Notas sobre o dia de ontem

1. Grande greve geral;

2. Falta fazer chegar a greve ao comércio local, aos restaurantes e às farmácias – sectores altamente prejudicados com as actuais políticas;

3. Em Lisboa, os serviços mínimos da Carris – único meio de transporte colectivo – andavam vazios;

4. Manifestações por todo o país. Em Lisboa terá sido a maior manifestação em dia de greve geral;

5. Na Assembleia da República nunca tinha visto tanta gente, e durante um período tão continuado, a arremessar pedras e garrafas contra a polícia (o ministro mente quando se refere a meia dúzia de profissionais da provocação a menos que se estivesse a referir aos polícias infiltrados). Mais, nunca tinha visto tanta gente permanecer no local após a saída da carrinha da CGTP e o fim dos discursos – o que deve ser dos dados mais importantes para reflexão junto dos partidos de esquerda e da central sindical;

6. A presença e actuação de um grupo de polícias (cerca de 20) à paisana junto dos manifestantes provocou vários desacatos. São tão ridículos como identificáveis (por que não darem-lhes um curso de artes performativas para que possam movimentar-se de outra forma?). O ministro mente quando diz que não havia polícias infiltrados;

7. A carga policial foi violentíssima. Como é natural nestes casos quem apanhou não foi quem apedrejava. O aviso que a polícia fez com um megafone ridículo, só terá sido ouvido pelos que estavam na linha da frente que rapidamente desapareceram;

8. Para a carga ter sido feita daquele modo tão brutal é porque teve autorização superior. Quando digo autorização superior, falo concretamente do ministro e/ou primeiro ministro;

9. Pela cidade instalou-se o caos. Houve prisões indiscriminadas até ao Cais do Sodré. Circulavam ambulâncias e carros patrulha a toda a velocidade, e por todo o lado. Houve tiros. O governo abriu a caixa de pandora.

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28 Responses to Notas sobre o dia de ontem

  1. M.D. diz:

    É perturbador viver e educar os nossos filhos na presença de pessoas como o Sr. A apologia da violência, do desrespeito pelos bens públicos e privados é assustador. Quem paga a devastação de ontem? As montras, os ATM’s os sinais e semáforos, os ecopontos, os caixotes do lixo, os carros vandalizados e as calçadas levantadas? Por mim apresentava-se a conta à CGTP. Mas pior que tudo é querer passar a ideia que a culpa da carga policial é da Policia… Tristeza… Como se fosse preciso policias infiltrados para provocar seja o que for. Só é pena e curioso é que nunca se manifestam contra os profissionais da comunicação social que em dia de greve são autênticos fura-greves para vos darem cobertura. E já agora os profissionais de saúde, que também furam greves para os tratar das mazelas da manif. É que esses também estão a trabalhar…

    • Leo diz:

      “Por mim apresentava-se a conta à CGTP.” ????

      Tinha mesmo que sobrar para a CGTP que teve um comportamento impecável durante toda a Greve Geral. Enxergue-se, homem!

  2. JgMenos diz:

    ‘dos dados mais importantes para reflexão junto dos partidos de esquerda e da central sindical’ é terem em conta que somos um país de mirones em que as cargas policiais são muito apreciadas, em particular por militantes de esquerda que, à falta da PIDE, não prescindem de uma bastonada no seu currículo.
    O ministro não disse que não havia polícias infiltrados – disse que não havia agentes da polícia a atirar pedras, sugestão que considerou insultuosa.
    Os atiradores de pedras eram, a toda a evidência, uma dúzia e meia de figurinhas que genéricamente cabiam na qualificação de ‘canalha’.
    No total, uma manifestação significativa acabou no maior ridículo!

  3. maria povo diz:

    POIS EU ESTIVE LÁ!!!!!
    e não atirei pedras!!!!
    e vi os policias infiltrados provocarem e a incitarem à violência!!!
    fui na manif da CGTP e fiquei!!!
    fiquei!!! gritei que O POVO UNIDO JAMAIS SERÁ VENCIDO!!!
    e vi um policia de megafone a dizer qq coisa incompreensivel e cheguei pensar (?!?!) que era um manifestante infiltrado na policia…
    e vi e fugi de uma carga policial BRUTAL CONTRA PESSOAS DE TODAS AS IDADES!!!!
    tive sorte!! não apanhei bastonada pois refugiei-me atrás das camaras da tv!!! meu escudo!!! (que agradeço pela protecção que me deram)
    E VI HOMENS, MULHERES, IDOSOS, DEFICIENTES EM CADEIRA DE RODAS, CRIANÇAS, JOVENS E MENOS JOVENS A APANHAREM BASTONADAS E BASTONADAS, HORRIVEL!!!!
    VERGONHA!!! não consigo encontrar outra palavra!!! fugi de cargas policiais antes de Abril de 1974!!!! NUNCA pensei que a minha filha estivesse a fugir e a ser perseguida pela policia… NOVAMENTE!!!!
    um jovem meu amigo foi detido!!! tinha a cabeça aberta! e a sangrar!!! assinou papeis em branco e não teve direito a advogado!!! mandaram-no embora às 11 da noite e NÃO LHE DERAM ASSISTÊNCIA HOSPITALAR!!!
    NÃO ESTAMOS A FALAR DE DIREITOS HUMANOS?!??!?!?!!?

    VIOLÊNCIA GERA VIOLÊNCIA!!!
    depois do que vi ontem, em que uns policias, entendamos, os seus mandantes não aguentam umas pedras que para eles são berlindes, pois com aqueles equipamentos carissimos pedras são berlindes, estou para ver quando acontecerem cenas como em atenas ou roma ou madrid em que os policias ficam a arder!!!!! e em vez de pedras serão cocktails de fogo!!!
    VIOLÊNCIA GERA VIOLÊNCIA!!!!
    A GREVE GERAL FOI UM SUCESSO!!!!
    O POVO UNIDO JAMAIS SERÁ VENCIDO!!!!

    • Miguel diz:

      Devias era de ter tu levado com as pedras.

    • V Cabral diz:

      Maria, acredita que depois dos putos estarem a atirar pedras ao boneco, durante duas horas, e os polícias continuarem quietinhos, eu pensei que o Gajo do microfone, fosse um infiltrado… e até me pareceu ouvir: O Povo unido Jamais será encido !
      Foi tudo muito confuso!!

  4. Augusta diz:

    Os ditos “profissionais da desordem” referidos pelo MAI não são certamente mais violentos, profissionais e organizados do que os profissionais da desordem que transformam diariamente a vida de mais umas quantas centenas de pessoas num caos. Quando os profissionais da desordem que se instalam no poder realizam a sua força indiscriminada sobre a vida de cidadãos inocentes, transformando a sua vida num número sem qualquer valor, a revolta é inevitável e mesmo necessária.
    Para que se saiba, hoje quem ficar desempregado tem de esperar no mínimo 3 a 4 meses para receber a primeira prestação do subsídio de desemprego. Agora digam-me que isto não é violência!

  5. Leo diz:

    “1. Grande greve geral;”

    Nisto estou de acordo. E entendo que é isto que deve ser valorizado pois foi uma grande, enorme Greve Geral.

  6. Jorge diz:

    Vocês só vêm para um lado, Os criminosos são vocês. Quando as manifestações não metem partidos (vocês só falam de esquerda. Porquê? e aqueles que não se revêm em nenhuma das politicas? Não têm direitos também?), foi o caso, essa para mim é verdade, da maior manifestação apartidária em Portugal, tudo correu bem e foi pacifica. Vocês eram muitos ontem? Que anedota…

  7. Um idiota que não fica para assistir a coisas tristes... diz:

    O que deve levar a pensar é porque é se transforma um grande greve geral numa cambada de idiotas a mandar pedras. Mais, eu fui-me embora porque não quis ver a estupidez que se ia seguir, e ficou claro para mim com as bocas idiotas que ouvi quando saia, como se malta de cara tapada (que nem tem coragem para dar se indentificar… isso é que é coragem!) tivesse dignidade para me dizer alguma coisa quando estive a noite sem dormir.

    Não me venham com tretas, esta acção foi concertada pelo capital, porque o governo quer é isto. E digo mais, se tivesse ficado era simplesmente para tentar dizer aqueles idiotas que não estavam a ajudar nada antes pelo contrário. Mas não valeria a pena porque foram só para isso e estão-se nas tintas para a luta dos trabalhadores.

    E depois ficam espantados por centenas de pessoas (ou milhares sei lá) terem levado pancada da polícia sem que esta tivesse qualquer legitimidade para tal, mas os idiotas das pedras e os seus patrões de serviço trabalham para que a opinião pública aceite a pancada como natural. É um bom trabalho sem dúvida dos servos do capital para o futuro.

    A prova de tudo isto é que a comunicação social não fala de adesões, da greve, mostra imagens de 7 ou 8 a mandar pedras para a polícia. Se é isto que se pretende, viro a cara para o lado e essa tal reflexão dos partidos de esquerda e dos sindicatos que entendes ser necessária não conta comigo de certeza.

    Passar a noite em claro, fazer uma manifestação enorme… e depois ter de ficar para aturar meninos mimados… fico pelas primeiras.

    E digo mais… estava o apoio da CGTP a arrumar as coisas e vem uma grande revolucionária provocar as pessoas a dizer “então não há palavras de ordem”, “vão-se embora?” ao que respondi… “estas pessoas não dormem há muito tempo, chegas-te agora foi?”… e ela diz… “não quero saber disso”.

    Está tudo dito, greve, piquetes, esforço físico e psicológico? Nada… o que conta é provocar, é gozar com os outros, dando ar de grande revolucionários, mas que objectivamente (conscientemente ou não) ajudam o governo e os seus patrões.

    São bem mandandos, o governo agradece e parece que há boa gente que cai na esparrela.

    • Leo diz:

      “Não me venham com tretas, esta acção foi concertada pelo capital, porque o governo quer é isto. E digo mais, se tivesse ficado era simplesmente para tentar dizer aqueles idiotas que não estavam a ajudar nada antes pelo contrário. Mas não valeria a pena porque foram só para isso e estão-se nas tintas para a luta dos trabalhadores.”

      Dou-lhe toda a razão. E procedeu com sensatez abandonando o recinto quando a manifestação acabou.

  8. Um idiota que não fica para assistir a coisas tristes... diz:

    Só uma nota… se as pessoas que estavam na manif não concordavam com o arremessar de pedras… e não impediram tal situação… é caso para dizer, se nem putos mimados controlam, que força tem para lutar contra o capital. Tretas.

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  10. Rocha diz:

    “Na Assembleia da República nunca tinha visto tanta gente, e durante um período tão continuado, a arremessar pedras e garrafas contra a polícia (…)”

    Eu pergunto porquê?
    Porque se faz uma coisa destas e os maniestantes não lhes viram costas?
    Para quê apedrejar prolongadamente a polícia em mera posição de sentinela numa AR vazia?
    Para quê se não para dar o pretexto de abrir a tal caixa de pandora?
    Há alguém que não perceba que isto vai dividir totalmente os movimentos grevistas entre os das pedradas e os das bandeiras?

    Eu percebo o desespero das pessoas. Eu percebo a tendência para as pessoas ficarem violentas. Eu percebo gritos de revolta. Eu percebo reacções espontâneas.

    Mas atirar insistentemente pedras a um grupo de homens armados sem outro objectivo que não o dos fazer reagir??????

    Eu identifico-me muito contigo Tiago, porque nos últimos anos fui daqueles que insistiu muito e se esforçou ao máximo para unir os que agora se dividem entre as pedras e as bandeiras.

    Mas hoje estou surpreendido, não percebo porquê, não percebo como ou para quê. Porque se deu um prolongado pretexto à polícia para que a polícia passe da posição expectante ante as manifestações para a posição de ataque violento aos manifestantes?

    Não percebo.

    Mas uma coisa percebo. Estamos a ficar como a Grécia, tanto na situação do país como nos movimentos de protesto. Para o bem e para o mal.

  11. Filipe Diniz diz:

    Tiago
    Os sintéticos primeiros 4 pontos comparados com os numerosos caracteres dos restantes 5 dão uma imagem bem sugestiva da análise desequilibrada de uma grande greve geral. Tal como nas primeiras páginas de todos os jornais de grande circulação, o que te tocou foi a violência no fim da tarde. Essa violência, por grande que fosse, tem um muito menor significado do que a da actuação da PSP em tantos locais de trabalho (com destaque para o sector dos transportes, incluindo pelo menos um trabalhador hospitalizado) agindo como verdadeiros piquetes anti-greve às ordens das administrações e do governo. A essa violência chama-se violência de classe. Quanto à outra, é da acção convergente de polícias e provocadores que há que tirar lições. E em vez de lançares alertas aos “partidos de esquerda”, podes começar pelo palavreado irresponsável de alguns dos colaboradores do 5Dias, cujos inimigos continuam a ser apenas os do costume: o movimento sindical e o PCP, que não só teriam que organizar a luta dos trabalhadores como teriam também de dar cobertura ao folclore e à provocação de todo o género de gente que julga que a luta de classes se trava à pedrada (e aqui “pedrada” pode ser lida em todos os sentidos).

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      Filipe, sobre o que se passou nos piquetes já escrevi ontem. Sobre “as contas” da greve geral consegui ser relativamente sucinto. Sobre o que se passou depois da manifestação, não.

      • AMD diz:

        Teria sido melhor dormires um pouco mais, veres calmamente e a frio os vídeo da concentração na Assembleia da República e por certo não terias escrito este post, estive horas a vê-los em directo na tv, eram mesmo meia dúzia os que não se cansavam de atirar pedras. A polícia poderia ter posto cobro de imediato a essa situação sem qualquer incidente de maior, mas alguém os conteve e esperou intencionalmente para servir a caldeirada que estava a preparar. É pena que os que lá estavam e que não pertenciam ao pequeno grupo não vissem o que se estava a passar, que não antevissem o que se iria passar e tivessem abortado a acção daquele grupelho ridículo.
        Agora estiveste mal Tiago, muito mal. Greve Geral? Onde está ela agora? O que é que se discute e comenta, a greve? Ora, ora Tiago, mas aqui já de nada me admira desde que o “5 Dias” se transformou no órgão oficioso da “Rubra”.

        • camarada diz:

          Nesse aspecto AMD pode dormir descansado. Se o Tiago está com a Rubra, VEXA está com o Macedo.

          • Caxineiro diz:

            foder, mais o macedo que até encontra em vocês toda a justificação que precisa para mandar os gorilas bater nas pessoas
            entretanto eu que perdido aqui no norte fiquei sem um dia de salário para aderir a uma greve que quase passou despercebida porque meia dúzia de betinhos palermas de Lisboa a transformaram em divertimento
            se querem carregar na polícia carreguem, mas carreguem a sério, cagões do caralho, não se ponham em fuga como putos mimados

          • AMD diz:

            Profundo esse argumento. Onde é que eu digo que ele está com a Rubra? Digo é que este blog se transformou num órgão oficioso da Rubra e isso é indesmentível.

        • Leo diz:

          “Agora estiveste mal Tiago, muito mal. Greve Geral? Onde está ela agora?”

          Está no coração de todos que a fizeram. Mas concordo consigo em que é lamentável que o o “5 Dias” se tenha transformado num órgão oficioso.

    • Leo diz:

      “E em vez de lançares alertas aos “partidos de esquerda”, podes começar pelo palavreado irresponsável de alguns dos colaboradores do 5Dias, cujos inimigos continuam a ser apenas os do costume: o movimento sindical e o PCP, que não só teriam que organizar a luta dos trabalhadores como teriam também de dar cobertura ao folclore e à provocação de todo o género de gente que julga que a luta de classes se trava à pedrada (e aqui “pedrada” pode ser lida em todos os sentidos).”

      Palavras avisadas mas que caem em ouvidos moucos.

  12. Na lógica da “proximidade entre eleitos e eleitores” a malta ontem só queria pedir conta aos eleitos… infelizmente, o corpo de intervenção não deixa…

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