Israel Nuclear

A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução, com 174 votoa a favor, 6 abstenções, e 6 votos contra (EUA, Canadá, Israel, Ilhas Marshall, Micronésia e Palau) apelando a Israel para assumir o seu programa nuclear, permitir inspecções e apoiar o Tratado de Não-Proliferação Nuclear. Israel tem sistematicamente recusado confirmar ou negar possuir bombas nucleares.

Mordechai Vanunu, técnico nuclear Israelita, acusou Israel de possuir armas nuclear. Foi drogado e capturado por agentes da Mossad em 1986, transportado para Israel, onde foi condenado num tribunal secreto, e preso durante 18 anos, 11 dos quais em solitária. Libertado em 2004, seus movimentos e discurso tem sido controlado de perto, e foi preso já várias outras vezes por violações às restrições da sua libertação condicional, por ter falado com jornalistas sobre o programa nuclear de Israel.

Sobre André Levy

Sou bolseiro de pós-doutoramento em Biologia Evolutiva na Unidade de Investigação em Eco-Etologia do Instituto Superior de Psicologia Aplicada, em Lisboa
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17 respostas a Israel Nuclear

  1. LGF Lizard diz:

    Mais um que finge não ouvir os discursos do presidente iraniano. O que ele deseja é bem explícito. Aliás, não é só ele.
    Enquanto a extrema-esquerda não assumir que os adversários de Israel desejam o seu aniquilamento e o extermínio dos seus cidadãos, nunca irão perceber o problema existente no Médio Oriente.
    O conflito não é por terras ou por petróleo, mas sim pela sobrevivência.
    Curioso é o facto de Israel não ameaçar varrer ninguém do mapa (apesar de ter armas nucleares) e aqueles que as procuram afirmarem que irão varrer Israel do mapa.

    • Eu não finjo desconhecer os discursos do presidente do Irão. Conheço-os até relativamente bem, em particular os mais controversos, ao ponto de estar a par da problemática das suas traduções do Persa. Ahmadinejad nunca afirmou querer “varrer Israel do mapa”, embora algumas más traduções do persa assim o tenham expresso. Segundo tradutores do Persa mais imparciais, o sentido das suas afirmações tem sido o de que Israel enquanto Estado Judaico tem os dias contados, não por acção militar externa, mas em virtude da insustentabilidade enquanto Estado Judaico, dadas as contradições e conflitualidade gerada. Embora oficialmente também não me recordo de nenhum responsável do Estado de Israel querer “varrer alguém do mapa”, ainda recentemente Gilad Sharon, o filho de Ariel Sharon, ex-primeiro ministro que se encontra em coma há vários anos, usou essa mesma expressão em relação aos Palestinos. A afirmação “varrer Israel do mapa” já se tem ouvido, é certo, incluindo por responsáveis oficiais de estados árabes, pese embora esse tipo de retórica já seja rara por parte de responsáveis oficiais.
      É compreensível que Israel se sinta ameaçado, e vele pela sua segurança, como qualquer país. É extremado crer-se que os adversários desejam e laboram para o seu aniquilamento. O cenário de o Irão bombardear Israel com armas nucleares merece pouco credibilidade. Primeiro, porque o Irão não tem armas nucleares (ao contrário de Israel) e segundo os inspectores do IAEA o Irão não tem capacidade de as produzir, nem há evidências que tenham essa pretensão. Segundo, porque tal acção seria suicida. Caso Irão o fizesse, haveria resposta proporcional não só de Israel como dos EUA (e outros países da NATO, provavelmente). O detente, ou MAD (Mutual Assured Destruction), funcionou entre os EUA e a URSS, entre o Paquistão e a Índia. Pelo que, caso o Irão tivesse armas nucleares, não é credível que as viesse a usar.

      • Zuruspa diz:

        Mas é credível que Israel as use contra ao Irão, se o Irão não as tiver.
        Assim diz o Netaniau e outros membros do governo israelita.
        Pois.

        • Eu até nem acho que Israel efectivamente venha a usar armas nucleares num primeiro assalto (por oposição a resposta a ataque). Já o mesmo não é verdade relativamente a armas químicas: Israel ainda no recente ataque sobre a Faixa de Gaza usou fósforo branco. Mas há probabilidade de Israel atacar “preventivamente” o Irão, em particular tentando bombardear as instalações nucleares, que são do seu programa de energia nuclear civil, mas Israel acusa de poderem ser usadas para produção de armas. As ameaças de fazê-lo são abundantes, e Israel já o fez uma vez no passado.

      • M.D. diz:

        Como muito bem disse:

        “O cenário de o Irão bombardear Israel com armas nucleares merece pouco credibilidade. (…) Segundo, porque tal acção seria suicida. Caso Irão o fizesse, haveria resposta proporcional não só de Israel como dos EUA (…).”

        Para tal é necessário que Israel tenha essas mesmas armas nucleares!

        Agora, a ingenuidade com que se acredita que o Irão não tem um programa nuclear militar, é assustadora…

        Faz lembrar na 1ª Guerra do Iraque em que Israel foi logo bombardeado pelo misseis iraquianos depois da resposta da coligação.

        • MD, com todo o respeito, ingenuidade é achar que Israel não tem armas nucleares. Pelos visto acha que Mordechai Vanunu preferiu passar tempo na prisão e voltar à prisão por conta de uma falsidade. Ele não é o único a afirmar a existência de armas nucleares Israelitas. Mas claro, tal nunca foi assumido oficialmente.
          Acha ingénuo pensar que o Irão não tem um programa nuclear militar? Bom, eu cá guio-me pelo IEAE, pela falta de evidências nesse sentido (só existem receios e suspeitas), pela fatwa proibindo a produção e uso de armas nucleares, emitida em 2005, pelo Ayatollah Khamenei, Líder Supremo do Irão. Claro que podem haver quem tenha essa ambição num futuro qualquer. As ameaças ao Irão também não facilitam as decisões a esse respeito. Mas que não há evidências de tal programa existir agora é claro.
          Menciona a 1ª guerra do Iraque, mas não foram bombas nucleares pois não. Nunca afirmei que Israel não é alvo de ataques militares. Seria fantasioso da minha parte. Sei perfeitamente que obuses são frequentemente lançados sobre Israel e os colonatos. Mas o Iraque atacou Israel, como bem refere, em resposta ao ataque da coligação. Falando de guerras do Iraque, lembro a campanha de falsificação, que antecedeu a recente invasão e colonização do Iraque, sobre a a existência de armas de destruição massiva. A clara manipulação de informação nessa instância deve merecer da nossa parte um pouco de espírito crítico face a novas acusações de existência de programas de produção de armas de destruição massiva, agora no Irão.

          • A.Silva diz:

            “Falando de guerras do Iraque, lembro a campanha de falsificação, que antecedeu a recente invasão e colonização do Iraque, sobre a a existência de armas de destruição massiva. A clara manipulação de informação nessa instância deve merecer da nossa parte um pouco de espírito crítico face a novas acusações de existência de programas de produção de armas de destruição massiva, agora no Irão.”

            Este exemplo seria suficiente para que qualquer pessoa sensata, avisada e de bem reflectisse duas vezes antes de repetir as mentiras propagadas pelos EUA e Israel, mas parece que há quem não aprenda ou então esteja conscientemente do lado dos criminosos.

          • M.D. diz:

            Caro André,

            1 – Não me fiz entender. Não tenho a menor dúvida que Israel tenha armas núcleares. Quando escrevi “Para tal é necessário que Israel tenha essas mesmas armas nucleares!” significa isso mesmo, que o cenário do Irão atacar nuclearmente Israel ser remoto precisamente porque toda a gente sabe que Israel tem armas núcleares e responderia proporcionalmente.

            2 – “Mas o Iraque atacou Israel, como bem refere, em resposta ao ataque da coligação.” Desculpe?!?!?! De repente esqueceu o ataque e invasão do Kuweit que originou a 1ª guerra do Iraque???

            3 – “Falando de guerras do Iraque, lembro a campanha de falsificação, que antecedeu a recente invasão e colonização do Iraque, sobre a a existência de armas de destruição massiva (ADM).” Não encontrar não significa não existir. Esta discussão seria longa, mas está mais do que provado que o Iraque tinha ADM. Usou-as no seu próprio povo (Curdos), por exemplo. Não é por acaso que andou anos a jogar ao gato e ao rato com os observadores das UN. Que foi bem jogado por parte deles, isso foi!

          • Caro MD. Ponto 1 esclarecido. Ponto 2, não esqueci não. A ocupação do Kuwait levou à resposta ocidental, primeiro com sanções e depois militarmente. E foi no seguimento desta resposta militar, que o Iraque alvejou Israel. Penso que isto reflecte a ordem de eventos, sem quaisquer juízos.
            Ponto 3. Não coloquei em dúvida que o Iraque teve a dado momento armas de destruição massiva, em particular antes da 1ª Guerra. Mas já não as teria na escalada para a 2ª guerra. E foi nessa altura que houve a campanha de falsificação. No seu discurso nas Nações Unidas, Colin Powell apresentou supostas evidências de ADM que os serviços de inteligência sabiam não serem verdadeiras, e outras sabiam não ser robustas. Recorde-se da suposta compra dos “tubos de alumínio”, que o embaixador Joseph Wilson verificou ser falsa, e que a Administração Bush não sou ignorou as evidências contra essa compra, como quebrou a lei revelando o nome de uma sua agente secreta, Valerie Plame. Recorde-se dos vários cientistas e membros dos serviços militares Iraquianos que confirmaram o que os inspectores da IAEA já diziam, que os programas de ADM haviam sido desfeitos após a 1ª invasão do Iraque. É claro que houve uma consciente campanha de falsificação da existência de tais armas para sensibilizar a população dos EUA a apoiar a invasão, e que incluiu uma pretensa ligação entre o Iraque e a al-Qaeda. Diz que “Não encontrar não significa não existir.” Isso recorda a frase de Donald Rumsfeld, então Secretário da Defesa de Bush: “Bom, o que estou a dizer é que existem coisas conhecidas que conhecemos e existem coisas desconhecidas que conhecemos. Mas também existem coisas desconhecidas que desconhecemos; coisas que não sabemos que não sabemos.” [Well, what I’m saying is that there are known knowns and that there are known unknowns. But there are also unknown unknowns; things we don’t know that we don’t know.] Um exemplo de lógica inatacável. Mas acha mesmo que após este tempo todo de ocupação do Iraque pelos EUA que se houvesse evidências de ADMs aquando da 2ª guerra estas não teriam vindo a lume?

          • De diz:

            Já não serve, de facto já não serve a “historia” macabra das armas de destruição maciça como justificação para.
            Tal “história” constitui nos dias de hoje o exemplo mais macabro da selvajaria do Império e da ausência de escrúpulos por quem quer dominar o mundo e saquear as suas riquezas.A face hedionda e armada dos “mercados” em toda a sua sinistra extensão.
            De facto os crimes têm que ser denunciados e os responsáveis punidos, sob pena de nos assumirmos como Pilatos ou de nos tornarmos cúmplices.

            US Sponsored Genocide Against Iraq 1990-2012. Killed 3.3 Million, Including 750,000 Children
            Statement by Professor Francis Boyle, Kuala Lumpur War Crimes Tribunal

            Approximately 3.3 million Iraqis, including 750,000 children, were “exterminated” by economic sanctions and/or illegal wars conducted by the U.S. and Great Britain between 1990 and 2012, an eminent international legal authority says.
            The slaughter fits the classic definition of Genocide Convention Article II of, “Deliberately inflicting on the group conditions of life calculated to bring about its physical destruction in whole or in part,” says Francis Boyle, professor of international law at the University of Illinois, Champaign, and who in 1991 filed a class-action complaint with the UN against President George H.W. Bush
            The U.S. and U.K. “obstinately insisted” that their sanctions remain in place until after the “illegal” Gulf War II aggression perpetrated by President George W. Bush and UK’s Tony Blair in March, 2003, “not with a view to easing the over decade-long suffering of the Iraqi people and children” but “to better facilitate the U.S./U.K. unsupervised looting and plundering of the Iraqi economy and oil fields in violation of the international laws of war as well as to the grave detriment of the Iraqi people,” Boyle said.

            http://www.globalresearch.ca/us-sponsored-genocide-against-iraq-1990-2012-killed-3-3-million-including-750000-children/5314461

          • De diz:

            “Food and Agricultural Organization’s Report estimated that by 1995 the sanctions had killed 560,000 Iraqi children during the previous five years”

            Lembram-se quando a secretária de Estado dos EUA, Madeleine Albright foi entrevistada pela CBS-TV em 12 de maio de 1996, e, em resposta a uma pergunta por Leslie Stahl, se o preço de meio milhão de crianças mortas tinha valido a pena, a referida governante dos EUA respondeu: “we (the U.S. government) think the price is worth it.”

            Em 1996! Aterradora esta resposta.Mas o pior ainda estava para vir

        • De diz:

          “Para tal é necessário que Israel tenha essas mesmas armas nucleares!”
          Só mesmo a brincar.Ou a fingir que se brinca para ver se pega

          Um link insuspeito, a vulgaríssima e insuspeita Wikipedia:
          http://es.wikipedia.org/wiki/Armas_nucleares_de_Israel.

          É confrangedor alguém questionar a existência de armas nucleares em Israel.Tem todavia uma vantagem.Permite ver de que ponto e até que ponto a discussão está inquinada e enviesada.

          Outro artigo recente que confirma por outro lado a colaboração estreita entre a Alemanha e o estado de Israel:
          http://esquerda.net/artigo/alemanha-ajuda-israel-equipar-submarinos-com-armas-nucleares/23426
          O original está noutra tenebrosa revista de esquerda,o Der Spiegel
          Der Spiegel que ” has been accused by some academics of harboring a pro-Israel bias.”

      • De diz:

        A propósito dos propósitos de Israel, das vassouras e dos mapas:
        http://4.bp.blogspot.com/-UmVcVNvK6Ho/UKfY9fTAqHI/AAAAAAAALq4/EeXJkHzQ0hU/s400/Palestina.jpg

        Um escândalo?Isso e muito mais.Crime e tentativa de genocídio.
        Esta imagem vale mais do que não sei quantos discursos hipócritas e cúmplices

    • De diz:

      Mas há outra ideia que importa desmistificar de forma clara. A questão da dita luta pela sobrevivência,do perigo de aniquilação
      Voltemos a 1967:
      “the Israelis tried to sell their preemptive war as a response to an attack by the Egyptian Air Force, and when the world saw this for the total fabrication it was, they launched an intense propaganda campaign to convince the world in general and its protector and financial supporter, the United States in particular, that once again the Arabs attacked Israel and that Israel was in danger of annihilation. The undisputed facts are that it was Israel that preemptively attacked Egypt and destroyed virtually the whole Egyptian Air Force while it was still on the ground, and Israel was never in danger of extermination at any time. Egypt, which had a third of its armed forces in Yemen at the time, was never in a position to threaten Israel’s security. Both Yitzak Rabin and Begin admitted publicly that Israel knew Nasser was not planning an attack. Rabin, quoted in Le Monde in 1968 said that, “I do not think Nasser wanted war. The two divisions he sent to the Sinai in May (in a show of support for the Syrians who were under threat and attack by the Israelis) would not have been sufficient to launch an offensive against Israel. He knew it and we knew it.” In a speech in August of 1968, Begin was quoted in the New York Times as saying, “In June 1967, we again had a choice, the Egyptian army concentrations in the Sinai did not prove that Nasser was really about to attack us. We must be honest with ourselves. We decided to attack him.” Also, in 1972 Ha’aretz quoted General Matityahu Peled, who played a major role in developing strategies for the Israeli conquest, as saying, “The thesis that the danger of genocide was hanging over us in June of 1967 and that Israel was fighting for its physical existence was only a bluff, which was born and developed after the war.” Israeli Air Force General Ezer Weizmann openly declared that, “There never was any danger of extermination.”, and Mordecai Bentov, a former Israeli cabinet minister, stated in an interview in the paper Al Hamishar also in 1972 that, “All this story about the danger of extermination has been a complete invention and has been blown up a posteriori to justify the annexation of new Arab territories.”:…
      Not only it was a war of aggression planned long before to complete the conquest of Palestine, but under the fog of war Israel carried out another round of ethnic cleansing, expelling about 250,000 civilians from their houses in the West Bank and the Golan Heights.

      One by one those myths have been debunked and we are left with a rather simple truth: a colonial aggressive state bent on expansion and the creation of a Jewish lebensraum in Palestine (and perhaps beyond) through the expulsion of the natives.”

      Mas há muito mais.Antes de 1967.E depois de 1967

    • notrivia diz:

      Não sou religioso nem nacionalista. Por acaso até abomino tais mentalidades, mas pergunto-me porque será que não se vê isto
      http://www.youtube.com/watch?v=vA7yz2vciGk
      e outras, nos mainstream media?

      Deve ser pra dar espaço para comentadores como tu, certamente.

  2. Pedro Correia diz:

    Deixo um documentário da bbc sobre as armas nucleares israelitas e sobre Vanunu.
    Legendado em português

    Vale a pena ver para se perceber a hipocrisia que existe no mundo!

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