida Almeida suscitam neste momento uma desconfiança corrosiva que não irão ultrapassar. Reformem o Ministério Público, o Conselho Superior, o sindicato, para dar transparência e responsabilidade à casa. Mas façam-no com outros nomes porque estes não dão segurança a ninguém</em>.&#8221;</p>]]></content:encoded>
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		<title>Na minha opinião pessoal</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Aug 2010 12:38:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A &#8220;beautiful people&#8221; foi ver o concerto de Tony Carreira na praia da Rocha, como parece que se tornou tradição de há uns anos para cá, tal como era costume no meu tempo o Quim Barreiros animar as hostes universitárias &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/08/10/na-minha-opiniao-pessoal/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A &#8220;beautiful people&#8221; foi ver o concerto de Tony Carreira na praia da Rocha, como parece que se tornou tradição de há uns anos para cá, tal como era costume no meu tempo o Quim Barreiros animar as hostes universitárias durante a queima das fitas (e parece que ainda é). Nada contra. Estavam, <a href="http://dn.sapo.pt/inicio/pessoas/interior.aspx?content_id=1637075">segundo o DN</a>, mais de 80 mil pessoas, suponho que nem todas <em>beautiful</em>, mas todas alegadamente fãs do cantor (&#8220;alegadamente&#8221;, friso, porque nestes tempos conturbados não basta a presença num concerto de Tony Carreira para fazer juízos sobre o gosto dos espectadores, e ninguém é fã de ninguém sem uma sentença transitada em julgado). Terá sido para esclarecer este estado de coisas que Nuno Graciano disse ao DN: &#8220;<em>Vim cá porque fui convidado pela empresa que promove a festa e também porque sou <strong>amigo pessoal </strong>do Tony</em>&#8220;? Dito assim, fica claro que Nuno Graciano não é amigo de Tony Carreira por interposta pessoa, tal como as pessoas que dizem &#8220;tenho um amigo meu&#8221; se distinguem, para o melhor e o pior, das pessoas que têm amigos dos outros. Percebe-se a tentativa de resgatar o termo &#8220;amigo&#8221; da banalização em que caiu na era Facebook, cheia de amigos impessoais que se amigam e desamigam com a facilidade de um clique. É estranho é que estes intensificadores da linguagem não se apliquem a outras relações igualmente desgastadas, mas pelo andar da carruagem, qualquer dia as pessoas também dizem &#8220;tenho um marido meu&#8221;, ou, já estivemos mais longe, &#8220;sou fã pessoal do Tony&#8221;.</p>]]></content:encoded>
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		<title>A semana dos 11 dias</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Aug 2010 11:08:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Rogério Casanova inventou o post sem links e o post sem post; o maradona levou mais longe a arte da subtracção, e deu ao mundo o blogue sem blogger. Há 11 dias que não escreve nem apaga nada, apesar &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/08/07/a-semana-dos-11-dias/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Rogério Casanova inventou o <a href="http://pastoralportuguesa.blogspot.com/2007/03/post-sem-links-blogosfera-sem-lei.html">post sem links</a> e o <a href="http://pastoralportuguesa.blogspot.com/2008/02/argumentum-blogspoticum.html">post sem post</a>; o maradona levou mais longe a arte da subtracção, e deu ao mundo o <a href="http://acausafoimodificada.blogs.sapo.pt/">blogue sem blogger</a>. Há 11 dias que não escreve nem apaga nada, apesar de ter prometido que voltaria uma semana depois. O sitemeter continua impassível. </p>]]></content:encoded>
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		<title>Isto é tudo a reinar, não liguem</title>
		<link>http://5dias.net/2010/08/03/isto-e-tudo-a-reinar-nao-liguem/</link>
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		<pubDate>Tue, 03 Aug 2010 19:40:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O procurador-geral da República disse hoje ao DN: &#8220;Tenho os poderes da Rainha de Inglaterra&#8221; Mas também podia ter dito isto: &#8220;Lavo as minhas mãos como Pôncio Pilatos&#8221; Ou isto: &#8220;Mais valia estar calado como Buster Keaton&#8221; Ou ainda isto: &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/08/03/isto-e-tudo-a-reinar-nao-liguem/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O procurador-geral da República disse hoje ao DN: <a href="http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1632789"><strong>&#8220;Tenho os poderes da Rainha de Inglaterra&#8221;</strong></a></p>
<p>Mas também podia ter dito isto: <a href="http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1633076"><strong>&#8220;Lavo as minhas mãos como Pôncio Pilatos&#8221;</strong></a></p>
<p>Ou isto: <a href="http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1633058"><strong>&#8220;Mais valia estar calado como Buster Keaton&#8221;</strong></a></p>
<p>Ou ainda isto: <a href="http://inimigo.publico.pt/Noticia/Detail/1449875"><strong>&#8220;Já nomeei um inspector para averiguar por que razão os procuradores responsáveis pelo caso Freeport fizeram tudo o que eu lhes disse para fazerem&#8221;</strong></a> </p>
<p>Eis finalmente um título que faz sentido; <em>dommage</em> que tenha sido publicado no equivalente português do The Onion (não, não é A Cebola, é <a href="http://inimigo.publico.pt/Noticia/Detail/1449875">O Inimigo Público</a>). </p>]]></content:encoded>
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		<title>La Fiamma</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Aug 2010 23:36:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;Il titolo lo dice&#8220;, avisava o primeiro número da Fiamma -  Periodico Socialista Quindicinale de Amelia (Umbria). &#8221;Nulla sfuggirà all&#8217;azione purificatrice de la FIAMMA, che arriverà dovunque a bruciare quanto di putrido, di cancrenoso infetta la vita sociale e che cauterizzà fino al &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/08/03/la-fiamma/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>&#8220;<em>Il titolo lo dice</em>&#8220;, avisava o primeiro número da Fiamma -  Periodico Socialista Quindicinale de Amelia (Umbria). &#8221;<em>Nulla sfuggirà all&#8217;azione purificatrice de la FIAMMA, che arriverà dovunque a bruciare quanto di putrido, di cancrenoso infetta la vita sociale e che cauterizzà fino al vivo le stigmate schifose dell&#8217;imoralità e della corruzione clericale. Ecco, in poche parole, il compito che si assumiamo e che auguriamo di condurre a buon fine. (&#8230;) I deboli e i tristi impallidirano, e tremeranno i preti che ben conosco l&#8217;azione distruggitrice della fiamma, ad accender le quali eran maestri quando, per soffocare le idee sovversiva d&#8217;allora, arrostivano, sui roghi dell&#8217;Inquizione, in nome di un Dio pietoso, i liberi pensatori.</em>&#8221; (Anno I – N. 1 – 12 de Julho de 1903).</div>
<div>No cabeçalho, um verso de L. Stecchetti (pseudónimo do poeta italiano Olivo Guerrini, 1845-1916), reforça o programa: &#8220;<em>Arda col foco suo fin che bisogna</em>&#8221; (literalmente, &#8221;Arda com o seu fogo até atingir o fim necessário&#8221;). Um repto que se entende melhor no contexto do poema, uma invectiva contra a podridão da Itália: &#8220;<em>Arda col foco suo fin che bisogna / Questa stalla d&#8217;Augìa / Tagli col ferro la civil vergogna / E la giustizia sia!</em>&#8220;. Eis a tarefa hercúlea que se propõem os redactores da &#8220;Fiamma&#8221;: limpar os imundos &#8220;estábulos de Áugias&#8221;, não num só dia, como no quinto dos trabalhos de Hércules, mas de quinze em quinze.</div>
<div>O segundo número é publicado a 9 de Agosto de 1903, com várias semanas de atraso. Na primeira página, explica-se a demora: </div>
<div>&#8220;<strong><em>Ma arde ancora!&#8230;</em></strong></div>
<div><em>Causa un sequestro prematuro il giornale ha subito un ritardo <strong>ma non si è spento</strong>. </em></div>
<div><em>Niente paura e sempre avanti (&#8230;)</em>&#8220;.</div>
<div>O terceiro número sai quase um mês depois, a 8 de Setembro de 1903. É o último: a &#8220;fiamma&#8221; apagou-se.</div>]]></content:encoded>
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		<title>Outras divisões que se saúdam</title>
		<link>http://5dias.net/2010/08/01/outras-divisoes-que-se-saudam/</link>
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		<pubDate>Sun, 01 Aug 2010 13:55:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Berlusconi expulsa Fini do PdL e abre crise política em Itália (tb aqui e aqui).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.publico.pt/Mundo/berlusconi-afasta-fini-e-abre-crise-politica-em-italia_1449474">Berlusconi expulsa Fini do PdL</a> e abre crise política em Itália (tb <a href="http://genova.repubblica.it/cronaca/2010/08/01/news/diaspora_pdl_gi_in_cinquecento_con_fini-5997430/index.html?ref=search">aqui</a> e <a href="http://www.repubblica.it/politica/2010/07/31/news/fine_regime-5967833/index.html?ref=search">aqui</a>).</p>
<p><a href="http://www.publico.pt/Mundo/berlusconi-afasta-fini-e-abre-crise-politica-em-italia_1449474"></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Divididos venceremos</title>
		<link>http://5dias.net/2010/08/01/divididos-venceremos/</link>
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		<pubDate>Sun, 01 Aug 2010 12:44:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[O jantar era na &#8220;campagna&#8221; toscana, na casa de um amigo e entre amigos, mas antes de nos sentarmos já havia divisões: entre os &#8220;ritardatarios&#8221; e os pontuais, entre os que se extasiam perante a visão da mesa &#8220;apparecchiata in &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/08/01/divididos-venceremos/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O jantar era na &#8220;campagna&#8221; toscana, na casa de um amigo e entre amigos, mas antes de nos sentarmos já havia divisões: entre os &#8220;ritardatarios&#8221; e os pontuais, entre os que se extasiam perante a visão da mesa &#8220;apparecchiata in giardino&#8221; e os que acham que &#8220;fa troppo fresco&#8221; cá fora (um conceito que, depois de dias a ser cozinhada em fogo lento em Florença, me é totalmente estranho), os que se oferecem para ajudar na cozinha e os que gostavam muito de ajudar mas não podem porque estão a repor os níveis de nicotina depois da meia hora de viagem que separa a cidade de Monte Scenario, etc. À mesa, há gente que gosta de melão com presunto e gente que prefere a panzanella, há quem ache que <em>La Repubblica</em> &#8220;virou demasiado à esquerda&#8221; e comunistas que se riem disso, há heterossexuais e homossexuais de ambos os sexos (e uma bissexual, by her own admission), e há sobretudo quem prefira vinho branco ao Rosso di Montalcino que eu levei – uma clivagem que eu saúdo enchendo novamente o meu copo e o de uma enóloga da Apúlia habituada à robustez do Negroamaro, e que parece tão feliz como eu por estarmos em minoria nesta verdadeira questão fracturante; prova da nossa tolerância, nenhuma de nós tenta convencer os restantes da superioridade do Brunello júnior, <em>vivi e lascia bevere</em>. Estamos pois na paz da discórdia quando alguém refere um escritor de que eu nunca ouvi falar, e de repente ei-los todos unidos em declarações entusiásticas ao fulano, conhecem-no todos, leram-no todos, admiram-no todos, e é tal a harmonia que começo a temer que a seguir se convertam tb ao tinto, o que seria, agora que a garrafa está meio vazia, um consenso com efeitos devastadores. &#8220;È un scrittore &#8216;new age&#8217;?&#8221;, arrisco, desconfiada do unanimismo. &#8220;Si! Lo conosce?&#8221;. Não, não conheço, e a menos que os astros nos ponham no mesmo caminho, continuarei inapelavelmente ignorante; dito isto, o vinho é óptimo, <em>compagni</em>.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Era o vinho, meu Deus, era o vinho</title>
		<link>http://5dias.net/2010/07/31/era-o-vinho-meu-deus-era-o-vinho/</link>
		<comments>http://5dias.net/2010/07/31/era-o-vinho-meu-deus-era-o-vinho/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 30 Jul 2010 23:12:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[A resposta italiana ao &#8220;Lucky like St Sebastian&#8221;, do Momus (dedicada ao Giovanni Lisbona, que me orientou nos vinhos toscanos &#8211; Brunello rules!).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A resposta italiana ao <a href="http://www.youtube.com/watch?v=liJIfs8IflM">&#8220;Lucky like St Sebastian&#8221;</a>, do Momus (dedicada ao <a href="http://lishbuna.blogspot.com/">Giovanni Lisbona</a>, que me orientou nos vinhos toscanos &#8211; Brunello rules!).</p>
<p><object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/zr1svgSFqTY&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/zr1svgSFqTY&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object></p>]]></content:encoded>
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		<title>Vietato l&#8217;ingresso agli estranei al lavoro</title>
		<link>http://5dias.net/2010/07/29/vietato-lingresso-agli-estranei-al-lavoro/</link>
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		<pubDate>Wed, 28 Jul 2010 23:34:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Durante dez dias tento, sem resultado que se veja, perceber a política italiana. Entre os meus amigos, ninguém votou Berlusconi (mas é impossível encontrar em toda a Itália alguém que tenha votado Berlusconi), e da Umbria à Apúlia, dizem-se todos &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/07/29/vietato-lingresso-agli-estranei-al-lavoro/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="size-full wp-image-43568 alignleft" title="vietato" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/07/vietato2.jpg" alt="" width="227" height="226" /></p>
<p style="text-align: justify;">Durante dez dias tento, sem resultado que se veja, perceber a política italiana. Entre os meus amigos, ninguém votou Berlusconi (mas é impossível encontrar em toda a Itália alguém que tenha votado Berlusconi), e da Umbria à Apúlia, dizem-se todos de esquerda. &#8220;<em>Ci sentiamo tutti di sinistra, ma la sinistra non c&#8217;é piu</em>&#8220;. O paradoxo tem consequências: agora, garantem-me, &#8220;<em>il leader di la sinistra è Fini</em>&#8220;, depois de em tempos ter ocupado o cargo de &#8220;<em>leader de l&#8217;estrema destra</em>&#8220;. É uma &#8220;boutade&#8221; que ilustra de forma sintética a pulverização da esquerda: os comunistas, por exemplo, desapareceram do Parlamento depois de terem desafiado as teses de Demócrito, dividindo o átomo em partículas cada vez mais pequenas, com as mesmas consequências explosivas – uma tradição atómica que vem de tempos mais gloriosos. &#8220;<em>Gli italiani, si possono dividere in due fazioni, lo fanno, solo per il gusto di dire &#8216;io penso politicamente, quindi esisto&#8217; – come Guelfi e Ghibelinni a Toscana, poi Guelfi bianchi e neri a Firenze. Anche nel calcio: il Milan e l&#8217;Inter a Milano, la Lazio e la Roma a Roma</em>&#8220;*, sintetiza o Epicuro de P. del Monte (um enclave anárquico-comunista de que voltarei a falar, se as hostes tiverem paciência). A esperança de grande parte destes comunistas sem partido é Nichi Vendola, o <a href="http://www.repubblica.it/economia/2010/07/25/news/vendola_posso_essere_l_obama_bianco_ho_gi_spiazzato_i_cecchini_dei_dossier-5812129/">&#8220;Obama branco&#8221;</a> que conseguiu a proeza de ser eleito presidente da região da Apúlia sendo, cumulativamente, comunista, homossexual, católico e ambientalista; serão talvez demasiadas qualidades para um homem só, <em>ma questa è l&#8217;Italia</em>.<br />
 <br />
* &#8220;<em>Os italianos, se puderem dividir-se em duas facções, fazem-no, só pelo gosto de dizer &#8216;eu penso politicamente, logo existo&#8217; – como os Guelfos e Guibelinos na Toscânia, e depois os Guelfos brancos e negros em Florença. Até no futebol: Milan e Inter em Milão, Lazio e Roma em Roma</em>&#8220; (N.d.T. Apesar de eu ter a firme convicção de que o italiano se percebe mais facilmente que o castelhano – e em caso de dúvida, basta ler em voz alta para perceber tudo –, a minha irmã discorda, e eu não posso contrariar a minha leitora mais amável).</p>]]></content:encoded>
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		<title>Italiano para todos</title>
		<link>http://5dias.net/2010/07/27/italiano-para-todos/</link>
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		<pubDate>Tue, 27 Jul 2010 20:47:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Sparechiare (tirar a mesa), spazzatura (lixo), scontatutto (tudo com desconto): há no italiano a grandeza da melhor música, capaz de transformar anche l&#8217;acqua in vino e resgatar o trivial da sua baixa condição. Na esplanada da livraria Martelli, em Florença, descubro este &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/07/27/italiano-para-todos/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Sparechiare</em> (tirar a mesa), <em>spazzatura</em> (lixo), <em>scontatutto</em> (tudo com desconto): há no italiano a grandeza da melhor música, capaz de transformar <em>anche l&#8217;acqua in vino </em>e resgatar o trivial da sua baixa condição. Na esplanada da livraria Martelli, em Florença, descubro este pedaço de prosa num gratuito que alguém deixou para trás: &#8220;<em>Doppo una settimana bollente, nei prossimi giorni sull&#8217;Italia tornerà l&#8217;Anticiclone delle Azzorre, un&#8217;area di alta pressione che garantisce giornate soleggiate e temperature estive, ma senza i pichi di calore e l&#8217;afa che accompagnano invece l&#8217;Anticiclone Africano. (&#8230;) Poi l&#8217;Anticiclone Africano tornerà e porterà una nuova fiammata di caldo intenso</em>&#8220;. Tive, apesar do calor tórrido, um arrepio de horror, porque se o boletim meteorológico anunciava um respiro de alguns dias, a perspectiva de mais uma &#8220;<em>fiammata di caldo intenso</em>&#8221; tinha o poder evocativo dos nove círculos do Inferno e dos frescos de Signorelli que vi em Orvieto, &#8220;<em>miserere di me!</em>&#8220;. A grandiloquência do italiano não impede, contudo, derrapagens para o foleirismo – como se prova pelo omnipresente &#8220;magari&#8221;, uma muleta linguística substituída com vantagem pelo nosso &#8220;talvez&#8221; ou mesmo o &#8220;oxalá&#8221; de gosto árabe –, e até na melhor literatura cai a nódoa. Na montra da livraria da estação de Termini onde digo adeus a Roma, um romance de Paolo Sorrentino, &#8220;Hanno tutti ragione&#8221;, considerado o livro do ano em Itália, anuncia-se como &#8220;<em>la storia di un cantante di night e di tutti noi</em>&#8220;. Se dúvidas houvesse, a publicidade esclarece-as: o livro fica na prateleira, porque não, <em>non hanno tutti ragione</em>, e mesmo que a vida &#8220;di cantante di night&#8221; agrade à maioria, a mim falta-me a necessária vocação.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Re: Ah, mas são livres</title>
		<link>http://5dias.net/2010/07/16/re-ah-mas-sao-livres/</link>
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		<pubDate>Fri, 16 Jul 2010 20:28:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Camarada, Muito sensibilizada por teres pensado em mim. Gostava muito de ficar aqui contigo a discutir a liberdade que as imigrantes muçulmanas que usam burka têm para usar ou usar burka, mas ao contrário delas, eu não tenho escolha: ninguém &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/07/16/re-ah-mas-sao-livres/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Camarada,</p>
<p>Muito sensibilizada por <a href="http://5dias.net/2010/07/16/nudismo-ou-barbarie/">teres pensado em mim</a>. Gostava muito de ficar aqui contigo a discutir a liberdade que as imigrantes muçulmanas que usam burka têm para usar ou usar burka, mas ao contrário delas, eu não tenho escolha: ninguém me propôs a burka nem a possibilidade de ficar fechada em casa, e sem nenhuma consideração pela minha consciência, obrigaram-me a ser independente economicamente, como me obrigam agora a tirar férias; vou por isso prosseguir na minha marcha hetero-determinada pela sociedade de consumo rumo à opressiva Toscânia, onde procurarei curar-me da minha intolerância para com as imigrantes muçulmanas, e sobretudo desfazer-me das intenções veladas que tu desmascaraste muito bem, e que consistiam em impor os meus trapos a todas as mulheres que já usufruem da liberdade de usar ou usar burka, violando o último reduto das suas consciências livres. Permite-me que em vez da pena do cilício ou dos horríveis wonderbra, eu faça aqui a minha retractação pública, comprometendo-me a repetir, entre dois Caravaggios e um ou mais copos de Chianti, mas sempre de mamas em riste: &#8220;as muçulmanas são livres &#8211; as muçulmanas são livres &#8211; as muçulmanas são livres &#8211; as muçulmanas são livres &#8211; as muçulmanas são livres &#8211; as muçulmanas são livres&#8230;&#8221; – céus, funciona, já começo a ver que sim, as muçulmanas que usam burka são livres de decidir entre a burka e a burka. Et vive la liberté!</p>
<p>Abraço desta condenada a férias,<br />
m.</p>
<p>P.S. Eu estou convencida, camarada, mas solicito instruções sobre como convencer uma imigrante muçulmana livre vestida livremente de burka mas pouco informada sobre o seu inalienável direito a usar burka caso ela me pergunte, em Itália ou noutro sítio qualquer, por que razão eu, e as restantes feministas da nossa praça, nos encolerizamos de cada vez que a Igreja Católica Apostólica Romana manda bitáites sobre a nossa contracepção, mas nos calamos bem caladinhas sobre as burkas que ela, cidadã como nós, é obrigada a vestir livremente. Estava a pensar dizer-lhe que criticar a burka é uma ofensa à nossa consciência multicultural, mas não sei se isto da consciência multicultural tem precedência, em caso de colisão de direitos, sobre o direito que ela e outras imigrantes livres têm de escolher livremente entre a burka e outra coisa que não a burka. Please advise.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Homem contra polvo</title>
		<link>http://5dias.net/2010/07/11/homem-contra-polvo/</link>
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		<pubDate>Sun, 11 Jul 2010 12:55:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Não percebo o espanto com o tal do polvo. Ah, e tal, só falhou cinco dois resultados. O meu irmão não falhou um: todas as equipas por que torce são afastadas do Mundial – e no entanto &#8220;irmão da morgada &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/07/11/homem-contra-polvo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-large wp-image-42729" title="Nautilus" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/07/Nautilus-325x520.jpg" alt="" width="325" height="520" /></p>
<p>Não percebo o espanto com o tal do polvo. Ah, e tal, só falhou <del datetime="2010-07-12T13:12:53+00:00">cinco</del> dois resultados. O meu irmão não falhou um: todas as equipas por que torce são afastadas do Mundial – e no entanto &#8220;irmão da morgada de V.&#8221; não tem 197 mil resultados no google, nem ninguém oferece 30 mil euros por ele. O polvo e o meu irmão coincidem porém no resultado da final: o polvo escolheu a Espanha, o meu irmão a Holanda, e por isso é quase certo que olé!, ganhem nuestros hermanos, salvo margens de erro e imponderáveis. É que o meu irmão, quando se deu conta da influência cósmica que exerce sobre o que acontece na África do Sul, decidiu baralhar os astros, e está agora muito concentrado a torcer pela Espanha. Nada que deva preocupar quem apostou na selecção do polvo. Isto são superstições como as do <a href="http://adeuscianeto.blogspot.com/2008/06/o-cigarrinho-mgico.html">cigarrinho mágico</a> (um conceito explicado aos cépticos no Adeus Cianeto de Hidrogénio, o blogue que eu recomendo no post abaixo, como sabem todos os que não perderam a vontade de viver antes de chegarem ao último parágrafo). Depois de várias experiências em ambiente controlado, posso confirmar que &#8220;<em>fumar para que o 51 surja ao fundo da Junqueira</em> [substituir por rua e autocarro à escolha] <em>é um exercício completamente inútil</em>&#8220;, tal como torcer pela equipa que queremos que perca, porque o além, onde quer que esteja, não é parvo. Ti-ri-ri-ri-ti-ri-ri-ri&#8230; Há uma quinta dimensão para lá da qual não sabemos nada.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Dá-me lume</title>
		<link>http://5dias.net/2010/07/11/da-me-lume/</link>
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		<pubDate>Sun, 11 Jul 2010 08:51:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Tempos houve em que para se ter cartão de fumador e regalias associadas era preciso fumar um maço por dia ou andar lá perto. Pouco a pouco, à traição, as pessoas deixaram de fumar ou tornaram-se fumadores ocasionais (um conceito que continua &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/07/11/da-me-lume/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tempos houve em que para se ter cartão de fumador e regalias associadas era preciso fumar um maço por dia ou andar lá perto. Pouco a pouco, à traição, as pessoas deixaram de fumar ou tornaram-se fumadores ocasionais (um conceito que continua a parecer-me uma contradição nos termos, assim como ser toxicodependente às sextas ou honesto em part-time), e eu converti-me numa &#8220;heavy smoker&#8221;, exibição de feira, &#8220;a-incrível-mulher-que-acende-uns-nos-outros-e-fuma-como-uma-condenada!&#8221;; mas eu não fumo mais agora do que fumava há 20 anos, as pessoas é que fumam menos, cada vez menos, e eu dei por mim a ser a única a investigar as saídas de emergência em sítios fechados, tem varanda, não tem varanda, pode-se abrir uma janela?, ou a escapar-me sozinha de restaurantes para fumar cá fora em pleno Inverno, o que, à força de praticar, fez de mim uma pessoa praticamente imune à hipotermia, embora incapaz de escalar mais do que um lanço de escadas sem recorrer a um transplante de pulmões.<br />
<span id="more-42689"></span>Não tenho ilusões. Nada disto é heróico nem tem mais interesse que as histórias dos ex-combatentes (e eu sou uma combatente no activo, o que é pior). Chateiam-me os fumadores que discutem a mística do tabaco, o ritual (mas qual ritual? Vocês perdem assim tanto tempo a namorar os cigarros?), os que juram que vão deixar de fumar com a cara mais séria deste mundo (eu também tenho de deixar de respirar, um destes dias começo), os que se desculpam com ter as mãos ocupadas, os supostos benefícios para a concentração, o prazer de fumar socialmente, o diabo a quatro. Custa assim tanto admitir que se fuma porque sim? Eu fumo porque sim, e fumo muito – uma medida que pelos padrões actuais se atinge com quaisquer 10 cigarros por dia, ao que isto chegou. Eu não os conto: compro ao volume, alterno com e sem filtro, ando com vários maços na carteira (de 25 cigarros, para poupar espaço), deixo para trás os que já só têm dois ou três – que descubro em alturas de aperto com a mesma alegria com que outros encontram notas de cinco euros no bolso do casaco. É raro ser apanhada sem cigarros, mas acontece, e eu estou grata a todos os fumadores que cravei (vocês sabem quem são) e a todos os não-fumadores que me ajudaram a chegar até aqui. Tive um namorado (não fumador, o que é claramente um defeito) que me comprava e escondia maços pela casa, atrás dos livros, no saco dos sacos de plástico, por cima dos armários da cozinha. Dá muito jeito ter maços suplentes quando se descobre, às três da manhã, que já não há mais na despensa e estão -12° (embora isso nunca me tenha impedido de sair para repor os stocks). Penso muito nesse ex-namorado. Outro dia liguei-lhe, passava uma hora da meia-noite. Ele tem intuição de gaja, o que é claramente uma vantagem, e em vez de me perguntar se eu tinha uma doença incurável ou me mandar passear, disse-me &#8220;olá, vai à despensa e procura por trás do whisky&#8221; (bebo pouco whisky, o que é um defeito). Foi com igual alívio que descobri <a href="http://adeuscianeto.blogspot.com/">este blogue</a> – enfim, com igual alívio é uma hipérbole, digamos que com o alívio de quem descobre que não está sozinha no mundo. Para os que andam nisto há mais tempo que eu (e toda a gente anda nisto há mais tempo que eu), não deve ser novidade a boa prosa que se praticava no <a href="http://adeuscianeto.blogspot.com/">Adeus Cianeto de Hidrogénio</a> antes de o mesmo ter morrido de morte natural. Para as outras duas pessoas que chegaram tarde à blogosfera* e ainda fumam como uma morgada, pode ser que tenha interesse (e eu garanto que se lê em menos tempo do que eu demoro a acabar com um maço de Gauloises).<br />
 <br />
* <em>julgo que serei a primeira a apontar as vantagens de ter chegado à blogosfera depois da festa acabada: certo, já não se encontra um copo limpo, o gelo derreteu como as calotas polares, acabou-se o gin ou a água tónica, a malta mais gira foi para casa, e há gente a dormir em quase todos os sofás; em contrapartida, há sempre posts novos para ler no <a href="http://memoria-inventada.weblog.com.pt/">Memória Inventada</a>.</em></p>]]></content:encoded>
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		<title>A cabala decifrada</title>
		<link>http://5dias.net/2010/07/09/a-cabala-decifrada/</link>
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		<pubDate>Thu, 08 Jul 2010 23:45:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Temo que os meus camaradas se tenham precipitado quando acusaram o Henrique Raposo de ter escrito, and I quote, uma &#8220;grunhice racista&#8221; lá no blogue do Henrique Raposo. Como alertava o rabino hassídico Afonso Azevedo Neves, único intérprete autorizado dos escritos &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/07/09/a-cabala-decifrada/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: justify;">Temo que os meus camaradas se tenham precipitado quando acusaram o Henrique Raposo de ter escrito, and I quote, uma &#8220;<a href="http://5dias.net/2010/07/06/sou-eu-que-estou-a-ver-mal/">grunhice racista</a>&#8221; lá no blogue do Henrique Raposo. Como alertava o <a href="http://31daarmada.blogs.sapo.pt/4273557.html">rabino hassídico Afonso Azevedo Neves,</a> único intérprete autorizado dos escritos herméticos do Henrique Raposo, nem tudo o que parece é, e nem tudo o que é, parece. Para chegar à Sabedoria (&#8220;hokma&#8221; em hebraico, &#8220;sophia&#8221; em grego, &#8220;arandu&#8221; em tupi-guarani), mister é aprender a ler e procurar ir para além do entendimento literal ou comum (&#8220;peshat&#8221; em hebraico, &#8220;koiné&#8221; em grego, sem equivalente em tupi-guarani). Naturalmente, o cabalista Afonso não está autorizado a revelar  aos não-iniciados o significado oculto nos livros sagrados do Henrique Raposo, e é o que não querem compreender os meus camaradas, em geral bons rapazes mas com demasiado apego ao materialismo histórico para conseguirem ver para além do Verbo do Henrique Raposo, que esconde na verdade tudo o que existe, existiu e há-de um dia existir. Eu, que sou uma pessoa mais espiritual e bastante mais gira, decidi consultar o último cabalista do morgadio, que me autorizou a revelar ao mundo toda a Verdade, nada mais que a Verdade, in accordance with the old &#8220;sod&#8221; (em hebraico, &#8220;mistério&#8221;, &#8220;significado esotérico expresso na cabala&#8221;).</div>
<div style="text-align: justify;">Eis <a href="http://clubedasrepublicasmortas.blogs.sapo.pt/402912.html">o post</a> em que alguns julgaram ver uma &#8220;grunhice racista&#8221;:</div>
<div><img class="aligncenter size-full wp-image-42482" title="Post_Yohann" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/07/Post_Yohann.bmp" alt="" /></div>
<div style="text-align: justify;">Para os gentios, entre os quais me incluo, o post diz, literalmente, &#8220;<em>Olha, um francês na selecção da França!</em>&#8220;. Se aplicarmos agora o acróstico formado pela decomposição da palavra &#8220;<a href="http://31daarmada.blogs.sapo.pt/4273557.html">Dumbass</a>&#8220;, que em aramaico quer dizer &#8220;Aquele que não lê&#8221;, às letras que o post contém, traduzindo o todo primeiro para a língua do Talmude, depois para português contemporâneo, e a seguir para português de blogue, obtemos o seguinte resultado:</div>
<div style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-42483" title="Olha Pizza" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/07/Olha-Pizza.bmp" alt="" /><br />
À primeira vista, pode parecer uma legenda incongruente para o que parece ser, também à primeira vista, uma foto do Yoann Gourcuff, infelizmente não em tronco nu; mas se convertermos a palavra &#8221;Dumbass&#8221; em algoritmo, seguindo as instruções rabínicas contidas na Tora, e o aplicarmos aos píxeis hebraicos que compõem a imagem, obtemos o seguinte resultado:  <span id="more-42481"></span></div>
<div><img class="aligncenter size-full wp-image-42484" title="Olha Pizza ilustrada" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/07/Olha-Pizza-ilustrada.bmp" alt="" /></div>
<div style="text-align: justify;">O significado deste post de 11 de Junho ganha consistência quando o cotejamos com <a href="http://clubedasrepublicasmortas.blogs.sapo.pt/405907.html">este outro post</a> escrito quatro dias depois, a 15 de Junho:</div>
<div><a href="http://clubedasrepublicasmortas.blogs.sapo.pt/405907.html" target="_blank"></a></div>
<div style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-42485" title="Queiroz" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/07/Queiroz.bmp" alt="" /><em> </em><em> </em></div>
<div style="text-align: justify;"><em>&#8220;Queiroz, mete o Deco e o Liedson num avião para Lisboa</em>&#8221; também não quer dizer, como poderiam pensar os não-iniciados, &#8220;<em>Queiroz, mete o Deco e o Liedson num avião para Lisboa</em>&#8220;, mas sim:</div>
<div style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-42519" title="Afonso1" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/07/Afonso12.bmp" alt="" /></div>
<div style="text-align: justify;">Perfeitamente inocente, como vêem, e sem qualquer odor a xenofobia ou a racismo, pese embora talvez com demasiado alho para paladares sensíveis. I bet you feel rather silly now that the truth is out; don&#8217;t be afraid to show it.  E já sabem: a próxima vez que quiserem decifrar um post do Henrique Raposo, perguntem ao Queiroz (you know who I mean).</div>]]></content:encoded>
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		<title>Em que posição joga o Badiou?</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Jul 2010 20:14:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Machado de Assis, esse grande zagueiro da literatura brasileira, dizia que se encontra filosofia em tudo, o que é preciso é &#8220;um espírito repousado&#8221; para lhe achar o sentido. &#8220;Como deveis saber, há em todas as coisas um sentido filosófico. Carlyle &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/07/06/em-que-posicao-joga-o-badiou/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="265" height="193" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/ur5fGSBsfq8&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="265" height="193" src="http://www.youtube.com/v/ur5fGSBsfq8&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"></embed></object></p>
<div>Machado de Assis, esse grande zagueiro da literatura brasileira, dizia que se encontra filosofia em tudo, o que é preciso é &#8220;um espírito repousado&#8221; para lhe achar o sentido. &#8220;<em>Como deveis saber, há em todas as coisas um sentido filosófico. Carlyle descobriu o dos coletes, ou, mais propriamente, o do vestuário; e ninguém ignora que os números, muito antes da loteria do Ipiranga, formavam o sistema de Pitágoras</em>&#8220;. Os <a href="http://5dias.net/2010/07/05/whats-left-in-football/">puristas</a> desconfiam deste sincretismo, e se calhar com razão: os números de Pitágoras servem para os jogos de azar da sociedade capitalista? Proíbam-se os números de Pitágoras! De qualquer forma, o esquema pitagórico do meio campo em triângulo foi ultrapassado pelo losango, e as políticas promovidas pelos números no poder  – sobretudo o 2, o 4 e o 8 – são vergonhosamente de direita. Proíbam-se os números para podermos dedicar-nos em força à literatura! Ao menos essa não pode ser corrompida pelo baixo instinto da competição: ao contrário dos números, as palavras são todas iguais e dão sempre &#8220;<a href="http://pastoralportuguesa.blogspot.com/2008/02/james-joyce-flash-interview.html">o seu melhor em prol do parágrafo</a>&#8220;, num espírito de abnegação e equipa que faltou a Cristiano Ronaldo. O que é preciso é que o humor não saia de  jogo, porque assim não ganhamos, <a href="http://pastoralportuguesa.blogspot.com/2008/02/james-joyce-flash-interview.html">James</a>!</div>
<div> </div>
<div><a href="http://pastoralportuguesa.blogspot.com/2008/02/james-joyce-flash-interview.html" target="_blank"></a></div>]]></content:encoded>
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		<title>A igreja estava toda iluminada</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Jul 2010 18:37:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Andava eu à procura de um videozinho para descalçar a quota a que estou obrigada pelo plano quinquenal do 5dias, respeitando simultânea e consecutivamente o pacto de não proliferação de posts sobre baixa política, jogadores &#38; adeptas em tronco nu e &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/07/04/a-igreja-estava-toda-iluminada/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>Andava eu à procura de um videozinho para descalçar a quota a que estou obrigada pelo plano quinquenal do 5dias, respeitando simultânea e consecutivamente o pacto de não proliferação de posts sobre baixa política, jogadores &amp; adeptas em tronco nu e o Mundial, quando dei com este vídeo dos Radiohead <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="55" height="44" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/r5UIK1vilsA&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="55" height="44" src="http://www.youtube.com/v/r5UIK1vilsA&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"></embed></object>.</div>
<p>No surprises here: é o Thom York a imitar o Thom Yorke, que é homem para me pôr a gostar de Tony Carreira se um dia lhe der para homenagear o artista (com uma cover do &#8220;Ai Destino, Ai Destino&#8221; / &#8220;Oh Destiny, Oh Destiny&#8221;, por ex.). O curioso não é o vídeo, mas um dos comentários: há um caramelo ou uma caramela (a doce estultícia não escolhe sexos) que, julgando honrar o tema, confessa: &#8220;<em>this song was my wedding march, played in a 400 yo [years old] pipe organ in a big spanish cathedral. it blew up my brains</em>&#8220;. Não há razão para alarme: a música não lhe rebentou com os miolos, como se prova pela disponibilidade física da pessoa em questão para andar a escrever comentários desta estirpe no youtube, mas deixou-me preocupada com o desfecho da história. Eu acho que o casamento é um péssimo negócio para todas as partes envolvidas, mas o que levará um crente a escolher para marcha nupcial uma música que inclui os versos &#8220;<em>I&#8217;ll take the quiet life; a﻿ hand-shake of carbon monoxide</em>&#8220;? Uma pessoa com os mínimos olímpicos de sensibilidade é assaltada por terríveis pressentimentos em forma de flashback. Cena: catedral espanhola, amigos da noiva para um lado, família do noivo para o outro. O organista dá ao pedal, ouvem-se os primeiros acordes do No Surprises, and here comes the bride. <em>Alta emócion</em>: claques deliram com este corrosivo hino anti-rotina doméstica, noiva julga-se a melhor noiva do mundo, choram mães de ambos os lados, and they live unhappily ever after. A menos que haja aqui uma intenção de autoderrisão (o que o primeiro levantamento hermenêutico não permite sustentar), deve haver poucas músicas menos adequadas para banda sonora de um casamento. Assim de repente, só me ocorrem duas:</p>
<div> </div>
<div>– o &#8220;Murderers, the hope of women&#8221; <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="57" height="45" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/3pD24A858Fc&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="57" height="45" src="http://www.youtube.com/v/3pD24A858Fc&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"></embed></object><br />
(todos juntos: &#8220;<em>In my pipe and slippers / Do I look like Jack The Ripper? / Sweet Fanny Adams / But I poisoned you with every kiss / Smothered you with domestic bliss (&#8230;) / [And] in white hair, wrinkles and false teeth / I escaped detection by the police</em>&#8220;);</div>
<div> </div>
<div>– e o &#8220;Better off without a wife&#8221; <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="59" height="44" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/PV7bxC0UVMM&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="59" height="44" src="http://www.youtube.com/v/PV7bxC0UVMM&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"></embed></object>, do Tom Waits, dedicated to a girl &#8220;who&#8217;s been married so many times she has rice marks all over her face&#8221;.</div>
<div> </div>
<div>Qualquer uma faria boa figura no ranking mundial da FÍFiA &#8220;as piores músicas para bodas&#8221; – ou as mais adequadas, se quisermos ser cínicos. Eu não acredito em self-fulfilling prophecies, pero qué las hay, las hay: é ver no que deram as núpcias entre o BES, os Black Eyed Peas e a selecção, aliás apadrinhadas pelo seleccionador nacional  <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="64" height="45" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/7YIcfLFZR7k&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="64" height="45" src="http://www.youtube.com/v/7YIcfLFZR7k&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"></embed></object>. Antes, o Cristiano Ronaldo previa: &#8220;Eu tenho um feeling e uma certeza. O feeling é que a selecção vai fazer um grande mundial. E a certeza é que o meu dinheiro vai continuar a render no BES&#8221;. Cumpriu-se o fado, e o <em>feeling</em> se desfez. Faltou cumprir-se <a href="http://5dias.net/2010/06/23/a-fifa-devia-proibir-portugal-de-jogar-no-mundial/">Por-tu-gal</a>.</div>]]></content:encoded>
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		<title>Y viva o Paraguai!</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Jul 2010 18:33:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgada de V.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Definitivamente, a equipa com melhores qualidades bio-mecânicas, como diria o maradona português (raptado daqui).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-42097" title="roque santa cruz" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/07/roque-santa-cruz.jpg" alt="" width="345" height="400" /></p>
<p>Definitivamente, a equipa com melhores qualidades bio-mecânicas, como diria o maradona português (raptado <a href="http://aminhavidanaoeisto.blogspot.com/2010/07/algumas-boas-razoes-ii.html">daqui</a>).</p>]]></content:encoded>
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