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Vou andando

17 de Fevereiro de 2010 por João Branco
“Zona oriental de Lisboa”, ou “Como pavimentar para a miséria social”, ou ainda “só falta acrescentar um salutar sistema de transportes públicos suburbanos”.

Depois de ir escrevendo cada vez menos, aqui no 5 Dias, retiro-me de vez. O meu objectivo quando vim escrever aqui, era tentar, entre outras coisas, atentar da minha percepção sobre um elemento presente nas guerras imperialistas por recursos; na galopante privatização do espaço público, na desfiguração do nosso meio, no eliminar da rua, na criação de guetos; na separação entre zona pacificada e zona selvagem, entre banlieus, ou “Belas Vistas”, e “Baixas”;  na ineficiência energética e insustentabilidade; nas lógicas de produção barata e em massa, na corrida para o fundo da produção e consumo, e na sujeição do nosso tempo e nosso espaço a estas lógicas; nas carreiras do Jorge Coelho, do Ferreira do Amaral, passando também pela do Belmiro de Azevedo, na mortalidade infantil (e prematura em geral); na concentração do poder, na aceitação do arbítrio das regras do mais forte sobre o mais fraco não só como necessárias (proibido virar à esquerda, obrigatório seguir em frente), mas como óbvias e lógicas; no pato-bravismo; na destruição da comunidade e da identidade, no individualismo e na sua promoção; na aceitação como regra que são preciso macro-estruturas monopolistas para gerir as nossas sobrevivências, …

e muitas outras coisas que são analisadas nos espaços que, como este, se preocupam.

Acabei não tendo paciência para fazê-lo, e fui participando apenas com comentários curtos. Paciência, Iracema. Obrigado por me terem acolhido. Boa sorte e vamo-nos vendo.

Democracia directa em Lisboa

14 de Janeiro de 2010 por João Branco

O actual executivo na Câmara Municipal de Lisboa decidiu, pelo segundo ano consecutivo, afectar aquilo que penso ser cerca de 10% do orçamento de investimento a projectos propostos pelos munícipes (5 milhões de € penso eu)

As várias centenas de propostas apontam quase todas na mesma direcção: seja uma cobertura para a chuva, um jardim infantil, um parque ou passeios mais largos e arborizados, as pessoas exigem mais cidade para si. Pedem mais espaço para viverem, para passearem, para derivarem. Coisas para o seu bairro, para a sua rua, para a sua escala.

Mais do que os resultados directos desta atribuição de orçamento, espero que a edilidade  saiba ler nestas propostas que as aspirações dos munícipes não são de túneis, mini-túneis, fluidez de trânsito,  grandes obras. Espero ajude a perceber aos cascalenses e sintrenses que governam a cidade  aquilo que é realmente a população de Lisboa.

Hoje é o último dia para a votação. O registo pode fazer-se aqui e depois é só votar. Aproveito para deixar como sugestões os seguintes projectos, alguns entre muitas outras boas propostas:

1) Pedonalização da Rua Garret

2) Alargamento dos passeios da Rua do Arsenal

3) Descongestionamento da circulação pedonal no Chiado e Camões

[Por outro lado, é com alguma estranheza que constato que numa cidade onde se exige por tantas vezes mais diálogo com a chamada sociedade civil, este orçamento participativo seja tão pouco participado (até agora só 3 milhares de votos).]

Ainda sobre Berlusconi

15 de Dezembro de 2009 por João Branco

O que se está a passar na blogosfera com o recente caso Berlusconi, em particular entre o 5 Dias e o Arrastão, fez-me sensação de déjà vu relativamente a algo do género que se passou no ano passado. Em poucas palavras: acerca de um assunto diferente, num outro país estrangeiro, o Daniel Oliveira e os seus interlocutores (entre os quais se contavam, coincidentemente, o José Neves e o Nuno Ramos de Almeida) passaram, de forma lesta, da discussão do caso para um o debate sobre a violência em termos genéricos. Tornamo-nos de novo audiência para aquele que é um debate ideológico-filosófico antigo entre amigos* (mesmo  que resvale para categorizações menos simpáticas – o ano passado um jardim infantil; este, um tasco pouco recomendável) -   acabando por repetir-se as mesmas e mesmas coisas, falando-se de violência sem a definir, atacando bonecos de palha, e  esquecendo-se do evento em si.  É sobre este que gostaria de deixar algumas notas para reflexão e comentário. Em particular, agradeço desde já comentários dos leitores que vivam em Itália e/ou conheçam de forma priviligiada a situação italiana, que possam confirmar ou refutar a minha impressão.

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Soluções na ponta da língua – achega

30 de Novembro de 2009 por João Branco

Uma achega que talvez possa ajudar a responder à questão do Ricardo:

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Na Rua Henriques Nogueira, em regime de excepção, é permitido aos Mercedes dos funcionários do Ministério da Administração Interna estacionar em cima dos passeios, ocupando-os na totalidade. O Passeio Livre, que combate a usurpação dos passeios para estacionamento automóvel, tem vindo (em vão) a queixar-se ao organismo que tutela a lei e as polícias: o Ministério da Administração Interna.

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Ocupações Selvagens

30 de Novembro de 2009 por João Branco

Trabalhadores assumem controlo da produção, entram em autogestão ilegal. Contra a lei, utilizam as máquinas roubadas aos legítimos proprietários para gerir a empresa alheia em seu benefício. Bloqueiam à força as tentativas dos donos da fábrica de recuperarem o que é seu.

O Henrique Burnay do 31 da Armada aplaude –  “as deslocalizações não se proíbem, evitam-se”, diz ele - e pede medalhas para os ladrões sublevados. Se o capitalismo que o Henrique Burnay “loves” é o controlo operário dos meios de produção, contra a vontade dos patrões, contra as leis burguesas dos previlégios injustos da propriedade, então, se calhar, a sua definição não é a mesma que  eu conhecia.

Mais, no Vento Sueste.

Zé Neves na RTP2

8 de Novembro de 2009 por João Branco

Neste momento, no Câmara Clara, falando sobre o Muro de Berlim.

Agora aqui

Programas Autárquicas Lisboa

9 de Outubro de 2009 por João Branco

Os programas dos 4 principais candidatos organizados por temas e comparados lado a lado. A papinha toda feita está aqui.

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A diferença entre o MEP e o MMS

9 de Outubro de 2009 por João Branco

A diferença entre os dois partidos que mais €uros  pagam por cada voto:

Carrinho:

Carrão:

via Passeio Livre

A bandeira e o gesto simbólico

11 de Agosto de 2009 por João Branco

Há 5 anos atrás, Tiago, de 17 anos, foi energicamente detido por 5 elementos das forças policiais, por ter queimado uma bandeira de Portugal numa manifestação contra as touradas. Em consequência foi condenado sumariamente a cumprir 10 meses de serviço comunitário.

A bandeira era uma das famosas adulterações vendidas durante o Euro  e pertencia ao jovem que a queimou.

No Barnabé escrevia-se:

Pobre bandeira que, para ser respeitada, precisa de um juiz. Pobres países, os que obrigam os seus cidadãos a ser patriotas.

Sobre uma bandeira e um gesto simbólico, hoje o Vento Sueste escreveu isto. E o Luke Skywalker escreveu isto.

Agenda

21 de Maio de 2009 por João Branco

Hoje, aqui , pelas 20:00, um grupo de apologistas da presente “Revolução Venezuelana”, o grupo colectivo Tirem as Mãos da Venezuela, promove uma discussão sobre o assunto. Vou ouvir os seus argumentos, e espero que haja um contraditório informado.

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E falando em Mouraria, hoje e durante o fim de semana há também o Festival Islâmico de Mértola. Quiçá uma boa oportunidade para, como recomendou o Fernando Venâncio, fazer um desvio, comer umas bifanas islâmicas e beber cerveja.

Para a semana, há a segunda edição (ou se quisermos, a repetição) do Curso de Mobilideade e Acessibilidade Sustentáveis. De 28 a 30 de Maio, para ser mais preciso. Na LPN, Estrada do Calhariz de Benfica, 187, Lisboa, para ser mais preciso. Não tive oportunidade de ir à última, mas dizem-me que mistura Teoria dos Jogos com Guy Debord, Transportes Públicos com comunicação, planeamento urbano, o encontro com o “outro”  e a deriva. No mínimo, tentador.

Curso Mobilidade e Acessibilidade Sustentáveis

15 de Abril de 2009 por João Branco

Ainda com a troca de ideias sobre mobilidade urbana entre mim e o Tiago em mente, fica aqui a sugestão para um curso de 15 horas, este fim de semana. A meu ver, fornece o conhecimento indispensável para uma discussão esclarecida das questões de circulação,  especialmente importante em ano de discussão de pontes sobre o Tejo, de reformulação da Avenida da Liberdade, e de eleições.

CARTAZ, PROGRAMA

Objectivos

Introdução de noções básicas de Mobilidade Sustentável: desde elementos
conceptuais até às transformações práticas do espaço público e das redes de
transportes.

Horário
Quinta a Sexta – 18h às 22h
Sábado – 10h às 13h | 14h às 18h

Local
LPN
Estrada do Calhariz de Benfica, 187
1500-124 Lisboa

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Alexandre O’Neill e a Chica

25 de Março de 2009 por João Branco

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Alexandre O’Neill adorava deslocar-se de bicicleta. Admirava este veículo obsessivamente, tendo-lhe dedicado poemas lindíssimos.

Nos próximos dias, postarei, por dia, um poema de O’Neill sobre a Chica, o seu grande amor. Dedicá-los-ei ao comentador Saloio:

Elogio Barroco Da Bicicleta

Redescubro, contigo, o pedalar eufórico
pelo caminho que a seu tempo se desdobra,
reolhando os beirais – eu que era um teórico
do ar livre – e revendo o passarame à obra.
Avivento, contigo, o coração, já lânguido
das quatro soníferas redondas almofadas
sobre as quais me etangui e bocejei, num trânsito
de corpos em corrida, mas de almas paradas.
Ó ágil e frágil bicicleta andarilha,
ó tubular engonço, ó vaca e andorinha,
ó menina travessa da escola fugida,
ó possuída brincadeira, ó querida filha,
dá-me as asas – trrim! trrim! – pra que eu possa traçar
no quotidiano asfalto um oito exemplar!

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Somos cada vez mais

24 de Março de 2009 por João Branco

Eis Alexandre O'Neill

“O Socialismo só poderá chegar [à blogosfera] de bicicleta” - José Antonio Viera-Gallo

Com a nova aquisição, o 5 Dias volta, em número de blòguéres a pedal, à camisola amarela da blogosfera socialista, ultrapassando o Arrastão e o Spectrum,  (tínhamos perdido o lugar por causa de uma lesão e de uma transferência).

Bem-vindo, Mark. Na Sexta, às 18:00, há Massa Crítica, uma coisa que não é manifestação, e não é contra ninguém.  Embora pintar aquilo de vermelho?

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O Auto-Cidadão

23 de Março de 2009 por João Branco

O auto-cidadão pesa uma tonelada e ocupa 4 metros quadrados, precisa de espaço.
O auto-cidadão tem fome e sede. Em Portugal a sua fome é de um terço do défice comercial.
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O auto-cidadão é furioso, e morrem mais que 2 pessoas por dia às mãos de cidadãos-automóvel.
O auto-cidadão precisa de espaço, muito espaço. Em Lisboa há 30% de auto-cidadãos, mas a maior parte do espaço público, passeios incluídos, é seu.
O auto-cidadão é egoísta,e todos os dias atrapalha os outros auto-cidadãos, irrita-se, discute com eles, mas, apesar de tudo, tem-lhes respeito.

Nada enfurece mais o auto-cidadão do que ver qualquer coisa que não outros auto-cidadãos ocupar o espaço que é dele, que foi construído para ele. Atrasar o seu movimento é impedir a mobilidade, é atrasar o próprio progresso. O seu movimento, perigoso, pesado, exigente, açambarcador, é um direito.

O seu direito de ocupar e utilizar espaço está acima de qualquer outro, seja ele o de manifestação ou um evento de fim de semana.

O auto-cidadão recusa-se a ver os limites dos seus direitos e recusa-se a aceitar que haja na sociedade quem não seja auto-cidadão. E que essa maioria também tem direitos.

Curtas

12 de Março de 2009 por João Branco

Coisas de que não se ouve muito falar nos media:

América arma-se até aos dentes – O medo de que a crise se agrave até ao  apocalipse, assim como de uma política mais restritiva de controlo de armas tem provocado recordes de vendas de interesse na disciplina de survivalism, “sobrevivência”. Cada vez mais americanos estão a correr às lojas de armas, a guardar comida enlatada e a preparar-se para construirem “fortes-nação de uma família”, auto-suficientes. Os libertarians americanos (traduzir-se-á em portugês para libertistas ou libertarianos, e não, como se vê tantas vezes, para libertários), ao comprar milhares de munições e armas, dão de mamar ao complexo militar-industrial, em particular aos monopólios dos fabricantes.

Guerra contra e entre os cartéis, no México, escala em proporção. As ofensivas lançadas pelo governo estão a provocar desiquilíbrios de poder, secessões, mudanças de hierarquia. As batalhas de guerrilha são travadas entre paramilitares treinados pela CIA, com consultadoria de membros do Hamas, armas chinesas, forças especiais da Colômbia, mercenários de todo o globo.

Bem essencial

11 de Março de 2009 por João Branco

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Já que se tem falado de trânsito automóvel, e que o 5 dias anda ocioso, aproveito para remeter para o melhor blogue português, e a sua análise da última grande vitória do Governo de Portugal contra o resto da UE:

Conseguimos que em Portugal
A travessia por automóvel individual
Das pontes do Ferreira do Amaral
Continuasse a ser considerado um bem essencial
E a ser taxada como tal

(ou seja, a 5%)

Emocionado

11 de Março de 2009 por João Branco

O Global é o diário gratuito do grupo ControlInveste. É o jornal com maior tiragem a nível nacional. O seu lema é “Nem toda a informação gratuita vale a pena. A nossa vale.”

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Ontem usou esta imagem para ilustrar uma visita de Cavaco Silva ao Bairro da Pasteleira. Usou uma foto de uma pistola de 9 mm apontada ao leitor para ilustrar uma notícia sobre atestados médicos (que não tinha nada que ver com armas).

Os jornalistas do Global estão em luta. Houve greve a semana passada.

António Banza Parreira

6 de Março de 2009 por João Branco

António Banza Parreira todos os dias carrega, desde Setúbal,  dramatismo e tragédia  para as ruas de Lisboa.

Obsessões

5 de Março de 2009 por João Branco

“O ciclismo é uma decisão pessoal de ser forreta, saudável e mais sacrossanto do que os demais. Em vez de pedinchar benefícios fiscais, haviam de pagar imposto por stressarem os automobilistas e armarem-se em bons enquanto stressam. Comprem um veículo eléctrico; aceitem a preguiça humana e calem-se de uma vez por todas”.

Miguel Esteves Cardoso, PÚBLICO, 27-02-2009

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Ontem foi publicada, nas “Cartas ao Director” do Público, uma resposta minha a este artigo. Eu tinha enviado duas versões, uma mais truncada, outra mais cáustica. A publicada foi a truncada. Eis a outra:

Miguel Esteves Cardoso, na sua coluna de 27/02/2009 neste jornal, revela-se “stressado” face a uma iniciativa, tomada por mim e subscrita por milhares de cidadãos, de eliminar uma incoerente exclusão dos velocípedes (motorizados ou não) do plano de benefícios fiscais para veículos não poluentes previsto na Lei de Orçamento de Estado para 2009.
Neste artigo dedica-se o cronista a um exercício de adivinhação e condenação dos motivos que levam alguém a optar por utilizar um velocípede como veículo.
Em particular, releva ostensivamente o tópico da saúde, quando aborda uma petição que não o refere uma única vez, denotando uma inegável obsessão com o tema. A palavra “coerência” é das que mais vezes surge no texto. Assim, nota-se não só que ao cronista  a coerência merece desprezo, como também que, ironicamente, é do seu lado que está presente esta obsessão com a saúde que imputa aos utilizadores de velocípedes.

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Um homem estressado

5 de Março de 2009 por João Branco

O Miguel Cardoso escreve, penso que diariamente, no verso da contracapa do Público, chalaças descontraídas. A de ontem foi uma coisa sobre os chocolates de que ele gosta, dos que a mulher gosta, etc.
Enfim, eu compreendo que seja complicado arranjar algo interessante para escrever todos os dias. Mas, sendo que os artigos de MEC nitidamente não aspiram ser mais do que exercícios estético-lúdicos de conteúdo banal, por que é que não estão remetidos para o P2? A propósito o Bartoon não escapuliu também de lá?

Um dia destes, numa conversa com este camarada, dizia que se o Santana ganhar as eleições para a CML, então até Lisboa padece de provincianismo. Eu acho que, num país em que em 2009 há ainda tanta gente que acha que  se acha piada ao MEC, nem precisa de ocorrer esse desastre para se concluir desta triste condição.