MEGA-GREVE varre o sul da Europa!!! Épica, Gloriosa Jornada de luta das massas Europeias!!! ENTERROU-SE O MITO DO “MELHOR POVO DO MUNDO” para Alemão ver

14 de Novembro ficará registado na história como uma das datas fundamentais do movimento de resistência e contra-ataque das massas europeias à vaga austeritária e autoritária que se abateu, sobretudo, pelo sul da Europa.

Há três pontos decisivos e extremamente positivos acerca desta heróica jornada, irei discutir cada um deles.

1º – O Carácter internacionalista e a acção simultânea pan-europeia, coordenada além fronteiras

Anti-austerity strikes sweep southern Europe

2º  – Foi uma Greve que se fez sentir, parou muita coisa neste país, este não foi com certeza mais um dia “Business as usual”, esta foi uma grande greve geral!

Greve é “uma das maiores desde o 25 de Abril”

3º – “Violência inédita” reza a capa do Diário Económico. PASSA À HISTÓRIA A FÁBULA DO POVO SERENO E DO “MELHOR POVO DO MUNDO” PARA ALEMÃO VER.

Terminou o mito do portugal dos protestos dóceis e pacíficos, enterrou-se a imagem de um Portugal alheio ao carácter mais violento dos protestos Espanhóis,  Gregos ou Italianos.

Europe’s day of anti-austerity strikes and protests turn violent – as it happened

Live TV footage from Lisbon in the last few minutes showed that the protests there have now turned violent – with riot police driving people along the streets.

Carga policial foi transmitida em directo pela “CNN”

E a primeira coisa a dizer sobre a “inédita” violência é lamentar as vítimas da carga indiscriminada e nada ponderada da PSP e condenar vários dos métodos pidescos utilizados sobre os inúmeros detidos e manifestantes. Foram pelo menos 48 feridos e adivinhem lá, quantos destes eram os “15 profissionais estrangeiros itinerantes que provocavam desacatos” ? Quantos eram gente pacata, muitos deles da CGTP, que lá ficaram? este vídeo dá bem ideia de quem é que efectivamente levou o grosso das bastonadas… Isto não foi obviamente uma acção dirigida a meia dúzia de “profissionais estrangeiros da desordem”, se o foi , foi extremamente ineficaz, como os fogos e conflitos que irromperam nas ruas circundantes provam… Não, isto foi uma carga policial dirigida ao movimento, para o intimidar e dividir. Para preparar uma escalada repressiva,  a começar pelo ataque aos Estivadores, elemento mais avançado do operariado no actual momento.

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Introdução

Antes de me debruçar sobre cada um destes pontos algumas considerações mais gerais.

Relembro e reafirmo tudo o que escrevi a propósito da greve geral de 24 de Novembro de 2011, é uma boa introdução para a reflexão acerca do significado do 14 de Novembro de 2012.

O post do Tiago faz uma muito boa síntese do dia.

Para aqueles que pensam que esta greve só prejudica o país, a resposta está patente em vários títulos e artigos da imprensa, este orçamento de estado e toda a política de retrocesso social a ele associado, de compressão salarial por várias vias (inclusivé o desemprego) é que é assassina para a economia. Os custos desta greve não são nada quando comparados com os custos deste orçamento e do governo Passos-Relvas-Gaspar. Longe de ser um custo esta greve é um investimento e um importante momento para reverter o desastre económico e social que este governo está a infligir ao país. E nem a fantasia da saída da crise pela via das exportações resiste à realidade. Para além de destruir o tecido social e económico do país estamos perante um governo ilegal, no diário económico (cujos leitores não me parece que sejam um grupo de perigosos esquerdistas estrangeiros) há uma sondagem sobre a constitucionalidade do orçamento para 2013, 70% respondem que este orçamento não respeita a constituição.

O pior que poderia ter acontecido era esta greve ter sido apenas mais uma e ao nível da de Março de 2012. Não foi, não foi porque foi Ibérica e enquadrada num dia de “Raiva Popular Europeia”. Não foi, porque de facto teve uma considerável adesão. Não foi mais uma, porque houve uma “inédita” violência e se estilhaçou o mito do povo sereno. Aliás é preciso ter um enorme desprezo pela história para se pensar que a paz social e o protesto dócil, enquadrado nos moldes legais iria perdurar ad eternum. Isto de que o povo é sereno é uma fábula, portugal é ingovernável sem justiça social e ainda bem que assim é! Esta Greve vai dar que falar, pela prova de força dada pelo movimento sindical e sim, também porque “fugiu ao controle”. Isto é absolutamente determinante num momento em que este governo ilegal, corrupto e autoritário reforça a repressão, dia 13 polícia dá tiros no meio da rua contra estivadores, dia 14 carga policial na greve geral, dia 15 proibição da “greve às exportações” com ataque directo ao sector do operariado mais combativo.

1 º – O Carácter internacionalista e a acção simultânea pan-europeia, coordenada além fronteiras

A Greve Geral Ibérica teve um significativo impacte além fronteiras. A RT tem como título “Mega strike hits Europe“. Nos EUA “Europe Austerity Protests: Strikes Sweep Southern Europe In Response To Cuts“. Na Sky news “Clashes erupt in European protests“. Na TIME “Europe Rises Up: Day of Anti-Austerity Rage Grips the Continent“.

Em Espanha muito da Indústria parou, até mercados abastecedores, o dia foi marcado por gigantescas manifestações por todo o Estado Espanhol. E a intensidade da luta pode-se medir aqui “ao minuto”.

Não tendo uma greve geral como na Ibéria, por toda a Itália também houve participadas e combativas manifestações.

A Grécia não viveu um grande momento de luta, mas marcou presença e este dia foi determinante para que as massas Gregas sintam que não estão sozinhas.

E claro, não esquecer Portugal! Onde esta heróica jornada de luta foi lançada, em pleno Terreiro do povo a 29 de Setembro pela mão de Arménio Carlos e da CGTP.

Este foi um dia em que o Slogan “Grécial, Irlanda, Itália e Portugal, a nossa luta é internacional” se fez realidade. E também na Irlanda, Berlim, Londres e Paris houve protestos… até em Nova Iorque.

Estas imagens só por si também desmontam a fábula “dos agentes profissionais estrangeiros que vão de manifestação em manifestação” avançada por um generalíssimo qualquer da PSP em entrevista às televisões… Só um general de antanho se lembraria de ir buscar o argumento clássico das forças da ordem reaccionária de todos os tempos e locais!!! Sempre que a ordem estabelecida se vê em apuros aponta  o dedo ao agente estrangeiro, foi assim na Revolução de 1383 ( a alta nobreza dizia que Lisboa, o centro da revolta, era uma cidade cheia de estrangeiros…), foi assim na Revolução Francesa ou na Revolução Russa… PALHAÇADA!!! Bem, se eram agentes estrangeiros então por toda a Espanha, por toda a Itália, também houve “agentes estrangeiros itinerantes”… Que grupo  poderosíssimo é este que desencadeia motins por toda a Europa… como é que um responsável do aparelho de segurança ao serviço deste governo faz uma afirmação tão falsa, ridícula e sem fundamentos e não lhe acontece nada?!

Não será a explicação mais simples, sem cair na teoria da conspiração, a melhor? Que pura e simplesmente o pessoal está farto??? Que existem populares mais exaltados, que verificando que os governos não cedem “a bem”, existe gente disposta a fazê-los ceder “a mal”?

Bem… em Portugal até é capaz de haver agentes radicais e criminosos estrangeiros, é verdade. SÃO OS MEMBROS DA TROIKA QUE AQUI VÊM ORGANIZAR O SAQUE, ESSES SIM SÃO OS ÚNICOS AGENTES ESTRANGEIROS PROFISSIONAIS PERIGOSOS À SOLTA EM PORTUGAL.

2º – Foi uma Greve que se fez sentir, parou muita coisa neste país, este não foi com certeza mais um dia “Business as usual”, esta foi uma grande greve geral!

Foi uma greve geral bem acima da de Março de 2012 e até da de 24 de Novembro de 2011.     Teve ampla adesão em todos os sectores tradicionais (Transportes, Saúde  Educação, Função Pública em geral…), isto mesmo foi reiterado pelos media mainstream. Mas o protesto estendeu-se também a sectores menos tradicionalmente mobilizados. Arménio tem razão em dizer que se mostrou um “cartão vermelho ao governo“. Foi uma grande greve geral.

Foi uma grande greve geral, que marcou o dia, a semana e deixou uma marca que não se apagará . Porque foi uma grande mobilização da CGTP e porque agrupou sectores que vão além da CGTP, dos estivadores e movimentos sociais até vários sindicatos da UGT. Esta Greve foi convocada pela CGTP, mas é de todos os trabalhadores e de todo o povo.

Aliás, sendo a CGTP absolutamente decisiva, alguém acha que a CGTP por si só conseguirá derrubar o governo e mudar a política do país? Não fez a CGTP e bem, apelos à participação de outras camadas populares? Se assim é a CGTP tem de compreender que sendo elemento fulcral ela não é a proprietária da greve e da luta, a luta é de todos os que estejam dispostos a lutar pela queda deste governo e expulsão da troika deste país. Por isso mesmo compreendo, mas discordo, daqueles que como Arménio, ficam transtornados por terem de partilhar os títulos de jornal e os noticiários com as acções de outros movimentos, que recorrendo a outros métodos, também estão na luta. A luta não tem “direitos de autor”. A luta ou é partilhada ou é derrotada.

Fazendo um balanço bem ponderado e frio, a “violência inédita”, em harmonia com o que se passa pelo resto do sul da Europa, é assim tão negativa? Sim, tira umas quantas “headlines” à CGTP e à acção sindical, mas no global e para a luta popular e dos trabalhadores no seu conjunto, alguém acha que foi prejudicial?

Este carácter insurgente  das massas apaga a greve geral, ou dá-lhe mais força?  Coloca um obstáculo à narrativa do Portugal cordato e do “melhor povo do mundo”, ou não? Reforça o sentimento de revolta, ou não? Aumenta o medo dos governantes pelas massas, ou não? Como irá o governo ser derrubado afinal? Como é que a Troika será escorraçada? Não era a “bem ou a mal”? Não falou o Soares em Guerra Civil? Não disse o Costa que iria haver um levantamento popular por meados de Fevereiro? E alguém acha que a insurreição vai ser organizada a regra e esquadro quando as condições forem absolutamente perfeitas? – até podemos chegar perto dessa fase, mas ainda estamos em Fevereiro e não em Outubro, estamos em 1789 e não em 1792 e mesmo nessas últimas datas houve fortes pulsões espontaneistas

E noutros tempos e locais como foi? Como foi na Argentina em 2001? Não foi determinante o Caracazo no irromper da revolução bolivariana? Como é que a Bolívia sacudiu o jugo do imperialismo e da oligarquia? Como foi com a queda do Tatcherismo no Reino Unido?

E com isto passo ao último ponto e deixo a pergunta como é que em Portugal a Troika será explusa e se irá chegar a um governo “de esquerda e patriótico”? Como será o processo da transformação do slogan em realidade?…

3 º – “Violência inédita” reza a capa do Diário Económico. PASSA À HISTÓRIA A FÁBULA DO POVO SERENO E DO “MELHOR POVO DO MUNDO” PARA ALEMÃO VER. 

Logo no início do texto referi-me à violência da carga policial e subsequentes acções de reposição da ordem troikista. Toda a solidariedade para com quem foi preso e vítima da violência terrorista troikista. Sobre isto o texto do Rui Viana Pereira, aqui publicado pela Raquel está muito bom.

Sobre as fantasias reaccionárias dos “desordeiros profissionais” também acima falei, se de facto, a carga foi para neutralizar uma meia dúzia de “profissionais itinerantes do caos” então foi um fracasso total, com protestos a espalharem-se por várias ruas de Lisboa e com as principais vítimas a serem transeuntes e manifestantes pacatos. Toda esta reportagem dá ideia do que se passou. O post do Tiago também ajuda a desfazer certas narrativas equivocadas.

É preciso lembrar que a violência policial já se tinha iniciado um dia antes com polícias aos tiros num protesto dos estivadores.

Como alguém disse no facebook, Face à política de miséria, fome, desemprego, precariedade, destruição dos serviços públicos, enfim à tentativa de obrigar a classe trabalhadora a regredir décadas para níveis da Revolução Industrial; o que é que se poderia esperar? Que as pessoas tranquilamente aceitassem perder o emprego? Que pacificamente manifestassem a sua indignação por irem viver da caridade alheia? Que vão ordeiramente dormir para debaixo da ponte? Basta de hipocrisia! A violência vem toda do lado destas políticas de assassinos económicos! Passos Coelho não precisa de bater directamente em ninguém para ser violento…basta assinar um papel. E ainda me pedem para condenar a mais que justa e inevitável resposta das pessoas?

Toda a manifestação foi extremamente combativa, desde a inutilização de caixas multibancos até à expulsão de agentes infiltrados. Não foi por acaso que algum comércio decidiu fechar no chiado (e não, não é por terem fechado neste dia que irão à falência muitos deles, é mesmo porque este rumo para o país não lhes dá qualquer hipótese). Depois da carga policial, muitos ficaram e foram combatendo a repressão policial em vários pontos, houve muita gente que ficou e de formas diferentes resistiram. Houve barricadas e fogos por várias ruas da cidade, em pontos distantes dos conflitos sentia-se o sobressalto causado por um número inusitado de veículos das forças de segurança e socorro em movimento… Sendo algo exagerado o título da Visão tem alguma razão de ser “Lisboa incendiada em dia de carga policial“, só ao tiro e mal, a polícia controlou a situação. Isto é de louvar! Isto dá esperança para combates futuros! E dos 48 feridos parece que 21 eram polícias…

Face à avalanche de medidas anti-populares, face a um orçamento anti-constitucional, face à completa inflexibilidade da Troika, face ao apego ao poder de Passos-Relvas-Gaspar manchados pela corrupção e pelos falhanços nas suas previsões (que parece que afinal nem importam…), que fazer? Manifestações e Greves iguais às de 10 anos atrás? Sim, também, mas por si só não dá.

Há quem pense que o carácter insurrecional dos protestos constrange a amplitude do movimento. Estão equivocados. Mesmo que exista uma repulsa em certos sectores da sociedade portuguesa pela “violência inédita”, essa pertence à espuma dos dias… O governo não possuí o capital político e de legitimidade suficiente para capitalizar essa repulsa. A violência que se impõe no quotidiano sentido da vasta maioria dos portugueses é a da crise, do desemprego, da diminuição do rendimento, do sufoco financeiro e económico. Isso sobrepõe-se a umas quantas pedras atiradas aos que se prestaram ao serviço de defender este governo. Sobretudo quando no horizonte não há qualquer esperança, antes pelo contrário, apenas há o aprofundar de um rumo que reforça a violência constante e quotidiana da miséria. A enormidade da violência sobre os manifestantes também se irá impor à medida que os relatos forem emergindo, assim como a determinação daqueles que foram vítimas da violência indiscriminada. E essa violência sobre os manifestantes é a tradução mais crua do terror Troikista, sem métodos fascizantes será impossível impor o golpe constitucional em curso, será impossível cumprir o programa da Troika. Como diz o Camilo “O país está a mudar. À força, mas está!“. Pois, entre outras coisas, também será à força que esta gente será travada. A “violência inédita” é uma lembrança para os de cima que se é para ser “à força” isto, no mínimo, vai sair-lhes muito caro e que o “melhor povo do mundo” lhes reserva algumas surpresas. Mais importante, para os de baixo, mesmo que alguns momentaneamente torçam o nariz, dá o sinal de que isto não vão ser favas contadas, de que há quem resista, de que há o potencial na sociedade portuguesa de virar o jogo, “a bem ou a mal”. Nada mobiliza mais do que o potencial de vitória, a esperança num outro futuro.

Convém não olhar apenas para o umbigo nacional, a nível externo, a imagem que passa não é a de “um sector reduzido de manifestantes encapuçados a atirar pedregulhos”. A CNN tem como título “Clashes as austerity anger drives Europe strikes”

A wave of anger over austerity is sweeping across Europe as workers fed up with government spending cuts and tax increases took to the streets in a coordinated day of action Wednesday.Some of the largest and occasionally violent protests took place in Spain, where a general strike is under way. Public transport has been shut down, or disrupted, while many schools, shops, factories and airports are closed.
There were also significant walkouts — and outbreaks of violence — in Portugal, Greece and Italy. Limited protests are taking place in other countries, including France and Belgium — and even in Germany where the traditionally strong economy has taken a hit.

Esta é “the big picture”! Para lá dos equívocos idealistó-pacifistas e da luta de capelinhas mesquinha. Isto é mau????? Só se for pó Camilo&CªLDA!!! Daniel depois da tua actuação patético-ridícula relatada na primeira pessoa(e isto de que eram só meia dúzia é falso), a mensagem que tenho para ti é esta:
We don’t need no education
We don’t need no thought control
Hey, DANIEL! Leave those kids alone!
All in all, it’s just 
Another brick in the wall
Tenho várias discordâncias com o Zé, mas neste debate é bem mais lúcido e intelectualmente coerente.

Vamos lá ver, não é uma explosão social violenta algo de que se fala à muito? Algum dia iria ser, algum dia iria ser de tal magnitude que seria indisfarçável. Algum dia iria haver uma violenta carga policial. Algum dia iria haver um despontar insurrecional. Mas como é que não haveria???? E como é que sem uma insurreição ou sublevação popular, tal como em todos os locais onde de facto houve viragens políticas,  poderá a situação em Portugal virar? Pelo menos as elites têm de sentir o medo credível, o medo credível de uma sublevação popular, sem isso não irão ceder um milímetro a não ser de forma cosmética.

Perante a violência policial troikista- relatada na primeira pessoa por aqueles que não eram “desordeiros profissionais” aqui, ou aqui – dizer que o que se passou em frente à AR foi “lamentável” e lamentar-se pela perca de protagonismo, isto sem ter uma palavra sobre as vítimas da repressão… Ora isso sim é uma atitude lamentável de Arménio (e se, como espero, estiver enganado, por favor corrijam-me). Mas discordando, compreendo e para mim o determinante é saber: se a ameaça de requisição civil for avante nos portos, que irá fazer a CGTP, que fará agora que se sabe que o governo proibiu a “greve à exportação”? De que forma irá o “protesto organizado” utilizar a sua influência nas várias associações das forças de segurança e militares de forma a atenuar a repressão e impedir o golpe constitucional em curso? Se isto for pretexto para mais brutalmente reprimir protestos dos trabalhadores (o que é provável) irá a CGTP recuar ou endurecer a luta? Irá a “luta organizada”, como Jerónimo em entrevista à RTP1, quando confrontado com anteriores incidentes, citar Brecht “todos falam da violência do rio, mas não das margens que o comprimem”, ou irá seguir a via da demonização dos sectores mais radicalizados do protesto? O que irá fazer, por exemplo, no dia 27 de Novembro a CGTP quando houver gente que quer cercar o parlamento e impedir suas excelências da maioria parlamentar de abandonar a “casa da democracia”?

Conclusão

Se a Esquerda institucional (partidos e sindicatos) escolher demonizar os sectores populares não tutelados, difusos e mais radicalizados, então está a cavar a sua própria sepultura. É que a repressão dos elementos mais radicais (neste momento) na sociedade Portuguesa será uma vitória para a reacção e essa vitória será seguida de um ataque esmagador às “forças organizadas”… tendo ajudado a reprimir o impulso de revolta popular genuíno e espontâneo quem é que irá em auxílio da CGTP, PCP ou BE quando a reacção se voltar para esmagá-los? As forças da esquerda institucional podem-se demarcar o quanto quiserem destas acções, o facto é de que, quer gostem ou não, quer o desejem ou não, a repressão do movimento insurgente de massas conduzirá em seguida ao seu esmagamento, no mínimo, à sua marginalização para um plano ainda menos relevante do que tem hoje.

A questão não é se vai haver uma sublevação popular, claro que sim, já se iniciou há uns tempos… a questão é saber que posição terá a esquerda institucional e a “luta organizada” perante isso.

A derrota deste governo, das políticas neo-liberais e da troika, uma viragem política real, irá implicar uma intensa luta de massas, a mobilização popular e sindical, a luta no plano político-parlamentar e também a luta de carácter insurreccional.  Só uma luta travada em todos estes campos poderá ter hipóteses de sucesso. Será necessário greves, manifestações, protestos locais e nacionais. Será necessário alianças partidárias, coligações e vitórias eleitorais. Será necessário desobediência civil e uma certa dose de violência… E esta última será tanto maior quanto maior for a falta de resposta a protestos mais pacíficos… Tod@s somos pouc@s para o que aí vem, só uma luta total, global, travada em vários planos, por gente diferente e com métodos diferentes tem hipóteses de sucesso. E diferença não é sinónimo de incompatibilidade.

ESTA FOI UMA GRANDE GREVE GERAL, EM TODAS AS SUAS DIMENSÕES, INTERNACIONALISTA, DE MASSAS E INSURGENTE

É agora, é aqui.

 

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8 respostas a MEGA-GREVE varre o sul da Europa!!! Épica, Gloriosa Jornada de luta das massas Europeias!!! ENTERROU-SE O MITO DO “MELHOR POVO DO MUNDO” para Alemão ver

  1. Nuno Cardoso da Silva diz:

    Calma, Francisco. Ainda perdes o pé… As greves deste tipo são boas para alimentar a contestação mas, só por si, não levam a lado nenhum. O poder político não é suficientemente afectado por elas para pensar sequer em mudar de rumo. A greve dos estivadores causa mais problemas ao governo do que as greves gerais de 24 horas da CGTP. Para doer era preciso uma greve por tempo indeterminado, mas pela impossibilidade de toda a gente sacrificar o seu salário, teria de ser limitada aos sectores da função pública que permitem ao governo funcionar. Pessoal administrativo dos ministérios, pessoal informático, motoristas, etc. Se as estruturas sindicais pudessem garantir contributos dos outros trabalhadores para garantir um salário de emergência aos funcionários públicos que fizessem greve, rapidamente se punha o governo de joelhos. Isso, sim, valeria a pena. Mas estes “sucessos” das greves gerais não mudam quase nada.

  2. Comando Jaime Rebelo diz:

    De acordo no essencial Chico.
    Sobre o último ponto, a que dou a maior importância na actual discussão de orientações do movimento operário, disseste o que havia para dizer. Reforço a ideia nas minhas palavras:

    O equilíbrio de forças em que assentava a paz social, morreu. Avisem o inimigo (e pelos vistos também os nossos pretensos amigos) que o debate no salão terminou, que estalou o verniz. Estamos em guerra aberta. E em guerra aberta, só voltaremos a pisar o salão institucional, para assinar os termos da rendição do inimigo. Quando acabar esta barbárie, talvez as manifestações pacíficas voltem a fazer sentido. Mas perante a barbárie, o pacifismo de patetas como o Daniel, é a caução perfeita às regras de um jogo que nos está a matar. O pacifismo é um insulto ordinário, um escarro na cara dos trabalhadores que estão a passar fome.

    Organizem-se entre os vossos. Toca a preparar os trabalhadores para o choque de classes que aí vem.

    Vamos atrasados, mas creio que a vitória sobre a barbárie é possível!

  3. zé ninguém diz:

    ATÉ QUE ENFIM!

    o texto parece escrito a correr, mas é o primeiro a afirmar com todas as letras e frontalidade aquilo que diz. E o que diz é o mais importante que há a ser dito HOJE. Temos todos que cruzar os braços para fazer passar esta palavra.
    E ter a noção de que a reacção se estende do Daniel Oliveira ao Medina Carreira. Estão todos do mesmo lado do ecrã, do mesmo lado do acesso ao poder, do mesmo lado do desespero.

    Falta agora menos um passo para A Greve Geral inssurrecional por tempo indeterminado.

    Um abraço grande e agradecido a ti Francisco Furtado pelo tempo dedicado a este post.

  4. malatesta diz:

    Parabéns pelo texto! É importante que se comece a dizer isto.

  5. Dezperado diz:

    “Terminou o mito do portugal dos protestos dóceis e pacíficos, enterrou-se a imagem de um Portugal alheio ao carácter mais violento dos protestos Espanhóis, Gregos ou Italianos.”

    Finalmente alguem neste blog admite que ficou contente com a violencia. Parabens pela frontalidade! Mas olhando para as detenções efectuadas, ainda estamos um pouco atras dos gregos e espanhois! Mas sei que conseguem fazer melhor!

  6. red floyd diz:

    Começa o seu texto por aplaudir a CGTP por ter organizado a greve e acaba desafiando-a. Pareceu-me que tem a opinião de que a CGTP foi ultrapassada pelos “sectores populares mais radicalizados” e que agora tem que decidir: ou vai atrás deles ou fica para trás. Se é isso, olhe que está a diagnosticar a situação com base num equívoco monumental. Veja lá se não fica entalado com a bófia pela frente e a CGTP por trás. Olhe que a CGTP não gosta nada de dançar com a música dos outros. Acalme-se, pense duas vezes, verifique se tem uma base de recuo, porque fica-se sem saber se tem unhas organizativas para a guitarra que quer tocar.

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    Olhe que a CGTP não gosta nada de dançar com a música dos outros.

    Pois eu também não gosto de muita coisa e tenho de me acomodar, a CGTP pode não gostar dos governos e do patronato mas está sempre a negociar e em comprimisso com eles a “dançar com a música dos outros”, neste caso das nossas elites. Nâo é uma crítica é a verificação de uma facto, na vida todos somos condicionados pelo que nos rodeia. E a CGTP, na minha opinião ainda bem, agora está condicionada por “sectores populares mais radicalizados”. E como e bem disse eu até sou bastante favorável à CGTP… leia lá isto e aprecie o boneco:

    Quando as posições se extremam há que escolher a barricada onde queremos estar. A CGTP brevemente vai ter de optar.

    E mais importante lei os vários registos que mostram que:
    – A esmagadora maioria dos manifestantes ficaram na AR mesmo depois da CGTP ter abandonado o recinto…
    Importa realçar que a manifestação da CGTP já tinha acabado há muito tempo, mas que milhares de pessoas continuaram em frente à AR, o que também é de registar e analisar aprofundadamente dentro da Central Sindical.
    – Dentro dos tais “sectores populares mais radicalizados” está muita gente da CGTP!!! Isto não é CGTPvsPopulares Radicais. Na CGTP, como é óbvio visto o seu carácter de massas, há muita gente que quer e que pratica métodos mais insurreccionais de luta.
    Sindicalista, esteve na manifestação com a CGTP. Também atirou pedras e di-lo a toda a gente. Sem medo, com um certo orgulho até. Prenderam-lhe mas não lhe bateram. Um agente disse-lhe que tinha idade para ser avô dele.

    • Red Floyd diz:

      Uma coisa é uma zaragata com a bófia (condenada a um mero sucesso mediático, tão efémero como um concurso de misses), outra é a tomada do poder revolucionariamente. Se quiser criar “acontecimentos” prossiga, mas se quer algo mais, organize-se, por exemplo: tem estrutura política, ou são só amigos dispersos? Caso tenha, a sua estrutura tem influência nalgum sector decisivo? PT? Galp? Exército? Tem recursos e bases para entrar na clandestinidade, caso as autoridades o persigam? Tem meios armados para seguir a luta por esse caminho se for caso disso? Leu Marighela? Tem algum estratégia em vez de táctica? Leu Mao? tem táctica além de estratégia? Leu Giap? Não me responda que eu não quero saber – não sou bufo. Pense só nisso.

      Não sou só eu mas todos nós, todos nós temos de pensar muito seriamente naquilo que acabou de dizer.
      A começar pelo “Red Floyd”. E para já, tem de a CGTP e o PCP pensarem muito bem sobre o que se está a passar inclusivé na sua base!!! Leia o post novamente, leia a minha resposta anterior novamente, leia os textos que linkei e faça uma profunda reflexão antes de dar respostas apressadas.
      Não comentei a sua experiência de vida nem política porque não sei quem é, poderia começar por demonstrar o mesmo tipo de respeito, sem isso não há debate fraterno e leal. E se o debate não é fraterno e leal então para mim não existe.
      Nem eu nem ninguém tem a resposta cabal para tirar o povo desta miséria e ir fazendo a necessária revolução. Expus as minhas ideias, factos relevantes e fiz as críticas que entendi necessárias. O “Red” tem de aprender que uma crítica não é um ataque mortal, eu não escrevo no insurgente, e para essa gente “Red floyd” nós somos todos “los rojos”… Pense nisto.

  7. V CABRAL diz:

    Não li o Mau, nem li o Bom. A isso não estou obrigado, porque não estou inscrito em qualquer Partido. No entanto, ando nisto faz muito tempo e já percebi que todos os fascistas e reacçionários, têm “kagufa” sobretudo do PCP e da INTERSINDICAL, … … … … … … … … …
    por isso, e só por isso, eu estou bem deste lado.
    Também sei, que é preciso lutar, mas quem avança prá luta, em condições desvantajosas, é suicida ou criminoso, né Red ?

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