Deixem-nos falir como a Islândia

No dia da greve geral foi anunciado que a taxa de desemprego aumentou para 15,8%. A este número acresce que, entre os jovens com idades entre os 15 e os 24 anos e que fazem parte da população activa, a taxa de desemprego já atingiu uns insustentáveis 39%.
Precisamente no dia seguinte, Passos Coelho não conseguia disfarçar o orgulho declarando que, num ano, havia feito o que o FMI estimava que fosse realizado em seis.
O governo demonstra que se está a marimbar para os dados devastadores que a economia nacional vai revelando, para a expressão da greve geral ou para o significativo aumento do desespero e a radicalização de que a manifestação junto à Assembleia da República não é exemplo único.
A cedência a determinados sectores, como o anunciado aumento salarial às polícias ou a aparente negociação com os reitores, revelam a falta de uma ideia para o país que não passe pelo truque e pela cacicagem sectorial – como se se tratasse de um negócio entre distritais de um partido.
O governo ignora o tiquetaque da bomba-relógio em que transformou o país.
Há dois anos e meio, Eduardo Catroga e Medina Carreira divertiam-se a choramingar pela presença do FMI e não hesitavam em dar a opinião para um artigo do DN escrito por Rui Pedro Antunes sob o título: “Se o país sair do euro corre o risco de falir como a Islândia”. Hoje, tanto um como o outro estão bem na vida, mas não será prudente começar a pensar fazer exactamente o contrário do que defendem?

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6 respostas a Deixem-nos falir como a Islândia

  1. solos diz:

    15.8% segundo as fontes do desgoverno-o que não é de fiAR,OBVIAMENTE!|
    23.7% SEGUNDO O ESTUDO de Eugénio Rosa,baseando-se em dados do INE!!!!
    http://resistir.info/e_rosa/qren_desemprego_15nov12.html

    Não podemos acreditar em MENTIROSOS,LADRÕES,SOCIOPATAS !!!!!

    • De diz:

      Precioso esse estudo de Eugénio Rosa.Thanks
      O silêncio com que a matilha neoliberal recebe estes documentos é inversamente proporcional ao ruído mediático que fazem a defender as inevitabilidades troikistas.
      Ou de como a realidade dos factos é oculta perante os slogans propagandísticos do regime neoliberal/caceteiro.

  2. Geraldo Ribeiro diz:

    Alteraram o feed RSS. Agora só se vê os cabeçalhos. Por favor consertem isso.

  3. Rocha diz:

    Vejam só esta notícia:

    O português que é “um dos mais valiosos” do Goldman Sachs
    http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=590747

    Para além de agentes infiltrados no governo, BdP, BCE, Troika, a máfia do capital financeiro imperialista têm também chefes de fila com experiência em chupar o sangue português.

    Era apanhá-los num beco, que FILHO DA PUTA.

  4. CD diz:

    Uma barbaridade que vem dos tempos do Tratado de Maastricht. O plano vem de longe e os carrascos que o caucionaram em nome de povo português, continuam, passados 20 anos no poder.

    “Calcula-se que os Estados europeus vêm pagando à banca privada uns 350 mil milhões de euros por ano a título de juros desde que deixaram de ser financiados pelos seus antigos bancos centrais e depois pelo Banco Central Europeu (Jacques Holbecq e Philippe Derudder, ‘La dette publique, une affaire rentable: A qui profite le système?’ , Ed. Yves Michel, Pari´s, 2009).

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