Ainda a greve geral e o futuro das lutas em Portugal

Vale a pena ler uma breve análise dos dados da baixa adesão dos trabalhadores do sector privado à última greve geral publicada ontem no site Passa Palavra. Ver aqui.

«No dia 14 de Novembro decorreu em Portugal uma greve geral convocada pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP). Segundo os organizadores, esta teria sido uma das maiores greves gerais de sempre. O tom triunfalista é absorvido por uma boa parte da esquerda. Mas o triunfalismo, se inconsequente, é um dos maiores perigos para o futuro das lutas sociais. Esse triunfalismo esquece outras variáveis políticas e sociais em jogo e que, estas sim, representam aspectos que qualquer avaliação crítica e honesta das lutas sociais tem de tomar em conta».

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40 respostas a Ainda a greve geral e o futuro das lutas em Portugal

  1. antónimo diz:

    Até posso concordar que seja uma análise a fazer.

    Agora, desculpe o mau jeito, nesta altura, análise e post são absolutamente imbecis e suicidários.

    • João Valente Aguiar diz:

      Primeiro, eu não fiz análise nenhuma. Segundo, quem tem tempo para isso deve pensar no que de positivo teve a greve (mobilização dos trabalhadores, impacto muito forte nos transportes e serviços públicos) e no que há de tentar melhorar (por exemplo, a baixa adesão de trabalhadores do sector privado à greve – que o texto que cito me parece atribuir à precariedade). Imbecil e suicidário é não se reflectir sobre o que realmente se passou e que formas existem ou não de contornar essa situação de maiores debilidades. Valorizando o que a greve teve de positivo e vendo o que continua a ser uma debilidade na mobilização social e política dos trabalhadores da indústria e do comércio.

      • antónimo diz:

        Primeiro: Como reparará, é logo a primeira linha, não custa nada a chegar lá, não contesto a necessidade de análise. Bem antes pelo contrário. Tinha escrito pouco, para não haver dispersões.

        Segundo: Não disse que a análise era sua, pois não, JVA? Leia lá melhor. Disse que a altura da análise, à qual não atribuí autoria, é imbecil e suicidária.

        Terceiro: Disse que o Post, esse sim, seu, e peso as palavras, por que sou educado, é imbecil e suicidário. Mesmo que JVA e o Passa Palavra tenham toda a razão do mundo, dois dias depois de uma greve, apenas dois dias depois, escassos dois dias, numa altura em que esta tem sido suficientemente abafada por uma carga policial que a comunicação social não larga, numa altura em que quem organizou greve e manifestações ainda tenta tirar dividendos para os pobres, esfomeados, desempregados, precários, serviços públicos, e fazer valer os seus pontos de vista junto de quem decide, virem uns patetas, que ainda por cima concordarão com a greve, pôr em causa a sua utilidade e impacto revela atributos intelectuais e de percepção que uso com parcimónia.

        • João Valente Aguiar diz:

          Então a análise dos aspectos positivos mas também do que há a melhorar é só para quando já ninguém falar das greves? Discordo tanto de uma análise que veja aspectos negativos como de uma análise que veja aspectos positivos. Todas as lutas da classe trabalhadora sempre se foram construindo na base da crítica (e quando falo em crítica não me refiro a “dizer mal apenas por dizer” mas ao verdadeiro significado da palavra) das anteriores e da tentativa de ultrapassar os desafios anteriores. Lembro apenas as palavras do Marx sobre o assunto no 18 de Brumário de Luís Bonaparte:

          «as revoluções proletárias, como as do século XIX, criticam-se constantemente a si próprias, interrompem continuamente o seu curso, voltam ao que parecia resolvido para recomeçá-lo outra vez, escarnecem com impiedosa consciência as deficiências, fraquezas e misérias dos seus primeiros esforços, parecem derrubar o seu adversário apenas para que este possa retirar da terra novas forças e erguer-se novamente, agigantado, diante delas, recuam constantemente ante a magnitude infinita dos seus próprios objectivos até que se cria uma situação que torna impossível qualquer retrocesso e na qual as próprias condições gritam:
          Hic Rhodus, hic salta!
          Aqui está Rodes, salta aqui!».

          • antónimo diz:

            Por acaso, não vejo absolutamente nenhum motivo para que a análise não seja publicada apenas quando já ninguém falar da greve.

            Não estou a falar de apenas ver um lado. Estou a falar de ver todos. Mas torná-los públicos agora serve exactamente os Luíses Bonapartes e os Dons Tancredis.

            Os banqueiros é que nunca põem a pôr em causa a austeridade.

          • De diz:

            Perplexidade e o não estar interessado em contribuir para a fogueira.
            Dou-lhe inteira razão caro Antónimo.

            Disse o que era agora preciso dizer.Até nesse pequeno apontamento precioso de não atribuir paternidade à análise.
            Acho que percebemos.

          • João Valente Aguiar diz:

            Você acha que eu preciso de esconder seja o que for? Já escrevi coisas neste espaço onde não concordava com o pcp ou com a cgtp – aliás, bem mais marcadas do que este post – e não tive nenhum problema em assumir o que escrevi. Essa atitude de não se discutir os argumentos políticos e atirar calhaus sobre características acessórias ou até pessoais é que prejudica a esquerda, não o facto de se comentar o que de positivo ou de insuficiente (como em TODAS as lutas dos trabalhadores) existem nas lutas. Se calhar a intenção de muitos dos que não querem abordar estas coisas é mesma essa: manter as coisas como estão e não se reflectir no porquê das dificuldades de actuaçao dos sindicatos e dos trabalhadores nos locais de trabalho.

          • De diz:

            JVA.
            Eu sei o que já escreveu neste espaço e tenho mantido um silêncio sepulcral sobre o que aqui diz e não diz.Sobre o que insinua e o que afirma. Sobre o modo como o afirma.E sobretudo sobre o timing escolhido para o dizer.
            Quero lá saber se tem escrito coisas mais duras sobre o PC ou a CGTP.O motivo da minha intervenção é tão só outro.E isso parece que o perturbou. Domage
            Anotei como curiosidade que quando o confrontam com as imbecilidades do blog que costuma citar, sacode a água do capote como se nada fosse afirmando alto e bom som que as referidas “imbecilidades” e contradições não são da sua responsabilidade.Apenas é um portador daquilo que lhe interessa discutir.Uma espécie de “morceaux choisis” do outro lado.Os seus escritos anteriores e os diálogos aí estão,neste blog, para o confirmar.

            Antónimo demonstrou este dado com uma elegância notável, fazendo-o perder uma muleta argumentativa.
            Já disse que não contribuo para discussões estéreis que quanto a mim só favorecem o inimigo.Repito que concordo em absoluto com Antónimo, que teve a virtude de colocar os pontos nos is noutro personagem de nome miguel serras pereira, fazendo-o também mais uma vez de forma superior.
            Não estou nada interessado em dizer mais.O meu comentário não tem sequer a ver com o que de forma mecanicista extrema repete e torna a repetir.
            Pus-me apenas ao lado de Antónimo e subscrevi o que ele disse, da forma corajosa, honesta e frontal que o caracteriza.
            Porque se posso passar ao largo das suas diatribes sobre o “futuro das lutas”, desejando todavia que tenha sucesso na condução dessas mesmas lutas , sabendo-se lá as forças que tem, já não posso deixar de me mostrar solidário com quem teve a coragem intelectual de, de forma lapidar ( lembra-se?), caracterizar este post.
            Pontofinalparágrafo.

    • João Valente Aguiar diz:

      que tontice. por isso aconselho o comentário que fiz ao Antónimo onde se esclarece o que devia estar na mente de qualquer pessoa de esquerda neste momento. é aquilo e mais nada

      • antónimo diz:

        Não, JVA, na cabeça de qualquer pessoa de esquerda, neste exacto momento, tem de estar a necessidade de tirar dividendos da greve.

        A análise necessária deve decorrer em simultâneo e em estrito foro privado. Publicidade para a resultado da análise, nunca antes de ter assentado a poeira do impacto da greve.

  2. Nuno Cardoso da Silva diz:

    Mais uma vez, tens razão. É quase embaraçoso ter de assistir a esta fanfarronada cretina da parte de quem não percebe que a estratégia de luta contra este poder terá de ser outra. Greves folclóricas não levam a lado nenhum. As greves são para doer – como a dos estivadores – e estas greves “gerais” não beliscam o poder político. Mesmo que conseguissem ser gerais.

    É preciso identificar onde uma greve pode realmente magoar o governo, e impô-la não por 24 horas mas por tempo indefinido. Como o que se quer não é parar o país que produz, mas o país que governa, uma greve deverá incidir sobre os sectores essenciais ao funcionamento do governo. Pessoal administrativo dos ministérios, informáticos, motoristas, repartições de finanças. E como uma greve por tempo indefinido só é possível se os trabalhadores em greve receberem um subsídio de greve suficiente para fazer face às suas despesas essenciais, terá de se criar um mecanismo de recolha de fundos (uma pequena percentagem do salário dos trabalhadores que não estiverem em greve) para permitir aos grevistas aguentarem. O que só é viável se for feito pelas estruturas sindicais. Aí é que a CGTP teria um papel importante, mas não me parece que os seus dirigentes estejam sequer a pensar nisso.

    Quanto à acção de rua, ou é feita por via de manifestações massivas, de muitas centenas de milhar de pessoas, ou terá de seguir a via da guerrilha urbana, embora sem descambar na violência gratuita à maneira sul-americana. A partir do momento em que o governo deixou de ter legitimidade para governar – o que aconteceu quando começou a governar à margem do mandato recebido -, a revolta é legítima e sustentada pela própria constituição. Há que escolher a melhor maneira de conduzir essa revolta, no respeito da proporcionalidade do uso da força para alcançar o objectivo primeiro: a demissão do governo e a realização de novas eleições. Esta combinação do uso controlado da força e do respeito da legitimidade da acção, é essencial para que o povo em geral adira e não se vire contra os agentes da revolta, como tem acontecido em tantos países onde os limites da força legítima foram francamente ultrapassados. Como soberano, o povo tem o direito de usar a força em caso de necessidade, mas nunca descambando para a violência gratuita e desproporcionada.

    • rms diz:

      A greve a doer dos estivadores é parcial, não é total. Esse radicalismo de greves indefinidas é um óptimo discurso para manter na net. Quando se faz uma manif, a manif não resolve, quando se faz uma greve geral de um dia, é preciso de dois. E por aí fora. O João com certeza que pode explicar melhor que eu a importância da luta organizada dos trabalhadores, como greves e manifestações, nos avanços civilizacionais ao longo dos últimos dois séculos.

      • Nuno Cardoso da Silva diz:

        O capitalismo também aprendeu uma coisas nestes dois séculos. Por exemplo, a globalização praticamente destruiu os movimentos de trabalhadores com a ameaça de deslocalização. As greves só podem ser bem sucedidas quando a dor imposta pelos trabalhadores aos patrões é superior à dor que estes conseguem impor àqueles, e a possibilidade de deslocalização deu cabo da capacidade dos trabalhadores maguarem os patrões. Só no sector público ainda é possível coagir o patrão – o Estado. Mas como o nosso alvo prioritário não são as empresas, mas o governo, isso não é grave se dirigirmos a nossa luta contra o inimigo principal. Só derrubando o governo será possível começar a mudar o sistema capitalista. Esqueçamos portanto as greves gerais, que não passam nesta conjuntura de distrações, e ataquemos o governo, paralizando-o com uma greve por tempo indefinido dos sectores da função pública que lhe permitem funcionar. Estamos no século XXI, deixemos portanto de sonhar com as estratégias do século XIX.

    • Vasco diz:

      “É quase embaraçoso ter de assistir a esta fanfarronada cretina da parte de quem não percebe que a estratégia de luta contra este poder terá de ser outra. Greves folclóricas não levam a lado nenhum.” Deves ser um grande teórico da luta de classes, tu. Se as greves gerais ~- se conseguissem ser gerais, dizes tu, à semelhança de qualquer direitista – não chateiam, para quê tanta polícia nos piquetes, para quê inventar provocações para distrair do essencial, para quê tanta chantagem nas empresas contra quem faz greve? Quanto à greve dos estivadores – que saúdo e valorizo – não é geral, é parcial às horas extraordinárias, como fizeram e fazem os ferroviários e os trabalhadores de tantos e tantos sectores, sem que eu tenha ouvido ninguém a falar delas por aqui…

  3. rms diz:

    O que deve estar na mente de qualquer pessoa de esquerda neste momento é valorizar o que foi feito. Nem o post que citas nem o teu são novidades e, por incrível que possa parecer-te, são preocupações constantes em todas as greves gerais, bem como encontrar forma de quebrar esse medo. Os exemplos das empresas

    Pressões, contratos a prazo, recibos verdes, precariedade. Não há-de ser falta de consciência de classe, o que até vai contra o teu recém-encontrado farol ideológico.

    Em que piquete estiveste?

  4. Caxineiro diz:

    Alô, Marte!…

  5. MP diz:

    O João agora escreve para o Blasfémias?

    • João Valente Aguiar diz:

      Não, o João tanto enfatiza o que de positivo têm as lutas sociais, como está no seu direito de achar que as dificuldades porque passam as lutas dos trabalhadores devem ser discutidas amplamente sob pena de se continuar na mesma situação. Triste este tempo em que sectores da esquerda acham mais importante difundir apelos estritamente apologetas do que em pensar sobre como os trabalhadores podem superar os obstáculos que a precariedade, os ataques dos patrões, etc. lhes colocam para a sua mobilização enquanto classe. Não há fórmulas mágicas e ninguém as tem. Mas sem discussão, então continuar-se-á no mesmo caminho e o governo e as empresas continuarão a fazer o que querem.

  6. miguel serras pereira diz:

    Caríssimo João,

    o que é curioso, e revelador, é que haja quem ache que as questões de interesse público devem começar por ser discutidas secretamente, ao abrigo dos ouvidos e dos juízos dos principais interessados. A estes, simples trabalhadores ou pessoas comuns que são, só devem ser apresentadas conclusões seguras, carimbadas pelo estado-maior e, de preferência, sob a forma de palavras de ordem. Como podem querer convencer-nos da sua vontade de mudar o regime aqueles que nem o regime das lutas estão dispostos a democratizar?

    Abraço

    msp

    • João Valente Aguiar diz:

      A questão é precisamente essa Miguel e acho que ninguém a colocou melhor do que tu neste trecho: «haja quem ache que as questões de interesse público devem começar por ser discutidas secretamente, ao abrigo dos ouvidos e dos juízos dos principais interessados. A estes, simples trabalhadores ou pessoas comuns que são, só devem ser apresentadas conclusões seguras, carimbadas pelo estado-maior e, de preferência, sob a forma de palavras de ordem. Como podem querer convencer-nos da sua vontade de mudar o regime aqueles que nem o regime das lutas estão dispostos a democratizar?»

      Abraço

    • Antónimo diz:

      Para sua informação Serras Pereira, uma vez que quem o disse fui eu, bem se podia dirigir-se a mim, que a exemplo de outro sou o meu próprio comité central, e, permita-me a arrogância, tão ou mais independente do que V. se julga, e, aqui sem arrogâncias, é ululante, de certeza em mais inteligente. E antes que siga, desalmado, freio nos dentes, aviso-o que não tenho absolutamente militância partidária nenhuma, nunca estive inscrito em partido nehum e também nunca estarei.

      Há uma certa casta de interlocutores, que assenta o discurso na falácia, atribuindo ao outro coisas que ele não disse. É o seu caso. Por desonestidade intelectual ou incapacidade de interpretação.

      E isso fode-lhe o discurso. Em nada do que diz encontra algo que eu tenha defendido. O que aliás se passa com Valente Aguiar, que aí no elogio que lhe faz, volta a evidenciar as mesmas dificuldades que já revelara nas duas primeiras respostas que me deu. Tão básico que nem percebeu que eu defendia a análise dos resultados da greve logo na primeira frase.

      Se não assentassem o debate em pré-conceitos, em aprioris, em clubites, como as dos velhos pregões do jornal Blitz, onde os punks mauzões detestavam os rockabillies de poupinha no ar, não lançavam trampa na ventoinha, sugestões de comités centrais, de discussões fechadas, reservadas a elites, carimbos e o caralho.

      São incapazes de perceber, talvez fetichizados pelas panópticas casas dos segredos, que nem tudo que é prudente é sinónimo de secretismo.

      • João Valente Aguiar diz:

        Desculpe lá antónimo, mas foi você que disse isto: «Não, JVA, na cabeça de qualquer pessoa de esquerda, neste exacto momento, tem de estar a necessidade de tirar dividendos da greve.

        A análise necessária deve decorrer em simultâneo e em estrito foro privado. Publicidade para a resultado da análise, nunca antes de ter assentado a poeira do impacto da greve». Se é feito exclusivamente em foro privado, então como podem os trabalhadores participar na discussão? Repare que os dados fornecidos pela cgtp no seu próprio site são públicos, logo porque não poderiam ser comentados publicamente, seja por quem for?

        • Pedro Pinto diz:

          Penso ser evidente que a adesão a uma greve, bem como o seu impacto e importância para o necessário reforço da luta, não se medem só por números e percentagens…

          • João Valente Aguiar diz:

            Concordo, mas a questão é acima de tudo substantiva como, por exemplo, a infelizmente muito baixa participação dos trabalhadores no sector privado. Por outro lado, a questão numérica não é de todo irrelevante. Repare que apesar das muito participadas manifestações no dia da greve e da grande adesão nos transportes existe todo um mundo operário ao qual a greve passou ao lado. E enquanto não se perceber como isso tem sido conseguido ao longo das últimas décadas pelo capitalismo por todo o mundo (o que demonstra a enorme capacidade do toyotismo na desorganização da classe trabalhadora) e enquanto se achar que as greves são sempre um sucesso só porque foram bem-sucedidas (e ainda bem) no sector dos transportes e nas manifs, novas vagas de lutas dos trabalhadores serão sempre mais difíceis de suceder.

      • miguel serras pereira diz:

        Antónimo,

        1. Admito, sem necessidade de demonstração, a possibilidade da superioridade da sua inteligência em abstracto, mas não a dos seus argumentos neste caso concreto.
        2. Se fui eu que o li mal e você concorda com o que digo, seria mais fácil dizer: “Este gajo deve ser estúpido, porque julga estar a refutar-me, quando, bem vistas as coisas, toda a gente vê que está a dizer o mesmo que eu”. Seria, para si, poupar tempo e evitar tanto stress.
        3. Portanto, espero que subscreva agora – provando-me que o interpretei mal – as conclusões, e a interrogação que a remata, da minha intervenção anterior: «haja quem ache que as questões de interesse público devem começar por ser discutidas secretamente, ao abrigo dos ouvidos e dos juízos dos principais interessados. A estes, simples trabalhadores ou pessoas comuns que são, só devem ser apresentadas conclusões seguras, carimbadas pelo estado-maior e, de preferência, sob a forma de palavras de ordem. Como podem querer convencer-nos da sua vontade de mudar o regime aqueles que nem o regime das lutas estão dispostos a democratizar?»

        Seu leitor atento

        msp

  7. MP diz:

    tem razão João, a minha falta de substância é inversamente proporcional ao conteúdo e oportunidade das suas intervenções públicas.

  8. Pedro Passos Coelho diz:

    O governo subscreve inteiramente o teu post!

  9. Vasco diz:

    Quem lhe disse que a adesão à greve foi escassa no sector privado – «facto» a partir do qual o PassaPalavra constrói toda a argumentação? que dizer então das paralisações totais de empresas como o Arsenal do Alfeite, os Estaleiros Navais de Viana do Castelo, a Lisnave, a Browning e as elevadíssimas adesões com paragem quase total do parque industrial da Autoeuropa, e em muitas outros empresas, como a Fisipe, a Visteon, a Bosch, a Exide/ex-Tudor, a Robert Bosch, a Centralcer, a Kraft, a Acral, a Têxtilminho, a Tessimax, a Paulo Oliveira, a Trekar, a Saint Gobain, a Sotancro, a Cerâmica da Abrigada, a Valorsul, a Portucel/Setúbal, a Europac, a Fraas.

    É a voz de quem, João Valente Aguiar?

    • João Valente Aguiar diz:

      Do que li no artigo em link todas as empresas que cita estão lá mencionadas.
      O que me chamou a atenção no artigo é que as greves nas mil maiores empresas infelizmente passaram claramente ao lado. Claro que é melhor umas dezenas do que nada. Mas achar que em mil ter adesão significativa numas dezenas não me parece que se deva esconder esse facto mas tentar perceber porque isso acontece. Porque os sindicatos (e não só) têm uma presença ínfima nos locais de trabalho ao contrário do que sucedia há décadas atrás? Claro que existe uma repressão violentíssima das empresas, mas ela sempre houve, independentemente dos moldes dessa repressão. E isto quase ninguém está interessado em discutir um aspecto que ultrapassa os próprios sindicatos mas que se relaciona com o modo como o capitalismo se reorganizou nas últimas décadas. Mas para que é que eu perco tempo com toda esta lenga-lenga com quem acha que o capitalismo é o mesmo desde o século XIX…

  10. Vasco diz:

    E esta? Nos serviços, são de salientar o crescimento e dimensão das adesões verificadas na grande distribuição comercial, como no Continente Montijo, no Cascais Shopping, no Jumbo de Faro e em grau diferenciado em muitos outros estabelecimentos; no sector financeiro com mais de cem balcões encerrados; e na área de equipamentos e estruturas sociais designadamente das IPSS e misericórdias.
    Esta greve teve ainda forte expressão no sector das artes e do espectáculo, com significativas adesões de que são exemplo o CCB, o Teatro Nacional D. Maria, Maria Matos, entre muitos outros.

  11. Vasco diz:

    Assim é fácil: parte-se de um falso argumento e constrói-se a partir daí uma teoria. Claro que os media dominantes não o desmentirão…

    • João Valente Aguiar diz:

      Eu preocupava-me mas era com a solicitude e carinho com que os media dominantes (e o próprio governo) enalteceram o papel da cgtp na greve geral. A polícia nesta altura deve estar muito satisfeita com a inexistência de críticas da parte da cgtp à sua actuação vergonhosa sobre a esmagadora maioria dos manifestantes que nada tiveram a ver com as pedras e calhaus.

  12. Vasco diz:

    Não o tenho em tão alta conta como o JVA a si próprio, mas tomo-o por mais inteligente do que isso. Em primeiro lugar, a CGTP não norteia a sua actividade pelo que dela dizem os média e os seus patrões. Em segundo lugar, a estratégia da divisão é clara. Tenta-se isolar a CGTP e apanhá-la na teia da dicotomia violência/não violência, quando a dicotomia é outra. Se a violência não interessasse ao poder por ser um potencial factor de afastamento das massas da luta não teriam infiltrado provocadores da polícia entre os manifestantes. Eu sei que odeia a CGTP e o PCP, mas um pouco de honestidade não lhe ficava nada mal.

    quanto à «fraca» adesão na indústria, aqui fica uma listinha de empresas industriais onde a greve parou a produção ou, pelo menos, condicionou-a bastante: Lisnave, Estaleiros Navais de Viana do Castelo, Arsenal do Alfeite, estaleiros em Tavira; minas da Panasqueira; Manindustria, REN Atlântico, Euroresinas, complexo de Sines; Delphi, Bosch e Fehst, Jado Ibéria, Lindoso, FPS e Albra, Mafil; Alçada & Pereira, Tessimax e Paulo Oliveira; Cobert Telhas e Rações Acral; Huber Tricot, Socori e Amorim Cork Composits; BA Vidro, Bollingaus, Grandupla ; Multiauto, Caetano Auto, Caetanobus, Renault Cacia, AIS Portugal, Camo, Robert Bosch, Fábrica de Papel do Prado, Alstom, Visteon, Previnil, Omniobra, Exide, Amarsul, Valorsul, Key Plastics, Olympus, Gestamp , Funfrap, Sakthi, Europac, Fateleva, Paracelsia, Imprensa Nacional Casa da Moeda, Udifar, Parmalat, Hydro Alumínio Portalex, Browning , Tanquipor , Flexipol, Lallemand Ibéria, Fundição do Rossio de Abrantes, Fima, Limpersado, Socometal, Saint-Gobain Sekurit , Trecar, Centralcer, Unicer, Tempo-Team, Panificadora Apopol, Abrigada, Têxtilminho, Groz Beckert, Carveste, Ropre, Benoli, Danone, RTS , Hospiarte, Marmoz, Metalo-Nicho, Amorim Revestimentos, Agros, E. Correia Brito, Ilma, Kraft, Cava, Postejo, Provimi.

    SE ME ESQUECI DE ALGUMA PEÇO DESCULPA!

    • João Valente Aguiar diz:

      Eu tenho-me em melhor conta do que o senhor Vasco deve ter de si mesmo. Eu ao menos li o texto que aqui cito e li o seu comentário atentamente e conto dezenas de empresas. O que é importante e é de valorizar como já disse várias vezes, mas acho patético cair-se no elogio da frase triunfal e confundir a greve em dezenas de empresas com mil ou milhares de empresas que infelizmente ficaram sem qualquer impacto da greve. E que como já disse nao tem a ver primordialmente com a CGTP. Por isso não sei se é dificuldade cognitiva em avaliar as grandezas ou se é simplesmente querer atirar areia para os olhos dos mais distraídos. A mim não me interessam as motivações mas quem anda nisto há uns anos vê quase sempre as mesmas empresas e os números muito semelhantes nas greves de 2002 para cá. E de tantas vitórias que o movimento operário vai aparentemente tendo que só posso ficar perplexo com o facto de os governos ainda não terem caído todos e ainda não termos chegado ao socialismo… Tanta vitória a jorrar pelas páginas oficiais e os trabalhadores continuam a levar na cabeça e no corpo? Por isso é que não posso deixar de discordar de todo esse discurso vitorioso que só impede as reflexões sobre as causas das dificuldades de mobilização da classe trabalhadora. Não tenho nenhum problema em dizer que aprendi este sentido das proporções no PCP mas, pelos vistos, nem a leninista noção da realidade parece imperar hoje na sua direcção e na maioria dos seus militantes…

  13. Vasco diz:

    A greve geral – esta como qualquer outra – não se mede apenas por números. Até porque sabemos a quão difícil é, para milhares de trabalhadores, fazerem greve: pelo emprego que pode faltar, pelo salário que chega para cada vez menos, pela pressão e chantagem de que são vítimas por parte dos patrões. Por isso, valorizamos a grande greve que foi realizada no dia 14, quer nas empresas que estiveram paradas a 100 por cento como noutras em que 3 ou 4 trabalhadores (em 50 ou 100) tiveram coragem de assumir a sua posição. A greve foi uma grande resposta de classe e de massas à ofensiva do governo e do grande capital nacional e internacional e abriu portas ao reforço da organização e da luta em numerosas empresas. Se isto nada vale para si e se isto é «discurso vitorioso» vou ali e já venho.

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