Trotsky, Rakovsky, Victor Serge, Hal Draper, Pietro Tresso, CRL James, Ignacio Reiss, Erwin Wolf…

Felizmente, pese embora a propaganda, a história nunca esteve dividida entre Estalinistas e liberais. E enquanto se viver a ideia falsa de que o Estado social existiu enquanto existiu a URSS não só ignoramos o peso que teve a coexistência pacífica na destruição do estado social, ou seja, o peso que teve a guerra fria na aceitação da paz social pelas grandes estruturas sindicais, como implicitamente recusamos cortar radicalmente com um passado que não teve nada de socialista, revolucionário, igualitário, livre ou fraterno. Um passado que começa em 1928 com a prisão e depois o assassinato de todos os que tinham feito a primeira revolução da história.

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

15 Responses to Trotsky, Rakovsky, Victor Serge, Hal Draper, Pietro Tresso, CRL James, Ignacio Reiss, Erwin Wolf…

  1. Joâo CABEÇO diz:

    Estou de acordo com a Raquel Varela , sim ???? JC ~~~~~~~~~~

  2. Maria A. Guimarães diz:

    Não sou comunista, nunca pertenci ao PCP. E defendo a unidade da esquerda contra este governo da contra-revolução. Permitam, pois, que faça uma observação. Vão por mau caminho os que ressuscitam querelas antigas entre stalinistas e trotzquistas. Que procuram justificar no presente? A unidade do Bloco de Esquerda com o PS/Seguro, que, além de palavreado, não mexe um dedo contra a política seguida e espera, candidamente, que o poder lhe caia no regaço?

  3. JgMenos diz:

    Nem um portuga?

  4. Xavier Brandão diz:

    Em 1928? Em 1917 já se decidia a criação da Tcheka, polícia política talvez mais brutal do que aquela do Czar, que em finais de 1918 já contava com 40 000 homens.

    Uma das proezas da Tcheka, em 1918-1919 (via wikipédia):
    “Entre fin 1918 et 1919, des grèves ouvrières, suscitées par la dégradation des conditions de vie ou l’opposition de mencheviks ou de socialistes-révolutionnaires, sont durement réprimées par les unités spéciales Tchéka. Les répressions les plus violentes ont lieu dans les villes reprises aux Blancs14. Au printemps 1919, dans des villes comme Astrakhan, Toula, Ivanovo, Orel ou Tver, des grèves suscitées par des ouvriers affamés et réclamant des rations alimentaires comparables à celles de l’Armée rouge, sont réprimées par la Tchéka. Les ouvriers sont souvent exécutés sans procès. Lénine pousse personnellement à l’exécution massive de grévistes pour « sabotage ».

    A “degenerescência” e a contra-revolução não começam logo com a tomado do poder por Lénine. Posso ser ignorante no que à história diz respeito, mas como muitos outros, não sou completamente parvo e recordo à Raquel Varela que existe uma coisa chamada Internet contra a qual um qualquer revisionista é desmanchado em pouco tempo. Assim o tenha, coisa que farei se não me esclarecer convenientemente.

  5. Rocha diz:

    E entre estalinistas e trotskistas será que está dividida a história?

    Não sei… é só uma pergunta inocente.

    É que entre uns e outros, todos parecem ignorar as reais consequências do XX congresso do PCUS. Que eu saiba a maioria dos partidos comunistas na actualidade – sem contar com nenhum dos eurocomunistas, reformistas, pactistas, mutantes, renovadores e afins – aqueles que são partidos comunistas de nome e de prática, marxistas-leninistas assumidos, catalogados com supostas ortodoxias e linha dura são declaradamente não-estalinistas ou mesmo anti-estalinistas e explicitamente críticos do legado de Estaline. Tal como foi aliás a própria União Soviética desde os anos 60 e desde o referido XX congresso.

    Agora se a Raquel me der licença (pois claro) posso me identificar como comunista, marxista-leninista não-estalinista?

  6. Argala diz:

    Raquel,

    A coexistência pacífica definida no XX Congresso destruiu muito mais do que o estado social, ela corrompeu praticamente todos os partidos comunistas. Mas qual foi exactamente a contribuição de Estaline para isso?

  7. se exceptuarmos o regime político com o seu cortejo de violações dos mais elementares direitos inerentes à dignidade humana (direito à vida, direito à liberdade de expressão, direito à liberdade de manifestação, direito à liberdade religiosa e de opinião, etc.); se exceptuarmos a burocracia, se exceptuarmos oa autoritarismo e a ausência de democracia, penso que a URSS foi o único verdadeiro Estado Social que existiu até agora na história da humanidade

    mesmo os chamados estados sociais evoluidos (os países nórdicos) têm esquemas de solidariedade social muito semelhantes à caridade em sentido material, isto é, humilhantes da dignidade humana

    um Estado Social não é um estado que redistribui muito mas um Estado que garante a todos o direito ao trabalho, à saúde e à educação o que necessariamente implica que a esmagadora maioria da economia (salvo as pequenas e certas médias empresas) esteja nacionalizada

    existe um livrinho que recomendaria a que toda a gente o lesse: “O Mundo da Paz” de Jorge Amado, em que este descreve uma viagem na década de 50 pela URSS e outras democracias socialistas. É difícil encontrá-lo por que ele depois renegou-o e proibiu futuras reedições pois achava que estava “intoxicado” quando o escreveu. Mas, independentemente de ele retratar ou não a realidade (e, pelos vistos, depois ele achou que não) o que lá está escrito é, pelo menos aquilo que deveria ser uma sociedade ideal: sociedades sem desemprego (e parece que isso era de facto uma realidade – dramaticamente longe da realidade das sociedades capitalistas de hoje – , todos com direito a saúde e educação gratuíta, em que não havia ricos nem pobres, não havia miséria nas ruas nem ostentação obscena do luxo.

  8. Armando Cerqueira diz:

    A URSS foi, realmente, socialista? O socialismo é exequível e coexistente com instituições do tipo do ‘centralismo [pretensamente] democrático’? O ‘socialismo real’ era realmente ‘socialismo’? O ‘socialismo’ (social-democracia) do PS é, verdadeiramente, uma versão do socialismo? Já existiu, alguma vez, socialismo no nosso planeta (os outros mundos nada sabmos…)?

  9. Marco diz:

    Uma questão cronológica apenas: antes da URSS, onde existia o Estado Social?

    A não ser que a malta da «classe contra classe» agora curta o Bismarck…

  10. Marco diz:

    Só uma dúvida cronológica: antes da URSS, onde existia o Estado Social?

    A não ser que a malta da «classe contra classe», agora curta o Bismarck…

    Se o Estado Social é “suficiente” ou não e se o processo do socialismo real travou outro tipo de organização social e económica, já são outra conversa.

    Mas que a classe trabalhadora do mundo ocidental beneficiou do “pavor vermelho”, isso parece-me irrefutável. Historicamente falando.

  11. h diz:

    Confundir Marxismo-Leninismo com Stalin é como confundir a Alemanha Social-Nacionalista com Jean-Jacques Rousseau (e estes últimos dois tem, efectivamente, mais em comum que os dois primeiros).

    • Duarte diz:

      Confundir o socialismo com o que h disse é confundir o socialismo com massa de vidraçeiro.

      • h diz:

        Caro Duarte,
        sendo eu um leitor mais ou menos assíduo do 5dias e até concordado com muitos dos seus comentários, confesso que achei o seu ‘reply’ apenas idiota. O meu ponto era apenas uma parábola sobre, a meu ver, uma confusão entre Marxismo-Leninismo e Stalin e não uma definição de socialismo, no qual acredito (no verdadeiro, não no do nome do partido da mãozinha). O que queria dizer era que, tal como não acho Stalin um socialista, também não acho que Trotsky o fosse, pelo que o comentário era ao post (com o qual não concordo, por o achar apenas um estímulo há divisão entre ‘nós’ e ‘eles’) e não uma tese sobre ideologia pura. Mas, já agora, considero que Stalin, com os Gulags, a fome na Ucrânia, os julgamentos de Moscovo ou o culto da personalidade mais do lado da barbárie que do socialismo (isto é uma metáfora…). Apenas o considero, um pouquinho, por nos ter ‘salvo’ do Nazismo, de resto acho-o, como ao seu comentário, pedestre.
        (Não se dê ao trabalho de novo ‘reply’, que eu não o lerei.)

        • Duarte diz:

          Caro H
          Sabendo que não deixará de ler, digo-lhe apenas que o seu comentário ao post oportunista e divisionista foi igualmente oportunista e divisionista. Também lhe digo que Stalin foi um socialista e que em circunstancias particularmente difíceis conseguiu unir o povo soviético contra a barbárie nazi ( sem metáfora) . Cometeu erros certamente mas nao todos aqueles que a propaganda da guerra fria e dos trotskistas lhe imputam. Ficamos todos à espera que sejam colocados à disposição de historiadores independentes os arquivos do PCUS da altura e que Putin nao quer libertar.

Os comentários estão fechados.