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COMENTÁRIOS

Graves erros editoriais

17 de Março de 2010 por António Figueira

Em 1996, a excelente Cotovia editou apenas 1200 exemplares da excelente tradução portuguesa deste não menos excelente livro. Erro grave: dado o interesse massivo da nossa juventude nas subtilezas das civilizações minóica e micénica, atrevo-me a pensar que a dita tradução conseguiria com facilidade rivalizar em número de exemplares e, logo, de leitores com outras obras de grande porte, como, sei lá, o “Equador”, que eu prometo à Nossa Senhora de Fátima que hei-de ler quando fizer 80 anos (para ver se Ela mete uma cunha ao Altíssimo e me deixa viver até tão tarde, quando a malta que eu conheço já estiver toda a fazer tijolo). Em qualquer caso, garanto-vos que o raio do livro (descoberto, poeirento, na “Ler Devagar” um destes dias), é do melhor a acompanhar um lombo de bacalhau Pingo Doce e um tinto da (posso dizer excelente outra vez?) casa Ermelinda Freitas, de Fernão Pó (terra sita no distrito de Setúbal e não no Golfo da Guiné, conforme alguns javardolas terão desde já pensado).

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O que mais precisa ser dito?

14 de Março de 2010 por António Figueira

J’aime mieux avoir tort avec Sartre que raison avec Aron“. Certo, nem Marcelo Rebelo de Sousa é Raymond Aron nem, muito menos (muito muito menos), José Sócrates é Jean-Paul Sartre. Mas pelo lado de Marcelo a imagem colhe, e é impossível negar que Marcelo fala sobremaneira verdade quando hoje diz: “Sócrates mente tanto que às vezes se esquece que está a mentir”. Pintem-na das cores que quiserem, de esquerda, para ganhar votos, ao lado da direita, para fazer passar o orçamento: a situação actual é eticamente insustentável, e quanto mais depressa mudar, melhor para todos. Desde há pelo menos dois anos que isto devia ser claro.

Indignação

11 de Março de 2010 por António Figueira

Estou eu já no 12.º capítulo da excelente biografia de D.José assinada por Nuno Gonçalo Monteiro quando o monstro surge, a páginas 203: a propósito da célebre “Dedução Cronológica e Analítica” encomendada por Pombal para difamar os Jesuítas, escreve o autor: “Apesar da sua ampla fundamentação, era um texto indiscutivelmente maniqueísta, que inaugurava um registo de escrita que não deixaria de ter alguns sucedâneos futuros”. NGM faz um uso extravagante dos pontos de exclamação, mas no geral tem uma escrita bastante aceitável, diminuída só por alguns barbarismos dispensáveis, como o ocasional “detalhe”; nada fazia pois prever este horrível e modernaço “registo”, que me eriçou de indignação; pior que “registo” nesta acepção, só mesmo a arquilamentável “postura”, que valha a verdade NGM nunca usa, sem dúvida por saber que “postura” têm-na só as galinhas e serve-lhes para cagar ovos.

Indícios de oiro (suite et fin)

10 de Março de 2010 por António Figueira

Outras colecções significativas incluem: a de livros herdados, furtados e perdidos; a de livros lidos em aeroportos, e que aeroportos, e que relações entre latitudes, longitudes e autores, voos atrasados e obras completas, ou completamente lidas, e digeridas no vasto tempo que havia para esperar, e que, enquanto outros reclamavam alto das companhias aéreas, eram, mais que silenciosamente lidas, relidas e digeridas, e isso até à saciedade; nas prateleiras, belas obras e livros feios, livros belos e obras de merda, livros esquecidos e renascidos, livros esquecidos e para sempre perdidos, livros ensinados: Ler o resto »

Indícios de oiro

10 de Março de 2010 por António Figueira

A colecção de títulos de transportes públicos divide-se em duas secções. A primeira, que se define pelo formato das suas peças (85,60 × 53,98 mm, o chamado formato de cartão de crédito, ou ID-1), inclui essencialmente cartões de embarque de viagens aéreas (ou o que deles sobra, depois da entrada no avião) e bilhetes de metro londrinos, entre os quais uma considerável quantidade de travelcards (one day travelcards e family travelcards). A actual tendência para a realização dos check-ins das viagens aéreas na internet, com a consequente não emissão de cartões de embarque em cartolina e em formato normalizado, ameaça reduzir drasticamente o número de novas entradas na colecção por esta via. Por outro lado, a tendência para a desmaterialização dos títulos de transporte que se verifica igualmente nos transportes londrinos, com a adopção gradual, a partir de 2003, do cartão oyster, que se carrega e utiliza electronicamente, permite imaginar que também deste modo a colecção não aumentará o número das suas peças e, portanto, o crescimento desta secção irá a breve trecho cessar. Ler o resto »

Ficou provado:

10 de Março de 2010 por António Figueira

Apesar de ter um nome giro, o jogador Ruben Micael não servia para o Sporting Clube de Portugal.

Uns dias fora

7 de Março de 2010 por António Figueira

A pedido de numerosas famílias, junto seguem impressões da última pseudo viagem de trabalho deste que vos escreve à capital do Império; como a estação é a dos Óscares, vão em forma de prémios:

Prémio melhor comezaina: Quinta à noite, no Bleeding Heart (seguida de suffering liver na sexta de manhã).

Prémio melhor compra: Esta fantástica pechincha, comprada por cinco libras na HMV (mas atenção à publicidade enganosa: não cobre, como é dito, todas as gravações do período Verve, só quase todas).

Prémio melhor descoberta: Esta frasezinha certeira do Stevenson: “Fiction is to grown men what play is to the child” (li o Kidnapped na ida e na volta, muito agradecido à Senhora Morgada pela sugestão).

Prémio British Vice: lendo esta magnífica história do Mail sobre o Christopher Hitchens, ficamos a saber que o rapaz, nos seus anos de Oxford, although a trot, had gay flings with future tory ministers e, embora achasse o Martin Amis muito sexy, o mais que conseguiu foi dormir com a irmã dele; recomendo-a vivamente às suas numerosas admiradoras locais (que, pelo que conheço delas, vão ficar a gostar ainda mais da personagem, se tal possível é).

Em Abril há mais.

Os inesgotáveis paralelos entre o futebol e a política

2 de Março de 2010 por António Figueira

Segunda-feira andei à cata de andrades, para os chagar um bocadinho (só um bocadinho). Em Lisboa não há muitos, mas ao final da manhã lá encontrei um, um beirão bonzão e comilão que há no meu escritório e tem a mania de ser diferente, e que por isso é do FCP. É um daqueles gajos que acha que o Pinto da Costa é uma personagem um pouco dúbia, mas como faz o Porto ganhar (e enquanto faz o Porto ganhar), o gajo atura-o (uma versão mild do “rouba mas faz” dos brasileiros). – Ora, ora, disse-lhe eu, armado em colunista-formalista, dúbio porquê?, nunca tribunal nenhum o condenou… – Pois, é precisamente por esse hábito que ele tem de frequentar os tribunais… Certamente, o meu beirão tinha lido o i de sábado passado, e a sábia resposta que Saldanha Sanches deu à questão de saber se confia em José Sócrates: “Não confio em pessoas que desta ou daquela forma estão sistematicamente referenciadas como estando relacionadas com certos tipos de processos judiciais.” Teoria das probabilidades.

A brahmalhada

2 de Março de 2010 por António Figueira

Pior que o denso book, só a difícil brahmalhada – mas o que vale é que, do que eu gosto mesmo é – da bola, senhores, da bola.

Notável com a bola nos pés, Maradona evidencia algumas limitações no jogo de cabeça

24 de Fevereiro de 2010 por António Figueira

Maradona escreve como marca golos à Inglaterra: descai para a direita, para a esquerda, corre, finta, não pára. Maradona escreve ao correr da pena (da esferográfica, da tecla, whatever): reverá Maradona o que escreve? Em meio de um vasto post sobre geografia & território, escreve Maradona assim: “As razões porque os aglomerados populacionais nascem onde nascem forma uma intrincada teia de interrelações muito dificilmente ao alcance das imaginações e inteligências dos nossos Leviatãs; é aqui que o liberalismo clássico e mais radical (conservador) – está tudo bem – se enche de lógica, no sentido em que a melhor solução é fazer render as nossas políticas de povoamento à extrema complexidade dos fenómenos envolvidos.” Terá Maradona noção do anacronismo que vai naquela frase? O Maradona parece-me um tipo culto: prova de que está envenenado par l’air du temps, se acredita mesmo na ideologia vulgar da direita modernaça, segundo a qual “o liberalismo clássico e mais radical [é] conservador”. É que sucede precisamente o contrário: o liberalismo clássico nasce por oposição ao conservadorismo, a visão whig do mundo à visão tory; antes de as massas emergirem na vida política e de ter surgido a reivindicação socialista, o radicalismo era um património exclusivo dos liberais: a título de arqueologia política, recordo que o partido liberal dinamarquês, por ex., que é hoje um tranquilo partido de direita, se chama desde que foi fundado, há quase 150 anos, “Venstre”, ou seja, “Esquerda”, ou que os escritos coevos desse arquétipo do liberalismo clássico que foi Stuart Mill sobre a emancipação feminina, também por ex., muito dificilmente casariam com o motto conservador “está tudo bem”. Para o liberalismo clássico, apesar de todos os esforços da mão invisível, não estava tudo bem, o género humano podia e devia ser reformado e melhorado, a tradição, whatever that may be, não tinha necessariamente valor de santidade: e é justamente esse “melhorismo” liberal, que por definição o conservadorismo não possui, que torna as duas escolas diferentes – clássica e radicalmente.

Dedos pelos olhos adentro, sempre mais fundo

23 de Fevereiro de 2010 por António Figueira

Sobre o facto de Figo ter dado o seu apoio ao PS no mesmo dia em que celebrou o contrato com a Taguspark, Sócrates defendeu que, “se isso aconteceu, não há nenhuma razão para ligar as duas coisas”: “Não passa de uma ignomínia insinuar-se que Luís Figo celebrou um contrato publicitário para pagar um favor político,” declarou.

Relações dialécticas entre forma e conteúdo

23 de Fevereiro de 2010 por António Figueira

O PGR preocupado com a divulgação ilícita do seu despacho, não com o facto de este revelar que ele mentiu.

In denial

21 de Fevereiro de 2010 por António Figueira

Três versões, três narrativas, três delírios - a escolha é sua.

Uma experiência religiosa

20 de Fevereiro de 2010 por António Figueira

Eu vou pouco ao Jugular, muito pouco mesmo, e a razão é simples: o que lá se escreve nunca tem o mérito de me surpreender. Engano meu: a Ana Matos Pires interpelou-me num post que lá escreveu, por isso fui lá responder-lhe e, por isso também, na passagem obrigatória que tive de por lá fazer, voltei a ver o Jugular, pelo que devo admitir: fiquei surpreendido. Há uns dias, eu dissera aqui que blogs como aquele não me pareciam de uma seita religiosa, mais do MR de 74 ou 75: ora eu enganei-me – e enganei-vos: aquele é um blog religioso (por mais que isso custe à Palmira – que julga, coitada, que o pobre do Hitchens é “um dos pensadores mais brilhantes da actualidade”), em que Sócrates é Deus e Fernanda Câncio a sua profeta (Sócrates é infalível e a f. distribui o beija-mão aos fiéis, vejam os comentários aos posts dela, é assustador). É uma pena: a f. escrevia magnificamente, antes de se devotar em exclusivo, no DN como na blogosfera, ao serviço da mais dúbia causa política do Portugal contemporâneo, e ele há outros seres que aqui há uns anos pensavam, antes de escreverem posts patéticos como este. O que fará este pessoal todo quando descobrir (mais cedo do que tarde) que Gott ist tot?

Alegoria

19 de Fevereiro de 2010 por António Figueira

Conta o DN de hoje: o MP pediu 15 meses de pena suspensa para o dono dos quatro rottweilers que em 2007 mataram uma mulher na Várzea de Sintra, alegando que este agiu com leviandade e descuido quando deixou os cães fora do canil, à solta dentro de uma propriedade que possuía uma rede exterior fraca e, além disso, não comunicando o desaparecimento dos animais, na véspera, às autoridades, como era obrigado. Nas alegações finais, pode ler-se: “A detenção dos animais implicava especiais atenções que não foram cumpridas. Foi a sua conduta [do proprietário] que permitiu a fuga e o ataque consequente com especial violência”. A defesa, por seu lado, não está convencida de que as acusações tenham sido provadas e pede a absolvição. “Se alguém falhou, foram aqueles que não deviam”, nomeadamente a PSP e a GNR, que, “avisadas por particulares, pegaram numa questiúncula de territorialidade e andaram num jogo do empurra”, disse o advogado. A defesa vai mais longe e afirma que não resulta que a mulher, uma ucraniana de 59 anos, tenha sido morta pelos cães: “Fica a dúvida se a vítima não estaria já morta quando foi atacada.” Creio que só por incompreensível timidez, a defesa não chegou a colocar a hipótese que faltava: a de ter sido a vítima a atacar os cães, suicidando-se em seguida.

Dedos pelos olhos adentro

18 de Fevereiro de 2010 por António Figueira

- Lembram-se no Dominguez, que jogou no Sporting há uns anos? Um jogador talentoso, com uma finta curta notável, mas tão notável que o tipo parecia mais um artista de circo do que um jogador de futebol: só via a finta, não via a baliza (só via a árvore, não via a floresta), o que fazia dele, apesar de talentoso, um jogador imprestável. Os spin doctors deste governo são um pouco o Dominguez revisitado: eu já nem falo das considerações éticas (que são de tomo, e deveriam ser evidentes), mas, mesmo em termos de pura eficácia, as acções deles parecem-me obviamente ser, e logo a curto prazo, inconsequentes: o gozo, o puro gozo, a vertigem do spin levou-os à criação da central de propaganda anónima na blogosfera descrita nomeadamente aqui – mas não deveria ser evidente que, cedo ou tarde, a careca do Abrantes ficaria a descoberto e que os danos emergentes desse facto seriam sempre superiores àqueles que a existência do Câmara Corporativa conseguira prevenir?

Aliás, uma das razões por que o CC e os outros blogues do socratismo, a começar pelo Jugular, são relativamente ineficazes, é porque não conseguem mais do que mobilizar as hostes próprias, não conseguem alargá-las; e isto tem que ver justamente (e talvez perversamente) com o seu excesso de mobilização, com a fúria com que se defendem e com o monolitismo da sua argumentação; eu não os compararia com uma seita religiosa, mas lembram-me muito o MRPP de 74/75. Este tipo de atitude é insusceptível de permitir o alargamento da sua base de apoio; pode ser útil a muito curto prazo, mas não demora muito tempo até alimentar a dúvida e gerar a dissidência. Nenhuma pessoa de bom senso acredita que as mil e uma histórias em que o PM está envolvido, da licenciatura dominical ao caso da TVI (a lista é longa, permitam-me que a abrevie) não têm nunca, nenhuma delas, um qualquer fundo de verdade, que resultam todas da conspiração de poderes ocultos, da maledicência dos adversários, da perseguição dos media, etc. Negar tudo e em bloco é de Testemunha de Jeová: fere o senso comum. E isto para acabar no João Galamba: não tenho nada, mas mesmo nada contra ele, é amigo de amigos meus, e reconheço-lhe qualidades (talvez não tantas quanto ele próprio, mas adiante), agora por favor não me venham dizer que entre a sua militância nos blogues da situação, a sua meteórica carreira política e os ajustes directos com a administração pública que foram conhecidos hoje não há nem pode haver nenhum tipo de relação. Quero dizer: podem vir dizer-me isso, mas aí eu respondo, como a vasta maioria das pessoas responde: pois.

Como se celebra o Carnaval na freguesia de Santos-o-Velho

16 de Fevereiro de 2010 por António Figueira

Nem Billy Budd Melville, nem Moby Dick Melville, nem nada: Jean Pierre Melville, the one and only (ainda mais divertido de ver do que ler Peter Cheney): como a cassette do Doulos cá de casa tinha ido pró galheiro, resolvi comprar o DVD, primeiro na amazon.fr, que me pareceu a escolha mais óbvia, mas enquanto na dotéferre a fita custava trinta aéreos (!), na dotuquei seis-fitas-seis do grande homem custavam só dezasseis pounds, e por isso, e porque a pound está quase ao preço do aéreo, foi hoje inaugurado o ciclo Melville, para grande felicidade da pequenada (eu); trabalho de casa para esta noite: resumir o enredo do Doulos (complicado como só um grande roman noir consegue ser) em menos de trezentas palavras – e reflectir também sobre a dívida do hexágono à bota: belmondo, reggiani, piccoli, pronunciem-nos como deve ser e perceberão o que eu quero dizer.

And Now for Something Completely Different

13 de Fevereiro de 2010 por António Figueira

Ao descrever, num passo célebre das suas epístolas (II.1.139-163), os entretenimentos dos lavradores que, na festa das colheitas, proferiam “injúrias rústicas”, Horácio refere os versos fesceninos que talvez não andem longe da “Fescennina licentia” (talvez de Fescennium, cidade etrusca) e cuja tradição chegará até nós pela preciosa incontinência camiliana, primeiro, e depois pela sua refundação moderna e urbana, por Rubem Fonseca, já no limiar do século XXI. (Tais excessos dos lavradores impediam a referida festa de ser “uma distracção inofensiva”, nas palavras da maior latinista portuguesa, e acabaram, por isso, por ser corrigidos por lei, algures no século III A.C.).

Salvé, Rainha!

12 de Fevereiro de 2010 por António Figueira

Não será do infame propretor Verres, aliás Sócrates (que classicismo infeliz!), que a posteridade se há-de lembrar, será sempre do cicerónico e verrinoso Rainha! (o que não desculpa o facto de as minhas Mahler by Boulez nunca mais chegarem).

Volta, João, estás perdoado!

11 de Fevereiro de 2010 por António Figueira

Avolumam-se os sinais inequívocos do fim de um reinado: no “Jugular”, é João Galamba que escreve estas verdades comos punhos: “O formalista rejeita discutir o conteúdo por causa do modo como ele surgiu, isto é, lida com a divulgação recusando-se a comentar o que é divulgado. Mas esta posição é contraditória: não podemos responder a uma realidade negando a sua existência. Insistir na pureza da forma é um suicídio político.” João, eu perdôo-te o episódio da luta de classes na Convenção do PS (e aviso-te by the way que podes encontrar a edição de 75 da Presença d’”A Ideologia Alemã” na “Letra Livre”, ali ao fundo da Calçada do Combro, os dois volumes em muito bom estado por 22 heróis); volta, que há uma vaga para filósofo no 5dias!