2012 em imagens, 2013 em perspectiva

Pela câmara do Ministério da Verdade e pela objectiva da Rita Neves.

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2 respostas a 2012 em imagens, 2013 em perspectiva

  1. António Carlos diz:

    2013 em perspectiva: Há notícias da greve dos estivadores? Presumo que continuará o seu apoio fundamental deste “heróis” da classe trabalhadora (a vanguarda!) à situação dos precários e desempregados (sem qualquer ironia).

  2. Nuno Cardoso da Silva diz:

    “Reflexão para 2013

    Num manifesto subscrito por Alex Andreou, no New Statresman, [http://www.newstatesman.com/alex-andreou/2012/12/manifesto-new-year-forget-labels-and-fix-problems] pode-se ler:

    “What do we need? What would make our life and the lives of those around us better? These are the questions we never ask. These are the questions we should always be asking. We lack the language to discuss them. We lack the openness to find the answers. We choose to centre the debate on whether Conservatism with a dollop of compassion or Socialism with a fixation on low taxes is the answer. When we know – we fucking know – neither is.”

    Ou seja: “De que precisamos? O que melhoraria a nossa vida e a vida dos que nos rodeiam? Estas são as perguntas que nunca fazemos. Estas são as perguntas que deveríamos estar sempre a fazer. Mas não dispomos da linguagem para as discutir. Falta-nos a abertura de espírito para encontrar as respostas. Preferimos centrar o debate em saber se o Coservadorismo com uma pinga de compaixão ou se o Socialismo com uma preocupação em manter os impostos baixos será a resposta. Quando sabemos perfeitamente que nem um nem outro o serão.”

    Em grande parte este é o problema da esquerda em Portugal. Não nos centramos nos problemas e nas suas soluções, mas na preservação das respostas ideológicas a esses problemas. Se queremos eliminar as possibilidades da exploração do homem pelo homem, propomos, sem qualquer hesitação, a nacionalização dos meios de produção, mesmo quando sabemos que essa nacionalização está longe de garantir o fim dessa exploração. Se queremos promover a democracia e a participação dos cidadãos na res publica, não achamos estranho defender a ditadura do proletariado. Queremos a liberdade de expressão, mas achamos que isso é compatível com a missão vanguardista do partido. Queremos construir uma sociedade tão justa quanto possível, dentro dos condicionalismos que nos são impostos pela nossa imperfeição intrínseca, mas idealizamos utopias, não como quadros de referência, mas como objectivos a alcançar realmente.

    Sabemos que o Pai Natal não existe, mas ficamos sentados diante da chaminé, à espera que ele nos apareça com um saco cheio de brinquedos…

    E depois admiramo-nos de que os cidadãos nos não sigam e que o capitalismo explorador, injusto, ineficiente e imoral, continue a dominar a sociedade.

    Já todos percebemos que só uma esquerda unida, coesa e coerente, pode derrotar o modelo neo-liberal injusto e explorador. Mas cada um de nós só aceita uma unidade feita à volta da sua ideologia particular. Comportamo-nos como facções religiosas, intolerantes e egoístas, e depois esperamos que, como por milagre, o povo se junte a nós para derrubarmos o opressor. Somos todos certamente muito cultos e inteligentes, mas comportamo-nos da forma mais estúpida que se pode imaginar. Porque esquecemos os princípios e os trocamos pelo subjectivismo da multitude de ideologias inventadas para os realizar. Trocamos na prática o aforismo de que não basta a mulher de César ser honesta, é preciso que o pareça, por outro que nos diz, não é necessário que a mulher de César seja honesta, desde que o pareça… Ou, em termos políticos, trocámos o “não basta proclamarmos princípios, é necessário que as políticas sejam adequadas a realizá-los”, por “não interessa que as políticas sejam eficazes, desde que pareça que respeitamos os princípios”…

    Em 2012 certamente que percebemos que não conseguíamos comandar as massas. Os cidadãos – e sobretudo cidadãos tão individualistas como nós somos – só saem à rua quando acham, cada um por si, que há uma razão para sair e protestar. Podemos ajudá-los a perceber quando é que há fortes razões para protestar, mas eles só saem quando querem e não quando nós lhes dizemos para sair. E certamente que não serão as nossas várias fixações ideológicas que os levarão à rua. Os portugueses são na generalidade moderados e tolerantes. Não será com mensagens extremistas ou intolerantes que os mobilizaremos. Nunca foi tão verdade que a política é a arte do possível, e só o razoável é possível entre nós. Ora há muito de razoável que pode ser proposto sem que se perca a eficácia na ruptura com o neo-liberalismo opressor. E para isso não é necessário diluir os valores de esquerda, nem pactuar com as falsas soluções capitalistas. É apenas preciso reflectir sobre a maneira de conciliar a democracia e a liberdade com a fraternidade, numa sociedade onde os seus membros são estruturalmente imperfeitos e tendencialmente egoístas. Ao contrário do que alguns possam pensar, este é um objectivo perfeitamente ao nosso alcance, desde que o queiramos.

    Derrotar estas políticas de austeridade, derrubar o governo, expulsar a troika, e criar uma alternativa viável, está ao nosso alcance e tem de ser feito em 2013. Mas ou aprendemos que o óptimo é inimigo do bom, e que cada um de nós tem de ceder na forma para preservar o fundo, ou voltaremos a falhar nos nossos objectivos. Temos de agir, mas primeiro temos de pensar. E temos de começar desde já.”

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