You’ll never walk alone

A referência no Memorando da troika ao quadro legal que rege o trabalho portuário não fazia prever nada de bom.
No nosso país está a ser testado um modelo pioneiro, que possa vir a ser replicado numa Europa de portos privados em que a vida humana seja um bem menor, fazendo regressar o quadro laboral de um trabalho especializado e de alto risco aos tempos da “praça de jorna” – em que os trabalhadores aguardavam nas praças das cidades que um capataz os escolhesse para uma jornada de trabalho.
O governo começou pelos estivadores.
A iniciativa legislativa promovida pela troika nacional – PSD, CDS e PS – acaba com a carteira profissional e a contratação colectiva, ou seja, não só abre portas ao despedimento de centenas de estivadores, como contribui para o aumento dos riscos associados ao seu trabalho.
A resposta que os trabalhadores portuários têm dado tem sido excepcional. As greves às horas extraordinárias têm-se multiplicado em diferentes sectores – estivadores, administração portuária, pilotos de barra – envolvendo sindicatos independentes, afectos à CGTP-IN e à UGT e contando com a solidariedade de colegas dos portos pela Europa fora. Aliás, é a solidariedade internacional que tem vindo a travar a ameaça de requisição civil. Se o governo optar por esta via, militarizando os portos nacionais, sabe que arrisca um bloqueio europeu às mercadorias provenientes de Portugal.
Mas esta luta não é apenas dos trabalhadores portuários. Imagine um país em que o médico é substituído por um estivador, um condutor de pesados por um arquitecto, um bombeiro por um cozinheiro.
Tem a certeza que isto não lhe diz respeito?

Ontem, no i

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