Da diferença à igualdade
9 de Julho de 2010 por Bruno PeixeNum outro post, que vale bem a pena ler, sobre futebol e política, o Pedro Viana põe a discussão em termos de uma equação entre competição, diferença e desigualdade. No essencial concordo com as premissas do Pedro. Diferença e desigualdade não são sinónimos. A diferença é um facto inegável e inultrapassável do viver dos homens. É aquilo que somos, aquilo de que somos feitos. Sabemos no que pode resultar o desejo de eliminação dessas diferenças, especialmente quando são predicadas em grupos humanos: destruição dos judeus, destruição das populações indígenas, perseguição dos árabes, escravização, etc. A vigilância e o combate a qualquer tentação de eliminação da diferença é um imperativo da esquerda.
Mas o problema de uma política afirmativa não é o da diferença. Justamente porque a diferença é o que somos. O problema é o da produção da igualdade, ou do comunismo, porque essa igualdade é a excepção ao que existe. E o que existe, mais precisamente, é a tradução generalizada das diferenças em desigualdades. Existem muitos dispositivos pelos quais se faz essa tradução. O desporto é justamente um deles. Desde a rua à escola, nos espaços mais distantes do grande capital, o desporto institui hierarquias, uns que são capazes outros que não são, uns que lideram, outros que seguem. O puto que todos querem na equipa e o outro que fica de fora.
É claro que não é o único dispositivo, nem sequer o mais importante – o puto que reprova e que tem sistematicamente más notas é um puto a quem está destinado, em adulto, um lugar na reprodução do capital que se vai habituando a aceitar como seu. Podemos multiplicar os exemplos, não é?
Penso que o desafio está justamente em conseguirmos instituir espaços em que a diferença não tenha quaisquer canais para se traduzir numa relação de superioridade de um homem em relação a outro. Não é fácil, mas bora pensar nisso?




É comum encontrarmos quem nos venha com a lengalenga de que o Nazismo e o Comunismo são afins. É uma ideia liberal e anti-comunista, cujo argumento funciona sob a forma de uma chantagem: qualquer projecto politico que recuse o horizonte liberal, parlamentar e capitalista está fadado a acabar em tirania e opressão. Infelizmente é um embuste que vai colhendo aderentes, não apenas á direita, mas também junto da esquerda do PS. 

