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Da diferença à igualdade

9 de Julho de 2010 por Bruno Peixe

Num outro post, que vale bem a pena ler, sobre futebol e política, o Pedro Viana põe a discussão em termos de uma equação entre competição, diferença e desigualdade.  No essencial concordo com as premissas do Pedro. Diferença e desigualdade não são sinónimos. A diferença é um facto inegável e inultrapassável do viver dos homens. É aquilo que somos, aquilo de que somos feitos. Sabemos no que pode resultar o desejo de eliminação dessas diferenças, especialmente quando são predicadas em grupos humanos: destruição dos judeus, destruição das populações indígenas, perseguição dos árabes, escravização, etc. A vigilância e o combate a qualquer tentação de eliminação da diferença é um imperativo da esquerda.

Mas o problema de uma política afirmativa não é o da diferença. Justamente porque a diferença é o que somos. O problema é o da produção da igualdade, ou do comunismo, porque essa igualdade é a excepção ao que existe. E o que existe, mais precisamente, é a tradução generalizada das diferenças em desigualdades. Existem muitos dispositivos pelos quais se faz essa tradução. O desporto é justamente um deles. Desde a rua à escola, nos espaços mais distantes do grande capital, o desporto institui hierarquias, uns que são capazes outros que não são, uns que lideram, outros que seguem. O puto que todos querem na equipa e o outro que fica de fora.

É claro que não é o único dispositivo, nem sequer o mais importante – o puto que reprova e que tem sistematicamente más notas é um puto a quem está destinado, em adulto, um lugar na reprodução do capital que se vai habituando a aceitar como seu. Podemos multiplicar os exemplos, não é?

Penso que o desafio está justamente em conseguirmos instituir espaços em que a diferença não tenha quaisquer canais para se traduzir numa relação de superioridade de um homem em relação a outro. Não é fácil, mas bora pensar nisso?

A bola, quando rola, não é para todos…

9 de Julho de 2010 por Bruno Peixe

Tem decorrido aqui no 5dias, e no vias de facto, uma discussão sobre as circulações de sentido entre política e futebol, a transitividade e a traductibilidade do que se lê num lado, para o que se pode querer no outro. É nesse quadro que aparecem dois interessantes posts, do Miguel Serras Pereira (MSP) e do Pedro Viana, já fora-de-jogo, como quer o João Pedro Cachopo, ou pelo menos fora dele no essencial. Pode descansar o Zé Neves no alto da sua sabedoria futebolística, que os ignorantes (falo só de mim) acabam por zurrar para outros campos. Até ver…

Diz o MSP, com aquele brilhantismo na escrita, e o acerto nas fórmulas, a que nos vai habituando, que tenho uma concepção angélica da política. Isto porque defendo « a supressão de uma faculdade de juízo que hierarquiza os motivos e escolhas de cada um e de todos ou abolição do combate ou competição entre propostas rivais ou juízos alternativos ».  Tem o Miguel toda a razão. Entendo o comunismo como a subtracção total da política a qualquer forma de jogo, de disputa entre juízos ou propostas. A política é criação, sempre precária, de espaços de igualdade e não uma espécie de parlamentarismo democrático sem os excessos inigualitários que são, diga-se, da sua essência, e não meros acidentes.

Por isso não têm lugar propostas e juízos que procuram perpetuar a política subordinada aos interesses – que é a que existe – aos diferenciais de poder e às suas traduções hierárquicas. Porque essa subordinação do destino colectivo ao interesse de todos é o real da ilusão demo-parlamentar, e esse real não desaparece sem resistência, sem « Vendeia », sem « Termidor », sem 25 de Novembro. É essa subjectividade reactiva que importa suprimir, em nome da igualdade de todos.

Agora isto não quer dizer a eliminação física dos inimigos políticos (insisto, inimigos e não adversários). Significa criar as condições de possibilidade para uma nova subjectividade radicalmente heterogénea aos desejos, apetites e interesses de que se faz a subjectividade capitalista.

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Bem-vindos à chantagem do real…

6 de Julho de 2010 por Bruno Peixe

Lembro-me, há muitos anos, de ler um texto do António Guerreiro, no Expresso, creio, mas não juro, que se tratava de um daqueles balanços em que se escolhe os livros do ano. O António chamava a atenção para o facto de que quase todas as polémicas à volta da crítica, da sua função nos jornais e na sociedade, acabarem por envolver o Eduardo Prado Coelho.

Parece que, na Blogosfera de esquerda, o Daniel Oliveira, de modo semelhante, acaba por ser convocado para todas, ou quase todas, as polémicas, quando não é ele que as convoca. Mérito do Daniel, que tem sabido ser, primeiro no Barnabé e depois no Arrastão, um comentador actualizado, incisivo, sempre com o mot juste, com facilidade nas fórmulas e com uma clareza argumentativa exemplar, servida por um encadeamento lógico altamente intuitivo, que consegue transmitir a mensagem de forma extremamente eficaz.

Para além disto, o Daniel vai ao encontro de uma certa subjectividade de esquerda, que combina um progressismo q.b., com um cálculo instrumental dos meios e dos fins, um certo romantismo e uma boa dose de pragmatismo, um moralismo normativo e justicialista com uma crença na superioridade moral do individualismo democrático. Economia social de mercado e Estado de direito ancoram institucionalmente, em última análise, esta visão do mundo.

O problema desta concepção é que se põe na posição de refém daquilo que existe, em última análise das hierarquias e dos poderes que organizam as relações entre os existentes. O que acaba por ficar em jogo é apenas o equilíbrio entre esses poderes.

É a propósito disto que queria trazer à discussão um post que o Daniel escreveu e que me parece que passou um pouco despercebido. Não é sobre Cuba nem sobre o Sócrates, mas sim sobre o novo browser da Apple, o Safari 5. O post, cuja leitura recomendo vivamente, pode ser encontrado aqui.

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Sou eu que estou a ver mal…

6 de Julho de 2010 por Bruno Peixe

… ou este post é a grunhice racista que me parece ser?

What’s left in football?

5 de Julho de 2010 por Bruno Peixe

Não gosto do discurso da nostalgia, nem das suas adjacências respeitáveis no mercado estético – o pastiche, o produto vintage, etc. Mas acho que algo se perdeu no momento em que os intelectuais – i.e., os que escrevem para um público leitor informado, os ocupantes desse espaço simbólico de projecções e exclusões a que se chamou esfera pública – deixaram de escrever sobre cinema (não é sobre filmes, é sobre cinema), literatura, ou as artes, e passaram a escrever sobre futebol.

Depois de um post ou um artigo sobre Cuba, ou sobre as mutações do capitalismo, lá vem um texto sobre o mourinho ou o treinador da França. Uns são mais superficiais e comentam a espuma do acontecimento. Outros são mais formalistas e exibem com indisfarçável gozo o domínio da técnica. Sabem o que é um trinco e as diferenças efectivas entre as diversas combinações numéricas que somam 10.

Para estes a ligação entre a política e o futebol é imanente ao próprio jogo, e não deve ser investida de significados externos. Há jogadores e estilos de jogo de esquerda, há um futebol que é emancipatório, outro que é isomórfico ao capitalismo. O problema de quem olha assim é que se esquece de ver a verdade que só na totalidade se mostra. O que é que há de emancipatório num jogo que assenta no menos libertador dos pressupostos do mundo contemporâneo: a competição? Como pode ser de esquerda ganhar e dar a perder? O que é que pode ser mais contrário a uma ideia igualitária do que sancionar a vitória de uns e a derrota de outros?

Dir-me-ão que o que se joga no campo é, uma e outra vez, a luta de classes. É precisamente a esta lógica que se impõe dizer um não. Na luta de classes a vitória do proletariado não é apenas o fim daquele jogo, mas do jogo em si.

Hallward e o Haiti

17 de Janeiro de 2010 por Bruno Peixe

Peter Hallward é um académico fora do comum, na medida em que mantém um duplo regime de produção, que não é muito comum por estes dias. Especialista em filosofia francesa contemporânea, é um dos mais importantes intérpretes de Alain Badiou, e um dos responsáveis pelo interesse que este filósofo tem suscitado nos últimos anos no espaço anglófono. Escreveu também um livro sobre Deleuze (Out of this World), e um estudo sobre o pós-colonial que é uma fortíssima crítica, e proposta de renovação deste campo de estudos e intervenção.

Em paralelo ao seu trabalho mais teórico, Hallward tem escrito regularmente sobre política Haitiana, tendo publicado em 2007 o livro Damming the Flood: Haiti, Aristide, and the Politcs of Containment, onde expõe o esforço do movimento popular Lavalas, e de Jean-Bertrand Aristide, para libertar o Haiti de uma ditadura apoiada pelos Estados Unidos, e onde denuncia as subsequentes tentativas imperialistas de sabotagem violenta de um regime que  experimentou formas de mobilização popular no exercício do poder pouco comuns, mesmo para a América Latina mais recente.

Vale pois a pena ler o artigo que publicou a 13 de Janeiro no Guardian a propósito do recente terramoto. Hallward aponta, e bem, para o processo histórico de exploração colonial e opressão pós-colonial que está na raiz da actual vulnerabilidade do Haiti, e denuncia a hipocrisia de uma comunidade internacional que agora se mostra tão solícita na ajuda, mas que foi o garante da dita opressão.

Cito apenas uma parte do texto para a qual vale a pena chamar a atenção. « As mesmas tempestades que mataram tantos em 2008 [nota: no Haiti] atingiram Cuba com a mesma intensidade matando apenas quatro pessoas. Cuba escapou aos piores efeitos da “reforma” neoliberal e o seu governo mantém a capacidade de defender o seu povo de desastres. Se queremos ajudar seriamente o Haiti na sua crise então devemos ter esta comparação em linha de conta. » É claro que esta afirmação é um escândalo para as boas almas (nem sequer falo das más almas, que dessas nem vale a pena falar) que, a propósito de Cuba, só sabem falar em falta de liberdade de expressão e de liberdades democráticas (sem se preocuparem muito em definir o que é isso de democracia). Deixar impunes os traidores e os vendidos resultaria muito simplesmente nisto: exploração, miséria e dependência. Aquele que tem sido, justamente, imposto ao Haiti.

Et Pluribus Unum

29 de Dezembro de 2009 por Bruno Peixe

Ontem o meu camarada Zé Neves, aqui no 5 dias, manifestava a sua alegria pela diversidade de tendências ideológico-políticas cá da casa, uma alegria que partilho sem quaisquer reservas. Porque essa diversidade é, como o Neves bem aponta, uma diversidade à esquerda, ou à esquerda do centro, deixando de lado os equívocos que a expressão “esquerda” carrega consigo.

Mas essa partilha não deixa de me fazer questionar sobre a adesão quase automática que gera, nos dias que correm, a celebração da diversidade, seja ela cultural, ideológica ou de qualquer outro tipo. Posto de forma resumida, a diversidade é hoje, nas nossas sociedades, um dos mais poderosos operadores de consenso. Mas o que quer dizer, concretamente, defender ou celebrar a diversidade? Porque é que a diversidade, e mais concretamente a diversidade político-ideológica, é uma coisa boa em si?

A diversidade cultural, de estilos de vida, de gostos, é um facto da vida e mais concretamente da vida nas sociedades contemporâneas. Não é uma coisa boa nem má. Não deve ser reprimida, mas também não deve servir de base para uma proposta política. Quando a diferença serve de legitimação para uma ordem desigual, então ela deve ser combatida em nome da igualdade, mas combater pela igualdade é diferente de combater pela diversidade.

E quanto á diversidade político-ideológica? O que é que funda a evidência da bondade dessa diversidade? E será que negar a desejabilidade dessa diversidade significa colocarmo-nos automaticamente no campo da nostalgia do socialismo real? Não me parece que seja assim. Importa considerar a situação a partir da qual se fala, e os dias de hoje, as condições de luta que se nos apresentam, não oferecem outra hipótese que não a da convivência com posições político-ideológicas diversas. O que não significa que não seja desejável uma ordem política onde não haja quem pense como o Pacheco Pereira ou o Ferreira Fernandes. Não necessariamente à conta da eliminação física dos adversários, mas sim da luta contra as desigualdades e hierarquias que são condições de possibilidade do espaço ideológico onde essas pessoas (e outras) se inscrevem. Não há projecto político digno desse nome que não contenha em si uma ideia de homem novo.

É por isso que não condeno as situações históricas em que, em nome da luta popular e igualitária, a tal diversidade político ideológica deu lugar à unidade do corpo político, uma unidade essencial para defender, por exemplo, as conquistas de uma revolução. Que importa o interesse egoísta de alguns, quando em jogo estão as conquistas de muitos?

A Invenção do Terrorismo

10 de Fevereiro de 2009 por Bruno Peixe

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Liberal nazismo

9 de Fevereiro de 2009 por Bruno Peixe

bush-naziÉ comum encontrarmos quem nos venha com a lengalenga de que o Nazismo e o Comunismo são afins. É uma ideia liberal e anti-comunista, cujo argumento funciona sob a forma de uma chantagem: qualquer projecto politico que recuse o horizonte liberal, parlamentar e capitalista está fadado a acabar em tirania e opressão. Infelizmente é um embuste que vai colhendo aderentes, não apenas á direita, mas também junto da esquerda do PS.

Sempre me pareceram mais evidentes as continuidades entre o fascismo e o capitalismo, e este fim de semana tive o apoio, nesta linha de raciocínio, de um colunista do expresso, que se apresenta como liberal, ou conservador, não sei, que estes tipos dos blogues e dos jornais, ora são liberais, ora conservadores sem que se veja a diferença. Que é um adepto da economia de mercado, em relação a isso não haja dúvidas.

Henrique Raposo começa por nos confessar a sua vontade chorar quando Mantorras marca um golo, uma vontade que Raposo estende logo a milhões de Portugueses, tornando-a sintoma da Portugalidade e explicação da “nossa permanente fraqueza institucional”. Segundo o comovido Raposão a grandeza dos portugueses “encontra-se, por exemplo, no facto de os portugueses serem capazes de amar um jogador coxo que, de forma racional, já deveria ter sido despedido”.

Portanto, a ver então se nos entendemos: o Mantorras teve uma lesão (ou várias, não faço puto de ideia), que lhe estragaram o joelho e por isso… devia ser despedido. De facto eu não conseguiria argumentar melhor em defesa das afinidades do nazismo e do capitalismo.  Mas também posso, em troca, ajudar o Raposo com alguns exemplos. Porque é que o semanário português de maior circulação insiste em ter um colunista manifestamente ignorante sobre o que escreve, chegando mesmo a ser confrangedor na maneira como avança com certezas sobre o que manifestamente não leu (não, não estou a entrar no insulto, leiam isto e isto e comprovem)?

Malta sinistra, esta.

Pensamento Crítico Contemporâneo

22 de Janeiro de 2009 por Bruno Peixe

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A 2ª edição do Curso de Pensamento Crítico contemporâneo, tal como a primeira, esgotou as inscrições possíveis para o curso como um todo, mas existe a possibilidade de assistir a cada uma das sessões em separado. Fica aqui o programa das três sessões que faltam. A última, como podem constatar, é muito cá da casa. Apareçam.

Fábrica de Braço de Prata
Aos Sábados, das 16h às 19h
Inscrições: cursopcc@gmail.com
ORGANIZAÇÃO: UNIPOP e NÚMENA

Tomando como eixo um amplo conjunto de autores contemporâneos e as correntes e sensibilidades que os atravessam, este seminário pretende mapear algumas das principais problemáticas que hoje desafiam um pensamento crítico. Desenrolando-se ao  sábado, o seminário decorrerá num lugar privilegiado na cidade de Lisboa: a Fábrica de Braço de Prata.Em cada sábado serão abordados dois autores. Na primeira parte de cada sessão serão apresentadas duas comunicações, que estão a cargo de um conjunto de convidados que vai da Filosofia ao Jornalismo, passando pela História, a Antropologia, a Sociologia, os Estudos Literários e a Musicologia. Na segunda parte haverá oportunidade para debate entre todos os participantes no seminário.O seminário tem um objectivo introdutório e destina-se ao público em geral, dispensando qualquer tipo de formação académica prévia. Serão disponibilizados materiais de leitura que permitirão uma melhor preparação das sessões e materiais de leitura para que cada pessoa possa posteriormente aprofundar o seu conhecimento sobre os autores e os temas tratados no seminário. A moderação das sessões estará a cargo dos coordenadores do seminário.

PREÇO POR SESSÃO: 4€

 

24 JAN
Chomsky e/ou Feyerabend por Rui Tavares
Cornelius Castoriadis por Miguel Serras Pereira

31 JAN
Gilles Deleuze por Nuno Nabais
Theodor W. Adorno por João Pedro Cachopo

7 FEV
Slavoj Zizek por Nuno Ramos de Almeida
Alain Badiou por Bruno Peixe

Judith Butler

4 de Janeiro de 2009 por Bruno Peixe

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Lawrence Summers,  actual chefe do Conselho Nacional Económico de Barack Obama e antigo Secretário do Tesouro de Bill Clinton, foi presidente da Universidade de Harvard entre 2001 e 2006, e foi nessa qualidade que proferiu, em 2002, um discurso em que acusava de anti-semitismo os intelectuais de esquerda que criticam Israel. Um anti-semitismo que, se não estava nas intenções dos críticos de Israel, estaria nos seus efeitos. Na altura, a filósofa Judith Butler escreveu um texto que é, na minha opinião, uma das melhores respostas à chantagem de que falava no meu post anterior. Pode ser lido aqui.

Foi você que disse anti-semitismo?

4 de Janeiro de 2009 por Bruno Peixe

Marta Almeida, no comentário ao meu post de estreia nesta casa, diz que só posso ser nazi ou fundamentalista islâmico. Felizmente que o “ser” não se esgota no “poder ser” da Marta. Não sou nem uma coisa, nem outra. Ateu militante em religião, comunista em política, clássico em arte. Mas nominalismos à parte, a Marta usa, mesmo que implicitamente, um argumento que importa discutir.

Não é inocente que os termos “nazi” e “fundamentalista islâmico” apareçam assim associados, tentando passar por natural ou óbvia essa ligação que, basta pensar um pouco, é tudo menos clara. O primeiro nome, nazi, remete para a acusação de anti-semitismo a quem se opõe à política do Estado de Israel. O segundo pressupõe que os que se opõem a Israel só podem ser apoiantes dos movimentos radicais islâmicos. Em ambos os casos, a tomada de posição política transforma-se numa forma de confronto cultural ou racial. O que move os opositores de Israel ou é o ódio racial, o anti-semitismo, ou a identificação com uma forma de extremismo religioso. Este tentativa de evacuar da discussão do conflito a política para a instalar no campo das acusações de racismo e de fundamentalismo convém, como é óbvio, aos acusadores. Joga com a culpa dos europeus em relação ao extermínio nazi dos Judeus da Europa, e também com a associação fundamentalismo islâmico-terrorismo, desqualificando o adversário e evitando a espinhosa tarefa de defender politicamente Israel. Compreendo-os, não é de facto fácil defender o indefensável. Ler o resto »

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Se fugir o bicho pega, se ficar o bicho mata…

3 de Janeiro de 2009 por Bruno Peixe

Acabo de ouvir na CNN que a aviação israelita lançou folhetos à população civil de Gaza para que fuja dos possíveis alvos do ataque. Tendo em conta o facto de que Gaza é um gueto sem saída criado pelas autoridades israelitas, a pergunta que me ocorre só pode ser: fugir para onde?

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