Tudo parado na privatização dos Infantários da Segurança Social

O Governo começou por decidir a privatização de mais de 20 Infantários que estavam sob a gestão directa da Segurança Social. Abriu concurso, com Caderno de Encargos específico, e decidiu os vencedores: Misericórdias, Cruz Vermelha, outras IPSS’s e por aí fora.
Num caminho repleto de avanços e recuos, decidiu que todos os funcionários seriam despedidos, para depois voltar atrás e aceitar que a maioria ficasse. O dia 1 de Setembro seria o primeiro dia da nova gestão.
Mais de 3 meses depois, não se passa nada. Por uma qualquer razão misteriosa, as IPSS’s vencedoras no concurso de privatização decidiram não tomar conta das instituições a cuja gestão concorreram. A Segurança Social deixou de receber dos pais e estes deixaram de pagar, mas como ninguém apareceu para cobrar, caiu-se no vazio. Voltou então a Segurança Social a emitir os recibos dos meses em atraso e os pais a terem de pagar várias mensalidades seguidas. E as Directoras das instituições, que já tinham sido encaminhadas para outros sítios, voltaram ao activo.
Ao que parece, é assim em todo o país, mas o caso do Centro Infantil de Valbom é paradigmático. A Cruz Vermelha de Matosinhos, dirigida pela Juíza Joana Salinas, ganhou o concurso de privatização. Nos primeiros dias de Setembro, apareceram por lá, numa delegação coordenada pela própria Presidente, ameaçaram e humilharam os funcionários em entrevistas pessoais que visavam incutir o medo em todos eles, e foram-se embora. Não voltaram até hoje. Especula-se que se arrependeram, talvez depois de abanarem a árvore das patacas e verem que, afinal, dali não cairia grande coisa. Pergunta-se então por que razão concorreram, visto que tiveram acesso a todos os dados importantes, mas se calhar já percebemos qual é a resposta.
E assim vamos, cantando e rindo, como se nada se estivesse a passar. Enquanto o pau vai e vem, folgam as costas, é o que todos pensam no Centro Infantil de Valbom. Por mim, pode tudo continuar como está. Melhor não podia estar.
E os tipos que mandam na Segurança Social, os tais que nem uma privatização conseguem fazer, nada a dizer sobre este assunto?

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