Pouca-terra

A linha de comboios Lisboa-Cascais pela sua qualidade e pontualidade já foi um modelo de serviço público. Contudo, sucessivos governos e administrações, ao mesmo tempo que promoviam um oneroso restyling das carruagens – acabando com as janelas em prol do ar condicionado – e das gares – a partir de simpáticos negócios com as construtoras do regime – foram reduzindo os períodos de circulação e trocando funcionários por máquinas.
Os utentes foram, obviamente, diminuindo, tapando-se o buraco com o aumento do valor dos passes e bilhetes dos que continuam sem dispensar o comboio.
Hoje chegámos a uma situação insustentável.
A panaceia austeritária soma ao aumento dos preços a diminuição de qualidade dos serviços. A drástica redução do número de carruagens e a supressão de comboios nas horas de ponta tem levado a que, todos os dias, nas “mui modernas” carruagens, desfaleçam utentes. Perante a situação, e a ser verdadeiro uma ordem interna que veio a público durante esta semana, a administração estará a dar indicações aos revisores daquela linha para que culpem uma inexistente greve diária dos maquinistas. Aliás, os maquinistas há muito que aparecem como bode expiatório de todos os males na estratégia de comunicação daquela empresa, designadamente, no que concerne à sua massa salarial e ainda que os seus vencimentos anuais corresponda a 1/30 dos 3.666 milhões de euros de passivo acumulado declarados em 2011.
Com esta lógica de gestão, não me parece surpreendente que se agigante o passivo financeiro. O que me parece absurdo é que se aceite de animo leve que os responsáveis por este passivo comuniquem a sua intenção de privatizar como única opção à sua má gestão.

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