Esmagar o Relatório FMI e derrubar o governo. A batalha decisiva para derrotar o processo reaccionário em curso.

 

unidosCausa2Fevereiro

O Relatório FMI é o programa deste governo. Não nos deixemos enganar, aquilo que lá está é para ser executado, só não será se o movimento popular não o deixar. O Relatório FMI documento de propaganda ideológica mascarado de imparcialidade técnica é a imagem deste governo.

Já desde a discussão do orçamento de estado para 2013 que se falava da necessidade de cortar “4000 milhões de euros”. Já se tinha anunciado que as medidas extraordinárias de 2011 e 2012 tinham de se transformar em reformas estruturais e definitivas. A destruição do estado social, da classe média e a pulverização das condições de vida das classes baixas em Portugal  é uma imposição do imperialismo germânico e o grande capital centro-europeu, o programa que consta do relatório do fmi é um passo importante para concretizar isso mesmo, por isso mesmo é elogiado por Bruxelas. No calendário da Troika o ano de 2013 é o ano da estocada “final“, é o ano em que a destruição do estado social se concretiza de forma definitiva. Este governo e os seus acólitos ou são meros funcionários do Imperialismo Germânico (como o Gaspar) ou são um hibrído de chico esperto com talibãs neo-liberais (Passos e Relvas), por um lado são inspirados por um messianismo ultra-liberal, por outro cada machadada nos bens públicos e nos rendimentos das classes que trabalham são uma oportunidade de saque e pilhagem. Por obrigação e por convicção este governo, no curso deste ano irá tentar aplicar este tipo de medidas.

A manobra de divulgação deste relatório é aquilo que na gíria militar se designa como “reconhecimento em força” e segue um padrão clássico de acção deste governo. Aquando da sua divulgação houve até quem apelidá-se isto de mais uma brilhante manobra vinda dos assessores de comunicação do governo relvista. Claro que não foi, mas também direi que por mais mestria e chico-espertismo que este governo tenha, esta seria sempre uma jogada difícil. E como se pode ver nos cartazes acima o Eduardo Oliveira pode estar descansado que “os movimentos inorgânicos” já se estão a mexer, assim como a esquerda parlamentar, a “luta organizada” e a esquerda extra-parlamentar.

Em Portugal o ano de 2013 iria ser sempre duríssimo, a probabilidade de uma explosão social muito alta (e horror dos horrores com potencial de ser “descontrolada”). E não sou só eu que o digo, nem é sobretudo a “esquerda radical”. Soares, António Costa, Bispos, Pacheco Pereira, muita gente de várias proveniências o tem dito, o mais recente é Adriano Moreira. Mesmo que mais políticas gravosas não sejam implementadas em 2013, os resultados do orçamento de estado e de tudo o resto que já foi feito iriam empurrar importantes sectores populares para a revolta.

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Em 2011 houve o 12 de Março, em 2012 o 15 de Setembro, em 2013 certamente haverá outra data/datas desse género… Mais, tal como o 15 de Setembro de 2012 foi mais radical e politizado que o 12 de Março de 2011, 2013 será mais radical que 2012. Mesmo que mais políticas gravosas não fossem adoptadas, mas serão, terão de ser (a seguir a lógica destas aventesmas que nos governam e se governam), o programa deste governo, da Troika e do grande capital ainda está por cumprir, é certo que já fizeram grande mossa, mas muitas medidas foram extraordinárias, é necessário consolidá-las e torná-las definitivas.

Acontece que o capital político do governo foi muito esgotado em anteriores batalhas, o pacto social (ou seja o apoio da UGT e PS) está em fanicos. No seio das hostes governamentais e boys associados há um certo desespero e desunião. Os sectores populares mais radicalizados estão longe de estar derrotados e estão prontos e têm experiência acumulada para desencadear novas e mais poderosas acções. Mas mais relevante, a população está traumatizada e horrorizada com o que se passou em 2012, do desemprego à falência de múltiplas empresas, dos aumentos nos serviços públicos e passando pelo aumento de impostos ou os cortes de subsídios sociais, a população está “grosso modo” em estado de choque. Um povo acossado, assustado e em choque, pode agir de forma explosiva e imprevisível. Espero bem que sim, aliás a tarefa de quem está deste lado da barricada não é lamentar-se da “violência” quando isso acontecer, as tarefas são:

– dar o máximo de força à explosão popular;

– politizá-la ao máximo e atenuar as tendências niilistas (que neste momentos ocorrem sempre, o que aliás é totalmente compreensível);

– Maximizar as consequências políticas dessas explosões de fúria/esperança/desespero popular.

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Não haverá melhor “pretexto” para uma explosão popular que a defesa do estado social ( e tudo o que isso implica), isso permitirá reduzir a tendência para o niilismo sempre presente neste tipo de explosões (em certas doses até é um elemento necessário). Permitirá também maximizar as consequências políticas de uma tal explosão, será uma importante derrota para a oligarquia que quer tomar posse de uma série de rendas fixas com retorno garantido (saúde, educação, segurança social) e que quer destruir o que resta da classe média e do seu poder (destruição total da função pública, que por arrasto levará uma série de outros sectores a começar pelo pequeno comércio…). Será também uma batalha importante no palco Europeu, se este plano e este governo for travado em Portugal, haverá consequências em Espanha, Itália e na Grécia e em toda a Europa. Vencer esta batalha, isto sim seria Internacionalismo consequente!

E tudo isto quando o Orçamento de Estado ainda se encontra no labirinto do Tribunal Constitucional, se este, tal como o anterior, orçamento for inconstitucional o governo levará mais uma importante marretada, quiçá mortal. De qualquer das formas será evidente que este governo é reiteradamente inconstitucional e portanto, ilegal.

Se porventura o Governo+Troika implementarem este Relatório (mesmo em versão alterada), então podem implementar tudo. Se isto passar, tudo passará. Os vários movimentos de resistência: CGTP, constelação Indigandos, esquerda parlamentar (PCP/BE) , tiveram um ano com um balanço misto em 2012. Foi uma ano de mobilização popular sem precedentes e com algumas vitórias (como o recuo da TSU), mas o governo não caiu e foi implementando a maioria do que tinha planeado. As forças da resistência entram assim em 2013 com a embalagem de grandes mobilizações populares, com certas vitórias, mas muitas outras derrotas… Se este relatório FMI ou algo semelhante for avante a desmoralização será tremenda. A resistência não terá uma melhor oportunidade que esta, não haverá uma conjunção de condições tão propícias como a actual. Esta não é a batalha final, nunca há um fim, mas esta é uma batalha decisiva, marcará de forma determinante o rumo do país por uma geração.

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3 respostas a Esmagar o Relatório FMI e derrubar o governo. A batalha decisiva para derrotar o processo reaccionário em curso.

  1. jms diz:

    The core disconnect is between the concept of what is ‘good’ and what is ‘profitable’. Neoclassical Economics solves that problem by assuming it away–whatever the market wants is just assumed to be good. If the market wants plenty of gasoline, then gasoline is good. A Neoclassical Economist doesn’t spend much time worrying about things like Climate Change. A few vague words about ‘externalities’ and then on to some more esoteric math building ever more improbable models.

    Let’s take a look at this from a systems perspective, using the observation of Wendell Berry that the US economy is based on Greed and Gullibility. I will add to that the notion that Science and Technology are the handmaidens of Greed. We have a very few people in the world who really understand science. And we have a very few people with lots of money. The people with money can hire the people who know science to utilize technology to take advantage of the gullibility of the public. So money becomes more and more concentrated in the hands of the few, while the externalities (poor health, money wasted on consumables which do not provide lasting benefit, mindless distraction for a fee, etc.) become ever more concentrated in the many. As money becomes more concentrated, the Few can use their money for Regulatory Capture to ensure that the power of the State is used to further their goals. The Gullible, who theoretically control the political process, are easily swayed both by the display of raw money and also by the evidence that the Few are keeping the drug supply flowing–it isn’t really satisfying, but it is the best the Many can visualize.

    If there is any way out of this box canyon, it has to start with the recognition by Some, if not the Many, that we are in fact in a box canyon and that getting out of the canyon is the first order of business. Exactly what life outside the canyon would look like is yet to be discovered. My guess is that life outside the canyon can be good for humans and make much less use of fossil fuels (although some will most certainly be helpful.)

    Don Stewart in Our Finite World

  2. independentemente dos “acertos”, “sagacidades” e “vanguardismos” dos dirigentes políticos e sindicais da classe trabalhadora, estamos perante um decisivo teste à capacidade do povo português em afirmar-se e justificar-se enquanto tal.

    Pessoa, certo dia, escreveu que “lisboa e atenas encontram-se na mesma latitude geográfica e espiritual”…

    Se com esta “solução final” patrocinada plo FMI chegámos á Grécia, estão então na altura de nos comportarmos à gregos.

    Imagino que certa intelligentzia ache isto uma beca nacionalista, mas esses gajos nunca percebem que o Todo é constituído plas partes no que ao conjunto das nações diz respeito…

    Keep up with the good writing, Xico

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