A Europa e o PCP

Neste contexto, aqueles que nunca não se deixaram encantar por qualquer tipo de euforia europeísta vêem-se subitamente recompensados. O exemplo que hoje queria abordar é o do PCP. Tópicos que ontem eram referidos como testemunho de um suposto arcaísmo político daquele partido, como por exemplo o apelo à valorização da indústria nacional e dos chamados sectores produtivos, aparecem hoje, de modo mais ou menos discreto, na fala dos que ontem, na direita como na esquerda, caricaturavam o discurso comunista.

O Zé Neves, hoje no i

P.S. – acrescento o texto de Octávio Teixeira “Sair do euro é preciso

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17 respostas a A Europa e o PCP

  1. Vasco diz:

    Excelente autocrítica do Zé Neves, um dos que, quando militante da JCP, “caricaturava o discurso comunista” sobre a Europa e outras coisas.

    • Caro Vasco, o Zé Neves foi militante e dirigente do sector intelectual do PCP em Lisboa – e, creio, candidato a deputado nas listas da CDU num lugar bem próximo dos elegíveis. Enquanto tal, não me recordo de alguma vez o ter visto a “caricaturar” o “discurso comunista”. De qualquer forma, interessa-me mais valorizar o texto do Zé do que discorrer sobre o que terá caricaturada.

      • Vasco diz:

        E eu não o ouvi dizer outra coisa, sobre a Europa, sobre o socialismo, sobre o Partido e a sua organização, sobre Álvaro Cunhal, sobre «tudo e um par de botas». Isso do ter sido candidato… bom, a Zita Seabra também o foi. São coisas que acontecem…

  2. Vítor Vieira diz:

    Ainda me lembro do reboliço aquando da Conferência Económica do PCP, que em particular se debruçou sobre a adesão à CEE. Era 1980, ano da pré-adesão, e o local o Porto (Faculdade de Economia). Depois destes anos todos, seria interessante que muita cabecinha pensadora revisse os textos ali produzidos. Estão em livro: http://goo.gl/GvMfa

  3. LM R diz:

    Falta à enumeração que o OT faz das consequências o “pormenor” de os empréstimos (para habitação, por exemplo) crescerem de um dia para o outro os tais 30-40%…

  4. O PCP tem um problema não só com o que diz, mas também do modo como o diz. Subscrevo inteiramente a tese da produção nacional, mas acho execrável que tal se transforme em slogan de um partido comunista. É como a questão do governo patriótico, tratam-se de expressões que não têm cunho ideológico, e por isso podem ser rapidamente apropriadas pelos antípodas políticos. Um partido como o PP pode perfeitamente utilizar estes slogans do PCP, e isso é apenas resultante da simplificação, e da consequente omissão da componente luta de classes, para facilitar o soundbyte.
    Claro que esta não é, longe disso, a principal razão para a caricaturarização do discurso do PCP. A principal razão é mesmo o C.

    • antónimo diz:

      se a industrialização fosse facilmente apropriada por alguém, seria pelo PCP operário, como aliás a prática prova.

      nestes anos todos desde a adesão à CEE apenas o PCP empunhou a bandeira da industrialização. o cds nunca o fez.

      ou seja, a justificação é dada pela prática continuada e pelo empenho consequente. e não por quaisquer balelas sobre adequação ou não de um discurso.

      o mesmo com o patriotismo, coisa que o cds-pp nunca praticou

      • Deixe-me que lhe diga que classificar de balelas opiniões de outros comunistas, só porque não concorda com elas, remete para a minha primeira frase: “tem um problema não só com o que diz, mas também do modo como o diz. “.

    • Vasco diz:

      Se ler o que se explana sobre o Governo patriótico E DE ESQUERDA (não esquecer) e sobre a produção nacional verá que o cunho ideológico está lá todo. O Governo terá de ser patriótico E DE ESQUERDA porque terá que libertar o país da submissão ao directório que dirige a UE ao serviço dos monopólios alemães. Pois, como disse lénine, no capitalismo os estados unidos da europa ou são impossíveis ou são reaccionários. Só lhe peço que antes de criticar – que está no seu direito – leia e não vá atrás do que outros dizem sobre o assunto…

  5. voza0db diz:

    Olá a todos…

    Realmente… Continuar com esta falácia de que um país é capaz de subsistir (já nem refiro crescer!) no actual SISTEMA MONETÁRIO (e suas regras actuais), sem que tenha o controlo da sua moeda… É o mesmo que esperar que o Banco (Privado) Central Europeu comece já amanhã a fazer empréstimos aos Estados com taxa de juro igual à da taxa de referência e sem qualquer margem de lucro!

    Infelizmente a fortíssima propaganda que passa diariamente nos Meios de Comunicação Social (MCS) apenas transmitem e formatam o pensamento das pessoas para que a única solução é o Euro e a Europa nos moldes actuais…

    Enquanto os MCS estiverem sob o jugo das Corporações que dominam o Sistema Monetário, dificilmente haverá alteração massiva da forma de pensar da população… E isto enquanto os que ganham biliões/triliões considerarem que o EURO é bom… No dia em que quiserem rápido passa para os livros da história (da carochinha!!!)

    Abraços

  6. De diz:

    João Delgado tem um problema e não sei se é pelo que diz ou pela forma como o diz.Positivamente estou-me até nas tintas.Sublinho apenas o “execrável” com que Delgado acomete, já nem sei a propósito de quê.Ou sobre a ausência de “cunho ideológico” fazendo valer alguma pobreza conceptual sobre o tema.Não,não vou caricaturizar mais o discurso de Delgado nem preocupar-me com as suas preocupaçoes sobre o ABC do que quer que seja.Que diabo, o homem pode ter as ideias que quiser. Para isso até pode convocar um congresso ou formar o grupo que quiser ou romper com quem quiser, fazendo depois até as profissões de fé que quiser.
    Mas ao menos podia ter lido o que Zé Neves escreveu.É que pelo texto de ambos ficamos logo a saber mais coisas.Infelizmente em desfavor dos slogans “simplistas” de Delgado.

  7. Sim, acho execrável que um partido comunista assuma, sem mais, o slogan da produção nacional. Sei bem o que o PCP diz sobre as relações de produção capitalistas, mas não é esse o tema em questão, pois não?
    Das suas palavras registo o insulto personalizado, e a conceptualização de que a opinião política está reservada a quem for capaz de rasgos de raciocínio e expressão como os que demonstra.
    Como comunista, continuo a acreditar que todos os trabalhadores têm o direito, e o dever, de exprimir as suas opiniões, por muito que isso custe a quem conceptualiza um partido comunista como uma seita. Que não é, apesar de alguns notáveis exemplares.
    Já lhe dei os parabéns pela riqueza conceptual do seu texto? Mas olhe que o do Zé Neves está bem melhor.

    • De diz:

      Delgado?
      Mas ainda não percebeu?Não,não falo no seu direito de dizer o que lhe vai na alma.
      Já o afirmei e repito.
      (O que não pode é depois armar-se em virgem púdica como se não tivesse dito o que disse)
      Eu não estou mesmo interessado em armar guerras de alecrim e manjerona com quem até diz nos seus textos coisas muito acertadas.Mas que parece que tem o tamanho do umbigo próprio de outros modos de.E que…adiante
      A minha luta é com outros.
      Sorry se o desiludi
      Pontofinalparágrafo

  8. Argala diz:

    “Neste cenário, curiosamente, o PCP não defende a saída do euro. Não defendeu a entrada, mas não defende a saída. Pelo que foi possível acompanhar do debate do último congresso do Partido, a questão é, porém, objecto de debate interno.”

    O texto do Octávio Teixeira, com o qual não concordo totalmente, é pelo menos coerente nesta parte.

    • Vasco diz:

      O PCP defende claramente a ruptura com a UE e com o Euro, apenas afirma que a saída já, em quaisquer condições, não é a solução. A ruptura com o euro será um processo, inseparável da ruptura com a política de direita no país e com a alteração na correlação de forças – esta, sim, a condição essencial para qualquer ruptura.

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