O capitalismo mata.

Não é novidade nenhuma e não começou ontem nem anteontem. Mas o capitalismo mata.

Mata de repente. Quando a Amaya Egaña decide pôr termo à vida no momento em que está prestes a perder a casa em que vivia.

Mata lentamente. De cada vez que nos esmaga as expectativas. De cada vez que perdemos o emprego. De cada vez que nos rouba o sonho.

Mata por afogamento. Sempre que o silêncio toma o lugar do grito de revolta que fica abafado na garganta.

Mata à machadada. De cada vez que vemos nos olhos de uma criança o espelho de uma miséria que parece regressada de um passado que julgávamos distante e enterrado.

Mata por estrangulamento. Quando vemos, na farmácia, aquele homem com ar envergonhado a deitar contas à vida, à fome e à doença, enquanto decide qual dos dois medicamentos prescritos vai poder levar para casa.

Mata à facada. Quando nos faz sofrer por uma dívida que não é nossa e nos desvia o dinheiro dos salários, dos subsídios, das pensões e das reformas, dos hospitais, das escolas e, porra, dos teatros e de tudo o que é cultura para o ir deixar no colo do banqueiro agiota.

O capitalismo mata. Já se sabe. É da sua natureza.

É da minha combatê-lo. Até ao dia em que consigamos espetar-lhe um tiro nos cornos.

Ou até morrer.

(para a Amaya e para quem o quiser. E para a minha mãe.)
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15 respostas a O capitalismo mata.

  1. A.Silva diz:

    Bom post 🙂

  2. Caxineiro diz:

    desperdício
    Com tanto velhaco a quem suicidar…

  3. JgMenos diz:

    O que mata não é o capitalismo!
    O que mata é a estupidez de submeter a realidade ao jogo das ideologias!
    O que mata é que a Política seja um jogo de mentiras, e que se diga que isso é a democracia.
    O que mata é ignorar que, numa sociedade de homens livres, vale mais um princípio moral reconhecido e promovido pela comunidade, do que uma boa lei.
    O que mata é que se irresponsabilise o individual para tudo remeter para abstracções – a Política, a Constituição, o Estado, o Capital, o Trabalho,…

    • Carlos Guedes diz:

      O que mata é pensar que o capitalismo não mata. O que também mata é continuar a pensar que o individual se deve sobrepor ao colectivo. E o que mata é pensar que a Política, a Constituição, o Estado, o Capital e o Trabalho pertencem ao domínio do abstracto quando são as nossas vidas, concretas, que estão em jogo!

    • Carlos Carapeto diz:

      Na natureza humana nada consegue ser mais assassina que a ignorância.

      São ignorantes da sua condição que votam nos politicos de direita.

      Tenho a certeza absoluta que não deve ter um estatuto economico e social muito elevado.
      A não ser que seja algum previligiado do R S I?

      Como se faz politica sem ideologia? Se a própria religião assenta em bases ideologicas.

      Diga onde existe essa sociedade de homens livres? Quero conhece-la! Tenho interesse em saber como funciona.

      • Nuno Cardoso da Silva diz:

        “Como se faz politica sem ideologia?”

        Seria fácil, mas a maioria das pessoas não quer. Preferem ter receitas a ter de pensar. Preferem ter uma cartilha universal a ter de reflectir, de cada vez, sobre qual a melhor maneira de resolver um problema. Preferem ser mandados a decidir pela própria cabeça. Preferem citar oráculos a ter de puxar pela cabeça. Preferem ser escravos a serem homens livres…

        As ideologias são as muletas dos mentecaptos.

        • De diz:

          Lastimo dizê-lo, mas….
          Este seu comentário é um discurso ideológico. Já que exprime um conjunto de ideias, de pensamentos, de visão de mundo , neste caso concreto dum indivíduo de nome Nuno C.Silva.
          Profundamente ideológico, diga-se de passagem.
          (agindo também mascarando a realidade,como diria o filósofo. 🙂 )

          (E não lhe chamei mentecapto, se bem que me tenha vindo à cabeça uma outra coisa).

          • Nuno Cardoso da Silva diz:

            Discurso ideológico? Não. Apenas uma constatação de factos. Há pessoas como aquelas que descrevi, não estou a imaginá-las. E não te chamei mentecapto. Limitei-me a assinalar que, em abstracto, a adesão acrítica a uma ideologia é uma recusa de usar os miolos.

          • De diz:

            Sorry,mas não discuto “significados”, nem de “discurso” nem de “ideologia” ( se bem que tenha já escrito aí em cima o que também entendo por esta)

            Mas acho preferível,postos estes reparos mútuos, que nos reportemos ao tema do post:
            ” O Capitalismo mata”

            Agora…trabalhar para a greve!

        • Carlos Carapeto diz:

          “As ideologias são as muletas dos mentecaptos.”

          Assim já somos dois mentecarpos amparados em muletas ideologicas. Diametralmente opostas, entenda-se.

          Se aquilo que escreveu não é um pergaminho ideologico, então o que é?

          Pior; trata-se de um jogo de pura demagogia, tentando impingir um certo tipo de retorica ideologica usualmente empregue por a extrema direita retrograda herdeira direta do legado Salazarista.

          Este tipo de discurso bafiento tem como objetivo ´principal esvaziar o sentido da politica, se como cada cidadão e a cada momento tivesse poderes para alterar o rumo das decisões que lhe são impostas.

          Trata-se de uma tentativa maliciosa de desviar a atenção das pessoas como se a politica que praticam e defendem não se orienta-se em fundamentos ideológicos .
          Apesar de serem fundamentos puramente ideológicos, estão ultrapassados, são de sentido futrico, envelhecidos, na medida em que estão orientar a sociedade do seculo XXI por teorias económicas defendidas há mais de três séculos. Ou seja liberalização do mercado defendida por Adam Smith. A mão invisível não é? E qual o cérebro que controla essa mão?

          Mas quando estão em apuros lá vão puxar as barbas ao S. Carlos de Tréves , como quem diz Carl Marx.

          • Nuno Cardoso da Silva diz:

            carlos,
            Não percas tempo a tentar colar-me ao salazarismo. Para evitares fazer figuras tristes.

            É verdade que o corpo de princípios e valores que orientam cada um de nós é essencialmente ideológico. Mas uma coisa é um corpo de valores e outra coisa é um método ou um sistema que procura pôr em prática esses valores. Uma coisa é afirmar o repúdio da exploração do homem pelo homem, outra é querer impor a colectivização dos meios de produção e o planeamento centralizado. É que o princípio poucas discussões levantará, mas o método é perfeitamente susceptivel de discussão. Quando o quadro ideológico passa da esfera dos valores para a esfera das políticas, cai na arbitrariedade e abre a porta ao autoritarismo e à opressão. E muito facilmente se dará a prioridade ao método sobre o princípio, podendo este ser sacrificado para preservar a ilusão do método. Por isso a URSS, onde se procurou dar corpo a um conjunto de valores que nos é comum, acabou por criar polícias políticas, censura, campos de concentração e gulags. Porque o método era ideológico e indiscutivel, mesmo quando não funcionava e era rejeitado pela maioria da população.

            Tu tens uma receita em que acreditas firmemente e da qual nem te permites duvidar. É uma manifestação de fé quase religiosa. Essa postura só pode gerar intolerância e tem consigo, latente, a ameaça à liberdade de quem não concordar contigo. Por isso repudio esse tipo de ideologias. Tentar equacionar esta minha preocupação com reacionarismo é totalmente ridículo. Porque eu estou aberto a ideias novas. Tu é que não estás.

  4. De diz:

    Uma nota mais. Lembrarem-se de Amaya Egaña desta forma é também tentar impedir novos casos de assassínios feitos por banqueiros que vivem à custa alheia.
    http://www.theclinic.cl/wp-content/uploads/2012/11/espa%C3%B1ola.png

    (Os sicários em Portugal também dirão que esta senhora morreu por viver acima das suas possibilidades? Viveu “com o dinheiro emprestado”? Também quis comer bife mais do que uma vez por mês?)

  5. Rocha diz:

    Mata e vai matar cada vez mais. A receita da Troika da UE-BCE-FMI e dos partidos colaboracionistas PS-PSD-CDS é uma recita para matar.

    Os mandantes têm nomes e caras. Merkel é a mandante número um, na actual hierarquia de poder das Troikas – se bem que acima dela estejam banqueiros e grandes capitalistas.

    Esta gente das Troikas e esta Merkel merecem pagar pelos seus crimes. Tal como os nazis que foram jugados em Nuremberga esta gente merece enfrentar um pelotão de fuzilamanto.

    As pessoas assassinadas pela Troika contam-se aos milhares por toda a Europa a cada ano. Isto não pode ficar impune.

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