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COMENTÁRIOS

Jogos florais

9 de Fevereiro de 2010 por Luis Rainha

Portugal foi tomado de assalto por um bando que já dispensa a discrição e até a vergonha. Sabemos agora, sem margem para dúvidas, que usam o poder do Estado para silenciar quem os possa incomodar em tempo de eleições. Contam com a prestimosa ajuda de bancos, PTs, fundos de investimento. E parecem contar com a camuflagem infalível que alguns amigos bem colocados podem estender, arquivando, proibindo, destruindo provas.
Deste panorama de madeirização da nossa vida política poderemos num instante passar à mexicanização; a corja pode bem eternizar-se logo depois de instituir o silêncio respeitoso nos media, o medo nos adversários e a subserviência na medíocre classe empresarial que temos.
Face a isto, há que pense que a ocasião é perfeita para remarcar fronteiras, para evitar misturas, para cálculos grotescos que começam por inflacionar desmesuradamente a influência da blogosfera e acabam em alucinações sobre a “gravidade “ de se usar “a rua” sem ser para “objectivos correctos”.
Se malta desta se visse no Titanic, iria ao fundo a discutir se os botes deveriam ser ocupados por ordem alfabética ou divididos por simpatias políticas.

A minha autocrítica

9 de Fevereiro de 2010 por Luis Rainha


Lamento profundamente ter-vos desiludido, camaradas. Aparecer assim, mancomunado com malta que da liberdade só conhece o direito  a explorar o trabalhador e a sujeitar os órgãos de comunicação à deriva utilitária do capitalismo – essa hidra sempre esfomeada por lucros e sedenta de hemoglobina dos trabalhadores… não sei o que me passou pela cabeça.
Imagine-se, receber um telefonema de um amigo a solicitar a adesão, ler a coisa e concordar. Assim sem mais nem menos, sem reflectir no tremendo erro político que cometia, sem sequer sujeitar a minha posição egoísta ao escrutínio dos camaradas, como fizeram no bravo colectivo Arrastão (com direito a uma declaração de voto vencido e tudo); em suma, desgracei-me. Entreguei-me, como estúpido cordeiro simbólico, à alcateia de lobos esfaimados, à codícia calculista dos esbirros da reacção.
E agora, lá está o meu nome no meio de crápulas que até se esquecem de algumas justas razões para derrubar Sócrates e que agora por certo me vão forçar ao silenciamento e ao branqueamento dos seus crimes. E até já me contaram que um desses crápulas direitistas, além de ser amigo do João Miranda, mantém privada de liberdade, na sua cave, uma mulher-a-dias bielorrussa. Ler o resto »

É da minha vista…

9 de Fevereiro de 2010 por Luis Rainha

…ou acabo de vislumbrar o Pedro Mexia a distribuir prémios num sarau cultural qualquer, com o à-vontade de um vampiro a apadrinhar o Festival do Alho?

Aquela gaja azul é mesmo boa!

8 de Fevereiro de 2010 por Luis Rainha

Mahmud Ahmadinejad apanhado na estreia de “Avatar”, enquanto tenta alcançar o seio esquerdo de uma personagem em 3D. Ou coisa parecida.

Contra a religião, marchar, marchar!

8 de Fevereiro de 2010 por Luis Rainha

Obra de Fátima Spínola, 2009

Francamente, grande parte da minha simpatia para com a ofensiva francesa contra as burcas vem da antipatia para com as religiões organizadas.
Dias houve em que calculava ser bastante ignorar as superstições alheias, numa prática de tolerância e distanciamento. Hoje, parece-me cada vez mais urgente pegar este touro pelos cornos, antes que acordemos com uma chifrada nas costas.
É que a religião, que até poderia parecer coisa inofensiva se circunscrita às meninges e à vida dos apaniguados, tem vindo a assumir características de praga imparável, infectando os fiéis mas também os infelizes que eles conseguem apanhar à sua volta.
Os ogres muçulmanos que só se aquietarão quando o mundo infiel estiver reduzido a poças de sangue. Os fanáticos judeus que encontram no seu ADN resquícios de laços especiais com Deus, que lhes dão direito a espezinhar os vizinhos. Os palonços evangelistas que se julgam obrigados a propiciar uma segunda vinda de Cristo. O geronte do Vaticano que agora descobriu que reconhecer direitos aos homossexuais de alguma forma diminui os direitos da sua manada. Isto para nem mencionar aldrabices ainda mais óbvias, da Cientologia à IURD. Malta de todas estas denominações (e de mais umas quantas) que se acha no direito/dever de sobrepor as suas mitologias e superstições à ciência, ditando o que os filhos dos outros devem ou não aprender. Ler o resto »

Teremos direito a saber?

6 de Fevereiro de 2010 por Luis Rainha

Com uma vénia ao leitor José Barros, aqui fica o comentário que faltava:

Os argumentos do Daniel Oliveira, parecidos com os do Marques Lopes, são facilmente refutáveis:

1) Nas ditaduras é que é habitual haver decisões judiciais secretas a cuja fundamentação não se pode aceder e em cuja bondade se tem de acreditar como se acredita em Deus ou no Diabo. Sem provas. Nas democracias a legitimidade de uma decisão judicial assenta exclusivamente no facto de ser pública e, portanto, escrutinável. O Sol limitou-se a transcrever despachos que teriam de ser públicos, atendendo a que o inquérito – que não o foi efectivamente, porque o assunto não foi tratado como processo penal – terminou. Como acontece com dezenas de milhares de decisões judiciais que são publicadas pelo Estado no site http://www.dgsi.pt, sendo que  muitas delas transcrevem escutas respeitantes a arguidos que podem ter sido absolvidos. Ponto é que as escutas sejam válidas para poderem constar das decisões em causa.

2) Chegamos ao segundo ponto. Estas escutas que são referidas na notícia do Sol são válidas, porque dizem respeito, não a conversas do PM, mas entre pessoas do seu círculo, e porque foram validadas pelo juiz de instrução competente. Donde, não houve qualquer devassa da vida privada dessas pessoas e muito menos do primeiro-ministro que – repita-se – não intervém nessas conversas. Donde, tais escutas podiam ser referidos nos despachos em causa e estes por sua vez deviam ser públicos, porque o processo terminou. Em suma, não só não houve violação de direitos de ninguém, como também não houve violação do segredo de justiça.
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As amigas são para as ocasiões

5 de Fevereiro de 2010 por Luis Rainha

Hoje em dia, já nem me admira cada nova conversa sobre as reais vendas do DN. Já não pergunto «mas isso chega para os sustentar?”; agora inquiro «mas por que raios é que alguém ainda lê isso?» De cada vez que lá vou, é certo pisar mais um monte de tralha embaraçosa.
Como esta prosa de Fernanda Câncio, agora apostada em provar que nada de mal se passa no reino dos media tugas. Atentem no demolidor exemplo aduzido pela jornalista: «Quando Henrique Monteiro, que recusou a publicação de uma crítica literária alegando “não se tratar de uma crítica mas de um ataque ao autor”, afirma que nunca viu nada de parecido com um director de jornal exprimir dúvidas a um cronista sobre o conteúdo de uma crónica quanto aos factos que imputa a outrem sem ser deles testemunha directa e considera isso “censura” estamos perante aquilo a que se chama double standard. Traduzindo: o que eu faço está sempre acima de suspeita, o que tu fazes é sempre suspeito.»
Isto é atirar areia para os olhos de quem lê aquela espécie de jornal. Henrique Monteiro teve toda a razão em não publicar a dita “crítica”, que incluía pérolas como «Para escrever um romance há que ser um “flâneur” e não um “poseur”»  ou «perder-se e não julgar-se, à partida, encontrado». Tratava-se não de exegese sobre um livro mas apenas de má-língua em versão parolo-poética; coisa indigna, por mais canastrão que fosse o autor visado. Evitar que tal porcaria fosse impressa foi um acto de higiene.
Falar aqui de censura ou comparar esta ocorrência ao disparate com que o JN se lembrou de oferecer o martírio a Mário Crespo, só mesmo por brincadeira. Ou por cálculo utilitário, claro.

Ol-Iveira, o grande imã do purismo jornalístico

5 de Fevereiro de 2010 por Luis Rainha

Numa prosa arroubada, assim com laivos de manifesto poético, o Daniel Oliveira declarou o seu desagrado pela publicação das escutas de Vara. «Hoje, o “Sol” não defende a liberdade de imprensa. Ofende-a», clama o profeta da imaculada conceição jornalística.
Por mim, se tudo aquilo corresponder à realidade, não tenho dúvidas: estamos face a uma situação em que o interesse público – conhecermos os meandros de um caso prestes a ser soterrado num qualquer arquivo judicial – sobrepuja em muito qualquer outro valor aqui em jogo, mesmo o direito à privacidade de Vara e dos seus colegas de negócios (note-se que o Sol garante não estarem estes elementos sujeitos a segredo de justiça).
Pegando numa frase recente do provedor do Diário do Regime, «Quando o interesse público manda violar a lei, o jornalista deve fazê-lo». Nem mais. Lendo-se aquelas transcrições, percebemos de imediato que o que está em causa não é admitirmos «a pata dos jornalistas nos nossos telefones»; não são os telefones do povo, trata-se apenas das chamadas de um suspeito. Não há nenhum programa geral de devassa – Vara era suspeito e, a ajuizar pelo que hoje se lê, com razão.
Não se trata aqui de futebolices. Este caso é significativo porque pode revelar até que ponto se instalou a sem-vergonhice ao mais alto nível. E dá-nos uma hipótese de sabermos se o sistema judicial português foi mesmo sequestrado pela corja. Ao pé disto, os direitos do prevaricador perdem relevância.
Big Brother? Andamos a precisar de reler o Orwell.

Finanças irracionais

5 de Fevereiro de 2010 por Luis Rainha

Por mais que leia e ouça, ainda não entendi por que é que o Bloco e o PCP caíram na esparrela de mais um drama socrático de faca e alguidar, ficando ainda com o ónus de aparecer em público nas fileiras de Alberto João.

O país das fitinhas

5 de Fevereiro de 2010 por Luis Rainha


Chuvisca dentro de uma galeria do Metro há meses? Arranjar a coisa seria grande estopada; mais simples é mesmo rodear o problema com uma fitinha às cores. Abriu-se uma série de crateras numa estrada? Urge instalar uns sinais quaisquer para que ninguém depois se queixe de falta de aviso. E a malta desvia-se, a malta abranda, a malta compreende.
Só mesmo uma terra assim poderia suportar Sócrates como primeiro-ministro. E uma figura incompreensível como Ferreira Leite a chefiar a oposição. É o país do “mas o que é que se há-de fazer?” em todo o seu remediado esplendor.

Será este um parlapatão do calibre do nosso?

5 de Fevereiro de 2010 por Luis Rainha


Alguém resolveu photoshopar David Cameron até fazer dele um grotesco boneco de plástico. Depois, colocou a obra num cartaz dos conservadores, que logo atraiu gargalhadas e charges em barda. Incluindo um belo concurso de ideias. Como se vê, o triunfo da aparência sobre a (in)substância não é nosso exclusivo.

Deslarguem-nos

4 de Fevereiro de 2010 por Luis Rainha

Os compinchas de Alberto João andam indignados com o «movimento colonialista contra a Madeira, que é duma indignidade cívica intolerável». E acham que «há que enfrentar quem está a atentar contra as nossas vidas e os nossos haveres». Isto apesar dos «muitos esbirros e alguns estúpidos contorcionistas que fazem o jogo dos colonizadores, atraiçoando o grandioso povo desta terra.»
Cá por mim, acho bem. Pirem-se. Descolonizem-se. Safem-se sem nós. Conquistem o tal «direito de se desenvolver, modernizar, viver com comodidade, sem complexos, preconceitos ou inibições». Mas não à nossa conta.

Mas isto será aldrabice ou, mais preocupante, ignorância?

4 de Fevereiro de 2010 por Luis Rainha

Sócrates usa, em entrevista recente, o exemplo grego para afastar dúvidas internacionais sobre a nossa economia: «les marchés ont massivement souscrit à l’emprunt à 5 ans lancés par la Grèce, lundi dernier : il y a eu 25 milliards d’euros de demande alors qu’Athènes ne voulait lever que 3 milliards d’euros. La demande a donc été huit fois plus élevée que prévu! Cela montre que les investisseurs n’ont pas accompagné les suspicions des agences de notation.»
Isto é fazer de conta que se tratou de um rateio a preço fixo, onde se procura adquirir algo por um dado valor, estabelecido a priori. Ora o que se passa é que a procura excedentária destes títulos gregos buscava taxas de juro ainda maiores. E isto é o que Sócrates parece não ter compreendido.
Tal ideia corresponde mais ou menos a vendermos um carro pedindo propostas – e depois de recebermos mil ofertas de mil euros anunciarmos ufanos que houve um milhão de euros de procura, o que implica que o nosso chaço era afinal valiosíssimo e que todos confiaram no seu bom estado. Pura treta, capaz de convencer apenas os acólitos indefectíveis.
Depois, claro que a realidade já tratou de seguir o seu curso: há cada vez mais receios de que Portugal não seja capaz de honrar os seus compromissos. Essa é que é essa.

Se houvesse cá um site assim, a “calhandrice” estaria lá

4 de Fevereiro de 2010 por Luis Rainha

Save the Words; uma simpática iniciativa em prol dos vocábulos ameaçados de extinção. Visite este campo de refugiados lexicais e adopte um, comprometendo-se a dar-lhe uso oral e escrito…

Será que o rating do 5Dias vai baixar?

4 de Fevereiro de 2010 por Luis Rainha

Depois daquele post, Maomé ainda não apareceu por aqui. Mas tivemos uma visita quase tão ilustre: um profissional da Moody’s, que não quis perder o ensejo de defender a sua dama. É mesmo verdade: este mundo está cada vez mais minúsculo.

A fotonovela do manicómio

4 de Fevereiro de 2010 por Luis Rainha

Valores utilitários

3 de Fevereiro de 2010 por Luis Rainha

Há uns meses, houve quem defendesse o supremo valor da ilustração do povo, a propósito da divulgação pelo DN de um mail interno do Público. Estranhamente, ou talvez não, agora a privacidade já subiu ao poleiro de valor mais importante. Quem diria que um qualquer Crespo podia desencadear semelhante revolução ética.

O Bloco conquistou Londres e Washington

3 de Fevereiro de 2010 por Luis Rainha

Helena Matos aplaude a tese de João Miranda: a ideia de sujeitar o poder nas agências de notação financeira a alguma espécie de vigilância tem uma só forma de se concretizar. À comunista, claro, através de um «Observatório da mesma agência quiçã supervisionado pelo Professor Boaventura ou na impossibilidade deste acumular outro Observatório que leva milhões para observar as consequências catastróficas da aplicação daquilo que ele mesmo sugere e ensina, creio que esta agência seria um local adequado para se colocar Vítor Constâncio» (sic).
Ou nós ou o Dilúvio. Ou o laissez-faire que tão boas provas deu no passado recente, ou a chegada do estalinismo mais empedernido. Não há espaço neste mundo para bom-senso nem moderação; ele acaba mal se saia dos limites da fé liberal.
Vale-nos que o vírus do bloquismo já infectou Washington e Londres, pelo menos. A britânica Financial Services Authority e a americana Securities and Exchange Commission mancomunaram-se para complicar a vida aos emissores de ratings. Mas bem podemos esperar sentados que a ponderação venha a contaminar o solo da Mirandéria.

E se Sócrates afinal é um génio?

3 de Fevereiro de 2010 por Luis Rainha

Anda por aí muito maldizente a propagar a insidiosa tese da ligeira burrice de Sócrates. Que é apenas um palonço ambicioso e atrevido ao ponto da inconsciência, a que desgraças várias no PS abriram portas inesperadas, para nossa continuada miséria. Mas, se calhar, estamos a menosprezar a criatura, o que é sempre manobra arriscada.
Suspeito agora disto pelo recente contraponto entre Teixeira dos Santos e o primeiro ministro, a propósito do défice. Enquanto um admitia ter-se enganado, o segundo garantia que, afinal, tinha sido tudo de propósito. Ora uma dissonância destas não se pode ficar a dever apenas a displicência, incompetência ou imbecilidade. Tem de haver algo mais profundo.
Será que a ideia é apenas baralhar os eleitores, dando a cada um uma paleta de explicações, de onde ele pode escolher a menos desagradável? De caminho, ainda afasta o odioso de um possível engano para as costas do ministro, surgindo ele, Sócrates, como o visionário que lobriga estratégias e rumos onde os meros humanos apenas pressentem erros, enganos e perdições. Mais: ele passa a corporizar o Grande Homem, a figura trans-humana que vence crises internacionais, sofre uma oposição intragável e até supera as contrariedades oriundas dos mais próximos.
Assim se explicariam anomalias como o maluco do jamé, o desvairado dos corninhos, a ministra arvorada em inimiga dos professores, etc., etc. Mesmo a corrente parvoíce starring Mário Crespo serve para mais um acto de vitimização: “estão a ver como eu já nem posso almoçar em paz, sem ser perseguido pela inquisição dos meus oponentes?”
Ainda acabo em admirador do fulano.

O que nos devia preocupar…

2 de Fevereiro de 2010 por Luis Rainha

… no caso de Sócrates se ter mesmo dirigido a Nuno Santos com públicas queixinhas sobre Crespo, é que isso já parece ultrapassar o sentimento de impunidade. Entrando decididamente no domínio da tontice pura e simples.