O Bloco a brincar com a Esquerda

O Beijo da Morte

É inaceitável o processo a partir do qual o BE está a reciclar o PS aos olhos da opinião pública. O namoro aberto entre os dois partidos não representa nenhuma utilidade para a esquerda e não terá como consequência um governo de esquerda. O PS, esperto, aproveita a benevolência, e aplaude. O BE, absolutamente à deriva, encontra no PS “muitos aspectos convergentes” mas não concretiza nenhum.

Esta entrevista à Catarina Martins é mesmo para levar a sério? É que se for ela é reveladora da forma como a política de unidade do BE o deixou órfão de qualquer resquício de identidade programática. O que é que a semi-liderança do BE quer dizer quando nos fala da “inevitabilidade da renegociação”? Em que se traduz essa ideia peregrina que se pode negociar directamente com os credores e os investidores? Acredita mesmo que a troika aceita uma “renegociação sem ratoeiras” ou “sem empobrecimento”? O que tem o pequeno ferrador que ver com o problema da dívida?

Será muita maçada tornarem público quais são os “pontos comuns” com que querem governar em nome de toda a esquerda?

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

17 Responses to O Bloco a brincar com a Esquerda

  1. Maria diz:

    Tudo bem… também me arrepia !! Creio que ninguém de bom senso vê com bons olhos um partido (PS) que defraudou, aniquilou e roubou todas as expectativas a este País.
    Mas…que fazer ? Que alternativas restam para reabilitar esta nação do tornado que o devastou e continuam as derrocadas???

    • A alternativa passa por muito lado, mas dificilmente prescinde que não se faça ao PS o que este tem feito à esquerda.

      • De diz:

        E continua
        Jorge Sampaio dixit:
        “”A Europa está cercada, os países do sul estão cercados e, por consequência, é preciso uma enorme serenidade, goste-se ou não se goste [do Governo]
        O antigo Presidente da República considerou que a situação portuguesa “requer de todos muita calma e muita ponderação”, pelo que entende não ser boa ideia “pugnar agora por aquilo que pode ser uma instabilidade”
        … uma eventual instabilidade política seria uma experiência que “não se deseja”

        Como é possível este discurso na presente situação?

  2. Diogo diz:

    Caro Renato,

    Eu compreendo a estratégia do Bloco. Porque, uma coisa são os dirigentes corruptos do PS (que fazem parte da tríade PS-PSD-CDS), outra são os votantes do PS que estão, na realidade, muito mais próximos do Bloco do que dos dirigentes do PS. Se olharmos para as bases do PS e não para os dirigentes, a coisa compreende-se melhor.

    O que eu já compreendo menos é a escolha de Jerónimo de Sousa para secretário-geral do PCP (ainda com o agastado discurso dos «operários, marinheiros, etc.) quando têm o Honório Novo, excelente político, e muito mais próximo daquilo que as pessoas querem e entendem.

    Donde, a estratégia (verdadeira) passa por fazer compreender à grande massa de votantes do PS e muitos do PSD que os seus dirigentes são uns rematados corruptos.

    Convidem o Prof. Paulo Morais para as vossas manifestações!

  3. O BE está atravessar uma crise dentro da crise,perdeu peso eleitoral,está sofrer mudanças internas/externas de contornos transformistas quando se exigia que fossem transformadores-veja-se o congresso das alternativas/aproximação ao ps,com louçã a afirmar a corrupção política da alternância o que exigiria uma clara demarcação do negocismo troikista,e uma crítica do ps necessaria para construir qualquer política à esquerda.

  4. Victor Nogueira diz:

    Segundo o Públivo de 17 do corrente «O coordenador do Bloco de Esquerda (BE), João Semedo, defendeu esta segunda-feira que a construção de um governo de esquerda é “um processo” que “exige” a demissão deste Governo, novas eleições e que “depois se façam as contas” para uma maioria social e política.

    “Um governo de esquerda é um governo que se constrói e pratica uma política ao contrário da que está no memorando, o memorando protege os bancos, um governo de esquerda defende as pessoas; o memorando destrói a economia, um governo de esquerda constrói e faz emprego; o memorando é o paladino das privatizações, um governo de esquerda defende os serviços públicos, foi isto que dissemos ao PS”, afirmou o líder bloquista.»

    Tendo o ps e o psd aprovado a constituição da república em 1976 com reserva mental – Mário Soares afirmou em entrevista a M. João Avilez que defendera o socialismo nas eleições de então porque se o não tivesse feito não teria votos -. desde então arrumado o socialismo na gaveta (Soares dixit ? ) e em sucessivas revisões constitucionais ps-psd-cds têm-se entendido para abrir caminho ao estado súcial em que vivemos.

    A recuperação capitalista com Passos Coelho já não precisa do ps como ponta de lança. Mas precisa dum ps de cara lavada e alegremente a esquerda. A questão que se coloca é possível acreditar que outra política pode ser advogada pela esmagadora maioria dos dirigentes, deputados e activistas do ps (que serão distintas da sua base social de apoio ou do seu eleitorado). É possível ? E possível quando ps-psd têm interesses comuns, que vários processos judiciais desvendam ?

    João Semedo e não só afirmam que sim. Mas trata-se de salvar o capitalismo ou de criar uma alternativa radical ? O coordenador do Bloco de Esquerda (BE), João Semedo, defendeu esta segunda-feira que a construção de um governo de esquerda é “um processo” que “exige” a demissão deste Governo, novas eleições e que “depois se façam as contas” para uma maioria social e política.

    “Um governo de esquerda é um governo que se constrói e pratica uma política ao contrário da que está no memorando, o memorando protege os bancos, um governo de esquerda defende as pessoas; o memorando destrói a economia, um governo de esquerda constrói e faz emprego; o memorando é o paladino das privatizações, um governo de esquerda defende os serviços públicos, foi isto que dissemos ao PS”, afirmou o líder bloquista. «O coordenador do Bloco de Esquerda (BE), João Semedo, defendeu esta segunda-feira que a construção de um governo de esquerda é “um processo” que “exige” a demissão deste Governo, novas eleições e que “depois se façam as contas” para uma maioria social e política.

    “Um governo de esquerda é um governo que se constrói e pratica uma política …» e após as eleições « se façam as contas” para uma maioria social e política»

    Sendo duvidoso que o PS seja um partido de esquerda com um programa de esquerda, isto é, anti-capitalista, vamos para eleições e depois em função dos resultados eleitorais se farão as alianças e os programas … comuns e mínimos ?

    É verdade que as propostas de Seguro/PS para diminuir o nº de deputados à Assembleia da República para facilitar o bipartidarismo ps-psd voltaram para banho-maria. Sendo assim ou o ps tem maioria absoluta e prescinde de alianças – ou não tem. E não tendo, irá coligar-se de novo com um cds que é governo/«oposição» ou … com o bloco pois nunca o fez com o pcp. E tendo recorrido ao cds qd necessário, pk nunca o fez com o pcp ?

    Em 1974/1976 o PS/Mário Soares encheu as ruas em defesa do que ele dizia ser o «socialismo em liberdade». Arrumado por Soares o socialismo numa gaveta, hoje o PS/Sócrates-Seguro só conseguiria encher. . . um beco.

    Nos idos de 1975 Soares e a direcção do PS sem fundamento acusaram o pcp de a propósito do jornal República pretender amordaçar a liberdade de imprensa e a independência desta. Vai-se a ver e no seu último livro Soares confessa que foi da opinião que Raul Rego não deveria aceitar o convite de Spínola para chefiar o 1º Governo Provisório pk era essencial o diário República, como órgão do PS.

    Alguém tem visto o PS a convocar e a participar nas manifestações de rua contra os ditames das troikas capitalistas, internas e externas ?

  5. Tima diz:

    O único órfão de qualquer resquício de identidade programática que aqui conheço chama-se Renato Teixeira.
    Os socialistas que ainda votam no PS fazem-no por engano. O único partido socialista na Assembleia da República chama-se Bloco de Esquerda. São estes eleitores que têm de ser esclarecidos.
    Ao PS cabe o caminho do PASOK. É isto que se faz aos traidores da Esquerda. E depois há os sectários como o Renato. Dividir para encontrar o purismo divino da esquerda imaculada ou como diriam os gajos de direita “dividir para reinar”…

    • Renato Teixeira diz:

      E esclarecer os pontos em comum, não?

      • Duarte diz:

        “O único partido socialista na AR chama-se Bloco de Esquerda.”
        O PCP tem 91 anos de historia e luta pelo socialismo e que eu saiba está na AR. Quem é sectário? quem ?

        • Tima diz:

          O PCP é um partido comunista conservador e patriótico mas apesar disso sim acho que é um parceiro válido na união da esquerda.

          • Duarte diz:

            O PCP é um partido comunista , revolucionário e patriótico sem o qual nao é possível em Portugal uma política de esquerda. É indispensavel.A sua arrogância burguesa e sectária é dispensável à esquerda. Nao faz falta.

  6. Tima diz:

    “O PCP é um partido comunista , revolucionário e patriótico sem o qual nao é possível em Portugal uma política de esquerda. É indispensavel.A sua arrogância burguesa e sectária é dispensável à esquerda. Nao faz falta.”

    Ó Duarte. Veja lá que de tão patriótico não vá daqui a pouco bater à porta do pnr…
    Não são revolucionários serão mais autoritários mas mais uma vez conto com eles à esquerda.
    Chamar-me sectário é do plano do paranormal. Eu que defendo desde a 1ª hora uma convergência BE/PCP. Mas lá está de purismos ideológicos imaculados estará cá você para me dar lições. Agora não bata é no PSD nem no CDS que isso aí é uma luta perdida para si. Importante sim é acabar com o BE convencidos que o eleitorado passará para vocês… Claro! Sectário e burguês… Não tire as palas que não é necessário.

Os comentários estão fechados.