na caixa de comentários deste texto, um comentador (luis m jorge) faz menção a este post de daniel oliveira (cujo título é desde logo um programa — quem disse que as perguntas, e mais ainda as perguntas jornalísticas, devem ser ‘inocentes’? que raio será isso de uma pergunta ‘inocente?) e pergunta ‘que diabo levou o Diário de Notícias a formular e a publicar aquela pergunta? Não lhe parece um exercício miserável, f.? Ou, para parafrasear o Daniel Oliveira, um tristíssimo frete? O que irão fazer a seguir — edições especiais sobre o computador Magalhães?
porque parece que há quem, perante a resposta, prefira só olhar para a pergunta (também sucedeu aqui, com o nuno ramos de almeida), trouxe ‘cá para fora’ a resposta (adaptada) que coloquei nos comentários:
a mim cansa-me sobremaneira a teoria dos fretes. não que não os haja, mas porque são, felizmente, muitíssimo menos que aquilo que os profissionais da conspiração certificam. chamar ‘um exercício miserável’ à pergunta é não só insultar o meu colega joão céu e silva, coisa que certamente não farei e que me parece bastante pouco elegante (para ser eu própria elegante) alguém convidar-me a fazer, como o próprio pacheco pereira, que respondeu, ao que parece, muito calmamente e sem nenhuma surpresa à pergunta, chegando mesmo ao ponto de confirmar-lhe a premissa. sendo o pacheco pereira, como é público no público e em muitos outros fora, um especialista em identificar e denunciar ‘fretes’, é muito curioso que aquilo que parece a alguns tão gritantemente óbvio não o seja para ele. a não ser, claro, que seguindo a senda da conspiração e da suspeição metódicas, tenhamos então de concluir que o pacheco pereira, ao esconder a sua indignação e ao responder com bonomia à pergunta, resolveu fazer ele próprio um frete — ao jornalista, ao dn, sei lá eu.
no mundo delirante dos teorizadores do frete, não só todas as notícias do público contra o governo e o pm são escritas pelo próprio belmiro, que se imagina decerto a dar ‘ordens’ a pacheco pereira e aos outros colunistas e a passar ‘dossiers’ aos jornalistas, como a pergunta do joão céu e silva veio directamente do gabinete do primeiro ministro.
ora o que o joão céu e silva perguntou foi uma coisa muito simples: se pacheco pereira acha, como muita gente acha, que o público faz uma cruzada declarada contra o pm. e ele, pacheco pereira, respondeu que sim. parece que isto custa muito a compreender a certas pessoas, de tal modo que preferem assestar as baterias contra o o perguntador, insinuando que a pergunta nunca devia ter sido formulada por isto e por aquilo. é de facto extraordinário.
é sobretudo extraordinário que perante a extraordinária resposta de pacheco pereira, que a mim, pessoalmente, me deixou de boca aberta, e por muitíssimas razões além das que aqui e no meu texto para o dn aduzi — e uma delas é porque eu não acho que se deva dizer que o público como jornal tenha declarado guerra santa a josé sócrates, mesmo que a generalidade da opinião nele contida, incluindo a do director, e algumas linhas de investigação tenham adquirido uma tonalidade de obsessão persecutória — haja quem desvie o olhar para a pergunta, sem se dar conta que ao fazê-lo está a adoptar exactamente o mesmo princípio dos que vêem, em todas as notícias que o público publicou sobre o percurso académico do pm ou a sua actividade como engenheiro, uma linha de questionamento inaceitável. há decerto perguntas que se não fazem — mas a pergunta de céu e silva não é uma delas. quanto a quem, como o meu amigo daniel oliveira, insinua que o dn é um jornal ‘vendido’ ao governo (ou lá o que é que o daniel insinua) só posso responder que isso é obviamente fruto de parca leitura do jornal onde trabalho, para além de ser um insulto a muito boa gente na qual eu me incluo.