O partido da cassete


imagem daqui

No fim-de-semana que passou, o mais antigo partido político português realizou o seu 19.º congresso, mas a notícia que abriu a maioria dos blocos noticiosos foi a campanha do Banco Alimentar. Se posso compreender que, na ausência de disputa da liderança e/ou tensão e insultos entre pares, o acontecimento possa não parecer tão sumarento como outros nesta maravilhosa sociedade do espectáculo, já é difícil de entender o interesse de directos à porta de grandes superfícies.
Pelo contrário, em artigos de opinião, não se poupou em ataques àquele partido. No Expresso” online consegue-se registar todas as tipologias. Há quem “revele” o fascismo de Álvaro Cunhal e um pretenso pacto com Salazar (Henrique Raposo) ou a presença de Estaline no congresso (Paulo Gaião), há quem perpetue o anúncio do fim (João Esteves) e há quem critique o facto de os seus dirigentes serem funcionários do partido (Henrique Monteiro e Daniel Oliveira).
Contudo, foi nas redes sociais, e sobretudo entre os inabaláveis fiéis de Sócrates, que o congresso fez furor, propagando-se uma imagem de Jerónimo de Sousa a discursar com uma tela de fundo na qual se podia ler “Insert a cassette”.
Repare-se que, até aqui, consegui evitar qualquer referência ao que se passou no referido congresso. Ainda não escrevi que as cassetes que alertavam para os perigos da moeda única, da desindustrialização, do abate da frota pesqueira, da desertificação dos campos ou da especulação imobiliária e financeira se revelaram certeiras. Ainda não escrevi que do congresso saem sinais importantes para a convergência das esquerdas, para a intensificação da luta contra a troika e para o futuro deste país – seja no quadro do euro ou não. Mas, para o escrever, já não me restam caracteres.

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43 respostas a O partido da cassete

  1. Armando Cerqueira diz:

    O Partido Comunista, como qualquer outro Partido, tem existência social, material, objectiva, e é, portanto, um objecto do conhecimento (inclusive em termos de dialéctica materialista). Não é nem uma entidade imaterial, intemporal, subjectiva, nem uma divindade isenta de erro, da poluição social e política. É portanto objecto de desacordo e de críticas, o que os militantes comunistas – se forem realmente marxistas – devem compreender, aceitando o direito a tal prática social. Não obrigatoriamente o sentido ou o conteúdo de tais críticas. Outra coisa muito diferente é a difamação, a mentira, a deformação da prática, das políticas e da ideologia do PCP. O artigo (?) de Herr Heinrich Raposo é isso mesmo – difamação, deformação, mentiras.
    Mas os Comunistas portugueses têm uma certa responsabilidade na falta de combate sério, persistente, calmo, profundo a esse tipo de campanhas. Não são autocríticos, não criticam séria e competentemente tais críticas, metem a cabeça bem fundo na areia, não fazem sistematicamente análises concretas das situações concretas, são pouco cultos e competentes em questões técnicas e científicas e são – pasme-se – muito desconhecedores do marxismo. E, realmente Tiago, usam e abusam dos ‘templates’ do marxismo vulgar a que as almas da burguesia chamam de ‘cassettes’.
    Quando é que os Comunistas portugueses começarão a corrigir esses erros?
    Um abraço amigo dum independente de esquerda
    Armando Cerqueira

    • Miguel diz:

      «Mas os Comunistas portugueses têm uma certa responsabilidade na falta de combate sério, persistente, calmo, profundo a esse tipo de campanhas. Não são autocríticos, não criticam séria e competentemente tais críticas, metem a cabeça bem fundo na areia, não fazem sistematicamente análises concretas das situações concretas, são pouco cultos e competentes em questões técnicas e científicas e são – pasme-se – muito desconhecedores do marxismo. E, realmente Tiago, usam e abusam dos ‘templates’ do marxismo vulgar a que as almas da burguesia chamam de ‘cassettes’.»

      Erros de palmatória de quem ignora aquilo que é o partido comunista português. Cuidado com estes erros, porque normalmente quem os atenta por ignorância, vai a meio caminho da estupidez.

    • VITORMONTEIRO diz:

      armando cerqueira os comunistas sao gente humana com virtudes e defeitos,mas com uma particularidade,sao operarios,texteis,sao metalurgicos ,mineiros,pescadores,texteis,tem tambem no seu seio grandes vultos inteletuais,é evidente que a maioria nao têm o dom da fala e da bonita escrita intelectual,é verdade mas sabem o que nao querem,que é este sistema capitalista despótico,quanto á análise das situaçoes concretas fazem-nas,podem é nao lhe agradar,temos pena,desconhecedores do marxismo,acha que este pais é conhecedor da maioria das teorias ideológicas^?antes fossem,mas o pcp sabe muito bem o que é o marximo e os delegados ao congresso também,quanto á nao cultura,este partido nasceu para os mais desfavorecidos e é claro e é claro que estes nao sao academicos,mas muitos deles sabem mais do que os academicos,porque os cultos sao os que governam,venham os analfabetos

      • Pedro Marques diz:

        Os Cultos são os que nos Governam??????????? Que tamanho disparate. Uns governantes que destróem tudo e mais alguma coisa, não têm cultura nenhuma!

    • Pedro Marques diz:

      Que a cultura não é deve só passar pela Festa do Avante, é uma verdade. Nem todas as cidades têm uma câmara CDU, e nem todas as câmaras apostam na cultura, e ou as concelhias apostam em eventos, onde haja, concertos, peças de teatro, entre outros. Já que a aposta pela cultura pelo estado, e pelas autarquias não é do melhor, e os militantes e simpatizantes, não aderem muito aos programas culturais, e isso é um erro. Logo assim não é fácil progredir…

  2. edgar diz:

    “Mas os Comunistas portugueses têm uma certa responsabilidade na falta de combate sério, persistente, calmo, profundo a esse tipo de campanhas. Não são autocríticos, não criticam séria e competentemente tais críticas, metem a cabeça bem fundo na areia, não fazem sistematicamente análises concretas das situações concretas, são pouco cultos e competentes em questões técnicas e científicas e são – pasme-se – muito desconhecedores do marxismo.”
    “Um abraço amigo dum independente de esquerda”

    Com amigo destes…

  3. José Corvo diz:

    Eu gosto muito é das Cassetes do capitalismo em especial a do Pingo Doce – Pingo Doce, venha cá…1 minuto e meio 3 vezes ao almoço 5 vezes ao jantar. “Aqui o preço é sempre baixo. O ano todo, na loja inteira”
    Que pintarola de cassetes que o capitalismo usa, massacrando, alienando, alienando, fora todas as outras cassetes com que nos bombardeiam. Então ninguém diz nada das cassetes do capitalismo? São bonitas, têm o suave perfume da burguesia…
    Será isto liberdade? Ou será isto o incitamento à projecção que o Homem faz de si mesmo na desgraça em que vive mergulhado, profundamente explorado e perdido no meio da escravidão?
    As cassetes comunistas apelam à libertação do homem contra a exploração e pelo sonho que os grandes artistas tanto se empenham de Niemeyer a Picasso (teve sempre as quotas do Partido em dia – gabava-se) ao Joaquim Benite, ao Siza Vieira a todos os grandes intelectuais e criadores onde se inclui Einstein e Charlie Chaplin este foi expulso da América do Norte e tal como Einstein tiveram sérios problemas ambas enredados na teia da caça às bruxas, isto é, acusados de serem comunistas.

  4. Jorge diz:

    “são pouco cultos e competentes em questões técnicas e científicas e são – pasme-se – muito desconhecedores do marxismo. ”

    Camarada Armando quer-se inscrever no PCP para aprendermos consigo o que é o Marxismo e para nos dar aulas de questões técnicas e cientificas?

    Ficamos agradecidos

    • Armando Cerqueira diz:

      Jorge,
      sinceramente tenho horror, repulsa até, por tudo o que cheira a bafio. Além disso acredito piamente que ‘burros velhos não aprendem línguas’…
      Não precisam de mim para estudar e aprender. Há ainda por aí muitas e úteis publicações das ‘Edições do Progresso’ ou ‘Edições de Moscovo’, das ‘Éditions Sociales’, de editoras argentinas, uruguaias, mexicanas, etc a que podem recorrer, se quiserem evitar as más traduções portuguesas e brasileiras. Eram edições que muitos comunistas compravam na Barata, na Bertand, na Sá da Coosta, etc.
      Bastem serem autodidatas responsáveis e exigentes consigo próprios, e estudar metodicamente como o PCP propunha aos seus militantes nos anos sessenta… Eu sou desse tempo e lembro-me bem…
      Mas não, já não dou para esse ou outros peditórios.
      Preocupa-me realmente a falta de qualidade que assinalei, pois parece-me que o PCP actual perdeu muita qualidade em relação ao PCP dos anos 60 e 70 do século passado. Posso estar errado, embora infelizmente não me pareça. Faz falta às classes trabalhadoras portuguesas um PCP que disponha de uma vanguarda intelectual de altíssima qualidade, e que a sua própria grande massa seja cultural, intelectual e profissionalmente de muito grande qualidade.
      Não estamos mais nem na 1ª nem na 2ª revoluções industriais, não é mais a altura de uma mão de obra proletária mal ou pouco qualificada ou de dirigentes mentalmente ao nível dos bailinhos das colectividades de cultura popular e de recreio. Desde há décadas que atravessamos sucessivas revoluções científicas e técnicas. Portanto ou se acompanha a passada acelerada, ou se fica ultrapassado.
      Realmente dirigentes do nível do Dr Álvaro Cunhal fazem muita falta!

      Armando Cerqueira

      • Miguel diz:

        É melhor parar por aqui, pois a sua ignorância em relação ao PCP actual excede os limites possíveis.
        Tente usar mais o pensamento e menos a abstracção, por favor.

  5. João Pedro diz:

    Aos fiéis de Sócrates:

    Soares dizia: Rejeitamos o socialismo de miséria (que é uma construção ideológica virtual, anticomunista, pois tal é uma contradição nos termos) para entrarmos, pela mão do centrão, na miséria da moderna social-democracia, esse subproduto do Imperialismo.
    E não me irritem, sff.

  6. A foto em destaque é antes de mais uma homenagem aos fotógrafos que cobriam o XIX Congresso, pois aquele momento não terá durado mais de 10 segundos. Pelo que louvores aos fotógrafos pela sua rápida capacidade de resposta. (Em Português, infelizmente não existe um derivado do grego kydos, mas que em Inglês existe como ‘kudos’. Era o que eu gostava de dar aos fotógrafos, cudos).
    Nesta desconversa das ‘cassetes’ queria ainda fazer notar duas coisas:
    1) a cassete dos que invocam a cassete.
    2) a necessidade de actualizar o apodo da cassete por outro mais actual. As novas gerações nunca viram uma K7 de audio ou video. De duas uma, ou o uso de ‘cassete’ é para reforçar a sua antiguidade, e então podiam até falar nos cartões perfurados. Ou então, que usem algo que as novas gerações podem reconhecer, um CD, DVD, MP3, MP4.

  7. Cristóvão diz:

    Tiago, por acaso eu fui um dos que publicou essa imagem no Facebook. Curiosamente, ou não, também fui um dos que votou no PCP nas quatro (ou cinco, já não me lembro, excepto nas últimas presidenciais em que optei pelo branco) eleições ocorridas desde os meus dezoito anos. O que está em causa não é a veracidade dos previsões do Partido de há dez ou vinte anos, mas a sua presente capacidade de responder aos problemas actuais. Fi-lo porque quem critica não tem necessariamente de querer o mal do que é criticado, muito pelo contrário: acredito que do PCP há-de vir algo de muito melhor que nos permita sair desta chafurdeira. E, sinceramente, não acredito que isto ocorra enquanto se continuar a repetir incessantemente «o pacto de agressão» ou «uma política patriótica e de esquerda».

    • Jorge diz:

      Cristóvão

      Prefere que se use o termo ” programa de assistência financeira”?
      Prefere a política de submissão ao capital da direita?
      Entao ?qual é a sua alternativa?

      O que nao concorda nas teses e declaracoes políticas do Congresso?
      Argumente , contra-argumente, proponha , sugira, critique.

      Falta fazer isso tudo.

    • A.Silva diz:

      Como designar um acordo firmado entre PS/PSD/CDS+UE/BCE/FMI que tem como objectivo roubar os portugueses e leva-los mais ao país para a miséria?

      Podiamos chamar-lhe “acordo de filhos da puta”, “arranjinho de ladrões”, “saque a Portugal”, ou até “arranjinho de sacanas”, por isso admitamos que denomina-lo por “Pacto de agressão” até nem está mal.

      Agora criticar a utilização dessa expressão e nada dizer sobre quem repete até à exaustão expressões como; “Programa de Assistência Financeira”, esta sim, uma cassete repetida até à exaustão para que ingénuos e desatentos continuem de forma acéfala a dar qualquer tipo de credebilidade aos biltres que nos agridem.

      Aliás o discurso da direita hoje em dia (PS incluido) é alguma coisa mais que cassete?

  8. Jorge diz:

    Armando Cerqueira

    Algumas notas (poucas)

    A primeira para registar que está velho ou porventura cansado ( sem ofensa)
    A segunda para registar a sua arrogância pouco de esquerda e democrática ao considerar outros de burros velhos e antiquados.
    A terceira para lhe dizer que a sua biografia recomendada para estudar o marxismo é escassa e nao muito erudita.
    As suas observações pretensamente aristocráticas e de desdém pela “gentalha” sao típicas do “intelectual” burguês que nao entende nem nunca entendeu a lógica das coisas formada pela estrutura capitalista.

    O PCP nao sei se alguma vez percebeu é o partido da classe operaria e tem como regra de ouro manter nos seus órgãos dirigentes uma maioria de membros oriundos do operariado.
    Os chamados intelectuais que se julgam acima da patuleia, negam a ação revolucionária como mecanismo único de transformação da realidade objetiva, permanecem no teorismo, na devoção e fascínio pelas teorias exóticas que afirmam a teoria e não a prática como força motriz da história. Negando o caráter revolucionário da ação histórica dos trabalhadores na transformação da sociedade capitalista, por caminhos diversos, controversos, mas não adversos, os intelectuais burgueses coadjuvam o projeto político e histórico implantado neste país .

    O estudo dos textos nao dispensa o estudo da vida. A teoria surge da pratica e vale para a pratica. Um marxista-leninista nao pode opor os textos às realidades. O PCP nao rejeita o papel revolucionário e de vanguarda da classe operaria substituindo -o pelo papel de vanguarda dos intelectuais e da pequena-burguesia urbana.

    A natureza é a comprovação da dialética, e devemos dizer que nada há de definitivo, de absoluto, de sagrado para a filosofia dialética. Ela mostra a caducidade de todas as coisas e para ela nada mais existe senão o processo ininterrupto do surgir e do perecer, da ascensão sem fim do inferior para o superior, de que ela própria não é senão o simples reflexo no cérebro humano pensante. O modo de produção da vida material condiciona o processo da vida social, política e intelectual, em geral. A luta de classe é o motor dos acontecimentos. O que domina a sociedade capitalista é a produção de mercadorias. (…) Acelerando a substituição dos operários por máquinas e criando a riqueza num pólo e a miséria no outro, a acumulação do capital gera assim o chamado “exército de reserva do trabalho”, o “excedente relativo” de operários ou “superpopulação capitalista”. Marx conclui pela transformação inevitável da sociedade capitalista em sociedade socialista a partir única e exclusivamente da lei econômica do movimento da sociedade moderna. A socialização do trabalho (…) eis a principal base material para o advento inelutável do socialismo. O motor intelectual e moral, o agente físico desta transformação, é o proletariado, educado pelo próprio capitalismo. (LENIN)

    A análise recente da realidade mundial, agora sob a influência decisiva e anacrônica da ideologia neoliberal, confirma a profundidade científica da obras de Marx e Lenin.

    Por fim e citando Alvaro Cunhal ” A expressao que se tornou usual na boca dos militantes, traduz a participação e a contribuição constante dos colectivos, a busca constante da opinião, da iniciativa, da actividade e da criatividade de todos e cada um, a convergência das ideias, dos esforços, do trabalho das organizações e militantes no resultado comum.”

    Nao estando assim o PCP dependente de “intelectuais iluminados”
    Por fim gostaria de citar Gramsci.
    Na sua introdução, ao Materialismo histórico e à filosofia de Benedetto Croce, Gramsci desmistifica que o intelectual, por motivos quaisquer que sejam, seja o único capaz de “saber”.
    “É preciso destruir o julgamento de que a filosofia é algo sumamente difícil por ser a atividade intelectual própria de uma determinada categoria de cientistas especializados ou de filósofos profissionais e sistemáticos. É preciso, portanto, demonstrar que todos os homens são filóso“fos”, e definir os limites e as características desta “filosofia espontânea” própria de todos, isto é, a filosofia que nela está contida” (Gramsci, 1981: 15).

    Passe bem

    • Pedro Marques diz:

      Oh Jorge és um acérrimo comunista, tal como eu, mas é curioso que escrevas com uma ortografia criada e apoiada pelo NaziFascista do Cavaco Silva. E pensa lá bem no caminho que a língua está a levar com esta história do acordo ortográfico e vê bem o que é que o Brasil fez agora ao acordo, e mais unificou alguma coisa? O progresso surge através de imposições, e com a maioria dos parceres dos técnicos contra!

  9. Jorge diz:

    Grande fotografia.Eis a prova de que o PCP nao usa cassete.

    Jerónimo Sousa nao estava a falar? estava
    A cassete estava metida ? nao

    Entao qual é a duvida?

  10. Nuno Cardoso da Silva diz:

    O meu problema com o PCP é que tenho esta desconfortável impressão de que as suas férreas certezas ideológicas os levariam rapidamente para a intolerância face aos que pensam de outra maneira. Não se pode ter tanta certeza quanto às próprias ideias sem se concluir que os outros, os que não pensam como eles, ou são desonestos ou são agentes infiltrados do capitalismo, cúmplices objectivos de todas as malevolências. E o tratamento que se reserva para tal gente não é suave. Por isso os partidos comunistas que detiveram o poder acabaram todos por recorrer às polícias políticas, à prisão dos contraditores, aos campos de reeducação. Não estou convencido de que o PCP não seguiria por essa via se alguma vez detivesse o poder.

    • Leo diz:

      “Por isso os partidos comunistas que detiveram o poder acabaram todos por recorrer às polícias políticas, à prisão dos contraditores, aos campos de reeducação.” ????

      Todos? Pode-me esclarecer sobre os nome da polícia política e dos campos de reeducação por exemplo de Chipre e Cuba?

    • Miguel diz:

      «…é que tenho esta desconfortável impressão de que as suas férreas certezas ideológicas os levariam rapidamente para a intolerância face aos que pensam de outra maneira.»

      Tem a impressão? Portanto, está-se a basear em abstracções que vêm da sua própria imaginação, não é assim?
      Quando você diz que «acha uma coisa» faz lembrar a maneira de alguns brasileiros nas telenovelas, quando dizem que «acham qualquer coisa», como «eu acho que o PCP vai fazê muito mau ao povo português, né?» «Cara, só porque eu vi aqueles regimes do leste usarem de violência descarada, o PCP vai sê assim, é assim ou não?»

      • Nuno Cardoso da Silva diz:

        Para não ter de se responder ao fundo da questão, brinca-se com a forma. Mas isso não resolve nada. A experiência histórica mostra-nos que todos os fundamentalismos – políticos, culturais ou religiosos – geram intolerância e violência. E o facto é que o PCP é uma expressão de um fundamentalismo político e ideológico, que não admite desvios ou diferenças de interpretação. Quando se tem a certeza absoluta de que se possui a verdade, toda a verdade, e a via para a salvação – das almas ou dos corpos – a tendência é para destruir quem se atravesse no caminho. Ayatolahs são ayatolahs, qualquer que seja a cor do seu turbante. Enquanto o PCP não evoluir para uma postura de verdadeira tolerância da heterodoxia, e se convença de que, na melhor das hipóteses, só detém uma parte da verdade, toda e qualquer colaboração com ele é um risco que talvez não deva ser corrido. Uma boa dose de humildade é o que o PCP necessita, mas desconfio que isso não esteja no horizonte…

        • Leo diz:

          Constato que não é capaz de indicar os nomes da polícia política e dos campos de reeducação nem de Cuba nem de Chipre. Pela simples razão de que nem em Cuba nem em Chipre há polícia política e campos de reeducação, certo?

          Em contrapartida eu posso indicar-lhe o nome de vários campos de concentração norte-americanos e se precisar de várias polícias políticas ocidentais. Mas creio que não precisa…

        • De diz:

          Eis o busilis da argumentação do sr prof.
          “Um risco a não ser corrido.”
          O sr prof prefere arredondar a biqueira e lançar outros candidatos mais consentâneos com o seu livre pensar.Lembro-me todavia de uma candidatura que patrocinou ( com toda a legitimidade diga-se) que se assemelhava mais ao que o sr prof disse do que ele diz agora sobre outrém.
          O que resta disto tudo?Um quadro um pouco feio do retrato do sr prof.
          Que pode ficar a possuir a sua verdade ( o que é isso?) e a buscar a via de salvação.Mais a procura incessante da boa dose da humildade que precisa.Mais algumas coisas mais que agora não vêm ao caso.
          (Por exemplo a fuga à questão do Carlos).
          Era bom todavia deixar de lado as tretas e lenga-lengas tão ao gosto de alguns personagens queirozianos , sobre a necessidade de união das esquerdas. Poupava paleio baratucho e deixava de parecer um hipócrita.

          • Nuno Cardoso da Silva diz:

            O meu apoio ao PCTP/MRPP e às candidaturas de Garcia Pereira resultaram da necessidade de gerar dinâmicas radicais na vida política portuguesa. Mas quer o PCTP quer Garcia Pereira nunca ignoraram as minhas opções doutrinárias nem as minhas origens, e nunca tentaram pôr entraves à livre expressão das minhas ideias. Bem sabiam o que eu pensava do marxismo-leninismo, e isso não os incomodou. O que o De parece não querer perceber é que não são as opções ideológicas do PCP que me incomodam, são as suas mais do que prováveis práticas. Para o PCP só há duas categorias de pessoas: os militantes do PCP e os inimigos. Às vezes finge-se colaborar com algum sub-grupo destes últimos, mas apenas por razões tácticas. Quando se trata de exercer o poder só o partido, os seus militantes, a sua ideologia, as suas políticas são admissíveis. Os outros ou se conformam ou são postos à margem – e essa margem pode ter facetas das mais diversas… Defendo sim uma união das esquerdas, mas isso pressupõe que o PCP aceita as regras desse jogo. Ou seja, abdica de impor as suas alternativas, desde que os valores fundamentais estejam salvaguardados. E não aceita fazer o que o partido comunista grego fez na Grécia, que foi entregar o poder à ND para impedir que a Syriza pudesse formar governo. Conheço razoavelmente bem algumas figuras de relevo no PCP, que muito aprecio, mas ainda não vi a disponibilidade do PCP para tratar os seus hipotéticos aliados como iguais. Ora nos dias de hoje não há a menor possibilidade do PCP crescer ao ponto de poder ser, sozinho, alternativa de poder. Assim, ou aprende a colaborar honestamente com outras forças de esquerda, ou vai ser o aliado objectivo da direita. É esse o problema.

          • Jorge diz:

            Olhe que não! Olhe que não!

          • Leo diz:

            “E não aceita fazer o que o partido comunista grego fez na Grécia, que foi entregar o poder à ND para impedir que a Syriza pudesse formar governo.” ???

            Decididamente endoidou e descarrega a má-fé e desonestidade intelectual agora no valente e coerente KKE.

          • De diz:

            Uma pena, mas o que está escrito está escrito.A sua mudança de discurso que do fundamentalismo de uns se converteu agora em respeito pelas “opções doutrinárias de acordo com as suas convicções pessoais” de outros,tem o valor que tem.
            As lamúrias e as conclusões que tira só a si lhe dizem respeito.Parece um menino mimado a queixar-se que os outros não o deixam brincar, socorrendo-se até de “mais do que prováveis práticas”,de esconjuros futuros sobre o exercício do poder ( isso é a sério?) ou até de postulados possíveis de “questões gregas” como pretexto para.
            Daí que à hipocrisia se poderá juntar o sublinhado da falta de interesse da parte do Nuno em fazer congregar forças para enfrentar o monstro.E daí que,ao querer excluir uma força tão importante deste combate, com base nas premissas respeitáveis mas tristemente confirmadoras dos interesses pessoais do dito prof. , poderemos concluir que o aliado objectivo das forças de direita é quem acusa outros de o serem.Ou seja o sr prof.
            Claro que sempre se poderá dizer que o sr prof está mais interessado em “gerar dinâmicas radicais na vida política portuguesa” feito candidato ao que quer que seja ( e legitimamente) do que em contribuir para uma luta comum.
            Mas se é uma opção que se respeita,ao menos que tenha a coragem de assumir que a sua luta é uma “outra luta”.
            Ponto final

        • Miguel diz:

          Cure-se desses seus estereótipos em relação ao Partido Comunista Português. As expressões que usa, como fundamentalismo e «ayatolahs» são uma abstracção que resulta da sua imaginação, dado não compreender aquilo que é o Partido Comunista Português, porque não está minimamente interessado em pensar e compreender o que é o Partido. Ora, as abstracções são o campo mais fácil para fazer análises políticas, mas como dizia (e muito bem) Victor Hugo, na sua obra “Os Miseráveis”, «O pensamento é o labor e a abstracção a voluptuosidade de inteligência. Substituir uma coisa por outra é confundir um veneno com um alimento.»

  11. Miguel diz:

    Os estereótipos do Sr. Nuno Cardoso da Silva:

    «Para o PCP só há duas categorias de pessoas: os militantes do PCP e os inimigos.»

    «Quando se trata de exercer o poder só o partido, os seus militantes, a sua ideologia, as suas políticas são admissíveis.»

    «E o facto é que o PCP é uma expressão de um fundamentalismo político e ideológico, que não admite desvios ou diferenças de interpretação.»

    «Ayatolahs são ayatolahs, qualquer que seja a cor do seu turbante. »

    De facto, é melhor o Sr. Nuno Cardoso da Silva não entrar no hotel Vitória, pois irá topar com um Ayatolah a servir café e outro a na loja dos livros. Se um simpatizante entrar na loja dos livro para comprar o «Avante!» pode levar com um sapato, expressão mais profunda do ódio do PCP contra quem é seu inimigo.

    Por último, aos Nunos Cardosos da Silva que existem por este país, o submundo dos paranóicos e dos doidos é amplo. Há que ver que têm um mundo próprio, lá por dentro habitado por tanta e tanta gente.

    • Nuno Cardoso da Silva diz:

      Não estava naturalmente à espera que concordassem comigo, mas tinha uma vaga esperança de que compreendessem as razões pelas quais há muito – na esquerda – quem hesite em colaborar com o PCP. Duvido que haja no PCP quem alguma vez admita que o PCP pode não ter razão nalguma questão de política, ou que pessoas que não perfilham da sua linha ideológica possam alguma vez ter razão. Os militantes do PCP com quem me tenho cruzado – e não são poucos – estão sempre tão certos de ter razão que nunca é possível debater com eles sobre nada. Porque nunca admitem que os seus interlocutores possam ter razão. Nunca cedem em nada. Nunca se esforçam por alcançar consensos que permitam uma cooperação. No dia em que um militante do PCP me diga “tens razão, não tinha pensado nisso”, cairei redondo, com um ataque cardíaco…

      • De diz:

        Cairá redondo?
        Não sei.Mas se tivesse um espelho e um pouco de autocrítica perceberia a figura que faz.E talvez reparasse em coisas mais sérias que as lutas umbilicais que o atravessam.
        Esse argumento precioso com que se lançou em campanhas para”gerar dinâmicas radicais na vida política portuguesa” argamassa-se muito bem com estes seus credos com que tenta justificar-se.Um discurso ideológico que revela a incoerência patética de um ex qualquer coisa.E que apenas se consegue sustentar com este”paleio”feito de “esteriótipos”, como o Miguel o qualifica e em que o denominador comum é o que é.
        O que sobra é esse seu exercício triste.

        Como disse atrás:”a sua luta é uma outra luta”

  12. Miguel diz:

    Mais estereótipos de comunistas, da autoria de uma «ave rara» chamada Nuno Cardoso da Silva:

    «Os militantes do PCP… estão sempre tão certos de ter razão que nunca é possível debater com eles sobre nada. »

    «Porque nunca admitem que os seus interlocutores possam ter razão. »

    «Nunca cedem em nada. Nunca se esforçam por alcançar consensos que permitam uma cooperação. »

    Por estranho que pareça, não acrescentou estas outras reunidas entre os seus próximos, filiados em partidos como o PSD, o PP e até o PS: «Exigem de mais do ser humano»; «São nocivos à saúde pública»; «Não são de esquerda».

    Parabéns, Sr. Nuno Cardoso da Silva, pois com esta lista de estereótipos (que se deve principalmente à sua preguiça em não querer compreender e pensar os comunistas portugueses de perto), pode agora pedir a filiação no PSD e quiçá aparecer na televisão, com outros novos argumentos contra os comunistas. Até pode dizer que conhece alguns que se vestem de “Frankenstein” ou de “Drácula” durante a noite, para assustar as meninas e os velhinhos…

    …«esses comunistas indecentes !»

    • Nuno Cardoso da Silva diz:

      Negar não é rebater. Admitamos que as minhas apreciações dos militantes do PCP estão erradas. Nesse caso apresente exemplos que contrariem essas minhas percepções. O Miguel acha que eu não tenho razão, mas não diz porquê. Fica-se por umas rábulas infantis e sugere que eu me filie no PSD… A que propósito é que isto aparece na discussão, não diz. A não ser que esteja a sugerir que quem não concorda com o PCP só pode ser do PSD… O que só serve para confirmar a minha percepção do que se passa na mente dos militantes do PCP… Mas vamos esperar pelas próximas eleições – que poderão estar mais próximas do que se pensa – para ver se o PCP é capaz de colaborar numa ampla coligação das esquerdas que permita derrubar os governos de direita. Ou se vai fazer uma jogada à KKE e entregar de novo o poder ao PS ou ao PSD…

      • De diz:

        Com o devido respeito…mete algum nojo esta rábula de perpétuo movimento e de constante intriga.
        E nem se veda quando tenta condicionar dessa forma ridícula o futuro próximo.Alguém que faz a demarcação como a que nuno silva faz, face a um partido que é essencial a um projecto de luta comum, vem agora assumir o ar cândido de ingénuo e tentar levantar de novo a bandeira que deixara cair há pouco?Já “esquecido” da sua afirmação quanto ao” um risco que talvez não deva ser corrido”?Enrolado no babar incoerente com que tenta justificar a vitória do PSD e do PP nas eleições e na sua afirmação sobre o entregar-lhes DE NOVO o poder”
        Passa das marcas.Uma espécie de viúva socrática ainda a remoer a política neoliberal dos PECs apoiados pela mesma direita que tomou o poder? E a fingir o quê?Que não sabe o que é a política de direita ou entretido a”gerar dinâmicas radicais na vida política portuguesa” ?
        Falta de memória ou algo mais?

      • Duarte diz:

        Sair do anticomunismo permitira aos progressistas pensar de forma consequente a ruptura revolucionária indispensável para triunfar.

        Reflicta sobre isto. Depois falamos.

  13. Miguel diz:

    Falta-lhe a experiência e a vontade de trabalhar com o PCP, mas para isso é necessário libertar-se dessas amarras que o prendem à abstracção e à preguiça, onde se encontra neste momento. Esse lodo é o motivo que o leva a desgostar do PCP, como se do fascismo se tratasse. Acredite que o melhor dos comunistas portugueses não se descreve, mas conquista-se. A experiência comunista (mesmo a actual) leva-o a uma emancipação e a uma evolução nunca antes realizada.
    Será por causa disso tudo que os comunistas riem-se e não lhe respondem às provocações?
    No entanto, posso estar errado e pensar que o seu ódio aos comunistas ainda se transformará em amor e daí espero que isso lhe sirva de aprendizagem.

    • Nuno Cardoso da Silva diz:

      Miguel, eu respondo-lhe a si – e não aos seus companheiros mais estridentes – porque acho que, ao contrário deles, tem condições para perceber o que estou a dizer. Primeiro, não sou nem contra o comunismo como ideal nem contra os comunistas como tal. Mas não posso deixar de considerar que um partido que tem a certeza absoluta de ser o detentor de toda a razão e de toda a verdade não está preparado para colaborar honestamente com outros partidos e movimentos de esquerda, porque isso seria, a seus olhos, colaborar com o erro. Por definição, e porque a verdade é detida apenas pelo PCP, todos os que não estão no PCP estarão a elaborar em erro. Logo não se pode colaborar com eles. Veja que isto não é uma posição política racional. É um mecanismo de reacção tipo religioso. Que faz com que xiitas odeiem e matem sunitas, e levou a que, durante séculos, católicos odiassem e matassem protestantes e vice-versa. Há quem diga, e eu estou de acordo, que governar é procurar consensos. E qualquer consenso exige cedências. A mim não me parece que os militantes do PCP estejam psicologicamente preparados para fazer cedências, pelo que nunca contribuirão para a realização de consensos. Logo só aceitarão colaborar com quem esteja disposto a fazer todas as cedências às posições do PCP, sem que este tenha de fazer uma qualquer cedência. Esta intransigência – e vamos ver, nas próximas eleições, se eu tenho ou não tenho razão – impede qualquer união contra a direita e inviabilizará a criação de uma maioria alternativa à direita. Os comunistas do PCP desenvolveram ao longo de décadas de luta um síndroma do martírio, que os leva a preferir ficar sozinhos e serem perseguidos, a colaborarem, em pé de igualdade, com outras forças de esquerda. Acusam Salazar de tudo e mais alguma coisa, mas adoptaram o seu “orgulhosamente sós”, sem perceberem que isso significa estarem “estupidamente sós”, condenando-os à ineficácia e, eventualmente, ao desaparecimento. E ajudando a condenar o resto dos portugueses a ficarem sujeitos a governos de direita cada vez mais intoleráveis. Veja, Miguel, que em tudo isto eu não disse uma palavra sobre os ideais e soluções preferidas pelo PCP. Porque não é isso que está em causa. O que está em causa é a vossa atitude e a vossa estratégia. Continuem a chamar-me os nomes que quiserem, mas não conseguirão nunca explicar essa vossa estratégia.

  14. Duarte diz:

    Nuno Cardoso Silva fala, fala e repete repete estereótipos e preconceitos sem dizer nada.
    Vamos entao se quiser entendermos-nos.
    O que se deveria o PCP fazer na situação actual e o que esta a fazer mal?

  15. Miguel diz:

    Quem é que lhe disse que o PCP «tem a certeza absoluta de ser o detentor de toda a razão e de toda a verdade»?
    Logo a seguir, diz o seguinte: «É um mecanismo de reacção tipo religioso. Que faz com que xiitas odeiem e matem sunitas, e levou a que, durante séculos, católicos odiassem e matassem protestantes e vice-versa.» Não acha isto um exagero?
    Porque é que está a meter a religião no meio do PCP? Não percebo.
    Considerações deste tipo, levam ao sentido de humor dos comunistas e, nesse aspecto, o Nuno acabará perdido. É que só este exemplo é tão ridículo que nada tem a ver com aquilo que estamos a tratar.
    Continua com mais afirmações abstractas como «Os comunistas do PCP desenvolveram ao longo de décadas de luta um síndroma do martírio, que os leva a preferir ficar sozinhos e serem perseguidos, a colaborarem, em pé de igualdade, com outras forças de esquerda. »
    Tem a certeza desta afirmação? Leu sobre isto? Tem documentos que o comprovem? Escreveu alguma tese de mestrado sobre este facto? Está absolutamente convencido que tem a razão?
    Por último, vem a hecatombe (ou a total desgraça): «Acusam Salazar de tudo e mais alguma coisa, mas adoptaram o seu “orgulhosamente sós”, sem perceberem que isso significa estarem “estupidamente sós”,…»

    Nuno, não seja confuso e abstracto. Tente seguir uma linha de raciocínio que não seja nem ridícula, nem exagerada, mas concreta. Os comunistas entendem-no quando vêem que transmite um discurso de senso comum e construtivo. Se optar por esta linha de exagero e confusão de palavras, o mais provável é ficar sozinho.

    • Armando Cerqueira diz:

      Nuno,
      isto já não é uma ‘cassette’, mas um DVD…

    • Nuno Cardoso da Silva diz:

      Se o PCP admite que forças políticas exteriores ao PCP possam dar um contributo positivo à reflexão política e à definição de estratégias de combate, será possível dar-me um exemplo concreto dessa postura? Consegue dar-me um exemplo de uma tomada de posição deste tipo que o PCP tenha reconhecido ser melhor ou mais eficaz do que aquelas que o próprio partido assumia? É que eu duvido que tal tenha alguma vez ocorrido. É por causa desta certeza evangélica que o PCP tem relativamente à sua ideologia e à sua estratégia, que eu vos comparei a grupos religiosos.

      Quanto ao “síndroma do martírio”, não é verdade que o PCP atira à cara dos que não são seus militantes, as prisões, a tortura, o sacrifício abnegado dos seus militantes na era do Estado Novo? Não é verdade que consideram esse vosso passado de sacrifício e perseguição como um argumento a favor da vossa razão? Como se atrevem os que não foram torturados a pôr em causa a verdade dos que o foram? Eu não sei se fazem isto de forma consciente, mas não duvido que o fazem.

      Exagerei no “orgulhosamente sós”? Mas com quem tem o PCP cooperado? Reconheço que essa cooperação existiu na Câmara Municipal de Lisboa, com o PS, mas não sei se esse exemplo é suficiente, uma vez que se não repetiu – não necessariamente com o PS – à escala nacional. Nem a coligação com o minúsculo Partido Os Verdes pode ser vista senão como uma maneira de reduzir, junto de algum eleitorado, o impacto negativo da sigla PCP. No dia em que o PCP se reunir com o BE – e talvez com o MAS e o PCTP/MRPP – para preparar uma coligação eleitoral das esquerdas, eu irei acreditar que o PCP estará disposto a procurar os tais consensos de que já falei. Enquanto isso não acontecer terei de considerar que a minha analogia com o “orgulhosamente sós” é válida.

      Posso estar em erro, mas parece-me que o PCP só acha que lhe interessaria governar, num cenário revolucionário ou pós-revolucionário, em que fosse possível introduzir em bloco todo o programa do PCP. Mas se essa situação não ocorrer teremos de considerar os 10% representados pelo PCP como totalmente inúteis. Não chegam para governar mas chegam para impedir que se governe à esquerda. Como é que se propõem sair de aqui?…

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