Balanço musical 2012 (músicas 50-41)

Como já começa a ser tradição, esta é a altura de iniciar o meu balanço musical do ano (e não em Novembro ou início de Dezembro). Para já, fica aqui o primeiro bloco do meu top 50 de músicas do ano, que será dividido em cinco partes. Para além de ser naturalmente subjectiva, esta lista mais não é do que uma forma de sistematizar ideias em relação ao ano que passou, sem que as diferenças entre lugares tenham um significado excessivo.

Cada entrada do top é acompanhada do próprio tema e de uma breve descrição opinativa…

50 – The Shins – Simple Song

Num disco a meio gás, a canção simples (será?) dos The Shins pode ter uns teclados duvidosos, mas facilmente se torna um single viciante e um daqueles grandes temas pop da colheita de James Mercer.

49 – We Have Band – Where Are Your People?

Há no jogo de vozes um tom épico que roça o parolo, mas o refrão é um inequívoco apelo à dança. Tal como o tema dos The Shins, este single electro-pop pode ser a espaços duvidoso, mas o vício fala mais alto.

48 – Antony and the Johnsons – Cut the World

 O timbre e colocação de voz peculiares de Antony ganham outra grandiloquência no disco ao vivo com a Orquestra Nacional de Câmara da Dinamarca. Não agradará a todos, mas quem aprecia minimamente o trabalho de Mr. Hegarty encontra aqui, no único original do disco, cordas, piano e poder vocal conjugados de forma triste e muito bonita (nota: o vídeo dá ao título uma conotação gráfica perturbadora)

47 – Blur – Under the Westway

Nas mãos erradas, podia dar mais uma cópia do pior dos Coldplay. Nas mãos de Damon Albarn e companhia, Under the Westway é uma extraordinária balada épica, com um final arrastado perfeito. Depois de Fool’s Day, mais um belo fogacho dos Blur… e disco novo?

46 – Observer Drift – Backwards

Com um trabalho global próximo de uns Wild Nothing menos consistentes e mais ecléticos (umas coisas melhores, outras piores), o grande tema da estreia discográfica do jovem americano Colin Ward. Tenso e etéreo, com uma bela linha de guitarra e uma vocalização grave a condizer.

45 – Purity Ring – Obedear

Tal como em Wut de Girl Unit (2010), há por entre os sintetizadores excêntricos deste tema uma chama, uma emoção sombria. É algo difícil de explicar, mas suficiente para converter um pagão do género. Pode não ser uma obra-prima, mas vale mais do que todo o insuportável disco de Grimes.

44 – Lambchop – Betty’s Overture

Para relaxar dos temas com voz (tocantes para uns, dormentes para outros), Kurt Wagner dá-nos um requintado e nostálgico instrumental (coisa de bar decadente, em bom), guiado por cordas clássicas e um maravilhoso piano. Belíssimo.

43 – Bill Fay – Jesus Etc

Podia ser uma simples cover dos Wilco, podia ser uma mera balada ao piano, mas não. Há qualquer coisa mágica na voz, nas pausas e nas respirações do veterano cantautor britânico. É como se Bill Fay estivesse a cantar ao nosso lado… resta-nos agradecer.

42 – Tindersticks – Medicine

Se alguém que não suporta a voz de Stuart Staples, fica emocionado com este tema, alguma coisa de especial ele deve ter. Tem uma caixa de ritmos a resultar suspreendentemente bem e uma melancolia tocante, capaz de fazer esquecer todos os complexos vocais que se tenham com os Tindersticks.

41 – Grizzly Bear – Sun in Your Eyes

Mais orquestral e preenchido que nunca, um extraordinário e surpreendente épico a fechar Shields. Um tema que agrada à primeira, mas que vai ganhando ainda mais com as audições, através da absorção de pequenos pormenores. Os Grizzly Bear voltarão bem mais à frente nesta tabela, com Droste a substituir Rossen como protagonista.

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