COMUNICADO CONJUNTO – “Violenta é a austeridade”

O dia 14 de Novembro foi um dia histórico. Por toda a união europeia e em vários países do mundo realizaram-se greves gerais e protestos nunca antes vistos. Em Portugal, milhares de trabalhadores e trabalhadoras fizeram uma greve geral contra as políticas deste governo e da troika, numa das maiores paralisações registadas. Nesse dia decorreram também várias manifestações com elevada participação.

Repudiamos a carga policial injustificável e indiscriminada que ocorreu nesse dia, sob ordens do Governo. Soubemos de resto que comerciantes da zona tinham sido ainda antes da manifestação avisados pelas autoridades para fechar os seus estabelecimentos, o que nos leva a concluir que independentemente dos acontecimentos, estava prevista uma carga policial.

As forças de segurança feriram mais de 100 pessoas, o pânico que se seguiu podia ter redundado numa tragédia. A própria Amnistia Internacional Portugal já condenou publicamente o uso excessivo de força policial. Na hora que se seguiu, as forças de segurança procederam à detenção de várias dezenas de pessoas, em zonas tão distantes como o Cais do Sodré; algumas nem tinham estado em frente à Assembleia da República. Durante muitas horas, a polícia não revelou a familiares e advogados/as o local em que se encontravam as dezenas de pessoas detidas, nem as deixou falar com elas. Muitas das 21 pessoas que foram levadas para o tribunal criminal de Monsanto foram forçadas, sob ameaça, a assinar formulários que se encontravam em branco. Todos os testemunhos que nos chegam comprovam, tal como a ordem de advogados já salientou, a existência de inúmeras ilegalidades nos processos de detenção.

Exigimos por isso a instauração de um inquérito à actuação das forças de segurança bem como aos termos em que foram efectuadas as detenções e demonstramos a nossa total solidariedade com todas as pessoas detidas e vítimas da repressão na noite de 14 de Novembro.

Estamos perante uma operação política e policial que, a pretexto de incidentes tolerados durante mais de uma hora e transmitidos em directo pelas televisões, pretende pôr em causa o direito de manifestação, criminalizar a contestação social, e fazer esquecer as medidas de austeridade impostas, de extrema violência e que levam à revolta e ao desespero das pessoas. Temos plena consciência que o governo pretende impor a sua política e a da troika, de qualquer forma, inclusive pela repressão política e a liquidação de grande parte das liberdades democráticas. A liberdade está a passar por este combate e, por muito grande que seja a repressão, não vamos assistir em silêncio a um retrocesso histórico de perdas de direitos duramente conquistados.

Recusamos que um dia nacional, europeu e internacional de mobilização histórica contra as políticas de austeridade seja desvalorizado ou esquecido, quer pela comunicação social, quer pelo governo. Somos cada vez mais a contestar este regime de austeridade e não nos calaremos, por isso apelamos à mobilização no dia 27 de Novembro, dia de aprovação do Orçamento do Estado.

Subscritores Colectivos:
ACED, Associação de Combate à Precariedade – Precários Inflexíveis, Attac Portugal, CADPP, Clube Safo, CMA-J Colectivo Mumia Abu-Jamal, Colectivo Revista Rubra, Indignados Lisboa, Marcha Mundial das Mulheres – Portugal, MAS – Movimento de Alternativa Socialista, Movimento Sem Emprego, Panteras Rosas, PCTP/MRPP, Plataforma 15O, RDA69 – Recreativa dos Anjos, Socialismo Revolucionário, SOS Racismo.
Subscritores Individuais:
Adriana Reyes, Alcides Santos, Alex Matos Gomes, Alexandre De Sousa Carvalho, Alexandre Lopes de Castro, Alice da Silveira e Castro, Alípio de Freitas, Ana Benavente, Ana Catarina Pinto, Ana Rajado, Andre Carmo, Ângela Teixeira, Antonio Barata, António Dores, António Mariano, António Serzedelo, Bernardino Aranda, Bruno Goncalves, Carlos Guedes, Carolina Ferreira, Catarina Fernandes, Catarina Frade Moreira, Clara Cuéllar, Cláudia Figueiredo, Daniel Maciel, David Santos, Eduardo Milheiro, Eurico Figueiredo, Fabian Figueiredo, Fernando André Rosa, Francisco d’Oliveira Raposo, Francisco da Silva, Francisco Furtado, Francisco Manuel Miguel Colaço, Gonçalo Romeiro, Guadalupe M. Portelinha, Gui Castro Felga, Helena Romão, Isabel Justino, Ivan Nunes, Joana Albuquerque, Joana Lopes, Joana Ramiro, Joana Saraiva, João A. Grazina, João Baia, João Labrincha, João Pascoal, João Valente Aguiar, João Vasconcelos Costa, Jorge d’Almada, Jorge Fontes, José Luiz Fernandes, José Soeiro, José Nuno Matos, Judite Fernandes, Lidia Fernandes, Lúcilia José Justino, Luís Barata, Luís Júdice, Luis Miranda, Luna Carvalho, Magda Alves, Mamadou Ba, Manuel Monteiro, Manuela Gois, Margarida Duque Vieira, Maria Conceição Peralta, Maria Paula Montez, Mariana Pinho, Marta Teixeira, Martins Coelho, Mizé Isidro, Nuno Bio, Nuno Dias, Nuno Ramos de Almeida, Olimpia Pinto, Paula Gil, Paulo Coimbra, Paulo Jacinto, Pedro Jerónimo, Pedro Páscoa, Pedro Rocha, Raquel Varela, Renato Guedes, Ricardo Castelo Branco, Rita Cruz Neves, Rita Veloso, Rodrigo Rivera, Rui Dinis, Rui Duarte, Rui Faustino, Rui Ruivo, Sandra Vinagre, Sérgio Vitorino, Sofia Gomes, Sofia Rajado, Sónia Sousa Pereira, Teresa Ferraz, Tiago Castelhano, Tiago Mendes, Tiago Mota Saraiva, Tiago Santos, Tiago Silva.

Via Rede14N.

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29 Responses to COMUNICADO CONJUNTO – “Violenta é a austeridade”

  1. Jorge diz:

    “Soubemos de resto que comerciantes da zona tinham sido ainda antes da manifestação avisados pelas autoridades para fechar os seus estabelecimentos, o que nos leva a concluir que independentemente dos acontecimentos, estava prevista uma carga policial.” – O entendimento é vosso, mas dizem-me que vos dê outro. Será que o aviso não era precavendo actos criminosos, de certas pessoas que estariam na manifestação, as quais só pretendem a destruição de propriedade particular, anarquismo, confusão e arranstam nas suas intenções pessoas inocentes. Exemplos: Quem arrancou e arrastou as protecções, quem anancou e atirou pedras da calçada. Vejam o que os trabalhadores que repuseram a calçadas, os sinais, etc no dia seguinte disseram. “Temos o direito de nos manifestar, mas isto que aqui aconteceu não é manifestar, é destruir”. Vocês não são o povo, querem é fazer-se passar por ele.

  2. Rocha diz:

    Eu subscrevo este texto se se lhe acrescentar mais uma frase.

    A propósito do compromisso dos abaixa-assinados, pessoas e organizações de continuar a luta referir também: “A partir de agora assumimos o compromisso de ter tolerância zero com provocadores que atiram pedras à polícia durante mais de uma hora à espera que se inicie uma carga policial”.

    É que essa gente encapuçada a atirar pedras vale tanto como a polícia que actua brutalmente. Essa gente tem tanto sangue nas mãos como a polícia. Aquela cena de provocar gratuitamente a polícia não foi só estúpido, foi criminoso e recorda tácticas fascistas.

    E estou a chamar os bois pelos nomes, não me estou a armar em pacifista, que de resto não sou.

    • Renato Teixeira diz:

      Os subscritores entenderam não cair na armadilha do Macedo e eu acho que não só fizeram bem como esse facto é um dos motivos que faz este comunicado um comunicado forte.

      • mário diz:

        comunicado forte…

        é para rir ?

      • Rocha diz:

        A táctica do Macedo foi levada à prática pelas mãos daqueles que arremessaram pedras gratuitamente à polícia. Dar cobertura a essa gente não só divide os movimentos de protesto como também desmoraliza os manifestantes, desmobiliza-os pelo medo e segue um rumo de suicídio para os protestos.

        Dar cobertura a provocadores de violência gratuita, estúpida e sem objectivo é fazer o jogo do Macedo.

        Esse tipo de acção dos tipos das pedradas recorda os métodos dos Tugaleaks infiltrados pela extrema-direita (pesquisa “Revolução Branca” e vê do que eu estou a falar) e dessa gentinha dita “activista” que fez ataques cibernéticos contra o PCP e arremessou objectos contra uma sede do Bloco de Esquerda.

        De resto o objectivo do Macedo de afastar movimentos mais espontâneos de indignados do movimento sindical parece ter surtido efeito.

        • subcarvalho diz:

          ó rocha, estou contigo.
          esta merda já não vai de pedras.
          pergunta lá aos teus camaradas nas ara como é que faziam no tempo da velha senhora.
          acho um piadão do caraças a este pessoal que, agora que tem o partidozinho no sistema burguês, quer impedir outros de resistirem da forma que consideram mais apropriado.
          vamos também chamar de fascistas às crianças palestinianas que passam os dias a atirar pedras aos ocupantes!

  3. ESCUMALHA! diz:

    Esse comunicado vale tanto quanto valem os seus subscritores… ou seja…. ZERO!!! Como é que podem fazer um comunicado em que apenas acusam/criticam a atuação da policia??? Pergunto eu a policia não foi provocada durante mais que uma hora!!? Não esteve a levar com pedras esse tempo todo?? Não serão eles tambem gente?? não terão tambem eles tambem direito a manter a sua integridade fisica?? Para mim a policia agiu muitissimo bem! Demorou foi demasiado tempo a responder enquanto autenticos vandalos destruiam aquilo que tambem é meu! Aquilo que também ajudei e ajudo a pagar!! Pelo comentário que fizeram estes ditos subscritores são tambem escumalha do País!!!

    • Renato Teixeira diz:

      Veja Escumalha, achar uma hora e meia sobre polícias (de resto preparados e armados para o efeito e ao que parece sem feridos graves), justifica uma carga indiscriminada sobre toda a gente que se manifestava, com as consequências que se viram, é capaz de ser um argumento que conspira contra a sua preocupação humanitária, não lhe parece?

      • ESCUMALHA! diz:

        Sim justifica!!! Sinceramente justifica! A policia teve o bom censo de avisar com bastante tempo de antecedência que iria haver essa dita carga… apenas lá ficou quem quiz! Ou seja, apenas levou pancada quem quiz levar pancada! E digo-lhe mais, a segurança publica não é uma funçao exclusiva das forças de segurança… cada um de nós tem o direito/dever de manter a nossa propria segurança… E agora pergunto eu, se estavam no local milhares de pessoas que apenas pretendiam (e bem) manisfestar-se ordeiramente contra todos os roubos a que temos sido sujeito e se a dita escumalha que arremessou pedras era uma minoria, pergunto pk razão esses milhares de pessoas não fizeram cessar esse arremesso de pedras!? É logico que ao deixar essa função para a policia e depois de vários avisos a policia tinha que intervir de uma forma firme! Se as restantes pessoas não quisessem ser confundidas por esses marginais, depois dos avisos da policia, so tinham que cercar esses marginais para que podessem ser detidos/identificados ou então afastar-se do local… E já agora não me venha com essa tretas de que os policias estavam preparados e armados para o efeito, pk eles estavam lá apenas para cumprir as suas funções, tambem eles ficaram feridos (cerca de 30, dois dos quais tiveram que assistir assistencia hospitalar), e que eu saiba não são eles que (des)governam este País, logo não serão os culpados… Imagine-se no lugar desses policias, imagine a enorme pressão à qual estiveram sujeitos durante essa hora e meia em que estiveram a levar com predras e petardos.. Não sei se sabe mas tambem eles têm mulher e filhos, casas para sustentar, contas para pagar…

        • Renato Teixeira diz:

          Fala do aviso feito por um megafone a meio gás, que só avisou quem estava a atirar pedras e que como tudo indica estava previamente decidido?

        • Renato Teixeira diz:

          Em suma, só se perderam as que caíram no chão, não é assim escumalha?

          • ESCUMALHA! diz:

            Não Renato… claro que não é assim.. acredito que houve mt boa gente que apanhou por tabela sem culpa nenhuma, que estavam ali só para exercer um direito que está consagrado na constituição.. O direito à greve, manisfestação.. o direito de dizer BASTA!! que não se revêm no desgoverno deste País.
            Mas eu acho que não era preciso pensarem mt para saberem que a policia teria que reagir.. Que não podia ficar ali impavida e serena à espera que as pedras dos passeios acabassem ou que aqueles marginais se cansassem! E a policia só reagiu assim pk aqueles milhares não fizeram nada para pararem aquele arremesso de pedras! e como sempre.. quem anda à chuva molha-se…

          • Renato Teixeira diz:

            Depois do que já se escreveu sobre o assunto, é evidente que a polícia não devia (nem tinha necessidade) de ter actuado daquela maneira. É que ao fazê-lo fez precisamente isso que finalmente reconhece.

          • ESCUMALHA! diz:

            Renato então diga-me na sua opinião como deveria a policia ter parado aquele atirar de pedras…? se é que na sua opinião devia parar…

          • Renato Teixeira diz:

            Eu acho que eles deveriam ter-se juntado aos de baixo, aberto as portas do parlamento, e deixar o povo tomar conta do país. Prendiam quem tinham que prender, e esses não consta que peguem em pedras.

          • ESCUMALHA! diz:

            E já agora destruir tudo… matar toda a gente que estivesse lá dentro… capturar os restantes politicos e fuzila-los!!
            Achas mesmo que isso seria possivel?? Será que Portugal já não tem solução?? Achas mesmo que era isso que a maioria da população queria??
            Seja-mos Homens e Mulheres responsáveis! O anarquismo nunca será solução para Portugal.
            Mas pronto se é essa a tua opinião não irei gastar mais o meu tempo ctg..

          • Renato Teixeira diz:

            Isso é o que andam a fazer. A ideia é que outras formas de poder forjem novas formas de justiça.

        • V CABRAL diz:

          Atirar pedras aqueles monos é o mesmo que atirar pétalas e arroz aos noivos …já viste a blindagem dos bonecos ?!
          … eu não apoio tal acção, mas não condenaria . Abster-me-ia !!!

    • malatesta diz:

      caro escumalha,

      esse argumento do “eles são seres humanos como nós” dá-me vontade de rir.

      Então os guardas nazis dos campos de concentração não são seres humanos como nós? não o eram quando abriam as torneiras de gás? e os agentes do KGB que torturamvam dissidentes? e os terroristas do 11 de Setembro? e os agentes da pide, não eram seres humanos como nós, e bons portugueses? não é verdade que todos eles tinham famílias e estavam a cumprir a sua obrigação e as suas ordens?

      Um ser humano que quer ser considerado e lembrado como tal, não anda na rua armado até aos dentes, com armaduras espaciais para assutar crianças e adultos. Um ser humano como nós não defende com unhas e dentes, com bastonadas, tiros, sequestros e torturas um regime cleptocrático injusto e imoral em que meia duzia de provocadores se apoderaram do Poder e estão a organizar o saque generalizado a todos os seus súbditos. Um ser humano como nós usa a sua cabeça e não cumpre ordens sem pensar no que está a fazer e nas implcações dos seus actos, não reprime gente da sua condição que está a lutar para derrubar os seus próprios chefes.

      MAs todos nós sabemos que gente como tu, ESCUMALHA, tem uma noção muito própria do que é um “ser humano como nós”. Basta olhar para o que se passa há 50 anos na fixa de Gaza, sem que tu pestanejes ou venhas fazer comentários irados para a net… não é, palhaço?

      • Rocha diz:

        Você malatesta, gosta imenso do comentário do Escumalha. Porque o seu discurso é o discurso do ódio. É ódio e nada mais.

        Você quer é ir para a rua atirar pedras, se é contra comunistas, contra fascistas ou contra a polícia tanto faz. E com jeitinho também contra os anarquistas. É o ódio a falar por si.

      • ESCUMALHA! diz:

        Oh merdatesta ainda gostava de saber onde me viste utilizar a expressão “eles são seres humanos como nós”…
        É so sede de vingança para esses lados! Anarquismo na sua plenitude…

  4. Herberto diz:

    Seria interessante colocar a declaração de Pedro Marques Lopes sobre a carga policial, pois a mesma já motivou reacções de muita gente. Este provinciano do PSD julga ser alguém muito importante e manipula sempre a sua opinião nos programas onde aparece, quer seja com interrupções ou com sorrisos cínicos e hipócritas.

    • V CABRAL diz:

      Se tu tivesses um jogo de tachos, à pala do PSD, que farias?
      Defendias quem te dava a bucha, né? Pois é o que o homenzito, faz!!!|
      Força companheiro, Pedro !

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