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	<title>cinco dias &#187; André Levy</title>
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		<title>NATO, a maior ameaça à paz mundial!</title>
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		<pubDate>Thu, 17 May 2012 20:32:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>
		<category><![CDATA[Imperialismo & Guerra]]></category>

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		<description><![CDATA[A NATO vai realizar nova cimeira em Chicago, a 20 e 21 de Maio. Recorde-se que na última cimeira, realizada em Lisboa, em Novembro de 2010, procedeu-se à revisão do seu conceito estratégico. Desde então a NATO exemplificou o qual a &#8230; <a href="http://5dias.net/2012/05/17/nato-a-maior-ameaca-a-paz-mundial/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2012/05/paz-sim-nato-não.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-83274" title="paz sim nato não" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2012/05/paz-sim-nato-não-212x300.jpg" alt="" width="212" height="300" /></a> A NATO vai realizar nova cimeira em Chicago, a 20 e 21 de Maio. Recorde-se que na última cimeira, realizada em Lisboa, em Novembro de 2010, procedeu-se à revisão do seu conceito estratégico. Desde então a NATO exemplificou o qual a sua estratégia com a sua intervenção directa e indirecta na Líbia. Não foi certamente fortuito que semanas antes do conflito interno ter irrompido, a NATO realizou manobras navais no Mediterrâneo. Este cenário demonstrou também como os EUA pretendem que o seu pilar Europeu tenha um papel mais interventivo, dado o desgaste das forças militares Estadunidenses, no Iraque e Afeganistão; e como a União Europeia se presta a alinhar.</p>
<p>Apesar da crise financeira e económica mundial, os países da NATO continuam a aumentar as suas despesas e investimento em novas tecnologias militares: 70% dos gastos militares no mundo são dos países membros da NATO. Em Portugal, enquanto se impõem medidas de austeridade sobre os trabalhadores, os militares e forças de segurança, e cortes orçamentais nos serviços públicos, utilizam-se milhões de euros para adaptar e dispor as Forças Armadas Portuguesas às exigências da NATO.</p>
<p>A história ensina como o imperialismo procura a guerra como solução para os seus problemas económicos. Vários são os cenários com potencial de escalada, sendo o mais preocupante as ameaças ao Irão. A possibilidade de um ataque Israelita ao Irão vai-se tornando cada vez mais real, havendo quem preveja o aproveitamento da janela de oportunidade antes das eleições presidenciais no EUA, em Novembro. <a href="http://www.usatoday.com/news/world/story/2012-05-17/iran-israel-us-envoy/55040880/1" target="_blank">Um enviado dos EUA a Israel</a> declarou que os EUA estão preparados para atacar o Irão &#8220;se necessário&#8221;. A Casa de Representantes dos EUA prepara-se para votar a resolução 568 que declara pretender &#8220;evitar que o Governo do Irão adquira capacidade de armas nucleares&#8221;. Mas críticos da resolução afirmam que a resolução irá apenas baixar a fasquia para um ataque militar. A votação irá ocorrer alguns dias antes de negociações com Teerão, subvertendo a possibilidade de diplomacia. Segundo o grupo Britânico <a href="http://codir.net/">CODIR</a> (Comité pela Defesa dos Direitos do Povo Iraniano) a resolução efectivamente apela a um ataque militar assim que o Irão atinja uma ambígua &#8220;capacidade de obter armas nucleares&#8221; (ambígua dada a convergência entre desenvolvimento da tecnologia nuclear para fins energéticos e fins militares). Segundo a CODIR a aplicação desse critério implicaria ataques sobre o Brasil, Japão, Holanda, já para não referir Israel, que não assume oficialmente possuir armas nucleares. Relatórios dos vários serviços de inteligência dos EUA concluíram recentemente não existirem quaisquer evidências de que o Irão não esteja simplesmente a prosseguir, como reclama legitimamente no âmbito da sua soberania, o desenvolvimento de tecnologia nuclear para fins energéticos. Um ataque sobre o Irão é porventura actualmente a acção militar com maior potencial para conduzir a uma guerra de gigantescas proporções.</p>
<p>Em 2010, durante a cimeira de Lisboa, realizou-se um grande evento contra a NATO e pela Paz. Nos EUA, prepara-se também uma <a href="http://www.natofreefuture.org/category/conference/" target="_blank">contra-cimeira pela paz e justiça económica</a>. E em Lisboa, um conjunto de organizações apela à participação num desfile PELA PAZ e CONTRA A NATO.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Desemprego em Portugal atinge níveis dramáticos</title>
		<link>http://5dias.net/2012/05/16/desemprego-em-portugal-atinge-niveis-dramaticos/</link>
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		<pubDate>Wed, 16 May 2012 16:30:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>
		<category><![CDATA[luta dos trabalhadores]]></category>
		<category><![CDATA[Política Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Sistema Económico e Financeiro]]></category>
		<category><![CDATA[desemprego]]></category>

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		<description><![CDATA[Segundo relatório do INE emitido hoje, a taxa oficial de desemprego atinge os 14.9%. Estão 819,3 mil trabalhadores no desemprego, mais 130,4 mil pessoas do que no período homólogo de 2011. Isto dados do INE indicam que no último ano se perderam &#8230; <a href="http://5dias.net/2012/05/16/desemprego-em-portugal-atinge-niveis-dramaticos/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_83198" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2012/05/desemprego2009_2012.jpg"><img class="size-medium wp-image-83198" title="desemprego2009_2012" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2012/05/desemprego2009_2012-300x180.jpg" alt="" width="300" height="180" /></a><p class="wp-caption-text">Fonte: contas do PÚBLICO sobre dados do INE</p></div>
<p>Segundo relatório do <a href="http://www.ine.pt/ngt_server/attachfileu.jsp?look_parentBoui=139775052&amp;att_display=n&amp;att_download=y" target="_blank">INE emitido hoje</a>, a taxa oficial de desemprego atinge os 14.9%. Estão 819,3 mil trabalhadores no desemprego, mais 130,4 mil pessoas do que no período homólogo de 2011.</p>
<p>Isto dados do INE indicam que no último ano se perderam 203 mil empregos, ou seja a taxa de desemprego real pode situar-se perto dos 23%. Os cálculos de desemprego variam consoante quem se contabilizam. A taxa oficial não inclui quem estando desempregado e declarando pretender trabalhar não fiz diligências para encontrar emprego nas últimas 3 semanas (os “inactivos disponíveis”. Somando os dois valores, o Público obtém a taxa real. Porém, o desemprego real inclui também os desempregados de longo prazo que já desistiram de encontrar emprego &#8220;oficial&#8221;. E a taxa de desemprego oficial contabiliza, enganosamente, como empregados quem trabalhou apenas algumas horas no período abrangido ( o “subemprego visível”). Igualmente importante, estas estatísticas também não têm em conta a emigração, sou seja os muitos que emigram em busca de emprego no estrangeiro, por não encontrarem emprego em Portugal.</p>
<p>A taxa de desemprego é particularmente alarmante entre os jovens (15-24 anos): 36,2% !</p>
<p>Comparando regiões, a taxa oficial é mais alta no Algarve (20%), seguindo-se a região de Lisboa (16.5%), sendo mais baixa na região centro (11.8%).</p>
<p>Segundo o <a href="http://www.bportugal.pt/pt-PT/EstudosEconomicos/Publicacoes/RelatorioAnual/Publicacoes/RA_11_p.pdf" target="_blank">Relatório do Banco de Portugal</a>, de 15 de Maio (p.22):</p>
<blockquote><p>«A evolução do desemprego na economia portuguesa tem ocorrido num contexto de segmentação do mercado de trabalho, em que a dinâmica de criação e destruição de emprego se encontra muito associada a contratos de trabalho com termo, que têm particular incidência nos mais jovens. Esta forte segmentação do mercado de trabalho em Portugal será o principal fator explicativo para os elevados fluxos de saída e de entrada no emprego, em comparação com outros países europeus»</p></blockquote>]]></content:encoded>
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		<title>O país precisa da sua juventude</title>
		<link>http://5dias.net/2012/05/09/o-pais-precisa-da-sua-juventude/</link>
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		<pubDate>Wed, 09 May 2012 19:07:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>
		<category><![CDATA[luta dos trabalhadores]]></category>

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		<description><![CDATA[«Se estamos desempregados, temos de sair da zona de conforto e ir para além das nossas fronteiras, dignificar o nome de Portugal e levar know-how daquilo que Portugal sabe fazer bem». Esta foi a recomendação do secretário de Estado da &#8230; <a href="http://5dias.net/2012/05/09/o-pais-precisa-da-sua-juventude/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>«Se estamos desempregados, temos de sair da zona de conforto e ir para além das nossas fronteiras, dignificar o nome de Portugal e levar know-how daquilo que Portugal sabe fazer bem». Esta foi a recomendação do secretário de Estado da Juventude Miguel Mestre perante uma audiência de membros da comunidade portuguesa em São Paulo (Brasil) e jovens luso-brasileiros. Numa mesma feita, um representante do Governo português admite que as condições de emprego actualmente em Portugal são desfavoráveis e propõe como solução estrutural a emigração. A sua tentativa de pintar positivamente a «fuga de cérebros» de Portugal para o estrangeiro foi inevitavelmente lida pelos jovens (e não só) em Portugal – onde a taxa de desemprego até aos 25 anos estava, em Setembro, nos 27,1% – como um sinal de que as perspectivas de emprego num futuro próximo no seu país são lúgubres.</p>
<p>Não fossemos nós tomar estas declarações como um deslize por parte do secretário de Estado, quando, em Dezembro, o primeiro-ministro Passos Coelho reforçou a ideia admitindo «que há muitos professores em Portugal que não têm, nesta altura, ocupação. E o próprio sistema privado não consegue ter oferta para todos» e recomendando aos professores portugueses olharem «para todo o mercado da língua portuguesa e encontrar aí uma alternativa». Isto algumas semanas após a publicação do Relatório do Desenvolvimento Humano de 2011 das Nações Unidas indicando que Portugal tem das populações da Europa com menor grau de escolarização. <a href="http://www.omilitante.pcp.pt/pt/318/Juventude/695/O-pa%C3%ADs-precisa-da-sua-juventude.htm#2">(2)</a></p>
<p>Se um amigo nos recomenda emigrar como forma de realizarmos a carreira profissional que almejamos, para a qual nos formámos, trata-se de uma solução individual. Quando o Governo português a sugere <em>en masse</em> assume a exportação da força de trabalho como componente da sua política de combate ao desemprego nacional. Para cúmulo, aos olhos de Miguel Mestre, é até uma estratégia nacional de projecção das capacidades dos portugueses e da marca «Portugal». A tentativa de dar uma interpretação positiva à emigração é uma ofensa a todos aqueles que, desejando trabalhar em Portugal, se vêem economicamente forçados a abandonar o país. É indicação da ausência de um programa de desenvolvimento que estimule a criação de emprego em Portugal. É o reconhecimento de que as políticas de austeridade, as privatizações, os cortes orçamentais no Sector Público, o contexto económico conducente ao encerramento de empresas irão promover o crescimento do desemprego. É uma demissão ultrajante de um governo perante os seus cidadãos. Mestre ainda tem o descaramento de descrever este cenário cinzento como «zona de conforto». Como sublinhou Jerónimo de Sousa, num almoço-convívio na Parede: «Como é que estão preocupados com o emprego se todas as medidas que tomam vão no sentido de mais desemprego? É inaceitável. A juventude tem direito a ficar no seu país, a construir aqui o seu futuro, as suas vidas e a sua própria autonomia».</p>
<p style="text-align: right;">(ver resto do texto em «<a href="http://www.omilitante.pcp.pt/pt/318/Juventude/695/O-pa%C3%ADs-precisa-da-sua-juventude.htm" target="_blank">O Militante</a>»)</p>]]></content:encoded>
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		<title>Crescente desigualdade nos EUA</title>
		<link>http://5dias.net/2012/05/04/crescente-desigualdade/</link>
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		<pubDate>Fri, 04 May 2012 20:42:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>
		<category><![CDATA[Sistema Económico e Financeiro]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>

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		<description><![CDATA[O 12º relatório do Economic Policy Institute sobre o mundo laboral nos EUA revela números escandalosos: Em 2011, os chefes executivos (CEOs) eram pagos 231 vezes mais do que o trabalhador médio. Para comparação, em 1965, CEOs eram pagos 20 vezes &#8230; <a href="http://5dias.net/2012/05/04/crescente-desigualdade/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O 12º relatório do <a href="http://www.epi.org/publication/ib331-ceo-pay-top-1-percent/" target="_blank">Economic Policy Institute</a> sobre o mundo laboral nos EUA revela números escandalosos:</p>
<ul>
<ul>
<ul>
<li>Em 2011, os chefes executivos (CEOs) eram pagos <strong>231 vezes</strong> mais do que o trabalhador médio. Para comparação, em 1965, CEOs eram pagos 20 vezes mais que o trabalhador médio.</li>
<li>A análise revela também que a compensação dos CEOs aumentou <strong>725% </strong>entre 1978 e 2011 – um valor substancialmente superior ao crescimento do mercado de valores –, enquanto que o rendimento dos trabalhadores apenas aumentou 5.7%, no mesmo período.</li>
<li>Entre 1979 e 2007, os com rendimentos no topo 1% viram seus rendimentos subir 156%; os do topo 0.1% aumentou 362%; por contraste, os do 90% inferior aumentou apenas 17%.</li>
</ul>
</ul>
</ul>
<div id="attachment_82271" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2012/05/ceo-worker-compensation-ratio.png"><img class="size-medium wp-image-82271 " title="ceo worker compensation ratio" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2012/05/ceo-worker-compensation-ratio-300x166.png" alt="" width="300" height="166" /></a><p class="wp-caption-text">Rácio rendimento CEO vs trabalhador</p></div>
<p>Este relatório saiu ao mesmo tempo que dados do Gabinete das Estatísticas Laborais, dos EUA, <a href="http://bls.gov/news.release/empsit.nr0.htm">revelou</a> que em Abril 12.5 milhões estavam no desemprego, uma taxa de 8.1%. Cerca de 41.3 % dos desempregados em Abril estão nessa condição há mais de 26 semanas.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Marxismo, Darwinismo e Natureza Humana</title>
		<link>http://5dias.net/2012/05/03/marxismo-darwinismo-e-natureza-humana/</link>
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		<pubDate>Thu, 03 May 2012 17:42:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>
		<category><![CDATA[Biologia Evolutiva]]></category>
		<category><![CDATA[Marxismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Intervenção no Congresso «Marx em Maio», 3 de Maio 2012, Faculdade de Letras. (&#8230;) Em conclusão, a biologia evolutiva tem tudo a ganhar com assumir como alicerces o materialismo histórico e o materialismo dialético. E o Marxismo tem tudo a ganhar &#8230; <a href="http://5dias.net/2012/05/03/marxismo-darwinismo-e-natureza-humana/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Intervenção no Congresso «<a href="http://marxemmaio.wordpress.com/" target="_blank">Marx em Maio</a>», 3 de Maio 2012, Faculdade de Letras.</p>
<p>(&#8230;) <em>Em conclusão, a biologia evolutiva tem tudo a ganhar com assumir como alicerces o materialismo histórico e o materialismo dialético. E o Marxismo tem tudo a ganhar com os avanços na biologia e psicologia de modo a refinar o seu entendimento da nossa espécie e a forma de construir uma sociedade mais justa, mais solidária e isenta de exploração.</em></p>
<p style="text-align: right;">Texto integral na <a href="http://jangada-de-pedra.blogspot.pt/2012/05/marxismo-darwinismo-e-natureza-humana.html" target="_blank">Jangada de Pedra</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Compilação das lutas de 2012</title>
		<link>http://5dias.net/2012/04/30/compilacao-das-lutas-de-2012/</link>
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		<pubDate>Mon, 30 Apr 2012 21:05:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>
		<category><![CDATA[luta dos trabalhadores]]></category>

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		<description><![CDATA[Postei compilação das lutas de trabalhadores em Portugal, entre Janeiro e o 1º de Maio de 2012, na Jangada de Pedra.  Neste período relativamente curto decorreram acções nacionais significativas, com destaque para a grande manifestação nacional de 11 de Fevereiro e &#8230; <a href="http://5dias.net/2012/04/30/compilacao-das-lutas-de-2012/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_82028" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2012/04/manifestao_22_maro_greve_geral_20120323_1462398026-1.jpg"><img class="size-medium wp-image-82028" title="manifestao_22_maro_greve_geral_20120323_1462398026 (1)" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2012/04/manifestao_22_maro_greve_geral_20120323_1462398026-1-300x216.jpg" alt="" width="300" height="216" /></a><p class="wp-caption-text">Greve Geral de 22 de Março</p></div>
<p>Postei compilação das lutas de trabalhadores em Portugal, entre Janeiro e o 1º de Maio de 2012, na <a href="http://jangada-de-pedra.blogspot.pt/2012/04/lutas-de-2012-1-parte.html" target="_blank">Jangada de Pedra</a>.  Neste período relativamente curto decorreram acções nacionais significativas, com destaque para a grande manifestação nacional de 11 de Fevereiro e a <a href="http://www.grevegeral.net/">Greve Geral</a> de 22 de Março. Amanhã será mais uma grande jornada de luta.</p>
<p>(Ajudem-me a colmatar naturais lacunas na compilação.)</p>]]></content:encoded>
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		<title>Mais intelectuais na luta do Povo</title>
		<link>http://5dias.net/2012/04/29/mais-intelectuais-na-luta-do-povo/</link>
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		<pubDate>Sun, 29 Apr 2012 12:46:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>
		<category><![CDATA[luta dos trabalhadores]]></category>
		<category><![CDATA[Política Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[pcp]]></category>

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		<description><![CDATA[«&#8230; Os intelectuais não são apenas uma camada crescentemente assalariada e tendencialmente proletarizada. São uma camada de trabalhadores que, tenham ou não consciência disso, têm nas relações de produção capitalistas o principal bloqueio ao livre desenvolvimento da sua actividade e &#8230; <a href="http://5dias.net/2012/04/29/mais-intelectuais-na-luta-do-povo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-81947" style="line-height: 18px;" title="JS.VI.AOSIL.28.abril.2012" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2012/04/JS.VI_.AOSIL_.28.abril_.2012-300x228.jpg" alt="" width="300" height="228" /></p>
<p>«&#8230; Os intelectuais não são apenas uma camada crescentemente assalariada e tendencialmente proletarizada. São uma camada de trabalhadores que, tenham ou não consciência disso, têm nas relações de produção capitalistas o principal bloqueio ao livre desenvolvimento da sua actividade e do seu trabalho criador. O capitalismo, no seu estádio de desenvolvimento actual, exerce uma enorme compressão sobre a autonomia relativa do trabalho intelectual, instrumentaliza e mercantiliza a investigação e a criação científica e artística, a controvérsia filosófica, a comunicação social, a justiça, a educação, a saúde. O imperialismo torna a cultura entretenimento, a ciência arma de destruição, a informação arma de guerra. Não há actividade intelectual cujo livre desenvolvimento não exija hoje a luta contra o capitalismo pela alternativa – o socialismo. Nós sabemos isso. É indispensável que a grande massa dos intelectuais o venha a saber também. &#8230;» (<a href="http://pcp.pt/mais-partido-entre-os-intelectuais-mais-intelectuais-na-luta-do-povo" target="_blank">Texto integral</a>)</p>
<p>Jerónimo de Sousa, Secretário Geral do PCP, na VI Assembleia de Organização do Sector Intelectual da Organização Regional de Lisboa, 28 de Abril, 2012.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Filipe La Fábula: publicidade enganosa</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Apr 2012 21:24:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje estive à tarde no edifício da Sociedade de Geografia de Lisboa ao lado do Coliseu de Lisboa. É um edifício lindo, com um espólio histórico esplendido. Juntamente com a Casa do Alentejo, ali ao lado, são dois edifícios cujo interior &#8230; <a href="http://5dias.net/2012/04/11/filipe-la-fabula-publicidade-enganosa/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2012/04/12-1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-81060" title="12 - 1" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2012/04/12-1-300x224.jpg" alt="" width="300" height="224" /></a>Hoje estive à tarde no edifício da <a href="http://www.socgeografialisboa.pt/" target="_blank">Sociedade de Geografia de Lisboa</a> ao lado do Coliseu de Lisboa. É um edifício lindo, com um espólio histórico esplendido. Juntamente com a Casa do Alentejo, ali ao lado, são dois edifícios cujo interior passa desconhecido por muito dos que por ali passam.</p>
<p>À porta, o meu olhar depararou-se com o cartaz de uma produção do Filipe La Féria, que no rodapé tem altos elogios do Times, Telegraph etc., tudo jornais ingleses. De repente ocorreu-me: estas<a href="http://www.endoftherainbowtour.com/reviews/press-quotes/" target="_blank"> citações</a> são produção de «End the Rainbow», em Londres! Isto é, em nada reflectem de opinião sobre a produção do La Feria no Politeama. São um grandessíssimo embuste!!. Ok, é a mesma partitura, mas uma pessoa vai ver é a produção do La Feria e não a produção inglesa nomeada para 4 Olivers. Não vi qualquer das produções, e nada posso afirmar sobre a qualidade da produção do La Féria. Mas o meu argumento, é que as citações no cartaz também nada afirmam sobre esta produção. (Desculpem este meu desabafo, mas acho isso publicidade enganosa &#8211; possivelmente um oxímoro.)</p>]]></content:encoded>
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		<title>Congresso Internacional Marx em Maio</title>
		<link>http://5dias.net/2012/03/31/congresso-internacional-marx-em-maio/</link>
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		<pubDate>Sat, 31 Mar 2012 19:54:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Marxismo]]></category>

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		<description><![CDATA[ Nos próximos dias 3, 4 e 5 de Maio de 2012, realizar-se-á, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, o Congresso Internacional Marx em Maio, perspectivas para o séc.XXI, organizado pelo Grupo de Estudos Marxistas (GEM). Congresso multidisciplinar, incluindo &#8230; <a href="http://5dias.net/2012/03/31/congresso-internacional-marx-em-maio/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2012/03/Cartaz-MM.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-80667" title="Cartaz MM" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2012/03/Cartaz-MM-212x300.jpg" alt=" Congresso Internacional Marx em Maio" width="212" height="300" /></a> Nos próximos dias 3, 4 e 5 de Maio de 2012, realizar-se-á, na Faculdade de Letras da Universidade<br />
de Lisboa, o Congresso Internacional Marx em Maio, perspectivas para o séc.XXI, organizado pelo<br />
Grupo de Estudos Marxistas (GEM). Congresso multidisciplinar, incluindo participantes das áreas<br />
da Filosofia, da História e da Economia, mas também das Ciências naturais, das Artes plásticas, da Política e do mundo sindical, o seu fio condutor será a actualidade e fertilidade do pensamento marxista enquanto instrumento fundamental de análise crítica. Num contexto de crise generalizada, pautada pela desconsideração do papel da racionalidade, da teoria e da cultura como elementos fundamentais de transformação, individual e colectiva, o Congresso Marx em Maio procurará contribuir para o aprofundamento de problemáticas centrais dos nossos dias e para o estímulo de um pensamento científico guiado por uma racionalidade crítica e dialéctica.</p>
<p>A lista dos participantes, assim como o título das comunicações estão disponíveis em:<br />
<a href="http://marxemmaio.wordpress.com" target="_blank">http://marxemmaio.wordpress.com</a></p>
<p>Para mais informações, contactar : <a href="mailto:&#x67;&#x72;&#x75;&#x70;&#x6f;&#x64;&#x65;&#x65;&#x73;&#x74;&#x75;&#x64;&#x6f;&#x73;&#x6d;&#x61;&#x72;&#x78;&#x69;&#x73;&#x74;&#x61;&#x73;&#x40;&#x67;&#x6d;&#x61;&#x69;&#x6c;&#x2e;&#x63;&#x6f;&#x6d;"><span class="oe_textdirection">&#x6d;&#x6f;&#x63;&#x2e;&#x6c;&#x69;&#x61;&#x6d;&#x67;<span class="oe_displaynone">null</span>&#x40;&#x73;&#x61;&#x74;&#x73;&#x69;&#x78;&#x72;&#x61;&#x6d;&#x73;&#x6f;&#x64;&#x75;&#x74;&#x73;&#x65;&#x65;&#x64;&#x6f;&#x70;&#x75;&#x72;&#x67;</span></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Fornecedor de elementos ao Wikileaks acusado de terrorista</title>
		<link>http://5dias.net/2012/03/18/fornecedor-de-elementos-ao-wikileaks-acusado-de-terrorista/</link>
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		<pubDate>Sun, 18 Mar 2012 15:20:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>
		<category><![CDATA[Imperialismo & Guerra]]></category>

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		<description><![CDATA[Na passada 5ª e 6ª, em Fort Meade, perto de Baltimore, teve lugar a audição pre-tribunal, a portas fechadas, do soldado de primeira classe Bradley Manning. É acusado de ter passado centenas de milhar de documentos (comunicações e relatórios) militares e &#8230; <a href="http://5dias.net/2012/03/18/fornecedor-de-elementos-ao-wikileaks-acusado-de-terrorista/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_80002" class="wp-caption alignleft" style="width: 217px"><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2012/03/Army-Pfc.-Bradley-Manning2.jpg"><img class="size-medium wp-image-80002" title="Army Pfc. Bradley Manning" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2012/03/Army-Pfc.-Bradley-Manning2-207x300.jpg" alt="" width="207" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Army Pfc. Bradley Manning algemado</p></div>
<p>Na passada 5ª e 6ª, em Fort Meade, perto de Baltimore, teve lugar a audição pre-tribunal, a portas fechadas, do soldado de primeira classe Bradley Manning. É acusado de ter passado centenas de milhar de documentos (comunicações e relatórios) militares e do governo ao sítio <a href="http://wikileaks.nl/">WikiLeaks</a>. Os procuradores acusam Manning de ter prestado assistência ao al-Qaeda.</p>
<p>A defesa alega que Manning não poderia ter tido acesso ao material classificado e que a sua divulgação pouco ou nada pôs em perigo a segurança nacional. Segundo os seus advogados, tem sido tratado &#8220;pior do que um suspeito de terrorismo.&#8221; Durante a audição, a defesa terá pedido acesso a um video que mostrará instâncias de humilhação e tortura de Manning durante a sua detenção. O Presidente Obama, apesar do julgamento não ter tido inicio, já declarou que Manning &#8220;violou a lei&#8221;. (Acompanhem o caso e a campanha de apoio em <a href="http://firedoglake.com/bradley-manning-coverage/">FireDogLake</a>).</p>
<p>&#8212;-</p>
<p>Desculpem o aproveitamento deste caso sério, mas gostava de ouvir opiniões sobre como traduzir &#8220;whistleblower&#8221; para Português. O sítio <a href="http://www.linguee.pt">Linguee</a>, instrumento útil para traduções, oferece algumas sugestões: alerta-rápido (?), denunciante, ou informante; que me parecem insatisfatórias. O termo original implica mais que apenas denunciar ou informar, acção que pode ser feita por uma variedade de pessoas. Implica que quem denuncia ou informa está numa posição privilegiada de acesso a informação, e que contrariando regras que condicionam a divulgação de informação, toma uma acção de consciência face ao conhecimento de uma ilegalidade mantida em segredo. O termo foi formulado por Ralph Nader, nos anos 1970, invocando o apito do árbitro perante uma falta, precisamente para evitar as conotações negativas de termos como informante ou bufo (pensem informador da PIDE). Uma tradução literal (apitador) carece peso e referencial, mas talvez isso seja por falta de prática do seu uso.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Centenário da 1ª greve geral na Australia</title>
		<link>http://5dias.net/2012/03/16/centenario-da-1a-greve-geral-na-australia/</link>
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		<pubDate>Fri, 16 Mar 2012 19:43:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>
		<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[luta dos trabalhadores]]></category>

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		<description><![CDATA[Anteontem passaram 129 anos desde a morte de Karl Marx. Mas para comemorações preferem-se datas redondas. Deixo de parte perguntas sobre a esfericidade dos números. Há cem anos, deu-se a primeira greve geral na Austrália, tendo como seu centro Brisbane, &#8230; <a href="http://5dias.net/2012/03/16/centenario-da-1a-greve-geral-na-australia/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Anteontem passaram 129 anos desde a morte de Karl Marx. Mas para comemorações preferem-se <em>datas redondas</em>. Deixo de parte perguntas sobre a esfericidade dos <a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2012/03/350_general_strike.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-79964" title="350_general_strike" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2012/03/350_general_strike.jpg" alt="" width="350" height="281" /></a>números. Há cem anos, deu-se a primeira greve geral na Austrália, tendo como seu centro Brisbane, Queensland e seus instigadores os trabalhadores dos eléctricos urbanos. A 18 de Janeiro, membros do sindicato iniciaram o seu turno envergando símbolos do seu sindicato. Foram despedidos. A 28 de Janeiro, os trabalhadores de Brisbane  reuniram-se e não satisfeitas as suas condições, entraram em greve durante 5 semanas. Os sindicalistas, em conjunto com a população, realizaram encontros para galvanizar apoio; auferiram fundos; emitiram cheques alimentares apenas às empresas aprovadas pelos sindicatos; organizaram alimento para os hospitais e outras instituições do estado durante a greve; formaram grupos de vigilância. O Comité de Greve tornou-se um governo alternativo em Brisbane: trabalho só era realizado com permissão do Comité de Greve. A 31 de Janeiro, entre os milhares de trabalhadores que desfilavam e os milhares de apoiantes encontrava-se 75% da população da cidade.</p>
<p>A permissão para uma manifestação no dia 2 de Fevereiro foi negada. Mas 15 mil trabalhadores congregaram-se para se manifestar, enfrentando a fúria policial, numa jornada que veio a ser conhecida como a Sexta-feira Bastão (ou Negra).</p>
<div id="attachment_79965" class="wp-caption alignleft" style="width: 190px"><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2012/03/180px-Emma_Miller.jpg"><img class="size-full wp-image-79965" title="180px-Emma_Miller" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2012/03/180px-Emma_Miller.jpg" alt="" width="180" height="247" /></a><p class="wp-caption-text">Emma Miller (1839-1917)</p></div>
<p>As mulheres tiveram papel destacado na luta desse dia. Quando a multidão enfrentou centenas de polícias com espingarda e baioneta, cerca de 600 mulheres desafiaram as ordens policiais e marcharam para o parlamento. Foram depois forçadas para trás à bastonada e presas em grande número. Entre as líderes, encontrava-se a sindicalista e sufragista Emma Miller que, apesar dos seus mais de 70 anos de idade e meros 35 kilos, manteve-se firme e (reza a história) puxou do seu alfinete do chapéu e enfiou-o na coxa do cavalo do comissário da polícia, que em resultado da queda terá ficado coxo para o resto da vida.</p>
<p>A greve geral terminou oficialmente a 6 de Março, quando foi acordado que os grevistas não seriam victimimizados. Os trabalhadores demitidos nunca foram recontratados. A violência do dia 2 de Fevereiro perdurou na memória. A proibição de identificação sindical persistiu até 1980.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Porque Marx estava certo – 3a</title>
		<link>http://5dias.net/2012/03/11/porque-marx-estava-certo-3a/</link>
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		<pubDate>Sun, 11 Mar 2012 14:31:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>
		<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Sistema Económico e Financeiro]]></category>
		<category><![CDATA[More]]></category>
		<category><![CDATA[Why Marx was right]]></category>

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		<description><![CDATA[<img class="alignleft size-full wp-image-78385" style="line-height: 18px; border-style: initial; border-color: initial;" title="why-marx-was-right" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2012/02/why-marx-was-right.jpg" alt="" width="180" height="247" />

Continuando a exploração do livro do filosofo Terry Eagleton (ver <a href="http://www.youtube.com/watch?v=W5GP3jHXwt8" target="_blank">video</a>; <a href="http://5dias.net/2012/02/18/porque-marx-estava-certo-1/" target="_blank">cap1</a>; <a href="http://5dias.net/2012/02/20/porque-marx-estava-certo-2/" target="_blank">cap2</a>) e as respostas a dez das mais comuns objecções ao Marxismo, no terceiro capítulo aborda a seguinte crítica: "<em>O Marxismo é uma forma de determinismo. Vê os homens e mulheres apenas como instrumentos da história, despidos da sua liberdade e individualidade. Marx acreditava em certas leis férreas da história, que funcionariam com força inexorável às quais nenhuma acção humana podia resistir. Como tal a teoria de história de Marx é apenas uma versão secular da Providência ou Destino. É ofensiva à liberdade e dignidade humana, tal como os Estados Marxistas."</em> <a href="http://5dias.net/2012/03/11/porque-marx-estava-certo-3a/">Ler o resto<span class="meta-nav">_</span></a> <a href="http://5dias.net/2012/03/11/porque-marx-estava-certo-3a/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-78385" style="line-height: 18px; border-style: initial; border-color: initial;" title="why-marx-was-right" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2012/02/why-marx-was-right.jpg" alt="" width="180" height="247" /></p>
<p>Continuando a exploração do livro do filosofo Terry Eagleton (ver <a href="http://www.youtube.com/watch?v=W5GP3jHXwt8" target="_blank">video</a>; <a href="http://5dias.net/2012/02/18/porque-marx-estava-certo-1/" target="_blank">cap1</a>; <a href="http://5dias.net/2012/02/20/porque-marx-estava-certo-2/" target="_blank">cap2</a>) e as respostas a dez das mais comuns objecções ao Marxismo, o terceiro capítulo aborda a seguinte crítica: &#8220;<em>O Marxismo é uma forma de determinismo. Vê os homens e mulheres apenas como instrumentos da história, despidos da sua liberdade e individualidade. Marx acreditava em certas leis férreas da história, que funcionariam com força inexorável às quais nenhuma acção humana podia resistir. Como tal a teoria de história de Marx é apenas uma versão secular da Providência ou Destino. É ofensiva à liberdade e dignidade humana, tal como os Estados Marxistas.&#8221;</em></p>
<p>Eagleton começa por constatar que há poucas ideias em Marx que sejam originais. Não o são a ideia de revolução, comunismo, socialismo, partido revolucionário, classe social, alienação, luta de classes, o papel central dado à economia, a sucessão de modos de produção ao longo da história. Original foi a importância dada a certos elementos, o seu enquadramento, o entrelaçar. Marx encarou a sociedade não como um todo único, mas divida em classes, com interesses incompatíveis, e que a luta de classes é fundamental para compreender a dinâmica da História. [<em>Houve um percurso significativo entre a plataforma eleitoral de Obama, de união entre estados vermelhos e azuis – Democratas e Republicanos – e o discurso imposto pelo movimento Occupy do confronto entre os 99% e os 1%.</em>]</p>
<p>Apesar de algumas formulações gerais e mais panfletárias, Marx não pretendia implicar que a luta de classes é o <em>único</em> factor que explica <em>tudo</em> na História. Mas que era fundamental, necessário para entender (1) os grandes traços e trajectórias da História, as instituições sociais e formas de pensamento de um dado período, e (2) as transições entre períodos Históricos. O que sim foi original em Marx, segundo Eagleton, foi a ligação entre as ideias de luta de classe e modo de produção, como teoria e prática para explicar as vagas de fundo das alterações Históricas. [Por modo de produção, Marx entendia a combinação de certas forças de produção (e.g., tecnologia) com certas relações de produção. E a classe social era definida através da relação com os meios de produção.] <span style="line-height: 24px;">Mas é nesta originalidade que surgem problemáticas e pontos de discussão entre Marxistas.</span></p>
<p>Marx vê como tendência histórica o desenvolvimento das forças de produção. (O progresso é uma lei geral da história ou um imperativo específico da dinâmica capitalista?) Quando a classe social dominante se revela incapaz de expandir as forças de produção, i.e., surge uma contradição entre as forças de produção e as relações de produção, inicia-se uma revolução social, e ascende a classe social mais capaz de continuar a desenvolver as forças de produção. Ao longo desta ascensão surgem contradições entre riqueza material e moral (e.g., exploração), mas o progresso social assenta no progresso material (não pode haver felicidade sem pão). Nesse sentido, é significativo que certas relações sociais só podem surgir após certo desenvolvimento das forças de produção.</p>
<p>Por esta razão, Marx antevia revoluções socialistas nos países mais industrializados, como a Inglaterra e a Alemanha. Esses países tinham efectivamente uma classe trabalhadora mais militante e organizada, forças de produção mais desenvolvidas, condições materiais mais susceptíveis de sustentarem uma alteração das relações sociais. Mas as suas classes dominantes tinham também maior desenvolvimento de instrumentos de opressão (físicos, económicos e ideológicos). Paradoxalmente, o socialismo no século XX surge em países nos quais as forças de produção estavam menos desenvolvidas (e.g., Rússia, China, Cuba), o que criou fortes condicionantes ao desenvolvimento político e social nesses processos de construção do socialismo. (Ainda assim, são espantosos os avanços de produção industrial na URSS; a democratização do ensino, saúde e habitação na URSS e Cuba, mesmo após o fim do apoio da URSS e sob um implacável bloqueio).</p>
<p>Segundo Eagleton, a alteração das relações sociais não pode ser simplesmente explicada pela expansão/estagnação das forças produtivas. Cada estado de desenvolvimento das forças produtivas oferece oportunidade para uma variedade de relações sociais, não sendo evidente que exista uma classe social revolucionária desenvolvida capaz de levar adiante o progresso das forças produtivas. A ideia determinista que as forças de produção dão origem inexoravelmente a novas relações sociais encara estas como os agentes da História, em vez serem os seres humanos a criar a sua própria história. Eagleton sugere um leitura diferente de Marx, na qual as relações sociais de produção têm prioridade sobre as forças produtivas. Segundo este prisma, o feudalismo criou as condições para a emergência da burguesia; esta não surgiu fruto do crescimento das forças de produção. As forças de produção desenvolveram-se durante o feudalismo por interesse dessa classe, e durante o capitalismo porque este não sobrevive sem expansão constante.</p>
<p>Embora se possa afirmar que ao longo da história existe conflito entre classes, não transcorre que há determinismo na teoria histórica de Marx, pois cada etapa de modo de produção tem as suas próprias leis de desenvolvimento. Podemos relatar <em>a posteriori</em>  como o capitalismo surgiu das achas do feudalismo, mas nada endógeno ao feudalismo implica que dele emerge o capitalismo (mais uma vez, recorde-se a revolução russa). Não há assim, verdadeiramente, em Marx uma visão linear da história ou uma lei histórica que atravesse todo a sua expansão. A incerteza surge, em parte, da liberdade do sujeito humano.</p>
<p>Eagleton cita a este respeito uma passagem de uma obra pouco referenciada de Marx e Engels. «<a href="http://www.marxists.org/archive/marx/works/1845/holy-family/ch06_2.htm" target="_blank">A Sagrada Família ou A Crítica da Crítica contra Bruno Bauer e consortes</a>» (1844):</p>
<blockquote><p>&#8220;A História não faz nada, não possui imensa riqueza, não trava batalhas. É o homem, o homem vivo real que faz tudo isso, que possui e luta; a &#8216;história&#8217; não é, como tal, uma pessoa à parte, usando o homem como um meio para atingir os seus objectivos, a história é nada senão a actividade do homem procurando alcançar os seus objectivos.&#8221;</p></blockquote>
<p>Qualquer que seja a leitura de Marx em termos do papel atribuído às forças produtivas, Eagleton sublinha, Marx não era um determinista no sentido de negação da liberdade de acção humana. Marx crê na liberdade humana – liberdade que colide com os constrangimentos do momento – e frisa a coragem e consistência como essenciais para a vitória política, e deixa espaço para a influência decisiva do acaso (algo que  colide com a visão de inevitabilidade da vinda do socialismo e o imobilismo que daí pode resultar). Mais que determinismo, Marx sublinha a <em>necessidade</em> histórica, a necessidade de superação da exploração capitalista, pois a alternativa é a barbárie, perspectiva demasiado inquietante para ser sustentável, donde decorre uma esperança de inevitabilidade e o imperativo da luta.</p>
<div style="text-align: left;" dir="ltr"><span style="font-size: small;">[<em>Estes ensaios sobre o livro do Eagleton são leituras críticas. Pretendem sobretudo apresentar as ideias do livro, e intercalam passagens parafraseadas do livro e reflexões minhas sobre o texto. Embora tenha procurado distinguir os dois tipos de passagem, por razões de expediência, tal nem sempre é claro. Peço a vossa compreensão pela ausência de referenciação mais explícita.</em>]</span></div>]]></content:encoded>
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		<title>Não há evidências de programa Iraniana para bomba nuclear</title>
		<link>http://5dias.net/2012/02/25/nao-ha-evidencias-de-programa-iraniana-para-bomba-nuclear/</link>
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		<pubDate>Sat, 25 Feb 2012 22:28:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>
		<category><![CDATA[Imperialismo & Guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Armas Nucleares]]></category>
		<category><![CDATA[irão]]></category>

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		<description><![CDATA[Um artigo publicado hoje no New York Times revela que há consenso entre as 16 agências de inteligência Estadunidenses de que o Irão não tem um programa para construir bomba nuclear. Não há dúvidas entre estas agências e as Europeias e Israelitas de que o Irão está a enriquecer urânio. Mas o próprio Irão não o nega. Afirma claramente que a energia nuclear é central para a sua política energética. O que tem negado é ter intenção de prosseguir um programa de produção de armas nucleares. Um relatório de 2007 das agências Estadunidenses, confirmado pela Estimativa de Inteligência Nacional de 2010, concluiu que em 2003 o Irão abandonou quaisquer planos de produção de armas nucleares.  A CIA e outras agências consideram que o Irão ainda poderá decidir enveredar por um programa de armamento nuclear e alguns analistas consideram que o Irão tem uma estratégia de ambiguidade, aumentando a sua influência mantendo a dúvida sobre as suas intenções. <a href="http://5dias.net/2012/02/25/nao-ha-evidencias-de-programa-iraniana-para-bomba-nuclear/">Ler o resto<span class="meta-nav">_</span></a> <a href="http://5dias.net/2012/02/25/nao-ha-evidencias-de-programa-iraniana-para-bomba-nuclear/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um artigo publicado hoje no <a href="http://www.nytimes.com/2012/02/25/world/middleeast/us-agencies-see-no-move-by-iran-to-build-a-bomb.html" target="_blank">New York Times</a> revela que há consenso entre as 16 agências de inteligência Estadunidenses de que o Irão não tem um programa para construir bomba nuclear. Não há dúvidas entre estas agências e as Europeias e Israelitas de que o Irão está a enriquecer urânio. Mas o próprio Irão não o nega. Afirma claramente que a energia nuclear é central para a sua política energética. O que tem negado é ter intenção de prosseguir um programa de produção de armas nucleares. Um relatório de 2007 das agências Estadunidenses, confirmado pela <a href="http://isis-online.org/uploads/conferences/documents/2010_NIE.pdf" target="_blank">Estimativa de Inteligência Nacional de 2010</a>, concluiu que em 2003 o Irão abandonou quaisquer planos de produção de armas nucleares.  A CIA e outras agências consideram que o Irão ainda poderá decidir enveredar por um programa de armamento nuclear e alguns analistas consideram que o Irão tem uma estratégia de ambiguidade, aumentando a sua influência mantendo a dúvida sobre as suas intenções.</p>
<p><span style="line-height: 24px;">A divergência entre as recentes avaliações das agências de inteligência e a produzida em 2005 deve-se em parte a um critério mais exigente na produção dos relatório de inteligência, no seguimento dos rotundos falhanços sobre a existência de Armas de Destruição Massiva no Iraque. Os analistas têm agora que ter acesso à informação bruta e à identidade das fontes, e é-lhes exigida mais informação sobre a lógica conducente às suas conclusões. </span></p>
<p>A Agência Internacional de Energia Atómica indicou recentemente que o Irão acelerou o seu programa de enriquecimento de urânio. Mas esse processo é necessário também para fins civis. O processo de enriquecimento envolve aumentar a proporção do isótopo U-235 face ao isótopo U-238, o elemento principal extraído das jazigas. Um enriquecimento de 5% é suficiente para o funcionamento de uma central nuclear. Uma ogiva nuclear requer um enriquecimento superior a 90%, e em quantidade (pelo menos 15 kg). Nada indica que o Irão tenha capacidade de tal produção, embora já seja capaz de enriquecimento na ordem dos 20%.</p>
<p>A parada é alta. A ambiguidade não é boa companheira. Há que recordar que em 2005, o Ayatollah Khamenei, Líder Supremo do Irão, emitiu um decreto religioso (fatwa) proibindo a produção e uso de armas nucleares. O Irão tem sido consistente nas suas intenções legítimas de possuir um programa de energia nuclear, e tem dado acesso ao AIEA, mas não perde nada com maior transparência. A AIEA tem de ser mais clara nos seus pronunciamentos sobre a real capacidade do Irão produzir a quantidade necessária de Urânio enriquecido e o capacitar numa ogiva. Israel e o ocidente manda achas na fogueira com a sua espionagem flagrante (recorde-se o avião não pilotado dos EUA que o Irão recuperou), o assassinato de v<span style="line-height: 24px;">ários cientistas nucleares Iranianos, e </span>Israel – único país que possui armas nucleares na região, embora não declaradas –tem ameaçado realizar ataques preventivos na primavera.</p>
<p>&nbsp;</p>]]></content:encoded>
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		<title>Cavalo de Guerra</title>
		<link>http://5dias.net/2012/02/24/cavalo-de-guerra/</link>
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		<pubDate>Fri, 24 Feb 2012 21:46:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>

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		<description><![CDATA[O último filme de Steven Spielberg, War Horse, tem como principal protagonista um cavalo. Faz uso da linha narrativa do personagem que face às contrariedades é capaz de mostrar o seu valor e vencer a condições adversas. Essa personagem é &#8230; <a href="http://5dias.net/2012/02/24/cavalo-de-guerra/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2012/02/war-horse2.jpg"><img class="alignleft  wp-image-78711" title="war-horse2" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2012/02/war-horse2.jpg" alt="" width="173" height="268" /></a>O último filme de Steven Spielberg, <a href="http://www.imdb.com/title/tt1568911/" target="_blank">War Horse</a>, tem como principal protagonista um cavalo. Faz uso da linha narrativa do personagem que face às contrariedades é capaz de mostrar o seu valor e vencer a condições adversas. Essa personagem é a a família pobre inglesa que aposta tudo na compra do cavalo, e consegue demonstrar o seu valor para lavrar um terreno. Mas a personagem é também o cavalo, que vai mudando de dono, ou acompanhante, ao longo do filme. Na tradição de Hollywood, o cavalo, depois de variadas peripécias, tendo como pano de fundo a Primeira Guerra Mundial (WWI), volta milagrosamente ao seu primeiro treinador e companheiro.</p>
<p>Tendo como pano de fundo a WWI, ilustra algo do tragicamente ridículo do início da guerra no seu confronto entre duas eras tecnológicas incompatíveis. A cavalaria era o expoente máximo do assalto terrestre no século XIX, e o cavalo de guerra uma das cobiçadas armas de guerra. O seu anacronismo na WWI é demonstrado numa das primeiras cenas de batalha entre a cavalaria inglesa e um campo alemão preparado com metralhadoras. O cavalo rapidamente deixa a sua função mais nobre para funcionar apenas como animal de carga, para puxar artilharia pesada. Para dar apenas mais um exemplo destes anacronismos: no pré-guerra, enquanto exércitos de outros países adoptavam uniformes castanhos e cinzentos que ofereciam melhor camuflagem, as forças armadas franceses insistiam em preservar o seu uniforme tricolor, um verdadeiro alvo iluminado nos campos de batalha. O filme ilustra também um pouco o horror da guerra das trincheiras, as apocalípticas terras-de-ninguém, e as absurdas incursões de infantaria para fora das trincheiras no vã tentativa de avançar a frente mais uns metros.</p>
<p>No meio desta loucura, houve também momentos de grande humanidade. O filme ilustra estes rasgos quando o cavalo foge para a terra de ninguém, na batalha do Somme, e acaba por ficar imobilizado, envolto em arame farpado. Os soldados ingleses, por um lado, e os alemães, por outro, esquecem-se de todo o cenário de guerra e focam as suas atenções sobre o cavalo, tentando atrair a sua atenção com assobios. A razão da guerra, em si fugaz, é esquecida por todos. Um soldado inglês vai então, sob a fraca cobertura de uma bandeira branca, para a zona de ninguém, tentar libertar o cavalo. Um soldado alemão vem juntar-se a ele, com um corta arames, e juntos, entre conversa de camaradas, conseguem fraternalmente libertar o cavalo. De forma cavalheiresca, determinam com uma moeda ao ar quem leva o cavalo já liberto.</p>
<p>A cena recorda a situação verídica encapsulada no filme <a href="http://www.imdb.com/title/tt0424205/" target="_blank">Joyeux Noël</a>, no qual soldados Franceses, Escoceses e Alemães esquecem os conflitos ditados pelos seus superiores e confraternizam na terra de ninguém a primeira noite de Natal da guerra, cantando juntos, jogando futebol, e partilhando a sua humanidade comum. Trágico foi esses mesmos soldados, meses antes operários, artesãos, e agricultores, se terem deixado levar pelas ondas de nacionalismo em vez das vozes que clamavam pela unidade de todos os trabalhadores e apontavam o imperialismo &#8211; contrário aos seus interesses de classe &#8211; como o verdadeiro motor da guerra.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Porque Marx estava certo &#8211; 2</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Feb 2012 21:01:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>
		<category><![CDATA[Sistema Económico e Financeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Why Marx was right]]></category>

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		<description><![CDATA[Continuando a exploração do livro do filosofo Terry Eagleton (ver video; cap1) e as respostas a dez das mais comuns objecções ao Marxismo, no segundo capítulo aborda a seguinte crítica: &#8220;O Marxismo pode estar muito bem em teoria. Sempre que tem sido &#8230; <a href="http://5dias.net/2012/02/20/porque-marx-estava-certo-2/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-78385" style="line-height: 18px; border-style: initial; border-color: initial;" title="why-marx-was-right" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2012/02/why-marx-was-right.jpg" alt="" width="180" height="247" /></p>
<p>Continuando a exploração do livro do filosofo Terry Eagleton (ver <a href="http://www.youtube.com/watch?v=W5GP3jHXwt8" target="_blank">video</a>; <a href="http://5dias.net/2012/02/18/porque-marx-estava-certo-1/" target="_blank">cap1</a>) e as respostas a dez das mais comuns objecções ao Marxismo, no segundo capítulo aborda a seguinte crítica: &#8220;<em>O Marxismo pode estar muito bem em teoria. Sempre que tem sido posto em prática, porém, o resultado tem sido o terror, tirania e genocídio. O Marxismo pode parecer uma boa ideia para académicos ocidentais que tomam a liberdades e democracia por garantida. Mas para milhões de homens e mulheres, significou fome, vida dura, trabalho forçado, uma economia partida e um estado monstruosamente opressivo. Socialismo significa falta de liberdade; e falta de bens materiais, já que é resultado da abolição dos mercados.&#8221;</em></p>
<p>Parece-me que são comuns 3 linhas de resposta a esta crítica, que surgem também no capítulo de Eagleton:<br />
1. Apontar a violência e exploração no sistema capitalista e nos sistemas que precederam os nos países socialistas (e.g., o czarismo feudal na Rússia, a ditadura em Cuba).<br />
2. Apontar as conquistas dos países socialistas; contextualizar ao nível nacional em que condições se tentou construir o socialismo (é relevante historicamente que o socialismo se tenha vindo a desenvolver em países com um sector industrial fraco, ou seja, que ainda não tinham resolvido a questão da produção); contextualizar ao nível internacional, recordando as ingerências imperialistas; discutir episódios específicos da história dos países socialistas (e.g., a responsabilidade na fome na Ucrânia dos anos 30) ou aspectos dos seus sistemas políticos (e.g., a falta de multi-partidarismo).<br />
3.  Discutir em medida o Marxismo (ou o socialismo) implica inexoravelmente a falta de democracia e liberdade, ou um descalabro económico.</p>
<p>A primeira linha de discussão parece-me francamente pouco útil, enquanto defesa do Marxismo. É útil para apontar os defeitos de outros sistemas e fundamentar o anti-capitalismo e anti-imperialismo. Mas não serve para persuadir, pela positiva, o valor e  necessidade de um sistema socialista.</p>
<p>A segunda linha de argumentação é útil, fundamentalmente, enquanto discussão histórica. Ao abordar o Socialismo em Cuba, criticando uma alegada falta de democracia política, não é irrelevante relembrar os avanços na democracia económica e social, os constantes ataques imperialistas, ou descrever o sistema eleitoral popular nesse país. Ao abordar a construção inicial do socialismo na Rússia, não é irrelevante relembrar a situação económica herdada pelo czarismo, a guerra civil e imperialista lançada contra os sovietes, a urgência de desenvolvimento industrial face à ameaça fascista. Em qualquer dos casos particulares que se queiram discutir, não é irrelevante a generalidade de que a luta de classes persiste e de certa forma intensifica-se após a revolução socialista, com o que isso implica transitoriamente. Dadas as experiências de construção do socialismo, advém uma pergunta pertinente: como melhor lidar com os riscos de transição para o socialismo num país que ainda não tenha alcançado um significativo desenvolvimento produtivo, e que seja alvo de tremendas pressões internacionais?</p>
<p>Mas é a terceira linha de argumentação que me parece mais importante, do ponto de vista ideológico e na perspectiva de se considerar o socialismo como alternativa para qualquer país, no presente. Eagleton lança a questão assim: &#8220;<em>Mesmo que fossemos [construir o socialismo] sob condições afluentes, como poderíamos gerir uma economia moderna sem mercados? A resposta para um número crescente de Marxistas é que não o teríamos de fazer. Os mercados nesta perspectiva continuariam como parte integral da economia socialista. O chamado socialismo de mercado vê um futuro em que os meios de produção são propriedade social, mas existem cooperativas que poderiam competir entre si num mercado.</em>&#8221;</p>
<p>Eagleton aponta que segundo alguns marxistas, o próprio Marx aceitava que o mercado persistiria num período transitório após a revolução socialista. Que até Trotsky apoiava o mercado, embora apenas durante a transição para o socialismo e em combinação com a planificação económica. Pode haver uma economia que não seja nem controlada centralmente nem (des)governada pelas leis do mercado. Onde haja participação democrática dos produtores, consumidores, nos locais de trabalho, nas localidades, tomando decisões sobre a gestão de recursos e as políticas de investimento, discutindo diferentes planos económicos com base nas necessidades sociais e não no lucro privado. Tal discussão é inimaginável no capitalismo, mas tal liberdade pode ser exercida no socialismo.</p>
<p>Esta sim parece-me a questão fundamental. O socialismo, tal como antecipado por Marx, que valorizava a liberdade, é um sistema em aberto, susceptível de ser moldado e construído pela comunidade, em função das suas necessidades. Reunidas as condições, nacionais e internacionais, uma comunidade pode colectivamente libertar-se das condicionantes do interesse privado nos sectores fundamentais da economia e determinar quais os sectores que transitoriamente podem funcionar sob o sistema de mercado. O socialismo não implica, nem Marx antevia, limitações à liberdade, aquém das limitações necessárias de impor às classes que apenas têm como motivação o seu lucro, e não o interesse geral.</p>
<p>Um comentarista, a um post anterior,  perguntava &#8220;quem define as necessidades humanas&#8221;? Pois, a própria comunidade. Há necessidades que são evidentes. Alimentação, cuidados médicos, educação, habitação, emprego, etc. Ou seja, as condições para que todos os indivíduos possam viver em dignidade e desenvolver o seu potencial. A comunidade pode também decidir quantas fábricas de pasta dentífrica é razoável. O socialismo será pois o que a comunidade determinar, tendo nas suas mãos a fermentas para concretizar essa decisão.</p>
<p>O socialismo implica limitações aos interesses privados daqueles que lucram com a exploração da força de trabalho. Não atenta contra a propriedade privada (e.g., posse de casa, bens materiais), mas sim contra a propriedade privada dos meios de produção, em particular de sectores fundamentais da economia. Ou seja, interesses privados que limitam as decisões da comunidade sobre as orientações gerais da economia. Nesse sentido, o Marxismo, o socialismo, não implicam inexoravelmente limitações políticas nem um descalabro económico. Mas coloca o ónus sobre a comunidade sobre como organizar-se. Eu cá prefiro ter o trabalho de participar em discussões sobre a organização económica da minha comunidade, a ter de engolir medidas de austeridade impostas pelos interesses de uma restrita classe social.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Porque Marx estava certo &#8211; 1</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Feb 2012 21:49:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[luta dos trabalhadores]]></category>
		<category><![CDATA[Why Marx was right]]></category>

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		<description><![CDATA[Recomendo a leitura deste livro do filosofo Terry Eagleton (ver video). Pega nas dez mais comuns objecções ao Marxismo – que conduz à tirania política, que reduz tudo à esfera económica, que é determinismo histórico, etc. – e em cada instância demonstra &#8230; <a href="http://5dias.net/2012/02/18/porque-marx-estava-certo-1/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-78385" style="line-height: 18px; border-style: initial; border-color: initial;" title="why-marx-was-right" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2012/02/why-marx-was-right.jpg" alt="" width="180" height="247" /></p>
<p>Recomendo a leitura deste livro do filosofo Terry Eagleton (ver <a href="http://www.youtube.com/watch?v=W5GP3jHXwt8" target="_blank">video</a>). Pega nas dez mais comuns objecções ao Marxismo – que conduz à tirania política, que reduz tudo à esfera económica, que é determinismo histórico, etc. – e em cada instância demonstra como cada ataque é uma travéstia do pensamento de Marx. ~</p>
<p>No primeiro capítulo aborda a seguinte crítica: &#8220;<em>O Marxismo está acabado. Pode ter tido relevância num mundo industrial, mas certamente não tem relevância num mundo crescentemente sem classes, pós-industrial.</em>&#8221;</p>
<p>Eagleton replica que o Marxismo é uma crítica ao capitalismo, a mais rigorosa e extensa alguma vez avançada. Enquanto o capitalismo persistir, a crítica Marxista mantêm-se válida. No mundo ocidental terá havido um decréscimo do peso da classe operária e um crescimento do sector dos serviços. Mas isso foi previsto por Marx. Tal como a intensificação da globalização, da concentração do capital e da sua actuação predatória. Há que não esquecer que Marx tinha uma certa admiração pelo capitalismo, enquanto fase histórica capaz de resolver o problema da produção. Mas explicou também porque este sistema inexoravelmente produzia desigualdades, como era incapaz de levar a a um futuro que não fosse a reprodução ritual do presente. Um presente desigual, banhado de fantasia, fetichismo, mito e idolatria, guerra e exploração, que após uma longa história, se tem demonstrado incapaz de satisfazer as necessidades humanas, e não parece inclinar-se para o fazer num qualquer futuro. O lema &#8220;Socialismo ou barbárie&#8221; é cada vez mais pertinente.</p>]]></content:encoded>
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		<title>2011 Ano de luta e resistência</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Feb 2012 20:48:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>
		<category><![CDATA[luta dos trabalhadores]]></category>

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		<description><![CDATA[Faltam apenas alguns dias para a Manifestação Nacional de dia 11 de Fevereiro. Esta jornada de luta não surge do nada. Vem no seguimento de mais e mais medidas de austeridade, de um discurso político que faz pouco dos Portugueses &#8230; <a href="http://5dias.net/2012/02/07/2011-ano-de-luta-e-resistencia/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_77782" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2012/02/manif20120211_banner.gif"><img class="size-full wp-image-77782" title="manif20120211_banner" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2012/02/manif20120211_banner.gif" alt="" width="600" height="201" /></a><p class="wp-caption-text">Não à exploração, às desigualdades e ao empobrecimento Outra política é possível e necessária</p></div>
<p>Faltam apenas alguns dias para a <a href="http://www.cgtp.pt/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=2415&amp;Itemid=1" target="_blank">Manifestação Nacional de dia 11 de Fevereiro</a>. Esta jornada de luta não surge do nada. Vem no seguimento de mais e mais medidas de austeridade, de um discurso político que faz pouco dos Portugueses e das dificuldades que enfrentam fruto dessas medidas. Mas vem também no seguimento de um ano de 2011 pleno de luta e resistência. Vejam um <a href="http://jangada-de-pedra.blogspot.com/2012/02/ano-de-austeridade-ano-de-luta.html" target="_blank">resumo das lutas de trabalhadores travadas em 2011</a>.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Crise do Capitalismo e a resposta da Esquerda</title>
		<link>http://5dias.net/2012/02/03/crise-do-capitalismo-e-a-resposta-da-esquerda/</link>
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		<pubDate>Fri, 03 Feb 2012 20:50:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>
		<category><![CDATA[luta dos trabalhadores]]></category>
		<category><![CDATA[Sistema Económico e Financeiro]]></category>

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		<description><![CDATA[Dois dos mais velhos media sobre temas económicos (fundados no século XIX), The Economist e o Financial Times, têm vindo a publicar artigos debatendo a Crise do Capitalismo. No seu editorial, o FT defende o papel do Estado como (mero) &#8230; <a href="http://5dias.net/2012/02/03/crise-do-capitalismo-e-a-resposta-da-esquerda/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a style="color: #ff4b33; line-height: 24px;" href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2012/02/cover_ww_4.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-77578" style="border-style: initial; border-color: initial;" title="cover_ww_4" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2012/02/cover_ww_4.jpg" alt="" width="117" height="154" /></a></p>
<p>Dois dos mais velhos media sobre temas económicos (fundados no século XIX), <a href="http://www.economist.com/printedition/2012-01-21">The Economist</a> e o <a href="http://www.ft.com/intl/indepth/capitalism-in-crisis">Financial Times</a>, têm vindo a publicar artigos debatendo a Crise do Capitalismo. No seu editorial, o FT defende o papel do Estado como (mero) regulador do mercado. O TE reconhece o sucesso com que economias em que o Estado tem um peso grande (caso da China &#8211; 80% do valor na bolsa é de companhias estatais; Rússia &#8211; 62%; Brasil &#8211; 38%) têm sido capazes de recuperar da crise financeira, mas tem reservas quanto à capacidade de inovação destes sistemas, guardando para o mercado livre a propriedade de economia criativa.</p>
<p>Embora o FT tenha dado espaço à opinião de representantes do movimento <em>Occupy London</em>, o espectro ideológico posto à consideração é limitado ao canto liberalismo-social democracia. Segundo Francis Fukuyama, conhecido pela sua prematura proclamação do fim da História, num artigo no <a href="http://www.foreignaffairs.com/articles/136782/francis-fukuyama/the-future-of-history">Foreign Affairs</a> (libertei o texto <a href="http://andrelevy.net/temp/Fukuyama.2012.The%20Future%20of%20History.pdf">aqui</a>) acusa a Esquerda de &#8220;anémica&#8221; e de &#8220;falhar no reino das ideias&#8221;, afirmando que a &#8220;ausência de uma contra-narrativa progressista plausível é doentio&#8221; e que é urgente um &#8220;debate intelectual sério&#8221;.</p>
<p>Em parte, a descrição do terreno intelectual como paupérrimo deve-se ao facto de opinar que o Marxismo &#8220;morreu há muitos anos, e que os poucos velhos crentes que ainda existem estão prontos para os lares de idosos&#8221;. A esquerda académica substituiu-o pelo pós-modernismo e multi-culturalismo, e não há ideologia rival plausível à hegemonia da democracia liberal. Como candidatos considera apenas <span style="line-height: 24px;">a teocracia islâmica, que é um beco sem saída, e </span>a China, cujo modelo é de &#8220;governo autoritário com economia de mercado parcial [mista]&#8221; é &#8220;culturalmente específica&#8221; e poderá não ser sustentável.</p>
<p>Reconhecendo as tremendas desigualdades criadas pelo actual sistema hegemónico, Fukuyama espanta-se que os movimentos populistas têm sido sobretudo de direita (como o Tea Party). A ausência de um equivalente à esquerda, segundo o mesmo, deve-se ao facto ninguém à esquerda ter sido capaz de &#8220;articular, primeiro, uma análise coerente do que sucede em sociedades avançadas à medida que mudam economicamente e, segundo, uma agenda realista que tenha qualquer esperança de proteger uma sociedade de classe média&#8221;. Acusa, então, o modelo da social-democracia de exausto, e articula os elementos do uma futura ideologia. Politicamente democrata, protegendo a classe média, mas não podendo limitar-se ao Estado Social, fazendo uso das novas tecnologias no sector dos serviços (?), garantindo uma redistribuição de riqueza e pondo fim ao domínio dos  interesses [privados, monopolistas] na politica. Economicamente &#8220;não pode basear-se numa denúncia do capitalismo como tal, como se o velho socialismo ainda fosse uma alternativa viável&#8221;, mas um capitalismo em que os mercados não seriam um fim em si mesmos, mas &#8220;valorizando o comércio global e o investimento na medida em que contribuem para o florescimento da classe média&#8221;.</p>
<p>Até aqui limitei-me a espelhar a linha de pensamento de Fukuyama, e oferecê-la à consideração e crítica dos leitores interessados. Haveriam muitos pontos por onde pegar para fazer uma crítica à sua análise, começando por recusar a sua descaracterização do Marxismo, seu lugar na História e na actual arena intelectual. Fukuyama claramente não entende o conceito de classe social marxista, que confunde com estrato económico, o que desde logo desvaloriza a sua identificação da &#8220;classe média&#8221; como agente económico. Não entende a análise de propriedade, ao confundir a propriedade privada da &#8220;classe média&#8221; com a propriedade dos meios de produção.</p>
<p>Ao remeter a análise marxista para o caixote do lixo ideológico, fica impedido de a reconhecer como um corpo teórico que soube dar o devido valor ao capitalismo, enquanto fase económica capaz de gerar riqueza, soube analisar os seus mecanismos e prever exactamente o processo de globalização e suas contradições; o processo de crescimento do sector dos serviços (no mundo desenvolvimento) e a transferência do sector produtivo, na economia global, para países em desenvolvimento; o potencial de, em diferentes fases da correlação de forças sociais, haver menores ou maiores desigualdades económicas.</p>
<p>O capitalismo tem já vários séculos de história, mas apesar do aprofundamento de alguns processos (como a mobilidade de mercadorias, incluindo a força de trabalho, e crédito) e o engrandecimento de alguns ciclos (como o crescente peso do sector financeiro), no fundamental não alterou a sua fisiologia. É natural que Fukuyama se sinta frustrado na busca de novas formas dentro das fronteiras do capitalismo, pois recusa-se a pensar fora desse enquadramento.</p>
<p>A sua crítica de que a Esquerda não tem sido capaz de galvanizar largos sectores das sociedades ocidentais em torno de um ideário, de uma agenda, merece, porém, alguma consideração. (Fukuyama não discute os diversos processos na América Latina, desde Cuba, à Venezuela e Brasil.) Haveria que considerar o uso da comunicação social pelo poder económico, homogeneizando e empobrecendo o discurso político; o uso do Estado e seus instrumentos contra forças políticas e sociais lutando por alternativas.</p>
<p>Cabe perguntar: o ideal da justiça social já não move os sectores explorados e oprimidos? Não me parece que esse seja o caso, se até o Fukuyama parece movido por ele. São mesmo precisos novos ideais? O lema, nunca concretizado, da Revolução Francesa (&#8220;<em>Liberté</em>, égalité, <em>fraternité</em>&#8220;) não só me parece ainda válido, como ainda me parece motivador. Não me parece que o que faça falta seja a identificação de novos ideais ou a contratação de um empresa de <em>marketing</em> para relançar os velhos ideais (&#8220;<em>Igualdade, agora com bifidus activos</em>&#8220;). Claro que a Esquerda não perderá nada em usar as novas tecnologias, em fazer uso da criatividade, mas em última instância nada substituiu a comprovada táctica de estar junto das pessoas, conhecer as suas situações e dificuldades, e com elas encontrar formas de as ultrapassar.</p>
<p>Fukuyama parece-me demasiado mesmerizado com o que descreve como a hegemonia da democracia liberal. Não pode haver uma agenda de esquerda plausível e universal. Por alguma razão Marx não deixou um mapa das estradas para o Socialismo. O seu materialismo dialéctico ditava que qualquer processo histórico de superação do Capitalismo iria depender das condições sociais e económicas, subjectivas e objectivas, do país. Existe um arsenal de experiências e soluções que podem ser usadas, e no decorrer do processo de transformação social e político os agentes sociais podem fazer uso desse manancial de forma diversificada e ajustando-o às condições concretas. O Socialismo é um gerúndio.</p>
<p>Existe talvez um factor que limita a mobilização em torno dos &#8220;velhos ideais&#8221; com o espírito não só de resistir, mas de transformar e construir: <em>a confiança de que é possível</em>. Os explorados e oprimidos, as vítimas da desigualdade, os 99%, naturalmente clamam pelos velhos ideais, lutam por eles, sentem que é <em>necessário</em> mudar, mas esse impulso esbarra perante a experiência de manutenção do <em>status quo</em>, de que as forças contra as quais lutam são mais fortes; que se alcançam pequenas vitórias, que se logra por vezes travar medidas ainda mais brutais, mas que a mudança profunda está fora do seu alcance, é para a geração seguinte.</p>
<p>O facto da mudança ser necessária e possível, de sermos agentes não só de resistência mas de transformação, porém, só se conquista e generaliza lutando. Das pequenas às grandes lutas. Ajuda haver exemplos de referência, casos de sucesso. A URSS constituiu um farol de esperança para milhões de pessoas; e o seu colapso foi motivo de desânimo. Cuba é um referencial para muitos dos que constroem novos modelos de sociedade na América Latina. O 25 de Abril ainda constitui um referencial para muitos Portugueses. E em Portugal temos propostas de agenda de transformação. As análises e contribuições para a campanha «<a href="http://www.pcp.pt/apresenta%C3%A7%C3%A3o-da-campanha-nacional-do-pcp-em-defesa-da-produ%C3%A7%C3%A3o-nacional-e-do-aparelho-produtivo">Portugal a Produzir</a>», enquanto propostas concretas, realizáveis, plausíveis, abertas a melhoramento, mereciam maior consideração e discussão mais generalizada. Propostas que nos servem de base como força impulsionadora, primeiro no nosso imaginário e depois no concreto.</p>
<p>&nbsp;</p>]]></content:encoded>
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		<title>Não dou Cavaco</title>
		<link>http://5dias.net/2012/01/21/nao-dou-cavaco/</link>
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		<pubDate>Sat, 21 Jan 2012 11:53:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>

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		<description><![CDATA[As declarações do Presidente da República, Cavaco Silva, de que não ganha o suficiente para pagar as despesas é uma ofensa à maioria dos trabalhadores Portugueses, cujo o salário médio ronda os 800€. Cavaco aufere duas pensões (pelo Branco de &#8230; <a href="http://5dias.net/2012/01/21/nao-dou-cavaco/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As declarações do Presidente da República, Cavaco Silva, de que não ganha o suficiente para pagar as despesas é uma ofensa à maioria dos trabalhadores Portugueses, cujo o salário médio ronda os 800€.<br />
Cavaco aufere duas pensões (pelo Branco de Portugal e como Professor Universitário) que totalizam 140,601€/anuais, ou cerca de 10 mil euros/mensais (a 14 meses). O DN de hoje revela ainda que o PR tem 39 mil euros à ordem, 612 mil euros a prazo, 15 mil em obrigações, 53 mil em poupanças-reforma, e mais de 100 mil acções em várias empresas do PSI20.<br />
Embora Cavaco tenha prescindido do seu vencimento enquanto PR (6523€), muitas das suas despesas são cobertas ao abrigo das suas funções: alimentação, comunicações, deslocações, etc. Cabe perguntar quais as despesas de Cavaco que não podem ser cobertas pelas suas duas pensões?, porque este economistas não consegue gerir o seu orçamento e que confiança transmite quando afirma a sua falha?<br />
A afirmação lembra as do multi-milionário Mitt Romney, candidato às primárias do Partido Republicano, nas suas vãs tentativas de se fazer passar por um cidadão médio, que sofre com as medidas de austeridade.</p>
<p><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2012/01/Mitt-Tax-Bracket1.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-76830" title="Mitt-Tax-Bracket" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2012/01/Mitt-Tax-Bracket1-300x223.jpg" alt="" width="300" height="223" /></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Merkel e o nivelamento pela maior exploração</title>
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		<pubDate>Wed, 18 May 2011 18:06:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biologia Evolutiva]]></category>
		<category><![CDATA[luta dos trabalhadores]]></category>
		<category><![CDATA[Sistema Económico e Financeiro]]></category>

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		<description><![CDATA[A primeiro-ministra Alemã, Angela Merkel, defendeu ontem que a idade de reforma e o número de dias de férias se torne uniforme em todos os países da União Europeia, e que esta uniformização se dê no sentido de convergir com &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/05/18/merkel-e-o-nivelamento-pela-maior-exploracao/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A primeiro-ministra Alemã, <a href="http://pt.euronews.net/2011/05/18/merkel-quer-idade-unica-de-reforma-na-ue/" target="_blank">Angela Merke</a>l, defendeu ontem que a idade de reforma e o número de dias de férias se torne uniforme em todos os países da União Europeia, e que esta uniformização se dê no sentido de convergir com a Alemanha, isto a idade de reforma (máxima) passar para os 65 anos. Na Alemanha ainda se pratica os 65 anos (como em Portugal), mas já se aprovou um processo de passagem gradual, entre 2012 e 2029, para os 67 anos. Quanto ao número de dias de férias, o estado Alemão impõe um mínimo de 20 dias úteis, mas há variação, nomeadamente, fruto de contractos colectivos de trabalho, há sectores/empresas onde pode ultrapassar os 30 dias úteis (em Portugal, a norma são 25 dias úteis).</p>
<p>A proposta já levou a reacções de oposição noutros países da UE e na própria <a href="http://economia.publico.clix.pt/Noticia/oposicao-alema-critica-afirmacoes-de-merkel-sobre-ferias-e-idade-da-reforma-em-portugal_1494763" target="_blank">Alemanha</a>. Em Portugal os líderes da <a href="http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=1855186&amp;utm_source=feedburner&amp;utm_medium=feed&amp;utm_campaign=Feed%3A+DN-Economia+(DN+-+Economia)" target="_blank">CGTP</a> e da <a href="http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=1855058&amp;utm_source=feedburner&amp;utm_medium=feed&amp;utm_campaign=Feed%3A+DN-Economia+(DN+-+Economia)" target="_blank">UGT</a> já manifestaram a sua oposição. Por outro lado, o presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP), <a href="http://economia.publico.pt/Noticia/cip-defende-reducao-de-ferias-para-22-dias_1494758" target="_blank">António Saraiva</a>, opina favoralmente que o período de férias volte aos 22 dias úteis.</p>
<p>Esta uniformização, ou na linguagem eufemística da UE, esta harmonização ignora a diversidade de situações económicas, demográficas, históricas etc de cada país membro da UE; pretende, num só golpe, passar alastrar o alcatrão da exploração e passar um cilindro por cima de conquistas histórias dos trabalhadores; e ilustra mais uma vez o carácter neoliberal desta UE, que destrói as soberanias nacionais. O nivelamento que se propõe é pelo nível mais lesivo para os trabalhadores e vantajoso para o Capital, pelo nível que maior mais-valia extraí dos trabalhadores.</p>
<p>O &#8220;espaço económico europeu&#8221; está longe de ter esbatido fronteiras, está a léguas de ter <em style="color: #444444; font-family: Georgia, 'Bitstream Charter', serif; line-height: 1.5; font-style: italic; border: initial none initial;">harmonizado</em> as condições económicas e sociais entre os países membros. Uniformizar instrumentos económicos, como a idade de reforma ou o período de férias, é ignorar essas diferenças e desrespeitar as autonomias nacionais. Mesmo num quadro reformista (isto de um capitalismo que pode ser &#8220;humanizado&#8221;) ou social-democrata, esta proposta, ao ignorar as diferenças entre países, não tem cabimento. Não faz sentido económico que países com <a href="http://epp.eurostat.ec.europa.eu/statistics_explained/index.php/Youth_in_Europe" target="_blank">perfis demográficos</a> muito distintos (contraste-se a população mais envelhecida de Portugal ou da Itália com a população da Irlanda, já para não incluir os países da Europa de Leste), com sistemas de segurança social distintos (e com distinta &#8220;saúde&#8221;), etc. tenham, por norma, a mesma idade de reforma. A única razão que sustenta esta lógica de igualar, pelo extremo mais desvantajoso para os trabalhadores, é a lógica de maximização do lucro do Capital.</p>
<p>Não surpreende assim que o Pres. da CIP concorde com a diminuição do período de férias &#8220;como forma de diminuir o custo unitário do trabalho e aumentar a competitividade&#8221;. Traduzido por outros termos, como forma de aumentar a exploração e a taxa de lucro do Capital. Mas mesmo num quadro capitalista, a visão de que maior intensificação do trabalho (com horários de trabalho mais prolongados, mais dias e anos de trabalho) se traduzem linearmente numa maior produtividade é errónea. O rendimento de um trabalhar que tem o devido e merecido descanso (durante o dia, semana e ano) é superior na economia moderna (já para nem falar nos benefícios em termos de segurança no trabalho). Ignorar este facto é revelar que persiste a mentalidade de que a competitividade não se alcança fomentando a criatividade dos recursos humanos, mas estrangulando-os, espremendo ao máximo da sua força de trabalho; persiste o quadro de economia que ganha &#8220;competitividade&#8221; não através do conhecimento, inovação e desenvolvimento, mas através do agravamento das condições para os trabalhadores.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Lutas dos Trabalhadores Portugueses em 2011</title>
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		<pubDate>Wed, 04 May 2011 18:29:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>
		<category><![CDATA[luta dos trabalhadores]]></category>

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		<description><![CDATA[Publiquei na Jangada de Pedra uma compilação das lutas nacionais, regionais, sectoriais e de empresas dos trabalhadores Portugueses entre Janeiro e Abril de 2011. Compilações deste tipo, creio, oferecem uma perspectiva da dimensão da combatividade dos trabalhadores, da multiplicidade de &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/05/04/lutas-dos-trabalhadores-portugueses-em-2011/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Publiquei na <a href="http://jangada-de-pedra.blogspot.com/2011/05/em-defesa-dos-direitos-laborais-em-luta.html" target="_blank">Jangada de Pedra</a> uma compilação das lutas nacionais, regionais, sectoriais e de empresas dos trabalhadores Portugueses entre Janeiro e Abril de 2011. Compilações deste tipo, creio, oferecem uma perspectiva da dimensão da combatividade dos trabalhadores, da multiplicidade de lutas, e da transversalidade e do ataque do Capital e da luta de classes. Sobretudo, ajudam a combater a falsa noção de passividade dos trabalhadores Portugueses face aos ataques aos seus direitos.</p>
<p><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2011/05/7_1maio_2011.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-63065" title="7_1maio_2011" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2011/05/7_1maio_2011-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" /></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Trabalhadores de todo o Mundo, uni-vos!</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Apr 2011 22:20:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>
		<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[luta dos trabalhadores]]></category>

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		<description><![CDATA[Vivemos na era da globalização económica neoliberal, de domínio do comércio mundial pelas transnacionais e multinacionais, e de intensificação da especulação financeira desregulada e sem rédeas, que não vê fronteiras nacionais. O casino digital mundial, 24 horas por dia, e &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/04/07/trabalhadores-de-todo-o-mundo-uni-vos/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vivemos na era da globalização económica neoliberal, de domínio do comércio mundial pelas transnacionais e multinacionais, e de intensificação da especulação financeira desregulada e sem rédeas, que não vê fronteiras nacionais. O casino digital mundial, 24 horas por dia, e a procura do lucro rápido, totalmente desligado da necessidade de produção material e satisfação das necessidades sociais, i.e. financiarização da economia, foi um dos elementos estruturais do capitalismo mundial que conduziu à actual crise financeira mundial, acrescida das consequentes crises económicas e sociais. À crise criada pelos mais ricos, os governos têm respondido com apoios aos sectores co-responsáveis pela crise, como os bancos, e medidas de austeridade aplicadas aos trabalhadores: cortes salariais, aumento da idade de reforma, cortes no investimento público nos serviços públicos e funções sociais do Estado (em paralelo com privatizações), intensificação da precariedade, ataques à contratação colectiva, e aumentos das taxas de desemprego.</p>
<p>Face a esta crise com enormes retrocessos civilizacionais, exige-se uma resposta dos trabalhadores e dos povos. Dada o avanço da globalização, mais do que nunca, é necessário que a resposta e a proposta parta de uma coordenação internacional por parte da classe trabalhadora, dos explorados e oprimidos. Mais do que nunca há que gritar o lema &#8220;Proletários de todo o mundo, uni-vos&#8221;. São os trabalhadores e seus sindicatos que serão capazes de lutar pela mudança do sistema económico de forma coordenada ao nível mundial.</p>
<p>Mas há sindicatos e sindicatos. Não serão os sindicatos de prestação de serviços, que alegremente assinam acordos com o patronato aceitando condições e medidas prejudiciais para os trabalhadores que dizem representar. Não serão os sindicatos iludidos com a noção que o sistema económico capitalista pode ser reformado, que se comprometem com os governos e o patronato, e que acham que há que aceitar retrocessos laborais e sociais em troco de &#8230; futuras medias de austeridade.</p>
<p>Terão de ser os sindicatos de classe, que efectivamente defendem as conquistas laborais que custaram décadas a atingir à custa da luta persistente e mesmo da vida de muitos sindicalistas e trabalhadores. Terão de ser os sindicatos que podem afirmar-se como independentes da influência dos interesses do capital, que compreendem que existe um contradição estrutural entre os interesses do capital, dos exploradores, e os interesses dos trabalhadores, dos explorados.</p>
<p>Este preâmbulo vem a propósito do 16º Congresso da Federação Sindical Mundial (FSM), que está a decorrer nos dias 6 a 10 de Abril, em Atenas, Grécia, sob o lema «Unidade de classe e lutas; internacionalismo». Estão presentes mais de 800 delegados sindicais de 105 países dos 5 continentes para eleger novos órgãos e dar continuidade ao fortalecimento desta representante mundial da unidade sindical, sob os princípios da do espírito de classe, do internacionalismo, da Democracia, da Unidade e da Modernidade. Fortalecer a organização para melhor coordenar lutas regionais, sectoriais a nível mundial, a luta pela paz e contra o imperialismo, e lutas coordenadas de todos os trabalhadores do mundo (como nos Dias Internacionais de Acção a 7 de Setembro).</p>
<div id="attachment_60848" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2011/04/2011-04-06-20.27.36.jpg"><img class="size-medium wp-image-60848" title="Sessão de Abertura do 16º Confresso da FSM" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2011/04/2011-04-06-20.27.36-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Sessão de Abertura do 16º Confresso da FSM</p></div>
<p>A FSM, que celebra 66 anos, foi fundada no pós-guerra para construir laços entre sindicatos e trabalhadores dos 4 cantos do mundo, e trabalha junto dos organismos internacionais, como a ONU, UNESCO, FAO, a Organização Internacional de Trabalho (OIT), na defesa dos trabalhadores e seus direitos, e em defesa da paz.  Sofreu retrocessos orgânicos no seguimento da alteração de correlação de forças no final do século passado. Mas desde o 13º Congresso em Damáscus, Síria, em 1994, até o 15º Congresso em Havana, Cuba, em 2005, foram lançados esforços e linhas de acção para não permitir que esta organização mundial plena de história e experiência se dissolva, mas que, pelo contrário, se fosse reforçando, alargando o número de afiliados e amigos, de forma a constituir uma organização sindical mundial de classe, internacionalista, que dê resposta à avalanche neoliberal e constitua uma alernativa às posições comprometidas da OIT, e às posições reformistas da Confederação Europeia Sindical (CES) e a Confederação Sindical Internacional (CSI; fundada em 2006).</p>
<p>Desde o Congresso de Havana (2005) a FSM deu um passo significativo no seu alargamento e fortalecimento orgânico, nas acções de luta. Neste período deu-se a afiliação de 89 organizações mundiais, para um total de 210 organizações sindicais em 120 países, representando 78 milhões de trabalhadores. A FSM está estruturada em Escritórios Regionais e Uniões Internacionais Sindicais (UIS&#8217;s) sectoriais, sendo significativo que neste período foram fundadas 4 novas UIS&#8217;s: no sector Metalúrgico e Minas, sector do Hotelaria &amp; Turismo, sector dos Transportes, e Sector da Banca e Finanças; que se juntam às UIS&#8217;s já existentes nos sectores da Energia; da Agricultura, Alimentação, Comércio, Texteis e Indústrias; da Construção, Madeiras e Indústrias de Materiais de Construção; dos Serviços Públicos; e dos Professores.</p>
<p>Os documentos do Congresso estão disponíveis na <a title="Federação Sindical Mundial" href="http://www.wftucentral.org/" target="_blank">página da FSM</a>, onde também é possível acompanhar os trabalhos do Congresso em directo.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Situação no Mediterrâneo</title>
		<link>http://5dias.net/2011/03/01/situacao-no-mediterraneo/</link>
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		<pubDate>Tue, 01 Mar 2011 20:13:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>
		<category><![CDATA[Imperialismo & Guerra]]></category>

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		<description><![CDATA[Tem sido muito revelador acompanhar a administração e a comunicação social Estadunidense ao longo destas semanas de movimentações populares no norte de África e um pouco por todo o Mundo Árabe. Os comentários e atenção subiram de tom com os &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/03/01/situacao-no-mediterraneo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tem sido muito revelador acompanhar a administração e a comunicação  social Estadunidense ao longo destas semanas de movimentações populares  no norte de África e um pouco por todo o Mundo Árabe. Os comentários e  atenção subiram de tom com os eventos no Egipto. Obama viu-se entre a  espada e a parede, entre apoiar o velho aliado dos EUA (Mubarak) e seu  regime de 30 anos que recebeu biliões de apoio Estadunidense, em  particular para armamento; e aquilo que obviamente era um movimento  popular para derrubar um decrépito ditador. Fartou-se de patinar e  hesitar nas suas afirmações públicas. Mais claro foram os programas  televisivos dos crânios falantes conservadores que só cospem ódio.  Saltaram logo do tema do Mubarak e da legitimidade e cariz popular dos  protestos, para especularem sobre os resultados de umas eleições  democráticas, que na sua perspectiva dariam a vitória a extremistas e  fundamentalistas e portanto conduziriam o processo ao surgimento de uma  nação hostil (aos interesses dos EUA, claro). Comentários que revelavam  um profundo paternalismo para com os Egípcios. Claro que os que  protestavam sabiam muito bem o que queriam, e as sondagens não davam  qualquer indicação de uma vitória eleitoral da Irmandade Islâmica. Vi  algumas entrevistas a manifestantes, por parte de jornalistas dos EUA,  que em resposta a estas especulações respondiam inteligentemente e  apontavam os problemas com a democracia dos EUA.</p>
<p>Ora  neste período, a NATO decide conduzir &#8220;exercícios&#8221; no Mediterrâneo, com  21 navios de 11 países, incluindo um submarino e 2 fragatas  Portuguesas. Exercícios ?! Treinos ?! Não brinquem com as palavras.  Trata-se claramente do posicionamento estratégico de forças militares  para poderem rapidamente intervir a favor dos interesses dos EUA e EU. E  lá está Portugal, com um dos seus novos submarinos, a participar nas  manobras, que vêm demonstrar na prática a estratégia de domínio global  da NATO.</p>
<p>É óbvio que a frota da NATO não está em  formação. E não é neutra. Leiam-se as afirmações de Hillary Clinton,  Secretária de Estado dos EUA, que publicamente considerou &#8220;urgente&#8221; a  retirada de Kadhafi do poder. Até a Itália, aliado de longa data da  Líbia, veio pela voz do seu ministro de política estrangeira, <a href="http://euobserver.com/9/31884">Franco Frattini</a>, apelar à saída de Khadafi, conduzindo a UE a considerar um embargo à Líbia. Esquecido está o período  de graça de Khadafi após o 11 de Setembro, após o qual assistiu no  combate ao Al-Qeda e admitiu ser responsável pelo atentado na Escócia,  abrindo o bolso a compensação monetária.</p>
<p><a href="http://img62.imageshack.us/img62/9883/246829902.jpg"><img src="http://img62.imageshack.us/img62/9883/246829902.jpg" border="0" alt="" width="320" height="300" align="left" /></a>Não sei se a acusação de Kadafi que os protestos são fomentados pelo Al-Qeda. É um <em>modus operandi</em> bastante distinto dos ataques pontuais e sincronizados a que esta  organização nos vem habituando, o que me deixa algumas dúvidas sobre a  legitimidade da acusação. Pode ser simplesmente uma forma de Kadhafi  procurar ganhar o apoio do Ocidente. A ser verdade, seria mais uma  evidência do <em>realpolitik</em> dos EUA, em que um inimigo do inimigo se  transforma num amigo do peito. O certo é que o &#8220;grande bastião da  democracia&#8221;, nascido de uma revolução militar, se sente desconfortável  com a emergência de democracias que podem conduzir à eleição de líderes  hostis aos seus interesses. Sobretudo em países que controlam recursos  de hidrocarbonetos. Veja-se a postura dos EUA face à Venezuela e  Equador. Os eventos no Egipto e na Líbia, sobretudo, já se fazem sentir  no mercado de petróleo com a subida do seu preço. Facto que afecta as  previsões de orçamento num país dependente da importação de energia,  como Portugal.</p>
<p>Seja qual for a fonte e motivação dos  manifestantes e manobras militares na Líbia, trata-se de um processo  interno, não cabendo a intervenção da NATO. Um ataque ou invasão da  Líbia por parte da NATO não é descabido. <a href="http://www.eurasiareview.com/world-news/africa/speculation-us-planning-to-invade-libya-following-repositioning-of-ships-01032011/">David Cameron</a>,  primeiro ministro Britânico, que declarou que medidas militares não  devem ser excluídas e que as forças Britânicas alinhariam na manutenção  de uma zona de restrição área sobre o território soberano da Líbia, de  forma a impedir ataques (ou defesas) aéreas do governo sobre territórios  ocupados pela oposição.</p>
<p>Mesmo no caso dos estrangeiros  (por vezes erroneamente referidos como refugiados) que procuram fugir  aos conflitos, deverá ser as NU a lidar com a sua extracção. No processo  político-militar, no actual contexto, uma intervenção estrangeira só  virá piorar a situação dos interesses dos Líbios. Estes são os que  estão verdadeiramente em causa.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Domínio Financeiro</title>
		<link>http://5dias.net/2011/01/30/dominio-financeiro/</link>
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		<pubDate>Sun, 30 Jan 2011 16:06:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>
		<category><![CDATA[Sistema Económico e Financeiro]]></category>

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		<description><![CDATA[Depois de uma ausência em 2009, em pleno ascensão da crise financeira mundial, os grande bancos voltaram em força para participar no Fórum Económico Mundial em Davos, este ano. Representantes do JP Morgan, UBS, Credit Suisse, Barclays, Lloyd&#8221;s, Nomura, Lazard, &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/01/30/dominio-financeiro/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2011/01/topar.gif"><img class="alignleft size-full wp-image-56007" title="topar" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2011/01/topar.gif" alt="" width="150" height="89" /></a>Depois de uma ausência em 2009, em pleno ascensão da crise financeira mundial, os grande bancos voltaram em força para participar no Fórum Económico Mundial em Davos, este ano. Representantes do JP Morgan, UBS, Credit Suisse, Barclays, Lloyd&#8221;s, Nomura, Lazard, Standard Chartered etc. foram com uma mensagem muito clara para os governantes das principais economias mundiais: <strong>não exagerem nessa conversa da regulação.</strong> Estes tenham introduzido a retórica da regulação financeira nos seus discursos (menos na implementação) e apontado os dedos aos Bancos (e depois oferecido fundos públicos aos bancos), mas a cimeira de Davos torna ainda mais evidente quem é que manda. O Bancos foram claramente ameaçar os governos a não regularem o sector bancário e financeiro, argumentando que sem os bancos não haverá financiamento para investimentos e recuperação da economia.</p>
<p>Citado no <a href="http://jornal.publico.pt/noticia/30-01-2011/bancos-usaram-davos-para-pedir-uma-regulacao-mais-branda-21160028.htm">Público</a> de hoje, as afirmações do presidente do banco italiano Intesa Sanpaolo, Corrado Passera, dá sustento a estas ameaças: “Neste momento, já atingimos um rácio de capital que, para muitos bancos, pode criar um obstáculo ao crescimento futuro”. Isto é «que detêm o capital para haver investimento e recuperação económica são os Bancos, meus senhores, não são os Estados. Os senhores já não têm capital para reanimar as economias; os governos, as empresas e os cidadãos estão em dívida para connosco. Somos nós que somos decisivos». A subjugação da política económica e social dos estados no sector financeiro não política não poderia ser mais clara. (<a href="http://jangada-de-pedra.blogspot.com/2011/01/dominio-financeiro.html" target="_blank">&#8230;</a>)</p>
<p>A comissão oficial do governo federal do EUA para investigar as causas da crise financeira nacional (<em>Financial Crisis Inquiry Commission</em>) emitiu, a semana passada, o seu relatório. Mesmo as conclusões deste painel, que não é propriamente crítico do sistema capitalistas, conclui que a crise não tive teve como causa todo um sistema, em que responsabilidade foi repartida entre os governos neo-liberais que desregularam o sector, os administradores dos bancos e os mega-milionários que navegam as águas da especulação mundial.</p>
<p style="text-align: right;">[O seguinte são traduções de reportagem do programa <a href="http://www.democracynow.org/2011/1/28/headlines">Democracy Now!</a>]</p>
<p>{O presidente da comissão, Phil Angelides, afirmou:</p>
<blockquote><p>“A crise financeira poderia ter sido evitada. (&#8230;) Os capitães das finanças e os fiscalizadores públicos dos nosso sistema financeiro ignoraram alertas e, importante, não questionaram, não procuraram compreender e gerir a evolução dos riscos que num sistema financeiro é tão essencial para o bem-estar no nosso país. Foi uma grande falhanço no alvo, não um tropeção.”</p></blockquote>
<p>A Comissão afirmou que referiu ao Departamento de Justiça e Procurador-Geral potenciais violações da lei por pessoas e corporações. O membro da comissão John Thompson lançou as culpas numa combinação de desregulação e inacção ao nível federal:</p>
<blockquote><p>“[A crise foi] menos culpa de um indivíduo em particular e mais uma responsabilidade sistémica de desregulação e inacção por aqueles que estavam em posição de poder para tomar acção”.</p></blockquote>
<p>Olhando para a frente, o membro da comissão Byron Georgiou alertou que as estruturas principais do sistema financeiro que levou ao colapso continuam em pé:</p>
<blockquote><p>“O nosso sistema financeiro não é hoje, 2011, muito diferente daquele que conduziu à crise em 2007 e 2007. Na verdade, a concentração de bens financeiros nos maiores bancos comerciais e de investimento é maior hoje que na escalada para a crise, fruto da evisceração de certas instituições e consolidações e concentrações de outras em instituições maiores.”}</p></blockquote>
<p>Isto é, estamos piores agora, do que antes da crise. Destas afirmações discordo com sobretudo com a implicação que alguns agentes, bancários, reguladores ou governamentais, não tomaram acção por desleixe. O virar de costas e inacção só pode ser interpretada com cumplicidade e concórdia. (&#8230;) Não há dedos nas mãos e nos pés suficiente para apontar. O que precisa de ser julgado é todo o sistema. O veredicto é culpado. E a sentença deveria ser a sua substituição por um sistema alternativo, em que os bancos e o sector financeiro está ao serviço dos interesses políticos e económicos, e não o inverso. Mas a comissão não foi tão longe.</p>
<p style="text-align: right;"><a href="http://jangada-de-pedra.blogspot.com/2011/01/dominio-financeiro.html" target="_blank">Extracto de texto maior no Jangada de Pedra</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>A divisão do eleitorado do PS</title>
		<link>http://5dias.net/2011/01/29/a-divisao-do-eleitorado-do-ps/</link>
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		<pubDate>Fri, 28 Jan 2011 23:26:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>
		<category><![CDATA[Política Nacional]]></category>

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		<description><![CDATA[Segundo análise do Jornal Sol sobre onde votaram os habituais eleitores no PS, 80% do votantes do PS não votaram Alegre. A maior parte votou ou Cavaco ou Nobre. O autor do artigo, José António Lima, conclui que: Manuel Alegre &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/01/29/a-divisao-do-eleitorado-do-ps/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Segundo análise do Jornal <a href="http://sol.sapo.pt/inicio/Politica/Interior.aspx?content_id=10261" target="_self">Sol</a> sobre onde votaram os habituais eleitores no PS, 80% do votantes do PS não votaram Alegre. A maior parte votou ou Cavaco ou Nobre. O autor do artigo, José António Lima, conclui que:</p>
<blockquote><p>Manuel  Alegre era o candidato oficial do PS, mas a contragosto de muitos  socialistas, que não lhe perdoam a colagem dos últimos anos à esquerda  radical e às teses do Bloco de Esquerda, a rebeldia antipartido do seu  avanço contra Mário Soares em 2006 ou as críticas recorrentes à  governação de Sócrates. (&#8230;) Fernando Nobre era o candidato alternativo de recurso,  capaz de  congregar muitos socialistas descontentes com a escolha de  Alegre e de  representar, nestas presidenciais, um papel semelhante ao do   movimento  cívico  de Alegre nas eleições de 2006.</p></blockquote>
<p>Se JAL está correcto, não é apenas a liderança do PS que está vendida à política de direita, como a sua base eleitoral.</p>
<p>É correcta a análise de JAL que Alegre não era um &#8220;efectivo&#8221; candidato do PS. Mas descrever o seu posicionamento como &#8220;colagem à esquerda radical&#8221; é uma visão muito preconceituosa e redutora. Primeiro porque Alegre nunca assumiu posições claramente anti-capitalistas, quando muito fez críticas reformistas, de um capitalismo reformável, de um capitalismo mais fiscalizado, mais regulado, com maior ênfase social-democrata. Nem o actual BE pode ser caracterizado como &#8220;esquerda radical&#8221;. O próprio apoio do BE a Alegre prova o contrário. O BE é um aglomerado de personalidades viradas para a intervenção institucional. A derrota de Alegre prova que a sua candidatura e suas tentativa de criação de uma &#8220;frente de esquerda&#8221; não convence o eleitorado efectivamente de esquerda. Tal frente nunca será possível se promovida por forças reformistas que há partida excluem a força de esquerda mais enraizada em Portugal, o PCP e movimento sindical de classe.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Cartão de Eleitor</title>
		<link>http://5dias.net/2011/01/23/cartao-de-eleitor/</link>
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		<pubDate>Sun, 23 Jan 2011 14:53:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>

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		<description><![CDATA[Estou no intervalo de serviço numa mesa de voto e aproveito para vir aqui desabafar. Cartão de Eleitor: não há. Já há uns tempos que não são emitidos Cartões de Eleitor. Deixou-se de o fazer devido à transição do antigo &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/01/23/cartao-de-eleitor/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estou no intervalo de serviço numa mesa de voto e aproveito para vir aqui desabafar.</p>
<p>Cartão de Eleitor: não há. Já há uns tempos que não são emitidos Cartões de Eleitor. Deixou-se de o fazer devido à transição do antigo Bilhete de Identidade para o novo cartão <a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2011/01/0.Cartão-Cidadão.web_.alt_.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-55313" title="0.Cartão-Cidadão.web.alt" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2011/01/0.Cartão-Cidadão.web_.alt_-238x300.jpg" alt="Cartão de Cidadão" width="238" height="300" /></a>de identificação mais funcional e completo que prometia substituir um conjunto de outros cartões. Mais um exemplo de <em>Simplex</em>.</p>
<p>Mas as pessoas que estiveram à frente da concepção do novo cartão, são pessoas de visão limitada.</p>
<p>Primeiro, escolheram um nome sem pensar no seu respectivo acrónimo, o que deu logo aso a uma vaga de piadas (não estivéssemos nós num país latino). Para quem não se recorde a primeira versão do nome do novo cartão era Cartão Única, o que embora correspondesse à função que pretendia cumprir, dava origem ao acrónimo CU.</p>
<p>Lá mudaram para Cartão de Cidadão, o que dá um acrónimo sem piada nenhuma. Mas lá tem várias informações e substitui o Bilhete de Identidade, Cartão de Segurança Social, o Cartão de Contribuinte, o Cartão de Saúde. Note-se que os 3 últimos Cartões serviam (ou podiam servir para pagar ao Estado).</p>
<p>Mas as brilhantes cabeças esqueceram-se do Cartão de Eleitor e de colocar no CC (lá está, dava mais graça meter no CU) o número de eleitor. Enfim, um número necessário em dias como hoje, para cumprir um direito e dever constitucional da nossa República Democrática. Resultado centenas (se não milhares) de pessoas a nível nacional têm de ir procurar o seu número de eleitor, e aparecem nas secções de voto com um Post-It com o número. Então o CC não tinha espaço para mais esta informação?!</p>
<p>Isto já para não falar das confusões criadas (ainda) quando as pessoas fazem o seu primeiro CC e vêem o seu número de eleitor alterado, sem serem informadas.</p>]]></content:encoded>
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		<title>O voto é sempre útil</title>
		<link>http://5dias.net/2011/01/21/o-voto-e-sempre-util/</link>
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		<pubDate>Fri, 21 Jan 2011 22:57:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>

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		<description><![CDATA[Não tenho participado na campanha presidencial nem acompanhado os debates e entrevistas com a devida atenção. Mas poderia com esse acompanhamento ter adquirido algum maior conhecimento das plataformas de alguns candidatos menos conhecidos na &#8220;praça&#8221;, mas não sei se teria &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/01/21/o-voto-e-sempre-util/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não tenho participado na campanha presidencial nem acompanhado os debates e entrevistas com a devida atenção. Mas poderia com esse acompanhamento ter adquirido algum maior conhecimento das plataformas de alguns candidatos menos conhecidos na &#8220;praça&#8221;, mas não sei se teria ganho muito com isso. Apesar disso, acho-se relativamente bem informado sobre os perfis políticos dos candidatos, os seus apoios, os seus programas e a suas ideologias (ou falta dela). Aproveito assim as últimas horas do período oficial da campanha para algumas notas:</p>
<ul>
<li> Continuo a apoiar a candidatura do Francisco Lopes, não apenas por ser militante do PCP, mas porque uma comparação honesta o revelar como o único capaz de cumprir e fazer cumprir a Constituição e o que tem uma visão construtiva, positiva para Portugal (por oposição a uma visão baseada no miserabilismo, carestia e misericórdia), de um futuro em que Portugal se torne de novo produtivo, soberano e independente. E por oposição a outros candidatos sem trajectória e programa político claro, ou com bases de apoio contraditórias.</li>
<li>O objectivo principal nesta fase é que Cavaco Silva não ganhe à primeira volta. Isso já constituiria uma derrota para Cavaco. Sobretudo depois de ele, vergonhosamente, ter apelado aos custos económicos para o país de uma segunda volta na actual situação de crise, claramente desprezando a opinião dos Portugueses e o processo democrático, como dizendo, &#8220;vamos é despachar isto&#8221;.</li>
<li>Independentemente do que sondagens mais legítimas ou mais fraudulentas possam indicar, a vitória na primeira volta não é um facto consumado. Na verdade a sua vitória não é um facto consumado e certo. Se ele for à segunda volta, muita reorganização do eleitorado de direita e esquerda pode levar à sua derrota.</li>
<li>Os trabalhadores que andaram em luta ao longo dos últimos anos não devem esquecer os responsáveis pela actual crise pessoal, familiar e nacional, e &#8220;levar a luta ao voto&#8221;. Nesse sentido uma derrota da política de direita é fundamental.</li>
<li>Por estas razões, nesta primeira volta, votem segundo a vossa opinião sobre o melhor candidato para o país, independentemente de contas sobre a primeira ou segunda volta. Havendo segunda, logo haverá lugar para nova reflexão.</li>
</ul>
<p>É nesse sentido que digo que o voto é sempre útil, não é o cálculo político que o torna útil. É intrinsecamente útil ao reflectir a opinião de um eleitor. E é uma oportunidade única para cada eleitor exprimir a sua opinião livremente, e esse direito conquistado em Abril não deve ser esquartejado.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Diversidade da Vida na Terra</title>
		<link>http://5dias.net/2010/12/02/diversidade-da-vida-na-terra/</link>
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		<pubDate>Thu, 02 Dec 2010 19:40:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>

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		<description><![CDATA[Segundo entendi da conferência de imprensa da NASA, foi encontrado no Lago Mono na Califórnia (na Terra, portanto), micro-organismos que não só sobrevivem na ausência de fósforo (P) e presença de arsénio (As) . Mais, o arsénio substitui o P &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/12/02/diversidade-da-vida-na-terra/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption alignleft" style="width: 210px"><img title="Lago Mono" src="http://extras.mnginteractive.com/live/media/site568/2010/1202/20101202__monolake1~1_VIEWER.JPG" alt="Lago Mono" width="200" height="133" /><p class="wp-caption-text">Lago Mono</p></div>
<p>Segundo entendi da conferência de imprensa da <a href="http://www.nasa.gov/" target="_blank">NASA</a>, foi encontrado no Lago Mono na Califórnia (na Terra, portanto), micro-organismos que não só sobrevivem na ausência de fósforo (P) e presença de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ars%C3%A9nio" target="_blank">arsénio (As)</a> . Mais, o arsénio substitui o P na coluna vertebral do DNA.</p>
<p>Isto é de facto incrível e um descoberta relevante. Sem dúvida. Abre as portas sobre possíveis estruturas de DNA e sobre a possibilidade de existência de bio-moléculas e vida, noutros planetas, com condições diferentes (o que uma oradora referiu como ampliar o conceito de condições propícias para o aparecimento de vida, ou habitabilidade), mas não consiste em prova concreta da existência de vida extra-terrestre. Para mim, sobretudo, acrescenta a conceito da diversidade da vida na Terra.</p>
<p>Como biólogo da vida na Terra, a pergunta mais interessante, é saber se isto implica uma segunda raíz da vida, ou uma ramo da árvore da vida conhecida que evoluiu, em condições particulares, para ter uma molécula de DNA diferente? A cientista da NASA, Felisa Wolfe-Simon, terminou a sua apresentação indicou que estas bactérias fazem parte da mesmo, única, árvore da vida na Terra.</p>
<p style="text-align: right;">Post publicado em <a href="http://viveraciencia.wordpress.com/2010/12/02/forma-de-vida-com-forma-diferente-de-dna/" target="_blank">Viver a Ciência</a></p>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>PAZ SIM NATO NÃO ou ANTI-GUERRA ANTI-NATO</title>
		<link>http://5dias.net/2010/11/30/paz-sim-nato-nao-ou-anti-guerra-anti-nato/</link>
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		<pubDate>Tue, 30 Nov 2010 18:17:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>
		<category><![CDATA[Imperialismo & Guerra]]></category>

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		<description><![CDATA[Passado agora mais de uma semana (e passada a Greve Geral) sinto-me compelido a revisitar a Cimeira da NATO e o grande desfile da Campanha nacional «PAZ SIM, NATO NÃO», no dia 20 de Novembro. Penso que foi muito bem &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/11/30/paz-sim-nato-nao-ou-anti-guerra-anti-nato/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Passado agora mais de uma semana (e passada a Greve Geral) sinto-me  compelido a revisitar a Cimeira da NATO e o grande desfile da Campanha  nacional «PAZ SIM, NATO NÃO», no dia 20 de Novembro.</p>
<p>Penso que foi muito bem participado (estima-se 30 mil pessoas), em  particular porque foi antecedido de uma campanha que efectivamente  intimidou muitas pessoas a participar, com receio de actos de  agressividade. Campanha que forçou o <a href="http://cppc.pt/">CPPC</a> e  emitir um comunicado antes do desfile distanciando as suas iniciativas  das de outros grupos, em particular da Plataforma Anti-Guerra Anti-NATO:  <a href="http://antinatoportugal.wordpress.com/">PAGAN</a>. As razões  desse comunicado e o facto de não existir um campanha unificada pode ter  surpreendido algumas pessoas. Daí sentir que tenha de contribuir com o  que me foi dado a entender sobre o processo de preparação nacional de  resposta à Cimeira da NATO. O segundo motivo que me compele a escrever,  depois do evento, é conteúdo do <a href="http://www.no-to-nato.org/wp-content/uploads/evaluating-article-of-the-actions.pdf">comunicado do ICC</a> (o <a href="http://www.no-to-nato.org/">Comité Internacional de Coordenação Anti-Guerra Anti-Nato</a>), a estrutura internacional ligada PAGAN.</p>
<p>Antes de mais algum contexto. Tem-se tornado frequente nas cimeiras da  NATO, do G8 e G20 haver protestos. Os que geralmente recebem mais  atenção mediática são os episódios de choque entre manifestantes e as  forças policiais. Tal é infeliz, porque mascaram muitas vezes acções de  massas, com milhares de participantes de forma ordeira dando expressão à  sua voz anti-imperialista e anti-capitalista, pela paz. Este  enviesamento por parte dos média leva o cidadão desatento a descartar as  mobilizações como sendo compostos por poucos elementos à procura de  conflito, sem informarem sobre acções bem mais representativas da  opinião e forma de protesto.<span id="more-51474"></span></p>
<p>Esta foi desde o início uma preocupação do <a href="http://cppc.pt/">CPPC</a> e das centenas de organizações que vieram a juntar-se à Campanha  nacional «PAZ SIM, NATO NÃO»[PSNN, para abreviar] (movimentos ambientais  e de mulheres, partidos, sindicatos, colectividades, associações de  estudantes, etc). Apesar disso houve um período extenso de abertura à  integração de organizações criando uma ampla frente nacional. [Cabe  diferenciar que o PSNN era uma campanha de organizações, aberta à  participação de indivíduos nas suas iniciativas; enquanto o PAGAN se  caracterizou como uma plataforma de indivíduos.]</p>
<p>Algumas organizações decidiram não se afiliar à PSNN. O caso mais  notório é o do Bloco de Esquerda, que tendo sido convidado a integrar,  foi a uma assembleia de organização e declarou não se afiliar. Tal não  impediu que depois estivesse presente com a sua própria propaganda no  desfile de dia 20, o que creio é demonstrativo do carácter unitário da  PSNN.</p>
<p>A PAGAN desde a sua concepção sempre perfilou realizar múltiplas  iniciativas, incluindo o uso de desobediência civil e resistência  pacífica. Esta forma de protesto tem um historial de prestígio, se  pensarmos na luta pela independência na Índia e pelos direitos cívicos  nos EUA. Embora os nestes casos, os envolvidos não fizessem uso de  violência, o objectivo era o de provocar as forças opressivas. Este tipo  de acção tem a sua validade e sob certos contextos é apropriada, em  particular quando é se torna uma estratégia de massas. Contudo nas  últimas décadas tem sido praticado por grupos que praticando  desobediência civil respondem de forma violenta, quando confrontados com  as forças policiais. Há inúmeros casos de batalhas nas ruas com  arremesso de pedras, cocktails Molotov por parte de pessoas que, tendo  provado as situações de tensão, não podem legitimamente declarar-se  seguidoras dos métodos de Ghandi ou Martin Luther King, Jr. Diga-se que  estes grupos, como o Black Block, pelo seu tipo de estrutura de  organização (ou ausência dela) é particularmente susceptível à  penetração de agentes policiais, que agem como agentes provocadores,  precisamente os que instigam incidentes de violência.</p>
<p>Com respeito pelos elementos do PAGAN que não se revêem neste tipo de  resposta, a verdade é a sua estrutura e a organização internacional a  que está ligada, o ICC, fomentou acções e mobilizou elementos dispostos a  esse tipo de resposta. Felizmente não houve casos de escalonamento de  violência. Mas foi esta diferença em termos de estratégia fundamental e  as diferentes ligações internacionais que impediram a convergência entre  os dois movimentos.</p>
<p>Cabe então distinguir as ligações internacionais da PSNN e da PAGAN. O PSNN, em particular o <a href="http://cppc.pt/">CPPC</a>, membro do <a href="http://www.wpc-in.org/">Conselho Mundial para a Paz</a>,   organização fundada em 1949, isto é com a mesma idade que a própria   NATO, e que desde a sua fundação luta contra a NATO. Estiveram assim  presentes vários representantes de Conselhos da Paz de outros países no  desfile do dia 20, e no encontro que o precedeu no dia 19, na qual  participaram estes representantes e membros das organizações integrantes  da Campanha PSNN. Afirmar que houve resistência à internacionalização  do movimento em Portugal é portanto uma calúnia, sobretudo, como é feito  no comunicado do ICC, ao apontar o PCP &#8211; uma das muitas organizações  membros da PSNN &#8211; como o elemento sectário, a «<em>negligenciar a internacionalização dos protestos contra a NATO!</em>».  A Campanha PSNN era eminentemente nacional, pois era em Portugal que se  realizava a Cimeira, cabendo às forças Portuguesas garantir o grosso do  protesto. Algumas organizações estrangeiras ligadas ao CMP, além de  enviarem representantes, organizaram campanhas nos seus países e tomaram  uma posição conjunto. (Acusar o PCP de negligenciar a  internacionalização dos protestos contra a NATO é sim uma afirmação que  acusa sectarismo. Basta dar o exemplo, da participação anual do PCP nos  protestos na base da NATO em Rota, Espanha.)</p>
<p>O PCP, enquanto organização, juntou-se à Campanha PSNN. E através dos  seus contactos com outros partidos comunistas e progressistas apelou à  participação nos eventos da Campanha. É relevante dizer que o Bloco de  Esquerda participou numa das assembleias da Campanha PSNN, e se negou a  juntar à campanha (embora tenha participado no desfile do dia 20,  organizado por esta campanha). O ICC acusa ainda o PCP pela presença de  bandeiras do PCP no desfile, como se o BE não tivesse levado propaganda  própria bem identificada. Além de que, uma bandeira com a foice e o  martelo é também uma bandeira da paz e internacionalismo entre as  classes trabalhadores.</p>
<p>Enquanto o CMP tem  um longo historial e é reconhecido como ONG pelas   Nações Unidas, o ICC  surgiu em Outubro de 2009. Isto é, a sua natureza   é ainda pouco clara.<br />
Para caracterizar o ICC, e evitar acusações de sectarismos nacionais,  aproveito as palavras mais experientes e com maior perspectiva histórica  do Secretário Executivo do Conselho Mundial da CMP, Iraklis  Tsavdaridis, pronunciadas na contra-cimeira do dia 19 de Nov, em Almada:</p>
<blockquote><p>Notamos e levantámos questões sérias sobre o aparecimento de  chamadas novas forças anti-NATO antes e depois da cimeira de  Estrasburgo. À parte da afirmação pertinente e arrogante dos seus  materiais de se afirmarem como representantes do &#8220;Movimento  Internacional da PAZ&#8221;, com 650 organizações (!), eles abertamente  anunciam ser patrocinados e financiados por um partido político Alemão. A  diversidade multi-cor e multi-propósito da estrutura do ICC, com  membros líderes provenientes do da estrutura do ICC, com membros líderes  provenientes do <a href="http://ipb.org/i/index.html">International Peace Bereau</a>,  uma associação internacional dominada pela social-democracia, provou  estar muito ansiosa por criar confusão entre as organizações amantes da  Paz, especialmente nos países centrais do imperialismo (EUA, GB, França,  Alemanha). A sua intenção óbvia de ofuscar o CMP e interferir com o  Movimento de Paz Português e em dividi-lo, tornou-se mais claro quando  criaram em Portugal a estrutura PAGAN, uma acção claramente marcada pela  sua orientação anti-CPPC e anti-CMP. Fazemos algumas perguntas simples:</p>
<ul>
<li>Estas pessoas reconhecem e confrontam o imperialismo e as suas  estruturas, organismos e objectivos, ou crêem em bom e maus  imperialismos? Já condenaram as políticas militaristas da União Europeia  (EU)?</li>
<li>Consideravam a NATO como um contra-peso contra a URSS e outros  países socialistas, ou não? O seu lema &#8220;60 anos basta&#8221; usado por eles  implica que não falemos nos primeiros 60 anos? (&#8230;)</li>
<li> Qual a foi ou é a sua posição sobre a agressão da NATO na Jugoslávia em 1999 e sobre o protectorado do Kosovo?</li>
<li>Qual é a sua posição sobre o plano do &#8220;Novo Médio Oriente&#8221;  conjuntamente apoiado pelos EUA, EU e NATO? Qual a sua opinião sobre a  ocupação Israelita e genocídio dos Palestinos?</li>
<li>Qual a sua visão sobre Cuba Socialistas e outros países que exigem a  sua determinação independente e livre  sobre os seus destinos?</li>
<li>Quem mais pode organizar uma conferência anual em Washington, como a realizada pelo <a href="http://ipb.org/i/index.html">International Peace Bereau</a> em 2009?</li>
<li>Porque gastam tantos energia e recursos em definir-se como alternativa ao CMP? Qual é o seu receio?</li>
</ul>
<p>Com estas questões apenas queremos sublinhar que no decurso de 60  anos de história, o CMP tem visto muitas &#8220;organizações&#8221; e estruturas em  muitos países e a nível internacional, que desapareceram tal como  apareceram. O seu papel foi sempre de diluir e provocar os esforços  consequentes das forças anti-imperialistas, nomeadamente o CMP. Assim,  não nos surpreende o aparecimento do ICC e o seu braço Português. Também  sabemos que a NATO é capaz de criar as suas próprias &#8220;estruturas  anti-NATO&#8221;, o que não quer dizer que todas as organizações e pessoas  envolvidas nessas estruturas estejam inteiramente integradas dos seus  planos.</p></blockquote>
<p style="text-align: right;">Artigo Publicado no <a href="http://jangada-de-pedra.blogspot.com/2010/11/paz-sim-nato-nao-ou-anti-guerra-anti.html" target="_blank">Jangada de Pedra</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Viva a Greve Geral</title>
		<link>http://5dias.net/2010/11/24/viva-a-greve-geral/</link>
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		<pubDate>Wed, 24 Nov 2010 12:32:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>
		<category><![CDATA[luta dos trabalhadores]]></category>

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		<description><![CDATA[Acabo de acompanhar o Fórum da Antena Um e fiquei chocado com a quantidade de pessoas a criticarem a greve, o sector da Função Pública, os sindicatos, acusando-se de preguiçosos, de prejudicarem o país, até houve uma aluna a queixar-se &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/11/24/viva-a-greve-geral/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acabo de acompanhar o Fórum da Antena Um e fiquei chocado com a quantidade de pessoas a criticarem a greve, o sector da Função Pública, os sindicatos, acusando-se de preguiçosos, de prejudicarem o país, até houve uma aluna a queixar-se de que assim não tem aulas e fica prejudicada para os exames;  a concluírem que da greve nada resultará. Felizmente houve uns intervenientes a chamarem a atenção que estas pessoas têm um noção subdesenvolvido de cidadania e se esqueceram como eram as coisas durante o Fascismo.</p>
<p>Não é possível fazer o contraponto de todas as opiniões (a que têm direito, embora erradas no meu ponto de vista) destes ouvintes críticos da Greve, mas sublinhava alguns pontos:</p>
<ul>
<li>Muitos dos trabalhadores que estão em greve não estão em casa na cama, mas andam (alguns desde a madrugada) activamente participando em piquetes de greve. Além disso, perdem um dia de salário.</li>
<li>Gostaria de perguntar a estas pessoas que acham que a greve prejudica a produtividade do país, o que acham do Governo ter dado tolerância de ponto na passada 6a feira, devido à Cimeira da NATO, para a qual gastou (estima-se) 10 milhões de euros, incluindo a compra de carros armados, que na sua maioria não chegaram a tempo da cimeira.</li>
<li>Se a greve implica um dia de paragem de produtividade, é porque os trabalhadores estão convencidos que as políticas do governo não vão inverter a espiral de improdutividade em que país está metido. Não há de ser o dia da greve o maior contributo para essa espiral. Os grevistas estão a defender não só as suas condições laborais pessoais (ou corporativas, como às vezes se diz agora), mas o sistema económico do país.</li>
<li>Recordo que esta é primeira Greve Geral há muitos anos que tem o apoio da CGTP-IN e da UGT, isto é, reflecte uma opinião política sindical de largo espectro, incluindo membros do partido do governo</li>
<li>Naturalmente que há pessoas que se sentem prejudicadas por não poderem levar a sua vida normal devido à greve. Sugiro-lhe que em vez de fazerem birra, aproveitem o dia para ler porque os trabalhadores estão a fazer greve.</li>
<li>A greve geral está a sentir-se de forma mais pronunciada no sector público que privado. O motivo não é apenas o facto do sector público ser o mais atingido pelas medidas do governo, mas também devido ao clima de medo e intimidação real que os trabalhadores no sector privado sentem, sobretudo os que estão em condições de grande precariedade.</li>
<li>A Greve Geral é um passo num processo da luta de classes, um momento de demonstração da força dos trabalhadores; não implica o abandono da concertação social; pelo seu sucesso, implica que agora os sindicatos irão à mesa de discussão fortalecidos por esta forte demonstração da sua força.</li>
</ul>
<p>Por fim, tudo indica que a adesão à Greve Geral está a ser muito positiva. Outros momentos de luta, sectorial e local, seguirão. Este pode ser um momento de inflexão, em que a classe trabalhadora passa da resistência às políticas de direita para uma fase de intervenção construtiva, na qual as suas propostas são tidas seriamente pelo governo, para uma fase ofensiva, na qual assume um papel activo na ruptura com a política de direita. Para tal, é importante que os trabalhadores sintam nesta Greve o seu poder enquanto classe social, sintam que unidos representam a maior força social no país, o sector efectivamente produtivo que é capaz de dar a volta a Portugal e garantir-lhe um futuro.</p>]]></content:encoded>
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		<title>O valor do voto e a 2ª volta</title>
		<link>http://5dias.net/2010/10/04/o-valor-do-voto-e-a-2%c2%aa-volta/</link>
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		<pubDate>Mon, 04 Oct 2010 13:26:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>
		<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Presidenciais 2011]]></category>

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		<description><![CDATA[Tudo indica que haverá segunda volta nas eleições presidenciais no Brasil. Na comunicação social portuguesa (e certamente no resto do mundo) surgem afirmações que culpam o candidato em 3º lugar pela segunda volta. No Público, no texto da responsabilidade de &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/10/04/o-valor-do-voto-e-a-2%c2%aa-volta/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft" style="margin: 5px;" title="voto" src="http://archive.perfectduluthday.com/BadCat/vote.jpg" alt="" width="206" height="259" /> Tudo indica que haverá segunda volta nas eleições presidenciais no Brasil. Na comunicação social portuguesa (e certamente no resto do mundo) surgem afirmações que culpam o candidato em 3º lugar pela segunda volta.</p>
<p>No Público, no texto da responsabilidade de Alexandra Lucas Coelho, a ideia surge repetidas vezes e em destaque: &#8220;Dilma e Serra na segunda volta, por causa de Marina&#8221;, &#8220;Marina rouba votos a Dilma&#8221;, &#8220;Foi devido à votação de Marina que Dilma não consegue ser eleita presidente do Brasil&#8221;.</p>
<p>Este tipo de linguagem é típico de uma concepção eleitoral bipolar ou onde só os candidatos viáveis à primeira são legítimos. Os outros fiquem em 3º ou 30º lugar &#8220;roubam votos&#8221; aos restantes. Isto é não só uma visão distorcida do processo eleitoral como uma ofensa aos eleitores. Este tipo de linguagem, e os cálculos que implicam, encontram-se presentes já durante as campanhas eleitorais e promovem a bipolarização. Como tal, condicionam o eleitor: «se este quiser votar num vencedor terá que votar em X ou Y; se este não quiser estragar as possibilidades de X ganhar à 1ª volta, ou ganhar de todo, não deve &#8220;gastar&#8221; o seu voto em Z». É toda uma mentalidade que impele o eleitor a optar pelo cálculo político em vez de exercer livremente o seu voto no candidato que acha melhor para o cargo. Desvaloriza o voto individual, incentivando o eleitor a convergir no &#8220;melhor do possível&#8221; dadas as sondagens, projecções, ou especulações dos comentadores.</p>
<p>O eleitor deve comparar os candidatos e avaliá-los pelos seus méritos individuais, seus programas, sua base de suporte; e não em função das previsões sobre que candidatura tem melhores capacidades de vitória. Promover esse tipo de comportamento é um atentado ao funcionamento da democracia, pois distorce a conversão da vontade popular em votos. O resultado da votação deve corresponder à opinião popular sobre os candidatos, e não o seu enviesamento em função de jogos de casino eleitorais. Colocar o boletim de voto na urna não deve ser o mesmo que escolher cara ou coroa, e deixar que outros atirem a moeda ao ar.</p>
<p>A lógica bipolar é tão pervertida que na sua linguagem revela a premissa que os eleitores se repartem por (em geral) dois candidatos (ou partidos) viáveis. Só isso explica expressões como &#8220;Z rouba votos a X&#8221;. Os votos não eram de X. Nem de Z. Cada voto era do eleitor. Ele até pode votar em branco, anular o boletim, ou não ir votar (infelizmente uma ocorrência cada vez mais comum). A abstenção é aliás algo que muito claramente ilustra a vacuidade da lógica bipolar. Se um 3º candidato chamar mais eleitores a votar, o seu eleitorado próprio, a votação no candidato X não é afectada. Mas mesmo se potenciais eleitores em X votarem em Z, é seu direito, e tais deslocações ocorrem por mérito de Z e falha de X, de modo que acusações a posteriori de roubo são indevidas.</p>
<p>Assisti a este tipo de perversão relativamente à candidatura de Ralph Nader na eleição presidencial de 2000 (a que levou à condução de Bush à Casa Branca com 5 votos contra 4, mas isso é outra questão), sendo que em jogo estava não só a corrida ao vencedor das eleições, pois nestas eleições em concreto Nader tinha reais possibilidades de chegar aos 5% do voto nacional, o que permitiria ao Partido Verde ganhar subsídio federal, e colorir um pouco mais o axadrezado panorama eleitoral. (&#8230;)</p>
<p>Tudo isto é particularmente relevante para a nossa reflexão, pois estamos em pré-campanha presidencial em Portugal, com dois candidatos do &#8220;centrão&#8221; e &#8230; os outros. Sendo que entre os outros está o candidato que eu considero ser o que melhores condições oferece para fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa: Francisco Lopes. É certo como a morte que haverá quem queira dissuadir eleitores a votarem em Francisco Lopes, com a &#8220;ameaça&#8221; de que tal voto arrisca que Cavaco seja eleito logo à primeira volta. Como se um eleitor decidido a votar em Francisco Lopes pudesse contemplar um voto em Manuel Alegre como uma alternativa equivalente ou aproximada, em vez de opções qualitativamente distintas.</p>
<p style="text-align: right;">Extracto de texto publicado no <a href="http://jangada-de-pedra.blogspot.com/2010/10/o-valor-do-voto-e-2a-volta.html" target="_blank">Jangada de Pedra</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Cumprir a Constituição, dizer não à NATO</title>
		<link>http://5dias.net/2010/09/20/cumprir-a-constituicao-dizer-nao-a-nato/</link>
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		<pubDate>Mon, 20 Sep 2010 04:37:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Presidenciais 2011]]></category>

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		<description><![CDATA[O Bruno Peixe fez uma excelente análise do panorama colocado a um eleitor de esquerda perante o actual leque de candidatos. Efectivamente a trajectória de Manuel Alegre desde de antes da última corrida presidencial tem sido a de tentativa de &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/09/20/cumprir-a-constituicao-dizer-nao-a-nato/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O <a href="http://5dias.net/2010/09/19/de-um-tom-patriotico-recentemente-adoptado-a-esquerda/" target="_blank">Bruno Peixe</a> fez uma excelente análise do panorama colocado a um eleitor de esquerda perante o actual leque de candidatos. Efectivamente a trajectória de Manuel Alegre desde de antes da última corrida presidencial tem sido a de tentativa de equilibrismo – e o homem tem alguma envergadura física para essas andanças, e vai-lhe faltando o olfacto político. A sua tentativa de criar um espaço de convergência de esquerda esteve condenado à partida por antipatia natural com uma secção inultrapassável da esquerda. Mas procurou manter um discurso anti-sistema que lhe permitiu a aproximação ao Bloco de Esquerda, aos Renovadores e alguns independentes, embora depois nas várias horas de verdade, enquanto parlamentar, não leva-se o discurso até ao voto na Assembleia.</p>
<p>No decurso desta campanha, defraudou completamente o espaço de convergência de parte da esquerda ao aceitar (e agradecer) o apoio oficial do PS. A sua base de apoio é assim uma salada mista, temperada apenas com vinagre. O período de campanha será um teste à capacidade de coesão da sua actual base de apoio. Quais as linhas unificadoras entre forças que estão no governo e na oposição? É a plataforma do candidato viável para bater Cavaco? Parece uma base muito pobre no reino das ideias e princípios.</p>
<p>Não pretendo neste texto defender a minha opção pelo apoio na candidatura de Francisco Lopes (mas queria deixar isso claro). Pretendia antes lançar uma das possíveis perguntas aos que se afirmando de esquerda pretendem apoiar Alegre, recordando que ao eleger o próximo PR estarão também a eleger o Chefe Supremo das Forças Armadas Portuguesas. Quem vencer as eleições presidenciais prestará o juramento de cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portugues, incluindo o Art 7  onde se “preconiza a abolição do imperialismo (&#8230;) [e] a dissolução  dos blocos político-militares”.</p>
<p>Qual a postura de Alegre face à NATO, a Agência de Defesa Europeia, os milhões de euros gastos em despesas militares na Europa e o envio de tropas portuguesas para cenários de defesa de interesses das grandes potências da Europa e dos EUA? Converge com os partidos, militantes e membros da esquerda que irão protestar a Cimeira da NATO em Novembro e gritar &#8220;Paz Sim, Nato Não&#8221;, entre outros eventos no desfile do dia 20 de Novembro, na Av. da Liberdade de Lisboa? Ou converge com o seu Partido de sempre e com José Sócrates que irá com pompa, circunstância e subserviência receber os chefes de estado que vem participar na cimeira e aprovar uma nova estratégia da NATO que se auto-legitimará para intervir em qualquer parte do mundo para defender os seus interesses (quaisquer que eles sejam, segurança, migrações, energia, ambiente, comida, etc)?</p>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Rescaldo da 1ª Sessão Legislativa da IX Legislatura</title>
		<link>http://5dias.net/2010/07/29/rescaldo-da-1%c2%aa-sessao-legislativa-da-ix-legislatura/</link>
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		<pubDate>Thu, 29 Jul 2010 20:52:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>
		<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[As estatísticas referentes à primeira sessão legislativa da IX Legislatura indicam ter sido a mais produtiva, nos últimos 19 anos, em termos de iniciativas legislativas, com um total de 785 iniciativas parlamentares. (ver) A encabeçar o número de projectos de &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/07/29/rescaldo-da-1%c2%aa-sessao-legislativa-da-ix-legislatura/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As estatísticas referentes à primeira sessão legislativa da IX Legislatura indicam ter sido a mais produtiva, nos últimos 19 anos, em termos de iniciativas legislativas<span id="ctl00_bcr_ThisContent"><span style="font-size: x-small;">, <span style="font-size: small;">com um total de 785 iniciativas parlamentares.</span> (<a href="http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=1627800">ver</a>)</span></span></p>
<p><span id="ctl00_bcr_ThisContent">A encabeçar o número de projectos de lei entregues está o Bloco de Esquerda (125) seguido do PCP (103). Passado o filtro das votações na Assembleia da República e o veto Presidencial, o CDS-PP deu origem a mais leis (7). Interpreto este último número como indicação de como pende o &#8220;centro&#8221; da AR, e não como fruto da maior virtude das propostas do CDS-PP. É de assinalar que o PS, partido do Governo, apenas apresentou 20, o que é uma indicação importante de como o PS encara o papel <em>legislativo</em> do seu Grupo Parlamentar versus o papel <em>executivo</em> do Governo. </span><span id="ctl00_bcr_ThisContent">(<a href="http://www.parlamento.pt/ActividadeParlamentar/Documents/Estatisticas_Actividade_Parlamentar_XILeg/ActividadeLegislativa_XI_1_vf.pdf">Relatório da AR</a>)</span></p>
<p><span id="ctl00_bcr_ThisContent">Mas se incluirmos todo o tipo de iniciativa legislativa, </span> i.e., <span id="ctl00_bcr_ThisContent"> </span><span id="ctl00_bcr_ThisContent">propostas de lei e propostas de resolução, </span><span id="ctl00_bcr_ThisContent">apreciações e inquéritos  parlamentares, projectos de deliberação, de lei, de regimento e de  resolução, o <strong style="color: red;">PCP destaca-se pela sua produtividade (204 iniciativas</strong>) face a 144 do PS e 103 do BE. [<em>Como entretanto notado nos comentários há uma discrepância entre os dados da comunicação social e os do relatório que não sei explicar: o BE é noticiado como tendo feito 103 iniciativas parlamentares, figura mais abrangente, mas no relatório da AR, só em projectos de lei, o BE figura como tendo entregue 124 projectos de Lei. Agradecem-se esclarecimentos, ou o mais trabalhoso, uma análise do somatório das várias tabelas do relatório estatístico.</em>]</span></p>
<p><span id="ctl00_bcr_ThisContent">Estes números são ainda mais significativos se tivermos em conta o número de deputados em cada Grupo Parlamentar (GP):  PS (97), PSD (81), CDS-PP (21), BE (16), </span><span id="ctl00_bcr_ThisContent">PCP (13),</span><span id="ctl00_bcr_ThisContent"> e PEV (2). Fazendo umas contas, que admito toscas, então o número de iniciativas parlamentares por deputado foram: PCP: 15.7; PS: 1.5; BE: 6.4.</span></p>
<p><span id="ctl00_bcr_ThisContent"> </span><span id="ctl00_bcr_ThisContent">Se aplicar-mos o mesmo tipo de contas por deputado às </span><span id="ctl00_bcr_ThisContent"> </span><span id="ctl00_bcr_ThisContent">propostas de lei e propostas de resolução, o PCP volta a destacar-se: PCP: 7.9; BE: 7.8.</span></p>
<p><span id="ctl00_bcr_ThisContent">Não presumo extrapolar destes números lugares num pódio parlamentar. Nenhum dos GPs certamente encara a apresentação de iniciativas como uma corrida olímpica, para ver quem ganha. Aliás acho muito positivo que a avassaladora parte das iniciativas parlamentares tenham vindo das bancadas à esquerda do PS. Sublinha o triste papel do PSD na AR, cujo GP deve passar mais tempo a preparar discursos e bitates do que a legislar. Não indica grande protagonismo ou preparação para assumir o Governo.<br />
</span></p>
<p><span id="ctl00_bcr_ThisContent">Mas permitam-me extrair algumas conclusões que deviam calar certas vozes sobre o PCP:</span></p>
<ul>
<li><span id="ctl00_bcr_ThisContent"><strong>O PCP tem posições e propostas alternativa</strong>s, trabalhando duramente na frente institucional, em particular na AR, para as apresentar ao plenário e ao país.</span></li>
<li><span id="ctl00_bcr_ThisContent">Sendo as iniciativas parlamentares fruto de um contacto e auscultação dos diversos sectores do país, é<strong> inegável a profunda ligação que o PCP mantém com os Portugueses</strong>, não só através das audições e visitas dos deputados, mas também (e sobretudo) através das ligações de toda o colectivo partidário em ligação com o GP.</span></li>
<li><span id="ctl00_bcr_ThisContent">Sobre este ponto ainda um sublinhado, o PCP assumindo como principal frente de trabalho a actividade junto aos trabalhadores e às populações, nos seus locais de trabalho e habitação, e o estimulo a uma democracia participativa quotidiana, não só investe igualmente na frente de trabalho institucional na AR, como fruto desse trabalho atinge níveis elevados de produtividade, resultado este que decorre directamente da ligação aos trabalhadores e populações.</span></li>
<li><span id="ctl00_bcr_ThisContent">Sendo muitas destas iniciativas parlamentares acompanhadas de comunicados ou conferências de imprensa, é avassalador o silenciamento da actividade do PCP por parte dos meios de comunicação social.</span></li>
</ul>
<p style="text-align: right;">[Republicação de texto no <a href="http://jangada-de-pedra.blogspot.com/2010/07/o-grupo-parlamentar-mais-produtivo-na.html">Jangada de Pedra</a>]</p>]]></content:encoded>
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		<title>A Constituição precisa de ser implementada, não revista</title>
		<link>http://5dias.net/2010/07/28/revisao-constitucional/</link>
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		<pubDate>Wed, 28 Jul 2010 20:51:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>

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		<description><![CDATA[[Extracto da Jangada de Pedra] Também não tive oportunidade de ler o ante-projecto do PSD. Mas há questão que veio a lume que merece séria atenção: a proposta de retirar o termo &#8220;justa causa&#8221; por «razão atendível» no que respeita &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/07/28/revisao-constitucional/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>[Extracto da <a href="http://jangada-de-pedra.blogspot.com/2010/07/e-preciso-e-cumprir-constituicao-nao.html">Jangada de Pedra</a>] Também não tive oportunidade de ler o ante-projecto do PSD. Mas há questão que veio a lume que merece séria atenção: a  proposta de retirar o termo &#8220;justa causa&#8221; por «razão atendível» no que  respeita à proibição dos despedimentos. Ora, embora não tenha qualquer  formação em Direito, parece-me um princípio de bom-senso jurídico que  alterações sejam no sentido de clarificar a legislação, não de torná-la  mais ambígua, sobretudo no texto fundamental como é a Constituição da República Portuguesa (CRP).</p>
<p>O termo &#8220;justa causa&#8221; está juridicamente bem definido. Até o ex-ministro  Bagão Félix considerou a substituição da expressão totalmente  &#8220;desadequado&#8221;. Já Paulo Portas afirmou que “É preciso ajudar o PSD a  rectificar o tiro na revisão constitucional”, considerando que “em tempo  de crise não é  justo falar em liberalizar o despedimento”, mas sim  “flexibilizar a  contratação” <a href="http://www.blogger.com/goog_1286681860">(ver</a>).  Não é preciso brincar com as palavras. A introdução de um termo mais  ambíguo dá mãos largas ao Capital, que aplaude a proposta do PSD, para  retirar direitos e defesas aos trabalhadores. Se já assim, um  trabalhador tem de esperar anos até que o Tribunal de Trabalho lhe dê  razão e ordene uma indemnização, o que será com um termo ambíguo como  &#8220;razão atendível&#8221;.</p>
<p>Outros dois pontos dizem respeito à substituição da expressão  &#8220;tendencialmente gratuito&#8221; dos artigos referentes à Educação e à Saúde,  pela frase &#8220;Não podendo, em caso algum, o acesso ser recusado por  insuficiência de meios económicos.&#8221; Como passa esse acesso a ser aceite é  algo que fica em aberto: mais ambiguidade. Há uma aferição (por quem?)  dos meios económicos, e o aluno ou doente é aceite sem ter que pagar, ou  paga uma taxa reduzida, ou é-lhe facultado um empréstimo?</p>
<p>Recorde-se que a expressão &#8220;tendencialmente gratuito&#8221; já resulta de uma  revisão anterior, pois a CRP originalmente determinada que a Educação e  Ensino deveria ser &#8220;progressivamente gratuito&#8221;. A diferença é subtil  mais importante (obg amigo anónimo): <em>progressivamente</em> implica que cada alteração é no sentido de maior gratuitidade, <em>tendencialmente</em> implica que pode haver oscilações (subidas e descidas), mas que a <em>tendência</em> a médio-longo prazo deve ser no sentido de gratuitidade. Mas num  sistema político com mandatos de 4-5 anos, quem garante essa tendência.  Um governo pode aprovar sucessivas subidas, alegado que serão  compensados num futuro (próximo, longínquo?).Veja-se o caso concreto que  esta alteração de palavra permitiu nas propinas do Ensino Superior.  Desde de que o acesso ao Ensino Superior Público passou a ser  &#8220;tendencialmente gratuito&#8221;, alguém se recorda de uma diminuição do valor  das propinas, que corrija os aumentos aprovados por governos rosas e  laranjas?  Pelo contrário, como os estudantes anteviam, estas têm <em>tendencialmente</em> aumentado, e os Orçamentos Universitários têm <em>tendencialmente </em>diminuído,  passando as propinas a assumir um cada vez maior peso no Orçamento  (questão agravada agora com as propinas de 2º e 3º ciclo).</p>
<p>Chegar ao ponto de retirar, sob qualquer forma, a palavra &#8220;gratuito&#8221; é  admitir que o Estado deixa de ter como objectivo constitucional tornar o  Ensino e Saúde como Sistemas a que categoricamente podem ter acesso  quaisquer cidadão. É substituir a noção de um Estado que garante  determinadas funções sociais por um sistema de caridade de aplicação  ambígua. <strong>A CRP precisa de ser implementada, não precisa de revisões.</strong></p>]]></content:encoded>
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		<title>Levantado do chão Ou a história da epopeia do operariado agrícola Alentejano contada ao mundo</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Jul 2010 14:26:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>
		<category><![CDATA[luta dos trabalhadores]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura]]></category>
		<category><![CDATA[Reforma Agrária]]></category>
		<category><![CDATA[Saramago]]></category>

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		<description><![CDATA[Mais uma vez trago-vos um texto de João Aguiar, desta vez apenas parte. A totalidade do texto está disponível em odiario.info. «Eu sou um trabalhador Eu sou um trabalhador rural Que semeia e colhe o pão Sustento de Portugal Sustento &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/07/26/levantado-do-chao-ou-a-historia-da-epopeia-do-operariado-agricola-alentejano-contada-ao-mundo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mais uma vez trago-vos um texto de João Aguiar, desta vez apenas parte. A totalidade do texto está disponível em <a href="http://www.odiario.info/?p=1664">odiario.info</a>.</p>
<p><em>«Eu sou um trabalhador<br />
Eu sou um trabalhador rural<br />
Que semeia e colhe o pão<br />
Sustento de Portugal</em></p>
<p style="text-align: left;"><em>Sustento de Portugal<br />
Que trabalhador sou eu<br />
Que semeia e colhe o pão<br />
Mas esse pão nunca foi meu</em></p>
<p style="text-align: left;"><em>Eu sou um trabalhador<br />
Que o trabalho sempre honrou<br />
Mas que em paga apenas come</em><em><br />
O pão que o diabo amassou.<br />
</em><strong> </strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Poema de Vicente Rodrigues (1910-1982)</strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong><br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify;">José Saramago, Prémio Nobel da Literatura em 1998 e recentemente falecido, escreveu e publicou o essencial da sua obra nos 20 anos anteriores à conquista desse prémio. O primeiro dos romances em que se revela o seu estilo próprio de escrita é precisamente Levantado do Chão. Publicado em 1980, representa para o autor «o último romance do Neo-Realismo, fora já do tempo neo-realista» (Reis, 1998, p.118). De facto, não sendo estritamente um romance neo-realista, Levantado do Chão pode ser visto como um entroncamento para onde confluiu toda uma forma de fazer literatura em Portugal no século XX.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesta obra de ficção Saramago aborda, por um lado, a história da vida e morte do latifúndio, com efeito, desde a Idade Média até finais dos anos 70 e, por outro lado, num espaço histórico mais curto, a saga da família Mau-Tempo «que, em três gerações (Domingos Mau-Tempo, seu filho João e seus netos António e Gracinda, esta casada com outra personagem central, António Espada), vai conquistar a terra para as capacidades do seu trabalho, vai arrancar-se à vergonha das humilhações, vai preencher a fome de uma falta total. O romance é, assim, a história de um fatalismo desenganado, constantemente combatido pelo apontar da esperança feita luta» (Seixo, 1987, p.39). As duas ondas históricas entrelaçam-se num período de tempo que vai do final do século XIX até aos anos seguintes à Revolução de 25 de Abril de 1974. Esta articulação entre dois planos tem a vantagem de oferecer uma problematização assaz instigante do papel e do lugar do(s) indivíduo(s) no desenvolvimento histórico mais vasto.</p>
<p><span id="more-43454"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Não obstante a narrativa atravessar diferentes regimes políticos (anos finais da monarquia, a I República, a ditadura fascista do Estado Novo, o regime democrático), nota-se um corte de grande significado na e para a vida das personagens: o antes e o pós 25 de Abril. Por outras palavras, no que toca à melhoria das condições de vida do operariado agrícola alentejano e da possibilidade de este surgir como sujeito colectivo portador de uma história própria e de dinâmicas de profunda democratização da sociedade, nenhum dos regimes anteriores à democracia foi capaz de admitir tal processo. «Entre o latifúndio monárquico e o latifúndio republicano não se viam diferenças e as parecenças eram todas, porque os salários, pelo pouco que podiam comprar, só serviam para acordar a fome» (Saramago, 2000, p.34). Nesse sentido, a situação económica e social dos trabalhadores até 1974 era assim descrita por António Gervásio, operário agrícola e actor participante nas lutas contra o fascismo na região a partir dos anos 40, «os assalariados agrícolas eram trabalhadores privados dos direitos mais elementares. Não havia emprego certo. Não tinham subsídio de desemprego, de férias, de baixa, nem reforma, nem direitos sindicais. Eram trabalhadores sem direitos nas mãos dos grandes proprietários» (Gervásio, 2004, p.182) [itálicos nossos].</p>
<p style="text-align: justify;">Neste cenário, o proletariado alentejano assumiu-se como um actor social de primeira importância na resistência ao regime fascista e na reivindicação por melhores condições de vida e de trabalho. A conquista das oito horas diárias de trabalho, acabando com o sistema do trabalho de sol a sol (que chegava às catorze e dezasseis horas diárias de trabalho), em Abril e Maio de 1962 é, nesse aspecto, elucidativo da relevância inapagável da luta da classe trabalhadora agrícola alentejana na contestação à ditadura e nas aspirações a uma outra sociedade. No contexto do latifúndio – com o cortejo de miséria, opressão e vulnerabilidade das vidas das famílias operárias – a luta pela posse da terra evidenciava-se como um pilar central e como um objectivo primordial para esses trabalhadores. Com o processo revolucionário e democrático subsequente à revolução de 1974, a Reforma Agrária surgiu como uma necessidade e uma exigência imperiosa das populações laboriosas dos campos do Sul (margem esquerda do Ribatejo, Alto e Baixo Alentejo). É o próprio José Saramago que numa crónica em 1977 manifesta a naturalidade com que os trabalhadores alentejanos e ribatejanos tomaram e ocuparam herdades agrícolas: «se a terra está aí e daí não pode sair, são vossos os pés que caminham nela, são vossas as mãos que a trabalham, são dos vossos pais e avós os ossos que estão debaixo dessa terra, depois de terem trabalhado e sofrido o que os filhos ainda hoje trabalham, mas, sofrido, basta» (Saramago, 1999, p.39). O impacto das ocupações de terras, o número de trabalhadores envolvidos, a convicção com que defendiam o que consideravam ser justo era tal, que a Reforma Agrária foi consagrada legalmente, inclusive na Constituição de 1976. Com a Reforma Agrária formaram-se cooperativas e UCP’s (unidades colectivas de produção) com administração económica e política dos trabalhadores sob supervisão do Estado democrático. A gestão operária com a Reforma Agrária era, então, uma realidade.</p>
<p style="text-align: justify;">No fundo, as UCP’s tinham como características fundamentais «a exploração comum da terra» e a «gestão democrática» (Barros, 1981, p.117) das mesmas. Explicitando, o controlo democrático e popular de base consubstanciava-se no «poder dos colectivos de trabalhadores de eleger e demitir as direcções e de decidir sobre os diversos aspectos das novas unidade e/ou de controlar todos os actos de gestão» (idem, p.119).</p>
<p style="text-align: justify;">Contudo, logo em 1976 a Reforma Agrária começou a enfrentar fortes adversidades externas para além das dificuldades herdadas do latifúndio (terras abandonadas, baixa aplicação de maquinaria à produção agrícola). Com a aprovação da chamada Lei Barreto (lei 77/77 – lei de Bases da Reforma Agrária) os trabalhadores tiveram de começar a entregar herdades que não atingissem um novo patamar legal de pontuação das áreas a expropriar. O cerco pelos sucessivos governos e dos antigos grandes latifundiários à Reforma Agrária iria apertar-se nos anos imediatamente seguintes, com os ataques aos trabalhadores e às UCP’s a atingirem níveis quase impensáveis de repressão.</p>
<p style="text-align: justify;">A ênfase aqui colocada na repressão e na contra-ofensiva sobre a Reforma Agrária deve-se ao facto de esse ter sido o factor principal, e em última análise decisivo, da derrota do processo de transformação da propriedade fundiária nos campos do Sul. Numa frase, a Reforma Agrária não se desmoronou mas foi derrotada. Muito mais do que algumas ineficácias económicas e erros na condução do processo – inevitáveis em qualquer acção humana, mais ainda quando o processo é executado por indivíduos de uma classe trabalhadora que pela primeira vez na sua história de centenas de anos tinham a gestão económica, social e política das suas vidas nas suas mãos – foi a reacção de classe das classes dominantes e do aparelho de Estado que colocaram um ponto final na Reforma Agrária. Aliás, a Reforma Agrária atingiu patamares de viabilidade e desenvolvimento económico só postos em causa precisamente pela repressão que foi alvo. Lembre-se, a título meramente ilustrativo, alguns dos aspectos bem-sucedidos economicamente com o processo da Reforma Agrária: a) os postos de trabalho antes da Reforma Agrária que rondavam os 21.700 e que em 1976 se cifravam em 71.900 e que até 1982 inclusive tiveram sempre um efectivo de trabalhadores superior à base de partida. A área total das UCP chega aos 1.130.000 de hectares de 1975 a 77. A produção de bovinos passou de 55.000 cabeças, antes da Revolução de Abril e das ocupações de terra, para 84.000 em 1976 e 103.000 em 1977. A produção de ovinos e caprinos, respectivamente, de 272.000 cabeças para 401.000 e 437.000. A produção de cereais passou de 90.000 toneladas para as 240.000 toneladas em 1976. O arroz passou de 23.550 toneladas para 38.000 toneladas em 1977. Os tractores antes da Reforma Agrária eram apenas 2.690, quase dobrando em 3 anos (4.560) (Leal, 2005, p.255-256). Portanto, o povo operário como sujeito conseguiu conquistas sociais e económicas jamais vistas na região. Por conseguinte, a tese burguesa de que as massas operárias e populares não saberiam administrar colectivamente a produção cai por terra perante a evidência empírica das conquistas extraordinárias da Reforma Agrária alentejana. Perante o sucesso económico, político e social da Reforma Agrária só a repressão furiosa e o cerco económico e financeiro poderiam destruir a mais bonita das conquistas de Abril.</p>
<p style="text-align: justify;">Até 1980, data de publicação de Levantado do Chão, podemos registar alguns dados da repressão contra o proletariado agrícola alentejano, precisamente um período de forte contra-ofensiva dos ex-latifundiários e respectivos governos contra a Reforma Agrária e a administração colectiva dos trabalhadores:</p>
<p style="text-align: justify;">«Foi a prolongada desocupação da herdade da Lobata, em Serpa, ainda em Novembro de 1976; foram os brutais espancamentos realizados na UCP S. Bartolomeu do Outeiro, em Portel, em 28 de Outubro de 1978; o cerco e a prática ocupação de Pias, no concelho de Serpa, em Julho de 1979, com mais de uma centena de pessoas espancadas e perseguidas ao longo das ruas; foi a utilização de balas de borracha maciça na UCP Fonte Boa da Vinha, em Évora, em Julho de 1979; foi o fogo aberto contra os trabalhadores na Cooperativa de Casebres em Agosto seguinte, que atingiram inclusive os ocupantes da carrinha que se deslocava para o Hospital Distrital de Évora transportando os feridos desta operação; foi a brutal entrega de reservas na herdade das Testas, na UCP 6 de Agosto em São Pedro da Gafanhoeira, Arraiolos, com um aparato nunca visto de metralhadoras, cavalos e cães e de que também resultaram vários feridos e presos; foi, em Julho de 1980, o tiroteio desencadeado contra os trabalhadores presentes na entrega de uma reserva na UCP Estrela da Manhã, em Vendas Novas; prisões arbitrárias e sem qualquer mandato judicial de alguns dos dirigentes mais destacados dos Sindicatos dos Trabalhadores Agrícolas, dos Secretariados das UCP/Cooperativas Agrícolas e dos dirigentes destas, atraídos ou levados sob coacção aos postos da GNR, onde durante horas eram alvo de autênticos sequestros e, em muitos casos, espancados» (Carvalho, 2004, p.84-85);</p>
<p style="text-align: justify;">Ao mesmo tempo, foi nesta altura que ocorreu</p>
<p style="text-align: justify;">«O assassinato de dois trabalhadores da Reforma Agrária, António Casquinha e José Geraldo, o primeiro dos quais tinha somente 17 anos de idade e o segundo 57 anos, sucedeu em 27 de Setembro de 1979, em pleno Governo dirigido por Maria de Lurdes Pintassilgo, na herdade Vale de Nobre na UCP Bento Gonçalves em Montemor-o-Novo (…). Consumada a entrega do monte, a força da GNR destacada para a operação, em conjunto com os técnicos do Ministério da Agricultura e com grupos de agrários armados, apoderaram-se de múltiplas cabeças de gado bovino, propriedade dos trabalhadores. Junto o rebanho, deslocaram-se para o monte que tinha acabado de ser entregue, onde enfrentaram o legítimo protesto dos trabalhadores. Nesse momento vários tiros foram disparados por alguém do único grupo que possuía armas, GNR e agrários. Resultado: dois trabalhadores cairiam por terra para não mais se levantarem, perante a insensibilidade e as ameaças de repetição proferidas pelos comandos da GNR presentes. Até hoje nunca foram apuradas as responsabilidades materiais e directas destas mortes» (idem, p.87).</p>
<p style="text-align: justify;">As razões e motivações para esta sucessão de acontecimentos contra a Reforma Agrária devem-se ao facto de que as classes dominantes não podiam aceitar que os trabalhadores assumissem com êxito a gestão e produção de cinco centenas de modernas empresas agrícolas que eram as UCP’s.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, é neste quadro histórico que surge a obra Levantado do Chão de José Saramago. Até às duas machadadas finais na Reforma Agrária – as revisões constitucionais de 1982 e de 1989 – o seu potencial de viabilidade económica ainda era real. Assim, Levantado do Chão é uma obra estética de elevado valor mas com uma componente militante rara, expressa num comovente incentivo do autor aos trabalhadores alentejanos para que prosseguissem com a sua luta.</p>
<p style="text-align: justify;">O painel de elementos sociais presentes em Levantado do Chão é notavelmente profícuo, com particular incidência no inventariar dos efeitos mais perversos da forma de organização da produção nos campos do Sul de Portugal durante a Primeira República e, sobretudo, durante o fascismo.</p>
<p style="text-align: justify;">a) A cumplicidade entre a polícia e os patrões,<br />
«diz o sargento, Por falar em patrão, estou precisado de um bocado de lenha. Diz o feitor, Lá lhe irá uma carrada. Diz o sargento, E umas poucas telhas. Diz o feitor, Não será por causa disso que dormirá ao relento. Diz o sargento, A vida está cara. Diz o feitor, Mando-lhe uns chouriços» (Saramago, 2000, p.38);</p>
<p style="text-align: justify;">b) a miséria que «empoeirava o rosto a esta gente» (idem, p.43) trabalhadora;</p>
<p style="text-align: justify;">c) o trabalho infantil, «mas esta criança, palavra só por comodidade usada, pois no latifúndio não se ordenam assim as populações em modo de prever-se e respeitar-se tal categoria, tudo são vivos e basta, (…) esta criança é apenas uma entre milheiros, todas iguais, todas sofredoras, todas ignorantes do mal que fizeram para merecer tal castigo» (idem, p.56);</p>
<p style="text-align: justify;">d) o desemprego e os baixos salários, «vão caravanas pelos caminhos à procura de um salário miserável» (idem, p.56);</p>
<p style="text-align: justify;">e) o desprezo pelos indivíduos das classes populares, vistos como sub-humanos,<br />
«o povo fez-se para viver sujo e esfomeado. Um povo que se lava é um povo que não trabalha, talvez nas cidades, enfim, não digo que não, mas aqui, no latifúndio, vai contratado por três ou quatro semanas para longe de casa, e meses até, e é ponto de honra e de homem que durante todo o tempo do contrato se não lave nem cara nem mãos, nem a barba se corte (…). É preciso que este bicho da terra seja bicho mesmo, que de manhã some a remela da noite à remela das noites, que o sujo das mãos, da cara, dos sovacos, das virilhas, dos pés, do buraco do corpo, seja o halo glorioso do trabalho no latifúndio, é preciso que o homem esteja abaixo do animal, que esse, para se limpar, lambe-se, é preciso que o homem se degrade para que não se respeite a si próprio nem aos seus próximos» (idem, p.73) [itálicos nossos];</p>
<p style="text-align: justify;">f) as desigualdades sociais gritantes logo a partir da mais tenra idade e o fatalismo inscrito na condição social de pertença dos indivíduos, «aí está esse infinito estendal de sexos abertos, dilatados, vulcânicos, por onde rompem sujos de sangue e mucos os novos homens e as novas mulheres, tão iguaizinhos naquela miséria, tão diferentes logo nesse minuto, consoante os braços que os recebem, os bafos que os aquecem, as roupas que os envolvem» (idem, p.294) [itálicos nossos]. Estas são algumas exemplificações do vendaval de fenómenos que pintam a paisagem alentejana do período histórico anterior a 1974, com particular incidência nas circunstâncias em que o operariado agrícola vivia no decurso do regime fascista.</p>
<p style="text-align: right;"><strong><em>Continuação no <a href="http://www.odiario.info/?p=1664">odiario.info</a></em></strong></p>]]></content:encoded>
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		<title>Privatização falha</title>
		<link>http://5dias.net/2010/07/21/privatizacao-falha/</link>
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		<pubDate>Wed, 21 Jul 2010 07:45:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>

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		<description><![CDATA[Os apologistas das privatizações, que persistem em propagar o mito do que uma empresa privatizada funciona melhor que uma empresa pública, porque – outro mito – no mercado livre, com competição entre empresas, os serviços serão melhores e os preços &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/07/21/privatizacao-falha/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os apologistas das privatizações, que persistem em propagar o mito do que uma empresa privatizada funciona melhor que uma empresa pública, porque – outro mito – no mercado livre, com competição entre empresas, os serviços serão melhores e os preços para os consumidores mais baixos – o que é diferente dos custos sociais. Para não ir mais longe, o mercado não é livre, segundo o recente Prémio Nobel em Economia, Paul Krugman, porque os os jogadores não arrancaram todos da linha de partida e há uma assimetria de informação, entre outras coisas. Noutra linguagem, não pode agora haver mercado livre, porque devido à tendência do capitalismo para a concentração e centralização de capitais, isto é, o capitalismo monopolista. Ironicamente, o capitalismo, que ideologicamente promove a competição, tende pelos seus mecanismos próprios a diminuir o nível de competição. Que o digam os trabalhadores do<em> 24 horas</em> e do <em>Radio Clube Portugues</em>.</p>
<p>Em todo o caso, quem ainda pregue a solução das privatizações e os mantras neoliberais têm a possibilidade de olhar para o futuro. Há dois países, que pelas mãos enrugadas de Margaret Thatcher e Ronald Reagan, implementaram o programa neoliberal de privatizar tudo debaixo do sol (&amp; precarizar o trabalho e destruir as estruturas sindicais). Nestes países já vão muito adiantados. Tendo privatizado directamente ou associados empresas privadas para cobrir funções do sistema público raquítico, no caso dos transportes, comunicações, e educação, avançaram para áreas como prisões, segurança, recolha de informação – sempre achei irónico que os visitantes importante a Bagdad eram escoltados da &#8220;zona verde&#8221; para a cidade, não pelas Forças Armadas dos EUA, mas por empresas privadas; ou que são estas que preparam a comida e lavam os lençóis dos tropas. O <em>Washington Post </em>tem uma nova série chamada <em>Top Secret America</em> onde olha investiga o complexo massivo de segurança que cresceu com a indústria militar, em particular desde a ocupação do Afeganistão e Iraque, sob Bush &amp; Cheney. A série comenta como apesar dos problemas financeiros, este sector privado continua a lucrar, enquanto sectores como a educação continuam a ser exprimidos. [Uma última palavra de preocupação, como o encerramento da <em>Newsweek</em> ilustra, a concentração e rentabilização financeira dos meios de comunicação social privados está a por em risco a existência de uma forma de jornalismo, tão necessário: a reportagem.]</p>
<p><a href="http://blip.tv/play/gdElge_LaQI">Top Secret: Privatizing Fails</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Entre Navios, não esqueçam os habitantes de Gaza</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Jul 2010 08:45:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>
		<category><![CDATA[Gaza]]></category>
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		<category><![CDATA[Palestina]]></category>

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		<description><![CDATA[Recentemente tem sido dada particular atenção (justamente) ao bloqueio de Israel à Faixa de Gaza, sobretudo depois do ataque ao navio Mavi Marmara, pelo qual Israel já admitiu &#8220;exageros&#8221;. Ainda recentemente o navio de bandeira Moldava Amalthea, mas descrito no &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/07/14/entre-navios-nao-esquecam-os-habitantes-de-gaza/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Recentemente tem sido dada particular atenção (justamente) ao bloqueio de Israel à Faixa de Gaza, sobretudo depois do ataque ao navio Mavi Marmara, pelo qual Israel já admitiu &#8220;exageros&#8221;. Ainda recentemente o navio de bandeira Moldava Amalthea, mas descrito no Ha&#8217;aretz como sendo um navio patrocinado pela Líbia, foi forçado a desviar-se do seu destino (Gaza) para o Egipto. O bloqueio económico de Israel é ilegal, e ao incluir navios com ajuda humanitária a uma zona em crise humanitária é imoral.</p>
<div id="attachment_42970" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/07/israel-MAHMUD-HAMS-AFP-20100713.jpg"><img class="size-small wp-image-42970" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/07/israel-MAHMUD-HAMS-AFP-20100713-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Foto por Mahmud Hams - 13.07.2010/AFP Corpo da palestina vítima do ataque chega a um hospital em Gaza; ataque ocorreu no vilarejo de Johar a-Deek, perto da fronteira com Israel</p></div>
<p>Dada atenção ao bloqueio, há que não esquecer que a agressão Israelita sobre Gaza toma diariamente formas directas. Ainda ontem, foi assassinada uma mulher Palestina inocente, na vila de Johar a-Deek, perto da fronteira de Israel (nem consegui localizar no mapa), e feridos dois dos seus familiares com disparos das forças armadas Israelitas (IDF). Um exemplo da defesa preventiva, onde sem qualquer inteligência, ou confirmação visual de perigo iminente, o assassinato é justificável (para eventualmente ser desculpado depois do funeral).</p>
<p>A IDF alega que disparou sobre duas figuras suspeitas que se<em> aproximavam</em> da fronteira. Note-se estavam em território de Gaza, mas chegaram demasiado perto da fronteira de Israel. Num território com apenas 360 km<sup>2</sup> nunca se está muito longe da fronteira, sobretudo numa das regiões com maior densidade populacional do mundo (cerca de 4.17 milhares de pessoas/km<sup>2</sup>). Vale sempre a pena rever um mapa da região para se ver como num território tão pequeno há regiões sob total controle Israelita, zonas internas controladas pela IDF, estrada principal controlada pela IDF, as suas entradas para fora da região (e logo para a fonte principal de empregos) controladas pela IDF, o acesso a fontes de água potável controladas pela IDF or tropasa sua ter ideia da campo de concentração que consiste a Faixa de Gaza, com um perímetro de segurança dentro do seu território, etc.  (Ver no <a href="http://maps.google.com/maps?q=gaza+strip&amp;output=kml" target="_self">Google Earth</a> ou <a href="http://www.theodora.com/maps/new9/gaza_aerial_photo_montage_map_large.jpg" target="_self">aqui</a>.) Não é por acaso que é designada como o maior campos de concentração do mundo.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Bíblia nas escolas públicas (laicas) Portuguesas</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Jul 2010 09:24:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>
		<category><![CDATA[Escola Pública]]></category>
		<category><![CDATA[Laicismo]]></category>

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		<description><![CDATA[É bem conhecida a batalha sobre o ensino de Evolução vs. Criacionismo, que tem o seu maior palco nos EUA, mas que já assume frentes na Europa, em particular na Turquia, França, Suíça, Bélgica, Polónia, Rússia, Itália, Grã-Bretanha, Sérvia, Holanda &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/07/11/biblia-nas-escolas-publicas-laicas-portuguesas/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É bem conhecida a batalha sobre o ensino de Evolução vs. Criacionismo,  que tem o seu maior palco nos EUA, mas que já assume frentes na Europa,  em particular na Turquia, França,  Suíça, Bélgica, Polónia, Rússia,  Itália,  Grã-Bretanha, Sérvia, Holanda e  Alemanha  (<a href="http://assembly.coe.int/main.asp?Link=/documents/workingdocs/doc07/edoc11375.htm">ver  Relatório Europeu</a>). Não esquecer que existe em Mafra, Portugal, o  único Museu Europeu dedicado ao Criacionismo.</p>
<p>Vem isto a propósito de um fenómeno que me chegou recentemente a  atenção. Não encontrando talvez espaço ou condições para actualmente  batalhar para igual representação do criacionismo (vs. evolucionismo)  nas aulas de ciências, os movimentos cristãos encontraram espaço nas  aulas de Inglês (!) – uma disciplina obrigatória – nomeadamente através do ensino da Bíblia. Tal faz  parte de um movimento internacional (<a href="http://acrossthebibleportugal.blogspot.com/">ver blog</a>), com  presença em Portugal (<a href="http://acrossthebibleportugal.blogspot.com/search/label/escolas?updated-max=2009-12-05T16%3A21%3A00Z&amp;max-results=20">ver</a>),  que recebe destaque nos sítios de algumas escolas (ver por exemplo um  dos projectos da <a href="http://esecddinis.pt/">Escola Secundária D.  Dinis</a> ou uma referência a um poster sobre o projecto, desta escola,  no sítio do <a href="http://www.crie.min-edu.pt/index.php?action=view&amp;id=170&amp;date_id=246&amp;module=calendarmodule&amp;src=%40random45f6c604df5ef&amp;section=9">Ministério  da Educação</a>). Não é de espantar que no blog Português do movimento <a href="http://acrossthebibleportugal.blogspot.com/">Across the Bible &#8211;  PT</a> (ATB-PT) surja uma <a href="http://acrossthebibleportugal.blogspot.com/search/label/Creation">referência  ao Museu de Criacionismo</a> em Mafra. O mesmo blog informa que o  ATB-PT tem actividade há 7 anos, com alunos da primária ao secundário!</p>
<p>Ora, para o currículo das aulas de inglês há inúmeras obras de <strong>literatura  inglesa</strong> (que não é o caso da Bíblia) que melhor servirão objectivos  pedagógicos do <strong>ensino de inglês</strong>.Esta é mais uma demonstração da  ferocidade e criatividade (honra lhes seja feita) do movimento cristão  de introduzir a Bíblia de qualquer forma na escola laica. Se este  falhar, certamente tentarão introduzir a Bíblia nas aulas de Matemática,  Educação Física, ou Educação Manual (afinal Jesus era carpinteiro). Mas  esta capacidade serpentina do movimento Cristão <strong>exige uma defensa  firme da escola pública laica</strong>. É lamentável que o Ministério da  Educação tenha permitido esta intromissão mascarada mas transparente.  Não tendo o ME intervido quando devia, <strong>cabe à cidadania intervir e  exigir que as escolas públicas Portuguesas não adiram a este programa</strong>.  Não deixa de ser irónico que esta situação tenha lugar quando se  comemora o Centenário da I República, que tanto fez pela escolaridade  pública laica.</p>
<p>A Constituição da República Portuguesa (CRP) garante a liberdade de  religião (Art 41) e estipula (no Art. 42) que o &#8220;O Estado não pode  programar a educação e a cultura segundo quaisquer directrizes  filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas.&#8221; (ponto 2)  e que &#8220;O ensino público não será confessional.&#8221; (ponto 3).Só um evangelismo militante explica este atropelo à CRP.</p>
<p>Leiam e assinem a petição «<a href="http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2010N2662">Pela Escola Pública  Portuguesa Laica</a>»</p>
<p style="text-align: right">Extracto de texto maior na <a href="http://http://jangada-de-pedra.blogspot.com/2010/07/pela-escola-portuguesa-laica.html" target="_self">Jangada de Pedra</a>.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Nacionalismo vs Patriotismo</title>
		<link>http://5dias.net/2010/07/08/nacionalismo-vs-patriotismo/</link>
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		<pubDate>Thu, 08 Jul 2010 16:20:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>

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		<description><![CDATA[Os termos Nacionalismo e Patriotismo não são sinónimos, embora seja hoje muito frequentemente usados como tal. São termos que têm histórias diferentes, tendo «patriotismo» uma história bastante mais antiga.  Os conceitos têm contexto e história (i.e., uma evolução), logo convém &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/07/08/nacionalismo-vs-patriotismo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os termos <strong>Nacionalismo</strong> e <strong>Patriotismo</strong> não são sinónimos, embora seja hoje muito frequentemente usados como tal. São termos que têm histórias diferentes, tendo «patriotismo» uma história bastante mais antiga.  Os conceitos têm contexto e história (i.e., uma evolução), logo convém  começar pelo conceito com origem mais antiga: <strong>Patriotismo</strong>.A  palavra tem origem no grego <em>patris</em>. Para os gregos antigos a  palavra estava associada à identificação com e à devoção a uma língua,  tradições e história, ética, lei, e religião comuns. Sócrates acreditava  inclusivamente que a prática patriotismo não era algo estanque, mas  sempre sujeita a melhoria, embora a sua opinião não fosse partilhada por  outros gregos contemporâneos: o seu julgamento foi, em parte, fundado  na sua recusa de divindades gregas oficiais. Surgiu portanto muito antes  da noção de Estado-nação. Pessoalmente, gosto até mais do neologismo <em><strong>Matriotismo</strong></em>:  falamos na terra mãe, em mátria, em matriarca, mas não existe  lamentavelmente este equivalente feminino a patriotismo. É uma  formulação mais próxima do conceito Hindu, onde a mátria era entendida  como a base de consciência cultural. Mesmo no século XVIII, na Europa  Ocidental, patriotismo era entendido como a responsabilidade individual  perante os outros cidadãos, uma devoção à humanidade e a uma ética de  igualdade e caridade perante os mais desfavorecidos e os que faziam  parte da comunidade, independentemente do seu perfil cultural ou  étnico.Isto é, <strong>Patriotismo</strong> não estava ligada a uma etnia, a uma  localização geográfica, ou a  uma organização política autónoma.</p>
<p>O uso, pelo menos original da palavra, é muito distinto do da palavra «nacionalismo», com história relativamente recente. É no século XIX que surge o conceito de <strong>Nacionalismo</strong>, de nação  como entidade política, com direito a um Estado (o Estado-Nação), no  qual há condições para que cidadania esteja restrito a um grupo étnico.  A Nação como algo a proteger; daí necessitar de um  Estado próprio; daí vários nacionalismos terem conduzido à noção de  &#8220;espaço vital&#8221; para a Nação. Se tem algo a proteger, é porque em certa  medida tem algo que outras Nações não têm. Embora isto não implique a  noção de que uma Nação, a nossa Nação, é superior em alguma medida a  outras, ao &#8220;outro&#8221;, frequentemente os movimentos nacionalistas associam  superioridade, quer recorrendo a feitos modernos, como supremacia  industrial, quer recorrendo a feitos ou mitos históricos (e.g, no caso  no hino nacional Português, o &#8220;nobre povo, valente e imortal&#8221;, a voz dos  &#8220;os egrégios avós&#8221; que surge da &#8220;bruma da memória&#8221;). Mesmo Nações sem  grande história, caso do povo colonial dos EUA, cedo declarou ter um  &#8220;manifesto destino&#8221;, que lhe outorgava o <em>dever</em> de expansão para  territórios pretensamente desocupados, invasão de outros Estados, e  domínio geoestratégico sobre uma vasta região. Foram das tendências  nacionalistas que mesmo em Estados multi-étnicos, como os EUA ou o  Brasil (durante a ditadura militar), surgiu o slogan &#8220;ame-o [a Nação] ou  deixe-o&#8221;, dirigido a cidadãos desses países que não alinhavam na  política do Estado-Nação.</p>
<p>Mas fundamentalmente, o conceito de <strong>Nacionalismo</strong> está em profunda contradição com  o conceito de <strong>Internacionalismo</strong>, ou cooperação e ligação  fraterna entre comunidades ou nações (baseadas no facto de nações  comungarem a mesma humanidade). discursos políticos do ultra-nacionalista Adolf Hitler, segundo o qual  um operário consciente da importância da unidade dos proletários de todo  o mundo não poderia ser um bom alemão, pois colocava as relações com  operários de outras nações acima da dedicação à Alemanha; como se um  operário Alemão internacionalista não estivesse também interessado na  melhoria das condições no seu país. Esta contradição manifesta-se hoje, na era da globalização, na acusação  de que os imigrantes roubam emprego aos nacionais, como se aqueles não  contribuíssem para a produtividade do Estado para o qual emigraram.</p>
<p>Essa contradição não existe com o conceito de <strong>Patriotismo</strong>. Eu posso afirmar, sem reservas e sem contradição, dizer  que sou patriótica e internacionalista. Por um lado, tenho um grande  amor ao povo português, à sua cultura diversa, do Algarve a  Trás-os-Montes, do Continente às Ilhas, uma ligação visceral à sua  história, ressonância com a sua música e literatura, uma identificação  com a sua forma de ser (sem estereotipar), e uma ligação familiar e de  amizade com Portugueses. Sinto igualmente uma ligação com outras  culturas, mas de outra natureza. Sou movido por músicas de outras  culturas, pela literatura de outras culturas, em grande medida porque  contêm aspectos que são universais, fazem parte de uma entidade mais  alargada ao qual também pertenço: a humanidade. Sinto também  solidariedade pelas lutas de outros povos, porque partilho ligações  objectivos de classe: a paz e a justiça social. Identificar-me como  Português de forma alguma significa que considere o nosso país ou povo  superior, mas considero – porque considero a diversidade cultural um  valor – que Portugal tem direito a existir enquanto entidade autónoma e  independente. E no actual contexto de ingerência imperial, considero um  dever defender a soberania nacional, pois só assim se poderão defender  os interesses e a viabilidade do nosso povo e país. Porque considero que  as ingerências da NATO e da UE na política nacional Portuguesa não  estão alinhadas com os interesses nacionais, pelo contrário, tendem a  prejudicá-los e eventualmente eliminar a existência da nossa soberania  nacional.</p>
<p><span style="color: #ff0000">Atenção: Esta abordagem &#8211; um excerto de um post na «Jangada de Pedra » (<a href="http://jangada-de-pedra.blogspot.com/2010/07/nacionalismo-vs-patriorismo.html" target="_self">ler na integra</a>) -  é necessariamente  simplista, primeiro pela sua dimensão reduzida, segundo porque não tenho  formação em ciências sociais e um conhecimento aprofundado da história  dos dois conceitos.</span>]</p>]]></content:encoded>
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		<title>Insustentável</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Jun 2010 21:08:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>

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		<description><![CDATA[Cavaco Silva afirmou, no seu Roteiro da Juventude que: &#8220;A maioria dos que estão aqui sabem que há bastante tempo que o país se encontrava numa situação económica insustentável (&#8230;) bastava ter presente a evolução de três variáveis: o desequilíbrio &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/06/26/insustentavel/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cavaco Silva afirmou, no seu Roteiro da Juventude que:</p>
<blockquote><p>&#8220;A maioria dos que estão aqui sabem que há bastante tempo que <strong>o país se encontrava numa situação económica insustentável</strong> (&#8230;) bastava ter presente a evolução de três variáveis: o desequilíbrio das contas externas, a dimensão da dívida externa e o pagamento ao exterior de juros e outros rendimentos. Analisando estas três variáveis nós sabíamos de certeza que chegaria o dia em que os mercados internacionais exprimiriam dúvidas quanto à capacidade de Portugal gerar riqueza para cumprir os compromissos assumidos no passado&#8221;<br />
o país &#8220;numa situação económica insustentável&#8221;. [<a href="http://sic.sapo.pt/online/noticias/pais/e+urgente+uma+avaliacao+da+politica+publica+em+funcao+da+competitividade+externa+das+empresas.htm" target="_self">ver</a>]</p></blockquote>
<p>Caiu-lhe a boca para a verdade. Não só admitiu que a situação é grave, como que as causas não são recentes. Aliás, com um pouco mais de honestidade, até faria meia culpa pelo desequilíbrios entre importações e exportações, já que teve a sua mãozinha na destruição do aparelho produtivo nacional.</p>
<p>Em abono da verdade, o seu tom não foi totalmente negativo. Face a jovens empreendedores afirmou existir &#8220;uma nova geração de empreendedores&#8221; no país que &#8220;não se resignam&#8221; e devem ser apoiados, para que não se vejam forçados a &#8220;partir para outras partes do mundo&#8221;. [<a href="http://sic.sapo.pt/online/noticias/pais/Portugal+tem+nova+geracao+de+empreendedores.htm" target="_self">ver</a>] E como todos sabemos, <em>a juventude é o futuro</em>.</p>
<p><img class="alignleft" src="http://img.photobucket.com/albums/v517/officelounging/soares_elefante_21.jpg" alt="" width="208" height="145" />Acho curioso que estas confissões de Cavaco tenham suscitado declarações de ex-presidentes e candidatos à presidência.</p>
<p>Para Mário Soares um Presidente da República deve &#8220;dar sugestões úteis e construtivas&#8221; e não &#8220;denunciar uma situação&#8221; que as pessoas sentem em casa. [<a href="http://sic.sapo.pt/online/noticias/pais/Um+Presidente+da+Republica+deve+dar+sugestoes+uteis+e+construtivas.htm" target="_self">ver</a>]. Talvez se Cavaco desse um passeio em cima de um elefante <em>animasse a malta</em>. Pessoalmente, prefiro um presidente que fale a verdade, e prefiro esta versão de Cavaco à sua imitação de avestruz, apelando à calma e serenidade.</p>
<p>Manuel Alegre, sobre um fundo escuro e tenebroso, num jantar em Setúbal, disse que ao &#8220;Presidente da República cabe, não palavras de depressão que desmobilizem os portugueses, mas uma palavra de confiança&#8221; (&#8230;) Diz a <a href="http://sic.sapo.pt/online/noticias/pais/Alegre+defende+que+Cavaco+nao+pode+dizer+que+pais+vive+situacao+insustentavel.htm" target="_self">SIC</a>: «Reconhecendo que o país está a atravessar momentos difíceis devido à crise provocada pelo sector financeiro, Manuel Alegre defendeu que é preciso encontrar outras soluções para a crise, que não as que estão a ser defendidas pelos defensores do neoliberalismo. » Mas Cavaco não poderia dar soluções alternativas ao neoliberalismo, pois com um ou outro tempero, ele é um dos seus defensores, à semelhança do Primeiro-Ministro Sócrates.</p>
<p><img class="alignleft" src="http://sic.sapo.pt/NR/rdonlyres/A027B10E-243A-4BBB-9877-CB9BB2683809/792311/af803f5b017b4fa39f728a389edf8394.jpg" alt="" width="156" height="108" /> Este recusou-se a comentar o discurso de Cavaco alegando desconhecê-lo (sinal de demência), mas referiu que &#8220;muitas vezes se sente sozinho a puxar pela confiança e as energias do país&#8221;. [<a href="http://sic.sapo.pt/online/noticias/pais/Muitas+vezes+sinto-me+sozinho+a+puxar+pelas+energias+do+pais.htm" target="_self">ver</a>] Lá está o Zé a fazer um dos seus papeis preferidos: o de vítima misturado com Hércules. Então os seus ministros, Zé, não ajudam a puxar a carroça? O Passos Coelho não tem dado uma mãozinha no PEC? O patronato não tem aplaudido os seus ataques aos direitos laborais? &#8220;O que o país precisa de saber é que nos primeiros três meses o crescimento da economia portuguesa foi muito positivo, que nos primeiros cinco meses a nossa execução orçamental é muito encorajadora [<em>pudera com a promessa de privatizações e congelamentos salariais</em>] e quer deveremos deixar uma palavra de confiança a todos os empresários e a todos os agentes económicos&#8221; (&#8230;) &#8220;Não gostaria de comentar as palavras do Presidente da República, eu digo as minhas. O que o país precisa é de confiança. Não acentuem o negativismo&#8221;.</p>
<p>É preciso dizer a verdade, mesmo que seja negativa. Isso não é <em>negativismo</em>, é enfrentar a realidade. Claro que é preciso também palavras de confiança, mas o Sócrates não tem dito nada de inspirador. A evocação de indicadores económicos de curto prazo não é nada encorajador. O país está mal, e não se perspectiva nenhuma solução dentro dos moldes de pensamento da direita que venha a orientar estruturalmente o país num rumo de recuperação sustentável. Para oferecer confiança, é preciso um outro rumo.</p>]]></content:encoded>
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		<title>dia 25 a 27 de Abril</title>
		<link>http://5dias.net/2010/06/18/dia-25-a-27-de-abril/</link>
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		<pubDate>Fri, 18 Jun 2010 09:15:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[No DN de ontem: O PS anunciou hoje que a proposta das deputadas independentes Teresa Venda e Rosário Carneiro para transferir os feriados e eliminar pontes mereceu um &#8220;consenso generalizado&#8221; da bancada e que existe abertura para discutir as datas &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/06/18/dia-25-a-27-de-abril/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No <a href="O PS anunciou hoje que a proposta das deputadas independentes Teresa Venda e Rosário Carneiro para transferir os feriados e eliminar pontes mereceu um &quot;consenso generalizado&quot; da bancada e que existe abertura para discutir as datas a incluir." target="_blank">DN de ontem</a>:</p>
<blockquote><p>O PS anunciou hoje que a proposta das deputadas  independentes Teresa  Venda e Rosário Carneiro para transferir os feriados e eliminar pontes  mereceu um &#8220;consenso generalizado&#8221; da bancada e que existe abertura para  discutir as datas a incluir.</p>
<p>(&#8230;) Questionado sobre  as datas a abranger, o vice presidente do grupo parlamentar do PS disse  que esse debate ainda não foi feito, afirmando apenas que &#8220;há muito boas  razões para retirar alguns e muito boas razões para manter outros&#8221;.</p>
<p>O  deputado do PS deu o exemplo do 25 de abril: &#8220;Se for encarado com o dia  da Liberdade em Portugal, tanto  faz que seja celebrado a 25 ou a 27&#8243;.</p></blockquote>
<p>Logo havia de dar um exemplo de uma data com significado histórico que ainda permanece na memória colectiva dos portugueses! O «25 de Abril» não é apenas o «Dia da Liberdade». É o dia de comemoração de uma acontecimento específico que se sabe ter ocorrido nesse dia.</p>
<p>Porque não ter dado o exemplo do 10 de Junho, «Dia de Portugal», que tanto pode coincidir com a morte de Camões como noutro dia qualquer?</p>
<p>Ou do 8 de Dezembro, «Dia da Imaculada Conceição», cuja relação com a vida da dita desconheço. Aliás  duvido que uma boa parte da população Portuguesa tenha noção a razão do feriado, aproveite para celebrar a Conceição, dando graças a calendário haver um feríado.</p>
<p>Já agora, só para ser provocatório, porque não considerar celebrar o Natal noutro dia que não o 25 de Dezembro, cuja relação com o nascimento de Cristo é no mínimo questionável. O Natal é comemorado em diferentes dias em países católicos diferentes. A própria Páscoa vai variando de dia. Porque não celebrar o Natal sempre a um Domingo.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Mais um navio para Gaza bloqueado</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Jun 2010 11:01:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>
		<category><![CDATA[Imperialismo & Guerra]]></category>

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		<description><![CDATA[Na madrugada de Sábado (5/Junho), as forças militares Israelitas (IDF) bloquearam mais um barco do movimento Free Gaza – sediado no Chipre;  seguir no Twitter) – que transportava ajuda humanitária para Gaza, forçando-o a atracar no porto Israelita de Ashod. &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/06/05/mais-um-navio-para-gaza-bloqueado/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na madrugada de Sábado (5/Junho), as forças militares Israelitas (IDF) bloquearam mais um barco do movimento Free Gaza – sediado no Chipre;  seguir no <a href="http://twitter.com/freegazaorg" target="_blank">Twitter</a>) – que transportava ajuda humanitária para Gaza, forçando-o a atracar no porto Israelita de <a href="http://maps.google.com/maps?hl=PT&amp;f=q&amp;q=Ashdod" target="_blank">Ashod</a>. O navio, alcunhado <em>Rachel Corrie</em> – em homenagem à activista Estado-unidense assassinada por uma escavadora Israelita, em 2003, defendendo um povoado Palestino em Gaza – transportava apenas onze passageiros. incluindo a Prémio Nobel da Paz Mairead Corrigan (este Prémio às vezes é atribuído a pessoas corajosas que defendem activamente a paz), tencionava desembarcar em Gaza, recusando os apelos de Israel para dirigir-se a Ashod (a 56km de Gaza) e ser inspeccionado. O Director de Política Estrangeira Israelita, Yossi Gal, prometeu transferir toda a carga, excepto armas (!), a Gaza: estou para ver.  O ex-coordenador de ajuda humanitária das NU no Iraque, Denis Halliday, informou, a partir do navio,  que sindicatos e oficiais de governo já haviam inspeccionado a carga. Os tripulantes recusaram-se e resistiram pacificamente a abordagem naval.</p>
<p>Este incidente difere do assalto ao Mavi Marmara, alcunhado <em>Freedom Flotilla</em>, que envolveu comandos do IDF a descerem de helicópteros militares, e que resultou na morte de vários passageiros. O IDF alega que os tripulantes resistiram com facas e machados. Bom, resistência pacífica é muito bom, mas se eu estivesse num navio em águas internacionais transportando ajuda humanitária para um povo diariamente alvejado de forma indiscriminada e visse comandos a descerem de rapel armados até aos dentes talvez pegasse numa faca para me proteger. Vejam bem, tal era a ameaça, que entre os tripulantes – cerca de 700 – houve mortes, mas entre os comandos apenas li que três foram atingidos, ficarem inconscientes, foram momentaneamente presos, voltando depois para junto dos IDF, ilesos. Segundo Israel vários tripulantes pertenciam ao grupo Turco &#8220;<a href="http://www.ihh.org.tr/anasayfa/en/" target="_blank">Fundação pelos Direitos Humanos, Liberdade e Ajuda Humanitária</a>&#8221; (IHH), que consta da lista Israelita de organizações terroristas por alegadas ligações ao Hamas. [Note-se que o IHH não consta da lista análoga do <a href="http://www.state.gov/s/ct/list/" target="_blank">Departamento de Estado dos EUA</a>, que não é propriamente exclusiva.]</p>
<p>A não-violência desta última intersecção Israelita sublinha  que o mais repreensível por parte de Israel não são os mortos, ainda que lamentáveis, do Mavi Marmara mas o bloqueio ilegal a Gaza, o desrespeito de Israel pela Lei Internacional, o cerco e lento massacre de um povo. Esse sim é o crime mais profundo.</p>
<h6 style="text-align: right">(Informações extraídas do jornal Israelita <a href="http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/idf-boards-gaza-bound-ship-rachel-corrie-crew-compliance-1.294265?localLinksEnabled=false" target="_blank">Ha&#8217;aretz</a>)</h6>]]></content:encoded>
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		<title>Mais um crime de Israel</title>
		<link>http://5dias.net/2010/05/31/mais-um-crime-de-israel/</link>
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		<pubDate>Mon, 31 May 2010 13:13:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>
		<category><![CDATA[Imperialismo & Guerra]]></category>

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		<description><![CDATA[Como justifica Israel este ataque? Com base no bloqueio económico por si mesmo imposto desde 2007, e que não tem qualquer sustento legal, por exemplo ao nível das Nações Unidas (contrariamente às resoluções do Conselho de Segurança sobre a constituição &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/05/31/mais-um-crime-de-israel/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como justifica Israel este ataque? Com base no bloqueio económico por si mesmo imposto desde 2007, e que não tem qualquer sustento legal, por exemplo ao nível das Nações Unidas (contrariamente às resoluções do Conselho de Segurança sobre a constituição de um Estado Palestino).<br />
Havia algum perigo imediato? Quando primeiro ouvi a notícia ainda pensei que Israel justifica-se a sua acção com base em inteligência que indicasse a presença de armamento, sei lá, para o Hamas. [<span style="color: #ff0000"><em>Actualização a 5 de Junho</em>: segundo Israel  tripulantes do Mavi Marmara pertenciam ao grupo Turco "</span><a href="http://www.ihh.org.tr/anasayfa/en/" target="_blank">Fundação pelos Direitos  Humanos, Liberdade e Ajuda  Humanitária</a><span style="color: #ff0000">" (IHH), que consta da lista   Israelita de organizações terroristas por alegadas ligações ao Hamas</span>]. Esse teria sido um argumento que, embora não justificando o ataque, teria feito sentido dentro da lógica de defesa Israelita. Mas não. Não encontro nenhuma justificação nesse sentido, nenhuma dúvida Israelita sobre o conteúdo e missão do navio. Apenas recurso ao bloqueio ilegal para justificar uma acção imoral: o ataque a ajuda humanitária. Uma fonte noticiosa(<a href="http://www.abola.pt/mundos/ver.aspx?id=207948">*</a>) informa que (sublinhado meu):</p>
<blockquote><p>«As autoridades israelitas já lamentaram o número de mortos, mas dizem que os seus militares foram <span style="font-weight: bold">provocados pelas tripulações dos navios</span> que, de acordo com o ministro do Comércio e da Indústria, <span style="font-weight: bold">empunhavam machados e facas</span>. Informação desmentida pelo porta-voz das organizações que integravam os navios.»</p></blockquote>
<p>Mesmo que tal fosse verdade, esta justificação dá uma vontade de rir no meio da desgraça. Face ao acenar de facas por parte de uns tripulantes num navio, manda-se bombas que matam e destroem: eis a noção Israelita de &#8220;resposta proporcional&#8221;. Mais uma prova que os governos belicistas de Israel e as suas forças armadas perderam o tino, e assumem o Terrorismo de Estado como prática corrente.</p>
<p>O <a href="http://www.cppc.pt/">Conselho Português para a Paz e Cooperação</a>, esta a apelar a signatários de uma posição conjunta a entregar à Embaixada de Israel, na próxima Quarta-feira, dia 2 de Junho, pelas 18h00 (R. António Enes 16, transversal à Av. 5 de Outubro)</p>]]></content:encoded>
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		<title>É hora!</title>
		<link>http://5dias.net/2010/05/28/e-hora/</link>
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		<pubDate>Fri, 28 May 2010 17:17:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>
		<category><![CDATA[luta dos trabalhadores]]></category>

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		<description><![CDATA[O momento não é para nos resignarmos, ficarmos calados, e baixarmos os braços. O momento não é para nos limitarmos às queixas no café ou na fila das Finanças. O momento não é cairmos na esparrela das alegadas &#8220;inevitabilidades&#8221;. O &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/05/28/e-hora/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.cgtp.pt/index.php"><img class="aligncenter" src="http://go2.wordpress.com/?id=725X1342&amp;site=pracadobocage.wordpress.com&amp;url=http%3A%2F%2Fpracadobocage.files.wordpress.com%2F2010%2F05%2Fmanif20100529tarja2.jpg&amp;sref=http%3A%2F%2Fpracadobocage.wordpress.com%2F" alt="" width="152" height="216" /></a><br />
O momento não é para nos resignarmos, ficarmos calados, e baixarmos os braços.<br />
O momento não é para nos limitarmos às queixas no café ou na fila das Finanças.<br />
O momento não é cairmos na esparrela das alegadas &#8220;inevitabilidades&#8221;.<br />
O momento não é para deixarmos o Governo pensar e decidir por nós, segundo os seus interesses e de quem os representa.<br />
O momento não é para abdicar da soberania nacional, e deixar a Europa ditar a nossa política nacional, que não serve os interesses nacionais, mas os da Alemanha e que tais.<br />
O momento não é para Velhos do Restelo, nem observar os céus à espera de uma resposta.<br />
O momento não é esquecermos a crise e ir ao Rock in Rio ou esperar o Mundial.</p>
<p>Também –<br />
Não é altura de desespero, de dar o futuro por perdido, de deixar de acreditar no nosso país.<br />
Não é altura de perder confiança na nossa capacidade, no nosso potencial, na nossa riqueza humana e social.<br />
Não é altura de nos fechar em copas, a sete chaves, ou como uma ostra.</p>
<p>É hora, sim, de dizer Basta! aos ataques contra os nossos direitos.<br />
É hora de todos os afectados pelas políticas monopolistas, nacionais e internacionais, se unirem.<br />
É hora de chamar, em alta voz, as coisas pelas seus nomes: estão a roubar-nos o nosso salário e o nosso futuro.<br />
É hora de dizer Não! às privatizações previstas e ao hipotecar do nosso património económico.<br />
É hora de de dizer a verdade: que a nossa economia interna precisa do aumentos salariais, não congelamentos e decréscimo de investimento público.<br />
É hora de exigir e implementar as propostas alternativas para um Portugal ao serviço dos Portugueses, do seu desenvolvimento económico, social e cultural.</p>
<p>O momento é chave. O momento é de luta, resistência e exigência.<br />
Luta travada com confiança, determinação, convicção e dedicação.</p>
<p>Todos aqueles atingidos pelas políticas de direita, que têm vindo a escamotear as &#8220;portas que Abril abriu&#8221;, devem sair amanhã à rua, na Manifestação Nacional convocada pela CGTP, no Marquês de Pombal, às 15h, em Lisboa.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Perguntas justas</title>
		<link>http://5dias.net/2010/05/21/perguntas-justas/</link>
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		<pubDate>Fri, 21 May 2010 21:09:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>
		<category><![CDATA[luta dos trabalhadores]]></category>

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		<description><![CDATA[Quem tenha andado mais distraído das notícias nas últimas semanas, facilmente perde o fim à meada da origem e momento em que foram anunciadas uma panóplia de ataques aos salários e pensões, ao 13º mês, de anúncios de privatizações, de &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/05/21/perguntas-justas/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quem tenha andado mais distraído das notícias nas últimas semanas, facilmente perde o fim à meada da origem e momento em que foram anunciadas uma panóplia de ataques aos salários e pensões, ao 13º mês, de anúncios de privatizações, de subidas de impostos. Primeiro houve o Pacto de Crescimento e Estabilidade, acordado ao nível da União Europeia. Depois o Programa de Crescimento e Estabilidade, acordado durante um tango entre Sócrates e Passos Coelho. Este Programa por sinal tem o mesmo acrónimo que o anterior Pacto (Coincidência? A verdade é que confunde quando só se usam os acrónimos.). Chamemos ao primeiro PEC-UE e ao segundo PEC-PT. Como o PEC-PT não bastava, Sócrates, de novo dando as mãos com Passos Coelho, anuncia o Programa de Austeridade (podia-se abreviar para PDA). Aos acrónimos juntam-se inúmeras medidas avulsas, incluindo a publicação de há dias da diminuição das comparticipações nos  medicamentos e o despacho afectando os nossos impostos que deveriam passar pela Assembleia da República, como foi levantado hoje na discussão da <a href="http://" target="_self">moção de censura</a>.</p>
<p>Neste debate, Sócrates disse uma coisa de jeito: como é que o PSD [e os CDS-PP] – alvos da moção de censura, os três mosqueteiros dos interesses económicos e da política de direita – se abstiveram? De resto, Sócrates foi incapaz de justificar como é capaz de tão rapidamente e repetidamente contrariar-se. Diz que apresentar agora uma moção de censura é <em>irresponsável</em>. Assume que a sua apresentação só pode ter como finalidade o derrube do governo. Mas não. Uma moção de censura tem como objectivo político censurar a actuação do Governo, sempre que este mereça ser censurado. Se daí advém o derrube do Governo dependerá da AR e do autismo e ortodoxia do Governo.</p>
<p>Atingimos agora o máximo histórico de desemprego <em>oficial</em> (10,6%). Temos crescimento quase zero do PIB, sem perspectivas de recuperação (sobretudo se as medidas previstas pela direita forem implementadas, pois ficamos com o aparelho produtivo ainda mais delapidado). Temos um défice público quase nos dois dígitos! Isto então deve levantar as sobrancelhas dos que apesar da má governação Sócrates  em maioria, voltaram a votar nele. Então ele tinha conseguido, à custa do sacrifício dos trabalhadores, das &#8220;reformas&#8221; dos sectores públicos, do encerramento de escolas, maternidades e centros de urgência, da reforma dos Laboratórios de Estado, etc. reduzir a despesa do Estado. Tudo para cumprir os sacrossantos critérios de convergência. Como é que agora subiu tão drasticamente?<span id="more-37940"></span></p>
<p>No comício do PCP de ontem, na Voz do Operário em Lisboa, Jerónimo de Sousa, a meio da<a href="http://pcp.pt/n%C3%A3o-ao-roubo-nos-sal%C3%A1rios" target="_self"> sua intervenção</a>, colocou exactamente essas perguntas muito pertinentes</p>
<blockquote><p>Em 2008 o défice estava em 2,8% e hoje está em 9,3. E porque é que aumentou assim tão rapidamente o défice do Estado? Foi porque o Estado resolveu aumentar fundamentalmente as despesas nos serviços públicos? Foi porque os trabalhadores da Função Pública foram substancialmente aumentados? Foi porque houve uma política arrojada de investimento?</p>
<p>Não! Foi porque o Estado e a banca pública tiveram de ir em socorro do sistema financeiro. Na altura o PCP advertiu: não venham depois apresentar a factura dos desmandos do BPP, do BPN e do BCP nos mesmos do costume. Contraíram a economia, caiu o PIB, cortaram as receitas, aumentou o desemprego, aumentaram os gastos com a subida do desemprego e com as ajudas aos banqueiros! E para coroar tudo isto mantiveram-se as célebres derrapagens das contas públicas.</p>
<p>Porque será que agora já ninguém fala no BCP, no BPP e no BPN, nem nas dificuldades de outros Bancos no auge da crise financeira? Os défices públicos aumentaram não pelos desmandos do sector público, mas sim pelos desmandos do sector privado, designadamente do sector financeiro!</p></blockquote>
<p>Lembro-me quando era adolescente, sentir raiva quando entendi a forma como o FMI mantinha países da América Latina e África reféns dos seus Programas de Ajustamento Estrutural (PAEs?, pronunciados Pais). Países que depois de explorados e delapidados pelo colonialismo foram forçados a pedir crédito ao FMI, que os forçou a implementar programas neoliberais (a escola de Chicago com os seus pequenos tubos de ensaio) que abriram as portas às transnacionais e deixaram os aparelhos produtivos e serviços públicos nacionais de rasto. É entusiasmante ver agora esses países a darem o manguito ao FMI. Mas por outro lado, sinto-me em Portugal como um desses países nos anos 80. Sem soberania sobre o destino da nossa economia produtiva e monetária, coagido por estrangeiros a tomar opções políticas destrutivas para o país. Sinto que Portugal perdeu de vez a sua soberania, tendo à sua frente porta-vozes de interesses estrangeiros, e dominado pela agenda das transnacionais e do grande capital nacional. <em>Isto é que vai um crise.</em></p>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Entre festejos, aumento de impostos</title>
		<link>http://5dias.net/2010/05/11/entre-festejos-aumento-de-impostos/</link>
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		<pubDate>Tue, 11 May 2010 17:38:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Ensaio Económico]]></category>

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		<description><![CDATA[Que melhor ocasião? Depois das celebrações da vitória do campeonato pelo SLBenfica; no meio da visita papal: Teixeira dos Santos anuncia que não descartou (Newspeak para &#8220;esta a prever&#8221;) aumentar os impostos. Quando estava nos EUA – uma federação fundada &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/05/11/entre-festejos-aumento-de-impostos/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Que melhor ocasião? Depois das celebrações da vitória do campeonato pelo  SLBenfica; no meio da visita papal: Teixeira dos Santos anuncia que não  descartou (<em>Newspeak</em> para &#8220;esta  a prever&#8221;) aumentar os  impostos. Quando estava nos EUA – uma federação fundada na recusa de  pagar impostos ao império Britânico –  tais afirmações eram a morte do  artista, <em>verboten</em>. Felizmente,  não padeço desse reflexo condicionado, pois há impostos e impostos.</p>
<p>Uns  impostos actuam sobre rendimentos, outros sobre património, outros  sobre o consumo. Uns impostos são directos ou progressivos (isto é, têm  escalões maiores para rendimentos, consumos, etc. superiores; caso  do nosso IRS e IRC) e outros são horizontais, iguais para todos. É o caso  do nosso IVA, de 20%, e de 5-12% para os chamados bens de primeira  necessidade como os  produtos alimentares básicos (arroz, massas e água,  por exemplo). Isto no continente, pois na Madeira e Açores é de 15% (e  4-8%). De qualquer forma, o Belmiro, o Berardo e o Américo Amorim pagam o  mesmo por umas bombocas que o Zé Povinho, e Maria da Fonte e eu.</p>
<p>O  IVA em Portugal já é alto. Veja-se em comparações com outros países da  UE:</p>
<p><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/05/IVA.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-36871" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/05/IVA-520x225.jpg" alt="" width="520" height="225" /></a></p>
<p>Não sendo dos valores de de IVA mais altos na UE, anda la vizinhança. Na  vizinha Espanha é de 18% (depois de um recente aumento de 2%), na  Alemanha 19%, no Reino Unido 17,5%.</p>
<p>Ora, não sou economista, mas  parece-me óbvio que a solução para o défice orçamental e a nossa  economia portuguesa não passa por um aumento do IVA ou um imposto sobre  os salários e sobre o 13º mês, outras possibilidades &#8220;não descartadas&#8221;.  Um aumento do IVA estrangulando os já magros rendimentos da vasta  maioria da população, vai diminuir o consumo interno e atingir sobretudo  as pequenas e médias empresas (com algum possível benefício das grandes  superfícies). Só vejo desvantagens macroeconómicas nisso. O mesmo  sucede com aumentos fiscais sobre os salários e o 13º mês.</p>
<p>Se  querem aumentar os impostos há uma panóplia de outras possibilidades que  além de não agravarem as desigualdades sociais podem contribuir com  milhões para os cofres do Estado. Aumentem os escalões contribuintes do  IRS sobre as maiores fortunas: esses magnatas já não estão a investir na  produtividade nacional, não há risco de esses impostos afectarem  negativamente a nossa economia. Aumentem os escalões do IRC sobre as  grande empresas: tal não afectaria as pequenas e médias empresas onde  estão a maior parte dos postos de trabalho. Aumentem as tributações  sobre as mais-valias e transacções especulativas, até como medida de  maior regulação do capitalismo de casino que, mais uma vez, nada  contribui para o sector produtivo e o PIB. E por fim, tenham tomates no  combate à evasão fraude fiscal. Leiam o artigo do economista Eugénio  Rosa (<a href="http://www.google.pt/url?sa=t&amp;source=web&amp;ct=res&amp;cd=1&amp;ved=0CBEQFjAA&amp;url=http%3A%2F%2Fwww.eugeniorosa.com%2FSites%2Feugeniorosa.com%2FDocumentos%2F2009%2F8-2010-OE2010-Evasao-fraude-injustica-fiscal.pdf&amp;ei=_4vpS-z3PJeUsQbE-pjkCQ&amp;usg=AFQjCNGs4fZGDh6D6MJVoJVVZkO0bl7dTQ&amp;sig2=pwez-f3fYDWjnGu7095FNQ">OE2010  – A EVASÃO E A FRAUDE FISCAL EM PORTUGAL EXPLICAM MAIS DE 3.000 MILHÕES  DE EUROS DO DÉFICE DE 2009, E NÃO VAI DIMINUIR EM 2010</a>; de Agosto  deste ano):</p>
<blockquote><p>Segundo o Relatório do OE2010, a perda de receita fiscal atingirá, em  2010, 2.536 milhões € quando, em 2009, atingiu 2.407 milhões €, sendo  cerca de 69% só no IRC. Só no período 2005-2010, com Sócrates, o Estado  perde 15.605 milhões € de receitas fiscais.</p></blockquote>
<p>Falar em aumentar os impostos que atingem os trabalhadores, deixando  tranquilos os mais ricos e as suas empresas, só demonstra claramente a  natureza de classe da política fiscal de um governo dito socialista. É  que também há crise e crise. Nos primeiros 3 semestres deste ano, os grandes bancos acumularam lucro de 5,5 milhões de euros/dia.</p>
<p><a href="http://jangada-de-pedra.blogspot.com/2010/05/entre-festejos-aumentos.html#aviso">Aviso</a></p>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Fascismo e Estado Novo: uma ligação umbilical (Parte 2 de 2)</title>
		<link>http://5dias.net/2010/04/23/fascismo-e-estado-novo-uma-ligacao-umbilical-parte-2-de-2/</link>
		<comments>http://5dias.net/2010/04/23/fascismo-e-estado-novo-uma-ligacao-umbilical-parte-2-de-2/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 23 Apr 2010 11:38:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Estado Novo]]></category>
		<category><![CDATA[Fascismo]]></category>
		<category><![CDATA[salazar]]></category>

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		<description><![CDATA[[2ª parte de texto de João Aguiar, Sociólogo, Univ. Porto; 1ª parte foi publicada será publicada dia 21 de Abril.] A semelhança estrutural e processual entre o fascismo português e o italiano e alemão No fundo, existiu uma profunda semelhança &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/04/23/fascismo-e-estado-novo-uma-ligacao-umbilical-parte-2-de-2/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>[<em>2ª parte de texto de João Aguiar, Sociólogo, Univ. Porto; 1ª parte  foi publicada será publicada </em><a href="../2010/04/21/fascismo-e-estado-novo-uma-ligacao-umbilical-parte-1-de-2/"> dia 21 de Abril</a><em>.</em>]</p>
<p><strong>A semelhança <em>estrutural e processual</em> entre o fascismo português e o italiano e alemão</strong></p>
<p>No fundo, existiu uma profunda <em>semelhança estrutural e processual</em> – portanto em termos de <em>substância</em> e não se atendendo a questões estr(e)itamente quantitativas, ou seja, de <em>grau</em> – entre a PVDE/PIDE/DGS e a polícia política alemã. Que a polícia política portuguesa tenha prendido, torturado ou assassinado em patamares numéricos inferiores, não apaga essa <em>semelhança estrutural e processual</em> entre ambas. Mais uma vez trata-se de dar inteligibilidade a diferenças de <em>grau</em> e não de <em>natureza</em> entre o regime do Estado Novo e o regime hitleriano. Aliás, o argumento de que a PIDE – pilar nuclear do regime – não teria nada (ou pouco) a ver com a Gestapo, ou de que o fascismo português seria oposto ao registado nos casos alemão e italiano omite dois aspectos essenciais.</p>
<p>Em primeiro lugar, as diferentes situações históricas inevitavelmente geraram diferentes respostas desses regimes. O fascismo português, ao contrário da Alemanha nazi, não foi criado para destruir uma vizinha e poderosa União Soviética, baluarte e exemplo dos direitos e conquistas dos trabalhadores e dos povos em luta contra o grande capital. Em paralelo, o fascismo português não nasceu de uma conjuntura de fortes movimentações operárias como as registadas na Alemanha entre 1918 e 1923 ou em Itália (1918-1920). Naqueles países altamente industrializados (a Alemanha e o norte de Itália), os Partidos Comunistas e os trabalhadores viveram em contextos de irrupção revolucionária o que implicou uma repressão impiedosa e bárbara do movimento operário e comunista. Em Portugal, o operariado industrial era numericamente inferior a outras camadas pobres da população e a influência de outras correntes políticas não-comunistas (sobretudo, o anarco-sindicalismo) duraram mais tempo. Acrescente-se a isso o facto de em Itália e na Alemanha os resultados da Primeira Guerra Mundial terem sido bem mais nefastos e profundos do que no nosso país. Assim, movimentos de forte revanchismo e nacionalismo colocaram no seu programa político a exterminação de outros povos, algo que em Portugal iria acontecer mais tarde, aquando das lutas de libertação nacional empreendidas em África contra o colonialismo fascista português.<span id="more-35823"></span></p>
<p>Em segundo lugar, nenhum cientista político ou politólogo tem coragem para afirmar que os actuais regimes parlamentares/liberais são distintas configurações de poder, apesar das naturais diferenças entre o Portugal de hoje e de outros regimes parlamentares membros da União Europeia. Ora, então porque tal exercício de enfoque das diferenças e de omissão do essencial e transversal é feito? De facto, só a efectivação de um real processo de revisionismo histórico – das universidades ao meio mediático e político – explica tais procedimentos. Em síntese, não há qualquer justificação científica e metodológica plausível para descartar o fascismo português do conjunto do fenómeno fascista.</p>
<p>Por conseguinte, o contexto histórico português, apesar de diferente, não justifica uma distinta classificação da ditadura de Salazar e Caetano. Entre vários aspectos de semelhança podemos enumerar os seguintes: os objectivos de restaurar pela força e pela repressão mais brutal uma ordem social de base capitalista; reorganizar a dominação de classe da burguesia, garantindo a sua unidade política em torno de um líder incontestado e tomado como infalível nas suas decisões; o expansionismo além-fronteiras e a colonização de outros povos; o propósito de reprimir e aniquilar toda a resistência antifascista, nomeadamente os Partidos Comunistas e os sindicatos de classe. Para isso o fascismo enquanto regime, em Portugal como no estrangeiro, necessitou de instituições repressivas capazes de, por um lado, reprimir a população trabalhadora e, por outro lado, manter uma coesão orgânica e ideológica dentro da classe dominante e das suas estruturas de poder: dos grandes empresários, à Igreja, passando pelas forças armadas e pela administração pública. Nesse sentido, não parece ter sustentação a tese que, entre outros autores, Irene Pimentel vem defendendo de que o Exército seria o principal suporte do regime e a principal razão para que o fascismo português tenha durado tanto tempo. Nas suas palavras, «<em>quem tem as armas, quem tem o monopólio da violência, é que dirige</em>, e não é por acaso que o regime acabou através do Exército»<a href="#_ftn1">[1]</a>. Esta tese da supremacia das forças armadas no fascismo não faz sentido, conquanto este tenha sido uma das instituições mais poderosas nesses regimes políticos. Do nosso ponto de vista, não há um monopólio da violência por parte do exército, pois este não só é partilhado pela polícia, para uso interno, mas sobretudo pela polícia política que tem a legitimidade atribuída pelas altas instâncias do Estado de o utilizar sobre todo o corpo da sociedade e no próprio aparelho de Estado, inclusive nas forças armadas. Por outro lado, as forças armadas não tinham a direcção política do uso da violência. Tal era pertença – esta sim monopolizada – do Governo e, especialmente, do Presidente do Conselho, dos Ministros da Guerra (a partir de 1945, da Defesa) e do Interior. A própria polícia política tinha poderes de uso da força bem mais discricionários e autónomos do que as forças armadas. Na prática, os dirigentes políticos fascistas sempre se mostraram com uma clara predominância e hegemonia política face às forças armadas. A tese da supremacia das forças armadas na determinação das políticas do regime de Salazar e Caetano serve dois propósitos: 1) secundariza e desvaloriza o papel da PIDE na repressão do povo português, logo, ofusca a própria repressão; 2) desvia as atenções sobre quem realmente detinha o poder no regime – Salazar e a PIDE – e, no fundo, acaba por desculpabilizá-los da duração do regime.</p>
<p>A coesão entre o Executivo governamental, o exército e a polícia política formaram o triângulo de poder do Estado Novo. No topo da hierarquia do Estado encontrava-se o Presidente do Conselho de Ministros, secundado por um Executivo e um aparelho repressor sustentado na polícia política suficientemente fiéis e coesos para controlarem politicamente o exército. Este triângulo de poder assumia propriedades estruturais extremamente próximas com as registadas nos fascismos alemão e italiano. Desviar o olhar público destas questões para o nível de contas de mercearia só justificará, cada vez mais, a revisão histórica do carácter fascista do auto-denominado Estado Novo. Indo mais além, utilizar a própria classificação que o regime criou para se legitimar a si mesmo como ponto de partida para compreender a realidade dos 48 anos de ditadura, apenas redundará no aprofundamento de fenómenos que na actualidade se revestem com roupagens mais ou menos abertamente fascizantes. Daí que a assunção do carácter fascista do regime seja, cada vez mais, um elemento capital na luta ideológica, não apenas pela preservação da memória histórica de quem lutou com a sua vida e as suas forças contra o fascismo, mas também na actual luta contra a barbárie neoliberal e imperialista. Barbárie neoliberal e imperialista que assume um rosto militarista e desumano que vem de trás e que, como no passado, só a luta dos povos e dos trabalhadores derrotou e pode derrotar.</p>
<hr size="1" /><a href="#_ftnref1">[1]</a> Irene Pimentel (2007) – <em>PIDE, “A tortura é mais eficaz, as pessoas falavam”</em>: entrevista ao jornal <em>Público</em>. Edição de 21 de Outubro de 2007, caderno P2, p.6.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Fascismo e Estado Novo: uma ligação umbilical (Parte 1 de 2)</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Apr 2010 21:37:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Fascismo]]></category>
		<category><![CDATA[salazar]]></category>

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		<description><![CDATA[Se o auto-denominado Estado Novo teve, inegavelmente, particularidades próprias bem presentes ao longo da sua existência, importa reconhecer o essencial: o carácter católico-conservador do regime, a sua menor dimensão na mobilização de massas e o carácter repressivo (e repressor) quantitativamente inferior (em termos absolutos) que acalentou relativamente aos dois casos mais canónicos de autoritarismo fascista na Europa do século XX (a Itália de Mussolini e a Alemanha de Hitler) correspondem a diferenças de grau mas não de natureza. Em suma, analisando as propriedades políticas da ditadura portuguesa, chegaremos à conclusão que em Portugal houve fascismo. <a href="http://5dias.net/2010/04/21/fascismo-e-estado-novo-uma-ligacao-umbilical-parte-1-de-2/">Ler o resto<span class="meta-nav">_</span></a> <a href="http://5dias.net/2010/04/21/fascismo-e-estado-novo-uma-ligacao-umbilical-parte-1-de-2/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right"><img class="alignleft" src="http://library.thinkquest.org/5026/Images/hitler1.jpg" alt="" width="192" height="139" /> <em>Isso que aí está esteve quase a governar o mundo.<br />
Mas os povos dominaram-no. No entanto,<br />
desejaria não ouvir o vosso triunfante canto:<br />
o ventre, donde isto saiu, ainda é fecundo.</em></p>
<p style="text-align: right">Bertold Brecht</p>
<p style="text-align: right">
<p><strong>Introdução</strong></p>
<p>O nosso propósito central neste artigo<a href="#_ftn1">[1]</a> passa por dar conta de vectores que chamem a atenção para as <em>propriedades nucleares e constitutivas do fascismo</em> e de que modo se encontram presentes na matriz social, política e económica do chamado Estado Novo. Daí que os enunciados avançados coloquem ênfase na crítica às concepções que apenas ou mais agudamente privilegiam: a) a <em>forma</em> das instituições ou as manifestações específicas do processo histórico, em detrimento da sua <em>substância</em>; b) a dimensão institucional, descartando a sua articulação com uma variável extremamente pertinente nas Ciências Sociais: a classe social; c) o lado facial e aparente da relação Estado/partido com as massas e menos com o que subjaz a esse triângulo: a dominação política e simbólico-ideológica de classe; d) a personalidade conservadora e taciturna de Salazar, em prejuízo do papel <em>político,</em> e não meramente carismático e de tribuno, do líder no Estado fascista. Em resumo, se o auto-denominado Estado Novo teve, inegavelmente, particularidades próprias bem presentes ao longo da sua existência, importa reconhecer o essencial: o carácter católico-conservador do regime, a sua menor dimensão na mobilização de massas e o carácter repressivo (e repressor) <em>quantitativamente</em> inferior (em termos absolutos) que acalentou relativamente aos dois casos mais canónicos de autoritarismo fascista na Europa do século XX (a Itália de Mussolini e a Alemanha de Hitler) correspondem a <em>diferenças de grau mas não de natureza</em>. Em suma, analisando as propriedades políticas da ditadura portuguesa, chegaremos à conclusão que em Portugal houve fascismo.</p>
<p><strong>A repressão do movimento operário e a ascensão do fascismo: uma ligação incontornável</strong></p>
<p>O estado de subdesenvolvimento político da classe operária portuguesa na época da Primeira República não significa que sectores seus não tivessem resistido à implantação do regime da ditadura militar e ao Estado Novo. De facto, só quebrando a espinha dorsal do movimento operário e popular então existente o fascismo poderia levar a cabo uma política económica capaz de aprofundar lógicas capitalistas. A repressão do reviralho, a proibição dos partidos políticos e dos sindicatos, a repressão de dirigentes operários e políticos de esquerda, nomeadamente do jovem PCP, constituem acções que enfraqueceram nitidamente o jovem movimento operário português. Em todo este processo cabe sublinhar a acção repressiva que o regime fascista teve relativamente à greve geral de 18 de Janeiro de 1934, provavelmente o último fôlego de massas do movimento operário português nascido no final da monarquia e no início da I República (1910-1926). Face a essa mobilização da classe operária portuguesa, o regime realizou, segundo alguns estudos, «um total de 696 presos»<a href="#_ftn2">[2]</a>, constituindo o «esfrangalhar dos núcleos de resistência à organização corporativa»<a href="#_ftn3">[3]</a>, isto é, abrindo espaço para que o sindicalismo corporativo do fascismo se cimentasse. Deste ciclo de derrotas e de repressões sobre o movimento operário por parte do fascismo, a classe trabalhadora portuguesa só se recomporia a partir das greves de 1943-44, onde, fruto da sua reorganização de 1941, o PCP iria despontar como a grande força política da resistência ao regime fascista e onde toda uma nova geração de operários iria sofrer uma nova aprendizagem política: com a Guerra Civil de Espanha (1936-39); com a luta de comunistas e outros democratas pela vitória nas eleições para os Sindicatos Nacionais, com o objectivo de desalojar as direcções sindicais alinhadas com o regime; com o desenrolar da II Guerra Mundial e a derrota do Eixo infligida pelo Exército Vermelho. Se o fascismo foi indiscutivelmente um factor de repressão do movimento operário e popular, também é indiscutível que teve de contar com a resistência dos comunistas, de democratas e dos trabalhadores.<span id="more-35821"></span></p>
<p><strong>Crítica das teses que retiram o Estado Novo dos fenómenos fascistas</strong></p>
<p>Na teorização dos fenómenos autoritários europeus Hannah Arendt ocupa um lugar de relevo. Distinguindo totalitarismo de autoritarismo, a autora pretendia na sua obra <em>The origins of totalitarianism</em>, por um lado, separar o nazismo alemão de outros regimes fascistas ou autoritários, caso do italiano de Mussolini, do português de Salazar, do espanhol de Franco. Por outro lado, nessa mesma obra a autora agrupa a Alemanha nazi com a União Soviética de Stáline, como os dois pretensos exemplos máximos de totalitarismo. Na base de todo este procedimento anticomunista da época (e que hoje continua) estaria o que autora chama de vector liberdade/regime político. Para Arendt, «o princípio da autoridade» estaria «diametralmente oposto ao da dominação totalitária»<a href="#_ftn4">[4]</a>. Nesse sentido, a autoridade, e mais ainda no que concerne aos regimes autoritários, «está sempre destinada a restringir ou a limitar a liberdade, mas nunca a aboli-la»<a href="#_ftn5">[5]</a>. Por seu lado, «a dominação totalitária procura abolir a liberdade, mesmo em eliminar a espontaneidade humana em geral»<a href="#_ftn6">[6]</a>. Segundo o pensamento anticomunista da autora, a classificação dos regimes políticos em democráticos, autoritários ou totalitários passaria, portanto, pela sua relação de, respectivamente, incremento, restrição e abolição da liberdade. O critério utilizado é formalmente elegante mas parece explicar pouco em termos das características estruturais que dizem respeito a cada regime político. Indo mais longe, que conceito de liberdade subjaz a essa análise? Liberdade política, económica, ou outra? Liberdade para quem e como ela se exerce? Liberdade proclamada ou efectivada? Ora, quando o fascismo português proibia sindicatos livres e partidos políticos oposicionistas, particularmente o PCP, quando o fascismo reprimia greves de trabalhadores, concretizando-se em prisões, torturas, despedimentos de activistas e participantes nas greves, etc. apenas limita a liberdade de organização dos trabalhadores ou pretende, de facto, aboli-la? Quando o fascismo de Salazar e Caetano assassina militantes e dirigentes comunistas será mesmo que apenas visaria restringir a acção do PCP ou abolir este Partido? Por aqui se percebe a sinuosidade das categorias utilizadas pelos teóricos não-marxistas para caracterizar os regimes políticos. Assim, o desenvolvimento de um esforço de classificação dos regimes políticos que tenha como pedra angular um conceito tão relativo como é o de totalitarismo (se é que chega sequer a ser um conceito) parece-nos condenado à partida. Se é evidente que uma análise tipológica dos regimes políticos não se desliga nunca de valores, partir destes para chegar a uma classificação teórica, é um exercício epistemologicamente débil e, mais do que isso, sujeito a arbitrariedades de avaliação por parte do investigador, bem como se torna fácil embutir eventuais subjectivismos no quadro de análise. Em suma, só um perverso enviesamento teórico e ideológico permite que Arendt (e todos os seus seguidores portugueses de hoje, com Irene Pimentel à cabeça) justifique uma fusão entre dois regimes abertamente antagónicos como o socialismo e o nazismo e, ao mesmo tempo, descarte a ligação profunda entre o fascismo português e os restantes regimes ditatoriais de raiz fascista. Por via da propaganda norte-americana do pós-guerra os escritos de Hannah Arendt sobre o totalitarismo tornaram-se um clássico para todos os detractores do ideal comunista. Por um lado, permite-lhes defender a tese de que o comunismo seria tão bárbaro como o fascismo. Por outro lado, o preconceito de classe erigido em livro permite-lhes desresponsabilizar outros regimes fascistas sobreviventes à Segunda Guerra Mundial e, assim, omitir o apoio dos EUA e seus aliados ocidentais à ditadura fascista portuguesa.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>A lei no fascismo como legitimação do regime</strong></p>
<p>Vários suavizadores do carácter fascista do Estado Novo procuram salvar a face do regime apresentando-o como um regime autoritário de Direito. Isto é, o regime teria assumido contornos repressivos apenas por causa do contexto da época e, na sua base, teria um substrato constitucional e legislativo democrático. No fundo, é como se as atrocidades cometidas fossem causa de disfunções do regime e de actos externos à vontade de Salazar e Marcelo Caetano, pois estes teriam pautado a sua actuação governativa no respeito da lei. Ora, como argutamente caracterizou Álvaro Cunhal, no fascismo a lei «é uma cobertura do arbítrio e do despotismo»<a href="#_ftn7">[7]</a>. Recorrendo ao exemplo dos artigos 8º e 81º da Constituição de 1933, Álvaro Cunhal chama a atenção para o abismo que separa os preceitos jurídicos que (supostamente) regiam a ditadura e a sua prática efectiva. O artigo 8º da Constituição de 1933 definia os direitos, liberdades e garantias individuais dos cidadãos portugueses. O artigo 81º dizia respeito à competência do Presidente da República nomear o Presidente do Conselho e os Ministros, e exonerá-los. Ontem como hoje, tomar à letra tais preceitos constitucionais, sem atender à sua concretização ou não concretização, só ajuda a obscurecer a natureza da lei no fascismo. Isto é, o seu papel cosmético e subalterno na definição da organização e funcionamento internos do Estado. Portanto, qual era a realidade viva das práticas políticas do Estado fascista português? Relativamente ao artigo 8º Cunhal aponta as principais directrizes do Estado Novo em termos de violação dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos portugueses:</p>
<p>«Na verdade, nenhuma forma de expressão do pensamento contrário ao pensamento oficial é permitida; não é autorizada nenhuma forma de organização da Oposição, nem permitidas reuniões políticas não integradas na ordem vigente; a PIDE irrompe pelas casas dos cidadãos, viola a correspondência, prende e mantém longos meses e mesmo anos na prisão sem culpa formada os opositores, quando não os mata com torturas ou assassina friamente a tiro; os fascistas caluniam torpemente os democratas; qualquer resistência à arbitrariedade é acusada de subversão; nem direito ao trabalho, nem direito à vida e à integridade pessoal»<a href="#_ftn8">[8]</a> era assegurado a um qualquer opositor do regime. Álvaro Cunhal concluía dizendo que «o artigo 8º» era «uma disposição concebida, escrita, promulgada, com fins puramente demagógicos»<a href="#_ftn9">[9]</a>. Sobre o artigo 81º basta referir que Salazar nunca correu risco de ser exonerado por qualquer um dos 3 Presidentes da República (Óscar Carmona, Craveiro Lopes, Américo Tomás). De facto, Salazar deteve sempre nas suas mãos o poder de Estado. Da mesma forma, Salazar sempre contactou directa ou indirectamente (através do Ministério do Interior) com a polícia política. A política de repressão passou sempre pela ligação umbilical entre o ditador e a sua polícia. Polícia política repressiva, educada nos preceitos da Gestapo alemã (e mais tarde da CIA) e com uma função idêntica à registada pela sua congénere alemã: reprimir a resistência antifascista, manter a coesão dentro da estrutura estatal, defender Salazar de outros eventuais competidores pelo poder no regime, manter a supremacia dos líderes políticos fascistas sobre as forças armadas.</p>
<p>[<em>1ª parte de texto de João Aguiar, Sociólogo, Univ. Porto; 2ª parte será publicada dia 23 de Abril.</em>]</p>
<hr size="1" /><a href="#_ftnref1">[1]</a> Noutro trabalho desenvolvemos mais aprofundadamente alguns dos argumentos aqui apresentados: João Valente Aguiar (2008) – <em>Fascismo e Estado Novo: uma aproximação ao tema</em>. Lisboa: Apenas Livros. <a href="http://apenas-livros.com/pagina/apenas_de_cordel/indice?id=306&amp;sid=d4084633c88ed482b62f39ffe62ea2fd">http://apenas-livros.com/pagina/apenas_de_cordel/indice?id=306&amp;sid=d4084633c88ed482b62f39ffe62ea2fd</a></p>
<p><a href="#_ftnref2">[2]</a> Fátima Patriarca (2000) – <em>Os sindicatos contra Salazar: a revolta do 18 de Janeiro de 1934</em>. Lisboa: Imprensa de Ciências Sociais, p.458</p>
<p><a href="#_ftnref3">[3]</a> Idem, p.490.</p>
<p><a href="#_ftnref4">[4]</a> Hannah Arendt (1994 [1951]) – <em>The origins of totalitarianism</em>. Nova Iorque e Londres: Harcourt, p.404.</p>
<p><a href="#_ftnref5">[5]</a> Idem, p.405.</p>
<p><a href="#_ftnref6">[6]</a> Idem.</p>
<p><a href="#_ftnref7">[7]</a> Álvaro Cunhal (1994 [1967]) – <em>Acção revolucionária, capitulação e aventura</em>. Lisboa: Edições Avante!, p.96</p>
<p><a href="#_ftnref8">[8]</a> Idem, p.99</p>
<p><a href="#_ftnref9">[9]</a> Idem.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Casamento gay</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Mar 2010 07:35:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Assim era intitulado uma pequena carta escrita ao jornal gratuito Metro datada de 12 de Março de 2010. subscrita por Normando Fontura. É pequena, mas rica, pelo que a transcrevo na totalidade: «Como homem te não deitarás, como se fosse &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/03/28/casamento-gay/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Assim era intitulado uma pequena carta escrita ao jornal gratuito Metro datada de 12 de Março de 2010. subscrita por Normando Fontura. É pequena, mas rica, pelo que a transcrevo na totalidade:</p>
<blockquote><p>«Como homem te não deitarás, como se fosse mulher; abominação é &#8230; porque toas estas abominações fizeram os homens desta terra &#8230; e a terra foi contaminada&#8221; (Bíblia Sagrada&#8221;. A prática legalizada desta abominação aos olhos de Deus levou à ruína e extinção de poderosas civilizações, especialmente a romana. Seria que ainda não aprendemos?»</p></blockquote>
<p>Guardei o pequeno texto pois trata-se de uma pérola ilustrativa de retórica mal construída de um liberalismo cristão com o qual não me havia ainda confrontado directamente em Portugal, mas que é muito frequente nos EUA, onde vivi vários anos.</p>
<p>Por onde começar?</p>
<p>1. o argumento nada tem que ver especificamente com o casamento per si, mas com a realização de actos homossexuais, e destes apenas os entre homens.</p>
<p>2. o douto crente podia ter citado a escritura específica para nossa edificação. Trata-se de Levítico 18:22: «<em>Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é;</em>». Já agora, caso algum leitor tenha dúvida, não gostando de mulheres, a bíblia também proíbe que um homem se deite com qualquer outro animal :«<em>Nem te deitarás com um animal, para te contaminares com ele; nem a mulher se porá perante um animal, para ajuntar-se com ele; confusão é.</em> [Levítico 18:23]» Suponho que o género do outro animal seja indiferente. Cuidado pois às pessoas que deixam os cães ou gatos dormir nas suas camas. Brinco, pois o verbo &#8220;deitar&#8221; é aqui usado no mesmo sentido de Adão ter &#8220;conhecido&#8221; Eva, isto é, tiveram relações sexuais. No que consiste ter relações sexuais é matéria legal sobre a qual o ex-presidente Bill Clinton desenvolveu pormenorizada análise. Deixemos essas considerações de parte, e assumamos que o velho testamento se referia não a sexo oral, nem à inserção de charutos nas partes intimas, mas sim ao acto de sodomia, ou sexo anal.</p>
<p>3. Sendo que o escritor da carta se refere meramente à &#8220;abominação do acto&#8221;, e sua pratica legalizada, que em nada se alterou com a recente lei, suponho que a sua preocupação com a extinção da nossa civilização já vem de longa data. Em certas regiões dos EUA a sodomia é efectivamente proibida por lei, mesmo quando praticada na privacidade do lar, mas não creio que tal tenha sido o caso em Portugal. A única alteração recente na legislação desta &#8220;abominação&#8221; é a proposta de permitir que casais homossexuais se possam casar legalmente. Tendo em conta que aglguns estudos demonstram que a frequência de relações sexuais de indivíduos que contraem matrimónio, talvez esta lei até permita diminuir a frequência de &#8220;abominações&#8221;.</p>
<p>4. É sempre notório que ao se levantar a questão da homossexualidade e do casamento, a discussão tende a referir-se quase exclusivamente à homossexualidade feminina. Terá o Velho Testamento alguma iluminação sobre essa vertente. Sabemos que a mulher não se pode &#8220;deitar&#8221; com um cavalo, ou um hamster. Mas e com uma outra mulher? Ou temos ainda a postura da Rainha Victoria de Inglaterra, que não se referia ao tema, porque simplesmente não o achava concebível. Certamente que as horas de filmes porno de sexo lésbico (muito dele dirigido a homens) vem demonstrar que o acto é possível. Há também casos de casais de mulheres felizes que nos demonstram que não se trata apenas de um acto carnal, mas que há sentimentos de amor e envolvimento emocional. Será também uma abominação, embora não tenhamos palavras sagradas para nos orientar?</p>
<p>5. Estas &#8220;abominações&#8221; foram aparentemente responsáveis pela ruína de civilizações poderosas, como o romana (!), e porque não da grega. E já agora do Império Britânico, pois certamente nos colégios internos ingleses deveria haver muita &#8220;abominação&#8221;. Terá sido essa a razão da queda dos Egípcios, dos Incas, dos Maias. Ou, não sei, será que existem outros factores históricos (sociais, económicos, políticos, militares) responsáveis pelas suas quedas. Grandes conquistadores, como o Alexandre o Grande, não parecem ter padecido de fracassos militares devido à distracção com a &#8220;abominação&#8221;. E que tal civilizações menos poderosas, mas mais de maior longevidade? Na Polinésia, faz parte do rito de iniciação sexual dos jovens adolescentes engolirem o sémen dos homens adultos, após uma &#8220;abominação&#8221;, para depois serem capazes de produzir sémen por si próprios e fertilizarem as suas esposas. Esta prática dura há centenas de anos. E a civilização ocidental não lhes destruir a cultura, continuaram a praticar este rito durante mais outras centenas de anos.</p>
<p>6. Por fim, quem faz apelo à interpretação literal de citações do velho testamento, tem de estar preparado para responder a outras questões levantadas por outras passagens. Ao ler a carta, lembrei-me de um fragmento de um episódio da série televisiva chamada &#8220;West Wing&#8221; (&#8220;Os Homens do Presidente&#8221;, em Portugal), que contava com o actor Martin Sheen na personagem de Joshiah Bartlett como Presidente dos EUA. Devo confessar que se trata de uma das minhas séries de televisão preferidas, já tendo visto as 7 temporadas umas 4 vezes. Tem um ritmo fantástico, um guião sublime, actores estupendos, e como um todo consiste num profunda lição sobre política, e em particular sobre o processo político nos EUA. Recomendo vivamente. Sobretudo para os que, por exemplo, acham que os políticos escrevem os seus próprios discursos, ou que não são influenciados por lobbies e pressões de membros do seu próprio partido. A série teve um atractivo adicional (embora tivesse valor em qualquer altura) por ter exposto um presidente liberal ficcional na Casa Branca durante os anos de George W. Bush. Dos muitos autocolantes políticos que me recordo ver nessa altura, um engraçado dizia que &#8220;O meu presidente é Josiah Bartelett&#8221;. Serve isto também para contrariar quem pensa que os estadunidenses não são activistas políticos. Vi nos anos Bush, sobretudo depois do esfriar do Onze de Setembro, mas autocolantes e tomadas de posição pública aberta sobre políticos e política, do que vejo em Portugal. Muita dela através de autocolantes nos carros, mas trata-se do meio meio mais visível no planeamento sub-urbano dependente do automóvel. <a href="http://www.youtube.com/watch?v=M0tPacqPe9o" target="_self">Vejam então o que Bartlett responde a uma evangelista que interpreta literalmente a Bíblia.</a></p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://5dias.net/2010/03/28/casamento-gay/"><img src="http://img.youtube.com/vi/M0tPacqPe9o/2.jpg" alt="" /></a></span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Homenagem a João de Freitas Branco</title>
		<link>http://5dias.net/2010/03/08/homenagem-a-joao-de-freitas-branco/</link>
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		<pubDate>Mon, 08 Mar 2010 07:48:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>

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		<description><![CDATA[No ano de 1970, Portugal dava sinais de mudança no campo da cultura. A Fundação Gulbenkian iniciava as suas temporadas musicais, dança e teatro. Mais e mais jovens intelectuais das grandes cidades comentavam a literatura e cinema da época. Haviam &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/03/08/homenagem-a-joao-de-freitas-branco/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No ano de 1970, Portugal dava sinais de mudança no campo da cultura. A Fundação Gulbenkian iniciava as suas temporadas musicais, dança e teatro. Mais e mais jovens intelectuais das grandes cidades comentavam a literatura e cinema da época. Haviam decorrido as importantes lutas académicas, e no estrangeiro, persistiam as lutas contra a guerra no Vietname e pairava ainda a atmosfera do Maio de 68.<br />
Mas em Portugal, a situação política dava poucas mostras de mudança. A esperança dos liberais em Marcelo Caetano saíam goradas. Persistiam as prisões políticas, a censura, a repressão e a guerra colonial.<br />
No Teatro de São Carlos, a morte do anterior director, conduziu ao cargo, fruto dos seus reconhecido méritos intelectuais, um anti-fascista: João de Freitas Branco. Musicólogo do mais alto calibre, homem de esquerda, Freitas Branco conduziu uma reforma na programação e objectivos do São Carlos, envolvendo-se directamente na escolha das companhias e artistas, e cumprindo o papel pedagógico que cabe a qualquer intelectual de esquerda. O São Carlos viveu, durante a sua direcção, algumas das suas melhores temporadas.<br />
Passados 40 anos sob a reforma do São Carlos e 20 anos da morte de João de Freitas Branco, em finais de Fevereiro foi prestada uma justa homenagem no Palácio da Foz, através das intervenção de José Casanova, do Comité Central do PCP, João Maria de Freitas Branco, o filho do musicólogo, e Ana Paula Russo, soprano que encantou a audiência com duas árias de Mozart. <a href="http://www.youtube.com/view_play_list?p=F493EDCFC55BF605" target="_blank">Alguns momentos foram preservados em vídeo</a>:</p>]]></content:encoded>
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		<title>Paz Sim, Nato Não!</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Mar 2010 11:05:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>
		<category><![CDATA[Imperialismo & Guerra]]></category>
		<category><![CDATA[NATO]]></category>
		<category><![CDATA[OTAN]]></category>
		<category><![CDATA[Paz]]></category>

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		<description><![CDATA[APELO Afirmamos que a NATO é uma aliança militar agressiva, e expressamos a nossa oposição à realização da cimeira da NATO em Portugal e aos seus objectivos belicistas. Reclamamos das autoridades portuguesas o cumprimento das determinações da Carta das Nações &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/03/02/paz-sim-nato-nao/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/03/Paz-Sim-Nato-Não.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-33239" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/03/Paz-Sim-Nato-Não.jpg" alt="Paz Sim Nato Não" width="382" height="89" /></a><strong></strong></p>
<p style="text-align: center"><strong>APELO</strong></p>
<blockquote><p>Afirmamos que a NATO é uma aliança militar agressiva, e expressamos a nossa oposição à realização da cimeira da NATO em Portugal e aos seus objectivos belicistas.</p>
<p>Reclamamos das autoridades portuguesas o cumprimento das determinações da Carta das Nações Unidas e da Constituição da República Portuguesa, em respeito pelo direito internacional, e pela soberania e igualdade dos povos.</p>
<p>Reclamamos o fim das bases militares estrangeiras e das instalações da NATO em território nacional, e a retirada das forças portuguesas envolvidas em missões militares da NATO.</p>
<p>Exigimos o desarmamento, o fim das armas nucleares e de destruição maciça, e a dissolução da NATO.</p>
<p>Apelamos a todos os cidadãos defensores da paz, a aderirem a esta campanha subscrevendo este Apelo.</p></blockquote>
<p><em>A Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) anunciou a realização de uma cimeira, no final deste ano, em Portugal, onde prevê, entre outros aspectos, adoptar um «novo» conceito estratégico.</em></p>
<p><em> Preocupadas com os objectivos e significado desta cimeira, um conjunto de organizações mobilizou-se para demonstrar o seu repúdio pela realização deste evento no nosso país desenvolvendo uma Campanha denominada  «Paz Sim! NATO Não!», da qual o <a href="http://www.cppc.pt/" target="_blank">Conselho Português para a Paz e Cooperação</a> faz parte.</em></p>
<p><em> O CPPC, enquanto membro da campanha, convida todos os seus aderentes a subscreverem e divulgarem o apelo, que junto enviamos, como forma de apoio para que os nossos objectivos comuns fiquem mais próximo de serem alcançados.</em></p>
<p><em> Para efectivar a subscrição deste apelo, por favor responder: por e-mail para o endereço <a href="mailto:&#x63;&#x6f;&#x6e;&#x73;&#x65;&#x6c;&#x68;&#x6f;&#x70;&#x61;&#x7a;&#x40;&#x6e;&#x65;&#x74;&#x63;&#x61;&#x62;&#x6f;&#x2e;&#x70;&#x74;" target="_blank"><span class="oe_textdirection">&#x74;&#x70;&#x2e;&#x6f;&#x62;&#x61;&#x63;&#x74;&#x65;&#x6e;<span class="oe_displaynone">null</span>&#x40;&#x7a;&#x61;&#x70;&#x6f;&#x68;&#x6c;&#x65;&#x73;&#x6e;&#x6f;&#x63;</span></a> ou por contacto telefónico para os números 213863575 ou 213863375.</em></p>
<p><em> Com as nossas saudações fraternais,</em></p>
<p><em> O Presidente da Direcção Nacional do Conselho Português para a Paz e Cooperação,</em></p>
<p><em> Rui Namorado Rosa</em></p>]]></content:encoded>
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		<title>Tragédia na Madeira, ou porque vale a pena ver a RTP2</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Feb 2010 13:28:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Previsão da Tragédia no Programa Biosfera]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href='http://www.youtube.com/watch?v=aTf0h3nobAs'>Previsão da Tragédia no Programa Biosfera</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Faleceu Howard Zinn</title>
		<link>http://5dias.net/2010/01/28/faleceu-howard-zinn/</link>
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		<pubDate>Thu, 28 Jan 2010 16:51:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Diz-se que os vencedores escrevem a história. Por isso, obras que contam a história do ponto de vista dos colonizados, dos oprimidos e explorados são de significativo valor. Obras como «As veias abertas da América Latina» de Eduardo Galeano, ou &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/01/28/faleceu-howard-zinn/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/01/800px-Howard_Zinn.jpg"><img class="alignleft size-medium  wp-image-30543" title="800px-Howard_Zinn" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/01/800px-Howard_Zinn-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>Diz-se que os vencedores escrevem a história. Por isso, obras que contam a história do ponto de vista dos colonizados, dos oprimidos e explorados são de significativo valor. Obras como «As veias abertas da América Latina» de Eduardo Galeano, ou «As cruzadas vistas pelos Árabes» de Amin Maalouf. Nesta linha histórica, «Uma história do povo dos Estado Unidos» de Howard Zinn (e o seu livro de acompanhamento «<a href="http://www.worldcat.org/oclc/61265580&amp;referer=brief_results">Vozes da história do povo dos Estados Unidos</a>» que Zinn compilou juntamente com Antony Arnove). Esta obra constitui um marco na historiografia dos EUA pois conta não a &#8220;gloriosa&#8221; história deste país, mas os efeitos da colonização sobre as populações indígenas; os custos da escravização, da exploração durante o desenvolvimento industrial e da política capitalista e imperialista dos EUA; e a opressão dos movimentos pelos direitos cívicos das mulheres, da minorias raciais e dos movimentos pela paz.<br />
Zinn alistou-se na Força Aérea dos EUA durante a Segunda Guerra Mundial, e foi a sua participação na Guerra e, em particular, o bombardeamento de populações civis, que o conduziu ao pacifismo e à oposição activa nas subsequentes aventuras militares dos EUA. Além de académico, em Boston, e autor de <a href="http://worldcat.org/identities/lccn-n79-59761">inúmeras obras</a>, Zinn sempre foi uma voz activa e crítica à política capitalista e imperialista dos EUA, participante destacado no movimento pelos direitos e liberdades cívicos, na oposição à Guerra do Vietnam e no Iraque.<br />
Ontem faleceu Howard Zinn, vítima de um ataque cardíaco. É uma perda, mas produziu um legado que dará frutos.</p>
<p style="text-align: right;">Post publicado na <a href="http://jangada-de-pedra.blogspot.com/2010/01/faleceu-howard-zinn.html" target="_self">Jangada de Pedra</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Deve ser pelo interesse nacional&#8230;</title>
		<link>http://5dias.net/2010/01/28/deve-ser-pelo-interesse-nacional/</link>
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		<pubDate>Thu, 28 Jan 2010 15:10:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>
		<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[A direita (leia-se o PS, PSD e CDS) entende-se com um Orçamento de Estado no qual o défice é controlado pela: contenção da despesa pública (leia-se congelamento de salários da Função Pública, referencial para as tabelas salariais no sector privado) &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/01/28/deve-ser-pelo-interesse-nacional/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A direita (leia-se o PS, PSD e CDS) entende-se com um Orçamento de Estado no qual o défice é controlado pela:</p>
<ul>
<li>contenção da despesa pública (leia-se congelamento de salários da Função Pública, referencial para as tabelas salariais no sector privado)</li>
<li>investimentos públicos em obras monumentais cuja necessidade está longe de ser clara (leia-se TGV, novo Aeroporto de Lisboa ou a <a href="http://caretoslisboa.blogspot.com/" target="_self">barragem do Tua</a>)</li>
</ul>
<div id="attachment_30536" class="wp-caption aligncenter" style="width: 530px"><a rel="http://caretoslisboa.blogspot.com/" href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/01/cp31.jpg" target="_blank"><img class="size-large wp-image-30536" title="cp3" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/01/cp31-520x345.jpg" alt="" width="520" height="345" /></a><p class="wp-caption-text">Caretos de Lisboa</p></div>
<ul>
<li>Na manutenção de uma taxa de IVA, imposto que se caracteriza por atingir todos os consumidores independentemente do seu rendimento e que portanto se torna um entrave ao aumento do consumo interno e os reais efeitos positivos que tal poderia ter na economia doméstica</li>
<li>Em manter intocáveis os impostos sobre as mais-valias (hoje o Banco Espírito Santo declarou ter obtido lucros em 2009 de 522 milhões de euros, 29.8% mais que em 2008)</li>
</ul>
<p>Tudo pelo interesse nacional &#8230;</p>]]></content:encoded>
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		<title>Haiti: alguma história antiga</title>
		<link>http://5dias.net/2010/01/20/haiti-alguma-historia-antiga/</link>
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		<pubDate>Wed, 20 Jan 2010 21:18:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>

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		<description><![CDATA[Todos os olhos estão virados para a desgraça que afecta o povo do Haiti no seguimento do tremor de terra que atingiu o território. É difícil imaginar como sobrevive uma população que viu destruir o já pouco que tinha de &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/01/20/haiti-alguma-historia-antiga/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Todos os olhos estão virados para a desgraça que afecta o povo do Haiti no seguimento do tremor de terra que atingiu o território. É difícil imaginar como sobrevive uma população que viu destruir o já pouco que tinha de infra-estruturas e sector agrícola e produtivo. Quem se deu ao trabalho de ver onde fica o Haiti no mapa, aprende que é apenas um terço de uma ilha, sendo os outros 2 terços, a Este, um outro estado, a República Dominicana. Foi nesta ilha que Cristóvão Colombo aterrou quando &#8220;descobriu&#8221; a América (ou a Índia) e baptizou-a de Hispaniola.<br />
<a href="http://3.bp.blogspot.com/_koQjnhpeNBo/S1dzR6xyZzI/AAAAAAAAA6w/I2cThqc8Q-0/s1600-h/Haiti.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5428934627491473202" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 163px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_koQjnhpeNBo/S1dzR6xyZzI/AAAAAAAAA6w/I2cThqc8Q-0/s400/Haiti.jpg" border="0" alt="" /></a>Embora ambos países tenham sofrido grande instabilidade política, os dois lados da ilha não podiam ser mais contrastantes no que toca à riqueza e capacidade produtiva dos solos, e à densidade populacional: com um terço do território da ilha, o Haiti têm 2 terços da sua população, com uma densidade populacional de cerca de 360 por quilómetro quadrado, o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_and_dependencies_by_population_density">30º país mais povoado</a> do mundo, e o país mais pobre da região Americana. Para entender este contraste há que recuar à história da colonização da ilha.</p>
<p>A ilha estava povoada pelos <span style="font-style: italic;">Tainos</span>, e 27 anos depois da chegada de Colombo, a sua população de cerca de um milhão encontrava-se reduzida a apenas 11 mil, em grande medida devido à varíola trazida pelos Espanhóis. Cedo, estes descobriram que a ilha era boa para plantar cana de açúcar e começou a importar escravos de África, para trabalhar os terrenos. Mas os interesses do império Espanhol orientaram-se para outras paragens, como o México, Peru e Bolívia, e passou a dedicar cada vez menos atenção, importância e recursos a Hispaniola. Os impérios emergentes da Inglaterra, França e Holanda começaram a dominar o Caribe através dos seus mercenários, ou piratas.</p>
<p>No início do século XVI, o rei de Espanha ordenou que a população colonial se refugiasse na cidade de Santo Domingo (na costa sul da actual República Dominicana) para se proteger dos piratas que vinham dominando a ilha. Na segunda metade desse século, a França ocupa a parte Oeste da ilha, denominando-a Saint Dominque (e que mais tarde veio a ser o Haiti). O contraste entre as duas partes da ilha acentuam-se a partir desta separação. No século XVIII, a colónia Espanhola tinha uma população colonial e escrava reduzida, com uma economia pequena, assente na criação de gado, enquanto a colónia Francesa, com apenas um terço da ilha, tinha cerca de 700 mil escravos em 1785 (face aos 30 mil na colónia espanhola) que correspondia a 90% da população (comparado com 15% na colónia espanhola). A proporção de escravos reflecte a sua economia intensiva de cultivo de cana de açúcar. Saint-Dominque tornou-se na mais rica colónia Europeia no novo mundo e responsável pela produção de um quarto da riqueza da França.</p>
<p>A grande concentração de escravos conduziu a revoltas em 1791 e 1801, derrotadas com forte repressão militar Francesa. Em 1804, a França abandona Hispaniola, no seguimento da venda dos seus territórios da América do Norte aos EUA, na Compra de Louisiana  [*correcção do texto original suscitado pelo c0mentário de <strong>estouxim</strong>; obrigado]. Os ex-escravos lograram então tomar as rédeas do poder da ilha, dividiram as terras, e renomearam a ilha Haiti. Durante o século XIX, tiveram lugar várias re-organizações do poder na ilha, e em 1850 a zona Oeste (Haiti) seguia tendo uma população mais elevada, maioritariamente de origem Africana, falando um crioulo, com uma economia agrícola de subsistência, com poucas exportações. Em contraste, a zona Este tinha uma densidade populacional baixa, espano-parlante, ainda assente na pecuária mas que começou a desenvolver uma economia de exportação de cacau, tabaco, café e (a partir de 1870) açúcar. Hoje, 28% da República Dominicana ainda é florestada, comparado com apenas 1% do Haiti.<br />
Em parte as diferenças entre os dois países devem-se a diferenças geográficas: a zona leste da ilha recebe mais chuva e as águas das montanhas da ilha fluem sobretudo para leste, enquanto que o Haiti é mais montanhoso e seco. Mas apesar destas diferenças, foi na zona Oeste da ilha que se desenvolveu uma agricultura intensiva, que tendo resultado numa explosão de produção, levou ao esgotamento dos solos. Ao uso intensivo do solo, esteve também associado uma maior densidade populacional, colocando maior pressão sobre os recursos e a economia.</p>
<p>Muito do que aqui descrevo vem desenvolvido no livro «<a href="http://www.wook.pt/ficha/colapso/a/id/1421934/filter/">Colapso</a>» de Jared Diamond, uma abordagem de história materialista e científica, que explicar o sucesso e colapso de civilizações. Não pretendo com isto de forma alguma minorar o infortúnio e sofrimento do povo do Haiti. Apenas enquadrar historicamente o país e explicar a sua pobreza, que antecede o recente terramoto. Os desastres naturais são capazes de atingem no imediato pobres e ricos, mas a médio prazo são as populações mais pobres as que mais sofrem, pelo que há que averiguar as causas da sua pobreza.</p>
<p style="text-align: right;">Post colocado na <a href="http://jangada-de-pedra.blogspot.com/2010/01/haiti-alguma-historia-antiga.html">Jangada de Pedra</a></p>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Casamento homossexual, adopção e família</title>
		<link>http://5dias.net/2010/01/08/casamento-homossexual-adopcao-e-familia/</link>
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		<pubDate>Fri, 08 Jan 2010 00:44:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>

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		<description><![CDATA[Amanhã a Assembleia da República vai discutir 3 Projectos de Lei (do BE, PEV e PSD) e uma Proposta de Lei do governo relativa ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Não tive (infelizmente) tempo de comparar as várias propostas. &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/01/08/casamento-homossexual-adopcao-e-familia/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://cinie.files.wordpress.com/2009/03/gaymarriage.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 280px; height: 188px;" src="http://cinie.files.wordpress.com/2009/03/gaymarriage.jpg" alt="" border="0" /></a>Amanhã a Assembleia da República vai discutir 3 Projectos de Lei (do <a href="http://www.parlamento.pt/ActividadeParlamentar/Paginas/DetalheIniciativa.aspx?BID=34822">BE</a>, <a href="http://www.parlamento.pt/ActividadeParlamentar/Paginas/DetalheIniciativa.aspx?BID=34837">PEV</a> e <a href="http://www.parlamento.pt/ActividadeParlamentar/Paginas/DetalheIniciativa.aspx?BID=35011">PSD</a>) e uma<a href="http://www.parlamento.pt/ActividadeParlamentar/Paginas/DetalheIniciativa.aspx?BID=35004"> Proposta de Lei do governo</a> relativa ao <span class="ConteudoTexto">casamento entre pessoas do mesmo sexo. Não tive (infelizmente) tempo de comparar as várias propostas. Mas há vários elementos que se têm misturado na discussão em torno desta questão (e alguns notoriamente ausentes).</p>
<p>Antes de mais cabe lembrar que na legislatura passada o tema foi discutido na AR, e foi rejeitado pela então maioria PS soube o argumento hipócrita de que o assunto não constava no seu programa de governo.</p>
<p>Face à necessidade, durante a passada campanha eleitoral para as legislativas, o PS ergueu várias bandeiras &#8220;de esquerda&#8221;, incluindo a do casamento homossexual,  tendo inclusivamente dado posição de destaque nas suas listas eleitorais ao Miguel Vale de Almeida, que podendo merecer algum respeito pelo seu trabalho académico, nesta instância assumiu uma posição de oportunismo político, de quem tem apenas um tema político motivador e se aliou a quem o ofereceu a possibilidade de entrar na AR. Quase que merece a qualificação de prostituto político.</p>
<p>A direcção do PS assumiu esta aposta, muito embora a questão não reunisse consenso entre os seus militantes e elegíveis, como rapidamente se constatou, com deputados do PS manifestando-se contra a Proposta do Governo e advogando a realização de um referendo, aliando-se a elementos da direita conservadora.<span id="more-29458"></span></p>
<p>A posição conservadora não é de espantar. Não é apenas a homofobia mais ou menos assumida. Nem a ideia retrograda de que o casamento serve para procriar. Vai mais fundo. A família tradicional é o núcleo mais pequeno da organização da sociedade burguesa, o garante dos valores morais conservadores. A família, centrada no casal heterossexual, é uma referência ideológica da direita. Nos EUA, tal expressa-se na frequente referência (e avaliação de candidatos) aos valores familiares (<span style="font-style: italic;">family values</span>). Esta questão foi aliás objecto de uma análise histórica de referência por parte de Engels, na <a href="http://www.marxists.org/archive/marx/works/1884/origin-family/index.htm">Origem da Família, Propriedade Privada e o Estado</a> (1884). Portanto, independente da posição que se tome sobre o casamento homossexual, temos de ter presente que esta questão se está a levantar num momento em que a direita promove a <span style="font-style: italic;">família</span> e o <span style="font-style: italic;">casamento</span> como valores conservadores.</p>
<p>Deve também considerar-se que a questão do casamento entre casais do mesmo sexo está longe de ser a questão mais importante e prioritária para os homossexuais portugueses, embora seja a bandeira principal de alguns das figuras mais mediáticas do &#8220;movimento&#8221; homossexual nacional, caso do MVdeA. Creio que a homofobia e a sua tradução em formas de violência directa e indirecta são questões de bastante mais gravidade. Por violência indirecta, refiro-me à bem caracterizada pressão sobre jovens homossexuais, que se debatem sozinhos com medo, sentimentos de alienação, que se questionam sobre a sua sanidade, e são demasiadas vezes levados à auto-repressão, mutilação e mesmo suicídio.</p>
<p>Estes elementos não podem ser ignorados. Mas dito isso, não tenho dúvidas, que por uma questão de princípio e coerência com a Constituição da República Portuguesa, os casais homossexuais devem ter igual direito a celebrar um contrato cívico de casamento, e a beneficiar de todos os direitos e regalias que daí advêm. O Art. 13 da CRP afirma claramente que:<br />
</span><br />
<blockquote>2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social <span style="font-weight: bold;">ou orientação sexual</span>.</p></blockquote>
<p>É aliás este princípio constitucional que torna desnecessário a realização de um referendo.</p>
<p>Há que reclame que os casais homossexuais não precisam do casamento. Podem recorrer à figura da &#8220;união de facto&#8221;. Mas esta figura jurídica exige condições (como prova de que a relação persistiu, se não me engano, durante 5 anos) e não oferece o mesmo tipo de direitos e regalias que a figura de casamento. Porque raio um casal homossexual há de esperar 5 (ou outra período) até consagrar legalmente a sua relação?</p>
<p>Outros reclamam que os casais homossexuais podem celebrar um contrato, mas que não deve ter o nome de &#8220;casamento&#8221;, como se essa palavra fosse exclusivamente para casais heterossexuais por outra razão que não a de tradição. Chama-se o que se quiser, a verdade é que sendo em termos de conteúdo um casamento não faz sentido que se chame &#8220;bacalhau&#8221;.</p>
<p>Ainda outros, aceitam o casamento homossexual, mas desprovido do direito à adopção. Vem assim à superfície uma forma de homofobia. O medo que uma criança educada por parentes do mesmo sexo &#8220;corre o risco&#8221; de vir também a ser homossexual. Basta pensar que a vasta maioria de homossexuais são filhos de casais heterossexuais para entender que tal não faz qualquer sentido. E aliás há inúmeros estudos académicos que demonstram que tal não é facto. Outro argumento é o preconceito conservador de que uma criança precisa da figura de um pai masculino e de uma mãe feminina para se desenvolver normalmente. Mais uma vez os estudos académicos demonstram que tal não é o caso. Crianças adoptadas por casais homossexuais masculinos e femininos são tão &#8220;normais&#8221; como as criadas por casais heterossexuais (do ponto de vista de desenvolvimento intelectual, de relacionamento social, de progressão profissional, etc). Até diria têm a vantagem de crescerem sem os preconceitos homofóbicos e com uma maior tolerância pela diferença. Um casal homossexual estável e que propicie um ambiente doméstico harmonioso será certamente um lar mais conducente ao desenvolvimento das potencialidades de uma criança adoptada que uma criança nascida de um casal heterossexual de um machão misógino e mãe submissa, ou de um casal divorciado sendo forçado a crescer isolado de um dos seus progenitores. A família tradicional há muito que deixou de existir. <span class="ConteudoTexto">E não foi preciso o casamento homossexual para tal acontecer. Quantos destas natalícias não terão reunido pessoas já no seu 2º ou 3 casamento e irmãos com pais diferentes.</p>
<p>Não tenham medo que a homossexualidade não é contagiosa. Deixem os casais homossexuais apaixonados que querem celebra laços de matrimónio poderem ter os privilégios fiscais dos casais tradicionais, poderem ter a garantia de heranças que sejam um reflexo das suas efectivas relações amorosas, adoptar e educar crianças. Mas não deixem que este alargamento da figura do casamento e da noção de família conduza a um reforço dos elementos mais retrogrados e conservadores associados aos ditos valores familiares em prejuízo dos direitos individuais.<br />
</span><br />
<a href="http://jangada-de-pedra.blogspot.com/2010/01/casamento-homsexual-adopcao-e-familia.html">Publicado na Jangada de Pedra</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Lá em cima está o Van Zeller, cá em baixo está o tiroliroló</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Jan 2010 01:33:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>
		<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Francisco Van Zeller terminou a sua liderança da Confederação Industrial Portuguesa (CIP), iniciada em 2002, e deu uma das suas poucas entrevistas ao último Diário Económico do ano de 2009 (31 de Dez/2009), ano em que manifestou a sua oposição &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/01/06/la-em-cima-esta-o-van-zeller-ca-em-baixo-esta-o-tirolirolo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://1.bp.blogspot.com/_koQjnhpeNBo/Sz92so2xojI/AAAAAAAAA4k/DvDcX_p8gec/s1600-h/vanZeller.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5422182985630851634" style="margin: 0pt 1px 1px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 299px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_koQjnhpeNBo/Sz92so2xojI/AAAAAAAAA4k/DvDcX_p8gec/s320/vanZeller.jpg" border="0" alt="" /></a>Francisco Van Zeller terminou a sua liderança da Confederação Industrial Portuguesa (CIP), iniciada em 2002, e deu uma das suas  poucas entrevistas ao último <span style="font-style: italic;">Diário Económico</span> do ano de 2009 (31 de Dez/2009), ano em que manifestou a sua oposição ao aumento do Salário Mínimo Nacional (SMN). O que não o impede de fazer a afirmação extraordinária que recebeu destaque de primeira página. Se FVZ se refere à incapacidade de viver com esse valor por mês, não será por falta de imaginação, mas sim por falta de capacidade de observação da arraia miúda à sua volta. Presumo que não se confronte com a pobreza de quem trabalha nas suas deslocações de Mercedes ou BMW entre a sua vivenda ou condomínio fechado e os escritórios da CIP. Presumo que a sua afirmação não se refere à incapacidade de imaginar-se a manter o mesmo nível de vida auferindo o SMN. Só a roupa que traz vestida deve rondar esse valor.<br />
Porque recusa o aumento do SMN?</p>
<blockquote><p>«O salário mínimo constitui un encargo muito grande para dois, três, quatro sectores. Claro que haverá organizações pequenas que podem reflectir esse preço no serviço, na exportação não é assim. Os sectores que estamos a falar, a cerâmica, a confecção, cablagem, sector eléctrico, debatem-se em mercados externos. Todos exportam para cima de 80% do que produzem, se não vendem não têm dinheiro para pagar e essa é uma realidade.<br />
[Não me imagino a viver com 450 euros mensais.] É terrível. Mas com 500 também não, com 550 também não, com 600 também não. <span style="font-weight: bold;">É demagógico pensar que os 25 euros corrigem</span>, não corrigem nada. O que corrige é aumentar a produtividade, e esse é um caminho que se está a seguir, para termos salários decentes e mais altos do que isso. Há três anos desenhamos um caminho para os 500 euros, baseado num crescimento da produtividade que nunca aconteceu, e por isso as nossas boas intenções encalharam (&#8230;) porque a economia parou, porque a inflação baixou, a produtividade baixou, o PIB baixou. Como é que se continua, ignorando tudo isso, com um projecto que foi calculado há três anos baseado em premissas completamente diferentes.</p></blockquote>
<p>Sempre interessante ouvir a voz do capital. Claro que do seu ponto de vista &#8220;25 euros não corrigem nada&#8221;. Pelos vistos nem 150 euros corrige nada. Creio que um trabalhador a receber o SMN sentiria porém uma diferença se recebesse mais 25 euros por mês, já para não falar dos 150 euros.</p>
<p>Inundado com produtos baratos estrangeiros, inúmeros sectores produtivos viram-se obrigados a procurar o escoamento dos seus produtos no exterior. Por um lado, os baixos salários nacionais não levam as famílias a procurar os produtos (estrangeiros) mais baratos, em vez dos produtos nacionais. Por outro, as empresas nacionais correm que nem galinhas sem cabeça à procura de escoar os seus produtos em países onde os seus preços ainda são competitivos, porque os salários dos trabalhadores portugueses são relativamente baixos. E por quanto tempo, merece a pena perguntar. Se no contexto de um mercado globalizado, a economia nacional continua a assentar em mão-de-obra barata tem os dias contados. As empresas nacionais têm de ultrapassar de vez esse paradigma, pois nunca conseguirá competir com os baixos preços vindos, por exemplo, da China. Tem de apostar em produtos de qualidade, com características singulares, de perfil mais personalizado, fugindo ao produção em massa de mercadorias super-baratas, bom para idades dos 7 aos 77 anos. Quer seja transformando materiais de marca reconhecida, quer produzindo produtos de desenho nacional próprio. Só esses produtos poderão ser competitivos no estrangeiro. Mas esses produtos não devem ser pensados apenas para exportação. Naturalmente que produtos de qualidade, que exigem mão-de-obra qualificada, desde da concepção à produção, serão mais caros, e portanto mais acessíveis aos consumidores de países com nível de vida mais elevado. Mas por isso mesmo é que é necessário aumentar o poder de compra nacional. Porque é que os Portugueses recorrerem às lojas de produtos baratos? Não é por preferirem laranjas e bolachas espanholas, ou barretes chineses. É também porque não têm rendimento para comprar produtos de qualidade nacionais. Um significativo aumento de vendas dos produtos nacionais só terá lugar com um aumento do poder de compra nacional.</p>
<p>A queda de produtividade não é culpa dos trabalhadores que têm vindo a apertar o cinto, furando novos buracos para o continuar a apertar ainda mais. Não me venham com a história do Sócrates que o caminho da modernização foi interrompido por uma crise que nos caiu em cima, pela qual não tivemos responsabilidade nem controle. Crise essa que não impediu o sector bancário e energético de arrecadarem lucros tremendos.</p>
<p>O aumento do SMN é um questão de justiça social e também de estimulo à economia nacional. Caro FVZ, não meça a sua necessidade pela sua capacidade de imaginação, nem a sua viabilidade meramente por considerações macro-económicas. Lançou-lhe um desafio à sua imaginação: viver como um dos 610 mil trabalhadores abaixo do limiar da pobreza; ou como um dos milhão e meio de reformados com rendimentos interiores a €330 mensais. Melhor ainda, não imagine. Penhore os seus bens, e viva no real.</p>
<p style="text-align: right;"><a href="http://jangada-de-pedra.blogspot.com/2010/01/la-em-cima-esta-o-van-zeller.html">Texto publicado no Jangada de Pedra</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Muros</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Nov 2009 13:34:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>

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		<description><![CDATA[Faz 20 anos que caiu o Muro de Berlim (restam alguns troços que podem ainda ser vistos). Mas é importante recordar que existem outros muros. A BBC tem um apanhado de alguns. Reproduzo aqui apenas alguns:]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Faz 20 anos que caiu o Muro de Berlim (restam alguns troços que podem ainda ser vistos). Mas é importante recordar que existem outros muros. A <a href="http://news.bbc.co.uk/2/hi/in_depth/world/2009/walls_around_the_world/default.stm" target="_blank">BBC</a> tem um apanhado de alguns. Reproduzo aqui apenas alguns:</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 236px"><a href="http://news.bbc.co.uk/2/hi/middle_east/8342764.stm"><img title="Muro na Cisjordância" src="http://newsimg.bbc.co.uk/media/images/46675000/jpg/_46675306_west_bank_226.jpg" alt="Muro na Cisjordância" width="226" height="106" /></a><p class="wp-caption-text">Muro na Cisjordância</p></div>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 236px"><a href="http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/8342874.stm"><img title="Irlanda do Norte" src="http://newsimg.bbc.co.uk/media/images/46676000/jpg/_46676719_northernireland_bbc226.jpg" alt="Irlanda do Norte" width="226" height="106" /></a><p class="wp-caption-text">Irlanda do Norte</p></div>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 236px"><a href="http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/8343094.stm"><img title="Chipre" src="http://newsimg.bbc.co.uk/media/images/46676000/jpg/_46676803_cyprus_226magnum.jpg" alt="Chipre" width="226" height="106" /></a><p class="wp-caption-text">Chipre</p></div>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 236px"><a href="http://news.bbc.co.uk/2/hi/americas/8343311.stm"><img title="Rio de Janeiro" src="http://newsimg.bbc.co.uk/media/images/46677000/jpg/_46677262_rio_getty226.jpg" alt="Rio de Janeiro" width="226" height="106" /></a><p class="wp-caption-text">Rio de Janeiro</p></div>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 236px"><a href="http://news.bbc.co.uk/2/hi/americas/8343278.stm"><img title="EUA-México" src="http://newsimg.bbc.co.uk/media/images/46676000/jpg/_46676948_mexicoborder_226getty.jpg" alt="EUA-México" width="226" height="106" /></a><p class="wp-caption-text">EUA-México</p></div>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 236px"><a href="http://news.bbc.co.uk/2/hi/africa/8343241.stm"><img title="Marrocos-República Árabe Saaraui Democrática" src="http://newsimg.bbc.co.uk/media/images/46677000/jpg/_46677095_saharaflag.jpg" alt="Marrocos-República Árabe Saaraui Democrática" width="226" height="106" /></a><p class="wp-caption-text">Marrocos-República Árabe Saaraui Democrática</p></div>]]></content:encoded>
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		<title>SPGL &amp; CPQTC</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Nov 2009 14:06:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Enquanto membro do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (SPGL), recebi ontem convocatória para a Assembleia Geral de 10 de Dezembro, que tem como ordem de trabalhos: 1. Revisão dos Estatutos 2. Decisão de permanência ou não do SPGL na &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/11/14/spgl-cpqtc/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Enquanto membro do <a href="http://www.spgl.pt/">Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (SPGL)</a>, recebi ontem convocatória para a <a href="http://www.spgl.pt/artigo.aspx?sid=9d8eed42-be9f-4ab0-a2d6-02ac9e2a3e06&amp;cntx=DUeXeMeZ41e5oEFMFw2jTmzMsMyoRcqg5yxXgUdzcKeWUfl7hmQewY3VgME6HFlu">Assembleia Geral </a>de 10 de Dezembro, que tem como ordem de trabalhos:<br />
1. Revisão dos Estatutos<br />
2. Decisão de permanência ou não do <a href="http://www.spgl.pt/">SPGL</a> na <a href="http://www.conf-quadros.pt/">Confederação Portuguesa de Quadros Técnicos e Científicos</a>.<br />
Junto com a convocatória recebi dois boletins de votos, ficando a saber que existem 4 propostas para revisão dos Estatutos, cujo conteúdo não constava no envelope. Após protesto de alguns membros, as propostas foram colocadas no sítio do SPGL (<a href="http://www.spgl.pt/cache/bin/XPQ3jTwXX6993eV28FetSMaZKU.pdf">A</a>, <a href="http://www.spgl.pt/cache/bin/XPQ3jTwXX6990eV28FetSMaZKU.pdf">B</a>, <a href="http://www.spgl.pt/cache/bin/XPQ3jTwXX6983eV28FetSMaZKU.pdf">C</a>, e <a href="http://www.spgl.pt/cache/bin/XPQ3jTwXX6985eV28FetSMaZKU.pdf">D</a>). Mas não é sobre esta votação que me quero debruçar.<br />
Sobre a permanência do <a href="http://www.spgl.pt/">SPGL</a> na <a href="http://www.conf-quadros.pt/">CPQTC</a>, usando a função pesquisa no sítio, não encontrei qualquer informação ou posição. Segundo o ponto II da <a href="http://www.spgl.pt/cache/bin/XPQ3jTwXX6825eV28FetSMaZKU.pdf">metodologia</a>, aprovada na Assembleia Geral de Delegados Sindicais de 15 de Outubro de 2009, para esta votação:</p>
<blockquote>
<div style="text-align: center;"><span style="font-weight: bold;">Apresentação e Debate das Propostas</span></div>
<p>1. Compete à Direcção do <a href="http://www.spgl.pt/">SPGL</a> a divulgação das posições existentes sobre esta matéria, as quais deverão ser entregues na sede do Sindicato até ao dia 30 de Outubro, através do Escola Informação e/ou do site do <a href="http://www.spgl.pt/">SPGL</a>.<br />
2. A Direcção do <a href="http://www.spgl.pt/">SPGL</a> deverá propiciar nas estruturas sindicais as condições que possibilitem o mais amplo debate em torno das diversas posições existentes, nomeadamente organizando debates nas delegações do <a href="http://www.spgl.pt/">SPGL</a> a partir de 19 de Novembro.</p></blockquote>
<p>Ora, tendo recebido o aviso ontem, 13 de Novembro, como poderia eu fazer chegar até 30 de Outubro uma posição? Cabe-me esperar que seja informado sobre um debate de uma delegação do SPGL onde possa exprimir a minha opinião e discutir? Com que base se vai travar essa discussão? É que não há sequer a informação mínima: porque é esta questão sequer levantada?</p>
<p>Um amigo da <a href="http://www.conf-quadros.pt/">CPQTC</a> informa-me que o <a href="http://www.spgl.pt/">SPGL</a> já havia informado a intenção de sair da <a href="http://www.conf-quadros.pt/">CPQTC</a> alegando que os professores não são &#8220;quadros&#8221;.  Ora, basta ver os afiliados que compõem a <a href="http://www.conf-quadros.pt/">CPQTC</a> para ser evidente que estes não se restringem à definição #14. Consultando o <a href="http://www.conf-quadros.pt/conf/filiacao.html"><strong style="font-weight: normal;">Artigo 6 º</strong> do Cap. III, &#8220;Noção de Quadro e sua filiação na Confederação&#8221;</a>, dos <strong style="font-weight: normal;">Estatutos</strong> da <a href="http://www.conf-quadros.pt/">CPQTC</a> lê-se:</p>
<blockquote><p>Consideram-se &#8220;Quadros&#8221;, as pessoas titulares      de formação superior ou com actividade e/ou funções a ela equiparadas, exercendo      a profissão nas áreas de produção, investigação, administração, cultura, saúde      e ciências sociais.<em><br />
</em></p></blockquote>
<p>Parece-me óbvio que, segundo esta definição, os professores são Quadros. A razão da votação tem portanto de ser mais que mera semântica. Qual a vantagem de sair da <a href="http://www.conf-quadros.pt/">CPQTC</a>? Não ter que pagar a quota de membro? Não ter que participar nas discussões junto com os outros membros? Não se revê nas posições da <a href="http://www.conf-quadros.pt/">CPQTC</a>?</p>
<p>Só posso suspeitar que a motivação tem uma raiz política. A <a href="http://www.conf-quadros.pt/">CPQTC</a> pretende ser um espaço de trabalho sindical unitário, que será contrário ao espírito da actual direcção do <a href="http://www.spgl.pt/">SPGL</a>. A <a href="http://www.conf-quadros.pt/">CPQTC</a> tem entre os seus afiliados os tais sindicatos unitários, intervenientes, combativos, com ligação aos trabalhadores. Se essa é a motivação, então são os proponentes da saída do <a href="http://www.spgl.pt/">SPGL</a> da <a href="http://www.conf-quadros.pt/">CPQTC</a> que deviam ser removidos. Só vejo vantagem no <a href="http://www.spgl.pt/">SPGL</a> se manter como membro <a href="http://www.conf-quadros.pt/">CPQTC</a>, assim como membro da <a href="http://www.cgtp.pt/index.php">CGTP-IN</a>, enquanto espaços de discussão, coordenação e fortalecimento da luta dos trabalhadores.</p>
<div style="text-align: center;"><span style="font-weight: bold;">Vota pela permanência do </span><a style="font-weight: bold;" href="http://www.spgl.pt/">SPGL</a><span style="font-weight: bold;"> na </span><a style="font-weight: bold;" href="http://www.conf-quadros.pt/">CPQTC</a></div>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>O pensamento ideológico neoliberal IV</title>
		<link>http://5dias.net/2009/11/04/o-pensamento-ideologico-neoliberal-iv/</link>
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		<pubDate>Wed, 04 Nov 2009 13:02:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[A parte final de um ensaio de João Valente Aguiar, Doutorando em Sociologia e Investigador na Universidade do Porto. JVA mantem o blogue As Vinhas da Ira. Leia aqui a 1ª parte e 2ª parte e 3ª parte. O pensamento &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/11/04/o-pensamento-ideologico-neoliberal-iv/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">A parte final de um ensaio de <a href="http://www.google.com/url?sa=t&amp;source=web&amp;ct=res&amp;cd=3&amp;ved=0CBQQFjAC&amp;url=http%3A%2F%2Fwww.hegel-marx2009.ul.pt%2Fdocumentos_hegel%2Fbionote%2Fjoao_aguiar_bionote.pdf&amp;ei=3OTmSq_RB5eSjAeMrYW8CA&amp;usg=AFQjCNFA5mZi41DZADbYoaDorQzdfdkSLQ&amp;sig2=hguzQBOMTdvkRkphSACUVw" target="_blank">João Valente Aguiar</a>, Doutorando em Sociologia e Investigador na Universidade do Porto. JVA mantem o blogue <a href="http://asvinhasdaira.wordpress.com/" target="_blank">As Vinhas da Ira.</a> Leia aqui a <a href="../2009/10/27/o-pensamento-ideologico-neoliberal-i/" target="_blank">1ª parte</a> e<a href="http://5dias.net/2009/10/29/o-pensamento-i…-neoliberal-ii/" target="_blank"> 2ª parte</a> e <a href="http://5dias.net/2009/11/01/o-pensamento-i…neoliberal-iii/" target="_blank">3ª parte.</a></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><strong>O pensamento  ideológico neoliberal (cont.)</strong></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><strong>7 – A transformação das Ciências Sociais numa ferramenta técnica  de regulação sistémica</strong></span></p>
<p>A desqualificação do pensamento crítico, particularmente do marxismo,  concorre paralelamente com a transformação da História, Sociologia,  Economia, Psicologia em acessórios instrumentais de regulação do  sistema. De facto, o abafar do pensamento crítico, dentro e fora das  universidades, tem sido peça-chave na própria reconfiguração das  Ciências Sociais. Estas são vistas pelos académicos e intelectuais  como apetrechos não mais orientados para percepcionar e compreender  o mundo em que vivemos. Inversamente, o catecismo neoliberal que se  tem assenhorado das faculdades de ciências sociais e humanas um pouco  por todo o mundo – salvo honrosas e relevantes excepções – aposta  na expulsão dos princípios da interrogação, da inquirição e da  problematização dos fundamentos da sociedade contemporânea. Na Economia,  por exemplo, os estudantes são treinados para assimilar acrítica e  acefalamente os princípios da nova ordem, sendo formados para, no máximo,  aprender a gerir e relacionar taxas de juro, inflação, défice das  contas públicas, etc. Questões essenciais na estruturação das sociedades  e da economia contemporâneas como a natureza da mercadoria e a produção  de valor a partir da exploração da força de trabalho ou a hipertrofia  da financeirização em ordem a criar um balão de oxigénio (temporário)  face à crise na extracção de mais-valia não são nunca sequer leccionadas.  Na Sociologia, os estudos crescentemente valorizados por sectores (cada  vez mais) vastos da academia abrangem dois ramos: a) estudos que investiguem  processos de exclusão social e que proponham medidas de tipo caritativo-filantrópicas  e com uma redução máxima de custos, onde o recurso massivo a trabalho  temporário e precário, quando não sob o regime do voluntariado, surge  como uma dimensão de primeira importância para as chamadas políticas  públicas definidas pela União Europeia e pelos governos neoliberais;  b) estudos que incidam em meras enunciações de percentagens de desempregados  jovens, de infoexcluídos, de jovens que abandonam a escola precocemente,  de número de horas dedicadas a ver televisão ou a navegar na internet,  etc. Temos aqui a valorização de estudos (quase) estritamente quantitativos,  onde a reflexão teórica sobre os fundamentos e os factores estruturantes  que estão na base dos referidos fenómenos é clara e assumidamente  desprezada.</p>
<p>Por este caminho, as Ciências Sociais têm sofrido um processo de colonização  interna, destruindo qualquer tipo de reflexão crítica, retirando-lhe  qualquer tipo de fôlego transformador. Este é o objectivo do pensamento  neoliberal. A reflexão nas Ciências Sociais fica, assim, destinada  aos <em>scholars</em>, aos conselheiros académicos de governos como Castells  ou Giddens. Este tipo de autores surge no panorama mediático e académico  como vozes (supostamente) incontestáveis e sapientes. E, não esqueçamos,  de “esquerda”. Contudo, a sua reflexão assenta sempre na reprodução  dos princípios e das lógicas estruturais onde assenta o sistema, por  muito que varie a terminologia de autor para autor. Castells pode falar  da “sociedade em rede”, Ulrich Beck na “sociedade do risco”  ou Giddens na “modernidade tardia” como se de novas configurações  de sociedade e de organização da vida humana se tratasse. Todavia,  a persistência ao nível económico, do trabalho assalariado e da exploração  dos trabalhadores; ao nível político, do Estado-Nação como organizador  político nuclear da classe dominante; ao nível cultural, do domínio  e concentração dos meios de produção simbólicos e ideológicos  por parte da burguesia; mostra que os pilares do sistema capitalista  mantêm-se intactos, apesar de reformulados, algo que nem sequer se  pode dizer que seja absolutamente inédito na história desse sistema  social.</p>
<p>Para concluir, registe-se que o pensamento neoliberal não desaparece  por pura e simplesmente desmontarmos as suas contradições e seus limites.  Esse trabalho teórico é importantíssimo, quanto mais não seja pelo  fornecimento de armas ideológicas e teóricas robustas aos que se recusam  a aceitar o catecismo neoliberal. Contudo, em última instância, só  a luta prática dos povos e dos trabalhadores, com suas organizações  próprias, permitirá superar de vez o arcaísmo do pensamento social  neoliberal e, ainda mais importante, do próprio neoliberalismo, a fase  actual de ofensiva do capitalismo a nível internacional. Assim, luta  teórica (e ideológica) e luta de massas articulam-se como meios para  o relançamento de uma perspectiva alternativa à forma actual de organização  global do capitalismo. Perspectiva alternativa que passará necessariamente  pelo socialismo.</p>]]></content:encoded>
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		<title>O pensamento ideológico neoliberal III</title>
		<link>http://5dias.net/2009/11/01/o-pensamento-ideologico-neoliberal-iii/</link>
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		<pubDate>Sun, 01 Nov 2009 12:58:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[A terceira parte de um ensaio de João Valente Aguiar, Doutorando em Sociologia e Investigador na Universidade do Porto. JVA mantem o blogue As Vinhas da Ira. Leia aqui a 1ª parte e 2ª parte. O pensamento ideológico neoliberal (cont.) &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/11/01/o-pensamento-ideologico-neoliberal-iii/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">A terceira parte de um ensaio de <a href="http://www.google.com/url?sa=t&amp;source=web&amp;ct=res&amp;cd=3&amp;ved=0CBQQFjAC&amp;url=http%3A%2F%2Fwww.hegel-marx2009.ul.pt%2Fdocumentos_hegel%2Fbionote%2Fjoao_aguiar_bionote.pdf&amp;ei=3OTmSq_RB5eSjAeMrYW8CA&amp;usg=AFQjCNFA5mZi41DZADbYoaDorQzdfdkSLQ&amp;sig2=hguzQBOMTdvkRkphSACUVw" target="_blank">João Valente Aguiar</a>, Doutorando em Sociologia e Investigador na Universidade do Porto. JVA mantem o blogue <a href="http://asvinhasdaira.wordpress.com/" target="_blank">As Vinhas da Ira.</a> Leia aqui a <a href="../2009/10/27/o-pensamento-ideologico-neoliberal-i/" target="_blank">1ª parte</a> e<a href="http://5dias.net/2009/10/29/o-pensamento-i…-neoliberal-ii/" target="_blank"> 2ª parte</a>.</p>
<p align="justify"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><strong>O pensamento  ideológico neoliberal (cont.)</strong></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><strong> 5 – A tese da resistência à mudança</strong></span></p>
<p>Os neoliberais partem do pressuposto formalmente correcto de que o mundo  está em constante mudança. Aliás, mudança e inovação são dois  termos muito utilizados pelos <em>boys</em> de serviço do sistema. Contudo,  o que entendem estes por mudança? Para o pensamento social neoliberal  a inovação resumir-se-ia a dois parâmetros: a) inovação em termos  de produtos e bens. Inovação que pode ser mais ou menos cosmética.  b) “inovação” ao nível das relações laborais e sociais. Aqui  a inovação e a mudança significaria o retirar de direitos (na linguagem  neoliberal, privilégios) dos trabalhadores. No fundo, ser moderno e  inovador é, no ideário neoliberal, tornar-se flexível, transformar  um trabalhador disponível em toda a latitude para o capital utilizar  como bem entender.</p>
<p>Por conseguinte, todos os que criticam estas asserções neoliberais  são taxados muito simplesmente como retrógrados. De facto, não deixa  de ser surpreendente o poder ideológico da grande burguesia no que  toca à manipulação massiva de grandes camadas da população, particularmente  na capacidade que tem evidenciado em conseguir apresentar um ideário  da primeira metade do século XIX – quando quase não havia direitos  sociais para os operários – como profundamente moderno e <em>high-tech</em>.  Aliás, o controlo quase absoluto por parte da burguesia da esfera mediática  e da produção noticiosa e cultural faz com que essa classe dominante  nem perca tempo a criticar teoricamente as teses alternativas ao seu  modo de pensar e de agir. Com tal controlo hegemónico dos media no  contexto actual, à burguesia e seus intelectuais tem bastado classificar  os seus contestatários como conservadores e imobilistas. A crítica  resume-se a isto e ponto final. É verdade que a crítica realizada  é superficial mas ela é extremamente eficaz quanto mais não seja  pela sua simplicidade (para não dizer simplista) e linearidade: «nós,  neoliberais, transportamos a mudança civilizacional; eles, esses aí,  os contestatários, são fósseis com ideias do século passado».</p>
<p>Por outro lado, a abordagem neoliberal do conceito de mudança procura  retirar a sua carga de historicidade. De facto, o pensamento neoliberal  concebe a mudança em termos estritos. Para o neoliberalismo a mudança  circunscreve-se aos dois vectores mencionados acima (inovação de produtos  e retirada de direitos). No fundo, mudanças que em nada alteram as  bases estruturais do sistema e que apenas servem para reproduzir a mecânica  da acumulação capitalista. Pela via do desenvolvimento do consumo  (e do consumismo) e pela via do abaixamento de custos na produção,  procurando elevar a taxa de exploração. Ora, tal conceito de mudança  encontra-se despido da sua carga histórica, isto é, para o neoliberalismo  a história acaba no capitalismo e aí se manterá indefinidamente.  Ora, a tentativa de fechar a humanidade em tal sistema social e económico  só pode representar, este sim, um pensamento retrógrado e bárbaro.  Sobre a real mudança – a perspectiva de construção de uma sociedade  socialista assente no poder dos trabalhadores – o neoliberalismo,  como não poderia deixar de ser, nada nos diz. Por aqui se percebe que  a resistência à mudança com que os apologistas do capital procuram  atribuir a sindicatos e partidos de classe é, pelo contrário, algo  geneticamente presente no pensamento neoliberal. A luta pelo socialismo  também passa pela necessidade de desmontar as teses congeladoras da  história que a classe dominante procura inculcar nas massas.</p>
<p><strong>6 – A estratégia da desqualificação do pensamento crítico</strong></p>
<p>O pensamento social neoliberal comporta um conjunto de variantes. Desde  as correntes abertamente mais liberais e que utilizam um vocabulário  mais defensor e apologista do chamado “mercado livre”, até às  correntes de tipo, digamos, social-liberal – onde uma linguagem com  “preocupações sociais” se mistura com a adopção mais ou menos  sub-reptícia das teses do desmantelamento das funções sociais do  Estado – a partitura que orienta o pensamento social neoliberal no  seu conjunto assenta em princípios estruturantes e considerados como  intocáveis. Assim, a defesa acrítica do mercado (com um Estado minimalista  e militarista/securitário mesmo ao lado) e dos princípios e teses  que enunciamos anteriormente constituem o corpo teórico e ideológico  dos <em>think tanks</em> neoliberais. Contudo, nenhuma concepção do  mundo se sustenta sem procurar criticar correntes alternativas. Como  se viu no ponto anterior, o neoliberalismo não critica e desqualifica  apenas os partidos e organizações sindicais de classe. De facto, para  o neoliberalismo qualquer tipo de pensamento não mecânico e que aponte  qualquer tipo de questionamento ao sistema é imediatamente atacado  como algo de ultrapassado. Em relação ao marxismo, o pensamento neoliberal  tem adoptado duas principais estratégias.</p>
<p>Em primeiro lugar, a ofensiva ideológica neoliberal tem procurado esvaziar  universidades, centros académicos, publicações, etc. de qualquer  tipo de reflexão que não se balize nos seus princípios. Neste capítulo,  o marxismo – salvo pequenos núcleos de pesquisa em alguns países  – tem sido literalmente expulso das universidades. Para as várias  cambiantes do pensamento neoliberal, o marxismo não passaria de uma  velharia, uma teoria congelada no tempo incapaz de pensar a dinâmica  do presente. Esta justificação ideológica surge com o intuito de  expurgar a reflexão crítica de espaços que no passado foram produtores  de conhecimento científico robusto tanto ao nível da interpretação  da realidade como na interrogação dos pressupostos do capitalismo.</p>
<p>Em segundo lugar, o pensamento neoliberal tem procurado consolidar a  ideia de que o marxismo não é um pensamento crítico mas um pensamento  totalitário e conservador. Totalitário, dizem eles, porque quereria  impedir a liberdade individual de trabalhadores e patrões negociarem  livremente no mercado. Como se o trabalhador e o patrão se encontrassem  em situação de igualdade estrutural no mercado… Conservador, dizem  eles, porque o marxismo reflectiria uma concepção sobre o mundo típica  do século XIX onde teria vigorado a luta de classes. Hoje a harmonia  entre as classes seria uma realidade indesmentível, onde os princípios  da sujeição das organizações políticas e sindicais de esquerda  aos ditames do capital teriam predominância sobre a afirmação de  uma linha que defendesse a independência política da classe trabalhadora.  O mesmo se aplicaria ao pensamento marxista. Este não serviria para  mais nada.</p>
<p>Voltando a alguns aspectos intrínsecos ao pensamento neoliberal, saliente-se  ainda que não existe no seio de qualquer corrente neoliberal sequer  a mais básica pergunta de qualquer investigação científica minimamente  consistente: o porquê das coisas. Ou seja, o pensamento neoliberal  funciona como uma malha para os seus próprios defensores, impedindo  que os fundamentos do sistema sejam sequer identificados, quanto mais  questionados. Não é por acaso que as próprias universidades e institutos  superiores, com particular destaque para a Economia, procuram formar  quadros intermédios e superiores para a gestão do sistema, nunca para  a reflexão sobre o mesmo. Por conseguinte, o pensamento neoliberal  é tudo menos um pensamento científico mas uma mera ideologia com laivos  de cientificidade para legitimar o funcionamento de um sistema económico  perverso.</p>]]></content:encoded>
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		<title>O pensamento ideológico neoliberal II</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/29/o-pensamento-ideologico-neoliberal-ii/</link>
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		<pubDate>Thu, 29 Oct 2009 12:32:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[A segunda parte de um ensaio de João Valente Aguiar, Doutorando em Sociologia e Investigador na Universidade do Porto. JVA mantem o blogue As Vinhas da Ira. Leia a primeira parte aqui. O pensamento ideológico neoliberal (cont.) 3 – A &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/10/29/o-pensamento-ideologico-neoliberal-ii/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">A segunda parte de um ensaio de <a href="http://www.google.com/url?sa=t&amp;source=web&amp;ct=res&amp;cd=3&amp;ved=0CBQQFjAC&amp;url=http%3A%2F%2Fwww.hegel-marx2009.ul.pt%2Fdocumentos_hegel%2Fbionote%2Fjoao_aguiar_bionote.pdf&amp;ei=3OTmSq_RB5eSjAeMrYW8CA&amp;usg=AFQjCNFA5mZi41DZADbYoaDorQzdfdkSLQ&amp;sig2=hguzQBOMTdvkRkphSACUVw" target="_blank">João Valente Aguiar</a>, Doutorando em Sociologia e Investigador na Universidade do Porto. JVA mantem o blogue <a href="http://asvinhasdaira.wordpress.com/" target="_blank">As Vinhas da Ira.</a> <a href="http://5dias.net/2009/10/27/o-pensamento-ideologico-neoliberal-i/" target="_blank">Leia a primeira parte aqui.</a></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><strong>O pensamento  ideológico neoliberal (cont.)</strong></span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><strong>3 – A comunidade ilusória dos colaboradores</strong></span></p>
<p>Querendo ofuscar a existência das classes e dos seus conflitos, o pensamento  neoliberal fundamenta a tese da comunhão de interesses entre patrões  e trabalhadores. Nada de novo neste aspecto, a não ser a recauchutagem  formal dos termos utilizados. Se as empresas até à década de 70 diziam  que tinham x trabalhadores ou x empregados, com o avanço neoliberal,  rapidamente o patrão passou a empregador e o trabalhador/empregado/funcionário  a colaborador. O capital sempre pregou a comunhão de interesses entre  trabalhadores e patrões como forma de amenizar as lutas operárias  e, por essa via, tentar captar camadas operárias para o seu lado. O  conceito do colaborador é, por um lado, uma extensão quantitativa  desse fenómeno. Isto é, o colaborador surge nessa sequência histórica.</p>
<p align="justify"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Porém, por  outro lado, o conceito do colaborador é uma extensão qualitativa  das teses da conciliação e da paz entre as classes. A identificação  do trabalhador como um outro relativamente à empresa, a identificação  do trabalhador como pertencente a uma categoria distinta da empresa  permitiu que a própria cultura operária e a acção política das  suas organizações de classe formassem, nuns casos mais e noutros menos,  a consciência de classe do trabalhador. No caso mais recuado, o trabalhador  ao ser considerado pela própria empresa como trabalhador ou empregado  sabia de antemão que ele não seria propriamente um igual relativamente  aos donos da empresa onde trabalha(va). Em paralelo, o conceito de empregado  chamava a atenção para o facto de que quem controlava (e controla)  o recrutamento da mão-de-obra é o patrão. Por isso é que existia  a categoria dos “empregados”, isto é, indivíduos despossuídos  de qualquer recurso de produção a não ser o seu próprio corpo e  a sua mente, e mesmo estes à espera de serem inseridos no processo  produtivo. O conceito de trabalhador era ainda mais “subversivo”  e enunciador de uma linguagem autónoma de classe, no sentido em que  afirmava quase taxativamente qual a função do indivíduo assalariado  na empresa – trabalhar, produzir – ficando para o patrão a função  de dirigir o processo de trabalho e, no final deste, arrecadar os lucros  obtidos com a venda das mercadorias produzidas, precisamente, pelos  que trabalha(va)m, os trabalhadores.</span></p>
<p>O conceito de colaborador é <em>sui generis</em> porque procura apresentar  o pólo antagónico da relação capital/trabalho como se um par complementar  se tratasse. Ou seja, o pensamento neoliberal vai ainda mais além do  pensamento funcionalista clássico das teses capitalistas comuns. O  trabalhador não apenas tem uma função complementar à do patrão:  onde uns seriam detentores de trabalho e outros de capital (maquinaria  e dinheiro &#8211; como se estes não fossem também eles fruto do… trabalho!).  No pensamento neoliberal vai-se ainda mais longe: o trabalhador é um  amigo colaborador do patrão. Isto é, o trabalhador mais ganha e mais  recebe quanto mais veste a camisola da empresa, quanto mais horas não-pagas  oferece à empresa, quanto mais labor, suor e reflexão oferecer à  sua segunda (ou será a primeira?) família: a empresa. O trabalhador  seria um membro da equipa da empresa onde todos são comparsas e se  direccionariam para um mesmo objectivo: expandir os níveis de lucratividade  da empresa. Assim, ao trabalhador fomenta-se a ideia de que há inimigos  a abater: os trabalhadores das outras empresas em competição, os trabalhadores  em geral que defendem ou ainda têm vínculos laborais estáveis e com  salários relativamente bem pagos. Esses seriam os parasitas que impedem  a competitividade da empresa. O trabalhador dentro do conceito do colaborador  é, então, uma espécie de mini-empreendedor de si mesmo – sempre  em prol da empresa – que teria de se mostrar capaz de vender a sua  força de trabalho, a sua força física e as suas capacidades intelectuais  (adquiridas ou não) pelo preço mais competitivo (mais baixo) do mercado.  Em última análise, vendendo a própria dignidade a troco do vestir  a camisola da empresa.</p>
<p>Com esta estratégia ideológica (não esqueçamos, sempre apresentada  como inevitável e perfeitamente natural) pretende o capital reforçar  as teses da comunhão de interesses entre trabalhadores e patrões.  As contradições do sistema e os seus efeitos devastadores colocam  aos trabalhadores a necessidade da luta. Que surge sempre, independentemente  do tempo de duração das receitas ideológicas da classe dominante.<br />
<strong><br />
4 – O mito da flexibilidade=liberdade</strong></p>
<p>De acordo com o que se avalizou no ponto anterior, o capital procura  inculcar nos trabalhadores modelos ideológicos com o propósito de  estes actuarem como mini-empreendedores, como auto-empregadores. Esse  vector ideológico não contribui apenas para criar referências de  actuação individual dos trabalhadores coincidentes com os desígnios  do capital. Importa também ao capital utilizar tal artifício como  justificação e legitimação para o acentuamento da extracção de  mais-valia, para o agravar da exploração da força de trabalho. Nesse  âmbito, a retirada de direitos: o aumento da carga horária e da intensidade  do trabalho; a limitação das idas à casa-de-banho, refeições, etc.;  o reduzir de subsídios de alimentação, doença, assiduidade, etc.  anexos ao salário; a redução salarial (em relação ao volume global  de riqueza criada) – tudo isso, modalidades de redução do valor  da força de trabalho – são assumidos pelo capital perante os trabalhadores  como inevitabilidades. A todo este processo de desbaste de direitos  laborais o capital dá-lhe o nome de flexibilidade.</p>
<p>Na óptica dos apologistas neoliberais, tudo o que acrescentar valor  ao salário, tudo o que assegurar um nível razoável à massa salarial  é tomado como um atentado às liberdades individuais de cada trabalhador,  pois este deveria apresentar-se no mercado livre de quaisquer “amarras”  a não ser a mais completa ausência de garantias laborais. Para o pensamento  neoliberal, a transformação do trabalhador em peça livre, em pau  para toda a obra do capital é o consumar da “liberdade” individual.  Ou seja, o indivíduo reduzido a si mesmo, o indivíduo trabalhador  disponível a toda a hora e a todo o momento para executar as tarefas  produtivas definidas pelo capital. A isto o capital chama de liberdade.  Chamar-lhe-emos antes, a liberdade de o capital fazer do trabalhador  uma mercadoria ajustável aos objectivos de elevação do lucro. Ainda  mais simplesmente, a flexibilidade é a liberdade do capital fazer do  trabalhador um indivíduo escravo dos ditames do lucro.</p>
<p>Independentemente de todos os artifícios ideológicos, a liberdade  de uma classe é a ausência/constrangimento de liberdade da outra.</p>]]></content:encoded>
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		<title>O pensamento ideológico neoliberal I</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/27/o-pensamento-ideologico-neoliberal-i/</link>
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		<pubDate>Tue, 27 Oct 2009 12:19:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Publico aqui a primeira de várias parte de um ensaio de João Valente Aguiar, Doutorando em Sociologia e Investigador na Universidade do Porto. JVA mantem o blogue As Vinhas da Ira. O pensamento ideológico neoliberal Os ditames do pensamento único &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/10/27/o-pensamento-ideologico-neoliberal-i/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Publico aqui a primeira de várias parte de um ensaio de <a href="http://www.google.com/url?sa=t&amp;source=web&amp;ct=res&amp;cd=3&amp;ved=0CBQQFjAC&amp;url=http%3A%2F%2Fwww.hegel-marx2009.ul.pt%2Fdocumentos_hegel%2Fbionote%2Fjoao_aguiar_bionote.pdf&amp;ei=3OTmSq_RB5eSjAeMrYW8CA&amp;usg=AFQjCNFA5mZi41DZADbYoaDorQzdfdkSLQ&amp;sig2=hguzQBOMTdvkRkphSACUVw" target="_blank">João Valente Aguiar</a>, Doutorando em Sociologia e Investigador na Universidade do Porto. JVA mantem o blogue <a href="http://asvinhasdaira.wordpress.com/" target="_blank">As Vinhas da Ira.</a></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><strong>O pensamento  ideológico neoliberal</strong></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Os ditames  do pensamento único neoliberal hoje vigente tanto na academia como  nos media, na política, etc. assentam num conjunto de pressupostos  que importa considerar. Num registo que pretendemos sintético e simples,  procuraremos enunciar alguns dos eixos constituintes do pensamento social  neoliberal.<br />
<strong><br />
1 – O mercado como uma instituição natural.</strong></span></p>
<p>Para grande parte dos autores neoclássicos (e neoliberais), o mercado  é assumido como algo natural, inevitável, irrecusável. Ao contrário  do que muitas vezes se afirma, o mercado não é apenas um espaço de  trocas, de compra e venda de produtos. Muito mais do que isso o mercado  projecta, no plano da circulação de mercadorias, relações sociais  assentes na separação entre quem detém o controlo dos processos de  decisão económica e quem não o detém. Omitindo esta relação social  estrutural, o mercado pode assim surgir como um natural resultado da  acção privada e pretensamente libertadora de cada indivíduo. Ora,  se o mercado se torna, no discurso ideológico neoliberal, uma instituição  inultrapassável, porque a única consentânea com a “natureza humana”,  então tudo dever-se-ia transformar num mercado, ou se se preferir,  numa miríade de mercados. Isto é, a transformação de toda a vida  social, natural e humana em mercadorias passíveis de serem compradas  e vendidas pelo melhor preço funcionaria como o motor de desenvolvimento  da humanidade desde tempos imemoriais.</p>
<p align="justify"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">No fundo, espalhar  as regras do mercado a todas as esferas da vida seria, por conseguinte,  aproximar o ser humano da sua condição antropológica mais inata.  Nestas condições, o indivíduo seria mais bem-sucedido quanto mais  se mostrasse capaz de se vender no(s) mercado(s): económico, mas também  da dignidade moral. Como o mercado se apresenta, dizem os teóricos  neoliberais, como uma instituição natural e amoral, nada seria mais  sensato do que a visão de que o indivíduo tenha de fazer tudo por  tudo para derrubar o vizinho e assim se apropriar de um quinhão da  riqueza produzida. Os “grandes homens”, para o pensamento neoliberal,  são precisamente aqueles que se mostram mais bem-sucedidos no esmagar  e ultrapassar de todos os outros, construindo impérios empresariais  a partir, por um lado, da concorrência mais feroz do vale-tudo e, por  outro lado, não menos importante, da exploração mais despudorada  dos trabalhadores.</span></p>
<p><strong>2 – O custo/benefício como código de leitura e de acção.</strong></p>
<p>A assunção de que o mercado (no sentido, da transformação da matéria,  seja ela qual for, em mercadoria) é uma instituição natural e inultrapassável,  cria a imagem de que a racionalização que os agentes sociais (na linguagem  neoliberal não são sociais, mas tão-somente económicos) fazem das  suas condutas passaria inevitavelmente por um raciocínio do tipo custo/benefício.  Basicamente, o indivíduo teria que se comportar sempre de acordo com  a equação “quantos mais benefícios tiver em relação aos prejuízos  melhor”. Em termos muito gerais e um tanto ou quanto vagos, esta asserção  até pode ser verdadeira. Qualquer pessoa na sua vida, como é óbvio,  gosta de ter mais aspectos positivos do que negativos, mais bons momentos  do que maus momentos. Contudo, o raciocínio neoliberal – que, curiosamente,  se afirma tão natural e amoral mas que prega a moral do capital a toda  a hora – equipara o bem e o mal não em termos das necessidades reais  das pessoas, mas em termos dos ganhos económicos. Na base, o indivíduo  e a sociedade no seu conjunto deve(ria)m raciocinar na linha do custo/benefício  tendo em conta os ganhos de lucratividade económica do mesmo.</p>
<p align="justify"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Para dar conta  deste vector do pensamento ideológico neoliberal, atente-se nas seguintes  palavras de Marx acerca da natureza do dinheiro:</span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">«O dinheiro  é o bem supremo, portanto o seu possuidor é bom, o dinheiro dispensa-me  além disso o trabalho de ser desonesto, sou portanto presumido honesto;  eu sou desprovido de espírito, mas o dinheiro é o espírito real de  todas as coisas: como havia o possuidor dele de ser desprovido de espírito?  Além disso, ele pode comprar para si a gente rica de espírito, e quem  tem o poder sobre os ricos de espírito não é ele mais rico de espírito  do que o rico de espírito?» (Marx, Manuscritos Económico-Filosóficos  de 1844, Edições Avante, p.149).</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> Debaixo do manto diáfano do pensamento neoliberal, a nudez crua do  rolo compressor do capital.<br />
</span></p>]]></content:encoded>
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		<title>8!8!8!</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Oct 2009 18:09:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[8!8!8! Oito horas de trabalho, oito horas de tempo livre e social, oito horas de sono. Parece uma fórmula simples, equilibrada e saudável. Incrível que só tenha sido conquistada com a luta dos trabalhadores. Incrível que esteja sob ameaça pelo &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/10/24/888/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-26645" title="8!8!8!" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2009/10/8-300x211.jpg" alt="8!8!8!" width="367" height="258" /></p>
<p><a href="http://oitooitooito.blogspot.com/" target="_blank">8!8!8!</a></p>
<p>Oito horas de trabalho, oito horas de tempo livre e social, oito horas de sono.<br />
Parece uma fórmula simples, equilibrada e saudável. Incrível que só tenha sido conquistada com a luta dos trabalhadores. Incrível que esteja sob ameaça pelo novo Código de Trabalho.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Portugal em Guerra</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Oct 2009 17:08:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>
		<category><![CDATA[Imperialismo & Guerra]]></category>

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		<description><![CDATA[Numa comentário a um meu post recente sobre o Nobel da Paz de Obama &#8220;ezequiel&#8221; [21 de Outubro de 2009, 22:26] pergunta-me: qt ao afeganistão. queres que ele tire de lá as tropas? é isto? explica-me a tua posição, p.f? &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/10/24/portugal-em-guerra/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Numa comentário a um meu post recente sobre o <a href="http://5dias.net/2009/10/21/ainda-o-obama-da-paz/" target="_blank">Nobel da Paz de Obama</a> &#8220;ezequiel&#8221; [21 de Outubro de 2009, 22:26] pergunta-me:</p>
<blockquote><p>qt ao afeganistão. queres que ele tire de lá as tropas? é isto? explica-me a tua posição, p.f? os EUA deveriam sair de toda a área? será isto?</p></blockquote>
<p>A resposta curta é sim. Há que não esquecer por que se deu a invasão do Afeganistão. Poupem-me a esparrela de que foi retaliação face aos ataques do 11/Set. Estes, quanto muito, foram o pretexto para planos de dominação imperial da região. Tão pouco foi para derrubar os Taliban, com quem a administração Bush tinha boas relações, e que devido à estratégia militar dos últimos anos voltou a ganhar forças e recrutas em significativas partes da região. Foi para apanhar fragilizar a al-Qeada e capturar Osama bin-Laden? Osama, esse líder que precisa de diálise regular, continua desaparecido [recomendo o documentário de «<a href="http://www.imdb.com/title/tt0963208/" target="_blank">Onde está Osama bin Laden</a>» de Morgan Spurlock, o mesmo que se empanturrou com hambúrgueres]. Quanto à fragilização da al-Qaeda, como aferir se está mais fraca (afinal deram-se os ataques em Londres, Madrid e outros), ou se conseguiram mais recrutas após a invasão e ocupação do Afeganistão e Iraque, e a continuação do apoio a Israel. O Brookings Institute estima que para cada ataque com aviões sem piloto (os <em><a href="http://jangada-de-pedra.blogspot.com/2009/10/matar-sem-risco.html" target="_blank">drones</a>)</em> 10 civis morrem por cada militante da al-Qaeda, o que estimula a vontade do povo afegão se ver livre das forças de ocupação. Foi para instaurar a democracia que se invadiu o Afeganistão? Veja-se a fantochada que é o actual processo eleitoral. O mais alto diplomata Estadunidense no Afeganistão, que acompanhava com a ONU o processo eleitoral, foi despedido pelo secretário-geral da ONU quando acusou o seu homólogo Norueguês de ajudar a esconder a fraude eleitoral e ser favorável a Hamid Karzai (<a href="http://www.democracynow.org/2009/10/5/fired_un_official_peter_galbraith_accuses" target="_blank">ver</a>). Galbraith afirmou mesmo que este processo fraudulento entregou aos Taliban &#8220;a maior vitória estratégica dos últimos oito anos de luta contra os EUA e seus aliados Afegãos&#8221;.</p>
<p>Há quem argumente que as razões para invadir poderiam não ser válidas, mas que agora que se está lá não se pode simplesmente sair, deixar o povo sujeito à guerra civil entre os &#8220;terroristas&#8221; e as forças nacionais aliadas ao ocidente. Isso seria irresponsável*! O mesmo argumento é usado no Iraque. O mesmo argumento foi usado no Vietname, na Argélia. As forças estrangeiras não podem é ficar, pois estão a criar mais mal que bem. E quem são elas para prever o que virá caso saiam.</p>
<p>E desejo  não só que os EUA retirem as tropas do Afeganistão, mas também que sejam retiradas todas as forças militares, em particular as da NATO, incluindo as Portuguesas. Sim, porque há que não esquecer que Portugal está em guerra. Temos neste momento 105 membros das Forças Armadas Portuguesas (FAP). Segundo o nosso <a href="http://www.mdn.gov.pt/mdn/pt/Defesa/operacoes/mi/" target="_blank">Ministério da Defesa Nacional</a>, Portugal tem as seguintes forças militares na região:</p>
<blockquote><p><span id="RadEditorPlaceHolderControl1">No Afeganistão, na <a href="http://www.nato.int/isaf/" target="_blank"><em>International Security Assistance Force </em>(ISAF)</a>, até Agosto de 2008, com uma Companhia que constituiu a <em>Quick Reaction Force</em> do Comando daquela (COMISAF); entre Setembro e Dezembro de 2008, com um Destacamento de C-130 para o Transporte aéreo intra-Teatro; desde Maio de 2008, com um Operational Mentor and Liaison Team a desempenhar missões de assessoria numa Unidade do <em>Afghan National Army </em>(ANA) e na <em>United Nations Assistance Mission in Afghanistan </em>(UNAMA). (&#8230;)</span></p>
<p><span id="RadEditorPlaceHolderControl1">A Força Área disponibilizou também, entre Setembro e Dezembro de 2008, um Destacamento de C- 130, para o Transporte aéreo intra-teatro no Afeganistão. </span><span id="RadEditorPlaceHolderControl1"> (&#8230;)</span><br />
<span id="RadEditorPlaceHolderControl1">No Afeganistão encontra-se a 1ª <em>Operational, Monitoring and Liaison Team</em> (OMLT) de Divisão, composta por 16 militares, a prestar assessoria militar à Capital Division do Exército Nacional Afegão, numa Operação conduzida ao abrigo NATO. O Módulo de Apoio / Segurança, composto por 56 militares tem por fim último garantir o funcionamento, a protecção e a sustentação das FND nacionais no Afeganistão. A Equipa de Saúde de 16 militares para a Medical Treatment Facility (MTF) Role 2E (Enhanced), colocada em Kaia, integra, desde 15 de Junho de 2009, a estrutura hospitalar Role 2E, liderada pela França. E o Destacamento C-130, constituído por 41 militares, representa o contributo nacional para a Força da NATO em reforço da ISAF durante o processo eleitoral, prestando apoio de transporte aéreo intra-teatro à Força da NATO.</span></p></blockquote>
<p>Neste imbróglio de forças, e passados 8 anos, convém recordar que o início da campanha sobre o Afeganistão teve início a 7 de Outubro de 2001, por acção unilateral. Só mais tarde foram mobilizadas forças da NATO e estabelecida as missões das NU, que funcionam sob comando da NATO. Esta presença das NU deu à ocupação do Afeganistão, durante a invasão e ocupação do Iraque, a aura da &#8220;guerra justa&#8221;, autorizada e oficial, contra o terrorismo. Era ali que havia indícios da presença do Afeganistão: embora também possa estar no Paquistão, aliado dos EUA; e embora os terroristas suicida do 11/Set fossem sobretudo da Arábia Saudita, outra nação amiga dos EUA. Era também no Iraque que ocorriam mais ataques às tropas ocupantes, donde provinham mais feridos e mortos. Daí que durante a campanha presidencial Obama tenha procurado agradar a todos prometer retirar (gradualmente) do Iraque e re-orientar a guerra ao terrorismo para o Afeganistão. Mas a maré tem vindo a virar. O número de ataques a tropas ocupantes aumenta. Por isso o Pentágono procura censurar fotos de soldados mortos em combate. E há que não esquecer que já faleceram em acção dois membros das FAP: o sargento João Paulo Roma Pereira (a 18 de Novembro de 2005) e Soldado Para-quedista Sérgio Miguel Vidal Oliveira Pedrosa (a 24 de Novembro de 2007).</p>
<p>Que dirá sobre tudo isto o novo Ministro da Defesa Nacional, Augusto Santos Silva?</p>]]></content:encoded>
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		<title>Novo Governo</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/22/novo-governo/</link>
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		<pubDate>Thu, 22 Oct 2009 17:22:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Já foi anunciada a composição do novo governo (mudanças de pastas estão sublinhadas): Primeiro Ministro: José Sócrates Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros – Luís Amado Ministro de Estado e das Finanças &#8211; Fernando Teixeira dos Santos Ministro da &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/10/22/novo-governo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Já foi anunciada a <a href="http://www.publico.clix.pt/Pol%C3%ADtica/composicao-do-novo-governo-de-jose-socrates_1406413">composição do novo governo</a> (mudanças de pastas estão sublinhadas):</p>
<p>Primeiro Ministro: José Sócrates</p>
<p><!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } --></p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros – Luís Amado</p>
<p>Ministro de Estado e das Finanças &#8211; Fernando Teixeira dos Santos</p>
<p>Ministro da Presidência – Pedro Silva Pereira</p>
<p>Ministro da Defesa Nacional &#8211; <span style="text-decoration: underline;">Augusto Santos Silva</span> (ASS era Min. Assuntos Parlamentares no anterior governo;  o anterior ministro era Nuno Severiano Teixeira)</p>
<p>Ministro da Administração Interna – Rui Pereira</p>
<p>Ministro da Justiça &#8211; <span style="text-decoration: underline;">Alberto Martins</span> (o anterior ministro era Alberto Costa)</p>
<p>Ministro da Economia, da Inovação e do Desenvolvimento &#8211; <span style="text-decoration: underline;">Vieira da Silva</span> (Vieira da Silva estava no MTSS; Teixeira dos Santos estava a assegurar também este Min.)</p>
<p>Ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas &#8211; <span style="text-decoration: underline;">António Manuel Soares Serrano</span> (substitui Jaime Silva)</p>
<p>Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações &#8211; <span style="text-decoration: underline;">António Augusto da Ascensão Mendonça</span> (substitui Mário Lino)</p>
<p>Ministra do Ambiente e do Ordenamento do Território &#8211; <span style="text-decoration: underline;">Dulce dos Prazeres Fidalgo Álvaro Pássaro</span> (substitui Francisco Nunes Correira)</p>
<p>Ministra do Trabalho e da Solidariedade Social &#8211; <span style="text-decoration: underline;">Maria Helena dos Santos André</span> (substitui José Viera da Silva)</p>
<p>Ministra da Saúde &#8211; Ana Maria Teodoro Jorge</p>
<p>Ministra da Educação &#8211; <em>Isabel Alçada</em> (substitui Maria de Lurdes Rodrigues)</p>
<p>Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior &#8211; Mariano Gago</p>
<p>Ministra da Cultura &#8211; <span style="text-decoration: underline;">Maria Gabriela da Silveira Ferreira Canavilhas</span> (substitui José António Pinto Riberito)</p>
<p>Ministro dos Assuntos Parlamentares &#8211; <em>Jorge Lacão</em> (substitui Santos Silva)</p>
<p>Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros &#8211; <span style="text-decoration: underline;">João Tiago Silveira</span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Ainda o Obama da Paz</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/21/ainda-o-obama-da-paz/</link>
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		<pubDate>Wed, 21 Oct 2009 18:08:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Sei que esta já é notícia antiga, mas ainda ando meio pasmado. O Obama foi inaugurado como Presidente dos EUA a 20 de Janeiro de 2009. As nomeações para o Prémio Nobel da Paz são aceites pelo comité até 1 &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/10/21/ainda-o-obama-da-paz/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sei que esta já é notícia antiga, mas ainda ando meio pasmado.</p>
<p>O Obama foi inaugurado como Presidente dos EUA a 20 de Janeiro de 2009.</p>
<p>As nomeações para o Prémio Nobel da Paz são aceites pelo comité até 1 de Fevereiro de 2009, podendo os seus membros apresentar nomeações até à primeira reunião do comité.</p>
<p>Houve um <a href="http://nobelpeaceprize.org/en_GB/nomination_committee/nomination-2009/">número recorde de nomeações</a> (205), incluindo 33 organizações.</p>
<p>Mas entre todos esses candidatos, as poucas semanas na Casa Branca garantiram o Prémio a Obama «pelos seus esforços extraordinários para reforçar a diplomacia e cooperação internacional entre os povos.»</p>
<p>Sei que os oito anos de Presidência de Bush foi um período negro, mas substituí-lo não é garantia de santificação. Não é preciso muito para que haja um clima de maior diplomacia que durante o período Bush-Cheney. Mas um capital de esperança e expectativa já é suficiente para ganhar um prémio Nobel. Está este prémio transformado naqueles eventos escolares onde se dão prémios a todos os concorrentes. Não podiam ter aguardado um pouco, para melhor avaliar se a retórica se transforma em acção e esta em resultados. É que entretanto, nos 9 meses de presidência, Obama já acumulou várias iniciativas cujo carácter em prole da paz é no mínimo duvidável. Basta lembrar a escalada da guerra no Afeganistão, incluindo o facto de Obama ter permitido mais ataques por aeronaves de reconhecimento em território Paquistanês e Afegão que Bush nos seus últimos 3 anos de presidência.</p>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Por uma Assembleia da República com múltiplas vozes</title>
		<link>http://5dias.net/2009/09/25/por-uma-assembleia-da-republica-com-multiplas-vozes/</link>
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		<pubDate>Fri, 25 Sep 2009 16:08:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=25962</guid>
		<description><![CDATA[Infelizmente ouvimos muito cepticismo face ao nosso sistema democrático eleitoral. É frequente ouvir-se &#8220;são todos iguais&#8221;, &#8220;são sempre os mesmos&#8221;, &#8220;não vou votar, porque não muda nada&#8221;. Creio, e posso estar enganado, que muito deste desânimo resulta do facto de &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/09/25/por-uma-assembleia-da-republica-com-multiplas-vozes/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Infelizmente ouvimos muito cepticismo face ao nosso sistema democrático eleitoral. É frequente ouvir-se &#8220;são todos iguais&#8221;, &#8220;são sempre os mesmos&#8221;, &#8220;não vou votar, porque não muda nada&#8221;. Creio, e posso estar enganado, que muito deste desânimo resulta do facto de os vários governos constitucionais terem sido constituídos fundamentalmente por dois partidos: o PS e PSD (com ocasional presença do CDS-PP). Apesar das diferenças programáticas, de personalidades, de postura, que possam existir entre os dois partidos (e que têm vindo a convergir cada vez mais). Isto é, na prática, e ao nível do Governo, tem havido muito pouca alteração. Terá havido mudança de caras, mas no fundo grande continuidade ao nível da prática política.</p>
<p>Não quero aqui refutar a falácia de &#8220;todos os partidos serem iguais&#8221;. Eu sou militante do PCP e creio que o PCP e a CDU são diferentes dos restantes clubes políticos. Mas não é este o meu enfoque, nem quero aqui estar a fazer campanha em torno da força da minha preferência. Quero defender a nossa democracia multipartidária.</p>
<p>A tendência, fomentada pelos partidos que têm ocupado o governo e que é reforçada pela comunicação social, de que o voto individual só conta para decidir se é Dupont ou Dupond quem chega a primeiro ministro; o apelo ao voto útil, por parte do PS e PSD, usando os argumentos da estabilidade e governabilidade, além de ser um argumento oportunista e falacioso, são uma visão distorcida do que deve ser a democracia.</p>
<p>As eleições de domingo são para eleger os 230 deputados da Assembleia da República. Felizmente, a AR tem conseguido manter uma composição multi-partidária. Além dos partidos que ocupam neste momento a AR, outros partidos têm por lá passado. Recordando apenas os mais recentes, o PRD e o PSN já tiveram representação parlamentar. <strong>O facto de termos um AR com múltiplas vozes têm uma enorme importância</strong>. São mais vozes a apresentar projectos de lei, a propor emendas aos projectos da maioria, a participar nas comissões parlamentares, a fiscalizarem a acção do governo, a acompanhar o desenvolvimento do país, a levar a voz de diferentes sectores da população à AR e confrontar o governo com as suas queixas e preocupações. A tendência para a bipolarização, movida pelo PS e PSD, por exemplo nos projectos de reforma do sistema eleitoral que têm apresentado, seria um estrangulamento da representação da AR, e afastaria ainda mais o eleitorado dos seus representantes. O cenário seria muito diferente se houve uma forte bipolarização, como existe nos EUA, na Inglaterra, ou agora em Itália. A nossa democracia institucional ficaria a perder se o cepticismo conduzir na prática a um reforço dessa polarização (uma uni-polarização com duas caras). <strong>Havendo 15 forças no boletim de voto de domingo, parece-me difícil que um eleitor que se dê ao trabalho de conhecer todas as forças, não encontro UMA com a qual se identifique minimamente.</strong></p>
<p>O voto numa das forças parlamentares que nunca esteve no governo, ou nas forças partidárias que nunca estiveram na AR, não é um voto inútil. Os cépticos que caem nessa conversa, dando um voto útil, ou abstendo-se, estão a dar mais força precisamente às forças contras as quais estão descontentes. Num contexto em que se prevê que nenhum partido irá ganhar a maioria absoluta, o voto nos partidos que não fazem parte dos dois partidos do Bloco Central assume ainda maior importância. Reforça a capacidade de fiscalização desses partidos e força aquele que vier a assumir o governo a travar diálogo com outras forças partidárias.</p>
<p>Os que apelam ao voto útil e os descrentes nas forças que têm vindo a ocupar o Governo convergem numa visão muito limitada do que é a Democracia e onde jaz o poder democrático. O resultado das eleições não dá legitimidade a nenhum partido para governar em nosso nome. O poder da Democracia jaz nos eleitores e na população. O direito ao voto em eleições livres foi conquistado após décadas de luta, pelo que é um direito adquirido que não pode ser esbanjado por causa da qualidade dos que têm assumido as rédeas do poder. E mais que um direito é um dever de cada cidadão. Mas os eleitores, e cidadãos em geral, não podem resumir-se a votar e achar que com isso terminou a sua responsabilidade. Esta persiste entre actos eleitorais. A Democracia participativa, que consta na Constituição da República Portuguesa, é uma tarefa de cidadania exigente. Exige uma atenção e fiscalização permanente dos nossos representantes na AR, do Governo e das Instituições Públicas.  Exige que estejamos atentos aos trabalhos que ocorrem nestas instituições, trabalho agora facilitado pela internet. Devemos ter, todos, o trabalho de acompanhar esses trabalhos e comunicar aos nossos representantes, seja através da acção de massas, seja através de abaixo-assinados, seja através de cartas individuais, as nossas opiniões, queixas e preocupações. Os representantes e governantes estarão a servir-nos e não a comandar-nos. O cepticismo revela um descontentamento com (alguns) partidos. Tal não se corrige através do afastamento ou abstenção, mas através de uma maior participação na vida democrática.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Sócrates no JN</title>
		<link>http://5dias.net/2009/08/11/socrates-no-jn/</link>
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		<pubDate>Tue, 11 Aug 2009 13:46:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[José Sócrates, Primeiro-ministro e Secretário-geral do Partido Socialista, publicou hoje um artigo de opinião no Jornal de Notícias, entitulado &#8220;Uma escolha decisiva&#8221;. Não é preciso ler o artigo para advinhar que a conclusão a que chega é que a única &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/08/11/socrates-no-jn/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>José Sócrates, Primeiro-ministro e Secretário-geral do Partido Socialista, publicou hoje um artigo de opinião no <a href="http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=1331379" target="_blank">Jornal de Notícias</a>, entitulado &#8220;Uma escolha decisiva&#8221;. Não é preciso ler o artigo para advinhar que a conclusão a que chega é que a única escolha dos eleitores é re-eleger o PS.</p>
<p>Cabe antes de mais re-lembrar que as eleições legislativas do dia 27 de Setembro são para a composição dos 230 deputados da Assembleia da República (AR). Não são eleições directas para o Governo, e muito menos para o Primeiro-ministro (como a página <a href="http://www.socrates2009.pt/" target="_blank">Sócrates2009 </a>parece querer implicar). Assim, os eleitores não devem condicionar o seu voto pensando apenas em quem vai formar governo, mas tendo em conta o espectro partidário do boletim de voto e reflectir que voz querem representada na AR. Se estão insatisfeitos com a política de direita conduzida pelos sucessivos governos do PS e PSD (com ou sem o CDS-PP), têm todo o direito de votar noutras forças que na AR façam oposição a essa política.</p>
<p>Duas notas a este propósito: Sócrates assume-se como de esquerda, como se a aplicação das directrizes neoliberais vindas da Europa, ou espelhadas no Tratado de Lisboa do qual ele tanto se orgulha, não desmontem esse seu posicionamento. Fala agora em investimento público para dinamizar a economia, após uma governação caracterizada pela obsessão pelo déficit, a redução de custos públicos (chumbando simultaneamente os limites ao paraíso fiscal da Madeira ou a lei, do seu camarada João Cravinho, de combate à corrupção). Afirma-se como uma alternativa, como se não se tratasse antes de continuidade.</p>
<p>As forças à sua esquerda, descreve como &#8220;esquerda radical&#8221; que &#8221; que se limita a protestar, dispensando-se da maçada de contribuir para a solução de qualquer problema&#8221;. Isto é descarta todo o trabalho da AR dos grupos parlamentares à sua esquerda, que durante mais uma legislatura demonstraram uma capacidade de apresentação de projectos de lei, propostas de alteração, requerimentos, interpelações etc. que em muito ultrapassa as outras forças na AR. Que a maioria parlamentar se limite a chumbar automaticamente essas propostas construtivas, que tentam resistir à política do PS, não lhe permite caracterizar a oposição como apenas protestando. Protesta claro. É seu direito, por mais desconfortável que o Governo se sinta quando os trabalhadores saem à rua. Caso exemplar: se 2/3 dos professores protestam contra as políticas do Ministério da Educação, apresentando os sindicatos propostas alternativas e estando estes dispostos a negociar, são os professores e sindicatos que &#8220;não entendem&#8221;, que só protestam, são forças corporativas conservadoras.</p>
<p>Sócrates coloca a opção como entre a direita e o PS, como se o PS não vem praticando políticas de direita, e como se a verdadeira rotura política não fosse votar nas forças de esquerda que Sócrates exclui logo à partida.</p>
<p>Não é preciso sondagem para indicar que o PS ou o PSD irão conseguir uma maioria, pelo menos relativa. Os eleitores porém podem optar por reforçar as outras forças partidárias na AR. O que Portugal precisa é que nenhum dos partidos da alternância volta à prepotência que uma maioria absoluta lhes oferece. E sob uma maioria relativa serão forçados a dialogar com as outras forças políticas e com os parceiros sociais, não apenas como gesto demagógico, mas efectivamente tendo em conta as suas propostas, pois elas existem. É preciso é que as oiça.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Jardim e as Ideologias</title>
		<link>http://5dias.net/2009/07/20/jardim-e-as-ideologias/</link>
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		<pubDate>Mon, 20 Jul 2009 17:42:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>

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		<description><![CDATA[Alberto João Jardim nunca desaponta quando abre a boca: tem sempre coisas para dizer que nos deixam a nós boquiabertos. Honra lhe seja feita, que diz frontalmente os que outros do seu partido e área política apenas pensam. Deu-lhe agora &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/07/20/jardim-e-as-ideologias/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1310199&amp;amp;seccao=Madeira" target="_blank">Alberto João Jardim</a> nunca desaponta quando abre a boca: tem sempre coisas para dizer que nos deixam a nós boquiabertos. Honra lhe seja feita, que diz frontalmente os que outros do seu partido e área política apenas pensam.</p>
<p>Deu-lhe agora para comentar a <a href="http://www.tribunalconstitucional.pt/tc/crp.html#art46" target="_blank">Constituição da República Portuguesa</a>, em particular o seu Art. 46, ponto 4, no qual são proibidas<em> organizações</em> fascistas. Veja-se:</p>
<blockquote><p>4. Não são consentidas    associações armadas nem de tipo militar, militarizadas ou paramilitares,    nem organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista.</p></blockquote>
<p>Segundo Jardim, a Constituição não devia proibir quaisquer ideologias, mas a ter um ponto restritivo devia proibir todas as <em>ideologias</em> totalitárias. Os itálicos são meus, pois Jardim confunde proibir <em>organizações</em> de um certo cariz político, com proibir organizações que perfilhem e tenham no seu programa essas ideologias. A Constituição é clara sobre a liberdade de expressão, isto é, não proíbe nenhum cidadão de ser fascista e proclamar-se como tal. Portanto a CRP não proíbe ideologias. O que proíbe é que hajam &#8220;organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista&#8221;. A razão é clara. Basta recordar que a CRP foi elaborada depois de Portugal ter sido libertado de uma ditadura fascista que durou 48 anos.</p>
<p>Mas isto de ideologias totalitárias também levanta perguntas. O que é uma <em>ideologia totalitária</em>? A menos que a ideologia preveja à partida um abandono da democracia, a suspensão de direitos e liberdades, e a imposição de um regime de tirania (como Manuela Ferreira Leite deixou escapar da boca recentemente), então poucas serão as ideologias políticas à partida totalitárias. Os regimes, esses sim, podem ser totalitários, até um regime de perfil à superfície democrático e parlamentar. O regime de Salazar/Caetano era totalitário, além de fascista.</p>
<p>Diga-se aliás que este ponto da CRP tem permitido a existência de um partido que se diz nacionalistas, mas que pelas suas actividades e associações, é um partido de perfile fascista e racista, o PNR. (Recorde-se o cartaz onde ovelhas brancas pontapeavam ovelha negras para fora de Portugal.)</p>
<p>Mas onde Jardim quer chegar é a proibição do comunismo, aliás em consonância com um movimento que nível europeu quer proibir o comunismo. <a href="http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1310199&amp;amp;seccao=Madeira" target="_blank">Nas suas declarações</a> às perguntas de jornalistas, até admite que na Madeira o PCP  &#8220;faz o jogo democrático&#8221; e &#8220;cumpre com as regras democráticas&#8221;.  Jardim, apesar de político há tantos anos, põe os pés pelas mãos e já nem sabe o que diz. Diz às tantas que não sabia se o PCP era um partido fascista (?!). Isto é, totalitário, fascista e comunistas, para ele é tudo a mesma coisa. E remete depois ao PCP a questão de afirmar se é ou não totalitário [ver a <a href="http://www.pcp.pt/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=34341&amp;Itemid=195" target="_blank">resposta do PCP</a>], como se o programa do PCP, toda a sua história de combate anti-fascista e implantação de uma democracia, e a sua participação nas instituições democráticas não fossem prova suficiente do seu carácter democrático. Mais o PCP defende uma democracia avançada, tão avançada que nem cabe na cabeça de Jardim questionar se a nossa democracia está suficientemente desenvolvida em todas as suas vertentes: política, social, económica e cultural. Não basta haver vários partidos e eleições para ser uma democracia. A regime de alternância a que Portugal tem está sujeito, com uma continuidade da política de direita (então na Madeira, onde persiste o mesmo presidente da Região Autónoma, há décadas &#8230;) para haver democracia. A CRP, logo no Art. 2, prevê que a democracia deve ser visar</p>
<blockquote><p>a realização da democracia económica, social e cultural e    o aprofundamento da democracia participativa.</p></blockquote>
<p>A &#8220;democracia participativa&#8221; não se esgota no facto de se poder votar ou ser elegido. O termo implica a participação activa e o envolvimento da cidadania do processo político. Se estamos longe de atingir uma grande participação no simples acto de votar (veja-se o nível de abstenção nas últimas eleições) maior ainda é a distância entre os eleitores e quem exerce o poder.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Saiba o número de eleitor</title>
		<link>http://5dias.net/2009/06/06/saiba-o-numero-de-eleitor/</link>
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		<pubDate>Sat, 06 Jun 2009 17:32:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Porque cada voto conta e porque qualquer razão que desmotive um eleitor, recenseado, de efectuar o seu voto é um atendado ao bom funcionamento democrático, chamo a atenção de quem tenha já levantado o seu Cartão de Cidadão que o &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/06/06/saiba-o-numero-de-eleitor/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Porque cada voto conta e porque qualquer razão que desmotive um eleitor, recenseado, de efectuar o seu voto é um atendado ao bom funcionamento democrático, chamo a atenção de <span style="text-decoration: underline;">quem tenha já levantado o seu Cartão de Cidadão que o seu número de eleitor pode ter sido alterado</span>, sem o seu conhecimento. Tal pode ter como efeito a alteração da secção de voto ou, no caso de freguesias maiores, a alteração do local de voto. Quem tenha mudado a indicação de local de residência quando preencheu a informação do Cartão de Cidadão foi <span style="text-decoration: underline;">automaticamente recenseado</span> na nova freguesia de residência, isto é, não se tendo recenseado na nova Junta de Freguesia (algo que na prática já não se faz nas Juntas) foi automaticamente para os cadernos da sua nova Junta de Freguesia de residência, consoante informação do Cartão de Cidadão.</p>
<p>Há também casos bizarros. Na minha zona conheço quem, morando numa zona perto dos limites autarquícos, mudou de freguesia sem ter mudado de casa. Há também casos de erros de processamento tenha ficado recenseado numa freguesia diferente. Por isso, quem tenha levantado o Cartão de Cidadão não perde nada em certificar-se do seu número de eleitor e local de voto antes de ir votar.</p>
<p>Pode fazê-lo online no sítio da <a href="http://www.recenseamento.mai.gov.pt/">Administração Eleitoral</a>, ou por telemóvel, enviando um SMS gratuito, para <span style="text-decoration: underline;">3838,</span> um texto com «re», espaço, número do Bilhete de Identidade ou Cartão de Cidadão, espaço, data de nascimento (no formato AAAMMDD). Por exemplo:</p>
<p>re 1234567 19740425</p>
<p>Receberá seguidamente o número de eleitor e freguesia de recenseamento, no telemóvel.</p>
<p>Ide votar!</p>]]></content:encoded>
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		<title>A poucos dias das eleições europeias</title>
		<link>http://5dias.net/2009/06/05/a-poucos-dias-das-eleicoes-europeias/</link>
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		<pubDate>Thu, 04 Jun 2009 23:18:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Estamos já a poucos dias das eleições para o Parlamento Europeu, no domingo. Já aqui chamei atenção, com preocupação, para a elevada taxa de abstenção que se prevê.  Quase finalizada a campanha, lamento que tenha sido uma oportunidade perdida para &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/06/05/a-poucos-dias-das-eleicoes-europeias/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estamos já a poucos dias das eleições para o Parlamento Europeu, no domingo. Já aqui chamei atenção, com preocupação, para a elevada <a href="http://5dias.net/2009/04/10/combater-a-abstencao/" target="_blank">taxa de abstenção</a> que se prevê.  Quase finalizada a campanha, lamento que tenha sido uma oportunidade perdida para o eleitorado discutir e esclarecer-se sobre o que tem significado a nossa adesão à União Europeia e o se prevê para o futuro, em particular tendo em conta o Tratado de Lisboa. Aquele cujo conteúdo fez com que toda a Assembleia da República, unanimemente (passe a redundância), revesse a Constituição da República Portuguesa com o objectivo único de permitir o seu referendo (na altura sob a designação equívica de &#8221; Tratada da Constituição Europeia&#8221;). Mudou o nome, manteve-se o conteúdo, esquecida a promessa por parte do bloco central: porreiro, pá. Esse mesmo tratado, que é motivo de grande orgulho do Sócrates, cujo cariz marcadamente neo-liberal, faz ocas as críticas que Sócrates tem demagogicamente feito a esse sistema económico. De que vale criticar &#8220;os excessos&#8221; do neo-liberalismo, se continua a apoiar o Tratado que o aprofundará a nível europeu. A campanha não serviu para esclarecer o conteúdo do Tratado, e fazer notar os avanços militaristas para a Europa que implica. Sócrates até nisso confunde patriotismo com defesa da soberania nacional. Invoca o patriotismo para defender a continuação de Durão Barroso na Presidência da Comissão Europeia (sobre o qual Vital Moreira deu mostras da sua independência, dando o dito por não dito). O mesmo Durão que hospedou a Cimeira dos Açores, reunião preparatória da invasão e ocupação do Iraque, à qual maioria da população portuguesa (e mundial) se opunha. Alguns partidos quase nem fizeram referência à Europa e questões europeias na sua campanha, caso do CDS-PP. Mas o mais tragi-cómico da campanha foi, para mim, a auto-vitimização que o PS construiu em seu torno. Houve todo o foclore hiperbólico em torno do 1º de Maio. E hoje vejo um outdoor do PS que tem o seguinte dizer: &#8220;<em>O PS combate a crise. Os outros combatem o PS.</em>&#8221; Este outdoor ultrapassa a imagem assustadora da pálida Manuela Ferreira Leite. O PS tem o poder executivo e a maioria na Assembleia. Haviam de ser os outros partidos a combater a crise? E isso admitindo que as medidas do PS têm sido de combate à crise. Pois na verdade ficam muito aquém disso, e algumas delas propagam as suas causas subjacentes. Por isso os ataques ao PS. Coitadinho. Nunca se deu bem com a crítica, nunca se prestou a aceitar propostas da oposição consequente de esquerda, sempre viu como obstáculo molesto as manifestações de protesto e defesa de direitos conquistados. Pobrezinho, ninguém o entende. Nem ele se explica. Que havia de fazer? Admitir que não são os ideias da modernização e da responsabilidade que serve, mas sim os interesses do grande capital nacional e europeu.</p>
<p>Com um governo assim, face ao balanço de 33 anos de política de direita e de quase 25 anos de adesão à UE (ou serão 24 <img src='http://5dias.net/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> , um cidadão minimamente responsável não pode deixar de ir às urnas e exprimir a sua opinião. Vote em branco, vote a raiva e anule o boletim, vote num dos partidinhos novos e misteriosos, ou, melhor ainda, vote numa força partidária de confiança que defenda a soberania e os interesses nacionais e trabalhe por uma outra Europa, de cooperação e paz. (No meu blog, <a href="http://jangada-de-pedra.blogspot.com/2009/06/carta-ao-que-pensa-abster-se.html" target="_blank">Jangada de Pedra</a>, justifico o meu voto pessoal na CDU.)</p>]]></content:encoded>
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		<title>Eleições no SPGL</title>
		<link>http://5dias.net/2009/05/08/eleicoes-no-spgl/</link>
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		<pubDate>Fri, 08 May 2009 09:14:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>

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		<description><![CDATA[Está a decorrer a campanha para os órgãos do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (SPGL), um dos maiores sindicatos do país, membro da FENPROF, a maior federação sindical de trabalhadores de Portugal, por sua vez membro da CGTP-IN, a &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/05/08/eleicoes-no-spgl/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Está a decorrer a campanha para os órgãos do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (<a title="SPGL" href="http://www.spgl.pt/" target="_blank">SPGL</a>), um dos maiores sindicatos do país, membro da <a title="FENPROF" href="http://www.fenprof.pt/" target="_blank">FENPROF</a>, a maior federação sindical de trabalhadores de Portugal, por sua vez membro da <a title="CGTP-IN" href="http://www.cgtp.pt/index.php" target="_blank">CGTP-IN</a>, a maior central sindical nacional. Explicito estas afiliações para que se compreenda que as votações no SPGL são das mais significativas no quadro do movimento sindical unitário. As votações por correspondência já estão a decorrer. As mesas de voto estarão nas escolas no dia 19 de Maio.</p>
<p>As eleições no SPGL ocorrem também depois de um ano das maiores manifestações de professores (ou de qualquer grupo profissional) na história portuguesa, de meses de luta contra a política de uma Ministra de Educação autista, onde tem estado em causa não apenas a sempre referida avaliação dos professores, mas também a divisão da carreira (procurando dividir os professores), as cargas de trabalho não-docente exigidas ao professores que os afogam em burocracias, limitando o tempo de preparação das aulas, etc.</p>
<p>A grande presença de professores nas manifestações em Lisboa pode levar os mais distraídos a valorizar o trabalho de mobilização do SPGL. Na verdade a actual direcção do sindicato (Lista A nas eleições) pouco tem trabalhado nas escolas da sua região no sentido de contactar directamente os professores, de os informar,  e dos os mobilizar para a luta. Tem tido posições ambíguas e hesitantes face às políticas da ME e à estratégia de luta. No quadro da FENPROF, o SPGL tem sido dos grandes sindicatos aquele que menos tem trabalhado para mobilizar os professores, tirando partido do trabalho central da FENPROF, de outros sindicatos, e da informação transmitida entre professores e através da comunicação social. Como exemplos da prestação da actual direcção refira-se a relativa escassez de informação distribuída nas escolas da região, a baixa mobilização activa para as acções reinvidicativas, e a postura fraca em torno da eleição de Mário Nogueira para secretário-geral da FENPROF, cuja liderança marcou um postura mais forte e unida dos professores, incluindo com outras forças sindicais e movimentos de professores, e uma postura de defesa dos professores inabalável.</p>
<p>Devo confessar que nestas eleições não sou parte neutra. Faço parte da <a title="Lista B Professores Unidos" href="http://professores-unidos.blogspot.com/" target="_blank">Lista B</a>, lista que se apresenta como alternativa a todos os órgãos do SPGL, em torno de um projecto de dignificação profissional, de defesa da escola pública, da unidade dos professores em torno da luta na defesa dos seus interesses, e com o objectivo de fazer do SPGL um sindicato mais interventivo, mais presente nas escolas: um sindicato de referência no seio da FENPROF. <a href="http://professores-unidos.blogspot.com/"><img class="aligncenter" title="Lista B - Professores Unidos" src="http://1.bp.blogspot.com/_gIsj3sFS5lg/Sdk--U0wmzI/AAAAAAAAAFs/R01ZD833-Ts/S1600-R/bannerBB.jpg" alt="" width="515" height="200" /></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Só mais um apontamento</title>
		<link>http://5dias.net/2009/05/03/so-mais-um-apontamento/</link>
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		<pubDate>Sun, 03 May 2009 10:38:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Já aqui foi escrito muito sobre a presença do Vital Moreira na marcha da CGTP-IN no 1º Maio e reação de vários participantes. Há uma grande diferença, na minha opinião, entre apupar e assobiar a sua presença, e atirar-lhe água &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/05/03/so-mais-um-apontamento/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Já aqui foi escrito muito sobre a presença do Vital Moreira na marcha da CGTP-IN no 1º Maio e reação de vários participantes. Há uma grande diferença, na minha opinião, entre apupar e assobiar a sua presença, e atirar-lhe água ou seja o que for. Acho os apupos e assobios a um representante da lista às euopeias do PS uma reacção bastante natural numa marcha onde o Sócrates, governo PS e as suas políticas de direita era um dos principais alvos de desagrado. Tratou-se naturalmente de uma reacção espontânea dos participantes, que só mentes torcidas podem imaginar que foi planeada e coordenada pelas direcções de seja que organização. Estar a pedir desculpas formais à CGTP e ao PCP um exagero e demagogia tremendas. Ainda assim, <span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-size: 12pt;">Francisco Lopes, do  Comité Central do Partido Comunista, declarou que o</span></span><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-size: 12pt;">&#8220;PCP  manifesta a sua discordância e lamenta os incidentes verificados em Lisboa, num  acto isolado de alguns manifestantes&#8221; mas &#8220;rejeita as acusações, insultos e  calúnias dirigidas pelo PS contra o PCP&#8221;. O apontamento que queria aqui deixar é que VM, impedido de integrar a cabeça da manifestação, não se retirou imediamentamente do local, mas decidiu deslocar-se ao longo da Avenida, com a clara intenção de continuar a provocação e extrair os benefícios do <em>spin</em> dos média e dos partidos que o viriam a descrever como vítima. Quem lhe deu cobertura e protecção durante esta deslocação provocatória: responsáveis da CGTP.<br />
</span></span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Combater a abstenção</title>
		<link>http://5dias.net/2009/04/10/combater-a-abstencao/</link>
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		<pubDate>Fri, 10 Apr 2009 18:05:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
		<category><![CDATA[União-Europeia]]></category>

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		<description><![CDATA[É preciso contrariar a tendência história de abstenção nas eleições para o Parlamento Europeu. As eleições de 7 de Junho são demasiado importantes neste ano eleitoral carregado, para ser definido por apenas 40% da população portuguesa. <a href="http://5dias.net/2009/04/10/combater-a-abstencao/">Ler o resto<span class="meta-nav">_</span></a> <a href="http://5dias.net/2009/04/10/combater-a-abstencao/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No intenso período eleitoral que se aproxima, as eleições para o Parlamento Europeu virão em primeiro lugar, no dia 7 de Junho. Isto deve causar alguma preocupação a qualquer pessoa consciente da importância dos três actos eleitorais deste ano. Embora seja três actos isolados (apesar da persistente incerteza se as autárquicas serão agendadas para o mesmo dia que as legislativas – um erro na minha opinião), seria ingénuo pensar que os resultados do primeiro acto eleitoral não irá ter um profundo efeito no clima político que irá preceder os dois actos seguintes. Isto faz com que estas eleições para os deputados no Parlamento Europeu (PE) tenham um importância acrescida. A preocupação advém da forte taxa de abstenção que se tem verificado nos últimos actos eleitorais para o PE, nos últimos 3 sempre acima dos 60% (ver gráfico).</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-medium wp-image-18241 aligncenter" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2009/04/abstention_ep_portugal-300x190.jpg" alt="taxa de abstenção nas eleições portuguesas para o PE" width="300" height="190" /></p>
<p>Vários têm sido os factores apontados para estas altas taxas de abstenção: a falta de conhecimento sobre as actividades do PE, o poder relativamente limitado do PE face à Comissão Europeia (que não é eleita directamente pelos cidadãos europeus), a percepção (errada) que as decisões em Bruxelas e Estrasburgo têm pouco impacto na vida nacional, etc.<span id="more-18228"></span></p>
<p>Creio que deve constituir ponto de convergência de todas as forças políticas um forte apelo ao voto nestas eleições. Esse apelo deve ser tanto mais forte por parte dos partidos que tradicionalmente têm ficado entre as terceiro e quintas forças mais votadas, já que o número de deputados que cabem ao círculo Português ficou reduzido com o alargamento da União Europeia. Assim, pequenas diferenças entre votos nestas forças políticas, sobretudo havendo uma grande abstenção, poder ser determinante sobre  o número (ou mesmo eleição) de deputados que venham a ser por si eleitos.</p>
<p>O apelo à votação nestas eleções ao PE em particular deve ser conduzido, na minha opinião, em torno destas questões:</p>
<ul>
<li>votar no dia 7 de Junho é não só eleger deputados ao PE, mas também dar um claro sinal e uma expressão marcada da opinião sobre as políticas nacionais conduzidas pelas forças políticas portuguesas domesticamente. Nesse sentido, a<strong> forte rejeição popular</strong>, expressa nas múltiplas lutas de massas, das políticas de direita do Governo PS (e apoiadas no seu fundamental pelo PSD), <strong>tem de ser revertidas na rejeição destas forças</strong> como nossos representantes no PE. Embora sejam assembleias parlamentares distintas da Assembleia da República ou das assembleias autárquicas &#8230;</li>
<li>&#8230; as políticas conduzidas em território nacional, tanto pelo PS e PSD, reflectem uma enorme s<strong>ubserviência perante os interesses mais fortes na Europa</strong>, muitas vezes levando à aprovação de medidas contrárias aos interesses nacionais, tanto dos trabalhadores como dos sectores patronais</li>
<li>votar nestas eleições europeias será também o único momento em que podemos exprimir a nossa opinião sobre o <strong>curso da União Europeia</strong> adoptado pelo Tratado de Lisboa (já que o Governo Sócrates, usando malabarismo retórico se recusou a cumprir o seu programa eleitoral e realizar um referendo nacional): será a esta a Europa que queremos, uma Europa marcada pelos <strong>interesses económicos em prejuízo dos direitos laborais</strong> e democráticos, uma <strong>Europa cada vez mais militarizada</strong> e comprometida com os interesses dos EU?</li>
<li>a força política em que se votar é também um <strong>voto pela defesa (ou capitulação) da soberania nacional</strong>. Isto é, cremos que Portugal tenha instrumentos políticos, económicos (incluindo produtivos) e financeiros capazes de tomar decisões que sirvam os interesses nacionais (instrumentos fundamentais para sairmos da actual crise), ou que Portugal perda ainda mais autonomia e se torne ainda mais dependente das decisões de Bruxelas? Refiro-me aos acordos agrícolas e de pescas, que levaram à destruição destes sectores em Portugal e à perda da nossa soberania alimentar; à aceitação dos critérios de convergência, que os governos de direita usaram para privatizar interesses produtivos nacionais públicos (e rentáveis), agora em grande medida nas mãos de capital estrangeiro, e para privatizar e reduzir serviços públicos fundamentais; refiro-me à nossa soberania monetária e a nossa flexibilidade para definir taxas de juro de acordo com as condições económicas e financeiras nacionais, em vez de segundo os ditames do Banco Central Europeu (BCE). Recordo-me a este propósito a demagogia de Sócrates quando quis tirar proveito político da baixa das taxas de juro, quando essa decisão foi tomada pelo BCE. No fundo, queremos uma Europa cada vez mais federal e afastada dos cidadãos, ou uma Europa de cooperação entre estados em pé de igualdade?</li>
<li>Aos que não votam, porque julgam que pouco efeito terá nas suas vidas, desenganem-se. Apesar do poder relativamente menor do PE, não deixa de ser um fórum onde opiniões podem ser veiculadas, oposição expressa, alianças formadas, e percursos alterados, dependendo das forças que lá se encontram representadas.</li>
<li>Aos que se opõe a esta UE, e expressam essa oposição não votando, há que convencer que a melhor maneira de exprimir essa oposição é votar nas forças que representem a oposição a esta UE no seu seio, e que façam uso desse espaço e dos recursos que oferece para exigir um outro rumo para a Europa. Uma abstenção, ou mesmo um voto nulo ou branco, é um voto inconsequente (não vamos ter um cenário como o «Ensaio sobre a Lucidez» de Saramago).</li>
</ul>
<p>No ano em se celebram o 35º  aniversário da Revolução democrática de Abril, devemos encarar cada oportunidade de voto não apenas como um direito, mas um dever, uma responsabilidade cívica. É incoerente queixar-mo-nos da falta de democracia da UE, e depois não usufruírmos do único momento de participação que esta estrutura (no seu fundamento alienada das populações) nos oferece. O desanimo, cinismo e alieanação face à &#8220;Europa&#8221; longíqua são emoções que apenas favorecem o <em>status quo</em>. Nós, Portugueses, temos de votar para o PE, e nesse voto exprimir o que sentimos sobre a construção Europeia e sobre as forças políticas que se candidatam para nos presentar na UE.</p>]]></content:encoded>
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		<title>60º aniversário da NATO</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Apr 2009 19:42:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>

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		<description><![CDATA[Celebra-se amanhã o 60º aniversário da OTAN (ou NATO no acrónimo internacional). Fundada a 4 de Abril de 1949, num encontro em Washington DC, foi ratificada, em Agosto desse ano. Nos EUA. Fundada alegadamente como um aliança trans-atlântica para velar &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/04/03/60%c2%ba-aniversario-da-nato/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 156px"><img title="Parabéns" src="http://msp326.photobucket.com/albums/k411/hortibob/birthday_cake.gif" alt="Parabéns" width="146" height="163" /><p class="wp-caption-text">Parabéns NATO</p></div>
<p style="text-align: left;">Celebra-se amanhã o 60º aniversário da OTAN (ou NATO no acrónimo internacional). Fundada a 4 de Abril de 1949, num encontro em Washington DC, foi ratificada, em Agosto desse ano. Nos EUA. Fundada alegadamente como um aliança trans-atlântica para velar pela defesa dos Estados Europeus, recém saídos da 2º Guerra Mundial, com o &#8220;apoio&#8221; dos EUA. A Carta da NATO prevê a mobilização do apoio militars dos países signatários em caso de ataque a qualquer país membro, isto é, o seu espaço de intervenção seria apenas dentro das fronteiras dos países membros, presumivelmente em caso de ataque pelos países do bloco comunista do leste Europeu. (O Pacto de Varsóvia foi fundada em 1955 como resposta por parte da URSS e países socialistas do Leste da Europa.)</p>
<p style="text-align: left;">Portugal Salazarista, império colonial, foi um dos membros fundadores da NATO, o que diz páginas sobre as condições necessárias para integrar a aliança, e o seu compromisso pela defesa da liberdade, democracia, e não-ingerência. A base aérea das Lajes, na Ilha Terceira dos Açores, tornou-se então um base militar ao serviço da NATO.</p>
<p style="text-align: left;">A Constituição de Abril, apesar das revisões constitucionais, preserva ainda o seguinte ponto, no Art. 7º:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: left;">2. Portugal preconiza a abolição do    imperialismo, do colonialismo e de quaisquer outras formas de agressão,    domínio e exploração nas relações entre os    povos, bem como o desarmamento geral, simultâneo e controlado, a <span style="text-decoration: underline;">dissolução    dos blocos político-militares</span> e o estabelecimento de um sistema de segurança    colectiva, com vista à criação de uma ordem internacional    capaz de assegurar a paz e a justiça nas relações entre    os povos.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: left;">Cabe perguntar: celebrados 33 (no passado dia 2 de Abril) sobre a Constituição da República Portuguesa (CRP), porque continuamos a integrar uma aliança militar trans-atlântica, na qual entrámos durante o fascismo?</p>
<p style="text-align: left;">Porque somos membros de um &#8220;bloco político-militar&#8221;, a NATO, quando o bloco militar em defesa do qual foi inicialmente criada já não existe?</p>
<p style="text-align: left;">Com que objectivos existe ainda a NATO?  E porque, ao celebrar 44 anos, os seus países membros intervieram militarmente fora das fronteiras dos seus países membros, em particular nos Balcãs, quando esses não estavam sob ameaça militar?</p>
<p style="text-align: left;">Porque persiste a NATO em alargar o número de países membros, e estabelecer bases militares nos novos países membros, em particular componentes do Sistema Anti-balístico dos EUA na Polónia e República Checa? Ao serviço de quem funciona a NATO?</p>
<p style="text-align: left;">Que autonomia terá a Agência de Defesa Europeia, prevista no Tratado de Lisboa, face à NATO, isto é, face aos EUA?</p>
<p style="text-align: left;">Estas perguntas são necessárias, pois as respostas são reveladoras da submissividade de Portugal face à estratégia imperialista dos EUA e UE, contrariando o estabelecido na CRP.</p>
<p style="text-align: left;">Importa mencionar, a propósito desta efeméride, a cumplicidade de Portugal nos voos da CIA, nas rendições extraordinárias, no transporte de pessoas presas, transportadas e torturadas ao arrepio da Lei Internacional. Deputados portugueses na Assembleia da República e no Parlamento Europeu (incluindo a deputada europeia do PS, Ana Gomes, têm questionado o Governo Sócrates sobre estes voos desde 2002. O governo tem alternado entre recusar responder e alegar que Portugal não tinha conhecimento destes vôos. No início, poderia perguntar-se porque um governo do PS se recusava a admitir transgressões ocorridas durante o Governo do PSD/CDS-PP. Mas, numa resposta a requerimento do Grupo Parlamentar do PCP, o Ministério das Obras Públicas, Transporte e Comunicações confirmou que terem existido voos, através do nosso território, com origem ou destino em Guantánamo, <span style="text-decoration: underline;">até Dezembro de 2007</span>. Isto é, o Governo Sócrates recusava-se a admitir conhecimento sobre estes voos, enquanto os continuava a autorizar. Existe um inquérito na Procuradoria Geral da República em curso para estabelecer responsabilidades criminais. Mas a maioria PS na AR continua a rejeitar um inquérito para estabelecer as responsabilidades políticas. Mais uma vez, o PS, o PSD e CDS-PP estão aliádos em manter em segredo a nossa subserviência face ao imperialismo dos EUA e UE.</p>
<p style="text-align: center;">
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 422px"><img title="NATO: Aliança Imperialista" src="http://eldib.files.wordpress.com/2007/10/800px-flag_of_nato_svg.png?w=412&amp;h=262" alt="NATO" width="412" height="309" /><p class="wp-caption-text">NATO: Aliança Imperialista</p></div>]]></content:encoded>
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		<title>Jotex e a luta de classes</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Mar 2009 20:59:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>
		<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[luta dos trabalhadores]]></category>

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		<description><![CDATA[No dia 28 de Fevereiro, em Espinho, a poucos quilómetros de distância do local onde decorria o Congresso do PS, a administração da empresa têxtil Jotex, decidiu que queria fechar a produção. O contraste entre o Portugal fantasia do Congresso &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/03/16/jotex-e-a-luta-de-classes/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No dia 28 de Fevereiro, em Espinho, a poucos quilómetros de distância do local onde decorria o Congresso do PS, a administração da empresa têxtil <a title="Jotex" href="http://www.jotex.pt/" target="_blank">Jotex</a>, decidiu que queria fechar a produção. O contraste entre o Portugal fantasia do Congresso e o Portugal real na Jotex, não podia ser mais flagrante. A 27 de Fevereiro, a administração informou os trabalhadores que a produção iria ser suspensa até 16 de Março. Mas nada faria supôr, que no sábado seguinte, a administração fizesse deslocar ao local um conjunto de camiões para remover a maquinaria. Isto apesar da empresa estar  em plena produção e possuir uma carteira de encomendas preenchida. Os trabalhadores rapidamente se mobilizaram e dirigiram ao local da empresa com o fim de impedir, onde vieram a encontrar um destacamento policial para garantir o carcomer da empresa, para os empresários poderem vender o capital fixo da maquinaria e re-investirem noutro sector, noutro pais, ou simplesmente saldarem dívidas por si acumuladas noutras actividades. Os 60 postos de trabalho e o contributo para a produção têxtil nacional que se dane. Passados mais de quinze dias, os trabalhadores da Jotex, na sua maioria mulheres, continuam firmes na intenção de não abandonarem as portas da empresa. Os trabalhadores querem garantir que as máquinas não serão vendidas antes de serem assegurados e pagos os seus direitos e realizada a assembleia de credores. Contrariamente ao que antes afirmara aos trabalhadores (que se tratava apenas de uma suspensão de produção), a administração apresentou um pedido de insolvência.</p>
<p>Situações como estas acumulam-se pelo país fora. Empresas que até têm condições de produção, mas cujas administrações preferem re-investir o seu capital noutros sectores ou regiões. Quem está na linha da frente na defesa de postos de trabalho e da produção industrial são os desprovidos dos meios de produção, os que dependem da sua força de trabalho, dos seus postos de trabalho, para sobreviver e alimentar as suas famílias. Não me venham dizer que a «luta de classes» é um conceito ultrapassado. Ele está até por demais evidente no momento de crise que actualmente atravessamos. Assim o demonstrou também a gigantesca manifestação de 6ª feira passada, convocada pela <a title="CGTP-IN" href="http://www.cgtp.pt/index.php" target="_blank">CGTP-IN</a>, com mais de 220 mil trabalhores, do sector público e privado, que se deslocaram a Lisboa em defesa do direito Constitucional ao emprego com direitos. Duas notas sobre esta manifestação: 1) a crescente presença de trabalhadores do sector privado; 2) a presença de alguns trabalhadores com cara vedada, determinados a lutar, mas com receio das consequências laborais caso fossem identificados. É sinal que de que se generaliza a resistência às políticas do Governo/Sócrates, mas que os trabalhadores, em particular do sector privado, estão sujeitos a formas de intimidação, de limitação dos seus direitos constitucionais, fontes de medo e receios. Mas apesar disso, ali estavam, juntando a sua voz ao protesto generalizado.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-medium wp-image-17256 aligncenter" title="textil" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2009/03/textil-300x200.jpg" alt="textil" width="300" height="200" /></p>]]></content:encoded>
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		<title>É Carnaval, mas isto é para levar a mal</title>
		<link>http://5dias.net/2009/02/24/e-carnaval-mas-isto-e-para-levar-a-mal/</link>
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		<pubDate>Tue, 24 Feb 2009 19:36:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>

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		<description><![CDATA[Há dias que ando a acartar a Moção de José Sócrates &#8220;PS: A Força de Mudança&#8220;, que será apresentada ao XVI Congresso Nacional do Partido Socialista. Confesso que ainda não tive oportunidade de a ler cuidadosamente na integra, e contava &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/02/24/e-carnaval-mas-isto-e-para-levar-a-mal/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há dias que ando a acartar a Moção de José Sócrates &#8220;<a href="http://www.ps.pt/media/mocao_jsocrates_2009.pdf" target="_blank">PS: A Força de Mudança</a>&#8220;, que será apresentada ao XVI Congresso Nacional do Partido Socialista. Confesso que ainda não tive oportunidade de a ler cuidadosamente na integra, e contava fazê-lo antes de escrever um <em>post </em>sobre ela aqui. Mas o tempo escasseia, o dito Congresso é já no próximo fim de semana (27 de Fev. &#8211; 1 Mar.), e penso já ter lido o suficiente para aqui tecer alguns comentários. Além do mais, parece-me apropriado fazê-lo no dia de Carnaval, pois, na moção, Sócrates veste diversas máscaras para nos tentar enfiar o barrete.</p>
<p>(<em>Antes da  me lançar na exegese da moção, envio um saudação fraterna à população de Torres Vedras, que soube encarar a palhaçada política em torno do Magalhães com o devido bom humor, e respondendo ao Ministério Público com uma boa dose de sátira política.</em>)</p>
<p>Comecemos logo pelo título do primeiro capítulo da moção, intitulado «<em>A Actualidade do socialismo democrático</em>». <span id="more-16208"></span>Para mim não é nada claro o que Sócrates, ou o PS, entende por &#8220;socialismo&#8221;. Não se trata certamente do Socialismo Utópico ou do Socialismo de Marx. A moção também não o esclarece. Será o Socialismo segundo o modelo Chinês, já que entre os convidados internacionais ao Congresso se encontra o Partido Comunista da China? Não será antes aquilo que no jargão político se chama social-democracia, ou reformismo, ou terceira via, isto é, uma &#8220;humanização do capitalismo&#8221;? Só este título inaugural alerta para um aproveitamento, presente ao longo de todo o documento, de uma linguagem de esquerda numa clara tentativa de angariar os eleitores de base do PS, alienados e atacados pelas reformas do Governo Sócrates. O próprio termo &#8220;esquerda&#8221; é suficientemente ambíguo que se presta a ser abusado. Admito que tenha um sentido diferente para diferentes pessoas, pelo que para efeitos deste <em>post </em>consideremos que uma definição mais ou menos ampla: a &#8220;esquerda&#8221; representa a ala disposta a transformar a sociedade no sentido da igualdade e justiça económica e social, sendo que, nas &#8220;barricadas&#8221; se coloca junto dos mais desfavorecidos. Evito com isto falar em sistemas económicos (um termo porém implícito, creio, quando se refere socialismo), mas evito explicitamente o conceito de &#8220;luta de classes&#8221;. A minha definição pessoal é um pouco mais restrita. Pelo menos destacaria a existência de uma &#8220;luta de classes&#8221;, de explorados e exploradores, oprimidos e opressores. Alguns acham o conceito ultrapassado, mas a verdade é que ela ai está – então neste período de maior crise económica. Mas tomemos a definição mais abrangente, com termos menos conotados. Pode o Governo PS e o PS candidato às eleições (um e o mesmo) caracterizar-se como sendo de esquerda. Tem sido promotor de muita mudança, ou &#8220;reforma&#8221; na linguagem oficial. Reformas ditas necessárias. Mas de que lado da barricada se tem colocado o Governo-PS? Quem tem sido favorecido pelas ditas reformas? A resposta para mim parece evidente. Basta ver quem tem lucrado e quem tem apertado o cinto. Quem aperta a mão do primeiro-ministro e quem desfila na rua, exigindo ser ouvido. E Sócrates tem depois o desplante de caracterizar quem tenta proteger os seus direitos como sendo conservadores, sendo ele claro o apóstolo da mudança.</p>
<p>Não reclamo qualquer originalidade ao afirmar que o PS tem praticado uma política que objectivamente se pode descrever como de &#8220;direita&#8221;. A comprová-lo estão os muitos comentários, dos sectores mais diversos, feitos durante a actual governação PS, que até caracterizam o executivo como praticando uma política mais à direita da que o PSD/PPD se atreveu a fazer quando no governo, facto aliás  responsável, em parte, pelo vazio político deste partido. A comprová-lo também estiveram os múltiplos debates parlamentares entre o executivo e a maior bancada da oposição, que raramente se centraram em questões de fundo, mas se caracterizaram sobretudo por observações de detalhe ao que Sócrates frequentemente respondia &#8220;então, porque não fizeram isso quando os senhores estavam no Governo. Nós estamos finalmente a implementar essas reformas, e até a levá-las mais longe.&#8221; A forma mais efectiva de oposição do PSD/PPD tem sido não no hemiciclo, com a apresentação de verdadeiras propostas alternativas, mas através do fomentar de &#8220;escândalos&#8221; na comunicação social para desgastar o PS e a a figura do Sócrates, em particular.</p>
<p>Mas voltemos à moção. Na primeira parte deste primeiro capítulo, «<em>A derrota da lógica de pensamento único</em>», Sócrates critica o neo-liberalismo, que tem submissamente aplicado em Portugal, e não perde a oportunidade para, logo no segundo parágrafo, e a despropósito, criticar o pensamento comunista, revelando o seu anti-comunismo acéfalo (outra constante das suas intervenções na Assembleia da República). Na actual crise económica e financeira, a dança política na moda no &#8220;centrão&#8221; é criticar o neo-liberalismo, e dizer que o sistema o que precisa é de mais regulação (como se o capitalismo monopolista fosse capaz de se auto-regular, ou permitir que um governo subalterno o fizesse). Na segunda parte refere que «<em>A alternativa está, pois na esquerda democrática.</em>» Alternativa?! A quem?! Não é o PS que está no governo?! Depois usa o termo «<em>esquerda democrática</em>». Retomando a questão da esquerda referida anteriormente: este PS, que governa com maioria parlamentar, representa uma tendência efectivamente democrática, no sentido de dar ouvidos e voz aos vários parceiros sociais, ou apenas a alguns? Um governo que impõe políticas à pressa, sem o mínimo esforço de genuíno diálogo? Um governo que descarta protestos e resistências dizendo &#8220;pobrezitos, não entenderam ainda a nossa reforma&#8221;. Assim se passou, literalmente, com os Professores. Face às maiores manifestações de um grupo profissional na história portuguesa, que reuniu todo o espectro político, incluindo Professores militantes do PS a envergarem o seu cartão ao alto, o Governo prossegue de ouvidos moucos. São os professores que não entendem. Ou que têm uma atitude corporativa. O único esforço de contacto foi reunir um conjunto selectivo de Professores do PS para que a Ministra lhes explicasse melhor as reformas propostas, como se o problema dos professores fosse serem idiotas.</p>
<p>Mas é na terceira parte do primeiro capítulo que Sócrates adjectiva o PS, como sendo o «<em>partido da esquerda moderna, responsável e progressista</em>». Que grande baile de máscaras! É «<em>moderno</em>» porque é «<em>reformista [e] comprometido com a ciência, tecnologia, a inovação, a modernização social.</em>» Lá reformista é. Mas se considera que reformas que atacam direitos laborais conquistados através da luta dos trabalhadores, liberalizando o mercado de trabalho de volta ao século XIX, não creio que se possam caracterizar como reformas de modernização. Quanto à aposta na Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&amp;I), não obstante o crescimento relativo em termos orçamentais do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES), e algum progresso numa área onde Portugal estava atrasadíssimo, a verdade é que Portugal continua atrasado neste sector, e sob este governo tem-se assistido ao agravamento da proletarização dos jovens investigadores e técnicos científicos, em particular dos bolseiros.</p>
<p>O PS é também «<em>responsável</em>». A escolha deste termo é curioso. Não é propriamente um termo que caracteriza uma ideologia. Mas é algo que procuramos, por exemplo, num gestor. Sócrates torna assim claro a sua concepção de Estado, como um gestor dos dinheiros públicos, e o Primeiro-Ministro, como presidente do Conselho Executivo (um <em>CEO</em>). Fala em colocar o «interesse público … acima do interesse particular» e na «defesa do Estado social, da estabilidade política, do rigor orçamental, da eficácia e justiça das políticas económicas e sociais.» Ui, só este trecho daria pano para mangas e calças. Hão-de reparar que Sócrates fala sempre em &#8220;interesse público&#8221; e quase nunca em &#8220;serviços públicos&#8221;. Pudera: tem introduzido tanta &#8220;reforma&#8221; atacando os serviços públicos do Estado, desde a redução do número de maternidades, centros de urgência e escolas, até mais privatizações, incluindo a da água, esse bem essencial. De tanto serviço público aberto agora à comercialização dos interesses privados (em nome do &#8220;interesse público&#8221; e do &#8220;Estado social&#8221;?), pouco resta ao Estado que defender o &#8220;rigor orçamental&#8221; e a &#8220;eficácia&#8221;, estilo <em>Simplex</em>. Recorde-se que foi em nome do défice que Sócrates exigiu grandes sacrifícios e contenção orçamental. Mas esse rigor, na actual crise, já lá vai. Agora, já é aceitável superar os critérios de convergência europeus para o défice e fazer investimento público para re-animar a economia. Mas estejam descansados que esse investimento terá em conta o &#8220;interesse público&#8221;, como é exemplo o investimento em grandes projectos como o TGV, enquanto outras infraestruturas públicos se degradam.</p>
<p>Mais adiante (pag. 10), Sócrates clarifica: «<em>Este não pode ser o tempo de aventuras. Não pode ser o tempo nem das demagogias irresponsáveis e perigosas da esquerda comunista e da extrema esquerda, nem do populismo e das receitas falhadas do passado que a direita tem para oferecer. Pelo contrário, este tem de ser, mais do que nunca, um tempo de responsabilidade na governação do País.</em>» Para Sócrates, ser responsável está em contraste com todos os demais, os aventureiros. Pouco importa que o PS tenha, por exemplo, há dias imposto um Código Laboral mais regressivo que o anterior Governo do PSD/PP propôs, e que a então bancada do PS criticou. E a tal outra esquerda é perigosa? Para quem? Ora essa é fácil. É perigosa para os interesses monopolistas que Sócrates protege.</p>
<p>Por fim, o PS é «progressista». Ver o PS usar este termo causa-me perplexidade. Bem sei que termos políticos assumem diferentes conotações segundo o país e contexto. Um liberal nos EUA está no pólo político oposto que um liberal no Reino Unido (onde o termo está mais perto das suas raízes e do uso na expressão &#8220;neo-liberal&#8221;). Nos EUA, um progressista é um radical de esquerda. No léxico de Sócrates, progressista é o oposto de conservador. Mas não se pense que se refere à Partido Conservador do RU. Conservador é qualquer que recuse a mudança, mesmo que mudança para pior, mesmo uma mudança que represente um retrocesso histórico.</p>
<p>Afirma depois que o PS é a «<em>esquerda que quer governar</em>», suponho que por oposição a uma esquerda que não quer governar e só quer criticar. Não sei bem é qual é essa tal esquerda. Não estará certamente a pensar no Bloco de Esquerda ou Partido Comunista Português. Ambos partidos querem governar, ao nível local e nacional. E basta ver as estatísticas da Assembleia da República para ver que estes partidos, em particular o PCP, dominam o hemiciclo em número de Projectos de Lei. Criticam, mas também apresentam alternativas. Estas são é sistematicamente chumbadas pela maioria de direita, do PS ao CDS-PP.</p>
<p>Sócrates prossegue neste ponto descrevendo os «valores essenciais» do PS. Aqui vemos finalmente menção dos &#8220;serviços públicos&#8221; e referência à protecção dos «grupos mais vulneráveis». Até seria de louvar esta proclamação, se durante a presente governação do PS não se tivesse verificado um aumento da desigualdade social e reformas atacando os mesmos serviços públicos. Afirma então que o PS «<em>é partidário da economia de mercado e defensor do papel estratégico do Estado democrático, com capacidade reguladora, mas adversário do proteccionismo e do colectivismo.</em>» Cá temos claramente a ideia de Estado reduzido ao papel de regulador e gestor do dinheiro dos contribuintes.</p>
<p>No parágrafo seguinte, é hiperbólico na sua descrição como partido da Europa: «<em>Sem qualquer hesitação, ambiguidade ou reserva, somo o partido da construção europeia.</em>» Sem &#8220;qualquer hesitação&#8221;?! Então se os critérios do Banco Central Europeu penalizarem os países periféricos, como Portugal, em benefício dos países mais ricos da UE? E se a Política Agrícola Comum continuar a impôr medidas que liquidam o nosso sector agrícolo e a nossa soberania alimentar? E se a Política de Pescas continuar a oferecer territórios a Marrocos que antes eram exploradas por frotas pesqueiras portuguesas?</p>
<p>Por questões de tempo e da vossa paciência, não irei continuar neste exegese pormenorizada para todo o documento. Aos interessados recomendo a sua leitura crítica. Mas permitiam ainda alguns comentários:</p>
<ul>
<li>No capítulo II, «A acção do PS», avança-se a tese mistificadora de que a crise económica e financeira caiu-nos em cima, como se não houvesse causas domésticas (sobre as quais o PS tem responsabilidade) para que esta crise tenha tido em Portugal os efeitos que está a ter, e como se não existisse já um agravamento da condição social e laboral, incluindo uma taxa de pobreza que afecta 2 milhões de Portugueses, que precedeu o arrebentar da crise financeira nos EUA e depois por todo o Mundo. Mas não, na visão de Sócrates o «<em>incontestável processo de recuperação da economia portuguesa foi interrompido … por consequência dos efeitos da crise internacional</em>» (pag. 6). Que tenham havido países que, tendo preservado sob domínio público sectores estratégicos da economia, resistiram ou atenuaram os efeitos domésticos da crise global é irrelevante.</li>
<li>Gaba-se de ter conseguido vencer a crise orçamental, mas não detalha a que custo sociais da deificação do défice.</li>
<li>Lista as várias reformas (as tais reformas modernas e progressistas), onde se inclui a reforma da legislação laboral. E como trata a incapacidade de impor as reformas na educação devido à resistência massiva dos professores: «foi na educação que enfrentámos o mais sério obstáculo à competitividade do País e à igualdade de oportunidade entre os portugueses.» Pois é: os professores como uma força conservador, que impedem o progresso.</li>
<li>Chamo a vossa atenção para o uso da expressão «<em>Estado <span style="text-decoration: underline;">amigo</span></em> <em>e promotor da iniciativa empresarial</em>», na pág. 12, pois mais uma vez nestes rasgos Sócrates desvenda a sua visão do Estado. O Estado é nosso amigo, o bom pai, que cuida de nós, que é responsável. Esta expressão tem ecos que estão em contradição com uma visão democrática, com o pluralismo e criação de alianças que Sócrates refere noutras partes da moção.</li>
<li>Não posso deixar de comentar um dos pontos que maior destaque recebeu nos média (embora o resto do documento seja muito mais ilustrativo do que Sócrates pensa e pretende para Portugal): «<em>a remoção … das barreiras jurídicas à realização do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.</em>» Esta proposta demagógica exige duas perguntas: 1) se é tão a favor do casamento homossexual, então porque não aprovou as propostas do Bloco de Esquerda ou do Partido Ecologista &#8220;Os Verdes&#8221; na presente legislatura, ou porque não elaborou o PS uma proposta nessa mesma ocasião? Responde o PS que não fazia parte do seu programa eleitoral, como se um Governo não tivesse legitimidade para passar legislação sobre questão não presentes no programa, dialogando com os vários partidos, ou como se este Governo não tivesse descartado a promessa eleitoral, inscrita no seu programa, de referendar o &#8220;Tratado Constitucional&#8221;, alegando tratar-se de um novo documento; 2) O casamento é o tema mais relevante para a comunidade homossexual, ou é apenas o tema querido de alguns dos seus supostos porta-vozes, como o Miguel Vale de Almeida? Não será mais importante tomar medidas para combater a descriminação e homofobia que intimida e leva ao suicídio jovens homossexuais?</li>
</ul>
<p>Por fim, Sócrates quer uma nova maioria absoluta para poder continuar as suas reformas &#8220;em paz&#8221;, prosseguindo a sua postura arrogante, fugindo à concertação e diálogo social, fazendo apelo a um valor questionável numa democracia: a estabilidade. Portugal teve um período de grande estabilidade durante 48 anos. Não vejo que dessa estabilidade tenha resultado nada de muito positivo. Temendo ter desgastado a sua base social de esquerda, Sócrates lança uma moção polvilhada de palavras e algumas medidas com o intuito de se reaproximar dessa base. Mas basta recordar as medidas que este Governo PS implementou para facilmente se antecipar que uma segunda maioria não será &#8220;de esquerda&#8221;, mas antes (como uma leitura atenta da moção torna evidente) uma continuação da mesma política de direita que tem alternado entre o PS e o PSD/PPD (com a ocasional participação do CDS/PP coligado com um ou outro) ao longo de todos os governos eleitos desde o 25 de Abril. O que Portugal precisa não é uma nova maioria absoluta de um partido de políticas de direita, mas de reforçar as forças efectivamente de esquerda na Assembleia da República. Antes um governo apoiado numa minoria parlamentar, forçado a dialogar e fazer concessões, que a cúpula de um Partido a governar a seu belo prazer, para benefício dos seus &#8220;boys&#8221;. Nas anteriores eleições, após a governação patética de Sócrates, é de algum modo compreensível que muitos tenham respondido votando PS, na esperança de uma mudança, de uma viragem à esquerda. O Governo PS mais do que demonstrou que essa esperança depositada nas urnas foi defraudada. Não há razão para cometer esse erro novamente. Por isso apelo, aos que se identificam com os valores de esquerda, com as Portas que Abril Abriu, para citar o poeta Ary dos Santos, com o programa consagrado na Constituição da República: NEM UM SÓ VOTO DA ESQUERDA NO PS!</p>]]></content:encoded>
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		<title>Comemorações do bicentenário de Charles Darwin</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Feb 2009 02:51:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biologia Evolutiva]]></category>
		<category><![CDATA[cinco dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Há figuras históricas, que pela sua importância, pelo seu papel fundador de uma área de conhecimento, ficam intimamente associadas a essa área. Tal sucede, por exemplo, com Sigmund Freud e a psicanálise. Concorde-se ao não com o que ele escreveu, &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/02/12/comemoracoes-do-bicentenario-de-charles-darwin/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://1.bp.blogspot.com/_koQjnhpeNBo/SZNt9zVwNvI/AAAAAAAAAxk/MvIIUSboX6k/s1600-h/1840.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5301702094866102002" style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 233px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_koQjnhpeNBo/SZNt9zVwNvI/AAAAAAAAAxk/MvIIUSboX6k/s320/1840.jpg" border="0" alt="" /></a>Há figuras históricas, que pela sua importância, pelo seu papel fundador de uma área de conhecimento, ficam intimamente associadas a essa área. Tal sucede, por exemplo, com Sigmund Freud e a psicanálise. Concorde-se ao não com o que ele escreveu, ou melhor com o que ele escreveu em determinada fase da vida – pois o seu pensamento também foi naturalmente evoluindo ao longo da sua vida – Freud na Psicanálise é uma figura incontornável. O mesmo sucede com Charles Darwin e a biologia evolutiva.</p>
<p>Antes de mais um esclarecimento. Quando se fala em «biologia evolutiva» não se está a criar um contraste com uma «biologia não-evolutiva». Trata-se de uma especificação. Como que diz que um biólogo que estuda aves é um ornitólogo, ou alguém que estuda ecossistemas marinhos, é um biólogo marinho. Por analogia, um engenheiro civil ou um arquitecto paisagista, são especialidades dentro da engenharia e arquitectura. Um «biólogo evolutivo» é um biólogo especializado nas problemática da evolução, a questão da evolução das espécies, na formação de novas espécies (especiação), do modo como estas se adaptam ao meio, nos mecanismos evolutivos (que não se esgotam com a selecção natural), com a relação entre populações de uma mesma espécie, com a história da vida da terra, etc. Em geral não é um biólogo cujo estudo esteja restrito a um grupo de organismos, mas tende a aplicar o seu conhecimento a uma variedade de organismos. Eu por exemplo, sou biólogo evolutivo, e já trabalhei com plantas, insectos, e trabalho agora com peixes marinhos, mas a linha condutora é a evolução, os seus mecanismos, as suas técnicas de análise e questões associadas.</p>
<p>Mas voltando a Charles Darwin, cujo bicentenário se celebra hoje, 12 de Fevereiro, por todo o mundo. Em Portugal, estão em marcha diversos eventos, incluindo a inauguração de uma exposição na <a href="http://www.gulbenkian.pt/darwin/home.html">Fundação Calouste Gulbenkian</a>, que será das maiores exposições do mundo (se não a maior, em termos de área e diversidade de elementos, incluindo animais vivos). Paralelamente à exposição, haverão uma série de conferências, incluindo grandes nomes da área. Mas além das iniciativas promovidas pela Fundação CG, haverão várias outras ao longo do ano, de Lisboa a Braga aos Açores. Para um calendário eventos vejam, a página (criada por mim) <a href="http://www.biologia-evolutiva.net/">biologia-evolutiva.net</a> (que contem outras informações, incluindo insituições de investigação em biologia evolutiva, e livros publicados em Portugal sobre o tema), ou a <a href="http://www.google.com/calendar/embed?src=rngmlqkaif8pf2ne7gfofduq68%40group.calendar.google.com&amp;ctz=Europe/London">página do calendário</a>. Trata-se de um calendário Google, pelo que os utilizadores desta plataforma podem adicionar este calendário de eventos do Ano Darwin, ao seu calendário pessoal.<br />
<a href="http://2.bp.blogspot.com/_koQjnhpeNBo/SZNtX1uBZ8I/AAAAAAAAAxc/5BVqsY5qRxY/s1600-h/1890_Voyage_1831_1836.web.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5301701442669733826" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 232px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_koQjnhpeNBo/SZNtX1uBZ8I/AAAAAAAAAxc/5BVqsY5qRxY/s320/1890_Voyage_1831_1836.web.jpg" border="0" alt="" /></a>Tendo já saído tanta informação recentemente sobre Darwin nos jornais e revistas, não pretendo aqui adicionar nada de novo à sua biografia e ao impacto das suas ideias. Incluo apenas  alguns breve apontamento históricos. A circum-navegação no H. M. S. Beagle foi um momento fundamental na vida de Darwin. Tinha na altura apenas 22 anos. Tendo já interesse pela história natural, foi durante esta viagem, que Darwin fez observações, recolhas e leituras que vieram a ser fundamentais para o desenvolvimento do seu pensamento. Foi também durante a viagem que Darwin descobriu fósseis de enorme importância na época. As suas notas e descobertas iam sendo enviadas para Inglaterra, onde Darwin foi ganhando grande reputação e reconhecimento como naturalista. Ao regressar a Inglaterra, país que nunca mais deixou até o final da sua vida em 1882, encontrou uma Inglaterra já bastante diferente, onde a revolução industrial e os conflitos sociais dela resultantes estavam na ordem do dia. Ao desenvolver as suas ideias sobre evolução, Darwin temia o efeito que a sua publicação poderia ter. Teve um demonstração dessa reacção após a publicação do texto de Roberto Chambers, anonimamente, em 1844. Havia também grande tensão social entre os apologistas na Nova Lei dos Pobres, que efectivamente pretendia eliminar todos os apoios aos pobres, e o defensores da Carta Popular, os Cartistas, que a opunham. O panfleto do Rev. Thomas Malthus, que foi um inspiração para a ideia de selecção natural de Darwin, era um documento político, onde este defendia que face ao crescimento demográfica da população empobrecida, os subsídios sociais eram redundantes e contra-producentes. Embora Darwin se tenha inspirado em alguns elementos de Malthus, não era propriamente um defensor das suas conclusões políticas, mas temia ser associado aos defensores da Lei da Pobreza, e – como pessoa abastada que era –  temia ser alvo da revolta e motins que eram frequentes na época.<br />
<span id="more-15386"></span><br />
Assim, Darwin foi desenvolvendo as suas ideias, acumulando evidências, mas apenas partilhando-as e discutindo-as no seu círculo de confiança. Tencionava inclusive não publicar a sua obra em tempo de vida, tendo deixado indicação à sua esposa, para que fosse publicada postuamente. Mas os eventos precipitaram-se quando Darwin recebeu uma carta de um joven naturalista, Alfred Russel Wallace, esboçando, com menor sofisticação, a ideia de selecção natural. Sendo um homem honrável, não concebia simplesmente esconder a carta, mas por outro lado não queria ser passado à frente. A conselho de amigos, cartas de Darwin e Wallace foram lidas na Sociedade Linneana em 1858. Mas foi a publicação do &#8220;longo argumento&#8221; da Origem das Espécies (a 24 de Novembro de 1859) que veio efectivamente lançar um debate público intenso. Darwin manteve-se sempre distante da linha da frente, e foram seus amigos, como Thomas Henry Huxley e John Hooker, que o defenderam publicamente. Apesar de alguma polémica, a ideia de evolução foi aceite com relativa rapidez nos círculos científicos. Aqui estava uma colecção extensa de argumentos a favor de um processo e mecanismo natural da origem e diversidade das espécies, das adaptações que eles exibem, que não queria intervenção divina.</p>
<p>Ernst Mayr, um grande biólogo evolutivo, divulgador, historiador e filósofo da evolução, que faleceu em 2004 (com quase cem anos), precisou que na <em>Origem</em> Darwin introduziu várias teorias: a da evolução propriamente dita, a de evolução gradual, a da multiplicação das espécies, a da ancestralidade comum, e a teoria da selecção natural. Esta divisão é útil pois nem todos os biólogos evolutivos aceitaram todas as teorias. Huxley por exemplo, o &#8220;bulldog de Darwin&#8221; deu pouco importância à selecção natural. Ainda hoje a biologia evolutiva é uma ciência plural, onde se aceitam vários mecanismos e modos de evolução, onde se discute a sua relativa importância, mas onde o <em>a evolução</em> é tida como facto científico, devido à quantia avassalora de provas a seu favor. Isto é, no campo científico existem debates e controvérsias dentro da biologia evolutiva, mas sempre aceitando o facto da evolução.</p>
<p>O debate entre evolução e criacionismo, porém, tem recebido mais atenção. Debate onde perdura uma grande confusão entre ciência e fé. Estas não são necessáriamente incompatíveis, como demonstram os contributos do biólogo evolutivo e crente Theillard de Chardin, a encíclica do Papa João Paulo II, ou as opiniões do português Luís Archer, ex-dirigente da Comissão Nacional de Bioética. Embora esta controvérsia assuma maior relevância nos EUA, por motivos que não irei explorar agora, surgem já indícios de que o criacionismo ganha algumas raízes na Europa. Tal levou a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa a emitir, em Setembro de 2007, um <a href="http://assembly.coe.int/main.asp?Link=/documents/workingdocs/doc07/edoc11375.htm" target="_blank">relatório</a> inequívoco sobre a importância da evolução e alertando para os perigos do criacionismo na educação europeia.  Na Europa, não havendo os movimentos criacionistas organizados que existem nos EUA, existe um criacionismo críptico, alimentado pela ignorância científica. Um relatório da associação <a href="http://www.theosthinktank.co.uk/mainnav/reports.aspx" target="_blank">Theos</a>, que conclui que 22% dos britânicos preferem as teorias do criacionismo ou concepção inteligente (<em>Inteligent Design</em>). Apenas um quarto dos inquiridos consideram a teoria da evolução como &#8220;definitivamente verdadeira, um segundo quarto como &#8220;provavelmente verdadeira&#8221;. Isto é metade dos sondados (2 mil e seiscentos).</p>
<p>Quais serão os números em Portugal? Desconheço se existe algum estudo. Mas uma olhadela pelos programas de biologia do ensino básico e secundário tem vários elementos preocupantes. Por exemplo, o ensino da Origem da Vida e da Origem e Evolução do Homem, estão totalmente ausentes (quando já constaram do currículo). Mas estranho e preocupante ainda são algumas recomendações do programa do 11º ano, onde podemos ler:</p>
<blockquote><p>“evitar o estudo pormenorizado das teorias evolucionistas” e “evitar a abordagem exaustiva dos argumentos que fundamentam a teoria evolucionista.”</p>
<p>“Não há consenso sobre as causas da diversidade dos seres vivos. As teorias evolutivas explicam essa diversidade pela selecção dos organismos mais adaptados, razão pela qual as populações se vão modificando.”</p>
<p>[recomenda-se a] “construção de opiniões fundamentadas sobre diferentes perspectivas científicas e sociais (filosóficas, religiosas&#8230;) relativas à evolução dos seres vivos”</p></blockquote>
<p>Para uma análise dos programas curriculares recomendo um estudo de <a href="http://www.biologia-evolutiva.net/docs/HAbreu.Mar07.pdf" target="_self">Helena Abreu</a>. Como afirmei acima, há consenso no seio da ciência sobre as causas da diversidade dos seres vivos: a evolução (não obstante debates científicos sobre a relativa importância de diferentes mecanismos). E podendo o currículo escolar conter espaço para consideração de outras ideias sobre as causas da diversidade, estas não deverão ter lugar no espaço de uma disciplina de <span style="text-decoration: underline;">Ciências</span>.</p>
<p>Como justificar a ausência do ensino da Evolução do Homem, ou o evitar o estudo pormenorizado da Evolução. Nas palavras de Theodosius Dobzhansky &#8220;nada em biologia faz sentido excepto à luz da evolução&#8221;. É este elemento teórico da biologia que dá sentido à restante. Porque hão-de os estudantes apreender (ou decorar) nomes de vários tipos de organismos, sem receberem formação sobre como surgiram, porque existe tamanha diversidade, e como estão os organismos adaptados ao seu meio?</p>
<p>Estas lacunas são fomentam um terreno fértil para o florescimento de um criacionismo críptico, baseado na ignorância. Não fosse essa ignorância razão suficiente, a verdade é que a evolução não se limita a um fenómeno de mero interesse académico, para entendermos a história da vida na terra. Tem importância na nossa vida quotidiana, e deve pesar nas nossas escolhas como cidadãos. A evolução pode ocorrer rapidamente, particularmente em organismos com tempo de geração rápida, como sejam os víros, as bactérias, os insectos, as plantas anuais, e até algums vertebrados como os peixes. Não é possível entender o vírus HIV e a SIDA, sem se entender evolução. As pressões humanas geradas pelos antibióticos, pelos pesticidas e pela pressão piscatória, estão a dar origem a respostas evolutivas por parte de bactérias, insectos responsáveis por pragas agrícolas, e por peixes importantes para essa actividade económica. A resistência de bactérias a múltiplos antibióticos têm graves consequências para a saúde pública. A resistência de insectos aos pesticidas têm consequências na produção alimentar e na impacto ambiental (pois os agricultores tendem a reagir aplicando maiores doeses de químicos). Tudo isto tem severos custos económicos, que só uma cidadania e uma classe política informada sobre evolução pode compreender, e tomar decisões capazes de evitar, por exemplo, chegarmos a um momento onde já não temos antibióticos capazes de combater doenças que já dávamos por eliminadas, como a tuberculose ou a pneumonia.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Quo vadis: prisioneiros de Guantanamo</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Jan 2009 11:11:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<category><![CDATA[Europa]]></category>
		<category><![CDATA[Guantanamo]]></category>
		<category><![CDATA[Guerra-ao-terrorismo]]></category>

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		<description><![CDATA[A pedido de Portugal, os ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27 países da União Europeia reúnem-se hoje para discutir o acolhimento de 60 detidos em Guantanamo que foram oficialmente ilibados de suspeitas de terrorismo. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/01/26/quo-vaidis-prisioneiros-de-guantanamo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="size-medium wp-image-14243" title="guantanamo" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2009/01/guantanamo-300x210.jpg" title="Presos no Campo Raios X, na Base Naval dos EUA, em Guantanamo, Cuba." width="300" height="210"; style="float: left" />A pedido de Portugal, os ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27 países da União Europeia reúnem-se hoje para discutir o acolhimento de 60 detidos em Guantanamo que foram oficialmente ilibados de suspeitas de terrorismo. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, terá certamente querido dar maior pompa à sua declaração por ocasião do 60.º Aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem, a 10 de Dezembro[1], ao anunciar que Portugal estaria disposto a receber alguns dos presos cujos países de origem não os querem receber. A Portugal veio juntar-se, no seio da UE, a Espanha, França, Reino Unido, Irlanda, Finlândia, e Alemanha (sob determinadas condições). Alguns países da UE, em particular a Holanda, Dinamarca, Áustria e Suécia (que assumirá a próxima presidência da UE) já se manifestaram claramente contra. Amado, ofuscado pela oportunidade de ajudar o «amigo americano» e dar ares de grande humanitário, não terá certamente pensado em todas as consequências da sua oferta. Não havendo fronteiras entre os países da UE, ou os libertos de Guantanamo, chegados a Portugal, estariam sobre alguma forma de prisão (por exemplo, domiciliária), e portanto com os seus direitos limitados, embora sem base legal no código Português para o sustentar; ou, estariam livres, inclusive para &#8220;saltar&#8221; a fronteira e ir para &#8230; a Aústria.</p>
<p>É de louvar que Barack Obama tenha logo no primeiro dia na Casa Branca tenha cumprido a sua palavra a tomado passos no sentido de fechar (daquí a um ano) o Campo Raios X, na Base Naval dos EUA, em Guantanamo, Cuba, suspenso os processos nos tribunais militares e proclamar-se contra a prática de tortura. Mas pergunto-me porque haveria da UE, e Portugal em particular, &#8220;descalçar a bota&#8221; aos EUA sobre o que fazer com alguns destes presos, em particular os que não são aceites pelos seus países nacionais. (Lembro que vários foram raptados, não no seu país de origem, o país da sua nacionalidade, mas em países &#8220;estrangeiros&#8221;.) Veja-se, a título de exemplo, o filme «A Caminho de Guantanamo» (2006) que descreve como 4 amigos, cidadãos britânicos, que foram ao Paquistão para um casamento, cometeram o «erro» de visitar o país vizinho, o Afeganistão, dias antes da invasão dos EUA. Foram capturados pela Aliança do Norte, entregues aos EUA e transportados secretamente para Guantanamo, onde foram presos, interrogados e torturados durante três anos.</p>
<p>Portugal e a UE receber estes presos não é um acto de humanitarismo, mas um acto de vassalagem aos EUA. Porque não os recebe os EUA no seu território, no espírito da frase sob a estátua de liberdade: &#8220;Dai-me os vossos cansados, vossos pobres, as vossas massas desejosas de respirar liberdade&#8221; (&#8220;<em>Give me your tired, your poor,Your huddled masses yearning to breathe free</em>&#8220;). Se são inocentes, como serão muitos deles, então não terão nada a temer – bom terão que temer ser alvo de casos judiciais por processos inconstitucionais, com direito (legítimo) a serem indemenizados, estando já o <a href="http://ccrjustice.org/" target="_blank">Centro para os Direitos Constitucionais</a>, e outros advogados, dispostos a defendê-los. Se constituem ainda um perigo potencial, mais uma razão para a UE não os querer. Que os EUA, que sabem mais sobre eles, e terão informação confidencial que não quererão partilhar, que os vigiem.</p>
<p>Portugal precisa antes de mais de reconhecer oficialmente que os presos em Guantanamo estavam detidos ilegalmente, ao arrepio do direito internacional; ser transparente no papel que Portugal teve no transporte de presos para Guantanamo através de território Português; e tomar posição clara de repúdio pela tortura de que foram alvo os presos em Guantanamo (e outras prisões, como Bagram no Afeganistão, e outros locais &#8220;negros&#8221;). Não vejo porque Portugal, ou a UE, tenha que receber presos que não sejam europeus. A ser libertos, porque não deixá-los escolher para onde ir? Não é isso que significa &#8220;libertá-los&#8221;?</p>
<p>Para mais informação sobre os actuais presos ver o relatório do <a href="http://www.brookings.edu/reports/2008/1216_detainees_wittes.aspx" target="_blank">Brookings Institute</a>.</p>
<p>___________________________</p>
<p>[1]  <a href="http://www.mne.gov.pt/mne/pt/noticias/200812101640.htm " target="_blank">http://www.mne.gov.pt/mne/pt/noticias/200812101640.htm </a></p>]]></content:encoded>
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