Balanço musical 2012 (músicas: 10-1)

Eis os dez primeiros deste top-50 de temas de 2012 (estas foram as primeira, segunda, terceira e quarta partes desta lista)

10. Django Django – Hail Bop

Quando, após a introdução frenética, entra a linha de guitarra, fica quase certo tratar-se de um dos temas mais viciantes do ano, um verdadeiro épico psicadélico no seu melhor. Depois, o refrão faz o resto… “I’ve been waiting here so long and now you’ve taken off again”, simples como muitas das grandes canções pop.

9. Caspian – Hickory ’54

Cruzando o lado mais atmosférico e sonhador dos teclados (e xilofones) com a percussão folky constante e vibrante, a introdução do tema é desde logo lindíssima. Depois o ritmo acelera, entra a distorção das guitarras e pequenos laivos de ruído e o que se obtém é uma extraordinário tema que salta as fronteiras do post-rock para um rumo livre e indefinível.

8. Beck – 73-78

A curiosidade era total para saber o que Beck iria conseguir ao remisturar um leque de trabalhos de Philip Glass. Dificilmente o resultado poderia ser melhor: reinvenção vibrante de um património fundamental de um grande compositor, num tremendo medley de 20 minutos. Seja música contemporânea, experimental, post-rock ou qualquer outra coisa, o que aqui está é uma viagem alucinante e magnífica.

7. Roberto Fonseca & Fatoumata Diawara – Bibisa

Bibisa é feito de um piano jazzístico do cubano Roberto Fonseca, de sons africanos da música mandinga e da alma enorme da voz de Fatoumata Diawara. Camadas que vão entrando e se sobrepondo com uma consistência e um bom-gosto tremendos. Uma extraordinária fusão.

6. Sigur Ros – Varud

Valtari é a primeira grande desilusão da carreira dos Sigur Ros, um disco onde pela primeira vez os sentidos e a emoção não são assaltados de forma mágica. Mas a banda islandesa não poderia falhar totalmente. Com cordas clássicas e piano etéreos, o regresso de um maravilhoso coro infantil depois de Ára Batur e uma aceleração arrepiante, Varud vai para o panteão dos temas imprescindíveis dos Sigur Ros.

5. Grizzly Bear – Yet Again

Bastam os primeiros acordes de guitarra, com aquele arrastamento tão especial que os Grizzly Bear têm, para Yet Again convencer como os grandes temas da banda americana. Depois, a voz de Edward Droste brilha intensamente e a desconstrução e catarse finais são verdadeiramente surpreendentes. Exemplo máximo da diversidade e talento de uma das melhores bandas pop dos últimos anos.

4. Bat For Lashes – Laura

No meio  de um disco mais levianamente pop, em que parte do negrume do passado se perdeu, destaca-se uma magnífica e arrebatadora balada ao piano, que sabe jogar com os sussurros e os crescendos de forma ímpar. Depois de Daniel em 2010 é a enigmática estrela decadente Laura a representar Bat For Lashes num dos temas do ano.

3. Moda Impura – Mortos dos Retratos

No negrume, na complementaridade dos instrumentos, na força das palavras, na dimensão épica do coro, Como um Sonho Acordado de Fausto (1983) é um dos temas maiores da música portuguesa de sempre. Trinta anos depois, com uma letra simples, mas dramática, de António Lobo Antunes, um instrumental lúgubre e invernoso e uma aparição notável das vozes, Vitorino e Janita primeiro e os Cantadores do Redondo depois, Mortos dos Retratos aproxima-se muito dele. E isso é um tremendo elogio.

2. Alt J – Taro

Taro tem uma guitarra inicial magnífica, a voz sussurrante, peculiar e sofrida de Joe Newman no ponto certo e um toque oriental delicioso (“Hey Taro”…). Taro é uma real e triste história de amor, entre os fotógrafos de guerra Robert Capa e Gerda Taro, homenageada de uma forma emocionante. Taro é o tema pop do ano.

1. Ef – I Never Felt This Way Before

Juntando a magia do post-rock à profunda melancolia nórdica, os Ef são uma banda que, de forma eficaz, consegue introduzir voz no género sem que isso pareça despropositado (ouça-se, por exemplo, o magnífico Hello Scotland). Aqui, contudo, tudo ganha outras proporções quando decidem usar parte do perturbador monólogo  de Michael Fassbender no incrível Fome, de Steve McQueen, com a parte instrumental a acompanhar devidamente os vários momentos do texto. “I will act, and I will not stand by and do nothing” termina o monólogo com sons de xilofone antes da avassaladora aceleração final… I Never Felt This Way Before é tema do ano.

Este artigo foi publicado em cinco dias and tagged , , , , , , , , , , , . Bookmark the permalink.

4 Responses to Balanço musical 2012 (músicas: 10-1)

  1. Pingback: Balanço musical 2012 (discos) | cinco dias

Os comentários estão fechados.