Quem quer tramar os Estivadores? Por quem mente Ângelo Correia?

O outrora Presidente da Associação dos Operadores Portuários, Ângelo Correia, devia ter pudor em se juntar ao coro dos que, recorrendo à mistificação, estão a operar uma  campanha de calúnia relativamente aos Estivadores. O representante dos patrões afirma que “o salário médio do pessoal de trabalho portuário anda no mínimo em 2400, 2600 euros”, que com horas extraordinárias “as pessoas chegam ao fim do mês com 5, 6 mil euros” e que este salário “não é geral, mas é de muitos”. Nada mais falacioso.

Não são precisas muitas contas para perceber a mentira. Para que os Estivadores ganhem 4 mil euros por mês – e não os “cinco ou seis” que Ângelo Correia fala – têm que fazer turnos de 36h, o que os obriga a trabalhar um dia e meio seguido, sete dias por semana. Até um jovem aprendiz de matemática percebe que fica a faltar tempo ao tempo que o Ângelo diz que paga.

Ao contrário do que afirma, a redução deste valor não tem como objectivo poupar a saúde dos trabalhadores ou qualificar o seu trabalho. Com a limitação das horas extraordinárias o que o governo procura é a possibilidade de passar a contratar precários avulsos, em detrimento de, como sugere o sindicato, contratar mais pessoal efectivo.

De resto, os trabalhadores estão em greve às horas extraordinárias precisamente para provar que sem mais contratações não é possível realizar todo o trabalho que há para ser feito nos portos, a não ser que também aí se passe a recorrer a mão-de-obra descartável, paga a um preço muito abaixo do que a sua especificidade justifica.

Se todos o tivessem feito como os Estivadores a normalização da precariedade tinha encontrado outra resistência.

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