E agora Oscar?

Combatente de mil combates, Lucas parece ter buscado o repouso do guerreiro. Contempla o mundo e lembra. Homens como ele, porém, talhados na luta, não sossegam nem quando querem descansar. Carregam na alma a história vivida, a memória marcada. E sabem que têm a responsabilidade daqueles que acatam a velha lição: qualquer coisa que diga respeito ao ser humano diz respeito a mim – na contracapa do livro “e agora?” de Oscar Niemeyer (S. Paulo, Paz e Terra, 2003)

Pude assistir a uma das raras conferências de Oscar Niemeyer na Europa, em 1994 ou 1995, na Faculdade de Arquitectura de Lisboa. Oscar contava a sua arquitectura de uma forma simples, sambada e despretensiosa. Para este aluno que debutava na faculdade, à época compulsivamente mergulhado em bibliografias sobre gestaltismos, morfologismos e significações, a conversa de Oscar terá sido dos primeiros momentos em que vi abrirem-se as portas da arquitectura como uma profissão que trata dos problemas concretos das pessoas.
Com Oscar aprendi a paixão. Uma paixão que não serve de pretexto para declarar um falso matrimónio que nos aprisiona a uma profissão, mas uma paixão pelo mundo, pelas pessoas e, há que escrevê-lo como ele o dizia, pelas mulheres. Uso e abuso deste ensinamento desde então.
Anos mais tarde esteve anunciada a sua presença na Festa do Avante, para a homenagem que o PCP lhe entendeu prestar, mas o seu pânico de voar não o fez embarcar.
Durante os próximos dias, muito se escreverá sobre a sua obra. Deixo-vos com as suas palavras, com a sua voz e com os seus desenhos.

P.S. – também no site da tvi24

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