23 de Dezembro de 2009 por Bruno Sena Martins
Não bastasse a risível contratação do Mexer para o Sporting, também eu aceitei fazer parte de um blog que em breve se redesenhará de raiz (passe o contra-senso). Como faria pouco sentido exorbitar disfunções em dois lugares de âmbito análogo, entendi ser mais lógico despedir-me desde já do 5 dias, blog que tão bem me acolheu quando procurei asilo político em véspera de eleições. Gostaria de deixar claro que parto a bem, grato pelo companheirismo e pela pluralidade das opiniões que saudavelmente se concertaram no tempo em que por cá andei. Portanto, quero agradecer, primeiro, ao Luis Rainha e ao Nuno Ramos de Almeida pelo convite, agradeço também à restante malta 5 dias, co-bloggers afeitos à nobre arte de debitar postas a bem da revolução e, finalmente, aos comentares e leitores que me aturaram desse lado.
um abraço e até mais
Publicado em cinco dias | 3 comentários »
21 de Dezembro de 2009 por Bruno Sena Martins
O debate sobre a violência sexual sobre menores está em pleno na Irlanda, após a divulgação de dois relatórios, o últimos dos quais em Novembro, que revela que mais de 2000 crianças foram violadas em instituições dirigidas pela Igreja desde 1930 e ao longo de 60 anos. É concluído que a hierarquia católica de Dublin fechou “obsessivamente” os olhos à situação e praticou uma política de silêncio. O relatório revela que 102 padres foram visados por 320 queixas e que os abusos “foram dissimulados pelo arcebispado e outras autoridades eclesiásticas”. Público, 21.12.2009
A disciplina de voto imposta pelo PS contra a adopção por casais homossexuais corresponde a uma curiosa exaltação daquilo a que Michel Foucault chamava os “corpos dóceis“, os corpos dobrados aos rigores das disciplinas institucionais — tanto quanto, acrescentamos, às perversidades e caprichos perpetrados pelos putativos guardiões da ordem.
Temos, pois, por um lado, os corpos dóceis das crianças institucionalizadas que tantas vezes acabam sexualmente abusadas a coberto do secretismo do aparato institucional e religioso e, por outro lado, os corpos dóceis de deputados sempre disponíveis para abdicar de pensar em favor das disciplinas institucionais do partido. O facto é prosaico: os corpos dóceis destes últimos pactuam com a perversão sobre os primeiros. (
replay)
Publicado em cinco dias | 9 comentários »
10 de Dezembro de 2009 por Bruno Sena Martins
Variando apenas nas figuras de estilo, as almas ansiosas do costume acotovelam-se para denunciar a falta de sentido na entrega do Prémio Nobel da Paz a Obama. Argumento central? É um presidente em guerra que ainda há poucos dias reforçou o contingente americano no Afeganistão em 30 mil operacionais, lembram. Isto como se o esforço de estabilização de uma guerra que não começou, cujos desvarios estratégicos não sufragou – ideológica e militarmente a posição da Nato no Afeganistão ficou muito fragilizada com a invasão do Iraque – minimamente correspondesse a uma actuação que privilegiasse a guerra em detrimento da diplomacia, que apelasse ao ressentimento civilizacional em vez da concórdia entre os povos.
Custa-me muito ter que fazer o trabalho de casa a cínicos preguiçosos, mas se queriam atacar o Nobel de Obama então podiam bem brandir o triste facto de a administração a que preside ter recusado subscrever o Tratado de Ottawa (Tratado relativo à erradicação das minas terrestres). E se queriam uma contradição à séria até podiam ter lembrado que a Campanha para a erradicação das minas terrestres recebeu o mesmo Prémio Nobel, em 1997. Enfim, cínicos de pacotilha.
Mapa dos países subscritores (a azul).
Nota: Arma tão atroz como cobarde, só no ano passado as minas feriram 5 mil pessoas, das quais 60% civis, 28% crianças. (replay)
Publicado em cinco dias | 5 comentários »
3 de Dezembro de 2009 por Bruno Sena Martins
A Mota-Engil é a Companhia das Índias Orientais do socialismo moderno à portuguesa. O seu poder no Aparelho do Estado durará, talvez não 200 anos, mas enquanto durar a hegemonia estabelecida pela via marítima Sócrates-Jorge Coelho.
Publicado em cinco dias | 1 comentário »
26 de Novembro de 2009 por Bruno Sena Martins
Novelas como esta já não surpreendem ninguém. Porque será?
Haverá uma ou duas pessoas em Portugal que genuinamente duvidam da uma eventual “propensão” de José Sócrates para controlar os meios de comunicação social. Reparamos, no entanto, que essa afamada propensão não tem sido cabalmente punida na opinião pública, suspeito que devido a um dado pouco apreciado: a visibilidade do aparato censório será sempre proporcional ao medo que provoca. Portanto, aos que acham que as tentativas de José Sócrates resultam apesar de alguns rabos de fora, cabe mostrar que estão errados. Essas tentativas resultam tão melhor quanto mais forem os rabos de fora: a publicitação diária de represálias acaba por cumprir, per se, um fortíssimo efeito dissuasor.
Publicado em cinco dias | 5 comentários »
18 de Novembro de 2009 por Bruno Sena Martins
Porque é que os meios de comunicação social continuam a noticiar as mortes de fetos em grávidas recém-vacinadas contra a gripe A? Ainda não perceberam as elementares explicações de lógica e estatística que apõem à notícia de cada morte ou é apenas o gosto em apaziguar o alarme que criam? (replay)
Publicado em cinco dias | 6 comentários »
13 de Novembro de 2009 por Bruno Sena Martins
Com a saída de Pedro Barbosa, o director desportivo mais discreto da história do futebol a par de António Simões, José Eduardo Bettencourt teve a oportunidade de escolher para o cargo alguém que, a partir dos cacos, emprestasse alguma sabedoria para reerguer o departamento de futebol do Sporting. Se olhasse um pouco à volta, Bettencourt era capaz de esbarrar em Luís Freitas Lobo, personagem cujo rol de competências não conseguiria passar despercebido ao próprio Pedro Barbosa. Mais: Freitas lobo estaria disponível e não é segredo que há muito que se vem preparando para assumir essa posição assim surja um clube que o mereça (já recusou convites). A escolha era tão óbvia que até o adepto Oliveira e Costa se lembrou de a sugerir. Perante isto, o que fez fez José Eduardo Bettencourt? Inventou o cargo de “director do futebol”, sem mandato na definição das contratações, e colocou lá Sá Pinto.
Já não sei que vos diga. (replay)
Publicado em cinco dias | 5 comentários »
11 de Novembro de 2009 por Bruno Sena Martins
Perante a efeméride da queda do Muro, alguma esquerda não resiste lembrar que, não obstante a liberdade chegada aos países de Leste, 1989 significou também o triunfo do neoliberalismo e, com ele, a universalização da desregulação económica, a retracção do Estado Social e um continuado cavar das desigualdades entre os países ricos e os países pobres.
Isso até será verdade, mas a grande falácia é pensarmos que a intocada hegemonia do neoliberalismo se deveu à queda do Muro de Berlim.
Bem ao contrário: é o facto de o Muro ter sido construído em nome de um mundo radicalmente mais justo que hoje rouba possibilidades a quem queira imaginar um mundo radicalmente mais justo. O Muro de Berlim e o regime que o ergueu continuam a dar mau nome a qualquer esperança que se atreva a tentar superar o capitalismo predatório. Tarde caiu, pior ter existido.
(publicado originalmente aqui)
Publicado em cinco dias | 64 comentários »
7 de Novembro de 2009 por Bruno Sena Martins
José António Saraiva questiona neste artigo até que ponto a homossexualidade se terá instalado nas sociedades contemporâneas – do rato ao Marais – como uma moda. Contra a ameaça do momento, bem capaz de nos destabilizar as referências, oferece-nos a excelência da sua coragem para enfrentar o politicamente correcto. Fá-lo numa sofisticadíssima dicotomia entre homossexualidade genética e aquela que decorre da moda. A verdade é que, no meio de umas tantas linhas sofríveis, António José Saraiva acaba por nos oferecer um excelente tratado do que seja o atavismo.
Ora detenhamo-nos então na palavra atavismo: “Propriedade de os seres reprodutores comunicarem aos seus descendentes, com intervalo de geração, qualidades ou defeitos que lhe eram particulares.”
Pois bem. O texto de José António Saraiva ressalta como o justo testemunho de um ser reprodutor – porque heterossexual, claro está – a tentar passar os seus preconceitos às gerações seguintes. Oxalá fracasse a bem da espécie. E da moda, claro.
(publicado originalmente aqui)
Publicado em cinco dias | 6 comentários »
4 de Novembro de 2009 por Bruno Sena Martins
Lemos que o representante do Vaticano está surpreendido e triste pela decisão do Tribunal Europeu de Direitos Humanos contra a presença de crucifixos nas salas de aula em Itália. Umas páginas à frente, é o Bispo do Porto que defende o referendo ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Não me apoquentarei a discutir as visões da Igreja Católica sobre a laicidade do Estado ou sobre a bondade de um casamento estritamente heterossexual. O que me parece interessante notar é a convicção com que a Igreja Católica defende posições fingindo que acredita deter, como outrora, uma influência social capaz de melindrar as prerrogativas do jogo democrático nos Estados de direito. Repare-se, é muito diferente imaginar uma Igreja capaz de esgrimir argumentos que pretendam calar fundo nas consciências democráticas do comum mortal, do que assistir a estes desabafos indignados, desabafos da ordem que só podem reunir apoios entre os mais férreos dos convertidos.
A ICAR está apenas interessada em registar para a posteridade – histórica ou metafísica – que o casamento homossexual será tornado legal contra os seu melhores esforços, apenas está interessada em registar que esteve contra a retirada dos crucifixos das salas de aula. Talvez eu perfilhe de uma leitura demasiado benigna, mas creio que muitas das hierarquias da Igreja Católica se estão borrifando para quem casa com quem, também acredito que terão plena consciência de que é absolutamente escusado virem reclamar contra óbvios atentados ao princípio da laicidade do Estado – e das suas instituições.
A sensação que fica é que estes representantes da ICAR estão a fazer um frete a Deus. Com tantas coisas que realmente poderiam beneficiar a imagem pública da Igreja e, por consequência, a do credo que apregoam, não sei se Deus agradece estes fretes. Finjam melhor, por favor.
Publicado em cinco dias | 5 comentários »
27 de Outubro de 2009 por Bruno Sena Martins
«Um vintém é um vintém, um cretino é um cretino». Ler o resto »
Publicado em cinco dias | 7 comentários »
23 de Outubro de 2009 por Bruno Sena Martins
“Com as convulsões da economia de mercado, começamos a apreender os monumentos da burguesia como ruínas, antes de eles realmente se desmoronarem.” Walter Benjamin (1882-1940)
O optimismo hegeliano de Walter Benjamin vem-se mostrando baldado. Os monumentos desmoronam-se, terra queimada em derredor é o prato do dia, mas, aparentemente, já não há quem dê pelas ruínas.
Publicado em cinco dias | 17 comentários »
22 de Outubro de 2009 por Bruno Sena Martins
António Lobo Antunes é hoje entrevistado por Judite Sousa no âmbito da apresentação do seu novo livro. O mínimo a esperar de Lobo Antunes é que confesse, enfim, que foi ele que escreveu a Bíblia.
Publicado em cinco dias | 7 comentários »
20 de Outubro de 2009 por Bruno Sena Martins
Sinceramente não sei como se consegue falar de Levítico, do Livro de Job e do Evangelho de Marcos como se fossem o mesmo livro. Não sei como é que se consegue falar dos dois Deuses referidos na Bíblia como se fossem o mesmo. Oh sim, o sermão da montanha é só crueldades. Esmiúça, Saramago, esmiúça. (replay)
Publicado em cinco dias | 65 comentários »
19 de Outubro de 2009 por Bruno Sena Martins

Um documentário magistral em 6 episódios. Se puderem vejam a versão com locução em inglês: aquela voz não existe.
Publicado em cinco dias | 5 comentários »
13 de Outubro de 2009 por Bruno Sena Martins
“Não é preciso um phd em linguística para perceber: Rangel é um talento puro” Henrique Raposo
Publicado em cinco dias | 11 comentários »
11 de Outubro de 2009 por Bruno Sena Martins
As derrotas têm pouco poder de dissuasão em casos como o de Santana Lopes. Mais do que exercer os cargos a que se candidata, Santana Lopes gosta de se ver ao espelho na solenidade que eles conferem, já o sabíamos. Mas se acaso o poder lhe foge – o que tem acontecido e não por acaso – permanece nele o gozo pelo ritual político: pelos debates, pelas sondagens, pelas noites eleitorais e, claro, o gozo pela atenção mediática. Enquanto a democracia lhe oferecer as devidas doses de palanques, câmaras e microfones, não serão as derrotas a demovê-lo. As próximas autárquicas ainda vêm longe e Santana Lopes, obviamente, não vai aguentar tanto tempo sem ir a votos. Sporting, PSD, condomínio: tudo boas hipóteses.
Publicado em cinco dias | 6 comentários »
10 de Outubro de 2009 por Bruno Sena Martins

Ultimamente especializei-me em falar mal do Sporting por razões que o futebol enfaticamente compreende (o próprio Dias Ferreira é capaz de compreender estas coisas). Hoje, na habitual ronda pelos suplementos de cultura de reputados jornais estrangeiros, leio que José Eduardo Bettencourt pôs fim a um longo diferendo, de modo a que a 5 de Maio de 2010 seja finalmente realizado o jogo de homenagem a Iordanov. Alguém dê um beijinho por mim àquele senhor grisalho. E não me digam que não há vitórias morais.
Publicado em cinco dias | 3 comentários »
10 de Outubro de 2009 por Bruno Sena Martins
Fica bem ser cínico em relação à emergência de Obama na cena política mundial: “na Europa sequer seria considerado de esquerda” (dizem os da esquerda purista), “a diplomacia é uma forma de defender a hegemonia americana por outros meios” (dizem os saudosos de procedimentos menos ambíguos como as guerras preventivas)”, “a qualquer momento vai-vos desiludir” (diz muita direita ainda a digerir a derrota de McCain).
Concedo que olhando para o historial possa ser inteligente guardar uma reserva em relação ao Nobel da Paz. Os norueguesses já meteram uns quantos pregos e Obama, vale a verdade, é um um neófito nas lides pela pacificação dos povos. Mas nem assim consigo partilhar do cinismo que por aí perpassa. Ao abjurar tão largamente o infame legado de Bush, Obama já fez mais pelo diálogo cultural e pela defesa dos mais elementares direitos civis do que muitos idealistas românticos no espaço de uma vida (ainda que terminada em martírio). O Nobel da Paz será talvez a primeira expressão substantiva de que Obama não foi eleito só pelos americanos e desengane-se quem pensa que um prémio atribuído nestas condições, tão in medias res, lhe acrescenta sobretudo fama e glória. O mínimo que espero é que a esta honra o persiga como um pesadelo, como o espectro de um abismo. Uma suave descida realismo patriótico, à revelia de como foi celebrado pelo mundo, está cada vez mais fora de hipótese. As estátuas em vida podem ser apenas ridículas ou podem funcionar como um duplo atroz que magnifica os fracassos do vivo. Obama foi muito bem entalado. Andaram bem os noruegueses.
Genet dizia que não queria que o mundo mudasse para poder estar sempre contra ele. Eu gosto muito do Obama e… Vocês perceberam.
Publicado em cinco dias | 19 comentários »
7 de Outubro de 2009 por Bruno Sena Martins
Façam as vossas apostas (dica do Lourenço Cordeiro):
Amos Oz 3/1
Herta Müller 3/1
Joyce Carol Oates 5/1
Philip Roth 5/1
Thomas Pynchon 7/1
Adonis 9/1
Assia Djebar 9/1
Haruki Murakami 9/1
Mario Vargas Llosa 9/1
Thomas Transtromer 9/1
Claudio Magris 12/1
Don DeLillo 12/1
Ismail Kadare 14/1
Ko Un 14/1
…
Antonio Lobo Antunes 100/1
Publicado em cinco dias | 9 comentários »