Passos Seguros para irmos além de Pinochet

A antecipação da hora de votação do Orçamento do Estado oscila entre o patético e o icónico.
PSD, CDS e PS (abstendo-se violentamente) acharam por bem antecipar a votação, pois aproximava-se uma tarde de manifestações à porta do parlamento e um fim-de-semana prolongado. Após a aprovação do OE na generalidade, consta que não há memória de tamanha pressa na saída dos deputados da maioria do hemiciclo (Relvas terá sido o primeiro membro do governo a levantar-se), ainda que os menos amedrontados tenham arriscado um almoço rápido com alguns ministros liderados por Vítor Gaspar.
Mas este talvez seja o momento menor do que está para vir.
O PSD chama-lhe “refundação”. Francisco Assis (PS) chama-lhe “compromisso histórico”. Os dois partidos, com o CDS a reboque e o Presidente da República a tutelar, preparam-se para um golpe que certamente alterará de forma profunda o actual regime constitucional e apagará das funções sociais do Estado tudo o que possa ser lucrativo. Marques Mendes anunciou que o FMI já estava a trabalhar na “reforma do Estado”. Domingo, Marcelo poderá vir a acrescentar novos detalhes.
Certo parece ser que o PSD tranquilizará Seguro legislando por forma a diminuir o número de deputados dos partidos à esquerda. Passos Coelho já tem na sua posse um estudo em que num cenário mais favorável para a representatividade, e aplicando os mesmos resultados das últimas eleições, os grupos parlamentares do BE e da CDU perderiam respectivamente 50% e 37,5% dos deputados actualmente eleitos.
Não restam grandes dúvidas de que a troika, nacional e internacional, não ficará satisfeita com deixar o país na miséria. Também quer mudar de regime político.

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