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	<title>cinco dias &#187; Joana Amaral Dias</title>
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		<title>SOBRE UM DEBATE EM COIMBRA (OU NO PAÍS?)</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Feb 2008 10:43:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; SOBRE UM DEBATE EM COIMBRA (OU NO PAÍS?)   AUTOR: José Manuel Pureza Há um Presidente de Câmara que diz que nunca se investiu tanto em cultura porque há obras na calha para um centro de congressos e está &#8230; <a href="http://5dias.net/2008/02/21/sobre-um-debate-em-coimbra-ou-no-pais/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; text-align: justify; font: normal normal normal 12px/normal Garamond">&nbsp;</p>
<p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; text-align: justify; font: normal normal normal 16px/normal Garamond"><span style="letter-spacing: 0px">SOBRE UM DEBATE EM COIMBRA (OU NO PAÍS?)</span></p>
<p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; text-align: justify; font: normal normal normal 16px/normal Garamond"> </p>
<p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; text-align: justify; font: normal normal normal 16px/normal Garamond"><span style="letter-spacing: 0px"><span style="font-weight: bold" class="Apple-style-span">AUTOR: José Manuel Pureza</span></span></p>
<p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; text-align: justify; font: normal normal normal 11px/normal Helvetica; min-height: 13px"><span style="letter-spacing: 0px"></span></p>
<p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; text-align: justify; font: normal normal normal 16px/normal Garamond"><span style="letter-spacing: 0px">Há um Presidente de Câmara que diz que nunca se investiu tanto em cultura porque há obras na calha para um centro de congressos e está para abrir um teatro que está pronto há mais de três anos. Há um vereador da cultura que reclama nos jornais que os protocolos com agentes culturais lhe custam “uma pipa de massa”. E há gente que não se fica e vem à rua dizer que isto é uma vergonha. “É amiguismo”, reage o Presidente, “querem é subsídios para os amigos”.</span></p>
<p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; text-align: justify; font: normal normal normal 16px/normal Garamond"><span style="letter-spacing: 0px">Há amigos da cultura, sim senhor. A tal ponto que se põem a imaginar, em vozes plurais, onde os leva essa amizade. Como pode a cultura ser motor do desenvolvimento das cidades?, tão simples como isto. Que papel terá a cultura na cidade prometida e como o vamos materializando na cidade concreta? </span></p>
<p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; text-align: justify; font: normal normal normal 16px/normal Garamond"><span style="letter-spacing: 0px">Pensarmos isto em Coimbra é pensarmos o país e percebermos, magoados, como somos tão pouco europeus: desde a total ausência de uma rede de cidades médias substituída por uma bipolarização territorial que eucaliptiza o país, até à natureza avulsa da intervenção pública (central e autárquica) no domínio cultural, passando pelo desbaratar aviltante de capital instalado na diferenciação (cultural, claro) das concentrações urbanas ou pela repetição preguiçosa da ladainha do pecado da subsidiodependência – tudo nos mostra que a Europa está desgraçadamente longe daqui.</span></p>
<p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; text-align: justify; font: normal normal normal 16px/normal Garamond"><span style="letter-spacing: 0px">Pensarmos isto é também interrogarmos o desenvolvimento que temos. É reclamarmos que o lugar da cultura não é “um” lugar, acantonado e insular, nesse desenvolvimento mas os lugares todos, aqueles em que a sociedade respira, se revitaliza e se transforma a cada momento (não é isto o desenvolvimento?). É percebermos que a criatividade é a irmã gémea dessa respiração colectiva, mas que criatividade sem estratégia é fogo fátuo. É, enfim, darmos rosto político à consciência de que verdadeiramente é a cultura a única possibilidade de pôr o travão da solidez à deriva de liquefacção que marca crescentemente a nossa esfera pública.</span></p>
<p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; text-align: justify; font: normal normal normal 16px/normal Garamond"><span style="letter-spacing: 0px"> Não sei se os “Amigos da Cultura” (<a href="http://www.amigosdacultura2008.blogspot.com">www.amigosdacultura2008.blogspot.com</a>), em Coimbra e no país, conseguirão impor como inevitável nas próximas eleições locais o slogan “It’s culture,stupid!”. Mas, diante da grandeza das tarefas que este debate nos exige, respira-se por aqui um irreprimível “Yes, we can!” </span></p>
<p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; text-align: justify; font: normal normal normal 11px/normal Helvetica; min-height: 13px"><span style="letter-spacing: 0px"></span></p>
<p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; text-align: justify; font: normal normal normal 11px/normal Helvetica; min-height: 13px"><span style="letter-spacing: 0px"></span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Armas Para Civis (II)</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Jun 2007 23:05:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Performance de Alberto Pimenta Filme de Edgar Pêra Legendas de Joana Amaral Dias Click To Play Armas para Civis (Introdução) aqui.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Performance de Alberto Pimenta<br />
Filme de Edgar Pêra<br />
Legendas de Joana Amaral Dias</p>
<p><center>															<script type="text/javascript" src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js"></script><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&#038;posts_id=269843&#038;source=3&#038;autoplay=true&#038;file_type=flv&#038;player_width=&#038;player_height="></script>
<div id="blip_movie_content_269843"><a href="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-ARMASPARACIVISII451.flv" onclick="play_blip_movie_269843(); return false;"><img src="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-ARMASPARACIVISII451.flv.jpg" border="0" title="Click To Play" /></a><br /><a href="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-ARMASPARACIVISII451.flv" onclick="play_blip_movie_269843(); return false;">Click To Play</a></div>
<p>										</center></p>
<p>Armas para Civis (Introdução) <a href="http://5dias.net/2007/06/06/armas-para-civis/">aqui</a>.</p>]]></content:encoded>
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		<title>A mulher do Vasco</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Jun 2007 16:50:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Autora: Violeta Salgado Ele olhava-me estarrecido e insistia: “A mulher do Colombo! Ó pá. A mulher do Colombo, não estás a ver de quem é que eu estou a falar?”. Eu não estava a ver, realmente. Não me lembrava com &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/06/13/a-mulher-do-vasco/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Autora: <a href="http://www.folhamorta.blogspot.com/">Violeta Salgado</a></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font size="3" face="Times New Roman">Ele olhava-me estarrecido e insistia: “A mulher do Colombo! Ó pá. A mulher do Colombo, não estás a ver de quem é que eu estou a falar?”. Eu não estava a ver, realmente. Não me lembrava com quem tinha casado o Colombo. Será que era suposto saber? Seria assim uma lacuna tão profunda na minha “cultura geral”? Envergonhada, lá acabei por acenar, num daqueles gestos que tanto pode significar uma mesma coisa como o seu contrário. Ele acabou por cabecear de volta, nitidamente mais vencido pelo cansaço do que movido pela ambivalência. </font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font size="3" face="Times New Roman">Nunca mais me lembrei do tropeção. Até que noutro dia, estava no café com um colega que, a meio da conversa, disse: “E pronto, essa tipa do Vasco da Gama é demais”. Confesso que já não estava particularmente atenta. Mas depois dessa deixa fiquei surda. “A mulher do Vasco da Gama?!”. Caraças. Outra vez. Não tinha a mais pálida ideia de quem era esposa do senhor. Devia ser uma Filipa ou Catarina. Foi o máximo que consegui concluir. Acabei por seguir umas dez horas mais tarde para casa, desanimada e recordando, com culpa, as palavras do outro: “Só sobram os livros”. O problema é que nunca gostei de restos. Mesmo assim entendi que, de uma vez por todas, tinha que fazer um esforço sério e sistemático para ler mais. Andei assim uns dias, a acordar bem cedo. Às oito já tinha o jornal visto e revisto e, depois de jantar, ficava em casa, na forreta poltrona do candeeiro. Nem uma semana tinha passado e eu já esquecera o episódio, voltando à minha vida de ignara. </font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font size="3" face="Times New Roman">Passaram-se meses. Pelo menos uma vez fui ao Colombo. Não dei conta de nada. </font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font size="3" face="Times New Roman">Até que ontem, estava na pastelaria e diz a senhora para o marido: “Ó Manuel, passou cá a rapariga do Apolo…”. Eu já estava para recomeçar a minha auto-flagelação – uma musa qualquer, seria? – quando fui salva por um 70: “A rapariga do Apolo <metricconverter ProductID="70”" w:st="on">70”</metricconverter>. Ok. Vi a luz. Tudo fez sentido. Suspirei e sai sem ler o jornal. Passei pela menina da mercearia, pelo homem da padaria, pelo senhor da livraria e pelo puto da esquina. Senti que dominava a expressão. Achei-me vitoriosa. Doravante (apus mesmo esta palavra para mim própria, de molde a sentir-me mais douta), revelarei como domino a língua sem piedade. Ao advogado chamarei senhor da firma e ao engenheiro o tipo da ordem. É que se não há lojistas, empregados de balcão, merceeiros, livreiros e padeiros, também não há doutores e etc. Afinal, se o talhante sabe que é o homem do talho, porque é que o médico não consegue entender que é o gajo do hospital? </font></p>]]></content:encoded>
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		<title>Até que a morte os separe.</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Jun 2007 15:51:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Autora: Violeta Salgado.   Finalmente ela mudou-se para sua casa. Sem que a nova inquilina soubesse, ele decidiu instalar câmaras de videovigilância em todas as divisões. Gravou todos os momentos que aí passaram. Filmou, com o seu consentimento, todas as &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/06/13/ate-que-a-morte-os-separe/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font size="3" face="Times New Roman">Autora: <a href="http://folhamorta.blogspot.com/">Violeta Salgado</a>.</font></p>
<p><font size="3" face="Times New Roman"> </font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font size="3" face="Times New Roman">Finalmente ela mudou-se para sua casa. Sem que a nova inquilina soubesse, ele decidiu instalar câmaras de videovigilância em todas as divisões. Gravou todos os momentos que aí passaram. Filmou, com o seu consentimento, todas as viagens, muitos dos jantares fora, quase todas as idas ao cinema, os encontros com os amigos, as festas de família, as idas à praia, às livrarias, ao supermercado e ao café. A relação terminou, claro. Ou não. Nos anos que se seguiram ele passou todo o seu “tempo livre” a ver as imagens. Depois, morreu. </font></p>]]></content:encoded>
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		<title>Armas Para Civis (Introdução)</title>
		<link>http://5dias.net/2007/06/06/armas-para-civis/</link>
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		<pubDate>Wed, 06 Jun 2007 19:26:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Autor(es): Alberto Pimenta (performance clássica) Joana Amaral Dias (legendas) Edgar Pêra (film) Click To Play]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Autor(es): Alberto Pimenta (performance clássica) Joana Amaral Dias (legendas) Edgar Pêra (film)</p>
<p><center>															<script type="text/javascript" src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js"></script><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&#038;posts_id=259827&#038;source=3&#038;autoplay=true&#038;file_type=flv&#038;player_width=&#038;player_height="></script>
<div id="blip_movie_content_259827"><a href="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-PEPPERGAS210.mp4" onclick="play_blip_movie_259827(); return false;"><img src="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-PEPPERGAS210.mp4.jpg" border="0" title="Click To Play" /></a><br /><a href="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-PEPPERGAS210.mp4" onclick="play_blip_movie_259827(); return false;">Click To Play</a></div>
<p>										</center></p>]]></content:encoded>
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		<title>Rui Tavares: O brilharete</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Jun 2007 17:57:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Autor: Rui Tavares (Público, 4 de Junho 2007) O embaraço da missão está num momento em que os líderes europeus se deixaram extravasar pelas emoções e, como é hábito nessas ocasiões, disseram um monte de coisas de que viriam a &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/06/06/rui-tavares-o-brilharete/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify"><font size="3" face="Times New Roman">Autor: <a href="http://ruitavares.weblog.com.pt/">Rui Tavares</a></font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify"><font size="3" face="Times New Roman">(Público, 4 de Junho 2007)</font></p>
<p><strong><font size="3"><font face="Times New Roman">O embaraço da missão está num momento em que os líderes europeus se deixaram extravasar pelas emoções e, como é hábito nessas ocasiões, disseram um monte de coisas de que viriam a arrepender-se depois.</font></font></strong><font size="3" face="Times New Roman"> </font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">Uma das melhores maneiras de conseguir que se leve a cabo uma tarefa ingrata, ou mesmo indecorosa, é convencer alguém de que ao cumpri-la fará um “brilharete”. Esta técnica funcionará melhor com um sujeito que passe por insignificante mas não deixe de ter a sua vaidade. Como país, Portugal é um inabalável candidato ao óscar do brilharete.</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">É curioso que não raramente é o próprio que sai prejudicado, embora não o tenha previsto enquanto escutava a lisonja e o encorajamento dos maiores interessados. Nesse caso, chama-se-lhe um “trouxa” – mas discretamente, para não ferir os sentimentos de uma pessoa tão útil.</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">Aproxima-se agora uma nova ocasião para demonstrarmos os nossos dotes nesse papel, sob a forma da presidência da União Europeia. </font></font><font size="3"><font face="Times New Roman">O embaraço da missão está num momento em que os líderes europeus se deixaram extravasar pelas emoções e, como é hábito nessas ocasiões, disseram um monte de coisas de que viriam a arrepender-se depois. Mas já foi há muito tempo – 29 de Maio e 1 de Junho de 2005 – e franceses e holandeses tinham acabado de votar não à Constituição europeia. Jurou-se que nunca mais a UE se faria longe dos seus cidadãos e que os seus líderes nunca mais se fechariam no “quarto mais alto da torre”, nas palavras do inimitável Tony Blair.</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">São coisas que se dizem no calor do momento, como explicaria recentemente Cavaco Silva: “às vezes, avança-se para essas coisas sem pensar bem nas consequências e, depois, discute-se é como corrigir”.</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">Como corrigir, então? Sarkozy tem uma ideia: faça-se um mini-tratado com três características fundamentais. A primeira é referir-se sempre a ele como “mini”, um abre-te sésamo para muita gente. A segunda é chamar-lhe tratado em vez de “constituição”, o que deverá funcionar com os restantes. A terceira – e única que tem a ver com actos e não palavras – é nunca o referendar.</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">Tirando isto, não se sabe nada sobre o mini-tratado, a não ser que será um conjunto de regras fundamentais sobre a maneira como as coisas se fazem na UE – pensando bem, não é isso mesmo que costumam ser as constituições? E na maneira como as coisas se fazem encontramos já duas regras fundamentais. Uma é fugir ao referendo. A outra é caminhar para o directório dos países grandes, solução que permitirá vencer com facilidade as objecções da Espanha e da Polónia. </font></font><font size="3" face="Times New Roman">Esta reincidência em fazer as coisas “no quarto mais alto da torre” tem o seu custo, que nenhum líder gosta de pagar sozinho. Mas é preciso dar o passo decisivo a tempo de se ratificar tudo antes das eleições para a única instituição em que os europeus votam – o Parlamento Europeu, onde verdadeiramente se deveria discutir a constituição. Felizmente, agora só é preciso arranjar alguém para fazer um brilharete.</font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">Perante uma bateria de jornalistas portugueses, perguntou-se a Durão Barroso se era por patriotismo que gostaria de ver o “mini-tratado” decidido durante a presidência portuguesa. Durão respondeu logo que não, mas depois de olhar em torno para ver se não havia por ali algum jornalista estrangeiro sorriu e acrescentou que “sim, um bocadinho”. Ora aí está: Durão é um mestre na arte do brilharete, como se viu na Cimeira das Lajes, antes de começar a Guerra do Iraque. Mas hoje, cada aniversário dessa ocasião é lembrado em todo o mundo como um momento vergonhoso de desrespeito pela vontade dos cidadãos.</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">Ao ouvi-lo, lembrei-me de que também eu teria um mini-tratado a propôr aos nossos líderes. É a citação de Tucídides que estava no preâmbulo da Constituição, e mais curto não me parece que seja possível. É uma frase apenas: “A nossa constituição é chamada de democracia porque nela o poder está nas mãos, não da minoria, mas do maior número.”</font></font><font size="3" face="Times New Roman"> </font></p>]]></content:encoded>
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		<title>Ai, coisa linda. É só saúde!</title>
		<link>http://5dias.net/2007/05/30/ai-coisa-linda-e-so-saude/</link>
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		<pubDate>Wed, 30 May 2007 17:53:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Tal como já tinha ocorrido no Brasil, em Angola e na China, nesta visita oficial de Sócrates à Rússia, lá circulou o jogging. Ontem, a segurança moscovita encerrou a Praça Vermelha para que o Primeiro-ministro português performasse a sua joggada. &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/05/30/ai-coisa-linda-e-so-saude/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font size="3" face="Times New Roman"><img width="337" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/05/socratesluandacorre01.jpg" alt="socratesluandacorre01.jpg" height="195" style="width: 337px; height: 195px" /></font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font size="3" face="Times New Roman">Tal como já tinha ocorrido no Brasil, em Angola e na China, nesta visita oficial de Sócrates à Rússia, lá circulou o <em>jogging</em>. Ontem, a segurança moscovita encerrou a Praça Vermelha para que o Primeiro-ministro português performasse a sua joggada. Face aos acontecimentos relativos às medidas de segurança, que se verificaram desde o primeior dia desta deslocação, a polícia russa foi especialmente arregimentada. </font><font size="3" face="Times New Roman">Mas para Sócrates foram só 30 minutos de produção das glândulas sudoríparas. </font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font size="3" face="Times New Roman">Um velho cauto e manso médico, volta e meia cruzava-se com um familiar meu no regresso do ténis. Observa-o fardado, com bandas no pulso a prevenir lesões, afogueado e estafado. Um dia o senhor doutor pigarreou: “Ah….vejo que faz muito desporto. Deve ter muita saúde, para andar por aí a desbaratá-la”. Mal sabia o antigo (ou talvez não) que o corpo passou a ser estatuto e o principal sugadouro narcísico. Que vivemos na era da somatização. Não, Sócrates não é o único governante a utilizar a contemporânea obsessão pela forma como (é triste, mas aqui vai) propaganda política. Bush e Sarkozy (nem mencionando o famoso mergulho de Marcelo no Tejo), por exemplo, também praticam o “pernas para que vos quero”. Escusado será dizer que esta coisa, de espontâneo, tem raspas. Caso contrário, a comunicação social podia ficar a esticar as pernas.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font size="3" face="Times New Roman"> <img src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/05/ng1013203.jpg" alt="ng1013203.jpg" /></font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font size="3" face="Times New Roman">Na China a grande marcha tornou-se num espectáculo ainda mais burlesco porque o senhor-quase-engenheiro-quase-desportista (portanto, quase ídolo), depois de se ter apressado em <a href="http://www.rtp.pt/index.php?article=268731&amp;visual=16&amp;rss=0">Pequim abaixo de zero </a>(qual demonstração suplementar da capacidade sacrificial da carne), envergou em Macau uma camisola com a marca de um pronto-a-vestir-pronto-a-despir. Bem escarrapachada nos peitorais. <a href="http://semanal.expresso.clix.pt/2caderno/economia/artigo.asp?edition=1789&amp;articleid=ES246595">Na altura, alguns “especialistas” no artifício consideraram esta situação como uma falha dos assessores</a>, já que uma pessoa com este cargo nunca não pode vender marcas. Errado. Alguém que é PM deverá ter cabeça suficiente (e não só gâmbias) para concluir sozinho que não é uma sublime ideia feirar ferretes. À borla (dou de barato que não houve patrocínio). Como dizia um desses senhores “O que choca é que entra no limite do bom senso porque estamos a falar de uma viagem oficial”. E aproveitava para indagar: “Por que é que o Papa não pode usar sapatos X se são bons, confortáveis e ainda por cima italianos?”. (Boa pergunta até porque, como é do conhecimento geral, o Papa tem milhares de indumentárias faustosamente ornamentadas, algumas concebidas, para gáudio <a href="http://www.estadao.com.br/especial/papa/noticias/2007/mai/07/333.htm">tacanho de alguns, por uma estilista de origem portuguesa</a>. Adiante. Isso agora é outra história que só concorre em comicidade com aquele memorável cortejo de trajes para padres, bispos e quejandos no Roma de Fellini.)</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font size="3" face="Times New Roman"> <img src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/05/second1.jpg" alt="second1.jpg" /></font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font size="3" face="Times New Roman">Claro que a marca garrida por Sócrates regozijou-se com esse momento de democracia musculada. A responsável da dita defendeu até que “o acaso” é sinal de que José Sócrates tem uma vida saudável. Ora bem.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font size="3" face="Times New Roman">Houve uma outra parte desta história menos badalada, ainda quem muito linda: o aquecimento (certamente menos necessário que em Pequim), acompanhado por um forte dispositivo policial, esteve sob as ordens de um <a href="http://www.missaochina.gov.pt/noticias_noticia_75.asp">professor que também coordenava os estudantes da Escola Portuguesa</a> (como se pode lêr no site oficial).  No final do treino, o primeiro-ministro pediu desculpas por lhes ter &#8220;estragado a manhã de sábado&#8221; já que, para compor a comitiva, os alunos foram convocados para as sete da manhã. Pimpão. Os <em>joggers</em>, habitualmente, andam sozinhos e até isolados com auscultadores. Alguns escolhem marginais e ruas muitíssimo poluídas, e não “ar puro”, como seria de esperar se o motivo fosse a saúde. Mas é de ostentação que se trata. Logo é necessário público, muita gente como a que passa nas grandes avenidas. Contudo, Sócrates não corre sozinho. E, como ilustra a história dos colegiais (fora os ministros que lá colaboram conforme o cardíaco lhes consente), não é apenas a polícia que o acompanha. Sócrates vai em jeito de treino militar porque a imagem de um homem sozinho, não passará. Mas essa é a única diferença. O PM também dá <em>show</em> como os <em>joggers</em>-do-tubo-de-escape. Os cenários são bem escolhidos (Calçadão do Rio, Marginal de Luanda, Parque de Beihai), a televisão regista e o público multiplica-se. Tudo tão maravilhosamente orquestrado que nem se percebe como foi possível o lapso da marca da camisola. </font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font size="3" face="Times New Roman">É evidente que o Primeiro-Ministro pretende passar uma imagem “cá dentro” e outra “lá fora”. Trata-se de um exercício de força, de uma mostra de vigor, concreta e metaforicamente. Num país que, quando comparado com os EUA, é cordeiro no que toca à obcecação pelo ginásio, existir um Sócrates que pompeia a sua capacidade física não é dar o exemplo. É de fazer inveja. Especialmente à imensa maioria que se inscreve nestes pavilhões do suor (que crescem como cogumelos na tal humidade) e desistem ao fim dos três primeiros meses (infelizmente não sem um leve travo a culpa mas, na verdade, numa restituição da sua sanidade mental). Já para não falar do luso pícnico para o qual o deslumbramento pelos gémeos de Sócrates pode dar uma sensação parecida à do <em>dopping</em>. </font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font size="3" face="Times New Roman">Não chegaria ao ponto de afirmar que é a correria matutina que explica a misteriosa divergência descontentamento/boas sondagens. Mas pode ser muleta (não, não pretendo recordar nenhum antigo entorse). Outros dos supra-citados “peritos” consideram que &#8221; <a href="http://dn.sapo.pt/2006/04/23/nacional/fazer_jogging_luanda_vale_mais_30_di.html"><em>jogging</em> em Angola foi mais eficaz do que 30 discursos ou 20 conversas institucionais</a>&#8220;. Confesso que a parte que mais gosto desta escultural análise é quando se diz que ”o governante também transmite a imagem de que não engordou no primeiro ano de poder&#8221;. Gordos é que não. Tudo menos isso. <a href="http://dn.sapo.pt/2007/05/21/internacional/baixos_e_obesos_tambem_discriminados.html">Ainda por cima dá direito a discriminação</a>. </font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font size="3" face="Times New Roman">Lá fora, o PM tenta combater, qual ALLgarve, o postal do portugalzinho atardado e patego.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font size="3" face="Times New Roman"> <img width="233" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/05/allgarve.jpg" alt="allgarve.jpg" height="210" style="width: 233px; height: 210px" /></font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font size="3" face="Times New Roman">Só tenta. Para quem tem dois de testa, mais do um palminho de cara e não necessariamente perna longa, o provincianismo deste adestramento é pé-chato. E Sócrates consegue ainda um outro efeito. Esta sua maratona do em-grande-forma obriga os Estados calcorreados a trancar ruas, aferrolhar praças, avisar as populações (ora aí está uma boa maneira dos russos ouvirem falar de Portugal), mobilizar forças policiais e dinheiro. O anfitrião vê-se no dever de atender às cismas do seu hóspede. Um capricho é um capricho e muitos banqueteadores cedem, solicitamente, às madames castafiores deste mundo. O país visitado obedece e subjuga-se. Para uma nação com uma política externa tão tísica como a nossa, afinal, Sócrates tem razão. É o máximo de exibição de músculo que Portugal pode dar. E ainda bem.</font></p>]]></content:encoded>
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		<title>Peregrinação (em dias de azar)</title>
		<link>http://5dias.net/2007/05/23/peregrinacao-em-dias-de-azar/</link>
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		<pubDate>Wed, 23 May 2007 01:34:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[ Texto de Joana Amaral Dias Filme de Edgar Pêra Repórter: João Trindade Câmara: Francisco Castor O consumo, enquanto actividade sistemática, global, base do nosso sistema cultural, acompanhada pela celebração permanente dos objectos, atinge todo o seu esplendor nos centros comerciais &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/05/23/peregrinacao-em-dias-de-azar/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> Texto de <a href="http://www.bichos-carpinteiros.blogspot.com/">Joana Amaral Dias</a></p>
<p>Filme de <a href="http://elementarista.blogs.sapo.pt/">Edgar Pêra</a></p>
<p>Repórter: <a href="http://www.youtube.com/profile?user=baotrindade">João Trindade</a></p>
<p>Câmara: <a href="http://www.castorices.blogspot.com/">Francisco Castor</a></p>
<p>O consumo, enquanto actividade sistemática, global, base do nosso sistema cultural, acompanhada pela celebração permanente dos objectos, atinge todo o seu esplendor nos centros comerciais (CC). Estes espaços não são apenas locais para comprar. São a aliança da mercadoria com os serviços, lazer e cultura. Locais onde o cliente tanto pode comprar como divertir-se. Consumir, “socializar”, “culturalizar-se”, passear. Tudo no mesmo sítio. Tudo a valer o mesmo.<br />
Nos centros comerciais, os locais onde, por excelência, se consome não por necessidade mas por <em>status</em>, e de modo a maximizar a alienação e o fetichismo, nada é deixado ao acaso. A localização é sempre cuidadosamente escolhida, a disposição das lojas meticulosamente pensada. Os folgados e polidos corredores, para além de facilitarem a circulação (mas sem grandes velocidades), são todos semelhantes, confundindo como um labirinto. Uma perdição. Para encontrar a escada rolante há que atravessar meio centro, para chegar ao consumo mais essencial -a comida &#8211; é necessário passar por toda a outra abundância e panóplia. A luz e a temperatura artificiais permitem uma primavera constante e tornam a passagem do tempo imperceptível. Ao contrário das principais artérias das cidades, cujos marcos são as horas electrónicas, relógios é coisa que não existe num CC.  Não há tempo. Não há orientação espacial e temporal. Os cheiros são controlados e o barulho também. Geralmente “músicas” “adaptadas às circunstâncias”. Nem mesmo dinheiro circula. Só cartão. De preferência de crédito, de forma a que a sublimação do real seja mais conseguida. As vitrinas tendem a desaparecer. A “tentação” é mais directa. A montra, que exibe e esconde simultaneamente, e que representa a glorificação dos bens antes da transacção, vai entrando em desuso. Já nem é necessário mimar os objectos. As áreas de alimentação imitam as praças urbanas, do mesmo modo que esses centros vão conjugando o comércio “tradicional” com o novo comércio e o ritmo dos nossos dias com “a antiga passeata”. Não raras vezes, os CC têm fontes de água, plantas e rochas. Tudo bem misturado com o vidro, o betão e o aço. Uma natureza esterilizada. Em épocas de festa, a decoração adapta-se à emoção barata, pois é sempre de &#8220;felicidade&#8221; que se trata.</p>
<p><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js"></script><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&amp;posts_id=243663&amp;source=3&amp;autoplay=true&amp;file_type=flv&amp;player_width=&amp;player_height="></script><center id="blip_movie_content_243663"><a href="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-13635.mp4" onclick="play_blip_movie_243663(); return false;"><img border="0" src="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-13635.mp4.jpg" title="Click To Play" /></a><br />
<a href="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-13635.mp4" onclick="play_blip_movie_243663(); return false;">Click To Play</a></center></p>
<p align="left">Os <em>shoppings </em>apresentam-se como lugares de conforto, portanto. Mas também de segurança. Garantem sempre que não há azar. Os sistemas de videovigilância são sofisticados e a diferença entre as fontes, as praças e as ruas de um CC e as das cidades é que nas primeiras não existem mendigos, sujidade e &#8220;poluição&#8221;. Não há tumultos e confusões. Está-se longe do caos urbano e os consumidores têm “as condições materiais que as nossas cidades anárquicas lhes recusavam” (Baudrillard).<br />
Mas a segurança tem um preço. Aumenta a construção de gigantescos CC nas periferias. À medida que crescem os bairros de lata (nas suas múltiplas variantes “favelares” ou “sociais”) e diminuem os espaços verdes, surge a necessidade de criar zonas de segurança  nesses &#8220;arredores&#8221;. Quais? Centros comerciais e condomínios fechados. Aliás, existem, cada vez mais, os <em>shoppings</em> para ricos e os <em>shoppings</em> para pobres. Os capangas à porta e os preços dos produtos determinam, com facilidade, a clientela. Existem mesmo CC com <em>dress code</em>. Aqueles do tipo “sem a indicação do valor nas vitrinas”. Não tem cartão, não entra. O preço desta segurança é mais do que o aumento das desigualdades sociais. É a invisibilidade social.<br />
A arena do objecto-espectáculo responde à diminuição dos espaços públicos nas grandes cidades de uma forma particular. Os CC são um espaço privado com características de uso público. No <em>shopping</em>, as pessoas podem fazer o “isolamento em conjunto” de que falava Debord. Podem resgatar – numa experiência artificial- a sensação de colectividade em vias de extinção. E podem viver na assepsia e dormência: “este lazer é uma droga popular tão repugnante quanto o turismo ou compras a crédito (…) todos estes detalhes participam de uma ideia burguesa de felicidade, ideia mantida por um sistema de publicidade que engloba tanto a estética do Malraux, como os imperativos da Coca-Cola”.<br />
Rudy Rucker dizia que os CC eram balões de ensaio para o futuro. Uma experiência de como viver no espaço, em planetas inóspitos e sem outras formas de vida que não a nossa. Uma perspectiva cujo optimismo faz do ser humano o salvador do cosmos. Afinal, seria através da destruição da Terra e do consequente imperativo de colonizar outros planetas, que o universo – aparentemente infértil– passaria a ser habitado. Ficções à parte, aproveito para informar o leitor que a bibliografia referida neste texto foi adquirida num enorme loja (com um café lá dentro- cheio de sumos, bolos e bicas) de livros, discos, revistas, computadores, telemóveis, pilhas, baterias e gadgets, no piso intermédio de um ciclópico centro comercial que inclui montanhas russas, centros de massagem e relaxamento, estabelecimentos para deixar de fumar, tabacarias, casas de hambúrgueres, livrarias especializadas, cinemas, ginásios e lojas de porcelanas. Só não há elefantes.</p>]]></content:encoded>
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		<title>A semelhança é coincidência.</title>
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		<pubDate>Wed, 16 May 2007 23:44:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
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		<category><![CDATA[A-Bela-&-o-Mestre]]></category>
		<category><![CDATA[Baudrillard]]></category>
		<category><![CDATA[Big-Brother]]></category>
		<category><![CDATA[Homens-Toupeira]]></category>
		<category><![CDATA[Reality-Shows]]></category>
		<category><![CDATA[Žižek]]></category>

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		<description><![CDATA[Com excertos do filme &#8220;Os Homens-Toupeira&#8221; (2002), remontados por Edgar Pêra. Ontem, o jornal Público relatava a história de duas famílias que participaram num reality show, o Extreme Makeover: Home Edition (passa também em Portugal no desconexo People &#38; Arts). &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/05/16/a-semelhanca-e-coincidencia/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Com excertos do filme &#8220;Os Homens-Toupeira&#8221; (2002), remontados por <a href="http://elementarista.blogs.sapo.pt/">Edgar Pêra</a>.</p>
<p>Ontem, o jornal Público relatava a história de duas famílias que participaram num reality show, o Extreme Makeover: Home Edition (passa também em Portugal no desconexo People &amp; Arts). Nesse concurso- supostamente um espectáculo positivo porque baseado na caridade &#8211; os participantes recebem uma casa nova, em troca da exposição das suas vidas. Numa das edições, um casal acolheu na casa oferecida pela produção, cinco irmãos adolescentes órfãos. O governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger – ele próprio um reality fiction- foi à inauguração da habitação. Passadas algumas semanas, os irmãos saíram da casa, deixando para trás todos os “luxos” oferecidos pelo programa: mansão, carros, dispendiosos sistemas de som e televisão. Queixam-se que o casal “adoptante” tinha uma “campanha orquestrada para os degradar e insultar”, que os chamavam de estúpidos e preguiçosos, que eram racistas. Os órfãos apresentaram também uma queixa contra a ABC. Alegam que o canal obteve de forma fraudulenta os direitos sobre a sua história e que os enganou relativamente aos direitos sobre a casa. Os irmãos vivem agora separados em casa de amigos. A vivenda ficou para o casal. A ABC ficou com meio milhão de euros em receitas publicitárias. Robert J. Thompson garante que “as cadeias de televisão não trabalham para ser filantropas”. E remata: “O preço de uma casa é uma ninharia em comparação com o sucesso que uma série destas tem”. O Correio da Manhã convidou-me para escrever uma série de nove artigos sobre o reality show A Bela &amp; O Mestre. Alguns desses textos foram republicados aqui. O último saiu ontem e o artigo que se segue é uma versão “revista e aumentada”.</p>
<p><center><br />
</center><br />
<script type="text/javascript" src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js"></script><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&amp;posts_id=234736&amp;source=3&amp;autoplay=true&amp;file_type=flv&amp;player_width=&amp;player_height="></script><center id="blip_movie_content_234736"><a href="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-GIGABROTHER356.flv" onclick="play_blip_movie_234736(); return false;"><img border="0" src="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-GIGABROTHER356.flv.jpg" title="Click To Play" /></a><br />
<a href="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-GIGABROTHER356.flv" onclick="play_blip_movie_234736(); return false;">Click To Play</a></center></p>
<p align="left">Nos big brothers &amp; Cª há um detalhe revelador. Cada excluído provoca tristeza nos que ficam “na casa” e alegria na claque “lá de fora”. Quem perde torna-se numa celebridade que dá entrevistas e relata a suas proezas. Estes concursos aspiram à “imitação da vida”, com pessoas e acções comuns, mas ficam-se pelo real light, o real sem substância. O mercado dos produtos sem as suas principais propriedades, de que fala Zizek, da cerveja sem álcool ao sexo virtual, tem a sua melhor expressão nos reality shows. A realidade não mora aí. Os espectadores são convidados a excluir alguém de um acontecimento no qual não participam.<br />
Passou-se do culto da personalidade para o culto da imagem. Agora vive-se no culto da pornografia. Começou-se por mitificar os génios e os self made man, depois glorificaram-se as estrelas e hoje festejam-se as celebridades, um número crescente de pessoas anónimas que têm a oportunidade de comunicar com milhões e milhões de pessoas. Os anónimos não representam nem deixam de representar. A indústria cultural ensinou-lhes, desde o berço, a espectacularização da vida quotidiana. E nesta ânsia do comum não se suporta nada de diferente. Quem assiste a um reality show, assiste ao tédio da sua própria vida. Como se só se pudesse desejar o semelhante. Gera-se uma sociedade indivisível. E promíscua. É o culto da pornografia porque estes participantes não são mais nem menos reais do que os “actores” de pornografia. Esta foi apenas pioneira. Nos filmes pornográficos, os participantes também se podem divertir, zangar, gozar ou enojar. Mas sabem bem que é um negócio. And the show must go on.<br />
Nos reality shows pretende-se que nada seja secreto. Nada é escondido, reprimido, proibido, oculto. Quanto mais obscenidade, melhor. Aliás, como se não bastasse a constante celebração da vulgaridade, os concorrentes deste tipo de programas, habitualmente, são convidados a “ir ao confessionário”. A contar à câmara, num suposto momento de intimidade, os seus sentimentos e emoções. A confissão que foi passando da religião para a pedagogia, depois para a psiquiatria e para a literatura, chegou agora aos meios de comunicação. Porém, há uma diferença fundamental. A confissão em segredo não é o mesmo do que uma transmissão pública e publicitária do desejo.<br />
  “O Big Brother assegura a todos uma glória virtual justamente em função da falta de mérito. (…) É a concretização de uma democracia radical, com base na beatificação do homem sem qualidade. Um grande passo rumo ao niilismo democrático” (Baudrillard). Mas esse mesmo Big Brother é o “espelho e o desastre de uma sociedade inteira, atolada na corrida ao insignificante”. Os reality shows são uma metáfora da nossa sociedade. Vivemos constantemente, e cada vez mais, no regime da vídeo-vigilância e vivemos progressivamente mais enclausurados em gaiolas douradas, cujo paradigma são os condomínios fechados com um centro comercial bem central. Porque o exterior (cada vez mais indistinto do interior, num outro sentido) é vivido como ameaçador e perigoso. Os concorrentes dos BigBrothers só caricaturam: sujeitam-se à vigilância e à monitorização contínuas e ao internamento voluntário numa casa.</p>
<p><center><br />
</center><br />
<script type="text/javascript" src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js"></script><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&amp;posts_id=234758&amp;source=3&amp;autoplay=true&amp;file_type=flv&amp;player_width=&amp;player_height="></script><center id="blip_movie_content_234758"><a href="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-MOLEMENSAGA225.flv" onclick="play_blip_movie_234758(); return false;"><img border="0" src="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-MOLEMENSAGA225.flv.jpg" title="Click To Play" /></a><br />
<a href="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-MOLEMENSAGA225.flv" onclick="play_blip_movie_234758(); return false;">Click To Play</a></center>Há quem diga até que o século XX só teve um crime pior que Aushwitz: a celebração da banalidade. Nos reality shows não há ficção ou abstracção. É proibido pensar. Espectacular é antónimo de especular. Quem vê considera-se senhor do destino dos concorrentes. Espia a vida alheia “em tempo real”. Acha que tudo vê. Acha que tudo sabe. Sente-se omnipresente e omnisciente. Na sociedade televisivamente modificada, já não há super-heróis. Só pseudo-super-espectadores.<br />
Entre estes concursos e a vida, qualquer semelhança é coincidência. Uma coincidência que se tornou no culto da simulação. Mas o que acontecerá se começarmos por acreditar que o circo é real e depois tomarmos o real por virtual? Há quem pense que isso já aconteceu. Que já extremámos a virtualização. Que observámos as explosões das Torres Gémeas como um cena dejá vu em centenas de filmes e alguns livros, como uma realidade virtual. Que se diluem as fronteiras entre o interno e o externo. E se assim é, o espectador passa a ser, ele próprio, simulado pelos acontecimentos televisivos. Não é o espectador que vê televisão, mas a televisão que o vê. Não nos esqueçamos que a frase é “Big Brother is watching you”.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Em triplicado: não há tempo a perder.</title>
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		<pubDate>Wed, 16 May 2007 10:43:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Autor: Rui Tavares(Público, 15 Maio 2007) 1. Uma vez que Helena Matos precisou de arrastar o pingue-pongue  sobre Sarkozy e a França para esta semana, aproveito para lhe  responder a esta bola puxada mais em força do que em jeito. &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/05/16/em-triplicado-nao-ha-tempo-a-perder/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3">Autor:<a href="http://ruitavares.weblog.com.pt/"> Rui Tavares</a></font></span></tt><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3"><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3">(Público, 15 Maio 2007)</font></span></tt></font></span></tt><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3"> </font></span></tt></p>
<p><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"></span></tt><span style="color: black"></span><span style="color: black"><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3">1. Uma vez que Helena Matos precisou de arrastar o pingue-pongue  sobre Sarkozy e a França para esta semana, aproveito para lhe  responder a esta bola puxada mais em força do que em jeito. Escreve  Helena Matos: “Deve ser muito tranquilizante ver o mundo assim a  preto e branco, como o vê Rui Tavares: dum lado a direita má e do  outro a esquerda boa. Dum lado os inteligentes e do outro os estúpidos”. </font></span></tt></span></p>
<p><span style="color: black"><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"></span></tt></span><span style="color: black"><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"></span></tt><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3">A única resposta possível é dizer-lhe que deve ser reconfortante  viver num mundo em que o principal argumento contra a esquerda é  apenas um, é sempre o mesmo, e ainda por cima está errado. Desde há  meses que, no Público e na RTP-N, prevejo a vitória de Sarkozy e digo  que ele a merece. A seguir à primeira volta escrevi aqui que “Sarkozy  é sem dúvida o mais brilhante dos dois candidatos que passam à  segunda volta, e dificilmente será derrotado”. </font></span></tt></span></p>
<p><span style="color: black"><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"></span></tt></span><span style="color: black"></span><span style="color: black"><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"></span></tt><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3">Como se vê, e ao contrário do que alega Helena Matos, eu tenho todo o  prazer em reconhecer inteligência à direita. Só ponho uma condição:  que a direita seja de facto inteligente. Caso contrário, a  choraminguice não me comove. Muito menos, ironicamente para quem se  queixa de estereótipos, a reciclagem até à náusea das banalidades  sobre os “intelectuais de esquerda”. Os complexos de inferioridade  não dão direito a pontos extra. </font></span></tt><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3"> </font></span></tt></span><span style="color: black"> </span><span style="color: black"><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3"> </font></span></tt></span></p>
<p><span style="color: black"><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3">2. Antes de ser eleito, um estudante brasileiro disse-lhe que deveria  aprender português para quando fizesse a primeira visita oficial ao  Brasil. Ele respondeu: “ah, no Brasil falam português?”. No seu  discurso de despedida, ouvi-o chamar aos EUA os “nossos mais velhos  aliados”, como se não houvesse Tratado de Westminster assinado entre  Inglaterra e Portugal em 1373. Para nós, Tony Blair sai como entrou:  superficial.</font></span></tt></span><span style="color: black"> </span><span style="color: black"><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"></span></tt><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3">3. Não há tempo a perder. As eleições para Lisboa são a 1 de Julho e  o prazo para apresentação de coligações já terminou. </font></span></tt></p>
<p></span><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"></span></tt><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3">A esquerda apostou forte. Até demais. Todos os nomes que se anunciam  (Helena Roseta, Sá Fernandes, Ruben de Carvalho e, segundo parece,  António Costa) dariam bons presidentes da Câmara de Lisboa. O  problema é o de sempre. A dispersão de votos à esquerda vai acabar  por premiar quem deveria ser punido pelo que fez a Lisboa. Será  premiado o PSD, que apresenta uma escolha de segunda linha  complementada pelo aparelho local, e o CDS, que não encontra ninguém  à altura do desafio. </font></span></tt><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3"> </font></span></tt></p>
<p><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3">Podem dizer-me que na esquerda há diferenças, que há estratégias dos  partidos e dos indivíduos, que há factos consumados. Eu direi: pensar  assim não é pensar em Lisboa. E comigo estarão certamente muitos  eleitores. A frustração será grande se não aproveitarmos esta oportunidade. É preciso uma equipa que saiba complementar duas  visões. Em primeiro lugar, defender a cidade: arrumar a casa, exigir  transparência, combater a corrupção. Em segundo lugar, projectar a  cidade: fazê-la mais humana, mais inovadora, mais solidária. </font></span></tt></p>
<p><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"></span></tt><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3">Isto não é tarefa para uma só pessoa ou um só partido. As  candidaturas de José Sá Fernandes e Helena Roseta são quem melhor  representa estas duas visões. Ambos nos disseram que a cidade é mais  importante do que qualquer projecto de poder pessoal. Agora chegou a  altura de provarem que é verdade. Chegou o momento de criarem uma  candidatura independente, comum e aberta às ideias dos lisboetas,  porque ninguém sabe tudo. Se forem capazes de o fazer, já estarão  dando um exemplo de como são capazes de se sacrificar pela cidade e,  ao mesmo tempo, mudar a política local. Nestas eleições, estou  convencido que os eleitores serão generosos com quem souber ser  generoso.</font></span></tt><span style="color: black"></span></p>]]></content:encoded>
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		<title>David B.</title>
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		<pubDate>Wed, 09 May 2007 14:02:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Autor: Edgar Pêra David B. é muito provelmente o nome mais interessante da banda desenhada francesa de hoje. O seu trabalho, obsessivamente dedicado seu epilético irmão e à sua família, vive de uma estética pesadélica, onde os negros invadem as &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/05/09/david-b/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Autor:<a href="http://elementarista.blogs.sapo.pt"> Edgar Pêra</a></p>
<p>David B. é muito provelmente o nome mais interessante da banda desenhada francesa de hoje.  O seu trabalho, obsessivamente dedicado seu epilético irmão e à sua família, vive de uma estética pesadélica, onde os negros invadem as páginas e os desenhos irrompem como luz vinda de um túnel. Mais ou menos.</p>
<p>David B. participou no<a href="http://www.bedeteca.com/index.php?pageID=recortes&#038;recortesID=2045"> o III Festival Internacional de Bd de Beja</a> e deu uma conferência no Instituto Franco-Português, onde o entrevistámos. A primeira parte da entrevista debruçou-se sobre Babel, uma enciclopédia de narrativa visual da época, retratada na sua obra emblemática: L’Ascention du Haut-Mal.<br />
Babel encontra-se ainda em fase de publicação seriada. Procurámos saber qual a relação dessa obra com a Guerra. E com o &#8220;Rei do Mundo&#8221;.</p>
<p><center>															<script type="text/javascript" src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js"></script><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&#038;posts_id=228120&#038;source=3&#038;autoplay=true&#038;file_type=flv&#038;player_width=&#038;player_height="></script>
<div id="blip_movie_content_228120"><a href="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-DavidBBabel464.flv" onclick="play_blip_movie_228120(); return false;"><img src="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-DavidBBabel464.flv.jpg" border="0" title="Click To Play" /></a><br /><a href="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-DavidBBabel464.flv" onclick="play_blip_movie_228120(); return false;">Click To Play</a></div>
<p>										</center>
<div class="blip_description"></div>
<p>A segunda parte desta cine-entrevista aborda alguns aspectos relacionados com L’Ascention du Haut-Mal. De que forma se vive a Normalidade numa “família epilética”?<br />
<center>															<script type="text/javascript" src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js"></script><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&#038;posts_id=228110&#038;source=3&#038;autoplay=true&#038;file_type=flv&#038;player_width=&#038;player_height="></script>
<div id="blip_movie_content_228110"><a href="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-DavidBLAscentionDuHautMal296.flv" onclick="play_blip_movie_228110(); return false;"><img src="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-DavidBLAscentionDuHautMal296.flv.jpg" border="0" title="Click To Play" /></a><br /><a href="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-DavidBLAscentionDuHautMal296.flv" onclick="play_blip_movie_228110(); return false;">Click To Play</a></div>
<p>										</center>
<div class="blip_description"></div>
<p>Os nossos agradecimentos vão para para a tradutora-relâmpago Susana Mântua,  João Trindade, Margarida Silva/Instituto Franco-Português e para o autor, que para além de ter renovado, ao longo da década passada, o interesse pela banda desenhada francesa, disponibilizou-se a dar esta entrevista mal chegado do aeroporto, almoçando à pressa &#8211; sob o escrutínio do entrevistador, e sem tempo sequer para comer a sobremesa!   </p>
<p><center>															<script type="text/javascript" src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js"></script><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&#038;posts_id=228275&#038;source=3&#038;autoplay=true&#038;file_type=flv&#038;player_width=&#038;player_height="></script>
<div id="blip_movie_content_228275"><a href="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-ANEXODAVIDB525.mp4" onclick="play_blip_movie_228275(); return false;"><img src="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-ANEXODAVIDB525.mp4.jpg" border="0" title="Click To Play" /></a><br /><a href="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-ANEXODAVIDB525.mp4" onclick="play_blip_movie_228275(); return false;">Click To Play</a></div>
<p>										</center>
<div class="blip_description"></div>]]></content:encoded>
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		<title>É à chapa.</title>
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		<pubDate>Wed, 09 May 2007 13:49:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[As matrículas “personalizadas” são um hábito nos EUA. Nem todos têm vanity plates, evidentemente. Mas os que escolhem terem um nick, um dito, um cognome ou uma boca na chapa, geralmente escolhem mal. Um infortúnio. Percebe-se. Dar-se ao trabalho de &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/05/09/e-a-chapa/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman" size="3"><img src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/05/vanitynuts.jpg" alt="vanitynuts.jpg" /><img src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/05/plate.gif" title="plate.gif" alt="plate.gif" height="242" width="419" /><img src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/05/019.jpg" alt="019.jpg" height="284" width="365" /></font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman" size="3">As matrículas “personalizadas” são um hábito nos EUA. Nem todos têm <em>vanity plates</em>, evidentemente. Mas os que escolhem terem um <em>nick</em>, um dito, um cognome ou uma boca na chapa, geralmente escolhem mal. Um infortúnio. Percebe-se. Dar-se ao trabalho de individualizar a matrícula do seu carro já é muito mau sinal. O resultado só pode ser ainda pior. <a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/05/da_plate_girlcab.jpg" title="da_plate_girlcab.jpg"><img src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/05/da_plate_girlcab.thumbnail.jpg" alt="da_plate_girlcab.jpg" /></a><img src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/05/thanks-yahoo.jpg" alt="thanks-yahoo.jpg" /></font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal">&nbsp;</p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman" size="3">As alcunhas de eleição conseguem ultrapassar as excelsas preferências para tatuagens e, por vezes, conseguem mesmo suplantar os denominações dos programas da TVI. Belas &amp; Perigosas, por exemplo, é, para estes designadores encartados, um título para copinhos de leite. Há de tudo e muito mais. Há quem dê o e-mail, quem jure ter os maiores testículos do condado, quem ofereça sexo, quem dê loas ao yahoo ou quem procure ter piada mandando gravar na matrícula “hahahahah”. </font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal">&nbsp;</p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman" size="3"><img src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/05/vanityhaha.jpg" alt="vanityhaha.jpg" />Ok. Isto coloca um problema que os serviços do registo civil deveriam analisar com toda a seriedade e em toda a sua exaustão. Será que faz sentido impedir que os pais registem a sua prole com determinados nomes, digamos, menos ortodoxos? É que há muito boa gente, maior de idade que, perante a oportunidade de seleccionar um segundo nome, uma alcunha, uma antonomásia (?), elege o nome que os pais mais carrascos dariam aos seus filhos. E não falo de madrastas. Adiante. Cada vez que me deparo com os <em>nicks </em>nos fóruns na <em>net</em>, nos <em>e-mails</em>, nos <em>chat rooms</em> (!!!), imagino-me sempre a redigir uma missiva ao tais bons do registo civil, aclarando com afinco a realidade que por aí tresanda. E já nem quero referir as <em>passwords</em> que muitos escolhem e das quais eu, por mero acidente, tenho conhecimento. Essas chaves são, comummente, compostas pelas mais estapafúrdias designações. É o que acontece quando se dá a possibilidade às pessoas de terem segredos. Não farei comentários sobre as projecções no <em>secondlife</em>. Nesta altura, já parecem desnecessários. A verdade é que aquela anedota do tipo que mudou o nome de João Merda para António Merda não é nada.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><img src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/05/022.jpg" alt="022.jpg" /></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><img src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/05/alcohol-license-plate.jpg" title="alcohol-license-plate.jpg" alt="alcohol-license-plate.jpg" /></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><img src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/05/gotribs.jpg" alt="gotribs.jpg" /></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><img src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/05/license.jpg" title="license.jpg" alt="license.jpg" height="302" width="405" /></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><img src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/05/taxlady.jpg" alt="taxlady.jpg" /></p>]]></content:encoded>
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		<title>O império das Barbies</title>
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		<pubDate>Wed, 09 May 2007 08:56:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Na passada semana o jornalista Mário Lopes pediu-me uma entrevista para o Ípsilon (Público) sobre a Bjork, que saiu com o respectivo dossier (4 de Maio). Fica aqui a versão integral. - Qual a sua relação com a música de &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/05/09/o-imperio-das-barbies/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/05/07-bjork.jpg" alt="07-bjork.jpg" />Na passada semana o jornalista Mário Lopes pediu-me uma entrevista para o <span>Ípsilon (Público) sobre a Bjork, que saiu com o respectivo dossier (4 de Maio). Fica aqui a versão integral.</p>
<p><strong>- Qual a sua relação com a música de Bjork? Aprecia-a? Porquê?</strong></p>
<p>Tenho alguns álbuns. Mas estou longe de ser uma fã ou uma ouvinte fiel, sequer. O que aprecio no seu trabalho é ter sempre procurado desafiar convenções, caracterizando-se por uma espécie de experimentalismo <em>retro-avant-garde.</em> Consegue mudar e surpreender, juntar elementos improváveis e uni-los através da sua voz contorcionista. O que acho mais graça em Bjork é encarnar paradoxos actuais. Não pertence a nenhum <em>mainstream </em>mas, ao mesmo tempo, é uma diva do <em>pop</em>. E é uma “celebridade” que aparenta um compromisso com o lado mais humano e comum. É global mas excêntrica e até algo apátrida. Bjork consegue, de algum modo, sincronizar-se e simbolizar o sujeito contemporâneo plural e sem identidade. E pronto a consumir.</p>
<p><strong>- O que pode ter trazido de novo à música popular urbana e à sua estética, quando surgiu em inícios da década de 90?</strong></p>
<p>Acho que trouxe algumas coisas novas, mas não uma outra direcção. Bjork é uma variante, não uma revolução. Bjork também soube sempre aliar a sua excentricidade, talento e pesquisa à imagem, ao marketing e às suas parcerias. Tem escolhido muito bem os seus convidados, associados e encontros, mantendo continuamente um certo rasgo. Esse lado multifacetado de Bjork é também interessante. Mas, ao mesmo tempo, previsível. </p>
<p><strong>- O que julga ser responsável por esta quase unanimidade que existe em seu redor, esta aceitação e devoção perante obras mais difíceis e vanguardistas como &#8220;Medulla&#8221;?</strong></p>
<p>Não sei se há unanimidade. Acho é que é difícil ser indiferente. O álbum Medulla não apenas foi o seu trabalho mais político, coincidindo com uma certa atmosfera pós 11 de Setembro, como é um trabalho tocante e rigoroso, baseado na voz humana e nas suas infindáveis variantes, combinando doçura e violência. Mas acho que a Bjork faz mais rapsódias sofisticadas a partir do que há de mais comum entre os povos, do que trabalhos difíceis e vanguardistas, onde se procura a criação de linguagens verdadeiramente novas.</p>
<p><img src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/05/2005bjorkmedulla.jpg" alt="2005bjorkmedulla.jpg" /></p>
<p><strong>- Como definiria a feminilidade de Bjork, mulher que deu &#8220;dignidade&#8221; a um fato de ganso carnavalesco, na passadeira dos Oscars, mulher que encarnou a martirizada Selma de &#8220;Dancer In The Dark&#8221;?</strong></p>
<p>Parte do sucesso da Bjork é a sua dualidade, que aparece tanto na voz como na sua imagem. Tanto é criança, como é deusa. Consegue parecer, simultaneamente, cândida e sofisticada. Natural e artificial, bruta e terna, bucólica e hiper-urbana, intuitiva e maquinal. A sua voz ora aparece ameninada, ora erótica, ora límpida ora rouca. O seu rosto parece meio oriental, meio ocidental. Faz lembrar o Homem Duplo do P. K. Dick &#8211; que inspirou um filme que passou neste Indie.<br />
<img src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/05/bjork.jpg" alt="bjork.jpg" /></p>
<p>Não gosto das canções do <em>Dancer In the Dark.</em> Quanto ao fato de ganso que usou nos Óscares, faz parte da elaborada e conseguida construção da imagem que Bjork tece, pretendendo que o seu uso radical da moda seja mais uma forma de expressão do que uma exibição de poder. Ela própria afirmou que se tratava de uma “piada conceptual”. É uma piada, mas uma piada de haute-couture. Uma piada cara, portanto.</p>
<p><strong>- Parece-lhe que a projecção de uma identidade feminina é algo que interesse a Bjork explorar musical e esteticamente, ou trata-se antes de uma construcção feita por público e imprensa?</strong></p>
<p>Parece-me que a projecção de uma imagem onde a feminilidade aparece de uma forma menos estereotipada interessa a Bjork, sim. Ela própria diz que jamais usaria <em>jeans </em>e <em>t-shirt</em> por serem “símbolos do imperialismo branco norte-americano”. Mas não deixa de ser uma consumidora de moda radical, recorrendo a estilistas de topo. De resto, nada no seu trabalho parece acidental.</p>
<p><img src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/05/bjork-2.jpg" alt="bjork-2.jpg" /></p>
<p><span id="more-1002"></span><br />
<strong>- A provocação &#8220;Madonna Indie&#8221; faz sentido para si? É uma analogia que se explique por si mesma, apesar das diferenças óbvias entre aquilo que é a música de uma e de outra?</strong></p>
<p>Faz sentido na medida em que ambas conseguem renovar-se constantemente sem serem (ou pelo menos parecerem) desesperadas. Conseguem manter as suas multiplicidades como inesgotáveis. Camaleoas tipo David Bowie.</p>
<p><strong>- O lugar de Bjork na pop é feminino? Por outras palavras: analisando o seu percurso, será relevante ser Bjork, mulher, a criadora daquela música ou o a questão do género é aqui indiferente?<br />
- Será possível afirmar que Bjork, pela sua quase alienígena exuberância, pela sua ambiguiade,&nbsp;alterou a projecção da feminilidade no contexto da pop?</strong></p>
<p>Bjork parece estar distante de paradigmas clássicos que,&nbsp;em traço grosso, se dividiam entre o exacerbar da sensualidade (que tanto víamos numa Debbie Harry quanto, extremo&nbsp;oposto, nas Spice Girls) e&nbsp;a &quot;corrupção&quot; feminina do habitualmente muito masculino rock&#39;n&#39;roll (da poetisa&nbsp;&quot;punk&quot; Patti Smith à rocker de saltos altos PJ Harvey).</p>
<p>A questão do género nunca é indiferente. Num lugar de fama e poder, ainda menos. Quando Bjork começou a ter projecção foi muito maltratada pela imprensa que, não a conseguindo aprisionar em nenhum dos vulgares estereótipos, a classificava como uma espécie de deficiência. O que antes era defeito, agora é efeito.</p>
<p><strong>- Será possível afirmar que Bjork, pela sua quase alienígena exuberância, pela sua ambiguidade, alterou a projecção da feminilidade no contexto da pop? Bjork parece estar distante de paradigmas clássicos que, em traço grosso, se dividiam entre o exacerbar da sensualidade (que tanto víamos numa Debbie Harry quanto, extremo oposto, nas Spice Girls) e a &#8220;corrupção&#8221; feminina do habitualmente muito masculino rock&#8217;n'roll (da poetisa &#8221;punk&#8221; Patti Smith à rocker de saltos altos PJ Harvey).</strong></p>
<p>Embora Bjork nunca se tenha detido, propriamente, no tema do feminismo, vai marcando as suas posições sobre esse assunto pela imagem. Mas não só. Li uma entrevista que a cantora deu ao Observer há uns anos, onde mostrava a sua perplexidade sobre o facto de os brinquedos para as meninas – Barbies e Cª – continuarem centrados na mensagem: “o objectivo máximo é encontrar o príncipe encantado”. Nessa entrevista, Bjork confessava que durante anos tinha evitado abordar este tema mas que, perante uma certa estagnação na evolução da paridade, sentia necessidade de intervir e de fazer aquilo que chamava de “trabalho sujo”.</p>
<p>De resto, acho que Bjork fez o que tinha, de certa forma, de ser feito, intrigando os <em>media</em>. E intriga porque, justamente, é a maior artista <em>pop </em>europeia, sem ter uma voz brilhante, nem tão pouco uma voz da moda, sem a banal erotização, sem estar contra o mercado, sem ser facilmente categorizável, sem deixar de correr riscos. Com Bjork não há fórmulas e essa é uma parte do seu sucesso. O que já em si é uma fórmula. </p>
<p>Os suportes que a <em>pop</em> utiliza impedem-na de alterar a tal projecção do feminino de que fala. Podem produzir algo que vende, mas não mudam. Ou, pelo menos, não mudam o que é preciso mudar. O império das Barbies continua…</p>]]></content:encoded>
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		<title>Rui Tavares: As palavras que merecemos</title>
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		<pubDate>Wed, 09 May 2007 08:39:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Autor: Rui Tavares  (Público, 7 de Maio) O “respeito” de Sarkozy vem subordinado: é respeito pelo trabalho, pela autoridade e pela moral. Não há mal intrínseco nisso. É apenas diferente do respeito inerente pelas pessoas e pela sua liberdade.  1. &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/05/09/rui-tavares-as-palavras-que-merecemos/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify"><font size="3" face="Times New Roman">Autor: <a href="http://ruitavares.weblog.com.pt/">Rui Tavares</a></font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><span> </span>(Público, 7 de Maio)</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman"><strong>O “respeito” de Sarkozy vem subordinado: é respeito pelo trabalho, pela autoridade e pela moral. Não há mal intrínseco nisso. É apenas diferente do respeito inerente pelas pessoas e pela sua liberdade.</strong></font></font><font size="3" face="Times New Roman"> </font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">1. Dizem os brasileiros que cada país usa como lema não aquilo que mais tem, mas aquilo de que mais precisa. No Brasil é “Ordem e Progresso”. Na França é “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”.</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">Uma palavra sozinha pode querer dizer tudo, o que faz com que o seu conteúdo seja nulo, o que faz com que toda a gente concorde. É no meio dos gestos e das outras palavras que ela ganha sentido. Quando Sarkozy disse, no seu primeiro discurso após a vitória de ontem, que seria o presidente “do trabalho, da autoridade, da moral e do respeito” pouca gente poderá discordar da presença do “respeito” naquela lista. Mas não é por acaso que se a palavra “respeito” viesse em primeiro lugar ela quereria dizer uma coisa completamente diferente. O “respeito” de Sarkozy, pelo contrário, vem subordinado: é respeito pelo trabalho, pela autoridade e pela moral. Não há mal intrínseco nisso. É apenas diferente do respeito inerente pelas pessoas e pela sua liberdade (que não estava na lista). Entre o respeito que o estado deve aos cidadãos e o respeito que o estado exige que os cidadãos lhe devam, Sarkozy opta pelo segundo. E não o esconde.</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">Mitterrand dizia, ao contrário da opinião geral, que a França não é um país de esquerda. A França é um país conservador, cuja administração é arrogante e onde o temperamento fundamental é pouco conciliador. São os bloqueios do sistema que, ciclicamente, abalam este edifício autoritário – e estes abalos, vistos do exterior, parecem maiores do que o edifício. E assim Sarkozy é visto de fora como uma ruptura e não como a continuação do culto presidencial que já vem de Chirac, de Gaulle e mais atrás ainda. Na cabeça de Sarkozy, como na de Napoleão ou de Luís XIV, o estado é ele, a França é o estado, e a Europa começa e acaba onde a França disser.</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">2. Parece que quando Sarkozy conheceu Sócrates ficou impressionado. Se a história é verdadeira, não foi certamente com os seus dotes de comandante eleitoral do PS. Aparte a sua maioria absoluta, Sócrates já conseguiu fazer o PS passar por três humilhações: nas autárquicas, nas presidenciais e agora nas regionais madeirenses, onde o PS local deixou de existir. Sócrates tem jeito para ganhar eleições sozinho e para abandonar os seus soldados à má fortuna; num dia mau estes fantasmas voltarão para atormentar o general.</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">Alberto João Jardim ganhou uma batalha retumbante. Mas agora resta-lhe uma guerrilha constante com o governo central, feita com todas as manhas que se lhe conhece, mas que esbarrarão na impassividade de Sócrates e Cavaco Silva. Os madeirenses e os restantes portugueses desistiram de tentar entender-se e infelizmente não podemos contar com a oposição no arquipélago para fazer a síntese. Por uma razão simples: não há oposição no arquipélago. Os próximos anos serão de ressentimento, mesquinhez e, na melhor das hipóteses, indiferença. Nada a que não estejamos habituados.</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">Nós só usamos como lema as palavras “República Portuguesa”, e faz sentido. Mais uma vez, não é o que temos mas aquilo de que mais precisamos.</font></font></p>]]></content:encoded>
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		<title>É anónimo e é mau.</title>
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		<pubDate>Wed, 02 May 2007 19:18:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[ O tal blog a defender Carmona nem devia merecer comentários porque é anónimo. Mas isso não o tem impossibilitado de ser notícia, não tem impedido que se dê eco aos que defendem um político sem dar a cara. Espero que &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/05/02/e-anonimo-e-e-mau/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: black"></span> <span style="color: black"><font size="3"><font face="Times New Roman">O tal blog a defender Carmona nem devia merecer comentários porque é anónimo. Mas isso não o tem impossibilitado de ser notícia, não tem impedido que se dê eco aos que defendem um político sem dar a cara. Espero que a esses não escapem pérolas como estas:</font></font></span><span style="color: black"><font size="3" face="Times New Roman"> </font></p>
<p></span><span style="color: black"><font size="3"><font face="Times New Roman">Pérola matemática pura:</font></font></span><em><span style="color: black; font-style: normal"><font size="3" face="Times New Roman"> </font></p>
<p></span></em><em><span style="font-style: normal"><font size="3"><font face="Times New Roman">“Isto não é uma “teoria da conspiração”, criada por um espírito distorcido. Há, sim, uma constatação de factos, uma análise a uma sucessão de acontecimentos, que se desejam apresentar como aparente coincidência, mas sobre os quais se pode estabelecer uma correlação clara, posso mesmo dizer matemática pois, estatisticamente, a probabilidade estatística da sua sequência, do seu teor e da sua distribuição, serem aleatórios, é tão pequena, que a podemos ignorar.”</font></font></span></em><em><font size="3" face="Times New Roman"> </font></p>
<p></em><em><span style="font-style: normal"><font size="3"><font face="Times New Roman">Pérola literatura pesada</font></font></span></em><em><span style="font-style: normal"><font size="3" face="Times New Roman"> </font></p>
<p></span></em><font size="3"><font face="Times New Roman"><em><span style="font-style: normal">“E mais: (Sá Ferandes) continuará a atrasar obras; mas não conseguirá demolir o betão.</span></em><em> </em><em><span style="font-style: normal">Especialmente quando a massa do betão é a dignidade e a honra das gentes dignas e honradas.”</span></em><em></em></font></font><font size="3" face="Times New Roman"> </font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font size="3" face="Times New Roman">Pérola sensibilidade e bom-gosto</font></p>
<p><font size="3" face="Times New Roman"> </font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font size="3" face="Times New Roman">“Veremos se Marques Mendes tem uma dimensão além do seu tamanho ou se é um político vulgar sem coragem de ir contra a corrente.”</font></p>]]></content:encoded>
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		<title>Rui Tavares: Sinal aberto</title>
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		<pubDate>Wed, 02 May 2007 18:09:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Autor: Rui Tavares (Público, 1 Maio de 2007) O PSD dá por adquirido que se deveria privatizar a RTP; pois resta-lhe agora defender a nacionalização da TVI.  Teoricamente, todos gostaríamos que o mundo fosse justo. Na prática, ninguém protesta se &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/05/02/rui-tavares-sinal-aberto/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify"><font face="Times New Roman">Autor:<a href="http://ruitavares.weblog.com.pt/"> Rui Tavares</a></font></h3>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify"><font size="3" face="Times New Roman">(Público, 1 Maio de 2007)</font></p>
<p><strong><font size="3"><font face="Times New Roman">O PSD dá por adquirido que se deveria privatizar a RTP; pois resta-lhe agora defender a nacionalização da TVI.</font></font></strong><font size="3" face="Times New Roman"> </font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify"><font size="3" face="Times New Roman">Teoricamente, todos gostaríamos que o mundo fosse justo. Na prática, ninguém protesta se ele for injusto a nosso favor. Eis o meu resumo do caso Pina Moura em duas frases.</font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">Sobra bastante espaço para comentar os dados adquiridos deste debate.</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">Os partidos de direita mostram-se escandalizados por Pina Moura, um ex-ministro socialista, ter sido contratado pelos donos do canal televisivo mais visto em Portugal. Este escândalo é tanto maior quanto revela os limites ideológicos desses mesmos partidos. Defendem eles a intervenção do estado nas empresas? Não. Têm apoiado legislação contra a concentração na área dos media? Ninguém se lembra. Favorecem uma entidade reguladora forte? Valha-nos Zeus! Em alternativa, admitem devolver aos conselhos de redacção os poderes de confirmar nomeações? Se sim, então porque foram eles que lhos retiraram? O PSD dá por adquirido que se deveria privatizar a RTP; pois resta-lhe agora defender a nacionalização da TVI.</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">Pina Moura, por seu turno, desenvolve uma impecável retórica segundo a qual tudo é político e tudo é ideológico, e em consequência tudo o que é político e ideológico na sua nomeação é “normal”. Isto para não dizer que é “nobre” ou “um exemplo a seguir”. Logo, será até normal que após a sua nomeação se siga o nobre exemplo da imprensa estrangeira, e ninguém deve espantar-se se um dia a TVI vier a apelar ao voto num candidato da sua preferência. Pina Moura dá por adquirido que a redacção da TVI terá automaticamente a opinião que ele próprio tiver; de facto, para quê dominar a clonagem quando já se domina a chefia?</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">Do lado oposto, dá-se por adquirido que ele vai controlar a TVI em nome do governo. O mesmo disse o seu partido aqui há uns anos, quando Fernando Lima saiu directamente do gabinete de Durão Barroso para o Diário de Notícias, motivando respostas indignadas do PSD. Dito assim, até parece que as empresas são simples vítimas e não desejam tais contratações, como tão claramente desejaram então e desejam agora. Fica então por explorar a hipótese de que a intenção seja antes controlar o governo a partir dos media e não o contrário. Em Portugal, ninguém é mais dependente do estado do que as empresas; os pobres estão habituados a desenrascar-se sozinhos.</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">Aqui nesta coluna, Helena Matos dá por adquirido que “a neutralidade não existe” e que nos resta apenas salvar a “diversidade”. Mas qual diversidade? Só existem dois canais privados de sinal aberto em Portugal, e esta escassez não se deve a nenhum limite físico. Estando a diversidade limitada artificialmente para benefício dos dois canais de televisão, o mínimo que os seus donos nos devem em troca é neutralidade. A neutralidade não existe? Talvez não, mas existe a obrigação de tentar. E a comparação com a imprensa aqui não vale, uma vez que não há nenhum limite legal para a criação de novos jornais. Enquanto a TV de sinal aberto existir neste modelo (e não vai ser muito tempo) as regras de conduta política não podem ser as mesmas.</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">Em tempos, um governo PSD entregou uma licença de TV ao seu militante número um e outra à igreja católica, e garantiu que o estado ficaria a segurar o portão do curral publicitário para que as respectivas empresas fossem lucrativas. Não há nada que uma grande empresa deteste mais do que o risco. A diferença é que, ao contrário de nós, é-lhes fácil contar com o estado para o evitar – e essa é uma injustiça de que não as ouviremos queixarem-se.</font></font></p>]]></content:encoded>
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		<title>Quieta &amp; caladinha, sff.</title>
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		<pubDate>Wed, 02 May 2007 17:10:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ (Correio da Manhã, 1 de Maio 2007) Era certinho. Mais cedo ou mais tarde, surgiria um pontapé tipo primeiro Big Brother. Agora, no A Bela e o Mestre, um dos concorrentes agrediu a parceira e o par foi expulso.            Em relação &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/05/02/quieta-caladinha-sff/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span class="arial11preto1"><span style="line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3"> (Correio da Manhã, 1 de Maio 2007)</font></span></span><span class="arial11preto1"><span style="line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><span class="arial11preto1"><span style="line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"></span></span> <span class="arial11preto1"><span style="line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3">Era certinho. Mais cedo ou mais tarde, surgiria um pontapé tipo primeiro <em>Big Brother</em>. Agora, no <em>A Bela e o Mestre</em>, um dos concorrentes agrediu a parceira e o par foi expulso.</font></span></span><span class="arial11preto1"><span style="line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3"><span>            </span></font></span></span></p>
<p></span></span><span class="arial11preto1"><span style="line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3"><span></span>Em relação ao agressor, tudo a lamentar. E o ambiente dos <em>reality shows</em> é terreno fértil para estes comportamentos. Estar enjaulado, enquanto o público espreita e atiça, não é para qualquer mamífero. Não, ninguém os obrigou. Mas qual o grau de “publicidade enganosa”? Duvido que alguém os tenha advertido para o <em>stress</em> que se gera quando uma dúzia de pessoas está presa na mesma casa 24 horas/sete dias; a tensão produzida quando se é espiado ininterruptamente; as defesas necessárias para lidar com a exposição súbita e vazia ou com a humilhação pública diária. </font></span></span><span class="arial11preto1"><span style="line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3"><span>            </span></font></span></span></p>
<p><span class="arial11preto1"><span style="line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3"><span></span>Claro que a produtora aplaude. São enredos artificiais que resultam em audiências bem reais. Já o <em>mestre </em>quer processar a Endemol. Portanto, o concorrente atribui a responsabilidade à produtora que, por sua vez, sorri e lava daqui as suas mãos. A bela que levou porrada, cala a boca e vai para casa. Pois é. Se há reflexo da nossa sociedade neste concurso, está aqui.</font></span></span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Rui Tavares: O ideal universitário</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Apr 2007 22:06:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Autor: Rui Tavares (Público, 11 de Abril) Quando se salta a etapa do ideal universitário tudo o resto, por  importante que seja, corre mal. Há qualquer coisa no ideal universitário que o torna difícil de  explicar, apesar de ser tão &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/04/11/rui-tavares-o-ideal-universitario/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font face="Courier New">Autor: <a href="http://ruitavares.weblog.com.pt/">Rui Tavares</a></font></p>
<p><font face="Courier New">(Público, 11 de Abril)</font></p>
<p><font face="Courier New">Quando se salta a etapa do ideal universitário tudo o resto, por  importante que seja, corre mal.</font><font face="Courier New"> </font><font face="Courier New">Há qualquer coisa no ideal universitário que o torna difícil de  explicar, apesar de ser tão simples. O ideal universitário é as  ideias. Ideias sobre como são as coisas, sobre como funcionam, sobre  como deveriam funcionar, ideias sobre ideias. Algumas  dessas ideias  são conhecimento, outra são comentário, outras criatividade, a maior  parte delas um pouco disso tudo. Mas é difícil explicar aos alunos,  ou até ao resto da sociedade, que dentro daquelas paredes  (metafóricas: pode ser cá fora, na esplanada, no trabalho de campo,  na visita de estudo) essas ideias devem ter precedência sobre tudo o  resto. Se os alunos querem um diploma e os pais pagam por um bom  emprego, não é fácil dizer-lhes que por agora a única coisa  importante é o que escreveram alguns mortos de há mais de cem anos,  ou como se comporta a partícula x, ou que interpretação dar à arte de  y. Só depois de ganhar verdadeiro interesse ou paixão por tais coisas  chega a altura de se poder começar a tratar de notas, de diplomas e  de empregos.</p>
<p>Isto parece idealista, e é. Não poderia deixar de sê-lo, porque a  razão de ser da Universidade é precisamente o idealismo, e não falo  da doutrina filosófica do mesmo nome mas do projecto e da experiência  histórica de haver um lugar inventado pelas ideias e só para as  ideias. O resto pode ser importantíssimo. Mas quando se salta a etapa  do ideal universitário tudo o resto, por importante que seja, corre mal.</p>
<p>Esta é uma das razões pelas quais o episódio da Universidade  Independente nos enche de vergonha alheia. Sabemos que foram  defraudadas pessoas que queriam o seu diploma e pessoas que queriam  uma carreira académica, que alunos ficaram sem aulas e professores  sem salários. Mas se ouvirmos os autores da fraude, como não esperar  este resultado? Desde há semanas nos media só os ouvimos falar de  andares e piscinas, lutas pelo poder e diamantes, acções e hipotecas.  Nunca por uma vez sequer nos disseram para que queriam uma  universidade. Que gostariam de fazer com ela. Que diferentes  concepções defendia cada facção em confronto, se é que pensavam em  tal coisa.</p>
<p>Infelizmente, estão longe de ser caso único. Os sinais de degradação  do Ensino Superior Privado no nosso país são claros: as instituições  esquecem-se que antes de serem privadas têm de ser universidades. O  relaxamento geral em que viveu a UnI não é, ao contrário do que  pretendeu o Ministro, coisa recente nem isolada. O que é preciso  explicar é como se deixou atingir este ponto, o que não coloca apenas  em causa o seu ministério. Por exemplo: como podem ter leccionado  tantos jornalistas importantes na UnI sem a imprensa ter investigado  aquele ninho de mafiosos? O ideal universitário pode vingar em  qualquer ambiente – público, privado, cooperativo, livre, há  excelentes universidades para todos os gostos. Mas é um ideal frágil.  Tem de ser protegido sem ser asfixiado: pelo estado, pela sociedade,  pelas próprias instituições.</p>
<p>Por mero acaso, Portugal tem algumas condições para se sair bem no  mercado universitário, à escala global e a longo prazo. Um país  pequeno, agradável e seguro com uma língua falada por duzentos  milhões, uma universidade das mais antigas do mundo, uma capital com  potencial cosmopolita e meia-dúzia de cidades históricas ou com  razoável vida cultural, integração à escala europeia e laços em todo  o mundo. Neste contexto, as universidades podem ser boas para o  desenvolvimento e para a economia. Mas em primeiro lugar, se não  quisermos as universidades para aquilo que elas servem, elas não  servirão para mais nada.</p>
<p></font></p>]]></content:encoded>
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		<title>O Mundo está Desbotado</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Apr 2007 22:01:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Ana-Bustorff]]></category>
		<category><![CDATA[Maria-Isabel-Barreno-They-Live]]></category>
		<category><![CDATA[Nuno-Rebelo]]></category>

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		<description><![CDATA[Autor: Edgar Pêra Existem momentos em que se sente que somos quase cegos, que a realidade nos escapa. Muitas vezes olhamos para o Outro como um Alienígena, um ser de outro mundo, ao qual temos um acesso restrito, de percepção &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/04/11/o-mundo-esta-desbotado-3/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Autor: <a href="http://rioturvo.blogspot.com">Edgar Pêra</a></p>
<p>Existem momentos em que se sente que somos quase cegos, que a realidade nos escapa. Muitas vezes olhamos para o Outro como um Alienígena, um ser de outro mundo, ao qual temos um acesso restrito, de percepção rarefeita. Doutras vezes olhamos para Aqueles-que-determinam-o-Destino-dos-Outros como seres extra-terrestres, desprovidos  dos mais básicos sentimentos humanos. Aqueles viram por exemplo o filme Eles Vivem! <a href="http://www.theofficialjohncarpenter.com/pages/themovies/tl/tl.html">(They Live)</a> saberão do que estou  a falar.<br />
Como sentir o que os outros sentem? Em 1995  a associação de estudantes do I.S.P.A convidou-me para discursar sobre &#8220;os sentidos e o sentir&#8221;. Para fugir à prosápia, acabei por fazer este pequeno filme auto-financiado, inspirado na narrativa &#8220;O Mundo Sobre O Outro Desbotado&#8221;, de <a href="http://html.editorial-caminho.pt/show_autor__q1area_--_3Dcatalogo__--_3D_obj_--_3D32339__q236__q30__q41__q5.htm">Maria Isabel Barreno</a>. Todos colaboraram em regime de voluntária escravatura. A <strong>Ana Bustorff</strong> leu o texto num esquema aqua-fotográfico desenhado por José Tiago e o <a href="http://nunorebelo.com.sapo.pt/">Nuno Rebelo</a> musicou o filme. O <strong>Mundo Desbotado </strong>circulou pelos festivais e mais tarde foi revisitado sob a forma de cine-concertos &#8220;Visões, Equações, Radyações!!!&#8221;. Segue-se remix inédito deste filme, que obviamente não tem rigorosamente nada a ver com <strong>Eles Vivem</strong> de Carpenter. No entanto, existem algumas coincidências entre esse filme (1988) e algumas das frases do livro de Isabel Barreno (1986): &#8220;Eles Sempre Aí Estiveram!&#8221; &#8220;Nós é que não os víamos&#8230;&#8221;. Pistas para seguir o rasto dos outros que somos nós que são os outros etc etc.</p>
<p><center>															<script type="text/javascript" src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js"></script><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&#038;posts_id=201058&#038;source=3&#038;autoplay=true&#038;file_type=flv&#038;player_width=&#038;player_height=260"></script>
<div id="blip_movie_content_201058"><a href="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-FADINGWORLD157.mp4" onclick="play_blip_movie_201058(); return false;"><img src="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-FADINGWORLD157.mp4.jpg" border="0" title="Click To Play" /></a><br /><a href="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-FADINGWORLD157.mp4" onclick="play_blip_movie_201058(); return false;">Click To Play</a></div>
<p>										</center>
<div class="blip_description"></div>]]></content:encoded>
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		<title>Vampiras &amp; Frankensteins</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Apr 2007 19:02:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[ (Sobre A Bela &#38; o Mestre, Correio da Manhã, 10 de Abril) Li neste mesmo jornal que uma das concorrentes é licenciada em Gestão Hoteleira e que dá aulas nessa mesma área. Ok, se calhar as belas não são assim &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/04/11/vampiras-frankensteins/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span class="a1"><span style="font-family: 'Times New Roman'"></span></span><span class="a1"><span style="font-family: 'Times New Roman'"><font size="3"> (Sobre A Bela &amp; o Mestre, Correio da Manhã, 10 de Abril)</font></span></span></p>
<p><span class="a1"><span style="font-family: 'Times New Roman'"></span></span><span class="a1"><span style="font-family: 'Times New Roman'"><span class="a1"><span style="font-family: 'Times New Roman'"><font size="3">Li neste mesmo jornal que uma das concorrentes é licenciada</font></span></span></span></span><span class="a1"><span style="font-family: 'Times New Roman'"><span class="a1"><span style="font-family: 'Times New Roman'"><font size="3"></p>
<personname ProductID="em Gest￣o Hoteleira" w:st="on"></personname>em Gestão Hoteleira e que dá aulas nessa mesma área. Ok, se calhar as belas não são assim tão burras, da mesma foram que os mestres estão longe de serem águias. Mas foi essa mesma concorrente que não reconheceu Camões e que não sabia que a Islândia é na Europa. Ok, as escolas por onde passou podem ter sido muito más (não faço ideia). Mas, apesar de tudo, tirou uma licenciatura. E a sua ignorância até podia ter sido encenada. Porém, já depois de ter saído do programa, reconheceu que, efectivamente, estava a zero.</font></span></span> </span></span><span class="a1"><span style="font-family: 'Times New Roman'"><span class="a1"><span style="font-family: 'Times New Roman'"><font size="3">A questão é que a capacidade de reconhecer Camões não mede cultura alguma. O que mede é o grau de alienação a que se pode chegar. Mesmo com uma licenciatura e por mais fraca que ela seja. E essa alienação é, em grande medida, produzida pela televisão que transborda lixo a maior parte do tempo. Mas que, depois, é a primeira a gozar e a lucrar com o resultado. Como uma pescadinha de rabo na boca, num circuito fechado com o seu quê de canibal.</font></span></span></p>
<p></span></span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Rui Tavares: Abram-me esses olhos</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Apr 2007 19:51:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Autor: Rui Tavares (Público, 3 de Abril)A extrema-direita comporta-se como uma infecção oportunista num corpo  debilitado. Sabe que tem de aproveitar, agora, a crise da direita  enquanto esta lhe dá condições ideais para crescer. Comentando a visibilidade crescente da extrema-direita &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/04/04/rui-tavares-abram-me-esses-olhos/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font face="Courier New">Autor: <a href="http://ruitavares.weblog.com.pt/">Rui Tavares</a></font></p>
<p><font face="Courier New">(Público, 3 de Abril)</font><font face="Courier New">A extrema-direita comporta-se como uma infecção oportunista num corpo  debilitado. Sabe que tem de aproveitar, agora, a crise da direita  enquanto esta lhe dá condições ideais para crescer.</p>
<p>Comentando a visibilidade crescente da extrema-direita na sua coluna  de sábado neste jornal, Pacheco Pereira sugere que ela é concomitante  do politicamente correcto e da atitude geral da esquerda. Previsível:  o discurso da “hipocrisia da esquerda” é o tema único dos nossos  neoconservadores, que lhe atribuem tudo e a morte do Manolete. Desde  o cavaquismo que esta é a cantilena de Pacheco Pereira.  Ainda não  aprendeu uma nova.</p>
<p>Se olharmos para a esquerda, o que vemos? O PS está no governo, o PCP  e o BE  sobem sondagem após sondagem. A batalha histórica da  despenalização do aborto foi ganha com quase 60% dos votos, alguns  dos quais de uma direita desamparada pelas suas lideranças. Não é à  esquerda que estão os votos e também não é ali que estão as causas. A  extrema-direita tem visibilidade porque tem actividade, e o motivo  precipitante da sua virulência está bem em frente do nariz de Pacheco  Pereira. Com o PSD exangue e o CDS em cacos, a extrema-direita  comporta-se como uma infecção oportunista num corpo debilitado. Sabe  que tem de aproveitar, agora, a crise da direita enquanto esta lhe dá  condições ideais para crescer.</p>
<p>Não vale a pena fingir que não vemos gravidade nisto. As pessoas  esquecem-se, mas desde o tempo das FP-25 – como o nome indica, uma  excrescência do período pós-revolucionário – que há mais de vinte  anos a violência política em Portugal veio sempre desta extrema- direita. Espancaram um actor, esfaquearam até à morte um  sindicalista, fizeram uma “caça ao negro” pelas ruas de Lisboa, e em  matilha assassinaram o português Alcino Monteiro pelo crime de ser  mulato e passear pela cidade. Recentemente foram provocar imigrantes  para o Martim Moniz, apostaram forte no concurso dos “Grandes  Portugueses” e passaram para a fase da propaganda xenófoba. Mudam de  sigla, contornam cuidadosamente a lei, fazem da desonestidade a  táctica principal. Quem tiver estômago para os procurar na internet  verá que se estão a organizar. Os jornalistas que se dão ao trabalho  de os investigar ficam assustados com histórias de tráfico de drogas  e extorsão. Mas quando eles vieram empunhar orgulhosamente as suas  armas ilegais na TV, o mesmo Pacheco Pereira que vê sinais alarmantes  em todo o lado minimizou o assunto para inventar fantasiosas  equivalências com a esquerda. A mesma tese que continua a reciclar.</p>
<p>Se o problema não desaparece por o minimizarmos, será que para o  levarmos a sério teremos de importar a agenda da extrema-direita?  Grave erro. A questão não é a “hipocrisia sobre a imigração” que  alega Pacheco Pereira. É a hipocrisia sobre o racismo. A nossa  direita blasé tem dificuldade em chamar os bois racistas, violentos e  criminosos pelos respectivos nomes de racistas, violentos e  criminosos. Prefere antes escandalizar-se com o escândalo da esquerda.</p>
<p>Ora o escândalo da esquerda não é ineficaz por estar errado. É-o  porque atinge apenas o seu auditório, maioritariamente já convencido.  Marcelo Rebelo de Sousa, no seu comentário televisivo, atacou os  racistas enquanto “homem de direita”, demonstrando que ao contrário  de Pacheco Pereira percebeu essa ideia simples. A direita tem de cair  na realidade actual e fazer, se for capaz, um discurso anti-racista  para o seu próprio eleitorado. Quanto mais não seja porque são os  vossos eleitores – actuais e futuros –  que os racistas sonham roubar- vos.  Com mil raios, será que teremos mesmo de vos explicar tudo?</p>
<p></font></p>]]></content:encoded>
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		<title>Cine-Educação</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Apr 2007 23:05:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Autor: Edgar Pêra Em 1996 “ministrei” um semestre na Escola Superior de Teatro e Cinema, ainda situada em pleno Bairro Alto. Na primeira aula desafiei os alunos a pegarem nas câmaras de vídeo. Apareceram com duas câmaras, por desempatocar há &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/04/03/cine-educacao/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Autor: <a href="http://rioturvo.blogspot.com">Edgar Pêra</a></p>
<p>Em 1996 “ministrei” um semestre na Escola Superior de Teatro e Cinema, ainda situada em pleno Bairro Alto. Na primeira aula desafiei os alunos a pegarem nas câmaras de vídeo. Apareceram com duas câmaras, por desempatocar há seis meses. Uma estava avariada. Os preconceitos contra a utilização do vídeo no cinema estavam bem vivos no coração de muitos. A cine-plebe ainda estava por ser admitida. Durante seis meses trabalhámos neste e noutros pequenos filmes destinados ao espectáculo dos finalistas de Teatro, por proposta do professor, José Wallenstein. E ao que parece foi a primeira (e única?) vez em que os alunos de Teatro e Cinema colaboraram desta forma. Cada aluno filmou um plano, inspirado numa das frases de “O Dia do Músico” de Erik Satie. A voz foi gravada mais tarde, depois do filme ter sido exibido, com narração ao vivo de José Wallenstein, no Festival X &#8211; Ginjal.</p>
<p><center><br />
<script type="text/javascript" src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js"></script><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&amp;posts_id=192981&amp;source=3&amp;autoplay=true&amp;file_type=flv&amp;player_width=&amp;player_height=260"></script></p>
<p id="blip_movie_content_192981"><a href="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-ODIADOMSICO816.flv" onclick="play_blip_movie_192981(); return false;"><img border="0" src="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-ODIADOMSICO816.flv.jpg" title="Click To Play" /></a><br />
<a href="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-ODIADOMSICO816.flv" onclick="play_blip_movie_192981(); return false;">Click To Play</a></p>
<p></center></p>]]></content:encoded>
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		<title>Está aí alguém?</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Apr 2007 23:00:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[(Correio da Manhã, 3 de Abril) &#160; Para além do mentecapto estereótipo &#8220;mulher bonita mas burra&#8221;/&#8221;homem estafermo mas esperto&#8221;, o reality show transmite um outro preconceito. Um imbecil cliché sobre as relações entre elas &#38; eles. É mais ou menos &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/04/03/esta-ai-alguem/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify">(Correio da Manhã, 3 de Abril)</p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify">&nbsp;</p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify"><font face="Times New Roman">Para além do mentecapto estereótipo &#8220;mulher bonita mas burra&#8221;/&#8221;homem estafermo mas esperto&#8221;, o <em>reality show</em> transmite um outro preconceito. Um imbecil cliché sobre as relações entre elas &amp; eles. </font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify"><font face="Times New Roman">É mais ou menos como os ditos &#8220;os homens preferem as louras&#8221; e &#8220;é dos carecas que elas gostam mais&#8221;. Isto é, os homens, supostamente, preferem uma mulher bonita do que uma mulher inteligente. Já as mulheres escolheriam os homens mais em função da sua inteligência do que da sua aparência. Sim, já sei que o objectivo é que elas fiquem menos burrinhas e eles menos trambolhos. Mas isso serve apenas para que os espectadores possam gozar o prato e se sintam superiores. O que fica é a imagem de que a eles basta um objecto sexual, enquanto elas não têm desejo físico.<br />
<script>    <!-- D(["mb","\u003c/font\>\u003c/p\>\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:35.4pt;line-height:150%;text-align:justify\"\>\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\>As nove semanas da Bela &amp; o Mestre são uma fantasia masculina, como a maioria das que vão passando pelo televisor. Parece que ainda há quem precise de viver nessa ilusão. \n\u003c/font\>\u003c/p\>\n",0] ); D(["ce"]);  //--></script></font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify"><font face="Times New Roman">As nove semanas da Bela &amp; o Mestre são uma fantasia masculina, como a maioria das que vão passando pelo televisor. Parece que ainda há quem precise de viver nessa ilusão. </font></p>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>POST PLATÓNICO</title>
		<link>http://5dias.net/2007/03/28/post-platonico/</link>
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		<pubDate>Wed, 28 Mar 2007 22:20:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Autor: Edgar Pêra CINE-TUGA entrevista Edgar Pêra a propósito do seu último filme Rio Turvo, inspirado no conto de Branquinho da Fonseca. Parte zero Ciine-Tuga: No conto de Branquinho da Fonseca, o bode chama-se Sócrates. Porque é que mudaste o &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/03/28/post-platonico/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Autor:<a href="http://elementarista.blogs.sapo.pt"> Edgar Pêra</a></p>
<p>CINE-TUGA entrevista Edgar Pêra<br />
a propósito do seu último filme Rio Turvo, inspirado no conto de Branquinho da Fonseca.</p>
<p>Parte zero</p>
<p>Ciine-Tuga: No conto de Branquinho da Fonseca, o bode chama-se Sócrates. Porque é que mudaste o nome para Platão ? </p>
<p>Edgar Pêra- O que o me interessou no conto do Branquinho da Fonseca foi a possibilidade de imaginar aquela história em qualquer época. Para evitar que houvesse qualquer tipo de confusão com os tempos de hoje, o bode passou a chamar-se Platão.<br />
E Platão sempre tem um ditongo, é uma palavra tipicamente portuguesa. E Portugal é um país quase platónico. </p>
<p>Ciine-Tuga (malicioso) Mas o destino de Sócrates e Platão é bem diferente. Não te parece que estás a deturpar o sentido original do conto, ou pelo menos de uma parte altamente simbólica do conto?</p>
<p>Edgar Pêra &#8211; Acho que saber como morreu uma figura mítica não é importante para um filme. Sabemos que Platão existiu. Quanto a Sócrates ainda não sabemos. (risos) Mas a figura do bode é capital para o filme. Houve outras cenas com o bode que até foram acrescentadas, nem sequer figuravam no conto. Por outro lado, como os diálogos no livro são escassos, recorri frequentemente aos Diálogos Sobre a Justiça de Platão. Pode dizer-se também que é um filme quasi-platónico. Assim como o aeroporto que se pretende construir. Quer no filme quer no conto.<br />
(originalmente publicado no <a href="http://rioturvo.blogspot.com">rioturvo</a> segue-se filme inédito)<br />
<center>															<script type="text/javascript" src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js"></script><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&#038;posts_id=186642&#038;source=3&#038;autoplay=true&#038;file_type=flv&#038;player_width=&#038;player_height="></script>
<div id="blip_movie_content_186642"><a href="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-OMAIOR548.mp4" onclick="play_blip_movie_186642(); return false;"><img src="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-OMAIOR548.mp4.jpg" border="0" title="Click To Play" /></a><br /><a href="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-OMAIOR548.mp4" onclick="play_blip_movie_186642(); return false;">Click To Play</a></div>
<p>										</center>
<div class="blip_description"></div>]]></content:encoded>
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		<title>Rui Tavares: A sociedade de castas</title>
		<link>http://5dias.net/2007/03/28/rui-tavares-a-sociedade-de-castas/</link>
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		<pubDate>Wed, 28 Mar 2007 22:12:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Autor: Rui Tavares  (Público, 26 Março) A casta administradora não está sujeita às mesmas regras dos comuns dos mortais: nem regras salariais, nem de aposentadoria, nem de responsabilização, nem de democracia. Este fim-de-semana alguns jornais fizeram as primeiras páginas com &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/03/28/rui-tavares-a-sociedade-de-castas/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify"><font size="3" face="Times New Roman">Autor:<a href="http://ruitavares.weblog.com.pt/"> Rui Tavares</a></font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><span> </span>(Público, 26 Março)</font></font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify"><span><font size="3" face="Times New Roman">A casta administradora não está sujeita às mesmas regras dos comuns dos mortais: nem regras salariais, nem de aposentadoria, nem de responsabilização, nem de democracia.</font></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify"><font size="3" face="Times New Roman">Este fim-de-semana alguns jornais fizeram as primeiras páginas com os salários auferidos por autarcas portugueses nas empresas municipais onde detêm cargos, salários esses que vão do escandaloso ao ilegal e, na maior parte dos casos, ao puramente inútil. Se Carmona Rodrigues desempenha melhor o seu cargo por ganhar quatro mil euros suplementares numa empresa municipal, imaginem (se conseguirem) quão pior Presidente da Câmara ele poderia ainda ser.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify"><font size="3" face="Times New Roman">Isto não é nada. </font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify"><font size="3" face="Times New Roman">Além dos autarcas, estas empresas acumulam funcionários de topo desnecessários e dispendiosos, muitas vezes oriundos das clientelas partidárias ou pessoais, que vivem no melhor de dois mundos, sob regras do público ou do privado conforme a conveniência. Não têm de viver anos consecutivos com aumentos de meio por cento nem de ser considerados culpados pela falta de produtividade e o estado geral “a que isto chegou”. Há os salários, é claro: mas há também uma série de outros pequenos luxos quotidianos, dos carros com motorista aos cartões de crédito, que tornam a vida mais agradável.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify"><font size="3" face="Times New Roman">Chegado a este ponto, o passo seguinte consistiria em atribuir tudo ao provincianismo português. Porém, não me apetece. Não só o provincianismo português têm costas mais largas do que as do Adamastor como é, em si mesmo, uma desculpa tremendamente provinciana.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify"><font size="3" face="Times New Roman">Ora isto é mais vasto do que as empresas locais ou nacionais, públicas ou privadas, portuguesas ou estrangeiras. Numa escala inteiramente diferente, consideremos a americana Home Depot, onde o trabalhador comum ganha talvez oito dólares por hora e vê ser espremido até ao último cêntimo tudo o que se gasta com as suas condições de trabalho, desde os seguros de saúde aos horários de descanso. Recentemente, a empresa mandou embora o seu presidente com uma indemnização de 210 milhões de dólares, mais do que um triplo jackpot no euromilhões, o que quer dizer que o homem era brilhante ou fez um grande trabalho, certo? Errado: na verdade, afundou as acções da empresa enquanto esteve no cargo.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify"><font size="3" face="Times New Roman">Muito resumidamente, há duas coisas que este panorama sugere.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify"><font size="3" face="Times New Roman">A primeira é que o capitalismo, depois de algumas décadas de universalização de direitos, se está a aproximar de uma sociedade por castas. Basta ver que a casta administradora, com as suas ramificações, não está sujeita às mesmas regras dos comuns dos mortais: nem regras salariais, nem de aposentadoria, nem de responsabilização, nem de democracia, nem sequer (em alguns países) de cuidados de saúde. As regras são diferentes na base e no topo: por isso é preciso congelar o salário de uns e fazer o que for preciso para motivar os outros.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify"><font size="3" face="Times New Roman">A segunda é que esta transformação é consensual, como aliás se verifica sempre. Os cidadãos comuns podem não gostar dos resultados, mas não têm maneira de contestar os pressupostos: que é preciso gerir o estado como uma empresa (o que justifica as empresas municipais), que já não há dinheiro para manter os direitos sociais, que tudo isto se passa por causa de leis frias e incontroláveis como as da natureza. E quando qualquer destes lugares-comuns falha, os cidadãos sustentam-se pela ilusão de que talvez também possam chegar ao topo, embora seja muito maior a probabilidade de qualquer um cair na pobreza sem qualquer protecção.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify"><font size="3" face="Times New Roman">O Padre António Vieira lembrou no seu mais famoso sermão que basta um peixe grande para alimentar muitos pequenos, ao passo que são precisos muitos pequenos para alimentar um grande. Apesar do cuidado posto na metáfora, não surpreende ninguém que tenha tido de fugir de São Luís do Maranhão no primeiro barco disponível. O que surpreende mais é pensar que, provavelmente, nem os pequenos gostaram de o ouvir.</font></p>]]></content:encoded>
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		<title>Bater no ceguinho?</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Mar 2007 22:12:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[A-Bela-&-o-Mestre]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160;  (Correio da Manhã, 26 de Março) A Comissão para a Igualdade e Direitos das Mulheres apresentou ontem à Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC) uma queixa contra A Bela e o Mestre, solicitando a sua suspensão. A justificação é &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/03/28/bater-no-ceguinho/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal">&nbsp;</p>
<p><font size="3" face="Times New Roman"> (Correio da Manhã, 26 de Março)</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font size="3" face="Times New Roman">A Comissão para a Igualdade e Direitos das Mulheres apresentou ontem à Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC) uma queixa contra <em>A Bela e o Mestre</em>, solicitando a sua suspensão. A justificação é óbvia: “um nítido atentado às mulheres”. Violação de princípios constitucionais e de documentos internacionais subscritos por Portugal. Como o nosso país também tem um certo princípio de vagareza, só daqui a um mês é que a ERC tem de decidir. O prazo coincide com o fim da primeira série do programa, o que torna tudo muito conveniente, para não dizer estereotipado. Mais patética ainda é a resposta de Piet Hein, director da Endemol: “o programa &#8220;descontrói os estereótipos pela caricatura&#8221;. Está-se mesmo a ver. Um programa onde os “pretos” sejam retratados como macacos primitivos e os “brancos” como lordes civilizados, ou um programa onde os velhos e os deficientes sejam exibidos como trapos dispensáveis e os novos e saudáveis como deuses, descontrói uns estereótipos do caraças. Hein é bela, sim senhora.</font></p>]]></content:encoded>
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		<title>Era bom, era…</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Mar 2007 18:18:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Cimeira-UE-África]]></category>
		<category><![CDATA[Mugabe]]></category>
		<category><![CDATA[Zimbabué]]></category>

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		<description><![CDATA[  Prever o fim do regime de Mugabe tem sido futurologia falhada. Apesar dos seus 26 anos no poder, da violência e do estado deplorável em que foi atolando aquela que outrora foi uma das regiões africanas mais ricas (a &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/03/21/era-bom-era%e2%80%a6/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: black"><font size="3"><font face="Times New Roman"><img width="394" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/03/mugabe.jpg" alt="mugabe.jpg" height="254" style="width: 394px; height: 254px" /></font></font></span><span style="color: black"><font size="3"><font face="Times New Roman"> </font></font></span></p>
<p><span style="color: black"></span><span style="color: black"></span><span style="color: black"><span style="color: black"><font size="3"><font face="Times New Roman">Prever o fim do regime de Mugabe tem sido futurologia falhada. Apesar dos seus 26 anos no poder, da violência e do estado deplorável em que foi atolando aquela que outrora foi uma das regiões africanas mais ricas (a fome e a SIDA são epidemias no Zimbabué). A manifestação ocorrida há uns dias (brutalmente reprimida) e a resistência à tentativa de Mugabe em prolongar o seu mandato até 2010 (quando devia terminar em 2008) são sinais de forte descontentamento mas são, sobretudo, resposta à profunda crise económica. A reacção de Mugabe a estes sintomas é mais do mesmo: não deixa os seus oponentes sair do país, acusa a juventude do seu próprio partido de conspirar contra ele, persegue a oposição e aconselha os críticos ocidentais a enforcarem-se. </font></font></span></span></p>
<p><span style="color: black"><span style="color: black"></span><span style="color: black"><font size="3"><font face="Times New Roman">A comunidade internacional tem assistido, mais ou menos inerte, a esta escalada. E a denúncia deste regime feita agora pelas Nações Unidas, a União Europeia e a União Africana, pouco ajuda. Mesmo a África do Sul, que poderia trazer um importante contributo, cruza os braços. Se Mugabe cair não será, provavelmente, por pressão internacional ou por derrota eleitoral. Mais provavelmente por um golpe de estado. Não se sabe é quando…</font></font></span></span></p>
<p><span style="color: black"><span style="color: black"></span><span style="color: black"><font size="3"><font face="Times New Roman">Mas não será antes da II Cimeira UE-África.</font></font></span></span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Depois do ALLgarve&#8230;</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Mar 2007 14:45:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[25-de-Abril]]></category>
		<category><![CDATA[Allgarve]]></category>

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		<description><![CDATA[Autor: Edgar Pêra Click To Play]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Autor: <a href="http://rioturvo.blogspot.com/">Edgar Pêra</a></p>
<p><center><br />
<script type="text/javascript" src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js"></script><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&amp;posts_id=179970&amp;source=3&amp;autoplay=true&amp;file_type=flv&amp;player_width=&amp;player_height=260"></script></p>
<p id="blip_movie_content_179970"><a href="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-DepoisDoALLGARVE637.flv" onclick="play_blip_movie_179970(); return false;"><img border="0" src="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-DepoisDoALLGARVE637.flv.jpg" title="Click To Play" /></a><br />
<a href="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-DepoisDoALLGARVE637.flv" onclick="play_blip_movie_179970(); return false;">Click To Play</a></p>
<p></center></p>]]></content:encoded>
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		<title>Rui Tavares: Sim, deixem guiar o Mantorras</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Mar 2007 14:24:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Angola]]></category>
		<category><![CDATA[Imigrantes]]></category>
		<category><![CDATA[Mantorras]]></category>

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		<description><![CDATA[Autor: RUI TAVARES (Público, 20 de Março) Pode dizer-se que ter esquecido os muitos portugueses que vivem e  conduzem em Angola foi um tiro no pé. Na verdade, esse já foi o tiro  no segundo pé. Conclusão: tudo é tão &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/03/21/rui-tavares-sim-deixem-guiar-o-mantorras/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3">Autor: <a href="http://ruitavares.weblog.com.pt/">RUI TAVARES</a></font></span></tt><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3"> </font></span></tt></p>
<p><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3">(Público, 20 de Março)</font></span></tt></p>
<p><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><span style="color: black"><tt><span style="line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3">Pode dizer-se que ter esquecido os muitos portugueses que vivem e  conduzem </font></span></tt><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3">em Angola foi um tiro no pé. Na verdade, esse já foi o tiro  no segundo pé.</font></span></tt></span></span></tt></p>
<p><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><span style="color: black"><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"></span></tt></span></span></tt><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><span style="color: black"><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"></span></tt><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3">Conclusão: tudo é tão mais fácil quando os outros não podem retaliar! </font></span></tt></span></span></tt></p>
<p><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><span style="color: black"><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"></span></tt></span></span></tt><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><span style="color: black"></span></span></tt><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><span style="color: black"><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"></span></tt><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3">Na abertura do Telejornal de sexta-feira o pivot parecia alarmado.  “De um dia para o outro”, senhores telespectadores, os angolanos  começaram a confiscar cartas de condução a cidadãos portugueses,  chegando mesmo a levá-los a tribunal. No Público do mesmo dia  escrevia-se que havia um clima de “caça ao português” nas estradas de  Luanda, “dada a frequência com que são mandados parar carros em que  seguem brancos”. No seu texto de ontem, Helena Matos já acrescentava  toda a história do colonialismo, das “bailarinas de mamas à mostra”  até às “expropriações de terras ordenadas por Mugabe”.</font></span></tt></span></span></tt><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><span style="color: black"> </span></span></tt></p>
<p><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><span style="color: black"></span></span></tt><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><span style="color: black"><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"></span></tt><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3">Menos energia, minha gente. Só aqui entre nós: os angolanos não  começaram “de uma dia para o outro” a confiscar cartas de condução  portuguesas. Pelo contrário, fomos nós que de 31 de Dezembro para 1  de Janeiro passado começámos a confiscar cartas angolanas. E sabem  que mais? Ainda estamos a ganhar. Em poucas semanas, segundo as  autoridades, foram apreendidas dezenas de cartas angolanas e os seus  detentores levados a tribunal. Como estamos em Portugal, tudo isto  aconteceu sem haver “caça ao angolano”, até porque os nossos polícias  não têm qualquer apetência por mandar parar carros em que seguem  negros. Foi mera eficácia.</font></span></tt></span></span></tt><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><span style="color: black"> </span></span></tt><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><span style="color: black"><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"></span></tt><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3">O que nos leva à minha conclusão: tudo seria mais fácil se os outros  não pudessem retaliar. Como podem, o governo já disse que a solução é  voltar a aceitar as cartas de condução angolanas enquanto se inventa  uma solução burocrática e dispendiosa para salvar a face. </font></span></tt></span></span></tt><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><span style="color: black"><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"></span></tt><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3">Pode dizer-se que ter esquecido os muitos portugueses que vivem e  conduzem em Angola foi um tiro no pé. Na verdade, esse já foi o tiro  no segundo pé. O tiro no primeiro pé foi a ideia absurda de invalidar  as cartas de condução de todos os países afro-lusófonos. De uma  penada, milhares de residentes caboverdianos, guineenses, etc. –  população em idade activa – passaram a estar ilegais nas estradas  portuguesas. E que ganhamos nós com isso? É bom para a economia? É  bom para a sociedade? É bom para a “integração”? É sequer bom para a  segurança rodoviária?</font></span></tt><span style="color: black"></span><span style="color: black"><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3">Já agora: tudo isto tem pouco a ver com a Convenção de Viena sobre  Tráfego Rodoviário. Mesmo os cidadãos de países co-signatários não  têm os seus títulos de condução automaticamente reconhecidos em  Portugal. Um turista brasileiro pode conduzir em Portugal com a sua  carta. Um residente brasileiro, que aqui trabalha e paga os seus  impostos, não pode. Isto tem a ver com sobranceria no trato dos  estrangeiros e uma desconfiança burocrática permanente, que traduz um  país desconfiado e medroso.</font></span></tt></span></p>
<p></span><span style="color: black"><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"></span></tt></span><span style="color: black"><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"></span></tt><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3">No caso português, é pior: traduz um país pequenino e mesquinho,  preso numa esquizofrenia ridícula. Cavaco Silva visita uma escola  luxemburguesa onde os lusodescendentes têm aulas em português: que  história de sucesso, etc. Em Portugal alguém sugere aulas de língua  materna aos filhos de imigrantes: que absurdo politicamente correcto,  etc. Para os nossos filhos lá fora, é uma ideia excelente. Para os  filhos dos outros cá dentro, é um perfeito disparate. </font></span></tt></span></p>
<p><span style="color: black"><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"></span></tt><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3">Não se trata sequer de sermos um país de imigrantes e emigrantes, o  que supostamente nos deveria dar alguma capacidade para ver os dois  lados da questão. O que se passa é que, como o caso angolano  demonstra, já não há países que sejam apenas de acolhimento. Temos cá  milhares de angolanos, eles têm lá milhares de portugueses. Vêm  brasileiros trabalhar para cá, portugueses aposentados compram casas  lá. A China envia e recebe migrantes, a Índia também.</font></span></tt></span></p>
<p><span style="color: black"><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"></span></tt></span><span style="color: black"><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"></span></tt><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3">Por uma vez, pensem fora da casca. E sim, deixem guiar o Mantorras.</font></span></tt><font size="3"> </font></span></p>
<p></span></tt></p>]]></content:encoded>
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		<title>Socorro! Saiu Monstro!</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Mar 2007 14:20:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[A-Bela-&-o-Mestre]]></category>

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		<description><![CDATA[(Publicado ontem no Correio da Manhã) Ambiciona ser uma “experiência social” e emparelha concorrentes que não sabem o que é uma “experiência” com concorrentes que não entendem o que significa “social”. As BB (Belas mas Burras) e os FF (Feios &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/03/21/socorro-saiu-monstro/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font size="3" face="Times New Roman"><img width="410" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/03/monstro.JPG" alt="monstro.JPG" height="275" style="width: 410px; height: 275px" /></font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font size="3" face="Times New Roman">(Publicado ontem no Correio da Manhã)</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font size="3" face="Times New Roman">Ambiciona ser uma “experiência social” e emparelha concorrentes que não sabem o que é uma “experiência” com concorrentes que não entendem o que significa “social”. As BB (Belas mas Burras) e os FF (Feios mas Formados) encontram-se numa mistura de concurso de beleza com circo de aberrações. Nada de novo. Velhos são <em>A Bela &amp; O Monstro</em>, <em>A Dama &amp; O Vagabundo</em>, <em>A Princesa &amp; O Sapo</em>. Elas &amp; eles são retratados neste programa tal como mandam os estereótipos. A ideia de benefícios para ambos ou que os opostos se atraem só torna a coisa mais viscosa. Quando sugeriram a Einstein que, se tivesse filhos com a Marilyn Monroe, o resultado seria perfeito- juntava-se a genialidade com a beleza– ele respondeu: “O problema é se saem burros e feios”. Pois. Experiência social num <em>reality show</em> é léria. Mas sempre se observava mais juntando homens estúpidos mas bonitos com mulheres inteligentes mas malparecidas. Isso é que era um lindo estágio.</font></p>]]></content:encoded>
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		<title>FUTURISMO HOJE</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Mar 2007 17:15:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[ Autor: EDGAR PÊRA Quanto mais avançamos no tempo mais futurista é uma época. Em 1993 pedi ao Paulo Varela Gomes para elaborar uma série de intervenções que pudessem servir como complemento ao meu filme SWK4 &#8211; os Universos Paralelos de &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/03/14/futurismo-hoje/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> Autor: <a href="http://elementarista.blogs.sapo.pt/">EDGAR PÊRA</a></p>
<p>Quanto mais avançamos no tempo mais futurista é uma época. Em 1993 pedi ao Paulo Varela Gomes para elaborar uma série de intervenções que pudessem servir como complemento ao meu filme SWK4 &#8211; os Universos Paralelos de Almada Negreiros. A longa-metragem (ainda) não foi terminada mas parece-me que mais do que nunca actual (do Afeganistão à Madeira).</p>
<p><center>															<script type="text/javascript" src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js"></script><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&#038;posts_id=173692&#038;source=3&#038;autoplay=true&#038;file_type=flv&#038;player_width=&#038;player_height=260"></script>
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<p>										</center>
<div class="blip_description"></div>]]></content:encoded>
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		<title>Pingue-pongue para três</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Mar 2007 17:00:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Autor: RUI TAVARES(Público, 14 de Março)   Se o Secretário-Geral supervisiona e em alguns casos comanda a PSP, a  GNR e até (mais grave) a Judiciária, o seu cargo é literalmente o de  um intendente-geral das polícias. Com excepção de quando &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/03/14/pingue-pongue-para-tres/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3">Autor: <a href="http://ruitavares.weblog.com.pt/">RUI TAVARES</a></font></span></tt><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3"><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3">(Público, 14 de Março)</font></span></tt></font></span></tt><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"></span></tt><span style="color: black"><font size="3" face="Times New Roman"><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"></span></tt> <span style="color: black"> </span></font></span></p>
<p><span style="color: black"><font size="3" face="Times New Roman"><span style="color: black"></span></font></span><span style="color: black"><font size="3" face="Times New Roman"><span style="color: black"><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'">Se o Secretário-Geral supervisiona e em alguns casos comanda a PSP, a  GNR e até (mais grave) a Judiciária, o seu cargo é literalmente o de  um intendente-geral das polícias.</span></tt></span></font></span></p>
<p><span style="color: black"><font size="3" face="Times New Roman"><span style="color: black"><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"></span></tt><span style="color: black"></span><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'">Com excepção de quando escreve que “é naturalmente tentador  identificar, como fez Rui Tavares, José Sócrates com o intendente  Pina Manique” (pelo contrário: validei pelo meu lado “que José  Sócrates não é Pina Manique, que 2007 não é <metricconverter ProductID="1797”" w:st="on"></metricconverter>1797” e quero precisá-lo  não por razões políticas mas históricas — uma referência histórica  não constitui forçosamente uma comparação e menos ainda uma  identificação), concordo em quase tudo com o texto de Helena Matos  ontem, nomeadamente quando lembra o que teria sido a combinação de um  caso como o “Casa Pia” com o tipo de sistema de segurança interna que  o governo agora propõe.</span></tt></span></font></span></p>
<p><span style="color: black"><font size="3" face="Times New Roman"><span style="color: black"><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"></span></tt><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'">Arriscar-nos-íamos até a ter aqui um monocórdico jogo de pongue- pongue se o próprio Secretário de Estado Adjunto e da Administração  Interna, José Magalhães, não viesse em meu socorro com um  indispensável pingue para a controvérsia, respondendo à minha última  crónica no novo blogue do MAI. José Magalhães defende que a criação  de um Secretário-Geral para a Segurança Interna vai contra a  “concentração de todos os poderes policiais num só homem” e foge à  “triste tradição autoritária, reencarnada </span></tt></span></font></span><span style="color: black"><font size="3" face="Times New Roman"><span style="color: black"><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'">em sucessivos Maniques,  monárquicos e republicanos” que reconhece e deplora no nosso país. A  sua resposta é inteligente e cordial, e assim tentarei treplicar no  espaço que me resta. </span></tt></span></font></span></p>
<p><span style="color: black"><font size="3" face="Times New Roman"><span style="color: black"><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"></span></tt></span></font></span><span style="color: black"><font size="3" face="Times New Roman"><span style="color: black"><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'">Escolho dois argumentos essenciais na resposta de José Magalhães: o  de que o novo Secretário-Geral se limitará a “coordenar” sem  “concentrar poderes” e o de que “já hoje todas as polícias dependem  do Governo e, directa ou indirectamente, do Primeiro-Ministro.” No  primeiro caso, noto que o termo coordenar tem enorme amplitude e que  o próprio Conselho de Ministros, em comunicado, afirma que o novo  Secretário-Geral “poderá assumir, em determinadas situações, a  direcção, o comando e o controlo” das forças policiais. Quanto ao  segundo caso, a palavra-chave ali é “indirectamente”: claro que todas  as forças policiais dependem do Primeiro-Ministro, mas o que está em  discussão é que passem a reportar directamente ao chefe do governo,  tal como acontece já com os serviços de informações.</span></tt> </span></font></span></p>
<p><span style="color: black"><font size="3" face="Times New Roman"><span style="color: black"></span></font></span><span style="color: black"><font size="3" face="Times New Roman"><span style="color: black"><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"></span></tt><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'">Ora, se o Secretário-Geral supervisiona e em alguns casos comanda a  PSP, a GNR e até (mais grave) a Judiciária, o seu cargo é  literalmente o de um intendente-geral das polícias. Mas mesmo sem  entrar na velha discussão de se o cargo que faz o homem ou vice- versa, abandonemos a história para considerar exemplos contemporâneos  de concentração destes poderes.</span></tt></span></font></span><span style="color: black"><font size="3" face="Times New Roman"><span style="color: black"> </span></font></span><span style="color: black"><font size="3" face="Times New Roman"><span style="color: black"><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"></span></tt><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'">Nos EUA, a concentração fez-se pelas razões mais prementes, mas não  só tem fracassado em enviar terroristas para os tribunais como os  abusos são constantes. Em Inglaterra, o exemplo do super-polícia Ian  Blair (tutelado pelo Home Secretary John Reid) gozou de alguma  popularidade global após os atentados de Londres; suspeito até que  tenha influenciado as actuais propostas do governo. Mas o homicídio  de um pacato cidadão brasileiro pela polícia e os esforços de  encombrimento que se seguiram mancharam esta imagem. Nesse contexto,  o passado estalinista de John Reid foi uma pedra no sapato, mas não  creio que se Tony Blair fosse o responsável directo o descrédito  fosse menor. </span></tt></p>
<p></span><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"></span></tt><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'">Em Portugal não tivemos nenhum ataque terrorista, mas já tivemos um  primeiro-ministro chamado Pedro Santana Lopes, e eu teria ficado  alarmadíssimo se ele tivesse proposto uma reforma destas. Em  coerência, não posso deixar de ter a mesma preocupação com José  Sócrates ou qualquer Primeiro-Ministro futuro.</span></tt></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><a href="http://ruitavares.weblog.com.pt/"></a></p>
<p></font></span></p>]]></content:encoded>
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		<title>O Intendente-Geral</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Mar 2007 16:36:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Autor: RUI TAVARES (Público, 12 de Março) Não há vantagens em ter um Primeiro-Ministro que é uma espécie de  comandante-em-chefe das forças de segurança, que não pode falhar e  não pode ser colocado em causa. Diogo Inácio de Pina Manique &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/03/14/o-intendente-geral/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font face="Courier New"></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3">Autor:<a href="http://ruitavares.weblog.com.pt/"> RUI TAVARES</a></font></span></tt></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3">(Público, 12 de Março)</font></span></tt></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"></span></tt></p>
<p><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3">Não há vantagens em ter um Primeiro-Ministro que é uma espécie de  comandante-em-chefe das forças de segurança, que não pode falhar e  não pode ser colocado em causa.</font></span></tt></p>
<p><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"></span></tt><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3">Diogo Inácio de Pina Manique era um leal pombalista, e com Pombal  subiu desde o tempo em que foi nomeado Juiz do Crime do Bairro do  Castelo, e se distinguiu combatendo os desacatos na primeira colina  da capital do reino. Para o fim, o Marquês confiava tanto nele que o  encarregou de reprimir um punhado de desertores que se tinha  refugiado na Trafaria. Pina Manique não encontrou melhor método senão  o de simplesmente pegar fogo à povoação de pescadores. Essa  arbitrariedade estava ainda na memória de toda a gente quando Dom  José I morreu poucas semanas depois e Dona Maria I lhe sucedeu,  exonerando Pombal de imediato.</font></span></tt></p>
<p><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"></span></tt><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3">Ao contrário do que seria de esperar, Pina Manique não foi corrido  pela “viradeira” anti-pombalista. Bem pelo contrário, mesmo. Teve a  habilidade suficiente para adaptar o seu voluntarismo pombalista às  novas realidades do regime e continuou subindo até concentrar em si  todos os poderes das polícias do reino. Após a Revolução Francesa,  soube gerir a paranóia da rainha e dos súbditos para se tornar no  homem mais poderoso e temido do reino, verdadeira prova do que pode  fazer a alavanca do poder policial em épocas de instabilidade. Hoje  em dia, ninguém se lembra dos nomes dos ministros de Dona Maria I.  Mas todos sabem que houve um implacável Diogo Inácio de Pina Manique,  Intendente Geral da Polícia da Corte e do Reino. </font></span></tt></p>
<p><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"></span></tt><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3">Duzentos e dois anos depois da morte de Pina Manique, e muitos seus  sucessores de muitos regimes depois, teremos nós necessidade de um  novo Intendente Geral da Polícia, perdão, Secretário-Geral para a  Segurança Interna? Não é só em Portugal que a ideia de concentrar  todos os poderes policiais nas mãos de um só homem tem uma triste  tradição, e por isso as democracias têm encontrado outras maneiras de  coordenar as polícias. Nada no restante projecto do governo – fusão  de serviços, dispersão territorial, partilha de recursos – depende  forçosamente desta estranha unicefalia. </font></span></tt></p>
<p><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"></span></tt><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3">Mais bizarro ainda, alguém achou que pôr o novo Secretário-Geral para  a Segurança Interna sob a dependência directa do Primeiro-Ministro  nos daria boas garantias. Mas substituir a imagem daqueles Ministros  do Interior de má memória pela de um Primeiro-Ministro que reúne  regularmente com o chefe das polícias não descansa ninguém. Não há  vantagens em ter um Primeiro-Ministro que é uma espécie de comandante- em-chefe das forças de segurança, que não pode falhar e não pode ser  colocado em causa. </font></span></tt></p>
<p><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"></span></tt><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3">Poderá objectar-se que o sistema não tem obrigatoriamente de sofrer  distorções autoritárias, que José Sócrates não é Pina Manique, que  2007 não é <metricconverter ProductID="1797. A" w:st="on"></metricconverter>1797. A melhor garantia é não tentar: como em 1797, como  sempre, também hoje vivemos com o medo, gostaríamos que houvesse uma  maneira expedita de acabar com ele. Por isso estamos dispostos a  esquecer que o problema não é Diogo Inácio; o problema é ele ter sido  Intendente-Geral.</font></span></tt></p>
<p><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"></span></tt><tt><span style="color: black; line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman'"><font size="3">Dir-me-ão que as intenções são diferentes, que são mesmo as melhores.  Não me custa a acreditar: as intenções são sempre as melhores. Mas  nós não vamos viver com as intenções. Vamos viver com os resultados  dessas intenções.</font></span></tt><span style="color: black"></span></p>
<p></font></p>]]></content:encoded>
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		<title>História com barbas</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Mar 2007 19:13:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[ Lê-se, na contra capa do Público de hoje: “Dia da Mulher: Portuguesas são mães aos 28 anos e vivem até aos 81”. Na página 8, repete-se o headline, que se refere aos dados actualizados do INE a propósito do Dia &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/03/07/historia-com-barbas/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <font size="3"><font face="Times New Roman">Lê-se, na contra capa do Público de hoje: “Dia da Mulher: Portuguesas são mães aos 28 anos e vivem até aos <metricconverter ProductID="81”" w:st="on">81”</metricconverter>. Na página 8, repete-se o headline, que se refere aos dados actualizados do INE a propósito do Dia Internacional da Mulher. Podiam ter destacado, para titular a notícia, outros dados, como o aumento da participação das mulheres no mercado de trabalho, ou a percentagem de abandono escolar, substancialmente inferior à dos homens. Mas não. O adiamento da maternidade é que é o chamariz. Uma história com barbas.<strong></strong></font></font></p>]]></content:encoded>
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		<title>Fora de prazo</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Mar 2007 18:43:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[O artigo de Gentil Martins que figura no Público de hoje esta fora de prazo. O senhor indigna-se com o facto de a nova lei do aborto, no artigo 6º, ponto 2, estipular que “os médicos ou demais profissionais de &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/03/07/fora-de-prazo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font size="3" face="Times New Roman">O artigo de Gentil Martins que figura no Público de hoje esta fora de prazo. O senhor indigna-se com o facto de a nova lei do aborto, no artigo 6º, ponto 2, estipular que “os médicos ou demais profissionais de saúde que invoquem a objecção de consciência relativamente a qualquer dos actos respeitantes à IVG não podem participar na consulta prevista na alínea b) do nº4 do Artigo 142º do Código Penal ou no acompanhamento das mulheres grávidas a que haja lugar durante o período de reflexão”. Gentil Martins insurge-se: “pretende-se que só os que praticam o aborto possam “aconselhar “ para que a mulher não aborte”. Primeiro, não entende para que serve o acompanhamento. A sua finalidade não é, certamente, “aconselhar para que a mulher não aborte”. A opção é da mulher, tal como foi expresso nos resultados do referendo. O acompanhamento serve, sobretudo, para informar e disponibilizar acompanhamento por psicólogo e /ou assistente social. Esse acompanhamento é, necessariamente, facultativo. Em segundo lugar, é justamente porque os médicos objectores de consciência se opõem à IVG que não podem participar na consulta e no acompanhamento. Opondo-se, só podem orientar a mulher no sentido de não abortar. Os que não são objectores de consciência não orientam a mulher. Respeitam a sua decisão. Apenas contribuem para que a opção (seja lá qual for) seja o mais informada, tranquila e segura possível. A indignação de Gentil Martins é a de quem ainda não percebeu patavina do que aconteceu em Portugal no dia 11 de Fevereiro. O seu artigo é do mês passado. </font></p>]]></content:encoded>
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		<title>Rui Tavares: O pecado, ida e volta</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Mar 2007 18:27:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Autor: Rui Tavares Texto publicado no jornal Público de ontem &#160; Qualquer cientista aprendiz sabe que não se deve personificar um planeta. Se caem na candura de perguntar “porquê?”, costuma responder-se-lhes: “porque o planeta não gosta”. Haverá alguma correspondência, como &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/03/07/rui-tavares-o-pecado-ida-e-volta/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font size="3" face="Times New Roman">Autor: <a href="http://ruitavares.weblog.com.pt/">Rui Tavares</a></font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font size="3" face="Times New Roman">Texto publicado no jornal Público de ontem</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt 0.05pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal">&nbsp;</p>
<p><font size="3" face="Times New Roman">Qualquer cientista aprendiz sabe que não se deve personificar um planeta. Se caem na candura de perguntar “porquê?”, costuma responder-se-lhes: “porque o planeta não gosta”. </font><font size="3" face="Times New Roman">Haverá alguma correspondência, como sugeriu ontem Helena Matos, entre </font><font size="3" face="Times New Roman">os profetas religiosos que declaravam que as catástrofes naturais eram provocadas pelo pecado e aqueles que hoje identificam causas humanas nas alterações climáticas? Poderá considerar-se que a crença numa e na outra coisa é “uma atitude igualmente superticiosa”? Será legítimo concluir que “onde uns colocavam a vontade de Deus coloca-se agora o equilíbrio da Terra”? Tomemos os exemplos do Padre Gabriel Malagrida, aqui lembrado pela minha parceira de pingue-pongue, e Al Gore, o mais conhecido dos activistas das alterações climáticas. O primeiro insistiu, até ser queimado na fogueira, que o Grande Terramoto de 1755 fora provocado “unicamente pelos nossos intoleráveis pecados”, — por exemplo a troca de bilhetinhos de namorados durante as missas. O segundo vem defendendo que as emissões de CO2 têm responsabilidade nas alterações climáticas.</font><font size="3" face="Times New Roman">Nessa perspectiva, podemos dizer que Helena Matos tem razão. Há sim uma certa correspondência: ambos defendem uma causa para um efeito. Ambos defendem uma causa humana para um efeito natural. Um cínico poderia acrescentar isto: a diferença é que um está errado e o outro<br />
certo. Pelo menos à luz dos conhecimentos actuais, a troca de bilhetinhos na missa não provoca terramotos, ao passo que o aumento de CO2 na atmosfera provoca efeito de estufa. Talvez seja demasiado fácil, porém, lembrar que a explicação de Malagrida depende de Deus, sobre cuja existência não há certezas, e a de Al Gore parte do planeta Terra, que é uma coisa que se não existe imita muito bem. Procuremos então outras diferenças entre Malagrida e Al Gore. </font><font size="3" face="Times New Roman">A primeira que salta à vista é: Malagrida só falou depois do terramoto ter ocorrido, o que o diminui até um pouco como profeta. Al Gore tem vido a falar nas alterações do clima antes delas se tornarem mais enfáticas, e apresenta cenários para o que pode vir a suceder no futuro. As suas previsões serão verificáveis e caso o não sejam a sua </font><font size="3" face="Times New Roman">teoria será desacreditada. Ao colocar-se na balança da opinião pública e dos factos, o discurso de Al Gore está no plano da responsabilidade colectiva e não do pecado.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt 0.05pt; text-indent: 35.35pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font size="3" face="Times New Roman">Além disso, não creio que o discurso ecologista trate de um “castigo<br />
que foi de Deus e agora é da Terra”, como diz Helena Matos. Qualquer cientista aprendiz sabe que não se deve personificar um planeta (se caem na candura de perguntar “porquê?”, costuma responder-se-lhes: “porque o planeta não gosta”). Ora, a Terra não castiga; reage apenas. É-lhe indiferente se na sua reacção inunda uma cidade, devasta uma civilização ou acaba com a espécie.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt 0.05pt; text-indent: 35.35pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font size="3" face="Times New Roman">Foi isto que levou Voltaire, logo após 1755, à conclusão de que a Natureza era amoral. Na altura, um Rousseau tão ingénuo quanto teimoso não podia aceitar esta ideia e escreveu que o problema era os lisboetas terem feito uma cidade numa zona de risco sísmico. Naturalmente, quando se vive a céu aberto nunca nos cai a casa  </font><font size="3"><font face="Times New Roman">em cima. Encontro ecos deste Rousseau em Helena Matos quando culpa as casas construídas na Costa da Caparica pelo mar galgando as arribas. Não que isto esteja completamente errado: o tipo de construção agrava certamente o problema. Mas porque para confirmar a subida das águas dos mares à escala global basta consultar fotos aéreas das costas oceânicas, algumas delas em áreas sem construções da África ou da América do Sul. Ora não é bom fingir que se ignora estas coisas. Até porque a ignorância fingida, como ensina a Bíblia, é pecado.</font></font></p>]]></content:encoded>
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		<title>No alvo</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Feb 2007 19:15:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Cheney viajou para o Afeganistão e para o Paquistão para pedir aos presidentes dos dois países que aumentem os esforços para combater os taliban, que têm vindo a reforçar a sua capacidade. O país está mais sangrento, corrupto e desiludido &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/02/28/no-alvo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/02/cheney_20hunting.jpg" alt="cheney_20hunting.jpg" /> <span style="color: black"></span><span style="color: black"><font face="Times New Roman"><a href="http://dn.sapo.pt/2007/02/28/internacional/talibas_falham_atentado_contra_chene.html">Cheney viajou para o Afeganistão e para o Paquistão para pedir aos presidentes dos dois países que aumentem os esforços para combater os taliban</a>, que têm vindo a reforçar a sua capacidade. O país está mais sangrento, corrupto e desiludido do que nunca. E Cheney escapou a um atentado que matou 19 pessoas, na principal base militar americana no Afeganistão. Os taliban reivindicaram a autoria do atentado. Este ataque demonstra o acesso à informação que a Al Qaeda possui. A sua agilidade. Plenamente justificada a visita.</font></span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Tem muito sexo? Chamem a polícia!</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Feb 2007 19:24:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[HIV]]></category>
		<category><![CDATA[prostituição]]></category>
		<category><![CDATA[SIDA]]></category>
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		<description><![CDATA[  Esta história de uma médica ser obrigada a violar o sigilo médico, tendo que informar o Tribunal de Torres Vedras se uma mulher alegadamente prostituta é ou não portadora do vírus HIV/SIDA é inaceitável. Mas foi essa a decisão do &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/02/21/tem-muito-sexo-chamem-a-policia/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #4c4c4c"></span> <span style="color: #4c4c4c"><font face="Times New Roman"> </font></span><span style="color: #4c4c4c"><span style="color: #4c4c4c"><font face="Times New Roman"><a href="http://dn.sapo.pt/2007/02/15/sociedade/mp_defende_quebra_sigilo_medico_para.html">Esta história de uma médica ser obrigada a violar o sigilo médico, tendo que informar o Tribunal de Torres Vedras se uma mulher alegadamente prostituta é ou não portadora do vírus HIV/SIDA </a>é inaceitável. Mas foi essa a decisão do Tribunal da Relação de Lisboa (espero que a médica continue a recusar-se). É inaceitável eticamente. Para além do mais, é iníqua, inútil e abre um precedente perigoso. </font></span><span style="color: #4c4c4c"><font face="Times New Roman">A história, aliás, começa mal. Muito mal. Em 2004, um indivíduo toxicodependente é detido por desobediência pela GNR. Descobre-se, então, que está na posse de elevadas quantias de dinheiro. Alega que lhe foi dado pela companheira e é nesse contexto que decide denunciá-la. É a GNR que, em primeiro lugar, toma conta do assunto!!!</font></span><span style="color: #4c4c4c"><font face="Times New Roman">A prostituição não é ilegal em Portugal. “Apenas” não está regulamentada. </font></span></span><span style="color: #4c4c4c"><span style="color: #4c4c4c"><font face="Times New Roman">Do mesmo modo, não existe lei alguma que diga que alguém infectado com HIV não possa prostituir-se. E, obviamente, não existe nenhuma lei que diga que uma pessoa com HIV não possa ter sexo com quantos lhe apetecer. A não ser que queiram sidatórios.</font></span><span style="color: #4c4c4c"><font face="Times New Roman">Os prostitutos e prostitutas infectados por HIV (e há mais do que este caso, evidentemente) têm a obrigação de se proteger e de proteger o/a cliente. O mesmo relativamente às muitas outras doenças sexualmente transmissíveis. Neste caso, nem sabemos se a referida mulher está ou não infectada por HIV, nem sabemos, caso esteja, se utilizou o preservativo ou não. De qualquer forma, o facto do companheiro da suposta prostituta saber da sua condição de saúde indica que, pelo menos em relação a ele, teve um comportamento correcto. Informou-o que era HIV positiva. À partida, quem não demonstra um comportamento correcto é ele. Primeiro porque denuncia. Não há também uma lei que proteja os indivíduos desta acusação? Segundo, porque, aparentemente beneficiando da prostituição da companheira (afinal era ele que estava na posse do dinheiro e se a prostituição não é ilegal, o lenocínio é), denuncia-a num contexto que serve apenas para ele próprio se safar. </font></span></p>
<p></span><span style="color: #4c4c4c"></span><span style="color: #4c4c4c"><font face="Times New Roman">Nada indica, portanto, que exista o crime de propagação de doença infecciosa. Crime esse, aliás, que é muito difícil de provar. Como é que se vai averiguar, especialmente quando a prostituição continua por regulamentar (a minha posição sobre este assunto e<a href="http://bichos-carpinteiros.blogspot.com/2005/10/belle-de-jour.html">stá aqui), se</a> alguém que se prostitui propagou uma doença infecciosa? Como é que se consegue provar que alguém foi infectado pela pessoa X e não pela Y, Z ou W? Fazem-se testes a todas essas pessoas? Além do mais, mesmo que alguém, em teoria, prove que se infectou com X, teríamos ainda que determinar que X sabia da sua condição (podia ou não saber) e que X não avisou que estava infectado. Por exemplo, é vulgar que os (as) clientes de prostitutos (as) que, naturalmente, deviam ser os primeiros a exigir o uso do preservativo, prefiram não o utilizar, aliciando o (a) prostituto (a) com mais dinheiro. </font></span></p>
<p><span style="color: #4c4c4c"></span><span style="color: #4c4c4c"><font face="Times New Roman">Neste caso, o Tribunal ordena a quebra do sigilo apenas porque se trata de uma prostituta. O que constitui uma discriminação grave. Se não é só por ser prostituta (e, de qualquer forma, é esse o precedente que fica aberto), doravante qualquer pessoa pode denunciar A ou B, alegando que dorme com quem lhe apetece e que está infectado com HIV. Os médicos dessa pessoa, se os procedimentos forem os mesmos, também ficarão obrigados a quebrar o sigilo? </font></span></p>
<p><span style="color: #4c4c4c"></span><span style="color: #4c4c4c"><font face="Times New Roman">Não há aqui qualquer conflito entre saúde pública e sigilo médico. O que há é um ataque à saúde pública tremendo. E um desrespeito absoluto pelos direitos dos cidadãos. Com números assustadores de pessoas infectadas por HIV em Portugal, continua a ser difícil mostrar a importância de fazer o teste. Daqui em diante, quem quererá fazê-lo? Quem confiará no seu médico? Até onde vai o poder do Estado? </font></span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Mentes Nuas</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Feb 2007 10:34:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[glasnost]]></category>
		<category><![CDATA[octopus]]></category>
		<category><![CDATA[telepatia]]></category>
		<category><![CDATA[Terence-Mckenna]]></category>

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		<description><![CDATA[Autor: Edgar Pêra Como fazer com que o Outro não nos engane? Em 1994, durante um intervalo das rodagens de Manual de Evasão LX94, entrevistei Terence Mckenna a propósito da glasnost telepática que se avizinha(va) a todos os níveis. Recentemente &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/02/21/802/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Autor: <a href="http://elementarista.blogs.sapo.pt">Edgar Pêra</a></p>
<p>Como fazer com que o Outro não nos engane? Em 1994, durante um intervalo das rodagens de Manual de Evasão LX94, entrevistei Terence Mckenna a propósito da glasnost telepática que se avizinha(va) a todos os níveis. Recentemente foram feitos mapeamentos cerebrais que permitem antecipar o consumo de determinado produto. Mais um passo para a total nudez das mentes, antecipado por McKenna. Mas estaremos realmente preparados para acabar com a privacidade e viver sob os Raios da Transparência? O Direito à Opacidade não estará consagrado nos Direitos Humanos? Naked Mind é um projecto de longa-metragem que (seguramente) terminarei a 21 de Dezembro de 2012 – dia em que a Grande Surpresa cairá sobre as nossas cabeças.<br />
O projecto foi apresentado pela primeira vez na Galeria ZDB, sob a forma de cine-concerto (Ego&#038; Egg) musicado por Vítor Rua (theremin).<br />
<center>															<script type="text/javascript" src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js"></script><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&#038;posts_id=147669&#038;source=3&#038;autoplay=true&#038;file_type=flv&#038;player_width=&#038;player_height=260"></script>
<div id="blip_movie_content_147669"><a href="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-NAKEDMINDPROJEKTWithTERENCEMCKENNA394.flv" onclick="play_blip_movie_147669(); return false;"><img src="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-NAKEDMINDPROJEKTWithTERENCEMCKENNA394.flv.jpg" border="0" title="Click To Play" /></a><br /><a href="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-NAKEDMINDPROJEKTWithTERENCEMCKENNA394.flv" onclick="play_blip_movie_147669(); return false;">Click To Play</a></div>
<p>The Hole In The Box é um pequeno extra inédito do Manual de Evasão rodado no Observatório da Ajuda, com a colaboração do reporter Carlos Rodrigues. Ao contrário do que se possa pensar Terence Mckenna não faz um apelo ao regresso à vida nas cavernas.  Dedicou grande parte da sua vida ao estudo de comunidades africanas e amazónicas. A partiha desses conhecimentos não se resumiu aos meios universitários. Mckenna divulgou os &#8220;ideais xamânicos&#8221; em conferências, raves e concertos (com os <a href="http://www.uncarved.org/2012/mckenna.html">shamen</a> por exemplo). Terence recusou-se sempre ser considerado um Guru, preferia que o vissem como um Seguidor. Das Gerações Vindouras.<br />
Em Portugal foi publicado o seu <a href="http://www.viaoptima.online.pt/pag.php?ref=DU2S1">Pão dos Deuses</a>.<br />
<center>															<script type="text/javascript" src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js"></script><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&#038;posts_id=157656&#038;source=3&#038;autoplay=true&#038;file_type=flv&#038;player_width=&#038;player_height="></script>
<div id="blip_movie_content_157656"><a href="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-HOLEINTHEBOXTERENCEMCKENNA987.mp4" onclick="play_blip_movie_157656(); return false;"><img src="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-HOLEINTHEBOXTERENCEMCKENNA987.mp4.jpg" border="0" title="Click To Play" /></a><br /><a href="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-HOLEINTHEBOXTERENCEMCKENNA987.mp4" onclick="play_blip_movie_157656(); return false;">Click To Play</a></div>
<p>										</center>
<div class="blip_description"></div>]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Para reflexão… ou não.</title>
		<link>http://5dias.net/2007/02/21/para-reflexao%e2%80%a6-ou-nao/</link>
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		<pubDate>Wed, 21 Feb 2007 09:28:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Autor: Carlos Trincão                 Faço parte de uma Assembleia Municipal. As Eleições Autárquicas de 2005 deram os seguintes resultados (traduzidos em mandatos) no meu Município:             Câmara Municipal:             PSD – 4 mandatos (maioria absoluta)             Grupo de &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/02/21/para-reflexao%e2%80%a6-ou-nao/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><font face="Times New Roman">Autor: Carlos Trincão</p>
<p></font></strong><font face="Times New Roman"> </font></p>
<p><font face="Times New Roman"> </font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><span>            </span>Faço parte de uma Assembleia Municipal. As Eleições Autárquicas de 2005 deram os seguintes resultados (traduzidos em mandatos) no meu Município:</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><span>            </span>Câmara Municipal:</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><span>            </span>PSD – 4 mandatos (maioria absoluta)</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><span>            </span>Grupo de Independentes – 2 mandatos</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><span>            </span>PS – 1 mandato.</font></p>
<p><font face="Times New Roman"> </font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><span>            </span>Assembleia Municipal:</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><span>            </span>Resultados directos da votação:</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><span>            </span>PSD – 10 mandatos (maioria relativa)</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><span>            </span>PS – 5 mandatos</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><span>            </span>Grupo de Independentes – 4 mandatos</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><span>            </span>CDU – 1 mandato</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><span>            </span>BE – 1 mandato</font></p>
<p><font face="Times New Roman"> </font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><span>            </span>Mandatos após inclusão dos Presidentes de Junta:</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><span>            </span>PSD – 10 + 9 = 19 (maioria absoluta)</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><span>            </span>PS – 5 + 5 = 10</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><span>            </span>Grupo de Independentes – 4</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><span>            </span>CDU – 1 + 2 = 3</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><span>            </span>BE – 1</font></p>
<p><font face="Times New Roman"> </font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><span>            </span>A subversão do poder da votação por esta via é evidente. O equilíbrio de poderes entre a Câmara e a Assembleia seria um facto sem a “intromissão” dos Presidentes de Junta. </font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><span>            </span>As regras são estas. Estarão certas?</font></p>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Muita parra e pouca uva</title>
		<link>http://5dias.net/2007/02/14/muita-parra-e-pouca-uva/</link>
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		<pubDate>Wed, 14 Feb 2007 17:04:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[  O facto da Coreia do Norte anuir em fechar o seu principal reactor nuclear dentro de 60 dias em troca de fornecimentos de petróleo e energia eléctrica, concordando também em pôr fim ao seu programa militar atómico são, obviamente, &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/02/14/muita-parra-e-pouca-uva/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: black"><font face="Times New Roman"><img width="353" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/02/humorink_saddamshowoff.jpg" alt="humorink_saddamshowoff.jpg" height="315" /></font></span><span style="color: black"><font face="Times New Roman"> </font></span></p>
<p><span style="color: black"></span><span style="color: black"></span><span style="color: black"><font face="Times New Roman"><span style="color: black">O facto da Coreia do Norte anuir em fechar o seu principal reactor nuclear dentro de 60 dias em troca de fornecimentos de petróleo e energia eléctrica, concordando também em pôr fim ao seu programa militar atómico são, obviamente, boas notícias. Mas nem tudo está resolvido. Trata-se apenas do prefácio. Recebeu muito e ainda tem a bomba. O triste destino de acordos anteriores com este regime feudal requer as maiores cautelas. Esperemos, contudo, que este seja, realmente, o início do caminho para o desarmamento. Se tudo correr bem a estrada será longa e o mundo estará mais seguro. Se </span>Kim Jong Il voltar à carga, o desengano não tardará.<span style="color: black"></span></font><span style="color: black"><font face="Times New Roman">Contudo, o sempre brilhante John Bolton afirmou que a negociação correu mal porque passa a mensagem de que “portar mal compensa”. E afirmou que o “acordo contradiz as premissas fundamentais que a política do presidente nos passados seis anos”. É pena que, como evidencia o editorial do <a href="http://www.guardian.co.uk/leaders/story/0,,2012313,00.html">The Guardian </a>de hoje, que Bolton não se recorde que o acordo alcançado ontem nos leva apenas a 1994, quando Clinton negociou com a Coreia do Norte. Acordo rejeitado, em 2002, por Bush. Se a mensagem “para sairmos do eixo do mal basta andar para aí a testar armamento nuclear” é má, o que dizer da mensagem que passa a administração Bush?</font></span><span style="color: black"><font face="Times New Roman">As lições que Washington deve tirar da negociação com a Coreia do Norte são mais que muitas. As conversações, a diplomacia e a pressão internacional dão resultados. A guerra não é necessária para desarmar (que raio de frase!). Quanto a Bolton que persiste na sua velha máxima “i don’t do carrots”, tem razão quando diz que Bush mudou de rumo. Mas foi, justamente, esta rota do multilateralismo que deu algum resultado. Se a Coreia do Norte falhar, falhará também com a China, a Coreia do Sul, a Rússia e o Japão. As sanções serão, então, bastante mais simples de executar. </font></span><span style="color: black"><font face="Times New Roman">O caso do Irão beneficiaria desta aprendizagem. Uma ideia que quer o editorial do <a href="http://www.nytimes.com/2007/02/14/opinion/14wed1.html">NY Times </a>de hoje, quer o do <a href="http://www.lemonde.fr/web/article/0,1-0@2-3232,36-866720,0.html">Le Monde</a>, desenvolvem. Este último pergunta se será necessário que Teerão faça testes nucleares para que comece uma grande negociação. Exacto. Mas como o Irão não cumpre a segunda premissa para a negociação (não ter petróleo), talvez nem isso resultasse. Esperemos que as conversações com o Irão não confirmem que para a diplomacia de Bush chegar a bom porto é preciso muito show off e pouco petróleo. Que é como quem diz, muita parra e pouca uva.</font></span></span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Art</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Feb 2007 12:10:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[AUTOR: Edgar Pêra  Hoje para o 5dias montei 3 net-filmes inéditos protagonizados por Art Spiegelman, o premiado (Pulitzer!) autor de Maus, (já foi) editor de arte da New Yorker e director da seminal revista (oitentista) RAW. No ultimo (ou penúltimo) ano &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/02/14/art/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><center></center><center></p>
<p align="left" style="direction: ltr">AUTOR: <a href="http://elementarista.blogs.sapo.pt/">Edgar Pêra </a></p>
<p align="left" style="direction: ltr">Hoje para o 5dias montei 3 net-filmes inéditos protagonizados por Art Spiegelman, o premiado (Pulitzer!) autor de Maus, (já foi) editor de arte da New Yorker e director da seminal revista (oitentista) RAW. No ultimo (ou penúltimo) ano do milénio passado entrevistei (again) Spiegelman. Desta vez, a (endiabrada) converseta não versou sobre a<br />
arte narrativa da banda desenhada mas sobre os direitos e (atentados às) liberdades dos artistas visuais ( e não só). Para além do inacreditável caso de censura de Mike Diana, Art debruçou-se igualmente sobre os méritos do grande reformista-inquizidor-mor Randolph Giulliani, um mayor que, entre outras boas acções moralizantes, retirou subsídios a instituições que exibiam artistas polémicos(o Caso ofili), coisa que não acontece nem no Norte nem no Sul de Portugal (continental e insular). No ano 2000 apresentei este e outros filmes sob a forma de instalação (Aerokomix) no Festival BD-Amadora e mais tarde no evento Cinevideo –Ginjal organizado pelo defunto Olho. Música Vortex. Rodagens em Super 8 &#8211; New York 1999 &#8211; com o apoio da Rodriguez Foundation.</p>
<p><center><br />
</center><br />
<script type="text/javascript" src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js"></script><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&amp;posts_id=149031&amp;source=3&amp;autoplay=true&amp;file_type=flv&amp;player_width=&amp;player_height=308"></script><center id="blip_movie_content_149031"><a href="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-ARTSPIEGELMANBDAMADORA1999158.flv" onclick="play_blip_movie_149031(); return false;"><img border="0" src="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-ARTSPIEGELMANBDAMADORA1999158.flv.jpg" title="Click To Play" /></a><br />
<a href="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-ARTSPIEGELMANBDAMADORA1999158.flv" onclick="play_blip_movie_149031(); return false;">Click To Play</a></center></p>
<p class="blip_description">THE MIKE DIANA CASE by ART SPIEGELMAN</p>
<p><center><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js"></script><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&amp;posts_id=152987&amp;source=3&amp;autoplay=true&amp;file_type=flv&amp;player_width=&amp;player_height=260"></script></p>
<p id="blip_movie_content_152987"><a href="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-SENSATIONCASE302.flv" onclick="play_blip_movie_152987(); return false;"><img border="0" src="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-SENSATIONCASE302.flv.jpg" title="Click To Play" /></a><br />
<a href="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-SENSATIONCASE302.flv" onclick="play_blip_movie_152987(); return false;">Click To Play</a></p>
<p>THE SENSATION CASE</p>
<p></center><center><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js"></script><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&amp;posts_id=152994&amp;source=3&amp;autoplay=true&amp;file_type=flv&amp;player_width=&amp;player_height=260"></script></p>
<p id="blip_movie_content_152994"><a href="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-USSA756.flv" onclick="play_blip_movie_152994(); return false;"><img border="0" src="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-USSA756.flv.jpg" title="Click To Play" /></a><br />
<a href="http://blip.tv/file/get/Edgarpera-USSA756.flv" onclick="play_blip_movie_152994(); return false;">Click To Play</a></p>
<p></center></center></p>
<p class="blip_description">U.S.S.A by ART SPIEGELMAN</p>]]></content:encoded>
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		<title>Grandes males</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Feb 2007 11:25:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[AUTOR: Carlos Trincão &#160; Confirma-se. Os males deste país são o funcionalismo público e os trabalhadores em geral!             Agora é que eu já não tenho dúvidas: a OCDE é o que está a dizer; ora, quem sou eu para &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/02/14/grandes-males/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman">AUTOR: Carlos Trincão</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify" class="MsoNormal">&nbsp;</p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman">Confirma-se. Os males deste país são o funcionalismo público e os trabalhadores em geral! </font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><span>            </span>Agora é que eu já não tenho dúvidas: a OCDE é o que está a dizer; ora, quem sou eu para duvidar da OCDE? Pois se a dita afirma que é necessário flexibilizar as leis do trabalho…</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><span>            </span>Ora então aí está! Coisa tipo flexissegurança. Eu explico: flexissegurança é assim um gajo trabalhador por conta de outrém poder ser despedido sem regras para segurança do outrém. Acho eu, pois segurança para o despedido é que não é.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><span>            </span>Mas que não, afinal. Dizem os entendidos que não há crise. É assim: com os despedimentos podem ser aumentados os ordenados, logo não há problema… para os que ficam empregados, está bem de ver.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><span>            </span>O que é curioso é que ainda não vi nem ouvi nenhum potencial flexissegurado defender a flexissegurança, portanto devem ser todos burros.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><span>            </span>Também há aquilo, agora, de o Estado já não querer o pessoal da Saúde e da Educação no Funcionalismo Público, curiosamente logo aquelas duas áreas que gastam uma pipa de massa em ordenados.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><span>            </span>Entretanto, continua meio mundo a falar mal dos funcionários públicos em geral, que isto e mais aquilo, que não fazem nenhum e só têm mordomias. E por tudo isso há que acabar com a espécie e com as mordomias que são, basicamente, garantia de trabalho e segurança do e no dito, férias e assistência na doença.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><span>            </span>Ah, pois. É que é necessário que todos os portugueses fiquem iguais, coisa com a qual concordo, obviamente.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><span>            </span>Só que eles enganam-se e querem todos iguais, mas baixinho. O que está bem é ninguém ter nada!</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><span>            </span>Enfim.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><span>            </span>O que me faz confusão é esta coisa de toda a malta entendida nas economias dizer cobras e lagartos dos funcionários públicos, raízes de todas os infortúnios dos não funcionários públicos. Se assim é – acredito que o seja porque os entendidos não têm dúvidas – não consigo perceber é que como com tanta incompetência o país continua vivo e as instituições a funcionar.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><span>            </span>Só pode ser prestigitação. Ou então…</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><span>            </span>… deixa cá ver: se os tipos dizem que os funcionários públicos da Saúde e da Educação são assim maus e a solução é fazê-los sair do Estado, quer isto dizer que o trabalho vai ter que continuar a ser feito pelos mesmos, mas com outros patrões; e assim <span> </span>tudo vai melhorar.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><span>            </span>Ora, cá no meu entendimento, o que assim fica provado é que os actuais patrões é que não prestam, não é?</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><span>            </span>Digo eu.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><span>            </span>O que me descansa é o PSD. Como agora são contra estas coisas que o PS anda a fazer, estou em pulgas para ir votar neles que resolvem logo tudo no dia a seguir.</font></p>]]></content:encoded>
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		<title>Uns sabem quando começa, outros quando acaba.</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/31/uns-sabem-quando-comeca-outros-quando-acaba/</link>
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		<pubDate>Wed, 31 Jan 2007 16:46:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Do lado dos defensores do Não existe uma grande sobranceria e facilitismo ao pretender assinalar, sem mais, o início da vida humana no momento da concepção. Como é evidente, a questão de saber quando começa a vida humana é de &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/01/31/uns-sabem-quando-comeca-outros-quando-acaba/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman">Do lado dos defensores do Não existe uma grande sobranceria e facilitismo ao pretender assinalar, sem mais, o início da vida humana no momento da concepção. Como é evidente, a questão de saber quando começa a vida humana é de extrema complexidade- como já assinalei, e como muitos outros já sublinharam reiteradamente e em diversas circunstâncias. E é complexo sob todos os pontos de vista, desde o biológico ao filosófico. <strong>Com a pergunta que vai a referendo não é isso que se pretende determinar. </strong>Nem pouco mais ou menos. </font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><strong>Mas os defensores do Não continuam a insistir neste argumento</strong> – ainda ontem na SIC Notícias, Matilde Sousa Franco acusava, literalmente, Maria Belém Roseira de ser promotora de “centros de morte”. <strong>E caiem numa contradição insanável ao aceitar a IVG nos casos previstos na actual lei</strong> – ie violação e mal-formação grave do feto. Honra seja feita a defensores do Não, como César das Neves, que se opõem à IVG mesmo nestes casos. Para César das Neves – com quem <a href="http://www.dois.tv/programas/sociedade_civil/index.shtm">debati este assunto na segunda-feira na RTP2 </a>– mulher violada deveria ser obrigada a dar à luz. Enfim…é completamente inumano mas, pelo menos, coerente. </font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman">Este texto, baseado (um sumário simplificado &#8211; o mais pequeno que consegui! ) no ensaio <strong><em>O argumento do Futuro-como-o-nosso</em> de <a href="http://spot.colorado.edu/~boonind/cv.htm">David Boonin</a></strong><a href="http://spot.colorado.edu/~boonind/cv.htm"> </a>(in <em>A defense of Abortion</em>, Cambridge University Press, 2003), <strong>não pretende arrumar a questão do início da vida humana</strong> que, volto a repetir<strong>, nem vai a referendo, nem é simples</strong>. Este texto serve apenas para relembrar isso mesmo. Sabemos quando a vida humana acaba. Não sabemos quando ela começa. Dizem uns. Outros dirão o oposto…<span id="more-741"></span></font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman">Boonin parte de um seminal artigo de <strong>Donald Marquis</strong>, de 1989 (in <em>The Abortion Controversy</em>, Jones and Barlett Publishers) que defende que o feto humano tem o mesmo direito à vida do que um adulto. Boonin pensa que é desse artigo que emerge a noção de potencialidade mais forte, já que <strong>Marquis considera que o feto humano típico tem à frente o mesmo género de experiências futuras que o ser humano típico, e</strong> estas experiências têm o mesmo tipo de valor. E é <strong>este argumento que Boonin desconstroí com destreza e proficiência</strong>. Vale a pena sublinhar, desde já, que o argumento da potencialidade é sempre resvaladiço, já que se A tem direito a C e B é um potencial A, não quer dizer que B tenha direito a C. Por exemplo, se os trabalhadores têm direito a um ordenado, o facto do Zézinho ser um potencial trabalhador, não quer dizer que tenha direito a um ordenado.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman">Adiante.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman">Independentemente de sermos do Sim ou do Não, <strong>estamos todos de acordo que nos casos B ,C e D da seguinte lista, os indivíduos têm o mesmo direito à vida do que todos nós. A- feto; B- bebé; C- adolescente suicida; D- adulto temporariamente comatoso; E-nós</strong>. Para Marquis, o problema do caso A resolve-se assim: <strong>“identifique-se a propriedade comum de B a E e verifique-se se existe</p>
<personname ProductID="em A. Se" w:st="on"></personname>em A. Se existir, então o aborto é matar”</strong>. E Marquis diz que <strong>essa tal propriedade é o facto de todos os casos, inclusivamente o caso A, terem “um futuro-como-o-nosso”, o que apoia o critério da concepção. Este futuro, note-se, é independente da valorização presente (ou apenas futura) que o indivíduo faz das suas experiências</strong>. Daí que, mesmo que o adolescente suicida ou o adulto temporariamente comatoso (C e D) não valorizem as suas experiências futuras, seja errado matá-los. Portanto, para Marquis, trata-se de um desejo, presente ou futuro. </font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman">Este tipo de desejos, que sucedem agora ou podem vir a suceder mais tarde, chamam-se ocorrentes<strong>.</strong> E o que <strong>Boonin demonstra é que os indivíduos – mesmo temporariamente comatosos – não têm desejos ocorrentes, mas antes desejos disposicionais. </strong>Os desejos disposicionais são como as crenças. Posso não estar consciente delas neste exacto momento, mas não quer dizer que não as tenha ou que só as venha a ter mais tarde. Não são, portanto ocorrentes. São disposicionais no sentido que, mesmo que eu não tenha esse desejo agora, neste instante preciso, esse desejo “está lá” na mesma. Por exemplo, o indivíduo temporariamente comatoso deseja, mesmo que não conscientemente, viver. <strong>Não</strong> <strong>é preciso ir buscar a ideia de desejo futuro</strong>, portanto. Essa ideia de desejo futuro de Marquis é errada. Lá porque eu hoje, quando acordei, não pensei que estimo a minha própria vida, não quer dizer que eu não a estime ou que só venha a estimá-la quando tal assunto “vier à baila”. Do mesmo modo, quando vou dormir, não tenho o desejo consciente de querer continuar a viver, mas tenho esse desejo de qualquer forma. O mesmo se passa num coma temporário. Portanto, <strong>o desejo de viver e de um futuro-como-o-nosso não é ocorrente mas sim disposiciona</strong>l. </font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman">Nesta altura, deve o leitor notar que a proposta de desejo disposicional de Boonin, explica melhor a propriedade comum de B, D e E porque é <strong>mais parcimoniosa,</strong> logo melhor. Dispensa o recurso à ideia de desejo presente e desejo futuro. Acima de tudo, <strong>a proposta de desejo disposicional de Boonin é melhor porque se a ideia de futuro-como-o-nosso pretende explicar o mal de matar <em>prima facie</em>, então é melhor que o faça em termos disposicionais e não ocorrentes</strong>. O que é fraco na argumentação “sempre que tu desejas que eu não te mate, eu não te mato; mas se não desejares isso agora, eu posso matar-te” não é alegar que “tu não desejas isso agora, mas desejarias se te ocorresse”, mas antes “o desejo que tu não me mates está sempre presente, mesmo que eu não esteja a pensar nisso, a contemplar esse desejo conscientemente”. </font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman">Para Marquis, maltratamos o adulto temporariamente comatoso apenas em virtude de o privarmos de algo que ele valorizaria mais tarde, se não o tivéssemos morto. Para Boonin, maltratamos o adulto temporariamente comatoso em virtude de o privarmos de algo que ele valoriza realmente agora. </font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman">Relativamente ao caso C, do adolescente suicida, também não será necessário, como faz Marquis, acrescentar desejo futuro para justificar que tem direito à vida. Todos nós, por diversas circunstâncias, podemos ter um desejo actual que, com mais informação ou menos tensão, por exemplo, seria diferente. Um indivíduo que escolhe a estrada A, em vez da B, porque a A é mais bonita e, no entanto, está – sem ele saber – minada, não tem o desejo actual de morrer. Tem o desejo actual de ir por A. Mas se tivesse mais informação, teria o desejo de ir por B, evidentemente. O desejo ideal é B, embora nem sempre tenhamos lucidez suficiente para o formular. Podemos dizer que é errado matar o adolescente suicida sem ter que recorrer ao artifício de Marquis sobre o seu desejo futuro de não morrer. Podemos ver o desejo actual do adolescente suicida apenas como diferente do seu desejo ideal, somente porque não está na posse de toda a informação e “sobriedade”. Se ele conseguisse ver que a situação – por exemplo um desgosto de amor – que o faz sofrer agora e pensar em matar-se é temporária e menor quando comparada com a satisfação e felicidade que o futuro lhe poderá proporcionar, não quereria suicidar-se. Os conteúdos actuais dos desejos deste adolescente não incluem o desejo de viver, mas os conteúdos ideais dos desejos dele incluem o desejo de continuar a viver. Não é necessário, portanto, tal como no caso D, acrescentar a clausula “mas desejará mais tarde”. No caso C a versão de Boonin é melhor porque a explicação de desejos presentes ideais é mais simples do que desejos futuros actuais. </font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><strong>Desejos presentes ideais é uma versão melhor porque a importância do futuro está já no próprio indivíduo e não só para os outros. O que torna a versão de Boonin moralmente mais vantajosa, também. </strong>O caso de um adolescente suicida “especial” demonstra isso com particular acutilância. Imaginemos o adolescente suicida que não valoriza o seu futuro agora. Mas que também – por um qualquer desequilíbrio químico cerebral – nunca irá valorizar. A ideia de desejo futuro actual de Marquis não resiste a este contraexemplo. Este adolescente nunca irá valorizar o seu futuro mas, mesmo assim, é errado matá-lo. Só se compreende que é errado matá-lo através da versão desejos presentes ideais.</font></p>
<p><font face="Times New Roman"><strong>Esta segunda versão do princípio do futuro-como-o-nosso produz os mesmos resultados nos casos B a E, mas apresenta vantagens, como já expliquei. A versão de Boonin é superior. Falta mostrar como no caso A, do feto humano, a versão superior de Boonin produz resultados diferentes da versão inferior de Marquis. Porquê? Porque, de só faz sentido atribuir desejos ideais a alguém que tenha desejos actuais.</strong> Posso atribuir desejos ideais ao condutor que escolhe “mal” na bifurcação ou ao adolescente suicida, mas não posso atribuir desejos a uma pedra. <strong>O feto pré-consciente não tem desejos actuais. Logo, não tem desejos ideais. </strong></font><font face="Times New Roman">Marquis argumentaria (e argumentou perante uma interpelação semelhante feita por um outro autor) que, se os fetos não têm o mesmo direito à vida do que nós porque o feto não é capaz de ter um desejo e o pensamento correspondente ao desejo, então estaremos a excluir também o caso do adulto temporariamente comatoso. Também este, diz Marquis, é incapaz de ter pensamentos. Boonin, uma vez mais, derrota este argumento, com a sua formulação do desejo presente ideal e disposicional. <strong>No caso desse adulto existem crenças e desejos disposicionais. E são estes que têm relevância moral. </strong></font></p>]]></content:encoded>
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		<title>Exploradores? Nós também !!!</title>
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		<pubDate>Wed, 31 Jan 2007 12:38:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Manuel Pinho entende que os chineses devem investir em Portugal por causa dos baixos salários portugueses em relação ao resto da EU.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><span style="color: black"><font face="Times New Roman"><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/01/manuel_pinho1_ls.jpg" title="manuel_pinho1_ls.jpg"></a><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/01/manuel_pinho1_ls.jpg" title="manuel_pinho1_ls.jpg"><img src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/01/manuel_pinho1_ls.thumbnail.jpg" alt="manuel_pinho1_ls.jpg" /></a></font></span></p>
<p><span style="color: black"><font face="Times New Roman"><a href="http://www.tsf.pt/online/economia/interior.asp?id_artigo=TSF177357">Manuel Pinho entende que os chineses devem investir em Portugal por causa dos baixos salários portugueses em relação ao resto da EU</a>.</font></span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Who is the Master?</title>
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		<pubDate>Wed, 31 Jan 2007 12:29:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Joana Amaral Dias]]></category>
		<category><![CDATA[Vídeo]]></category>
		<category><![CDATA[video]]></category>

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		<description><![CDATA[«A ressurreição do corpo não tem de ser adiada até depois da morte. Pode acontecer a qualquer momento» (Robert Anton Wilson, Prometheus Rising) Robert Anton Wilson, autor de O Livro dos Illuminati, nasceu em 1932 e morreu este mês. Assinalando &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/01/31/who-is-the-master/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span></span><span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><span>«A ressurreição do corpo não tem de ser adiada até depois da morte. Pode acontecer a qualquer momento»</span> (Robert Anton Wilson, <em><span>Prometheus Rising</span></em>)</font></p>
<p><font face="Times New Roman"><a href="http://hostgator.rawilson.com/main.shtml">Robert Anton Wilson</a>, autor de <a href="http://www.citador.iol.pt/biblio.php?op=21&amp;book_id=486"><span class="nv1"><em><span style="font-weight: normal; color: windowtext">O Livro dos Illuminati</span></em></span>,</a> nasceu em 1932 e morreu este mês. Assinalando a sua morte, o <a href="http://books.guardian.co.uk/obituaries/story/0,,1992814,00.html">The Guardian descreve-o como o que “turned Playboy reader’s conspiracy theories into drug-assisted cult fiction”. </a>Wilson foi ensaísta, novelista, realizador e músico. De uma enorme produtividade. Com um sentido de um humor singular. Movia-se entre as teorias da conspiração, a filosofia, a psicologia, a neurolinguística, a quântica, a teologia, o ocultismo. <a href="http://www.telegraph.co.uk/news/main.jhtml?view=DETAILS&amp;grid=&amp;xml=/news/2007/01/13/db1303.xml">Um agent provocateur que chegou mesmo a candidatar-se na Califórnia. </a><span>De qualquer forma, como ele próprio dizia: “Se as votações fossem capazes de mudar o sistema seriam ilegais»</span> (<em><span>Reality Is What You Can Get Away With</span></em>). Podem visitar o seu <a href="http://robertantonwilson.blogspot.com/">blog aqui.</a></font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman">Director do Committee for Surrealist Investigation of Claims of the Normal e inspirador da <a href="http://www.subgenius.com/">igreja do Subgenius</a>, associou-se ou foi associado a outros suspeitos do costume como Timothy Leary (com quem escreveu <em>Neuropolitics</em>, em 1978), Burroughs ou Philip K Dick.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman">Em <metricconverter ProductID="1994, a" w:st="on"></metricconverter>1994, a convite de <a href="http://elementarista.blogs.sapo.pt/">Edgar Pêra </a>e da produção do filme <em>Manual de Evasão LX94</em>, Robert Anton Wilson esteve em Lisboa juntamente com <a href="http://deoxy.org/mckenna.htm">Terrence McKenna </a>e <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Rudy_Rucker">Rudy Rucker</a>, embora a presença em Portugal de qualquer uma destas figuras tenha sido pouco notada… O cineasta aproveitou a oportunidade para conduzir uma série de entrevistas, uma das quais resultou no filme <em>Who is the master?</em>, que se apresenta em seguida. Se o <em>Manual de Evasão</em> se interrogava sobre a natureza do Tempo, o <em>Who is the Master?</em> questiona a natureza da realidade, nascendo também do encontro do artista plástico João Queiroz com R.A. Wilson. </font></p>
<p><strong>Who is the Master 1?</strong></p>
<p><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js"></script><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&amp;posts_id=144339&amp;source=3&amp;autoplay=true&amp;file_type=flv&amp;player_width=&amp;player_height="></script></p>
<p id="blip_movie_content_144339"><a href="http://blip.tv/file/get/5dias-WhoIsTheMaster1768.flv" onclick="play_blip_movie_144339(); return false;"><img border="0" src="http://blip.tv/file/get/5dias-WhoIsTheMaster1768.flv.jpg" title="Click To Play" /></a><br />
<a href="http://blip.tv/file/get/5dias-WhoIsTheMaster1768.flv" onclick="play_blip_movie_144339(); return false;">Click To Play</a></p>
<p><strong>Who is the Master 2?</strong></p>
<p><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js"></script><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&amp;posts_id=144254&amp;source=3&amp;autoplay=true&amp;file_type=flv&amp;player_width=&amp;player_height="></script></p>
<p id="blip_movie_content_144254"><a href="http://blip.tv/file/get/5dias-WhoIsTheMaster2559.flv" onclick="play_blip_movie_144254(); return false;"><img border="0" src="http://blip.tv/file/get/5dias-WhoIsTheMaster2559.flv.jpg" title="Click To Play" /></a><br />
<a href="http://blip.tv/file/get/5dias-WhoIsTheMaster2559.flv" onclick="play_blip_movie_144254(); return false;">Click To Play</a></p>
<p><strong>Who is the Master 3?</strong></p>
<p><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js"></script><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&amp;posts_id=144255&amp;source=3&amp;autoplay=true&amp;file_type=flv&amp;player_width=&amp;player_height="></script></p>
<p id="blip_movie_content_144255"><a href="http://blip.tv/file/get/5dias-WhoIsTheMaster3901.flv" onclick="play_blip_movie_144255(); return false;"><img border="0" src="http://blip.tv/file/get/5dias-WhoIsTheMaster3901.flv.jpg" title="Click To Play" /></a><br />
<a href="http://blip.tv/file/get/5dias-WhoIsTheMaster3901.flv" onclick="play_blip_movie_144255(); return false;">Click To Play</a></p>
<p><strong>Who is the Master 4?</strong></p>
<p><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js"></script><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&amp;posts_id=144205&amp;source=3&amp;autoplay=true&amp;file_type=flv&amp;player_width=&amp;player_height="></script></p>
<p id="blip_movie_content_144205"><a href="http://blip.tv/file/get/5dias-WhoIsTheMaster552.flv" onclick="play_blip_movie_144205(); return false;"><img border="0" src="http://blip.tv/file/get/5dias-WhoIsTheMaster552.flv.jpg" title="Click To Play" /></a><br />
<a href="http://blip.tv/file/get/5dias-WhoIsTheMaster552.flv" onclick="play_blip_movie_144205(); return false;">Click To Play</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Palavra d’honra</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Jan 2007 12:59:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[  Parece que está na hora de Luís Amado se demitir. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify"><span style="color: #333333"><font size="3"><font face="Times New Roman"><img id="image693" alt="luis-amado.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/01/luis-amado.jpg" /> </font></font></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify"><span style="color: #333333"><font size="3"><font face="Times New Roman" /></font></span></p>
<p><span style="color: #333333"><font size="3"><font face="Times New Roman">Parece que <a href="http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1283268&#038;idCanal=12">está na hora</a> de <a href="http://www.correiodamanha.pt/noticia.asp?id=218286&#038;idCanal=90">Luís Amado se demitir</a>. </p>
<p></font></font></span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Não fales com estranhos</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Jan 2007 12:38:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[  O último Expresso noticiava que foi conduzido um inquérito a 100 mil jovens, em 800 escolas públicas, entre os 11 e os 18 anos, sobre a vida sexual dos pais. Este inquérito foi da responsabilidade do Instituto da Droga &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/01/24/nao-fales-com-estranhos/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font size="3"><font face="Times New Roman"><img id="image691" alt="inquerito-expresso.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/01/inquerito-expresso.jpg" /></p>
<p></font></font><font face="Times New Roman" size="3"> </font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">O último Expresso noticiava que foi conduzido um inquérito a 100 mil jovens, em 800 escolas públicas, entre os 11 e os 18 anos, sobre a vida sexual dos pais. Este inquérito foi da responsabilidade do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT), com a chancela dos ministérios da Saúde e da Educação. Os alunos foram questionados se os pais ou substitutos se agridem (por exemplo com murros e pontapés), se insultam – e com que frequência &#8211; se têm vida sexual contra a vontade da mãe, se o pai impede a mãe de falar em público, se um dos pais impede ao outro o acesso ao dinheiro. Para além do absurdo e da inutilidade deste inquérito, nem todas as escolas solicitaram autorização às associações de pais. Os alunos nem sequer foram previamente esclarecidos sobre os temas a que tinham que responder.<br />
</font></font><font size="3"><font face="Times New Roman">            Este questionário continha outros aspectos insólitos e que só podem levar a distorções grosseiras como perguntar quem leva à escola, mas só permitir uma das respostas: pai ou mãe, como se não pudessem ser os dois ou não pudessem alternar.<br />
</font></font><font size="3"><font face="Times New Roman">            A senhora técnica Fernanda Feijão justificou este inquérito, em particular uma das matérias que mais críticas suscitou – as perguntas sobre agressões – alegando que a violência doméstica é crime público. Ao mesmo tempo, e tentando safar-se da devassa, abuso e aspectos manipulatórios do interrogatório, garantiu o anonimato e sigilo. Logo, evidentemente, de nada adianta relembrar que a violência doméstica é crime público. Ninguém – supondo que, efectivamente, foi assegurado o anonimato, podia denunciar o crime a partir das respostas dadas pelas crianças. Mesmo que não houvesse anonimato, tendo em conta que são crianças a responder – e incitadas a responder – uma outra averiguação teria que ser conduzida.<br />
</font></font><font size="3"><font face="Times New Roman">            Acresce que os inquéritos eram iguais para todos. É extraordinário como é que o IDT, pejado de técnicos de saúde mental, pode construir um questionário idêntico para estados desenvolvimentais tão diferentes. É inacreditável que o IDT seja responsável por um questionário que inclui perguntas sobre a vida sexual dos pais que, naturalmente, carecem de qualquer fidedignidade. Não apenas isso pressupõe que as crianças têm acesso a essa informação (!) como esquece que as respostas das crianças, tendo ou não conhecimento “real”, serão enviesadas pelo seu próprio imaginário. Será que os técnicos do IDT não entendem que conduzir este tipo de perguntas induz mesmo – e desnecessariamente – a determinadas fantasias nas crianças, podendo até perturbar a relação da criança com os seus pais? </font></font></p>
<p><span /><font size="3"><font face="Times New Roman">Faz lembrar as perguntinhas metediças, em jeito de coscuvilhice velhaca, das velhas da vida alheia, à soleira da porta, de sorriso untuoso: “Então, meu menino, a tua mamã, está boazinha? O paizinho já não bebe tanto, pois não? Olha, entra aqui para comer um bolinho, meu anjo”.<br />
</font></font><font size="3"><font face="Times New Roman">Do ponto de vista técnico este inquérito é miserável. Chumbava em qualquer trabalhinho do primeiro ano da faculdade. Eticamente é abaixo de cão. É inconsequente, como já sublinhei antes a propósito da violência doméstica.</p>
<p>A tal senhora Fernanda Feijão diz que este é um questionário que faz pensar”. Sem dúvida. Faz pensar nos limites da intrusão do Estado na vida dos cidadãos – através de crianças, ainda por cima. Faz pensar ao ponto que chegámos.</p>
<p></font></font></p>]]></content:encoded>
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		<title>Estado da união</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Jan 2007 11:59:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ O discurso sobre o Estado da União de Bush foi marketing impossível. Isto porque Bush está mais preocupado em recuperar a popularidade- que nesta altura é uma miragem- do que em apresentar propostas, ideias, estratégias, soluções. O Público de hoje &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/01/24/estado-da-uniao/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font size="3"><font face="Times New Roman"> O discurso sobre o Estado da União de Bush foi marketing impossível. Isto porque Bush está mais preocupado em recuperar a popularidade- que nesta altura é uma miragem- do que em apresentar propostas, ideias, estratégias, soluções. O Público de hoje afirma: “as propostas avançadas pelo Presidente eram praticamente irrelevantes. Independentemente da bondade das suas ideias, o que importava ontem à Casa Branca era marcar uma posição; recuperar a agenda política, desviar as atenções dos falhanços recentes, forçar apoios”. Conseguiu?<br />
</font></font><span lang="EN-GB"><font size="3"><font face="Times New Roman"><a href="http://www.nytimes.com/2007/01/24/opinion/24wed1.html">Editorial do NY Times:<br />
</a></font></font></span><span lang="EN-GB"><font size="3"><font face="Times New Roman">Combined with the mounting cost of the war in Iraq, that makes boldness and innovation impossible unless Mr. Bush truly changes course. And he gave no hint of that last night. Instead, he offered up a tepid menu of ideas that would change little: a health insurance notion that would make only a tiny dent in a huge problem. More promises about cutting oil consumption with barely a word about global warming. And the same lip service about immigration reform on which he has failed to deliver.<br />
</font></font></span><span lang="EN-GB"><font face="Times New Roman" size="3"> </font></span><span lang="EN-GB"><span lang="EN-GB"><font size="3"><font face="Times New Roman"><a href="http://www.sfgate.com/cgi-bin/article.cgi?file=/chronicle/archive/2007/01/24/EDG56N75HC1.DTL">Editorial do San Francisco Chronicle:<br />
</a></font></font></span><span lang="EN-GB"><font size="3"><font face="Times New Roman">&#8220;Many in this chamber understand that America must not fail in Iraq &#8212; because you understand that the consequences of failure would be grievous and far reaching,&#8221; Bush said.<br />
</font></font></span><span lang="EN-GB"><font size="3"><font face="Times New Roman">Unfortunately for Bush, they do grasp the cost of a failed war strategy. It was on display last night, in so many ways.<br />
</font></font></span><span lang="EN-GB"><font face="Times New Roman" size="3"> </font></span></p>
<p></span><span lang="EN-GB"><font size="3"><font face="Times New Roman"><a href="http://www.salon.com/opinion/feature/2007/01/24/sotu/">Walter Shapiro, Salon<br />
</a></font></font></span><font size="3"><font face="Times New Roman"><span lang="EN-GB">But there is nothing normal about a second-term president whose popularity is slipping dangerously close to Barry Bonds levels. Bush is more than a lame duck; he is akin to an aquatic bird carried around on a stretcher. Maybe the most memorable aspect of the 2007 State of the Union address is simply that Bush survived it.</span><span lang="EN-GB"><br />
</span></font></font><span lang="EN-GB"><font face="Times New Roman" size="3"> </font></span><span lang="EN-GB"> </span><span lang="EN-GB"><font size="3"><font face="Times New Roman"><a href="http://www.latimes.com/news/opinion/la-ed-sotu24jan24,0,2776634.story?coll=la-opinion-center">Editorial do LA Times<br />
</a></font></font></span><span lang="EN-GB"><font size="3"><font face="Times New Roman">Of course, much of the president&#8217;s speech concerned Iraq, although he said little that was particularly original or helpful. What happens there, even more than what he said Tuesday night, will be the true test of the president&#8217;s seriousness and resolve in the months ahead.<br />
</font></font></span><span lang="EN-GB"><font face="Times New Roman" size="3"> </font></span><span lang="EN-GB"><span lang="EN-GB"><font size="3"><font face="Times New Roman"><a href="http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/linkset/2005/05/30/LI2005053000331.html?nav=left">Editorial do Washington Post<br />
</a></font></font></span><span lang="EN-GB"><font face="Times New Roman" size="3">President Bush offered the usual assurances last night about the healthy state of the union, but the state of his presidency has never been worse.</font></span><span lang="EN-GB"><br />
</span></p>
<p></span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Zé do Telhado</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/24/ze-do-telhado/</link>
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		<pubDate>Wed, 24 Jan 2007 11:31:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Autor: Carlos Trincão Não faltarão, nestes dias que hão-de vir, as mais esfarrapadas análises e justificações para ajudar ao entendimento das razões que terão levado os portugueses a definirem aqueles dez como os “finalistas” do concurso de maior português. Aliás, &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/01/24/ze-do-telhado/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Autor: Carlos Trincão</p>
<p>Não faltarão, nestes dias que hão-de vir, as mais esfarrapadas análises e justificações para ajudar ao entendimento das razões que terão levado os portugueses a definirem aqueles dez como os “finalistas” do concurso de maior português.</p>
<p>Aliás, o disparate já começou! Há coisa de uma semana, no Diário de Notícias, encontrei duas pérolas: uma, de Octávio Ribeiro do Correio da Manhã, em que se arenga que Mário Soares não consta da lista como resultado da sua derrotada candidatura à Presidência da República; outra, de Villaverde Cabral, garantindo que Álvaro Cunhal ali está por obra e graça da sua biografia não autorizada, da autoria de Pacheco Pereira.</p>
<p>E andaremos nisto, a encher páginas de jornal e ocupar tempo de antena, enquanto passa despercebida a inflação de 2006 que, dos 2,3 previstos pelo Governo, atingiu os 3,1 bem contados…</p>
<p>Eu, que também sou português e percebo tanto disto quanto aqueles que acham que percebem e botam discurso em assunto de tal magnitude, diria que o resultado deve-se apenas ao simples facto de se ter verificado uma votação ao sabor dos interesses mais que personalizados e acretiriosos de cada um dos votantes.</p>
<p>Aliás, só assim se percebe, por exemplo, que eu tenha votado no Zé do Telhado. Poderia, inclusivamente, ter votado em mim, não é? A bem ver, valho – a meu ver, está claro – um pouquito mais que, pelo menos, dois dos 100: um, aquele jovem dos Morangos com Açúcar (uma série, de resto, que nem acho má de todo); o outro, aquele outro jovem gato fedorento, humorista de sucesso com direito a Grande Entrevista e criatividade suficiente para fazer um <em>sketch </em>sobre o enforcamento de Saddam…</p>
<p>Ah!, como o Humor serve para justificar o injustificável. Ao menos não há Censura, valha-nos isso, mas devia haver Sensibilidade e Bom Senso. Mas isto é só a minha opinião, que não conta nada ao pé da dele.</p>
<p>E pronto. É o que dá querer fazer de um programa de entretenimento televisivo ao ritmo de “reality show” ou dos telefonemas para as televisões tipo concorda com…, se sim marque x, se não marque y, é o que dá, dizia, querer fazer de um programa destes uma espécie de certificação nacional do fulano A ou B.</p>
<p>Quantos votaram? Dez, façamos de conta; e lá surgiram outros tantos critérios. Assim não há quem se entenda.</p>
<p>Entretanto, ainda ontem, no mesmo DN, alguém se revoltava por o século XX português estar representado com as duas extremidades da intolerância, segundo o articulista: Salazar e Cunhal.</p>
<p>É que o pessoal, ainda por cima, alinha nisto como se de uma coisa científica se tratasse…</p>
<p>Por mim, continuo a votar no Zé do Telhado. É mesmo o que, neste caso, a TV de serviço público merece.</p>]]></content:encoded>
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		<title>O sexo dos anjos</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/17/o-sexo-dos-anjos/</link>
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		<pubDate>Wed, 17 Jan 2007 18:27:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[ No primeiro dos seus cinco textos sobre a IVG, o cardeal-patriarca de Lisboa meteu os pés pelas mãos. A Fernanda Câncio, no DN, publicou um importante artigo sobre a dita prosa e eu, na passada segunda-feira, escrevi, no mesmo jornal, &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/01/17/o-sexo-dos-anjos/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font face="Times New Roman" size="3" /></p>
<p> <font face="Times New Roman" size="3">No primeiro dos seus cinco textos sobre a IVG, o cardeal-patriarca de Lisboa meteu os pés pelas mãos. A <a href="http://dn.sapo.pt/2007/01/12/opiniao/o_cardeal_dia_seguinte.html">Fernanda Câncio, no DN</a>, publicou um importante artigo sobre a dita prosa e eu, na passada segunda-feira, escrevi, no mesmo jornal, <a href="http://dn.sapo.pt/2007/01/15/opiniao/carta_a_jose_policarpo.html">uma carta a José Policarpo</a> que, mais do que provavelmente, ficará sem resposta. Como a Fernanda Câncio <a href="http://gloriafacil.blogspot.com/2007/01/e-ao-cardeal-dizem-nada.html">já aqui notou,</a> a seguir ao primeiro texto de José Policarpo, o que se seguiu por parte do Não foi o silêncio. Concordo com a Fernanda quando afirma que o motivo deste mutismo é o facto do texto de José Policarpo ter “causado grande consternação nas hostes do não”, revelando a divisão na Igreja Católica. </font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3">O primeiro texto era…”avançado”, manifestando dúvidas e grande consternação com o aborto clandestino. O segundo tardou a chegar. <a href="http://www.patriarcado-lisboa.pt/mensagem.htm">Mas chegou</a> e representa uma posição bem mais ortodoxa do que o primeiro. Talvez para emendar a mão. Nele José Policarpo baseia toda a sua argumentação na premissa de que existe vida humana desde o início. Uma certeza que é apenas religiosa, obviamente. E embora José Policarpo afirme logo ao princípio deste seu segundo texto que: “O facto de a Igreja Católica ser contra o aborto voluntário, em todas as circunstâncias, e devido à influência da doutrina da Igreja na definição dos parâmetros de moralidade, leva a opinião pública a considerar que esta disputa entre o “sim” e o “não” é um confronto entre a Igreja Católica e o resto da sociedade. A esta perspectiva dicotómica não escapam mesmo alguns defensores do “não”. Ora não me parece que esta seja a maneira mais correcta de situar o problema. “. Porém, entretanto, José Policarpo invoca o decálogo da Lei de Moisés, a Teologia e o Magistério. “</font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3">Ok. Para José Policarpo a vida humana existe desde a concepção. Mas terá que convir que essa discussão, se é pacífica para a Igreja Católica- será?- não é para muitas outras pessoas e sob muitos outros pontos de vista: médico, jurídico, filosófico, biológico. Nenhum deles oferece uma resposta fácil, estilo “basta juntar água”. E poucos podem com leveza e sem arrogância apontar o dedo e dizer: “aqui começa a vida humana”.É assunto demasiado complexo para ser respondido com essa ligeireza. Não sabemos quando começa a vida humana. E temos que viver com essa incerteza.</font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3">Contudo, o cardeal-patriarca não fica pelas posições da religião que professa e declara que do ponto de vista científico esta matéria é igualmente serena: “Mas a palavra esclarecedora sobre esta questão é-nos dada pela ciência. A partir do embrião, toda a especificidade de cada ser humano está definida. É possível identificar, desde logo, o código genético e as etapas do crescimento estão caracterizadas. É uma vida humana, desde o início. “ Aqui espanta-me a facilidade com que José Policarpo confunde código genético com vida humana. Se a vida humana se define apenas pela existência de um código genético humano, realmente, as posições mais extremistas e perigosas ficam reforçadas. E as mais desvairadas também. Desde logo, a igreja teria que se opor às técnicas de reprodução medicamente assistida- tal como se opõe à investigação em células estaminais embrionárias, mesmo que essas investigações possam salvar muitas vidas- negando o direito de ter filhos aos casais inférteis. O que, convenhamos, para quem é “contra o aborto em qualquer circunstância”, é uma péssima ideia. E o cardeal já se esqueceu das palavras que dedicou ao aborto de vão de escada: drama. Um drama onde também se perdem muitas vidas reais &#8211; as das mulheres que efectivamente morrem- e potenciais &#8211; das mulheres que ficam inférteis. </font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3">Enfim&#8230;.realmente, esta não é a questão que vai ser referendada, embora pareça inevitável discuti-la. E analisar, por exemplo, o começo da vida humana do ponto de vista da consciência, que muitos consideram só dar início depois do terceiro trimestre, já que apenas aí o cérebro começa a funcionar. Mas voltamos ao mesmo. Determinar onde começa a vida é discutir o sexo dos anjos. Não há consenso nem deverá haver – espero – sobranceria. Todavia, já que o cardeal-patriarca mostra tantas certezas científicas, tenho que colocar mais algumas questões:</font><br />
<font size="3"><font face="Times New Roman">            &#8211; Acredita que uma mulher grávida de um violador deve ser obrigada a ter esse filho? Essa criança não será humana como as outras?</font></font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3">- Uma adolescente grávida, vítima de incesto, também deve ser obrigada a ter a criança?</font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3">- Uma mulher com uma gravidez desejada, mas que descobre que a continuação da gestação pode perigar a sua vida – mesmo salvando a do feto – deverá ser obrigada a continuar a gravidez?</font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3">- A mulher grávida de um feto com uma deficiência grave deve também ser obrigada a levar a gravidez até ao fim? Esse feto- por exemplo trissomia 21- não tem o código genético igualzinho, pois não? Mesmo assim é humano ou não? A mulher pode ou não abortar, na sua opinião? Uma pessoa adulta com mongolismo é humana, não é?</font></p>]]></content:encoded>
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		<title>Obama, candidato à Casa Branca</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Jan 2007 16:33:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Joana Amaral Dias]]></category>

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		<description><![CDATA[ANTES &#038;   DEPOIS    ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>ANTES &#038;<br />
<embed src="http://services.brightcove.com/services/viewer/federated_f8/353515028" bgcolor="#FFFFFF" flashVars="videoId=422873237&#038;playerId=353515028&#038;viewerSecureGatewayURL=https://services.brightcove.com/services/amfgateway&#038;servicesURL=http://services.brightcove.com/services&#038;cdnURL=http://admin.brightcove.com&#038;domain=embed&#038;autoStart=false&#038;" base="http://admin.brightcove.com" name="flashObj" width="425" height="350" seamlesstabbing="false" type="application/x-shockwave-flash" swLiveConnect="true" pluginspage="http://www.macromedia.com/shockwave/download/index.cgi?P1_Prod_Version=ShockwaveFlash"></embed> <br />
DEPOIS</p>
<p> <object width="425" height="350"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/8WJsuM19-8c"></param><param name="wmode" value="transparent"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/8WJsuM19-8c" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="350"></embed></object></p>
<p> </p>]]></content:encoded>
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		<title>Mimesis do Messias</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Jan 2007 14:04:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Click To Play Poemas inéditos de Manuel Rodrigues, autor de Ode Celeste (2003), Ed. &#038; etc. Filmes de Edgar Pêra Leituras por Nuno Melo então percebi o fogo e então aprovei o fogo aproximei-os ainda e tais os provo ao &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/01/10/mimesis-do-messias/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><center><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js"></script><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&#038;posts_id=133015&#038;source=3&#038;autoplay=true&#038;file_type=flv&#038;player_width=&#038;player_height="></script>
<div id="blip_movie_content_133015"><a href="http://blip.tv/file/get/5dias-mimesisDoMessias169.flv" onclick="play_blip_movie_133015(); return false;"><img src="http://blip.tv/file/get/5dias-mimesisDoMessias169.flv.jpg" border="0" title="Click To Play" /></a><br /><a href="http://blip.tv/file/get/5dias-mimesisDoMessias169.flv" onclick="play_blip_movie_133015(); return false;">Click To Play</a></div>
<p></center></p>
<p>Poemas inéditos de Manuel Rodrigues, autor de Ode Celeste (2003), Ed. &#038; etc.<br />
Filmes de <a href="http://elementarista.blogs.sapo.pt/">Edgar Pêra</a><br />
Leituras por Nuno Melo</p>
<p><em>então percebi o fogo<br />
e então aprovei o fogo<br />
aproximei-os ainda<br />
e tais os provo<br />
ao pó na pele<br />
o bafo quente<br />
vou deixar-te<br />
no céu da boca<br />
que caia arda<br />
e quei-me<br />
mais que<br />
ninguém só tu<br />
sabes quanto —<br />
menos sei menos sei <br />
— que nesse canto<br />
ardentemente<br />
só eu te ouço</em><br />
(anos 90, <em>in</em> Dobra Completo)</p>
<p><em>que interessa a idade<br />
se tudo é carne<br />
e voz também<br />
carne com carne<br />
há-de correr<br />
……………………<br />
minha irmã<br />
a matemática<br />
teve apenas<br />
negativa<br />
mas atenção<br />
nem copiei<br />
e eu quero ir<br />
para jornalismo<br />
vais a ver<br />
……………………<br />
sou a favor<br />
da encarnação<br />
quando se fala</em><br />
(anos 90, <em>in</em> Dobra Completo)</p>
<p><em>não morro<br />
por estar doente<br />
ardo na vida<br />
me socorre<br />
um arfar direito<br />
ao latir da criação<br />
vou cair<br />
parturiente</em><br />
(anos 90, <em>in</em> Dobra Completo)</p>
<p><em>?que poder é que haveria ante do fim<br />
e que medo sentiria no repouso sem o sonho<br />
olho aguardo aqui da porta . e vejo as cores<br />
o sonido áspero dos ventos secos se abate<br />
o frio escorre por entre coisas . milagre e<br />
tremendo voo — vêm aí dias piores<br />
ouço. aceito compreendi. fiquei sabendo esclarecido<br />
a palavra do senhor<br />
só um caminho inconcebível, mas não se andava<br />
agora) também, apenas há, único trono e (agora<br />
escuto só os elementos, e o metal aborrecido<br />
que usam de friso por ser mais duro<br />
o melhor vai resistindo, os de alumínio são preferidos<br />
      “são falares de minério . aos olhos gasto pelos séculos<br />
      e contudo, sempre menino . da porta vejo e aguardo”<br />
escuto bem e recomendo. fico a saber e esclarecido<br />
pelas palavras do senhor<br />
não há anjos entre as cinzas das construções<br />
? o que dizem estas árvores que se estremece (agora, às aves anuladas<br />
da gente passando em baixo, na geometria do tijolo<br />
? que dizem pedras deitadas perto dos ossos (agora, não dizem nada<br />
porque te calas . mas eu vi — e agonizo<br />
      “são palavras do mistério . mil nomes do silêncio<br />
       … e não te abala… que isto não caia…”<br />
a voz da flora abandonada : que disseram o tempo todo?<br />
sopro com alento . racho como pedra<br />
simplicidade e inocência . não olhar cima dos estratos<br />
não escavar sem fazer cama — me envergonho<br />
ouço e aceito. sabendo fico   agradecido<br />
sou a palavra do senhor<br />
me arrepio por não ter pêlo por não ter<br />
escama . de nem ter pena<br />
eu . que ainda vivo<br />
tenho vergonha</em><br />
(2004, <em>in</em> Mimesis do Messias)</p>
<p><center><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js"></script><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&#038;posts_id=133018&#038;source=3&#038;autoplay=true&#038;file_type=flv&#038;player_width=&#038;player_height="></script>
<div id="blip_movie_content_133018"><a href="http://blip.tv/file/get/5dias-MimesisOmega997.flv" onclick="play_blip_movie_133018(); return false;"><img src="http://blip.tv/file/get/5dias-MimesisOmega997.flv.jpg" border="0" title="Click To Play" /></a><br /><a href="http://blip.tv/file/get/5dias-MimesisOmega997.flv" onclick="play_blip_movie_133018(); return false;">Click To Play</a></div>
<p></center></p>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Pesadelo Cego</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/10/pesadelo-cego/</link>
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		<pubDate>Wed, 10 Jan 2007 14:03:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Enquanto o mundo se assarapantava com o linchamento de Saddam, no Japão foram enforcados, no dia de Natal, 4 prisioneiros. Os japoneses comemoram o Natal americano, note-se. A pena capital aplicada a esses homens não teve, obviamente, o mediatismo da &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/01/10/pesadelo-cego/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Enquanto o mundo se assarapantava com o <a href="http://5dias.net/2007/01/03/justica-de-cowboys-na-terra-das-mil-e-uma-noites/">linchamento de Saddam,</a> no Japão foram enforcados, no dia de Natal, 4 prisioneiros. Os japoneses comemoram o Natal americano, note-se.</p>
<p>A pena capital aplicada a esses homens não teve, obviamente, o mediatismo da forca do antigo presidente iraquiano. Não se tratava da execução de um ditador famoso – embora em breve venha a ser, como referirei adiante – mas mesmo que fosse, a probabilidade de algo semelhante suceder seria ínfima. Explico. No Japão, a pena de morte assume contornos igualmente bárbaros. Mas envoltos num secretismo – e sadismo – rigorosos. Para quem quer saber mais, fica o link <a href="http://web.amnesty.org/library/print/ENGASA220062006">para o relatório da Amnistia Internacional</a>. Para quem se contenta com o resumo: o governo proíbe a informação sobre a pena de morte. As execuções são levadas a cabo em segredo. O prisioneiro que se encontra à espera de ser dependurado nunca sabe quando vai morrer. Nunca lhe é dada uma data. Só sabem na hora da morte. Entretanto, com apelos e recursos, podem ter decorrido anos. Lentos, deveras lentos, já que vividos em solitária e com contacto humano e exercício físico esporádicos. Muitos, vivendo assim no fio, acabam por enlouquecer ou por se suicidar. Quando sobrevivem ao isolamento e a esta tortura, são enforcados. As famílias só são notificadas depois da morte.</p>
<p>É pouco provável, portanto, que um telemóvel filme uma execução nipónica. A notícia dada pelo Público relativamente à nova vaga de condenações à morte no Japão, por exemplo, foi dada no dia 31 de Dezembro – no mesmo jornal que relatava a morte de Saddam – e era apenas um pequeno, pequeníssimo texto. Contudo, dava conta de um dado muito importante. Em 2006 o Japão bateu o seu recorde de condenações à morte. 44 pessoas foram enforcadas e outras 21 penas capitais ficaram prontas a serem executadas. Aliás, este o número que tem vindo em crescendo e rivaliza com os números do Texas. Entre estas 21 está- ou estará -o enforcamento de Shoko Asahara, o líder da seita Aum Shinrikyo (Verdade Suprema), que perpetrou o ataque com gás sarin no metro de Tóquio, em 1995. Sem dúvida, um dos mais conhecidos ataques terroristas contemporâneos. Que marcou, indelevelmente, a sociedade japonesa. Há 12 anos podíamos não percebê-lo com clareza. Hoje, devemos entender um pouco melhor.</p>
<p>A reacção dos japoneses a esta brutal ofensiva foi tão veemente que fez ressurgir a pena de morte. Embora esta ignomínia exista no Japão desde <a href="http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/articles/A11306-2005Jan15.html">1948 (a constituição japonesa promulgada em 1946, durante a ocupação norte-americana, excluía a pena capital – ainda que os ocupantes se ocupassem de, entretanto, ir enforcando japoneses – mas em 1948, o Supremo Tribunal Japonês reviu essa posição</a>), a sua aplicação foi “suspensa” nos anos 80. Realmente, o mais importante factor para o regresso da pena capital foi o abalo profundo que a sociedade nipónica viveu em Março de 1995.</p>
<p>Vale a pena sublinhar que, contudo, desde os anos 50 que as sondagens revelam que a larga maioria dos japoneses apoia a pena de morte. A mais recente sondagem indicava que 80% são a favor. Não que isso justifique que os governos mantenham a pena capital. Apenas indica que – tal como com o caso de Asahara – <a href="http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/articles/A11306-2005Jan15.html">os políticos nipónicos não se dispõe a contrariar, neste capítulo, o povo.</a> Porém, em todo o mundo, várias foram as ocasiões em que a pena de morte foi abolida desagradando a opinião pública. Em França, foi por decreto – de Miterrand – e contra a opinião da maioria dos franceses. A Polónia acabou com a pena capital em 1997, embora as sondagens mostrassem que 60% dos polacos a defendiam.</p>
<p>Haruki Murakami, o famoso escritor japonês – na verdade, no Japão, Murakami é mais do que um célebre escritor. É um guru. – compôs Underground – O atentado de Tóquio e a Mentalidade Japonesa (recentemente editado em Portugal). Aí colige as dezenas de entrevistas que realizou a vítimas do atentado com sarin e as entrevistas que realizou a alguns elementos da Aum. Se ler os comentários de Murakami é sentir uma estranha proximidade com o mundo ocidental de hoje– o terrorismo, as leis depois do terrorismo, o terrorismo mediatizado, a pobre dicotomia nós-outros etc.-  ler as entrevistas de ambos os lados, tanto permite perceber um pouco melhor a tal mentalidade nipónica, quanto questionar – não sem dor – a oposição Bem-Mal.</p>
<p>O objectivo de Murakami foi o de, segundo ele próprio: “afastar-se das fórmulas: reconhecer que cada uma das pessoas que estavam no metro, naquela manhã, tinham uma cara, uma vida, uma família, esperanças e medos, contradições e dilemas”. Um contraponto à narrativa saturada oferecida, insistentemente, pelos <em>media</em> que não apenas focavam bem mais a seita do que as vítimas, como simplificavam com ligeireza, os primeiros: “A intenção era provavelmente a de criar uma imagem colectiva do japonês inocente, em sofrimento, o que é muito mais facilmente conseguido quando não se tem que lidar com pessoas reais”. Lê-se e pensa-se: “Onde é que eu já vi isto?”.</p>
<p>Enfim&#8230; Logo na primeira entrevista a uma hospedeira, vítima do ataque no metro, lê-se o seguinte: “Havia pessoas a espumar da boca, no sítio onde estávamos, em frente do Ministério do Comércio e Indústria. Essa metade da rua era um verdadeiro inferno. Mas do outro lado, as pessoas iam para o trabalho como de costume. Eu estava a cuidar das pessoas e quando me voltava via os transeuntes a olhar na minha direcção. Mas nenhum deles atravessou a rua até ao nosso lado. Era como existíssemos num mundo à parte. Ninguém parou. Havia alguns guardas mesmo à nossa frente, junto do portão do Ministério. E deste lado, lá estávamos nós, com três pessoas estendidas no chão, esperando desesperadamente por uma ambulância, que demorou muito, muito tempo a chegar. No entanto, ninguém do Ministério foi pedir ajuda. Nem sequer nos chamaram um táxi. Eram 8:10 quando colocaram o sarin, o que dá mais de uma hora e meia até a ambulância chegar. Durante todo esse tempo, as pessoas deixaram-nos ali. De vez em quando, a televisão mostrava o senhor Takahashi morto, estendido com uma colher na boca, mas foi tudo.”</p>
<p>Rigidez e frieza? Sim, claro. Mas costumes, também. Numa carta redigida no princípio do século, Lafcadio Hearn descrevia assim a guerra que então se travava com a Rússia “No começo das hostilidades, foi emitido um mandato imperial, determinando que todos os não combatentes executassem como habitualmente as suas ocupações, e que se inquietassem tão pouco quanto possível e esse despacho foi obedecido à letra. (…) Vista de fora, a vida de Tóquio parece ter sido menos afectada pelos eventos da guerra do que pela vida da natureza que a circunda.”</p>
<p>O oligofrénico exercício de opostos que foi desempenhado pelos <em>media</em> aquando do sarin no metro– bem-mal; sanidade-loucura; saúde-doença – fez o seu caminho na rua japonesa. O “feitiço lançado por estas frases é quase impossível de quebrar, já que todo o <a href="http://5dias.net/2007/01/03/a-arte-de-sepultar-o-passado/">vocabulário de Nós versus Eles tem uma tão grande carga emotiva</a>”. Chocados com a brutalidade da seita, os japoneses colocaram-se, rapidamente, do lado dos normais, contra os dementes da Aum. Como se “a memória colectiva deste caso se transformasse, cada vez mais, numa bizarra banda desenhada ou num mito urbano”. E como se poucos desesperassem por “palavras que venham noutra direcção, palavras novas para uma narrativa nova. Uma outra narrativa que purifique esta”. Se as nossas definições não se flexibilizarem, diz Murakami, ficaremos reduzidos às <a href="http://5dias.net/2006/12/27/fiquei-sem-bateria/">reacções programadas.</a> <a href="http://5dias.net/2006/12/27/fiquei-sem-bateria/">De reacção programada em reacção programada. Até à apatia total</a>.</p>
<p><center><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js"></script><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&#038;posts_id=133017&#038;source=3&#038;autoplay=true&#038;file_type=flv&#038;player_width=&#038;player_height="></script>
<div id="blip_movie_content_133017"><a href="http://blip.tv/file/get/5dias-Underground129.flv" onclick="play_blip_movie_133017(); return false;"><img src="http://blip.tv/file/get/5dias-Underground129.flv.jpg" border="0" title="Click To Play" /></a><br /><a href="http://blip.tv/file/get/5dias-Underground129.flv" onclick="play_blip_movie_133017(); return false;">Click To Play</a></div>
<p></center></p>
<p>Compreender os acontecimentos de Tóquio é, para o autor, olhar para o <em>nosso </em>próprio território, em vez de rejeitar o terrorismo da Aum como uma “presença alienígena observada através de binóculos”. É incorporar a violenta seita como parte do <em>nós</em>, na construção mental do <em>nós</em>. A hipótese de Murakami é que a Aum – a sua presença nas ruas, as suas intervenções públicas – incomodava profundamente os japoneses – ainda antes do ataque &#8211; porque era um espelho.</p>
<p>Algo que muito admirou o mundo, na altura, foi o facto de muitos dos aderentes à Aum serem pessoas da chamada super-elite japonesa. Nomeadamente o médico de topo Ikuo Hayashi, que foi um dos atacantes. Pessoas como este médico prescindiram da sua liberdade, das suas posses, das suas famílias. Do seu ego. Em troca, receberam uma nova narrativa. Uma nova história sobre eles mesmos e sobre o mundo. Para os não crentes, uma estorieta que é um disparate pegado. Mas, pergunta Murakami – e pena de morte à parte – “teríamos nós uma narrativa mais viável para lhes oferecer?”</p>
<p><center><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js"></script><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&#038;posts_id=133008&#038;source=3&#038;autoplay=true&#038;file_type=flv&#038;player_width=&#038;player_height="></script>
<div id="blip_movie_content_133008"><a href="http://blip.tv/file/get/5dias-pesadeloCego402.flv" onclick="play_blip_movie_133008(); return false;"><img src="http://blip.tv/file/get/5dias-pesadeloCego402.flv.jpg" border="0" title="Click To Play" /></a><br /><a href="http://blip.tv/file/get/5dias-pesadeloCego402.flv" onclick="play_blip_movie_133008(); return false;">Click To Play</a></div>
<p></center></p>
<p>Quando se lêem as entrevistas aos membros da seita é notório que na Aum eles encontraram “uma pureza de intenções que não conseguiam encontrar na sociedade normal”. E que não conseguirão, a não ser noutra horda semelhante cujo aparecimento – provável &#8211; é o que mais temem, afinal, os japoneses. Sobretudo quando o subtexto é que pouco aprenderam com a terrível catástrofe que se abateu sobre eles.</p>
<p>Aliás, o próprio facto de elementos da super-elite integrarem a seita deveria ser um indispensável ponto de reflexão. Como afirma Murakami, essas pessoas não integraram a seita <em>apesar </em>de serem privilegiados, mas antes <em>porque</em> eram privilegiados: “Não podiam evitar ter sérias dúvidas sobre o engenho utilitarista e desumano do capitalismo e sobre o sistema social em que a sua própria essência e os seus esforços – e até mesmo a sua própria razão de ser – iriam ser esmagados infrutiferamente”. Essas pessoas, tal como o brilhante médico Hayashi tinham o sonho de se dedicar a uma utopia. Simples, unifacetada, com pouco “potencial para a desilusão”. Longe da realidade.</p>
<p><center><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js"></script><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&#038;posts_id=133016&#038;source=3&#038;autoplay=true&#038;file_type=flv&#038;player_width=&#038;player_height="></script>
<div id="blip_movie_content_133016"><a href="http://blip.tv/file/get/5dias-apatiaTotalUndermaster431.flv" onclick="play_blip_movie_133016(); return false;"><img src="http://blip.tv/file/get/5dias-apatiaTotalUndermaster431.flv.jpg" border="0" title="Click To Play" /></a><br /><a href="http://blip.tv/file/get/5dias-apatiaTotalUndermaster431.flv" onclick="play_blip_movie_133016(); return false;">Click To Play</a></div>
<p></center></p>
<p>Começou ontem e prolongar-se-á até 13 de Janeiro a particular visita, à Europa, do recém-eleito primeiro-ministro Shinzo Abe. É inédito que um primeiro-ministro japonês, com tão pouco tempo no cargo, e mesmo antes de ter realizado uma visita oficial à China e à Coreia do Sul, faça o périplo europeu. Parece que o Japão percebe, finalmente, que não poderá sobreviver tendo como único aliado os EUA. Conta <a href="http://www.lemonde.fr/web/article/0,1-0@2-3232,36-852964,0.html">Philippe Pons, neste artigo do Le Monde de ontem</a>, que o <em>America at the Crossroads</em> foi traduzido no Japão como <em>O Fim da América</em>…</p>
<p>Os líderes europeus terão muito gosto em receber o senhor Shinzo Abe. Tal como nunca chegou a ser recusado ao Japão o lugar de observador no <a href="http://www.coe.int/t/pt/com/about_coe/">Conselho Europeu</a> – supostamente uma organização de defesa dos direitos humanos – os europeus acolherão o primeiro-ministro de Tóquio com deferência e aprumo.</p>
<p>Aceitando, com vénias, o discurso de Abe que, tal como noticia o Público de hoje, vai no sentido de justificar a sua visita com base em preocupações humanitárias. E quanto à pena de morte, os EUA podem ficar descansados. Ainda não é desta que o Japão os deixa sozinhos.</p>
<p>Filmes de <a href="http://elementarista.blogs.sapo.pt/">Edgar Pêra</a><br />
Hearn, L. (2005). O Japão. Uma antologia de escritos sobre o país. Lisboa, Cotovia.<br />
Murakami, H. (2006). Underground. O atentado de Tóquio e a Mentalidade Japonesa. Lisboa, Tinta da China.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Estado da Arte: o lugar dos sem-abrigo é na rua.</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/10/estado-da-arte-o-lugar-dos-sem-abrigo-e-na-rua/</link>
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		<pubDate>Wed, 10 Jan 2007 13:38:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Ontem, no seu programa quinzenal na SICN, Paulo Portas mostrou-se contrário à lei anunciada pelo governo francês, no sentido de garantir o direito à habitação para todos e na sequência dos protestos dos sem-abrigo, que têm decorrido por toda a &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/01/10/estado-da-arte-o-lugar-dos-sem-abrigo-e-na-rua/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img id="image630" style="width: 439px; height: 385px" height="385" alt="homeless-4.gif" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/01/homeless-4.gif" width="439" /></p>
<p>Ontem, no seu programa quinzenal na SICN, Paulo Portas mostrou-se contrário à lei anunciada pelo governo francês, no sentido de garantir o direito à habitação para todos e na sequência dos protestos dos sem-abrigo, que têm decorrido por toda a França. Num dos seus costumeiros e habilidosos piscar de olhos à classe média, Paulo Portas frisou como a grande maioria das pessoas se esfalfa para conseguir ter casa, o que faz com que seja difícil perceber que alguns a possam ter de bandeja. Basicamente incitou ao enfraquecimento da coesão social, puxando ao egoísmo. Chegou mesmo a implicar que muitos sem abrigo estão na rua porque não querem trabalhar. Terem tecto à borla? Mais faltava!</p>
<p>É verdade que ter casa própria, em Portugal é penoso. Sobretudo com as constantes subidas de juros. Mas o que obviamente incomoda Paulo Portas nem é isso. É antes o facto de, perante a generalizada regressão do Estado Social- que Paulo Portas só pode aplaudir &#8211; a França discuta agora o direito à habitação que, embora seja um princípio de valor constitucional, em poucos países foi ou é uma referência específica ou uma garantia. Mesmo nos idos anos dourados dos direitos dos cidadãos. Isto é, agora que o neoliberalismo fez caminho e conseguiu esvaziar parte substantiva dos direitos básicos- como à saúde ou à educação-, Paulo Portas indigna-se perante a revitalização da luta por direitos que raramente foram considerados prioritários.</p>
<p>É uma miséria fazer a apologia do egoísmo, virar o roto contra o nu. O direito à habitação, a protecção social dos sem-abrigo não tem que excluir a resolução dos problemas da classe média. Bem antes pelo contrário. Além disso, a existência de sem-abrigo apenas prejudica e ameaça – envergonha? – todos os que vivem em sociedades desenvolvidas.</p>
<p><img id="image631" style="width: 385px; height: 455px" height="455" alt="homeless.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/01/homeless.jpg" width="385" /></p>
<p>Protestar contra os seus protestos é protestar contra aqueles que chegaram ao fim da linha. Aos que percorreram todas as duras etapas da marginalização, foram de ruptura em ruptura, até chegar à rua. Implicar que muitos estão na rua porque são uns malandros preguiçosos é demagógico. No mínimo. Cerca de 30% dos sem-abrigo tem emprego e trabalha. Mas não têm dinheiro suficiente para ter casa e dormem na rua ou no carro. Dos restantes 70 %, uma fatia importante sofre de psicopatologia grave e devia era estar a receber apoio médico, gratuito e em hospitais públicos. Outros estão na rua por vicissitudes várias, mas não conseguem quebrar o ciclo vicioso em que se encontram. Não é difícil perceber que encontrar emprego quando se vive na rua é extraordinariamente complicado. E que uma forma de quebrar essa forma extrema de exclusão social é ter habitação, para que depois emprego e a participação nos restantes sistemas sociais possa ser efectivada.</p>
<p>Será que Paulo Portas não tem outros alvos a abater? Talvez um pouco menos vulneráveis? <a href="http://www.amren.com/mtnews/archives/2006/12/bill_makes_beat.php">Mesmo que este fato de brigão ou bully lhe fique tão bem</a>, importava-se de se meter com os do seu tamanho?</p>]]></content:encoded>
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		<title>Love is in the air….</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Jan 2007 00:54:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Autor: Carlos Trincão Antes havia sido o Primeiro-Ministro. Agora foi o PS a dizer que também gostava muito de trabalhar com o Senhor Presidente. Aí valentes… Isto o que dá mesmo vontade é de agarrar na ideia de “mar” que &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/01/10/love-is-in-the-air%e2%80%a6/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img id="image626" style="width: 372px; height: 420px" height="420" alt="love-is-in-the-air.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/01/love-is-in-the-air.jpg" width="372" /></p>
<p>Autor: Carlos Trincão</p>
<p>Antes havia sido o Primeiro-Ministro. Agora foi o PS a dizer que também gostava muito de trabalhar com o Senhor Presidente.</p>
<p>Aí valentes…</p>
<p>Isto o que dá mesmo vontade é de agarrar na ideia de “mar” que sempre acompanhou Portugal e especular um bocadito.</p>
<p>Já tinha havido aquela da “Jangada de Pedra”, demanda de novos mundos numa deriva atlântica virada para nós mesmos. E dessa eu tinha gostado.</p>
<p>Pois, mas agora á música é outra. Com estas declarações todas de ternura, de Jangada de Pedra passamos a Barco do Amor… à deriva na imensidão atlântica em que nos perdemos.</p>
<p>Mas afinal esta malta que nos governa pensa o quê dos seus governados?</p>
<p>Coabitações e cooperações institucionais à parte, isto já é lamecha de mais para o meu gosto.</p>
<p>Só falta mesmo é um chocho daqueles a contar para o Guiness. Mas é só mesmo o chocho que falta, porque recorde já deve estar registado: o do vira-casaquismo, perdão, vira-cavaquista, mais rápido do planeta.</p>
<p>Mas é tão bonito vê-los assim tão dados, não é?</p>
<p>Mas o que me preocupa mesmo é o barco. Então, se toda a gente se põe do mesmo lado… o coiso vira, afunda-se e a gente morre. Caramba! Então e o equilíbrio… institucional, pois claro.</p>]]></content:encoded>
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		<title>A Arte de sepultar o passado</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/03/a-arte-de-sepultar-o-passado/</link>
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		<pubDate>Wed, 03 Jan 2007 15:20:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Vídeo]]></category>
		<category><![CDATA[video]]></category>

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		<description><![CDATA[Tal como enuncia Leys, embora a China seja a mais antiga civilização do mundo, o respeito pelos valores espirituais e morais antigos combinam-se com a indiferença relativamente à herança cultural. Há, na China, uma omnipresença do passado através da língua &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/01/03/a-arte-de-sepultar-o-passado/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tal como enuncia Leys, embora a China seja a mais antiga civilização do mundo, o respeito pelos valores espirituais e morais antigos combinam-se com a indiferença relativamente à herança cultural.</p>
<p>Há, na China, uma omnipresença do passado através da língua escrita, que permaneceu imutável por mais de dois mil anos. Mas não através dos monumentos antigos. Na Europa, por exemplo, e não obstante as sucessivas guerras e destruições, os marcos arquitectónicos carregam o espaço físico de história e recordações. No Egipto, tudo foi construído para a eternidade. Na China, “o que surpreende o visitante é a monumental ausência do passado”. O passado está, portanto, nos homens e não nas pedras. E esta inexistência não deve tanto à Revolução Cultural quanto se possa, à primeira vista, supor. Na verdade, aquando da devastação maoísta, já pouco restava para ser destruído. Uma arrasamento que, afinal, foi uma manifestação de iconoclastia que se verificou, sistematicamente, ao longo de séculos e séculos.</p>
<p>Os chineses não adiam a derrota face ao tempo. A sua arquitectura escolhe materiais perecíveis. Os monumentos findáveis são um sacrifício ao tempo. Sacrifício através do qual, segundo Leys, “ o construtor assegura a permanência do seu desígnio espiritual”.</p>
<p>De facto, o interesse pelas antiguidades na China foi limitado a curtos períodos de tempo bastante especiais. Fora isso os coleccionadores interessaram-se sobretudo pela caligrafia e pela pintura. A concentração de tesouros artísticos das dinastias foi sistematicamente destruída. A queda de uma dinastia era acompanhada pela pilhagem do palácio imperial, pouco sobrando do património acumulado: a imortalidade só pode ser conferida pela História, através da coisa escrita: “o homem só sobrevive no homem”.</p>
<p>Mesmo durante o confuncianismo (embora a Antiguidade invocada por Confúcio fosse mais a Antiguidade perdida, a “idade de ouro mítica”, uma utopia futura), o culto do passado era polémico entre Antigos e Modernos. Tendo sido estes últimos a triunfar, o Primeiro Imperador mandou queimar todos os livros e enterrar vivos os letrados. O regime maoísta reivindicou a herança de Qin Shihuang, apesar de julgar os seus próprios feitos como superiores: “Ele executou apenas 460 letrados. Nós executámos 46 mil”.</p>
<p><center><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js"></script><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&#038;posts_id=129081&#038;source=3&#038;autoplay=true&#038;file_type=flv&#038;player_width=&#038;player_height="></script>
<div id="blip_movie_content_129081"><a href="http://blip.tv/file/get/5dias-MovingMachine127.flv" onclick="play_blip_movie_129081(); return false;"><img src="http://blip.tv/file/get/5dias-MovingMachine127.flv.jpg" border="0" title="Click To Play" /></a><br /><a href="http://blip.tv/file/get/5dias-MovingMachine127.flv" onclick="play_blip_movie_129081(); return false;">click para ver o filme</a></div>
<p></center></p>
<p>Para Leys, ninguém deveria analisar a política chinesa, a não ser que saiba “decifrar inscrições inexistentes inscritas com tinta invisível numa página em branco”. De acordo com o autor, o partido comunista chinês é uma sociedade secreta. Um partido que, mesmo ao contrário de Mussolini e Hitler, nunca, mas mesmo nunca, obteve um mandato e cuja história é misteriosa. Em certos períodos, nem sequer se sabe quem dirigia o partido.</p>
<p>Em 1945, os comunistas contavam com o apoio de apenas 0,01% da população. Quatro anos depois, a China estava sob o seu jugo. Durante esse período, instauraram a sua reforma agrária de forma brutal e purgaram o partido. Depois, aplicaram o terror à escala nacional. Em 1951, quase toda a população chinesa tinha sido obrigada a participar em reuniões de acusação ou a assistir a matanças e execuções.</p>
<p><center><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js"></script><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&#038;posts_id=129091&#038;source=3&#038;autoplay=true&#038;file_type=flv&#038;player_width=&#038;player_height="></script>
<div id="blip_movie_content_129091"><a href="http://blip.tv/file/get/5dias-PoliticaDaFelicidade572.flv" onclick="play_blip_movie_129091(); return false;"><img src="http://blip.tv/file/get/5dias-PoliticaDaFelicidade572.flv.jpg" border="0" title="Click To Play" /></a><br /><a href="http://blip.tv/file/get/5dias-PoliticaDaFelicidade572.flv" onclick="play_blip_movie_129091(); return false;">click para ver o filme</a></div>
<p></center></p>
<p>Mao era um anti-intelectualista. E os intelectuais foram alvos exemplares nas chacinas entre 1942 e 45. A Revolução Cultural arruinou o sistema de educação e não poupou o próprio partido, onde apenas uma pequeníssima minoria recebeu educação universitária.</p>
<p>Para Leys, as obras de Mao são “um dos mais impressionantes casos de auto-sugestão colectiva que o século XX registou”. 15 anos depois da Revolução Marx ainda não havia sido traduzido para chinês. O máximo que foi alcançado foi a tradução de manuais soviéticos de introdução ao marxismo. Depois da quebra da aliança com a União Soviética, os Pensamentos de Mao conquistaram uma importância absurda. Oraculares e ubíquos. Impressos em canecas, cantados, recitados nas escolas. “Mao está para Marx como o voodu está para o cristianismo”. Um fenómeno extremo de despolitização que Wang Hui compara mesmo à despolitização e à crise da democracia parlamentar ocidental contemporânea. Segundo esse autor, essa despolitização do PCC deve-se a dois factores: à des-teorização da esfera ideológica e à focagem única nas reformas económicas, que tem conduzido ao capitalismo mais impiedoso.</p>
<p><center><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js"></script><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&#038;posts_id=129094&#038;source=3&#038;autoplay=true&#038;file_type=flv&#038;player_width=&#038;player_height="></script>
<div id="blip_movie_content_129094"><a href="http://blip.tv/file/get/5dias-MaoTeatro957.flv" onclick="play_blip_movie_129094(); return false;"><img src="http://blip.tv/file/get/5dias-MaoTeatro957.flv.jpg" border="0" title="Click To Play" /></a><br /><a href="http://blip.tv/file/get/5dias-MaoTeatro957.flv" onclick="play_blip_movie_129094(); return false;">click para ver o filme</a></div>
<p></center></p>
<p>Não obstante, Mao dedicava-se à caligrafia, à poesia e à pintura. Sem grandes feitos, é certo, mas demonstrando um traço essencial para a sua liderança: a familiaridade com a cultura e literatura chinesas clássicas.</p>
<p>Aquilo que os Ocidentais classificaram como caligrafia chinesa e que tardaram a reconhecer como uma arte é, na verdade, de uma tremenda exigência e complexidade. A ela se subordinam a pintura e a poesia chinesas. Leys realça que esta caligrafia é uma arte do espaço, do tempo – tal como a música, rítmica – tal como a dança e mesmo atlética. Tão aristocrata quanto popular. De facto, esta arte exige do calígrafo uma enorme concentração e controlo muscular. São necessários anos de prática para a razoabilidade.</p>
<p>E é fácil, mesmo para o turista mais desatento, perceber como na China a escrita tem sempre o lugar de honra.</p>
<p>Sobre esta relação única dos chineses com o seu passado, não há melhor do que o poema <em>Aos dez mil anos</em> de Victor Segalen.</p>
<p>Segalen entendia que o exotismo é a noção do diferente, distanciando-se da literatura e da arte “exótica” do seu tempo. É o escritor, para Aníbal Fernandes- que traduziu recentemente na Assírio &#038; Alvim o seu essencial romance <em>René Leys</em>- o “excêntrico isento dos pecados do exotismo decorativo”. À superfície, a China é um mundo ao contrário. Os chineses começam a construir as casas pelo telhado, vestem-se de branco quando estão de luto, escrevem de baixo para cima e da esquerda para a direita. Porém, a China é o outro lado da experiência humana, medida da nossa identidade. O verdadeiro exotismo, aquele que Segalen quis purgar “do capacete colonial, da palmeira e do camelo”, assenta nessa percepção aguda da diferença. Tem o seu auge quando “o ser pensante que se vê frente a frente consigo próprio e se descobre outro, e rejubila na sua diversidade”. Por isso, Segalen foi um viajante em si próprio.</p>
<p>Diz F. W. Mote: “As únicas encarnações verdadeiramente duradouras dos momentos humanos eternos são as suas encarnações literárias”. Fica o poema.</p>
<p>“Esses bárbaros que descartam a madeira, e o tijolo e o barro, constroem na rocha a fim de construir o eterno!</p>
<p>Veneram túmulos cuja glória é a de ainda existirem: pontes afamadas por serem velhas e templos de pedra cujos fundamentos não oscilam.</p>
<p>Apregoam que o seu cimento endurece com os sóis; as luas morrem polindo as suas lajes, nada desagrega a duração de que se enroupam, esses ignorantes, esses bárbaros!</p>
<p>Vós, filhos de Han, cuja sabedoria atinge dez mil anos e dez mil milhares de anos, guardai-vos desse erro!</p>
<p>Nada de imóvel escapa aos dentes famélicos das eras. A duração não é a sorte do sólido. O imutável não habita os vossos muros, mas sim em vós, homens lentos, homens contínuos.</p>
<p>Se o tempo não ataca a obra, morde o operário. Que o saciem: esses troncos repletos de seiva, essas cores vivas, esses ouros que a chuva lava e que o sol apaga.</p>
<p>Fundai sobre a areia. Molhai copiosamente a vossa argila. Montai as tábuas para o sacrifício; em breve a areia cederá, a argila inchará, o telhado duplo juncará o chão com as suas escamas:</p>
<p>Toda a oferenda é bem-vinda!</p>
<p>Ora, se tendes de sofrer a pedra insolente e o bronze orgulhoso, que a pedra e o bronze sofram os contornos da madeira perecível e simulem o seu esforço caduco:</p>
<p>Nada de revolta: veneremos as eras nas suas quedas sucessivas e o tempo na sua voracidade.”</p>
<p><center><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js"></script><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&#038;posts_id=129098&#038;source=3&#038;autoplay=true&#038;file_type=flv&#038;player_width=&#038;player_height="></script>
<div id="blip_movie_content_129098"><a href="http://blip.tv/file/get/5dias-NadaDeRevolta755.flv" onclick="play_blip_movie_129098(); return false;"><img src="http://blip.tv/file/get/5dias-NadaDeRevolta755.flv.jpg" border="0" title="Click To Play" /></a><br /><a href="http://blip.tv/file/get/5dias-NadaDeRevolta755.flv" onclick="play_blip_movie_129098(); return false;">click para ver o filme</a></div>
<p></center></p>
<p>Filmes por <a href="http://elementarista.blogs.sapo.pt/">Edgar Pêra</a><br />
Leitura por Nuno Melo<br />
Agradecimentos a Natxo Cheka e Galeria Zé dos Bois.</p>
<p>Leys, S. (2005) Ensaios sobre a China. Tradução de António Gonçalves. Lisboa, Ed. Cotovia.<br />
Segalen, V. (2006) René Leys. Tradução de Aníbal Fernandes. Lisboa, Assírio &#038; Alvim.<br />
Wang, Hui (2006) Depoliticized Politics, from East to West. In New Left Review, Set/Out, 41.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Justiça de cowboys na terra das mil e uma noites</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Jan 2007 13:30:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[O vídeo gravado por telemóvel que registou o enforcamento de Saddam- que Bush considerou como “mais um passo para a democracia”- está, como todos sabem, no YouTube. Neste vídeo de dois minutos e meio, vê-se o ditador a ser insultado &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/01/03/justica-de-cowboys-na-terra-das-mil-e-uma-noites/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font face="Times New Roman" color="#000000" size="3" /><font face="Times New Roman" color="#000000" size="3"><font face="Times New Roman" color="#000000" size="3"><img id="image602" style="width: 387px; height: 311px" height="311" alt="cowboys-linchamento.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/01/cowboys-linchamento.jpg" width="387" /></font></p>
<p><font face="Times New Roman" color="#000000" size="3">O vídeo gravado por telemóvel que registou o enforcamento de Saddam- que Bush considerou como “mais um passo para a democracia”- está, como todos sabem, no YouTube. Neste vídeo de dois minutos e meio, vê-se o ditador a ser insultado e assiste-se às condições degradantes da sua morte. O facto deste filme existir, fala por si. </font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">É obsceno, de facto, como muitos já referiram. E como menciona <font color="#000000">Žižek, </font>que ainda na semana passada aqui citava, é mais uma variante dos <em>snuff</em> movies pornográficos. O <a href="http://www.guardian.co.uk/leaders/story/0,,1981600,00.html">editorial de hoje do The Guardian</a>, cita George Orwell que terá dito que, até assistir a um enforcamento, nunca se tinha apercebido do que significa destruir um homem saudável e consciente. Hoje, no limite do processo de virtualização, percepcionamos &#8220;a verdadeira realidade&#8221; como entidades virtuais. Simples espectáculo televisivo.<br />
</font></font><font face="Times New Roman" color="#000000" size="3">Emanuel Ludot, um dos advogados de Saddam, pediu às Nações Unidas a formação de uma comissão de investigação sobre as condições da execução, recordando que o antigo presidente iraquiano  &#8221;devia estar sujeito até ao momento da sua morte ao estatuto de prisioneiro de guerra e, como tal devia gozar dos direitos do Convénio de Genebra de 1949&#8243;. </font></p>
<p><font face="Times New Roman" color="#000000" size="3">Para além deste julgamento ter sido uma farsa e um fiasco e para além de me opor, veementemente, à pena de morte, como já comentei <a href="http://www.tsf.pt/online/radio/index.asp?pagina=Grelha">aqui</a>, a execução de Saddam foi um terrível erro, não apenas porque impede a continuação dos julgamentos por outros crimes que terá cometido – quem tem medo desses processos? , como terá – já tem – como consequência o aumento da violência no Iraque. </font></p>
<p><font face="Times New Roman" color="#000000" size="3">O derrube de Saddam não foi nenhum alvor democrático. A estátua a cair correspondeu apenas a uma encenação. A sua captura não conduziu ao apaziguamento do país. Tratou-se somente de um troféu. E a forca não representou a aplicação da justiça por um governo soberano. Foi mera vingança. Um linchamento. </font></p>
<p> </p>
<p></font></p>]]></content:encoded>
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		<title>Decálogo da morte</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Jan 2007 12:02:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[   Autor: Carlos Trincão                       Em Ano Novo (de vida nova, nova mesmo, ou de vida renovada?), não sei se será boa ideia falar de mortes.             Arrisco.             1ª – A morte provocada de Saddam deixa a dúvida: um &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/01/03/decalogo-da-morte/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font size="3"><font face="Times New Roman">   Autor: Carlos Trincão        </font></font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3"> </font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">            Em Ano Novo (de vida nova, nova mesmo, ou de vida renovada?), não sei se será boa ideia falar de mortes. </font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">            Arrisco.</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">            1ª – A morte provocada de Saddam deixa a dúvida: um erro, ainda que multiplicado por muito, resolve-se com outro erro?</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">            2ª – A morte esperada de Pinochet deixa a dúvida: a lentidão da Justiça é justa?</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">            3ª – A morte aprazada de Fidel deixa a dúvida: já morreu o seu espírito?</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">            4ª – A morte política de Bush, chefe de uma América que em tudo tem a ver com os outros três, deixa a dúvida: os do outro partido são muito diferentes?</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">            5ª – A morte ideológica dos socialistas portugueses deixa a dúvida: ainda se justifica dizer “Partido Socialista”?</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">            6ª – A morte parlamentar da deputada comunista por Santarém deixa a dúvida: por que se queixa?</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">            7ª – A morte da menina espancada deixa a dúvida: que gente é esta, pais e instituições?</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">            8ª – A morte inútil dos soldados, onde quer que seja, deixa a dúvida: por quem deram a vida?</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">            9ª – A morte imposta aos civis, onde quer que seja, deixa a dúvida: por que é que os comandantes, civis ou militares, tanto faz, não resolvem as coisas entre eles?</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">            10ª – A morte anunciada do planeta deixa a dúvida: estão à espera de quê para resolver o problema do aquecimento global?</font></font></p>]]></content:encoded>
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		<title>Fiquei sem bateria*</title>
		<link>http://5dias.net/2006/12/27/fiquei-sem-bateria/</link>
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		<pubDate>Wed, 27 Dec 2006 23:59:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Žižek, logo no inicio do seu livro Bem-Vindo ao Deserto do Real, fala sobre a desrealização, a propósito dos cutters, do café sem cafeína, da cerveja sem álcool, da política sem política, mas também a propósito do Time out of &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/12/27/fiquei-sem-bateria/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Žižek, logo no inicio do seu livro <em>Bem-Vindo ao Deserto do Real</em>, fala sobre a desrealização, a propósito dos <em>cutters</em>, do café sem cafeína, da cerveja sem álcool, da política sem política, mas também a propósito do <em>Time out of Joint</em> de K. Dick. Este autor definia a realidade como “não tanto aquilo que percepcionamos quanto algo que fazemos”. Melhor ainda: “aquilo que não desaparece quando deixamos de acreditar nela”. Žižek estabelece um paralelo entre um diálogo do <em>Matrix</em> (filme que também muito deve a K. Dick), em que o chefe da resistência dá ao herói-messias as boas-vindas ao deserto do real (quando esse mesmo herói descobre que a realidade em que vive é gerada por um computador e que a verdadeira realidade é apenas ruínas e destroços) e o que aconteceu aos cidadãos de Nova Iorque no 11 de Setembro.</p>
<p><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js"></script><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&#038;posts_id=126205&#038;source=3&#038;autoplay=true&#038;file_type=flv&#038;player_width=&#038;player_height="></script>Essa data, afinal tantas e tantas vezes antecipada pelos filmes-catástrofe (que estão para o ataque ao WTC como os filmes sado-masoquistas estão para os snuff), antecipada pelo um Hollywood “aparelho ideológico do Estado”, faz com que Žižek se interrogue, não sobre os sonhos dos pobres, mas sobre os pesadelos dos ricos. Ou com que K. Dick afirme: “Esta é uma situação potencial letal. Temos a ficção a imitar a verdade e a verdade a imitar a ficção. Há uma sobreposição perigosa, uma perigosa zona de névoa. E com grande probabilidade nada disto é deliberado”.</p>
<div id="blip_movie_content_126205"><a href="http://blip.tv/file/get/5dias-DejaVu671.flv" onclick="play_blip_movie_126205(); return false;"><img src="http://blip.tv/file/get/5dias-DejaVu671.flv.jpg" border="0" title="Click To Play" /></a></div>
<p>Žižek evidencia o torpor em que vivemos, o “consumismo hipnótico”, sublinhando que talvez o terror fundamentalista nos faça emergir. E interpela a surpresa do <em>americano comum</em> perante os bombistas suicidas, indiferentes às suas próprias vidas. perguntando: “Não será o reverso dessa surpresa o facto infeliz de nós, cidadãos de países desenvolvidos, acharmos cada vez mais difícil imaginar nem que seja uma causa pública ou universal em nome do qual estaríamos dispostos a sacrificar a nossa vida?”. Ou a viver… Não obstante sermos percepcionados como mestres, à luz da luta hegeliana entre mestre e escravo, a posição em que nos encontramos é a de escravo “agarrado à existência e aos seus prazeres”, enquanto os radicais “ocupam o lugar de mestre disposto a arriscar a sua própria vida”.</p>
<p><center><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js"></script><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&#038;posts_id=126216&#038;source=3&#038;autoplay=true&#038;file_type=flv&#038;player_width=&#038;player_height="></script>
<div id="blip_movie_content_126216"><a href="http://blip.tv/file/get/5dias-PesadeloAmericano788.flv" onclick="play_blip_movie_126216(); return false;"><img src="http://blip.tv/file/get/5dias-PesadeloAmericano788.flv.jpg" border="0" title="Click To Play" /></a></div>
<p></center></p>
<p>Faltará aos <em>habitantes do mundo desenvolvido</em> aquilo que Philip K. Dick no recentemente editado <em>O andróide e o humano</em> designa de elemento essencial para revelar um ser humano? Para K. Dick os humanos androidizam-se quando “se tornaram instrumentos, meios em vez de fins, e que deste modo são análogos a máquinas no mau sentido, na medida em que, apesar de continuarem a ter vida biológica e metabolismo, a sua alma – por falta de palavra melhor- já não possui existência ou, pelo menos já não está activa”.</p>
<p><center><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js"></script><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&#038;posts_id=125919&#038;source=3&#038;autoplay=true&#038;file_type=flv&#038;player_width=&#038;player_height="></script>
<div id="blip_movie_content_125919"><a href="http://blip.tv/file/get/5dias-ProcessoTekno1409.flv" onclick="play_blip_movie_125919(); return false;"><img src="http://blip.tv/file/get/5dias-ProcessoTekno1409.flv.jpg" border="0" title="Click To Play" /></a></div>
<p></center></p>
<p>Nessa mesma obra, K. Dick insurge-se contra o totalitarismo da sociedade tecnológica e contra a crença num progresso técnico que Paul Virilo recorda ser o mesmo que provocou as catástrofes ecológicas e éticas como Auschwitz e Hiroxima. Não é contra o progresso, diz Virilo, mas adverte que não podemos deixarmo-nos armadilhar pela ideia que a técnica trará finalmente a felicidade: “As tecnologias novas, os <em>media</em> no sentido lato, são a Ocupação. Faço um trabalho de “resistente” porque há demasiados “colaboradores” que, de novo, nos dão o golpe do progresso salvador, da emancipação, do homem liberto de todo o constrangimento”.</p>
<p><center><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js"></script><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&#038;posts_id=125933&#038;source=3&#038;autoplay=true&#038;file_type=flv&#038;player_width=&#038;player_height="></script>
<div id="blip_movie_content_125933"><a href="http://blip.tv/file/get/5dias-OAndroid169.flv" onclick="play_blip_movie_125933(); return false;"><img src="http://blip.tv/file/get/5dias-OAndroid169.flv.jpg" border="0" title="Click To Play" /></a></div>
<p></center></p>
<p>K. Dick, por exemplo, reage a um texto utópico do principal engenheiro de uma companhia telefónica, então publicado na “nauseabunda revista Time”, que podem ler e ouvir no filme seguinte.</p>
<p><center><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js"></script><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&#038;posts_id=126209&#038;source=3&#038;autoplay=true&#038;file_type=flv&#038;player_width=&#038;player_height="></script>
<div id="blip_movie_content_126209"><a href="http://blip.tv/file/get/5dias-TeleBabies357.flv" onclick="play_blip_movie_126209(); return false;"><img src="http://blip.tv/file/get/5dias-TeleBabies357.flv.jpg" border="0" title="Click To Play" /></a></div>
<p></center></p>
<p>Os portugueses enviaram neste Natal 250 milhões de SMS. Gastaram mil euros por segundo. <em>TecnoNatal sem causa</em>. Num ecrã perto de si.</p>
<p>*frase típica de um andróide</p>
<p>Fimes por <a href="http://elementarista.blogs.sapo.pt/">Edgar Pêra</a><br />
Leituras de Nuno Melo</p>
<p>Dick, K. P. (2006) O andróide e o humano. Tradução de Artur Alves. Lisboa, Ed. Nova Vega.<br />
Virilo, P. (2000) Cibermundo: A Política do Pior. Tradução de Francisco Marques. Lisboa, Ed. Teorema.<br />
Žižek, S. (2006) Bem-vindo ao deserto do Real. Tradução de Carlos Monteiro de Oliveira. Lisboa, Ed. Relógio D´Água.<br />
 </p>]]></content:encoded>
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		<title>Grandes andróides I</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Dec 2006 20:36:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[  Filmes por: Edgar Pêra Agradecimentos: Nuno Melo        ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> </p>
<p><center><script src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js" type="text/javascript"></script><script src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&#038;posts_id=123179&#038;source=3&#038;autoplay=true&#038;file_type=flv&#038;player_width=&#038;player_height=" type="text/javascript"></script></p>
<div id="blip_movie_content_123179">Filmes por: <a href="http://elementarista.blogs.sapo.pt/">Edgar Pêra</a></p>
<p>Agradecimentos: Nuno Melo</p>
<p><a onclick="play_blip_movie_123179(); return false;" href="http://blip.tv/file/get/5dias-AndroideGato423.flv"><img title="Click To Play" src="http://blip.tv/file/get/5dias-AndroideGato423.flv.jpg" border="0" /></a> </p>
<p> </p>
<p><center><script src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js" type="text/javascript"></script><script src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&#038;posts_id=123180&#038;source=3&#038;autoplay=true&#038;file_type=flv&#038;player_width=&#038;player_height=" type="text/javascript"></script></p>
<div id="blip_movie_content_123180"><a onclick="play_blip_movie_123180(); return false;" href="http://blip.tv/file/get/5dias-Bibliografia881.flv"><img title="Click To Play" src="http://blip.tv/file/get/5dias-Bibliografia881.flv.jpg" border="0" /></a> </p>
<p> </p></div>
<p></center></div>
<p></center></p>]]></content:encoded>
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		<title>Infiltrados</title>
		<link>http://5dias.net/2006/12/20/infiltrados/</link>
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		<pubDate>Wed, 20 Dec 2006 18:27:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Já esta nas salas há umas semanas, porém só agora tive a oportunidade de assistir. Entre inimigos é um remake do Infernal Affairs de Hong Kong, é uma encomenda, mas é Scorsese como já não o víamos há algum tempo. &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/12/20/infiltrados/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Já esta nas salas há umas semanas, porém só agora tive a oportunidade de assistir. Entre inimigos é um remake do Infernal Affairs de Hong Kong, é uma encomenda, mas é Scorsese como já não o víamos há algum tempo. Trata-se da história de dois polícias em Boston. Polícia bom e polícia mau. Billy Costigan (Leonardo DiCaprio) tem a espinhosa missão de ser um agente infiltrado na máfia irlandesa dessa cidade, dirigida por Frank Costello (Jack Nicholson). E nunca se adapta à duplicidade da sua vida. Sim, é filho de criminosos. Um “recuperado”. Mas acaba por estar mais preocupado com a sua própria sobrevivência do que com outra coisa qualquer.</p>
<p><img alt="entre-inimigos-4.jpg" id="image571" title="entre-inimigos-4.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/12/entre-inimigos-4.jpg" /></p>
<p>E o filme beneficia dessa tensão. Colin Sullivan (Matt Damon) é um promissor polícia que responde à voz de Costello. E que faz malabarismos, confortavelmente, entre os dois meios em que se move. Totalmente opaco.</p>
<p><img width="400" height="266" alt="entre-inimigos-1.jpg" id="image568" title="entre-inimigos-1.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/12/entre-inimigos-1.jpg" /></p>
<p>São dois homens resolutos e perspicazes, que cativam a mesma mulher, e balanceiam entre os mesmos mundos, com objectivos antagónicos. As toupeiras acabam, inevitavelmente, no jogo do gato e do rato. É uma corrida onde se espera para ver quem é o primeiro a abandonar o navio. No final, quase todos perdem a cabeça. Mas o espectador não.</p>
<p>Testemunha-se o regresso a alguns temas, como o filho órfão, o tribalismo étnico e as suas lealdades. Contudo, a suposta reflexão sobre a tangente entre o bem e o mal e a carta para uma leitura além da contagem de cadáveres – até porque as duas horas e meia demandam-na &#8211; ficam muito aquém.</p>
<p><img width="404" height="342" alt="entre-inimigos3.jpg" id="image570" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/12/entre-inimigos3.jpg" /></p>
<p>O punhado de actores talentosos – apenas Vera Farmiga, a psiquiatra enlevada por matadores e quase a necessitar de ir, ela própria, à consulta, desaponta -, o ritmo frenético e propulsivo, a violência sumária, o centro no conflito e nas personagens, tanto quanto os diálogos ágeis, fazem deste último trabalho do realizador um aliciante entretenimento. Jack Nicholson é um trunfo e os telemóveis são o acessório mais indispensável.</p>
<p><img width="398" height="368" alt="entre-inimigos2.jpg" id="image569" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/12/entre-inimigos2.jpg" /></p>
<p>E mesmo que a comparação seja injusta, Entre Inimigos não arrebata como Taxi Driver ou Toiro Enraivecido. E fica, longe, muito longe da atmosfera espessa do Cabo do Medo. Mas voa mais alto do que o Aviador. Felizmente.</p>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Fernando Lopes-Graça</title>
		<link>http://5dias.net/2006/12/20/fernando-lopes-graca/</link>
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		<pubDate>Wed, 20 Dec 2006 00:25:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Carlos Trincão Não poderia deixar passar a oportunidade que a minha Amiga Joana Amaral Dias me proporciona neste 5dias para lembrar Fernando Lopes Graça. Faço-o na qualidade de conterrâneo do Maestro. Na data da passagem do centésimo aniversário do &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/12/20/fernando-lopes-graca/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por <a href="http://bancadadobloco.blogia.com/">Carlos Trincão</a></p>
<p><img width="420" height="179" title="logo_100flg.jpg" id="image564" alt="logo_100flg.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/12/logo_100flg.jpg" /></p>
<p>Não poderia deixar passar a oportunidade que a minha Amiga Joana Amaral Dias me proporciona neste 5dias para lembrar Fernando Lopes Graça.</p>
<p><img width="289" height="429" title="lopesgraca1.jpg" id="image565" alt="lopesgraca1.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/12/lopesgraca1.jpg" /></p>
<p>Faço-o na qualidade de conterrâneo do Maestro. Na data da passagem do centésimo aniversário do seu nascimento, Tomar, a sua terra natal, coloca-o, em bronze, junto ao rio.</p>
<p><img title="lapide-casa-graca.JPG" id="image563" style="width: 342px; height: 236px" alt="lapide-casa-graca.JPG" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/12/lapide-casa-graca.JPG" /></p>
<p>Basta isto, por hoje. Porque Lopes-Graça, o Graça, merece a homenagem.</p>]]></content:encoded>
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		<title>É para já</title>
		<link>http://5dias.net/2006/12/13/e-para-ja/</link>
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		<pubDate>Wed, 13 Dec 2006 13:44:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje colaboram Carlos Trincão, com um texto sobre as afirmações mitológicas de Sócrates a propósito da economia portuguesa, e Edgar Pêra com mais um filme inédito. Trata-se de um grande anónimo que atravessa um dos mais concorridos cruzamentos de Tóquio, &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/12/13/e-para-ja/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: 10pt; color: #1a1a1a; font-family: Verdana">Hoje colaboram Carlos Trincão, com um texto sobre as afirmações mitológicas de Sócrates a propósito da economia portuguesa, e Edgar Pêra com mais um filme inédito. Trata-se de um grande anónimo que atravessa um dos mais concorridos cruzamentos de Tóquio, o Shibuya. Deixo uma pequena nota sobre o livro Embroideries de Marjane Satrapi. Humor para a discussão sobre o véu. </p>
<p></span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Um chá em Teerão</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Dec 2006 13:39:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[O debate sobre o véu islâmico tem animado o 5 Dias. Depois do meu artigo, o António Figueira publicou este interessante e discordante texto. O Ivan Nunes trouxe a necessária síntese da Economist, o António voltou a responder e o Nuno &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/12/13/um-cha-em-teerao/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font face="Times New Roman" color="#1a1a1a" size="3"><font color="#000000">O debate sobre o véu islâmico tem animado o 5 Dias. Depois do <a href="http://5dias.net/2006/11/22/velado/">meu artigo</a>, o <a href="http://5dias.net/2006/11/28/contra-o-veu/">António Figueira publicou este interessante e discordante texto</a>. O <a href="http://5dias.net/2006/11/30/proibir-piora/">Ivan Nunes</a> trouxe a necessária síntese da Economist, o António <a href="http://5dias.net/2006/12/05/uma-resposta/">voltou a responder</a> e o Nuno Ramos de Almeida contribuiu com a tradução do imprescindível <a href="http://5dias.net/2006/12/09/alain-badioupor-detras-da-lei-do-lenco-islamico-o-medo/">artigo de Alain Badiou</a>. Nesta terça-feira o <a href="http://5dias.net/2006/12/12/o-veu-e-a-esquerda/">António abordou, de novo,</a> esta questão. Enfim…os argumentos fundamentais, de ambos os lados e em várias tonalidades, estão lançados.  No essencial, mantenho a minha posição inicial, se bem que os vários contributos- inclusive dos leitores-comentadores &#8211; têm sido relevantes para a aprofundar e consolidar. </font></font><font face="Times New Roman" color="#1a1a1a" size="3"><font color="#000000">            Entretanto, li <a href="http://www.amazon.com/Embroideries-Marjane-Satrapi/dp/0375423052">Embroideries, da Marjane Satrapi</a>,  que muitos conhecerão através do <a href="http://www.amazon.com/Persepolis-Story-Childhood-Marjane-Satrapi/dp/037571457X">Persepolis</a>. </font></p>
<p><font color="#000000" /><font color="#000000"><font color="#000000"> <img id="image527" style="width: 353px; height: 491px" height="491" alt="embroideries.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/12/embroideries.jpg" width="353" /></font></p>
<p><font color="#000000" /><font color="#000000"><font color="#000000">Sem a claustrofobia de imagem e sem a asfixia de algumas discussões, este trabalho da autora iraniana é subversivo, generoso e divertido. Em muitas páginas há riso e raiva em simultâneo. Tanto quanto Satrapi vai pontuando entre a memória e a ficção. E pode acrescentar algo a esta conversa sobre as cabeças-tapadas. </font></p>
<p><font color="#000000" /><font color="#000000"><font color="#000000" /><font color="#000000"><font color="#000000"> <img id="image528" style="width: 384px; height: 396px" height="396" alt="embroideries-2.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/12/embroideries-2.jpg" width="384" /></font></p>
<p><font color="#000000" /><font color="#000000"><font color="#000000">No chá em Teerão, as mulheres de Satrapi tiram o véu e têm conversas de fazer corar qualquer personagem do Sexo na Cidade. Tudo isto enquanto os homens fazem a sesta, claro. Até porque a vida tem os seus altos e baixos e, como diz a superavózinha da autora: &#8220;sometimes you&#8217;re on the horse&#8217;s back, and sometimes it&#8217;s the horse that&#8217;s on your back.&#8221; Um livro que, certamente, jamais teria a aprovação dos Ayatollahs Khomeinis. <span lang="EN-GB">Contudo, e como afirma <a href="http://www.telegraph.co.uk/arts/main.jhtml;?xml=/arts/2005/06/26/bosat26.xml">Helen Brown nesta crítica do Telegraph:</a> “Satrapi (…) has written elsewhere that Western women are all eager to ask about the private dramas concealed beneath the dark folds of Middle Eastern culture. Embroideries really rips into the myth that all Iranian women are oppressed in their own bedrooms, while also stripping bare the sadness experienced by those married to old men, money-grabbers and the hypocrites who pretend to be &#8220;enlightened&#8221; while smothering the needs of their partners. “</span></font></p>
<p><font color="#000000">Mas siga a discussão sobre o véu. <span lang="EN-GB">Como</span><span lang="EN-GB"> também diz a velhinha viciada em ópio: “To speak behind others’ backs is the ventilator of the heart.”</span></font></p>
<p><font color="#000000"><span lang="EN-GB">Fica uma das histórias&#8230;</span></font></p>
<p><a href="http://www.amazon.com/Embroideries-Marjane-Satrapi/dp/0375423052"><img id="image529" style="width: 416px; height: 320px" height="320" alt="satrapi-240.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/12/satrapi-240.jpg" width="416" /></a></p>
<p><img id="image530" style="width: 423px; height: 296px" height="296" alt="satrapi-241.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/12/satrapi-241.jpg" width="423" /></p>
<p><img id="image531" style="width: 426px; height: 366px" height="366" alt="satrapi-242.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/12/satrapi-242.jpg" width="426" /></p>
<p><img id="image532" style="width: 426px; height: 402px" height="402" alt="satrapi-243.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/12/satrapi-243.jpg" width="426" /></p>
<p /></font></font></font></font></font></font></p>]]></content:encoded>
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		<title>Grandes Anónimos III</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Dec 2006 12:23:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[video]]></category>

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		<description><![CDATA[Grandes Anónimos Nipónicos Shibuya-San Autor: Edgar Pêra]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Grandes Anónimos Nipónicos<br />
Shibuya-San</p>
<p><center><br />
<script type="text/javascript" src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js"></script><script type="text/javascript" src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&#038;posts_id=118926&#038;source=3&#038;autoplay=true&#038;file_type=flv&#038;player_width=&#038;player_height="></script>
<div id="blip_movie_content_118926"><a href="http://blip.tv/file/get/5dias-GrandesAnnimosNipnicos226.flv" onclick="play_blip_movie_118926(); return false;"><img src="http://blip.tv/file/get/5dias-GrandesAnnimosNipnicos226.flv.jpg" border="0" title="Click To Play" /></a></div>
<p></center></p>
<p>Autor: <a href="http://elementarista.blogs.sapo.pt/">Edgar Pêra</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Mitos &amp; Lendas</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Dec 2006 10:36:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Autor: Carlos Trincão O Primeiro-Ministro, hoje, terça-feira, a propósito da Economia portuguesa, referia, na TV, que há muitas visões catastrofistas e muitas Cassandras em Portugal. E referia, ainda, que esses estão enganados. Então… não deveria ter falado em Cassandra, pois &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/12/13/mitos-lendas/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Autor: Carlos Trincão</strong></p>
<p>O Primeiro-Ministro, hoje, terça-feira, a propósito da Economia portuguesa, referia, na TV, que há muitas visões catastrofistas e muitas Cassandras em Portugal. E referia, ainda, que esses estão enganados. Então… não deveria ter falado em Cassandra, pois essa não se enganou e Tróia foi destruída.</p>
<p>Aproveitando a deixa, poderia, então, perguntar-se se o actual Governo de Portugal não se serviu de uma espécie de Cavalo de Tróia para entrar no voto dos descontentes… e, de seguida, enfim…</p>
<p>Parece, assim, que o Eleitorado é uma espécie de Sísifo: quando pensa que, finalmente, resolveu o assunto e mudou a Maioria da Assembleia e consegue levar a pedra ao cimo do monte… lá se vão as ilusões e vem tudo por aí abaixo. E de novo se leva a coisa com sacrifício, quiçá entusiasmado com os ditos dos “deuses” da Oposição. Até que voltamos a alcançar o topo. E resvalar de novo.</p>
<p>Pois é. Basta escaranfuchar a Mitologia.</p>
<p>A propósito, até quase seria, por esta ordem de ideias, de considerar os fazedores do 25 de Abril como uns agrilhoados Prometeus: roubaram o fogo sagrado, deram-no ao Povo e agora, sem qualquer poder ou capacidade de intervenção, vêm as chamas a esmorecer, quais furiosas bicadas do pássaro devorador das suas entranhas…</p>
<p>Nos entretantos, considerando Ulisses ainda em interminável viagem, viram-se para Penélope – as conquistas civilizacionais do dito 25 – aproveitando a ausência, novos senhores que se divertem e banqueteiam no orçamento alheio…</p>
<p>Pois é. Basta procurar na Mitologia.</p>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Made in Japan</title>
		<link>http://5dias.net/2006/12/06/made-in-japan/</link>
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		<pubDate>Wed, 06 Dec 2006 17:24:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[  Fotografias de Edgar Pêra                        ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> </p>
<p>Fotografias de <a href="http://elementarista.blogs.sapo.pt/">Edgar Pêra</a></p>
<p> </p>
<p><img id="image488" style="width: 409px; height: 296px" height="296" alt="oriente-6-214.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/12/oriente-6-214.jpg" width="409" /></p>
<p> <img id="image489" style="width: 398px; height: 275px" height="275" alt="oriente-6-217.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/12/oriente-6-217.jpg" width="398" /></p>
<p> </p>
<p><img id="image487" style="width: 409px; height: 281px" height="281" alt="oriente-6-278.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/12/oriente-6-278.jpg" width="409" /></p>
<p> <img id="image484" style="width: 402px; height: 313px" height="313" alt="oriente-6-154.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/12/oriente-6-154.jpg" width="402" /></p>
<p><img id="image486" style="width: 410px; height: 329px" height="329" alt="oriente-6-186.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/12/oriente-6-186.jpg" width="410" /></p>
<p> </p>
<p><img id="image485" style="width: 411px; height: 283px" height="283" alt="oriente-6-185.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/12/oriente-6-185.jpg" width="411" /></p>
<p> <img id="image480" style="width: 403px; height: 316px" height="316" alt="oriente-3-222.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/12/oriente-3-222.jpg" width="403" /></p>
<p><img id="image483" style="height: 287px" height="287" alt="oriente-4-102.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/12/oriente-4-102.jpg" width="407" /></p>
<p> </p>
<p><img id="image481" style="width: 401px; height: 282px" height="282" alt="oriente-3-247.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/12/oriente-3-247.jpg" width="401" /></p>
<p> </p>
<p> <img id="image479" style="width: 393px; height: 315px" height="315" alt="oriente-3-169.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/12/oriente-3-169.jpg" width="393" /></p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p><a href="http://elementarista.blogs.sapo.pt/" /></p>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Quatro livros essenciais não traduzidos</title>
		<link>http://5dias.net/2006/12/06/quatro-livros-essenciais-nao-traduzidos/</link>
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		<pubDate>Wed, 06 Dec 2006 16:58:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Autor: Rui Curado da Silva Portugal é um país de pobres hábitos de leitura, mas mesmo entre os que escrevem e os que lêem existem pobres hábitos, nomeadamente a ausência de análise e de debate literário. Mas a cereja em &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/12/06/quatro-livros-essenciais-nao-traduzidos/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Autor: <a href="http://klepsydra.blogspot.com/">Rui Curado da Silva</a></p>
<p>Portugal é um país de pobres hábitos de leitura, mas mesmo entre os que escrevem e os que lêem existem pobres hábitos, nomeadamente a ausência de análise e de debate literário. Mas a cereja em cima do bolo é o número impressionante de obras essenciais que nem sequer são traduzidas. Aqui se apresentam quatro grandes obras não traduzidas, escritas nos três últimos anos:</p>
<p><a href="http://www.amazon.com/exec/obidos/tg/detail/-/0375423028/qid=1082745591/sr=1-1/ref=sr_1_1/002-6850453-3940800?v=glance&#038;s=books">Disarming Iraq, Hans Blix, Pantheon, 2004</a>.</p>
<p>Se Portugal fosse um país a sério, o livro de Hans Blix desencadearia no mínimo um inquérito parlamentar a Durão Barroso e aos seus conselheiros responsáveis pela defesa. Nesta obra, Hans Blix mostra que as provas da existência de armas de destruição em massa que Durão Barroso afirmou ter visto foram intencionalmente apresentadas de uma forma enganosa. Na altura a Administração Bush já tinha conhecimento (bem como russos e israelitas) que se tratavam de fotografias de camiões de transporte de hidrogénio para balões meteorológicos e não laboratórios ambulantes de armas biológicas. O que levanta duas questões graves: 1) Portugal foi ludibriado por um país aliado ao nível de um dos seus mais altos representantes do estado; 2) O episódio mostra a vulnerabilidade do país pela inexistência de aconselhamento científico adequado ao Primeiro Ministro.</p>
<p>Disarming Iraq narra com grande rigor técnico, científico e político, o processo de inspecções de armas de destruição em massa no Iraque liderado por Hans Blix. Trata-se  de uma obra essencial para se perceber o quão longe foi a Administração Bush para forjar um motivo para a invasão do Iraque.<a href="http://www.amazon.com/exec/obidos/tg/detail/-/1585423459/qid=1102943163/sr=1-1/ref=sr_1_1/103-3963598-6415863?v=glance&#038;s=books" /></p>
<p><a href="http://www.amazon.com/exec/obidos/tg/detail/-/1585423459/qid=1102943163/sr=1-1/ref=sr_1_1/103-3963598-6415863?v=glance&#038;s=books">The European Dream: How Europe&#8217;s Vision of the Future is Quietly Eclipsing the American Dream,</a> Jeremy Rifkin, ed. Jeremy P. Tarcher, 2005.</p>
<p>Esta é na minha opinião a mais eficaz obra de desconstrução dos mitos do liberalismo económico selvagem preconizado pelos neo-conservadores e simultaneamente a obra que compila de uma forma coerente o melhor da esquerda europeia: o modelo social europeu, a laicidade, a protecção ambiental, o respeito pela sexualidade, o trabalhar para viver (e não o contrário), a redução do tempo de trabalho e o direito a férias aumentando a produtividade, a diplomacia internacional e as redes de trabalho que integram empresas, instiuições públicas e associações da sociedade civil, envolvendo vários países, várias línguas e várias moedas. Sempre em comparação com os EUA, Rifkin analisa os melhores exemplos da Europa, sugerindo que se nós, europeus, conseguirmos compilar e aplicar de uma forma generalizada esses exemplos, poderemos desencadear uma pequena revolução na nossa qualidade de vida. A fórmula de Rifkin é simples: a Europa em conjunto pode fazer melhor do que a soma das partes separadas. É isto a essência da esquerda.<a href="http://www.odilejacob.fr/catalogue/index.php?op=livre&#038;article=2141&#038;cat=0202" /></p>
<p><a href="http://www.odilejacob.fr/catalogue/index.php?op=livre&#038;article=2141&#038;cat=0202">De Tchernobyl en Tchernobyls</a>, Georges Charpak, Richard Garwin e Venance Journé, 2005, Odile Jacob</p>
<p>Num país que desatou a discutir o nuclear esta é uma obra obrigatória. Os autores são investigadores que trabalham nos programas nucleares civis dos respectivos países (Charpak foi Nobel da Física) e lançam nesta obra uma série de alertas muito sérios à proliferação de centrais nucleares e de tentativas de programas nucleares artesanais. A busca do lucro fácil e o excesso de confiança têm dado origem a acidentes com consequências económicas desastrosas (em Sellafield, Three Mille Island, Tokai-Mura, etc.) e a situações de risco de acidente e de desprezo pelas regras de segurança que tiveram o seu expoente máximo nos apagões artificiais provocados pela ENRON na Califórnia. Mas esta é sobretudo uma obra muito completa que analisa todos os aspectos da tecnologia nuclear, desde os perigos associados à manutenção dos actuais arsenais nucleares até às suas aplicações civis nos hospitais, nomeadamente na cura de tumores, e à esperança de produção de energia nuclear limpa por fusão através do projecto ITER.</p>
<p><a href="http://www.amazon.com/exec/obidos/tg/detail/-/1585423459/qid=1102943163/sr=1-1/ref=sr_1_1/103-3963598-6415863?v=glance&#038;s=books">American Vertigo </a>de Bernard-Henri Lévy, Grasset 2006</p>
<p>American Vertigo de Bernard-Henri Lévy (BHL) é um diagnóstico dos EUA de hoje e o diagonóstico de BHL é claro, nas palavras do autor &#8220;<span /><em>une nation plus incertaine de ce qu&#8217;elle est, mal assurée de ce qu&#8217;elle devient, indéterminée quant à la valeur des valeurs, c&#8217;est-à-dire des mythes, qui l&#8217;ont fondée; c&#8217;est un trouble; c&#8217;est un malaise; c&#8217;est un vacillement des repères et des certitudes, un vertige</em>&#8221; (pag.385). Para o ilustrar BHL enuncia quatro séries de sinais:</p>
<p>1) A desregulação dos mecanismos de memória, de que a negação do evolucionismo é um exemplo perfeito;</p>
<p>2) A obesidade económica, financeira e política: os giga-centros comerciais, as mega-igrejas, os ultra-parques de estacionamento, etc;</p>
<p>3) As fracturas no espaço político e social, o fim do melting pot e uma certa desintegração da sociedade;</p>
<p>4) A pobreza, a exclusão e as prisões.</p>
<p>Esta é uma obra deliciosa, brilhantemente escrita, que poderia ser o argumento de um road movie sobre a sociedade americana que se incia em Nova Iorque, passa por Seattle, Los Angeles, Savannah, Nova Orleães, Washington e descobre lugares curiosos da América profunda.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Estudos que tais e liberalizações a mais</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Dec 2006 16:49:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[    Autor: Carlos Trincão   Neste domingo, pela manhã, calhou ouvir na rádio que, nesse mesmo dia, pela tarde, iria ser apresentado, não sei onde, um estudo sobre a juventude portuguesa de hoje. A notícia adiantava as conclusões: que os &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/12/06/estudos-que-tais-e-liberalizacoes-a-mais/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><u><font size="3"><font face="Times New Roman"> </p>
<p></font></font></u></strong> <font face="Times New Roman" size="3"> Autor: <a href="http://bancadadobloco.blogia.com/">Carlos Trincão</a></font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3" /></p>
<p> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify"><font face="Times New Roman" size="3">Neste domingo, pela manhã, calhou ouvir na rádio que, nesse mesmo dia, pela tarde, iria ser apresentado, não sei onde, um estudo sobre a juventude portuguesa de hoje. A notícia adiantava as conclusões: que os jovens, hoje, saem mais tarde de casa dos pais, que entram mais tarde no mercado de trabalho, que não há mercado de trabalho e mais umas coisas que, a bem ver, vão dar ao mesmo.</font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3"> </font></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify"><font face="Times New Roman" size="3">Ao que parece, a dita notícia lá teve a concretização anunciada, o estudo foi mostrado, o Ministro apareceu por lá e pronto.</font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3"> </font></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify"><font face="Times New Roman" size="3">Agora o que me apetece perguntar é: então e aquelas conclusões não são evidentes para toda a gente há muito tempo? Então, o Ministro só acredita nestas coisas quando uma Comissão o escreve?</font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3"> </font></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify"><font face="Times New Roman" size="3">Mas como esta pergunta é insuficiente, deixo outras duas: que razão tem pairado nos éteres governativos para que, sendo estas evidências tão evidentes, não tenha sido, evidentemente, abordado um modelo de desenvolvimento que, de vez, entenda as pessoas como gente e que a Economia serve os cidadãos?</font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3"> </font></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify"><font face="Times New Roman" size="3">Na verdade, queira-se ou não, o que nos tem sido mandado para cima da mesa é o oposto: a Economia é um fim e os meios para o atingir são as pessoas.</font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3"> </font></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify"><font face="Times New Roman" size="3">Mesmo a propósito, não é?, dizem as notícias de hoje, terça-feira, que é possível existirem por aí hospitais que estão a recusar acompanhamento médico a doentes com características, digamos, muito onerosas.</font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3"> </font></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify"><font face="Times New Roman" size="3">Foi lançada a suspeita, embora não se concretizem acusações ou dêem exemplos. O que não é bom. Porém, diz o ditado que não há fumo sem fogo…</font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3"> </font></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify"><font face="Times New Roman" size="3">As coisas não ficam por aqui. Acabo de ouvir, na televisão, a notícia do aumento do salário mínimo nacional para 403 euros em 2007, com compromisso de 2009 ver 450 euros e 2011 acolher o meio milhar.</font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3"> </font></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify"><font face="Times New Roman" size="3">É bom, claro. De resto, as confederações sindicais disso deram boa nota; contudo, não me passou despercebida a alusão, por parte de um representante de uma das confederações patronais, ao bom caminho que o nosso país trilha na senda da liberalização das leis laborais (sonante eufemismo para “despedimentos”, como sabemos), alusão essa dita num tom que mais não é do que o aviso: este aumento do salário mínimo mais não é do que a moeda de troca para a dita liberalização.</font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3"> </font></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify"><font face="Times New Roman" size="3">Fica a dúvida: a liberalização chega em 2011? Vamos ter um bocadinho de liberalização já em 2007? E em 2009 qual vai ser a percentagem de liberalização em vigor? </font></p>]]></content:encoded>
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		<title>Macau, cidade pataca.</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Nov 2006 21:09:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Primeira hora. Primeira impressão.          ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img id="image450" style="width: 385px; height: 233px" height="233" alt="makkau-052.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/11/makkau-052.jpg" width="385" /></p>
<p>Primeira hora. Primeira impressão.</p>
<p><img id="image443" style="width: 371px; height: 255px" height="255" alt="makkau-144.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/11/makkau-144.jpg" width="371" /></p>
<p><img id="image444" style="width: 370px; height: 222px" height="222" alt="makkau-143.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/11/makkau-143.jpg" width="370" /></p>
<p><img id="image445" style="width: 370px; height: 208px" height="208" alt="makkau-159.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/11/makkau-159.jpg" width="370" /></p>
<p><img id="image451" style="width: 371px; height: 264px" height="264" alt="makkau-160.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/11/makkau-160.jpg" width="371" /></p>
<p><img id="image449" style="width: 373px; height: 280px" height="280" alt="makkau2-010.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/11/makkau2-010.jpg" width="373" /></p>
<p><img id="image446" style="width: 371px; height: 203px" height="203" alt="makkau-168.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/11/makkau-168.jpg" width="371" /></p>
<p><img id="image447" style="width: 370px; height: 263px" height="263" alt="makkau-171.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/11/makkau-171.jpg" width="370" /></p>
<p><img id="image448" style="width: 370px; height: 304px" height="304" alt="makkau2-011.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/11/makkau2-011.jpg" width="370" /></p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>]]></content:encoded>
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		<title>Viagem</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Nov 2006 20:16:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Autor: Carlos Trincão Preparo-me para um viagem de cinco horas, em comboio rápido, e instalo-me no compartimento. Ganho fôlego para escrever, ainda no comboio, horas depois da partida. De Sul para Norte, que é a direcção em que marcho, as &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/11/29/viagem/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Autor: Carlos Trincão</p>
<p class="MsoBodyTextIndent" style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify"><font face="Times New Roman" size="3">Preparo-me para um viagem de cinco horas, em comboio rápido, e instalo-me no compartimento. Ganho fôlego para escrever, ainda no comboio, horas depois da partida.</font></p>
<p class="MsoBodyTextIndent" style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify"><font face="Times New Roman" size="3">De Sul para Norte, que é a direcção em que marcho, as montanhas sucederam-se a um ritmo impressionante, sem dar tréguas. Primeiro, a meia distância de mim, como que a recordarem-me do que – já lá vão tantos anos! – aprendi nas aulas de Geografia e nas de História; depois, parecendo querer deixar-me respirar, afastaram-se discretamente, embora mantendo suficientes motivos de interesse para que eu não me distraísse. Até aqui, tudo bem, diria, que as altitudes nem eram grande coisa. Porém, subitamente, surgem-me, pela esquerda, magníficas visões de cumes gelados e encostas agrestes, rudes e brutais &#8211; uma sólida e persistente cordilheira de cerca de 1500 metros de altitude.</font></p>
<p class="MsoBodyTextIndent" style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify"><font face="Times New Roman" size="3">E foi aqui, então, que tudo se complicou. A viagem passou a fazer-se dentro da montanha, ora furando-a, ora vencendo os vales. E quando não a furava nem vencia os vales, o comboio optava, inteligentemente, por acompanhar as encostas a pouquíssimos metros de autênticas paredes, verticais e tudo, que começavam uns largos metros abaixo de mim e subiam rapidamente não sei quantas dezenas deles!</font></p>
<p class="MsoBodyTextIndent" style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify"><font face="Times New Roman" size="3">São rugosas, as paredes das montanhas! Rugosas e nada apaziguadoras. São elas que mandam. O comboio obedecia-lhes, humildemente. Tão humildemente que a velocidade tinha que abrandar para valores próximos da lentidão.</font></p>
<p class="MsoBodyTextIndent" style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify"><font face="Times New Roman" size="3">Por fim, esgotada a arrogância pétrea, a paisagem decidiu amainar. Os montes, então já mais moderados, limitavam-se a fazer uma espécie de guarda de honra ao comboio. Vestiram-se de verde permanente, arredondaram os cimos, perderam a neve e, de quando em vez, estendiam-se languidamente em onduladas planícies.</font></p>
<p class="MsoBodyTextIndent" style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify"><font face="Times New Roman" size="3">Nunca perdi o verde de vista desde a estação de partida: arbustos, árvores que não identifiquei, oliveiras a perder de vista. E não importava onde: nos vales ou nas encostas. Aqui, então, era sublime a vista: parecia que as árvores tinham procurado a pedra certa para apoiar as raízes, envolvendo-as e penetrando, então, no sub-solo. Daí que as cores das vertentes não fossem simplesmente verdes, antes verdes polvilhadas de branco, muitos brancos a espreitar do chão.</font></p>
<p class="MsoBodyTextIndent" style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify"><font face="Times New Roman" size="3">E muitos brancos, também, nas copas, já não de oliveiras, mas de amendoeiras, num festival de exaltação da Primavera. A deusa Deméter deve estar para chegar!</font></p>
<p class="MsoBodyTextIndent" style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify"><font face="Times New Roman" size="3">Não vi as abelhas, mas sei que por ali andam, tantas são as colmeias que os homens por aqui espalharam.</font></p>
<p class="MsoBodyTextIndent" style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify"><font face="Times New Roman" size="3">Mel, azeite e azeitonas, como aprendi na escola. E leite e queijo, porque vi os rebanhos de ovinos e caprinos. A realidade da Grécia, entre Atenas e Salónica, confere com os livros.</font></p>
<p> </p>]]></content:encoded>
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		<title>Velado</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Nov 2006 17:51:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[véu-islâmico]]></category>

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		<description><![CDATA[                                                          PROÍBA-SE!                                                  O debate em torno do véu islâmico regressou. Primeiro, foram as declarações de Jack Straw e de Blair. Este último considerou o véu uma “marca de separação”, defendendo a decisão de suspender uma professora, que &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/11/22/velado/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt"><font face="Times New Roman" size="3">                 <img id="image411" style="width: 204px; height: 208px" height="208" alt="veil-wiow.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/11/veil-wiow.jpg" width="204" /></font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3" /></font></font><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3" /></font></font></font></font></font><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3" /></font></font></font></font></font></font></font></font></font><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt"><font face="Times New Roman" size="3">                                   <strong>      PROÍBA-SE!</strong></font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3" /><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3" /></font></font></font><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3" /></font></font></font></font></font></font><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3" /></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3" /></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt"><font face="Times New Roman" size="3">                                                 <img id="image410" style="width: 209px; height: 207px" height="207" alt="bride_with_wedding_veil.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/11/bride_with_wedding_veil.jpg" width="209" /></font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3" /></font></font></font></font></font></font><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3" /></font></font></font></font></font></font></font></font></font><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3" /></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3" /></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3" /></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt"><font face="Times New Roman" size="3">O debate em torno do véu islâmico regressou. Primeiro, foram as declarações de Jack Straw e de Blair. <a href="http://news.bbc.co.uk/1/hi/uk_politics/6058672.stm">Este último considerou o véu uma “marca de separação”</a>, defendendo a decisão de suspender uma professora, que se recusou a tirar o niqab na sala de aula. <a href="http://today.reuters.com/news/articlebusiness.aspx?type=tnBusinessNews&#038;storyID=nL17853569&#038;from=business">Romano Prodi, instado a comentar as afirmações de Straw, afiançou que “Não estamos a falar do que as pessoas vestem, mas se estão ou não a esconder-se</a>”. O seu vice- primeiro ministro admitiu, então, legislar sobre essa matéria. <a href="http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/6148968.stm">Há uma semana, o Vaticano afirmou que os imigrantes devem “respeitar as tradições, os símbolos, a cultura e a religião dos países para onde se mudam</a>” (!) Na passada sexta-feira, na Holanda, a ministra para a imigração Rita Verdonk, <a href="http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-3326781,00.html">anunciou intenção de interditar o uso do véu em público</a>. </font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%; text-align: justify"><font face="Times New Roman" size="3">Como muitos saberão, a controvérsia sobre o véu começou em 2003, quando a França proibiu o hijab nas escolas públicas. Seguiu-se a inibição em alguns estados da Alemanha e na Bélgica. Em </font><font face="Times New Roman" size="3">Maaseik, designadamente, o uso da burqa em público é punido com uma multa de 125 euros. </font></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify"><font face="Times New Roman" size="3">Não obstante o facto do véu ter significados muito diferentes, há quem o considere “um símbolo de estagnação nos sistemas políticos árabes”, como afirmou Elham Manea ao jornal Público de Domingo. Um atentado contra o secularismo. Neste prisma, o uso do véu é encarado como uma diferenciação inaceitável, relacionada com o fundamentalismo islâmico e com a humilhação da mulher. Os que sustentam esta opinião, dizem que são a favor do <a href="http://www.negocios.pt/default.asp?SqlPage=Content_Opiniao&#038;CpContentId=284680">laicismo e argumentam que a proibição do véu faz parte do caminho para o secularismo</a>. Do outro lado, posição com a qual- apesar de tudo – me identifico mais, há quem considere o uso do véu um direito na medida em que é um <a href="http://www.esquerda.net/index.php?option=com_content&#038;task=view&#038;id=952&#038;Itemid=46">sinal distintivo das confissões</a>. Argumenta-se que a proibição do véu apenas faz com que a sociedade perca “<a href="http://sol.sapo.pt/blogs/miguelportas/archive/2006/10/21/Aquela-noite-de-1998.aspx">em direito de escolha</a>”.</font></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify">                                 <img id="image413" style="width: 220px; height: 223px" height="223" alt="veil-wiow-2.JPG" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/11/veil-wiow-2.JPG" width="220" /></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman">Uma das razões pelas quais tendo para esta última posição é porque, de facto, a proibição do véu tem por fundamento a islamofobia e não a verdadeira promoção da laicidade na escola pública ou dos direitos das mulheres. Não me revendo no relativismo cultural, noto que em França, berço desta senda, continuam a persistir lacunas graves no acesso à cidadania para os imigrantes e seus descendentes, tanto quanto na promoção do cosmopolitismo. <span style="color: black"><a href="http://www.homme-moderne.org/raisonsdagir-editions/catalog/tevanian/voile.html">Pierre Tévanian, autor de Le Voile Médiatique</a>, <a href="http://www.guardian.co.uk/comment/story/0,,1953025,00.html">aqui citado</a>, considera que a polémica sobre o uso do véu revela “um racismo pós-colonial arreigado que cruza todas as formações políticas e sociais, mesmo as mais progressivas”. <a href="http://www.amazon.com/Believing-Women-Islam-Patriarchal-Interpretations/dp/0292709048">Asma Barlas, autora de Believing Women in Islam</a>, afirma que: “quanto aos não muçulmanos obcecados com o véu, há mais medo da diferença do que uma preocupação com a integração (…) [os debates sobre o véu] parecem ser representações culturais do Ocidente para si próprio”. </span></font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify"><font face="Times New Roman" size="3">E estou mais próxima desta opinião também porque observo os resultados, concluindo que, realmente, com a proibição do véu aumentou a guetização das escolas, algumas mulheres muçulmanas ficaram ainda mais isoladas, com menos oportunidades na sua emancipação, consolidou-se a visão do véu enquanto símbolo identitário. Com a polémica instalada no Reino Unido, por exemplo, oito dias depois das declarações de Straw &#8211; como relatava o Público (19/11) &#8211; a BBC falou com os donos do Centro Hijab. Esta loja, um grande espaço comercial dedicado à venda de véus, tinha registado um importante aumento das vendas.</font></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify"><font face="Times New Roman" size="3">                             <img id="image414" style="width: 231px; height: 234px" height="234" alt="bride_with_wedding_veil-2.JPG" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/11/bride_with_wedding_veil-2.JPG" width="231" /></font></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify"><font face="Times New Roman" size="3">O <a href="http://www.guardian.co.uk/comment/story/0,,1953025,00.html">artigo da jornalista e investigadora francesa Naima Bouteljda</a>, publicado no The Guardian de ontem, é imprescindível. Na Holanda, a proibição do véu afectaria apenas 100 mulheres. Em Itália o véu é utilizado por 50 mulheres. Nas escolas públicas francesas, dos 10 milhões de alunos, apenas 1000 usavam o dito lenço. Depois das declarações de Sarkozy, o grande responsável pela proibição em França, a bolha rebentou na comunicação social. Em 2003, e em três jornais – Le Monde, Libération e Le Fígaro- foram publicados <strong>1284 </strong>artigos sobre este tema. Naima Bouteljda relembra que sobre a reforma da segurança social, que trouxe milhares de pessoas às ruas, apenas <strong>478 </strong>artigos foram publicados.</font></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify"><img id="image419" style="width: 184px; height: 161px" height="161" alt="capuz.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/11/capuz.jpg" width="184" /><img id="image420" style="width: 151px; height: 162px" height="162" alt="sungl.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/11/sungl.jpg" width="151" /></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify"><font face="Times New Roman" size="3">Como diz a autora: “em cada país europeu, a véu-mania parece seguir um padrão semelhante: uma declaração pública de um político proeminente resulta numa resposta política e mediática frenética, desviando convenientemente a atenção de medidas governamentais impopulares ou de crises políticas”.</font></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><span style="color: black" /></font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman"><span style="color: black">O debate iniciado em França surgiu desse modo. Nem em França nem nos restantes países europeus existe ou existia, propriamente, um movimento cívico ou uma vox pop acerca desta questão. Nem exigências da parte de professores ou outros agentes educativos. </span><span lang="EN-GB" style="color: black; mso-ansi-language: EN-GB">Antes da comissão Stasi, a opinião pública estava dividida. </span><span style="color: black">Depois de todo o tal frenetismo, 76% defendiam a proibição. </span></font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman"><span style="color: black" /></font></font><font size="3"><font face="Times New Roman"><span style="color: black"><span style="color: black"><font size="3"><font face="Times New Roman">O resultado destas medidas, que são mais sobre a sujeição aos costumes da maioria do que à lei nacional, agora em escalada &#8211; já que a promessa holandesa é banir a niqab e a burka em todos os espaços públicos e não apenas nas instituições públicas &#8211; tem sido desastrosos, como já mencionei. Além disso, se a comissão Stasi incluía outras recomendações para a promoção do secularismo &#8211; como a inclusão nos currículos escolares da escravatura e da colonização &#8211; praticamente só a proibição do uso do véu foi levada em linha de conta. </font></font></span></span></font></font><font size="3"><font face="Times New Roman"><span style="color: black"> </span></font></font><span style="color: black"><font size="3"><font face="Times New Roman">A jornalista conclui que quanto mais se alimentar esta histeria, “mais parece que um consenso islamofóbico pan-europeu está a ser construído, enquanto os políticos procuram bodes-expiatórios para os problemas sociais e pretextos para legislar no âmbito a guerra contra o terror”. </font></font></span><span style="color: black"><font size="3"><font face="Times New Roman">Nem mais. </font></font></span></p>
<p><span style="color: black" /><span style="color: black"><font size="3"><font face="Times New Roman"><span style="color: black"><font size="3"><font face="Times New Roman"> </font></font></span></font><font size="3"> </font><font size="3"><span style="color: black" /><span style="color: black"><font size="3"><font face="Times New Roman"><img id="image415" style="width: 125px; height: 140px" height="140" alt="freira.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/11/freira.jpg" width="125" /><img id="image416" style="width: 134px; height: 141px" height="141" alt="niqab.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/11/niqab.jpg" width="134" /><img id="image418" style="width: 124px; height: 140px" height="140" alt="freira-sem-os-tres.JPG" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/11/freira-sem-os-tres.JPG" width="124" /></font></font></span><span style="color: black"><font size="3"><font face="Times New Roman"> </font></font></span><span style="color: black"><font size="3"><font face="Times New Roman"> </font></font></span></font></font></span><font size="3"><font size="3"><span style="color: black"><font size="3"><font face="Times New Roman"> </font></font></span></font></font><font size="3"><font size="3"><span style="color: black"><font size="3"><font face="Times New Roman" /></font></span></font></font><font size="3"><font size="3"><span style="color: black"><font size="3"><font face="Times New Roman"> </p>
<p></font></font></span>  Quero continuar a ter o direito a andar na rua de capuz e de óculos escuros, simultaneamente e sempre que me apetecer. Obrigado<img id="image421" style="width: 188px; height: 221px" height="221" alt="bebe-oculos.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/11/bebe-oculos.jpg" width="188" />. </p>
<p>  </p>
<p></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font>   </p>
<p></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font> </p>
<p></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></font></p>]]></content:encoded>
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		<title>Irreversível</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Nov 2006 12:52:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Aquecimento-Global]]></category>

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		<description><![CDATA[No esquerda.net: &#8220;Especialistas prevêem que as ameaças climáticas podem custar até 1 bilião de dólares (cerca de 780 mil milhões de euros) por ano a partir de 2040, refere um estudo hoje apresentado na 12ª Conferência da ONU sobre as &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/11/15/irreversivel/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><span style="color: black"><font size="3"><font face="Times New Roman">No <a href="http://www.esquerda.net/index.php?option=com_content&#038;task=view&#038;id=1088&#038;Itemid=26">esquerda.net</a>:</font></font></span></p>
<p><span style="color: black"><font size="3"><font face="Times New Roman">&#8220;Especialistas prevêem que as ameaças climáticas podem custar até 1 bilião de dólares (cerca de 780 mil milhões de euros) por ano a partir de 2040, refere um estudo hoje apresentado na 12ª Conferência da ONU sobre as Alterações Climáticas, em Nairobi. </font></font></span></p>
<p><span style="color: black"><font size="3"><font face="Times New Roman" /></font></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify" class="MsoNormal"><span style="color: black"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font size="3"><font face="Times New Roman">O antigo secretário-geral da ONU Kofi Annan alertou, hoje, no encerramento da Cimeira de Nairobi que estamos a &#8220;atingir um ponto de não retorno&#8221; nas alterações climáticas do nosso planeta.&#8221;</font></font></font></font></span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Feito em casa</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Nov 2006 12:44:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
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		<category><![CDATA[documentários]]></category>
		<category><![CDATA[media]]></category>

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		<description><![CDATA[Em dez, metade das citações da coluna Diz-se, do Público de hoje, foram retiradas de blogs. Exemplo de como a imprensa tradicional transformou a ameaça em aliado, o que Diana Andringa assinala no retornado e bem vindo Le Monde Diplomatique, &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/11/15/feito-em-casa/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font size="3" face="Times New Roman">Em dez, metade das citações da coluna <em>Diz-se</em>, do Público de hoje, foram retiradas de blogs. Exemplo de como a imprensa tradicional transformou a ameaça em aliado, o que Diana Andringa assinala no retornado e bem vindo <a href="http://pt.mondediplo.com/">Le Monde Diplomatique, edição portuguesa.</a></font></p>
<p><span style="font-size: 12pt; color: black; font-family: 'Times New Roman'">Diana Andringa, recebeu agora uma menção honrosa na Primeira Edição do Prémio de Jornalismo &#8220;Direitos Humanos, Tolerância e Luta contra a Discriminação na Comunicação Social&#8221;, promovido pela Comissão Nacional da UNESCO e pelo Instituto de Comunicação Social. O premiado vídeo &#8220;<a href="http://www.eraumavezumarrastao.net/">Era Uma Vez um Arrastão</a>&#8221; foi divulgado exclusivamente pela Internet, com o objectivo de denunciar a farsa em torno de um um &#8220;arrastão&#8221; na Praia de Carcavelos, que nunca existiu.</span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Visível ou invisível</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Nov 2006 00:58:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
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		<description><![CDATA[  Na segunda-feira fui até à galeria António Prates ver a exposição de Noronha da Costa, intitulada A Grande Janela de Kiev. Salas vazias, embora a hora fosse happy o suficiente e a exposição esteja patente só até dia 21 &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/11/15/visivel-ou-invisivel/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font face="Times New Roman" size="3"> <img id="image381" style="width: 309px; height: 216px" height="216" alt="noronhadacosta.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/11/noronhadacosta.jpg" width="309" /></font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3">Na segunda-feira fui até à galeria António Prates ver a exposição de Noronha da Costa, intitulada <em>A Grande Janela de Kiev</em>. Salas vazias, embora a hora fosse<em> happy</em> o suficiente e a exposição esteja patente só até dia 21 de Novembro. À saída reparei num painel de parede, com recortes de jornais sobre a exposição, género dossier de imprensa. Desde o JL aos jornais de referência, o destaque dado ao evento era mínimo. Não fosse a entrevista dada ao Sol pelo pintor, a 28 de Outubro, e o quadro estaria quase tão desabitado quanto a galeria. Nesse mesmo dia, aliás, publiquei uma crónica no DN sobre Amadeo Souza-Cardoso e o desprezo a que Portugal o condenou. Os tempos são outros, as reacções também – Noronha já teve uma retrospectiva no CCB &#8211; mas não deixa de haver uma obtusa persistência no erro. </font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3">Noronha da Costa foi arquitecto e, como afirma no Sol, foi abandonado pela arquitectura. Depois foi cineasta e, segundo diz nessa mesma entrevista, foi desconsiderado enquanto tal. Hoje é pintor, um pintor que trabalha intensamente. Conforme declara também nesse mesmo jornal: “As coisas vão muito mal se uma pessoa se põe com angústias em vez de, pura e simplesmente, fazer o que tem a fazer. Julgo que era Vieira da Silva que dizia – e eu estou de acordo – que um dos grandes males dos pintores portugueses era o de procurarem a sua inspiração no café em vez de a procurarem no ateliê”. Nem mais. Contudo, a obra de Noronha está longe de receber o reconhecimento que lhe é devido. Diz Nuno Faria, num texto publicado pela Gulbenkian, que “é um daqueles artistas cuja notoriedade e debate crítico em torno da sua obra contrastam com a ausência de um verdadeiro e produtivo conhecimento do trabalho e da importância do seu lugar no panorama da história da arte em Portugal”. </font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3">Adiante. Noronha é ecrã, é a imagem enquanto relação entre o indivíduo e o mundo. Eugénio Rosa de Oliveira (<em>A pintura de Noronha da Costa</em>) afiança que: “O que é deveras importante na obra de Noronha é a insistência com que ele nos remete para o lugar donde se olha que não é seguramente o lugar do enfoque renascentista, mas o lugar vacante onde o sujeito se experiência como ocorrência transitória de visão”. Defronte de um quadro de Noronha, a posição do espectador é sempre volúvel. As imagens não estão na tela. Parecem que projectadas, pertencentes a outro plano. Nesta colecção que agora se encontra em sala, vários quadros têm buracos nas telas. Diz Noronha que “havia um espaço real que entrava no espaço da pintura. Nesta série de trabalhos há uma espécie de mise-en-scène do conflito entre espaço e imagem”. O ecrã estabelece um espaço e um tempo inerentes à imagem. No catálogo da exposição podemos ler um texto de Gonçalo Salvado, em que se afirma que “o recorte sobre o nada decorre justamente da consideração de um visionamento do real em si, fantasmático, independente da experiência, entregue ao olhar oceânico de uma interrogação sem fim e aparentemente sem resposta”. </font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3">Vale a pena o passeio. E a entrada é gratuita. </font></p>]]></content:encoded>
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		<title>Manda quem pode, obedece quem deve</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Nov 2006 00:57:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Autor: Carlos Trincão   Sem grandes subterfúgios linguísticos nem considerações filosóficas, ou, sequer, citações de quem quer que seja, por absolutamente prescindíveis, deixo três notas actuais ilustrativas da máxima com que intitulo esta prosa. Por outras palavras, quando um problema &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/11/15/manda-quem-pode-obedece-quem-deve/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font size="3"><font face="Times New Roman">Autor: <a href="http://bancadadobloco.blogia.com/">Carlos Trincão</a></font></font></p>
<p> </p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">Sem grandes subterfúgios linguísticos nem considerações filosóficas, ou, sequer, citações de quem quer que seja, por absolutamente prescindíveis, deixo três notas actuais ilustrativas da máxima com que intitulo esta prosa. </font></font><font size="3"><font face="Times New Roman">Por outras palavras, quando um problema afecta A, é B, que em nada fica por ele afectado, a zurzir naquele.</font></font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3" /><br />
<font size="3"><font face="Times New Roman"><strong>ABORTO</strong></font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">Com a Igreja à cabeça, os movimentos que se preparam para defender o “Não” no Referendo que se aproxima incorporam um estonteante número de personalidades masculinas.</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">Esforçando-me por manter esta nota na esfera eclesial, totalmente dominada pelo macho arreprodutor, pergunto-me se haverá ou não motivações menos piedosas para esta caminhada.</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">Pergunto-me, pois, se tal opção não tem a ver com uma actualização do “não separe o homem o que Deus uniu”, assim ao género de:</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman"> “Não separe o homem o que Deus uniu nem desfaça a mulher o que o homem fez”, que é como quem diz: “se tu, mulher, desfizeres o que eu te fiz, como viverei eu, homem, despojado do resultado da minha virilidade?”</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">Ámen.</font></font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3" /></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3" /><br />
<font size="3"><font face="Times New Roman"><strong>ARREDONDAMENTOS NOS EMPRÉSTIMOS BANCÁRIOS</strong></font></font><font face="Times New Roman" size="3" /><font face="Times New Roman" size="3"><font size="3"><font face="Times New Roman">Começou a pensar o pagode que desta é que ia ser: o Governo tinha legislado no sentido de os ditos arredondamentos para cima, acumulados vai para anos, poderem vir a ser repostos a favor dos lesados.</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">Vai-se a ver e, sim senhor, mas só se for através do Tribunal, que a reclamação por si só não é suficiente.</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">Pois. A partir de agora é que vão ser elas e os bancos já tremem de medo.</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">É como naquilo dos impostos que pagam a menos. Quer dizer: não cumprem a Lei, o Governo faz vista grossa e ficam todos ofendidos com o desmascarar da pouca-vergonhice. Depois vem um dito Presidente da Associação de Bancos, que já foi Ministro das Finanças e pactuou com o não pagamento dos impostos em pé de igualdade com os outros contribuintes, muito agastado e a bradar que as pessoas até desconfiariam de um banco que não desse lucros.</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">E eu, que não sou economista, pergunto assim: e para ter lucros é preciso ignorar as leis?</font></font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3" /></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3" /></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman"><strong>ORDENADO MÍNIMO</strong></font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">Esta é que é demais!</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">Mal se ouviu dizer que o salário mínimo ia aumentar para 400 euros, aí uma fortuna de aumento, eis que saíram à liça as confederações patronais a reclamar cuidados, que isso de aumentos, ainda por cima mínimos, iam dar cabo das já frágeis economias empresariais.</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">Eu não percebo mesmo as coisas!</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">Então…, se é assim tão pouco, será por causa de serem muitos a receber o ordenado mínimo que os pobres patrões já estão a tremer?</font></font></p>
<p></font></p>]]></content:encoded>
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		<title>Siga</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Nov 2006 13:05:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje participam Arnaldo Gonçalves, com um artigo sobre a condenação à morte de Saddam Hussein e Carlos Trincão, com um texto intitulado Mitologias. Mais logo serão publicados os vídeos de uma entrevista que realizei a Mahmud Houzan, activista iraquiana, e &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/11/08/siga/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje participam Arnaldo Gonçalves, com um artigo sobre a condenação à morte de Saddam Hussein e Carlos Trincão, com um texto intitulado Mitologias. Mais logo serão publicados os vídeos de uma entrevista que realizei a Mahmud Houzan, activista iraquiana, e que foi filmada por Edgar Pêra.</p>]]></content:encoded>
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		<title>IRAKI FILMS</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Nov 2006 13:04:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Mahmud Houzan é iraquiana, actualmente vive em Londres e dirige a associação Women´s Freedom in Iraq. Tem colaborado com jornais como The Guardian ou The Independent e esteve em Portugal recentemente. O 5dias apresenta hoje um filme exclusivo com Mahmud &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/11/08/iraki-films/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mahmud Houzan é iraquiana, actualmente vive em Londres e dirige a associação <a href="http://www.equalityiniraq.com/">Women´s Freedom in Iraq.</a> Tem colaborado com jornais como <a href="http://www.guardian.co.uk/comment/story/0,,1164268,00.html">The Guardian</a> ou <a href="http://comment.independent.co.uk/commentators/article305879.ece">The Independent</a> e esteve em Portugal recentemente. O 5dias apresenta hoje um filme exclusivo com Mahmud Houzan, uma entrevista sobre a actual situação das mulheres no Iraque, a ocupação estado-unidense e suas consequências, a retirada das tropas e a segregação dos muçulmanos no Ocidente. </p>
<p><center><br />
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<p></center></p>
<p><strong>Ficha técnica:</p>
<p>Entrevista conduzida por: Joana Amaral Dias<br />
Filmado por: Edgar Pêra</strong></p>
<p>Assistente de montagem: João Trindade <br />
Agradecimentos: Luís Carvalho</p>]]></content:encoded>
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		<title>O veredicto sobre Saddam Hussein</title>
		<link>http://5dias.net/2006/11/08/o-veredicto-sobre-saddam-hussein/</link>
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		<pubDate>Wed, 08 Nov 2006 12:53:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Autor: Arnaldo Gonçalves A condenação à morte de Saddam Hussein, o ditador iraquiano, suscita importantes reflexões éticas, políticas e morais sobre a relação entre democracia e totalitarismo. E entre política e justiça. E sobre a superioridade da primeira sobre a segunda. &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/11/08/o-veredicto-sobre-saddam-hussein/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Autor: Arnaldo Gonçalves</p>
<p>A condenação à morte de Saddam Hussein, o ditador iraquiano, suscita importantes reflexões éticas, políticas e morais sobre a relação entre democracia e totalitarismo. E entre política e justiça. E sobre a superioridade da primeira sobre a segunda. E a sua admissibilidade nas sanções da última.</p>
<p>A decisão do tribunal especial iraquiano (IST) de o condenar à morte por enforcamento não terá surpreendido muita gente. Ela era esperada, a sua possibilidade fora anunciada antes da constituição do tribunal que julgou Saddam e os seus correligionários mais próximos. E quer no mundo árabe, quer no Ocidente este desenlace era aguardado. Com algum alívio nalgumas capitais, sentimento que não extravasará, contudo, para o domínio público.</p>
<p>A acusação foi substancialmente provada: o envolvimento directo de Saddam Hussein, do chefe da secreta iraquiana e meio-irmão de Saddam no assassinato de 140 moradores da vila de Dujail de maioria xiita, presos na sequência de um plot contra Hussein. O antigo presidente do tribunal superior Awad Hamed al-Bander foi também condenado à morte, o ex-vice-presidente Taha Yassin Ramadan a prisão perpétua e três outros dirigentes do partido Baath a 15 anos de prisão.</p>
<p>De acordo com a lei iraquiana as sentenças de morte serão remetidas obrigatoriamente a um tribunal  de recurso, formado por nove juízes, nos dez dias seguintes o qual reunirá vinte dias após para pronunciar o veredicto final. Se a pena for confirmada a sua execução terá lugar em trinta dias. O facto de Saddam estar a responder num segundo julgamento por crime de genocídio não o obstará.</p>
<p>A aplicação da pena capital por crimes de elevada gravidade tem grande tradição em espaços civilizacionais que não o Ocidente. Desde logo, no mundo muçulmano onde a punição física faz parte, desde tempos imemoriais, da “traditio” da aplicação da Justiça e constitui a reparação devida à sociedade por aquele que infringe, de forma irreparável, o código de pertença à comunidade. Também no Oriente, no mundo de influência confuciana e nas culturas malaia e  de java. A maioria das nações do Sudeste Asiático integra a pena de morte no elenco das suas sanções penais, e esta apenas não é aplicada no Cambodja, em Timor-Leste, em Hong Kong e Macau e nas Filipinas.</p>
<p>A Europa é marcadamente abolicionista mantendo-se, apenas, a pena na Bielorússia, na Federação Rússia, na Latia e no Chipre. No continente americano a pena de morte é aplicada, nos Estados Unidos, e mitigadamente na Argentina e no Brasil.  A sua continuidade tem suscitado protestos dos defensores dos direitos humanos, dos juristas internacionalistas e dos liberais, em geral, considerada expressão de incivilidade. ONGs como a Amnistia Internacional ou o Human Watch, fazem da denúncia da aplicação da pena de um dos temas preferidos das suas campanhas.</p>
<p>A Igreja Católica rejeita a pena de morte, de forma consistente, em nome da majoração do direito à vida. O Antigo Testamento prevê a pena de morte para crimes graves como o assassínio, o rapto, a violação do Sabbath, a blasfémia e um amplo espectro de crimes sexuais, mas a Igreja prefere evidenciar o Novo Testamento e o ensinamento de Jesus de oferecer a outra face a quem ofende, de perdoar a quem persegue.</p>
<p>Este censura quase generalizada pela aplicação de uma pena que representa a privação da vida de um ser humano é um fenómeno recente, fazendo parte da tradição cosmopolita e tolerante do Ocidente apenas desde o fim da Segunda Guerra Mundial. A aplicação da pena de morte aos criminosos de guerra nazis pelo Tribunal Militar de Nuremberga teve um amplíssimo apoio da opinião pública americana e europeia. Winston Churchill havia preferido a execução sumária dos responsáveis nazis com base no “Act of Attainder” mas seria convencido pelos americanos a julgá-los em tribunal militar. Estaline propusera na Conferência de Teerão executar 50 000 a 100 000 oficiais alemães, o que suscitara a indignação dos aliados.</p>
<p>Não estamos – dirão alguns juristas internacionalistas – perante a uma situação equiparável a Nuremberga. Os crimes foram cometidos num mesmo espaço territorial, envolvendo (apenas) nacionais desse mesmo país e o seu julgamento foi feito por um tribunal especial designado pelo governo iraquiano, logo sob ocupação estrangeira. O veredicto -  dirão os mesmos juristas &#8211; não respeitou os princípios da imparcialidade, da independência e do comedimento que incumbe à serena aplicação da justiça. Cumpriria aos responsáveis políticos iraquianos usar da magnanimidade e “saber esquecer”. Porque julgar Saddam Hussein com excessiva severidade significa abrir a Caixa da Pandora e libertar os “génios do mal” ouve-se por aí.</p>
<p>Esta linha de argumentos é, contudo, falaciosa, hipócrita e demagógica. Esquece as vítimas, o horror dos crimes, a desumanidade das práticas e a ausência do mínimo arrependimento por parte de Saddam e seus sequazes e esquece o contexto sociológico. Mas possibilita uma interrogação importante.</p>
<p>Têm as democracias e, em termos mais genéricos, os povos que se libertam de regimes totalitários o direito de executar os ex-ditadores em nome da liberdade e da vindicta dos caídos, dos torturados e dos mortos? É eticamente justo e politicamente não-reprovável que os partidários da democracia retirem a vida aos antigos titulares do poder?</p>
<p>Por definição, a democracia é o regime em que a mudança dos titulares do poder se faz de forma pacífica e sem uso da violência. Coincide com o fim do respectivo mandato ainda que em certas circunstâncias possa antecipá-lo. Mas a história não evidencia casos de regimes democráticos que funcionem com esta certitude, no dia imediato à queda da ditadura. Entre a arbitrariedade autoritária e a normalidade democrática há um tempo de transição em que os mecanismos do regime autoritário são desmontados e os titulares do antigo poder neutralizados. A fúria popular é passional e imediatista mas a história tem julgado, com grande condescendência, as situações em que no momento imediatamente seguinte à queda do regime opressor, o povo executa os seus algozes.</p>
<p>Assim aconteceu a 28 de Abril de 1945, em Itália, quando Benito Mussolini e a sua companheira, Clara Petacci, foram fuzilados pela resistência italiana. O mesmo aconteceu a 25 de Dezembro de 1989, quando em sequência de golpe de inspiração popular, o líder romeno Nicolau Ceauşescu e mulher foram capturados, condenados à morte por crimes vários (inclusive o genocídio), e executados em Târgovişte com um tiro na nuca. Teria sido esse provavelmente o desenlace de Hitler e Eva Braun se não se tivessem suicidado no Führerbunker, em 30 de April de 1945. Mas estes três casos são invulgares: a história está pejada de casos de antigos ditadores que fugiram à justiça, manipulando as contradições do sistema legal ou morreram de velhice ou doença num exílio dourado. O chileno Augusto Pinochet, o ugandês Idi Amin Oumee ou o cambodjano Pol Pot são exemplos desta ironia.</p>
<p>É impossível considerar a ideia da sociedade internacional sem atender à existência de um património de regras de direito natural de tendência universalista que se aplicam para além do que consignam as jurisdições nacionais. O exercício do poder por quem o exerce, de forma arbitrária e soez, torna-o responsável para com o seu povo mas quando a violência, a premeditação e a extensão dos crimes raia a barbárie torna-se responsável perante a comunidade internacional, no seu todo. Não entenderam as potências ocupantes do Iraque constituir um tribunal de excepção como o fizeram em Nuremberga, há sessenta anos, por crimes de idêntica gravidade e reprovação moral. Devolveram o poder de punir ao povo iraquiano que o exerceu com ampla liberdade e sentido de justiça por juízes nomeados entre os seus. A justiça ainda quando é severa e draconiana não deixa de ser justiça. Desde que assegure os legítimos direitos de defesa dos arguidos.</p>
<p>O que foi o caso. Saddam merece a pena capital mesmo que isso repugne ao nosso sistema de valores. O que fez não tem perdão seja qual for a perspectiva. Se o Tribunal de Apelação confirmar o veredicto ter-se-á feito justiça.</p>
<p>Não podemos é acusar as Grandes Potências de cinismo e hipocrisia quando olham para o lado perante o opróbrio e a humilhação de um povo e quando se decidem a apoiar a justiça estóica de um país que ajusta contas com os seus opressores achar que não o deve fazer em nome de um qualquer prurido infantil.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Mitologias</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Nov 2006 12:52:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Autor: Carlos Trincão À hora a que chega, não há, ainda, vivalma. A manhã mal se libertou da madrugada e não concluiu o sísifo ritual do espreguiçamento matinal. Talvez não o tenha iniciado sequer, a julgar pelas meias dúzias de &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/11/08/mitologias/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Autor: Carlos Trincão</p>
<p>À hora a que chega, não há, ainda, vivalma. A manhã mal se libertou da madrugada e não concluiu o sísifo ritual do espreguiçamento matinal. Talvez não o tenha iniciado sequer, a julgar pelas meias dúzias de nuvens soltas que toldam, aqui e ali, o olhar celeste de Hélio e obstam a que o encurvado vinco do horizonte marque definitivamente o encontro do céu com o mar.</p>
<p>Não há vivalma, ainda. Quando muito, que se registe a presença de alguns pardalitos que saltitam entre a ondulação do areal – por sinal, de coloração idêntica à plumagem das pequenas aves – debicando as migalhas de pão e biscoito que a aragem da noite não fez rolar para as águas.</p>
<p>À hora a que chega, portanto, é este o único palpitar de vida que, num afã resguardado em – por agora – dispensável mimetismo, aqui se encontra.<br />
Há também um ruído de fundo que parece desintegrar-se ao ritmo certo e sempre ressuscitado da ondulação que escolheu este local para largar os últimos suspiros. E cada rebentação traduz-se numa exaltação de espuma que logo esmorece, se dissipa e reflui. E renasce(rá), incessante e incansavelmente enquanto os dias tiverem horas para gastar.</p>
<p>Este é o cenário à sua chegada. Dir-se-ia, até, que se trata mais de uma pintura que de um enquadramento cénico, tal a harmonia a que todos os elementos obedecem, incluindo esta presença, à primeira impressão perturbadora do equilíbrio natural do momento.</p>
<p>Mas não! É mesmo fundamental que surja e se instale esta nova figura, ou notar-se-ia uma absoluta falta de luz e cor naquele pedaço de tela. E tudo o resto para ali resvalaria, como se de um buraco negro se tratasse!</p>
<p>O sítio que escolhe para ficar é a terra-de-ninguém fresca e húmida que separa o areal seco (e previsivelmente escaldante), das repetidas espumas que aqui chegam, uma pacífica fímbria de areia saturada de água, muito lisa e imperceptivelmente inclinada. E quaisquer marcas que o seu corpo ali  tivesse deixado à chegada, foram já lambidas pelo teimoso sobe-e-desce líquido em que estas eternas espumas se transformam quando o mar acaba.<br />
O tronco, nascendo do chão molhado, sobe a direito, ligeiramente flectido para trás, apoiado nas mãos que, apontando também os dedos no mesmo sentido, se mantêm rigorosamente à superfície. De resto, o mesmo sucede com os pés que rematam as pernas caídas, a par, para bombordo, angulando com suavidade pelos joelhos. E o fenómeno repete-se com qualquer ponto do corpo, seja ele qual for, como se não existisse peso nem pressão.<br />
Mais do que sentado, o corpo assim flutua. Enigmaticamente.</p>
<p>Um olhar mais atento, porém, permite dar conta de um rasto brilhante – ou, pelo menos, refulgente à custa da luz da manhã que vai aumentando de intensidade –, parecendo unir esta solitária presença às águas que fixamente contempla. Uma fértil imaginação proporia, romanticamente, que um peixe, mais curioso a princípio, possivelmente deslumbrado em seguida, saíra das ondas, serpenteara pela areia acima até poder saudar convenientemente aquela intrigante personagem. E feito o cumprimento, regressara aos seus domínios, deixando atrás de si um elegante e faiscante trilho de escamas.</p>
<p>Nada perturba a serena contemplação de tão solitário ser: nem a espuma, as ondas, ou a imensidão do oceano; tão-pouco o fio do horizonte; ainda menos – estranhamente, diga-se em abono da Verdade – o crescimento da manhã, o apogeu do meio-dia ou a escoada lassidão da tarde. Dir-se-ia que o que da refrescante humidade emerge é a imobilidade mais perfeita, delicada e estática jamais tentada, incluída mesmo qualquer obra que Mestre Fídias alguma vez tenha concebido, esculpido ou, sequer!, imaginado.</p>
<p>Nada perturba a perfeição! Nem a brisa logra adejar os cabelos. Nem o calor é suficiente para gerar a menor gotícula de suor. Nem os humanos, que entretanto se apossaram do Tempo e do Lugar, dão por ela, ou ela deles. É como se ali não estivesse!<br />
Só quando o crepúsculo se deita sobre as águas e se estende pela terra dentro, só então, um ténue frémito lhe acossa o tronco e a cabeça resvala para o peito. E é nesse momento que duas lágrimas lhe nascem no parapeito dos olhos-cor-de-infinito, escorrem-lhe pela face, acariciam-lhe a delicadeza dos seios, orlam-lhe a subtileza do tronco e, finalmente, caem na areia.</p>
<p>Daí em diante, parece ter o Olimpo descido à terra, tantas são as maravilhas que à Humanidade estão vedadas:</p>
<p>Quando caem as lágrimas, agita-se o trilho de escamas, sopradas, talvez, por algum bafo divino. E enquanto as lágrimas rolam areal abaixo, como que respondendo a uma inapelável chamada do Monte Sagrado, as escamas, já agitadas, formam minúsculas legiões de refulgentes armaduras, marchando à ordem de Ares, areal acima, em busca da escultura viva que parece aguardá-las.</p>
<p>No seu rolar, ganham as lágrimas uma esférica consistência, crescentemente compacta. E vestem-se de um opaco nacarado, branco-leite, semi-brilhante, semi-baço. Um branco definitivo numas esferas perfeitas, duras e delicadas, que tocam as espumas no preciso instante em que duas ostras emergem – como se de atalaia estivessem! – e se abrem para acolher e resguardar, cada uma, sua pérola.</p>
<p>As escamas que escalavam o declive areento vão agora ocupando tão ordeiramente os seus lugares naquele corpo inacessível ao olhar de qualquer mortal. E ocupam-no tão sincronadamente que é no preciso instante em que as ostras se fecham definitivamente que a última escama se aconchega no alvéolo que Alguém lhe destinou.</p>
<p>Vem, então, uma onda cautelosa, especial e certeira a abraçar esta nova e sublime criação do Oceano. E é então que ela, fundindo-se no mar, desaparece numa sensual torção de corpo, mergulhando primeiro a cabeça ornada de cabelos e algas. Adivinha-se ainda a alvura dos ombros. E, por fim, resta apenas o reflexo da Lua numa cauda serena que se despede com uma derradeira e prateada chapada na superfície das águas.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Já a seguir</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Nov 2006 22:06:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[aparece um destaque meu sobre um artigo publicado hoje na revista Lancet, que aponta dados importantes sobre o aborto clandestino. Depois de uma nota breve sobre o iberismo fabricado, o 5dias conta com mais um netfilm de Edgar Pêra. Grandes &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/11/01/ja-a-seguir/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-outline-level: 2"><font face="Times New Roman" size="3">aparece um destaque meu sobre um artigo publicado hoje na revista Lancet, que aponta dados importantes sobre o aborto clandestino. Depois de uma nota breve sobre o iberismo fabricado, o 5dias conta com mais um netfilm de <a href="http://elementarista.blogs.sapo.pt/">Edgar Pêra.</a> Grandes Anónimos#2. Por fim, uma passeata de Carlos Trincão pela Praça de Londres. </font></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-outline-level: 2"><font face="Times New Roman" size="3">E foi feriado!</font></p>]]></content:encoded>
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		<title>Evitável</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Nov 2006 21:59:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Aborto]]></category>
		<category><![CDATA[interrupção-voluntária-da-gravidez]]></category>

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		<description><![CDATA[O artigo publicado hoje na revista The Lancet, Sexual and reproductive health: a matter of life and death, é de leitura obrigatória. Traduzi o sumário – está no final do post -, mas todos os que se interessarem por este &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/11/01/evitavel/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font size="3"><font face="Times New Roman"><a href="http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140673606694786/fulltext#section4">O artigo publicado hoje na revista The Lancet, </a><a href="http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140673606694786/fulltext#section4">Sexual and reproductive health: a matter of life and death,</a> é de leitura obrigatória. Traduzi o sumário – está no final do post -, mas todos os que se interessarem por este assunto podem ir ao site da publicação e ter acesso ao artigo na íntegra e gratuitamente. Basta registarem-se.<br />
</font></font><font size="3"><font face="Times New Roman">Este estudo põe o dedo na ferida: tem havido uma interferência altamente lesiva da política e da religião na saúde pública, sobretudo na área da saúde sexual e reprodutiva. Recomendações contra o uso do preservativo vindas do Vaticano e que influenciam sobretudo os países mais pobres, ou políticas conservadoras que bloqueiam os serviços de saúde sexual e reprodutiva têm consequências dramáticas para as mulheres de todos o mundo.<br />
</font></font><font size="3"><font face="Times New Roman">Sobre o aborto, o estudo publicado na Lancet indica que, nos países onde o acesso à interrupção voluntária da gravidez é restrito, o aborto “de vão de escada” é responsável por 30% das mortes maternas. Leis que matam 68 000 mulheres por ano.</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">A estimativa do número de abortos clandestinos e perigosos feitos anualmente está representada na imagem seguinte &#8211; vermelho, laranja e rosa são as zonas de maior incidência.</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman"><font size="3"><font size="3"><font face="Times New Roman"><a href="http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140673606694786/fulltext#section4"><img id="image318" height="306" alt="aborto.gif" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/11/aborto.gif" width="404" /></a></font></font></font></font></font><font size="3"><font size="3"><font size="3"><font size="3"><font face="Times New Roman">E a Lancet afirma, peremptoriamente, que esses obstáculos legais forçam as mulheres a recorrer ao aborto sem condições de segurança para a sua saúde física e psíquica. Para além de que há evidência empírica, relativamente às adolescentes, quanto à relação da gravidez adolescente e aborto inseguro com a violência e coacção sexuais.<br />
</font></font><font size="3"><font face="Times New Roman">Por fim, de todas as mortes relacionadas com a saúde sexual e reprodutiva, as que resultam de interrupção voluntária da gravidez são as que, mais provavelmente, não apenas são subestimadas como são, declara a Lancet, as que mais podem ser evitadas.</font></font></font></font></p>
<p><font size="3"><font size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3">Tradução – pobrezinha – do sumário:</font></font></font></font></font></p>
<p><font size="3"><font size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3">Apesar do apelo ao acesso universal à saúde reprodutiva na 4ª Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento no Cairo, em 1994, a saúde sexual e reprodutiva foi omitida dos Objectivos do Milénio e continua a ser negligenciada. O sexo desprotegido continua a ser o segundo maior factor de risco para a incapacidade e morte nos países mais pobres do mundo e o nono maior factor nos países desenvolvidos. </font></font></font></font></font></p>
<p><font size="3"><font size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3">Intervenções eficientes e de baixo-custo estão disponíveis para prevenir gravidezes indesejadas, disponibilizar sexo seguro, apoiar as mulheres durante a gravidez e no parto, e prevenir e tratar infecções sexualmente transmissíveis. Contudo, todos os anos, mais de 120 milhões de casais não têm resposta às suas necessidades de contracepção, 80 milhões de mulheres têm gravidezes indesejadas (45 milhões das quais terminam em aborto), mais de meio milhão de mulheres morrem de complicações associadas à gravidez, ao parto e ao período pós parto, e 340 milhões de pessoas adoecem com gonorreia, sífilis, clamidíase e tricomoníase.</font></font></font></font></font></p>
<p><font size="3"><font size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3">As doenças sexualmente transmissíveis afectam sobretudo mulheres e adolescentes. As mulheres estão destituídas de poder e influência em grande parte do mundo desenvolvido e as adolescentes, provavelmente, estão destituídas de poder e influência em todo o mundo. Os serviços de saúde sexual e reprodutiva são inexistentes ou de baixa qualidade e são sub-utilizados em muitos países, já que a discussão em torno de temas como as relações sexuais e a sexualidade deixa as pessoas desconfortáveis. A crescente influência das forças políticas conservadoras, religiosas e culturais em todo o mundo ameaça minar os progressos realizados desde 1994, e talvez seja o melhor exemplo da intrusão prejudicial da política na saúde pública.</font></font></font></font></font></p>
<p><font size="3"><font size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3"><font face="Times New Roman" size="3" /></font></font></font></font></p>
<p></font></p>]]></content:encoded>
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		<title>Iberismo de pacote</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Nov 2006 21:53:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Já vai por aí um grande bruaá com a historieta do iberismo. Primeiro, foi uma sondagem pelo semanário Sol onde se indicava que 28% dos portugueses querem ser espanhóis. Depois foram uns quantos comentários sobre uma putativa União Ibérica em &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/11/01/iberismo-de-pacote/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font face="Times New Roman" size="3">Já vai por aí um grande bruaá com a historieta do iberismo. Primeiro, foi uma sondagem pelo semanário Sol onde se indicava que 28% dos portugueses querem ser espanhóis. Depois foram uns quantos comentários sobre uma putativa União Ibérica em vários jornais portugueses e em publicações espanholas, como o El País. O assunto teve mesmo direito a uma reportagem na TVE. Música para o provincianismo. </font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3">Mais tarde, surgiu uma sondagem da Tiempo que revela que quase metade dos espanhóis querem a dita fusão, em época de autonomias. O Público de hoje tem, na última página, uma daquelas rodelas que se dá pelo nome de Barómetro e cuja pergunta é: “Concordaria com uma eventual união entre Portugal e Espanha?”. 43% dos inquiridos terão respondido SIM. </font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">Já se sabe que as relações Portugal- Espanha são assunto copioso e que em qualquer esquina se mandam bocas, seja para a maledicência seja para beneplácito.  Iberismo versus patriotismo são conversa garantida. Passatempos à parte, sobre uma eventual união ibérica, <a href="http://bichos-carpinteiros.blogspot.com/2006/10/unio-ibrica-e-unio-europeia.html">Medeiros Ferreira já disse aqui</a> o essencial: só existiria se a UE implodisse. E nessas circunstâncias a discussão teria, evidentemente, outras prioridades que não o iberismo.</font></font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3">Enfim. Se a publicidade não satisfaz necessidades -cria-as &#8211; algumas sondagens também. Esta coisa do iberismo não é propriamente um movimento de cidadãos, um pulsar da rua ibérica ou um grito de ipiranga. Alguém decide fazer uma sondagem, formula pergunta. Induz resposta. Impele. Se, sem mais, questionarem um português se gostava que a Galiza fosse nossa, e mesmo que o dito luso nunca tenha pensado nisso -nem de perto nem de longe &#8211; é bem possível que responda afirmativamente. Porque não? </font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3">Resta perguntar, portanto, a quem servem estas discussões da ordem da sugestibilidade, a quem serve a criação destes fantasmas de trazer por casa.</font></p>]]></content:encoded>
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		<title>Grandes Anónimos CineKromo#2</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Nov 2006 21:49:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Vídeo]]></category>
		<category><![CDATA[video]]></category>
		<category><![CDATA[futebol]]></category>
		<category><![CDATA[grandes-portugueses]]></category>

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		<description><![CDATA[netfilm by Edgar Pêra     Click To Play elementarista.blogs.sapo.pt ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>netfilm by Edgar Pêra<br />
 </p>
<p><center><script src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js" type="text/javascript"></script><script src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&#038;posts_id=98610&#038;source=3&#038;autoplay=true&#038;file_type=flv&#038;player_width=320&#038;player_height=240" type="text/javascript"></script> </p>
<div id="blip_movie_content_98610"><a onclick="play_blip_movie_98610(); return false;" href="http://blip.tv/file/get/5dias-GrandesAnnimosCineKromo2990.flv"><img title="Click To Play" src="http://blip.tv/file/get/5dias-GrandesAnnimosCineKromo2990.flv.jpg" border="0" /></a><br />
<a onclick="play_blip_movie_98610(); return false;" href="http://blip.tv/file/get/5dias-GrandesAnnimosCineKromo2990.flv">Click To Play</a></div>
<p /></center></p>
<div class="blip_description"><a href="http://elementarista.blogs.sapo.pt/">elementarista.blogs.sapo.pt</a> </div>]]></content:encoded>
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		<title>Praça de Londres</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Nov 2006 21:48:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Autor: Carlos Trincão É um princípio da tarde com o mesmo tom de muitos outros. Todos caminham com as suas pressas. Só com as suas pressas. As atenções, todavia, andam a velocidade diferente, o que faz com que, mesmo com &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/11/01/praca-de-londres/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font size="3"><font face="Times New Roman">Autor: <a href="http://bancadadobloco.blogia.com/">Carlos Trincão</a></font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman" /></font><font size="3"><font size="3"><font face="Times New Roman">É um princípio da tarde com o mesmo tom de muitos outros. Todos caminham com as suas pressas. Só com as suas pressas.<br />
</font></font><font size="3"><font face="Times New Roman">As atenções, todavia, andam a velocidade diferente, o que faz com que, mesmo com pressa, todos os olhos captem o frenesim que, ao fundo, parece gerar-se. Passo a passo, a pressa arrefece: um grupo de ciganos é multado por venda ambulante ilícita, a julgar pelos enormes fardos de roupa espalhados pelo chão e pelo vaivém frenético de quem não quer ser apanhado com a boca na botija.<br />
</font></font><font size="3"><font face="Times New Roman">São as mulheres que tentam dar a volta aos guardas, muito embora a convicção seja mínima e as notas comecem a aparecer, não vão as autoridades pensar que os infractores se recusam a pagar e as consequências alterem aquele insignificante bocadinho que separa a prisão da liberdade. </font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">            Os homens optam por atitudes mais passivas, afastando-se prudentemente, deixando os protestos para as companheiras, passeando em redor com a mais aparente das calmas, esfumaçando, olhando de soslaio, pensando imprecações, parecendo assobiar de mãos nos bolsos. Quem sabe se preparando navalhas&#8230;</font></font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3">Os passantes deixam de passar com tanta pressa, efectivamente: olham, atrasam o passo, abrem o ouvido, rodam a cabeça. Se não parecesse mal, plantavam-se ao chão.</font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">Vislumbram-se olhares mais brilhantes de gozo. Cigano é proscrito, incómodo. As autoridades, desta vez, gozam da preferência do povo.<br />
</font></font><font size="3"><font face="Times New Roman">Os privilegiados da fila para a caixa multibanco ali próxima assistem a tudo, resguardados pelo acaso de uma presença, assim pré-desculpados pela curiosidade plenamente satisfeita, ávidos de desenvolvimentos menos cordatos, ensaiando também assobios de mãos nos bolsos como se não dessem por nada.<br />
</font></font><font size="3"><font face="Times New Roman">Dois casais de nómadas exibem, orgulhosa, mas ainda que recatadamente, os rebentos ainda frescos do seu amor: dois meses, três&#8230; não mais. À cautela, não se exaltem os ânimos mais do que o devido em ocasiões como estas ou menos do que o suficiente para que o orgulho não fique ferido, um pai baboso traz o cestinho para mais perto da fila; o outro segue-lhe o exemplo.</font></font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3">Duas damas não resistem à inocência e fragilidade daquelas vidas. Arriscam uma inclinação do tronco para verem melhor. Redistribuem o corpo pelos saltos altos garantindo o equilíbrio que ameaçara falhar, evitando assim escândalos desnecessários perante seres inferiores. Nem se lembram de consertar o cabelo; tão-pouco dão pelas carteiras que se lhes descaem.</font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3">Sorriem-se. Um passo em frente. Trocam olhares.</font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">            – Então diga lá se este não é o mais bonito! – sussurra o pai, num misto de interrogação, orgulho, certeza e provocação. – Venha cá ver! – e estende os braços.</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">            As damas miram-se, surpreendidas com o descaramento. Mas vão. E quebra-se o gelo e mexem, e fazem festas, e rendem-se, e enrugam o nariz, e misturam recordações e dizem <em>bilú-bilú-bilú…</em></font></font></p>
<p></font></p>]]></content:encoded>
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		<title>Os posts que se seguem</title>
		<link>http://5dias.net/2006/10/25/os-posts-que-se-seguem/</link>
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		<pubDate>Wed, 25 Oct 2006 13:35:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje participam dois colaboradores regulares do 5dias: Carlos Trincão, com um texto intitulado Heróis de Hoje, e Edgar Pêra, através de mais uma BD original, desta feita uma entrevista a Will Eisner em torno de Dropsie Avenue. Edgar Pêra tem &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/10/25/os-posts-que-se-seguem/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje participam dois colaboradores regulares do 5dias: Carlos Trincão, com um texto intitulado Heróis de Hoje, e Edgar Pêra, através de mais uma BD original, desta feita uma entrevista a Will Eisner em torno de Dropsie Avenue. Edgar Pêra tem apresentado bandas gráficas no jornal Público, a propósito do doclisboa, e fará o mesmo com o mote do festival internacional de banda desenhada da Amadora que, aproveito para lembrar, já começou e prolongar-se-á até ao dia 5 de Novembro.<br />
Para já, fica também uma nota minha sobre o ataque à liberdade de expressão e criação artística que teve lugar no doclisboa. A censura ao filme de Leonor Noivo é, definitivamente, um caso a seguir.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Censura no doclisboa</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Oct 2006 13:32:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No programa do único festival de cinema em Portugal exclusivamente dedicado ao cinema documental, que vai agora na sua terceira edição, um dos filmes que constava na programação era o de Leonor Noivo, intitulado Excursão. A sua exibição estava prevista &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/10/25/censura-no-doclisboa/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No programa do único festival de cinema em Portugal exclusivamente dedicado ao cinema documental, que vai agora na sua terceira edição, um dos filmes que constava na programação era o de Leonor Noivo, intitulado Excursão. A sua exibição estava prevista para a passada segunda-feira. Mas não houve projecção. Ao público foi lido um comunicado em que se &#8220;explicava&#8221; que a empresa que organiza as excursões com vendas e mais vendas – cuja publicidade é recebida, por muitos de nós, nas caixas de correio – não autorizava a organização do festival – leia-se apordoc – e a Culturgest a divulgar a curta-metragem, ameaçando com uma acção judicial.<br />
Portanto, o filme foi censurado. Embora, evidentemente, não tenha tido a oportunidade de ver o documentário, sei que se trata da exposição do que se passa nestas excursões, que muitas vezes são mais viagens de extorsão do que de excursão.<br />
A realizadora, durante as filmagens, terá sido pressionada para deixar com a empresa as suas cassetes. Contudo, guardou-as e avisou a empresa que faria, não obstante as ameaças, o dito filme. Concorreu para o doclisboa e foi apurada. Agora, perante nova investida da companhia de extorsionismo, a organização do festival bateu em retirada.<br />
É espantoso que, em 2006 e num país europeu, isto suceda. E que suceda sem que a comunicação social preste qualquer atenção. Nos jornais de hoje, a única referência ao caso é uma carta de um leitor no Público, Manuel Caldeira Cabral, que se espanta com o facto de, no documentário de Inês Medeiros, aparecerem testemunhos a gabar Salazar- o que só pode ser interpretado como sinal de “uma sociedade verdadeiramente livre”, enquanto a censura sobre a liberdade de expressão e de criação artística faz o seu caminho, recaindo sobre o silenciamento da revelação da publicidade enganosa, da manipulação e extorsão de turistas – muitos idosos. Que tempos estes!<br />
Quero ver o documentário da Leonor Noivo. O tema, desde logo, é pertinente. A censura é inaceitável. Apelo que escrevam também à apordoc, exigindo a correcção desta decisão lamentável. </p>]]></content:encoded>
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		<title>Homem versus Cidade</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Oct 2006 13:29:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Autor: Edgar Pêra (Para aumentar, basta clicar!)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Autor: Edgar Pêra</p>
<p>(Para aumentar, basta clicar!)</p>
<p><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/10/bdpera5.gif"><img id="image275" alt="BD Edgar Pêra página 5 (web)" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/10/bdpera5w.gif" /></a></p>
<p><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/10/bdpera6.gif"><img id="image277" alt="BD Edgar Pêra página 6 (web)" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/10/bdpera6w.gif" /></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Heróis de Hoje</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Oct 2006 13:28:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Autor: Carlos Trincão A casa tinha três pisos pelos quais a vida se distribuía, o último dos quais só para dormir. Ao nível da rua, numa antiga loja transformada em sala sobre o comprido, a vida ia crescendo, misturada com &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/10/25/herois-de-hoje/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Autor: Carlos Trincão</p>
<p>A casa tinha três pisos pelos quais a vida se distribuía, o último dos quais só para dormir. Ao nível da rua, numa antiga loja transformada em sala sobre o comprido, a vida ia crescendo, misturada com os brinquedos, o jornal do avô, a máquina de tricotar da avó e a televisão. Nesse tempo a televisão ainda era quase uma aventura e possuí-la&#8230; um luxo. E era aí, no rés-do-chão, que depois do jantar a família se juntava à volta de si mesma e de um descanso de fim de dia bem merecido.<br />
Era nesse tempo de menino que os heróis – e as heroínas – viviam perto de mim: nos livros, nas revistas, nos filmes, na imaginação, na rádio e na televisão. Ainda hoje tenho heróis, embora um tanto ou quanto diferentes dos de rapaz.<br />
Os heróis de agora são bem mais beligerantes que os de antigamente. Julgo eu, pelo menos. Ou então é só impressão. De qualquer modo, subjectividades incluídas, são mais destruidores e horrendos. Parece-me até que a qualidade do papel das revistas aos quadradinhos – couché, como parece que lhe chamam –, que é bem mais lustroso que os de outros tempos, realça mais os esgares, os tiros, os socos e o sangue.<br />
Os primeiros heróis que conheci foram os do “Cavaleiro Andante”; também passei os olhos pelos d’ “O Mosquito”, mas gostei menos. Agora os do “Cavaleiro Andante”&#8230; ah!, esses é que eram heróis para os meus sonhos. Aquilo era um ver-se-te-avias de aventuras em sítios longínquos e exóticos.<br />
Quando eu era mais miúdo, havia um herói que me era bastante simpático: era o Rei dos Macacos e passava a vida a saltar de árvore em árvore, agarrado às lianas, ao ritmo de uns gritos que imaginava portentosos. Deviam mesmo ser gritos fantásticos, pois a bicharada da selva obedecia-lhe sem hesitações, de alma e coração.<br />
Bem&#8230; de alma não sei, mas para agora também não interessa, pois não?<br />
Era-me este herói particularmente chegado por ser o único que eu tinha a ousadia de imitar, no quintal das traseiras lá de casa, pendurado nas árvores que faziam a minha selva. Só isso. Pendurado. E mais uns gritos infantis que, mais do que chamar elefantes, leões ou gorilas, tinham o condão de irritar os gatos que se passeavam por ali.<br />
Existia igualmente um mascarado de preto, cavalheiro e cortês, robim dos Bosques, da Califórnia, que se divertia a dar cabo da paciência a um bojudo sargento, coisa que irritava, como se adivinha sem esforço, o dito subalterno mai-lo capitão.<br />
 A dar para o moderno, conheci dois do tipo “super”: o homem e a moça. Tinham chegado de um planeta distante, salvos à última da hora de morte certa. O mundo deles ia explodir e os pais do rapaz lograram arranjar-lhes transporte na nave espacial das sete e meia. Quando aqui chegaram, passaram a voar que era um mimo. Ainda voam, aliás e, salvam vidas a torto e a direito.<br />
Bem&#8230; assim de cabeça e numa contagem rápida, eram mais que muitos esses heróis com quem cresci e que hoje, à entrada de todos os dias, recordo assim que abro a porta da minha loja de jornais e revistas.<br />
Havia o Fantasma, o Mandrake, Blake &#038; Mortimer&#8230; Eu sei lá quantos mais! Tirando um ou outro caso, todos tinham namoradas, embora sem atrevimentos.<br />
De qualquer modo, isso não é importante. O que interessa são os heróis que encheram as páginas da minha meninice e que, assim de um modo geral, eram todos uma espécie de cavaleiros andantes do século vinte, sempre em busca de aventuras, fazendo o bem ao próximo, auxiliando os pobres e os fracos e defendendo as damas.<br />
Andavam sempre impecavelmente vestidos, tivessem uniforme ou não. Por mais violenta que fosse a explosão ou a sessão de pancadaria, saíam ilesos, bem dispostos, sem um arranhão, prontos para outra. Quando muito, uma ligeira ferida que passava com um suave e carinhoso beijo da tal namorada, desaparecendo na vinheta seguinte.<br />
Em matéria de higiene, por exemplo, eram referências quase divinas no que toca a limpeza; e as únicas vezes que osvia na casa-de-banho eram aquelas em que os cavalheiros de tronco perfeito e pelado faziam a barba, sinal de masculinidade, e as senhoras de curvas delicadas acertavam o penteado ou retocavam a pintura.<br />
Também havia o Tio Patinhas e toda a sua família e amigos. As variações não eram muitas, a tal ponto que, de vez em quando, lá apareciam também os super-heróis, estes de trazer-por-casa, mas, nem por isso, menos super que os outros.<br />
A realidade é que eles existiam mesmo, faziam o seu trabalho com competência e ajudavam-me a passar as minhas tardes de rapaz.<br />
Pois…<br />
Agora é que as coisas são mais complicadas. Os tais heróis já não aparecem tanto, nem estão tão disponíveis para ajudar os outros. Aliás, agora a moda até é a de ajudar quem não precisa. E de tal modo as coisas estão que os super heróis já não são super nem heróis porque, como já não ajudam tanta gente nem têm trabalhos tão hercúleos, já podem dar-se ao luxo de passar por gente normal.<br />
Quer dizer… já não habitam só as páginas das revistas aos quadradinhos, mas andam pelas dos jornais e de outras revistas, assim a dar para o tom rosa. E o que é mais curioso é que nessas revistas e jornais as histórias também mudaram: agora o enredo é ir tirando aos que têm menos para distribuir pelos outros.<br />
 Sou franco: os heróis de agora não me atraem tanto como os de antigamente, mas quem se importa com isso? </p>]]></content:encoded>
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		<title>Pequeno aviso  à navegação</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Oct 2006 14:05:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje o 5Dias conta com um texto de Arnaldo Gonçalves que consiste num tributo a Hannah Arendt. Vale a pena ler, nestes tempos em que a segurança amarfanha liberdades e que o autor, seguindo uma pista da celebrada, designa de &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/10/18/pequeno-aviso-a-navegacao/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje o 5Dias conta com um texto de Arnaldo Gonçalves que consiste num tributo a Hannah Arendt. Vale a pena ler, nestes tempos em que a segurança amarfanha liberdades e que o autor, seguindo uma pista da celebrada, designa de Sombrios. Carlos Trincão – já não o líamos desde a semana passada! –colabora com uma breve apresentação do poeta turco Orhan Veli Kanik. Por fim, temos a participação de Ana Anes, que faz um significativo updating da imprensa rosa choque.<br />
Uma grande salganhada, portanto. Agradeço a todos a doação.<br />
Mais tarde, e como já vai sendo hábito, volto cá e trago mais uma sopinha de letras. </p>]]></content:encoded>
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		<title>Tempos Sombrios</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Oct 2006 14:03:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Autor: Arnaldo Gonçalves Licenciado em Direito, Mestre em Ciência Politica e Relações Internacionais e professor convidado de Relações Internacionais no Instituto Politécnico de Macau. Presidente do Fórum Luso Asiático e autor de inúmeras publicações na sua área. Colaborou com vários &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/10/18/tempos-sombrios/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Autor:<br />
Arnaldo Gonçalves<br />
Licenciado em Direito, Mestre em Ciência Politica e Relações Internacionais e professor convidado de Relações Internacionais no Instituto Politécnico de Macau. Presidente do Fórum Luso Asiático e autor de inúmeras publicações na sua área. Colaborou com vários títulos da imprensa escrita tendo, actualmente, uma coluna quinzenal no Tribuna de Macau.</p>
<p>Tempos Sombrios</p>
<p>Até nos tempos mais sombrios  temos o direito de esperar ver alguma luz.<br />
É bem possível que essa luz não venha tanto das teorias e dos conceitos<br />
como da chama incerta, vacilante, e muitas vezes ténue,<br />
que alguns homens e mulheres conseguem alimentar<br />
Hannah Arendt</p>
<p>Cumpriu-se a 14 de Outubro o primeiro centenário do nascimento de Hannah Arendt (1906), filósofa judia, aluna de Heidegger e que perseguida pelo nazismo buscou asilo nos Estados Unidos. Aí ensinaria filosofia política, tornando-se uma das mais insignes representantes do pensamento político contemporâneo.<br />
Importa, aqui e agora, celebrá-la, no sentido de que o seu pensamento, enquanto cientista política, socióloga e mulher, constitui um instrumento precioso para interpretarmos a realidade e o mundo dos homens.<br />
Nascida numa rica e antiga família judia alemã, foi na Alemanha que Hannah Arendt fez os seus estudos universitários de teologia e filosofia em Königsberg (a cidade natal de Kant, hoje Kaliningrado), estudando filosofia com Martin Heidegger na Universidade de Marburgo e relacionando-se passional e intelectualmente com ele. Na Universidade de Heidelberg viria depois, sob orientação de Karl Jaspers, a concluir uma  tese singular de doutoramento sobre a experiência do amor na vida e na obra de Santo Agostinho.<br />
O seu envolvimento com o movimento sionista acabaria por colidir com o anti-semitismo do Terceiro Reich, o que a levaria inevitavelmente à prisão. Conseguiria, no entanto, escapar para França, onde trabalharia durante algum tempo com crianças judias expatriadas. Presa de novo  com o marido – o operário e &#8220;marxista crítico&#8221; Heinrich Blücher – partiria, em 1941, para os Estados Unidos. Trabalharia ai, durante anos, em diversas editoras e organizações judaicas, obtendo a sua primeira ocupação académica em 1963, na Universidade de Chicago. Em 1967 trocaria esta pela New School of New York, instituição na qual se manteria até à morte, ocorrida em 1975.<br />
O trabalho filosófico de Hannah Arendt abarca temas como a política, a autoridade, o totalitarismo, a educação, a condição laboral, a violência, e a condição de mulher.<br />
O primeiro livro de Hannah Arendt, As Origens do Totalitarismo (1951), confirma-a como figura maior do pensamento político contemporâneo. Enunciando os aspectos comuns ao nazismo e ao estalinismo, Arendt revela como o totalitarismo depende da burocratização, do terror e de estratégias de manipulação das massas. Hitler e Estaline constituíam, assim, duas faces da mesma moeda, tendo ascendido ao poder explorando a &#8220;solidão organizada&#8221; das massas. Em A Condição Humana, de 1958, sublinharia a importância de um entendimento da política como acção e como processo em direcção  à conquista da liberdade. Anos depois, em Sobre a Revolução (1963), detém-se nas revoluções francesa e americana, e avança que a preservação  da  liberdade apenas é possível se as instituições e organizações resultantes da revolução englobarem e mantiverem vivas as ideias revolucionárias. Alertaria os americanos que se se distanciassem dos ideais que levaram à Revolução Americana perderiam o seu sentido de pertença e identidade.<br />
No mesmo ano escrevia Eichmann em Jerusalém, um reporte portentoso dos Julgamentos de Nuremberga. Nele mostraria que o protótipo do exterminador de judeus (Eischmann) não era um demónio, mas alguém &#8220;terrivelmente, horrivelmente banal&#8221;. Vários intelectuais judeus criticaram o livro por descrever o assassino dos judeus como um &#8220;típico burocrata&#8221;, homem comum que sem capacidade de separar o bem do mal, havia perpetrado esses crimes cumprindo fielmente as ordens recebidas. No limite, Hannah estava a sugerir a cumplicidade dos judeus europeus na sua própria destruição.<br />
Hannah contraporia que é indispensável à verdadeira apreensão do fenómeno totalitário a consideração da complexidade da natureza e das motivações humana – o que designa pela &#8220;banalidade do mal&#8221; – de modo a assegurar e defender a liberdade.<br />
As atrocidades praticadas já no ultimo quartel do século XX contra a minoria muçulmana na ex-Jugoslávia, os atentados terroristas de Nova Iorque, Madrid, Londres ou Bali revelam a acuidade e actualidade do seu diagnóstico e documentam a incarnação do fenómeno totalitário sob nova fácies. O extremismo religioso na sua variação islamista, naquilo que vários autores designam por islamo-fascismo, é um exemplo disto.<br />
Seria curioso perceber como interpretaria o mundo contemporâneo e de que forma veria reproduzidos os exemplos de Hitler e Estaline. Não falharei muito em afirmar que acharia o mesmo pendor totalitário em Pol Pot, Mao Zedong ou Kim Jong Il e que não deixaria de alertar os contemporâneos para o perigo da ameaça que todos representam. Mas seria, também, particularmente cáustica com George W. Bush ou Tony Blair, por Guantanamo Bay ou o desnorteio do Iraque no caso do primeiro; pelas novas leis de excepção antiterroristas, no caso deste último. Veria nelas a tentação de ferir de morte a liberdade em nome de um enganoso desígnio superior: a defesa da segurança.<br />
Hannah Arendt é homenageada um pouco por todo o mundo. Este é o testemunho simbólico que aqui presto com enorme respeito e veneração a uma mulher determinada e combativa, a um espírito livre e indomável. Hannah é parte do que somos.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Istanbul&#8217;u dinliyorum/  Ouço Instanbul</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Oct 2006 14:00:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Autor: Carlos Trincão Istanbul&#8217;u dinliyorum / Ouço Istanbul Agora que o Nobel da Literatura foi para um escritor turco, permito-me compartihar um outro, Orhan Veli Kanik (1914 &#8211; 1950), um dos mais importantes poetas daquele país. A sua obra, muito &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/10/18/istanbulu-dinliyorum-ouco-instanbul/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Autor: Carlos Trincão</p>
<p>Istanbul&#8217;u dinliyorum / Ouço Istanbul</p>
<p>Agora que o Nobel da Literatura foi para um escritor turco, permito-me compartihar um outro, Orhan Veli Kanik (1914 &#8211; 1950), um dos mais importantes poetas daquele país. A sua obra, muito influenciada pelo Haiku japonês, marca um corte (ou faz uma ponte?) entre a poesia turca tradicional e a moderna.</p>
<p>Deixo, então, três versões de um mesmo poema: o original, em turco, uma tradução inglesa de 1982 e a versão portuguesa que tive o prazer de fazer a partir da versão em inglês. No local.</p>
<p>Istanbul&#8217;u dinliyorum</p>
<p>Istanbul&#8217;u dinliyorum, gozlerim kapali<br />
Once hafiften bir ruzgar esiyor;<br />
Yavas yavas sallaniyor<br />
Yapraklar, agaclarda;<br />
Uzaklarda, cok uzaklarda,<br />
Sucularin hic durmayan cingiraklari<br />
Istanbul&#8217;u dinliyorum, gozlerim kapali.</p>
<p>Istanbul&#8217;u dinliyorum, gozlerim kapali;<br />
Kuslar geciyor, derken;<br />
Yukseklerden, suru suru, ciglik ciglik.<br />
Aglar cekiliyor dalyanlarda;<br />
Bir kadinin suya degiyor ayaklari;<br />
Istanbul&#8217;u dinliyorum, gozlerim kapali.</p>
<p>Istanbul&#8217;u dinliyorum, gozlerim kapali;<br />
Serin serin Kapalicarsi<br />
Civil civil Mahmutpasa<br />
Guvercin dolu avlular<br />
Cekic sesleri geliyor doklardan<br />
Guzelim bahar ruzgarinda ter kokulari;<br />
Istanbul&#8217;u dinliyorum, gozlerim kapali.</p>
<p>Istanbul&#8217;u dinliyorum, gozlerim kapali;<br />
Basimda eski alemlerin sarhoslugu<br />
Los kayikhaneleriyle bir yali;<br />
Dinmis lodoslarin ugultusu icinde<br />
Istanbul&#8217;u dinliyorum, gozlerim kapali.</p>
<p>Istanbul&#8217;u dinliyorum, gozlerim kapali;<br />
Bir yosma geciyor kaldirimdan;<br />
Kufurler, sarkilar, turkuler, laf atmalar.<br />
Birsey dusuyor elinden yere;<br />
Bir gul olmali;<br />
Istanbul&#8217;u dinliyorum, gozlerim kapali.</p>
<p>Istanbul&#8217;u dinliyorum, gozlerim kapali;<br />
Bir kus cirpiniyor eteklerinde;<br />
Alnin sicak mi, degil mi, biliyorum;<br />
Dudaklarin islak mi, degil mi, biliyorum;<br />
Beyaz bir ay doguyor fistiklarin arkasindan<br />
Kalbinin vurusundan anliyorum;<br />
Istanbul&#8217;u dinliyorum.</p>
<p>I am listening to Istanbul </p>
<p>I am listening to Istanbul, intent, my eyes closed:<br />
At first there is a gentle breeze<br />
And the leaves on the trees<br />
Softly sway;<br />
Out there, far away,<br />
The bells of water-carriers unceasingly ring;<br />
I am listening to Istanbul, intent, my eyes closed.</p>
<p>I am listening to Istanbul, intent, my eyes closed;<br />
Then suddenly birds fly by,<br />
Flocks of birds, high up, with a hue and cry,<br />
While the nets are drawn in the fishing grounds<br />
And a woman&#8217;s feet begin to dabble in the water.<br />
I am listening to Istanbul, intent, my eyes closed.</p>
<p>I am listening to Istanbul, intent, my eyes closed.<br />
The Grand Bazaar&#8217;s serene and cool,<br />
An uproar at the hub of the Market,<br />
Mosque yards are full of pigeons.<br />
While hammers bang and clang at the docks<br />
Spring winds bear the smell of sweat;<br />
I am listening to Istanbul, intent, my eyes closed.</p>
<p>I am listening to Istanbul, intent, my eyes closed;<br />
Still giddy from the revelries of the past,<br />
A seaside mansion with dingy boathouses is fast asleep.<br />
Amid the din and drone of southern winds, reposed,<br />
I am listening to Istanbul, intent, my eyes closed.</p>
<p>I am listening to Istanbul, intent, my eyes closed.<br />
A pretty girl walks by on the sidewalk:<br />
Four-letter words, whistles and songs, rude remarks;<br />
Something falls out of her hand<br />
It is a rose, I guess.<br />
I am listening to Istanbul, intent, my eyes closed.</p>
<p>I am listening to Istanbul, intent, my eyes closed.<br />
A bird flutters round your skirt;<br />
On your brow, is there sweat? Or not? I know.<br />
Are your lips wet? Or not? I know.<br />
A silver moon rises beyond the pine trees:<br />
I can sense it all in your heart&#8217;s throbbing.<br />
I am listening to Istanbul, intent, my eyes closed.</p>
<p>Translated by Talat Sait Halman &#8211; 1982</p>
<p>Ouço Istanbul</p>
<p>Fecho os olhos, recolho-me e ouço Istanbul.<br />
Vêm primeiro aqueles sopros ligeiros<br />
Que agitam tão suave quanto docemente<br />
As folhas, as árvores e as folhas das árvores.<br />
E lá fora, lá longe, incessantemente,<br />
Tocam e tocam as campainhas dos aguadeiros.<br />
Fecho os olhos, recolho-me e ouço Istanbul.</p>
<p>Fecho os olhos, recolho-me e ouço Istanbul.<br />
E de repente, uma revoada de aves sobe pelo ar:<br />
Bandos de pássaros num restolho de ares e ais<br />
Por sobre as redes que secam nos cais<br />
E um pé de mulher que chapinha no mar.<br />
Fecho os olhos, recolho-me e ouço Istanbul.</p>
<p>Fecho os olhos, recolho-me e ouço Istanbul.<br />
Está calmo; está sereno o Grande Bazar<br />
E por todo ele há um tumulto que perpassa:<br />
São os pombos nos adros das mesquitas a arrulhar.<br />
E os martelos que malham e ressoam em quem passa<br />
Fazem o suor que o vento da Primavera traz pelo ar.<br />
Fecho os olhos, recolho-me e ouço Istanbul.</p>
<p>Fecho os olhos, recolho-me e ouço Istanbul.<br />
Ainda bêbeda das noitadas de outrora,<br />
Há uma casa à beira-mar com sujos embarcadoiros<br />
Que o vento Suão adormece com melodias d’agora.<br />
Fecho os olhos, recolho-me e ouço Istanbul.</p>
<p>Fecho os olhos, recolho-me e ouço Istanbul.<br />
Uma rapariga caminha pelo passeio; e dá para perceber<br />
As palavras de amor que ouve, os piropos, o palavrão.<br />
Cai-lhe ainda qualquer coisa da sua mão:<br />
Uma rosa, pelo que me é dado ver.<br />
Fecho os olhos, recolho-me e ouço Istanbul.</p>
<p>Fecho os olhos, recolho-me e ouço Istanbul.<br />
Uma ave esvoaça-se-lhe pela saia, entretanto.<br />
E aquilo na testa, que é? Suor? Ou não. Eu sei.<br />
Os teus lábios estão molhados? Ou não? Eu sei.<br />
E uma lua de prata surge por detrás dos pinheiros:<br />
Sinto-a totalmente no teu coração, palpitando.<br />
Fecho os olhos, recolho-me e ouço Istanbul.</p>
<p>Tradução de Carlos Trincão<br />
Istanbul, 21 de Abril de 2005</p>]]></content:encoded>
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		<title>O mundo do avesso</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Oct 2006 13:56:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Autor: Ana Anes Ana Anes passou pelas licenciaturas de Engenharia de Materiais e de Relações Públicas e Publicidade. Não acabou nenhuma. Colaborou com o Dna, com o Expresso, com o Correio da Manhã e com o defunto Independente. Também fez &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/10/18/o-mundo-do-avesso/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Autor: Ana Anes<br />
Ana Anes passou pelas licenciaturas de Engenharia de Materiais e de Relações Públicas e Publicidade. Não acabou nenhuma. Colaborou com o Dna, com o Expresso, com o Correio da Manhã e com o defunto Independente. Também fez rádio. Actualmente é assessora da Câmara de Sintra -pelouro da Cultura- e escreve no blog www.je-suis-snob.blogspot.com<br />
Quando lhe pedi uma nota curricular, afirmou que tinha nascido com o”cordão umbilical bem preso no pescoço” e que por isso se considera uma alegre sobrevivente. Para além do mais, pediu-me que explicasse que não se leva a sério e que o seu lema é “see the ball, be the ball”. Ok. Fica o texto.</p>
<p><img id="image242" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/10/6_wus_world_panel.thumbnail.jpg" alt="6_wus_world_panel.jpg" /></p>
<p>O mundo do avesso</p>
<p>360º graus não chegam para descrever o quão virado do avesso está o nosso “pacato” planeta azul. A rotação inverteu-se há muito tempo e não é preciso muito para perceber a que ponto e já vão perceber porque razão, um dia destes, temos de começar a pedir boleia aos extraterrestres da série “Taken” direitinhos a um planeta mais são do que este (Há? Há? Digam-nos!). Noticias fresquinhas da terra do Fujimori dizem-nos que, o (até então) sábio povo japonês, decidiu incluir no seu calendário o dia do “António Cruz”, aka, Tom Cruise, o recém-despedido da Paramount ( Brad Pitt agradece), que, graças a tantos achaques de Cientologia, saltos em tudo o que é sofá de talk-show, partos sem gritos com placenta e cordão umbilical como “postres”- como dizem nuestros hermanos- lhe valeu o rótulo de louco na América (nota: para os americanos rotularem um ídolo destes de doido, vejam bem, o quão do avesso está o mundo! É caso para dizer, “diz o roto ao nú”.) Por isso, e graças ao “O último Samurai” e às inumeras visitas que o parolo de “Top Gun” fez à terra do Tamagoshi, ei-lo taco a taco no dia 6 de Outubro com Buda ( esse,o da decoração da “ Loja do Gato Preto” a preços baratos, o tal que precisa de descruzar as pernas e fazer uma dieta de Xenical) e do próprio Imperador. Depois, uma noticia que prova que a rotação da terra voltou à normalidade e já podemos dormir descansadinhos: A Mme. Osbourne, apresentou, na semana passada um programa de televisão do canal britânico ITV-imaginem- embriagada! A desculpa é simples e perfeitamente compreensível- a senhora fez 54 anos e pois claro que festejou com uns copitos- que em casa dos Osbournes água só nos canos- e, depois, pimba!, lá foi ela, apresentar um programita depois de ter bebido sabe lá Deus o quê e em que quantidade ( ps: consta que é preciso uma adega para embebedar qualquer membro da familia Osbourne). Coisa normal. Tão normal, que, no auge da loucura, Sharon começou a rir e disse aos telespectadores: “Desculpem estar bêbada, mas é o meu aniversário”. Normalissimo. Eu, antes de fazer o meu antigo programa de rádio bebia 3 copitos de 1920, já para não falar do que punha na mousse de chocolate, porque Natal e Aniversários são quando uma pessoa quiser, por isso o melhor é fazer da vida uma continuidade de datas marcantes ,de preferência, antes de darmos a cara, a voz e o corpo. Talvez fosse por isso que o programa se chamava “O Corpo é que paga”. Sincronicidades, como dizem as minhas amigas dos círculos esotéricos! E termino esta prosa com informação exotérica, crucial na vida de celibatárias felizes como eu: As gigantescas cuecas usadas por Renée Zellweger n’ «O Diário de Bridget Jones» estão a  ser leiloadas no eBay. Ora, se para alguns, o filme de culto é “Citizen Kane” ou “Breakfast at Tiffanny’s”, para mim é o clássico em que a chubby- hubby da “Bidjit” diz ao borrachão do Mark Darcy que procura um homem que goste dela “ just as I am”. As minhas cuecas são ligeiramente mais pequenas, não estão autografadas (por enquanto) pelo Hugh Grant a dizer “ Olá mamã” e são, espero, mais sexy’s, mas a Briget Jones é o Oscar Wilde do século XXI. Porque, como diz o slogan da L’Óreal “Nós merecemos”. Pessoas divertidas e com imperiais doses de loucura. Sejam Bridgets, Sharon’s ou Wildes. Or, for that matter, eu.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Dália desbotada</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Oct 2006 16:26:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>

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		<description><![CDATA[A história é soturna. Trata-se de um famoso e singular homicídio em Hollywood. Uma jovem aspirante ao estrelato foi serrada ao meio. Sangue drenado, rosto e corpo esculpidos com mais uns quantos mimos. O assassino nunca foi encontrado. A moça &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/10/11/dalia-desbotada/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: black"><font size="3"><font face="Times New Roman"><img id="image211" height="96" alt="dalia-negra.gif" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/10/dalia-negra.thumbnail.gif" />A história é soturna. Trata-se de um famoso e singular homicídio em Hollywood. Uma jovem aspirante ao estrelato foi serrada ao meio. Sangue drenado, rosto e corpo esculpidos com mais uns quantos mimos. O assassino nunca foi encontrado. A moça terminou célebre, sem dúvida. </font></font></span></p>
<p><span style="color: black" /><span style="color: black"><font size="3"><font face="Times New Roman"><span style="color: black"><font size="3"><font face="Times New Roman">Apesar de todo este material em bruto, o livro de James Ellroy é mau, mas pessoal. Tratando-se de Brian de Palma, esperar-se-ia que o filme não fosse pior. Mas é pior. E de pessoal tem pouco. </font></font></span></font></font></span></p>
<p><span style="color: black"><font size="3"><font face="Times New Roman"><span style="color: black" /></font></font></span><span style="color: black"><font size="3"><font face="Times New Roman" /></font></span><span style="color: black"><font size="3"><font face="Times New Roman"><span style="color: black"><font size="3"><font face="Times New Roman"><img id="image211" height="96" alt="dalia-negra.gif" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/10/dalia-negra.thumbnail.gif" />Não é que não tenha o ferrete do autor. Este é, definitivamente, um trabalho de De Palma e o esplendoroso curso da câmara confirma-o insistentemente. Dália Negra nada tem de desleixado. Bem antes pelo contrário. É absolutamente burilado, lavrado até ao osso. Contudo, se o pretexto das beldades condenadas até podia ser bem ao gosto do realizador, De Palma perde-se nos muitos fragmentos legados pela morta. Tanto quanto se embrenha nos olhos dos dois detectives. Um é mau e o outro é bom. Um é gelo e o outro é fogo. Um é louro e o outro é moreno…e duplicam-se no feminino…Enfim…Onde devia estar tragédia, estão comentários sociais. Onde se exigia vigor, espraiam-se puzzles de mil peças. Em vez de entranhas e lâminas, oferecem-nos uma fotografia excepcional. Da paisagem. Cortesia onde devia haver rasgo. Desprezo pela plateia onde se espera gancho. Demasiado enredo, pouco suspense, humor fora de tom, sexo em versão reticências, estranho casting e muitas –demasiadas &#8211; camadas, sem unidade ou coerência. Fora isso, está lá tudo. <span style="color: black"><font face="Times New Roman" size="3"> </font></span></font></font></span></font></font></span></p>
<p><span style="color: black"><font size="3"><font face="Times New Roman"><span style="color: black"><font size="3"><font face="Times New Roman"><span style="color: black"><font face="Times New Roman" size="3"><img id="image211" height="96" alt="dalia-negra.gif" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/10/dalia-negra.thumbnail.gif" /></font></span>Lésbicas, perversos, loucos, corruptos, droga. Sem nervo. O que até podia ser caminho. Não fosse ter ficado, assim, tão enfadonho. </font></font></span><span style="color: black"><font size="3"><font face="Times New Roman" /></font></span><span style="color: black"><font size="3"><font face="Times New Roman">E se já ninguém se ri com uma certa cena género Addams Family, o melhor ainda é a aparição da assassina zorro estilizada e o mistério em torno da obsessão pelo caso, que consome um dos detectives. Nunca se percebe porquê ou como. Bom. </font></font></span><span style="color: black"><font size="3"><font face="Times New Roman" /><font size="3"><span style="color: black"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font size="3" /></font></font></span></font></font></span><font size="3"><font size="3"><span style="color: black"><font size="3"><span style="color: black"><font face="Times New Roman" size="3">De resto, o homicídio, feito arte nos melhores tempos de De Palma, sumiu. E é pena.</font></span></font></span></font></font> </font></font></span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Então, o que vai ser hoje?</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Oct 2006 02:25:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Edgar Pêra fez um net-film especialmente para o 5dias. São Gonçalo é o nome do dito. Trata-se, portanto, de uma première em exclusivo e, que se saiba, da primeira vez que em Portugal um cineasta inaugura um trabalho seu na &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/10/11/entao-o-que-vai-ser-hoje/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font face="Times New Roman" size="3"><a href="http://elementarista.blogs.sapo.pt/">Edgar Pêra</a> fez um net-film especialmente para o 5dias. <em>São Gonçalo</em> é o nome do dito. Trata-se, portanto, de uma <em>première</em> em exclusivo e, que se saiba, da primeira vez que em Portugal um cineasta inaugura um trabalho seu na internet. Este filme -rodado em super 8 em Amarante- fará, mais tarde, parte de uma outra criação do autor. Mas, não será demais sublinhar, <em>São Gonçalo</em> foi feito com a intenção deliberada de ser divulgado na net. Deste modo, para o cineasta também é uma primeira incursão nestas andanças. </font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3">Conta com uma versão do Hino Nacional assinada por <a href="http://5dias.net/2006/10/04/a-musicologia-na-era-do-porquinho-babe/">Vítor Rua</a>, um outro colaborador regular– à segunda vez já podemos chamar assim– desta humilde casinha. Concluindo: uma ante-visão de uma ante-estreia. Está bom de ver.</font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3">Para além de agradecer aos verdadeiros artistas, um obrigado especial à Periferia Filmes e ao Zé Nuno Pereira, que tem sido incansável e generoso.</font></p>
<p><font face="Times New Roman"><font size="3">Logo a seguir podem ler um texto do <a href="http://bancadadobloco.blogspot.com/">Carlos Trincão</a> que volta a atacar, desta feita com uma recensão de uma trilogia que recomenda vivamente. Ó se recomenda, disse-me em voz off. Os volumes intitulam-se <em>Vida e Morte de Inocêncio</em> e são de Nuno Figueiredo.</font></font></p>
<p><font face="Times New Roman"><font size="3">Eu vou ali e já volto com umas tralhas.</font><br />
</font></p>]]></content:encoded>
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		<title>São Gonçalo</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Oct 2006 01:43:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Vídeo]]></category>
		<category><![CDATA[futebol]]></category>

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		<description><![CDATA[um net-film de Edgar Pêra]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><center><strong>um net-film de Edgar Pêra</strong><br />
<script src="http://blip.tv/scripts/pokkariPlayer.js" type="text/javascript"></script><script src="http://blip.tv/syndication/write_player?skin=js&#038;posts_id=88612&#038;source=3&#038;autoplay=true&#038;file_type=flv" type="text/javascript"></script></center><center id="blip_movie_content_88612"><a onclick="play_blip_movie_88612(); return false;" href="http://blip.tv/file/get/5dias-SoGonalo487.flv"><img src="http://blip.tv/file/get/5dias-SoGonalo487.flv.jpg" border="0" /></a><br />
<a onclick="play_blip_movie_88612(); return false;" href="http://blip.tv/file/get/5dias-SoGonalo487.flv" /></center></p>]]></content:encoded>
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		<title>Vida e Morte de Inocêncio</title>
		<link>http://5dias.net/2006/10/11/vida-e-morte-de-inocencio/</link>
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		<pubDate>Wed, 11 Oct 2006 00:28:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Autor: Carlos Trincão   Recensão de Vida e Morte de Inocêncio, de Nuno Figueiredo. Editorial Escritor  Li não sei onde, não sei quando, que um bom livro pode ser facilmente resumido num parágrafo. Não sei se é verdade ou se alguém &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/10/11/vida-e-morte-de-inocencio/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><font face="Times New Roman">Autor: Carlos Trincão<br />
</font><font face="Times New Roman"> </font></strong><font face="Times New Roman"><strong> Recensão de Vida e Morte de Inocêncio, de Nuno Figueiredo. Editorial Escritor</strong></font></p>
<p><font face="Times New Roman"><strong><br />
</strong></font><font face="Times New Roman"> </font><font face="Times New Roman">Li não sei onde, não sei quando, que um bom livro pode ser facilmente resumido num parágrafo. Não sei se é verdade ou se alguém concorda com tal afirmação. Nem eu sei se concordo. E quem sou eu para concordar com tal afirmação&#8230; O que é certo é que, desde essa altura, dou por mim, assim que acabo de ler um livro, a tentar resumi-lo num parágrafo. A ver se dá.<br />
</font><strong><font face="Times New Roman"> </font> </strong></p>
<p><font face="Times New Roman">Assim sendo, se dissesse que esta é a história de um desenrascado que, em 45 anos de vida, sai da sua terra natal nas Beiras, apanha um barco para Angola, faz fortuna à custa de matreirices, rouba o negócio e a mulher ao sócio, regressa à Metrópole uns meses antes do 25 de Abril e guarda o dinheiro na Suíça, anda por cá com um pé na situação e outro na oposição, no Verão Quente é um grande amigo do PREC mas com o dinheiro ainda na Suíça, regressa à província, chega a Presidente de Câmara, usa a demagogia com uma simplicidade estonteante, ama desalmadamente a sua mulher (a tal que roubou ao sócio de Angola) mas ama também desalmadamente as (outras) mulheres (dos outros), e, no fim, morre afogado numa praia de França, se vos dissesse tudo isto, repito, estaria a resumir não um livro mas a trilogia “VIDA E MORTE DE INOCÊNCIO”.<br />
</font><font face="Times New Roman"> </font></p>
<p><font face="Times New Roman">No primeiro volume &#8211; “Os Dias Gloriosos do Império” &#8211; contada-se a odisseia de Inocêncio Farelo em Angola, onde fez fortuna e refinou a sua esperteza.<br />
</font><font face="Times New Roman"> </font></p>
<p><font face="Times New Roman">E onde também o horror da guerra colonial se dá a lembrar. Uma guerra fora das cidades,  que as gentes das cidades fazem por não querer conhecer mas sabem que lá está, numa angústia dissimulada facilmente transformada em pânico: o estrondo das espingardas era tal em certa noite de passagem de ano que ninguém teve dúvidas do fim próximo; afinal não passava de uma caterva de macacos assustados (na manhã seguinte, viera-se a saber, 3333 cadáveres de gorilas, chimpanzés e símios avulsos não identificados) continuamente baleados pelos assustados soldados do posto de sentinela nº 13,  também eles na permanente angústia das incertezas e na angustiante certeza de uma guerra longe de casa.<br />
</font><font face="Times New Roman"> </font></p>
<p><font face="Times New Roman">Em  “A Revoada Palavrosa”, o 2º volume, assisti-se ao vendaval revolucionário que passou por Portugal, damos conta de injustiças, sorrimo-nos dos exageros. Admiramo-nos com a facilidade com que Inocêncio e D. Mimi, a sua mulher, flutuam sempre e em segurança no encapelado mar do poder caduco que se afundava e do novo poder que emergia. Basta ver a subtileza com que o “busto do chefe” vai trocando o lugar de honra na residência dos Farelos por outros sucessivamente menos importantes e mais escondidos, até à descompostura final da arrecadação dos tachos&#8230; ainda por cima daqueles que já nem D. Mimi utilizava!<br />
</font><font face="Times New Roman"> </font></p>
<p><font face="Times New Roman">No 3º volume, “Poder em Bárbaras Mãos”, vai o casal Farelo de abalada até uma terrinha de província para descansar da agitação da capital. Sempre com o dinheiro da Suíça a dar muito jeito.<br />
</font><font face="Times New Roman"> </font></p>
<p><font face="Times New Roman">Província é província. Sossegada. Com os seus tiques e personagens. Sossegada. Com os seus importantes. Sossegada. Com os seus pecadilhos.<br />
</font><font face="Times New Roman"> </font></p>
<p><font face="Times New Roman">Mimi e Inocêncio cansam-se de não fazer nada. A política é a salvação. As primeiras eleições autárquicas estão à porta. Em terra de cegos quem tem olho é rei. Gente nova na terra traz necessariamente discurso novo (discurso novo, sublinhe-se). E ele ganha facilmente.<br />
</font><font face="Times New Roman"> </font></p>
<p><font face="Times New Roman">Interessante é o modo como Nuno de Figueiredo conta a história: em duas ou três ocasiões a narrativa volta atrás, para que o mesmo episódio seja contado por personagens diferentes, de ângulos diferentes. Com muitas páginas de intervalo.<br />
</font><font face="Times New Roman"> </font></p>
<p><font face="Times New Roman">É assim, por exemplo, que ficamos a saber que a causa do tropeção de Inocêncio no passeio &#8211; e consequente espalhanço &#8211; no dia da sua instalação como Presidente da Câmara não se deveu a um mero encontrão do sapato com a calçada, como nos sugere a leitura a escassas páginas do início da obra. A culpa foi da Lolita e da D. Teté, fica-se a saber 280 páginas mais adiante, que, pressurosas e querendo ver o Presidente eleito passar na rua a caminho da glória, provocam a queda de uma vaso de sardinheiras da sua janela, ali mesmo a dois pés do edil. Quase lhe acertava.<br />
</font><font face="Times New Roman"> </font></p>
<p><font face="Times New Roman">E  D. Tété, que de tão aflita e debruçada no peitoril nem dava (ou daria?) pelo decote que se abria e generosamente revelava os seios, desancava na outra&#8230; Desculpe, implora Lolita a seu lado, eram sardinheiras. E o Presidente, cá de baixo, de olhos enterrados naquela generosidade toda: E que fossem cravos, menina, sabe que podia ser crime político?<br />
</font><font face="Times New Roman"> </font></p>
<p><font face="Times New Roman">A campanha eleitoral é um mimo. Até D. Mimi, que dois volumes e centenas de páginas atrás parecia uma sonsinha, vai defender o voto no marido na casa do Beiral, onde as meninas viviam e o homens as visitavam&#8230;<br />
</font><font face="Times New Roman"> </font></p>
<p><font face="Times New Roman">Pelo meio um socialista convicto, sério, empenhado, morrendo de ideais e de amores pela sua amada. Personagem tão principal como Inocêncio, que já andara pelas páginas dos outros volumes com as mesmas certezas e convicções. Personagem menos mediático, infelizmente, mas como teria que ser num livro como este em que o autor nos pretende mostrar quão fácil é pisar os outros e simples fazer com que se volte atrás mantendo os desatentos na saborosa ilusão de que tudo vai no caminho novo.<br />
</font><font face="Times New Roman"> </font></p>
<p><font face="Times New Roman">Pelo meio outras histórias de outros personagens, que encaixam perfeitamente na história, que ajudam a explicar a história e os percursos.<br />
</font><font face="Times New Roman"> </font></p>
<p><font face="Times New Roman">Pelo meio de uma história aparentemente leve mas arrepiantemente mordaz muitas verdades pesadas. Ou apenas uma única: a de que com arte e engenho, ainda que sem competência, se pode ir longe. Se deixarmos. E cair depressa. Se estivermos alerta.<br />
</font><font face="Times New Roman"> </font></p>
<p><font face="Times New Roman">O livro é grande. Muito grande. A trilogia enorme. Mas tudo se lê quase de assentada porque a história nos prende e não larga mais. Estamos constantemente à espera de mais uma peripécia, de mais uma ideia megalómana do Presidente nunca concretizada. Estamos sempre à espera que Nuno de Figueiredo, julgando-nos desprevenidos, volte atrás e conte mais alguma coisa que ainda não sabemos.<br />
</font><font face="Times New Roman"> </font></p>
<p><font face="Times New Roman">O interessante também é que não precisamos do livro anterior para perceber o seguinte.<br />
</font><font face="Times New Roman"> </font></p>
<p><font face="Times New Roman">Inglória é a morte de Inocêncio: numa deslocação ao estrangeiro para uma geminação, enquanto esperavam ser recebidos pelo desinteressado Presidente da Câmara de lá e gastando o tempo em passeios ou idas à praia.<br />
</font><font face="Times New Roman"> </font></p>
<p><font face="Times New Roman">E é na praia, com a geminação por fazer, que Inocêncio, já meio barrigudo mas querendo mostrar-se ligeiro às cachopas de biquini, vai à água, esbraceja e só volta, sem vida, nos braços dos valorosos estudantes de Coimbra, peritos no mar da Figueira, que acompanharam o Presidente Inocêncio a terras de França numa verdadeira embaixada da terra de Samardã, de onde haviam saído cinco valorosos autocarros pejadinhos de samardenses.<br />
</font><font face="Times New Roman"> </font></p>
<p><font face="Times New Roman">Fortunato Ventura, o socialista convicto, toda a vida íntegro, também morre. Mas em Samardã, de desilusão e cansaço, com tiro de pistola auto-infligido.<br />
</font><font face="Times New Roman"> </font></p>
<p><font face="Times New Roman">Ia longe, este Inocêncio, ó se ia&#8230;<br />
</font></p>]]></content:encoded>
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		<title>As más notícias chegam depressa.</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Oct 2006 18:26:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[A verdade e a justiça é que nem por isso. PS e PSD rejeitam inquérito parlamentar sobre o caso do Envelope 9]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A verdade e a justiça é que nem por isso.</p>
<p><a href="http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=12&#038;id_news=245514">PS e PSD rejeitam inquérito parlamentar sobre o caso do Envelope 9</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Lombada</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Oct 2006 18:25:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Nada mais trivial do que, perante a pergunta “Qual é o livro da sua vida?”, que me fizeram há uns dias, responder que é difícil escolher um, que se leram muitos e se amaram outros tantos. Pode ser difícil evitar &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/10/04/lombada/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nada mais trivial do que, perante a pergunta “Qual é o livro da sua vida?”, que me fizeram há uns dias, responder que é difícil escolher um, que se leram muitos e se amaram outros tantos. Pode ser difícil evitar um clássico, por pudor ou falta de arrojo, ou fácil escolher o último, encapado na novidade do escaparate, no subterfúgio da divulgação ou protegido por esse ente pérfido que se dá pelo nome de memória. Podemos sempre interpretar a questão como um convite para escolher um livro de uma fase da nossa vida, um livro metarmofeseante. Embora seja esta a hipótese que, apesar de tudo, mais me agrada, não vou escolher livro algum. Queiram desculpar.</p>
<p>C.S. Lewis, no <em>A Experiência de Ler</em>, afirma que para certo tipo de leitores &#8211; os felizes contemplados com a “sensibilidade literária” – “a primeira leitura de uma obra literária constitui frequentemente uma experiência tão importante que só experiências amorosas, religiosas ou de profunda perda se lhe podem comparar. Toda a sua consciência se transforma”. Confesso que, ainda assim, prefiro a formulação de Carlos Maria Domínguez. Conta este senhor, apaixonado por livros, edições, livrarias e alfarrabistas, logo no debutar do seu <em>A Casa de Papel</em>, que “ Na Primavera de 1998, Bluma Lennon comprou numa livraria do Soho um velho exemplar dos <em>Poemas</em>, de Emily Dickinson, e, ao chegar ao segundo poema, na primeira esquina, foi atropelada por um automóvel.” Pois é. “Os livros mudam o destino das pessoas. Uns leram os <em>Tigres da Malásia </em>e converteram-se em professores de literatura em remotas universidades. <em>Siddartha </em>levou ao hinduísmo dezenas de milhares de jovens, Hemingway converteu-os em desportistas, Dumas transtornou a vida de milhares de mulheres e não poucas foram salvas do suicídio por manuais de cozinha. Bluma foi vítima deles”. E eu também, que até era capaz de escolher uma destas obras e agora, por motivos evidentes, já não tenho o desplante de o fazer.</p>
<p>Mais à frente, Domínguez dá o veredicto: “Sempre que a minha avó me via a ler na cama, costumava dizer-me: “larga isso, que os livros são perigosos.” Durante muitos anos acreditei na sua ignorância, mas o tempo demonstrou a sensatez da minha avó alemã”. Talvez porque a minha avó não é alemã, nunca fui tão sabiamente alvitrada. E por isso neste momento, o que me ocorre são as palavras de Vila-Matas, nessa coisa crepitante que se dá pelo nome <em>Da cidade nervosa</em>, em que o autor descreve a sua angústia perante a escolha. Conta que lhe pediram para, no Dia do Livro, escolher um fragmento de uma obra literária, de modo a que os ouvintes da rádio descobrissem a origem. E explica: “Parecia uma operação simples, mas logo me apercebi que o não era. Escolher um fragmento de entre todos os fragmentos da história da literatura universal era tão difícil como começar uma conferência ou escrever a primeira frase de um romance”. E a primeira frase de um romance é coisa mesmo difícil. Steiner, aliás, dedica a primeira linha do seu <em>Gramáticas da Criação</em> à seguinte declaração: “Já não temos começos. <em>Incipt</em>: a orgulhosa palavra latina que designa o início sobrevive ao poeirento vocábulo inglês <em>inception</em>. O escriba da Idade Média assinala o início de uma linha, o novo capítulo, por meio de uma capital iluminada”. É pena. Como diz Bragança de Miranda, em <em>Da gaveta para fora- Ensaios sobre Marxistas</em> – prometo desde já que, contra todas as expectativas, não vou falar de Marx &#8211; “Todo o começo é radical”. E Bragança de Miranda, vai daí, cita um outro: “Não dizia Platão que no começo está um Deus?” Mas voltando a Vila- Matas e ao “momento crucial” da opção. Não satisfeito com a sua inquietude, vale-se das palavras de Ítalo Calvino: “É o instante da escolha; é-nos dada a possibilidade de dizer tudo, de todos os modos possíveis. (…) Até ao instante anterior ao momento em que começamos a escrever, temos o mundo à nossa disposição.”. Depois, começa-se e o universo afunila. E nós situamo-nos.</p>
<p>Por isso, quando nos perguntam qual é o livro da nossa vida, podemos sempre fazer qualquer coisa deste género. Mais ou menos como pergunta Barthes em <em>Barthes by Barthes</em> (vai mesmo em inglês, porque não sei francês suficiente para traduzir): “Have we not enough freedom to receive a text <em>without the letter</em>?” (o sublinhado não é meu). Podemos tentar explicar que ainda andamos perdidos e que os livros, tal como prova o caso de Bluma, não estão para brincadeiras. É favor ler, então. Diz Ramón Gómez de la Serna, no <em>Greguerías</em> que “a posição mais incómoda para um livro é ficar aberto e de bruços no braço de um sofá”.</p>]]></content:encoded>
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