Relatório FMI… Uma TSU ao quadrado?

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A discussão em torno da destruição (também designada por reestruturação) do Estado, ou melhor das funções sociais do estado, iria ser sempre difícil para o Governo, mas parece que começou da “melhor maneira“. O processo não se iniciou hoje, mas a divulgação do relatório FMI põe o assunto na ordem do dia e o IV Reich exige que a coisa esteja despachada lá para Fevereiro (grosso modo).

É bem possível que isto venha a ser uma espécie de TSU ao quadrado, espero bem que sim. Estes planos (mesmo numa versão light), a serem implementados, representam a vitória total do governo e do grande capital. Marcarão o país (e não só) pelo menos por uma geração. São um conjunto de propostas terroristasilegais/ anti-constitucionais.

É preciso fazer tudo para as derrotar.

zepovEste é um momento em que a convergência de tod@s em torno deste objectivo é absolutamente fundamental. O Relatório FMI só pode ter um destino, a sua absoluta destruição e eliminação. E se é para derrubar o governo na rua, o momento é agora, não haverá melhor ocasião.

posterLutaRua

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15 respostas a Relatório FMI… Uma TSU ao quadrado?

  1. Ron Paul diz:

    Libertários? Como os do Tea party americano? Obrigado pelo apoio.

  2. LMR diz:

    “derrubar o governo na rua”? Em Portugal? Isto já nem é miopia nem confundir sonho com realidade; é mesmo solipsismo.

    • franciscofurtado diz:

      1º Alguém acha provável que este governo chegará ao fim do seu mandatto?

      2º Alguém tem dúvidas que a pressão popular, na rua, já condicionou este governo? Da manifestação do 15 de Setembro passando por todos os outros protestos, incluindo polícias e militares que ocorreram?

      3º Em 2011 houve o 12 de Março, em 2012 houve o 15 de Setembro (mair radicalizado, politizado e massivo que o 12 de Março de 2012) e em 2013 como será? Eu digo que em 2013 será ainda mais radical do que em 2012, discordam?

      4º O governo quando cair será devido a uma combinação de factores, espero, como já aqui afirmei, que o protesto na rua seja a principal causa. Não sei se será a principal como desejo, mas será sempre uma das causas. O LMR espera que não? Espera que o governo caia devido a um golpe palaciano movido por um sector da classe dominante? Afinal LMR és pago pelo Relvas para vir para aqui provocar ou pura e simplesmente a tua análise político-social é apenas baseada nas aulas do “Professor Martelo” de Domingo à noite?

      • Rafael Ortega diz:

        Nas manifestações normais da CGTP/PCP estão 150 a 200 mil pessoas.
        A 15 de Setembro estavam 600 mil.

        O Governo recuou na TSU porque 2 em cada 3 pessoas que se manifestaram a 15 de Setembro não eram eleitores PCP. Eram pessoas da classe média que decide eleições. Potenciais eleitores dos partidos do Governo.

        Não concordo que tenha sido um protesto mais politizado. Foi contra um assunto muito específico. Não foi por causa de política, havia lá pessoas de todos os quadrantes. foi por dinheiro.

        • franciscofurtado diz:

          1º – A manifestação de 15 de Setembro teve como mote “Que se lixe a Troika”, algo muito mais politizado que a de 12 de Março de 2011.

          2º – Essa manifestação para lá do “Que se lixe a Troika” serviu como válvula de escape para n frustrações e problemas que a classe média em vias de extinção sofre. Dessas n frustrações a TSU era apenas a mais atroz. Essa manifestação tinha portanto um mote específico anti-troika e um conjunto mais vasto de motivações contra a situação de pauperização da classe média em geral, no qual a TSU era a ponta do Iceberg. Nesse sentido era de facto mais específica e mais politizada, muito mais que o genérico grito de alma de 2011. Dá me ideia que o Rafael têm um conhecimento superficial do que é a política, política não é o jogo de interesses e intrigas parlamentar-tachista, é muito mais do que isso, é tudo o que diz respeito ao processo de tomada de decisões numa sociedade e que influenciam as regras e vida dessa sociedade.

          3ª – “foi por dinheiro” então havia de ser porquê? Por rebuçados? Claro que foi por dinheiro, ou para ser mais rigoroso, pelas condições de vida das pessoas e contra as medidas que degradam essa mesma condição de vida. Isso é política e é política no seu mais essencial e decisivo, na questão de saber como deverá ser redestribuida a riqueza, que sectores sociais deve a acção governativa proteger/atacar. O protesto de 15 de Setembro foi um momento alto da política e daquilo a que se chama luta de classes. Mesmo que muitos dos que nela tenham participado não se tenham apercebido explicitamente do seu significado. Como é patente até em alguns comentários a este post, as pessoas em geral, mesmo que com altas qualificações, têm dificuldade em reflectir de forma ágil/célere acerca das implicações político-sociais das suas acções… é preciso uma certa dose de tempo para assimilar aquilo que se está a passar.

          4º – Uma alteração radical do Processo Reaccionário em Curso e da Contra Revolução Neo liberal em marcha só será possível através da mobilização da classe média em vias de pauperização. Como qualquer outro objecto, as massas obedecem à lei da inércia (algo muito bem explicitado na declaração de independência dos EUA, um dos documentos matriciais da modernidade), ou seja a vasta maioria da população não vai sair à rua, mobilizar-se e muito menos fazer uma revolução por “dá cá aquela palha”. As revoluções só acontecem quando o status quo se torna absolutamente insustentável (isso é uma condição necessária, embora não suficiente por si só), ora esse é o momento actual. Os equilíbrios sociais, económicos e geopolíticos dos últimos 20-30 anos são insustentáveis, o arco mediterrânico do Euro (com Portugal e Grécia na vanguarda) é onde essa insustentabilidade é mais patente pois aí esses equilíbrios têm menos raízes e são mais recentes. Portanto em Portugal estão criadas condições objectivas para grandes rupturas sociais, e isso não sou só eu que digo, raramente passa um dia em que algum figurão (e de várias proveniências) não venha alertar para os perigos de uma explosão social em 2013…

          5º – A questão não é portanto saber se em 2013 haverá ou não uma explosão social, ela existirá de certeza. A questão é saber que consequências e que impacto essa explosão terá, nomeadamente que influência na política produzirá. Aquilo que de forma curta e grossa argumento no texto é de que esta discussão em torno da destruição do estado social que a divulgação do relatório FMI veio dar novo alento, abre uma nova fase que é uma óptima oportunidade/pretexto para um reacendimento incendiário da luta popular. O que é facto é que mesmo que se as medidas do relatório não sejam aplicadas ipsis verbis, o governo por opção e obrigação, está obrigado a destruir o que resta do estado social, a Troika, o FMI e a Comissão Europeia assim o exigem. Acontece que o capital político do governo foi muito esgotado em anteriores batalhas, o pacto social (ou seja o apoio da UGT e PS) está em fanicos, os sectores populares mais radicalizados estão longe de estar derrotados e estão prontos e têm experiência acumulada para desencadear novas e mais poderosas acções. Mais importante, a população está traumatizada e horrorizada com o que se passou em 2012, do desemprego à falência de múltiplas empresas, dos aumentos nos serviços públicos e passando pelo aumento de impostos ou os cortes de subsídios sociais, a população está “grosso modo” em estado de choque. Mesmo que o governo não introduzi-se novas medidas gravosas, o desespero resultante do afundar das condições de vida (aliado à existência de vários sectores que, mal ou bem, tentam organizar a resistência a este estado de coisas) iria resultar em explosões sociais.

          6º – Mas o governo tem de tomar mais medidas gravosas, ao tentar impô-las cria a oportunidade para que na sequência desta discussão em torno da destruição do estado social surja uma explosão social. Aquilo que argumento no post é que esta é a altura propícia a essa explosão social, por várias razões:
          – Como disse no ponto 5 as condições objectivas estão reunidas.
          – As condições subjectivas parece-me que nunca serão melhores que as actuais. Os vários movimentos de resistência: CGTP, constelação indigandos, esquerda parlamentar (PCP/BE) , tiveram um ano com um balanço misto em 2012. Foi uma ano de mobilização popular sem precedentes e com algumas vitórias (como o recuo da TSU), mas o governo não caiu e foi implementando a maioria do seu programa. Estas forças entram assim em 2013 com a embalagem de grandes mobilizações populares, com certas vitórias, mas muitas outras derrotas… Se este relatório FMI e algo semelhante for avante a desmoralização será tremenda, se o movimento popular deixa isto passar então passa tudo e o capital de esperança que foi acumulado em 2012 dissipa-se. Mais, este pacote é aquilo que de mais grave o Governo/Troika tem para fazer, portanto não haverá no futuro outros pretextos tão válidos quanto este, nem propostas tão claramente anti-constitucionais como estas.
          – Que a explosão social não seja absolutamente niilista, que seja possível identificá-la com uma causa política. A defesa do estado social parece-me oferecer uma boa causa política, uma causa que é não só a defesa do estado social mas o ataque à oligarquia que quer tomar posse de uma série de rendas fixas com retorno garantido (saúde, educação, segurança social) e da destruição do que resta da classe média e do seu poder (destruição total da função pública).
          – Só uma intensíssima pressão na Rua pode derrubar este governo. Quem ache que se o governo nas autárquicas se demite se o PSD tiver uma grande derrota está enganado. Isso por si só não derrubará Passos-Relvas-Gaspar+Portas. Quanto mais a queda do governo se der ( e isso for perceptível) por pressão da rua e não por manobras de bastidores melhor, mais refém da rua estará qualquer governo que se lhe seguir. E por tudo o que disse não há melhor altura para intensificar a pressão na Rua que esta nova fase aberta pela divulgação da “solução final” FMI.

          Nota final. Naquilo que escrevi há duas componentes distintas. Há factos que eu exponho, estilo “2012 foi um ano de contestação sem precedentes” que seria o mesmo que dizer 2+2=4. Depois há aquilo que eu julgo ser o rumo a seguir face a esses factos e ao meu posicionamento na luta de classes, estilo “dado que as mobilizações em 2012 foram sem precedentes e a malta ainda está com pica (facto) e que estas são das medidas mais gravosas que este governo virá a aplicar (facto), então este é o momento oportuno para a explosão social (rumo a seguir desejável)”, que seria o mesmo que dizer sendo que 2+2=4 deveríamos fazer x e Y. Apercebi-me que muita gente que comenta não distingue as duas coisas, eu não sei se a explosão social se dará agora, aquilo que sei é que as condições estão reunidas e dificilmente haverá um momento em que uma conjunção de factores favoráveis como a existente agora voltará a ser reunida. Ou seja, 2+2=4, julgo que X e Y deve ser feito, mas como é óbvio não posso garantir que x e Y de facto aconteçam. Percebo que muita gente não concorde com X e Y devido ao seu posicionamento de classe, mas então assumam isso e não o mascarem com argumentos ilógicos e incoerentes.
          Peço a malta que tente reflectir um pouco antes de mandar bardas, estamos num momento histórico que exige que todos nós nos tentemos superar a cada dia que passa, os desafios que temos pela frente isso nos exigem. Podem discordar, obviamente, mas tentem fazer críticas com sentido e obedecendo às leis da lógica.

  3. A. Cerqueira diz:

    Tiago,
    por que é que designa o FMI e seus associados/mandantes de ‘IV Reich’? Eu gostaria de saber das suas razões. Talvez o Tiago esteja certo, mas é necessário explicar essa designação claramente.
    Outra questão: quando é que o PCP pega os touros pelos cornos e chama às ‘coisas’ os seus verdadeiros nomes? FMI, Comissão Europeia, Conselho Europeu, Parlamento Europeu, Banco Mundial, OMC, etc. são IMPERIALISMO! Ele nunca deixou de existir, e os seus mandantes e coniventes são ‘lacaios do imperialismo’… Não é ‘cassette’, é a realidade, não é pensamento único politicamente correcto, é ciência histórica na sua vertente progressista, não necessariamente partidariamente comprometida…

    Quando é que o PC e o BE deixam de ter medo de dizer claramente, abertamente a verdade?

    Armando Cerqueira

    • franciscofurtado diz:

      Tiago??? Qual Tiago? Veja lá quem assina o texto.
      Sobre o IV Reich veja e pesquise os meus posts anteriores e deduzirá a expressão. Sim está correcto em dizer que é “Imperialismo” eu utilizo a expressão IV Reich para designar a UE e o Imperialismo Germânico pois acho que é mais dramático. O Cerqueira está a par do que foi o I o II e sobretudo o III Reich? Se estiver perceberá melhor a expressão IV Reich…

      • A. Cerqueira diz:

        Francisco Furtado,
        Desculpe o engano no uso do nome. Foi confusão.

        Há muito que penso que a UE, a mutação actual do Mercado Comum, é a continuação e a realização pacífica da ‘Deutschland über alles’ hitleriana e da Direita conservadora germânica. Mas é mais do que isso, é também a realização do sonho do Marechal Pétain, seus compinchas do governo de Vichy e as Direitas Extrema e Conservadora francesas de condomínio germano-gaulês da Europa (ver Robert O. Paxton sobre a França de Vichy…). A minha experiência crítica no seio da eurocracia conduziram-me a tal convicção. Estou a par do que foi o III Reich, tenho sobre isso vasta literatura de qualidade; à questão dos totalitarismos regressarei quando estiver disponível — ocupo-me actualmente do PREC e do contra-PREC.

        Considero que quando se emprega uma expressão como ‘IV Reich’ há que explicar bem o que se pretende dizer , pois os leitores não estão dentro do seu pensamento.

        Creio ser um tanto pretensioso pretender que os seus leitores, muitos deles demasiado ocupados, façam pesquisas sobre o que já publicou neste ‘site’ para tomar conhecimento do pensamento do Francisco.
        Talvez eu erre por preocupações didácticas, mas numa época tão cheia de confusões e tão confusa convém ser claro se se quiser influenciar positivamente as pessoas, e ganhá-las.

        Pequeno esclarecimento: a minha formação académica é no domínio da História enquanto ciência social, e esse é um dos meus principais ‘hobbies’…

        Cumprimentos

  4. É SÓ PRA DIZER QUE O GOVERNO ENCOMENDOU AO FMI A “SOLUÇÃO FINAL” DO POVO PORTUGUÊS!!!

    DIANTE DESTA DECLARAÇÃO DE GUERRA SELVAGEM, muito me admira a estupidez dos comentários publicados e o silêncio de tantos outros…

  5. Duarte diz:

    Este relatório em cima do oge2013 e das privatizações tem um nome:
    NAPALM

    Agora fiquem quietos a discutir o sexo dos anjos e nao vão às s manifestacoes da Intersindical, porque e tal, e nao vao as manifestacoes nao enquadradas porque e coiso e nao façam greve porque esta frio .

    Mexam-se e parem com a verborreia.

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