“Fim da Linha” – Carta de um desempregado ao “amigo” Pedro

Caro Pedro,

Enquanto desempregado que vai rapidamente ficar sem poder dar de comer aos seus filhos, é-me difícil aceitar que promovas o meu desemprego para que eu aceite ir trabalhar por migalhas que nem chegarão para pagar o mais básico para manter a minha família. Estás a deixar-nos sem lugar nesta sociedade. Estás a condenar-nos à morte.

Gostaria que recordasses que esta minha condição não resulta da minha vontade, pois sou só um meio para que tu atinjas um único fim: baixar os salários de quem ainda trabalha. Resulta sim da tua teimosia, dos teus dogmas, da tua ideologia, das tuas crenças de que a minha morte provocará, por alguma inexplicável razão, o bem-estar dos restantes. Quer parecer-me que é esta a forma que encontras para evitar retirar àqueles que têm dinheiro acumulado e que, não encontrando forma de comprar a minha força de trabalho, não conseguem multiplicar o dinheiro que lhes sobrou. É evidente que preferes gastar dinheiro em bancos, que preferes pagar uma dívida que eu não contraí; que em vez de fomentar a indústria, a agricultura, as pescas ou as minas, preferes ir destruindo cada vez mais postos de trabalho.

O que me estás a fazer é de uma violência mortal. Considero, e tu estarás certamente de acordo, que sou obrigado a fazer tudo aquilo que estiver ao meu alcance para evitar que consigas alcançar o teu propósito.

Quero dizer-te que à medida que se for aproximando o momento da morte da minha família, que menos soluções encontre, que mais dor inflijas à minha família; maior é a probabilidade de pôr em prática tantas ideias que me vão passando pela cabeça e cujo resultado seria que tivesses o mesmo fim ao qual me estás a levar.

Para evitar o que te digo, gostaria que considerasses seriamente a possibilidade de te demitires rapidamente e deixasses o caminho livre à realização de eleições, pois sabes perfeitamente que já não tens o apoio do Povo.

Sinceramente,
Alcides Santos

Via Movimento Sem Emprego.

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21 respostas a “Fim da Linha” – Carta de um desempregado ao “amigo” Pedro

  1. Filino Rupro diz:

    O ditado diz “Quem te avisa, teu amigo é!”
    Mas o Pedro merece amigos?!

  2. Miguel diz:

    Porquê o tratamento por «tu»?
    Porquê o paternalismo e as boas maneiras, para com este homem que até já consta ter usado de violência para com a ex-mulher?
    Só porque é primeiro-ministro?

    Quando Mário Soares foi um mau primeiro-ministro, houve quem lhe escrevesse nos muros da cidade que «Soares é Cabrão» em maiúsculas – um grito claro de quem não se continha com quem lhe era mentiroso e injusto.

    Agora… «amigo Pedro»?
    «Tu»?

    Isto é vergar-se à miséria. Não aceito.

    • Alcides Santos diz:

      vejo que te preocupas com a forma e não com o conteúdo

      • Miguel diz:

        Não vais lá com boas maneiras.
        Preocupa-te com a forma de combate e menos com o conteúdo dessas tuas palavras, porque essas o «teu amigo Pedro» agradece e leva-as o vento.

        • Alcides Santos diz:

          Não deves ter lido o que está escrito. Ou então não percebeste.

          • Miguel diz:

            Percebi, sim.
            Se queres parecer irreverente, não escrevas «caro» no início da carta. Escreve antes: «Ao criminoso que vai condenar a minha família à morte» ou então, «Ao mentiroso que dá pelo nome de…»
            Este «caro» no início da carta é uma autêntica desgraça, ou diria antes, uma vergonha.
            Depois, a seguinte frase: «…gostaria que considerasses seriamente a possibilidade de te demitires rapidamente…» é outra tristeza, pois se o imbecil a quem te diriges lesse isto (neste momento) dava duas ou três gargalhadas de desprezo.
            Não se trata assim um velhaco.
            Tens de ser melhor e precisas de afinar mais essa tua pontaria, porque o conjunto das tuas palavras pode ter um propósito, mas não alcança o objectivo.
            Melhor que palavras, esta metade de homem que temos como primeiro-ministro, merece outro tipo de resposta, uma verdadeira e genuína indignação.

          • De diz:

            Caro Alcides Santos:
            Acho que o Miguel tem razão naquilo que diz e que explicita neste seu ultimo comentário.
            Coelho representa o inimigo. Representa o outro lado da barricada.
            Pode crer que Miguel tem razão quando fala no eventual desprezo de Coelho perante o seu pedido de ele considerar a possibilidade da sua demissão.
            Coelho é a face visível e o instrumento operacional dos terroristas sociais que estão a fazer o que estão a fazer.Não é apenas o personagem que é.É tudo o que está por detrás dele,tudo o que se reúne à sua volta, toda a frieza de quem sabe o que está a fazer e que cumpre o seu desígnio de espalhar sofrimento,miséria, fome, doença e morte.Sem tibiezas ou hesitações.
            Um homem de mão de quem nos tenta fazer regressar aos idos tempos do século XIX . Com o escárnio típico dos que cumprem assim os seus desígnios ideológicos e de classe.

          • Renato Teixeira diz:

            Só não vejo é onde o Alcides lhe dá salvo conduto…

          • Alcides Santos diz:

            Caro De,

            Tendo tu o perceito de falar frontalmente sobre aquilo que escrevo, noto que não tens a coragem de dizer quem és nem tens a coragem de dizer onde publicaste o mesmo que escrevi, mas com outras palavras.
            Talvez seja para ti difícil entender que uma pessoa pode perfeitamente dirigir-se formalmente para uma pessoa quando na realidade o está a falar para a audiência. O facto de tu te dares à molestia me responderes é uma evidência de que aquilo que escrevi te disse algo. Percebo que será talvez para ti difícil falar com uma pessoa te pretende matar e fazê-lo de forma que as restantes pessoas reajam.
            Insisto que poderias perfeitamente dizer onde é que deste o teu nome para escrever o que escrevi usando outro tipo de linguagem.

          • De diz:

            Mas claro que a carta de Alcides não dá qualquer salvo-conduto.
            A matriz da carta é claramente anti-coelhos de arribação.E claramente que se posta do lado humano da barricada.
            Uma boa carta !!!

            O que se repara são alguns pormenores que apesar de o serem, causam alguma comichão perante a forma de tratamento face a.

            Pessoalmente gosto muito mais desta substância:
            “sou obrigado a fazer tudo aquilo que estiver ao meu alcance para evitar que consigas alcançar o teu propósito”
            “maior é a probabilidade de pôr em prática tantas ideias que me vão passando pela cabeça e cujo resultado seria que tivesses o mesmo fim ao qual me estás a levar.”

            Força ai Alcides.Pena que não haja mais com esta determinação

          • De diz:

            Quando escrevi a minha resposta ao Renato,não tinha conhecimento do ultimo comentário do Alcides.

            Não tenho nada a acrescentar pra além do facto do registo público que o li e que respeito o seu conteúdo.

            (Mais coisas haveria a dizer?Pois claro que sim.Mas não é nem a altura nem o momento).

            E também o desejo de Boa Jornada para o Alcides.

  3. Leitor Costumeiro diz:

    É começar a esmigalhar crânios a essa gente. O pior depois vai ser o cheiro…

  4. ManNextDoor diz:

    Ontem tive um sonho… sonhei que andava pela rua no meio de uma multidão eufórica… era levado pela torrente de gente, de um lado para o outro, sem aparente sentido ou destino… depois percebi que íamos indo de casa para casa, e que de cada uma dessas casas saiam pessoas… mais tarde, depois de várias viagens destas, rumamos ao aeroporto de Lisboa… aí a multidão imensa cantava, dançava e festejava… finalmente percebi quem eram as pessoas que tinham saído de casa após cada visita daquela multidão errante, que deambulava pelas ruas… eram ministros, secretários de estado e outros membros do governo… estavam a ser conduzidos a um avião que estava na pista… foram entrando entre canções e aplausos… depois chegaram o Cavaco, o Passos, o Relvas, o Portas e o Gaspar… foram também eles encaminhados, ainda meio atarantados, para o avião… finalmente a porta do avião fechou-se e este afastou-se e levantou voo… no ar, entre vivas e aplausos, ouvia-se uma canção, cantada a plenos pulmões: boa sorte, boa sorte eu vos desejo de todo o coração… boa sorte, boa sorte … Entretanto, acordei… não me lembro de mais nada, nem sei qual foi o fim daquela história… Mas ficou-me na memória, o sentimento de alívio e de esperança, e o espírito de união que pairava sobre toda aquela multidão… precisamente tudo aquilo que não encontro, nem vislumbro, neste país real… triste, cansado, acomodado e desanimado…

    • Miguel diz:

      O «ontem tive um sonho» ou «I had a dream» tem um autor. Será que Martin Luther King lhe diz qualquer coisa?
      Depois, já tivemos essa situação que o seu sonho refere no dia 25 de Abril de 1974, em que ministros, presidentes do concelho e afins fugiram todos do país, para a Madeira e para o Brasil, enquanto o povo festejava nas ruas.
      Com estes governantes, ministros e secretários de estado, do género Carlos Moedas, não há saída possível, nem avião à espera. O crime que estão a cometer não pode ser perdoado nem com sonhos ou passagens de avião.
      Deixe de sonhar e lute!

      • Alcides Santos diz:

        Como já não consigo responder no comentário anterior, respondo aqui.

        Se és tão clarividente, então já deves ter tido coragem para escrever e divulgar aquilo que eu escrevi mas com as tuas palavras. Onde é que isso está?

        • Miguel diz:

          Se não tenho capacidade para o fazer e não sei usar os termos mais correctos, simplesmente não faço.
          Estou com todos aqueles que estão contra esta política, estes ministros e esta metade de homem que nos (des)governa.
          Mas também tenho direito à crítica (construtiva) e irei utilizar a mesma crítica contra aqueles que se julgam capazes de atacar uma besta humana, quando, na verdade, não estão ainda prontos para o fazer.
          Por isso, mesmo a sua carta, Alcides, é um autêntico fracasso e uma vergonha, quando inicia a sua missiva, com o «caro Pedro».
          É uma tristeza e estou contra essa forma de demonstrar repugnância pelo velhaco que está no poder.

          • Alcides Santos diz:

            Dizes que não tens capacidade nem sabes usar os termos mais correctos. Mas que dificuldade existe em dizer a uma pessoa que se insiste em levar-nos à morte, nós somos obrigados a responder na mesma moeda? Mas tens capacidade e consegues dizer que a forma que uso é um fracasso, uma vergonha e uma tristeza.
            Sabes, é que possivelmente tu preferes chamar nomes aos berros; eu prefiro dizer o que digo de forma calma e suave.
            Mas gostaria que tivesses pelo menos coragem para não te esconderes atrás de um nome, que não é possível saber quem é.

        • Miguel diz:

          «Sabes, é que possivelmente tu preferes chamar nomes aos berros; eu prefiro dizer o que digo de forma calma e suave»

          Não será nunca, de forma calma e suave que conseguirás demover a metade de homem que está no poder.

          A tua falta de capacidade para escrever algo profundamente forte e capaz contra o governo já foi criticada. O teu fracasso foi reconhecido. Porquê? Porque não soubeste preparar o teu discurso.

          Tens de corrigir esse problema e melhorá-lo. Se quiseres, tenta-o fazer diariamente. Creio que ao fim de muitos dias, conseguirás demover o homem de plástico que está no poder. Creio também que, ao fim de muitos dias, depois de teres tentado, eu estarei contigo a apoiar-te e a dar força ao teu exemplo.

          P.S. Respondo aqui, pois não tenho outro modo de o fazer no último comentário do Alcides.

          • Alcides Santos diz:

            Lamento que te preocupes mais com a forma que o conteúdo. Volto a dizer que mesmo fazendo de uma foma com que discordas, faço algo que tu não fazes.
            Vejo que entendes que tens o dom da verdade. Eu tenho que mudar e tu estás certo. Então façamos ao contrário: tu dizes o que eu digo da forma que achares melhor e eu limito-me a ficar quieto como tu e discordar daquilo que que eu digo.

            Vale?

        • Miguel diz:

          Se nós os dois pensarmos e ajudarmos aqueles que necessitam de ajuda para lutar, estamos a ganhar tempo.
          Espero que as minhas palavras não tenham sido mal interpretadas, mas que te tenham dado força para fazer melhor.
          É isso que precisas: Força para fazer melhor!
          Desculpa alguma acidez da minha parte, mas é esse o meu estilo.
          Dou crédito ao teu último comentário.
          Um abraço

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