Partir a luta. Dividir para reinar

A divisão entre os chamados “movimentos sociais” (como se um sindicato não fosse um movimento social…) e a central sindical CGTP-IN (a UGT, como central sindical deixou de existir por obra e graça de João Proença) é decisiva para o poder. Pacheco Pereira notou – e bem – que quando estes dois rios confluírem as margens transbordarão. Ou seja, como refere o Paulo Raimundo devemos  – os comunistas e todas os que querem, de facto, assumir uma atitude revolucionária e transformadora da sociedade – colocar “todas as nossas forças na intensificação e convergência da luta de massas, com todos os desenvolvimentos e expressões que ela possa assumir“.
É com receio que os rios confluam que, imediatamente no dia 14 de Novembro, Miguel Macedo deu um abraço de urso à CGTP-IN, enviando a famosa declaração de culpa aos “profissionais da desordem” – à mesma hora que se efectuavam prisões de militantes da JCP e do BE.
Da parte do poder assistiremos nos próximos tempos, de uma forma continuada e por todas as vias, à valorização pública da luta organizada pelos sindicatos, ainda que contemporaneamente vão constituindo sindicalistas como arguidos compulsivamente e ainda que continuem a facilitar o seu despedimento e isolamento nos locais de trabalho. O abraço do urso é, apenas, uma fase temporária do braço de ferro que será travado com os sindicatos e para partir a espinha à luta dos trabalhadores.

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

8 Responses to Partir a luta. Dividir para reinar

Os comentários estão fechados.