
“Criatividade”, “inovação”, “sustentabilidade”… Não há paquiderme neoliberal que não se empenhe em aplicar um certo jargão cheio de nada no mais banal discurso sobre um pastel de nata. Por outro lado, quando é a sério, toca a repetir o modelo de sempre.
Isto vem a propósito das mais recentes directivas que o FMI decretou para Portugal. O documento que, subservientemente, Carlos Moedas se apressou a qualificar como “muito bem feito” e que outras fontes do PSD dizem ser um diagnóstico encomendado (terá sido pago?) pelo governo, não passa da receita repetitiva que o FMI procurou aplicar em todos os países por onde passou.
O primeiro acto é a fragilização do Estado através do aumento do seu endividamento e dependência, para que tenha de entregar tudo o que é rentável a quem especula (privatizações). Desta forma o centro do poder deixa de ser político, e transfigurável por via democrática, mas financeiro (é daqui que nasce a teoria das inevitabilidades). Depois trata-se de atacar o mais possível as funções vitais do Estado (educação e saúde), promover a sangria das condições e rendimentos do trabalho (cortes nos salários e pensões e desestruturação das relações laborais), promover o aumento da insegurança interna (desestabilização das forças de segurança) e externa (fragilização das instituições que zelam pela manutenção da soberania).
Este é o pacote-base da intervenção do FMI e, se existe algo que deve ser motivo de perplexidade, é a absoluta falta de criatividade na forma de actuação. Mais, importa não esquecer, que vários governantes participaram na elaboração deste relatório e que um dos seus redactores é um jovem economista do PSOE que foi um dos responsáveis pelo programa económico de Zapatero. Nada de novo debaixo do sol.




