Reuniões Governo/FMI são “guerra aberta contra Portugal” – Equacionando a resposta insurrecional

Muito bem Catarina, quem fala assim não é gago… afirmações enquadradas naquilo que numa recente reportagem da RTP1 foi qualificado como o maior período de contestação desde o PREC. É fundamental termos consciência de que é exactamente disso que se trata, de uma guerra movida pelo grande capital monopolista nacional e estrangeiro contra o povo português. Como tal, a resposta tem de ser à altura.

A Grécia caminha para 6 anos de recessão consecutiva, o nível de destruição económica é semelhante a uma guerra… camaradas não estamos a falar de metáforas, esta é a realidade!!! E não é só no plano económico, esta catástrofe tem tradução no plano político e social… A Grécia encontra-se à beira do fascismo mais abjecto, com torturas em esquadra, censura dos meios de comunicação social, ruas patrulhadas por gangs nazis que espalham o seu ódio impunemente, espancamento de activistas e tod@s @s que se opõe à oligarquia grega, aprofundamento da miséria e da crise… É este o resultado de 6 anos de recessão consecutivos e de uma luta popular, que contabilizando já 20 greves gerais, não conseguiu produzir uma viragem política… A oligarquia Grega ao serviço do IV Reich prossegue na exploração cada vez mais tenebrosa do povo grego… E o que lá se passa é usado pelo grande capital português como exemplo a aplicar aqui!!! Daí as ultrajantes palavras de Ulrich. Na Grécia o resultado de 6 anos de “ai aguenta aguenta!” são um país com ruas dominadas por gangs nazis, é um país destruído, uma democracia em estado comatoso e um regime cada vez mais autoritário, ultra-conservador, violento,  apoiado nos sectores mais retrógrados e reaccionários da sociedade grega… é essa a realidade, é isto que está em causa…

Pessoal!!! Não podemos permitir que o mesmo aconteça em Portugal!!!

Que venham dividir homens
Da mesma conformação
Por essas montanhas fora
Faremos a revolução

E nada ajudaria mais o martirizado povo Grego e restantes povos da Europa que uma bem sucedida viragem política num dos estados-nação europeus. De forma objectiva, parece-me que é exactamente em Portugal que uma tal viragem, com uma derrota cabal da Troika e colaboracionistas indígenas, tem mais condições para acontecer. É esta a grande tarefa de tod@s os cidadãos da república conscientes, não apenas pelo povo português, mas por todas as camadas populares da Europa!

É preciso realçar que as declarações de Catarina/BE não são isoladas:

Alteração da constituição provocaria uma Guerra Civil“, Mário Soares

Vem aí a revolta dos escravos“, Vasco Lourenço

“A refundação ou reforma do Estado é uma declaração de guerra. Se rasgarem a Constituição e avançarem para a destruição dos direitos sociais não resta qualquer caminho que o da insurreição popular.” Bruno Carvalho (prefiro e acho muito mais útil a tirada do Bruno no facebook que a semi-tentativa de justificar a diatribe de Arménio… Gosto de Arménio, mais do que de Carvalho da Silva, gosto muito do Arménio do 29 de Setembro, mas tod@s temos momentos infelizes… aqui bem desmontado, como se a polícia por várias vezes já não tenha agredido sindicalistas… dito isto é preciso relembrar que a Greve Geral Europeia 14N foi lançada em Portugal, por Arménio, numa manifestação com centenas de milhar de pessoas. Aí esteve, sem dúvidas, muito bem)

Este género de tiradas podem parecer retórica exaltada… mas:
1 – O recurso a este tipo de tiradas é em si mesmo revelador do tipo de momento histórico que estamos a viver
2 – Face à ofensiva reaccionária em curso, face à obstinação e à recusa do poder em ouvir o povo “a bem”, antes pelo contrário, quando a resposta é um aprofundamento dos ataques, a única alternativa é um levantamento popular com características insurreccionais… ou iremos esperar até às autárquicas??? e mesmo aí não há garantia que o governo se demita…

A perspectiva insurreccional

Perante o tamanho da ofensiva reaccionária, a resposta popular tem de ser igual, ou superior!!! A luta terá de ser “organizada” e “espontânea”!!! A luta terá de ser dos sectores tradicionalmente mobilizados pela esquerda, mas só triunfará se for uma luta partilhada com mais amplos sectores! Só triunfará se certas camadas que tradicionalmente apoiam o regime (por exemplo, pequenos comerciantes e quadros técnicos), pelo menos, se abstiverem de lutar pela corja corrupta que hoje governa portugal. A luta terá de ser travada nos locais de trabalho, nas escolas, nos campos e nas ruas das cidades! Em todo o lado.

As greves e manifestações são essenciais, mas quer greves quer manifestações têm de sr substantivas e não simbólicas!!! As próximas manifestações não devem apenas ser rituais!!! Devem tentar influenciar e/ou bloquear directamente as decisões.

Para a “Rua” derrubar o governo os protestos, tal como no dia 21, têm de ser o mais possível directos com o regime. Em locias onde eles estão, em espaços e momentos onde se estejam a tomar decisões. Onde a acção de massas possa influenciar concrectamente e não apenas simbólicamente as decisões, que mais não seja pelo incómodo causado, sendo que se deve caminhar para o bloqueio directo do processo de tomada de decisão…

No dia 31 de Outubro não se impediu a votação do orçamento de estado, mas os ratos foram obrigados a fugir perante o povo! Isso aconteceu porque tinham medo daquilo que já tinha acontecido a dia 15 de Outubro e dos vários protestos “homem a homem” que se têm realizado. Neste momento há condições para que estes protestos tomem proporções semi-insurreccionais e é isso mesmo que é necessário!!!

O plano B deste governo ainda está para ser aprovado, o plano Troikista de destruição do contracto social pós 25 de Abril com um retorno de portugal a uma sociedade de estilo semi-feudal tem de ser aprovado no parlamento. O próprio orçamento de estado ainda será revisto na especialidade e necessita de ser novamente aprovado… Há reuniões no Ministério das finanças… Há os Hotéis onde a Troika se hospeda (paga a peso de ouro pelo povo português!!! estamos a falar de centenas de milhões de euros)… Há as moradias dos deputados e governantes deste país… Enfim momentos e locais para se obstaculizar de forma substantiva a acção deste governo não faltam.

Deixem-me ser claro, violência gratuita contra a bófia não leva a lado nenhum, se sim, na Grécia as coisas já teriam virado… Mas o problema não é da violência no genérico… A confrontação para atingir um objectivo e alvo específico, não só é importante, como necessária! Por exemplo: Impedir a saída de deputados do parlamento; “cercar” a residência do primeiro ministro ou o ministério das finanças; confrontar governantes; impedir/cercar reuniões… Aquilo que me parece é que muitos daqueles encapuçados na Grécia vão para as manifestações simplesmente para lutarem contra a polícia… isso é uma estupidez… A polícia não é o inimigo, pode é ser um obstáculo!!! Se as massas confrontarem de forma mais “energética” uma reunião de ministros ou uma sessão no parlamento e a polícia em vez de defender o povo e se virar contra os corruptos, decidir agir como força mercenária do IV Reich, então são um obstáculo à luta popular… Então são um mero gang de mercenários e não uma força de segurança pública ao serviço do povo e da nação. O hino do corpo de intervenção começa assim “Nós seremos simples e serenos, protegendo os fracos e pequenos”, continua “Nós somos deste Povo a espada,”… apenas se exige que este corpo haja em conformidade com o seu hino.

O confronto faz sentido se for em busca de um objectivo que vá para lá da mera confrontação, não se for algo gratuito. De qualquer das formas eventos como os de dia 15 são importantes, pois ajudam a criar uma tradição e neste caso em específico contribuíram para a debandada cobarde de 31 de Outubro.

As greves e os conflitos no local de trabalho são essenciais. Mas confinar o protesto mais “energético” apenas ao local de trabalho é renegar o princípio marxista do “primado da política”. A Greve de dia 14 de Novembro é um momento alto e decisivo da luta, sobretudo porque trás uma importante novidade… Aliás será uma jornada de luta ímpar até hoje na História. Trata-se da primeira greve geral pan-europeia! Mas já se viu que greves gerais de um dia, ou dois que sejam, por si só, não produzem a necessária viragem política. Este é também um importante ponto a reter. Ou seja, a Greve Geral 14N é um momento alto da luta e tod@s devemos contribuir para o seu sucesso, mas por si só, não resolve. Sendo uma componente importante, o comunismo e a revolução vão bem para lá do sindicalismo.

Derrotar o golpe de estado em curso

Não pode haver equívocos “”A refundação ou reforma do Estado é uma declaração de guerra. Se rasgarem a Constituição e avançarem para a destruição dos direitos sociais não resta qualquer caminho que o da insurreição popular.”  As políticas que estão a ser implementadas por este governo vão ao arrepio do prometido em campanha eleitoral, muitas das medidas tomadas são anti-constitucionais e algumas até já foram travadas pelo tribunal constitucional. Mas pior, o tal plano B para “cortar na despesa”, a “refundação passista“, o que se está a cozinhar pela Troika e cipaios locais em reuniões às escondidas, tudo isso é contrário à constituição e à actual república. Mesmo do ponto de vista formal, apenas uma nova constituição as poderia legitimar. Portanto, qualquer tentativa de prosseguir o rumo obstinado Passos-Relvas-Gaspar-Troika é “nada menos, nada mais” do que um golpe de estado. Todas as acções que visem impedir esse golpe de estado são legítimas, diria mais, são um dever de qualquer cidadão, seja ele polícia, militar ou civil.

Muito importante!!!

Dia 10 de Novembro há a manifestação da família militar, já há vários eventos de solidariedade popular com esta acção. Quanto mais gente se juntar melhor, este é um protesto fundamental.

Nota histórico-motivadora

Par son courage, dans la plaine de Valmy,
L’armée du peuple a vaincu l’ennemi
Et repoussé les armées étrangères
Qui voulaient nous faire la guerre
A l’appel du Roi

Marcha Heróica em memória dos Heróis de Valmy… Travada a 20 de Setembro de 1792 a vitória dos exércitos revolucionários, foi uma das mais importantes batalhas da história… e não apenas batalhas, foi um dos mais relevantes eventos da história mundial… Dia 22 de Setembro de 1792 era instaurada a a 1ª República Francesa. O mundo nunca mais seria como antes e ainda bem!!!

Soldats, soldats, ce jour de gloire nous fait entrer dans l’histoire
Soldats, soldats, c’est la victoire de notre révolution

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