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	<title>cinco dias &#187; Ivan Nunes</title>
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		<title>O Fim da Missa</title>
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		<pubDate>Thu, 10 May 2007 20:31:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Este é o meu corpo, etc. Estávamos em 1991. Naquela época, desde que comprou o videoteipe (em 1982, a tempo do Mundial de Espanha; ainda deve por lá haver os 3-1 que o Brasil enfiou na Argentina), o meu avô &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/05/10/o-fim-da-missa/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/05/lamessaefinita1.jpg" title="lamessaefinita1.jpg"><img src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/05/lamessaefinita1.jpg" alt="lamessaefinita1.jpg" height="228" width="403" /></a><br />
<em>Este é o meu corpo, etc.</em></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Estávamos em 1991. Naquela época, desde que comprou o <em>videoteipe</em> (em 1982, a tempo do Mundial de Espanha; ainda deve por lá haver os 3-1 que o Brasil enfiou na Argentina), o meu avô gravava dezenas, centenas de filmes, que iam parar a casa da minha mãe; por vezes era ela quem os pedia; outras, era ele que os gravava, presumindo que interessassem. Quando Nanni Moretti se tornou um nome famoso, graças à estreia comercial de <em>Palombella Rossa</em> – suponho que em 1991, ou talvez ainda em 90 – descobri lá pelas estantes do video um filme anterior, <em>O Fim da Missa</em>, com Moretti num papel de padre. Ou foi da influência de <em>Palombella Rossa</em> e eu confundi as memórias, ou foi mesmo assim que percebi o filme, mas a ideia que tenho é que Moretti tratava o catolicismo como quem trata o comunismo; e que o padre que ele representava estava em crise de fé. Não sei. O certo é que emprestei a cassette ao Nuno Ramos de Almeida – começávamos a ser colegas de curso por esse tempo – no ano já longínquo de 1991, cassette que regressou ao convívio de minha casa há escassos meses.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Perdi a cassette e também perdi, mais ou menos, o Nuno Ramos de Almeida de vista. Recuperou-se o Nuno e recuperou-se a cassette, e o Cinco Dias foi instrumental nisto. E agora saiu no mercado português, em dvd, <em>O Fim da Missa</em>, por coincidência na mesma semana em que havíamos acordado que eu sairia do 5 Dias. A cassette, que não voltei a colocar no gravador, vai para o lixo. A minha homilia termina aqui.</span></p>
<p class="MsoNormal"><em>Com uma saudação especial ao Nuno, ao Zé Nuno e ao Figueira.</em></p>]]></content:encoded>
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		<title>Usado mas não abusado</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Apr 2007 21:48:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Está uma feira do livro manuseado, da Cotovia e outras editoras (mas essencialmente da Cotovia), no Largo da Misericórdia em Lisboa, pelo menos até amanhã (das 3 da tarde às 11 da noite). É uma bela iniciativa, até porque a &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/04/26/usado-mas-nao-abusado/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/04/olho.jpg" title="olho.jpg"><img src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/04/olho.jpg" alt="olho.jpg" height="298" width="402" /></a></p>
<p>Está uma feira do livro manuseado, da Cotovia e outras editoras (mas essencialmente da Cotovia), no Largo da Misericórdia em Lisboa, pelo menos até amanhã (das 3 da tarde às 11 da noite). É uma bela iniciativa, até porque a Cotovia publica muitos livros bons mas caros, que assim posso comprar. Convém só notar o seguinte. Há uma diferença entre livro «manuseado» e livro estragado, e a Cotovia vende nesta feira alguns livros com páginas rasgadas (e sabendo que o faz). Acresce que os preços sofrem da maior volatilidade &#8211; comprei <em>Claro Enigma</em>, de Drummond de Andrade, por cinco euros há dois dias, mas hoje custava sete em estado de conservação idêntico (ou mesmo um pouco pior). Continua a valer a pena passar pela feira, se for em caminho e se se dispuser de 10 minutos (chega). Mas de olhos abertos.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Autobiografia sumária</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Apr 2007 13:30:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[O artigo de Vasco Pulido Valente no último sábado dá ocasião para mais uma polémica na blogosfera sobre a pessoa do seu autor. Ele tem muita «coragem», para falar assim desassombradamente do que lhe aconteceu? Ou tudo isto não passa &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/04/26/um-naufragio-que-as-vezes-nao-acho-exclusivamente-pessoal/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal">O artigo de Vasco Pulido Valente no último sábado dá ocasião para mais uma polémica na blogosfera sobre a pessoa do seu autor.<span style="color: black" lang="PT"> Ele tem muita «coragem», para falar assim desassombradamente do que lhe aconteceu? Ou tudo isto não passa de um estafado recurso literário, usado por uma personagem vaidosa e egocêntrica? As intenções são pouco importantes. O texto está certo linha por linha, e sobretudo nas últimas.<o:p></o:p></span></p>
<p class="MsoNormal"><span id="more-982"></span><strong><span style="color: black" lang="PT">Histórias</span></strong></p>
<p class="MsoNormal"><span style="color: black" lang="PT">Vasco Pulido Valente<o:p></o:p></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="color: black" lang="PT"><em>Público</em>, 21.04.2007<o:p></o:p></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="color: black" lang="PT">No dia em que nasci, 21 de Novembro de 1941, Hitler ocupava quase toda a Europa e o exército alemão estava a alguns quilómetros de Moscovo. Franco tinha liquidado a República e Salazar mandava em Portugal. Ainda me lembro, distintamente, de ouvir a voz do Führer (ou de Goebbels?) na telefonia e das senhas de racionamento. Quando cresci, a guerra continuava viva na pobreza geral, nos livros, nos jornais, nas conversas da família. Sou, em primeiro lugar, um filho desse tempo. Do tempo dos julgamentos de Nuremberga, de Londres bombardeada (que cheguei a ver) e das revelações (de resto, vagas) sobre os campos de extermínio. Mas também o tempo do &#8220;existencialismo&#8221;, dos caveaux de Saint-Germain e do new look de Dior, que não deixou de aparecer numa Lisboa estupefacta e remota.<br />
Nunca perdi a memória ou os sinais desse princípio, que foi, por assim dizer, a minha introdução ao mundo. A guerra fria veio complicar as coisas. Em Portugal, a existência da ditadura impunha, na prática, a escolha de um único lado. Não se podia ser contra os comunistas pela razão primitiva e óbvia de que o regime perseguia e prendia os comunistas. Não houve ninguém, ou quase ninguém, com um resto de consciência moral, que, numa altura ou noutra, não caísse neste buraco: o buraco sem fundo do &#8220;antifascismo&#8221;. Sair dele era mais difícil e muitos só saíram muito depois do 25 de Abril.<br />
Por mim, gastei esforçadamente uma dúzia de anos no trabalho inglório de varrer a tralha política e teórica da minha cabeça. É uma parte da minha vida que se estragou e que não volta. Sou um filho da guerra fria.</span></p>
<p>A democracia portuguesa trouxe uma exagerada esperança de reforma e decência. Ao começo, mesmo a seguir ao PREC, nada parecia impedir que se fizesse um país, sem a miséria, a corrupção e a complacência do costume. Por isto e por aquilo, não se fez. Portugal conservou os seus velhos vícios, sem adquirir novas virtudes. Na minha última encarnação sou, prosaicamente, um filho da democracia falhada. Como escreveu o homem, a velhice é um naufrágio. Comigo, um naufrágio que às vezes não acho exclusivamente pessoal. Mas são com certeza momentos de megalomania. A verdade é que já não pertenço a esta história. O meu interesse é forçado, a minha presença é, pelo menos para mim, gratuita. Mas, por enquanto, não há remédio senão persistir. <o:p></o:p></p>]]></content:encoded>
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		<title>Sonhar com piratas</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Apr 2007 08:13:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Este foi o belíssimo texto do Paulo Varela Gomes que saiu no Público do último domingo, com uma «chamada» parva sobre o «politicamente correcto». &#160; A fama, a morte e as vidas de Emílio Salgari Paulo Varela Gomes Público, 22 &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/04/26/sonhar-com-piratas/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/04/paulo.jpg" title="paulo.jpg"><img src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/04/paulo.jpg" alt="paulo.jpg" height="405" width="417" /></a></p>
<p>Este foi o belíssimo texto do Paulo Varela Gomes que saiu no <em>Público</em> do último domingo, <a href="http://diarioremendado.blogspot.com/2007/04/intrigante.html">com uma «chamada» parva sobre o «politicamente correcto»</a>.</p>
<p class="MsoNormal">&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal"><span id="more-981"></span><strong><span lang="PT">A fama, a morte e as vidas de Emílio Salgari<o:p></o:p></span></strong></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Paulo Varela Gomes</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT"><em>Público</em>, 22 de Abril de 2007<o:p></o:p></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt"><span lang="PT">Quando o conhecido intelectual italiano Umberto Eco foi à Índia pela primeira vez, em 2005, com 73 anos de idade, respondeu assim à pergunta de Devika Sequeira, uma jornalista goesa do &#8220;Deccan Herald&#8221; surpreendida com essa descoberta tão tardia: &#8220;Houve pelo menos quatro gerações de italianos que cresceram a ler os livros de Emílio Salgari, o romancista do século XIX que também era muito popular no mundo de língua espanhola. Escreveu livros de aventuras passadas por toda a parte: na África, nas Caraíbas. Mas os mais importantes eram na Índia. Todos os italianos da minha geração e da geração do meu pai conhecem a Índia perfeitamente porque Salgari explicava tudo desde as árvores &#8220;banian&#8221;, até aos rios, às pessoas, aos costumes&#8230;&#8221;.<o:p></o:p></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt"><span lang="PT">Eco estava a ser simpático para a jornalista porque Emílio Salgari não escreveu muitos livros sobre a Índia, mas é significativo que lhe tenha ocorrido invocá-lo.<o:p></o:p></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt"><span lang="PT">De facto, Salgari foi muito provavelmente o escritor mais lido pelos rapazes europeus e latino-americanos (os rapazes, não as raparigas) entre o início do século XX e a década de 1970. Deve ser muito difícil encontrar um italiano, um espanhol, um francês, um português, um mexicano ou um argentino, com mais de 45 anos de idade, que não tenha lido os livros de Salgari no início da adolescência.<o:p></o:p></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt"><span lang="PT">Em Portugal, esses livros foram publicados pelas edições Romano Torres logo no início do século. Na década de 1960, cada título da famosa &#8220;Colecção Salgari&#8221;, desde o nº 1, &#8220;A Montanha da Luz&#8221;, ao nº 152, &#8220;Sandokan e a Pantera de Sunderbunds&#8221;, custava 15 escudos. Eram livrinhos com umas 120 páginas em média, de formato 12 por 19, e belas capas com desenhos de origem italiana mostrando personagens de cores vivas e gestos violentos. Nunca comprei nenhum mas li-os todos. Os meus pais estavam ausentes em Peniche ou Caxias e o meu avô e tios, que cuidavam de mim, do meu irmão e das minhas irmãs, não tinham dinheiro para luxos. Mas também não era preciso. Na minha terra, Cascais, havia a biblioteca da casa Conde de Castro Guimarães. Para mim, foi durante dois ou três anos a biblioteca dos livros de Salgari. Ia lá na manhã do dia da semana em que não tinha aulas. Só podia requisitar três livros de cada vez. Os poucos leitores, deslizando silenciosamente entre as batidas solenes de um grande relógio dourado, iam buscar os livros às estantes de uma sala iluminada por uma única janela, rasgada ao fundo no paredão sobre a praia de Santa Marta. Ouvia-se o marulhar simpático do mar. Os livros tinham, sobre as capas originais, uma encadernação dura de cartolina vermelha ou verde. Encostava-me à estante folheando ora um, ora outro, hesitando na escolha, hesitando sobre para onde ir: se para junto de Sandokan, o &#8220;Tigre da Malásia&#8221;, e os seus corsários em luta contra os ingleses nos arquipélagos do sudeste asiático do século XIX; se para as Caraíbas com o &#8220;Corsário Negro&#8221;, a sua filha e os bandos de piratas que se batiam contra os espanhóis e os ingleses; se para o Brasil dos Tupis que disputavam a floresta aos colonos portugueses; se para a ilha de Madagáscar com os seus escravos revoltados; se para os &#8220;casbahs&#8221; de areia ardente dos salteadores do deserto do Saará.<o:p></o:p></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt"><span lang="PT">Na contra-capa de &#8220;O Leão de Damasco&#8221;, nº 26 da Colecção Salgari (&#8220;Capitan Tempesta&#8221; no original italiano), um altivo castelo de tinta da china sobre azul erguia-se contra a lua e o mar. Ao olhar para o desenho e ao ler a palavra Damasco, ao pensar naquilo que aprendia nas aulas da história e geografia no Liceu de Oeiras e nos outros livros que por vezes requisitava por entre os Salgaris, quase sentia o ranger do cordame dos navios turcos do Mediterrâneo e o som da brisa nas palmeiras do deserto.<o:p></o:p></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt"><span lang="PT">Entrei na adolescência e abandonei Emílio Salgari em favor de livros sem espadas e sem mosquetes, sem abordagens e selvas húmidas, sem animais de nomes estranhos e heróis de olhos em brasa, sem mulheres combativas e noites de tempestade. Depois reparei que todos tinham feito o mesmo: dos meus colegas e amigos, já ninguém lia Salgari, embora muitos &#8211; muitíssimos &#8211; mantivessem em casa, e num luminoso canto do coração, os livros da Romano Torres. Pior: reparámos que tão pouco os miúdos liam Salgari. No início da década de 1970, Emílio Salgari morreu. Em Portugal e por toda a parte.<o:p></o:p></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt"><span lang="PT">Ressuscitou precisamente &#8211; e precariamente &#8211; em 1976 por via da televisão, do realizador italiano Sergio Sollima, do actor indiano Kabir Bedi. Foi uma série de dois episódios, de produção franco-italiana, intitulada &#8220;Sandokan&#8221;. Kebir Bedi encarnou o &#8220;Tigre da Malásia&#8221;. À série seguiram-se filmes, livros de banda desenhada, cromos, uma segunda vida para os velhos romances, agora na era da televisão. Parece que foi há trinta anos. E foi. Trinta anos que equivalem a trinta séculos de distância cultural. Com excepção dos cromos, que continuam a ser coleccionados e trocados, o &#8220;revival&#8221; Salgariano desvaneceu-se meia dúzia de anos depois, tão depressa como tinha surgido.<o:p></o:p></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt"><span lang="PT">Os livros de Salgari não &#8220;pegaram&#8221; no nosso tempo, nem sequer com a série televisiva e o que se lhe seguiu, porque os seus livros assentam sobre os três pilares do ensino moderno burguês consolidado no século XIX: a história, a geografia, as ciências naturais, e hoje a divulgação e o ensino destas áreas do saber já não tem nada que ver com os livros, e menos ainda com a novela ou o romance que já não servem a informação ou a formação, mas o entretenimento. É um pouco por isso que as aventuras dos livros de aventuras se passam agora em sítio incerto ou lendário, em cronologia errática, em cenário minuciosamente artificial. A verificação não se faz noutros livros, faz-se nos outros produtos da indústria do entretenimento sem a constelação dos quais os livros não sobrevivem: os materiais feitos para a Internet e os brinquedos.<o:p></o:p></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt"><span lang="PT">É provável que continue a haver muitos miúdos que lêem histórias, mas fazem-no não para saberem coisas ou para conhecerem esses &#8220;países estrangeiros&#8221; que são o passado, os outros&#8230; e os países estrangeiros. Fazem-no para se divertirem. Os livros de Salgari como, em geral, a novela e o romance, pertencem à cultura do livro que agoniza na arena pública há 50 anos perante o pasmo, a incompreensão, o desconforto e o ressentimento de educadores e intelectuais que não conseguem aceitar que tal cultura esteja a ser confinada rapidamente a uma elite, enquanto outras &#8220;coisas&#8221;, outras culturas, de perfil ainda pouco claro, tomam conta dos media, da esmagadora maioria das universidades, do espaço público.<o:p></o:p></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt"><span lang="PT">É provável que qualquer miúdo saiba hoje o que é um &#8220;pecari&#8221; através de um canal como o National Geographic ou de uma simples pesquisa na Internet. Eu aprendi a páginas não-sei-das-quantas do &#8220;Corsário Negro&#8221; ou do &#8220;Corsário Vermelho&#8221; de Emílio Salgari. O &#8220;pecari&#8221; é um mamífero parecido com um pequeno javali que existe essencialmente na América do Sul e Central e cujos hábitos e aspecto Salgari descreveu entusiasticamente, a partir de enciclopédias e livros de viagens, como descrevia as plantas e a fauna &#8220;exóticas&#8221; de toda a parte.<o:p></o:p></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt"><span lang="PT">Muitos anos depois de ter sepultado os seus livros no canto da memória onde também estão as batidas solenes do relógio dourado e a luz do sol da manhã sobre a praia de Santa Marta para lá da janela da biblioteca, lembrei-me muitas vezes de Salgari quando passei a ter a incrível sorte &#8211; que todos os dias agradeço aos deuses &#8211; de poder ir a alguns sítios onde nem toda a gente vai, não em turismo mas para ver o que se lá passa ou passou. Alguns desses sítios tinham já sido visitados por mim pela mão de Emílio Salgari e como ele os visitou: através da imaginação e da leitura. Foi assim ao olhar, no litoral do Brasil, para um manguezal, as árvores que mudam de raízes de modo a poderem deslocar-se, e que o escritor italiano descreveu como &#8220;árvores que andam&#8221;. Ou quando vi na Índia a minha primeira grande árvore &#8220;banian&#8221; cujo nome, como recordou Umberto Eco, aprendemos todos com Salgari. Senti-me o Visconde de La Hussiére do &#8220;Leão de Damasco&#8221; quando, na floresta de Ceilão, sacudi das pernas as sanguessugas que se preparavam para se alimentar de mim. A vida imitava a literatura. Era o que costumava fazer antigamente.<o:p></o:p></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt"><span lang="PT">O cinema, essencialmente italiano, apoderou-se dos livros de Emílio Salgari desde o tempo do mudo no início do século XIX. Nas décadas de 1940 e 1950 fizeram-se filmes de argumento Salgariano no México e em produções italo-francesas. Nunca adiantou nem atrasou grande coisa. Emílio Salgari era para ler e foi através da leitura que chegou a toda a parte.<o:p></o:p></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt"><span lang="PT">A toda não. Houve um canto do mundo dito ocidental no qual os romances Salgarianos só começaram a ser conhecidos no ano de 2003: trata-se de um canto importante, o mundo anglo-saxónico. É incrível mas é verdade. A primeira tradução para inglês de livros de Emílio Salgari ocorreu há quatro anos apenas! Tratou-se de &#8220;The Tigers of Mompracem&#8221; e &#8220;The Pirates of Malaysia&#8221; publicados por uma editora norte-americana.<o:p></o:p></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt"><span lang="PT">Não sou muito de teorias da conspiração. Mas sou bastante de teorias do poder (às vezes é a mesma coisa). Penso que, durante todo o século XX, os editores ingleses fizeram deliberadamente de conta que Emílio Salgari não existia e contagiaram com esse silêncio os &#8220;primos&#8221; de além-Atlântico. A hostilidade britânica há-de dever-se a várias razões: talvez a snobeira de quem pensa ter melhores romances de aventuras, (com muita razão, acrescente-se); provavelmente o facto de o &#8220;mal&#8221; aparecer frequentemente identificado, nos livros de Emílio Salgari, com o império britânico. Os leitores Salgarianos não esquecerão nunca o arqui-inimigo de Sandokan, o infame &#8220;Rajah branco&#8221; da Malásia James Brooke, senhor de Sarawak, os opressores britânicos da Índia ou os governadores ingleses da Jamaica, personificação da maldade imperialista.<o:p></o:p></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt"><span lang="PT">A última ressurreição de Emílio Salgari , que está a ocorrer nos nossos dias por &#8220;sites&#8221; da Internet e congressos académicos (e coincide &#8211; embora não por coincidência &#8211; com a sua penetração no mercado livreiro norte-americano), deriva do facto de o romancista ter sido &#8220;descoberto&#8221; como um autor anti-imperialista e anti-colonialista pela cultura pós-colonial dos círculos políticos e universitários da Europa e da América Latina.<o:p></o:p></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt"><span lang="PT">Ou melhor: redescoberto. De facto, Emílio Salgari foi admirado entusiasticamente por personagens e autores como Che Guevara, Isabel Allende, Pablo Neruda e Gabriel Garcia Marquez. O Che, por exemplo, terá colhido dos romances do italiano alguma da inspiração para as viagens da sua juventude aventurosa. O anti-imperialismo da sua vida militante ter-se-á inspirado em personagens Salgarianos como o bengali Tremal Naik, o marata Kammamuri, o escravo negro Maiunga, que, entre muitos indianos, africanos, índios, imaginados por Salgari, demonstram uma singular ausência de racismo e um ponto de vista surpreendentemente cosmopolita. É muito grande o contraste entre os heróis de Salgari e os brancos de nariz levantado dos romances de outro grande contador de histórias de aventuras, o britânico Rider Haggard (1856-1925), autor de &#8220;As minas de Salomão&#8221; de 1885, livro que Eça de Queirós adaptou em 1891, um escritor muito estimado nos &#8220;clubs&#8221; de súbditos Sua Majestade britânica no século da rainha Vitória.<o:p></o:p></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt"><span lang="PT">Em 2003, no início da recuperação pós-colonial de Emílio Salgari, podia ler-se no &#8220;site&#8221; da Biblioteca Nacional de Lisboa a propósito da Exposição &#8220;200 anos do romance de aventuras em Portugal&#8221;, que há um &#8220;fundo libertário na visão Salgariana de um mundo então eurocêntrico, racista e imperialista&#8221;.<o:p></o:p></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt"><span lang="PT">Esqueceram-se do &#8220;sexista&#8221;. Uma pesquisa muito sumária na Internet com um ou dois motores de busca mais conhecidos chegará para demonstrar que os &#8220;women studies&#8221; ainda não descobriram Salgari. Mas não deve tardar porque abundam na galáxia Salgariana as estrelas femininas que não se limitaram a desempenhar o papel que o século XIX e o século XX burgueses lhes destinavam: o de vítimas ou de amantes. Há heroínas para vários gostos e há muitos romances centrados em personagens femininos de espada ou pistola na mão.<o:p></o:p></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt"><span lang="PT">E também há portugueses, colocados por Salgari não do lado dos &#8220;europeus&#8221;, dos &#8220;racistas&#8221; e &#8220;imperialistas&#8221; mas, pelo contrário, do lado dos indianos, dos malaios, dos africanos, dos índios, dos piratas. Desde logo, é português o braço direito de Sandokan, o herói maior de Salgari: Yanez de Gomera (é verdade que é um nome castelhano mas não se pode ter tudo). Há portugueses no arquipélago malaio, nas florestas da Índia, no Mediterrâneo turco e veneziano, nas Caraíbas. São uma espécie de expatriados românticos. Poucos escritores não-portugueses terão tratado tão bem os portugueses.<o:p></o:p></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt">Na época em que eu lia os livros de Emílio Salgari uns atrás dos outros como se a biblioteca do Conde de Castro Guimarães estivesse para desaparecer nos próximos dias, o meu avô mandava-me fechar o livro e apagar a luz relativamente cedo. À mesma hora, em milhares e milhares de casas, por toda a Europa, e, algumas horas mais tarde, por toda a América do Sul, milhares e milhares de rapazes e muitas raparigas fechavam os romances de Emílio Salgari e adormeciam nos mares do sul, nos refúgios dos piratas, nas areias do Saará, no vale do Ganges. <span lang="PT">Acho que adormecíamos todos e todas a sorrir: a Terra e a História eram nossas.<o:p></o:p></span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Littell: o silêncio e a escrita</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Apr 2007 00:06:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[O Le Monde de sábado trazia um texto de Jonathan Littell (o escritor franco-americano que este ano ganhou o prémio Goncourt) sobre o massacre na universidade no estado de Virginia. É um artigo interessante, que resolvi traduzir, com o auxílio &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/04/26/littell-o-silencio-e-a-escrita/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O <em>Le Monde</em> de sábado trazia <a href="http://www.lemonde.fr/web/article/0,1-0,36-899636,0.html">um texto de Jonathan Littell</a> (o escritor franco-americano que este ano ganhou o prémio Goncourt) sobre o massacre na universidade no estado de Virginia. É um artigo interessante, que resolvi traduzir, com o auxílio da minha mãe, do André Belo e do Paulo Varela Gomes, que foi de resto quem me chamou a atenção para ele.</p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt"><span id="more-979"></span><span class="q"><strong><span style="color: black" lang="PT">Cho Seung-hui, ou a escrita do pesadelo</span></strong></span><span lang="PT"><o:p></o:p></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt">Jonathan Littell</p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt"><em>Le Monde</em>, 21. Abril. 2007</p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt">&nbsp;</p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt"><span lang="PT">Antes de abater friamente 32 pessoas e de virar a arma para si mesmo, Cho Seung-hui, o assassino de Virginia Tech, escrevia, fica-se agora a saber, peças de teatro; duas delas estão hoje disponíveis na internet, cortesia de um dos seus antigos colegas.<o:p></o:p></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt"><span lang="PT">Lendo-as, ninguém poderá dizer que Cho Seung-hui tinha talento; contudo, essas breves peças, desajeitadas e juvenis, dizem-nos cruamente, muito melhor do que muitas obras publicadas, a verdade de uma raiva sem fundo; e, se quisermos adoptar para nós a definição de literatura proposta por Georges Bataille, a de textos aos quais «<em>o seu autor foi visivelmente constrangido</em>», então devemos reconhecer que, de uma certa maneira, aqui há literatura, uma forma de literatura: qualquer coisa que se diz.<o:p></o:p></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt"><span lang="PT">O que me impressiona são as reacções imediatas dos seus colegas de turma: um deles escreve na net que as suas peças «<em>pareciam saídas de um pesadelo</em>», e que ao lê-las os estudantes se perguntavam entre si se ele iria tornar-se um novo «assassino escolar» (<em>&#8220;a school killer&#8221;</em>). «<em>Quando os estudantes criticaram a sua peça na aula, nós escolhemos as palavras com cuidado,</em> <em>para o caso de ele ter decidido passar-se dos carretos.</em>» Haveria muito a dizer sobre a visão do mundo veiculada por esta palavra: «<em>decidido</em>». Não foram só os estudantes que ficaram apavorados com os textos de Cho Seung-hui: a professora de escrita, uma poeta conhecida, «<em>intimidada</em>» pelos seus poemas «<em>obscenos e violentos</em>» e pelas suas maneiras, expulsou-o da turma; a directora do departamento de inglês da universidade, ao ler as suas peças, ficou de tal forma perturbada que deu conta disso aos seus superiores e à polícia, que responderam, para desespero dela, que «<em>não podiam fazer nada</em>».<o:p></o:p></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt"><span lang="PT">Ora Cho Seung-hui, com os seus recursos insignificantes, inábeis, dizia muito naquelas poucas páginas: o terror abjecto do adolescente de contornos imprecisos, terror que assalta o corpo vindo de todos os lados, que regressa como merda, velhice, obesidade, obsessão da sodomia, que é figurada sob a forma de comida que empanturra (uma barra de cereais com sabor a banana enfiada na boca do padrasto odiado, bela metonímia), do interdito oposto ao jogo (três fugitivos, menores, encontram-se num casino de onde serão expulsos depois de terem ganho), de uma mãe passiva e violada, da angústia do incesto (que claramente se apresenta aqui como fantasma devastador do adolescente, que procura por todas as formas provocar o gesto assassino que o matará).<o:p></o:p></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt"><span lang="PT">Já é muito, mesmo que num outro plano seja pouco, e apesar de ter tanto que ver com a psicopatologia como com a literatura: alguma coisa começa a falar, que é precisamente aquilo que Cho Seung-hui não sabia fazer («<em>Respondia por monossílabos</em>», «<em>Nunca procurava ter uma conversa</em>», «<em>Creio que nem nunca lhe ouvi a voz</em>»). E no entanto ninguém, nem colegas, nem professores, aceitou ver aqui textos: para eles, não houve senão ameaça, um grito no limite da inarticulação.</span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt">&nbsp;</p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt"><strong><span lang="PT">PASSAGEM AO ACTO</span></strong><span lang="PT"><o:p></o:p></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt"><span lang="PT">Eles dizem-no explicitamente: a partir do momento em que o lemos, soubemos (supusémos) que se tratava de um assassino (potencial); a ninguém ocorre que talvez se tenha tornado num assassino porque ninguém o soube ler. Não podemos especular, com tão poucos elementos, sobre aquilo que habitava Cho Seung-hui, sobre o que veio a interpor uma barreira entre ele e o mundo. Mas este dado parece-me importante: antes de comprar as armas, Cho Seung-hui tentou escrever, encenar, perante os seus pares, elementos da sua desordem.<o:p></o:p></span></p>
<p><span lang="PT">Concluiu-se, conclui-se sempre, que essa tentativa era um assunto da ordem da psiquiatria, ou mesmo um caso de polícia, e não de literatura – que, no entanto, desde que existe, não faz outra coisa senão dizer o que não pode ser dito de outra forma. Só quando ela lhe foi recusada (e quando ela, também, se lhe recusou; e ele próprio se submeteu a essa recusa) é que ele passou ao acto.<o:p></o:p></span></p>
<p><span lang="PT">E, quando se pôs a matar, fê-lo em silêncio.<o:p></o:p></span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Gostar de personagens</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Apr 2007 14:28:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#160; Procurei fotografias para ilustrar este post sobre um filme turco que está em cartaz, mas, por alguma razão, nenhuma me parece fazer-lhe justiça. Climas, de Nuri Bilge Ceylan, é um filme quase mudo, ou pelo menos as palavras não &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/04/19/gostar-de-personagens/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal">&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal"><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/04/climas.jpg" title="climas.jpg"><img src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/04/climas.jpg" alt="climas.jpg" height="282" width="420" /></a><br />
<span lang="PT">Procurei fotografias para ilustrar este <em>post</em> sobre um filme turco que está em cartaz, mas, por alguma razão, nenhuma me parece fazer-lhe justiça. <em>Climas</em>, de Nuri Bilge Ceylan, é um filme quase mudo, ou pelo menos as palavras não exprimem o mais importante nos diálogos do filme. Talvez <a href="http://youtube.com/watch?v=c7BzcfIkjdY">este excerto</a> &#8211; mesmo sem legendas <em>e por não ter legendas</em> &#8211; sirva para ficar com uma ideia. Nuri Bilge Ceylan, além de realizador, é argumentista, director de fotografia e protagonista; e é ainda, na vida «real», </span><span lang="PT"> casado </span><span lang="PT">com a actriz que no filme faz de sua namorada, de quem ele se separa.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Um olhar pelas críticas reunidas no </span><a href="http://www.rottentomatoes.com/m/iklimler/">rotten tomatoes</a><span lang="PT"> diz-nos coisas interessantes. Em primeiro lugar, a generalidade dos críticos só tem adjectivos duros para caracterizar o protagonista, Isa: é cínico, é sádico, é um falhado, um manipulador frio, um indivíduo sem carácter. Isto é pelo menos curioso, se se reparar no facto de que Isa é representado pelo autor do filme, e que há mais de uma coincidência biográfica entre os dois. Outra coisa interessante é que se nota que quem gostou das personagens (quer dizer: gostou <em>delas</em>, como quem gosta de pessoas concretas) gostou do filme; e quem não gostou das personagens não gostou do filme. <a href="http://www.murphysmoviereviews.net/2006Films/climates.html">Um crítico</a> diz mesmo que o principal problema é que o espectador não pode criar empatia com aquelas personagens, e por isso não se interessa nem deseja que elas se entendam, que a história de amor «dê certo». Pelo contrário: há tempo que eu não torcia tanto para que uma história de amor desse certo. Extraordinários actores e fotografia. Gostei muito do filme.</span></p>
<p><span id="more-964"></span>Sugiro <a href="http://metromix.chicagotribune.com/movies/mmx-070216-movies-review-climates,0,3180544.story">esta crítica</a>.</p>
<p>(&#8230;) I love the way Ceylan refuses to ennoble Isa, just as I love the way Ceylan uses the familiar notion of a character regarding herself or himself in a mirror, to such different ends. (&#8230;) The way Ceylan&#8217;s camera holds steady on his actress-wife&#8217;s face, as it undergoes a series of fleeting climate shifts, you&#8217;re getting what you get in a great Chekhov tale: an entire life story in a glance. (&#8230;)</p>
<p>Ou <a href="http://www.boston.com/movies/display?display=movie&amp;id=9649">esta</a>.</p>
<p>(&#8230;) In about 15 brilliant minutes, the director conjures shifting perspectives and an unstable interplay between states of mind: sadness, affection, fear, revulsion, contempt, acceptance, remorse. These are microclimates. (&#8230;) <em>Climates</em> is Ceylan&#8217;s second superb, occasionally comic , relationship movie. (&#8230;) Ceylan composes a visual syntax to convey isolation and its temporary dissolution. His m.o. [mode of operation] is stillness. (&#8230;)</p>]]></content:encoded>
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		<title>Kassin +2</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Apr 2007 10:39:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#160; O melhor é começar por abrir este link numa nova janela, para ir ouvindo a música enquanto lê este post. O que deve estar a tocar é a música «O seu lugar» (se não está, ou não está essa, &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/04/19/kassin-2/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/04/kassin.jpg" title="kassin.jpg"><img src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/04/kassin.jpg" alt="kassin.jpg" height="276" width="411" /></a></p>
<p class="MsoNormal">&nbsp;</p>
<p>O melhor é começar por abrir <a href="http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&amp;friendid=151768973">este link</a> numa nova janela, para ir ouvindo a música enquanto lê este <em>post</em>. O que deve estar a tocar é a música «O seu lugar» (se não está, ou não está essa, é preciso ir lá e corrigir), que convém ouvir até ao momento em que ele diz «vai custar cara essa palhaçada». Isto é o novo disco de Kassin +2, que por estes dias é posto à venda na Europa; no Brasil terá sido lançado há um par de meses, e no Japão no ano passado. (Estão a ouvi-lo? Isto é bom.) Kassin +2 é a banda de Alexandre Kassin, Domenico Lancelloti e Moreno Veloso, que no disco anterior se chamavam Domenico +2, e no anterior Moreno +2. (Parece que no próximo se chamarão simplesmente +2). É uma banda de cariocas, pós-bossa-nova. O concerto deles, em 2005, no antigo Cinema Roma, para uma pequena plateia de indefectíveis, foi uma curtição. Têm agora espectáculos marcados para dia 4 de Maio, sexta-feira, em Lisboa, no Santiago Alquimista; e na Casa da Música, do Porto, no dia seguinte. Pedaços da experiência do show podem ser <a href="http://cliquemusic.uol.com.br/br/Acontecendo/Acontecendo.asp?Nu_materia=993">descritos assim</a>:</p>
<p>«A Moreno, tradicionalmente despenteado e com uma camisa da seleção mexicana de futebol, coube a tarefa de fazer as honras da casa com um surreal mas quase imperceptível “bom dia” (eram oito e quinze da noite). Com violão e voz de inspiração joãogilbertiana (e caetânica, por tabela), ele puxou uma releitura de <em>Deusa do Amor</em>, sucesso do Olodum, que faz parte do recém-lançado disco de estréia da banda, <em>Máquina de Escrever Música</em>. Alexandre Kassin tocou seu baixo eletroacústico de simplicidade aterradora e Domenico Lancelotti marcou o ritmo com duas lixas – impávidos ambos. (&#8230;) Também calma foi a versão voz-e-violão para <em>Eu Sou Melhor Que Você</em>, divertida canção do Mulheres Q Dizem Sim, banda original de Domenico (que, sem nada para tocar nessa, coçou a barba).»</p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT"><a href="http://youtube.com/watch?v=E6ljIJqtsgU"><o:p></o:p>Alexandre Kassin é um gordão</a> de óculos, cara inexpressiva, barriga e mamas. Parece um <em>nerd</em> saído de um filme americano de série B sobre tropelias no liceu.</span></p>]]></content:encoded>
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		<title>À maneira</title>
		<link>http://5dias.net/2007/04/12/a-maneira/</link>
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		<pubDate>Thu, 12 Apr 2007 18:53:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A Vida dos Outros, filme alemão sobre a polícia política da antiga RDA, recebeu aclamação do público e da crítica, ganhando o Óscar de melhor filme estrangeiro em detrimento de Água, da indiana Deepa Mehta. Mas eu ainda espero um &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/04/12/a-maneira/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>A Vida dos Outros</em>, filme alemão sobre a polícia política da antiga RDA, recebeu aclamação do público e da crítica, ganhando o Óscar de melhor filme estrangeiro em detrimento de <em>Água</em>, da indiana Deepa Mehta.</p>
<p><object width="425" height="350"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/3YU12vbIPCs"></param><param name="wmode" value="transparent"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/3YU12vbIPCs" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="350"></embed></object></p>
<p>Mas eu ainda espero um filme sobre a Stasi à maneira de Bollywood.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Viena 1900</title>
		<link>http://5dias.net/2007/04/12/viena-1900/</link>
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		<pubDate>Thu, 12 Apr 2007 18:19:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[«O leitor começa a ver um filme, como Carta de uma Desconhecida, e sente o poder fáustico (melhor seria dizer aqui mefistofélico) do cinema: o modo como uma mão experiente e requintadamente enluvada, neste caso a de Max Ophüls, vai &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/04/12/viena-1900/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>«O leitor começa a ver um filme, como <em>Carta de uma Desconhecida</em>, e sente o poder fáustico (melhor seria dizer aqui mefistofélico) do cinema: o modo como uma mão experiente e requintadamente enluvada, neste caso a de Max Ophüls, vai instilando um narcótico subtil no seu cérebro, que o infiltra e invade pouco a pouco, até que, sem saber como, vai encontrar-se submerso na Viena de 1900, numa época que não é a que lhe cabe viver, e com uma protagonista (Joan Fontaine) que não é você, claro está. No entanto, essas duas horas de cinema passarão a fazer parte da sua experiência de maneira indelével; e essa experiência, assim enriquecida, vai senti-la depois no seu mundo quotidiano, perante os assuntos práticos com que se depara (&#8230;).» [Juan Antonio Rivera, <em>O que Sócrates diria a Woody Allen - cinema e filosofia</em>, Coimbra: Tenacitas, 2006, p.317.]</p>
<p>Na Cinemateca Francesa está uma exposição que parte da seguinte premissa: pede-se a dez fotógrafos que mostrem como a memória visual do cinema se imprimiu, consciente ou inconscientemente, nas suas cabeças e se traduziu na forma como depois eles fotografaram. Os resultados são variados. O que me impressionou mais foi um autor (não retenho o nome), que comparou fotos recentes tiradas em Xangai com cinema dessa cidade nos anos 1930, que tinha visto há duas décadas. A exposição emparelhava lado a lado as fotos e excertos dos filmes, os personagens pareciam sair de um para entrar nas outras. Mas o que me impressionou mais ainda foi <em>Elephant</em>, que eu não sabia ser um filme de Alan Clarke, de 1989, sobre a Irlanda do Norte, antes de ser um filme de Gus Van Sant, com a mesma ideia e <em>os mesmos movimentos de câmara</em>, sobre o massacre de Columbine nos Estados Unidos.</p>]]></content:encoded>
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		<title>O leque de Lady Windermere</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Apr 2007 18:07:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sempre acabo a perguntar-me se não prefiro o cinema mudo Nada, a não ser o puro preconceito ideológico (e o provincianismo: há também o provincianismo), explica o desinteresse por all things French que por cá se pratica. Há dez anos &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/04/12/o-leque-de-lady-windermere/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/04/windermere.jpg" title="windermere.jpg"><img src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/04/windermere.jpg" alt="windermere.jpg" height="314" width="418" /></a><br />
<em>Sempre acabo a perguntar-me se não prefiro o cinema mudo</em></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Nada, a não ser o puro preconceito ideológico (e o provincianismo: há também o provincianismo), explica o desinteresse por <em>all things French</em> que por cá se pratica. Há dez anos que não ia a Paris, mas numa coisa não mudei: continuo a preferir Paris a Londres, é mais bonita, mais agradável de andar pelas ruas e tem mais cinemas. Vi coisas muito lindas por estes dias. Mas, mais linda entre as lindas, foi a adaptação ao cinema (mudo) de <em>O Leque de Lady Windermere</em> por Lubitsch, de 1925, que faria Mr. A., Ph.D. extremamente feliz.</span></p>
<p class="MsoNormal">&nbsp;</p>]]></content:encoded>
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		<title>As maravilhas do Verlan</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Apr 2007 17:30:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Já toda a gente experimentou dizer palavras ao contrário, usando-as como código. Do que o André Belo nunca nos falou foi do Verlan (inversão de «parler à l’envers»), linguagem que se difundiu em França a partir das periferias de Paris &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/04/12/as-maravilhas-do-verlan/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Já toda a gente experimentou dizer palavras ao contrário, usando-as como código. Do que o André Belo nunca nos falou foi do <a href="http://fr.wikipedia.org/wiki/Verlan">Verlan</a> (inversão de «parler à <em>l’envers</em>»), linguagem que se difundiu em França a partir das periferias de Paris desde os anos 80. Numerosíssimas palavras do Verlan entraram na linguagem comum: para «fête» diz-se <em>teuf</em>, para «femme» diz-se <em>meuf</em>, para português <em>gueztu</em>. O caso mais conhecido é o de <em>beur</em>, a palavra que é hoje a mais comum, não-pejorativa, para referir os originários do norte de África: <em>beur</em> como inversão de «arabe». Mas a maravilha do Verlan está em que ele se reproduz indefinidamente. Muita gente já deixou de dizer <em>beur</em>, e diz <em>rebeu</em>, que é «beur» <em>à l’envers</em>, ou «arabe» <em>à l’envers à l’envers</em>.</span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Xangai: a tale of two cities</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Apr 2007 16:41:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Há uns meses estive em Xangai, e escrevi sobre isso. Gosto muito de Hong Kong e pouco de Xangai; a historiadora e escritora Jan Morris, exactamente o contrário. Mas o texto dela no Financial Times do último fim-de-semana é alguma &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/04/12/xangai-a-tale-of-two-cities/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span lang="PT">Há uns meses estive em Xangai, e escrevi sobre isso. Gosto muito de Hong Kong e pouco de Xangai; </span><a href="http://www.bbc.co.uk/bbcfour/documentaries/profile/profile_jan_morris.shtml">a historiadora e escritora Jan Morris</a><span lang="PT">, exactamente o contrário. Mas </span><a href="http://www.ft.com/cms/s/a95448e0-de13-11db-afa7-000b5df10621.html">o texto dela no Financial Times do último fim-de-semana</a> <span lang="PT">é alguma coisa como o que eu gostava de ter escrito.<o:p></o:p></span></p>
<p>«(&#8230;) Of all the new civic exhibitions of our time, the Dubais and the Kuala Lumpurs, the <st1:state w:st="on">Berlins</st1:state> and the <st1:country-region w:st="on">Singapores</st1:country-region> and the <st1:place w:st="on"><st1:placename w:st="on">Canary</st1:placename> <st1:placetype w:st="on">Wharfs</st1:placetype></st1:place>, Pudong strikes me as unquestionably the ugliest. It is not just unlovely, it is actually nasty. <span id="more-950"></span>Every contemporary architectural cliche is represented in its vast cluster of skyscrapers, every last bulge and atrium, mirror-glass and gold plating, the highest hotel on earth, the showiest TV tower, the whole attended by a mass of faceless commercialism stretching away as far as the eye can see, and connected to its own brand-new airport by the fastest train in the world.<o:p></o:p></p>
<p>It takes my breath away just to write about it, and that is undoubtedly what it is meant to do. This is the new China. The water traffic streams by down the Chinese centuries, and a loitering publicity barge displays its video advertisements hour after hour mid-stream. “Up yours!” shouts Pudong across the river to the Bund.<o:p></o:p></p>
<p>Hong Kong was never like this. It was never quite so brash, so shameless, so obvious. In its streets I feel I am in a city still governed by mores and even manners that are part of global society. Restraint shows still in Hong Kong, and even now, a decade after its return to China, it feels above all a city of the wider world.<o:p></o:p></p>
<p>Everything about Shanghai, though, reminds me that I am not just on the edge of the vast semi-continent that is China, but decidedly inside it. It rather scared me when I first came to this city in the aftermath of the Cultural Revolution: now, I have to say, I find it exhilarating, despite the pervading smog of its industries and millions of cars, despite its inescapable suggestion of historical threat. I warm to hideous Pudong, especially at night when its blazing illuminations seem impervious to ecology, and the lights from the 88th floor penthouse suites of the Grand Hyatt speak to me of unimaginably profitable negotiations. I like the bigness and the boldness and the chutz-pah of it all.<o:p></o:p></p>
<p>And oddly enough, despite the all too obvious messages of Pudong, the Bund does not seem at all downcast by the gaudy performance across the river, but actually rather buoyant. Its architects might be proud of it. Their majestic banks are not banks nowadays, the Long Bar of the Shanghai Club is forgotten and the British Consulate has moved somewhere less dominant, but there are enviable dress shops here and there, and trendy design firms, and posh jewellers inserted demurely among the Edwardiana. The Chinese <em>jeunesse dorée </em>of Shanghai frequents the Glamour Bar at No 5, and it is a pleasure to pop up to the sixth floor of some superannuated finance house to have a cappuccino high above the hubbub – rather like taking a break, say, as you explore the Neapolitan waterfront. <o:p></o:p></p>
<p>Pudong and the Bund are the well-worked archetypes of Shanghai, but the city is far more varied of nuance that this dichotomy might suggest – more varied than Hong Kong too, because its history has been more complicated. <o:p></o:p></p>
<p>There are moments when I feel I am back in the Shanghai of Mao Zedong. At one of the elegant new cafés, I came across a trio of young ladies playing tea-time music, and I paused to listen to them. They were playing sentimental old Irish melodies, and their technique was impeccable. But as I stood there, I realized that their interpretations were almost regimentally rhythmical, never a tender rallentando, never a quiver of emotion, as though they were governed by inexorable inner metronomes. They were the very opposite of gypsy café musicians. I realised then that they had probably learnt their musicianship at one of those mass children’s classes dear to Maoist theory.<o:p></o:p></p>
<p><o:p></o:p></p>
<p>(&#8230;) the legacy of the fast-fading socialist ideology – fading fast even in this last of the People’s Paradises – is less pervasive in the city than a surviving aura of the frenzied, sophisticated and doomed international society that flourished here between the world wars, when the Anglo-American International Settlement around the Bund, and the nearby French Concession, set the tone and the reputation of Shanghai. <o:p></o:p></p>
<p>Car horns blare far more blatantly in Shanghai than they ever do in Hong Kong. At night long lines of taxis wait outside the city nightclubs, as in black-and-white movies, and ought to be driven by refugee White Russian dukes. When I once remarked to a hotel employee that I had fallen madly in love with a statue of a classical Chinese hero standing near us, he simply said: “Our chairman loves him too”. There is an innate raciness to this place, tinged with fun, squalor, a sense of tolerance and a hint of excitement.<o:p></o:p></p>
<p>I am told that high-level corruption sullies <st1:city w:st="on">Shanghai</st1:city>’s civic allure, and still makes investors prefer Hong Kong, and it is true that sometimes, traversing the back streets of this city, I have felt a slight tremor of unease that I never feel in <st1:place w:st="on">Hong Kong</st1:place>. In the dusk, importunate beggars spring out of doorways, and sometimes I am persuaded that young men in dark suits are signalling my progress to each other on mobile phones, in readiness to pounce.<o:p></o:p></p>
<p>Nothing ever happens, though. Nobody harms me, and, actually, I rather enjoy that tremor of menace, in the dark interstices between the neon lights. It was like old times to me, like homely deja vu, to come across a street brawl not far from People’s Square, the ceremonial centre of the city – one of those Mediterranean-style brawls that never come to anything either, but erupt and subside, flare and fade, break sporadically into fisticuffs and peter out in rude gestures to the disappointment of all observers, especially me. I like a city with rough edges, and for all the shine and dazzle of the new Shanghai, for all those mechanical maidens at the café, there are plenty of rough edges here. <o:p></o:p></p>
<p>And so I left Shanghai for Hong Kong again, where they were holding an election for the Chief Executive of the Special Administrative Region in a perfect, though entirely impotent, replica of democratic modes; TV debates, walkabouts, newspaper interviews and all. None of which could make any difference to the preordained result, but which confirmed the civic image of conscientious balance.<o:p></o:p></p>
<p>I went out to Shanghai’s airport in the fabulous German-made Maglev train, which whisked me out of the city by magnetic levitation at 450 kph. Not many people used it, I was told, because it was too expensive, and it had cost the city countless trillion yuans over estimate, but that only confirmed my fellow-feeling for this city of raffish excess. When we reached the airport, almost all my fellow passengers transferred to the next train back to town. They had just come for the ride – something the sensible citizens of Hong Kong might consider immature.» <o:p></o:p></p>]]></content:encoded>
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		<title>O texto da semana</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Apr 2007 00:05:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O texto da semana, como toda a gente já notou, foi este. Gostei em especial porque a irritação, que antes andava ocultada pelo manto diáfano da objectividade científica, agora vem transparente.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O texto da semana, como toda a gente já notou, foi <a href="http://outrasmargens.blogspot.com/2007/04/pequenos-portugueses.html">este</a>. Gostei em especial porque a irritação, que antes andava ocultada pelo manto diáfano da objectividade científica, agora vem transparente.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Poeira</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Apr 2007 00:01:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Esta foto dá uma ideia do filme E esta dá uma ideia da cor Fiquei com sentimentos contraditórios sobre As Cartas de Iwo Jima quando revi. O filme tem o que me parece ser um verdadeiro achado: o cinzento acastanhado, &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/04/05/poeira/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/04/iwo.jpg" title="iwo.jpg"><img src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/04/iwo.jpg" alt="iwo.jpg" height="282" width="422" /></a><br />
<em>Esta foto dá uma ideia do filme</em></p>
<p class="MsoNormal"><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/04/iwo2.jpg" title="iwo2.jpg"><img src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/04/iwo2.jpg" alt="iwo2.jpg" height="287" width="426" /></a><br />
<em>E esta dá uma ideia da cor</em></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Fiquei com sentimentos contraditórios sobre <em>As Cartas de Iwo Jima</em> quando revi. O filme tem o que me parece ser um verdadeiro achado: o cinzento acastanhado, ou castanho de poeira muito suja, que dá o tom a todo o filme. O fogo da aviação americana contrasta fortemente </span><span lang="PT">nessa espécie de cor de sépia</span><span lang="PT">; e as dezenas de navios de que está pejado o mar cinzento, no ataque à ilha, fazem pensar na invasão de uma espécie animal. Graças a isso, parece-me que Clint Eastwood mostra a guerra como ainda ninguém a tinha filmado antes. Eastwood joga com os efeitos de cor: às vezes há uma nesga de céu bem azul por sobre a ilha cinzenta, no final o horizonte é avermelhado. Mas também lhe foge a mão: como quando o sangue espirra vermelho vivo, do soldado que se faz rebentar com uma granada, por sobre a foto cinzenta da família que ele guardava na outra mão. A mensagem emocional que se pretende transmitir com isto peca por – digamos – excessivamente evidente.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Aquilo a que eu não consigo aderir é precisamente a esta sentimentalização excessiva. Os <em>flashbacks</em> são todos pavorosos </span><span style="font-size: 12pt" lang="PT">– </span><span lang="PT">todos, acho que sem excepção. As cenas de pendor sentimental são <em>sempre</em> introduzidas por uma musiquinha irritante, composta por Kyle Eastwood (filho do realizador) e Michael Stevens. Os heróis japoneses (o general e o cavaleiro) são ambos pró-americanos: aparecem em cenas ridículas a falar inglês; as suas recordações da América surgem nuns <em>flashbacks</em> delicodoces que achei dolorosos; e prestam homenagem à América, onde ambos viveram. Às vezes pergunto-me se o defeito é meu, mas o que é facto é que as cenas que revelam a crueldade humana (por exemplo, a corajosa cena em que Eastwood mostra dois soldados americanos a matarem a sangue-frio prisioneiros de guerra) são quase sempre muito mais persuasivas do que as cenas «do bem», aquelas onde se mostra a bondade comum do ser humano. É certo que o texto de algumas cartas (as cartas japonesas e a carta do soldado americano que morre) é tocante, mas também é certo que não resiste à tentação de sublinhar, de enfatizar, de tornar tudo demasiado patético e redundante.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">O filme é longo demais, mas a segunda metade é melhor do que a primeira.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Todas as cenas de 1945 são melhores do que as que remetem para antes ou depois da batalha. (Aliás, Clint Eastwood tem a seu crédito os cinco minutos mais lamentáveis inseridos num filme de resto excelente, que é o <em>flashforward</em> final de <em>As Pontes de Madison County</em>.)</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Dito isto, será com certeza um dos melhores filmes que vejo em estreia este ano. (Para ter uma ideia da música e da cor, <a href="http://iwojimathemovie.warnerbros.com/lettersofiwojima/framework/framework.html">o site</a> é útil.)</span></p>
<p class="MsoNormal">&nbsp;</p>
<p><span id="more-931"></span><em>Oh, well.</em> Depois de escrever isto, descubro que o mesmo (e mais) já estava dito <a href="http://enjoyment.independent.co.uk/film/reviews/article2298399.ece">neste texto do Independent</a>. Letters From Iwo Jima <em>doesn&#8217;t have much to say except that Japanese are human beings, too.</em></p>]]></content:encoded>
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		<title>Moretti e Bollywood</title>
		<link>http://5dias.net/2007/03/29/moretti-e-bollywood/</link>
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		<pubDate>Thu, 29 Mar 2007 16:20:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Há qualquer coisa de bollywoodesco em Nanni Moretti, o que não surpreende se se pensar que entre a Itália e a Índia há mais de uma coisa em comum. Têm, possivelmente, duas das arquitecturas monumentais mais extraordinárias do mundo &#8211; &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/03/29/moretti-e-bollywood/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="425" height="350"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/KH3Zx9BJYpQ"></param><param name="wmode" value="transparent"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/KH3Zx9BJYpQ" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="350"></embed></object></p>
<p>Há qualquer coisa de bollywoodesco em Nanni Moretti, o que não surpreende se se pensar que entre a Itália e a Índia há mais de uma coisa em comum. Têm, possivelmente, duas das arquitecturas monumentais mais extraordinárias do mundo &#8211; a arquitectura renascentista italiana e a arquitectura mogol do século XVII. São, cada uma à sua maneira, as grandes pátrias do kitsch: os italianos com os seus lenços, sapatos e gravatas, os indianos &#8211; bom, os indianos<em> cela va sans dire</em>. Ambos os cinemas têm uma tradição nacional de comédia bufa. A música não é só muito importante nos filmes de Moretti: em <em>Caro Diario</em>, <em>La Stanza del Figlio</em> e <em>Il Caimano</em>, Moretti canta. Neste último (numa cena que infelizmente não encontrei no You Tube), uma série de pessoas estão a pintar uma casa e começam a dançar, acompanhando os movimentos dos pincéis sobre a parede; o próprio protagonista dança, como Moretti dançava em <em>Caro Diario</em>. Cantar e dançar, nos filmes de Moretti, são sempre coisas <em>uplifting</em>, ligeiramente irreais, idealizadas e até um pouco kitsch. Incluem Juan Luis Guerra e Adamo. São a realidade numa versão um pouco onírica. As cenas de música nos filmes de Bollywood são ainda Índia: uma Índia mais limpa, sem pobreza nem sujidade nem pó, mas reconhecem-se as ruas, os carros, os riquexós, as maneiras de vestir e até as convenções sociais (o papel do homem e da mulher, dos pais e dos filhos, etc.). Para perceber a Índia também é preciso perceber como é que a Índia se imagina <em>em bom</em>.</p>
<p>[Se não viram o imperdível excerto de <em>Salaam-e-Ishq</em> que coloquei há umas semanas, <a href="http://5dias.net/2007/03/01/salaam-e-ishq/">façam o favor</a>.]</p>
<p>E eu, claro, eu <em>em bom</em>, imagino-me assim:</p>
<p><object width="425" height="350"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/b-4Jb8fdtdg"></param><param name="wmode" value="transparent"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/b-4Jb8fdtdg" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="350"></embed></object></p>]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>É sempre tempo de fazer uma comédia</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Mar 2007 15:36:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[In this heady mix, Berlusconi is the MacGuffin. O novo filme de Moretti é complicado. Possivelmente, complicado demais. Um produtor fracassado de filmes de série B (Silvio Orlando/ Bruno Bonomo) tenta desesperadamente voltar a trabalhar. Mas o filme que procura &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/03/29/e-sempre-tempo-de-fazer-uma-comedia/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="right"><a href="http://www.hollywoodreporter.com/hr/search/article_display.jsp?vnu_content_id=1002540039"><span style="font-size: 12pt">In this heady mix, Berlusconi is the MacGuffin.</span></a></p>
<p>O novo filme de Moretti é complicado. Possivelmente, complicado demais. Um produtor fracassado de filmes de série B (Silvio Orlando/ Bruno Bonomo) tenta desesperadamente voltar a trabalhar. Mas o filme que procura agora fazer – porque é o único que lhe foi parar às mãos – é um filme político sobre Berlusconi, cinema «sério», «intelectual», «engajado», o oposto do que ele sempre fez. Ao mesmo tempo, Bonomo tenta salvar um casamento naufragado, toda a vida familiar com os seus dois filhos. «Il Caimano» (o filme de Moretti) inclui fragmentos de anteriores «filmes» de Bonomo e fragmentos de três versões diferentes do «filme» sobre Berlusconi. Acresce que a estética de série B dos filmes anteriores não tem nada que ver com a estética dos filmes de Moretti, pelo que a confusão narrativa também é confusão visual – e «Il Caimano» entra, por assim dizer, logo por uma cena de um destes filmes de série B.</p>
<p>É verdade que é confuso. O que é difícil imaginar é que «Il Caimano» seja um filme sobre Berlusconi<span lang="PT"> – ou sobre «a Itália contemporânea», como alguns críticos procuraram atalhar, dizendo a mesma coisa de uma maneira ínvia (como se diz no filme, «a Itália contemporânea <em>é</em> Berlusconi»). Podia ser, quando muito, um filme sobre as tentativas para fazer um filme sobre Berlusconi e sobre as razões – expostas no próprio filme por uma personagem encarnada por Moretti – pelas quais não se pode fazer um filme sobre Berlusconi. Outros críticos tentaram decifrar a confusão esclarecendo que se trata de duas narrativas paralelas, dois filmes: um filme «familiar», a história do naufrágio do casamento do Bonomo, e um filme político &#8211; e, nessa circunstância, os ditos críticos preferiram, invariavelmente, a história familiar. Desagradou-lhes em especial a última cena do filme, por «política» e apocalíptica.</span></p>
<p>Parece-me que nem uns nem outros têm razão: nem são duas histórias separadas, nem a cena familiar é alguma espécie de <em>metáfora</em> da dimensão política. Aquilo que eu vejo no filme de Moretti &#8211; isto é, aquilo que eu vejo como sendo a ideia central do filme de Moretti &#8211; é a dificuldade, ou impossibilidade, de destrinçar a dimensão pessoal e a dimensão política, embora elas sejam, no plano lógico, duas coisas perfeitamente separadas. Mas o mal estar que Moretti sente perante Berlusconi é puramente político, ou tem que ver com um sentimento de inadequação <em>pessoal</em> à Itália contemporânea? E o naufrágio individual, a depressão, a tristeza, é estritamente individual, ou social, geracional e política?</p>
<p>Estes temas, de resto, não são novos em Moretti. <em>Aprile</em> era o filme do nascimento do filho, e era também um filme assombrado por Berlusconi, o filme de</p>
<p><object width="425" height="350"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/F4iAqprsZ7Q"></param><param name="wmode" value="transparent"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/F4iAqprsZ7Q" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="350"></embed></object></p>
<p></object><em>D&#8217;Alema, diz alguma coisa de esquerda!&#8230; Diz alguma coisa mesmo que não seja de esquerda, alguma coisa de cívico! D&#8217;Alema, diz uma coisa, diz qualquer coisa! Reage!</em></p>
<p><em>Palombella Rossa</em>, o filme do fim do comunismo, passado num jogo de pólo aquático, não era apenas um filme sobre o fim do comunismo, mas um filme sobre Moretti no fim do comunismo e do PCI. <em>Il Caimano</em> é mais sombrio, mais deprimente, mais deprimido, de final apocalíptico &#8211; nada que quem conheça gente de esquerda mais ou menos da geração de Moretti não tenha notado: a desilusão, a um tempo pessoal e política. Enquanto foi sonho, foi fantasia pessoal e política; enquanto frustração, também o é.</p>
<p>O que não impede que Moretti continue a encontrar no cinema uma compensação para isso, que o filme &#8211; mesmo deprimente, mesmo apocalíptico &#8211; não seja uma certa forma de se reconciliar com as coisas. Gostar muito de cinema traduz sempre uma relação conflitual com a realidade exterior? Por isso mesmo é que «quem gosta da vida vai ao cinema», como dizia há muito tempo João Mário Grilo?</p>
<p><object width="425" height="350"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/PfJucdYtPZY"></param><param name="wmode" value="transparent"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/PfJucdYtPZY" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="350"></embed></object></p>
<p></object>[Apesar da confusão, e de talvez ligeiramente longo demais, Moretti ****].</p>]]></content:encoded>
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		<title>A televisão de Pilatos</title>
		<link>http://5dias.net/2007/03/29/a-televisao-de-pilatos/</link>
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		<pubDate>Thu, 29 Mar 2007 00:12:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[[Texto recebido do André Belo] Haverá várias razões concretas — não metafísicas nem eduardolourencianas — para explicar a vitória de Salazar no programa &#8220;Os Grandes Portugueses&#8221;. Vejo, para já, quatro: 1) a RTP e o formato que deu ao programa; &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/03/29/a-televisao-de-pilatos/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/03/salazar.jpg" title="salazar.jpg"><img src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/03/salazar.jpg" alt="salazar.jpg" height="458" width="401" /></a></p>
<p>[Texto recebido do André Belo]</p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Haverá várias razões concretas — não metafísicas nem eduardolourencianas — para explicar a vitória de Salazar no programa &#8220;Os Grandes Portugueses&#8221;. Vejo, para já, quatro: 1) a RTP e o formato que deu ao programa; 2) o sistema de votação, por telefone; 3) a forma como, depois do 25 de Abril, o regime democrático não foi capaz de fazer um trabalho cultural, de ensino e de memória sobre a ditadura; 4) um eventual aumento recente da nostalgia por Salazar. Vou falar aqui daquele que me choca mais e cuja responsabilização me parece mais urgente para reflexão: o papel da RTP.<o:p><br />
</o:p>Em toda esta história, uma telenovela que dura desde Outubro passado, a RTP portou-se como Pilatos: subordinou totalmente os seus critérios editoriais às audiências e abriu a porta ao que é provavelmente o maior exemplo de abuso mediático (não apenas político) da história portuguesa recente. E isto aconteceu no principal canal da televisão pública e no momento em que celebra os seus 50 anos.<o:p><br />
</o:p>O que a RTP fez foi o seguinte: desresponsabilizou-se totalmente de qualquer decisão editoral, jornalística, sobre o conteúdo do programa, permitindo que existisse, desde o início, uma fundamental ambiguidade entre &#8220;grandeza&#8221; no sentido moral (os portugueses que são &#8220;grandes&#8221; porque são dignos de exemplo e de imitação para o presente) e a &#8220;grandeza&#8221; no sentido da importância histórica das personalidades a concurso. Havia duas hipóteses de formato que, se definidas claramente, teriam afastado a maior parte dos problemas éticos que se punham ao programa. A televisão portuguesa podia ter escolhido, muito legitimamente, a primeira opção, a da avaliação da &#8220;grandeza&#8221; moral. Aí, Salazar, tinha muito pouca margem para entrar, e nenhuma para ganhar (Aristides Sousa Mendes, encarnando o &#8220;Justo&#8221;, seria provavelmente o mais forte candidato à vitória). E podia, também muito legitimamente, ter escolhido fazer um programa em que se avaliasse a influência histórica das grandes figuras — e em que o julgamento moral fosse, tanto quanto possível, evitado. E aqui Salazar tinha margem para entrar. No entanto, para ser sério, o programa deveria neste caso subordinar-se muito mais ao critério dos historiadores e especialistas (o que faria parte da missão informativa da RTP, mas impossibilitaria o formato telenovelesco do&#8221;espectador que decide o fim da intriga&#8221;. E seria, claro, aborrecidíssimo e catastrófico para as audiências).<o:p><br />
</o:p>Como Pilatos, a RTP não quis escolher entre uma e outra, e preferiu uma terceira via: alimentar a ambiguidade entre o julgamento moral e o protagonismo histórico. A ambiguidade que está (mal) escondida por trás da palavra &#8220;Grande&#8221;. Nestes termos: &#8220;Pode-se discordar ou não de Salazar, mas não da sua importância, da sua força, da sua influência, da sua grandeza&#8221;. Foi por estes sentidos contíguos, não inocentes, das palavras associadas à &#8220;grandeza&#8221;, que o ditador entrou — e com ele os seus defensores, que assim puderam esconder a sua aprovação moral do ditador por trás de um julgamento histórico aparentemente objectivo. Foi por esta porta — que vários comentadores ajudaram a escancarar ao denunciarem a ausência de Salazar da lista inicial do programa — que o ditador ganhou protagonismo. Vêm também daqui, no meu entender, todos os outros piores defeitos do programa: o anacronismo mais desbragado, alimentado por amadores e curiosos de &#8220;história&#8221; sem a menor competência, mas também, infelizmente, por alguns historiadores que participaram no programa; e a extrema simplificação da imagem do passado que a estrutura de tribunal (os &#8220;advogados de defesa&#8221;) veio agravar.<o:p><br />
</o:p>A RTP sabia, os intelectuais mediáticos sabiam, todos os que vimos e ouvimos falar do programa nos apercebemos nalgum momento, consciente ou inconscientemente, desta ambiguidade. E a RTP usou-a deliberadamente, em nome das audiências, esquivando-se a todas as críticas que lhe foram feitas, dizendo que se tratava de mero &#8220;entretenimento&#8221; (lembro que estamos a falar da mesma televisão que, em 1988, decidiu <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Censura_em_Portugal">censurar um programa de humor de Herman José</a>, esse sim de entretenimento sem ambiguidades, por causa das entrevistas ficcionais com &#8220;grandes&#8221; figuras da história portuguesa).<o:p><br />
</o:p>Penso, portanto, ao contrário do que afirma Pacheco Pereira num depoimento a Adelino Gomes no <em>Público</em></span><span lang="PT"> de terça-feira, que a exclusão Salazar da lista inicial não foi um erro, mas um sintoma. Essa exclusão traiu, em certa medida, um complexo de culpa dos responsáveis do programa. Não <a href="http://abrupto.blogspot.com/2006_10_01_abrupto_archive.html#116073155313579832#116073155313579832">um complexo censório da TV do regime democrático em relação à figura de Salazar</a> como defendeu na altura pressurosamente o mesmo Pacheco Pereira, que chegou ao ponto de dizer que &#8220;a democracia ainda lida mal com a figura de Salazar&#8221;, enquanto nós, ingénuos coitados, vivíamos na ilusão de que foi Salazar quem sempre lidou mal com a figura da democracia), mas um complexo de culpa, mal disfarçado e logo emendado, em relação ao que era evidente que o programa prometia desde o início: um total e descarado lavar de mãos da parte da RTP em relação às implicações éticas e políticas da utilização da história portuguesa e dos mitos nacionais num concurso em que o espectador é que decide.<strong><o:p></o:p></strong></span></p>
<p><strong>  André Belo</strong></p>]]></content:encoded>
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		<title>Souvenirs</title>
		<link>http://5dias.net/2007/03/22/um-novo-papel-2/</link>
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		<pubDate>Thu, 22 Mar 2007 23:18:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Um artigo do Economist de amanhã (eis as vantagens da internet) sobre o futuro dos livros. Books are not primarily artefacts, nor necessarily vehicles for ideas. Rather, as Mr Godin puts it, they are “souvenirs of the way we felt” &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/03/22/um-novo-papel-2/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.economist.com/books/PrinterFriendly.cfm?story_id=8881446">Um artigo do Economist</a> de <em>amanhã</em> (eis as vantagens da internet) sobre o futuro dos livros.</p>
<p><em>Books are not primarily artefacts, nor necessarily vehicles for ideas. Rather, as Mr Godin puts it, they are “souvenirs of the way we felt” when we read something. That is something that people are likely to go on buying.</em></p>
<p><span id="more-905"></span><a href="http://www.economist.com/books/PrinterFriendly.cfm?story_id=8881446">(&#8230;) books</a> that people would not traditionally read in their entirety, or that require frequent updating, are likely to migrate online and perhaps to cease being books at all. Telephone directories and dictionaries, and probably cookbooks and textbooks, will all fall into this category. <o:p></o:p></p>
<p>With non-fiction the situation is more nuanced. Many non-fiction books express an intellectual idea. Traditionally, the only way to deliver such an idea profitably involved binding it into a 300-page book, says Seth Godin, a blogger and author of eight books on marketing. “If you had a 50-page idea, you couldn&#8217;t make any money from it,” he says, so a lot of non-fiction books end up on shelves with 250 unread pages. Freedom from such rigidities may save a lot of authorial time. <o:p></o:p></p>
<p>Non-fiction books will also benefit from another change that comes with digitisation. Like web pages, digitised books can have incoming and outgoing hyperlinks. On books.google.com at the moment, links are only to entire books. But in future, says Google&#8217;s Mr Clancy, links will point to and from specific phrases or words inside books. Footnotes, citations and bibliographies are obvious points for live links. <o:p></o:p></p>
<p>This has several benefits. It will help scholarly research, since it makes primary sources much more accessible. And it will reduce the slog of academic book-worming—jotting down the location of a book, trudging through the library, pulling it off the shelf, queuing for the photocopier—to the negligible effort of clicking a mouse. <o:p></o:p>(&#8230;) <o:p></o:p></p>
<p>What about all the genres of books that fill a different human need? (&#8230;)<o:p></o:p> Most stories (&#8230;) will never find a better medium than the paper-bound novel. That is because <em>readers immersed in a storyline want above all not to be interrupted</em>, and all online media teem with distractions (even a hyperlink is an interruption). People do not read fiction in order to accomplish a specific task in a limited amount of time, as they read reference and schoolbooks. (&#8230;) <o:p></o:p></p>
<p>What about short stories and poems? Being short, they fit the new media, so some may do well online and need not be bound in paper. Commuters could receive their daily <em>haiku </em>or sonnet on their mobile phones while taking the bus to work. They might also use the new media to enjoy poetry in a more traditional way. “Storytelling started as oral history,” says Adam Smith, the boss of Google&#8217;s book project, so a partial reversion to that form, through podcasting, would be natural.<o:p></o:p></p>
<p>But even anthologies of short stories and poems, like longer novels, are unlikely to disappear. People want to be guided by others. They also want media suitable for unhurried reading in beds and bathtubs and on beaches. Above all, they want paper books for what digitisation is revealing them to be. Books are not primarily artefacts, nor necessarily vehicles for ideas. Rather, as Mr Godin puts it, they are “souvenirs of the way we felt” when we read something. That is something that people are likely to go on buying.<o:p></o:p></p>]]></content:encoded>
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		<title>Tema livre</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Mar 2007 13:02:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; &#160; Esta foi a semana em que o Rodrigo Tello marcou aquele golo ao Porto. Todos os jornais lembraram que o Sporting não ganhava nas Antas há dez anos, mas do que eu me lembrei foi da vitória anterior, &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/03/22/tema-livre/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.ina.fr/archivespourtous/pop.php?id=fafc06e78355434e1fdbcf83a254a186" target="_blank" title="20070322 Ivan vídeo do Le Figaro"><img src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/03/20070322ivan-lefigaro.jpg" alt="20070322 Ivan vídeo do Le Figaro" /></a></p>
<p class="MsoNormal">&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Esta foi a semana em que o Rodrigo Tello marcou <a href="http://youtube.com/watch?v=wc4biwvORdg">aquele golo</a> ao Porto. Todos os jornais lembraram que o Sporting não ganhava nas Antas há dez anos, mas do que eu me lembrei foi da vitória anterior, salvo erro, há vinte. <a href="http://sportingcp198687.home.sapo.pt/fute_tacaportugal_sen_M.htm">Cá está</a>: parece que ganhamos no Porto em anos terminados em sete. Nas meias-finais da Taça de Portugal de 1986/87, o Sporting ganhou nas Antas no último minuto do prolongamento, graças ao golo «do meio da rua» de um centrocampista brasileiro chamado Mário. Era o tempo em que o Sporting tinha jogadores brasileiros simpáticos de gama intermédia – o Mário, o João Luís, às vezes até o Duílio. Era também o tempo em que o futebol estava menos presente na televisão e, quando digo que o golo foi do «meio da rua», devo acrescentar que acho que não o vi. (O encanto dos Mários e dos Duílios também era intensificado por eles serem muito mais vezes imaginados do que vistos.) De qualquer forma, gosto sempre muito de ganhar nas Antas.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Esta foi também a semana em que fui finalmente ver <em>As Cartas de Iwo Jima</em> (infelizmente já não fui a tempo de <em>As Bandeiras dos Nossos Pais</em>). Não me sinto capaz de escrever sobre o assunto, pelo menos não para já, mas gostei do filme, tem óptimas cenas de guerra, é persuasivo na condução do seu argumento (o «argumento moral», não estou simplesmente a falar da história), levanta muitas questões. Levanta muitas questões: por isso é que é </span><span lang="PT">aliás </span><span lang="PT">muito possível que <a href="http://www.ft.com/cms/s/a2c0b470-c1ce-11db-ae23-000b5df10621.html">o jornalista do Financial Times</a> citado há semanas pelo <a href="http://acausafoimodificada.blogspot.com/">maradona</a> tenha bastante razão. O filme de Clint Eastwood é lamechas, excessivamente sentimental, provavelmente injusto. (Algumas recordações americanas do general Watanabe são demasiado patéticas.) O filme também é corajoso, especialmente na cena em que coloca dois soldados americanos a assassinarem, de forma perfeitamente injustificada, dois prisioneiros japoneses. O filme será injusto, mas é indispensável vê-lo. Vou ver outra vez.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Como extra, <a href="http://www.ina.fr/archivespourtous/pop.php?id=fafc06e78355434e1fdbcf83a254a186">este video</a> que foram desencantar, o retrato perfeito de Nicolas Sarkozy. Ou, se estiverem no emprego e vos der mais jeito ler do que ver, <a href="http://ocanhoto.blogspot.com/2007/03/cds-partido-unipessoal.html">o Filipe Nunes regressou à blogosfera</a>, o <a href="http://soaressilva.wunderblogs.com/archives/022724.html">Alexandre Soares Silva é muito divertido</a>, e convém dar atenção ao blog do Eduardo: <a href="http://www.agrafo.net/blog/2007/02/tristes-psicotrpicos.html">Tristes Psicotrópicos</a>, <a href="http://www.agrafo.net/blog/2007/02/marcas-produtos.html">O Smart Roadster parece um chinelo</a> e <a href="http://www.agrafo.net/blog/2007/03/3d.html">A primeira e última vez na Universidade de Aveiro</a>. Pessoas que gostem muito de trabalhar talvez encontrem encanto <a href="http://www.ft.com/cms/s/9f4153cc-d3da-11db-8889-000b5df10621.html">neste texto do Financial Times</a>, e mesmo eu que sou eu não fiquei insensível.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Hoje não estou é muito de escrever.</span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Entretanto</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Mar 2007 22:10:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Terá havido outros obituários mais sérios e mais ponderosos sobre Baudrillard. Mas o do Economist &#8211; acabadinho de sair &#8211; é muito mais &#8220;literário&#8221;, engraçado e subtil.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Terá havido outros obituários mais sérios e mais ponderosos sobre Baudrillard. Mas <a href="http://www.economist.com/obituary/displaystory.cfm?story_id=8848290">o do Economist</a> &#8211; acabadinho de sair &#8211; é muito mais &#8220;literário&#8221;, engraçado e subtil.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Honra a Riga</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Mar 2007 20:05:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Riga num postal por volta de 1900 Não: Munique 1938 não foi igual ao Pacto nazi-soviético. Nem, quer-me parecer, equivalente. Em Munique, a França de Daladier e a Grã-Bretanha de Chamberlain não se apropriaram do território de nenhum Estado europeu &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/03/15/honra-a-riga/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt"><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/03/riga_old.jpg" title="riga_old.jpg"><img src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/03/riga_old.jpg" alt="riga_old.jpg" height="306" width="409" /></a><br />
<em>Riga num postal por volta de 1900 </em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt"> Não: Munique 1938 não foi igual ao Pacto nazi-soviético. Nem, quer-me parecer, equivalente. Em Munique, a França de Daladier e a Grã-Bretanha de Chamberlain não se apropriaram do território de nenhum Estado europeu em troca da paz com Hitler. Em Munique, as potências democráticas não repartiram com os nazis um pedaço da Europa central, um bocado para cada; a URSS com a Alemanha nazi, sim.</p>
<p>É natural que o António Figueira não tenha reparado nisso, porque a quota que coube aos soviéticos parece, aos olhos dele, uma parte natural do império russo – e o desprezo que ele tem pelas nações ex-soviéticas do Báltico, depois do <a href="http://5dias.net/2007/03/13/feridas-abertas/#more-874">último post</a>, deixou de ser segredo. Mas também não é verdade que Isaiah Berlin, judeu que nasceu em Riga, pudesse ter nascido em Tallin (então Reval). Riga era, já desde antes da primeira guerra mundial, uma das maiores metrópoles da Europa Central e de Leste. Tinha – como ainda se pode ver se se lá for – uma industrialização iniciada, uma burguesia local desenvolvida, avenidas largas, prédios de arte-nova, uma vida cosmopolita. E era uma das cidades com mais judeus na Europa, judeus que foram dizimados da noite para a manhã (como diz o Figueira – nesse aspecto com razão) com a cumplicidade activa da população local. Mas nisso, no facto de ter judeus, como no facto de ter burguesia local, industrialização, avenidas largas, prédios de arte-nova e ser uma cidade cosmopolita – em tudo isso se distingue da Estónia e em particular de Tallin, como se pode ver até hoje. A Estónia, quando foi ocupada pelos nazis em 1941, tinha muito poucos judeus para dizimar – essa é uma fraca virtude, pode até dizer-se que é uma medida da sua <em>inferioridade</em>, mas não pode acusar-se a Estónia pelas <em>centenas de milhares de judeus</em> dizimados em Riga.</p>
<p>«Estados do Báltico» é uma vasta categoria: em rigor, Estados do Báltico são nove, e incluem a social-democrata Suécia bem como a Dinamarca, a Finlândia, a Alemanha. A Estónia, a Letónia e a Lituânia compartem a circunstância de terem emergido como nações independentes na sequência da desagregação dos impérios europeus em 1919 (como várias outras nações da Europa central), terem sido incluídas no pacto nazi-soviético, ocupadas pela URSS, ocupadas pela Alemanha, e ocupadas de novo pela URSS de <st1:metricconverter productid="1944 a" w:st="on">1944 a</st1:metricconverter> 1990. Esta circunstância de sessenta anos não torna os três países idênticos, e em rigor deveria fazer pensar duas vezes antes de falar em «Estados do Báltico».</p>
<p>A industrialização da Estónia ocorreu nas décadas de cinquenta e sessenta; foi soviética, sem burguesia local nem judeus nem (<em>hélas</em>) prédios de arte nova nem avenidas largas. A Estónia era, e em larga medida continua a ser, um país de camponeses; não tem uma cidade digna desse nome para apresentar ao turista. Tem um centro histórico medieval cheio de muralhas, e flores, e meninas vestidas como se tivessem acabado de sair de uma história de Hänsel und Gretel, para entreter as hordas de turistas italianos, espanhóis, portugueses que lá se dirigem em excursão (também tem álcool barato para os moços finlandeses e ingleses que se embebedam em despedidas de solteiro). Riga tem uma série de problemas, incluindo a perseguição injusta à população russa, tensões étnicas, etc., mas é uma cidade a sério, graças àquilo que foi até há cerca de um século. E não tem, com toda a probabilidade, também nada que ver com Vilnius ou com a Lituânia, um país que a história aproxima muito mais da influência polaca do que da influência russa – e que hoje não tem uma questão russa comparável à dos outros dois.</p>
<p>Bem sei que o texto do António Figueira não era sobre isso, mas sobre a equiparação entre nazismo e comunismo que está subjacente às remoções e colocações de monumentos na Estónia. Não quero discutir a equiparação do nazismo com o comunismo. Sem dúvida que, se colocada nos termos em que a coloca Nolte – como «guerra civil europeia», o fascismo e o nazismo como resposta defensiva ao ataque bolchevique –, a comparação é de rejeitar. Mas isso não faz de todos os que colocam a questão da experiência histórica do nazismo e do comunismo <em>ipso facto</em> partidários do Nolte – nem faz deles anti-semitas, relativizadores do nazismo (o «Mal Absoluto» &#8211; expressão que eu não partilho) e sei lá eu que mais. Acresce que, ainda que a II Guerra Mundial tenha sido ganha por uma aliança entre os EUA, a GB e a URSS, daí não decorre que a UE tenha de ter uma doutrina oficial (um «adquirido civilizacional», como lhe chama o Figueira) sobre o grau de malignidade relativa do comunismo e do nazismo. Eu também acho – <a href="http://a-praia.blogspot.com/2005_08_01_a-praia_archive.html#112481677235054752">já achava quando escrevi aquilo</a> – que, para além de ser imoral andar agora a construir monumentos aos soldados nazis falecidos, aquele género de provocações descaradas à Rússia <em>e à minoria russófona</em> da Estónia era muito má ideia. Mas não partilhei, nem partilho, dos termos absolutos em que o Figueira se refere à «querela histórica» da Estónia, nem da tendência para medir as virtudes e crimes históricos da Estónia pelo que se passou nos outros sítios.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Jean Baudrillard (1929-2007)</title>
		<link>http://5dias.net/2007/03/15/jean-baudrillard-1929-2007/</link>
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		<pubDate>Thu, 15 Mar 2007 16:00:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Na semana passada, desentendi-me com os comandos do html e não consegui publicar este vídeo de Jean Baudrillard, que tinha morrido dois dias antes, a 6 de Março. Jean Baudrillard «Isto é precisamente aquilo que o filósofo e sociólogo francês &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/03/15/jean-baudrillard-1929-2007/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt">Na semana passada, desentendi-me com os comandos do html e não consegui publicar este vídeo de Jean Baudrillard, que tinha morrido dois dias antes, a 6 de Março.</p>
<div><object width="425" height="335"><param name="movie" value="http://www.dailymotion.com/swf/7GblAZS2Q9N2a3JSt"></param><param name="allowfullscreen" value="true"></param><embed src="http://www.dailymotion.com/swf/7GblAZS2Q9N2a3JSt" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="334" allowfullscreen="true"></embed></object><br /><b><a href="http://www.dailymotion.com/video/xj3rh_jean-baudrillard">Jean Baudrillard  </a></b></div>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt">«Isto é precisamente aquilo que o filósofo e sociólogo francês Jean Baudrillard chama uma &#8220;simulação&#8221;: a tentativa de dar vida à realidade passada e perdida do nosso encontro televisivo com ele.»</p>
<p>Não conheço a obra de Baudrillard, mas encontrei vários obituários bem feitos &#8211; talvez em especial <a href="http://www.telegraph.co.uk/news/main.jhtml?view=DETAILS&amp;grid=&amp;xml=/news/2007/03/08/db0801.xml">este, do Daily Telegraph</a>. No <em>Guardian</em>, havia dois comentários interessantes. <a href="http://commentisfree.guardian.co.uk/tim_footman/2007/03/hyperreally_saying_something.html">Tim Footman</a>:</p>
<p>«The post-9/11 world provides many (&#8230;) validations of Baudrillard&#8217;s theories, not least the spectral bogeyman himself, Osama bin Laden, a man whose continued existence is pretty much irrelevant. As long as his simulacrum, a combination of blurry photos and wonky videos, exists within the media universe, he does his job, both for his supporters and his opponents, as hero and/or villain. Even al-Qaida itself only &#8220;exists&#8221; as a loose notion of shared values, rather than a cohesive organisation. It comes into being because individuals and groups act in its name; and because we (via our political representatives and the media) also attribute those actions to it. The representation is bigger and brighter than the reality, although looking for the links between the two may be futile &#8211; as Baudrillard himself put it, &#8220;There is no more hope for meaning.&#8221;</p>
<p>Not to be outdone, George Bush appeared in Iraq in November 2003, bearing a Thanksgiving turkey. The turkey was intended to represent the peace and prosperity that the coalition forces had brought to Iraq, thus offering a perfect simulacrum &#8211; a hyperreal symbol for something that doesn&#8217;t exist. And just to add to the postmodern fun, it wasn&#8217;t even a <a href="http://www.washingtonpost.com/ac2/wp-dyn/A33090-2003Dec3?language=printer">real turkey</a>.»</p>
<p><a href="http://commentisfree.guardian.co.uk/julian_baggini/2007/03/the_shadow_of_his_former_self.html">Julian Baggini</a>:</p>
<p>«The recurring theme of <a href="http://books.guardian.co.uk/review/story/0,,976725,00.html">Baudrillard&#8217;s work</a> is that we live in a world in which representation and simulation have come to dominate over what was once thought of as reality, to the extent that our reality now often is our simulation of it. That&#8217;s why it is now not only possible to be &#8220;famous for being famous&#8221;, but it&#8217;s what many young people actively have as an ambition. Because of thinkers like Baudrillard, we have come to think better and deeper about such issues, which is why we should be more prepared to forgive him for his many excesses.»</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt">Se um filósofo pode influenciar a cultura de massas sendo referência para filmes como <em>Matrix</em> ou <em>eXistenZ</em>, não me parece já muito pouca coisa. Quase tudo o que li contra Baudrillard a propósito da sua morte foram denúncias morais primárias, não discussões de argumentos.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Leituras de Fevereiro</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Mar 2007 14:55:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Pelo Google Reader &#8211; que armazena os posts dos meus blogs preferidos e os deposita como se fossem emails numa mailbox &#8211; pude ler retrospectivamente os blogs de Fevereiro. Foi graças a isso que li o Pedro Magalhães sobre a &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/03/15/leituras-de-fevereiro/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pelo <a href="http://www.google.com/reader/view/">Google Reader</a> &#8211; que armazena os posts dos meus blogs preferidos e os deposita como se fossem emails numa mailbox &#8211; pude ler retrospectivamente os blogs de Fevereiro. Foi graças a isso que li o Pedro Magalhães sobre <a href="http://outrasmargens.blogspot.com/2007/02/religio-valores-e-poltica.html">a modernização dos costumes em Portugal</a>, a propósito do referendo do aborto; sempre muito informativo, como também estas notas sobre <a href="http://margensdeerro.blogspot.com/2007/02/religiosidade-e-voto.html">o voto católico</a> e <a href="http://margensdeerro.blogspot.com/2007/02/not-really-but-who-cares.html">a alegada popularidade de Sócrates</a>. <a href="http://margensdeerro.blogspot.com/2007/02/interldio.html">Um apontamento de humor com Jerónimo de Sousa</a>. <a href="http://estadocivil.blogspot.com/2007/02/cancelamento-1.html">Os</a> <a href="http://estadocivil.blogspot.com/2007/02/eplogo.html">diários</a> <a href="http://estadocivil.blogspot.com/2007/02/carnaval.html">de</a> <a href="http://estadocivil.blogspot.com/2007/02/acaba-de-chegar-s-livrarias-prova-de.html">Pedro Mexia</a>. As anotações do João Pinto e Castro <a href="http://blogoexisto.blogspot.com/2007/02/histria-de-p.html">sobre a crise</a> <a href="http://blogoexisto.blogspot.com/2007/02/sobre-crise-da-imprensa-diria.html">da imprensa diária</a> e <a href="http://blogoexisto.blogspot.com/2007/02/absteno-e-democracia.html">a abs</a><a href="http://blogoexisto.blogspot.com/2007/02/dever-o-voto-ser-pago.html">tenção</a>. E <a href="http://o-ceu-sobre-lisboa.blogspot.com/">O Céu sobre Lisboa</a>, que continua a ser o meu blog preferido, uma espécie de literatura de viagens sem viagens: <a href="http://o-ceu-sobre-lisboa.blogspot.com/2007_01_01_archive.html#5021597965987891248">o eléctrico 28</a>; <a href="http://o-ceu-sobre-lisboa.blogspot.com/2007_01_01_archive.html#6522271446178291459">música para badalos e música para foguetes</a>; <a href="http://o-ceu-sobre-lisboa.blogspot.com/2007_02_01_archive.html#2886878227226186422">vantagens de integrar uma mesa eleitoral</a>; <a href="http://o-ceu-sobre-lisboa.blogspot.com/2007_02_01_archive.html#3262431272805144194">os dois aviões do jardim do torel</a>; <a href="http://o-ceu-sobre-lisboa.blogspot.com/2007_02_01_archive.html#1056771344777735554">o café do São Jorge</a>; <a href="http://o-ceu-sobre-lisboa.blogspot.com/2007_02_01_archive.html#7044420391510420380">o Príncipe Real ao domingo à tarde</a>; <a href="http://o-ceu-sobre-lisboa.blogspot.com/2007_01_01_archive.html#3656591335774574329">o inquérito à arquitectura portuguesa do século XX</a>; e <a href="http://o-ceu-sobre-lisboa.blogspot.com/2007_02_01_archive.html#2886878227226186422">a publicidade nos transportes públicos</a>.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Dia do Pai</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Mar 2007 12:51:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Só quando fui lembrado do Dia do Pai por um anúncio na vitrine de uma loja de lingerie (ao Saldanha) é que me dei conta da liberalização de costumes que este país tem vivido.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Só quando fui lembrado do Dia do Pai por um anúncio na vitrine de uma loja de lingerie (ao Saldanha) é que me dei conta da liberalização de costumes que este país tem vivido.</p>
<p><object width="425" height="350"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/ZR7RHgdVTCg"></param><param name="wmode" value="transparent"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/ZR7RHgdVTCg" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="350"></embed></object></p>]]></content:encoded>
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		<title>O antigo consenso</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Mar 2007 19:41:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[O memorial aos soldados nazis Eu estive lá há um ano e meio, junto do memorial aos soldados soviéticos que combateram na Estónia na II Guerra Mundial. Aliás, junto dos dois memoriais: aquele que a URSS construiu em 1970 e &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/03/08/o-antigo-consenso/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/03/pict0198.JPG" title="pict0198.JPG"><img src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/03/pict0198.JPG" alt="pict0198.JPG" height="188" width="149" /></a><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/03/pict0197.JPG" title="pict0197.JPG"><img src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/03/pict0197.JPG" alt="pict0197.JPG" height="190" width="250" /></a><br />
<em>O memorial aos soldados nazis</em></p>
<p><a href="http://5dias.net/2007/03/06/feridas-de-guerra-ii/">Eu estive lá</a> há um ano e meio, junto do memorial aos soldados soviéticos que combateram na Estónia na II Guerra Mundial. Aliás, junto dos dois memoriais: aquele que a URSS construiu em 1970 e que está decrépito, e o outro que o governo da Estónia independente em 1995 construiu para homenagear os soldados nazis alemães &#8211; e os estónios que combateram ao lado deles &#8211; e que aliás já estavam enterrados antes no lugar onde a URSS decidiu erigir o seu monumento. <a href="http://a-praia.blogspot.com/2005_08_01_a-praia_archive.html#112481677235054752">Como assinalei ali</a>, estão um do lado do outro, mas o memorial aos nazis está impecavelmente cuidado. Isto só pode ser entendido no contexto do conflito da Estónia contra a propensão imperial da Rússia, e dos conflitos entre Estónios e Russos actualmente na Estónia &#8211; de que falei nesse texto. Não tenho simpatia pela orientação que os estónios dão à questão, pela hostilidade determinada à Rússia e sobretudo aos russos que lá vivem &#8211; não me parece, desde logo, realista. Mas também não vejo que a solução esteja em tentar meter pela goela dos estónios adentro um consenso antifascista que a Europa Ocidental resolveu consagrar há sessenta anos atrás. Não duvidem da sinceridade se os Estónios vos disserem que a ocupação nazi (1940-41) foi <em>para eles</em> (não para os judeus entre eles, evidentemente) menos negativa do que a ocupação soviética (1941-1991). Duvidem só da sensatez. Mas não se pode ignorar por completo a experiência histórica destes povos.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Um novo papel</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Mar 2007 00:43:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Em Fevereiro, coincidindo com o fim do Público e do Diário de Notícias, Pacheco Pereira publicou três artigos muito interessantes sobre o futuro da imprensa. As versões reduzidas desses artigos (aliás, um artigo em três partes) apareceram no Público. A &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/03/08/um-novo-papel/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: 12pt; font-family: "Times New Roman"; color: black"></span></p>
<p>Em Fevereiro, coincidindo com o fim do <em>Público</em> e do <em>Diário de Notícias</em>, Pacheco Pereira publicou três artigos muito interessantes sobre o futuro da imprensa. As versões reduzidas desses artigos (aliás, um artigo em três partes) apareceram no <em>Público</em>. A versão completa apareceu no <a href="http://www.abrupto.blogspot.com/">blog</a>, embora partida <st1:personname productid="em três. Isto" w:st="on">em três. </st1:personname>O Pacheco passa o texto a dizer que se deve submeter a imprensa à lógica da edição <em>online</em> (do hipertexto) e não à do papel, mas depois esqueceu-se de que a partição em três &#8211; estritamente justificada pelos constrangimentos do espaço em papel &#8211; não faz nenhum sentido <em>online</em>. «<span style="color: black">O primeiro objectivo de um jornal» &#8211; diz ele &#8211; «é informar, e um jornal em papel é um meio mais pobre para informar do que um jornal <st1:personname productid="em linha. Esta" u1:st="on"><st1:personname productid="em linha. Esta" w:st="on">em linha. Esta</st1:personname></st1:personname> é que é a chave da crise da imprensa escrita, a impossibilidade de incorporar o hipertexto.»<o:p></o:p></span></p>
<p>De todas as formas, o tema é fascinante e as reflexões do Pacheco muito úteis. A crise dos jornais é mundial (<a href="http://economist.com/business/displaystory.cfm?story_id=E1_RSTGRJR">tirando os detalhes</a> que são a Índia e a China, que conhecem um <em>boom</em> associado ao aumento da população alfabetizada e com algum dinheiro). Mas não é impossível que no caso português &#8211; devido à natureza exígua do mercado &#8211; venham a revelar-se de forma especialmente rápida e acentuada problemas que só mais suavemente afectarão a imprensa dos países ricos. O que é certo é que os jornais diários tal como existem actualmente em Portugal seriam há dez anos irreconhecíveis.</p>
<p class="MsoNormal"><span id="more-852"></span><strong><span style="color: black">PENSAR OS JORNAIS I</span></strong><span style="color: black"><o:p></o:p><br />
José Pacheco Pereira, 17 de Fevereiro de 2007<o:p></o:p></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="color: black">À nossa frente, diante dos nossos olhos, vários objectos que tomamos por indissociáveis do &#8220;nosso mundo&#8221; desaparecem, uns lenta, outros rapidamente, de um dia para o outro. Já vi desaparecerem as máquinas de escrever, os copiógrafos, a tipografia a chumbo, os selos do correio, o rolo de fotografias, o gravador de fita, as disquetes, o telex, o fax, o vídeo, etc, etc.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="color: black">Olhando à nossa volta, outros objectos estão também a ir-se embora: que necessidade tenho eu de vir a esta estante de CD de música que gravei no iPod, podendo agora transportar toda a minha discoteca de aparelho para aparelho sem precisar de mais nada? Ao lado, os vídeos em VHS juntam-se aos discos em vinil e suponho que, a prazo, os DVD irão fazer-lhes companhia. Os selos, a mesma coisa, hoje já quase que não se usam no correio, para serem emitidos apenas para os coleccionadores. O dinheiro pouco a pouco é substituído pelos cartões e todos os cartões convergem para um só. A rápida mudança do tempo vivido dos objectos torna obsoleto qualquer filme de ficção científica que tenha mostradores analógicos em vez de digitais, porque nós sabemos que o futuro não substituiu apenas as alavancas por botões, mas acabou com os mostradores redondos em que um ponteiro podia indicar um drama quando se aproximava do vermelho. Hoje, só para os filmes de submarinos da Segunda Guerra Mundial.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="color: black">E será assim para estes objectos que tenho à minha frente, feitos de muitos hectares de floresta, esta pilha de jornais? Estão também a ir-se embora, pouco a pouco, sem nós vermos, nem nós querermos? Talvez em geral, sim, em particular para os jornais feitos ao modelo antigo, entre o jornal generalista e aquilo que se chama hoje &#8220;imprensa de referência&#8221;. Vejamos o caso português, em que há várias coisas evidentes que os jornais &#8220;de referência&#8221; não quiseram ver nem entender. Uma delas é que hoje um leitor em papel pode ler a &#8220;imprensa popular&#8221;, opção que não tinha no passado.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="color: black">Quando só havia jornais vergados ao peso de si próprios como instituições, protegidos por um mundo em que a institucionalização era garantida entre outras coisas pela censura &#8211; que eliminava o &#8220;popular&#8221; (sentimentos fortes, crime, inveja social, críticas aos poderosos, voyeurismo, violência em geral, medos, etc.) -, a &#8220;imprensa popular&#8221; não existia.<o:p></o:p></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="color: black">Acabada a censura e envelhecidos os modelos dos jornais &#8220;de referência&#8221; numa sociedade em mutação, em que a ascensão das massas aos consumos &#8220;culturais&#8221; se dava pela primeira vez, era natural que uma parte dos públicos forçados até então pela ausência de alternativa escolhessem. Já não tinham apenas o <strong>Diário de Notícias</strong>, ou o <strong>Diário de Lisboa</strong>, ou o <strong>Século</strong>, ou o <strong>Diário Popular</strong>, ou o <strong>Comércio do Porto</strong>, ou <strong>O Primeiro de Janeiro</strong>, mesmo com as suas nuances, mas podiam começar a comprar o <strong>Correio da Manhã</strong> e, mais tarde, a imprensa tablóide, que é uma outra variante de &#8220;imprensa popular&#8221;. No Porto, sempre tiveram essa escolha porque tinham o <strong>Jornal de Notícias</strong>, de quem se dizia que, se se espremesse o jornal, escorria sangue, e talvez por isso é que a imprensa &#8220;de referência&#8221; de Lisboa nunca tivesse tido sucesso no Porto. (Deixo por agora de parte a concorrência com a televisão e rádio quanto à novidade noticiosa e à espectacularização).<o:p></o:p></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="color: black">Afastada da sensibilidade &#8220;popular&#8221;, logo do público de massas, era inevitável uma perda significativa de leitores, agravada pelo aparecimento dos gratuitos. Mas a imprensa &#8220;de referência&#8221;, durante muito tempo, que era também imprensa do Estado porque pública ou semipública, continuou num caminho autista até que a privatização começou a abanar os bolsos dos &#8220;donos&#8221; da imprensa com os elevados custos de jornais que perdiam leitores e, ao perderem leitores, perdiam publicidade. Quer o <strong>Diário de Notícias</strong>, quer o <strong>Público</strong>, de modo diferente, começaram a sentir há muito esta perda e ensaiaram diferentes respostas para a contrariar, cujo sucesso depende da correcção da análise dos problemas.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="color: black">O <strong>Diário de Notícias</strong> tentou tornar-se num jornal forte na economia, investindo num suplemento diário, o <strong>Público</strong> tenta conquistar os novos leitores que estão a fugir para a rede. Quer um, quer outro valorizaram o desporto e outros temas &#8220;populares&#8221; mesmo antes das reformulações realizadas, num caso e noutro muito distintas nos seus alvos. O <strong>Diário de Notícias</strong> parece ter falhado, o <strong>Público </strong>ainda é cedo para ver.</span><span style="color: black"><o:p></o:p></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="color: black">Perdendo os públicos antigos, que se deslocaram para a &#8220;imprensa popular&#8221;, colocava-se saber por que razão não se conquistavam os novos públicos. Havia sempre duas estratégias possíveis: ou tentar tornar &#8220;popular&#8221; (e &#8220;popular&#8221; e tablóide&#8221; não são a mesma coisa, porque há imprensa &#8220;popular&#8221; de qualidade, como é o caso do <strong>Correio da Manhã</strong>) o produto, como agora se diz, ou tentar roubar novos públicos a outros media que começam a crescer, em particular na juventude, ligados a outra combinação de media. Basta ver a combinação de media que os jovens consomem &#8211; jornais desportivos, revistas de moda em papel e blogues e sítios, incluindo os jornais, gratuitos em rede &#8211; para se perceber que não era tão simples como isso lá chegar, com um produto em papel. É que as novas elites numa sociedade de massas, em particular as elites com elevada educação formal, são também elas próprias um resultado da sociedade de massas, espectacularizadas, com gostos &#8220;culturais&#8221; muito mais &#8220;populares&#8221;, habituadas a uma informação mais curta, fragmentada e utilitária. Na verdade, a sociedade de consumo de massas encolheu as elites, como nós as conhecíamos do passado, e gerou elites que o são socialmente, mas que, entre outras coisas, lêem menos e lêem diferente. O retrato das elites do presente dificilmente seria considerado como sendo de elite no passado. A tradição já não é o que era.<o:p></o:p></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="color: black">Podemos não gostar deste mundo, mas é o que existe lá fora. Neste processo, para onde foram os leitores dos jornais? Fugiram porque os jornais não lhes interessavam, ou porque já não precisam deles e não estão dispostos a pagar caro por aquilo que tem para eles apenas um utilidade marginal. Quem sobra é uma elite de uma elite, que continua a precisar e está disposta a pagar jornais de &#8220;referência&#8221;, com a condição de que estes lhes forneçam informação de muito maior qualidade, o que, por regra, não acontece hoje. Só há uma maneira de os jornais competirem com os novos consumos mediáticos gerados pela televisão e pela rede, é serem muito diferentes do que eram no passado e serem únicos, ou seja, o que está ali não está em lado nenhum. E, mais fundamental ainda: não poder estar em nenhum outro lado.</span></p>
<p class="MsoNormal"><strong><span style="color: black">PENSAR OS JORNAIS &#8211; 2</span></strong><span style="color: black"><o:p></o:p><br />
José Pacheco Pereira, 24 de Fevereiro de 2007<o:p></o:p></span></p>
<p class="MsoNormal"><strong><span style="font-size: 15.5pt; color: black">1. </span></strong><span style="color: black">O exercício que se fará a seguir é o de pensar num jornal ideal a partir do que é um jornal de hoje e das possibilidades tecnológicas que o podem moldar num período de cerca de uma década. Esse jornal do próximo futuro será reconhecível como um jornal, da mesma maneira que a Gazeta de Lisboa pode ser reconhecida ainda nos dias de hoje como um jornal. Não estou a falar de qualquer coisa exótica, nem sequer revolucionária, mas de um jornal, mantendo o núcleo de identidade de um órgão diário (ou semanário) assente no acto de ler, pelo qual se obtém informações, notícias, análises, comentários, críticas sobre a realidade do mundo à nossa volta. Dentro desta definição, muita coisa pode mudar, a ênfase pode ser colocada no político, no cultural, no social, o texto pode ser factual ou de <em>creative non-fiction</em>, privilegiar histórias ou estórias, ter mais ou menos opinião, dirigir-se a públicos eruditos ou populares, ter causas ou não ter, etc., etc., mas todas estas modalidades cabem numa concepção comum de jornalismo.</span><strong><span style="font-size: 15.5pt; color: black"></span></strong></p>
<p class="MsoNormal"><strong><span style="font-size: 15.5pt; color: black">2. </span></strong><span style="color: black">Não custa muito pensar no jornal ideal, nem são necessários exercícios de futurologia ou de ficção científica. O jornal ideal que refiro será possível em meia dúzia de anos, incorporando tecnologias já existentes, mas ainda experimentais e caras. Será apenas uma questão de tempo, e pouco tempo, até este jornal existir e não será em papel, mas em &#8220;papel&#8221; electrónico. O jornal do próximo futuro poderá ter apenas uma folha dupla aberta, de plástico, do tipo dos que hoje a <a href="http://www.plasticlogic.com/"><span style="color: black">Plastic Logic</span></a> produz, pesará cerca de <st1:metricconverter productid="100 gramas" w:st="on">100  gramas</st1:metricconverter> e o texto que terá será um texto electrónico, transmitido em <em>wireless</em> e mudando durante o dia. O jornal poderá ter uma estrutura diária e partes que não são diárias, mas o fluxo noticioso será isso mesmo, um fluxo contínuo.</span><span style="font-size: 10pt; color: black"></span><span style="color: black"><o:p></o:p></span><strong><span style="font-size: 15.5pt; color: black"></span></strong></p>
<p class="MsoNormal"><strong><span style="font-size: 15.5pt; color: black">3.</span></strong><span style="color: black"> Um jornal deste tipo não é apenas um ecrã portátil, mas uma folha de papel electrónico com a qual se poderá fazer o mesmo que se faz hoje com o papel, menos deitá-lo fora no fim, ou usá-lo para embrulhar peixe, porque fica caro. Há apenas uma razão, para além do custo actual, para o papel electrónico não ter ainda substituído o papel: ainda há limitações técnicas na sua funcionalidade para se adaptar em pleno ao principal factor limitador das tecnologias, o corpo humano e os seus hábitos. Há certas coisas que não fazemos, ou que não é confortável fazer com os ecrãs actuais de computador e, enquanto não existir papel electrónico capaz e barato, a mutação do papel para o ecrã plástico não se fará. Quando houver, a mutação será muito rápida e o papel de impressão ficará um nicho de mercado de luxo como os relógios analógicos.</span><strong><span style="font-size: 15.5pt; color: black"></span></strong></p>
<p class="MsoNormal"><strong><span style="font-size: 15.5pt; color: black">4.</span></strong><span style="color: black"> O jornal estará obviamente numa forma de ecrã, mas não estará preso ao computador, não será <em>laptop</em>, nem <em>desktop</em>, embora consigo vá um computador especializado e uma ligação permanente à rede. Será mais um dos múltiplos objectos que passarão a ser inteligentes porque tem um processador, software e a comunicar em rede: casas, frigoríficos, lâmpadas, roupas, automóveis, etc. Transportar-se-á como um jornal, ler-se-á como um jornal, terá a mesma resolução, ou ainda mais do que um jornal. O suporte tem de permitir o espaço que necessita um jornal, precisa de páginas e de paginação, e também aqui há considerações ergonómicas que dependem do nosso corpo, do nosso olhar. A razão pela qual o jornal ideal depende mais do papel electrónico do que de um grande ecrã, mesmo que ultrafino, é que tem de ter espaço para se espraiar e ler e portabilidade. Não cabe num telemóvel, e não cabe num ecrã de computador que não necessita na maioria das suas funções de tanto espaço como a página dupla aberta de um jornal.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="color: black">O seu grafismo mudará, a partir do modelo clássico do jornal, mas incorporará o grafismo dos sítios em rede, como aliás já acontece com o grafismo da rede a influenciar o grafismo dos livros, jornais e revistas e publicidade. Posso partir do princípio de que esse jornal terá o mesmo tamanho do <strong>Público</strong> e do <strong>Diário de Notícias</strong>, cujas qualidades ergonómicas permitem que se possa ler nos mesmos sítios onde hoje se lê um jornal, no carro, na cama, numa cadeira, num autocarro. E que se possa levar debaixo do braço ou numa pasta.</span><strong><span style="font-size: 15.5pt; color: black"></span></strong></p>
<p class="MsoNormal"><strong><span style="font-size: 15.5pt; color: black">5</span></strong><span style="color: black">. Até aqui, o papel electrónico foi mais papel de plástico do que electrónico, mas a verdadeira revolução dos jornais virá do electrónico, ou seja, do conteúdo em linha e do hipertexto. Começa logo no facto de todas as vantagens do ecrã e da ligação em linha estarem presentes, tornando o papel vivo: os que lêem mal podem alterar o tipo de letra, os cegos podem ouvir o jornal, e nesse jornal não se lerá apenas, pode-se ouvir sons e ver filmes, pode-se procurar palavras-chave, ler artigos para que remete uma bibliografia, seguir ligações em linha na rede. O hipertexto acelera a integração de todos os fluxos digitais, numa só estrutura de &#8220;leitura&#8221;. O papel vivo pode ser lido por contacto na página, como no iPhone, ou nos ecrãs sensíveis e por isso, desde a simples função de folhear as páginas, até ao acesso aos arquivos, à sequência de notícias, a canais em directo de televisão, tudo se poderá fazer a partir de uma estrutura que será essencialmente voltada para informar, analisar, debater, como é suposto serem os jornais. Todos os actos simples que se fazem com um jornal, preencher as palavras cruzadas, responder a um anúncio, escrever uma carta à redacção, marcar um artigo e recortá-lo, deitar fora um suplemento que não se deseja, estão presentes.</span><strong><span style="font-size: 15.5pt; color: black"></span></strong></p>
<p class="MsoNormal"><strong><span style="font-size: 15.5pt; color: black">6.</span></strong><span style="color: black"> Este jornal ideal acabará com a distinção entre o jornal em papel e o jornal em linha, mas essa mudança não se fará apenas pela hegemonia do jornal em linha, mas pela valorização de um contínuo que incorpora o mecanismo fundamental que os distingue: o hipertexto. O que está a gerar a crise do jornal de papel é a sua impossibilidade de incorporar hipertexto, ou seja, de comunicar com todos os outros fluxos de informação que um jornal em linha pode utilizar: som, vídeo, arquivo, leitura em volume típica do hipertexto propriamente dito, tempo real.<br />
Um exemplo: um artigo sobre a actual campanha do aborto nesse jornal do futuro conterá a notícia da novidade que foi a utilização utilização dos vídeos no YouTube e conterá os vídeos de Marcelo Rebelo de Sousa e do Gato Fedorento. O leitor poderá ler sobre eles e ter de imediato disponível toda a informação em que se baseia o jornalista. Quando, ao lado, estiver um artigo de crítica ou um comentário, quem o escreve terá que o fazer com muito mais rigor e precisão, com valor acrescentado, porque o leitor que o lê dispõe da mesma informação em bruto que tem o jornalista ou o crítico. No final, os textos, as análises, as fontes, os números, as opiniões, fornecem o tipo-ideal da informação: matéria prima noticiosa, mediação e opinião plural. Isto hoje só é possível num orgão de informação com o hipertexto.<o:p></o:p></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="color: black">O próprio conceito clássico do artigo mudará com o hipertexto. Embora este <a href="http://www.lessig.org/blog/archives/OWMR2_small.mov"><span style="color: black">&#8220;texto&#8221;</span></a> de <a href="http://www.lessig.org/blog/"><span style="color: black">Lawrence Lessig</span></a> não seja um artigo no sentido clássico do termo, funciona como se fosse um artigo de opinião: expõe uma posição usando mecanismos que estão entre o texto, o filme, a conferência, a imagem como reforço da palavra, etc. O jornal do futuro terá artigos clássicos, e artigos deste tipo.</span><strong><span style="font-size: 15.5pt; color: black"></span></strong></p>
<p class="MsoNormal"><strong><span style="font-size: 15.5pt; color: black">7.</span></strong><span style="color: black"> O primeiro objectivo de um jornal é informar, e um jornal em papel é um meio mais pobre para informar do que um jornal <st1:personname productid="em linha. Esta" w:st="on">em linha. Esta</st1:personname> é que é a chave da crise da imprensa escrita, a impossibilidade de incorporar o hipertexto. Eu próprio, ao escrever este artigo, já várias vezes tive de abandonar formas mais simples e explicativas de dizer o que quero dizer. Quando o colocar em linha, vou poder fazê-lo: incorporar imagens da <strong>Gazeta de Lisboa</strong>, do <strong>Diário de Notícias</strong> de 1945 e do papel electrónico da Plastic Logic, com ligações para os vídeos em que se percebe como se pode manipular o novo papel. Se eu colocar aqui [na edição em papel] um endereço electrónico, uma URL, ele mostrará de imediato a inadequação do meio actual: http://www.plasticlogic.com/index.php . Este “texto” não serve para ser lido como a frase anterior e não pode ser clicado. Terá que ser copiado à mão e reescrito, algo que muito poucos utilizadores intensivos da Rede farão. Eles verão o nome da companhia, Plastic Logic e colocarão o nome no Google e chegarão lá de forma que já tem muito pouco a ver com o jornal. Acima de tudo, terão que, pelo caminho, deixar o jornal de papel de lado, porque a partir daqui lhes é inútil.<o:p></o:p></span><strong><span style="font-size: 15.5pt; color: black"></span></strong></p>
<p class="MsoNormal"><strong><span style="font-size: 15.5pt; color: black">8.</span></strong><span style="color: black"> Há também algo que tem que mudar, mas também já se percebe de modo grosseiro como tal possa acontecer: o modelo económico dos jornais, quem paga os jornais e como, para estes sobreviverem como empresas que são. Deixo de lado o facto de a edição em papel ser por si só muito cara e para, uma outra ocasião, as mudanças na produção jornalística que a “vida” do papel electrónico trará a redacções e aos jornais como organização. A aparição de produtoras de textos, reportagens, análises, de material para os jornais, será uma consequência da desadaptação de redacções muito grandes, pouco flexíveis e muito caras ao modelo do jornal do futuro. Como já existe para o audiovisual, haverá um novo mercado de “textos” (e de imagens, vídeos, sons, etc.) dando uma outra dimensão ao jornalismo <em>freelancer</em> e será um caminho que pode mudar o tamanho gigantesco que atingiram as redacções, com os enormes custos associados.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="color: black">Mas o modelo económico do jornal do futuro estará na Rede. Na Rede, os grandes percursores dos pagamentos em linha não foram os bancos, nem as instituições financeiras, mas os sítios pornográficos. Eles precisavam de meios fáceis, simples, seguros e quase anónimos de pagamento e desenvolveram mecanismos que depois a Amazon, a Ebay e a Paypal utilizaram. Há investigações em curso para encontrar meios fáceis (que não exijam sequer um clic suplementar) e seguros para pagamentos muito diferenciados, incluindo sistemas de “<em>pay-per-view</em>” quase nominais, um cêntimo por exemplo, para o consumo de todas as partes do jornal em linha, que não incorporam muito valor acrescentado. Mesmo numa Rede que tem uma cultura da gratuitidade, estes pagamentos nominais podem obter aceitação generalizada no acesso a sítios profissionais e empresariais que “vendem” um produto único e de necessidade. Uma das formas de combater a pirataria nas músicas e nos filmes foi tornar os produtos digitais muito mais baratos do que o que eram, e, com a crescente centralidade da Rede em todas as actividades, o mercado de massas será aí.<o:p></o:p></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="color: black">Esta mudança nos pagamentos, reflectir-se-á a prazo na publicidade e dependerá, como nas bancas, em última razão, das “vendas”, das “audiências” e dos públicos especializados. Na rede é possível fazer uma diferenciação de públicos muito mais certeira do que no jornal em papel e as formas de publicidade, que muito embrionariamente estão a surgir à volta do Google, mostram caminhos novos.</span><span style="color: black" lang="EN-GB"><o:p></o:p></span><strong><span style="font-size: 15.5pt; color: black"></span></strong></p>
<p class="MsoNormal"><strong><span style="font-size: 15.5pt; color: black">9. </span></strong><span style="color: black">Será por aqui que os jornais irão e, se quiserem sobreviver, deverão pensar-se desde já no modelo do futuro mais próximo, para onde já estão, sem se aperceberem, a migrar. É por aqui que eu parto para analisar o presente, porque, utilizando-se este método de aproximação, verifica-se que muita coisa que se pode fazer desde já não está a ser feita. Ou seja, se eu tivesse de analisar como se devem mudar os jornais actuais, em particular os que pretendem manter o estatuto &#8220;de referência&#8221;, eu pensava-os essencialmente a partir da pergunta: o que é que eu posso fazer desde já na combinação jornal de papel com versão em linha, para os fundir cada vez mais, aproveitando as vantagens de cada um dos meios e tentando minimizar as desvantagens que existem em cada um deles. Uma coisa eu não faria de certeza: era pensar os jornais em papel para &#8220;competir&#8221; com os meios electrónicos, jornais em linha, sítios e blogues, pela simples razão de que essa competição está perdida a prazo. Eles têm hipertexto, o papel não tem. Ponto final, por aí não há competição.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="color: black">(No artigo seguinte farei a aplicação deste modelo: como é que desde já os jornais em papel &#8211; em complemento com a versão em linha, que quase todos têm &#8211; podem evoluir para maximizar tudo o que os aproxima deste jornal do futuro. É muito mais do que se pensa, e mudará profundamente a organização, métodos de trabalho, preparação, o &#8220;tempo e o modo&#8221; dos jornalistas. Mas continuará a ser jornalismo.) <o:p></o:p></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="color: black"><o:p> </o:p></span><br />
<strong><span style="color: black">PENSAR OS JORNAIS &#8211; 3<br />
</span></strong><span style="color: black">José Pacheco Pereira, 3 de Março de 2007</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="color: black"><o:p><br />
</o:p>Embora não haja receitas milagrosas e a actual situação da chamada &#8220;imprensa de referência&#8221; em Portugal seja má por razões comuns a toda a imprensa deste tipo e por problemas portugueses, essencialmente ligados à pequena dimensão do mercado, é possível identificar caminhos que, a serem seguidos, melhorariam a situação. À partida, o problema fundamental para se avançar neste caminho é que os jornais já existem e foram criados para outro modelo, com redacções tradicionais que muito dificilmente se alteram sem mudanças drásticas. Seria muito mais simples começar de novo, do zero, criando um novo tipo de jornal de &#8220;referência&#8221; de raiz, um modelo cuja hibridez se devesse apenas às impossibilidades tecnológicas do presente e não à necessidade de manter o tamanho e composição das redacções actuais. O problema dos jornais actualmente existentes, caso do <strong>Público</strong> e do <strong>Diário de Notícias</strong>, é que, devido ao lastro do passado, tem todos os problemas genéricos da crise da imprensa em papel e mais os que advêm da enorme dificuldade de se adaptarem para a transição, para os anos de espera entre o papel e o papel electrónico.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="color: black">Por isso, parece-me uma solução segura e certa, e, no caso português de escasso mercado, ainda mais segura e certa, que os jornais de &#8220;referência&#8221; têm de ser muito mais pequenos, mais compactos, mais especializados, menos generalistas, comunicando de forma próxima com outros media, como a televisão e a rede, explorando todas as sinergias, com um conteúdo com identidade própria, resultado de um trabalho jornalístico único. Serão mais parecidos com os semanários e bastante diferentes entre si. Não podem contar com públicos de muitas dezenas de milhares (em Portugal), mas têm de ter uma relação económica sustentável com públicos mais escassos, mas muito mais influentes em toda a sociedade e que estão dispostos a pagar mais. Essa influência trará publicidade, mais do que a &#8220;audiência&#8221; da venda em banca, mas exige padrões muito qualificados de jornalismo. É como se, mal comparado, se abandonasse a tentativa de fazer televisão generalista para fazer um canal por cabo, a SIC Notícias por exemplo.<br />
</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="color: black">Um dos obstáculos a que isto aconteça encontra-se nos próprios jornais actuais, com redacções muito grandes, com vícios territoriais, com dificuldades em ter verdadeira edição sem prémio nem sanção, sem controlos internos, renitentes à verificação de qualidade. Em redacções deste tipo, as restrições de custos têm efeitos devastadores na quebra de qualidade porque o dinamismo é escasso à partida. Do mesmo modo, a introdução de critérios de exigência internos (como se verifica já hoje com a actuação dos provedores) gera grande conflitualidade. Tamanho e mediocridade sempre foram mortíferos para jornais que se pretendem de &#8220;referência&#8221;, só que agora são factores decisivos de sobrevivência.<br />
Hoje, um jornal vive numa ecologia muito mais crítica e num escrutínio permanente e público. Os blogues alargaram o campo comunicacional e tornaram inevitável o escrutínio da imprensa escrita, que até há uns anos não existia de todo. Mesmo quando não fornecem essa crítica de qualidade, tornaram a reflexão sobre os jornais inevitável e inescapável. Tornaram difícil manter os jornalistas resguardados num mundo próprio, vivendo em grupo, e &#8220;pensando&#8221; em grupo, em pack, falando quase que exclusivamente uns com os outros, reagindo corporativamente a todas as críticas, exibindo nos jornais, sem sanção, a sua falta de experiência, de formação e, acima de tudo, de imaginação, deixando o mundo correr ao seu lado sem o ver, repetindo de jornal para jornal, as mesmas notícias, as mesmas palavras, a mesma maneira de ver as coisas, uma casuística superficial que só tem paralelo em Portugal com o mundo político, que é aquele que cada vez é mais próximo do dos jornais e vice-versa.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="color: black">Há excepções, e é tão má a regra que essas excepções brilham de evidência. Matérias como a Europa, Timor, sondagens, corrupção, são exemplos de casos em que há jornalistas altamente qualificados nos jornais portugueses e que têm um grau de especialização que não se compadece com exercícios amadorísticos num jornal de &#8220;referência&#8221;. O grau de exigência subiu e muito e a competição com os novos media valoriza a especificidade da escrita, da reportagem, da investigação, que sobrevivem bem em papel, muito melhor do que as notícias em tempo real. São jornalistas que conhecem as suas matérias, lêem o que se publica sobre elas, artigos e livros, conhecem os protagonistas, têm fontes altamente colocadas, e, quando escrevem, tem autoridade. Um jornal &#8220;de referência&#8221; só sobrevive se assentar neste tipo de jornalistas. Eles é que são o penhor da &#8220;referência&#8221; e é com eles que se pode construir uma redacção compacta, que possa ser um centro de tratamento e edição de informação, que actua organizando, procurando, editando e &#8220;escrevendo&#8221; a partir de muitos inputs do exterior, quer sobre a forma de contribuições externas (não há razão nenhuma para se utilizarem crescentemente &#8220;produções&#8221; externas, como acontece nas televisões) quer usando os novos recursos daquilo que é chamado &#8220;jornalismo dos cidadãos&#8221;.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="color: black">O que esta redacção compacta deve fazer é moldar o fluxo de informação ao trabalho de mediação típico do jornalista e à identidade do jornal, mas cada vez mais é suposto que o facto de trabalharem para o &#8220;papel&#8221; não deve esquecer que o &#8220;papel&#8221; e o jornal em linha não devem ser apenas complementares, mas pensados em conjunto como um único produto. Por exemplo, parece-me um erro quer menosprezar a edição em linha quer assentar a edição em linha na edição em papel. É a edição em linha que tem futuro, não a de papel, e o fluxo de informação é o mais importante &#8220;material&#8221; de qualquer órgão de comunicação.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="color: black">Hoje, esse fluxo tende a ter actualidade, e &#8220;tempo real&#8221; apenas na rádio, na televisão e na rede. Mas as &#8220;sinergias&#8221; de que muito se fala hoje para os modelos de negócio na comunicação deviam ser em primeiro lugar sinergias de informação porque a prazo, rádio, televisão, rede e papel esbaterão as distinções entre meios especializados. Jornalistas com os novos meios digitais ao seu dispor podem gravar, filmar e fotografar. E o jornal deve poder utilizar toda a massa de informação que obtenha, colocando em linha toda a que não servir para colocar no papel, ou aquela que não pode ser colocada <st1:personname productid="em papel. Desde" w:st="on">em papel. Desde</st1:personname> já.<o:p></o:p></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="color: black">Um exemplo recente mostra como as redacções de hoje não actuam no sentido de maximizar os instrumentos que tem ao seu dispor, valorizando ao mesmo tempo a edição em linha e a de papel. Esse exemplo é o do terramoto de há dias, um caso típico de um evento inesperado, uma notícia em estado puro. Ocorrido o terramoto, que ainda por cima não é um facto privado, um jornal devia de imediato começar a conduzir toda a informação em linha, criando um foco de interesse, de “leitura”, que corresponda a uma necessidade real de informação por parte do público. O efeito do “directo” é muito poderoso e de imediato começam a aparecer testemunhos e, se as houver, imagens e filmes. Esse material pode de imediato ser sujeito a uma edição rápida e conforme a sua natureza colocado <st1:personname productid="em linha. A" st="on"><st1:personname productid="em linha. A" w:st="on">em linha. A</st1:personname></st1:personname> massa de informação obtida das pessoas (e neste sentido os testemunhos editados podem ser considerados peças de “jornalismo de cidadão”), aliada ao trabalho da redacção em obter informação qualificada, de especialistas em sismologia, técnicos e responsáveis pela protecção civil, permite um trabalho muito mais qualificado e economias de escala. Isto significa uma redacção a mover-se à velocidade dos eventos, com equipas em linha e outras a preparar a edição em papel, acompanhando o trabalho em linha, que pode identificar com muito mais rigor as deficiências da prevenção (telefones de emergência que não são atendidos como deviam, sítios na Rede que vão abaixo, ignorância de bombeiros quanto ao que fazerem, pânico dos responsáveis, falta de treino, etc,) Isto significa também, como é óbvio que o trabalho num jornal dura 24 horas e que a tendência para se fecharem os jornais cada vez mais cedo, os prejudica gravemente. <u1:p></u1:p><o:p></o:p></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="color: black">Muito mais poderia ser dito, seguindo o modelo de tentar aproximar o mais possível o jornal de hoje das tendências de futuro que já podem ser identificadas, mas não cabe aqui. Reconheço que há outras maneiras de colocar a questão, mas trata-se apenas de um exercício de análise, nada mais. A realidade é sempre muito mais complicada.<o:p></o:p></span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Bollywood</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Mar 2007 00:05:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Aliás Deus, quando criou a mulher, não foi nada etnocêntrico. Aishwarya Rai]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aliás <a href="http://edeuscriouamulher.blogspot.com/index.html">Deus, quando criou a mulher</a>, não foi nada etnocêntrico.</p>
<p><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/03/aishwarya_rai_56.jpg" title="aishwarya_rai_56.jpg"><img width="364" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/03/aishwarya_rai_56.jpg" alt="aishwarya_rai_56.jpg" height="278" style="width: 364px; height: 278px" /></a><br />
<em>Aishwarya Rai</em></p>]]></content:encoded>
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		<title>Cenas da luta de classes na América Andina</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Mar 2007 00:01:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A primeira vez que tropecei no nome de María Consuelo Araújo foi há menos de dois meses, no Público. Jovem (35 anos), de sardas, estava incrivelmente bonita na fotografia que ocupava quase uma página. Nas redacções dos jornais, a visita &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/03/08/cenas-da-luta-de-classes-na-america-andina/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/03/consuelo.jpg" title="consuelo.jpg"><img src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/03/consuelo.jpg" alt="consuelo.jpg" /></a><span style="font-family: Verdana"><a href="http://a-praia.blogspot.com/2007_01_01_a-praia_archive.html#116981702892052835"></a></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana"><a href="http://a-praia.blogspot.com/2007_01_01_a-praia_archive.html#116981702892052835">A primeira vez</a> que tropecei no nome de María Consuelo Araújo foi há menos de dois meses, no <em>Público</em>. Jovem (35 anos), de sardas, estava incrivelmente bonita na fotografia que ocupava quase uma página. Nas redacções dos jornais, a visita da Ministra dos Negócios Estrangeiros da Colômbia a Portugal também causou burburinho. Da Colômbia? Da Colômbia, pensamos em traficantes de droga, <a href="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/14/Pablo_Escobar_wanted_copy.jpg">Pablo Escobar</a>, grandes bairros de lata, assassinatos com armas de fogo em Bogotá e Medellín, homens cabeludos e excêntricos como <a href="http://www.educar.org/Educacionfisicaydeportiva/copadelmundo/Biografias/valder1.jpg">Valderrama</a>, como <a href="http://www.thefa.com/NR/rdonlyres/425893E1-55B4-4F57-884D-25C949AE4FF7/58731/Colombia_Higuita_scorpion_L.jpg">Higuita</a> (o guarda-redes que nunca estava na baliza), ou no defesa que no Mundial de futebol de 1994 marcou <a href="http://news.bbc.co.uk/hi/spanish/specials/newsid_4379000/4379968.stm">um auto-golo fatídico</a>: propriamente fatídico, que por causa dele foi assassinado ao regressar ao país. Pensamos em índios, em gente mestiça; pensamos menos em loiros, de olho azul, que também os há entre a elite, ou em ministras jovens, modernas, imaculadamente brancas, com mestrado nos Estados Unidos. María Consuelo Araújo – informei-me em Janeiro – tem o crédito moral de ser sobrinha de uma jornalista, e depois ministra, que foi raptada pelas FARC e assassinada em 2001.<o:p></o:p></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana">A segunda vez que tropecei no nome de María Consuelo Araújo foi há quinze dias. O irmão, Álvaro Araújo, é um dos oito parlamentares da maioria que sustenta o governo a ter sido preso, acusado de ligações aos grupos paramilitares, a quem teria garantido favores em troca de votos obtidos por meio de extorsão e intimidação. O pai da ministra, também ele antigo deputado e ministro, está igualmente sob investigação no âmbito do mesmo assunto. As ligações da maioria parlamentar de direita aos grupos paramilitares põem em causa a credibilidade do governo colombiano, tanto no plano interno como no externo, quer por questões de respeito pelos direitos humanos, como pelos compromissos assumidos com os Estados Unidos no combate ao tráfico de droga. Os grupos paramilitares controlam grande parte do tráfico de cocaína e são acusados de alguns dos piores massacres perpetrados na guerra civil que assola o país há décadas. A posição política de María Consuelo Araújo, com a sua biografia e a sua família, tornou-se insustentável, e a ministra caiu.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana">É fascinante a quantidade de coisas que a fotografia de uma ministra bonita, jovem, imaculadamente branca, de sardas, com mestrado nos Estados Unidos, nos sugere sobre um país.<o:p></o:p></span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Corram a comprar o JL!</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Mar 2007 16:30:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[[Sempre sonhei escrever isto. Agora posso, graças ao texto que o André Belo me mandou e reproduzo em seguida.] &#160; &#160; O Jornal de Letras com data de ontem, 28 de Fevereiro, tem um pequeno ensaio autobiográfico do historiador António &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/03/01/corram-a-comprar-o-jl/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>[Sempre sonhei escrever isto. Agora posso, graças ao texto que o André Belo me mandou e reproduzo em seguida.]</p>
<p style="margin: 0px; min-height: 14px">&nbsp;</p>
<p style="margin: 0px; min-height: 14px">&nbsp;</p>
<p>O <em>Jornal de Letras</em> com data de ontem, 28 de Fevereiro, tem um pequeno ensaio autobiográfico do historiador António Manuel Hespanha, por ocasião do 62° aniversário deste. Corram a comprar. Nele, Hespanha — que desconfia de autobiografias por achar que são sempre uma tentativa para dar sentido a algo, a nossa vida, que não tem necessariamente grande coerência — fala da influência da sua família nos caminhos da sua formação. E fala, sobretudo, de algo que tem marcado sempre o seu percurso, um caminho verdadeiramente indisciplinar entre a história e o direito.</p>
<p>António Hespanha é, na minha opinião, um dos dois maiores historiadores portugueses em actividade (o outro é José Mattoso). É, também, dos poucos historiadores portugueses que tem realmente uma influência, em traduções, leituras e comentários, em círculos universitários internacionais extremamente importantes (estou a pensar no Brasil, Espanha, Itália, Alemanha). Isto acontece porque a sua obra, que veicula uma visão global — e nem por isso menos apoiada numa análise detalhada e fina das fontes — da história do direito, das instituições e do poder durante o Antigo Regime (séc. XVI a XVIII-XIX), é um continente em termos intelectuais. Um continente quer dizer: a entrada na obra de Hespanha é a entrada numa maneira de pensar o passado que nos muda definitivamente o olhar sobre ele.  Não sei se há muita gente, no domínio intelectual, de quem se possa dizer isto.</p>
<p>O mais recente trabalho de fôlego de António Hespanha é <em>Guiando a Mão Invisível</em> (Almedina, 2004), um estudo sobre a relação entre a ordem constitucional<em> </em>do liberalismo monárquico e o papel regulador do Estado.<em> </em>Hespanha tem também um site pessoal na web com informação sobre o seu trabalho e textos online, que encontram <a href="http://www.hespanha.net">aqui</a>.</p>
<p>[<strong>André Belo</strong>]</p>]]></content:encoded>
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		<title>Salaam-e-Ishq</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Mar 2007 12:07:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nos filmes de Bollywood corre sempre uma brisa.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="425" height="350"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/mmosHma5UUU"></param><param name="wmode" value="transparent"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/mmosHma5UUU" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="350"></embed></object></p>
<p>Nos filmes de Bollywood corre sempre uma brisa.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Macacos, não me mordam</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Mar 2007 00:42:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Gangues de macacos semeavam o terror na estação de comboios de Benares, atacando e pilhando. Comecei por olhar para eles com uma curiosidade simpática, pelas enormes semelhanças que têm com a nossa espécie. Similitude: são símios. Felizmente um indiano chamou-me &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/03/01/macacos-nao-me-mordam/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/02/agra-17-fev-070w.jpg" title="agra-17-fev-070w.jpg"><img src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/02/agra-17-fev-070w.jpg" alt="agra-17-fev-070w.jpg" /></a><span lang="PT"></span></p>
<p><span lang="PT">Gangues de macacos semeavam o terror na estação de comboios de Benares, atacando e pilhando. Comecei por olhar para eles com uma curiosidade simpática, pelas enormes semelhanças que têm com a nossa espécie. Similitude:</span><span style="font-size: 12pt" lang="PT"> são símios</span><span lang="PT">. Felizmente um indiano chamou-me a atenção para que, se eles olhavam para mim, não era por curiosidade recíproca: estavam de olho no meu cacho de bananas. </span><span lang="PT">Depois de terem perdido perspectivas sobre as minhas bananas, perseguiram, num gangue de dez, um cão que fugia. Mordiam-no e assustavam-no por pura maldade. </span><span lang="PT">Só depois de guardar as bananas na mochila percebi o perigo. Os macacos mordem, atacam em bando, estão permanentemente em pose de predadores, à procura da vítima. Na Índia estão por todas as partes, telhados, ruas, estações de autocarro e comboio, templos. Também há cabras, cães, ratos (nas estações de comboios <em>e nos comboios</em>) e as proverbiais vacas; só gatos são um pouco menos conhecidos. Num outro dia, em novo exercício de amabilidade, dei amendoins à mão de um macaco, no túmulo de Akbar, em Agra. Quando acabaram, o macaco deu-me uma palmada na cara, à procura de mais. O macaco é o lobo do homem. [Ler também <a href="http://economist.com/world/asia/displaystory.cfm?story_id=8708756">aqui</a>.]<br />
</span></p>
<p><span lang="PT"></span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Notícias da Índia</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Feb 2007 04:28:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Na Índia, por estes dias, discute-se a possibilidade de que o adultério deixe de ser criminalmente punido. «Trata-se de uma questão mentirosa», como já explicou M. R. D’souza. «Despenalização eu seria a favor, mas do que se trata é da &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/02/22/noticias-da-india/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><span style="font-family: "Arial Narrow"" lang="PT"><a href="http://timesofindia.indiatimes.com/Soon_adultery_wont_be_a_crime_but_a_social_offence/articleshow/1606544.cms">Na Índia, por estes dias, discute-se a possibilidade de que o adultério deixe de ser criminalmente punido.</a><o:p></o:p></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: "Arial Narrow"" lang="PT">«Trata-se de uma questão mentirosa», como já explicou M. R. D’souza. «Despenalização eu seria a favor, mas do que se trata é da liberalização do adultério. A partir de agora, a mulher ou o homem vão poder cometer adultério <em>porque sim</em>, sem terem de se justificar perante ninguém.» O economista J. C. Neves acrescentou que «ter um amante passará a ser um símbolo de <em>status</em>, tão normal como comprar um telemóvel novo». Grupos que se opõem à despenalização apresentaram estudos científicos que demonstram que o adultério é causa de graves perturbações psicológicas para os cônjuges, e que o parceiro ofendido sente dor. «Encornar por opção, sabendo que bate um coração?», pergunta um destes movimentos. O antigo ministro da Segurança Social Baghandas Felix acredita que a liberalização resultaria num aumento do número de divórcios, com o seu cortejo de efeitos negativos tanto ao nível psicológico como social, e para as crianças tanto quanto para os pais. Lembra ainda que a Índia é o país do mundo com maior número de pessoas consideradas «pobres» ou «extremamente pobres» segundo os critérios do Banco Mundial, e que o divórcio dos pais é, em todo o mundo, um dos principais factores propiciadores da pobreza das famílias. Estes factos, bem como o risco da propagação descontrolada da SIDA, estão a inquietar largos sectores da população indiana, que receiam as consequências negativas de uma liberalização do adultério. A Índia é, actualmente, o país com a mais alta taxa de crescimento de infectados por HIV em todo o mundo.<o:p></o:p></span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Como a pradaria</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Feb 2007 04:22:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Anna Nicole Smith e J. Howard Marshall, no dia em que se casaram O texto do Economist sobre Anna Nicole Smith é o melhor obituário que tenho lido em muito tempo. (&#8230;) what you saw first, on meeting Ms Smith, &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/02/22/anna-nicole-smith/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/02/annanicole.jpg" alt="annanicole.jpg" /><br />
<em>Anna Nicole Smith e J. Howard Marshall, no dia em que se casaram</em></p>
<p>O texto do <em>Economist</em> sobre Anna Nicole Smith é o melhor obituário que tenho lido em muito tempo.</p>
<p>(&#8230;) what you saw first, on meeting Ms Smith, were the Breasts. There were only two of them, but they made a whole frontage: huge, compelling, pneumatic. (&#8230;) These were celebrated, American breasts, engineered by silicon to be as broad and bountiful as the prairie. (<a href="http://economist.com/obituary/displaystory.cfm?story_id=8697358">continua</a>.)</p>]]></content:encoded>
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		<title>O descobrimento do Brasil</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Feb 2007 00:03:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[video]]></category>

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		<description><![CDATA[A primeira coisa em que reparei, ao chegar a Bombaim, foi que fazia lembrar o Rio de Janeiro. Mas nao liguei muito: a mim tudo faz lembrar o Rio de Janeiro &#8211; a baia de Xangai, aos meus olhos, eh &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/02/08/sem-titulo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="425" height="350"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/eM_Z31lLiPM"></param><param name="wmode" value="transparent"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/eM_Z31lLiPM" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="350"></embed></object></p>
<p>A primeira coisa em que reparei, ao chegar a Bombaim, foi que fazia lembrar o Rio de Janeiro. Mas nao liguei muito: a mim tudo faz lembrar o Rio de Janeiro &#8211; a baia de Xangai, aos meus olhos, eh Copacabana &#8211; e de qq forma eu estava cansado e nao tinha dormido. Depois notei, quando estava no hotel, que o barulho que vinha da rua era parecido, a temperatura do ar, o cheiro, a humidade, o som dos passaros &#8211; porque eu estava nos tropicos. Os passeios de Bombaim fazem lembrar os do Rio de Janeiro: um Rio de Janeiro um pouco mais sujo, mais poeirento, mais desordenado e mais pobre, mas o pavimento e o asfalto sao parecidos, e no Rio tambem se veem familias com criancas vivendo na rua e pedindo. Ja Marine Drive eh a Avenida Atlantica sem os morros em fundo: basta passear pelo calcadao olhando os predios modernos dos anos cinquenta na orla maritima; os restaurantes das ruas adjacentes tambem sao parecidos. Voltei a encontrar a Zona Sul em Kemp&#8217;s corner, onde entre duas ruas se ergue um morro com um predio altissimo: as escalas sao iguais as do Rio, assim como o contraste entre o natural e o construido (infelizmente, nao tenho fotografias). De modo que ja nao me espantou mesmo nada quando, por acaso, passeando por Deli, tropecei neste pedaco de video. Sinto-me como o Cabral, que ia para a India e achou o Brasil.</p>
<p>*<br />
Mas ninguem me tinha prevenido para Deli, das cidades mais extraordinarias onde alguma vez estive, talvez mais impressionante do que Roma, e com livrarias pequenas e surpreendentes como Londres ou os Estados Unidos.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Leitura</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Feb 2007 18:26:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pode parecer estranho que, estando eu em Bombaim, cheio de jet-lag e sem tempo para escrever no blog, me tenha posto a ir ler o Pacheco Pereira no Público de hoje. Calhou e fui. Valeu a pena: vale, sozinho, os &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/02/01/leitura/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pode parecer estranho que, estando eu em Bombaim, cheio de <em>jet-lag</em> e sem tempo para escrever no <em>blog</em>, me tenha posto a ir ler o Pacheco Pereira no <em>Público</em> de hoje. Calhou e fui. Valeu a pena: vale, sozinho, os vossos quinze minutos ou os vossos noventa cêntimos, e bastante mais do que isso. [Suponho que amanhã já esteja, em sinal aberto, no <a href="http://abrupto.blogspot.com">blog</a>.]</p>]]></content:encoded>
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		<title>A Barbárie &#8211; escrita humorística</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Feb 2007 18:23:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[O Público tem uma coluna ao domingo chamada «Um livro por semana». Mas muito pouca gente lê um livro por semana, e muito menos os jornalistas, que têm mais com que se entreter. De maneira que foi preciso começar a &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/02/01/a-barbarie-escrita-humoristica/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O <em>Público</em> tem uma coluna ao domingo chamada «Um livro por semana». Mas muito pouca gente lê um livro por semana, e muito menos os jornalistas, que têm mais com que se entreter. De maneira que foi preciso começar a traduzir. O problema nasceu com a tradução. A pessoa que fez o serviço este domingo, pelas minhas contas, não lê um livro por ano. Mas teve graça a passagem sobre «as potências da Barbárie Muçulmana».</p>
<p><span id="more-748"></span><a href="http://jornal.publico.clix.pt/noticias.asp?a=2007&amp;m=01&amp;d=28&amp;uid={0C2AB8A3-4072-48C8-8749-014FE90AAB30}&amp;id=118807&amp;sid=13168"><span lang="PT">Poder, fé e fantasia</span></a></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Robert Kagan<o:p></o:p></span></p>
<p><span lang="PT">Muitas vezes ouvimos dizer que os americanos sabem pouco sobre os outros países; o pior é que sabemos muito pouco sobre nós próprios, a nossa História e o nosso carácter nacional. Quando se trata da política externa, nascemos todos ontem. Por isso, quando um brilhante historiador como Michael B. Oren nos trás o passado de volta, é um feixe de luz num céu escuro.<br />
A opinião geral é que George W. Bush levou os Estados Unidos para um novo caminho quando proclamou uma política para transformar o Médio Oriente e que, quando deixar o cargo, a política voltará a uma tradição de realismo, enraizada na procura do interesse nacional. Isto é má História e má professia, como Owen demonstra nesta série de estórias de americanos durante os últimos quatro séculos.<br />
Como historiador, é mais um contador de estórias do que um grande teórico. Três temas emergem dos seus contos: desde os Fundadores, os americanos têm tentado transformar os povos árabes e muçulmanos para os adaptar aos princípios liberais e cristãos; desde os Puritanos muitos americanos têm estado obcecados com a ideia de &#8220;devolver&#8221; a Palestina aos judeus; e desde o tempo colonial muitos americanos têm considerado o islão uma religião bárbara e despótica.<br />
Oren demonstra que a hostilidade aos islão é quase tão velha quanto a nação. John Quincy Adams chamou-lhe religião &#8220;fanática e fraudulenta&#8221;, fundada no &#8220;ódio natural dos muçulmanos aos infiéis&#8221;.<br />
Esse preconceito foi reforçado por uma infeliz experiência. Nos primeiros anos da república, as potências da Barbárie Muçulmana caíram sobre a navegação americana e capturaram, torturaram e escravizaram centenas de inocentes.<br />
Quando John Adams e Thomas Jefferson imploraram ao paxá de Tripoli que parasse, conta Oren, o emissário do soberano insistiu em que o Corão dava direito aos muçulmanos de fazer guerra a todos os infiéis que encontrassem. E George Washington disse: &#8220;Graças a Deus temos uma armada para reformar esses inimigos da Humanidade ou para os reduzir à não existência&#8221;.<o:p></o:p></span></p>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>A súbita pertinência do cinema mexicano</title>
		<link>http://5dias.net/2007/02/01/a-subita-pertinencia-do-cinema-mexicano/</link>
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		<pubDate>Thu, 01 Feb 2007 11:01:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Outro dia, passei pela Misericórdia de Lisboa, onde havia dezenas de panfletos espalhados por todos os cantos, de propaganda do Não. Um deles anunciava a exibição do filme Os Filhos do Homem, de Alfonso Cuarón (realizador de Y tu Mamá &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/02/01/a-subita-pertinencia-do-cinema-mexicano/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="425" height="350"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/GRQsmUg8E_U"></param><param name="wmode" value="transparent"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/GRQsmUg8E_U" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="350"></embed></object></p>
<p>Outro dia, passei pela Misericórdia de Lisboa, onde havia dezenas de panfletos espalhados por todos os cantos, de propaganda do Não. Um deles anunciava a exibição do filme <em>Os Filhos do Homem</em>, de Alfonso Cuarón (realizador de <em>Y tu Mamá También</em>), seguido de debate conduzido pelo inevitável César das Neves. Será que há associações de estudantes universitários em campanha pelo Sim? Se não há, devia. E uma ideia talvez fosse emular estas sessões de cinema seguidas de debate. Tenho uma sugestão: <em>O Crime do Padre Amaro</em>, versão mexicana.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Em trânsito</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Feb 2007 06:42:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Estou em trânsito, nem cá nem lá. No percurso – sem acompanhar de perto a campanha do referendo –, dois artigos: interessante recensão de Chris Brown ao livro, acabado de publicar por Will Hutton, sobre a China. Há em Inglaterra &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/02/01/em-transito/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Estou em trânsito, nem cá nem lá. No percurso – sem acompanhar de perto a campanha do referendo –, dois artigos: <a href="http://books.guardian.co.uk/reviews/politicsphilosophyandsociety/0,,2000150,00.html">interessante recensão de Chris Brown</a> ao livro, acabado de publicar por Will Hutton, sobre a China. Há em Inglaterra um debate sobre a China; há também <a href="http://www.thegoodbookguide.com/gbg/display.asp?ISB=0297852299&amp;TAG=&amp;ORD=gbg&amp;CID=&amp;CUR=GBP&amp;PGE=">o livro de James Kynge, do Financial Times, traduzido em Portugal</a> (e que me pareceu interessante). Segundo artigo, <a href="http://economist.com/opinion/PrinterFriendly.cfm?story_id=8592941">um editorial do Economist sobre um conflito entre igualdade e liberdade</a> –  em que deve prevalecer a primeira. (Este, como é de acesso restrito, fica aqui depois da dobra.)</span></p>
<p class="MsoNormal"><span id="more-744"></span></p>
<p class="MsoNormal"><strong><span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana; color: #cc0033">Liberty v equality</span></strong><span><br />
</span><strong><span style="font-size: 13.5pt; font-family: Verdana">Render unto Caesar</span></strong><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: #999999"><o:p></o:p></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: #999999">Jan 25th 2007<br />
From The Economist print edition<o:p></o:p></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><br />
</span><strong><span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana">In the fight over Catholic adoption agencies in <st1:country-region w:st="on"><st1:place w:st="on">Britain</st1:place></st1:country-region>, liberty should give way to equality</span></strong><span><o:p></o:p></span></p>
<p><span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana">CHURCH and state have been battling in <st1:place w:st="on"><st1:country-region w:st="on">Britain</st1:country-region></st1:place> since before Henry II had his Archbishop of Canterbury bumped off. But the row over gay adoption that burst into flames this week goes wider. Not only does it challenge the role of religion in a largely secular world; it also calls into question the degree to which respect for different customs and faiths in multicultural <st1:place w:st="on"><st1:country-region w:st="on">Britain</st1:country-region></st1:place> should dilute the law of the land. </span><o:p></o:p></p>
<p><span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana">At issue is a new law forbidding businesses and organisations from discriminating against gays in the public provision of goods, facilities and services. The law is one step in a long journey that began with the Sex Discrimination Act of 1975 and the Race Relations Act a year later. Like its predecessors, it steps into the mine-ridden terrain where liberty—in this case, the freedom of citizens to live according to their religious beliefs—runs up against equality—the requirement that citizens treat members of groups they disapprove of as if they did not. </span><o:p></o:p></p>
<p><span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana"><cf_floatingcontent></cf_floatingcontent>On January 22nd Cardinal Cormac Murphy-O&#8217;Connor, the head of the Roman Catholic church in <st1:country-region w:st="on">England</st1:country-region> and <st1:country-region w:st="on"><st1:place w:st="on">Wales</st1:place></st1:country-region>, told Tony Blair that placing children with single-sex couples was against the teachings of the church. Unless Catholic adoption agencies were exempted from the rules they would be closed, he said. The following day the Anglican top brass—Rowan Williams, the Archbishop of Canterbury, and John Sentamu, the Archbishop of York—urged the prime minister not to ignore the rights of religious people in seeking to protect those of gays. This seemed odd, given that Anglican adoption agencies do cater to gay couples; but Anglicans, too, are worried that the state is increasingly muscling in on areas that should be left to private conscience and religious teaching. </span><o:p></o:p></p>
<p><span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana">The harried Mr Blair, under fire from civil libertarians, secularists and half his party, is now looking for a way to keep everyone happy—perhaps by granting Catholic agencies exemption from the law as long as they continue to refer unwanted applicants to other agencies with different views. But the case for Christian—or Muslim, should they seek to join the fray—exceptionalism would have to be compelling.</span><o:p></o:p></p>
<p><span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana">Those who support it argue that, in addition to the dictates of conscience, children&#8217;s rights must take precedence. This is of course correct. But while there is plenty of evidence that children from two-parent homes tend to do better than those with one or no parent, there is virtually none to suggest that the sexual orientation of those parents affects the outcome. And in many cases the alternative to adoption by a gay couple (or a single parent) is languishing in care. </span><o:p></o:p></p>
<p><span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana">A second argument is that the system cannot afford to lose Catholic adoption agencies. Although they accounted for only 4% of all children placed each year, they are good at finding homes for older children, and those with special needs and lots of siblings. But it is hard to stand up claims that they can reach families who would be unwilling to adopt elsewhere. </span><o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal"><span><o:p> </o:p></span></p>
<p class="MsoNormal"><a name="give_it_time"></a><strong><span style="font-family: Verdana">Give it time</span></strong><span></span><span><o:p></o:p></span></p>
<p><span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana">Part of the unease over the gay-discrimination rules is that they are new. It would not occur to many to defend the exclusion of black adoptive parents, for example. Churches, like societies, do change. Just as most Christians have reconciled themselves to lending money at interest and most Jews do not examine the labels in their clothes to see if they contain mixed wool and flax, so homosexual parents may come to seem another variety in the bewildering gamut of family structures. </span><o:p></o:p></p>
<p><span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana">But should the state force that process? There are two issues here. The first is financial. Catholic adoption agencies receive public money for their efforts—both directly, in the form of grants, and indirectly through the tax break that any charity receives. If they are exempted from the law, they should also be relieved of subsidies from the taxpayers whose representatives approved it. The matter could be left there, and the adoption agencies exempted from the law. There are plenty of examples of exceptions to the rules. <em>The Economist</em>&#8216;s <st1:city w:st="on"><st1:place w:st="on">London</st1:place></st1:city> offices are surrounded by gentlemen&#8217;s clubs, for example, to which ladies are admitted only as guests. But private clubs do not offer public services. Adoption agencies do; which strengthens the argument for making them abide by the rules. </span><o:p></o:p></p>
<p><span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana">The tension between freedom and equality cannot always be resolved satisfactorily; but there are not compelling reasons to exempt adoption agencies. The law should be enforced.</span><o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT"><o:p> </o:p></span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Portuguesas, Portugueses: um tandem</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Feb 2007 06:34:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Outro dia, Vasco Pulido Valente anunciava como definitiva a notícia de que Salazar teria ganho o concurso dos Grandes Portugueses, e que Álvaro Cunhal teria sido segundo. (Ao que parece, o concurso ainda nem terminou.) De todas as formas, este &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/02/01/portuguesas-portugueses-um-tandem/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Outro dia, Vasco Pulido Valente anunciava como definitiva a notícia de que Salazar teria ganho o concurso dos Grandes Portugueses, e que Álvaro Cunhal teria sido segundo. (Ao que parece, o concurso ainda nem terminou.) De todas as formas, este eventual resultado suscita questões. Primeira: os portugueses gostam assim tanto de políticos? O mais provável é que tenha havido uma mobilização militante, excepcional, de salazaristas, que aproveitaram a oportunidade para o que imaginaram ser uma grande vitória simbólica. Segunda, o voto em Cunhal é da mesma natureza, ou uma resposta à votação em Salazar? Aqui no 5 dias também já demos o nosso contributo para esta pitoresca eleição, com o Nuno Ramos de Almeida a fazer a sua declaração de voto. Se perguntassem ao Nuno, em abstracto, pelo maior português de sempre, ele responderia Cunhal? Por último: os salazaristas mobilizaram-se para uma vitória simbólica e os comunistas mobilizaram-se para uma resposta simbólica; se os primeiros ganham, o que é que isto simboliza? E que imagem transmitiram, do ponto de vista simbólico, os comunistas mobilizados que conseguiram colocar o seu líder histórico no topo, ao lado de Salazar?</span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Ivan Nunes</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Jan 2007 22:44:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Chamo a vossa atenção para o novo blog de Ivan Nunes.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Chamo a vossa atenção para o novo <a href="http://www.minimalista.com.br/ivan/">blog de Ivan Nunes</a>.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Mais um post para os Sim da direita</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Jan 2007 20:20:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[[ou: Desta vez, sem reserva mental - publicado originalmente no Sim no Referendo] É muito espertalhão o video do Marcelo, sobretudo aquele em que ele diz que a lei actual já não é aplicada. É esperto porque estimula a desconfiança &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/01/25/mais-um-post-para-os-sim-da-direita/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal">[ou: <em>Desta vez, sem reserva mental</em> - publicado originalmente no <a href="http://sim-referendo.blogspot.com/">Sim no Referendo</a>]</p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">É muito espertalhão o video do Marcelo, sobretudo <a href="http://www.youtube.com/watch?v=kaV68e3U6RA&#038;eurl=">aquele em que ele diz que a lei actual já não é aplicada</a>. É esperto porque estimula a desconfiança intrínseca das pessoas nas instituições, no Estado, nos governantes, nos políticos: «nós sabemos para que servem as leis, nunca as aplicam, os governos mudam mas são todos iguais – não é?» Mas o principal trunfo nem é esse: o maior trunfo é a confusão. Ao fim de um video – quanto mais três – já ninguém sabe de que está o Professor a falar – despenalização, liberalização, eu sei lá o que mais.<br />
Como está mais que estudado em toda a parte do mundo, a melhor maneira de desmobilizar o eleitorado em referendos é obscurecer a pergunta. </span><span lang="PT">Longe da simplicidade do Sim e do Não, depois de uma boa campanha eleitoral e bastante barulho, qualquer pergunta fica tudo menos clara. </span><span lang="PT">Todos os argumentos – mesmo os argumentos contra Marcelo – jogam a favor dele, se a pergunta parecer técnica, difícil, pouco clara, duvidosa nos seus termos.<br />
Acho que a maioria das pessoas realmente pensa que as mulheres não devem ser julgadas por aborto, e que devem poder fazer os abortos que tiverem que ser feitos em condições de segurança nos hospitais. Mas basta que tudo pareça cheio de esquemas, </span><span lang="PT">uma discussão de políticos e de juristas, cheios</span><span lang="PT"> de truques e de maroscas e de agendas escondidas de partidos, e o cidadão corre rapidamente para os braços do cinismo e da desistência.<br />
Já se viu muitas vezes, em toda a parte do mundo. A esperteza do Marcelo foi convidar à confusão. São precisas pessoas com semelhante visibilidade &#8211; e, já agora, da mesma área política &#8211; para mostrar que a escolha é clara.</span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Pacheco (3)</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Jan 2007 19:05:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Por email, o Rui Tavares ajuda a interpretar as dificuldades do Pacheco Pereira com a campanha pelo Sim: «Pelo que percebi do artigo dele hoje, só se juntaria à campanha precisamente se fosse mulher. Aquilo de que precisaríamos era que &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/01/25/pacheco-3/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por <em>email</em>, o Rui Tavares ajuda a interpretar <a href="http://abrupto.blogspot.com/2007_01_01_abrupto_archive.html#116976534691710778">as dificuldades do Pacheco Pereira</a> com a campanha pelo Sim:</p>
<p>«Pelo que percebi do artigo dele hoje, só se juntaria à campanha precisamente se fosse mulher. Aquilo de que precisaríamos era que Pacheco Pereira mudasse de sexo, entrasse na campanha, engravidasse, abortasse e fosse julgado na Maia.»</p>]]></content:encoded>
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		<title>És de Olhão e jogas no Boavista</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/25/es-de-olhao-e-jogas-no-boavista/</link>
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		<pubDate>Thu, 25 Jan 2007 17:46:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Confesso que adorei os três videos do professor Marcelo. Mas o meu preferido é sem dúvida este, explorando a espertezinha saloia do portuga: Ah, mas a nova lei também não vai ser aplicada, pá! Quê? Tu ainda confias nestes gajos? &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/01/25/es-de-olhao-e-jogas-no-boavista/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=kaV68e3U6RA&#038;eurl="><img id="image705" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/01/marcelo2.jpg" alt="marcelo no video do youtube" /></a><br />
Confesso que adorei os três videos do professor Marcelo. Mas o meu preferido é sem dúvida <a href="http://www.youtube.com/watch?v=kaV68e3U6RA&#038;eurl=">este</a>, explorando a espertezinha saloia do portuga:</p>
<p><em>A</em><em>h, mas a nova lei também não vai ser aplicada, pá! Quê? Tu ainda confias nestes gajos? Isto é uma vigarice, pá, foi o gajo que disse! É tudo igual! Eu nem lá vou, para quê?, fica sempre tudo na mesma!</em></p>]]></content:encoded>
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		<title>Pacheco (2)</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Jan 2007 12:44:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu disse que o texto do Pacheco Pereira era um monumento de arrogância contra a arrogância: permitam-me que explique. Ele coloca-se do ponto de vista da experiência das mulheres, e a meu ver muito bem: não nego que o aborto &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/01/25/pacheco-2/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span lang="PT">Eu disse que <a href="http://abrupto.blogspot.com/2007_01_01_abrupto_archive.html#116976534691710778">o texto do Pacheco Pereira</a> era um monumento de arrogância contra a arrogância: permitam-me que explique. Ele coloca-se do ponto de vista da experiência das mulheres, e a meu ver muito bem: não nego que o aborto seja uma experiência primordialmente feminina. Mas já me custa mais imaginar que o dilema do aborto seja uma experiência <em>exclusivamente</em> feminina, e que Pacheco Pereira </span><span lang="PT">seja</span><span lang="PT">, apesar de homem, o único habilitado a compreender essa experiência. Há uma coisa que me impressiona muito: é o facto de Pacheco Pereira falar como se – por respeito mesmo à experiência concreta da vida das mulheres – não se pudesse fazer campanha em nome dessa vida. Como se essa experiência não pudesse ser invocada. Como se tivéssemos de abandonar o campo, e deixá-lo livre aos exageros e aos radicalismos.</span></p>
<p><span lang="PT">Já vi argumentos de todo o tipo a explicar que não posso discutir o assunto: ou porque não sou mulher, ou porque sou muito classe média e, enfim, isto só pode ser discutido por mulheres pobres, que são justamente as que nunca discutem: ninguém pode falar em nome delas. Então por isso deixamos o terreno aberto aos defensores do Não, aos <em>clowns</em>, aos Marcelo Rebelo de Sousa, aos teatreiros do video. Ora nós, os homens, também havemos de poder dizer alguma coisa: também havemos de ter a nossa experiência subjectiva. Muitos de nós contactaram directamente com a experiência do aborto clandestino, muitos de nós recolheram o dinheiro em notas, entregaram-no contado, assinaram um papel mentiroso falando em aborto «espontâneo» e em «raspagem», viram sumir a mulher ou namorada ou simplesmente a amiga por uma porta para fazer um aborto, em condições apenas imaginadas mas sempre desconhecidas, e ela aparecer uma, duas, três horas depois, bem, mal, assim-assim mas provavelmente não muito feliz. (Peço desculpa por a descrição ser tão <em>middle-class</em>: é que eu vivo no Bairro Alto e o âmbito das vidas com que contacto é limitado: para quem é pobre é tudo muito pior.) E há muitos de nós que não tiveram esta experiência directa mas que já várias vezes contaram os dias no atraso da menstruação, e pensaram duas vezes, e imaginaram e tiveram que lidar com o que aconteceria. Deixem-me falar de nós os homens, que não pretendo falar pelas mulheres: não somos todos propriamente indiferentes e alguns de nós já pensaram nos resultados possíveis, no sofrimento do corpo da mulher que está ao nosso lado, porque é nossa mulher ou namorada ou amiga ou irmã ou tia ou simplesmente empregada em casa ou no café da esquina.</span></p>
<p><span lang="PT">O Bloco de Esquerda tem as costas largas, e teria de ser inventado se ainda não existisse. Mas há uma coisa que me choca como muito «irreal» nesta campanha, e essa nada tem que ver com a participação do BE e o radicalismo. É que de cada vez que começamos a falar sobre o aborto, a discussão tende a tornar-se numa bizantinice revestida de hipocrisia. Já nem falo dos milhares e milhares e milhares de mulheres que abortaram e abortarão; é só esta parvoíce de imaginar que o <span class="st"><span id="st">sexo</span></span> é «<span class="st"><span id="st">seguro</span></span>», que toda a gente pratica <span class="st"><span id="st">sexo</span></span> «<span class="st"><span id="st">seguro</span></span>» e que toda a gente assume as consequências de <em>qualquer</em> relação sexual sob a forma de um filho. Nem aqui, nem na China, nem no <a href="http://bloguedonao.blogspot.com/">blogue do não</a>.</span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Pacheco Pereira, o PSD e o aborto</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/25/pacheco-pereira-o-psd-e-o-aborto/</link>
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		<pubDate>Thu, 25 Jan 2007 10:32:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Acho o texto de Pacheco Pereira no Público de hoje extraordinariamente interessante: um monumento de arrogância contra a arrogância. É claro que no essencial Pacheco Pereira tem razão, sobretudo quando diz as mulheres tralalá-lalá, isto não é nada teórico mas &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/01/25/pacheco-pereira-o-psd-e-o-aborto/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acho o <a href="http://abrupto.blogspot.com/2007_01_01_abrupto_archive.html#116976534691710778">texto de Pacheco Pereira no Público de hoje</a> extraordinariamente interessante: um monumento de arrogância contra a arrogância. É claro que no essencial Pacheco Pereira tem razão, sobretudo quando diz</p>
<p><a href="http://sim-referendo.blogspot.com/2007/01/com-os-erros-e-as-virtudes.html">as mulheres tralalá-lalá, isto não é nada teórico</a></p>
<p>mas quem lhe diz a ele que só ele percebeu isto? E donde vem o estranho facto de que, do lado do Não, vemos dirigentes do PSD entre os mais empenhados, pessoas que ocuparam altos cargos no partido, ao passo que do lado do Sim as figuras públicas que alinham são muito mais tímidas, muito mais cheias de reservas? Onde está o video de Pacheco Pereira para responder a Marcelo? Onde estão os líderes e ex-líderes do PSD, como Marques Mendes e Marcelo Rebelo de Sousa, a assumir aberta, descomplexadamente, posição pelo Sim? Como quer Pacheco que acreditemos nele quando diz que o PSD não é, nunca foi, um partido da direita, se na questão da <em>despenalização do aborto até às dez semanas</em> não há figuras de proa do partido que se empenhem abertamente pelo Sim? Na despenalização do aborto até há dez semanas, meu deus &#8211; quando a perseguição criminal é um método de combate ao aborto que já foi afastado em praticamente toda a Europa moderna e mesmo nos Estados Unidos?</p>]]></content:encoded>
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		<title>Tão travada</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Jan 2007 00:03:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[A sexualidade é tão travada no Brasil!, lamenta Ana Carolina.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><em><span lang="PT" style="font-style: normal"><a href="http://www.jornaldamidia.com.br/noticias/2006/12/25/Ti-Ti-Ti/Ana_Carolina_promete_estourar_com.shtml">A sexualidade é tão travada no Brasil!</a></span></em><em><span lang="PT" /></em><span lang="PT">, lamenta Ana Carolina.</span><em><span lang="PT" /></em></p>]]></content:encoded>
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		<title>Comeu</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Jan 2007 00:02:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/2007/01/25/comeu/</guid>
		<description><![CDATA[A cantora brasileira Ana Carolina diz que «comeu a Madona». Comeu? Eu poderia dar uma comidinha, sim. Mas não é meu sonho de consumo. É dessas mulheres pra comer com dez talheres De quatro, lado, frente, verso, embaixo, em pé &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/01/25/comeu/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal">A cantora brasileira Ana Carolina diz que «<a href="http://youtube.com/watch?v=bN4YjyJS6Vw">comeu a Madona</a>».<br />
Comeu?<br />
<em><span lang="PT" style="font-style: normal"><a href="http://www.jornaldamidia.com.br/noticias/2006/12/25/Ti-Ti-Ti/Ana_Carolina_promete_estourar_com.shtml">Eu poderia dar uma comidinha, sim. Mas não é meu sonho de consumo.</a></span></em><em><span lang="PT" /></em></p>
<p><em> É dessas mulheres pra comer com dez talheres<br />
De quatro, lado, frente, verso, embaixo, em pé<br />
Roer, revirar, retorcer, lambuzar e deixar o seu corpo<br />
Tremendo, gemendo, gemendo, gemendo<br />
</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>(&#8230;) E me pediu que lhe batesse, lhe arrombasse, lhe chamasse<br />
De cafona, marafona, bandidona<br />
Fui eu quem bebi, comi a Madonna<br />
(&#8230;) Fui eu quem bebi, comi a Madonna<br />
Fui eu quem bebi, comi a Madonna</em></p>]]></content:encoded>
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		<title>Um disco em livro</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/18/um-disco-em-livro/</link>
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		<pubDate>Thu, 18 Jan 2007 19:32:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[[No Le Monde Diplomatique - edição portuguesa deste mês, publiquei esta pequena nota sobre o recente livro de entrevistas de Carlos Vaz Marques a músicos brasileiros.] Carlos Vaz Marques recolhe em livro um conjunto de entrevistas que fez com músicos &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/01/18/um-disco-em-livro/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>[No <em>Le Monde Diplomatique</em> - edição portuguesa deste mês, publiquei esta pequena nota sobre o recente livro de entrevistas de Carlos Vaz Marques a músicos brasileiros.]</p>
<p class="MsoNormal" style="line-height: 150%"><span lang="PT" style="font-family: Arial" /></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height: 150%"><span lang="PT">Carlos Vaz Marques recolhe em livro um conjunto de entrevistas que fez com músicos brasileiros para o programa de rádio «Pessoal e&#8230; Transmissível». Não é perfeitamente claro que haja nestas entrevistas uma identidade de estilo: algumas são biográficas, outras quase «doutrinárias»; algumas apresentações de músicos, outras conversas com interlocutores desde há muito conhecidos. Apesar do título (<em>MPB.pt</em>), é até duvidoso que a designação «música popular brasileira» ainda represente alguma coisa unificada, que inclua desde Hermeto Pascoal a Maria Rita, unidos pelo mero acaso de terem estado em Lisboa. As introduções feitas por Carlos Vaz Marques também seguem modelos díspares. Há entrevistas luminosas: Chico Buarque tem uma grande inteligência nas formulações, uma riqueza verdadeiramente literária na escolha das palavras. Há curiosas conversas de pendor biográfico com Edu Lobo ou Lenine; a inteligência, embora um pouco lacónica, de Marisa Monte; ou a criatividade torrencial de Tom Zé. Também há entrevistas quase sem assunto (que há para conversar com Maria Rita, se não é de muito bom tom falar apenas da mãe?), ou desagradáveis por demasiado narcísicas (Ney Matogrosso ou Caetano Veloso, todo o tempo dizendo «eu sou assim e assado», «eu acho-me isto e aquilo»).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height: 150%"><span lang="PT">A riqueza do livro está escondida no cd de cerca de uma hora que o acompanha, colado na última página, com fragmentos gravados das entrevistas. Aí, o que parecia um excesso «doutrinário» de Hermeto Pascoal (um discurso filosófico que às vezes faz lembrar o de Agostinho da Silva) resulta irónico, humorado, divertido. Uma entrevista com Chico César que quase não existe no papel transfigura-se no som, à medida que ele ilustra musicalmente o seu discurso e a sua história de vida. Vanessa da Mata ganha outro encanto quando se ouve o seu riso; e também Maria Rita resulta mais interessante. E é no disco que a perícia de montador de Carlos Vaz Marques vem ao de cima, fazendo coisas em áudio que o texto não permite, pondo os músicos a «dialogar» uns com os outros, criando sequências temáticas, explorando ironias.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height: 150%"><span lang="PT">Ao ouvir o disco, a própria unidade temática resulta plausível, porque se ganha uma noção da diversidade das raízes – em grande medida populares – musicais do Brasil. Isso é patente em Hermeto, Tom Zé, Chico César e, de uma outra maneira, em Edu Lobo, Chico Buarque, Egberto Gismonti. Na verdade, este livro é um disco, e não tem por que ser um livro. Talvez convenções de ordem comercial o justifiquem. Mas é no formato áudio que ganha riqueza de documento e testemunho.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height: 150%"><em><span lang="PT" style="font-family: Arial">Carlos Vaz Marques, 2006, </span></em><em><span lang="PT" style="font-family: Arial"><u>MPB.pt</u></span><span lang="PT" style="font-family: Arial"><u> </u>+ cd, edições Tinta da China, Lisboa, 342pp.</span></em></p>]]></content:encoded>
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		<title>Nesta estamos bem de acordo</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/18/nesta-estamos-bem-de-acordo/</link>
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		<pubDate>Thu, 18 Jan 2007 00:08:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Também graças a um link do António Figueira, fui remetido para um texto do Eduardo Nogueira Pinto. Transcrevo com cortes (estava um bocado grande), depois da dobra. Rui Ramos e o óbvio não ululante Eduardo Nogueira Pinto Mais um artigo &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/01/18/nesta-estamos-bem-de-acordo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span lang="PT">Também graças a um link do António Figueira, fui remetido para </span><a href="http://31daarmada.blogs.sapo.pt/167348.html"><span lang="PT">um texto do Eduardo Nogueira Pinto</span></a><span lang="PT">. Transcrevo com cortes (estava um bocado grande), depois da dobra.</span></p>
<p><span id="more-659"></span></p>
<p class="MsoNormal"><strong><span lang="PT"><!--[if gte vml 1]><v:shapetype id="_x0000_t75"  coordsize="21600,21600" o:spt="75" o:preferrelative="t" path="m@4@5l@4@11@9@11@9@5xe"  filled="f" stroked="f">  <v:stroke joinstyle="miter"/>  <v:formulas>   <v:f eqn="if lineDrawn pixelLineWidth 0"/>   <v:f eqn="sum @0 1 0"/>   <v:f eqn="sum 0 0 @1"/>   <v:f eqn="prod @2 1 2"/>   <v:f eqn="prod @3 21600 pixelWidth"/>   <v:f eqn="prod @3 21600 pixelHeight"/>   <v:f eqn="sum @0 0 1"/>   <v:f eqn="prod @6 1 2"/>   <v:f eqn="prod @7 21600 pixelWidth"/>   <v:f eqn="sum @8 21600 0"/>   <v:f eqn="prod @7 21600 pixelHeight"/>   <v:f eqn="sum @10 21600 0"/>  </v:formulas>  <v:path o:extrusionok="f" gradientshapeok="t" o:connecttype="rect"/>  <o:lock v:ext="edit" aspectratio="t"/> </v:shapetype><v:shape id="_x0000_i1025" type="#_x0000_t75" alt="More..."  style='width:49.5pt;height:7.5pt'>  <v:imagedata xsrc="file:///C:\DOCUME~1\ADMINI~1\LOCALS~1\Temp\msohtml1\01\clip_image001.gif" mce_src="file:///C:\DOCUME~1\ADMINI~1\LOCALS~1\Temp\msohtml1\01\clip_image001.gif"     o:href="http://5dias.net/wp-includes/js/tinymce/themes/advanced/images/spacer.gif" mce_href="http://5dias.net/wp-includes/js/tinymce/themes/advanced/images/spacer.gif"  /> </v:shape><![endif]--><!--[if !vml]--><!--[endif]-->Rui Ramos e o óbvio não ululante</span></strong><span lang="PT" /></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span lang="PT">Eduardo Nogueira Pinto</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span lang="PT">Mais <a href="http://revista-atlantico.blogspot.com/2007/01/rui-ramos-no-pblico.html">um artigo sobre o Iraque</a>. Depois de lê-lo e relê-lo, fico com a seguinte ideia: <a href="http://revista-atlantico.blogspot.com/2007/01/rui-ramos-no-pblico.html">Rui Ramos</a> não só acha que não era &#8220;óbvio&#8221;, em 2003, que a invasão do Iraque fosse um erro; como continua a achar que não é &#8220;óbvio&#8221;, em 2007, que a invasão tenha sido um erro.</span></p>
<p><span lang="PT">(&#8230;) Continua a poder dizer-se, em 2007, que a invasão do Iraque não foi um erro. O Irão, por exemplo, acha-a acertadíssima; os xiitas do Iraque também; e o mesmo se diga de alguns bloggers domésticos, notáveis na defesa de causas absurdas, e que assim podem continuar a sua absurda notabilidade. O que me espanta é ver Rui Ramos embarcar nesta cantiga. Não há nada mais maçador que assistir a pessoas que admiramos intelectualmente no penoso papel de negar o óbvio. Para mais, com argumentos como os que se seguem:</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><em><span lang="PT"><a href="http://revista-atlantico.blogspot.com/2007/01/rui-ramos-no-pblico.html">&#8220;Em 2003, Saddam não dispunha de “armas de destruição maciça”. Mas não podia consentir que isso fosse provado pelos inspectores da ONU, porque precisava de parecer que as tinha. Com o colapso inevitável do regime de contenção, tê-las-ia fatalmente adquirido&#8230;&#8221;<br />
</a><a href="http://revista-atlantico.blogspot.com/2007/01/rui-ramos-no-pblico.html">&#8220;&#8230; Sem a invasão de 2003, Saddam seria hoje, não o mártir dos sunitas iraquianos, mas um grande líder que desafiara impunemente os EUA, pronto talvez para novas aventuras de grandeza&#8230;&#8221;</a></span></em><span lang="PT" /></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span lang="PT"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span lang="PT">(&#8230;) O argumento-chave usado em 2003 para defender a invasão foi um argumento real, e não hipotético. Foi o da existência concreta, corpórea e actual de armas de destruição massiva no Iraque. E não o da mera hipótese abstracta de num qualquer futuro aí poderem vir a existir. (&#8230;) Em nome dos mínimos olímpicos de coerência, seria bom que todos aqueles que fundamentaram a invasão nas ADM reconhecessem agora a inexistência do fundamento invocado, em vez de atirar com as cartas ao ar para obrigar a baralhar de novo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span lang="PT">Depois – sempre no campo da especulação – conta-nos Rui Ramos que, não fosse a invasão de 2003, e Saddam seria hoje o grande líder que desafiara impunemente os EUA, quando – e agora já no campo da realidade – foi precisamente após a invasão, e por causa desta e do que se lhe seguiu, que a sensação de impunidade aumentou nos países hostis aos EUA. Pode não ser óbvio para 100% da humanidade, mas se há algo hoje sobejamente consensual na América (incluindo no Partido Republicano), é que a invasão do Iraque e a incapacidade (por muitos prevista) de gerir o que a seguir se passou diminuíram, e muito, o capital de influência político-militar dos EUA no Médio Oriente. Sem que, no meio disso tudo, se tivesse melhorado o que quer que fosse no Médio Oriente.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span lang="PT">(&#8230;) Para estes agitadores da lógica, não há lições a tirar da invasão do Iraque. Quando os fundamentos que usaram para sustentar a sua tese caem por terra, quando a (sua) história lhes sai contrária às previsões, refugiam-se no relativismo opinativo, invocam todo o tipo de cenários hipotéticos, discutem à margem de qualquer coerência formal e substancial, e acabam a recitar o paradoxo hegeliano, afirmando que a única coisa que se pode aprender com a História é que não há nada para aprender com a História ou, por palavras mais modestas, que uma das poucas coisas óbvias no mundo é que quase nada é “óbvio”. Contra isto, de facto, não há argumentos.</span></p>
<div style="text-align: justify" />]]></content:encoded>
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		<title>Mesmo depois e apesar de tudo</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/18/mesmo-depois-e-apesar-de-tudo/</link>
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		<pubDate>Thu, 18 Jan 2007 00:06:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[O artiguinho do Financial Times que o António Figueira destacava aqui anteontem recompensa quem queira dar-lhe atenção. Merecia um destaque, uma chamada, uma frase apelativa: The problem with the neo-cons is not that so many of them are Jews. The &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/01/18/mesmo-depois-e-apesar-de-tudo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><span lang="PT"><a href="http://www.ft.com/cms/s/f73aaa3c-a505-11db-b0ef-0000779e2340.html">O artiguinho do Financial Times que o António Figueira destacava aqui anteontem</a> recompensa quem queira dar-lhe atenção. Merecia um destaque, uma chamada, uma frase apelativa:</span></p>
<p><a href="http://www.ft.com/cms/s/f73aaa3c-a505-11db-b0ef-0000779e2340.html"><em>The problem with the neo-cons is not that so many of them are Jews. The problem is that so many of them are journalists. In making this point, I hope that I do not come across as some sort of self-hating journalist. The best opinion journalism has a clarity and readability that far surpasses most academic papers or diplomatic telegrams. But&#8230;</em></a></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Porque o artigo ajuda a pensar nalgumas coisas. Por exemplo, no peso, na importância, que um texto bem escrito, uma sabedoria de emprenhar pela orelha, pode ter na definição de políticas. O artigo é sobre os neoconservadores, e nessa medida dá que pensar na vasta casta de neoconservadores portugueses – José Manuel Fernandes, Rui Ramos, Ester Mucznik, João Pereira Coutinho (e a velha Coluna Infame), Helena Matos, Maria de Fátima Bonifácio, João Carlos Espada, Luciano Amaral, Vasco Rato, João Marques de Almeida, Paulo Tunhas, enfim: a lista não é extensiva, e ainda há que incluir outros aparentados, como Pacheco Pereira, Filomena Mónica, José Cutileiro e, em certos dias, João Bénard da Costa (nada do que é reaccionário lhe é estranho). Mas o artigo não é apenas sobre isso, mas também sobre o poder, a influência, de <em>simplify, then exaggerate</em>, do jornalismo bem escrito, da forma como o consumimos e, ainda, do velho papel da hegemonia ideológica, que temos desde há tanto tempo andado a perder em Portugal, e de tal forma que os neoconservadores continuam dominantes na imprensa mesmo depois e apesar de tudo.</span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Bulging eyes, twisted mouth</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/18/bulging-eyes-twisted-mouth/</link>
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		<pubDate>Thu, 18 Jan 2007 00:04:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Para resolver o enigma deixado pelo António Figueira: Strange Fruit é uma espantosa canção (aliás, como todas) cantada por Billie Holiday, escrita e gravada no final da década de 1930. É uma canção de protesto, sobre os linchamentos de negros &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/01/18/bulging-eyes-twisted-mouth/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span lang="PT">Para resolver </span><a href="http://5dias.net/2007/01/16/strange-fruit/#comments"><span lang="PT">o enigma deixado pelo António Figueira</span></a><span lang="PT">: <em>Strange Fruit</em> é uma espantosa canção (aliás, como todas) cantada por Billie Holiday, escrita e gravada no final da década de 1930. É uma canção de protesto, sobre os linchamentos de negros no sul dos Estados Unidos &#8211; quando esses linchamentos ainda se praticavam -, donde resultaram </span><a href="http://www.liu.edu/cwis/CWP/library/african/2000/lynch_5.jpg"><span lang="PT">fotografias chocantes e belíssimas</span></a><span lang="PT">. Eis a letra: desculpem não traduzir, mas eu não ia longe a traduzir poesia. </span>Leiam com atenção &#8211; <em>for the crows to pluck</em>, <em>for the sun to rot</em>.</p>
<p>Southern trees bear strange fruit,<br />
Blood on the leaves and blood at the root,<br />
Black bodies swinging in the southern breeze,<br />
Strange fruit hanging from the poplar trees.</p>
<p>Pastoral scene of the gallant south,<br />
The bulging eyes and the twisted mouth,<br />
Scent of magnolias, sweet and fresh,<br />
Then the sudden smell of burning flesh.</p>
<p>Here is fruit for the crows to pluck,<br />
For the rain to gather, for the wind to suck,<br />
For the sun to rot, for the trees to drop,<br />
Here is a strange and bitter crop.</p>]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Dez filmes em 2006</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/18/dez-filmes-em-2006/</link>
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		<pubDate>Thu, 18 Jan 2007 00:01:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[O ano passado foi para mim um belíssimo ano em termos de cinema. Basta ir buscar as listas de 2004 e 2005 para comparar. Depois de A History of Violence, o melhor foi The Departed – Entre Inimigos, de Leonardo &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/01/18/dez-filmes-em-2006/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="425" height="350"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/maLMLgmqfP8"></param><param name="wmode" value="transparent"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/maLMLgmqfP8" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="350"></embed></object></p>
<p>O ano passado foi para mim um belíssimo ano em termos de cinema. Basta ir buscar as listas de <a href="http://a-praia.blogspot.com/2005_01_01_a-praia_archive.html#110486095810434936">2004</a> e <a href="http://a-praia.blogspot.com/2005_12_01_a-praia_archive.html">2005</a> para comparar. Depois de <a href="http://5dias.net/2006/12/28/um-passado-de-violencia/"><em>A History of Violence</em></a>, o melhor foi <em>The Departed – Entre Inimigos</em>, de Leonardo Di Caprio. Perdão, de Martin Scorsese. Já não havia um Scorsese tão bom desde, pelo menos, <em>Casino</em> (1995); e Jack Nicholson, como actor, também não é nada para deitar fora. (Aliás, gostei de Mark Wahlberg e até de Vera Farmiga.) Depois, <a href="http://www.meandyoumovie.com/">Me and You and Everyone We Know</a>, realizado e protagonizado por uma norte-americana de 32 anos chamada Miranda July. Vi-o em finais de Julho, de modos que para mim foi a grande surpresa do <em>primeiro</em> semestre. O primeiro filme a sério na <em>rentrée</em> foi <a href="http://5dias.net/2006/11/02/volver/"><em>Volver</em></a>, de Almodóvar e Penélope Cruz, esta num belíssimo papel evocativo de Anna Magnani e do cinema italiano dos anos 1950. Os meus actores do ano, aliás, são <a href="http://photos1.blogger.com/blogger/631/189/1600/pcruzPirelliAbr07.jpg">Penélope</a> e Di Caprio &#8211; que eu estava capaz de jurar, até ao ano passado, serem ambos péssimos.</p>
<p>Com estes quatro – <em>History of Violence</em>, <em>The Departed</em>, <em>Me and You and Everyone We Know</em>, <em>Volver</em> – fecha uma espécie de pódio.</p>
<p>O segundo pódio tem três filmes, com algumas afinidades de género. Primeiro <a href="http://5dias.net/2006/12/14/duas-carreiras-politicas/">A Rainha</a>, subtil reconstituição política da semana que se seguiu à morte da Princesa Diana. Depois, <a href="http://5dias.net/2006/09/28/o-paraiso-ja/">Paradise Now</a>, um filme palestiniano sobre dois bombistas suicidas que é surpreendente e não panfletário. Por fim, o português desta lista, o documentário de Sérgio Tréfaut sobre imigrantes em Lisboa. O título – <em>Lisboetas</em> – faz todo o sentido e o filme é talvez um dos melhores retratos da Lisboa contemporânea que eu teria para mostrar a amigos estrangeiros. Estou à espera do dvd. (O Rui Tavares escreveu sobre ele e eu transcrevi &#8211; <a href="http://a-praia.blogspot.com/2006_05_01_a-praia_archive.html#114770518790379744">aqui</a>.)</p>
<p><em>A Rainha</em>, <em>Paradise Now</em> e <em>Lisboetas</em> são três filmes políticos. Curiosamente, aquele que é menos directamente político é o documentário.</p>
<p>O último segmento de três são bons filmes, que cabem bem em qualquer lista de melhores do ano, mas não são óptimos como os quatro primeiros, nem surpreendentes como os três seguintes. <em>Match Point</em> foi tratado como um Woody Allen «sério», como o «regresso de Woody Allen» aos grandes filmes, já para não dizer que é um «regresso do velho Woody Allen», como todos os anos alguém anuncia. Mas eu não achei assim tão sério. Aliás, eu gostei na medida em que não é sério, mas pelo contrário é irónico, é divertido, joga com as expectativas e subverte-as. O filme só me conquistou totalmente a partir da cena em que Jonathan Rhys-Meyers deita o anel ao rio e ele bate na separação, ecoando a cena inicial da bola de ténis: a partir daí, não há brincadeira a que Woody Allen nos poupe. Mas não é um filme especialmente sério, só porque mete ópera e Dostoievski, nem é assim tão diferente de outros divertimentos de Woody Allen, só porque se passa em Londres. É um bom filme <em>em qualquer dia da semana</em>, como são <em>Manhattan Murder Mistery</em> (1993) ou <em>The Curse of the Jade Scorpion</em> (2001), mas também não é muito mais que isso.</p>
<p>Por fim, há o melodrama <em>gay</em> de Ang Lee – <em>Brokeback Mountain</em> –, a melhor coisa que vi no género desde <em>As Pontes de Madison County</em> (1995). E, a fechar (em todos os sentidos), <a href="http://www.aprairiehomecompanionmovie.com/">o último Robert Altman</a>.</p>
<p>Ainda deixei de fora uma mão-cheia de filmes que em qualquer ano normal poderiam entrar na lista. <em>Caché</em>, um filme surpreendente de Michael Haneke. <a href="http://a-praia.blogspot.com/2006_03_01_a-praia_archive.html#114117209838051571">Walk the Line</a>, ao qual devo a descoberta de Johnny Cash – aliás, provavelmente a descoberta mais importante que fiz em 2006. <em>A Lula e a Baleia</em>. O filme sobre o pós-guerra bósnio que passou praticamente despercebido, mas não era nada mau – <a href="http://www.coop99.at/grbavica_website/">Grbavica</a>. <em>The Corpse Bride</em>, a animação de Tim Burton, e <a href="http://www.dansparis-lefilm.com/">Dans Paris</a>.</p>
<p>Fica então assim:</p>
<ol type="1" start="1">
<li class="MsoNormal"><span lang="PT" style="font-family: Arial">A History of Violence, de David Cronenberg</span></li>
<li class="MsoNormal">The Departed, de Martin Scorsese</li>
<li class="MsoNormal">Me and You and Everyone We Know, de Miranda July</li>
<li class="MsoNormal">Volver, de Pedro  Almodóvar</li>
<li class="MsoNormal">A Rainha, de Stephen Frears</li>
<li class="MsoNormal">Paradise Now, de Hany Abu-Assad</li>
<li class="MsoNormal">Lisboetas, de Sérgio Tréfaut</li>
<li class="MsoNormal">Match Point, de Woody Allen</li>
<li class="MsoNormal">Brokeback Mountain, de Ang Lee</li>
<li class="MsoNormal">A Prairie Home Companion, de Robert Altman</li>
</ol>
<p>E ainda: <em>Dans Paris</em>, <em>Caché</em>, <em>Grbavica &#8211; Filha da Guerra</em>, <em>Walk the Line</em>, <em>A Lula e a Baleia</em>, <em>The Corpse Bride</em>.</p>
<p>Os piores: <a href="http://chocolatefactorymovie.warnerbros.com/"><em>Charlie e a Fábrica de Chocolate</em></a>, <a href="http://5dias.net/2006/10/12/hard-candy/">Hard Candy</a> e <a href="http://wip.warnerbros.com/goodnightgoodluck/index1.html">Good Night and Good Luck.</a></p>
<p>Para quem tiver curiosidade, depois da dobra, o universo completo dos filmes que vi.</p>
<p><span id="more-654"></span></p>
<p>08.01.2006: <a href="http://corpsebridemovie.warnerbros.com/">The Corpse Bride</span></a>, Tim Burton (2005)</p>
<p>23.01.2006: <a href="http://www.sonyclassics.com/cache/main.html">Caché</a>, Michael Haneke (2005)</p>
<p>25.01.2006: <a href="http://www.linternaute.com/cinema/film/529/le_promeneur_du_champ_de_mars.shtml">Um Passeio pela História</a> (Le Promeneur du Champ de Mars), Robert Guédiguian (2005)</p>
<p>26.01.2006: <a href="http://www.matchpoint.dreamworks.com/main.html">Match Point</a>, Woody Allen (2005)</p>
<p>28.01.2006: <a href="http://www.matchpoint.dreamworks.com/main.html">Match Point</a>, Woody Allen (2005)</p>
<p>30.01.2006: <a href="http://www.apple.com/trailers/universal/jarhead/">Máquina Zero</a> (Jarhead), Sam Mendes (2005)</p>
<p>07.02.2006: <em>O Homem Tranquilo</em>, John Ford (1952)</p>
<p>08.02.2006: <em>O Leopardo</em>, Luchino Visconti (1963)</p>
<p>11.02.2006: <em>A Desaparecida</em> (The Searchers), John Ford (1956)</p>
<p>15.02.2006: <a href="http://www.prideandprejudicemovie.net/splash.html">Orgulho e Preconceito</a>, Joe Wright (2005)</p>
<p>18.02.2006: <a href="http://brokebackmountainmovie.com/">O Segredo de Brokeback Mountain</a>, Ang Lee (2005)</p>
<p>20.02.2006: <em>Munique</em>, Steven Spielberg (2005)</p>
<p>22.02.2006: <em>Dead Zone</em> (Zona de Perigo), David Cronenberg (1983)</p>
<p>23.02.2006: <em>Dead Ringers</em> (Irmãos Inseparáveis), David Cronenberg (1988)</p>
<p>28.02.2006: <a href="http://www.walkthelinedvd.com/">Walk the Line</span></a> (2005), James Mangold</p>
<p>02.03.2006: <em>eXistenZ</em>, David Cronenberg (1999)</p>
<p>04.03.2006: <em>O Céu Gira</em>, Mercedes Álvarez (2004)</p>
<p>09.03.2006: <a href="http://syrianamovie.warnerbros.com/">Syriana</a>, Stephen Gaghan (2005)</p>
<p>10.03.2006: <em>Capote</em>, Bennett Miller (2005)</p>
<p>??.03.2006: <a href="http://wip.warnerbros.com/goodnightgoodluck/index2.html">Good Night and Good Luck</span></a>, George Clooney (2005)</p>
<p>02.04.2006: <em>O Tigre e a Neve</em>, Roberto Benigni (2005)</p>
<p>09.04.2006: <a href="http://www.historyofviolence.com/">A History of Violence</a>, David Cronenberg (2005)</p>
<p>12.04.2006: <em>Coisa Ruim</em>, Tiago Guedes e Frederico Serra (2006)</p>
<p>22.04.2006: <em>Lisboetas</em>, Sérgio Tréfaut (2004)</p>
<p>01.05.2006: <a href="http://www.historyofviolence.com/">A History of Violence</a>, David Cronenberg (2005)</p>
<p>14.05.2006: <em>Movimentos Perpétuos</em>, Edgar Pêra (2006)</p>
<p>19.05.2006: <em>O Novo Mundo</em>, Terrence Mallick (2005)</p>
<p>28.05.2006: <a href="http://www.thearistocrats.com/">Os Aristocratas</a>, Paul Provenza (2005)</p>
<p>31.05.2006: <em>Freud</em>, John Huston (1962)</p>
<p>26.06.2006: <em>O Tempo que Resta</em>, François Ozon (2005)</p>
<p>08.07.2006: <em>A Lula e a Baleia</em>, Noah Baumbach (2005)</p>
<p>13.07.2006: <em>The 39 Steps</em>, Alfred Hitchcock (1935)</p>
<p>15.07.2006: <em>A Janela Indiscreta</em>, Alfred Hitchcock (1954)</p>
<p>16.07.2006: <em>Charlie e a Fábrica de Chocolate</em>, Tim Burton (2005)</p>
<p>25.07.2006: <em>Hard Candy</em>, David Slade (2005)</p>
<p>27.07.2006: <em>Sabotage</em>, Alfred Hitchcock (1936)</p>
<p>29.07.2006: <em>Cars</em>, John Lasseter (2006)</p>
<p>04.08.2006: <a href="http://www.meandyoumovie.com/">Me and You and Everyone We Know</a>, Miranda July (2005)</p>
<p>05.08.2006: <em>Miami</em><em> Vice</em>, Michael Mann (2006)</p>
<p>10.09.2006: <em>United 93</em>, Paul Greengrass (2006)</p>
<p>12.09.2006: <em>Barry Lyndon</em>, Stanley Kubrick (1975)</p>
<p>13.09.2006: <em>A Caminho de Guantánamo</em>, Michael Winterbottom (2006)</p>
<p>19.09.2006: <a href="http://www.sonyclassics.com/volver/main.html">Volver</a>, Pedro Almodóvar (2006)</p>
<p>22.09.2006:<strong> Paradise Now</strong>, Hany Abu-Assad (2005)</p>
<p>23.09.2006: <em>A Força do Sexo Fraco</em> (<strong>För att inte tala om alla dessa kvinnor</strong>), Ingmar Bergman (1964)</p>
<p>01.10.2006: <a href="http://www.climatecrisis.net/">Uma Verdade Inconveniente</a>, Davis Guggenheim (2006) </p>
<p>16.10.2006: <em>Little Miss Sunshine</em>, Jonathan Dayton e Valerie Faris (2006)</p>
<p>20.10.2006: <em>Mas Que Culpa Temos Nós</em>, Carlo Verdone (2003)</p>
<p>28.10.2006: <a href="http://www.sonyclassics.com/volver/main.html">Volver</a>, Pedro Almodóvar (2006)</p>
<p>29.10.2006: <a href="http://www.sonyclassics.com/sketchesoffrankgehry/">Sketches of Frank Gehry</a>, Sydney Pollack (2005)</p>
<p>30.10.2006: <a href="http://www.clubcultura.com/clubcine/clubcineastas/bigas/yosoylajuani/home.html">Yo soy la Juani</a>, Bigas Luna (2006)  </p>
<p>03.11.2006: <a href="http://www.scoopmovie.net/"><span lang="ES">Scoop</a>, Woody Allen (2006) </p>
<p>04.11.2006: <a href="http://www.juliomedem.org/filmografia/pelota.html">La Pelota Vasca. La piel contra la piedra</a>, Julio Medem (2003) </p>
<p>04.11.2006: <a href="http://www.brasileirinhothefilm.com/">Brasileirinho</a>, Mika Kaurismäki (2005) </p>
<p>05.11.2006: <em>Some Came Running</em> (Deus Sabe Quanto Amei), Vincente Minelli (1958)</p>
<p>06.11.2006: <em>Vinícius</em>, <strong>Miguel Faria jr. (2005)</strong></p>
<p>10.11.2006: <em>Marie Antoinette</em>, Sofia Coppola (2006)</p>
<p>11.11.2006: <em>A Palavra</em> (Ordet), Carl Dreyer (1955)</p>
<p>17.11.2006: <a href="http://thedeparted.warnerbros.com/">The Departed</a> (Entre Inimigos), Martin Scorsese (2006) </p>
<p>20.11.2006: <em>Dans Paris</em>, Christophe Honoré (2006)</p>
<p>23.11.2006: <em>Thank You for Smoking</em>, Jason Reitman (2005)</p>
<p>25.11.2006: <em>Marie Antoinette</em>, Sofia Coppola (2006) </p>
<p>27.11.2006: <a href="http://www.coop99.at/grbavica_website/">Grbavica</a> (Filha da Guerra), Jasmila Zbanic (2006) </p>
<p>28.11.2006: <a href="http://www.aprairiehomecompanionmovie.com/">A Prairie Home Companion</a> (Os Bastidores da Rádio), Robert Altman (2006) </p>
<p>29.11.2006: <em>Paris Je T’aime</em>, Olivier Assayas, Gus Van Sant, Wes Craven, Gérard Depardieu, Ethan e Joel Coen, Isabel Coixet, Alfonso Cuarón, Walter Salles, Frédéric Auburtin, Emmanuel Benbihy, Gurinder Chadha, Sylvain Chomet, Christopher Doyle, Richard LaGravenese, Vincenzo Natali, Alexander Payne, Bruno Podalydès, Oliver Schmitz, Nobuhiro Suwa, Daniela Thomas, Tom Tykwer (2006)</p>
<p>01.12.2006: <em>O Protegido</em> (Unbreakable), M. Night Shyamalan (2000)</p>
<p>08.12.2006: <em>Johnny Guitar</em>, Nicholas Ray (1954)</p>
<p>09.12.2006: <em>Man Hunt</em> (Feras Humanas), Fritz Lang (1941)</p>
<p>11.12.2006: <a href="http://thedeparted.warnerbros.com/">The Departed</a> (Entre Inimigos), Martin Scorsese (2006) </p>
<p>12.12.2006: <em>A Rainha</em>, Stephen Frears (2006)</p>
<p>19.12.2006: <em>Borat</em>, Larry Charles (2006)</p>
<p>23.12.2006: <em>La Moustache</em> (Amor Suspeito), Emmanuel Carrère (2005)</p>
<p>28.12.2006: <em>The Lady Vanishes</em> (Desaparecida), Alfred Hitchcock (1938)</p>
<p>29.12.2006: <em>Angel Face </em>(Vidas Inquietas), Otto Preminger (1952)</p>]]></content:encoded>
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		<title>Early morning blog</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/11/early-morning-blog/</link>
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		<pubDate>Thu, 11 Jan 2007 00:08:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Detalhe de fresco de Pisanello, na Basílica de Santa Anastácia, em Verona [Tradução: Ivan Nunes/ Paulo Varela Gomes.] O enforcamento Isto passou-se na Birmânia, numa manhã pesada da estação das chuvas. Uma luz doentia, de estanho amarelo, incidia obliquamente por &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/01/11/early-morning-blog/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT"><img width="413" height="500" id="image635" alt="pisanello_010.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/01/pisanello_010.jpg" /></span><br />
<em>Detalhe de fresco de Pisanello, na Basílica de Santa Anastácia, em Verona</em></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal">[Tradução: Ivan Nunes/ Paulo Varela Gomes.]</p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><strong><span lang="PT">O enforcamento</span></strong></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><font color="#404040"><font face="Arial" /></font><span lang="PT"></span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT">Isto passou-se na Birmânia, numa manhã pesada da estação das chuvas. Uma luz doentia, de estanho amarelo, incidia obliquamente por sobre os muros altos do pátio da prisão. Esperávamos à porta das celas dos condenados, uma fila de barracos com grades duplas como se fossem pequenas jaulas de animais. Cada cela media cerca de três metros por três e não tinha praticamente nada, apenas uma tábua de dormir e um cântaro de água potável. Em algumas celas havia homens de pele escura agachados em silêncio junto às grades, com os lençóis enrolados à volta do corpo. Eram os condenados, prontos a serem enforcados na semana seguinte ou na outra.</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT">Um prisioneiro tinha sido retirado da sua cela. Era um hindu, fraca amostra de gente, cabeça rapada, olhos vagos e líquidos. Tinha um bigode espesso, farfalhudo, absurdamente grande para o tamanho do seu corpo, como os bigodes dos actores cómicos no cinema. Guardavam-no seis grandes carcereiros indianos, que o preparavam para a forca. Dois deles permaneciam ao lado, com espingardas de baionetas caladas, enquanto os outros o algemavam, passavam uma corrente pelas algemas, prendiam-na aos seus cintos, e amarravam-lhe bem os braços de ambos os lados. Andavam mesmo em cima dele, com as mãos sempre a agarrá-lo, num aperto meticuloso, acariciador, como se o estivessem a apalpar para terem a certeza de que estava lá. Era como se estivessem a segurar um peixe ainda vivo que pode saltar de novo para a água. Mas o homem permanecia perfeitamente submisso, entregando os seus braços flacidamente às cordas, como se mal notasse o que estava a acontecer. (&#8230;) </span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT" style="color: #404040">Dali até ao cadafalso eram cerca de 35 metros. Eu observava as costas morenas e nuas do prisioneiro caminhando à minha frente. Andava desajeitadamente com os braços atados, mas de forma bastante firme, com aquele andar bamboleante dos indianos que nunca endireitam os joelhos. A cada passo, os seus músculos deslizavam perfeitamente no lugar, a mecha de cabelo no seu crânio dançava para cima e para baixo, os pés deixavam marca na gravilha molhada. E uma vez, apesar dos dois homens que o agarravam pelos ombros, desviou-se ligeiramente no caminho para evitar uma poça.</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT" style="color: #404040">É curioso, mas até àquele momento eu não me tinha apercebido do que significa destruir um homem saudável e consciente. Quando vi o prisioneiro desviar-se para evitar a poça, percebi o mistério, a iniquidade inexprimível, que consiste em acabar com uma pessoa que está em plena vida. Este homem não estava a morrer, estava vivo exactamente como nós. Todos os orgãos do seu corpo funcionavam – os intestinos digeriam a comida, a pele renovava-se, as unhas cresciam, havia tecidos a formarem-se – tudo cumpria a sua função de uma maneira solenemente absurda. As unhas continuariam a crescer enquanto ele estivesse já no cadafalso, e ainda quando caísse no vazio com uma décima de segundo para viver. Os seus olhos viam a gravilha amarela e os muros cinzentos, o seu cérebro lembrava-se, previa, pensava – pensava até sobre poças. Nós e ele formávamos um grupo de homens caminhando em conjunto, vendo, ouvindo, sentindo, percebendo o mesmo mundo; daí a dois minutos, depois de um súbito estalido, um de entre nós ter-se-ia ido – menos uma cabeça, menos um universo.</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT" style="color: #404040">O cadafalso ficava num pequeno pátio, separado dos terrenos principais da prisão, coberto por uma vegetação alta e agressiva. Era uma construção de três paredes de tijolo cobertas por umas tábuas.  Por cima, duas vigas e uma trave com a corda a baloiçar. O carrasco, um condenado de barba grisalha vestido com o uniforme branco da prisão, esperava junto da </span><span lang="PT">sua máquina<span style="color: #404040">. Cumprimentou-nos com uma vénia servil quando entrámos. A uma palavra de Francis, os dois carcereiros, agarrando o prisioneiro de forma mais firme que nunca, encaminharam-no, ou empurraram-no*, para o cadafalso e ajudaram-no desajeitadamente a subir a escada. Nessa altura o carrasco também subiu e ajustou a corda ao pescoço do prisioneiro.</span></span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT" style="color: #404040">Permanecemos à espera, a quatro ou cinco metros de distância. Os carcereiros tinham formado uma espécie de círculo à volta do cadafalso. E então, quando o nó foi apertado, o prisioneiro começou a gritar pelo seu deus. Gritava alto, repetidamente, «Ram! Ram! Ram! Ram!», não de forma urgente ou assustada como uma reza ou um pedido de ajuda, mas de maneira regular, ritmada, quase como as badaladas de um sino. (…) O carrasco, que permanecia de pé no cadafalso, pegou num pequeno saco de algodão com a forma de um saco de farinha e enfiou-o pela cabeça do prisioneiro. </span><span lang="PT">Mas o som, abafado pelo tecido, mesmo assim persistia, uma e outra vez: «Ram! Ram! Ram! Ram! Ram!»</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT" style="color: #404040">O carrasco desceu e postou-se ao lado da forca, com a mão na alavanca. Tudo parecia acontecer muito devagar. O grito abafado, persistente, do prisioneiro continuava – «Ram! Ram! Ram!» –, sem vacilar um instante. O supervisor, de cabeça pousada sobre o peito, batia lentamente com a sua vara no chão; talvez contasse os gritos, permitindo ao prisioneiro emitir um número determinado – cinquenta, talvez, ou cem. Toda a gente tinha mudado de cor. Os indianos estavam a ficar cinzentos, cor de café de má qualidade, e uma ou duas das baionetas tremiam. Observávamos o homem amarrado, encapuçado, no cadafalso, escutávamos os seus gritos – cada grito mais um segundo de vida; um único pensamento ocupava as cabeças de todos: matem-no depressa, acabem com isto, parem com este barulho abominável!</span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 150%"><span lang="PT" style="color: #404040">Subitamente o supervisor decidiu-se. Levantando a cabeça, fez um movimento rápido com o pau. «<em>Chalo</em>!», gritou, de forma quase feroz.</span><span lang="PT"></span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT" style="color: #404040">Ouviu-se um retinir de correntes, e a seguir um silêncio absoluto. O prisioneiro estava morto, e a corda retorcia-se sobre si mesma. (…) Aproximámo-nos do cadafalso para inspeccionar o corpo do prisioneiro. Estava pendurado com os dedos dos pés apontados para baixo, girando muito lentamente, morto como uma pedra.</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT" style="color: #404040">O supervisor pegou na vara e empurrou o corpo nu, que oscilou ligeiramente. «Este já era», disse o supervisor. Saiu de debaixo da forca e expirou profundamente. Subitamente, a sua face já não ostentava um aspecto mal-humorado. Olhou para o relógio. «08h08. Bem, graças a Deus por hoje é tudo.» (…)</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT">Um enorme alívio abateu-se sobre nós, agora que o trabalho estava feito. Dava vontade de cantar, desatar a correr, dar risadinhas. De um momento para o outro começámos todos a conversar alegremente. (&#8230;)</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT" /></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><em><span lang="PT">[*«Half led, half pushed».]</span></em></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT">(George Orwell, «The Hanging», originalmente publicado em Agosto de 1931, disponível na íntegra por exemplo <a href="http://www.orwell.ru/library/articles/hanging/english/e_hanging">ali</a>.)</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT">*</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT">Bom dia!<a href="http://abrupto.blogspot.com/">©</a></span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Três notas sobre o enforcamento</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Jan 2007 17:18:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[1. Para mim, a imagem mais forte foi a do antigo ditador no cadafalso, cara descoberta, perante carrascos encapuçados que lhe apertavam a corda à volta do pescoço. Não tenho muita rotina de assistir a enforcamentos: não sei se o &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/01/04/tres-notas-sobre-o-enforcamento/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><strong><span lang="PT" style="font-size: 14pt"><img width="430" height="323" id="image606" alt="saddam.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2007/01/saddam.jpg" /></span></strong></p>
<p class="MsoNormal"><strong><span lang="PT" style="font-size: 14pt">1.</span></strong></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Para mim, a imagem mais forte foi a do antigo ditador no cadafalso, cara descoberta, perante carrascos encapuçados que lhe apertavam a corda à volta do pescoço. Não tenho muita rotina de assistir a enforcamentos: não sei se o espectáculo foi normal dentro do género. Mas impressionou-me a imagem de um homem enfrentando três sujeitos que iam matá-lo de cara escondida. De que se escondiam os homens com os gorros pretos? Um acto de Direito pode ser praticado por sujeitos embuçados? Uma justiça que oculta a sua cara ainda é Justiça?<br />
Foi talvez isto, <a href="http://bomba-inteligente.blogspot.com/2007_01_01_bomba-inteligente_archive.html#116776184286988959">mais do que</a> <a href="http://sic.sapo.pt/online/noticias/mundo/20070102-O+cativeiro+de+Saddam.htm">as declarações do enfermeiro Ellis</a>, mais do que o facto de <a href="http://abrupto.blogspot.com/2007_01_01_abrupto_archive.html#116796167934604068">ele enfrentar a morte em abstracto</a> (ele não enfrentava A Morte: enfrentava os que o matavam), que humanizou Saddam no cadafalso. Tudo aquilo era fortemente evocativo de uma vingança privada, de um acto clandestino. As notícias posteriores confirmaram esta ideia. <a href="http://5dias.net/2007/01/04/v-de-vinganca/#more-604">Não restam nenhumas dúvidas</a>, a qualquer pessoa séria, de que o que se praticou foi o linchamento de Saddam Hussein.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><strong><span lang="PT" style="font-size: 14pt">2.</span></strong></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Terá sido, como se diz, um assassinato político? Ou o culminar de um processo judicial? Infelizmente, nem uma coisa nem outra. O problema do enforcamento de Saddam não é só ter sido um gesto político: é não ter sido <em>suficientemente</em> um gesto político. Explico-me. O assassinato como método político é sempre complicado; mas tem, por assim dizer, a sua dignidade enquanto raciocínio. Os que recorrem a essa prática argumentam geralmente que ela evita males maiores: por exemplo, que matam o cabecilha para desmoralizar a resistência e com isso poupar vidas. (Não vale a pena elaborar muito sobre a triste história do assassinato como método político, incluindo por parte de movimentos revolucionários e de esquerda. Onde pára uma morte, mesmo a que parece razoável num contexto particular? Quantas são ainda justificadas: dez, cem, cem mil? Onde acaba a boa intenção purificadora de fazer justiça e começa uma engrenagem que desemboca no assassinato em massa, na «limpeza», na «purificação política»?)<br />
Mas, no caso de Saddam, longe de servir um objectivo político de pacificação, os efeitos do assassinato (ainda mais reforçados pelas circunstâncias: <a href="http://5dias.net/2007/01/04/v-de-vinganca/#more-604">pelo video que apareceu, pelo dia escolhido</a>) só podem agravar o conflito interétnico no Iraque. Como se justifica manter três anos em cativeiro um homem e, ao fim de três anos, ocupados com um simulacro de julgamento, matá-lo? Que objectivo político é que o seu enforcamento prosseguiu?<br />
Os crimes de Saddam, deste ponto de vista, são irrelevantes. A vingança não repara os crimes. Os homens têm o direito de punir outros homens em função de efeitos sociais desejáveis (para o manter afastado, para o tornar inofensivo, para dar um exemplo à sociedade sobre o que pode e não pode ser feito), mas nenhuma dessas questões estava concebivelmente presente aqui. Por outro lado, um julgamento a-histórico sobre o bem e o mal, num plano definitivo, cabe a Deus, não aos homens. «Terá Hitler entrado no paraíso?», perguntava um dia numa crónica João Bénard da Costa (talvez, não me lembro, parafraseando alguém). E respondia: é possível. Esse tipo de julgamento sobre o bem e o mal num sentido absoluto não nos compete a nós, que somos todos iguais, igualmente relativos.<br />
A execução de Saddam consistiu em dar a um grupo de pessoas o prazer de dispor da vida de um indivíduo. O som do cadafalso que se abre, da reza que se interrompe, do pescoço que se parte, dá-nos o momento em que eles decidiram que o animal-Saddam deixava de estar vivo. O barulho do pescoço de Saddam é o barulho do pescoço de qualquer homem.<br />
Os americanos guardaram durante três anos o antigo ditador para o entregarem a esta cerimónia. A tentativa de os distanciar da responsabilidade por este acto – num país que eles ocuparam, <em>numa guerra civil que eles</em> <em>criaram</em>, apesar de todos os avisos – é outro simulacro.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><strong><span lang="PT" style="font-size: 14pt">3.</span></strong></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">E no fim há também uma espécie de riso que se escuta em fundo, por esta farsa que chamaram de justiça, num processo em que só houve mentiras: o chefe de Estado deposto ao abrigo de uma guerra ilegal, que acaba enforcado em nome da Lei. </span><span lang="PT" /><span lang="PT">Sem essa guerra ilegal, o antigo ditador poderia discursar hoje mesmo no palanque das Nações Unidas. Quando se fala em justiça neste enforcamento (quanto mais em democracia), a dissonância, a incoerência, salta à vista, como uma nota fora de tom. </span><span lang="PT" /><span lang="PT">Um simulacro de justiça onde tudo foi injusto até aqui. </span><span lang="PT">Seria preciso ser muito estúpido, além de desinformado, para imaginar que com este enforcamento se realizou justiça. </span><span lang="PT" /><span lang="PT" /><span lang="PT">Como se estivessem a gozar com a nossa cara. Como se se estivessem a rir.</span></p>]]></content:encoded>
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		<title>V de Vingança</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Jan 2007 00:01:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Enquanto em Portugal Rui Ramos se ridiculariza a si mesmo com a desfaçatez do ano – «Teria preferido ver Saddam na Haia, como Milosevic, embrulhado num processo interminável. Mas isso é uma questão de sensibilidade cultural.» – o Financial Times &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/01/04/v-de-vinganca/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt"><span lang="PT">Enquanto em Portugal <a href="http://jornal.publico.clix.pt/noticias.asp?a=2007&#038;m=01&#038;d=03&#038;uid={42E9DEED-90CB-45C9-B476-D52CCE8700F4}&#038;id=114807&#038;sid=12704">Rui Ramos</a> se ridiculariza a si mesmo com a desfaçatez do ano –</span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt">
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt">
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt">
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt"><span lang="PT">«Teria preferido ver Saddam na Haia, como Milosevic, embrulhado num processo interminável. Mas isso é uma questão de <em>sensibilidade cultural</em>.»</span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt">
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt">
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt">
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt">– <a href="http://www.ft.com/cms/s/6324d33c-9a05-11db-8b6d-0000779e2340.html">o Financial Times de 2 de Janeiro traz o editorial que transcrevo a seguir</a>. Está lá tudo para quem quiser ler: a execução foi um puro e simples «linchamento público», um acto «deliberadamente concebido» para afirmar a hegemonia xiita, o maior insulto concebível, no feriado mais sagrado do calendário muçulmano, a todo o mundo sunita, o abandono final, da parte do actual governo iraquiano, de qualquer pretensão de governar em nome de todos os iraquianos. <em>[It] will have profound consequences for Iraq, and for the Middle East and those powers that so recklessly meddle in its politics.</em></p>
<h2 style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt"><span style="font-size: 12pt"><span id="more-604"></span>An indecent end to a reign of infamy</span></h2>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt"><em><span lang="PT">Financial Times</span></em><span lang="PT">, 02.01.2007 </span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt">The execution on Saturday of Saddam Hussein may have marked the passing of one of the vilest tyrants of the late 20th century. But the way in which the Baghdad hangmen turned it into a public lynching &#8211; disseminated around the world courtesy of a mobile phone camera and the internet &#8211; will have profound consequences for Iraq, and for the Middle East and those powers that so recklessly meddle in its politics.</p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt">While President George W. Bush may hail the dictator&#8217;s demise as another &#8220;milestone&#8221; on Iraq&#8217;s path to democracy, it looks just as likely it will turn out to be another paving stone on the road to the sectarian hell into which Iraq is descending.</p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt">With this squalid act, the Shia-dominated government led by Nuri al-Maliki, has for all practical purposes abandoned any pretence that it aims to govern on behalf of all Iraqis.</p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt">At one level, the new, ostensibly democratic administration showed it was no different from its predecessors &#8211; including the bloodthirsty Ba&#8217;ath party &#8211; in needing to dramatise regime change with violent or gory images of dead and defeated leaders. At another, this was deliberately conceived as an act of vengeance and designed to exemplify Shia hegemony.</p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt">Among the jeers and taunts hurled at Saddam as he waited for the trapdoor to open was the name of Moqtada al-Sadr, the young radical who heads the Mahdi army, the largest Shia militia and the biggest single winner of the 2005 elections. His bloc had demanded the dictator&#8217;s head as its price for rejoining the Maliki coalition.</p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt">Mr Maliki gave it to him on the Eid al-Adha, or feast of the sacrifice, the holiest Muslim feast day, in the most virulent insult to Sunnis in Iraq and throughout the Islamic world.</p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt">Saddam was also reminded by his executioners of Moqtada al-Sadr&#8217;s uncle, Mohammed Baqr al-Sadr, the leading cleric whom the Ba&#8217;ath hanged at the beginning of the 1980-88 war Saddam launched against Iran, and the founder of the Da&#8217;wa (Call) party. This shadowy Islamist movement, to which Mr Maliki and Ibrahim al-Jaafari, his predecessor as prime minister, belong, made seven attempts to assassinate Saddam. That the government tried the dictator for his reprisals after one of these attempts in 1982 &#8211; rather than genocide against the Kurds and massacres of the Shia &#8211; made the legal process look like a vendetta rather than the holding to account of serial infamy.<script> <!-- D(["mb","</p>
<p>Indeed the trial of Saddam and his henchmen has been a\ncatalogue of missed opportunities to establish for all Iraqis -\nincluding his Sunni minority which had so cruelly lorded it over the\nShia majority - that the new order was founded on the rule of law. As\nit lurched between chaos and manipulation towards the weekend&amp;amp;amp;#39;s\nindecent conclusion, it always looked like victors&amp;amp;amp;#39; justice, carried\nout under the umbrella of the US occupation.</p>
<p>Politically, it\nlooks as if the Maliki government no longer intends seriously to pursue\nthe two paths that offered a glimmer of eventual stability: internal\nreconciliation, above all between Shia and Sunni, and external\nco-operation, above all with Sunni neighbours such as Saudi Arabia.</p>
<p>The\nmanner of Saddam&amp;amp;amp;#39;s execution was a clear message to Sunnis in and\noutside Iraq: that the ruling bloc&amp;amp;amp;#39;s primordial goal is to consolidate\nthe empowerment of the Shia triggered so carelessly by the\nAnglo-American invasion in 2003, tilting the balance of power in the\nregion towards Shia Iran.</p>
<p>The situation in Iraq is now so out of\ncontrol that it is impossible to discern any plot or overall narrative\nin its affairs, only fathomless sub-plot, as militias and bandits --\nsome rebadged as police and Iraqi army - and insurgents and jihadis vie\nlethally for control of their fragments of the country.</p>
<p>As Mr\nBush ponders Iraq at his Texas ranch, he is reported to be considering\na "surge" of reinforcements. Questions about whether the US army has\nthe resources to do this aside, it is hard to see what it would\nachieve, given the now near uniform hostility of Iraqi Arabs to\nAmerican troops, whom they regard as a sort of hyper-militia.</p>
<p>With\nno good options left, his best bet would be to act on the\nBaker-Hamilton report, recommending: a structured troop pull-back; a\nregional diplomatic offensive; and engagement with all Iraq's\nneighbours, including Iran.</p></div>
<p><a href\u003d\"http://www.ft.com/servicestools/help/copyright\" target\u003d\"_blank\" onclick\u003d\"return top.js.OpenExtLink(window,event,this)\">",1] );  //--> </script></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt">Indeed the trial of Saddam and his henchmen has been a catalogue of missed opportunities to establish for all Iraqis &#8211; including his Sunni minority which had so cruelly lorded it over the Shia majority &#8211; that the new order was founded on the rule of law. As it lurched between chaos and manipulation towards the weekend&#8217;s indecent conclusion, it always looked like victors&#8217; justice, carried out under the umbrella of the US occupation.</p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt">Politically, it looks as if the Maliki government no longer intends seriously to pursue the two paths that offered a glimmer of eventual stability: internal reconciliation, above all between Shia and Sunni, and external co-operation, above all with Sunni neighbours such as Saudi   Arabia.</p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt">The manner of Saddam&#8217;s execution was a clear message to Sunnis in and outside Iraq: that the ruling bloc&#8217;s primordial goal is to consolidate the empowerment of the Shia triggered so carelessly by the Anglo-American invasion in 2003, tilting the balance of power in the region towards Shia Iran.</p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt">The situation in Iraq is now so out of control that it is impossible to discern any plot or overall narrative in its affairs, only fathomless sub-plot, as militias and bandits &#8212; some rebadged as police and Iraqi army &#8211; and insurgents and jihadis vie lethally for control of their fragments of the country.</p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt">As Mr Bush ponders Iraq at his Texas ranch, he is reported to be considering a &#8220;surge&#8221; of reinforcements. Questions about whether the US army has the resources to do this aside, it is hard to see what it would achieve, given the now near uniform hostility of Iraqi Arabs to American troops, whom they regard as a sort of hyper-militia.</p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt">With no good options left, his best bet would be to act on the Baker-Hamilton report, recommending: a structured troop pull-back; a regional diplomatic offensive; and engagement with all Iraq&#8217;s neighbours, including Iran.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Setembro: um historial de violência</title>
		<link>http://5dias.net/2006/12/28/um-passado-de-violencia/</link>
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		<pubDate>Thu, 28 Dec 2006 19:52:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[O meu filme do ano é ainda A History of Violence, de Cronenberg (como me tinha parecido que seria, quando o vi em Março), mas o último Scorsese é tão bom que chegou a fazer-me hesitar. No fim, acho que &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/12/28/um-passado-de-violencia/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin-left: 18pt"><span lang="PT" style="font-family: Arial"><img title="a_history_of_violence-003.jpg" id="image588" alt="a_history_of_violence-003.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/12/a_history_of_violence-003w.jpg" /></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left: 18pt"><span lang="PT" style="font-family: Arial">O meu filme do ano é ainda <em>A History of Violence</em>, de Cronenberg (como me tinha parecido que seria, quando o vi em Março), mas o último Scorsese é tão bom que chegou a fazer-me hesitar. No fim, acho que opto por Cronenberg pelas implicações morais, filosóficas, que o filme tem quando passa na minha cabeça. O enredo de <em>A History of Violence</em> é bastante conhecido: um ataque violento, inesperado, ao seu café em small town America torna Tom Stall numa estrela local, por ter competentemente eliminado, em legítima defesa, os bandidos; mas gera também, progressivamente, dúvidas sobre a sua verdadeira identidade. Será Tom o pacato e doce proprietário de um café, bem casado e pai de dois filhos, nesta vilória perdida; ou será ele um gangster de Filadélfia, de nome Joey Cusack, com um passado desconhecido mesmo para a própria família? A história pode também ser contada no paralelismo entre duas cenas de sexo: uma cena inicial, em que o casal protagonista (Viggo Mortensen magnífico, mas Maria Bello ainda é a minha preferida) reencena com grande intimidade e gozo um ritual da adolescência quando os dois <em>ainda não se conheciam</em>; e uma cena posterior entre os mesmos dois, quando as dúvidas sobre a verdadeira identidade de Tom já tinham feito o seu caminho e o acto inicial de violência começado a cobrar consequências. Esta segunda cena tem sido por vezes descrita como de «quase-violação», mas quem usa assim as palavras não está a tratar o filme com o cuidado merecido: porque longe de ser uma cena em que Mortensen força com violência o acto sexual com Maria Bello, é uma cena em que Bello literalmente o agride, o possui e, uma vez consumado o acto sexual, o repele e o expulsa. Ninguém é violado, ninguém é forçado a ter sexo, mas a pulsão violenta e a pulsão sexual confundem-se num mesmo impulso: esse é o cerne da cena. As duas cenas de sexo – a primeira carinhosa, a segunda animalesca – rimam, não para nos dizer que o amor entre Mortensen e Bello foi perdido, mas para ilustrar as consequências do acto fundador de violência e também da desconfiança, do estranhamento, que ele engendrou. E se a cena do início é comoventemente íntima, a segunda, de pulsões e paixões, não é naturalmente menos forte por isso.<br />
O filme é fortemente evocativo do 11 de Setembro: tudo começa com um ataque bárbaro, não-provocado, que obriga a uma resposta violenta (repito: justa) mas que desencadeia uma série de consequências altamente destrutivas. Essas consequências são infinitas, capilares, quase subterrâneas – e o acto inicial põe também em acção um passado de violência que estava ocultado ou mesmo quase esquecido. Uma tradução razoável para o título do filme teria, aliás, feito justiça a este aspecto, lembrando que «A History of Violence» não é tanto «Uma História de Violência» (ou «da Violência»), mas sobretudo «Um Passado de Violência», que é exactamente o que a expressão inglesa «a history of violence» significa quando se refere a um indivíduo com antecedentes criminais. Mas, se é um filme sobre o 11 de Setembro e as suas consequências, também é, <a href="http://a-praia.blogspot.com/2006_04_01_a-praia_archive.html#114609344835579463">como já foi dito</a>, um filme sobre «o casamento», ou pelo menos sobre o que é a confiança, o que significa conhecermo-nos ou podermos confiar na estabilidade da identidade de cada um.<br />
Há uma longa passagem no filme, fortemente «gore» na exposição da violência, protagonizada por William Hurt, às vezes ridícula, que a meu ver poderia ter sido eliminada. Mas a cena final é de novo poderosa, quando Viggo Mortensen regressa a casa e à família, encontra-os à mesa, todos em silêncio, e a filha mais pequena, talvez de seis anos, desata a situação levantando-se para pegar um prato e «pôr o lugar» ao pai. O filme acaba assim, sem uma palavra, sem que possamos saber ao certo como será depois, agora que a violência, o passado e o conhecimento sobre estas coisas todas já foram postos em acção.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left: 18pt"><em>PS.</em> Ao leitor: se não gostou deste texto, pode sempre experimentar <a href="http://film.guardian.co.uk/features/featurepages/0,4120,1576212,00.html">J.G. Ballard sobre o mesmo assunto</a>.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left: 18pt"><em>Existence, in Cronenberg&#8217;s eyes, is the ultimate pathological state. He sees us as fragile creatures with only a sketchy idea of who we are, nervous of testing our physical and mental limits. The characters in Cronenberg&#8217;s films behave as if they are inhabiting their minds and bodies for the first time at the moment we observe them, fumbling with the controls like drivers in a strange vehicle. Will it rise vertically into the air, invert itself, or suddenly self-destruct? (&#8230;)<br />
The title, A History of Violence, is the key to the film, and should be read not as a tale or story of violence, but as it might appear in a social worker&#8217;s case notes: &#8220;This family has a history of violence.&#8221; The family, of course, is the human family, a primate species with an unbelievable appetite for cruelty and violence.</em></p>]]></content:encoded>
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		<title>Réveillon no Lixo</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Dec 2006 00:01:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/2006/12/28/577/</guid>
		<description><![CDATA[Capa da edição em inglês do livro de Ruy Castro, Carnaval no Fogo Três anos atrás, eu estava no Rio. Na semana entre o natal e o ano novo, as praias de Copacabana, Ipanema, Leblon são invadidas por números indescritíveis &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/12/28/577/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial" /></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT" style="font-family: Arial"><img alt="castro.jpg" id="image586" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/12/castro.jpg" /></span><br />
<em>Capa da edição em inglês do livro de Ruy Castro, </em>Carnaval no Fogo</p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT" style="font-family: Arial">Três anos atrás, eu estava no Rio. Na semana entre o natal e o ano novo, as praias de Copacabana, Ipanema, Leblon são invadidas por números indescritíveis de pessoas. As praias cheiram mal. A água está tudo menos limpa. Na noite do réveillon, a população desce à praia em quantidades calculadas entre os dois e os três milhões de pessoas. Os hotéis, e os navios aportados, organizam um festival de fogo-de-artifício que dura uma meia-hora. Eu estava com os pés dentro da água do mar; uma garrafa vazia de espumante veio com as ondas e acertou-me na canela. Os cariocas (e os turistas) festejam a meia-noite na praia, levam a bebida, deitam as garrafas vazias no mar (junto com as flores a Iemanjá). No dia primeiro de janeiro, saí à rua em Copacabana e não se conseguia andar, com o lixo, um bairro do tamanho de uma cidade média (ou mais) de Portugal inteiramente cheirando a urina. Tive de apanhar o autocarro e ir fazer tempo em Ipanema até à hora de apanhar o meu vôo. Não foi um bom réveillon.<br />
Lembrei-me disto agora por – naturalmente – várias razões e porque entre <a href="http://estadocivil.blogspot.com/2006/12/2006-escolhas.html">os melhores livros estrangeiros</a> publicados este ano em Portugal o Pedro Mexia colocou o do Ruy Castro sobre o Rio de Janeiro. Comprei-o lá, nesse mês de Dezembro de 2003, com sentimentos divididos (por não ter gostado de outros livros do Ruy Castro – mas os temas são sempre muito bons: a bossa-nova, Nelson Rodrigues, Carmen Miranda, Garrincha). A edição era bonitinha e ficou ali na estante até agora – até à lista de melhores de 2006 do DN da sexta-feira passada. Fui ler. O Ruy Castro nunca me decepciona. São duzentas e cinquenta páginas – pequeninas, é certo – das quais odiei praticamente cada linha. Não sorri uma única vez, não me fez pensar quase nada, não despertou curiosidade. Arrastei-o pesadamente ao longo de dois ou três dias – com um brevíssimo intervalo, quase no final: um conjunto de páginas sobre a história da bossa-nova (que o Castro conhece). O Castro não tem graça e faz piadas, o Castro não é historiador e abusa de um estilo que evoca o nosso José Hermano Saraiva: «<em>Foi aqui&#8230;</em>»</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT" style="font-family: Arial">«Surpreendentemente, uma outra especialidade dos tupinambás, observada pelos visitantes, não conseguiu diminuir sua cotação em sociedade: o canibalismo. (&#8230;) No dia marcado para a execução, as aldeias vizinhas eram convocadas para a boca-livre e acorriam em hordas. Depois de muito canto e dança, os convidados sentavam-se no chão, formando um grande círculo. O prisioneiro era chamado ao centro do terreiro, tinha o seu corpo pintado e davam-lhe pedras e cacos de cerâmica para atirar em seus captores. Fazia também parte da regra que ele lhes dirigisse os piores xingamentos e jurasse que seus irmãos viriam vingá-lo. No auge do discurso, levava uma pancada com uma borduna que lhe esmigalhava o crânio, para deixar de ser besta, e morria <em>en beauté</em>, sob aplausos e pedidos de bis. (&#8230;) Pela quantidade de gente à mesa e a pouca fartura do prato, cada convidado conseguia comer, no máximo, um dedo do pé ou meia orelha.»<br />
[Ruy Castro, 2003, <em>Carnaval no Fogo – Crônica de uma cidade excitante demais</em>, São Paulo: Companhia das Letras, pp.30-32.]</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT" style="font-family: Arial">O Castro partilha do preconceito antiportuguês, que é das coisas mais palermas que se pode encontrar num brasileiro (e sabe Deus que eu sou o último dos patriotas e o primeiro dos brasilófilos). E o Castro tem uma moral e uma «agenda» para nos vender, segundo a qual o Rio realmente sofreu muito (criminalidade, atentados ao património, etc.), mas desde a década de noventa, desde realmente a véspera deste livro, tudo está finalmente a ir ao sítio graças ao esforço empenhado e desinteressado de cidadãos conscientes. Nas últimas páginas, o Castro quer até convencer-nos de que Copacabana, às oito da manhã do dia primeiro de Janeiro, é um espectáculo de limpeza, graças ao cuidado de três milhares de funcionários que apagam os vestígios da rambóia da noite.<br />
Mas eu estive lá: Copacabana no dia primeiro de Janeiro e o livro do Ruy Castro têm um cheiro parecido.<br />
Dizem que em inglês se lê muito bem.</span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Souto Moura</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Dec 2006 12:50:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>A história do processo Casa Pia, e em particular da forma como os vários agentes foram gerindo a sua relação com a imprensa, as implicações políticas da agenda mediática, etc., está por fazer. Enquanto não for feita, as declarações de escândalo sobre «violação de segredo de justiça» devem ser vistas como votos piedosos na melhor das hipóteses, mas mais provavelmente como exercícios frios de hipocrisia. A antiga assessora de imprensa de Souto Moura, que foi despedida por manter conversas sobre o processo com jornalistas, diz que o antigo Procurador <a href="http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1280350&#038;idCanal=21">sabia de tudo, geria tudo</a>. Não é por a personagem já não estar em funções que esta história pode deixar de ser investigada até ao fim.</p>
<p><em>Na primeira entrevista desde que se demitiu, no Verão de 2004, Sara Pina afirma que Souto Moura sabia de tudo e que reunia com ele &#8220;várias vezes ao dia para lhe dar conta do que se ia passando e obter as informações que devia dar&#8221;. (&#8230;) Sara Pina afirmou que &#8220;o procurador-geral supervisionava e acompanhava o seu trabalho e os contactos estabelecidos com a comunicação social&#8221;. &#8220;A minha função era de responsável pelo Gabinete de Imprensa da Procuradoria-Geral e enquanto tal agi sempre como porta-voz: os jornalistas colocavam-me as questões que eu transmitia ao procurador-geral que me dizia o que fazer, mesmo porque eu nunca tive acesso aos processos em investigação&#8221;, disse a ex-assessora de Souto Moura. (&#8230;) &#8220;Eu transmitia-lhe o que me era dito [pelos magistrados] e ele decidia o que se divulgaria [à imprensa]&#8220;, afirmou. (&#8230;) A ex-assessora adiantou também que o teor das respostas dadas aos jornalistas eram dadas por Souto Moura verbalmente e muitas vezes por escrito, geralmente manuscritos que diz conservar.</em></p>]]></content:encoded>
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		<title>Groucho</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Dec 2006 00:15:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Andamos numa febre de you tube, embora seja duvidoso que haja por aí muito leitor de blogs com disponibilidade para ficar um, dois, quatro, seis ou oito minutos especado em frente do pequeníssimo ecrã a ver um video. De todas as formas. <em>Everyone Says I Love You</em>, que eu vi pela primeira vez no cinema em 2 de Maio de 1997 em Inglaterra, um dia glorioso de primavera, após a primeira vitória eleitoral de Blair, é um dos meus filmes preferidos de Woody Allen. Um musical &#8211; e geralmente subestimado. Mas o que eu desconhecia, até ter visto isto no You Tube, é que o próprio título remete para os Irmãos Marx. Eis então Groucho Marx em <em>Horse Feathers</em> cantando a canção-título. Woody Allen também canta no seu filme (até já o pus a tocar <a href="http://a-praia.blogspot.com/">ali</a>), talvez como réplica.</p>
<p><object width="425" height="350"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/YWmf1csqDgA"></param><param name="wmode" value="transparent"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/YWmf1csqDgA" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="350"></embed></object></p>]]></content:encoded>
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		<title>Caetanear</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Dec 2006 00:09:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Na revista Ler História, publicação académica, descobri meio por acaso algumas das linhas mais interessantes que tenho lido sobre a chamada música popular brasileira. Não que tenha, propriamente falando, muita novidade, mas clarifica algumas distinções e talvez ajude a dar &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/12/21/caetanear/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na revista <em>Ler História</em>, publicação académica, descobri meio por acaso algumas das linhas mais interessantes que tenho lido sobre a chamada música popular brasileira. Não que tenha, propriamente falando, muita novidade, mas clarifica algumas distinções e talvez ajude a dar sentido a muitas coisas. [Depois da dobra.]<br />
<span id="more-574"></span>(&#8230;) A importância do tropicalismo é inestimável. Ele explodiu o centro, isto é, o <span style="font-style: italic">centro</span> cultural brasileiro. Acabou com as máximas reveladoras do centro, implodindo o proselitismo, seja ele de esquerda ou seja ele de direita. O tropicalismo acaba com o caráter demiurgo e político de um violão e de uma letra de música. Acaba com a crença nessa narrativa tão cara à esquerda e que foi legitimadora de um certo padrão cultural no Brasil. Como diz Caetano Veloso, ele quer «explodir colorido».<br />
(&#8230;) Caetano sempre esteve muito atento às palavras e às suas particularidades. Preocupava-se em utilizá-las para destruir, descentrar e dissolver as unidades e as lógicas unitárias. (&#8230;) Talvez Caetano tenha descoberto como poucos que a palavra é um jogo e que tem um movimento que pode ser rebelde e desviante. Já no caso do Chico Buarque, ele ainda é, em grande medida, o pensamento da centralidade. Chico acredita ainda naquela palavra e naquele violão, nessa narrativa e nessa canção. Acredita ainda nessa força de contestação.<br />
(&#8230;) Mas mais importante do que as <span style="font-style: italic">outras palavras</span>, Caetano Veloso e o tropicalismo dão expressão ao <span style="font-style: italic">corpo</span> e ao movimento aprisionados pela ditadura. (&#8230;) Caetano está sob tortura, sob violência da polícia e é aí que ele chega a uma crítica muito radical do regime. Procura libertar o corpo, essa é a sua busca da linguagem. «<span style="font-style: italic">Deixe eu dançar/ pro meu corpo ficar odara/ Minha cara, minha cuca ficar odara/ Deixe eu cantar/ que é pro mundo ficar odara/ pra ficar tudo jóia rara</span>». (&#8230;) Não é a questão da letra, é a questão do corpo. Quando cantou a letra de Chico, cantou oprimindo com a sua mão a sua cabeça, empurrando-a. Aí, a crítica de Caetano está mais na tonalidade das palavras e na expressão do corpo do que no significado literal das palavras. (&#8230;)<br />
[da entrevista de Edgar de Decca, historiador brasileiro, a José Neves, «Por uma História <span style="font-style: italic">Odara</span>», <span style="font-style: italic">Ler História 49</span>, 2005]</p>]]></content:encoded>
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		<title>Na internet mas a sério</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Dec 2006 00:01:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Miguel Esteves Cardoso viu publicadas duas belíssimas entrevistas suas na semana passada. Uma foi na RTP1, no programa do Rui Ramos. A outra, ao José Mário Silva no suplemento 6ª do DN, está aqui. Achas que há espaço, hoje, para &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/12/21/na-internet-mas-a-serio/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal">Miguel Esteves Cardoso viu publicadas duas belíssimas entrevistas suas na semana passada. Uma foi na RTP1, no programa do Rui Ramos. A outra, ao José Mário Silva no suplemento 6ª do DN, <a href="http://morel.weblog.com.pt/2006/12/entrevista_com_miguel_esteves.html">está aqui</a>.</p>
<p class="MsoNormal"><strong><span lang="PT">Achas que há espaço, hoje, para um jornal que represente o que o </span></strong><em><strong><span lang="PT">Indy</span></strong></em><strong><span lang="PT"> representou nos anos 90?</span></strong><span lang="PT"><br />
Por que não? Tem é que ser na Internet. Um jornal exclusivamente <em>web</em> e gratuito, mas um jornal a sério.</span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Freud&amp;Ana</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Dec 2006 21:23:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Depois de ver A Rainha, cheguei a casa e estava a dar Anything Else, de Woody Allen. Trata-se certamente de um Woody Allen dos mais fraquinhos (mas não mais que Hollywod Ending, Melinda and Melinda ou o novo Scoop). Ainda &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/12/14/freudana/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="425" height="350"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/0LMYViitNtU"></param><param name="wmode" value="transparent"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/0LMYViitNtU" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="350"></embed></object></p>
<p>Depois de ver <em>A Rainha</em>, cheguei a casa e estava a dar <em>Anything Else</em>, de Woody Allen. Trata-se certamente de um Woody Allen dos mais fraquinhos (mas não mais que <em>Hollywod Ending</em>, <em>Melinda and Melinda</em> ou o novo <em>Scoop</em>). Ainda assim, tem muita graça porque é dos mais imersos em temática psicanalítica.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Vamos falar do sanduíche (II)</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Dec 2006 18:26:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Outro dia, por acaso, descobri que o maradona é colunista do jornal Metro, que se oferece no metro. O maradona é um dos raros casos de blogger que é, por assim dizer, apenas blogger, mas que como blogger é um &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/12/14/vamos-falar-do-sanduiche-ii/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Outro dia, por acaso, descobri que o <a href="http://acausafoimodificada.blogspot.com/">maradona</a> é colunista do jornal Metro, que se oferece no metro. O maradona é um dos raros casos de <em>blogger</em> que é, por assim dizer, apenas <em>blogger</em>, mas que como <em>blogger</em> é um autor de mão-cheia. É curiosa e sintomática a relação que o maradona mantém com a imprensa escrita. O jornal Metro, como <a href="http://dn.sapo.pt/">outros antes dele</a>, não sabendo o que fazer aos textos do maradona, arruma-o em temática desportiva (e provavelmente corrige-lhe as gralhas e arranja-lhe as vírgulas). Como <em>blogger</em>, o maradona tanto escreve sobre bola, como sobre livros, programas de televisão, aquecimento global ou os textos da Joana Amaral Dias; e em nenhum deles é propriamente especialista. O que o maradona tem é uma singular curiosidade intelectual, algum trabalho, bastante sentido de humor. O pseudónimo deve ter sido, como quase tudo o resto, uma intuição do momento: não há nenhuma razão para acantonar o maradona em temática desportiva.</p>
<p>Mas o maradona também não sabe o que há-de fazer com a imprensa escrita. As crónicas que se lêem dele têm normalmente menos graça, menos força, são mais banais do que o que se lê no <em>blog</em>. Acho que o jornal Metro tomou a decisão certa ao convidar o maradona para escrever artigos. Mas há qualquer coisa de incongruente, ou mesmo de anacrónico, em forçar jornais e <em>bloggers</em> a um mesmo espartilho.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Vamos falar do sanduíche</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Dec 2006 17:48:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[[as coisas soam sempre melhor traduzidas] Many ordinary people are scared of blogging because they feel that they have nothing to say, says Ms Trott. So her message is that “mundane is interesting; it&#8217;s OK to talk about your sandwich”. &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/12/14/vamos-falar-do-sanduiche/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>[as coisas soam sempre melhor traduzidas]</p>
<p><em>Many ordinary people are scared of blogging because they feel that they have nothing to say, says Ms Trott. So her message is that “mundane is interesting; it&#8217;s OK to talk about your sandwich”.</em> <span lang="PT">Mena Trott é a fundadora da <a href="http://www.sixapart.com/">Six Apart</a>, uma empresa de software que se dedica a desenvolver ferramentas para blogs. Nas últimas semanas, o Economist tem vindo a dar cada vez mais atenção às possibilidades do meio. <a href="http://economist.com/business/PrinterFriendly.cfm?story_id=8173520">Este artigo diz que «</a><a href="http://economist.com/business/PrinterFriendly.cfm?story_id=8173520">more people are quitting their day jobs to blog for a living»</span></a>. A <a href="http://economist.com/people/PrinterFriendly.cfm?story_id=8317556">história de Mena Trott</a> &#8211; que me lembra <a href="http://bomba-inteligente.blogspot.com/">outra que também não se envergonha «do mundano e do frívolo»</a> &#8211; começa bem e merece ser lida.</p>
<p>IT ALL began five years ago with a blog entry about a banjo. Mena Trott had recently graduated as an English major from college and, at 23, was living as an under-employed designer with her husband Ben in San Francisco, passing her time by keeping a personal online diary. Called Dollarshort, it was a blog about her childhood, her pets and that sort of thing. One day, on a girly whim, she wrote that she wanted to buy a banjo but that her husband, ever the “tyrant”, wouldn&#8217;t let her. Mena&#8217;s friends and family, knowing that “Ben is the sweetest guy in the world”, recognised the humour, says Ms Trott. But all sorts of strangers suddenly blogged back with angry feminist advice, advising her to get a separate bank account, to tell off her bullying husband, and even to leave him. Ms Trott was livid. “Why can&#8217;t people take a joke, and who are these people anyway?” she wondered.</p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shapetype id="_x0000_t75" coordsize="21600,21600"  o:spt="75" o:preferrelative="t" path="m@4@5l@4@11@9@11@9@5xe" filled="f"  stroked="f">  <v:stroke joinstyle="miter"/>  <v:formulas>   <v:f eqn="if lineDrawn pixelLineWidth 0"/>   <v:f eqn="sum @0 1 0"/>   <v:f eqn="sum 0 0 @1"/>   <v:f eqn="prod @2 1 2"/>   <v:f eqn="prod @3 21600 pixelWidth"/>   <v:f eqn="prod @3 21600 pixelHeight"/>   <v:f eqn="sum @0 0 1"/>   <v:f eqn="prod @6 1 2"/>   <v:f eqn="prod @7 21600 pixelWidth"/>   <v:f eqn="sum @8 21600 0"/>   <v:f eqn="prod @7 21600 pixelHeight"/>   <v:f eqn="sum @10 21600 0"/>  </v:formulas>  <v:path o:extrusionok="f" gradientshapeok="t" o:connecttype="rect"/>  <o:lock v:ext="edit" aspectratio="t"/> </v:shapetype><v:shape id="_x0000_i1025" type="#_x0000_t75" alt="More..."  style='width:49.5pt;height:7.5pt'>  <v:imagedata xsrc="file:///C:\DOCUME~1\ADMINI~1\LOCALS~1\Temp\msohtml1\01\clip_image001.gif" mce_src="file:///C:\DOCUME~1\ADMINI~1\LOCALS~1\Temp\msohtml1\01\clip_image001.gif"   o:href="http://5dias.net/wp-includes/js/tinymce/themes/advanced/images/spacer.gif" mce_href="http://5dias.net/wp-includes/js/tinymce/themes/advanced/images/spacer.gif"/> </v:shape><![endif]--><!--[if !vml]--><br />
<!--[endif]--></p>
<p><span id="more-538"></span><br />
It was the seed of a profound insight: that the era of mass media was ending and a new era of “intimate media” had begun. Mr Trott had written some software to make it easier for his wife to update her blog, and they realised that other people might find it useful too. It was an instant success upon its release onto the internet in 2001, and the Trotts have since built their company, called <a target="_blank" href="http://www.sixapart.com/">Six Apart</a> (because their birthdays are six days apart), into the largest independent provider of blogging tools and hosting services. Ms Trott is Six Apart&#8217;s president and public face, while Mr Trott, who is shy and retiring, runs the technical side of things and seasoned executives handle the management. Six Apart&#8217;s flagship products, <a target="_blank" href="http://www.sixapart.com/movabletype/">Movable Type</a> and <a target="_blank" href="http://www.typepad.com/">TypePad</a>, are popular among “power bloggers” with large audiences, and its third product, <a target="_blank" href="http://www.livejournal.com/">LiveJournal</a>, is big among teenage girls who blog for their friends. Collectively, Six Apart&#8217;s products are used by over 30m bloggers around the world.</p>
<p>These days, however, the Trotts are most excited about their newest product, <a target="_blank" href="http://www.vox.com/">Vox</a>, which was launched last month. For if a blogging service can have a personality, then Vox has Ms Trott&#8217;s. Like Ms Trott, Vox is unpretentious and accessible. By contrast with rival services, users need not worry about having to understand technical matters, such as the HTML formatting language in which web pages are encoded, in order to incorporate whizzy features into their blogs. They can upload pictures, video clips and songs with just a few clicks on a simple, colour-coded page. Also like Ms Trott, Vox celebrates the frivolous and mundane. Much of Ms Trott&#8217;s personal blog, <a target="_blank" href="http://mena.vox.com/">VoxTrott</a>, is devoted to images of her beloved dog Maddy, while Mr Trott, a dilettante cook, likes to post “disgusting pictures of good food” on his blog. Many ordinary people are scared of blogging because they feel that they have nothing to say, says Ms Trott. So her message is that “mundane is interesting; it&#8217;s OK to talk about your sandwich”. To a handful of people in the world it may mean a lot.</p>
<p>The other thing that keeps many people from blogging is fear for their privacy, she thinks. Hence the third and most important characteristic of Vox. It is intimate. For every item on Vox—a text paragraph, a photo, a link—bloggers can determine if it is to be public or private and, if it is private, exactly who can see it. Ms Trott, for instance, keeps one part of VoxTrott for communicating only with her mother, who has an insatiable appetite for information about certain minutiae of Ms Trott&#8217;s life. She also has a daily “Yay Me Update” just for herself, in which she uploads self-portraits from her mobile phone in order to preserve a chronicle of her life for her descendants—uninterrupted except for that time when she gained a bit more weight than she cared to commit to memory and conveniently forgot to post for a few days.</p>
<p>But despite its homely origins Six Apart is ultimately a business, so somewhere in this vision there must be money. The daunting challenge it faces is to “monetise” the product without ruining the feeling of intimacy for its users. Like most online media, Vox is funded by advertising, but “the advertising is so subtle that a lot of users don&#8217;t even know where it is,” says Andrew Anker, the product manager for Vox. A blogger might, for instance, write about her favourite novels and include a link to the books on Amazon, a big online retailer. Within a small social circle, such personal recommendations are a powerful form of marketing. If somebody clicks on these links, lands on Amazon&#8217;s website and completes a purchase, Amazon will share 7% of the proceeds with Six Apart. Similar arrangements exist with an online video service, and Mr Anker hopes to add deals with online music stores and other partners in future.</p>
<p><strong>Putting the “me” into media</strong></p>
<p>As a firm, Six Apart expects to break even only next year, and it is tiny when compared with giants such as Google, which has a rival blogging service called <a target="_blank" href="http://www.blogger.com/">Blogger</a>, or News Corp, a media conglomerate that offers blogging as one of many features on <a target="_blank" href="http://www.myspace.com/">MySpace</a>, its social-networking site. So the surprise is how well Six Apart holds its own against these industry titans. For some of the large internet companies, blogging seems “like a checkbox”, says Ms Trott—ie, something to have because it is fashionable, without caring much about it. She and her husband, however, sincerely regard blogging as a way of life.</p>
<p>Her commitment to the social, not just the commercial, potential of blogging has made Ms Trott an unofficial spokeswoman for the wider phenomenon of new media. Ms Trott is 29 but appears even younger; she is currently practising how to speak clearly with new braces in her mouth. And yet she increasingly has the attention of elder statesmen who are baffled by the rise of blogging and need help in “getting it”. At a big conference this year, Ms Trott regaled a large audience of digerati with her family photos and other tales. Spotting Al Gore, “the first person I ever voted for”, in the first row, she turned shy for just a moment. America&#8217;s former vice-president then sat spellbound through the remainder of her speech.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Duas carreiras políticas</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Dec 2006 12:59:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Louvado. Louvado seja o Senhor, que há anos que não me lembro de um semestre de cinema como aquele que temos tido. Desta vez, fui ver A Rainha. Ao contrário do que o título sugere, não se trata de um &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/12/14/duas-carreiras-politicas/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img id="image535" style="width: 424px; height: 282px" height="282" alt="rainha.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/12/rainha.jpg" width="424" /></p>
<p>Louvado. Louvado seja o Senhor, que há anos que não me lembro de um semestre de cinema como aquele que temos tido. Desta vez, fui ver <a href="http://www.thequeenmovie.co.uk/"><em>A Rainha</em></a>. Ao contrário do que o título sugere, não se trata de um pastel biográfico, mas de uma reconstituição dos eventos sucedidos na semana de 1997 em que a princesa Diana morreu. E a personagem de Tony Blair, encarnada por Michael Sheen (que apanha muito bem os trejeitos do primeiro-ministro britânico), talvez não seja muito menos central nem muito menos complexa do que a da própria rainha. A história é a reacção emocional massiva, descomunal, da população britânica à morte da princesa, e a forma como Blair e a família real lidaram com o acontecimento. A gestão política.</p>
<p>O início esboça uma dicotomia, entre a legitimidade democrática de Blair – «moderno», emanando do povo, em contacto com os seus sentimentos – e a legitimidade aristocrática da monarquia, um bando de neuróticos sem contacto com a realidade nem com os sentimentos populares. Subtilmente, o filme vai sendo outra coisa completamente diferente. No fim, a Rainha diz que nunca percebeu o que se passou naqueles dias; uma das virtudes do filme está em não dar ele mesmo uma explicação sobre a comoção popular. O filme nunca chega a responder à pergunta «por que é que aquilo aconteceu?», «por que é que as pessoas reagiram daquela forma tão descomunal?» Mostra as tensões, os conflitos, os dilemas da Rainha, mas não nos diz se o desfecho, se a sua derrota e submissão à linha proposta por Tony Blair, foi a coisa mais «decente» ou «justa». Faz sentido transgredir todas as regras para responder a um sentimento popular irracional e talvez frívolo? Blair é um homem que compreende o povo, ou um explorador indecente do sentimentalismo? A grande virtude está em contar a derrota política da Rainha sem tornar claro se esse desfecho foi uma coisa positiva.</p>
<p>A outra coisa fascinante é que se trata de um filme sobre política. Blair e a Rainha têm legitimidades completamente distintas, mas os impulsos a que no fim têm de responder são bastante semelhantes. Apesar da sua legitimidade aristocrática, tradicional, a Rainha não pode ficar indiferente ao sentimento democrático e, para lhe corresponder, tem de quebrar princípios institucionalizados desde há séculos. Blair, pelo seu lado, não pode cavalgar o sentimento popular instantâneo e explorar a aversão pela Rainha: no auge da sua popularidade (alicerçada no contraste entre a sua imagem e a da monarquia), Blair procura sempre fazer a ponte com a família real, recuperar a situação da Rainha. Talvez compreenda que a sua própria legitimidade só se sustenta se puder ancorar-se numa legitimidade que não é democrática.</p>
<p>Blair emerge como uma personagem complexa e fascinante. O que é que o fez estar «certo» naquele momento, interpretar correctamente o sentimento das pessoas? Donde vem a sua extraordinária intuição política? E por que a perdeu mais tarde, completa e desgraçadamente, com o Iraque e com Bush? Há uma referência indirecta muito inteligente, no fim do filme, aos dissabores que o primeiro-ministro também viria a experimentar.</p>
<p>O filme é um «docudrama», um género cinematográfico que não está entre os mais apreciados pelos especialistas. O realizador apaga-se, para enfatizar o efeito «de realidade». Mas <em>A Rainha</em> é um grande filme político, pela interpretação, pela reconstituição histórica e pelas questões que suscita.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Pinochet no inferno</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Dec 2006 00:01:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[As notícias relativas ao funeral de Pinochet estão recheadas de detalhes interessantes. A trasladação do cadáver para a Academia Militar, onde foi velado, teve de ser feita de noite, de helicóptero, para evitar reacções adversas. O corpo foi cremado, por &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/12/14/pinochet-no-inferno/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As notícias relativas ao funeral de Pinochet estão recheadas de detalhes interessantes. A trasladação do cadáver para a Academia Militar, onde foi velado, teve de ser feita de noite, de helicóptero, para evitar reacções adversas. O corpo foi cremado, por medo de que pudesse vir a ser profanado. A cremação, inicialmente prevista para um dos maiores cemitérios de Santiago do Chile, teve de ser realizada num outro lugar mais discreto, a 100 km da capital chilena. É certo que Pinochet nunca foi levado à justiça. Mas, desde 1998 &#8211; ano do mandato de captura do juiz Garzón &#8211; e até depois de morto, o antigo ditador não fez outra coisa senão inventar esquemas e fugir. É um caso (e talvez raro) de quem, por mais que se proteja, não fica a coberto dos crimes que praticou. Pelas suas decisões e subterfúgios, os seus familiares revelam que têm consciência disso. Suponho que o inferno seja isto.</p>
<p>Outros poderão conferir esta informação melhor do que eu. A acreditar <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Inferno">na entrada do wikipédia</a>, a palavra latina para inferno nada tem que ver com calor. Refere-se a «lugar coberto ou oculto». Precisamente.</p>]]></content:encoded>
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		<title>O Papa &#8211; mas em nome de quem?</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Dec 2006 18:14:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[As (alegadas) declarações do Papa na sua recente visita à Turquia suscitaram a admiração de muita gente, sobretudo por contrastarem com a má-fé com que os dirigentes europeus, em especial alemães e franceses, têm gerido o dossier da adesão. Eu &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/12/07/o-papa-mas-em-nome-de-quem/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As (alegadas) declarações do Papa na sua recente visita à Turquia suscitaram a admiração de muita gente, sobretudo por contrastarem com a má-fé com que os dirigentes europeus, em especial alemães e franceses, têm gerido o dossier da adesão. Eu não seria tão entusiástico. Admitindo que o Papa disse o que Erdogan disse que ele disse, começa por que tais declarações não têm quaisquer consequências efectivas. A adesão da Turquia à UE não depende do Papa e, a menos que as coisas mudem substancialmente, essa adesão – altamente impopular na Alemanha, na França e em muitos outros países – não se está a ver que possa vir a realizar-se. Se o Papa não está propriamente a fazer campanha pela integração da Turquia na UE, qual é o efeito desta sua atitude e desta visita? Nesta hora atribulada que sucede ao fracasso do projecto hegemónico dos Estados Unidos, parece que o Papa encontrou uma oportunidade para se apresentar ele mesmo como o porta-voz da Europa e do Ocidente. Está certo que eu não estava muito feliz no tempo em que Bush pretendia falar em nome da nossa civilização e das liberdades, e com isso justificar as suas mais variadas políticas. Mas tão pouco posso ficar muito descansado se a voz do Ocidente moderado, razoável e livre é representada pelo Papa – um conhecido adversário do laicismo e do iluminismo.</p>
<p>O episódio do comunicado de Freitas do Amaral enquanto Ministro dos Negócios Estrangeiros sobre a questão dos cartoons de Maomé há uns meses atrás, com a sua invocação expressa da Virgem Maria numa posição do estado português, talvez tenha sido um importante prenúncio. Numa altura em que o mundo ocidental se encaminha para um vazio de liderança, o Papa aproveita a ocasião para representar a nossa voz junto do mundo muçulmano, exprimindo-se sobre matérias de âmbito estritamente político. Se há quem encare a ocupação do discurso político europeu pela voz do Papa como um sinal positivo, não serei eu – por causa das consequências para a liberdade no plano interno, e também por causa das consequências internacionais de um mundo em que o diálogo inter-religioso ocupa o espaço da representação política.</p>
<p><a href="http://www.opendemocracy.net/articles/ViewPopUpArticle.jsp?id=6&#038;articleId=4156#">Este</a> artigo exprime muitas ideias que me parecem interessantes, mas o final é tão cómico que fiquei na dúvida se alguma parte dele era para ser levada a sério.</p>
<p>«<em>The time may come when a mass mobilisation of secular and anti-clerical forces, drawn from across the world, is brought to Rome and simply occupies this anachronistic and pernicious entity; and in doing so abolishes the political and diplomatic authority of popes and cardinals, and turns the Vatican, its wealth and buildings, over to an international, secular, distributive society. It might be a change from demonstrating against the World Trade Organisation, and would target an organisation that has done far more harm on the global stage.</em>»</p>]]></content:encoded>
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		<title>O preservativo está a um preço caríssimo</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Dec 2006 16:40:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Bem sei que não vale a pena perder demasiado tempo com ele: Vasco Pulido Valente é Vasco Pulido Valente, nas suas qualidades e nos seus defeitos, e quem o lê não vai propriamente à procura do rigor no facto e &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/12/07/o-preservativo-esta-a-um-preco-carissimo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bem sei que não vale a pena perder demasiado tempo com ele: Vasco Pulido Valente é Vasco Pulido Valente, nas suas qualidades e nos seus defeitos, e quem o lê não vai propriamente à procura do rigor no facto e no argumento. O maior trunfo do colunista (para além dos literários) é a originalidade; e este cronista em particular é capaz de viajar a galáxias distantes à procura de obter isso. (Não foi ele quem anunciou ao mundo que a derrota dos republicanos nas eleições de Novembro nada teria que ver com o Iraque?) Ainda assim, conseguiu irritar-me <a href="http://jornal.publico.clix.pt/noticias.asp?a=2006&#038;m=12&#038;d=02&#038;uid={FCAF1C46-A0A5-4F28-9C63-E7AAE1A0CE3F}&#038;id=110379&#038;sid=12163">o texto do último sábado</a>, que proclama:</p>
<p>«Por muito que doa a uma certa demagogia, materialmente, a questão do aborto acabou por se tornar numa questão residual. O uso dos contraceptivos (que não custam caro) e, sobretudo, a &#8220;pílula do dia seguinte&#8221; (venda livre a menos de quatro euros) fizeram do aborto o resultado da ignorância, da irresponsabilidade ou da má sorte.»</p>
<p>O Doutor Pulido Valente não tem, possivelmente, a menor ideia do preço dos preservativos: à unidade são mais caros do que o jornal onde escreve, o que é sem dúvida uma tremenda injustiça. Além disso, em muitas desafortunadas circunstâncias as pessoas nem sempre gastam apenas um para cada, digamos, «utilização»: há muito preservativo que se estraga. E por fim há ainda uma diferença – estatisticamente muito significativa – entre a eficácia «de laboratório» obtida pela borracha, e a sua eficácia real, na prática concreta das pessoas, que tem a ver com a forma como ele é utilizado.</p>
<p>O que me impressiona muito nos colunistas que se exprimem sobre o aborto é, frequentemente, a forma como minimizam a capacidade de espermatozóide e óvulo se juntarem apesar da vontade dos respectivos progenitores (suponho que se possa dizer assim). De nada adianta vilipendiar as pessoas pelas gravidezes indesejadas. A gravidez acidental é produto de muitas circunstâncias, desde a falta de informação, ao desleixo, à indisponibilidade de anticoncepcionais. Mas é também um facto da vida, da propensão natural do ser humano para o erro e para a falibilidade. Como <a href="http://a-praia.blogspot.com/2004_02_01_a-praia_archive.html#107738203821052245">escrevi outro dia</a>, «acontece, e mais vezes do que se supõe, mesmo a cidadãos íntegros e conscienciosos, infalivelmente racionais, e prudentes até à cópula.»</p>]]></content:encoded>
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		<title>Menos necessário</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Dec 2006 10:44:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[«Já fui de esquerda, quando era muito necessário. Agora, diria que sou de centro esquerda.» [Maria Cavaco Silva, Visão, 06/12/06]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>«Já fui de esquerda, quando era muito necessário. Agora, diria que sou de centro esquerda.» [Maria Cavaco Silva, <em>Visão</em>, 06/12/06]</p>]]></content:encoded>
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		<title>Sigam os links (tirando, eventualmente, um)</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Dec 2006 10:32:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Atualizado às 4 da tarde: embora sem nenhuma especial novidade, a síntese do Economist é, como habitualmente, útil: «Militarily, it is withdrawal by any other name, and not far short of precipitate.» «The biggest obstacles to any grand bargain on &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/12/07/sigam-os-links-tirando-eventualmente-um/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Atualizado às 4 da tarde</em>: embora sem nenhuma especial novidade, <a href="http://economist.com/daily/news/PrinterFriendly.cfm?story_id=8377607">a síntese do <em>Economist</em></a> é, como habitualmente, útil:</p>
<p>«Militarily, it is withdrawal by any other name, and not far short of precipitate.»</p>
<p>«The biggest obstacles to any grand bargain on Iraq may well be practical rather than ideological. Is Condoleezza Rice up to the job of acting as a regional power-broker? (Her performance during the Israel-Hizbullah war was notably weak.) (&#8230;) Is training the Iraqi army anything more than a pipe-dream?»</p>
<p>Enquanto andava na net a tentar perceber o que diz o relatório Baker, <a href="http://www.prospect.org/web/printfriendly-view.ww?id=12275">o texto que mais me impressionou</a> foi, possivelmente, o de Matthew Yglesias, um <a href="http://www.matthewyglesias.com/">blogger</a> e <a href="http://www.prospect.org/web/page.ww?name=View+Author&#038;section=root&#038;id=979">colunista</a> americano que eu não conhecia e tem a bonita idade de 25 anos (nasceu em <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Matt_Yglesias">1981</a>). <a href="http://www.prospect.org/web/page.ww?section=root&#038;name=ViewWeb&#038;articleId=12160">Este outro texto dele</a> também é recomendável, para um retrato do que a administração Bush imagina que seja a diplomacia.</p>
<p>O <a href="http://www.spiegel.de/international/0,1518,druck-452908,00.html">Spiegel online</a> que citei duas vezes no post anterior merece leitura completa. Para uma perspectiva política geral, <a href="http://www.spiegel.de/international/0,1518,druck-447699,00.html">o artigo de Anatol Lieven</a> publicado já há um mês mantém actualidade, porque ele têm sido um defensor consistente de uma linha «realista» sobre o Iraque, que inclua negociação com o Irão e a Síria. Acho que o texto ajuda a perceber porquê.</p>
<p>Por fim, graças às recomendações de José Manuel Fernandes (<a href="http://jornal.publico.clix.pt/noticias.asp?a=2006&#038;m=12&#038;d=03&#038;uid={FCAF1C46-A0A5-4F28-9C63-E7AAE1A0CE3F}&#038;id=110495&#038;sid=12179">em editorial do <em>Público</em> no último domingo</a>), consultei pela primeira vez o site esquerda.net, do BE. Devo dizer que tive uma surpresa. Não tanto por os conteúdos não corresponderem em nada ao anunciado por Fernandes, mas porque foi através do BE que fiquei a conhecer <a href="http://esquerda.net/index.php?option=com_content&#038;task=view&#038;id=1220&#038;Itemid=40">este texto de Fukuyama</a> sobre a Venezuela, que apesar da tradução ainda merece ser lido. Mais recente, há também <a href="http://www.esquerda.net/index.php?option=com_content&#038;task=view&#038;id=1225&#038;Itemid=46">este artigo de Wallerstein</a> sobre a política americana e a guerra do Iraque após as eleições de Novembro último. «É óbvio que os Estados Unidos perderam irremediavelmente a guerra. O objectivo dos Estados Unidos era pôr no poder um governo estável e amigável, e que permitisse a instalação de bases militares americanas. Hoje, é claro que se for estável não será amigável. E se for amigável não será estável.»</p>]]></content:encoded>
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		<title>Iraque: Day of reckoning</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Dec 2006 23:46:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Assistimos neste momento a uma raridade histórica: um ajuste de contas generalizado com uma política externa que levou ao fiasco, e quem dirige o ajuste de contas é o próprio presidente que provocou o fiasco – uma humilhação do mais &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/12/07/day-of-reckoning/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Assistimos neste momento a uma raridade histórica: um ajuste de contas generalizado com uma política externa que levou ao fiasco, e quem dirige o ajuste de contas é o próprio presidente que provocou o fiasco – uma humilhação do mais alto grau. É uma forma de auto-<em>impeachment</em>, com o bónus de que o Presidente é autorizado a manter-se no cargo.</p>
<p>[do <a href="http://www.spiegel.de/international/0,1518,druck-452908,00.html">Spiegel</a>, em inglês]</p>
<p>O dia do ajuste de contas alguma vez teria de chegar. Uma guerra desastrosa, assente, não apenas na mentira, mas numa cegueira história e ideológica bastante considerável, havia de gerar os seus frutos, como está a gerar, e de exigir respostas. O relatório da Comissão Baker, ontem divulgado, parece vir dar o tiro de misericórdia na política da administração Bush para o Iraque. 1. Propõe uma retirada progressiva de tropas, de tal forma que daqui a um ano os americanos devem estar apenas a auxiliar, coadjuvar, cooperar com os iraquianos no combate à al-Qaeda, e não a fazer eles directamente a guerra. 2. Defende a abertura de um processo negocial com a Síria e o Irão – isto é, diz que os EUA têm de pedir ajuda aos dois regimes do mundo que o governo Bush mais hostilizou. 3. Sustenta que a estabilização do Médio Oriente – incluindo o imbróglio do Iraque – só pode ser resolvida através de uma negociação generalizada que inclua o problema da Palestina. Mas por que será que eu não me sinto feliz?</p>
<p>Infelizmente, o relatório «realista» de Baker não parece muito mais realista do que a política anterior. Fazem-me particular confusão as recomendações relativas à retirada de tropas. A Comissão não propõe a retirada imediata – porque, alegadamente, isso levaria a um ponto trágico a guerra civil, arrastando as potências vizinhas num conflito generalizado, o Irão, a Arábia Saudita, a Síria e, muito possivelmente, a Turquia. Mas a Comissão também não sustenta o aumento das tropas americanas no terreno, ou o prolongamento da sua missão. Pelo contrário: diz que, se o governo iraquiano não fizer mais do que tem feito até aqui para melhorar a segurança, os americanos sairão mais depressa. O paradoxo pode expressar-se assim:</p>
<p>«Se o governo do Iraque conseguir, de forma lenta mas segura, acabar por si próprio com a insurgência e o derramamento de sangue, os Estados Unidos procederão a uma retirada gradual. Por outro lado, se não for posto um fim aos assassinatos e às execuções – se o governo do Iraque se revelar impotente perante o agravamento da guerra civil –, nesse caso os EUA retirar-se-ão mais depressa.» [de novo o <a href="http://www.spiegel.de/international/0,1518,druck-452908,00.html">texto do Spiegel</a>.]</p>
<p>Ora, a última vez que li notícias do Iraque fiquei com a impressão de que o governo iraquiano não é propriamente uma entidade unificada e soberana, capaz de aplicar uma política coerente em todo o território. Pelo contrário: o próprio governo é atravessado por forças contraditórias, algumas delas apoiadas em milícias armadas. Mais que isso: as próprias forças armadas do Iraque se sobrepõem e misturam com milícias sectárias, de tal forma que nem sempre é fácil distinguir onde começam as forças armadas «iraquianas» «unidas» e onde acabam as milícias sectárias xiitas e sunitas. Os EUA pretendem fazer um ultimato a uma entidade que possivelmente não está em condições de responder a ultimatos. E se a resposta iraquiana não for satisfatória? Nesse caso, os americanos retiram – propiciando a tal guerra regional generalizada. Não seria melhor retirar já?</p>
<p>É confuso – e agora imaginem do ponto de vista dos militares americanos que estão no Iraque e que amanhã e nos dias seguintes terão de sair para combate, patrulhar ruas, enfrentar fogo hostil. A mensagem é: se as coisas correrem mais ou menos, saímos no prazo de um ano; mas, se correrem mal, saímos já.</p>
<p>E é confuso também do ponto de vista das outras potências regionais com as quais se pretende negociar. Não me interpretem mal: qualquer pessoa com o mínimo de bom-senso (o que, infelizmente, não inclui a administração Bush ou qualquer dos seus apoiantes) há muito tempo que tinha percebido que os EUA não teriam outra hipótese senão tentar negociar com o Irão e a Síria, a quem podem eventualmente oferecer outras contrapartidas e que não estarão, eles mesmos, muito entusiasmados com a perspectiva de um conflito regional ou com a partição do Iraque. Mas a negociação só pode ser conduzida a partir de uma posição de alguma força e sobretudo de clareza, não de desespero. Se os EUA têm duas ideias diferentes entre ficar e partir, que compromisso negocial sério podem assumir com o Irão e a Síria? Não deveria esta negociação política ter prioridade sobre o elencar, ainda por cima público, de alternativas militares pouco menos que desesperadas?</p>
<p>Ou eu estou a ver mal as coisas (o que é perfeitamente possível), ou isto não faz muito sentido. Ou, pelo menos, não faz sentido como política externa. Mas também pode dar-se o caso de isto não ser política externa, e sim política interna. O eleitorado americano já chegou à conclusão de que a intervenção foi um erro. Quer sair. A Comissão (bipartidária, cinco republicanos e cinco democratas) oferece uma sugestão que, admitindo a saída, ao mesmo tempo não contradiz directamente o Presidente. Não espanta, se pensarmos que esta guerra perfeitamente irresponsável pôde ser feita porque a política interna americana pós-11/9 o tornou possível. Os EUA entraram quando a opinião pública achava boa ideia, apesar dos factos. E os EUA farão a retirada dentro dos termos que a opinião pública aprove, independentemente dos factos. Parece que os americanos já se convenceram de que a guerra do Iraque foi um erro. Mas talvez não tenham compreendido que foi também uma tragédia. Oxalá eu me engane.</p>
<p>Uma última nota, de âmbito interno. Tenho francamente saudades do tempo em que a direita bushista, espumando de triunfalismo e ignorância, festejava a queda e captura de Saddam, e acusava a esquerda de «sorrisos amarelos». Desde o início desta invasão, em Março de 2003, nunca encontrei no Iraque infelizmente, em nenhum momento, motivo para festejos. Por horrível que fosse o regime de Saddam, sempre me pareceu que as consequências da invasão seriam, do ponto de vista interno e internacional, piores. Ainda haveria razões para vir a ter saudades daquela «estabilidade». O tempo confirmou os receios, e se alguma coisa se passou foi a realidade ser pior do que as expectativas. Mas ninguém aprendeu nada. Salvo honrosas excepções (lembro-me agora de <a href="http://abrupto.blogspot.com/">Pacheco Pereira</a>), entre os apoiantes de Bush ninguém se atreve a discutir o que se está a passar, nem a dizer o que aprendeu, nem a dizer o que deve ser feito a partir daqui. Naquele tempo elogiava-se a «clareza moral» do Presidente Bush, mas hoje ninguém discute o que era essa clareza, nem muito menos que moralidade tinha.</p>
<p>Na maior parte dos casos, o que persiste é a arrogância e a irresponsabilidade (num sentido literal: a indisponibilidade para responder, para prestar contas), umas bocas avulsas, umas provocações, e às vezes ainda umas construções fantasiosas sobre os «bons» e os «maus». Nem me estou a referir à blogosfera política, que pouco acompanho e que é muito agit-prop e pouca reflexão. Mas, nos media, sempre as mesmas luminárias peroram como se nada tivesse acontecido, com o mesmo moralismo, e pessoas de quem se exigiria mais não ultrapassam o registo das bocas, das chalaças, das provocações. Agora estou a pensar em Rui Ramos, num artigo de há umas três semanas no <em>Público</em> (cujo link já não encontro disponível).</p>]]></content:encoded>
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		<title>Proibir piora</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Nov 2006 16:07:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Foto do filme Paris Je T&#8217;aime A Joana Amaral Dias e o António Figueira têm trocado argumentos sobre a proibição do véu islâmico, o que ocasionou inúmeras respostas em caixas de comentários e noutros blogs. O editorial do Economist desta &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/11/30/proibir-piora/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img width="420" height="280" alt="veu.jpg" id="image454" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/11/veu.jpg" /><br />
<em>Foto do filme </em>Paris Je T&#8217;aime</p>
<p>A <a href="http://5dias.net/2006/11/22/velado/">Joana Amaral Dias</a> e o <a href="http://5dias.net/2006/11/28/contra-o-veu/">António Figueira</a> têm trocado argumentos sobre a proibição do véu islâmico, o que ocasionou inúmeras respostas em caixas de comentários e noutros <em>blogs</em>. O editorial do <em>Economist</em> desta semana põe, a meu ver, o assunto nos exactos termos em que ele deve ser posto. Traduzo um excerto, depois da dobra <span style="font-size: 12pt">–</span> ainda juntei uns itálicos nas passagens que acho mais relevantes, porque há malta muito preguiçosa a ler. O original pode ser lido <a href="http://www.economist.com/opinion/PrinterFriendly.cfm?story_id=8319486">ali</a>.</p>
<p><span lang="EN-GB"><span id="more-453"></span>(…) Aqueles que defendem a proibição argumentam com quatro razões principais. </span>Primeiro, o véu (especialmente a burqa e o niqab) exprimem, da parte dos muçulmanos, uma recusa de integração nas sociedades onde vivem; Tony Blair chamou-lhes uma «marca de separação». Segundo, esses trajes são um símbolo da opressão das mulheres muçulmanas; diz-se que elas usam os véus em grande medida graças à intimidação (ou por ordem) dos homens que as dominam. Terceiro, a exibição de símbolos religiosos é uma afronta às sociedades seculares (aspecto que tem especial ressonância em França e na Turquia). E, quarto, há espaços – a sala de aula, o tribunal – em que o uso do véu muçulmano pode ser intimidatório ou constrangedor para alunos ou para jurados.<br />
Alguns destes argumentos são mais fortes que outros, mas nenhum deles sustenta uma proibição liminar ao estilo holandês [i.e., do que é proposto pela ministra da imigração da Holanda]. Os trajes muçulmanos podem de facto ser vistos como uma marca de separação, <em>mas a discriminação racial e sectária é seguramente mais relevante – e a proibição dos véus e trajes religiosos é susceptível de a agravar</em>. A opressão das mulheres muçulmanas é infelizmente muito comum, e deve ser resistida; mas muitas mulheres escolhem usar o véu por razões culturais, e outras fazem-no (por exemplo em países árabes) como um sinal de emancipação, ou até como uma opção de moda. A França e a Turquia têm tradições seculares severas, que podem ser interpretadas de maneira a justificar restrições aos símbolos religiosos; mas <em>é preferível aplicar tais restrições com parcimónia, e só em edifícios estatais, não nas ruas</em>. No mesmo sentido, a decisão de proibir o uso de trajes muçulmanos em tribunais ou por alunos e professores fica mais bem entregue ao sentido discricionário local do que a imposições de âmbito nacional.<br />
Além disso, há poderosos contra-argumentos em relação à proibição dos trajes muçulmanos. Para começar, <em>é anti-liberal impor aos outros aquilo que eles devem vestir, especialmente quando esses outros formam uma minoria religiosa</em>. A proibição é susceptível de fomentar, em lugar de dissuadir, as perseguições e agressões com motivação religiosa. <em>Ela dá força àqueles que sustentam que o Islão é uma religião não-europeia</em>, apesar de haver para cima de 15 milhões de muçulmanos na União Europeia. E pode dificultar a exigência feita por países predominantemente cristãos de maior tolerância religiosa nos países de maioria muçulmana (…).<br />
Acima de tudo, existe o risco de que a proibição, longe de desencorajar o uso do véu, sirva para o encorajar. Actualmente, só uma meia-dúzia de muçulmanas holandesas usam a burqa ou o niqab integral. Assim como o resto da Europa, os holandeses conheceram por experiência própria o perigo do radicalismo islâmico. Medidas intolerantes contra os muçulmanos são apenas susceptíveis de o agravar.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Kramer contra Kramer</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Nov 2006 09:09:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Como o Pedro Mexia, eu soube da notícia na 2ª feira através do Público: «Sexta-feira à noite, 17 de Novembro, Los Angeles. Michael Richards [conhecido como o Cosmo Kramer de Seinfeld] estava a desenrolar o seu número de stand-up comedy &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/11/30/o-caso-kramer/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://estadocivil.blogspot.com/2006/11/o-caso-richards.html">Como o Pedro Mexia</a>, eu soube da notícia na 2ª feira através do <em>Público</em>:</p>
<p>«Sexta-feira à noite, 17 de Novembro, Los Angeles. Michael Richards [conhecido como o Cosmo Kramer de <em>Seinfeld</em>] estava a desenrolar o seu número de stand-up comedy no clube de comédia <em>Laugh Factory</em>. Um grupo terá começado a gritar para o palco, dizendo que o comediante não estava a ter piada. No vídeo que circula na Internet não são visíveis as provocações, mas apenas a reacção do cómico, que lhes dá resposta com a frase &#8220;Calem-se! Há 50 anos punhamo-vos de cabeça para baixo com uma merda de uma forquilha pelo rabo acima!&#8221;, aludindo aos tempos da escravatura negra e aos linchamentos. &#8220;Ponham-no na rua, ele é um preto (<em>nigger</em>). Ele é um preto! Ele é um preto!&#8221;, continuou. Há alguns risos entre a plateia, mas também um espectador sonoramente incomodado. Richards reage também ao &#8220;ooh&#8221; indignado: &#8220;Muito bem, vêem, isto choca-vos&#8221;. Quando o visado pelos primeiros insultos diz que as palavras com carga racial eram desnecessárias, Richards responde-lhe, irritado, que &#8220;o que é desnecessário é interromperem-me!&#8221; O dono do clube baniu Richards do palco até que ele se desculpasse publicamente. Mas só depois do vídeo, captado por um telemóvel e reproduzido pela TMZ.com, ter sido exibido por muitos programas de televisão e sítios na Internet entre domingo e segunda-feira. No sábado à noite, Michael Richards ainda actuou na <em>Laugh Factory</em>.»</p>
<p>Lê-se isto, a descrição está bem feita, mas ainda falta alguma coisa: o video. Causa alguma surpresa que nós nos blogs estejamos dispostos a fornecer uma variedade de fontes bem mais ampla do que a que usam os jornais: no site do Público (que é o que eu mais leio) não há links nem videos. Eis então o video.</p>
<p><object width="425" height="350"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/U3RjiVcIlhY"></param><param name="wmode" value="transparent"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/U3RjiVcIlhY" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="350"></embed></object></p>
<p>Talvez não adiante dizer o que dizem as imagens. Não me cabe fazer um julgamento. As imagens de Kramer no Letterman não são, de certa maneira, menos inquietantes.</p>
<p><object width="425" height="350"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/e5SkRdrAbzQ"></param><param name="wmode" value="transparent"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/e5SkRdrAbzQ" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="350"></embed></object></p>
<p>Seinfeld foi ao programa de Letterman e aproveitou a ocasião para pôr Michael Richards a falar com o público. Richards está visivelmente consternado. Seinfeld está visivelmente preocupado, tentando ajudar o amigo. Mas o que impressiona é que, num primeiro momento, o público ri, e continua a rir, como se tudo aquilo fizesse parte da comédia. Richards hesita, teve muitas dúvidas sobre se seria boa ideia ir fazer aquilo: ir a um programa de TV – um programa de entretenimento na TV – fazer um pedido de desculpas. Richards parece ter-se dado conta do risco de fazer isto num programa de entretenimento. O seu sofrimento (acho que não exagero na palavra) e as suas desculpas passam a fazer parte do <em>show</em>.</p>
<p>E falar mais nem sempre é boa ideia. A passagem em que ele remete para uma teoria geral da agressividade, relacionada com «o nosso país agredir outras nações», não é das mais felizes. A parte do <em>personal work</em> também não me agrada, pois, se é <em>personal</em>, não é público.</p>
<p>Tão pouco acho que o episódio de Kramer – lamentável, surpreendente, em certa medida bizarro – deva dar origem a excessivas filosofias. Kramer perdeu a cabeça, como outras pessoas perdem a cabeça, por exemplo no trânsito. Acho que quem está no trânsito assume certas responsabilidades, e quem está num palco também; nesse sentido, Kramer, perdendo (humanamente) a cabeça, não agiu dentro do mínimo de responsabilidade que lhe era exigível. Violou o contrato, perdeu o direito. (Por quanto tempo, não sei.) Ele próprio diz, com grande lucidez, que é importante que os ofendidos protestem, porque o caso tem um alcance muito amplo – não pode ser «normalizado», trivializado.</p>
<p>Estas coisas racistas andam no ar. Coisas sexistas também. Ideias sobre superioridade e inferioridade, dominação e submissão, entre grupos «étnicos», entre «géneros», entre ricos e pobres, entre cidades. A minha impressão é que todos estes preconceitos e todas estas violências podem ser «mobilizadas» (passe o sociologuês) numa situação em que se pretende ferir seriamente o outro. Kramer quis aleijar, e levante-se o primeiro santo que nunca quis magoar. A questão de saber se Kramer acredita naquilo está – visto que Kramer não é, claramente, um racista – está «para lá do ponto». É claro que não acredita, na mesma medida em que nós não acreditamos em todas as barbaridades que nos saem pela boca fora numa situação violenta do género. E é claro que «acreditamos», que fazemos parte do meio em que estas ideias insiodiosamente circulam. Ideias sobre as mulheres. Ideias sobre os pretos. Ideias sobre os ricos. Ideias sobre os pobres. Ideias sobre o que é «ser homem».</p>]]></content:encoded>
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		<title>Nice or clever</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Nov 2006 08:12:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É difícil simpatizar com Ségolène Royal. O mais que se pode é tentar racionalizar, pensar que a alternativa é Sarkozy, rezar por um ticket Ségolène/Strauss-Kahn, com o último a primeiro-ministro. Mas o diagnóstico mais certeiro parece ser o que vinha &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/11/30/nice-or-clever/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ocanhoto.blogspot.com/2006/11/what-france-needs.html">É difícil simpatizar com Ségolène Royal</a>.<span lang="PT"> O mais que se pode é tentar racionalizar, pensar que a alternativa é Sarkozy, rezar por um <em>ticket</em> Ségolène/Strauss-Kahn, com o último a primeiro-ministro. </span> Mas o diagnóstico mais certeiro parece ser o que vinha citado no <em>Economist</em>:</p>
<p><a href="http://economist.com/world/europe/PrinterFriendly.cfm?story_id=8323495">As a former colleague from ENA puts it: «Everybody thinks she is nice and not clever. But the truth is she is very      clever and absolutely not nice.»</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Gonçalo Sousa</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Nov 2006 07:51:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não é fácil dizer bem, porque não é hábito. Pelo menos de tantas coisas. Começo pelo lugar mais improvável: suponho que nunca ninguém fez um elogio a um tradutor de filmes; calculo que não seja pela tradução de filmes que &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/11/30/goncalo-sousa/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span lang="PT">Não é fácil dizer bem, porque não é hábito. Pelo menos de tantas coisas. Começo pelo lugar mais improvável: suponho que nunca ninguém fez um elogio a um tradutor de filmes; calculo que não seja pela tradução de filmes que se constrói uma reputação e uma carreira. E, no entanto, ultimamente reconheço uma marca autoral nos filmes que não é do realizador, nem dos actores, nem do argumentista. Já me aconteceu mais do que uma vez, a meio do filme, dar-me conta de que a tradução só pode ser de uma pessoa. Isso não resulta simplesmente do facto de que a maior parte das vezes as traduções dos filmes são péssimas; resulta de que nas traduções do Gonçalo Sousa se nota rigor, cuidado, atenção ao detalhe. Não sou um maníaco do texto nos filmes; não sou daqueles para quem «bons diálogos» valem um filme. Mas, mesmo assim, é uma felicidade notar que o tradutor se interessa pelas frases que está a construir, se interessa pelo texto que foi posto no filme e também se interessa em dar um português decente a quem está a lê-lo. É isso que noto no trabalho do Gonçalo Sousa. O facto de o conhecer pessoalmente desde os tempos do liceu (digo isto por <em>disclosure</em>) não é chamado para este elogio.</span></p>
<p><span lang="PT">Há uma quantidade surpreendente de filmes razoáveis nas salas neste momento. Nem estou a falar do último Scorsese, entretenimento de luxo. Estou a falar de filmes que, sem serem obras-primas, mais que justificam o preço do bilhete e me satisfazem à saída da sala. A pepita da série é </span><a href="http://www.aprairiehomecompanionmovie.com/"><em><span lang="PT" style="text-decoration: none">A Prairie Home Companion</span></em></a><span lang="PT">, o último filme de Altman. Quis o destino que Altman morresse enquanto este filme está em exibição comercial entre nós, e devemos aproveitar essa coincidência, porque o tom melancólico de <em>A Prairie Home Companion</em> ajusta-se muito perfeitamente à despedida. Além disso, é um belo exemplar da direcção de actores que todos os obituários sublinhavam como uma das grandes qualidades de Altman. Todos são bons, mas destaco <a href="http://imdb.com/name/nm0445087/">Garrison Keillor</a>, que também escreveu o argumento, e <a href="http://imdb.com/name/nm0000515/">Virginia Madsen</a>, na personagem da Morte.<br />
Há </span><a href="http://www.dansparis-lefilm.com/"><em><span lang="PT" style="text-decoration: none">Dans Paris</span></em></a><span lang="PT">, a que o António Figueira já fez referência. Um início tão cabotino que estive preste a sair da sala, mas depois o filme é uma surpresa. O António </span><a href="http://5dias.net/2006/11/28/post-scriptum-ii/"><span lang="PT">viu nele «joie de vivre»</span></a><span lang="PT">, o que não é pouca coisa para uma história que se centra num rapaz com uma depressão. O rapaz é Romain Duris (<em>Albergue Espanhol</em>, <em>De Tanto Bater…</em>) e o irmão dele Louis Garrel (de <em>Os Sonhadores</em>), ambos muito bem. Há ainda </span><a href="http://www.coop99.at/grbavica_website/"><span lang="PT">um filme sobre o pós-guerra da Bósnia</span></a><span lang="PT">, Urso de Ouro no Festival de Berlim, em exibição no King – interessante. Há </span><a href="http://www2.foxsearchlight.com/thankyouforsmoking/"><span lang="PT">Thank you for Smoking</span></a><span lang="PT">, uma comédia esperta, com algumas boas piadas. Acho que ainda há <em>Volver</em>, numa ou outra sala perdida.</span></p>
<p><span lang="PT">E não é impossível que algures no país, numa sessão esporádica, também se consiga ver uma espécie de documentário sobre </span><a href="http://cinecartaz.publico.clix.pt/filme.asp?id=160365"><span lang="PT">Vinícius de Moraes</span></a><span lang="PT">. Há alguns aspectos que me merecem reservas: dois maus actores fazem a «continuidade» ao longo do filme, dizendo mal textos de que, nalguns casos, até existem gravações disponíveis pelo próprio Vinícius. E há um tom hagiográfico que não permite mostrar a dimensão de tristeza, quase se diria a dimensão de tragédia da personalidade de Vinícius, que marcou especialmente os seus últimos anos. Se puxarem por mim ainda digo mais: muita coisa que Vinícius fez é uma merda, poeminhas ridículos, </span><a href="http://www.mpbnet.com.br/musicos/renato.braz/letras/eu_nao_existo_sem_voce.htm"><span lang="PT">cançõezinhas da treta</span></a><span lang="PT"> que não merecem ser lembradas nem muito menos glorificadas como «o poeta do amor».<br />
Mas estou a entusiasmar-me e a dar uma perspectiva distorcida das coisas. O filme vale a pena porque é Vinícius, evoca Vinícius, remete para Vinícius, excelente poeta nos seus melhores momentos, <a href="http://a-praia.blogspot.com/2004_09_01_a-praia_archive.html#109564698715815913">personalidade</a> <a href="http://a-praia.blogspot.com/2004_09_01_a-praia_archive.html#109547135460523309">que</a> <a href="http://www.a-praia.blogspot.com/2005_07_01_a-praia_archive.html#112066937941513222">merece</a> <a href="http://www.a-praia.blogspot.com/2005_07_01_a-praia_archive.html#112092825953193803">ser lembrada</a>. <a href="http://a-praia.blogspot.com/2003_09_01_a-praia_archive.html#106328959263957528">Eu</a> <a href="http://www.a-praia.blogspot.com/2005_07_01_a-praia_archive.html#112101191230602758">sou</a> <a href="http://www.a-praia.blogspot.com/2005_07_01_a-praia_archive.html#112101898941165386">um</a> <a href="http://www.a-praia.blogspot.com/2005_07_01_a-praia_archive.html#112108656286218166">grande</a> <a href="http://www.a-praia.blogspot.com/2005_07_01_a-praia_archive.html#112134748081369928">fã</a> <a href="http://www.a-praia.blogspot.com/2005_07_01_a-praia_archive.html#112145479084453487">de</a> <a href="http://www.a-praia.blogspot.com/2004_09_01_a-praia_archive.html#109467261594572011">Vinícius</a>. O melhor deste filme são os depoimentos </span><a href="http://youtube.com/watch?v=R5_SLKBXH1E"><span lang="PT">de Chico Buarque</span></a><span lang="PT"> (perfeitamente luminoso), a </span><a href="http://youtube.com/watch?v=AR1V2V5hkAU"><span lang="PT">belíssima revelação de Mariana de Moraes</span></a><span lang="PT"> (neta, filha de Pedro) e algumas imagens de arquivo. Menos bem Zeca Pagodinho, sambista de que gosto muito mas não encaixa no molde.</span></p>
<p><span lang="PT">Uma última nota: excelente o texto de Luís Miguel Queirós no <em>Público</em> a propósito da morte de Cesariny (que encontrei </span><a href="http://revertereadlocumtuum.blogspot.com/"><span lang="PT">neste blog</span></a><span lang="PT"> de temática super-contemporânea). Já tinha dito noutra altura que acho Luís Miguel Queirós um impressionante jornalista cultural. Pena que escreva com tão pouca frequência. </span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Bom dia</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Nov 2006 23:08:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Já escrevi várias vezes que Eu Não Peço Desculpa, a parceria de Caetano e Mautner, é um dos meus discos preferidos dos últimos anos. Agora imaginem o meu entusiasmo quando descobri isto. Caetano Veloso e Jorge Mautner, «Todo Errado».]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Já escrevi várias vezes que <em>Eu Não Peço Desculpa</em>, a parceria de Caetano e Mautner, é um dos meus discos preferidos dos últimos anos. Agora imaginem o meu entusiasmo quando descobri isto.</p>
<p><object width="425" height="350"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/F9jjmEircPI"></param><param name="wmode" value="transparent"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/F9jjmEircPI" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="350"></embed></object></p>
<p><em>Caetano Veloso e Jorge Mautner, «Todo Errado».</em></p>]]></content:encoded>
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		<title>O Manifesto Comunista através do You Tube</title>
		<link>http://5dias.net/2006/11/23/o-manifesto-comunista-atraves-do-you-tube-para-comecar-o-dia/</link>
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		<pubDate>Thu, 23 Nov 2006 11:13:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Versão moderna: indispensável, para esclarecer as crianças. Versão pós-moderna: subjectivismo, fragmentação da racionalidade, dispersão do sentido. [A ideia nasceu ali.]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Versão moderna: indispensável, para esclarecer as crianças.</p>
<p><object width="425" height="350"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/NbTIJ9_bLP4"></param><param name="wmode" value="transparent"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/NbTIJ9_bLP4" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="350"></embed></object><br />
Versão pós-moderna: subjectivismo, fragmentação da racionalidade, dispersão do sentido.</p>
<p><object width="425" height="350"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/jxXeUsf_MU4"></param><param name="wmode" value="transparent"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/jxXeUsf_MU4" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="350"></embed></object><br />
[A ideia nasceu <a href="http://blogoexisto.blogspot.com/">ali</a>.]</p>]]></content:encoded>
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		<title>O Plano Homer Simpson</title>
		<link>http://5dias.net/2006/11/23/o-plano-homer-simpson/</link>
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		<pubDate>Thu, 23 Nov 2006 07:27:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma colaboração externa alivia trabalho e ajuda a manter a página. Uma colaboração externa que desencadeia polémicas é uma mina de ouro. Depois da dobra, Paulo Varela Gomes responde a Luís Miguel Oliveira. O Plano Homer Simpson Paulo Varela Gomes &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/11/23/o-plano-homer-simpson/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img width="403" height="302" alt="coppola21.jpg" id="image409" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/11/coppola21.jpg" /></p>
<p>Uma colaboração externa alivia trabalho e ajuda a manter a página. Uma colaboração externa que desencadeia polémicas é uma mina de ouro. Depois da dobra, Paulo Varela Gomes responde a <a href="http://diespinnen.blogspot.com/2006/11/drama-histrico.html">Luís Miguel Oliveira</a>.</p>
<p><span id="more-388"></span><br />
<strong>O Plano Homer Simpson</strong><br />
Paulo Varela Gomes</p>
<p>&#8220;Sem animosidade&#8221;, Luís Miguel Oliveira (LMO), crítico de cinema do <em>Público</em>, <a href="http://diespinnen.blogspot.com/2006/11/drama-histrico.html">critica no seu <em>blog</em></a> <a href="http://5dias.net/2006/11/16/386/">o meu texto sobre <em>Marie Antoinette</em></a>. &#8220;Sem animosidade&#8221;, é certo, mas chateado porque percebeu que um dos motivos pelos quais escrevi o dito texto foi porque o li uma nota dele, no <em>Público</em> já não me lembro de quando, na qual, para elogiar o filme de Sofia Coppola, o tratava condescendentemente como filme de <em>teenagers</em>.</p>
<p>Que fique claro – antes de mais – que não incluo LMO na &#8220;crítica vulgar&#8221; que refiro no meu texto, excepto através dessa pequena nota que me irritou e que ele deve ter escrito em dia de &#8220;moinhos de vento&#8221;. Em geral, gosto bastante daquilo que escreve.</p>
<p>O facto de LMO se ter dado ao trabalho de comentar o meu texto e os termos em que o fez resolvem desde logo um problema: provam que, afinal, <em>Marie Antoinette</em> é um filme sobre a questão da história no cinema, contrariamente ao que se costuma dizer e, sobretudo, apesar do silêncio com que tal tema é rodeado. Ou seja: o meu texto tem razão no fundamental e LMO dá-me essa razão. Muito obrigado.</p>
<p>Mas, para o fazer, LMO faz uma palestra sobre história do cinema, passando ao lado das minhas palestras sobre história da historiografia e história da arquitectura. Abandonemos o mútuo tom professoral (iniciado por mim, <em>mea culpa</em>) e passemos ao osso da questão.</p>
<p>Este não se situa onde LMO pensa. De facto, parece-me pouco interessante definir o que é ou não é drama histórico ou filme histórico. Drama histórico é a minha tradução para português do americano, língua na qual drama é a não-comédia. Não concordo nada que possam existir comédias históricas, de DeMille ou dos Monty Python; se são comédias não são históricas. A História é uma senhora séria (e não estou a brincar). A expressão drama histórico, que tem implícito um conceito, é tanto mais útil ao debate – como se viu – quanto mais vagas forem as suas fronteiras. Se nos pomos com minudências, acabamos a discutir minudências e envolvidos em intermináveis listas de filmes ou de características que estão dentro, ou fora, ou mais ou menos, do conceito de drama histórico.</p>
<p>Bastará a LMO que assentemos em que drama histórico é o género que, em cada época, o público e a crítica reconhecem enquanto tal? Ou seja, que drama histórico é o filme cujo guião se refere a acontecimentos em relação aos quais os espectadores sentem existir uma distância histórica que necessita da mediação da historiografia para ser descodificada?</p>
<p>Neste quadro, um <em>western</em>, por exemplo, não é um drama histórico apesar de a acção decorrer &#8220;no passado&#8221;, embora, como LMO sabe melhor que eu, tenha havido filmes localizados no oeste americano da segunda metade do século XIX que são dramas históricos porque assim foram recebidos e percebidos. O drama histórico é, portanto, o filme legitimável através da história.</p>
<p>E aqui entramos numa verdadeira questão de fundo, que LMO muito bem percebe e em relação à qual tem razão.<br />
O cinema é construção <em>de</em> realidade e <em>da</em> realidade: muda a percepção e muda as próprias coisas do real. Constrói mundos e constrói o mundo. Neste sentido, tanto dá que o guião se refira a 1700 a.C. como a 2700 d.C. Para todos os efeitos, trata-se sempre de &#8220;drama humano e pancadaria&#8221; como escrevi no meu texto, quer o filme seja &#8220;histórico&#8221;, quer não. E todos os realizadores dignos do nome de cineastas o sabem deste Eisenstein e Griffith. Pegando em material legitimável pela história, pela antropologia, pela política, ou seja pelo que for, materializam esse material em filme. Não há/houve um único grande drama histórico que não contivesse em si e não mostrasse os mecanismos da sua construção enquanto construção da realidade.</p>
<p>Mas, e aqui é que se situa a minha divergência com LMO, os filmes que digo de Plano A (faça-me um favor LMO: não me acuse de ultra-simplificar as coisas! É o que eu faço melhor. E as coisas ficam mais simples, pode crer), ou seja, os filmes que, no guião, implicam acontecimentos/personagens históricos &#8220;realmente acontecidos&#8221; sempre necessitaram e sempre foram explicitamente legitimados pela historiografia, sempre tiveram, directa ou indirectamente, consultores, directores artísticos e etc. relacionados com a história, sempre foram lidos e criticados (também) à luz da História (aqui com maiúscula para significar a dignidade sacrossanta de que a coisa gozou até meados do século XX).</p>
<p>Inclusivamente filmes como <em>Cleópatra</em> buscavam legitimidade histórica, não na verosimilhança de diálogos ou personagens, mas precisamente na espectacularidade dos cenários – que correspondiam a um cânone historiográfico de &#8220;baixa intensidade&#8221; académica mas de grande impacto popular e mediático acerca do que era o mundo visual do império romano.</p>
<p>A legitimação de <em>Ivan o Terrível</em>, tanto como a do filme de Rossellini, <em>A tomada do poder de Luís XIV</em>, vieram inteirinhas da história de &#8220;alta intensidade&#8221; (no caso do filme de Eisenstein, altíssima: o próprio Estaline).</p>
<p><em>Ivan o Terrível</em> e o filme de Rossellini têm pelo menos outra coisa em comum: são filmes marxistas. Ou seja, são filmes nos quais política e história são uma e a mesma coisa, se LMO me perdoar a simplificação grosseira, ou melhor, filmes onde se percebe que o realizador quis dar a &#8220;ver&#8221; a determinação &#8220;em última instância&#8221; dos acontecimentos por forças situadas mais &#8220;fundo&#8221; que a política ou as ideologias. No filme de Rossellini percebe-se muito bem, aliás, a influência da explicação do absolutismo monárquico oferecida pelo historiador soviético Boris Porchnev em livro publicado em França em 1963.</p>
<p>O que importa aqui é a fonte de legitimação com que os filmes foram feitos e lidos, e os mecanismos narrativos que lhe correspondem. Que Rossellini tenha feito o filme para ser &#8220;didáctico&#8221; do ponto de vista histórico só confirma a ideia da história como o horizonte de toda a leitura da realidade que vingava na época (a questão da televisão importa pouco: a única coisa que a televisão dos anos de 1960 e a de hoje têm em comum é a designação).</p>
<p>Foi relativamente à abstracção que me referi ao filme de Rossellini a propósito do de Sofia Coppola: &#8220;didáctico&#8221; ou não, <em>La prise du pouvoir </em>é um filme fortemente abstracto: o rei não é uma &#8220;pessoa&#8221;. É, como explicou Porchnev, explicava Althusser, explicava a época e mostrou Rossellini, uma função. A corte não é constituída por pessoas mas por dispositivos de exibição e distribuição de influência e equilíbrio.</p>
<p>Porém, Sofia Coppola foi para além da abstracção Rosselliniana: a rainha não é rainha, é a representação de uma rainha através do ritual, do vestuário. Mas – e o génio está aqui – essa representação é negociada pela representação de uma <em>teenager</em> actual (televisiva, cinematográfica, discográfica), até ao limite da verosimilhança e sem nunca ultrapassar esse limite: naquela &#8220;rainha&#8221; não se acredita nem como rainha, nem como <em>teenager</em>. Quanto muito, acredita-se enquanto corpo, ou seja, matéria de cinema desprovida de legitimidade. Por isso escrevi que no filme há mais esquemas, dispositivos e funções que personagens, composição e sequência: o filme é como a própria história da indecisa e hesitante historiografia do início do sec.XXI.</p>
<p>O paradigma da história com o qual trabalhou Sofia Coppola já não é nem o de <em>Ivan o Terível</em>, nem o de Rossellini, nem ela quis que fosse o de <em>Cleópatra</em>. Diria que se tratou antes do paradigma Homer Simpson: a história é &#8220;a bunch of things that happen!&#8221;.</p>
<p>Enfim, não me vou repetir. Toda a gente sabe o que aconteceu com a crítica pós-moderna da historiografia moderna e com a crítica a que o pós-modernismo foi por sua vez sujeito nos últimos vinte anos. A questão é que nada é claro hoje no campo da historiografia e nenhuma legitimação pela história é claramente legítima. É dessa perplexidade que o filme de Sofia Coppola dá conta. Não se trata, portanto, da crítica da &#8220;transparência histórica&#8221; que os bons filmes &#8220;históricos&#8221; sempre contiveram. O meu problema não é a &#8220;transparência&#8221; dos filmes (sobre a história ou seja o que for). É o próprio assunto: a História. É ela mesmo, essa Senhora, que eu digo que antes existia (no tempo de Griffith ou de Anthony Mann ou de Rossellini) e agora já não existe. A questão é a abstracção e o distanciamento em relação à própria hipótese de existir filme histórico e História (em cinema ou fora do cinema, tanto dá!).</p>
<p>Houve uma crítica do &#8220;drama histórico&#8221; na época em que a legitimação histórica era incontestável (houve até várias críticas em várias épocas, entre as quais a de Rossellini, como aponta LMO). Mas agora é talvez necessário que surja outro género de crítica, tanto para os filmes como para os documentários legitimados pela historiografia &#8220;de baixa intensidade&#8221;, aquela que insiste em que pode &#8220;provar&#8221; que as coisas se passaram mesmo desta ou daquela maneira, ou que está interessada em exibir as aventuras dos historiadores. É no quadro desta cultura, que é de hoje, não dos anos de 1960, que Sofia Coppola fez o seu filme.</p>
<p><em>PS</em>: Eu, historiador de arquitectura, espalhei-me ao comprido ao deixar passar uma batida errada: a Ópera de Paris não foi construída 100 anos depois de Versalhes mas para aí uns 150 ou 200 (de cerca 1650-1700 para 1870).</p>]]></content:encoded>
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		<title>Classificados</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Nov 2006 05:22:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Para alguns, sou um mundo de tentações. Para outros, sou apenas mais um farmacêutico que se traveste. Em 1998, a London Review of Books resolveu seguir o exemplo da New York Review of Books e abrir uma secção de «classificados» &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/11/23/classificados/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img width="453" height="453" alt="naughtylola.jpg" id="image422" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/11/naughtylola.jpg" /></p>
<p><em>Para alguns, sou um mundo de tentações. Para outros, sou apenas mais um farmacêutico que se traveste.</em></p>
<p>Em 1998, a <a href="http://www.lrb.co.uk/">London Review of Books</a> resolveu seguir o exemplo da <a href="http://www.nybooks.com/">New York Review of Books</a> e abrir <a href="http://www.lrb.co.uk/classified/index.php">uma secção de «classificados»</a> pessoais. Lá porque as pessoas gostam de livros e ideias não quer dizer que não precisem de estar com outras. Mas o primeiro anúncio que receberam era bizarro, e a partir daí estabeleceu-se um padrão. Os textos são literários, irónicos, frequentemente autodestrutivos. Este mês, está nas livrarias uma selecção dos melhores anúncios pessoais da <em>LRB</em>, <a href="http://www.amazon.com/They-Call-Me-Naughty-Lola/dp/1416540296/sr=11-1/qid=1164220152/ref=sr_11_1/102-6661546-9265724"><em>They call me naughty Lola</em></a>. Alguns têm a cara de <em>blogs</em> conhecidos. [Apanhei a história <a href="http://www.elpais.com/psp/index.php?module=elp_pdapsp&#038;page=elp_pda_noticia&#038;idNoticia=20061119elpdmgrep_5.Tes&#038;seccion=rep">aqui</a>.] </p>
<p>Lavrando o mais solitário sulco. 19 anúncios pessoais, e ainda insisto. Uma única resposta recebida. Era a minha mãe, a dizer que não me esqueça de comprar o pão quando voltar do Aki. Homem, 51 a.</span><br />
Puta na cozinha, cozinheira na cama. Mulher com prioridades trocadas, 37 a., procura homem que saiba mexer uma boa salada.</p>
<p>Homem tímido e feio, afundado em largos períodos de autocompaixão, de meia-idade, com flatulência e excesso de peso, procura o impossível.</p>
<p><em>All I need is the air that I breathe and to love you.</em> E um automóvel de cinco portas (com ar-condicionado). E um mínimo de 55.000 libras por ano.</p>
<p>Uma vez encontrei o meu par ideal nesta coluna. Era um anúncio que eu mesmo tinha enviado uns anos antes e se tinham esquecido de publicar.</p>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>O plano C</title>
		<link>http://5dias.net/2006/11/16/386/</link>
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		<pubDate>Thu, 16 Nov 2006 15:05:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/2006/11/16/386/</guid>
		<description><![CDATA[Depois da dobra, um texto do Paulo Varela Gomes sobre Marie Antoinette. Agradeço-lhe muito o facto de mo ter enviado, porque é certamente a coisa mais estimulante que li sobre o filme. «Como mostrar a História? O filme de Copolla &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/11/16/386/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/11/dunst.jpg" alt="dunst.jpg" id="image385" /><br />
Depois da dobra, um texto do Paulo Varela Gomes sobre <em>Marie Antoinette</em>. Agradeço-lhe muito o facto de mo ter enviado, porque é certamente a coisa mais estimulante que li sobre o filme.</p>
<p><em>«Como mostrar a História? O filme de Copolla parte do seguinte e simplicíssimo princípio: não se pode. Mais: não se deve porque não se pode. E isto porquê? Porque, como qualquer historiador de hoje sabe, a história não tem nada para ver e, portanto, o “drama histórico”, falando estritamente, é uma aldrabice. No palco da história reina a penumbra e o nevoeiro, vagueiam fantasmas sem corpo e miragens de corpos que nunca existiram. Tacteia-se o caminho muito devagar, com muito cuidado, tropeçando em constantes enganos&#8230; e sabendo que é assim, que nunca será senão assim, que a verdade histórica fugirá sempre à nossa frente.»</em></p>
<p><span id="more-386"></span><br />
<strong>O PLANO C</strong><br />
Paulo Varela Gomes</p>
<p>Tal como acontecia com a pintura que, no século XVIII, se distinguia em pintura “de história”, “de paisagem”, “cena pastoril” e por aí fora, também os filmes adquiriram uma tipologia dos géneros: “comédia romântica”, “filme de acção”, “drama”, etc.<br />
O filme <em>Marie Antoinette</em> seria normalmente catalogado no tipo “drama histórico”, mas acontece que ninguém parece reconhecer-lhe dramatismo ou carácter histórico. Gerou-se, a propósito do filme, uma confusão de géneros. A pompa francesa, esse proverbial <em>chauvinisme</em> que tem a justa fama de ser o mais imbecil do mundo, não perdoou à realizadora ter tratado a rainha e o seu drama em género “comédia de costumes”. A crítica habitual – que, se não é juvenil, arma em juvenil para melhor se integrar na estupidez geral do mundo democrático-televisivo – vende Sofia Coppola barata e diz que sim senhor, se trata de uma “comédia de costumes”, ou até de um “filme de teenagers”, e que é por isso que o filme é bom.<br />
Se o filme fosse um “drama histórico”, deveriamos emparelhá-lo com produções como, sei lá, <em>Gladiator</em> de Ridley Scott? <em>Barry Lyndon</em> de Stanley Kubrick? <em>Amadeus</em> de Milos Forman? O óbvio <em>Dangerous</em> Liaisons de Stephen Frears (que, aliás, Sofia Coppola cita num plano – falhado – do filme)?<br />
O que é, afinal, um “drama histórico” em cinema?<br />
Tratar-se-á, apenas, de uma história como as outras, diferenciável somente porque os personagens vestem coisas de cetim, têm penteados extravagantes e não andam de automóvel? Ou seja, será a mesma coisa que filmes “de ficção científica” mas ao contrário (sobre o passado), filmes obrigados, portanto, a ter um director artístico formado em história da arte?<br />
A maior parte dos “dramas históricos” são exactamente isto. Ao fim de 5 minutos já não nos lembramos em que século é que a coisa é suposta ocorrer. Trata-se de pessoas e das chatices do costume quando se trata de pessoas. Os adereços estão lá só para adereçar.</p>
<p>O problema é que há “dramas históricos” complicados. São aqueles que invocam o sacrossanto nome da História com maiúscula colocando em cena gente e acontecimentos que têm lugar importante nos livros de história: Reis, Rainhas, Imperadores, Compositores e outros VIPs.<br />
Os produtores e realizadores de filmes já sabem como é que se lida com estas situações: adopta-se o plano B ou o plano A.<br />
De acordo com o plano B, o espectador é avisado pela publicidade do filme e pelo dito cujo de que não se trata de História (com maiúscula) embora esteja presente no filme o Imperador Cómodo (v.g. <em>Gladiator</em>). Aquilo em que o pagante do bilhete tem que se concentrar é no “drama humano” e na pancadaria.<br />
O plano A é mais complexo: trata-se de explicar ao espectador que se trata de um espectáculo que ele deve ir ver por causa das coisas espectaculares, mas que a História, essa senhora de costumes sóbrios, foi respeitada. Deste modo, aquele Mozart caricato que vemos no filme de Forman é quase, quase, digamos assim, “histórico” (e histérico). Ou melhor: haverá autores (de ponderosos livros e artigos) capazes de jurar que o histérico é histórico. O espectador médio, que é uma coisa que não existe e ao mesmo tempo existe porque o mercado (esse inefável deus) jura que sim, acreditará tanto mais no filme quanto o julgar caucionado pela Madame História.<br />
Foi tudo isto que Sofia Coppola pontapeou com imensa alegria e não pouco talento.<br />
Porque (e aqui, precisamente aqui, é que <em>Marie Antoinette</em> se torna infinitamente mais interessante que o filme palerma sobre adolescentes-que-se-estão-nas-tintas-para-o-filme-histórico) Sofia Coppola leu, ouviu, ou disseram-lhe (tanto faz) que este problema de não sabermos como filmar a história não é mais do que parte de um drama mais geral: como mostrar a História? Em filme, em documentário. A especialistas. Ao povo. Ao espectador médio.<br />
O filme de Coppola parte do seguinte e simplicíssimo princípio: não se pode. Mais: não se deve porque não se pode. E isto porquê? Porque, como qualquer historiador de hoje sabe, a história não tem nada para ver e, portanto, o “drama histórico”, falando estritamente, é uma aldrabice. No palco da história reina a penumbra e o nevoeiro, vagueiam fantasmas sem corpo e miragens de corpos que nunca existiram. Tacteia-se o caminho muito devagar, com muito cuidado, tropeçando em constantes enganos&#8230; e sabendo que é assim, que nunca será senão assim, que a verdade histórica fugirá sempre à nossa frente. Sabendo também que a nossa observação altera aquilo que observamos, que pontos de vista diferentes propõem narrações diferentes.<br />
A história como “ciência” (isto até dá vontade de rir) foi inventada no século XIX pela filosofia burguesa. Foi também por essa altura – talvez um pouco antes – que se inventaram as imagens “históricas”, primeiro como fantasias, depois, à medida que se acreditava cada vez mais no conhecimento “positivo”, como imagens verosímeis. A imprensa e os museus do século XIX e do início do sec. XX estão cheios delas. O cinema também, desde <em>Intolerance</em> de Griffith, ou seja, desde o princípio.<br />
A ideia de que pegando-se num sujeito, colocando-se-lhe a barba e o chapéu apropriados, enfiando-lhe à ilharga várias mulheres, algumas decapitadas, e pondo-o a dizer em inglês arcaico um texto histórico, temos Henrique VIII retornado à vida, parece uma ideia espírita mas é uma ideia de historiador positivista, encenador teatral, autor de imagens da cultura burguesa nascente. O “drama histórico” em cinema tem-na mantido mais ou menos viva.<br />
Todavia, esse triste papel tem sobretudo sido entregue aos realizadores da maior parte dos documentários de história anglo-saxónicos que se fazem agora e aos patéticos historiadores que aceitam colaborar com eles: trata-se de “infotainment”. Antigamente, há 10 ou 20 anos, os documentários de história mostravam <em>restos</em> da história: pedras, papéis, obras de arte ou arquitectura. Alguém – em voz <em>off</em> ou ao vivo – tecia comentários. Agora não. Agora, aparentemente, o povo e os seus representantes “corporate” (as empresas patrocinadoras) e incorporais (as empresas de televisão) gostam de acção e estórias. E há cada vez mais “doc-drama”, mais figurantes, mais heróicos historiadores a desvendar segredos. O mesmo sucede aliás com os documentários sobre a vida selvagem, como escreveu Eduardo Cintra Torres no <em>Público</em> de 12 de Novembro último: os animais e as plantas já não interessam para nada, o que interessa é a acção e o “drama humano” (dos apresentadores e tratadores). A natureza e a história telenovelizam-se e o resultado, diga-se entre parêntesis, é a analfabetização geral do documentário que, em tempos, foi uma coisa para a elite culta.</p>
<p>Do ridículo disto – que toda a gente conhece menos o povo, ou seja, a esmagadora maioria das pessoas – podia Sofia Coppola ter tirado uma espécie de legitimação implícita para um filme de plano B+A, como muitos críticos pensam que ela fez. Ou seja: um filme que, tendo material histórico de primeira, Reis e Princesas “realmente existentes”, os tratasse como umas pessoas quaisquer (adolescentes, por exemplo), assinalando sempre uma espécie de distância crítica Brechtiana (“Atenção! Isto é um filme! Não é a História!”).</p>
<p>Mas Sofia Coppola não fez em <em>Maria Antoinette</em> um filme de plano A+B. Fez um filme de plano C.<br />
A música, os All Star fugazmente aparecidos no meio dos sapatos de cetim (que são uma citação deliberada do mais conhecido “erro histórico” dos dramas históricos – o relógio de pulso que aparece nos <em>Dez Mandamentos</em> de Cecil B. De Mille e em muitos outros filmes), a sequência do baile filmada não em Versalhes mas no átrio da Ópera de Paris, um edifício construído cem anos depois de Versalhes, são dispositivos que estão no filme, não para criar distanciamento em relação à História, não para dizer que ali não se trata de História, mas para fazer a crítica ao género cinematográfico “drama histórico”, uma crítica, aliás, letal – ninguém poderá voltar a fazer “dramas históricos” inocentemente depois de <em>Marie Antoinette</em>.<br />
É que há História no filme. Há, evocada indirectamente para quem quiser pressenti-la, através de pelo menos duas sequências: a primeira, que acaba com um dos mais belos planos que já vi no cinema, é quando Kirsten Dunst/Marie Antoinette se curva numa varanda do palácio e oferece o pescoço à multidão enfurecida. A segunda é a sequência quase final, o pôr do sol sobre o jardim de Versalhes (dispensava-se o último plano, acho eu).<br />
A História que se evoca é indirecta. Tudo, no filme, é indirecto. Mesmo as coisas “de adolescente” parecem como que apenas semi-filmadas. Nada é conclusivo ou levado até ao fim. Os personagens parecem todos um pouco esquemáticos como se fossem mais funções que “pessoas”. A cena do baile na Ópera, durante o qual o comportamento burguês da rainha se adequa ao triunfo burguês da arquitectura, é tratada com um esquematismo que não procura rivalizar com Visconti ou outros mestres do baile “histórico” filmado.<br />
<em>No filme há mais esquemas, dispositivos e funções que personagens, composição e sequência.</em> Quer dizer, o filme é, em alguma medida, um mecanismo teórico do tipo do mais inteligente e duro filme histórico alguma vez feito, <em>A Tomada do poder de Luís XIV</em> de Roberto Rossellini (1966), que é cinema político em estado puro, à maneira da década de 1960 (e não um “drama histórico”).<br />
Sofia Copolla não dá ao povo aquilo que ele quer. Não serve o povo. Ninguém reconhecerá ali a Rainha e o Rei. Ninguém terá ali adolescentes aos saltinhos. É chato, mas é preciso pensar depois de ver e ouvir <em>Marie Antoinette</em>.<br />
A História é território de morte, brumas, noite e pôr do sol, e <em>Marie Antoinette</em> utiliza-a como mais um método no seu complexo campo de articulação de som e imagens em movimento. Para Sofia Coppola, o “drama histórico” é um género condenado à televisão.</p>
<p>Ah, uma última coisa: o filme não é bom. É muito melhor que um bom filme. É um grande filme falhado.</p>]]></content:encoded>
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		<title>The record shows</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Nov 2006 10:26:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[política-portuguesa]]></category>
		<category><![CDATA[PS]]></category>
		<category><![CDATA[Soares]]></category>

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		<description><![CDATA[Yes, there were times, I&#8217;m sure you knew, When I bit off more than I could chew. But through it all, when there was doubt, I ate it up, and spit it out. I faced it all, and I stood &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/11/16/the-record-shows/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Yes, there were times, I&#8217;m sure you knew,<br />
When I bit off more than I could chew.<br />
But through it all, when there was doubt,<br />
I ate it up, and spit it out.<br />
I faced it all, and I stood tall,<br />
and did it my way.</em></p>
<p>Li, com gosto, o livro que Filipe Santos Costa acaba de publicar sobre a última campanha eleitoral de Mário Soares para a Presidência da República. O livro é uma crónica detalhada, inteligentemente construída, dos vários passos que levaram Soares desde a decisão de se candidatar até à derrota de 22 de Janeiro. Li com curiosidade todas as partes que não conhecia por não ter estado envolvido – designadamente, as circunstâncias que conduziram à decisão de avançar – e li também com interesse as partes que conhecia e em que estive envolvido. Idealmente, para fazer uma crónica da decisão de avançar, teria sido interessante obter mais informação sobre as outras candidaturas, sobre a forma como as movimentações de Soares foram sendo recebidas naqueles meses de Julho e Agosto – por Alegre, evidentemente, mas também por Cavaco, e até por Jerónimo e Louçã, já que a questão da «unidade da esquerda» assumiu um significado tão relevante.<br />
Filipe Santos Costa falou com Alfredo Barroso, Mega Ferreira, Marcos Perestrello, António Manuel, António Campos, José Manuel dos Santos, entre outros – ou seja, falou com quase todas as pessoas que acompanharam de perto o dia-a-dia da campanha. Falou com todos estes em <em>on</em> e, muito provavelmente, com a maioria deles também em <em>off</em>. É possível que ainda tenha falado com Vasco Pulido Valente (para a história de um almoço), ou pelo menos com Constança Cunha e Sá, que assina o prefácio. As fontes são boas e permitem-lhe reconstruir aspectos cruciais e desconhecidos da campanha com bastante minúcia.<br />
Isto não significa, naturalmente, que não encontre defeitos no relato. O principal é que Filipe Santos Costa está notoriamente mais à vontade a falar de factos que investigou do que a caracterizar psicologicamente os personagens, ou a descrever «estados de alma». A meu ver, as páginas iniciais, que se debruçam sobre os dias da derrota (o sábado de reflexão e o domingo eleitoral) são talvez as mais fracas, porque há poucos factos para relatar, ou quase nenhuns, e muitas «disposições». Filipe Santos Costa não resiste aqui a uma certa tentação de omnisciência – dizer o que os intervenientes estavam a pensar e a sentir para lá daquilo que eles próprios expressaram – e não evita retratar situações de forma um pouco teatralizada, quando a realidade foi talvez um pouco mais rugosa e menos «literária».<br />
Aliás, a questão «psicológica» talvez não seja de pequena monta, e aqui encontro o segundo problema importante do livro. Se pensarmos no plano histórico, é pouco provável que esta campanha de Mário Soares venha a ser vista como um acontecimento relevante; é no plano «psicológico», «humano», que uma candidatura destas, inesperada, «ilógica», oferece uma oportunidade de ouro para fazer um retrato do personagem. Ora, os talentos de Filipe Santos Costa estão notoriamente mais do lado da investigação jornalística (dos factos) e da sua articulação inteligente do que do lado da construção literária (do personagem). É certo que quem queira perceber como e porquê Soares perdeu esta eleição, encontrará no livro a resposta. Mas isso <span lang="PT">ainda </span><span lang="PT">deixa em aberto duas perguntas: Quem? E por quê, se a derrota parecia inevitável a quase todos desde o início? Fico a pensar que o talento de Filipe Santos Costa promete bastante para outros trabalhos de investigação (uma boa crónica do processo Casa Pia desde que rebentou o escândalo, por exemplo, parece-me muito necessária), mas que os detalhes da campanha falhada de Mário Soares só poderão interessar a poucos como eu. Talvez me engane.<br />
De todas as formas, ainda que Filipe Santos Costa não invista (felizmente) o seu trabalho a tentar desenhar um perfil psicológico de Soares, alguma coisa emerge do relato. Tenho para mim que, na sua aparente simplicidade, ou talvez mesmo por causa da sua aparente simplicidade (dizer o que lhe apetece e fazer quase sempre o que quer), Soares é das personagens mais complexas que me foi dado conhecer. Indagações sobre o que motiva a sua acção, sobre o que pretende, são o mais das vezes fúteis e falíveis. Mas um retrato do que foi Soares nesta campanha, da combinação de uma certa inabilidade política com uma determinação, uma energia, uma obstinação extraordinárias, essa imagem emerge claramente deste livro. Sem que Filipe Santos Costa seja condescente, a sua admiração, o seu espanto, perante este personagem singular também transparece, nítida. E a imagem que resulta é, quer-me parecer, muito próxima daquela que eu próprio tinha ao finalizar a campanha. Foi na hora da derrota que Filipe Santos Costa viu os apoiantes da candidatura gritando mais empolgadamente «Soares é fixe» perante o seu candidato, num momento em que a circunstância propriamente política já estava em boa medida superada. Foi com o <em>My Way</em> que nós no <a href="http://mario-super.blogspot.com/2006/01/not-in-shy-way.html">Super Mário</a> terminámos a campanha. Não deve ser por acaso.<br />
</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">[Filipe Santos Costa, 2006, <em>A Última Campanha</em>, ed. Palavra, Lisboa.]</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT" /></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT" /></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT"> </span></p>]]></content:encoded>
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		<title>The whole shebang</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Nov 2006 19:15:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Termino o dia com quatro sugestões de leitura. O Pedro Magalhães está, por coincidência, nos EUA durante este período eleitoral e escreve a partir daí alguns comentários dos mais interessantes. No New York Times de há três dias, um sociólogo &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/11/09/the-whole-shebang/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal">Termino o dia com quatro sugestões de leitura. O <a href="http://margensdeerro.blogspot.com/">Pedro Magalhães</a> está, por coincidência, nos EUA durante este período eleitoral e escreve a partir daí <a href="http://margensdeerro.blogspot.com/2006/11/depois-e-antes-da-tempestade-bonana.html">alguns comentários dos mais interessantes</a>. No <em>New York Times</em> de há três dias, um sociólogo claramente com formação em estatística <a href="http://www.nytimes.com/2006/11/06/opinion/06conley.html?th=&#038;emc=th&#038;pagewanted=print">faz algumas observações</a> sobre o carácter arbitrário de resultados eleitorais apurados a partir de margens de diferença muitíssimo pequenas. Sugere que, abaixo de um coeficiente de diferença que ele lá calcula, o melhor é pura e simplesmente convocar uma nova eleição.</p>
<p class="MsoNormal">«So what should we do in such cases, where no winner can be declared with more than 99 percent statistical certainty? Do the whole shebang all over again. This has the advantage of testing voters’ commitment to candidates.»</p>
<p class="MsoNormal">Do dia eleitoral no <em>New York Times</em>, vem esta <a href="http://www.nytimes.com/2006/11/06/opinion/07palm_card.html?th=&#038;emc=th&#038;pagewanted=print">lista de recomendações de voto feita pelo jornal</a>: uma coisa um tanto bizarra, nome-a-nome, sem justificações, e com a observação adicional de que «pode imprimir esta página para usar como referência.» Isto é voto dirigido e com sentido prático.<br />
Num âmbito não-político, também achei muito curioso este artigo de terça-feira, que sustenta que o problema com os casamentos (e as relações amorosas em geral) é que cada vez pedimos mais deles: devíamos diversificar as fontes de satisfação emocional, em vez de avançarmos neste movimento concentracionário e irrealista.</p>
<p class="MsoNormal">«It has only been in the last century that Americans have put all their emotional eggs in the basket of coupled love. Because of this change, many of us have found joys in marriage our great-great-grandparents never did. But we have also neglected our other relationships, placing too many burdens on a fragile institution and making social life poorer in the process.»</p>
<p class="MsoNormal"><a href="http://www.nytimes.com/2006/11/07/opinion/07coontz.html?th=&#038;emc=th&#038;pagewanted=print">O texto</a> é divertido até ao fim.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Carta aberta ao Director do Público</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Nov 2006 13:50:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Exmo Senhor, A campanha neo-con que V. Exa. prossegue na direcção desse jornal tem conhecido, até hoje, muitos episódios lamentáveis. Mas a capa da edição da última segunda-feira é positivamente um nojo. A manchete «Tribunal iraquiano condena Saddam Hussein à &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/11/09/carta-aberta-ao-director-do-publico/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Exmo Senhor,<br />
A campanha neo-con que V. Exa. prossegue na direcção desse jornal tem conhecido, até hoje, muitos episódios lamentáveis. Mas <a href="http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?a=2006&#038;m=11&#038;d=6">a capa da edição da última segunda-feira</a> é positivamente um nojo. A manchete «Tribunal iraquiano condena Saddam Hussein à morte» é ilustrada com uma foto do taxista Khatab Ahmed de braços no ar, celebrando, na sua casa. O que simboliza o taxista Ahmed? A alegria unânime do povo iraquiano pela condenação do tirano? Ou a celebração do próprio jornal <em>Público</em>? A pergunta é necessária, pois a foto não ilustra directamente o acontecimento noticiado – não é uma foto do tribunal, ou do réu – mas uma reacção à sentença.<br />
Basta consultar qualquer órgão de imprensa para concluir que a condenação por enforcamento de Saddam Hussein não foi recebida com uma celebração unânime, mas, pelo contrário, com uma profunda divisão segundo as linhas étnicas que neste momento colocam extensas áreas do país em guerra civil. Nas zonas de maioria sunita, a sentença foi acompanhado de um decreto de recolher obrigatório para obviar aos protestos, e em Tikrit tal decreto não pôde sequer ser cumprido face à magnitude das manifestações. O <em>Público</em> opta por ilustrar uma condenação à morte com uma celebração – mas, em termos noticiosos, não se percebe porquê.<br />
Na mesma capa do jornal encontramos em destaque uma frase entre aspas que diz tratar-se de uma «sentença irrelevante face ao que se vive no Iraque». Sem outro contexto, somos levados a acreditar que esta é uma apreciação objectiva sobre a forma como a sentença foi recebida no país. Mas basta abrir o próprio jornal para constatar que a frase é retirada de um artigo de <em>opinião</em> de Francisco Teixeira da Mota. E mais: lendo o artigo – uma condenação rotunda da sentença – rapidamente se percebe que o autor não diz que o enforcamento de Saddam terá efeitos neutros, mas que, face à gravidade da situação que se vive no Iraque, nem sequer são de esperar quaisquer benefícios decorrentes da sentença. Aliás, o texto de Teixeira da Mota é tão contundente, tão crítico da decisão do tribunal, que sobram fundadas dúvidas sobre se terá sido ele a escolher um título ambíguo e neutro para um <a href="http://jornal.publico.clix.pt/noticias.asp?a=2006&#038;m=11&#038;d=06&#038;uid={42FAC0CA-CE12-49F4-BBE9-99F2B26129CE}&#038;id=105874&#038;sid=11687">texto tão veemente</a>.</p>
<p>«Um tribunal constituído de forma pouco transparente e em que o juiz presidente, apesar da confiança que nele depositavam os novos poderes iraquianos e os EUA, se veio a afastar por pressões políticas sendo substituído por um juiz, este sim, de inteira confiança. Se a isto acrescentarmos o assassínio de três advogados da defesa de Saddam Hussein, não nos precisamos sequer de lembrar dos inúmeros incidentes ocorridos ao longo do julgamento, com expulsões dos réus da sala de audiências e greves de fome, para concluirmos que este processo e a sentença proferida não se enquadram naquilo a que, usualmente, chamamos Justiça. Tanto a Amnistia Internacional como a Human Rights Watch foram, de resto, claras ao apontarem as insuficiências deste processo.<br />
Saddam Hussein deveria ter sido julgado por um tribunal internacional, independente e imparcial, tendo em conta o facto de estarem em causa crimes contra a humanidade bem como a forma como foi deposto e obrigado a responder pelos seus crimes.<br />
Mas, face a esta sentença, para além de entender que uma eventual morte nada acrescentará de positivo a todas as anteriores e de deplorar que a mesma tenha sido proferida de forma tão ajustada ao calendário eleitoral norte-americano, não posso, sobretudo, deixar de lamentar que a mesma já seja tão irrelevante face à situação que se vive no Iraque&#8230;»</p>
<p>Por fim, na página seguinte temos ocasião de conhecer directamente o pensamento de V. Exa., por meio de um <a href="http://jornal.publico.clix.pt/noticias.asp?a=2006&#038;m=11&#038;d=06&#038;uid={42FAC0CA-CE12-49F4-BBE9-99F2B26129CE}&#038;id=105893&#038;sid=11689">editorial</a> sintomaticamente intitulado «Apesar de tudo&#8230;» – incluindo as reticências. A V. Exa. terá faltado a coragem (de que ultimamente se vangloria nas próprias colunas editoriais) para celebrar expressamente a condenação à morte. Mas lá vai dizendo que, enfim, um julgamento no próprio país é «sempre melhor do que num tribunal internacional», e que os julgamentos de Nuremberga e Milosevic também não foram propriamente imparciais. Bastava-lhe ler, por exemplo, o que Pedro Magalhães <a href="http://pmagalhaes.blogspot.com/2003_12_01_pmagalhaes_archive.html">escreveu no seu próprio jornal</a>, no início deste processo, para saber que os tribunais nacionais não são sempre melhores, em países que atravessam guerras civis e onde o veredicto não é susceptível de ser produzido de maneira independente nem aceite de forma generalizada. Mas o que, além disso, V. Exa. esquece é que os processos de Nuremberga e de Milosevic não decorreram na sequência de invasões de países realizadas sob falsos pretextos. Milosevic foi levado à justiça depois de ser destituído no seu próprio país por um levantamento democrático, e presumo que dos nazis não preciso de falar.<br />
O problema com a condenação de Saddam nem é tanto a questão geral da pena de morte, porque aqui, pelo menos, parece afastada a possibilidade de erro judicial. O que é trágico – e não é menos trágico só por ser esperado – é que este enforcamento será o corolário de uma guerra ilegal e injusta. E à ilegalidade e injustiça acresce a situação em que a invasão deixou o país, destruído, numa guerra civil sem fim à vista, com um número de mortes que pode ascender às centenas de milhar. Esse aspecto – esse aspecto simbolicamente confirmado com o enforcamento do anterior tirano, destituído pela operação militar anglo-americana – esse aspecto é que não será esquecido, nem pelos iraquianos nem pelos outros povos do mundo em geral. Este enforcamento não será «irrelevante».</p>]]></content:encoded>
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		<title>Some guys have all the luck</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Nov 2006 23:48:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Don&#8217;t date him, girl é o nome de um site norte-americano, visitado diariamente por 600 mil a um milhão de pessoas, em que as mulheres inscritas (cerca de 720.000) depositam informações sobre homens que as enganaram, ou que elas acham &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/11/09/some-guys-have-all-the-luck/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="line-height: 150%"><a href="http://dontdatehimgirl.com/">Don&#8217;t date him, girl</a> é o nome de um <em>site</em> norte-americano, visitado diariamente por 600 mil a um milhão de pessoas, em que as mulheres inscritas (cerca de 720.000) depositam informações sobre homens que as enganaram, ou que elas acham que as enganaram. Há 18 mil <em>delinquentes</em> recenseados. O assunto tem sido tratado por jornais no mundo inteiro (incluindo <a href="http://dn.sapo.pt/2006/10/30/sociedade/homens_infieis_lista_negra_internet.html">em Portugal</a>), que geralmente se focam na devassa da privacidade pela internet, na possibilidade de difamação e nas acções jurídicas intentadas por alguns destes homens, que se sentem injustiçados. Mas o aspecto mais interessante do caso talvez esteja antes disso – no facto em si, no <em>site</em>, na ideia do <em>site</em>.<br />
O nome, desde logo, é sugestivo: «don’t date him, girl», e o «girl» final não tem outra função que não seja enfática, maternal, apaziguadora. «Girl» é «rapariga», mas é também «menina». Depois há este paradoxo muito curioso: todos os depoimentos têm como ponto de partida uma mulher que diz às outras para elas não fazerem, não experimentarem, não tentarem aquilo que ela mesma já tentou. A ambivalência que está contida nisto, nalguns casos, é muito manifesta. Veja-se o caso de Todd Hollis, um dos mais badalados, que é descrito assim por uma das suas ex-namoradas:</p>
<p class="MsoNormal" style="line-height: 150%">«Escuro e atraente, parece um sonho de chocolate. Até que o conheces. (…) Tem casos em todos os códigos postais dos EUA. É uma bomba («He’s hot»)… Não se deixem enganar por ele, meninas.»</p>
<p class="MsoNormal" style="line-height: 150%">É difícil imaginar um texto promocional que fosse mais convidativo. Este homem é simplesmente irresistível (um sonho, um doce, uma bomba); a única maneira de o evitar é manter-se à distância, porque ele tem magias que enfeitiçam mulheres através de um continente inteiro.<br />
É claro que o que aqui está presente – ou presente pela ausência – é a culpa. «Don’t date him, girl» denuncia os homens, culpabiliza-os, ao mesmo tempo que paternaliza as mulheres, para evadir o problema da culpa. Um homem irresistível é um homem a que não se pode resistir. Uma mulher que <em>não pode</em> resistir é uma mulher que não tem responsabilidade nem culpa. A mulher não é bem uma mulher: é uma rapariga, é uma menina. Culpa – mas de quê?<br />
Acho muito interessante como permanece vivo o problema da culpa com relação ao sexo em sociedades supostamente liberais &#8211; em sociedades, dizem-nos todos os dias, completamente liberais no domínio do sexo, excessivamente libertadas. O que este <em>site</em> ilustra &#8211; e a própria <a href="http://www.qualvaiser.com/Publique/media/tashajoseph2.jpg">foto</a> da criadora do <em>site</em>, Tasha Joseph, ilustra &#8211; é o paradoxo de uma sociedade em que os padrões estéticos se sexualizaram muitíssimo (Tasha Joseph é uma mulher «arranjada», «produzida», «atraente»), mas isso convive com um discurso sobre o sexo que não mudou muitíssimo. A mulher pode ter relações sexuais fora do casamento &#8211; mas elas têm de ser justificadas por um imaginário romântico tradicional, ou por uma irracionalidade, uma anulação da vontade própria (o homem «irresistível»). Fantasias que remetem para a violação – fantasias de serem aprisionadas, encostadas à parede, assoberbadas durante o acto sexual – são as mais comuns, e, em muitos casos, talvez o único mecanismo que permite à mulher libertar-se da culpa.<br />
Um <em>site</em> destes poderia ser feito por homens? «Não saias com ela, rapaz, que é um perigo, vais estar indefeso e vulnerável, ela é uma bomba irresistível»? Um site desses estaria cheia de fotos das mulheres «irresistíveis» &#8211; mas seriam, suspeito, fotos de outra natureza. E seria possível em países de costumes liberais e igualdade sexual, como a Suécia, ou a Dinamarca? Existe nos EUA, em grande escala pública, com um milhão de visitas por dia; em breve existirá em espanhol, e algo me diz que em Portugal também não seria impossível.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Volver</title>
		<link>http://5dias.net/2006/11/02/volver/</link>
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		<pubDate>Thu, 02 Nov 2006 12:08:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Voltei a ver Volver, de Almodóvar, e gostei ainda muito mais à segunda. Os aspectos da história propriamente dita, a relação com a morte (que para o próprio realizador são os centrais no filme), tornaram-se menos importantes do que a &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/11/02/volver/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img id="image324" alt="magnani.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/11/magnani.jpg" /></p>
<p>Voltei a ver <em>Volver</em>, de Almodóvar, e gostei ainda muito mais à segunda. Os aspectos da história propriamente dita, a relação com a morte (que para o próprio realizador são os centrais no filme), tornaram-se menos importantes do que a homenagem a Anna Magnani, na personagem de Penélope Cruz. É uma felicidade que haja algum realizador vivo a filmar assim, e eu não vou dizer um realizador espanhol, ou ibérico, ou europeu &#8211; basta vivo. Tudo, desde o travelling inicial à direcção de actores. Pode não ser tão extraordinário como outros filmes de Almodóvar, porque ele tem uma série de obras-primas, mas é preciso ser ceguinho para não ver aqui um dos melhores filmes do ano.<br />
Um bom trailer <a href="http://youtube.com/watch?v=5NFnjpUeM8Q">aqui</a>.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Sequestro eleitoral</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Nov 2006 11:20:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Daniel Ortega tem boas hipóteses de, ganhando as eleições deste domingo, voltar a ser presidente da Nicarágua, 16 anos depois. Mas o que no contexto político português se achará interessante é saber que, a poucos dias do acto eleitoral, anteontem &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/11/02/sequestro-eleitoral/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Daniel Ortega tem boas hipóteses de</span><span lang="PT">, ganhando as eleições deste domingo</span><span lang="PT">, voltar a ser presidente da Nicarágua</span><span lang="PT">, 16 anos depois</span><span lang="PT">. Mas o que no contexto político português se achará interessante é saber que, a poucos dias do acto eleitoral, anteontem mesmo, a Frente Sandinista que ele lidera estabeleceu um pacto com os partidos de direita para ilegalizar totalmente o aborto no país, que até agora estava permitido nos casos de violação, perigo para a saúde da mãe ou malformações do feto.<br />
«Todos sabem que as mulheres endinheiradas, quando precisam de fazer um aborto, vão a Miami, e as sandinistas vão a Cuba.» A história <a href="http://www.elpais.es/articulo/sociedad/elpporint/20061101elpepisoc_7/Tes/">aqui</a>.</span></p>]]></content:encoded>
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		<title>The point</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Nov 2006 10:29:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu não sabia nada sobre Barack Obama, senador norte-americano do estado do Illinois, negro, putativo candidato presidencial democrata. Nada. Mas a declaração, recente, valeu o dia. «I inhaled. That was the point.»]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Eu não sabia nada sobre <a href="http://economist.com/world/na/displaystory.cfm?story_id=8080778">Barack Obama</a>, senador norte-americano do estado do Illinois, negro, putativo candidato presidencial democrata. Nada. Mas a declaração, recente, valeu o dia.</span></p>
<p class="MsoNormal">«I inhaled. That was the point.»</p>]]></content:encoded>
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		<title>Existe?</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Nov 2006 10:27:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Vaya País! é um livro recentemente editado, em que dezoito correspondentes da imprensa estrangeira radicada em Espanha escrevem sobre as singularidades do país que o acolheu. Os textos assentam, em geral, em episódios pontuais, pormenores anedóticos dos quais extraem considerações &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/11/02/existe/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><em><span lang="PT">Vaya País!</span></em><span lang="PT"> é um livro recentemente editado, em que dezoito correspondentes da imprensa estrangeira radicada em Espanha escrevem sobre as singularidades do país que o acolheu. Os textos assentam, em geral, em episódios pontuais, pormenores anedóticos dos quais extraem considerações largas, muitas vezes exageradas, sobre a psique dos espanhóis e a sua maneira de ser. Muitos estereótipos vêem-se confirmados: o suíço repara na desordem, na falta de sentido cívico, no egocentrismo; a inglesa, em como são diferentes os hábitos na bebida; o alemão encanta-se com a informalidade no trato; a italiana comenta as modas; a japonesa reflecte sobre problemas de comunicação. Mas o português tem uma singularidade: o português fala de Portugal.<br />
«Portugal existe» é o título bem expressivo do texto de Nuno Ribeiro, correspondente do <em>Público</em> há quase 15 anos em Madrid, mas um dos três que não escreveram o seu texto em castelhano (para provar que Portugal existe?). Ribeiro fala sobre Portugal, no espelho espanhol: a forma como eles nos vêem, a persistência de estereótipos antigos sobre um povo «amável», de bons atoalhados e 1001 maneiras de cozinhar bacalhau; o desconhecimento, o desinteresse, o paternalismo. Nuno Ribeiro começa com a história dos esforços diplomáticos portugueses, no final dos anos 1980, para que nos mapas metereológicos dos media espanhóis o rectângulo do lado adquirisse um nome (em vez de ficar incógnito, ou sem fronteira desenhada, ou um mero espaço vazio como se o mar fosse até Badajoz). E termina com as dificuldades que encontra para ser Ribeiro, não «Ribero», e como prescindiu de ser «Afonso», face à inevitabilidade de ficar para sempre «Alfonso».<br />
Curiosa coisa esta: dezoito correspondentes, todos falando sobre os outros, sobre os espanhóis, excepto um. Todos fazendo comparações com o seu próprio país, uns com graça, outros com rigor – excepto um. Um, um só, apenas um, fala e se pergunta sobre o seu próprio país: como nos vêem, se nos percebem, se existimos. Estranha coisa esta, até que voltamos ao início e lemos as primeiras linhas do prefácio, de Miguel Ángel Bastenier, jornalista do <em>El País</em>. Diz assim:</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES">«Dieciocho corresponsales extranjeros en Madrid de diez nacionalidades diferentes – si es que la portuguesa es de verdad extranjera (&#8230;)»</span></p>
<p>Se existe? No creo. Pero que lo hay…</p>]]></content:encoded>
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		<title>Coisa subjectiva</title>
		<link>http://5dias.net/2006/10/26/coisa-subjectiva/</link>
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		<pubDate>Thu, 26 Oct 2006 18:54:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[The truest and wisest words ever written about reviewing were spoken by Sarah Vowell in her book Take the Cannoli. Asked by a magazine to review a Tom Waits album, she concludes that she “quite likes the ballads”, and writes &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/10/26/coisa-subjectiva/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img id="image286" alt="capa a" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/10/193241624201_aa240_sclzzzzzzz_.jpg" /><img id="image287" alt="capa b" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/10/067091666801_aa240_sclzzzzzzz_v65242787_.jpg" /></p>
<p><span lang="EN-GB"><span lang="EN-GB"><span lang="EN-GB">The truest and wisest words ever written about reviewing were spoken by Sarah Vowell in her book <em>Take the Cannoli</em>. Asked by a magazine to review a Tom Waits album, she concludes that she “quite likes the ballads”, and writes that down; now all she needs is another eight-hundred-odd words restating this one blinding aperçu. </span>[p.143]</span></span></p>
<p><span lang="EN-GB"><span lang="EN-GB">Isto hoje começa com um duplo pedido de desculpas: primeiro porque venho tarde, segundo porque abro com uma citaçao em inglês, e eu bem sei como entre os leitores do 5 dias há os que fazem questao de odiar citaçoes em inglês. Suspeito que sao o tipo de leitor que também faz questao de odiar qualquer texto com o meu nome, com inglês ou sem ele, de modo que, aviso já, este texto terá várias passagens em inglês, pois se querem odiar podem recostar-se na cadeira porque o prato está mais ou menos garantido.<br />
<span lang="PT">Outro dia comprei um livro sem que fizesse tençoes de o comprar. Nao, isto nao é assim &#8211; porque 95% das vezes compro livros sem que tivesse a menor intençao de os comprar. O que se passou é que comprei um livro que, antes de o ver na montra da livraria, nem sequer sabia que existia. E mais: tinha acabado de chegar, e o único exemplar que havia era o da montra.<br />
Na verdade comprei este livro pela segunda vez. Ano e meio atrás já o tinha comprado, numa versao mais curta: é um livro de crónicas e o primeiro tinha menos crónicas. E nao é a primeira vez que me acontece isto com este mesmo autor, que edita um livro e um ano depois edita o mesmo livro, mas aumentado.</span><br />
<span lang="PT">As crónicas de Nick Hornby na revista <a href="http://www.believermag.com/">Believer</a> partem da seguinte ideia: de um lado da página, assentar os livros que se comprou no mês; do outro lado, os livros que se leu. A ideia é partir da experiência subjectiva de ler; é partir desta coisa ainda mais simples, contraditória, complexa, que é a lista do que se comprou e a lista do que se leu, que condensa imensos significados e imensos impulsos contraditórios. Por que se comprou o que se comprou? Como se escolhe o que se lê? Como se lida com os livros &#8220;obrigatórios&#8221;? Como se vivem os dias em que se pega num livro e se larga, se pega noutro e se larga, se chega ao fim do mês e se tem um monte de livros comprados, menos atraentes agora do que na livraria? Menos atraentes porquê? Será que a nossa paixao era genuína? Por que razao precisávamos de o comprar naquela altura e depois nao precisamos de ler?<br />
Comprei <em>The Complete Polysyllabic Spree</em> com o mesmo entusiasmo com que comprei <em>The Polysyllabic Spree</em>, embora nao tenha a certeza de ter lido o primeiro do princípio ao fim. (Tenho a certeza de que nao li o primeiro do princípio ao fim.) Mas os meus amigos acham que a exigência de ter lido um livro antes de comprar outro é uma coisa &#8220;anal&#8221;.<br />
</span><span lang="PT">E depois há ainda o problema de escrever sobre livros: aqueles livros todos que lemos com deslumbramento e vontade de transmitir e passar ao parceiro, dizer alguma coisa sobre aquilo. Semana após semana, adiamos o momento de dizer alguma coisa sobre aquilo. E, no momento de escrever, nao dizemos nada do que estávamos pensando dizer.</span></span></span></p>
<p><span lang="EN-GB"><span lang="EN-GB"><span lang="PT">At the beginning of my writing career I reviewed a lot of fiction, but I had to pretend, as reviewers do, that I had read the books outside space, time, and self – in other words, I had to pretend I hadn’t read them when I was tired and grumpy, or drunk, that I wasn’t envious of the author, that I had no agenda, no personal aesthetic or personal taste or personal problems, that I hadn’t read other reviews of the same book already (&#8230;).<br />
</span><span lang="PT">So this column was going to be different. Yes, I would be paid for it, but I would be paid to write about what I would have done anyway, which was read the books I wanted to read. (&#8230;) Inevitably, however, the knowledge that I had to write something for the <em>Believer</em> at the end of each month changed my reading habits profoundly. For a start, I probably read more books than I might otherwise have done. (&#8230;) Magazines have been the real casualties of this regime (although the <em>Economist</em> has survived, partly to replace the newspapers I’m not reading). [p.2]</span></span></span></p>
<p><span lang="EN-GB"><span lang="EN-GB"><span lang="PT"><span lang="PT">A experiência de ler, dizia eu, a propósito do Hornby. A experiência de escrever, e tudo vai dar ao mesmo.</span></span></span></span></p>
<p><span lang="EN-GB"><span lang="EN-GB"><span lang="PT"><span lang="PT" /></span></span></span><span lang="EN-GB"><span lang="EN-GB"><span lang="PT"><span lang="PT">Acabo de receber um telefonema do editor, a dizer que o meu texto está atrasado.</span><span lang="PT"> </span><span lang="PT">Se o outro é Praia, este aqui é batente. </span><span lang="PT">Tereis de tolerar a deficiencia de acentos, o ar descuidado da grafia. Estou em Madrid. Passei a manha [façam o favor de ler aqui um til] perdido. Se calhar aquilo já nao era bem manha [façam o favor de ler aqui um til]. Acabei, varias horas depois, num cibercafé numa cave, tirando que o cibercafé nao tem café e o espaço para o ecra, a cadeira e o teclado faz lembrar um aviao de companhia aérea <em>low cost</em>. Além do mais, este teclado parece meio partido. Todas as semanas isto custa a sair, mas esta semana custa mais.</span></span></span></span></p>
<p><span lang="EN-GB"><span lang="EN-GB"><span lang="PT"><span lang="PT">O Pedro Mexia escreveu uma vez que a crónica é o género mais parecido com entrar numa sala para ver quem está, e voltar a sair. Abrir uma porta e ver o que está lá dentro. É um género que nao permite desenvolvimentos longos mas permite muitas hesitacoes, ensaiar hipóteses. Por exemplo: eu abro a porta que ao tempo mesmo fecho, abro a porta e tenho o pé na porta, escorregam umas coisas para fora, eu nao consigo chegar a entrar e ver coisa nenhuma. Há apenas estes detritos que saem porta fora.<br />
É também a experiência subjectiva da crónica que torna este livro tao contraditório: há momentos em que Hornby se aproxima de estabelecer uma teoria sobre a superioridade da literatura &#8220;pop&#8221;, digamos assim, sobre a literatura “séria”: a literatura que é viciante, em se passam as páginas, contra a literatura que é difícil e em que as páginas custam a passar. Mas nao é muito grave porque chega o mês seguinte e ele vem explicar precisamente o contrário.<br />
Em Agosto de 2005, por exemplo, diz assim:</span><span lang="PT"> </span></span></span></span></p>
<p><span lang="EN-GB"><span lang="EN-GB"><span lang="PT"><span lang="PT">This column has frequently suggested that a novel without forward momentum isn’t really worth bothering with, but that theory, like so many others, turned out not to be worth the (admittedly very expensive) paper it was printed on. [p.185]</span><span lang="PT"> </span></span></span></span></p>
<p><span lang="EN-GB"><span lang="EN-GB"><span lang="PT"><span lang="PT">A escrita do Nick Hornby faz-me lembrar a do <a href="http://acausafoimodificada.blogspot.com/">maradona</a>. Ou devia dizer ao contrário?<br />
</span><span lang="PT"><br />
Este livro tem só um defeito sério. O defeito sério é que Hornby acaba a falar muito mais sobre os livros que leu do que sobre a experiência de os ler. Os textos sobre os livros que leu nao sao tao profundos nem tao interessantes como deveriam ser se fossem recensoes propriamente ditas: abundam os adjectivos (“engraçado”, “inteligente”, “divertido”). E há mais: as suas escolhas de leitura sao, naturalmente, idiossincráticas; nove-décimos dos livros sobre os quais ele fala sao livros que eu nao li nem penso ler. E Hornby praticamente nao lê nenhum livro que nao tenha sido originariamente escrito em inglês. Há uma passagem, referindo-se à experiência de ler <em>Soldados de Salamino</em> de Javier Cercas (o único livro nao-inglês que aparece nesta colecçao), em que ele diz que a ler a traduçao se sente como se ouvisse rádio num fm mal sintonizado.<br />
Além disso – e isto é o pior &#8211; Hornby nao fala suficientemente sobre os livros que <em>nao leu</em>. A coluna dos comprados recebe muito menos atençao do que a coluna dos lidos. </span><span lang="PT">Assim, as crónicas nem sempre têm um tema unificador. Sao crónicas sobre livros, isso é certo, mas nao é <em>enquanto crónicas sobre livros</em> que elas podiam ser boas. Nao é suficientemente explorada a relaçao com os livros, que era a promessa da capa.</span></span></span></span></p>
<p><span lang="EN-GB"><span lang="EN-GB"><span lang="PT"><span lang="PT" /></span></span></span><span lang="EN-GB"><span lang="EN-GB"><span lang="PT"><span lang="PT">Uma característica engraçada é esta de Hornby publicar o mesmo livro duas vezes, porque é consistente com a filosofia geral: uma forma de nos dar conta da experiência subjectiva de publicar. <span lang="PT">Tenho agora em casa duas ediçoes de <em>The Polysyllabic Spree</em>, como se a primeira fosse um rascunho da segunda. E, uma vez que ele continua a publicar na revista, nem sequer se percebe por que parou a colecçao por aqui.</span></span></span></span></span></p>
<p><span lang="EN-GB"><span lang="EN-GB"><span lang="PT"><span lang="PT"><span lang="PT" /></span></span></span></span><span lang="EN-GB"><span lang="EN-GB"><span lang="PT"><span lang="PT">Tenho um gajo ao meu lado que joga um jogo de computador que consiste em ser capaz de arrumar um carro num espaco. Que tipo de entretém é arrumar um carro num espaco de estacionamento? E que tipo de entretém é fazer isto virtualmente, frente a um ecra, carregando no teclado? </span><span lang="PT">Vocês desculpem esta overdose de subjectividade, mas o que eu ainda nao tinha escrito neste site era um texto subjectivo.</span></span></span></span></p>
<p><span lang="EN-GB"><span lang="EN-GB"><span lang="PT"><span lang="PT" /></span></span></span><span lang="EN-GB"><span lang="EN-GB"><span lang="PT">Dos livros referidos, <a href="http://www.amazon.co.uk/Gilead-Marilynne-Robinson/dp/1844081486/sr=1-1/qid=1161888569/ref=pd_bowtega_1/203-2691950-2635907?ie=UTF8&#038;s=books">estes</a> <a href="http://www.amazon.co.uk/Housekeeping-Marilynne-Robinson/dp/0571164021/sr=1-4/qid=1161888569/ref=sr_1_4/203-2691950-2635907?ie=UTF8&#038;s=books">dois</a> têm ar de interessar ao <a href="http://estadocivil.blogspot.com/">Mexia</a>, <a href="http://www.amazon.co.uk/What-Good-Arts-John-Carey/dp/0571226035/sr=1-4/qid=1161888525/ref=sr_1_4/203-2691950-2635907?ie=UTF8&#038;s=books">este</a> de ser leitura para o <a href="http://acausafoimodificada.blogspot.com/">maradona</a>. Escusado </span></span></span><span lang="EN-GB"><span lang="EN-GB"><span lang="PT">será dizer que nao os li.</span></span></span><span lang="EN-GB"><span lang="EN-GB"><span lang="PT" /></span></span></p>]]></content:encoded>
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		<title>E agora, a inactualidade</title>
		<link>http://5dias.net/2006/10/19/e-agora-a-inactualidade/</link>
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		<pubDate>Thu, 19 Oct 2006 19:45:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Vídeo]]></category>

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		<description><![CDATA[Como a actualidade anda bastante chata, não me resta senão apostar fortemente na inactualidade. Jeanne Moreau e os outros dois, em Jules et Jim.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como a actualidade anda bastante chata, não me resta senão apostar fortemente na inactualidade.</p>
<p><object width="425" height="350"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/zqwLx0DG7qQ"></param><param name="wmode" value="transparent"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/zqwLx0DG7qQ" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="350"></embed></object></p>
<p><em>Jeanne Moreau e os outros dois, em</em> Jules et Jim.</p>]]></content:encoded>
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		<title>A derrocada</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Oct 2006 18:00:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Vendo Portugal à distância de uns milhares de quilómetros &#8211; que é, às vezes, a distância a que deve ser visto &#8211; a única notícia significativa que se registou aqui no último mês de agosto consistiu numa pequenina notinha de &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/10/19/a-derrocada/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Vendo Portugal à distância de uns milhares de quilómetros &#8211; que é, às vezes, a distância a que deve ser visto &#8211; a única notícia significativa que se registou aqui no último mês de agosto consistiu numa pequenina notinha de rodapé acrescentada pela direcção do <em>Público</em> a um artigo de opinião de Isabel do Carmo. Dizia assim:<br />
«NR &#8211; O PÚBLICO não alterou a grafia deste texto, designadamente o facto da [sic] autora escrever Holocausto com caixa baixa.»<br />
Esta nota de redacção suscitou uma enxurrada de críticas, e desde logo um <a href="http://abrupto.blogspot.com/2006_08_01_abrupto_archive.html#115557700493392824">comentário do abrupto</a> altamente meritório. Mas o facto de a nota de redacção ter suscitado as reacções devidas não significa que o assunto se tenha esgotado, ou que as suas implicações ficassem por aí. Porque o que a notinha da direcção do <em>Público</em> constituiu foi um passo &#8211; um passo mais, um passo emblemático, um degrau apenas ligeiramente mais acima &#8211; num processo de apropriação do <em>Público</em> pelo seu director, em função de uma agenda ideológica altamente militante, um processo a que noutra ocasião já chamei de usurpação. Houve um dia, em Agosto, em que o director do <em>Público </em>imaginou que poderia desqualificar um artigo sobre Israel sugerindo</span><span lang="PT">, com uma pequena nota «semântica» de rodapé, uma mera correcção ortográfica</span><span lang="PT">, que a sua autora era «negacionista». E isto como se existisse alguma regra universal que recomendasse o uso de maiúscula em holocausto, como se o holocausto não fosse um acontecimento da História mas uma Entidade de contornos mais ou menos religiosos (há quem ache que é, mas ainda não somos todos).<br />
Uma notícia chegada agora, sem a magnitude, a singularidade, daquela pequena nota, vem no entanto complementá-la. Tinha-me passado desapercebido &#8211; encontrei a referência <a href="http://blogoexisto.blogspot.com/2006/10/ataque-pessoal-um-guia-para.html">aqui</a> &#8211; o texto do <em>Diário de Notícias</em> da última sexta-feira que dá conta da ruptura entre Augusto M. Seabra e o <em>Público</em>. A notícia da saída de Seabra do <em>Público</em> é em si mesma surpreendente e significativa para quem se tenha habituado a ler o <em>Público</em> desde o início: pelo peso que o crítico tinha no jornal, a quantidade de textos que escreveu, o trabalho, a informação que neles estava inscrita. A isto acresce, lateralmente, o facto de que AMS era talvez a única pessoa que, no próprio <em>Público</em>, ainda criticava abertamente a agenda ideológica do director, e sobretudo a subordinação do jornal a essa agenda.*<br />
Mas &#8211; como se assinala muito justamente <a href="http://blogoexisto.blogspot.com/2006/10/ataque-pessoal-um-guia-para.html">aqui</a> &#8211; a notícia do <em>DN</em> sobre a saída de Seabra tem ainda um pormenor picaresco: o director do <em>Público</em> responde às críticas à orientação do jornal com observações pessoais e ataques de carácter. Isto é interessante. Também é interessante que, três meses atrás (em Julho, se não estou em erro), quando, num conjunto extenso de artigos sobre o lugar da crítica, AMS polemizou com Eduardo Prado Coelho, este lhe tenha respondido, nas páginas do jornal, com um ataque violento de carácter pessoal do género mais grosseiro e mais inaudito.<br />
José Manuel Fernandes é director do jornal, e Eduardo Prado Coelho tem o estatuto singularíssimo de colunista diário, vai para dez anos ou coisa assim (com o aspecto cómico adicional de que, supostamente, representa a «esquerda»). Os dois juntos dão boa imagem do pior que o <em>Público</em> tem hoje para oferecer. Não conhecia a Seabra &#8211; que, segundo sei, não respondeu a qualquer destes ataques &#8211; vocação para Cristo. De qualquer forma, o que às vezes começo a perguntar-me é se ainda assistiremos à derrocada final deste jornal, que tinha nascido dentro das melhores expectativas.</span></p>
<p class="MsoNormal">*<span lang="PT"> Um episódio que, por cómico, registei do ano passado foi o da capa do <em>Público</em> que anunciava em manchete «três eleições históricas» &#8211; na Alemanha, no Japão e outra que não me lembro (mas não: não era no Iraque). O carácter «histórico» das eleições consistia em que, na opinião do jornal, elas representavam a grande oportunidade para esses países se movimentarem em direcção a uma agenda económica mais liberal. Infelizmente, os eleitores desses países não estiveram à altura dos desígnios históricos que o director do <em>Público </em>lhes tinha atribuído, e produziram resultados eleitorais de compromisso, muito pouco «históricos».</span></p>
<p class="MsoNormal">]]></content:encoded>
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		<title>Três leituras</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Oct 2006 02:51:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Excelente a entrevista que Fernando Henrique Cardoso deu ao Público na segunda-feira – e digo isto apesar da jornalista. O Público prossegue na sua tradição de jornalismo engagé, ainda que as «causas» de Teresa de Sousa não sejam exactamente as &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/10/19/tres-leituras/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Excelente a <a href="http://jornal.publico.clix.pt/noticias.asp?a=2006&#038;m=10&#038;d=16&#038;uid={FA56F167-3A50-43E5-9DD2-EE79A0B32C59}&#038;id=102530&#038;sid=11328">entrevista que Fernando Henrique Cardoso deu ao Público</a> na segunda-feira – e digo isto apesar da jornalista. <span lang="PT">O <em>Público</em> prossegue na sua tradição de jornalismo <em>engagé</em>, ainda que as «causas» de Teresa de Sousa não sejam exactamente as mesmas do seu celerado director. Mas impressiona, nas partes sobre política internacional (que, misteriosamente, não estão <em>online</em>), impressiona a insistência da jornalista em impor a sua agenda para falar da «ameaça populista» na América Latina. Como diz Daniel Oliveira pertinentemente neste <a href="http://arrastao.weblog.com.pt/arquivo/2006/10/populista">post</a>, «a coisa funciona assim: gosta de Chavez? Então é populista. É anti-Bush? Populista! Promete reformas sociais radicais? Populista, populista, populista! [Mas] o que me interessa a mim saber o que cada jornalista acha sobre cada candidato?» Perante isso, o tom moderado com que FHC se refere a Chavez é surpreendente, da mesma maneira que as críticas abertas que faz a Bush, e a Blair e à guerra do Líbano, estabelecem um marcado contraste com muito do que em Portugal passa por ser de esquerda. Do excerto disponível <em>online</em> (apenas sobre o Brasil), a passagem que achei mais interessante foi esta:</span></p>
<p>«É isso que me chama mais à atenção. O PT nasceu como o partido dos sectores mais avançados do Brasil, os trabalhadores de São Bernardo do Campo, como um partido renovador, com força, com pujança. E pouco a pouco, ele foi ocupando os espaços do atraso. Hoje, ganha nas zonas onde no passado ganhava a Arena (o partido oficial no tempo dos militares), não só, mas predominantemente.»</p>
<p>Segundo um <a href="http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140673606694919/fulltext">estudo</a> da Universidade Johns Hopkins (Baltimore, EUA) publicado na semana passada na revista <em>Lancet</em>, terão morrido no Iraque, em consequência da invasão americana, até agora, 650 mil pessoas. Trata-se de um estudo estatístico, que não contabilizou os mortos um por um: 650 mil é um valor intermédio, porque podem ter sido 390 mil ou 943 mil as pessoas que<em> </em>morreram<em> a mais</em> em relação ao que seria de esperar se não tivesse havido invasão. O <a href="http://margensdeerro.blogspot.com/2006/10/655000.html">Pedro Magalhães</a> tem-se dado ao trabalho de <a href="http://margensdeerro.blogspot.com/2006/10/655000-2.html">explicar alguns dos aspectos cruciais</a> da metodologia utilizada, <a href="http://margensdeerro.blogspot.com/2006/10/655000-3.html">divulgando críticas</a> a que o estudo tem sido sujeito e respondendo, com notável paciência, a objecções colocadas na blogosfera portuguesa.</p>
<p><a href="http://ocanhoto.blogspot.com/2006/10/sondagem-avantecgtp.html">Este caricatura</a>, bastante divertida, que o Filipe Nunes fez das manifestações da última 5ª feira gerou uma chuva de comentários irados no seu <em>blog</em>. Mas <a href="http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/opinion/columnistas/pt/desarrollo/699351.html">este texto</a>, de sentido muito diferente, em que o Pedro Adão e Silva defende que o PS devia ter uma <em>estratégia política</em> própria para o movimento sindical, <a href="http://ocanhoto.blogspot.com/2006/10/o-clima-anti-sindical.html">suscitou logo acusações de «fascismo»</a>.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Escolhas de imprensa</title>
		<link>http://5dias.net/2006/10/12/escolhas-de-imprensa/</link>
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		<pubDate>Thu, 12 Oct 2006 17:18:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[No ano passado, Condoleezza Rice, a Secretária de Estado norte-americana, referia-se assim à ameaça de que a Coreia do Norte viesse a tornar-se na nona potência nuclear conhecida: «Para dizer com franqueza, acho que os norte-coreanos estão um bocadinho decepcionados &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/10/12/escolhas-de-imprensa/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No ano passado, Condoleezza Rice, a Secretária de Estado norte-americana, referia-se assim à ameaça de que a Coreia do Norte viesse a tornar-se na nona potência nuclear conhecida:<span lang="PT" /><span lang="PT" /></p>
<p><span lang="PT">«Para dizer com franqueza, acho que os norte-coreanos estão um bocadinho decepcionados por não verem toda a gente aos pulos e com os cabelos em pé.»<br />
</span>[«I do think the North Koreans have been, frankly, a little bit disappointed that people are not jumping up and down and running around with their hair on fire», she told <em>The Wall Street Journal</em>.]</p>
<p><span lang="PT">Bom: parece que agora talvez haja razões para ficar com os cabelos em pé. </span><a href="http://www.nytimes.com/2006/10/12/opinion/12myers.html?th=&#038;emc=th&#038;pagewanted=print"><span lang="PT">A Coreia do Norte com armas nucleares pode ser uma perspectiva bem mais assustadora do que o Irão</span></a><span lang="PT"> (ou, digamos, o Iraque de Saddam). No Cáucaso, a Rússia e a Geórgia ensaiam um conflito de implicações significativas para o Ocidente: <a href="http://www.newamerica.net/publications/articles/2006/war_in_the_caucasus">basta pensar no Kosovo, diz Anatol Lieven</a>. Por cá, <a href="http://abrupto.blogspot.com/2006_10_01_abrupto_archive.html#116073446619812566">Pacheco Pereira pergunta-se</a> «Por que razão a democracia tem medo de Salazar?», enquanto <a href="http://www.opendemocracy.net/globalization/spain_memory_3974.jsp#">Fred Halliday, viajando por Barcelona</a>, se coloca questões relacionadas, sobre Espanha. Nas minhas <a href="http://5dias.net/2006/09/28/o-legado-de-isaiah-berlin/">notas de viagem sobre a China</a>, duas semanas atrás, tinha reparado que os documentários que a televisão de lá transmite, noite após noite, não são muito simpáticos para o Japão, e a leitura do <a href="http://economist.com/world/PrinterFriendly.cfm?story_id=7996855">special report</a> do <em>Economist</em> sobre a «guerra fria na Ásia» confirma amplamente isso [ver a continuação deste <em>post</em>]. Ainda no <em>Economist</em>, o texto mais surpreendente e trabalhoso da semana anterior é <a href="http://economist.com/business/PrinterFriendly.cfm?story_id=7963538">esta longa peça sobre o Second Life</a>, talvez a experiência mais completa até à data para pôr as pessoas a viverem na net.</span></p>
<p><span lang="PT" /></p>
<p><span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana"><span id="more-218"></span>(…) Japan&#8217;s troubles with its neighbours are still vexed by past belligerence. In particular, they remember Japan&#8217;s aggression between 1894, when it first went to war with China, and 1945, its total defeat after the second world war. The leader-to-leader summits that Mr Abe is attempting to revive, after all, were broken off by China and South  Korea because of the annual visits that his predecessor, Junichiro Koizumi, made to Tokyo&#8217;s Yasukuni shrine.</span></p>
<p><span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana">This Shinto shrine is a quiet compound, white with cherry blossom in spring, that sits in the heart of the capital&#8217;s bustle. It was founded, rather like Arlington Cemetery outside Washington, DC, to commemorate those who died in the mid-19th century civil wars that unified the country. Since then, the souls of 2.5m Japanese war dead have been enshrined there. Unlike Arlington, however, 14 top war criminals from the second world war (including Hideki Tojo, the executed wartime leader) were also enshrined in 1978, after Yasukuni&#8217;s direct links with the state had been severed. An adjacent museum paints Japan&#8217;s wars between 1931 and 1945, first in China and then across Asia, as the actions of a peace-loving nation liberating the region from Western imperialists.</span></p>
<p><span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana">In fact about 20m Asians died in these wars. In China alone, perhaps 10m died in scorched-earth campaigns, massacres of civilians and biological warfare—all glossed over by revisionists, and still taught at some schools as merely “The China Incident”. Though most of the 5m visitors a year honour family and friends who died, Yasukuni has a deserved reputation in Asia as the site of an extreme and hardline view of Japan&#8217;s past and future. </span></p>
<p><span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana">Mr Koizumi&#8217;s Yasukuni visits caused protests across China. Yet he is no warmonger. His visits, according to Ian Buruma, the author of several books on Asia, played to a new mood of patriotic populism in a country that sees both China and South Korea as new economic rivals, and that objects to being lectured about ancient guilt by the undemocratic Chinese.</span></p>
<p><!--Class: pullquote--><span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana">A sharp taste of the new mood can be found in a private bookshop in Kasumigaseki, in downtown Tokyo. The tiny shop is crammed with bestsellers, some of them thick <em>manga</em> comic books. One of the most popular <em>manga</em> authors is Yoshinori Kobayashi, whose first volume of his series “On War” sold nearly 1m copies. In it, he claimed that Japan&#8217;s Asian wars were honourable and that Japanese atrocities such as the 1937 Nanjing massacre never happened. His latest book describes how Japan&#8217;s Class A war criminals were actually victims. </span></p>
<p><span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana">Titles by other authors explain why South Korea is “the nuisance neighbour” with an inferiority complex towards Japan, and why the Chinese are hated around the world: they are self-centred, have boorish manners (spitting, never queuing) and spread disease. In the <em>manga</em> books, the Japanese are usually drawn with blond hair and Caucasian features—a habit that reflects a long-held desire in Japan to identify with the West rather than with Asia. Koreans and Chinese, on the other hand, are depicted as swarthy, brutish and slit-eyed.</span></p>
<p><span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana">Yoshiko Nozaki of the State University of New York at Buffalo argues in <em>Japan Focus</em>, an online journal, that the ability of neonationalists to make historical certainties such as the Nanjing massacre sound controversial leads the public to feel that these issues remain unresolved among experts. Certainly, such books are so ubiquitous in Japan that the visitor soon ceases to be shocked. What surprises still is that this particular little bookstore sits on the first floor of Japan&#8217;s foreign ministry.</span></p>
<p class="MsoNormal"><a name="the_view_from_china"></a><strong><span style="font-family: Verdana">The view from China</span></strong><span /></p>
<p><span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana">When Mr Abe arrives at Beijing&#8217;s Capital Airport on October 8th, few Chinese will be aware that $250m in cheap loans from Japan helped pay for a big expansion of the facility in the 1990s. In China&#8217;s state-controlled media, Japan is rarely portrayed positively. There is hardly a mention of the tens of billions of dollars-worth of low-interest loans and outright gifts that Japan has given China since the late 1970s—loans that China has thought of as its due as a developing country, and which it does not care to see as atonement for the war. When Japan decided last year to phase out its loan aid to China by 2008, the state media published indignant commentaries describing this as an affront, and only in passing revealed details of Japan&#8217;s largesse. </span></p>
<p><span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana">For the Chinese Communist Party, it is useful to portray Japan as an unrepentant aggressor with dreams of reasserting military dominance over Asia. The party has always sought to assert its legitimacy by representing itself as a bulwark against Japanese hegemony. China&#8217;s school textbooks are filled with stories of communist heroism in the war, and of Japanese brutality. Since the crushing of the Tiananmen  Square protests in 1989 and the collapse of much of the rest of the communist world in the early 1990s, the party has struggled all the harder to justify its grip on power. “Patriotic education”, stressing the party&#8217;s wartime role and the depravities of the Japanese invaders, has played a central role in this effort. (…)</span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Capuchinho Vermelho, o justiceiro</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Oct 2006 01:28:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Num texto de que, de resto, gostei muitíssimo, umas semanas atrás, o Rui Tavares escrevia às tantas a seguinte passagem: «O interesse pelo caso [da jovem austríaca que foi sequestrada e ficou encerrada dos dez aos dezoito anos numa masmorra] &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/10/12/hard-candy/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><span lang="PT"><img width="420" height="237" alt="ellen9.jpg" id="image217" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/10/ellen9.jpg" /></span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Num <a href="http://ruitavares.weblog.com.pt/2006/09/a_menina_da_selva">texto</a> de que, de resto, gostei muitíssimo, umas semanas atrás, o Rui Tavares escrevia às tantas a seguinte passagem:</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">«O interesse pelo caso [da jovem austríaca que foi sequestrada e ficou encerrada dos dez aos dezoito anos numa masmorra] nasce, em primeiro lugar, da preocupação real pelos traumas dos abusos sexuais, uma apreensão recente que por vezes sucumbe à morbidez e ao sensacionalismo, mas que é correcta na sua essência.» </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">E eu fiquei a pensar nisto: «correcta na sua essência». Será que a preocupação generalizada com os abusos sexuais sobre menores que hoje se vive é, descontada a morbidez e o sensacionalismo, correcta na sua essência? E ainda conseguimos discernir uma essência? As perguntas foram suscitadas, entre outras coisas, pelo facto de ter visto, dois meses antes, um filme que focava o problema das relações entre adultos e adolescentes sob o prisma dos abusos sexuais. <em>Hard Candy</em> parte deste temor: uma rapariga de catorze anos conhece num <em>chat</em> um homem quase duas décadas mais velho e vão tomar café. O encontro corre «bem» e o &#8211; por assim dizer &#8211; casal segue para casa dele.<br />
Tudo começa aí. Não se pode revelar demasiado para não estragar o filme, mas em casa do fotógrafo os papéis invertem-se: o perseguidor é perseguido, e a jovem caçada é quem prende a sua caça. O que a miúda de 14 anos irá fazer é uma espécie de pregação moral <em>em acto</em>, que mostra ao «sedutor» que toda a sedução de adolescentes por adultos é imoral, inaceitável por mais que o adulto se sinta desafiado, tentado ou incitado. As adolescentes vestem-se e comportam-se muitas vezes de forma hipersexualizada &#8211; aliás, as pré-adolescentes também &#8211; mas isso não é desculpa. Falo em «pregação moral» porque o filme é carregado de discurso, mas trata-se sobretudo de vingança física, tortura demoradamente praticada pela rapariga em nome de uma amiga abusada em circunstâncias idênticas, e, em geral, em nome de todas as adolescentes. Se o universo das «vítimas» é amplo, o universo dos «acusados» não o é menos: o filme aposta em que estejamos todos, ou quase todos, a ser julgados ali, porque o adulto é um fulano com o ar mais «normal» possível (não um evidente «tarado», não um ostensivo criminoso) e porque a condenação da rapariga é extensível a todos os que alguma vez nas suas cabeças fantasiaram com adolescentes.<br />
Pense-se o que se pensar desta pregação moral (e alguns aspectos fazem sentido), o lado perverso do filme reside em que ele não faz uma mera afirmação deste ponto de vista («moral») contra outro (da «imoralidade»). A coisa curiosa é que o filme joga nos dois tabuleiros, e retira a sua eficácia do facto de jogar nos dois tabuleiros. De um lado, é um filme altamente moralista sobre como não devemos explorar sexualmente as <em>teenagers</em>, não devemos interpretar os seus comportamentos libidinosos como convites ou concordâncias a aventuras sexuais. A plateia satisfaz o seu instinto moralista, comprazendo-se em ver o abusador castigado. Mas, do outro lado, a rapariga que castiga não é de maneira nenhuma uma adolescente vulgar, mas uma rapariga atraente, de maneira que a eficácia do filme também reside no alargamento generalizado da culpa.<br />
O que eu quero dizer é que às tantas o filme inteiro é uma fantasia de homem, e de homem que gosta de miúdas novas. A miúda é ao mesmo tempo criança e ao mesmo tempo omnisciente e omnipotente: é inteligentíssima (o filme assenta num desses irritantes guiões em que cada frase é uma tirada de efeito); e ainda por cima tortura o «sedutor», castiga-o por ele ter desejos que não deve ter (e pelos quais se sente culpado). O castigo é <em>ela</em> quem o exerce – não a lei, sob forma mais ou menos abstracta. Se o filme ganha no tabuleiro da moralidade, ganha também no tabuleiro da fantasia <em>voyeurista</em>, do homem que fantasia uma rapariga inocente <em>e</em> poderosa, e que, ao mesmo tempo, se sente culpado e precisa de ser punido por isso.<br />
A rapariga não fala, nem pensa nem age como uma rapariga de 14 anos. Aliás: a <em>actriz</em> não <em>tem</em> 14 anos, mas 19. O que o filme finge que nos oferece é um discurso moral sobre a atracção por miúdas; o que no fim de contas nos oferece é uma jovem bonita e atraente, com traços andróginos, inteligente para lá da conta, ao mesmo tempo que alimenta a fantasia de que se trata de uma adolescente semi-púbere, plena de inocência, sobre a qual pensar em termos sexuais será um crime análogo ao de pedofilia.</span></p>
<p class="MsoNormal">- She is decidedly pretty. I admire her immensely.<br />
- What a thoroughly bad man you must be!<br />
- What do you call a bad man?<br />
- The sort of man who admires innocence.<br />
[Oscar Wilde, <em>A Woman of no Importance</em>]</p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT"><a href="http://economist.com/world/na/PrinterFriendly.cfm?story_id=7835867">Um artigo no Economist</a> – sempre essa referência fatal – que li no espaço entre o filme e o texto do Rui Tavares dizia ainda duas coisas curiosas. Primeira: que, de acordo com uma sondagem Gallup efectuada no ano passado, os norte-americanos estão muito mais preocupados com o perigo de um estranho que viole crianças do que com qualquer outro assunto público. 66% manifestam-se «muito preocupados» com esse perigo, face a 52% que manifestam o mesmo sobre o crime violento, ou 36% muito preocupados com o terrorismo. Esta preocupação tem efeitos práticos, como por exemplo o facto de, há dez anos, haver 3 estados com restrições aos sítios onde ex-condenados por abusos sexuais sobre crianças podem viver, contra 14 actualmente, e outros 12 que estão a preparar legislação nesse sentido.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">«Um caso típico é o da lei aprovada esta semana em Monroe, New Jersey, que impede condenados por alguns tipos de ofensas sexuais de viverem a menos de 800 metros de qualquer escola, creche, jardim infantil, biblioteca ou local de oração – por outras palavras: de viverem seja onde for.» </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Segundo: não só, como é sabido, a maioria dos abusos sexuais é praticada por membros das próprias famílias, como, de acordo com os números disponíveis para os EUA, só 3% dos condenados por esse tipo de abusos reincide no prazo de três anos. Por cada ex-condenado por abusos sexuais que reincide, diz ainda o <em>Economist</em>, há 7 ex-condenados por crimes comuns que abusam sexualmente de crianças.<br />
A preocupação que hoje se vive com o perigo de estranhos vindos da rua abusarem de menores é «correcta na sua essência»? Dificilmente. Muito se poderia especular sobre a relação entre a actual hipersexualização de adolescentes e crianças, que antes referi, e a ansiedade pública. Mas não tenho unhas para isso e são horas de ir dormir.</span><br />
Para uma recensão muito boa sobre <em>Hard Candy</em> – «the rare movie that may be worthiest for the arguments you&#8217;ll have after it&#8217;s over» –, <a href="http://www.boston.com/movies/display?display=movie&#038;id=7577">aqui</a>. E, para terminar, duas fotos da Ellen Page.</p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT"><img width="420" height="235" id="image215" alt="ellen7.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/10/ellen7.jpg" /></span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT" /><span lang="PT"><img width="415" height="234" alt="ellen8.jpg" id="image216" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/10/ellen8.jpg" /></span></p>
<p class="MsoNormal">]]></content:encoded>
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		<title>Soy perfecto!</title>
		<link>http://5dias.net/2006/10/05/soy-perfecto/</link>
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		<pubDate>Thu, 05 Oct 2006 13:25:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Vídeo]]></category>

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		<description><![CDATA[]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="425" height="350"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/aNFCfXkzWBQ"></param><param name="wmode" value="transparent"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/aNFCfXkzWBQ" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="350"></embed></object></p>]]></content:encoded>
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		<title>O paraíso já</title>
		<link>http://5dias.net/2006/09/28/o-paraiso-ja/</link>
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		<pubDate>Thu, 28 Sep 2006 15:57:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Ainda está em exibição em Lisboa (no King) Paradise Now, um filme palestiniano sobre dois bombistas suicidas. Tem aspectos esquemáticos, designadamente um diálogo entre um personagem que defende o bombismo e outro que defende a resistência pacífica (e o segundo &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/09/28/o-paraiso-ja/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img width="399" height="265" alt="paradise.jpg" id="image131" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/09/paradise.jpg" /></p>
<p>Ainda está em exibição em Lisboa (no King) <em>Paradise Now</em>, um filme palestiniano sobre dois bombistas suicidas. Tem aspectos esquemáticos, designadamente um diálogo entre um personagem que defende o bombismo e outro que defende a resistência pacífica (e o segundo é mulher e bonita e letrada). Mas globalmente é um bom filme, uma boa surpresa. Para mim, a surpresa maior foi ver que o filme não é sobre Israel, nem é directamente sobre a ocupação. É um filme sobre os palestinianos, que não saem bem no retrato: há demasiado fanatismo religioso, e autoritarismo, e corrupção moral entre aqueles oprimidos. A cena mais reveladora e cruel é a do clube de video onde se alugam, como objectos de entretenimento, gravações das declarações finais dos bombistas suicidas &#8211; e (salvo erro a preço mais caro) filmes de confissões de «traidores» prestes a serem fuzilados. Não é um filme anti-palestiniano, evidentemente: é um filme crítico da ocupação, pelo que mostra da degradação permanente a que são sujeitos os ocupados; mas é um filme crítico da ocupação <em>a partir do retrato pouco rosado que nos dá dos ocupados</em>. Pelo contrário, a única imagem que nos é dada ver de Israel, por entre uma viagem de carro, resulta bastante simpática, uma imagem de arranha-céus resplandecentes de modernidade, no contraste com o que antes víramos de poeira e de lixo.</p>
<p>Tudo isso vai muito longe para evitar o maniqueísmo e para nos ajudar a perceber a situação em que se encontram aquelas pessoas &#8211; num filme que se colocava perante o problema dificílimo de tratar um bombista suicida como um personagem de carne, osso e densidade psicológica. A solução encontrada para a cena final, e para o protagonista da cena final, na sua imensa complexidade de motivações amáveis e desprezíveis, o silêncio absoluto, parece ter resultado muito bem, que na sessão em que eu vi o filme durante muitos segundos não se ouviu uma mosca.</p>]]></content:encoded>
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		<title>O legado de Isaiah Berlin</title>
		<link>http://5dias.net/2006/09/28/o-legado-de-isaiah-berlin/</link>
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		<pubDate>Thu, 28 Sep 2006 13:07:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma das coisas que suscita curiosidade sobre a China é saber como são a televisão e as livrarias – isto é, como é a liberdade de imprensa. Nos hotéis onde estive apanhavam-se geralmente cerca de trinta canais – quase todos &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/09/28/o-legado-de-isaiah-berlin/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><img width="400" height="300" id="image129" alt="pict0196-1.JPG" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/09/pict0196-1.JPG" /></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Uma das coisas que suscita curiosidade sobre a China é saber como são a televisão e as livrarias – isto é, como é a liberdade de imprensa. Nos hotéis onde estive apanhavam-se geralmente cerca de trinta canais – quase todos em mandarim, um canal chinês falado em inglês e, ocasionalmente, canais internacionais, como a CNN, ou outro que não recordo em que uma noite vi dois episódios seguidos do <a href="http://www.hbo.com/larrydavid/">Curb Your Enthusiasm</a>. A ementa dos canais chineses não parece muito diferente da dos congéneres do lado de cá. Todas as noites havia concursos televisivos do género festival da canção, semelhantes às coisas que a Catarina Furtado tem apresentado ao longo da década, só que em estúdios maiores, ou ao ar livre, com milhares de pessoas. Um programa preferido era assistir a uma novela com uma estética venezuelana (muita emoção, muitas lágrimas, algum sangue), mas transposta para um cenário shogun, com guerreiros, mortes e ressurreições. Entretenimento garantido, mesmo em línguas exóticas. O canal chinês em inglês, no qual eu perdia mais tempo, apresentava uma vez por semana um debate entre dois académicos (por vezes, meros estudantes de doutoramento) sobre temas candentes da actualidade como: «estarão os jogos de computador a prejudicar os nossos filhos?», e outros assuntos sociais afins. O lado bizarro do debate estava em que ambos os debatentes eram chineses, e o moderador também, todos em dificuldades para se exprimirem em inglês – e discordando pouco. O noticiário da noite era parecido com a SIC-Notícias, na forma e talvez no conteúdo. Não há críticas ao governo, naturalmente, mas não se nota que a informação siga linhas muito diferentes das daqui.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Agora, o prato forte da noite era o documentário histórico, todas as noites, tecnicamente bem feito, com imagens de arquivo e depoimentos de testemunhas. Embora cada noite fosse um documentário diferente, o tema andava sempre à volta do mesmo: as tropelias que os japoneses </span><span lang="PT">fizeram aos chineses (na II Guerra Mundial, na guerra da Manchúria, etc.), a forma como o chinês resistiu, como se levantou perante a opressão, como recuperou o orgulho e a dignidade nacional. Noite após noite apareciam no ecrã velhinhos e velhinhas – ou combatentes, ou meros civis – que contavam como os japoneses criminosos, os japoneses selvagens, os japoneses porcalhões, lhes tinham cuspido em cima, pisado com a bota, assassinado a família, pai, mãe, irmãos, esposa, filhos. Quis-me parecer que no facto de um canal do Estado (<em>cela va sans dire</em>) chinês, dirigido a comunidades que não falam chinês por toda a Ásia, se dedicar à recriminação histórica do Japão noite após noite deve estar inscrita alguma mensagem geopolítica importante.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">As livrarias, por seu lado, decepcionaram-me um pouco. Esperava, sobretudo de Xangai, mais internacionalização, maior cosmopolitismo, mais livros disponíveis em inglês sobre a China. A escolha não era muita e era errática. <a href="http://www.amazon.co.uk/Search-Modern-China-Jonathan-Spence/dp/0393973514/sr=8-1/qid=1159372873/ref=sr_1_1/202-6979199-2672661?ie=UTF8&#038;s=books">O livro</a> que, ao fim de algumas investigações, cheguei à conclusão de que deveria ler sobre a China, nunca o encontrei disponível. A <a href="http://www.amazon.co.uk/Mao-Story-Jung-Chang/dp/0099461552/sr=8-1/qid=1159397114/ref=sr_1_1/202-6979199-2672661?ie=UTF8&#038;s=books">biografia de Mao</a> que se encontra agora em todos os aeroportos do mundo ocidental, e que o nosso professor Cavaco adoptou como leitura de férias (para quê?), não se encontra na China. Mas os <em>Cisnes Selvagens</em>, da mesma autora, em edição inglesa, está em muitas livrarias. (A explicação parece ser que os <em>Cisnes Selvagens</em> é sobre o bando dos Quatro e não sobre o Mao, distinção que, embora subtil, ao que parece faz toda a diferença.)</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Um dia entrei numa livraria de um grande centro comercial em Xangai, onde no fim de contas os livros em inglês eram apenas livros de aprendizagem de inglês, e acabei por tirar uma foto desta montra, que me pareceu curiosa. São dois livros de edição chinesa. Um é <a href="http://www.amazon.co.uk/Noonday-Demon-Andrew-Solomon/dp/0099277131/sr=8-1/qid=1159373325/ref=sr_1_1/202-6979199-2672661?ie=UTF8&#038;s=books">O Demónio do Meio-Dia</a>, um livro sobre a depressão que tem feito o maior sucesso por toda a parte do mundo (tanto quanto sei, não está traduzido em Portugal, mas apenas no Brasil); o outro, ensaios em homenagem a Isaiah Berlin. E, globalmente, pareceu-me que os liberais do <a href="http://ablasfemia.blogspot.com/">Blasfémias</a> teriam mais facilidade em editar uma colectânea de textos na China do que, digamos, a esquerda «que a direita detesta» do velho <a href="http://barnabe.weblog.com.pt/">Barnabé</a>.</span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Uma oferta ao Público</title>
		<link>http://5dias.net/2006/09/28/uma-oferta-ao-publico/</link>
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		<pubDate>Wed, 27 Sep 2006 23:02:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Fiz eu o trabalho de casa que o Rui Tavares tinha marcado. Mas não sem algumas dúvidas. Se me pedissem opinião sobre Dahrendorf – de quem, de resto, só conheço o trabalho enquanto «intelectual público» e não como sociólogo –, &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/09/28/uma-oferta-ao-publico/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><span lang="PT" /></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Fiz eu o trabalho de casa que o Rui Tavares tinha <a href="http://5dias.net/2006/09/25/dahrendorf-o-novo-autoritarismo/">marcado</a>. Mas não sem algumas dúvidas. Se me pedissem opinião sobre <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ralf_Dahrendorf">Dahre</a><a href="http://de.wikipedia.org/wiki/Ralf_Dahrendorf">ndorf</a> – de quem, de resto, só conheço o trabalho enquanto «intelectual público» e não como sociólogo –, eu não seria muito entusiástico. Durante a década de 1990, o <em>Público</em> servia uma dieta regular destes artigos, invariavelmente cantando loas ao liberalismo e à importância da sociedade civil nas transições para a democracia na Europa do Leste. Que tenho eu contra o liberalismo? Não muito, para dizer a verdade; mas os textos de Dahrendorf enunciam princípios gerais e são fraquinhos de um ponto de vista analítico.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Se pegarmos <a href="http://www.project-syndicate.org/commentary/dahrendorf54">o texto de hoje</a>, o padrão mais ou menos mantém-se: as duas propostas finais com que termina o artigo têm um certo ar de ingenuidade que pouco as recomenda. Mas Dahrendorf tem a qualidade de ser intransigente no seu liberalismo; e isso é bastante louvável quando tantos auto-intitulados liberais ficam a tão larga distância. O Rui é muito justo quando lamenta que os jornais portugueses, e o <em>Público</em> em particular, não se preocupem agora em divulgar Dahrendorf; e quando sugere que os autodesignados liberais portugueses não são dignos dos seus parceiros internacionais, que de resto citam de forma altamente selectiva.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Se o <em>Público</em> quiser usar esta minha tradução para publicar, faça o favor – e digo isto sem ponta de cinismo. Ok: com uma ponta de cinismo. Mas podem usar na mesma.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Gostei especialmente desta frase:</span></p>
<blockquote>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Blair foi o primeiro a defender que a segurança é a primeira das liberdades. Por outras palavras, a liberdade não é o direito que os indivíduos têm a disporem das suas vidas, mas o direito do Estado a restringir liberdades individuais em nome da segurança, que por sua vez só ao próprio Estado cabe definir. Isto é o princípio de um novo autoritarismo.</span></p>
</blockquote>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Até porque o nosso primeiro-ministro, que tem um liberalismo bastante <a href="http://www.answers.com/topic/wishy-washy"><em>wishy-washy</em></a>, apressou-se a repetir, na campanha eleitoral de 2005, o <em>soundbyte</em> de Blair.</span></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal"><strong><span lang="PT">O 11/9 e o novo autoritarismo</span></strong></p>
<p class="MsoNormal">Ralf Dahrendorf</p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Cinco anos depois dos ataques às Torres Gémeas em Nova Iorque e ao Pentágono em Washington, o 11/9 já não é uma simples data. Entrou nos livros de história como o começo de alguma coisa nova, talvez de uma nova era, ou pelo menos de um tempo de mudança. Os atentados terroristas em Madrid, Londres e outros lugares também serão lembrados; mas o 11/9 é a data que ficará como símbolo, quase da mesma forma que Agosto de 1914.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Mas o que começou a 11 de Setembro de 2001 foi realmente uma guerra? Nem todos se contentam com esta definição americana. No auge do terrorismo irlandês no Reino Unido, sucessivos governos britânicos fizeram tudo o que podiam para não conceder ao IRA a ideia de que se estava a travar uma guerra. «Guerra» teria significado aceitar os terroristas como inimigos legítimos, em certo sentido como iguais numa luta sangrenta para a qual se aceitam certas regras.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Esta nem é uma descrição correcta, nem uma terminologia útil, no caso de atentados terroristas, que é mais acertado descrever como criminosos. Ao chamar-lhes guerra – e ao definir um inimigo, normalmente a al-Qaeda e o seu líder, Osama bin Laden – o governo dos Estados Unidos encontrou justificação para mudanças internas que, antes dos ataques de 11/9, teriam sido inaceitáveis em qualquer país livre.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">A maioria destas mudanças está corporizada no chamado «Patriot Act». Embora algumas das mudanças envolvessem apenas regulamentos administrativos, o efeito global do «Patriot Act» foi erodir grandes pilares da liberdade, como o <em>habeas corpus</em>, o direito a recorrer para um tribunal independente quando o Estado priva o indivíduo da sua liberdade. Desde cedo, o campo prisional da baía de Guantánamo em Cuba tornou-se o símbolo de uma coisa inaudita: a prisão sem julgamento de «combatentes ilegais» privados de todos os direitos humanos.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Resta ao mundo imaginar quantos mais destes homens não-humanos permanecem neste momento em quantos outros lugares. Para todos os outros, foi proclamada uma espécie de estado de emergência que autoriza a interferência estatal em direitos civis essenciais. Os controlos fronteiriços tornaram-se para muitos num calvário, e não são poucos os que são hoje objecto de perseguições policiais. Um clima de medo tornou a vida difícil a quem quer que pareça suspeito, ou aja de forma suspeita, designadamente se for muçulmano.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Quando foram adoptadas, estas restrições à liberdade não encontraram oposição do público. Pelo contrário, na generalidade foram os seus críticos, e não os seus apoiantes, que se encontraram numa situação difícil. Na Grã-Bretanha, onde o primeiro-ministro Tony Blair apoiou inteiramente a atitude americana, o governo introduziu medidas semelhantes e até propôs uma nova teoria. Blair foi o primeiro a defender que a segurança é a primeira das liberdades. Por outras palavras, a liberdade não é o direito que os indivíduos têm a disporem das suas vidas, mas o direito do Estado a restringir liberdades individuais em nome da segurança, que por sua vez só ao próprio Estado cabe definir. Isto é o princípio de um novo autoritarismo.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">O problema coloca-se em todos os países afectados pela ameaça do terrorismo, embora em muitos não se tenha apresentado de forma tão específica. Para a maioria dos países da Europa continental, o 11/9 continua a ser uma data americana. Há até um debate – e de facto algumas provas – sobre se o envolvimento na «guerra contra o terrorismo» não terá aumentado a ameaça terrorista. Os alemães, certamente, usam este argumento para se colocarem de fora sempre que possível.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">No entanto, esta posição não evitou que se disseminasse algo que muitas vezes, mesmo noutras línguas, é referido por uma palavra alemã: <em>Angst</em>. Há uma ansiedade difusa que está a ganhar terreno. As pessoas sentem-se inquietas e preocupadas, especialmente quando viajam. Qualquer acidente de comboio ou desastre de avião é hoje em primeiro lugar encarado com a suspeita de se tratar de um atentado terrorista.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Assim, o 11/9 significou, directa ou indirectamente, um grande choque, tanto em termos psicológicos como para os nossos sistemas políticos. Embora o terrorismo seja combatido em nome da democracia, na verdade o combate levou a um claro enfraquecimento da democracia, graças à legislação oficial e à angústia difusa [<em>angst</em>] das populações. Um dos aspectos preocupantes dos ataques de 11/9 é que é difícil descortinar-lhes um propósito para além do ressentimento que os seus perpetradores têm em relação ao Ocidente e ao seu modo de vida. Mas os traços distintivos do Ocidente, a democracia e o estado de direito, sofreram um golpe muito mais sério às mãos dos seus defensores do que dos seus atacantes.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">São necessários, acima de tudo, dois passos para restaurar a confiança na liberdade no seio das democracias afectadas pelo legado do 11/9. Em primeiro lugar, devemos assegurar-nos de que alguma da legislação relevante para enfrentar o terrorismo é estritamente temporária. Algumas das restricções actuais ao <em>habeas corpus</em> e às liberdades civis têm cláusulas de extinção que limitam a sua validade; todas estas regras deveriam ser reexaminadas regularmente pelos parlamentos.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Em segundo lugar, e mais importante, os nossos líderes devem procurar acalmar, ao invés de explorar, a ansiedade pública. Os terroristas com os quais estamos actualmente em «guerra» não podem ganhar, porque a sua visão feita de trevas nunca ganhará ampla legitimidade popular. Essa é mais outra razão para que os democratas se ergam na defesa dos nossos valores – em primeiro lugar, e sobretudo, agindo de acordo com eles.</span></p>
<p class="MsoNormal">]]></content:encoded>
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		<title>Turista ocidental</title>
		<link>http://5dias.net/2006/09/21/turista-ocidental/</link>
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		<pubDate>Wed, 20 Sep 2006 23:34:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Gostava de contar coisas sobre a China, onde passei o mês de Agosto. Mas por onde começar? A missão é homérica. A primeira expressão que me saiu quando tentei falar aos meus amigos foi dizer que o mês foi «trabalhoso». &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/09/21/turista-ocidental/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a target="_blank" href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/09/xangai0.jpg"><img width="400" height="164" border="0" alt="xangai0.jpg" id="image66" title="xangai0.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/09/xangai0.jpg" /></a></p>
<p>Gostava de contar coisas sobre a China, onde passei o mês de Agosto. Mas por onde começar? A missão é homérica. A primeira expressão que me saiu quando tentei falar aos meus amigos foi dizer que o mês foi «trabalhoso». Um mês de férias, mas trabalhoso. Na China &#8211; e clarifico, porque tudo o que eu disser sobre a China é Xangai, Beijing e mais duas outras cidadezinhas (uns povoados mesmo) de sete ou oito milhões de habitantes -, na China não senti muito o conforto do turista. Não é que eu não ande por lugares confortáveis, e de maneira confortável, porque me sacrifico pouco e tenho orçamento suficiente para evitar privações. Mas, tirando uma coisa ou outra &#8211; o primeiro hotel onde ficámos, de ambiente bastante colonial -, tudo na China é descoberta, tentar compreender, tentar perceber. Orientar-se a gente consegue, no sentido físico, pelo menos, de não andar perdido, de chegar aos lugares onde pretende, mesmo sem falar uma língua minimamente comum com eles. Mas todo o assunto é orientação no sentido em que passo o dia a perguntar-me: «o que é isto?», «o que é que estes gajos querem?», «que é que andam a fazer?», no meio do barulho, da poluição, da construção, do trânsito, do ritmo. Também da arquitectura, porque é preciso andar de olhos bem abertos e pescoço apontado para cima se se quer ver alguma coisa enquanto turista. Em Xangai, um calor de 35 graus com 90% de humidade, sempre esse bafo húmido, dia e noite, quando se sai dos hotéis, ou das lojas, ou dos restaurantes. (Não vou dizer dos cafés porque, infelizmente, há pouca coisa a que se possa chamar café.) No final do dia voltamos ao hotel, ligamos a tv e olhamos para o mapa da meteorologia que mostra o tempo que fará amanhã do outro lado do mundo. Tirando que, agora, o outro lado do mundo é o nosso lado do mundo; e isso, de alguma maneira, resume bem a experiência, até no aspecto que ela tem de mais encantador: mesmo ao fim de quatro semanas, continuamos a sentir-nos do outro lado do mundo, nunca esquecemos a distância. A supresa, a curiosidade e o incómodo.<br />
<span lang="PT">Esta distância não é um efeito meramente geográfico, evidentemente. É uma coisa da língua, e é uma coisa dessa matéria mal definida e perigosa a que se chama «cultura». Isto não significa que o diálogo com os nativos seja impossível; não é e, pelo contrário, sobretudo em Beijing encontra-se muita gente com vontade de praticar o inglês e conversar com turistas. Mas a barreira, a ampla barreira, nunca se ultrapassa. Posso estar a conversar com uma rapariga esperta, de vinte anos, professora de inglês, completamente virada para a integração da China no mundo a que chamamos «moderno», que veste as roupas que vê na MTV, e no meio da explicação dela sobre como interpreta a China e as mudanças que estão a acontecer, ela explica, com a mesma naturalidade, que tudo é no fundo uma continuação do que o Karl Marx já tinha pensado e proposto, que o Deng Xiao Ping fez apenas umas actualizações, sempre guiado pelo pensamento de Marx. E damo-nos conta de uma barreira, de um horizonte inultrapassável, de termos do discurso que não são compatíveis. Um sorriso irónico, porque a conversa por aí não é mais possível.<br />
Eu gostei do passeio e gostei sobretudo de Beijing. Desejo regressar lá, uns quatro, cinco dias, para reconhecimento, voltar aos lugares onde estive, a dois ou três onde não estive, ver como páram as coisas, comprar mais umas roupas de contrafacção a preços incríveis (para o turista com algum dinheiro, e querendo comprar, a China é o paraíso). É engraçado também isso: simpatizei com Beijing na primeira meia-hora, sem saber explicar porquê, e constato que o fenómeno é muito comum nas minhas viagens. A impressão da cidade forma-se logo no início. Gostei de Beijing com aquelas avenidas descomunais, larguíssimas, estalinistas: se se colocarem arranha-céus de cada lado da rua, vai parecer normal, tão normal como qualquer cidade dos Estados Unidos. É o que parece. De Xangai não gostei tanto, embora tenha coisas interessantes. Teria meia-dúzia de bares para recomendar, dos melhores que vi alguma vez na vida. Mas aí só posso pensar em voltar porque, imagino, em dez anos, ou vinte anos, essa cidade estará do avesso, como toda a China. A impressão da China (Xangai, Beijing, onde eu estive) é essa mesmo: que tudo está a ser virado do avesso. Que tudo é capitalismo, que tudo é fazer dinheiro, que tudo é enriquecer. Nada &#8211; nada que ver com a Rússia que eu vi no ano passado, São Petersburgo e aquelas adjacências pós-imperiais (Estónia, Letónia, em certa medida até Helsínquia).<br />
E não há a menor chance de alguma vez sentir aquela coisa de ocidental, de pessoa que vem do mundo desenvolvido e tem curiosidade de saber como esses atrasados se estão a aproximar de nós. Há essa ilusão optimista de que o progresso é uma linha e de que nós estamos uns passos mais à frente nessa linha; essa ilusão, lá, nunca foi possível manter. Eles não estão a aproximar-se de nós, nós europeus, ou nós ocidentais. Eles estão lá, construindo muito, sujando muito, tentando muito enriquecer. Acho que eles não querem ser como «a América». Acho que eles querem simplesmente ser ricos e muito grandes. Pode ser ilusão óptica de turista que passeou por três sítios e acha que já viu tudo, que construiu um orientalismo à medida; mas, se eu tivesse de dizer, acharia que eles querem ser a «nova América», a próxima «América», mais do que «como a América». «Os navios chineses tomaram Londres numa manhã quente do Natal de 2035», como especulava o brasileiro que viajava comigo.</span></p>
<p><span lang="PT">O comunismo, a democracia? Da democracia não sei muita coisa. Não sei se há muitos chineses, em Xangai e Beijing, que estejam a pensar nisso. O «comunismo» da China é mais científico do que o Marx e o Engels, em dias de sonhos húmidos, alguma vez pudessem ter imaginado: entre os nove membros do politburo do Partido Comunista da China, nove são engenheiros. Do comunismo aproveitou-se o que funcionava – um partido, mandando em nome de um projecto «nacional» &#8211; e o resto foi para o lixo. Mao está em toda a parte &#8211; não em estátuas, mas em bugigangas, matérias comerciáveis, t-shirts, porta-chaves, estatuetas, cartazes, relógios: um Che Guevara daquele hemisfério. E, embora o grande retrato dele continue a ornamentar a entrada da Cidade Proibida, como pai fundador da República Popular, da «nova» China, não há maneira de não achar que a omnipresença do Mao em objectos de consumo de massas é uma ironia maliciosamente calculada. Até para Mao o Partido tem uma fórmula científica: 70% do que fez foi correcto, 30% errado. Do verdadeiro pai da nova China, Deng Xiao Ping, nem um milésimo de representação em figurinhas.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">UMA NOTINHA SÓ para dizer que agradeço ao Nuno Ramos de Almeida, que foi quem me convidou para fazer parte do 5 dias, e quem teve mais trabalho, e mais preocupações, e mais chatices, com isto até à data. O lado colectivo deste site reside na partilha da página entre os cinco. De resto, não tenho declarações de princípios, carta de intenções, essas coisas. Acho que isso é mais adequado para projectos políticos, como o semanário <em>Sol</em>. Aqui, cada um, cada dia, tentará ver o que se pode fazer com este meio, com a internet, com os recursos, com os links. Que seja útil.</span></p>
<p class="MsoNormal"><a target="_blank" href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/09/xangai2.jpg"><img width="396" height="260" border="0" title="xangai2.jpg" alt="xangai2.jpg" id="image67" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/09/xangai2.jpg" /></a></p>
<p class="MsoNormal">Xangai, no meio da rua. As fotos são <a href="http://www.pbase.com/enthios/profile">deste americano</a>, tirando a que está antes do texto, que é deste site <a href="http://www.orientalarchitecture.com/shanghai/shabundindex.htm">aqui</a>.</p>
<p class="MsoNormal"><a target="_blank" href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/09/xangai3.jpg"><img width="394" height="294" border="0" title="xangai3.jpg" alt="xangai3.jpg" id="image68" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/09/xangai3.jpg" /></a></p>
<p class="MsoNormal">Xangai: vê-se o rio Huangpu e a área de Pudong, que em 1990 simplesmente não existia. Às vezes, faz lembrar Hong Kong, tirando que a arquitectura de Hong Kong é muito melhor, e a própria geografia concentrada e montanhosa do lugar torna HK muito mais interessante.</p>
<p class="MsoNormal"><a target="_blank" href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/09/xangai1.jpg"><img width="389" height="290" border="0" title="xangai1.jpg" alt="xangai1.jpg" id="image70" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/09/xangai1.jpg" /></a></p>
<p class="MsoNormal">Aquela Pearl Tower é disneylândia pura.</p>
<p class="MsoNormal"><a target="_blank" href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/09/xangai9.jpg"><img width="389" height="290" border="0" title="xangai9.jpg" alt="xangai9.jpg" id="image71" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/09/xangai9.jpg" /></a></p>
<p>Aqui, ao fundo, temos a casa dos <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Jetsons">Jetsons</a> (é o hotel Radisson).</p>]]></content:encoded>
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