Balanço musical 2012 (músicas: 20-11)

Eis a quarta e penúltima parte do meu top musical de 2012 (estas foram a primeira, segunda e terceira partes):

20 – Chromatics – Into the Black

Uma versão soberba de Hey Hey My My, de Neil Young. Completamente adulterada, completamente adaptada ao universo dos Chromatics, com toda a sensualidade da voz de Ruth Radelet e a imponência negra do som erguido por Johnny Jewel, e simultaneamente fiel ao espírito do original.

 

19. A Naifa – De Cara A La Pared

Uma homenagem dupla a Lhasa de Sela (o título é de um tema dela) e ao mentor d’A Naifa João Aguardela, dois músicos incríveis e inspiradores que morreram demasiado cedo. O tom é devidamente lúgubre e, quando se ouve “foi talvez a nossa última canção”, é impossível não sentir um arrepio imenso pela espinha.

18. Cloud Nothings – Wasted Days

Em Wasted Days, a banda de Cleveland dá-nos 8 minutos de devaneio e de desprensiosismo cru e noisy. “I thought I would be more than this”… música apocalíptica, de catarse, de falta de esperança pessoal e no futuro.

17. Patrick Watson – The Lighthouse

Na fase inicial, o pianinho e a voz sussurrante do canadiano Patrick Watson criam um ambiente próprio de um misterioso ambiente encantado. Depois, entra a percussão e uns sopros mariachi e tudo encaixa, tudo se revela, tudo se expõe. Arrebatador.

16. Bobby Womack & Lana Del Rey – Dayglo Reflection

Um piano solene e uma cadência rítmica constante e hipnótica servem de cama para um dueto inesperado, que junta o mítico cantor soul Bobby Womack à sensualidade decadente da voz de Lana Del Rey. O resultado é extrordinariamente bonito e consistente.

15. Caspian – Porcellous

Primeira passagem por um fabuloso disco de post-rock do ano. Porcellous conta com fabulosos loops de voz (é mais um instrumento) e pequenos linhas repetitivas de sintetizadores antes da entrada em cena do ruído e da explosão das guitarras e da percussão e  de fechar com um piano mais introspectivo. Poderoso.

14. Air & Victoria Legrand – Seven Stars

Em plena banda-sonora imaginária de Le Voyage Dans La Lune, clássico mudo de Georges Méliès, está esta pérola. A pausa intermédia para a countdown é imponente e  a percussão é notável nas fases inicial e final, culminando com o lado mais planante introduzido pela voz inconfundível de Victoria Legrand, dos Beach House.

13. Tame Impala – Elephant

Através da bateria, da irresistível guitarra e posteriormente dos tradicionais teclados psicadélicos, o single do segundo disco dos Tame Impala é uma verdadeira explosão de energia e de adrenalina. Uma autêntica bomb track, tão retro quato futurista.

12. Alt J & Mountain Man – Buffalo

Para além do brilhante An Awesome Wave, os Alt J deram também esta maravilha para o filme Silver Linings Playbook. A lindíssima guitarra inicial não engana e cativa de imediato, um pouco como em Cry Baby de Bibio. Depois, a junção vocal com as meninas Mountain Man garante uma beleza extraordinária e outonal ao tema.

11. Dead Can Dance – Return of The She-King

É com uma toada quase celebratória (à escala da banda australiana, entenda-se) que se dá um dos raros duetos vocais de Brendan Perry e Lisa Gerrard. O resultado, com um sopro celta, a voz deslumbrante de Lisa e um final épico, tem a magia dos melhores momentos dos Dead Can Dance.

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