Peixe fresco como uma «iguaria de hiper-luxo»

«Encomendado pela Associação Comercial de Lisboa e patrocinado por 12 grandes empresas privadas, estudo prevê a rapina total da costa portuguesa. Segundo o próprio presidente da ACL, Paulo Bobone, em declarações ao Expresso (16 de Maio de 2009), o estudo visa formas de lucrar em todos os sectores: portos, logística, transporte marítimo, turismo, marinas e portos de recreio.No meio das águas turvas do economês em que está escrito consegue-se descobrir que o estudo classifica o peixe fresco como uma «iguaria de hiper-luxo» destinada a um mercado restrito (p. 397)». O estudo só admite um perigo para a sua concretização: que aqueles que valorizam o passado e a economia tradicional possam «resistir à mudança» (p. 35). Estudo sobre o Hypercluster da Economia do Mar.

Quando fiz este artigo sobre o Movimento Mar Livre não imaginava que 3 anos depois tudo estava ligado, da luta dos estivadores à fome de peixe fresco, o mar como desígnio nacional ou seja, meio para a transformação de Portugal numa China ou Brasil – um país pobre assente nas exportações.

Nota: não é confirmado mas parece que o Movimento  – o qual que eu saiba congrega movimentos de populações da costa alentejana e vicentina, vários partidos (PCP, BE, creio que alguns PSs), e autarcas  – conseguiu fazer o Governo recuar (mas a dita lei que restringia mariscar ainda não teria sido revogada).

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1 Response to Peixe fresco como uma «iguaria de hiper-luxo»

  1. JgMenos diz:

    Mar Livre!
    Tudo deve nacionalizar-se menos o mar?
    Tudo deve regulamentar-se menos o mar?
    Protejam-se os sobreiros e vamos-nos à marmotinha?
    Concessionem-se as minas, mas liberalize-se a apanha da petinga?
    Promova-se o investimento, mas sem concessões ao capital?
    Entre o disparate e reaccionarismo, a miséria permanece e o reino se despovoa…

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