“Padaria histórica em risco de destruição”

A identidade cultural de um povo vai-se construindo e reconfigurando, até porque a história ou o respeito pelo património são noções relativamente recentes se analisarmos toda a história da Humanidade. É certo que, ao longo dos dois últimos séculos, a preservação da memória tem ganho uma nova dimensão sendo assumida de diferentes formas. Uma das quais, através do respeito pelo património edificado – naquilo que se entendeu pensar como uma evolução civilizacional.
Ora a legislação que tem vindo a ser produzida no quadro dos estabelecimentos comerciais, da térmica ou da acústica, tem tido em conta todos os interesses financeiros em jogo secundarizando os critérios patrimoniais e/ou funcionais (quantas vezes, num pequeno café, a casa de banho dos homens é obstaculizada pelo obrigatório mictório, por exemplo).
É neste quadro que sempre aparece uma qualquer polícia num estabelecimento comercial de pequena dimensão gera-se o pânico, sobretudo se os seus interiores e exteriores já não estiverem integralmente mitigados por toda a artilharia de artefactos tecnológicos a que a lei obriga.
A eminente destruição desta padaria na Rua de Angola é um belo paradoxo da época em que vivemos.

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