Pela Greve Geral, contra a selvajaria policial

Comunicado do Movimento 12 de Março

A 14 de Novembro – dia de uma magnífica Greve Geral Europeia – a democracia portuguesa cobriu-se de orgulho e, ao mesmo tempo, de vergonha.

Orgulho porque milhares de pessoas, trabalhadores, precários, desempregados, pensionistas e reformados mostraram de forma clara e inequívoca que recusam esta politica de austeridade, o Governo e a troika.

Nos locais de trabalho, nos piquetes de greve, nas concentrações e manifestações que ocorreram por todo o país, os que fizerem greve e todos aqueles que a apoiaram mesmo não a podendo fazer, disseram não ao caminho a que o país está a ser conduzido.

Sindicatos, coletivos diversos, movimentos sociais e milhares de pessoas uniram-se e aí estão, para resistir à destruição das nossas vidas, do nosso futuro. Aí estão para dizer que há alternativas, que este orçamento não pode passar e que as funções sociais do Estado democrático e de direito não podem ser destruídas.

Mas o dia manchou-se também de vergonha. Uma vergonha pesada e sentida pela forma selvagem e antidemocrática como a Polícia de Segurança Pública carregou sobre milhares de pessoas que se manifestavam de forma pacífica. A desculpa foi querer parar a ação de “meia dúzia” que atiravam pedras e outros objectos. Como se centenas de polícias, armados até aos dentes e à paisana, treinados ao mais alto nível internacional com o dinheiro dos nossos impostos, não o pudessem ter feito sem colocar em risco a vida dos outros milhares que ali estavam de forma pacífica.

A repressão policial, o ataque e perseguição indiscriminados, a detenção de pessoas sem que tenham o direito elementar e constitucional de defesa, a coação para que assinassem documentos em branco e a agressão premeditada em calabouços esconsos merece, por parte do Movimento 12 de Março, um total repúdio e condenação.

A forma como o Governo ordenou à Polícia para afugentar e terminar com a manifestação, lembra-nos os tempos mais escuros e repugnantes em que há umas décadas vivíamos.

Recusamos e denunciamos a tentativa de instalar o medo entre os que querem, legitimamente, protestar contra estas políticas. Não aceitamos que se queira criminalizar a contestação e bater-nos-emos contra esta tentativa de enlamear a ação dos movimentos sociais e dos sindicatos e de manipular a opinião pública.

Por este motivo, exigimos a demissão imediata do ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, e a instauração de um inquérito aos decisores e autores de tais ações. Para que os criminosos não fiquem impunes.

Da parte do Movimento 12 de Março, podem ter a certeza, continuaremos nas ruas ou onde quer que seja a lutar contra a política de austeridade deste Governo e da troika, que está a destruir as pessoas deste país.

A gravidade dos acontecimentos demonstra quão jovem e precária é a nossa democracia. Por isso, este é um momento de união. Juntos saberemos encontrar as soluções.

 

movimento12m.org

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10 respostas a Pela Greve Geral, contra a selvajaria policial

  1. ignatz diz:

    a primeira parte, do sucesso da greve-geral, não estava a resultar e vai daí entraram no plano b, a segunda parte, trolha calçada à portuguesa para dar relevo ao que ninguém viu. a fotografia da senhora com ketchup na cara deve ter sido tirada na montra do macdonalds mais próximo.

  2. Artur Pires diz:

    É verdade, um motivo de orgulho – uma greve geral bem organizada e com propostas concretas, certamente ignoradas pelo Governo, mas competentes e positivas.
    E também motivo de vergonha – um grupo de arruaceiros, que nada tinha a ver com o movimento operário, que fica duas horas à pedrada à polícia, sem que nenhum dos cinco mil cidadãos presentes mexesse uma palha para os aquietar. Se não formos nós, os trabalhadores, tomar conta dos nossos interesses, quem os fará por nós? A polícia fez aquilo que foi treinada para fazer e até aguentou mais do as polícias de outros países. Imaginem o duplo orgulho que teríamos se fosse o povo a parar aqueles provocadores!

    • JgMenos diz:

      Mais lamentavel ainda é o facto de houve pelo menos um cidadão que conseguiu parar as pedras por algum tempo, mas quase mais ninguém dos outros 4,999 se interessou pelo assunto, e o carnaval prosseguiu com uma manada de mirones a mirar…

  3. António Salas diz:

    Eu só gostava que o 12 de Março de uma vez por todas deixa-se bem claro o que tomam como protesto legítimo e o que tomam como protesto ilegítimo. Faziam um favor a todos.

  4. Kruzes diz:

    Temos todos os motivos para fazer greve e todos os motivos para protestar contra os políticos que rebentaram com o país. Estes e os outros que lá estiveram antes. Perdemos é toda a razão quando não nos indignámos pela forma como esturraram o nosso dinheiro. Porque raio não houve manifestações frente ao parlamento quando os orçamentos distribuíam os milhões que não havia pelos ricos e uns trocos – que também não havia – pelos pobres?!

  5. João. diz:

    É preciso, a meu ver, ser brutalmente frio na análise destas coisas. Do meu ponto de vista, em geral, não interessa muito a justiça dos motivos subjectivos que leva um grupo de gente a confrontar-se fisicamente com a polícia se esses mesmos motivos não forem depois adoptados por uma boa quantidade de gente que não esteve lá, quantidade essa de que se faz a força política objectiva.

    Pode-se pensar que o ministro da administração interna é um mentiroso, um malvado, o que seja, só não se pode pensar, ou não se deve, que ele é um idiota. Substimar a inteligência do adversário em geral nunca dá bom resultado – isto para dizer que tal substimação pode levar a que as nossas acções sejam voltadas contra nós. O governo, em princípio, tem superioridade estratégica no que respeita ao rescaldo até porque tem um acesso aos meios de comunicação que nós não temos.

    Então, uma coisa é uma manifestação que tem objectivos pacíficos descambar numa batalha campal por um erro ou um acto ilegítimo do governo, outra coisa é essas batalhas com a polícia se tornarem sistemáticas e expectáveis. Neste caso, sem uma forte argumentação política que consiga convocar a opinião pública para o nosso lado o mais certo é que esses confrontos acabem por gerar simpatia pelo governo de gente que até está relutante em relação ele e à sua acção. Não esqueçamos que se havia muita gente na Assembleia da República havia muito mais em casa a ver pela televisão e a absorver os acontecimentos pelos comentários jornalísticos que, ao que sei, não são ainda, nem de perto, revolucionários.

    Não proponho, como é evidente, que se abandone a luta mas, sinceramente, tenho a maior desconfiança sobre a eficácia destes confrontos sistemáticos com a polícia até porque as imagens mostram de facto um largo período de tempo em que há um pessoal a atirar pedras à polícia, ora, eu não sou clarividente mas a minha desconfiança é que a vasta maioria dos portugueses não considera a polícia um inimigo, antes pelo contrário, principalmente nestes tempos de aumento de criminalidade a que todos assistimos, pelo menos pela comunicação social.

    Depois, ainda a meu ver é claro, e para ser completamente sincero, se esta indignação não resultar num reforço do PCP não me parece que ela vá conseguir transformar os acontecimentos numa perspectiva de fundo – e eu tenho algumas dúvidas sobre a disponibilidade do pessoal das máscaras do Fawkes em reforçar a posição política do PCP.

    (Já agora, não sou militante inscrito e/ou dirigente do PCP ou da JCP. Não moro sequer no país. Falo simplesmente como simpatizante e eleitor do PCP)

    Cumprimentos.

  6. jaguari diz:

    Se acham que devem ir para as manifs atirar pedras aos polícias, porque razão se queixam como umas “amélias” quando apanham umas bastonadas? Sejam coerentes…

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