Não há Legitimidade em Defender a Renegociação da Dívida. Ela deve ser Suspensa.

A Dívida de Portugal rendeu 57% a quem nela investiu em 2012. Depois de tudo o que foi publicado em Portugal nos últimos 2 anos, do que conhecemos sobre os gastos sociais do Estado, do que sabemos sobre o mecanismo de funcionamento da dívida, não há qualquer legitimidade em continuar a defender a renegociação da dívida. Ela é uma renda privada de alta rentabilidade porque baseada na transferência de salários para a carteira dos investidores. A “dívida pública” deve ser pura e simplesmente suspensa, os depósitos ou certificados de aforro de nível médio assegurados e todos os bancos colocados sob controle público. Não há nenhuma lei natural que diga que um povo tem que assegurar as perdas da banca que é todos os dias sustentada por si, garantindo que os dividendos só são distribuídos aos accionistas. Tudo o resto que se diga ou faça, incluindo a renegociação da dívida, adia a resolução da questão. E adiar a questão é garantir que a cada minuto, todos os dias, por este mecanismo, é roubado, assim mesmo, roubado, o salário do trabalhador industrial, do médico, do professor, do funcionário público, do pequeno comerciante local, do produtor de leite…, a cada minuto que passa, rolam os 57%, o número mágico que a cada minuto tira a vida a quem está no desemprego.

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16 respostas a Não há Legitimidade em Defender a Renegociação da Dívida. Ela deve ser Suspensa.

  1. Graza diz:

    É isso Raquel! Vamos difundir por aí. Viralizar isto!

  2. Pingback: Raquel Varela Bussiness School « O Insurgente

  3. B.P. diz:

    Sob controle (ou controlo) público…
    Sob, não sobre…

    • Argala diz:

      Trigo limpo, farinha amparo!
      E é isto que tem de ser dito, e não a patranha da “renegociação”. Mas qual renegociação?! Mas alguém parte para uma “renegociação” com posições a meio das partes?! Sem qualquer arma negocial, sem qualquer ameaça?! Aliás, o poder negocial está do nosso lado. Nós é que decidimos se pagamos e quanto é que pagamos. E depois ajustamos em negociação consoante a violência da resposta dos credores, actuais e futuros. Como é que a França e a Alemanha podem responder ao calote? Sanções? Saída da U.E.? Eles é que perdem com isso! Daí que defender a suspensão do pagamento da dívida until further notice, seja o mínimo dos mínimos para os jogos olímpicos. Tudo o resto cai no campo da parvoíce socialdemocratizante.
      Até há por aí alguns patetas que propõem a indexação dos juros ao valor das exportações!!!!!!!!!!!!! Perdoa-lhes, porque não sabem o que dizem.

  4. PMDM diz:

    Valerá a pena dizer que o facto da dívida valorizar 57% ou desvalorizar 57% não tem nada a ver com os juros que Portugal paga( porque Portugal desde 2011 que não se financia nos mercados)?

    Valerá a pena dizer que apesar dos juros da dívida estarem nos valores mais baixos dos últimos dois anos (à volta de 6,4%) a Troika nos emprestou a valores significativamente inferiores?

    Quem defende a suspensão total da dívida esquece-se que caso isso aconteça, não nos conseguiremos financiar a 7% nem a 70%, porque ninguém nos vai emprestar dinheiro(já agora eu gostava de ver tanta indignação quando a dívida é contraída, seja quando ela for para pagar PPP’s ou quando é para financiar gastos correntes do estado).

    Mas parece que isso não interessa……

    • Ricardo diz:

      Já agora PMDM, para quê que queremos nos financiar no mercado? Para nos endividar-mos novamente?

      Obrigado,

      Ricardo

    • Ricardo diz:

      “Quem defende a suspensão total da dívida esquece-se que caso isso aconteça, não nos conseguiremos financiar a 7% nem a 70%, porque ninguém nos vai emprestar dinheiro”

      Já agora PMDM, para que é queremos que nos emprestem mais dinheiro? Para nos endividar-mos novamente?

      Obrigado,

      Ricardo

  5. Joao Passos Dias Aguiar Mota diz:

    Raquel, desculpe mas o seu post revela ignorancia.

    Vou tentar explicar-lhe de forma simples como funciona o mercado de dívida:

    1. A Raquel, por ex., em 2004 decidia investir em dívida portuguesa comprando um título por €100, título esse que daria direito a um cupão (“juro”/interest”) de 3%/ano até 2014 (10 anos maturidade).

    2. Chegamos ao início de 2012 e surgem dúvidas sobre a capacidade pagadora da Republica Portuguesa (incluindo a de fazer face ao compromisso que tem para consigo: juros anuais + pagamento de €100 em 2014).

    4. A Raquel não quer saber de investimentos de alto risco e decide vender esse seu título no mercado. Tendo em conta a incerteza existente o max. que alguem lhe paga seria, digamos, €50.

    5. Esse comprador teria entao pago €50 opr um título com direito a 3%/ano sobre €100 + €100 na maturidade (2014). Isto em teoria, ie aparte o risco de incumprimento de Portugal.

    6. Assumindo no default até essa data, o rendimento/mais-valia (ou “yield”) desse segundo comprador seria 3%*€100/ano + (€100-€50), o que daria um ganho de mais de 100%. Ao invés, a Raquel teria perdido €50, ie 50% do seu investimento inicial (excluindo juros corridos desde 2004 ate ao momento de venda, para ser mais rigoroso).

    7. Ora, os 57% rendimento que fala no seu post tem só e apenas a ver com a mudança de expectativas sobre a capacidade pagadora da República Portuguesa entre o início e o fim de 2012. Quem comprou dívida portuguesa em Janeiro do ano passado assumiu riscos e teve ganhos (mas tb poderia ter tido perdas). A Raquel poderia tê-lo feito.

    8. Este funcionamento do mercado não afecta o cupão inicialmente contratualizado (3% no seu exemplo). Muitas vezes confunde-se conceitos diferentes – cupao/”interest” e rendimento/”yield” – como sendo a mesma coisa (juro das obrigações).

    Espero que útil e que ajuda a diminuir a desinformação que por aí graça.
    Saudações,
    Jean de le Mote

  6. Argala diz:

    Resposta aos marialvas armados em patos bravos da faculdade:

    «”Não se vislumbra por aqui a tal “transferência de salários para a carteira dos investidores”»

    Vislumbra-se, mas não na totalidade dos 57%, porque uma parte dessa taxa é conseguida à custa da destruição de capital (depreciação do título no mercado secundário e aumento da sua rentabilidade). Isto é, há transferência de trabalho para capital e há desruição de capital. E de acordo com a teoria marxista, em momentos de crise as duas coisas são necessárias para contrariar a queda tendencial da taxa média de lucro.
    Noto com agrado que escreveram “Business School” e não “School of Economics”. É normal, é mais com isso que gostam de se comparar. Ciência Económica é muito mais do que dominar os pormenores dos mercados financeiros. A omissão desta explicação é uma questão de pormenor que não fere a ideia principal do texto.

  7. Paulo diz:

    Boa noite Raquel,

    Penso que existem alguns equívocos no seu artigo.
    A rentabilidade de 57% da divida publica Portuguesa não e suportada pelos contribuintes Portugueses mas resulta do preço a que esta e comprada e vendida no mercado secundário. Os contribuintes Portugueses pagam o juro de cupão que foi acordado quando a divida foi emitida e nada mais.

    Dou-lhe um exemplo.
    Em 1998 o estado Português emitiu divida no valor de 1.000.000.000 marcos alemães a ser paga em 15 anos a um juro de 5,45%.
    Se a Raquel tivesse comprado 1000€ de divida em 1998 e me tivesse vendido a mim esta divida em 2012 por 500€ eu iria ter um lucro de 50% quando a divida vencesse, em 2013 (assumindo que o estado tem dinheiro para pagar a divida em Setembro de 2013!!!!)

    Nesta transação, eu teria um lucro de 50%, a Raquel uma perda de 50% (teria na realidade recebido todos os anos juros de 5,45% sobre o capital em divida) mas para o estado Português e para os contribuintes Portugueses não existem custos adicionais.

    Com os melhores cumprimentos,
    Paulo

    • Raquel Varela diz:

      Boa noite Paulo,
      Eu compreendo e sei o mesmo, e a isso se chama a rentabilidade da dívida, que é maior consoante o risco.
      Atenciosamente
      Raquel

      • Luis Mendes diz:

        Bom dia,

        Raquel, se compreende o que o Paulo escreveu, como pode ter escrito o seu Texto?!?!

        Cumprimentos,
        Luís

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  9. Vasco diz:

    Em relação à questão da dívida, penso que não é honesta na forma como trata a questão da renegociação da dívida (a menos que esteja a falar de outra renegociação que não a que eu estou a pensar…). Outra coisa. A RV é muito «marxista» nas críticas que faz ao PCP, à CGTP-IN e à esquerda em geral, apresentando-se sempre como uma marxista muito «pura». Mas sendo assim… «Estado Social»????? Que conceito mais anti-marxista ó Raquel…

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