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	<title>cinco dias &#187; Marta Rebelo</title>
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	<description>cinco dias, cinco pessoas</description>
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		<title>Na smart season&#8230;</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Sep 2008 18:23:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marta Rebelo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Finda a época silly &#8211; sim, sim, já sei que os simpáticos críticos e os críticos que não são simpáticos e ainda aqueles que nem sim, nem não dirão que silly&#8230; sempre &#8211; decidi-me pelo regresso sério aos blogues. Despedi-me do meu linha.de.conta e tenho um blogue novo (estão a ver a indicação «PUB» no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Finda a época <em>silly</em> &#8211; sim, sim, já sei que os simpáticos críticos e os críticos que não são simpáticos e ainda aqueles que nem sim, nem não dirão que <em>silly</em>&#8230; sempre &#8211; decidi-me pelo regresso sério aos blogues. Despedi-me do meu linha.de.conta e tenho um blogue novo (estão a ver a indicação «PUB» no canto superior direito?). Chama-se <a href="http://www.babelxxi.blogspot.com">BABEL</a>.<br />
E aqui, vão encontrar-me mais vezes, já que a Ana Matos Pires me garantiu que não fui renegada:-)</p>]]></content:encoded>
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		<title>Afinal está tudo vem: já há massagens nos Al-garves</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Jul 2008 17:46:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marta Rebelo</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Reporta a Lusa, em take que aqui se publica na integra:
Faro, 29 Jul (Lusa) &#8211; O comandante da Zona Marítima do Sul refutou hoje que tenha sido decretada este ano a proibição de massagens nas praias algarvias, mas admitiu existirem restrições nas zonas de domínio público marítimo.
&#8220;Não há proibição em parte nenhuma&#8221;, argumentou Reis Ágoas, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Reporta a Lusa, em <em>take </em>que aqui se publica na integra:</p>
<p><em>Faro, 29 Jul (Lusa) &#8211; O comandante da Zona Marítima do Sul refutou hoje que tenha sido decretada este ano a proibição de massagens nas praias algarvias, mas admitiu existirem restrições nas zonas de domínio público marítimo.<br />
&#8220;Não há proibição em parte nenhuma&#8221;, argumentou Reis Ágoas, admitindo que têm havido &#8220;limitações&#8221; à prática da actividade, sujeita a licenciamento, como outros serviços que se prestam nas praias.<br />
De acordo com aquele responsável, por razões &#8220;de saúde pública&#8221; há que ter uma preocupação &#8220;suplementar&#8221; com os produtos utilizados nas massagens e com o facto dos massagistas serem credenciados.<br />
A agência Lusa contactou o responsável pela empresa &#8220;A Vida é Bela&#8221;, que explora o conceito de &#8220;Experience Beach&#8221; na Praia da Terra Estreita, em Santa Luzia, que admitiu a existência de uma falha na legislação.<br />
A empresa tem explorado a concessão daquela praia, onde é possível ter acesso a diversas experiências, passando por &#8220;workshops&#8221; de sushi e a realização de massagens, entre outros.<br />
&#8220;Não há uma norma que diga o que é legal ou ilegal&#8221;, afirmou António Quina, classificando uma possível proibição como &#8220;um atentado ao turismo&#8221;, porque as pessoas querem ter &#8220;cada vez mais serviços nas praias&#8221;.<br />
Segundo António Quina, a sua empresa vende mais de seis mil massagens por ano, sendo que todos os terapeutas são credenciados, pelo que não existe qualquer fundamento em proibir massagens na praia.<br />
O pedido de licenciamento para a realização da actividade na Praia da Terra Estreita, onde só se pode aceder de barco, foi feito há três semanas, contudo, ainda não houve resposta. </em></p>]]></content:encoded>
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		<title>As massagens proibidas e o Senhor Comandante dos Al-garves</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Jul 2008 09:48:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marta Rebelo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Marta Rebelo]]></category>
		<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Bem sei que já adquiri um estatuto de «para-renegada» aqui no 5 Dias, mas hoje não resisto, mesmo sujeitando-me aos vossos «ralhetes».
Estava eu na minha rotineira pressa matinal, a preparar-me para o que se passava no mundo ouvindo a TSF, quando os meus ouvidinhos deparam com esta pérola: o comando marítimo do sul decidiu banir [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bem sei que já adquiri um estatuto de «para-renegada» aqui no 5 Dias, mas hoje não resisto, mesmo sujeitando-me aos vossos «ralhetes».<br />
Estava eu na minha rotineira pressa matinal, a preparar-me para o que se passava no mundo ouvindo a TSF, quando os meus ouvidinhos deparam com esta pérola: o comando marítimo do sul decidiu banir as massagens das praias algarvias. Pasme-se coma proibição, mas é verdadeira, e plenamente justificada por um Senhor Comandante que vociferava na minha pequena telefonia: «é que há massagens e massagens». A moral e os bons costumes assim obrigam. E por vezes as massagens até servem para divulgar produtos, acções de marketing… diz o Senhor Comandante. Pois não pode ser!<br />
A Região de Turismo do Algarve não se manteve á margem da controvérsia e já fez saber que se fazem massagens em todas as praias do mundo, o Algarve não pode ficar atrás.<br />
Pois, que há massagens e massagens, é verdade. Que há Comandante e Comandantes também. A seguir vem a fita métrica para avaliar dos centímetros a menos dos biquínis das senhoras? É que em todas as praias do mundo se podem usar biquínis, pequenos ou maiores, será que o Algarve ficará para trás?!</p>
<p><a href="http://www.tsf.pt/paginainicial/AudioeVideo.aspx?content_id=972861" target="_blank">Vide na TSF, porque é mesmo verdade.</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>A ponte é uma passagem… para que margem?</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Apr 2008 13:52:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marta Rebelo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Marta Rebelo]]></category>

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		<description><![CDATA[Cá estou eu de volta. Para alegria, neutralidade ou descontentamento dos nossos leitores. E tentando evitar a pena capital a que os meu caríssimos co-bloggers já me terão sentenciado.
Volto numa semana amornada pelo feriado e subida de temperatura. Numa semana em que só Manuela Ferreira Leite – com a decisão mais difícil da sua vida [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cá estou eu de volta. Para alegria, neutralidade ou descontentamento dos nossos leitores. E tentando evitar a pena capital a que os meu caríssimos <em>co-bloggers </em>já me terão sentenciado.<br />
Volto numa semana amornada pelo feriado e subida de temperatura. Numa semana em que só Manuela Ferreira Leite – com a decisão mais difícil da sua vida e a lucidez de entender que daqui a pouco mais ninguém leva o PSD a sério – e Pacheco Pereira – com o seu instantâneo do lançamento da candidatura, para o espaço fotográfico do seu Abrupto – fazem manchetes e prendem (alguma) atenção.<br />
Na ressaca de um acutilante discurso presidencial celebrativo de Abril, o país perde-se numa enorme ponte, que acalma o trânsito, as ruas e as horas. Calculo que não acalme Belém… Será possível edificar uma ponte que ligue a <em>coisa pública </em>à <em>juventude (tão) privada</em>?</p>]]></content:encoded>
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		<title>Qu’est-ce que c’est que cette question?</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Nov 2007 13:21:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marta Rebelo</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Já todos sabemos e muitos comentaram a saída tempestuosa de Nicolas Sarkozy do cenário da entrevista que concedia à norte-americana CBS. Já sabemos que se insurgiu de forma verbalmente violenta, vociferando um «imbecil!» para o assessor de imprensa que o acompanhava. E conhecemos os porquês da fúria do príncipe gaulês: o recente divórcio de Cécile.
No [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Já todos sabemos e muitos comentaram a saída tempestuosa de Nicolas Sarkozy do cenário da entrevista que concedia à norte-americana CBS. Já sabemos que se insurgiu de forma verbalmente violenta, vociferando um «imbecil!» para o assessor de imprensa que o acompanhava. E conhecemos os porquês da fúria do príncipe gaulês: o recente divórcio de Cécile.<br />
No exercício do direito à livre opinião e manifestação respectiva, Miguel Sousa Tavares deu-nos a sua perspectiva, no «Primeiro Caderno» do Expresso deste fim-de-semana. Sobre o abandono a que Sarkozy votou a jornalista da CBS, escreve MST: <em>Tiro-lhe o chapéu: não cedeu ao terrorismo jornalístico da devassa, disfarçado de “direito do público à informação”</em>.<br />
Ora, que grande chapelada! Pois então não foi Sarkozy qye publicitou aos quatro ventos os rumos do seu <em>mariage avec la belle Cécile</em>? Não foi Sarkozy que deu tempo de antena ao seu também tempestuoso casamento, à história de amor que uniu o promissor político de ascendências húngaras e a preclara burguesa de sangue cigano? Não terá sido por mandato de Sarkozy que <em>Madame </em>Sarkozy se deslocou à Líbia, como negociadora e representante da França (ou de Sarkozy, tão-somente?)? E não foi do Gabinete de Nicolas Sarkozy que saiu o comunicado relativo ao seu divórcio, no exacto dia em que os serviços públicos franceses cerravam portas por toda a Gália, numa greve contestatária das políticas «sarkozynianas» de proporções até então inéditas?<br />
Pois só consigo perceber algum rasgo na atitude de Sarkozy se considerarmos, como MST relembra, que aquando da gravação da entrevista para o «60 Minutes», o divórcio não havia sido anunciado. Estaria o Presidente francês irritado pela devassa da sua vida privada, ou pelo fracasso a que a pergunta votava uma medida de charme, reclame e romance dirigido no dia certo – o da greve nacional – aos franceses?<br />
Claro está que quem exerce cargos políticos e sobretudo cargos públicos, se sujeita a uma exposição crescente, consequência do jogo do mercado: há procura pelos leitores, há oferta pelos media. E há interesse publicitário dos expostos. Mas a linha de fronteira entre o publicável e o íntimo, cabe a cada um dos expostos definir. E a razoabilidade do discurso, a selecção do que é notícia porque verídico ou do que não o seja, porque falso ou simples rumor – o boato, essa coisa tão em voga –, o preconceito – aquele que mais por aí vinga – ou a credibilidade, cabem a cada meio de comunicação social.<br />
Ou, como disse Sarkozy, a caminho da porta de saída, «Au revoir, bon courage!»</p>]]></content:encoded>
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		<title>Menino não entra</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Oct 2007 15:21:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marta Rebelo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não gostei – continuo, aliás, a não gostar – da cobertura mediática do ranking das escolas secundárias do país. Não vou discutir o método de elaboração da lista, que se divide entre a crítica e o louvor – eu criticaria. Não discuto as opções educacionais dos pais, que preferem um colégio unisexo a uma escola [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não gostei – continuo, aliás, a não gostar – da cobertura mediática do ranking das escolas secundárias do país. Não vou discutir o método de elaboração da lista, que se divide entre a crítica e o louvor – eu criticaria. Não discuto as opções educacionais dos pais, que preferem um colégio unisexo a uma escola mista. Nem levo esta modesta prelecção pelos trilhos da discussão em torno da qualidade do ensino público face ao privado, e vice-versa.<span id="more-1587"></span><br />
Não. O que me incomoda na forma como a comunicação social foi e vai destacando o assunto é o sublinhar constante da teoria da divisão de sexos no ensino. Que como opção ultrapassa o aceitável – haja liberdade de escolha –, mas como teoria apenas me merece repúdio. Li e ouvi em vários meios de comunicação social as alegações de uma dirigente do Colégio Mira Rio, feminino, que este ano foi vencedor nesta pretensa corrida ao pódio. A professora entende que o ensino diferenciado faz toda a diferença, dada a ausência de homogeneidade em turmas mistas – às raparigas assiste, diz, maior capacidade de análise, de síntese e de concentração. Já os rapazes, esses valdevinos marialvas, recebem – com toda a justiça, aparentemente! – tratamento especificamente dedicado à sua desatenção crónica e criatividade infinda, e desde que o ensino seja adequado a estas características tão próprias, também têm bons resultados no acesso ao ensino superior. É, pelo menos, o que sucede no Colégio Cedros, masculino.<br />
Numa era em que a globalização e o cosmopolitismo marcam o correr dos dias, a heterogeneidade, a não ser que comprovadamente nociva, deve ser preservada. Valorizada e incentivada. A troca de experiências, de pontos de vista, a comunhão de relatos e formas distintas de compreender a vida, são mais-valias.<br />
Quem entenda que a diferenciação supera as vantagens da pluralidade, tem à sua escolha inúmeras opções. São válidas, correspondem a prismas diversificados. O que me incomoda é que o objectivo quarto poder carregue de subjectividade religiosa e de amparo à diferenciação de géneros a informação que oferece, de forma <em>neutra</em>, ao público que a consome. Ou terá sido um retrocesso social, o fim da diferenciação de géneros na rede de ensino público?</p>]]></content:encoded>
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		<title>A carta</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Oct 2007 17:38:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marta Rebelo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tudo começou com a carta. Os últimos dias de celebridade da União tiveram na epístola um proémio.
A semana passada começava com a carta do Presidente da UE em exercício – leia-se, o nosso Primeiro-Ministro. José Sócrates dirigiu uma missiva aos líderes europeus, na tentativa de ultrapassar questiúnculas, problemas e adversidades que alguns Estados-Membros encontravam na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tudo começou com a carta. Os últimos dias de celebridade da União tiveram na epístola um proémio.<br />
A semana passada começava com a carta do Presidente da UE em exercício – leia-se, o nosso Primeiro-Ministro. José Sócrates dirigiu uma missiva aos líderes europeus, na tentativa de ultrapassar questiúnculas, problemas e adversidades que alguns Estados-Membros encontravam na versão a aprovar do Tratado Reformador.<br />
Os italianos zangados com a perda de eurodeputados, os britânicos com tudo-o-de-sempre, os polacos com um rol reivindicativo extenso que nos faz perguntar que curvas e contracurvas terá percorrido aquele país, para do comunismo chegar a este ultra-conservadorismo que a UE tolera e sei lá eu porquê – porque tolerar?&#8230; E depois de um sinuoso percurso mental, relembro os porquês das curvas da Polónia e da tolerância da Europa…<span id="more-1583"></span><br />
A verdade é que na madrugada de quinta para sexta-feira da semana passada, os Presidentes José Sócrates e José Manuel Barroso (antes conhecido como José Manuel Durão Barroso, mas a babel europeia não tem contemplações fonéticas para sons de irrealizável pronúncia) anunciaram o consenso, o alcance da meta: os 27 assinarão o Tratado Reformador. Que passa a ser conhecido como «Tratado de Lisboa». Confesso, sem qualquer ironia, que não diria melhor do que Sócrates: «Porreiro, pá. Porreiro». Claro está – pá – que eu sou uma europeísta convicta, vigorosamente convicta.<br />
Ainda a Europa estava a celebrar – ou, no caso dos cidadão menos próximos da União (e ele há tantos e tantos e tantos), a descortinar – o fim do impasse, já a Polónia se antecipava ao <em>reality check</em> que o Presidente da UE lançou esta manhã, no Parlamento Europeu, e «acordava» dos anos de reinado trágico do surrealista dueto Kaczynski. Foi-se Jaroslaw, demora-se Lech – que já prometeu o veto presidencial a todas as medidas de cariz liberal que atravessem a porta do palácio do presidente. Como a vitória sorriu aos liberais da Plataforma Cívica de Donald Tusk, é de antecipar intensa actividade pelo gémeo que sobra.<br />
O despertar polaco veio em boa hora, e o novo Primeiro-Ministro de um centro-direita pró-europeísta era tudo o que a União pedia para a <em>festa rija</em> da comemoração. Se os líderes europeus anuíram no «sim» ao Tratado, a resposta polaca à missiva de José Sócrates foi duplamente positiva.<br />
Temos, portanto, um gémeo a menos. Temos um «Tratado de Lisboa». Não temos referendo, mas, como afirmou ontem Manuela Ferreira Leite, na Renascença – e parece teima a concordância com a ex-Ministra, mas não é, acontece – um referendo ao novel «Tratado de Lisboa» não tem sentido, dada a irreversibilidade da integração de Portugal na Europa.<br />
Cartas, essas, dá a nossa presidência. Com ajuda dos que antecederam – no caso d<strong>a</strong> senhor<strong>a </strong>Merkl, que antecedeu – e dos que seguem.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Os «Cadernos da Guerra», de Manuela Ferreira Leite</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Oct 2007 12:10:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marta Rebelo</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Se os Cadernos de Marguerite Duras saíram finalmente dos «armários azuis» da sua casa para os arquivos do IMEC, em 1995, os Cadernos da nossa antiga Ministra das Finanças iniciaram a saída da penumbra para o histórico da vida interna do PSD, este fim-de-semana.
O «Caderno de Torres Vedras», apresentado do alto do púlpito, tem três [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se os <em>Cadernos</em> de Marguerite Duras saíram finalmente dos «armários azuis» da sua casa para os arquivos do IMEC, em 1995, os <em>Cadernos</em> da nossa antiga Ministra das Finanças iniciaram a saída da penumbra para o histórico da vida interna do PSD, este fim-de-semana.<br />
O «Caderno de Torres Vedras», apresentado do alto do púlpito, tem três textos de elevada qualidade, e a reacção dos congressistas e da comunicação social não deixou margem para dúvidas. Estes «Cadernos» são já um <em>best seller</em>.<br />
O prólogo deste «Caderno de Torres Vedras»: a ideologia morreu, longa vida à ideologia, viva o pragmatismo e a comunicação do rigor e da confiança.<br />
O primeiro texto, sobre o tema «Este não é um bom momento para lançar essa questão fracturante», versa sobre a regionalização. Sendo um tema que fracciona a sociedade e o próprio – e já muito fracturado – partido, não deve ser o PSD a elevar a questão a tema da actualidade nacional (de imediato, este texto fez escola, com Miguel Relvas a colocar completamente de parte a regionalização, sobre o slogan «união sim, pensamento único não»).<br />
O texto segundo versa sobre o referendo europeu, e conhece o título «Este não é um bom momento para lançar essa questão fracturante II». Não são tempos de referendos, e menos ainda de dar o braço ao PS, é a moral do capítulo.<br />
O derradeiro texto do «Caderno de Torres Vedras» tem por título «Há uma grande diferença entre aquilo que queremos e aquilo que podemos fazer». A encerrar o primeiro dos «Cadernos da Guerra», Manuela Ferreira Leite fala sobre a impossibilidade real de baixar os impostos, neste momento, e da improbabilidade política de utilizar este estilo discursivo: pois se o PSD clamar pela descida dos tributos, estará a dar razão ao PS e a avalizar a sua política, tão boa que permitiria solicitar impostos mais baixos.<br />
As técnicas de sedução de Luís Filipe Menezes revelaram-se um <em>flop</em>. Tal como Duras, Ferreira Leite sabe bem que a vitória em certas guerras redunda em derrota. Mais vale ficar-se pelo registo dos eventos, que fazem escola e as delícias dos pragmáticos. </p>]]></content:encoded>
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		<title>Do comércio dominical, vespertino e tradicional</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Oct 2007 11:19:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marta Rebelo</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[O tema não é novo, a discussão não é recente. Mas a cada Domingo, relembro-o. E às vezes fico mais agastada, outras vezes fico menos. Refiro-me à obrigatoriedade legal de encerramento das grandes superfícies aos Domingos, a partir das 13h.
Acontece que esta proibição legal de funcionamento vespertino e dominical, encontra razão de ser na protecção [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O tema não é novo, a discussão não é recente. Mas a cada Domingo, relembro-o. E às vezes fico mais agastada, outras vezes fico menos. Refiro-me à obrigatoriedade legal de encerramento das grandes superfícies aos Domingos, a partir das 13h.<br />
Acontece que esta proibição legal de funcionamento vespertino e dominical, encontra razão de ser na protecção do comércio tradicional, que se veria esmagado pelas grandes superfícies se assim não fosse. Será? Alguém me diz onde é que há um estabelecimento de comércio tradicional aberto aos Domingos? Excepção feita aos centros comerciais e a alguns supermercados – que não são «tradicionais» – não encontro estabelecimentos comerciais em dinâmico funcionamento…<br />
O resultado é a ausência de protecção jurídica ao dito comércio tradicional – uma vez que os próprios comerciantes tradicionais abdicam dessa tutela, não laborando nesse horário que legalmente lhes é reservado – e a ausência manifesta de alternativas para o consumidor. O Direito só deve ser proibitivo de comportamentos em nome de um dado valor que justifique a limitação da liberdade. Não encontro um valor efectivo, neste caso.<br />
Assim sendo, para além do pedido de informação cartografada relativa à geografia de estabelecimentos de comércio tradicional eventualmente abertos ao Domingo à tarde, pergunto se alguém terá à mão uma daquelas petições que circulam na net, pela liberalização do horário de funcionamento das grandes superfícies? É que numa segunda-feira, ainda fresca a busca gorada, eu assino de bom grado…</p>]]></content:encoded>
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		<title>Pelas oito e quarenta desta manhã (ou PSL matinal na TSF)</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Oct 2007 11:09:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marta Rebelo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Hoje, logo às 8h40m, no meio de trânsito de Lisboa, TSF ligada, entra em cena Pedro Santana Lopes, para a sua crónica diária. O tema: uma suposta e anunciada debandada (e já vão três…) dos perdedores das directas e seus apoiantes ao Congresso de Torres Vedras. Duas notas prévias:
(1) Já ia sendo tempo de alguém [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje, logo às 8h40m, no meio de trânsito de Lisboa, TSF ligada, entra em cena Pedro Santana Lopes, para a sua crónica diária. O tema: uma suposta e anunciada debandada (e já vão três…) dos perdedores das directas e seus apoiantes ao Congresso de Torres Vedras. Duas notas prévias:<br />
(1) Já ia sendo tempo de alguém explicitar a PSL que o PPD/PSD jaz finado – se não estava já defunto, as directas de há uma semana eliminaram de vez o PPD, e estamos cá para ver qual é o PSD que perdura;<br />
(2) Depois, há muito que dizer sobre a vida e a «carreira» de PSL, mas que nunca se diga que não deu a cara quando a derrota era óbvia ou quando era óbvia a falência dos projectos que encabeçava, mesmo quando anunciou uma omnipresença <em>sui generis</em>, dizendo que andaria «por aí».<br />
Em rigor dos rigores, estes são tempos em que a razão vai assistindo a PSL.<span id="more-1526"></span><br />
A interrupção da entrevista conduzida por Ana Lourenço, na SIC Notícias, face ao incrível corte para o directo da chegada de Mourinho (ainda que PSL se mostrasse já um pouco agastado face à reportagem exibida minutos antes, onde figurava um dos seus homens fortes em Lisboa), e a lógica de manter a face em qualquer circunstância, sugerindo a demonstração de bom perder mesmo quando não se tem, são provas desta recente revisitação da razão por PSL.<br />
Eu confesso que, fosse eu militante do PSD – cenário que, de facto, veria com muita dificuldade, mas façamos um «suponhamos», como diziam os outros… – gostaria muito de não ir ao Congresso do próximo fim-de-semana. Ou, como disse ontem, na RTP 1, o Professor Marcelo Rebelo de Sousa – ou afirmou, porque não é senhor de insinuações mas de afirmações, afirmação que também figurou nos comentários de ontem – «não vou ao Congresso porque não há nada a discutir, está tudo decidido».<br />
Realmente, bom ou mau perder à parte, discussão, profundidade ou decisão omissa ou presente na ordem de trabalhos do Congresso de Torres Vedras, nestes momentos o militante do PSD será uma mulher ou um homem nas suas circunstâncias e com a sua leitura dos acontecimentos recentes.<br />
Aguardemos, pois, o registo de entradas (e saídas) do Pavilhão Multiusos da Expotorres…</p>]]></content:encoded>
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		<title>Celebremos: Islamabad amnistia Benazir Bhutto</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Oct 2007 13:19:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marta Rebelo</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Notícia fresca, publicitada pela Lusa:
O Paquistão vai amnistiar a antiga primeira-ministra Benazir Bhutto, acusada de corrupção e actualmente exilada, cumprindo uma das suas condições para um acordo de partilha do poder com o Presidente Pervez Musharraf, anunciou hoje o governo.
&#8220;O governo aceitou retirar as suas acusações contra Benazir Bhutto&#8221;, disse o ministro dos Caminhos-de-Ferro, Sheikh [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Notícia fresca, publicitada pela Lusa:</p>
<p><em>O Paquistão vai amnistiar a antiga primeira-ministra Benazir Bhutto, acusada de corrupção e actualmente exilada, cumprindo uma das suas condições para um acordo de partilha do poder com o Presidente Pervez Musharraf, anunciou hoje o governo.<br />
&#8220;O governo aceitou retirar as suas acusações contra Benazir Bhutto&#8221;, disse o ministro dos Caminhos-de-Ferro, Sheikh Rashid, próximo do general Musharraf.<br />
&#8220;A decisão foi tomada numa reunião presidida pelo primeiro-ministro Shaukat Aziz&#8221;, adiantou. </em></p>
<p>Benazir Bhutto exilou-se «voluntariamente» em 1999. Não deixando de ser uma notícia extraordinária, mantenhamos viva a mui recente chegada e imediata partida do ex-primeiro-ministro paquistanês, afastado aquando da tomada do poder pelos militares. Mas quase me atreveria a qualificar como verdadeiramente extraordinária a existência de um Ministério dos Caminhos-de-Ferro no Paquistão. Que nunca mais se diga que temos Ministros a mais!</p>]]></content:encoded>
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		<title>A política é uma lotaria em que o único prémio é o direito a jogar outra vez …</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Oct 2007 11:54:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marta Rebelo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[… E a Luís Filipe Menezes saiu a sorte grande. E jogará, no direito que lhe assiste após o prémio de sexta-feira passada.
Na sequência do «post» que aqui deixei ontem, e depois de Manuela Ferreira Leite ter tornado público o seu sentido de voto, de o PSD/Lisboa revelar-se em todo o seu esplendor e reclamar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>… E a Luís Filipe Menezes saiu a sorte grande. E jogará, no direito que lhe assiste após o prémio de sexta-feira passada.<br />
Na sequência do «post» que aqui deixei ontem, e depois de Manuela Ferreira Leite ter tornado público o seu sentido de voto, de o PSD/Lisboa revelar-se em todo o seu esplendor e reclamar a cabeça da Presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, Paula Teixeira da Cruz (hoje há sessão da mesma… adivinha-se animada, por razões várias mas nenhuma relacionada com o município… infortúnio…), da elite social-democrata ter agora optado por guerrear-se em vez de debandar e de Mendes anunciar que pretende abandonar o cargo de deputado e dedicar-se às leis…<br />
… E após recuperar o fôlego, tamanha foi a sucessão de eventos e a velocidade descritiva necessária, devo acrescentar, em resposta que considero dever a quem teve a paciência de ler o que escrevi, o seguinte: parece-me, de facto, que o PSD demorará – muito – a recompor-se do consulado Mendes seguido de uma presidência Menezes. Nessa medida, concordo com o comentário de Carlos Fonseca.<br />
Já em relação às afirmações de Mário Soares, e aos pontos de encontro entre as opiniões que manifestou e as minhas – respondendo aqui ao nosso leitor Paulo Porto – penso que a eleição de alguém como Luís Filipe Menezes para a presidência de um dos maiores partidos portugueses, é uma desgraça. Não no sentido da chegada de um grande periclito, da eminência do perigo, pois é minha convicção que dano grave e efectivo Menezes provocará, ostensivamente, no PSD. E mais não lhe será dado a fazer ou provocar.<br />
O sentido que ofereço ao termo «desgraça» é o de considerar muito negativo para a política portuguesa – que já conhece as contingências de que se fala e volta a falar – ter LFM à frente do PSD. E, realmente, tão importante é ter uma boa governação, como ter uma boa oposição. É assim que a democracia funciona, em equilíbrio. Luís Filipe Menezes não equilibra coisa alguma. Antes, desequilibra um já tão desequilibrado PSD.<br />
A ver vamos. Mas veremos muita coisa muito antes de 2013.<br />
Não creio que a taluda repita Menezes como vencedor, ou que estejam reservados a este PSD grandes «jackpots»…</p>]]></content:encoded>
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		<title>Ela é que sabe (Manuela Ferreira Leite e a debandada das elites)</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Oct 2007 14:53:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marta Rebelo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ontem ouvi o Professor Marcelo Rebelo de Sousa opinar sobre os resultados das directas social-democratas. E explicar que Manuela Ferreira Leite, apoiante de Marques Mendes aquando da sua primeira eleição para a Presidência do PSD, quis manter-se à parte. Pudera! Ela é que sabe. Ao contrário do que profetizou Paula Teixeira da Cruz – com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ontem ouvi o Professor Marcelo Rebelo de Sousa opinar sobre os resultados das directas social-democratas. E explicar que Manuela Ferreira Leite, apoiante de Marques Mendes aquando da sua primeira eleição para a Presidência do PSD, quis manter-se à parte. Pudera! Ela é que sabe. Ao contrário do que profetizou Paula Teixeira da Cruz – com quem mantenho um quinzenal frente-a-frente no Correio da Manhã, e na discordância encontro cordialidade – as elites não debandariam em caso de vitória de Luís Filipe «Viva Portugaia» Menezes: as elites debandaram antes mesmo da temida vitória. Não foi só Manuela Ferreira Leite; não foram só os barrosistas, santanistas (parece que nem todos com LFM), a velha elite conservadora e polida. Ante as alternativas e o que o Partido Social-Democrata, com algum determinismo, passaria a ser, as elites debandaram logo no início. Manuela Ferreira Leite e qualquer militante com direito a cartão especial, com a devida referência no canto superior direito a «Militante de Elite», já estavam a milhas, na sexta-feira passada.<br />
Não sendo possível senão concordar com Mário Soares, quando afirmou, no sábado, que a desgraça se abateu sobre a política nacional, não posso deixar de discordar quanto ao referente temporal que utilizou: há muito que o país deixou de ter no PSD uma oposição «séria, forte e estruturada» (e cito).</p>]]></content:encoded>
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		<title>A gestão da geração</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Sep 2007 17:49:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marta Rebelo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O «nosso» Nuno Ramos de Almeida escrevia na Focus da passada quinta-feira sobre a saída de Paulo Teixeira Pinto da presidência executiva do BCP, designando a vitoriosa investida de Jardim Gonçalves e seus pares como demonstração de que «grande parte das elites nacionais tem a síndroma da Rainha Vitória: a governante inglesa durou tanto tempo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O «nosso» Nuno Ramos de Almeida escrevia na Focus da passada quinta-feira sobre a saída de Paulo Teixeira Pinto da presidência executiva do BCP, designando a vitoriosa investida de Jardim Gonçalves e seus pares como demonstração de que «grande parte das elites nacionais tem a síndroma da Rainha Vitória: a governante inglesa durou tanto tempo no poder que o trono ia só passando para o neto». E colocou a questão – tal como feito por Francisco Sarsfield Cabral, na Visão – de saber até que ponto esta síndrome não deixará «apeada da área de decisão toda uma geração de gestores». Eis a questão: o universo empresarial também precisa de «renovação»? Ou a «renovação» será apenas essencial e essência dos partidos políticos, dos cargos políticos, das instituições políticas? Ou, pelo menos, apanágio discursivo desta «classe»?<br />
Do lado dos gestores deste «Banco de gestores» – na medida em que foram estes profissionais os seus pais fundadores – a geração «Compromisso Portugal» saiu perdedora. <span id="more-1407"></span> Este «embrião de Think tank» (a expressão é dos próprios, no site respectivo), conta com Filipe de Botton, Diogo Vaz Guedes, João Pereira Coutinho e João Vieira da Silva na Comissão Promotora. Os três primeiros são accionistas do BCP, tendo integrado o grupo dos «Sete Magníficos» apoiantes de Paulo Teixeira Pinto (juntamente com Manuel Fino, Bernardo Moniz da Maia, Vasco Pessanha e Joe Berardo). O último teve um papel de destaque no processo de Assembleias-Gerais e recriadas Assembleias-Gerais, enquanto advogado e representante de accionistas. No próprio Conselho de Administração Executivo do BCP, António Castro Henriques e Francisco Lacerda, vogais que se posicionaram no lado da «barricada» de Teixeira Pinto e que agora viram os seus pelouros esvaziados por Filipe Pinhal, têm o perfil etário, académico e profissional da geração «Compromisso Portugal».<br />
Mas que geração é esta? O que quero eu dizer com «Geração Compromisso Portugal»? A expressão não traduz qualquer sentimento pejorativo. Estes gestores estão na casa dos quarenta, têm uma formação académica de excelência – tipicamente, licenciatura em Organização e Gestão de Empresas na Universidade Católica, com formação pós-graduada em instituições estrangeiras de prestígio, para conclusão de MBA –, viveram e vivem experiências profissionais e empresariais de sucesso. Têm experiência e êxito e «juventude empresarial». Da gestão devem passar – a maioria passou, já – à decisão. E da decisão à «grande área de decisão».<br />
Ora, a geração de Jardim Gonçalves passou uma rasteira a esta geração «Compromisso Portugal». A perpetuação na liderança do maior banco privado português, após uma guerrilha que cedo se tornou sonora e depois de uma vitória que quis expressiva – o anúncio público da sucessão de Filipe Pinhal a Teixeira Pinto aconteceu no Tagus Park, noutro concelho que não o da sede e casa do Conselho de Administração Executivo; Filipe Pinhal é dos seus – são sintomáticos da tal «síndrome de Vitória».<br />
Na verdade, é traço de personalidade lusitana esta falta de propensão para a descentralização etária. Ou mesmo para a descentralização. Apesar de simbolizarem na perfeição a ideia de que no governo do país (politica e economicamente) se perpetuam as mesmas famílias de sempre, ou talvez por isso, o afastamento compulsivo da «grande área de decisão», ou o seu adiamento «sine die», foi um golpe consistente nas aspirações desta geração seguinte. Legítimas, a meu ver. Pecar por sucesso e meia idade é muito distinto do pecado habitualmente imputado às gerações mais recentes, da inexperiência e juventude.<br />
Vitória, Rainha do Reino Unido, perpetuou-se no trono por longos – os mais longos da história do Reino – sessenta e três anos. Mas ao menos foi notícia pela real inovação de casar por amor. Da nossa elite gestionária, vitimada pela síndrome vitoriana, nem bom vento, nem bom casamento, como a Espanha – aquela de quem temos de preservar os centros de decisão nacionais… Assim deve estar a pensar a geração «Compromisso Portugal», que já desenvolveu contactos para continuar o seu caminho. É justo. Porque, escreveu o Nuno e bem (já que comecei com as palavras do Nuno, com elas termino), «as nossas elites são competentíssimas a garantir a sua permanência, mas ineficientes a promoverem a mudança».</p>]]></content:encoded>
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		<title>Pleonasticamente – ou preferem com acento?</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Sep 2007 17:44:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marta Rebelo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não há paciência. É redundante escrever sobre este tema. A reincidência é pleonástica. Mas enfim…
A falta de ocupação leva o português médio à concentração de esforços e atenções nos afazeres alheios. Que raramente escapam à crítica feroz e, naturalmente, negativa. O problema é que a negatividade, via de regra, acaba por envolver o autor e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não há paciência. É redundante escrever sobre este tema. A reincidência é pleonástica. Mas enfim…<br />
A falta de ocupação leva o português médio à concentração de esforços e atenções nos afazeres alheios. Que raramente escapam à crítica feroz e, naturalmente, negativa. O problema é que a negatividade, via de regra, acaba por envolver o autor e o produto das suas actividades.<br />
Misoginia feminina, vinagre, vinagrete, caixas de comentários. Como dizia o Jorge Perestrelo, já que de desporto se fala por estes dias, «é disto que o meu povo gosta». Claro está que o finado comentador se referia ao futebol. </p>]]></content:encoded>
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		<title>Da modernidade familiar</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Sep 2007 11:04:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marta Rebelo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Está «en vogue» analisar e catalogar os novos fenómenos relacionais e familiares. Se o casamento já ultrapassou todas as barreiras da tradição, o léxico recebe agora a novel fenomenologia familiar. As «famílias monoparentais», «pluriparentais», propostas tácitas de revisão das palavras «madrasta» e «padrasto», «enteados». O revisionismo vai, por vezes, mais longe, e tentam-se reavaliar as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Está «en vogue» analisar e catalogar os novos fenómenos relacionais e familiares. Se o casamento já ultrapassou todas as barreiras da tradição, o léxico recebe agora a novel fenomenologia familiar. As «famílias monoparentais», «pluriparentais», propostas tácitas de revisão das palavras «madrasta» e «padrasto», «enteados». O revisionismo vai, por vezes, mais longe, e tentam-se reavaliar as formas dos afectos. Os «laços» são hoje um abstraccionismo imperfeito, sucessor da perfeição concreta. Hoje, os defeitos são vistos à transparência, onde antes o opaco dos preconceitos e convenções sociais embaciava os movimentos.<br />
Nesta nova tendência, que se vem sedimentado e em Portugal está longe de edificação – ouso mesmo perguntar se dos laços familiares, dos parentescos, dos laços filiais, sairá alguma vez um concreto ou uma consistência – perco-me afogada pelas peças do puzzle que não descubro, ou que sou forçada a reconhecer perdidas, ou que existiram jamais?<br />
Começo pela árvore genealógica. E quando me confundo com um linhagista, transcende-me a realidade do sangue. Além da cor universal, de tipologias categorizadas e salvadoras, da espessura e da tragédia ou medo do seu esvair, a consanguinidade parece-me, hoje, muito pouco para alimentar uma árvore genealógica. </p>
<p><span id="more-1372"></span></p>
<p>É popular a certeza de que a família é fruto do acaso ou da mão divina, mas não resulta de escolha livre. Cada vez mais o homem se desdiz e faz prova do erro. Quando uma criança é adoptada, é muitas vezes escolhida pelos adoptivos pais. Agora que a genética avança e ultrapassa a normalidade reprodutiva, os pais – progenitores de facto – têm cada vez mais ao seu dispor uma panóplia de opções cromáticas – louro, morena, ruivo, olhos azuis, esverdeados, negro-azeitona? –, de género – não tardará o dia em que, sem fortuna, os pais de três meninas recusem uma quarta e ela chegue rapaz, trazida pelas cegonhas de Paris, lá de onde vêm os bebés, já os pobres pássaros com os voos trocados e os bicos presos no tráfego de nuvens…<br />
As técnicas de clonagem permitem até que amemos alguém tão profundamente que, vendo-nos na solidão da sua forçada ausência, façamos uma réplica perfeita e exacta. Ou que desagradados com o espelho, criemos um novo nós, dê-se lustro à perfeição.<br />
É portanto mentira que a sina incontornável seja essa da ausência de escolha. A família também se escolhe. E se o sangue que corre é outro, continua espesso e trágico. E se os nossos olhos verdes enganam a pele escura do bebé de colo, a maternidade permanece um estado de espírito.<br />
Interessa-me pouco se não há pai e mãe, mas apenas dois pais, duas mães.<br />
Há muito sangue comum que não é nosso, não nos enlaça em nada senão em cinzento. A família escolhe-se e escolhe-nos, nós escolhemos. A família sente-se, não se tem. Não é obrigatória, é natural. E natural é tão-somente a família que sentimos, inabalável, dolorosa, imensamente feliz mas de quando em vez infelizmente, nossa. Há por aí muito sangue que não é comum, mas é nosso.<br />
Portanto, os catálogos serão cada vez mais diversificados, questiono mesmo a necessidade de catalogar, a inglória da tarefa pelo desuso veloz em que caem. E as palavras, sempre ao nosso serviço e «insuportando» o imobilismo, servem para inventar, adaptar e dar novo uso e reinventar outras. Ou podemos, simplesmente, admitir que as palavras que temos servem muito bem. Mas de conteúdo fluído, que serve os nossos afectos e ventura.<br />
A família sente-se, não se tem. Só nos enlaça verdadeiramente quem bem-queremos-e-nos-quer-bem. Inabalavelmente bem.</p>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Transgenicamente</title>
		<link>http://5dias.net/2007/08/29/trangenicamente/</link>
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		<pubDate>Wed, 29 Aug 2007 11:20:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marta Rebelo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A semana passada foi marcada pela discussão em torno da produção de alimentos transgénicos em solo nacional, motivada pela actuação de um grupo de manifestantes numa herdade em Silves – apelidados por alguns de «ecoterroristas» e por outros (caso de Miguel Portas, que depois se retratou) de saudáveis alertas à opinião pública. Sobre os transgénicos, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A semana passada foi marcada pela discussão em torno da produção de alimentos transgénicos em solo nacional, motivada pela actuação de um grupo de manifestantes numa herdade em Silves – apelidados por alguns de «ecoterroristas» e por outros (caso de Miguel Portas, que depois se retratou) de saudáveis alertas à opinião pública. Sobre os transgénicos, tenho dúvidas. Que se estendem à produção alimentar em geral. Quase me apetece desconhecer o que por aí se faz, em nome do descanso mental. Naturalmente, isso é impossível.<br />
Quanto à invasão de Silves, não tenho dúvida alguma: não há qualquer justificação que fundamente a atitude dos «ecomanifestantes», que depressa e transgenicamente se converteram em «ecodestruidores». Gostemos ou não da produção de alimentos transgénicos, o agricultor de Silves cultiva a coberto da lei e nenhum direito assiste ou estava a ser protegidos pelos manifestantes. Como diz o outro, têm direito à indignação, lá isso têm. Mas indignarem-se é uma coisa, ceifarem milho fora de época e de direito é outra.<br />
Confesso que transferi rapidamente a reflexão para manifestações mais mundanas – infelizmente – de «transgenia»: veio-me à cabeça o pneu de Sarkozy, revelado em todo o seu esplendor enquanto remava nas férias norte-americanas e quase geneticamente modificado pela Paris Match. <span id="more-1356"></span>Não foi fruto da engenharia genética e da moderna biotecnologia, não houve quebra e reprogramação de DNA pela transferência de genes de uma espécie para outra, mas quase. Tal como sucede em relação a todos os organismos geneticamente modificados, a modificação depressa veio a lume.<br />
Ora, e que mal é que tem que o Presidente francês queria aparecer aos olhos do mundo atlético e elegante? Ou que a Paris Match queira revelar esse Sarkozy ao planeta? Mal algum, não se desse o caso de a campanha eleitoral francesa ter-se concentrado na aparência dos candidatos, e o regido de Nicola Sarkozy na elegância musculada do próprio, da sua Cécilia e da sua família tão à medida do século XXI. Neste caso, a reprogramação da silhueta presidencial gaulesa pela Paris Match escapa completamente à ética e à legalidade democrática.<br />
A «reprogramação genética» da aparência já foi abundantemente utilizada por líderes e chefes de Estado. Felipe Gonzáles estava «retocado» nos cartazes que anunciavam a sua última candidatura legislativa espanhola; a Tony Blair foram retiradas as marcas de dez anos em Downing Street. Podemos questionar a bondade destas «quebras de verdade» em obediência aos ditames estéticos da sociedade contemporânea, quando se trate de «reprogramações genéticas» levadas a cabo pelos partidos políticos e seus candidatos. Mas quando a quebra de DNA é introduzida e apresentada à opinião pública pela comunicação social – e não foi apenas Sarkozy; a Angela Merkle, por exemplo, foi retirada uma antipática mancha de suor, que reluzia em toda a sua magnificência aquando de um aceno da Chanceler à população – é vital questionar a real intenção dos media. É simpatia? Foi a pedido? E até que ponto estas «mutações genético-aparentes» influenciam o eleitorado?<br />
O Fotoshop é a derradeira ferramenta da engenharia política. Se os transgénicos são a resposta da engenharia genética às necessidades mundiais de alimentos, até que ponto a «transgenia» é a resposta dos eleitos à sociedade que gerem, lideram e representam? Seremos nós consumidores de transgénicos ou «ecomanifestantes»? Julgo que a primeira… Rendendo homenagem à lei do mercado, a oferta só vem surgindo a pedido da procura.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Dizer mal, desporto nacional – ou a prosa neotrovadoresca no português contemporâneo</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Jul 2007 11:20:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marta Rebelo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Marta Rebelo]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando há cerca de dois meses a Fernanda Câncio me dirigiu o colectivo convite de ser a «quinta-feira» do Cinco Dias, aceitei sem pensar, mas também a pensar nesta coisa magnífica que são as caixas de comentários. A Fernanda, vítima habitual dos predadores anónimos – e outros nem tanto – da blogosfera, dizia-me que a coisa habitualmente não corria mal. Mas a verdade é que no meu blogue (linha.de.conta) não há caixas nem caixotes, há um e-mail e quem quiser comentar, para lá comente.<br />
Acontece que é diversão nacional dizer mal, sabe melhor ao palato verbal dizer mal do que dizer bem, e há alvos e alvos. É genético, séculos de herança cultural. Já os Trovadores, que tinham grande liberdade de expressão – comecem, então, as hostilidades: venham lá os «tiques de autoritarismo», a «intimidação» e a «crise da democracia», porque a autora até é socialista, e gostam tanto de, volta não volta, dizê-la menina de fretes e do aparelho –, e entravam em questões políticas, exercendo um destacado papel social desde os primórdios do século XII, elaboravam líricas composições trabalhadas, as «Mestrias», onde se incluíam as cantigas de escárnio e maldizer. Mais tarde a «classificação» mudou, e na literatura galaico-portuguesa os trovadores dividiam-se entre a lírica amorosa e a satírica – o escárnio e o maldizer.<br />
Esta veia trovadoresca veio e ficou. «Trovador» é um francesismo, à época os poetas do norte da França eram conhecidos por «trouvère», cujo radical é «trouver», ou seja, achar. E isso, nós somos muito, com ou sem dotes de retórica e escrita: «achistas». Achamos muito, sobre tudo, sobre o nada que passa a ser qualquer coisa, mas sobretudo achamos mal.<br />
Com esta liberdade sem fronteiras – ainda – que a blogosfera nos proporciona, o neotrovadorismo, na sua vertente satírica, ganha novo fôlego. São verdadeiros cânticos em caixas de comentários, em posts, de escárnio gratuito ou maldizer de borla.<br />
E vem isto a propósito de quê? Da singela observação do comportamento dos frequentadores desta «casa». E de outras, naturalmente.<br />
Eu, que não sou mais do que os outros, também digo mal. E gosto, às vezes gosto. Também sou «achista», não sou menos do que os demais. Porque carrego esse fardo genético. Por desporto, eu que nem vou ao ginásio por preguiça, não obrigada. Mas, continuo a dizer, estejam à vontade. Afinal, eu escrevo sobre sítios desconhecidos nesta metrópole agigantada, sobre a França que não interessa a viv’alma, sobre a diversidade em coisas mais prosaicas do que opções sexuais, ou, pecado mortal, sobre o aborto e dou vivas pela regulamentação – urra! – sem obrigação de olhar para a fotografia.<br />
Se querem dizer mal, continuem. Se preferirem uma variação, bem. Justiça seja feita, por aqui no Cinco Dias há debates animados, com escárnio, enamoramento lírico, maldizer, amizade e veneno doseado – por quem, não sei; podia ser por nós, os cinco-dias-da-semana, mas de censores temos pouco. Justiça seja feita, há por aí muita gente com défice de pimenta na língua maternalmente aposta na infância.<br />
Deixo uma pergunta, para efeitos de discussão, caso alguém queira discutir ou acender: entre o fadinho triste que nos veste a alma lusitana, e as cantigas de escárnio e maldizer dos idos mil e cens, quem é que vence a maratona?<br />
Já dizia o Jorge Palma, esse grande Trovador, «Ai Portugal, Portugal, enquanto tu estás à espera, ninguém te pode ajudar»…</p>]]></content:encoded>
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		<title>A Babilónia Europeia</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Jul 2007 11:08:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marta Rebelo</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[constituição-europeia]]></category>
		<category><![CDATA[Europa]]></category>
		<category><![CDATA[palavras]]></category>
		<category><![CDATA[União-Europeia]]></category>

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		<description><![CDATA[No dia 1 deste ano de semestral Presidência portuguesa, a Europa tornou-se monetariamente mais plural (a Eslovénia é o décimo terceiro Estado Membro a aderir ao Euro) e mais poliglota, com a entrada do irlandês – gaélico, em rigor – para a lista de línguas oficiais da União. Na Europa, fala-se de 23 maneiras diferentes.
Eis [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No dia 1 deste ano de semestral Presidência portuguesa, a Europa tornou-se monetariamente mais plural (a Eslovénia é o décimo terceiro Estado Membro a aderir ao Euro) e mais poliglota, com a entrada do irlandês – gaélico, em rigor – para a lista de línguas oficiais da União. Na Europa, fala-se de 23 maneiras diferentes.<br />
Eis a lista de línguas oficiais:</p>
<p>Bullgarski (Búlgaro)<br />
Čeština (Checo)<br />
Danks (Dinamarquês)<br />
Deutsch (Alemão)<br />
Eesti (Estónio)<br />
Elinika (Grego)<br />
English (Inglês)<br />
Español (Espanhol)<br />
Gaedhilge/Irish (Gaélico/Irlandês)<br />
Italiano (Italiano)<br />
Latviesu valoda (Letão)<br />
Lietuviu kalba (Lituânio)<br />
Magyar (Húngaro)<br />
Malti (Maltês)<br />
Nederlands (Neerlandês)<br />
Polski (Polaco)<br />
Português (Português)<br />
Româno/limba româna (Romeno)<br />
Slovenčina (Eslovaco)<br />
Slovenščina (Esloveno)<br />
Suomi (Finlandês)<br />
Svenska (Sueco)</p>
<p>Aparentemente, a cada nova entrada linguística corresponderão perto de 3,5 milhões de euros por ano. Quando, em 2005, a UE falava 20 idiomas, cada cidadão europeu pagava cerca de 2,30 euros por ano para sustentar a engrenagem da tradução. Mas este esforço financeiro representa apenas 1% do Orçamento da União.<br />
A minha preocupação é outra. E também muito plural.<br />
A diversidade linguística é garantida pela Carta Europeia dos Direitos Fundamentais (artigos 22.º e 21.º), no mapa de uma «Europa dos Povos Europeus» e não de um europeu-povo. Estima-se que cerca de 40 milhões de cidadãos europeus (a cidadania europeia adquire-se pela condição de cidadão de um dos 27) usem regularmente uma língua distinta da tabela de línguas oficiais acima – as designadas «línguas regionais ou minoritárias», que até podem ser oficiais no Estado Membro. Nós temos o mirandês. Os espanhóis têm o catalão, o basco e o galego – que têm já estatuto de língua semi-oficial no seio da UE – mas também o aragonês, o asturiano e o occitan (igualmente falado no Mónaco, em Itália e no sul de França, estimando-se que seja a primeira língua de perto de 2 milhões de pessoas). Só o catalão é falado por 7 milhões, em Espanha, França e numa cidadela da Sardenha que dá pelo nome de Alghero.<br />
Falando na Sardenha, por lá conversa-se em sardo. Entre os franceses, por seu turno, ainda estão falantes de bretão, corso e franco-provençal. Na Grã-Bretanha, além do óbvio inglês, há ainda sonoridades em gaidhlig (gaélico escocês), céltico, cornish e galês.<br />
Estão cansados? Eu também! Mas continuemos: na terra dos esquimós fala-se ainda saami ou lapão, uma família de línguas utilizada no norte da Finlândia, Noruega, Suécia e na Península de Kola, na Rússia; no Luxemburgo ouve-se luxemburguês (que é língua oficial naquele país). Referência ainda ao frísio, língua frísia ou frisã, audível na Alemanha (onde também temos o serbski ou sorábio) e nos Países Baixos.</p>
<p>Nesta Babilónia Europeia, duas questões se levantam: se falamos quantitativamente de modos tão variados, o que é que nos une e serve de base à Constituição Europeia que é já morta mas ressuscitou mas vai ainda ressuscitar? Se falamos qualitativamente de formas tão diversas, poremos em marcha as políticas comuns – a da energia, recentemente nomeada o problema sócio-económico do milénio – e solidificaremos o mercado comum – agora com lanças nos EUA, pela mão da Senhora Merkel?<br />
Aquilo que nos une, apesar da quantidade, é a «europeianidade»: não apenas o sentimento de uma comunidade de destino, ou sequer de origem, mas uma identidade europeia, experiência de identidades acumuladas na diversidade (linguística inclusive, porque as línguas são muitas, mas as suas famílias menos). Esta «europeianidade» é o verdadeiro substrato fundacional da União (Política) Europeia, e reclama um impulso constitucional que associe os europeus faladores de tantas e distintas línguas ao projecto da Europa. Mas, já dizia o meu Mestre António de Sousa Franco, «o que se vê (teoria) e o que se deseja (ideologia) não são facilmente separáveis».<br />
A Constituição morreu? Viva a Constituição! E o seu sucessor «Tratado Reformador»&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..</p>]]></content:encoded>
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		<title>Por portaria e sem ecografia</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Jun 2007 12:49:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marta Rebelo</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[No «terminus» do prazo de regulamentação da Lei n.º 16/2007, de 17 de Abril, que deu forma jurídica ao resultado do referendo de 11 de Fevereiro, é hoje publicada em «Diário da República» a Portaria n.º 741-A/2007, que «estabelece as medidas a adoptar nos estabelecimentos de saúde oficiais ou oficialmente reconhecidos com vista à realização [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No «terminus» do prazo de regulamentação da Lei n.º 16/2007, de 17 de Abril, que deu forma jurídica ao resultado do referendo de 11 de Fevereiro, é hoje publicada em «Diário da República» a Portaria n.º 741-A/2007, que «estabelece as medidas a adoptar nos estabelecimentos de saúde oficiais ou oficialmente reconhecidos com vista à realização da interrupção da gravidez nas situações previstas no artigo 142.º do Código Penal». Nomeadamente, a interrupção da gravidez por opção da mulher. É essa a novidade. Dia 15 de Julho, entra em vigor.<br />
Em vigor, em vigor, entrou já em estabelecimentos hospitalares como a Maternidade Alfredo da Costa e o Hospital Garcia da Horta, onde já se realizaram várias interrupções voluntárias de gravidezes, no respeito pelo pedido da mulher e no cumprimento do (ainda) espírito da lei. Noutros, de acordo com levantamentos «informais», a lei ficará, porventura, como um espírito pairante, ante a indisponibilidade conscienciosa da quase totalidade dos médicos. O estatuto de objector de consciência significa, nos Açores, a ineficiência prática desta lei e desta regulamentação.<br />
Não se julgue que discordo da possibilidade de um médico ser objector de consciência e, de acordo com a dita, não realizar uma interrupção de gravidez a pedido de uma mulher. A objecção de consciência é, nos mais variados planos, expressão de uma liberdade que a admissibilidade da IVG a pedido da mulher também procura preservar. Mas, em muitos casos informalmente reportados ou, antes, «comentados» nos bastidores, objectar projecta uma vitória na secretaria, ou a recusa em respeitar o pedido da mulher nos estabelecimentos públicos, para realizar IVG’s em estabelecimentos privados. Enfim, queria crer que casos são apenas casos, e não uma generalização de má vontade ou mercantilismo. Bem, consciência é uma coisa que muita gente tem.<br />
O que é que esta regulamentação traz de novo? Diz-nos onde, como e quando sucederá a interrupção da gravidez a pedido da mulher.<br />
<strong>Onde? </strong>Em estabelecimento de saúde oficial ou oficialmente reconhecido, livremente escolhido pela mulher (dentro dos condicionamentos da chamada «rede de referenciação aplicável»). E quando estes não disponham de serviço de urgência com atendimento permanente 24 horas por dia, devem garantir, por acordo, que existe um estabelecimento de saúde a uma distância-tempo inferior a uma hora, para assistir mulheres com complicações decorrentes da interrupção da gravidez, e sem quaisquer reservas.<br />
<strong>Como? </strong>Sem ecografia! Os ecos presidenciais chegaram à portaria, mas sem ecografia. A mulher que opta por interromper a gravidez tem de prestar consentimento livre e esclarecido – num formulário-tipo – que se formará com o auxilio do profissional de saúde que a atende na consulta prévia obrigatória, pela prestação de esclarecimentos vários, mas que não implicam o confronto visual.<br />
<strong>Quando? </strong>Sempre em tempo útil. Se a interrupção da gravidez por opção da mulher não pode exceder as 10 semanas, não pode o procedimento de consulta prévia e manifestação do consentimento obstar à interrupção da gravidez dentro do prazo legal. A portaria responsabiliza, aliás, quem disponha de poder de direcção dos estabelecimentos de saúde aptos a realizar IVG’s, pela adopção de «todas as providências necessárias ao cumprimento dos prazos previstos na lei». Entre o pedido de marcação da consulta prévia e a realização efectiva da mesma não podem passar mais de 5 dias – encolhendo-se o prazo se tal for necessário para cumprir os prazos legais. Ou seja, não ultrapassar as 10 semanas. Após a consulta, seguem-se 3 dias de reflexão, findos os quais deve ser entregue o documento que titula o consentimento da mulher. E após esta manifestação de vontade, a interrupção da gravidez terá de acontecer, no máximo, 5 dias depois, minguando novamente este prazo se tal for necessário para garantir o respeito do limite das 10 semanas.<br />
Genuinamente agradada com a regulamentação da lei, preocupa-me – como sempre preocupou, recuando ainda aos tempos da campanha referendária – a aplicação da lei e portaria reguladora.<br />
Se a Joana, a Maria ou a Josefina, açorianas de gema, se dirigirem a um estabelecimento de saúde oficial daquele arquipélago, com a intenção de interromper uma gravidez que não desejam, encontram tão-somente objectores de consciência.<br />
O que é que proclama a portaria? Que nestes casos, os estabelecimento oficiais devem garantir a realização da interrupção da gravidez, pela colaboração com outros estabelecimentos oficiais ou oficialmente reconhecidos e assumindo todos os encargos que daí resultem.<br />
Ora, imaginem que a Maria está grávida de 8 semanas e meia. Decide solicitar a marcação da consulta. Depara desde logo com a certeza de que em nenhum estabelecimento público de saúde açoriano respeitarão o seu pedido, por objecção de consciência. A consulta é marcada apenas na tentativa de esclarecer a Maria no sentido de abandonar a ideia. Não existem nos Açores estabelecimentos oficialmente reconhecidos – leia-se, as «clínicas de abortos» tão cinicamente criticadas – para onde a Maria possa ser encaminhada, a expensas dos hospitais públicos, ou seja, do SNS. É Inverno, e abate-se uma tempestade sobre os Açores que impossibilita a realização de voos entre o arquipélago e o continente. Passou uma semana e meia, e a Maria está grávida de 10 semanas. E agora, Senhores Doutores?<br />
A Economia ensina que o mercado colmata as «falhas públicas». Talvez seja melhor ter esperança que uma dessas clínicas aparentemente maléficas perceba a «falha pública», açoriana ou de outra geografia, e abra portas.<br />
Temos lei, temos portaria, sem ecografia, mas com objectores de consciência em risco de fazer, em pontos diversos do país, o pleno. Espero que o dia 16 de Julho seja o dia em que a Maria já não chega às 10 semanas de gravidez sem que a sua opção tenha sido respeitada.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Diz que é uma espécie de coisa extraordinária</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jun 2007 15:38:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marta Rebelo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Duas mulheres concorrerem a bastonárias da Ordem dos Farmacêuticos, Filomena Cabeça e Irene Silveira, sem concorrência no masculino. E a cobertura mediática da novidade.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Duas mulheres concorrerem a bastonárias da Ordem dos Farmacêuticos, Filomena Cabeça e Irene Silveira, sem concorrência no masculino. E a cobertura mediática da novidade.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Geração de 70 e muitos</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jun 2007 15:35:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marta Rebelo</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[globalização]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>

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		<description><![CDATA[Poul Rasmussen, Presidente do Partido Socialista Europeu, esteve em Lisboa esta semana. Veio falar da «sua» flexigurança, conceito económico-social da era da economia global e da disseminação tecnológica. Deixou um aviso com a classificação de «inevitabilidade»: os jovens portugueses terão de mudar de emprego entre 20 a 30 vezes ao longo da sua vida laboral. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Poul Rasmussen, Presidente do Partido Socialista Europeu, esteve em Lisboa esta semana. Veio falar da «sua» flexigurança, conceito económico-social da era da economia global e da disseminação tecnológica. Deixou um aviso com a classificação de «inevitabilidade»: os jovens portugueses terão de mudar de emprego entre 20 a 30 vezes ao longo da sua vida laboral. Sob pena de perderem o norte na rapidez do mercado das competências e das competições.<br />
Não pretendo discutir o conceito. De flexigurança (que, citando o DN em citação de Withagen e Rogowski será «uma estratégia política que procura, de forma sincronizada e deliberada, aumentar a flexibilidade do mercado laboral, por um lado, e reforçar a segurança laboral e social dentro e fora do mercado, por outro.»). Interessa-me listar as certezas de gerações anteriores à minha e às que se seguem – dos meus alunos, nomeadamente, que me chegam da geração de oitentas – e procurar as nossas certezas, os nossos valores, contra-valores e as nossas falhas.<br />
Não somos uma «geração rasca», não devemos ser uma «geração à rasca», acho que somos de uma geração-que-se-desenrasca.<br />
As gerações dos nossos pais e avós viviam sobre pressupostos quotidianos e existênciais muito distintos daqueles que hoje se nos perspectivam. Havia «emprego para a vida», havia «estabilidade», havia menos familias «monoparentais» e mais bebés, um país e um mercado pequenitos, os aviões levavam menos gente a menos lugares, os automóveis eram mais poluentes mas menos. A geração de 60 viu nascer ou foi produtora de novos paradigmas. Que aproveitaram à geração de 70, e muito à geração de 70 e muitos. E fomos apanhados na curva.<br />
A minha geração distancia-se dos «baby booms», e contribui muito pouco para um «boom» da natalidade. A minha geração trabalha e vicía-se, independentemente da produtividade decorrente do «vício». A minha geração é protoconservadora, mas cedo percebe que dá razão às estatísticas no que toca a relações e afectos. A minha geração é egoista – ou egocêntrica? –, é tribalista e sobranceira. Altiva e competitiva. Desde os bancos da escola até à cadeira do escritório. Um desenrasca-desconfiado.<br />
A geração de 70 e muitos, e a dos oitentas, é consumista, depressiva, acelerada, ansiosa. Desinteressada das acções em colectivo tendentes à mudança em escala. Crítica da coisa pública, afastada da política, feroz em relação aos partidos, as nossas unidades filiadoras são os clubes de futebol. Para estimular a adrenalina rivalizante. Vamos descobrindo o espaço d(n)a «sociedade civil», num desenrasca tão apático quanto competitivo.<br />
Até aqui, os parágrafos que dedico à minha malha geracional parecem de crítica enraízada. Não é verdade. Mas aqui e ali também não é mentira. A verdade é que o mundo mudou muito, e apanhou-nos em má altura. Estávamos de fraldas no pós-25 de Abril, e de bibe na adesão à CEE. Crescemos em democracia, mas enquanto ela crescia também. Crescemos «na Europa», que é indefinida. Crescemos aproveitando o melhor que a abertura do país ao mundo nos trouxe, mas fomos apanhados pela «globalização». Temos o Euro, mas temos o défice. Temos um acesso muito mais democratizado ao ensino superior e ao conhecimento, mas não temos uma economia preparada para absorver plenamente as nossas altas qualificações. Ou sequer para nos permitir as qualificações altas.<br />
Mas o que mais me atinge no meio deste desenrascanço que nos fulmina, é a descrença individualista na remota hipótese de mudar o que for, milimetricamente, do mundo. Mudamos de casa, vão crescendo as assoalhadas. Mudamos de par, porque o vício laboral é muito, o colega do lado espreita e ambiciona-nos o lugar ou a promoção, e numa economia de mercado a oferta afectiva é liberal e muita. Mudamos de emprego – parece que inevitavelmente condenados a mudar 20 a 30 vezes na vida, em regime de flexigurança. Até nos podemos vir a juntar a gerações que agora mudam da urbe para o campo. Mas mudamos no singular ou num plural de dois ou três. O que é que nós mudamos, efectivamente? Ficaremos na história do país com que marca? À rasca é que não! Desenrascados já não é mau. Somos um país de conservadores polvilhados com pensamentos liberais. E os de 70 e muitos ainda não desdenham a herança.<br />
Não nos revemos em minorias senão para lhes acentuar a diferença. Somos crentes na igualdade dos géneros, mas praticamos pouco. Na roda viva da era globalizada e dos «gadgets», resta pouco espaço para a tolerância, para as mudanças que não mudem nada nas nossas difíceis e exigentes existências, e que mudem mesmo que muito pouco existências alheias.<br />
Claro que a regra não escapa a excepções. É óbvio que estou a partir da abstracção generalizada para dar características a toda uma geração, e às suas sucessoras mais próximas. E, naturalmente, é uma personificação crítica, auto-crítica, mas consciente e nunca desistente. Quem se vai desenrascando como nós, pode muito bem virar o jogo e ser a geração que riscou o à rasca, ultrapassou o desenrasca e aproveitou as portas e janelas, e mudou. Daqui a nada temos 40. E esperam – não esperamos nós de nós próprios? – que mudemos qualquer coisa.<br />
Mudaremos, seguramente!</p>]]></content:encoded>
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		<title>La France bling-bling</title>
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		<pubDate>Thu, 24 May 2007 13:52:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marta Rebelo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Marta Rebelo]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Se Nanni Moreti fosse francês, talvez estivesse agora a estudar o argumento de uma eventual sequela a «O Caimão». Ao cinema francês não faltam criativos capazes de levar a bom porto a cinematográfica tarefa, e à França não parece faltar condimento político que sirva de argumento a um filme presidencial. Diferenças à parte, Sarkozy é um aristocrata de descendência húngara e não um magnata dos media e afins. Semelhanças de perto, iates, férias, uma mulher colunável e a fotografia oficial do novo Chefe de Estado francês, posse de estadista, a biblioteca do Eliseu de pano de fundo colorido pela bandeira francesa, já não desamparada mas ladeada pela bandeira da UE, momento captado por Philippe Warrin, especialista da ilustração cor-de-rosa.<br />
Depois da ida a banhos a Malta, Sarkozy chegou, viu e após a vitória voltou a vencer pela surpresa. Compôs um governo paritário, multipartidário e multietnico. Cosmopolita, portanto. E rumou a Bruxelas, onde se encontrou com José Manuel Barroso (antes Durão), por quem sente uma “grande amizade, estima e confiança”, anunciando que para a Europa a França deseja simplificação, um governo económico que contrabalance (ou mine?) o papel do BCE, uma nega completa à Turquia e uma aparente (que de aparente tem pouco) manutenção do «status quo» da agricultura francesa no âmbito de uma intocada PAC.<br />
As férias foram revigorantes! Mas é preciso não esquecer que Sarkozy pensou na sua presidência durante longos anos, logo pela manhã, enquanto fazia a barba. Homem de barba rija, a tarefa tomar-lhe-ia seguramente uns quantos minutos matinais, pelo que nada está fora do «plano».<br />
O Gaullismo, que jazia já moribundo pela desistência de Chirac, é agora tradição morta. E Chirac, antigo mestre, foi primeiro vencido pela ambição do discípulo e agora pelo estilo do Presidente. Um zero para Sarko.<br />
Ségolène foi substituída no imaginário de uma França rendida aos encantos da política no feminino, por Rachida Dati, a nova Ministra da Justiça. Pai marroquino, mãe argelina, esta francesa da diáspora, nutre um especial fascínio por Sarkozy, que acompanha desde 2002, e diz de si «Eu sou um símbolo da França». Dois zero para Sarkozy: pela primeira vez a França tem uma ministra descendente de imigrantes das ex-colónias, num governo onde pontua Brice Hortefeux como Ministro da Imigração, Integração e, «voilà», Identidade Nacional.<br />
O PSF, que tem as legislativas de Junho para disputar, também está representado no novel Governo da França. O histórico Bernanrd Kouchner, agora nomeado «ministre des Affaires étrangères et européennes», representa a abertura de Nicolas aos socialistas. Presente envenenado, a conhecida vaidade de Kouchner fez estragos: François Hollande já deu notícia da expulsão do agora Ministro do PSF, catalogando a abertura de Sarkozy como uma «aventura individual», e não propriamente um romance aberto. Vamos em três. A zero.<br />
A moderação da UDF também está representada. Hervé Morin é o novo Ministro da Defesa. E a paridade, cosmopolita e coquette com Dati, é completada numa versão mais tradicional por outras seis ministras, num governo de 15. Quatro zero?<br />
Mas esta composição governamental é reflexo da nova era que se experimenta no Eliseu: após uma entrada digna dos anos de ouro da «jet-sética» Cote d’Azur, os jornalistas e comentaristas adjectivam já o estilo Sarkozy: aparatoso, hollywoodesco, deriva monegasca, um Presidente bling-bling, apelo aos sentidos feito pelo «Nouvel Observateur» – tudo em Nicolas Sarkozy reluz e tilinta pela vaidade, luxo, sofisticação… e tudo devidamente registado com imagem e som, por fotógrafos, câmaras, televisões.<br />
Este bling-bling todo ainda não trouxe dissabores de maior ao novo patrão da França. Sim, quem manda é o Presidente. A Fillon, Primeiro-Ministro, calhará o que calhar. E a França, que se enamorou pelo «glamour» dos candidatos Sarko e Ségo, que pelo meio ainda pensou melhor e ameaçou preferir o cinzentismo rural de Bayrou, mas voltou ao primeiro amor e elegeu Sarkozy, vive encantada neste cenário de sofisticação aristocrática que parece, mas só parece, devolver à França a grandiosidade há muito perdida.<br />
Parece ser tradição que os homens pequenos, estrangeiros ou «astrangeirados», chegando ao poder na França imponham o estilo quero-posso-mando. Em tempos idos, a pose valeu exílio. O que valerá o estilo bling-bling a Sarkozy?</p>]]></content:encoded>
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		<title>O papel de parede lisboeta</title>
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		<pubDate>Thu, 17 May 2007 11:10:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marta Rebelo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A «Wallpaper», talvez a mais reputada revista de design, arquitectura e moda do mundo, lançou-se planeta fora e desenhou pequenos booklets que guiam o viajante por cidades estrangeiras.
Há cerca de um mês chegou o «Wallpaper City Guide» de Lisboa. Não deixa de ser curioso que a chegada desta proposta cosmopolita de (re)visita da cidade  [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A «Wallpaper», talvez a mais reputada revista de design, arquitectura e moda do mundo, lançou-se planeta fora e desenhou pequenos booklets que guiam o viajante por cidades estrangeiras.<br />
Há cerca de um mês chegou o «Wallpaper City Guide» de Lisboa. Não deixa de ser curioso que a chegada desta proposta cosmopolita de (re)visita da cidade  seja simultânea ao seu literal abandono ao vento. Destino cruel de um município onde encontramos a Estação do Oriente, que deu a Santiago Calatrava o Brunel em 1999, ou a Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, de 1934, obra modernista onde pontua o cimento e os vitrais de Almada Negreiros.<br />
Lancei-me no desafio de imaginar que a par do «Pestana Palace», do «Noobai», do «Eleven» ou da «Bica do Sapato», é muito possível entrar no mesmo eléctrico n.º 28 que o «Wallpaper City Guide» recomenda, e dar de caras com o cosmopolitismo lisboeta adiado.<br />
Começamos pela saída dos Prazeres e o estacionamento e circulação intensa de automóveis que vai de Campo de Ourique até ao Chiado. Mesmo parando para um café n’«A Brasileira» – que perde, no «Wallpaper», para o «Careca» do Restelo, e lá fica Pessoa sem estatuto de contemporaneidade – ou um repasto no «Pap’Açorda» – este sim, um eleito – não podemos deixar de nos interrogar porque é que o parque habitacional do Bairro Alto, de Santa Catarina, do Chiado, pese embora rendido a um novo comércio de alto preço, continua por recuperar, ocupar e encher das mesmas pessoas que por ali apenas passeiam mas não vivem. E se formos ao «Noobai», aproveitar um fantástico pôr-do-sol, é inevitável deparar com lixo, muito lixo, no miradouro do Adamastor. Ou o trânsito da fuga dos não lisboetas ao final do dia, de regresso a casa, a congestionar a 24 de Julho, lá me baixo.<br />
Mas continuemos no 28. Segue-se o sugerido «Café Nicola», instalado na Praça do Rossio que, apesar do rosto recentemente limpo, alberga zero habitantes e centenas de casas vazias em prédios decrépitos – e não se percebe onde para, ou parou, o Projecto de Revitalização da Baixa-Chiado. Na mesma baixa, Rua do Ouro eléctrico acima, há sempre de banda sonora as queixas dos comerciantes, mas nada a fazer… o português gosta do seu centro comercial. Alguns habitando mesmo edifícios com dignidade para serem considerados pela «Wallpaper» como marcos arquitectónicos: as Amoreiras e a Praça de Touros do Campo Pequeno.<br />
Passada a Graça, onde os reparos se repetem e porque é que só pontualmente são recuperadas as casas das colinas céu acima desta cidade?, chegamos ao Martim Moniz, com direito a um cheirinho de Almirante Reis. E do Intendente. Julgo que o editor do booklet não passou por ali. Não pode ter passado. Porque ou o projecto de dar a Lisboa um «Wallpaper City Guide» abortava, ou nele constavam avisos florescentes para que os olhos sensíveis dos amantes do design e da modernidade bonita por ali não passassem. Apesar dos esforços de ajardinamento, aqueles gigantescos edifícios onde se comercia não sem bem o quê e que tapam a colina do Castelo e o que por lá se vai passando, não vêem abaixo. Não há como.<br />
Acabado o passeio de eléctrico, restam-nos ainda várias opções. Problema: temos de atravessar o Marquês. Ou de túnel, ou de obras, mas sempre com trânsito. É escolher. E para o chá na «Versailles», ainda temos muito pó, cimento e arame farpado a ultrapassar, até que o metro passe, ordeiro e certeiro, por ali. O mesmo problema para ir ao «Galeto».<br />
Jantar implica o movimento inverso, e o Marquês novamente. É impossível que o leitor típico da «Wallpaper» não se renda à «Bica do Sapato» e ao «Lux». Ou mesmo ao «Maxime», até altas horas. E espero que sim, porque acordar Domingo numa Lisboa fantasma, ausente viv’alma, tudo encerrado a sete chaves excepto os tais centros comerciais, exaspera qualquer visitante de bom gosto. A estes, é sugerido o rio, o CCB ou o teleférico da antiga Expo….<br />
Outros factos desconhecidos pelo editor do «Wallpaper City Guide»: não temos tido um cêntimo para revitalizar a baixa; os bairros históricos estão em degradação predial profunda, não fosse uma recente mas pontual vaga de inquilinos «trendy»; o trânsito que entra e sai mas vai estando dentro da cidade leva os nativos à loucura; vivem menos de 500 mil pessoas na cidade, «and counting down»; Lisboa está parada, no marasmo da indecisão política e das crises existenciais ou policiais do executivo que, finalmente, se demitiu. E não há pastel de Belém ou «palmier» do «Careca» que adocique a realidade do buraco orçamental de mil milhões de euros.<br />
Depois desta passeata, o melhor a fazer é rumar aos «Meninos do Rio»: mar à vista, carros poucos, não é recomendado pelo «Wallpaper City Guide» mas é «trendy» q.b., e pensar que Lisboa pode ser, realmente, das mais cosmopolitas cidades desta velha Europa. Mas não é. </p>]]></content:encoded>
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