Comei vós brioches senhores!

“Governo atribui quebra de passageiros nos transportes públicos ao aumento da fraude”

No fundo, no fundo, este Governo de gente honesta tem um amplo apoio social que só é atrapalhado por meia dúzia de “profissionais da desordem”. Chegará o dia em que nos recomendam comer brioches. Por vezes nesse dia também se guilhotinam cabeças, consoante a disposição dos visados, uma vez que na história há muita paciência para a miséria mas limites claros para a humilhação.

Desconhecia (as minhas desculpas) que há já em marcha um movimento pelo boicote ao pagamento de transportes públicos, cujo cartaz aqui deixo. Trata-se, parece-me (desconheço os detalhes do movimento) uma forma de devolução do roubo que é feito através dos impostos e da política de desemprego, mas não se percebe porque estes movimentos não se organizam com os trabalhadores dos transportes em defesa dos direitos deles e do apoio ao boicote da parte deles. Exemplos históricos não faltam.

Entre 5 e 9 de Julho de 1968, em plena ditadura!, 7.500 trabalhadores da Carris, transportes urbanos de Lisboa, entram em greve, recusando-se a cobrar os bilhetes, naquela que ficará conhecida como a greve da mala. Dia 15 de Maio de 1974, já depois do 25 de Abril, dá-se a suspensão da cobrança de bilhetes pelos trabalhadores da Empresa de Viação Gaspar, exigindo aumentos salariais, regalias sociais e outras reivindicações. Em Maio de 1975 começa em Lisboa uma luta popular contra o aumento do preço dos transportes que inclui o boicote ao pagamento. Lá fora, entre 1955 e 1956, o boicote aos transportes nos EUA durou um ano, contra a segregação racial. Venceram.

 

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