O euro e as colónias por Pedro Lains

É impressão minha ou em breve o euro vai ser declarado pela extrema-direita portuguesa como um desígnio nacional? E, na sequência, todos os que se manifestarem serão tidos como antipatriotas, por porem em perigo o destino da Nação. O que, aliás, justificará também uns tabefes aqui e ali. Se assim for, será uma grande ironia do destino. Mas quem se adapta aos tempos a mais não é obrigado e a gente tem de o reconhecer. E passar ao lado, para ligar às coisas mesmo importantes e recordar que tudo, mesmo tudo, é negociável, reversível e melhorável. Como as colónias o mostraram, aliás.

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26 Responses to O euro e as colónias por Pedro Lains

  1. Pascoal diz:

    Aos poucos vamos descobrindo que o €uro e a sua “arquitectura” não foram um erro mas sim uma filha-de-putice.

  2. xatoo diz:

    com o Dolar a sossobrar no virar do ano 2000, o Euro foi criado como moeda de refúgio para os especuladores. Foi o próprio Soros que o admitiu
    Quanto ao Lains ainda é mais espectacular, conseguiu escrever uma “História Económica de Portugal” surripiando do livro sete séculos de influência árabe. Estamos afogados em trafulhas, é a única conclusão académica séria que podemos retirar do ganir desta pleiade de intrujões

    • Zuruspa diz:

      Ou näo, caro xatoo.
      O Euro atingiu o mínimo histórico em 2000 (0,8 USD), e nos 8 anos seguintes foi só subir, até chegar aos 1,6 USD em 2008, mesmo sem se ter abdicado dos Estados (mais ou menos) Sociais.
      Näo foi meramente por especulaçäo, foi porque o modelo neoliberal implementado nos EUA por Bush furou e meteu água por todos os lados, fazendo “perigar”, näo só a posiçäo dos EUA no Mundo, mas a validade do neoliberalismo.
      O ataque especulativo veio dessa altura, com a crise das hipotecas declarada nos EUA, com a falência daquele país no horizonte. Algo havia de fazer para näo acontecer em 2008 aos EUA o que aconteceu à URSS em 1991.
      Aí sim o sr. Soros e amigos entraram em grande, atacando os países que contam 1% para o PIB da Zona Euro, mas fazendo um grande escarcéu. Como se por exemplo a Califórnia que conta para… 20%? do PIB dos EUA näo estivesse já falida há 5 anos (e assim continua).

      Daí para a frente… foi o ajoelhar da Europa relativamente aos facínoras do Moody’s e Fitch e o raio que os parta, os tais que no dia anterior à falência do Lehman Bros. lhe davam notaçäo de AAA (e mais AAAAAAAA se houvesse).
      Mas aí a culpa maior já nem é dos especuladores, mas sim dos líderes europeus, que mostraram falta de espinha e de tomates… e dos seus eleitores, que ao verem a marosca continuaram a votar neles!!! SIM, näo foi só no Tugal!

  3. Diogo diz:

    O Euro não tem culpa nenhuma.

    Talvez a explicação seja esta:

    Paulo Morais, professor universitário – Correio da Manhã – 6/11/2012

    Os aumentos de impostos que nos martirizam e destroem a economia têm como maiores beneficiários os agiotas que contrataram empréstimos com o estado português. Todos os anos, quase dez por cento do orçamento, mais de sete mil milhões de euros, destina-se a pagar juros de dívida pública.

    Ainda no tempo de Sócrates, e para alimentar as suas megalomanias, o estado financiava-se a taxas usurárias de seis e sete por cento. A banca nacional e internacional beneficiava desse mecanismo perverso que consistia em os bancos se financiarem junto do Banco Central Europeu (BCE) a um ou dois por cento para depois emprestarem ao estado português a seis.

    Foi este sistema que levou as finanças à bancarrota e obrigou à intervenção externa, com assinatura do acordo com a troika, composta pelo BCE, FMI e União Europeia. […] Mas o que o estado então assinou foi um verdadeiro contrato de vassalagem que apenas garantia austeridade. Assim, assegurou-se a continuidade dos negócios agiotas com a dívida, à custa de cortes na saúde, na educação e nos apoios sociais.

    […] A chegada de Passos Coelho ao poder não rompeu com esse paradigma. Nem por sombras. O governo optou por nem sequer renegociar os empréstimos agiotas anteriormente contratados; e continua a negociar nova dívida a juros incomportáveis.

    Os políticos fizeram juras de amor aos bancos, mas os juros pagámo-los nós bem caro, pela via dum orçamento de estado que está, primordialmente, ao serviço dos verdadeiros senhores feudais da actualidade, os banqueiros.”

    […] “Estas situações de favorecimento ao sector financeiro só são possíveis porque os banqueiros dominam a vida política em Portugal. É da banca privada que saem muitos dos destacados políticos, ministros e deputados. E é também nos bancos que se asilam muitos ex-políticos.” […]

    […] “Com estas artimanhas, os banqueiros dominam a vida política, garantem cumplicidade de governos, neutralizam a regulação. Têm o caminho livre para sugar os parcos recursos que restam. Já não são banqueiros, parecem gangsters, ou seja, banksters.”

    • Zuruspa diz:

      Pois exactamente. O Euro, por si só, é o menos culpado.

      Porque isto passar-se-ia, letra por letra, se tívessemos o escudo, o real, o pataco, ou o sestércio!

  4. rg diz:

    O Miguel Serras Pereira e o João Valente Aguiar já deram o toque anticomunista necessário.

  5. rg diz:

    O Miguel Serras Pereira e o João Valente Aguiar já deram o toque anticomunista que faz sempre falta, a propósito da defesa do euro.

    • miguel serras pereira diz:

      O João Valente Aguiar e o Miguel Serras Pereira – entre outros – não defendem o euro coisa nenhuma. Entendem que a luta em defesa dos direitos dos trabalhadores e da enorme maioria dos cidadãos portugueses – bem como por essa democratização radical das relações de produção e poder que uma “terra sem amos”, “sem césares e sem tribunos”, pressupõe – deve ser travada para além do quadro nacional, rompendo as fronteiras do Estado-nação e da sua soberania, e ao lado dos trabalhadores e da enorme maioria dos cidadãos europeus. Entendem também que a “nacionalização” das lutas em termos do reforço da soberania de cada Estado da zona euro e da UE é um beco sem saída – ou, pior, uma via que abre caminho à balcanização, à militarização e a soluções de tipo fascista, seja qual for a cor de que se pintem. É este entendimento comum – que, de resto, o JVA formularia provavelmente noutros termos, mantendo-o, todavia, no essencial – que ambos e outros partilham e tem pautado as suas intervenções sobre a questão.

      msp

    • miguel serras pereira diz:

      rg

      O João Valente Aguiar e o Miguel Serras Pereira – entre outros – não defendem o euro coisa nenhuma. O que entendem é que a luta em defesa dos direitos dos trabalhadores e da enorme maioria dos cidadãos portugueses – bem como por essa democratização radical das relações de produção e poder que uma “terra sem amos”, “sem césares e sem tribunos”, pressupõe – deve ser travada para além do quadro nacional, rompendo as fronteiras do Estado-nação e da sua soberania, e ao lado dos trabalhadores e da enorme maioria dos cidadãos europeus. Entendem também que a “nacionalização” das lutas em termos do reforço da soberania de cada Estado da zona euro e da UE é um beco sem saída – ou, pior, uma via que abre caminho à balcanização, à militarização e a soluções de tipo fascista, seja qual for a cor de que se pintem. É este entendimento comum – que, de resto, o JVA formularia provavelmente noutros termos, mantendo-o, todavia, no essencial – que ambos e outros partilham e tem pautado as suas intervenções sobre a questão.

      msp

    • João Valente Aguiar diz:

      O “argumento” de rg não é inocente e reproduz taxativamente o que alguns têm utilizado de forma persistente: a saber, que eu (e outras pessoas como o Miguel Serras Pereira, entre outros) estaria(mos) a favor do euro, logo estaria(mos) a favor do governo. E, assim, o pensamento binário e mecânico vai fazendo escola e assim preferem não debater. Assim, para os rg’s é mais fácil: se os gajos A ou B são contra a saída do euro, logo são a favor do euro, logo são a favor do governo, logo nem seria necessário debater os argumentos deles porque eles estariam do outro lado da barricada. Eu gostava de ter esta leveza de raciocínio…
      Entretanto, rg e companhia querem regressar à lógica aristotélica… Só lhes posso desejar bom proveito.

      • rg diz:

        JVA,

        Se não é a favor do euro, nem contra, como é que se posiciona perante a política monetária europeia, não me responda “bloquisticamente”* que é preciso mudar essa política, pela simples razão que é uma contradição esperar que alguém que beneficía com essa política não vai abdicar dos seus benefícios.

        * quer dizer, assumir que somos incapazes de resolver o nosso problema e que é preciso sensibilizar a europa dominante para a miséria do sul, como se algum dia, penso irracionalmente eu, esses países (e aí incluo a classe dominante e os próprios trabalhadores) fossem abdicar de parte do seu ganho para nos matar a fome.

  6. De diz:

    CD says:
    18 de Novembro de 2012 at 16:37
    “Uma barbaridade que vem dos tempos do Tratado de Maastricht. O plano vem de longe e os carrascos que o caucionaram em nome de povo português, continuam, passados 20 anos no poder.

    “Calcula-se que os Estados europeus vêm pagando à banca privada uns 350 mil milhões de euros por ano a título de juros desde que deixaram de ser financiados pelos seus antigos bancos centrais e depois pelo Banco Central Europeu (Jacques Holbecq e Philippe Derudder, ‘La dette publique, une affaire rentable: A qui profite le système?’ , Ed. Yves Michel, Pari´s, 2009).

  7. Jorge diz:

    DISCURSO DE ALVARO CUNHAL em Fevereiro de 1994

    Acompanhando as ofensivas antidemocráticas nestas quatro vertentes, o governo de Cavaco Silva e o PSD sacrificam e submetem os interesses Portugueses a interesses estrangeiros a troco de fundos da CEE que em grande parte são desviados dos seus declarados objectivos e metidos ao bolso de novos e velhos milionários, mas que apesar disso cobrem temporariamente carências graves e criam também temporariamente uma sensação de desafogo económico e financeiro.

    Cavaco Silva, o Governo, o PSD anunciaram que como resultado da acção do Governo, Portugal era o «oásis» da Europa, um país de «sucesso» em pleno desenvolvimento lançado como uma lebre no encalço da tartaruga da Europa.

    A realidade é a progressiva destruição do aparelho produtivo (na agricultura, na indústria, nas pescas), a crise e a recessão económica geral. Sacrificam-se, comprometem-se e entregam-se ao capital estrangeiro empresas e sectores básicos estratégicos e recursos e potencialidades materiais e humanas. Agrava-se a dívida do Estado. Agrava-se a balança externa. Aumenta o distanciamento em relação aos países mais desenvolvidos em vez da «coesão económica» tantas vezes apresentada como objectivo em vias de ser atingido. São cada vez mais graves as limitações à independência e soberania nacionais pela aceitação servil, seguidista e capitulacionista do Tratado de Maastricht e da imposição a Portugal pelos países mais desenvolvidos de decisões supranacionais contrárias a interesses vitais Portugueses.

    A continuar. no poder Cavaco Silva e o governo de direita, Portugal corre o risco não só de ver substituída a democracia política por um regime autoritário de cariz ditatorial, mas também de um dia não muito distante, quando diminuir, como é inevitável e está previsto, o fluxo de fundos da CEE, ser mergulhado numa crise profunda de carências alimentares, energéticas, técnicas e tecnológicas para superar as quais uma solução será então extremamente difícil na situação que está a ser criada.

    A politica do governo do PSD de destruição das conquistas e valores democráticos da revolução de Abril é uma política que destrói recursos e potencialidades que vêm do passado, que provoca uma penosa crise no presente e que faz pesar sobre Portugal gravíssimas ameaças para o futuro.

    Interessante nao?

  8. rg diz:

    “Entendem que a luta em defesa dos direitos dos trabalhadores e da enorme maioria dos cidadãos portugueses (..) deve ser travada para além do quadro nacional, rompendo as fronteiras do Estado-nação e da sua soberania, e ao lado dos trabalhadores e da enorme maioria dos cidadãos europeus.”

    Isto seria assim, se a realidade não fosse, por exemplo, os trabalhadores do norte, pela acção da sua oligarquia dominante, serem beneficiários do empobrecimento dos trabalhadores dos países do sul. Só isto, faz toda a diferença e por essa razão a luta dos trabalhadores é também a defesa no seu quadrado, ignorar isto, ou considerará-lo insultuosamente irracional, apenas faz com que não haja defesa pelos trabalhadores dos seus direitos, agora é asó ver a quem melhor a inação aproveita.

    • miguel serras pereira diz:

      rg,
      depreendo que os trabalhadores dos países a que se refere fazem parte da oligarquia dominante, que a oligarquia dominante dos países “avançados” defende os direitos dos seus trabalhadores, que os trabalhadores dos países periféricos devem bater-se tanto contra a oligarquia dominante como contra os trabalhadores dos países do “centro”. E, portanto, que, bem vistas as coisas, “quanto pior, melhor”; quanto mais degradadas forem as condições de existência dos trabalhadores, mais próximos estes estarão do socialismo.
      Percebi bem, não percebi?

      • De diz:

        Percebeu bem mal.
        À primeira perdoa-se.À segunda não.
        O texto era sobre “o euro e as colónias”.Serras pereira quis colocar aí em cima os seus princípios programáticos. E não só
        Agora parece que se perdeu mais uma vez na interpretação dos texto.Com a agravante que aldraba o escrito por outrém.Desta forma mesquinha e a rondar a boçalidade
        Não, o tema não é a eleição por voto directo e universal do barroso de ocasião.
        Sorry

        • miguel serras pereira diz:

          De

          não deturpo coisa nenhuma, nem tenho os seus hábitos de “sobreinterpretação”. O comentador rg escreve preto no branco: “(…) se a realidade não fosse, por exemplo, os trabalhadores do norte, pela acção da sua oligarquia dominante, serem beneficiários do empobrecimento dos trabalhadores dos países do sul.”.
          Se você concorda ou não com rg, é problema seu. Passe bem.

          • De diz:

            Serras Pereira:
            Donde parte para a seguinte conclusão:
            “E, portanto, que, bem vistas as coisas, “quanto pior, melhor”; quanto mais degradadas forem as condições de existência dos trabalhadores, mais próximos estes estarão do socialismo”

            Isto, sobretudo isto é que não é admissível.

      • rg diz:

        “depreendo que os trabalhadores dos países a que se refere fazem parte da oligarquia dominante”

        “depreende mal, os trabalhadores dos paises do norte não fazem parte da oligarquia dominante” pois também nesses países ha uma relação conflituante entre quem produz e quem detém os meios de produção.
        Agora é um facto que esses mesmos trabalhadores beneficiam (legitimamente) das más condições de vida do sul, principalmente através da politica monetária do BCE que, quer se queira quer não, é a do banco central alemão. E pese embora o “irracionalismo” da doutrina, entendo que a luta e defesa dos trabalhadores passe pela afirmação e recuperação de instrumentos de suberania como o são a moeda e eventualmente outros, como por obstáculos à livre circulação de mercadorias e de capitais, a par do incremento da produção nacional.

        • miguel serras pereira diz:

          rg
          os instrumentos de soberania que V. refere nunca estiveram nas mãos dos trabalhadores e da grande maioria dos cidadãos. A “soberania” desse ponto de vista seria o exercício do poder pelo conjunto dos primeiros e dos segundos, e deixaria de caber no colete de forças classista do Estado-nação. É, ao mesmo tempo, um objectivo menos difícil, apesar de tudo, de obter através de um “levantamento democrático dos povos da Europa”, que ignore e combata activamente as fronteiras nacionais, do que pela via ilusória do soberanismo e de uma “independência nacional” que não passa de uma palavra de ordem vazia de conteúdo dadas as raízes transnacionais da dominação classista que sofremos. Tão vazia como seria a proposta de assegurarmos hoje a transição para uma sociedade sem classes generalizando a condição de pequenos proprietários “iguais” ao conjunto dos cidadãos em vez de lhes garantir ou, melhor, de os incitar a garantirem-se a disposição e o governo colectivamente exercidos dos meios de produção.

          msp

          • rg diz:

            MSP,

            É evidente que os instrumentos de soberania a que me referi “nunca estiveram nas mãos dos trabalhadores e da grande maioria dos cidadãos” por essa mesma razão desejam uma revolução que inverta a relação de forças entre produtores e detentores das forças produtivas.
            “do que pela via ilusória do soberanismo e de uma “independência nacional” isso é tudo muito interessante, mas se prestar atenção à história constatará que todos os movimentos libertadores tiveram uma base de suberanismo e de independência nacional, veja a resposta à crise de 1383/85, a independência dos EU, a acção da resistência francesa durante a 2.ª guerra, os movimentos libertadores de inspiração Bolivarniana e a própria libertação dos povos africanos.
            um “levantamento democrático dos povos da Europa”, que ignore e combata activamente as fronteiras nacionais, é o que pretensamente fazem os países do eixo franco-alemão através de, por exemplo, o euro, pelo que não resta aos produtores que não seja a defesa do seu território enquanto espaço para o exercício da sua soberania.

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  10. Zuruspa diz:

    Agora vou mandar gasolina para o fogo…
    Ai o famigerado Euro, raíz de todos os problemas.
    A sério? Será mesmo?

    Facto: Foi o Euro que permitiu que as taxas de juro para os periféricos descessem ao nível das da Alemanha.
    Facto: o Euro conseguiu passar de 0,8 USD a 1,6 USD (o dobro, sim) em 8 anos (2000-2008), sem abdicar dos Estados Sociais dos seus componentes
    Facto: A banca privada empresta à taxa que quer. O objectivo da banca privada é o máximo lucro.
    Facto: os Estados näo säo obrigados a pedir crédito.

    A banca privada só fez o que tinha a fazer. Alguém obrigou desde o Cavaco ao Socras a fazer as PPPs ruinosas e a desbaratar fundos públicos? Foi a banca privada que efectivamente reduziu os impostos cobrados, especialmente aos mais ricos, aumentando défices orçamentais contínuos?

    Os Estados puseram-se a jeito. É só. Agora culpam o Euro. Pois eu vejo que sem o Euro isto era capaz de estar ainda pior, porque antes do Euro näo vi aparecer nenhuma sensatez nem superavites nas contas públicas. Nem antes, nem depois, foi sempre mais do mesmo. Os sucessivos governos em despesismo incontrolado em grandes obras públicas 1) desnecessárias 2) a preços 10 vezes superiores ao normal 3) adjudicadas para empresas dos amigos que tiveram gordas rendas (perpétuas). Obras públicas efectivamente necessárias ficaram por fazer, e agora que näo há cheta nunca o seräo.
    E sempre a dar benesses aos grandes grupos económicos, incluindo, claro, a banca privada. Mas também a grande distribuiçäo beneficiou, enfim, todos os “peixes gordos”.

    Podeis pegar é numa coisa: näo deveria era ser possível, dentro de uma moeda que se quer única, que haja destrinça entre dívidas nacionais. É única, é única. O que a banca privada näo deveria poder fazer é emprestar a 7% à Grécia (em vez dos 2% à Alemanha) porque há mais risco, e depois que a Grécia seja obrigada a pagar *tudo*… näo, a Grécia deve pagar os tais juros de 2%, mas o resto… a banca privada que assuma o risco! E se vai à falência, olha, fossem mais espertos! E é nesta regra, e näo no Euro na sua totalidade, que reside o problema.

    O Euro, mesmo tendo no seu seio as contas públicas sul-europeias, estava a chegar aos 2 dólares. 1 escudo = 1 dólar, já imaginaram alguma vez que seria possível? As implicaçöes psicológicas a nível mundial? Pois, seria a ruína total do dólar, que na realidade só tem valor porque o petróleo näo pode ser vendido noutra moeda. Mas até aí há limites, e chegando a 1 EUR = 2 USD
    Por isso, vindo do nada, de repente, apareceu o ataque especulativo ao Euro, mascarado de “crise das dívidas soberanas”. E crise essa que despoletou o implementar do neoliberalismo na Europa, passo importantíssimo porque apesar de toda a ineficiência dos Estados (mais ou menos) Sociais, a economia europeia estava com melhor saúde que a dos EUA. Matam-se dois coelhos de uma cajadada: 1) valoriza-se o dólar, esquecendo os 14 biliöes USD da sua dívida pública e 2) acaba-se com o Estado Social na Europa, deprimindo-se a economia europeia de tal forma que já näo poderá fazer frente àquela americana.
    Aqui sim, podem dizer que a banca privada (e näo o Euro) foi quem beneficiou com a crise.

    Portanto, rapaziada… a banca privada aproveita-se de quem pede dinheiro, toda a gente sabe disso desde sempre. Por isso, há que pedir crédito só em último caso. Quem se esquece disso é totalmente idiota, e quando a coisa correr mal näo se queixe.

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