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COMENTÁRIOS

Chineses criam uma potência em Angola

21 de Janeiro de 2009 por Emídio Fernando

Em 10 anos, passaram de pouco mais de 200 pessoas para as 40 mil actuais. É a população chinesa, na esmagadora maioria homens, que ajuda a fazer crescer Angola. São explorados, vivem em guetos e fazem dinheiro, muito dinheiro, para os bolsos de alguns (muito poucos). É um trabalho escravo que está a transformar Angola numa verdadeira potência e que é relatada pela jornalista Mariana Van Zeller, que tem a sorte de não trabalhar em Portugal e de poder fazer isto: um documentário sobre a vida chinesa em Angola.

Homenagem a D. José Policarpo*

15 de Janeiro de 2009 por Emídio Fernando

sarajevo-cemiterio
A última vez que alguém, na Europa, teve o mesmo pensamento que o cardeal-patriarca de Lisboa deu nisto: juntos, juntos, só no cemitério.
Quando andei em reportagens pela guerra da Bósnia escrevi isto que agora dedico aos josés policarpos desta vida:

Três miúdos, entre os seis e os dez anos, fazem um “slalom” num dos jardins principais do centro de Sarajevo. Montados em trenós, fintam uma campa e outra e mais outra, deslizando sempre sobre a neve espessa e alta até chegarem à beira da estrada. Fazem autênticas razias sobre os pequenos montes com cruzes ou pedaços de madeira que prestam homenagem aos mortos. Sob a neve e debaixo da terra repousam meros cadáveres. Em vida, eram crentes muçulmanos, ortodoxos, católicos. A guerra dividiu-os, a morte juntou-os. Já não cabiam nos cemitérios – o maior da cidade já apresenta a lotação esgotada e até as imediações do estádio olímpico, que acolheu os Jogos de Inverno, em 1980, foram ocupadas. Não resta outra solução do que a começar a enterrar os mortos nos jardins da cidade. Ou em qualquer espaço livre que estiver mais perto.

*Publicado no Correio Preto

O melhor dos mundos – 2

8 de Janeiro de 2009 por Emídio Fernando

O PS conseguiu vencer a batalha no Parlamento, garantindo que a avaliação dos professores não fosse suspensa. Para isso, contou com uma preciosa ajuda de… Manuel Alegre. Pois, o deputado votou ao lado da oposição, mas assegurou que, pelo menos, uma parlamentar do seu pequeno grupo votasse de outra forma para que o Partido Socialista não fosse prejudicado.
Mesmo assim, não se livrou – ele e as outras quatro deputadas – de ouvir este mimo de Augusto Santos Silva:

“A minha opinião dirige-se a todas e todos deputadas que manifestaram a sua opinião. Limito-me a constatar como particularmente reveladora de que o que estava menos em causa aqui era avaliação dos professores que os deputados que o fizeram não hesitaram em votar a favor de um projecto de lei (dos partidos da oposição) que a ser aprovado constituia uma vergonha para o parlamento democrático português”.

A votação ficou assim: 114 contra a suspensão, 113 a favor e uma… abstenção. A amiga, nesta caso, foi Matilde Sousa Franco que optou pela abstenção.

A frase que resume uma entrevista

6 de Janeiro de 2009 por Emídio Fernando

José Sócrates, ontem à noite, na entrevista à SIC:

“Oh, Ricardo Costa, está a escrever um editorial ou a fazer uma pergunta?”

A frase e o contexto deveriam integrar todos os programas de ensino de jornalismo. Na parte dos géneros.

Europa unida jamais será entendida

5 de Janeiro de 2009 por Emídio Fernando

O ministro dos Negócios Estrangeiros da República Checa, Karel Schwarzenberg, que preside à União Europeia, garante ter um plano para obter um cessar-fogo imediato em Gaza e vai apresentá-lo num périplo pelo Médio Oriente. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, que já não preside à União Europeia, marcou uma série de encontros pelos países do Médio Oriente, à parte do checo e começou por tomar o pequeno almoço com o seu homólogo do Egipto. Javier Solana agendou também uma ronda negocial pelos países árabes. Tony Blair, que já não tem funções executivas, anda por lá a desenvolver contactos.
Cada um tem um plano, uma agenda e muitas conferências de imprensa para dar. Ah.. em Gaza, já foram mortas mais de 500 pessoas!

Ravel nas favelas

3 de Janeiro de 2009 por Emídio Fernando


A Orquestra Juvenil Simon Bolívar foi criada por iniciativa de Hugo Chávez. O conceito é simples: colocar jovens a tocar música, todo o tipo de música. O recrutamento da orquestra é feito nos bairros pobres de Caracas e obedece a um esquema também simples. Cada jovem pode aparecer tocando o que sabe: viola, guitarra, latas, instrumentos tradicionais, o que for. Depois é dado a cada um deles a formação musical completamente gratuita. Os melhores são integrados na Orquestra que até participa em festivais internacionais, de Viena a Toronto.

Há também o recrutamento feito pelos próprios jovens músicos que estudam na orquestra. Vão aos bairros pobres em busca de talentos ou simplesmente desafiando outros jovens e miúdos a integrar a escola.

Os instrumentos, de violoncelo à harpa, passando pelo violino e saxofone, são grátis. Ninguém paga um único instrumento musical! É assim que a Orquestra é formada por jovens brancos, índios, negros, mestiços que reflectem a sociedade venezuelana. É emocionante ouvi-los tocar. Pela própria emoção, dedicação e entusiasmo que transmitem. Por exemplo, como neste concerto transmitido pela BBC: orgulhosos das suas origens, os jovens vestidos com as cores da bandeira da Venezuela. E reparem na alegria e na força do maestro Gustavo Dudamel (nas foto).

Em cada concerto, além dos clássicos, como Ravel, Handel, Mozart e outros, a Orquestra Símon Bolívar faz questão de apresentar as obras de compositores latino-americanos, como o argentino Alberto Ginastera ou o mexicano Arturo Marquez.

Por Portugal, terra em que o ensino da música é um verdadeiro luxo destinado a uns poucos, já andou um dos músicos a tentar introduzir o mesmo conceito de criar uma orquestra a partir de gente que vive nos bairros mais pobres. Mas desconfio que falta o interesse e vontade.

No melhor pano cai a credibilidade

30 de Dezembro de 2008 por Emídio Fernando

A BBC acaba de transmitir uma reportagem realizada em Dora, um bairro nos arredores de Bagdad, particularmente violento e que assistiu, em Maio do ano passado, à perseguição de católicos. Mas não era disso que a reportagem pretendeu retratar. O jornalista contou que o bairro vive no melhor do mundos: soldados norte-americanos jogam bilhar e ao dominó com os jovens iraquianos, “extasiados” por tão alegre companhia.

Com um ar compungido, o jornalista lá recordou que o bairro foi palco de violentos confrontos entre os “marines” e os “rebeldes” que acabaram por ser expulsos em Setembro, deste ano. Agora, conta o jornalista, há uma harmonia perfeita.

Para o caixote do esquecimento da BBC, foram parar as mortes; as entradas ao pontapé de soldados pelas casas agora dos “amigos” iraquianos;  as entrevistas à população que poderia comentar quanto animada anda por ter invasores; e as imagens de um bairro cortado aos pedaços quando, há uns anos, era composto por duas igrejas, vivendas habitadas por técnicos superiores (a maioria trabalhava na administração governamental, apesar de ser católica) e por algumas lojas. Hoje, são só escombros. Que o pano da BBC simplesmente apagou substituindo por uma qualquer “música do coração”. E assim se reescreve a História. Um dia destes certamente a reportagem poderá ser revista numa televisão portuguesa. Sem comentários e sem contraditório, a seco.

A outra forma de não escrever “estagnação”

25 de Dezembro de 2008 por Emídio Fernando

A agência Lusa noticiou que o governo espanhol vai aumentar o salário mínimo em 3,5 por cento. No mesmo “take”, a agência noticiosa tratou de recordar que o Governo português também decidiu aumentar o salário mínimo, mas em 5,6 por cento.
A notícia seguinte da Lusa contava que Moscovo vai apoiar 295 empresas para “contrariar os efeitos da crise” e até já publicou a lista das contempladas. Mas, ao contrário da notícia sobre o salário mínimo, a Lusa “esqueceu-se” de fazer a comparação com Portugal e nem sequer fez referência aos apoios do Governo português. Talvez por serem inexistentes.
Nem só de “estagnação” se fazem “notícias” na agência Lusa.

Os poetas ainda são uns sonhadores

19 de Dezembro de 2008 por Emídio Fernando

Manuel Alegre em entrevista à RTP, ontem à noite:

Ainda não sou o Presidente da República”

Um plano tão novo como a criação do Mundo

13 de Dezembro de 2008 por Emídio Fernando

O Governo está a anunciar um pacote de medidas para enfrentar a crise, obedecendo às recomendações do plano de Durão Barroso. A RTP, no seu jornal da tarde, resolveu anunciar a conferência de imprensa do Conselho de Ministros com esta frase:

“O Governo vai anunciar um definitivo plano de medidas para enfrentar crise”.
O tom usado pelo jornalista de serviço fez-me acreditar que Portugal tinha chegado a Marte.
Mas não resisti em assistir aos primeiros pontos do dito plano.
O plano – “definitivo” – começou por José Sócrates anunciar a requalificação em mais de 100 escolas. Ora, que me lembro, pelo menos há mais de um ano que conheço este plano, divulgado pelo próprio Sócrates quando inaugurou uma escola em Torres Vedras.
A seguir passou para o Emprego com a promessa de ser “a prioridade das prioridades”. Bem, desde a campanha eleitoral, de 2005, que não se ouve outra coisa da boca do primeiro-ministro, com a tal promessa de criar 150 mil novos postos de trabalho.
E para dourar o plano, lá surgiu a garantia de fazer um fortíssimo investimento em barragens. Eu, pelo menos, já cobri duas apresentações de projectos de barragens e ouvi, com a ajuda do belíssimo power-point, em tendas com luzes azuis ou viradas para o rio e com um “catering” de luxo, a exibição de um conjunto de planos de novas barragens a serem construídas até 2015.
A terminar, seguiu-se as promessas de apoio à exportação e às PMEs. Se escrevesse aqui as agendas do primeiro-ministro e de Manuel Pinho em que fizeram as mesmas promessas, só este ano, precisaria de um blogue à parte.

Atenção ao futuro

8 de Dezembro de 2008 por Emídio Fernando

Samia Ghali nasceu na Argélia, há mais de 20 anos que se dedica à política em Marselha, França. É economista e autarca e, em seis eleições em que foi candidata, não perdeu uma. Alguma imprensa francesa e e muitos jornais africanos e pró-africanos apontam-na como uma “estrela” do Partido Socialista francês.
Apesar da França estar habituada a colocar políticos de origem africana em muitos lugares de topo, não deixa de ser significativo que o principal partido da oposição, agora a enfrentar uma crise – de resultados, valores e ideologia – se vire para os valores que nascem da imigração.
Samia Ghali é “rainha” nos principais bairros de Marselha e é muçulmana. Numa recente entrevista à revista “Jeune Afrique” confessa-se avisada. Sabe que “acumula todos os handicaps (mulher, muçulmana, africana)”, admite ser “desejada” pelas elites políticas, mas tem consciência que pode ser usada como “um instrumento político”. E, para já, só promete lutar para”acabar com os guetos” sobretudo nas escolas.

Espanto, espanto é quando estão todos

5 de Dezembro de 2008 por Emídio Fernando

Manuela Ferreira Leite deve ser muito ingénua. Ou pretende passar essa ideia. Ou então está muito afastada da realidade da vida política. A líder do PSD ficou indignada por ter constatado que 30 deputados do seu partido faltaram à votação que poderia determinar o fim do processo da avaliação dos professores. Caso não o tivessem feito, teriam provocado uma tal mossa política no PS que a própria direcção socialista seria obrigada a tirar as devidas ilações. E provocaria um sério hematoma na já mal-tratada ministra da Educação. Mas não. 30 deputados do PSD faltaram.
O que espanta nisto é a própria indignação de Manuela Ferreira Leite que até pediu explicações ao líder parlamentar como se se tratasse de um caso virgem e fazendo-o com estrondo. A novidade no Parlamento, a verdadeira notícia, é quando estão todos os deputados. Faltar aos debates e às votações; assinar nas comissões e depois fazer-se à vida para outros lados; chegar tarde aos debates; sair cedo; e entrar mudo e sair calado faz parte da rotina parlamentar da esmagadora maioria dos deputados sobretudo nos grupos do PS e do PSD.
Além disso, a bancada social-democrata foi escolhida, quase a dedo, por Pedro Santana Lopes. E essa escolha reflete bem o autor da selecção: é só vê-los – quando isso é possível – nas últimas bancadas: a rir, a ler jornais, em amenas e, deduz-se, divertidas cavaqueiras, e a sair e a entrar na sala. Só há uma regra sagrada que nenhum deles se esquece de cumprir: assinar o ponto.
Manuela Ferreira Leite deveria fazer um estágio no Parlamento. Em especial, assistindo, nas galerias e nas comissões, ao desempenho dos seus deputados. Se o tivesse feito, antes de se atirar à liderança, talvez tivesse ficado em casa. E poupava-se à vergonha. *

*Publicado em correiopreto.blogspot.com

Sem desculpas, mas de mão estendida

25 de Novembro de 2008 por Emídio Fernando

De repente, Angola começa a assistir a uma “ponte aérea” em sentido contrário. 33 anos depois da debandada de portugueses, eis que a embaixada de Angola tem, só este mês, uma lista de pedidos de visto que já ultrapassa os 60 mil. Repito: 60 mil. Grande parte – talvez a esmagadora maioria – pertence ao mundo de negócios.
Luanda fervilha com tantos portugueses, ávidos de arranjar um dinheirinho e em fuga de Portugal. A maioria dedica-se a humilhar-se perante o poder angolano (o financeiro e o político). Sujeita-se a tudo, parte de Lisboa quase com a camisa no corpo e uma promessa vã de conseguir “qualquer coisa”.
Entre aventureiros e empresários com algum renome e curriculo que se veja, Angola vai ajudando os portugueses e sobretudo dá um forte apoio à economia portuguesa. Sustenta-a, de facto. E entre aventureiros e empresários, andam por lá muitos que ajudaram a perpetuar a guerra civil. E, sem qualquer vergonha, lá estendem à mão ao “demónio” de alguns anos, aos “ditadores” de já pouco tempo, aos “canibais” e a gente que sempe foi brindada com adjectivos “delicodoces”. Deveriam pedir desculpas públicas, mas não o fazem. Os joões, as marias, os josés, os ruis, os mários, os antónios, as antónias, os jaimes, os miguéis, os fernandos e tantos, tantos outros, que andaram a incendiar opiniões contra Luanda, que apoiaram um assassino à solta, que suportaram a loucura de meia dúzia de homens, não passam hoje sem Angola. A tal dominada por Luanda.
Vão comer precisamente à mesma mão em que andaram tantos anos a cuspir. Não pedem desculpa, mas a mão estendida e o corpo vergado é o supremo gesto que Angola precisava de ver. E assiste-o quase todos os dias. É, no fundo, a glória dos vencedores.

A Sagrada Esperança aconteceu há 33 anos

11 de Novembro de 2008 por Emídio Fernando

Hoje celebra-se o dia mais importante para todos os angolanos: a Independência. A festa do povo deu-se na noite de 10 para 11 de Novembro quando Agostinho Neto proclamou oficialmente Angola como país independente. Foi em Luanda, entre muito fogo de metralhadoras e de todos os tipos de armas, mas com a cidade quase cercada. A Sul, as tropas sul-africanas, do regime do “apartheid”, estacionavam a 100 quilómetros. A Norte, os mercenários pagos por Mobutu, ajudados pelos Estados Unidos, também tentavam entrar na cidade.

Apesar disso tudo, a independência iria ser celebrada com a pompa que o acto merecia na tarde de 11 de Novembro. O Brasil foi o primeiro país a reconhecer o novo Estado, seguindo-se os países ditos socialistas. Portugal só o iria fazer em Fevereiro do ano seguinte, sendo o 88.º país a reconhecer a Angola independente. Estavam dados os sinais do que o futuro reservava.

No dia 11 de Novembro de 1975, Angola alcançava a primeira independência. A segunda iria acontecer 26 anos depois, com a morte do assassino e torcionário Jonas Savimbi.

África e Sarkozy

7 de Novembro de 2008 por Emídio Fernando

Durante décadas, a França seguiu uma política muito própria em relação a África que se baseava, entre outras coisas, por ter relações privilegiadas com quem estivesse no poder, independentemente da cor ideológica ou de que tipo de poder exercia no momento. Era um pragmatismo que, mesmo tendo altos e baixos, fez de Paris uma verdadeira plataforma dos grandes acontecimentos em África.
Essa política passou a ser copiada por Portugal em relação às suas ex-colónias e foi introduzida por Cavaco Silva, quando tentou acabar com a promiscuidade que existia entre os governos portugueses e os movimentos que combatiam os regimes, sobretudo, de Angola, Guiné-Bissau e Moçambique.
Mas agora, Paris ameaça rodar a agulha. Nicolas Sarkozy, dias depois de ser empossado, garantia que a França iria dar uma maior atenção ao respeito pelos direitos humanos em África e não olharia apenas pelos interesses franceses.
A ruptura prometida já deu em livro, intitulado Sarko en Afrique, de dois jornalistas especializados em assuntos franceses. Antoine Glaser e Stephen Smith recuperam os discursos de Sarkozy e já adivinham o falhanço nas intenções do presidente francês. E têm conhecimento de causa para defender essa tese. Há dois anos, escreveram um outro livro que serviu de alerta para a alta diplomacia francesa: “Comment la France a perdu l’Afrique”. Na altura, os dois defenderam que as empresas francesas, lentamente, andam a perder terreno em França.
Como se fosse preciso dar-lhes razão, o Ruanda decidiu que o inglês vai passar a ser a língua oficial do país e de ensino obrigatório desde o primeiro ano de escolaridade.

E se ele foi morto?

7 de Novembro de 2008 por Emídio Fernando

A morte de Samora Machel – acidente?, assassinato? – volta à primeira linha do interesse jornalístico em África, graças a um documentário e a um livro. O trabalho televisivo “Death of a President” foi difundido pela cadeia de televisão SABC3 e recupera a tese do atentado, juntando algumas peças mal esclarecidas, sobretudo nas horas que se seguiram à queda do avião que transportava o presidente moçambicano. Pelo meio, o documentário lembra as diversas teses escritas nos últimos anos que defendem que Machel foi assassinado, a 19 de Outubro de 1986.
O trabalho pode ser visto aqui: www.sabcnews.com.
Seguindo a mesma linha, o escritor sul-africano Deon Meyer, que se notabilizou por escrever romances policiais, lançou, em França, o livro “Lemmer, l’invisible” que romanceia o desvio de um avião e envolve tecnologias e os serviços de informações de Israel, África do Sul e União Soviética. Um triângulo explosivo que Mayer garante ter-lhe roubado mais de 13 anos de investigações e, em entrevista à revista “Jeune Afrique”, jura ter sido inspirado por uma colecção de documentos que foi juntando durante esse tempo.
O livro só está publicado em francês e inglês, apesar de Deon Meyer estar editado em 14 línguas.

Obama e a Europa branca

5 de Novembro de 2008 por Emídio Fernando

No primeiro discurso, como vencedor das eleições presidenciais, Barack Obama começou por fazer uma constatação que nos deve fazer pensar: “Isto é a prova que na América tudo é possível”. E parece que é.
A Casa Branca despede-se de um troglodita e ferozmente ignorante. E recebe um homem inteligente, cultíssimo, persistente, capaz de mover montanhas para atingir os seus fins e filho de imigrantes, produto de uma mistura de raças, oriundo de uma classe média baixa.
O que é possível acontecer nos Estados Unidos, dificilmente poderia ocorrer na Europa iluminista, arrogante da sua História e da sua Cultura.
Se o pai de Barack Obama tivesse imigrado para Portugal, Inglaterra ou mesmo França, dificilmente deixaria de viver num bairro social, depois de ter amargado umas décadas numa barraca, e o filho, Barack, teria 90 por cento de possibilidades de estar a engrossar o número de desempregados ou integraria o exército de trabalhadores indiferenciados, que alternam entre a construção civil e a estiva.
Exceptuando o caso francês – que tem uns membros do governo filhos de africanos – o resto da Europa é branca. Tão branca que as oportunidades de “subir na vida” estão vedadas aos filhos de imigrantes. Tão branca que até propõe grossas muralhas a quem vem de fora.
A vitória de Barack Obama, mais do um marco histórico para os Estados Unidos, é um exemplo para a Europa. E, já agora, para o resto do Mundo sempre tão resistente a aceitar “o outro”.

Milagres

5 de Novembro de 2008 por Emídio Fernando

A direita apoiante de John McCain já apela, aqui no Portugal Diário, por uma “esperança mística” para dar a volta ao resultado. A esta hora, só se a esperança estiver mesmo nos dedos do irmão do W. Bush.

Sinais

5 de Novembro de 2008 por Emídio Fernando

Um apoiante de McCain, aqui na redacção do Portugal Diário, atirou com os papéis para a secretária mal soube do resultado na Pennsylvania. E foi fumar.

Braço a torcer

5 de Novembro de 2008 por Emídio Fernando

Os representantes da direita já perguntaram se não seria melhor irem para casa, depois de verem uns números na televisão que davam isto: Obama 55%, McCain 45%.