Reuniões Governo/FMI são “guerra aberta contra Portugal” – Equacionando a resposta insurrecional

Muito bem Catarina, quem fala assim não é gago… afirmações enquadradas naquilo que numa recente reportagem da RTP1 foi qualificado como o maior período de contestação desde o PREC. É fundamental termos consciência de que é exactamente disso que se trata, de uma guerra movida pelo grande capital monopolista nacional e estrangeiro contra o povo português. Como tal, a resposta tem de ser à altura.

A Grécia caminha para 6 anos de recessão consecutiva, o nível de destruição económica é semelhante a uma guerra… camaradas não estamos a falar de metáforas, esta é a realidade!!! E não é só no plano económico, esta catástrofe tem tradução no plano político e social… A Grécia encontra-se à beira do fascismo mais abjecto, com torturas em esquadra, censura dos meios de comunicação social, ruas patrulhadas por gangs nazis que espalham o seu ódio impunemente, espancamento de activistas e tod@s @s que se opõe à oligarquia grega, aprofundamento da miséria e da crise… É este o resultado de 6 anos de recessão consecutivos e de uma luta popular, que contabilizando já 20 greves gerais, não conseguiu produzir uma viragem política… A oligarquia Grega ao serviço do IV Reich prossegue na exploração cada vez mais tenebrosa do povo grego… E o que lá se passa é usado pelo grande capital português como exemplo a aplicar aqui!!! Daí as ultrajantes palavras de Ulrich. Na Grécia o resultado de 6 anos de “ai aguenta aguenta!” são um país com ruas dominadas por gangs nazis, é um país destruído, uma democracia em estado comatoso e um regime cada vez mais autoritário, ultra-conservador, violento,  apoiado nos sectores mais retrógrados e reaccionários da sociedade grega… é essa a realidade, é isto que está em causa…

Pessoal!!! Não podemos permitir que o mesmo aconteça em Portugal!!!

Que venham dividir homens
Da mesma conformação
Por essas montanhas fora
Faremos a revolução

E nada ajudaria mais o martirizado povo Grego e restantes povos da Europa que uma bem sucedida viragem política num dos estados-nação europeus. De forma objectiva, parece-me que é exactamente em Portugal que uma tal viragem, com uma derrota cabal da Troika e colaboracionistas indígenas, tem mais condições para acontecer. É esta a grande tarefa de tod@s os cidadãos da república conscientes, não apenas pelo povo português, mas por todas as camadas populares da Europa!

É preciso realçar que as declarações de Catarina/BE não são isoladas:

Alteração da constituição provocaria uma Guerra Civil“, Mário Soares

Vem aí a revolta dos escravos“, Vasco Lourenço

“A refundação ou reforma do Estado é uma declaração de guerra. Se rasgarem a Constituição e avançarem para a destruição dos direitos sociais não resta qualquer caminho que o da insurreição popular.” Bruno Carvalho (prefiro e acho muito mais útil a tirada do Bruno no facebook que a semi-tentativa de justificar a diatribe de Arménio… Gosto de Arménio, mais do que de Carvalho da Silva, gosto muito do Arménio do 29 de Setembro, mas tod@s temos momentos infelizes… aqui bem desmontado, como se a polícia por várias vezes já não tenha agredido sindicalistas… dito isto é preciso relembrar que a Greve Geral Europeia 14N foi lançada em Portugal, por Arménio, numa manifestação com centenas de milhar de pessoas. Aí esteve, sem dúvidas, muito bem)

Este género de tiradas podem parecer retórica exaltada… mas:
1 – O recurso a este tipo de tiradas é em si mesmo revelador do tipo de momento histórico que estamos a viver
2 – Face à ofensiva reaccionária em curso, face à obstinação e à recusa do poder em ouvir o povo “a bem”, antes pelo contrário, quando a resposta é um aprofundamento dos ataques, a única alternativa é um levantamento popular com características insurreccionais… ou iremos esperar até às autárquicas??? e mesmo aí não há garantia que o governo se demita…

A perspectiva insurreccional

Perante o tamanho da ofensiva reaccionária, a resposta popular tem de ser igual, ou superior!!! A luta terá de ser “organizada” e “espontânea”!!! A luta terá de ser dos sectores tradicionalmente mobilizados pela esquerda, mas só triunfará se for uma luta partilhada com mais amplos sectores! Só triunfará se certas camadas que tradicionalmente apoiam o regime (por exemplo, pequenos comerciantes e quadros técnicos), pelo menos, se abstiverem de lutar pela corja corrupta que hoje governa portugal. A luta terá de ser travada nos locais de trabalho, nas escolas, nos campos e nas ruas das cidades! Em todo o lado.

As greves e manifestações são essenciais, mas quer greves quer manifestações têm de sr substantivas e não simbólicas!!! As próximas manifestações não devem apenas ser rituais!!! Devem tentar influenciar e/ou bloquear directamente as decisões.

Para a “Rua” derrubar o governo os protestos, tal como no dia 21, têm de ser o mais possível directos com o regime. Em locias onde eles estão, em espaços e momentos onde se estejam a tomar decisões. Onde a acção de massas possa influenciar concrectamente e não apenas simbólicamente as decisões, que mais não seja pelo incómodo causado, sendo que se deve caminhar para o bloqueio directo do processo de tomada de decisão…

No dia 31 de Outubro não se impediu a votação do orçamento de estado, mas os ratos foram obrigados a fugir perante o povo! Isso aconteceu porque tinham medo daquilo que já tinha acontecido a dia 15 de Outubro e dos vários protestos “homem a homem” que se têm realizado. Neste momento há condições para que estes protestos tomem proporções semi-insurreccionais e é isso mesmo que é necessário!!!

O plano B deste governo ainda está para ser aprovado, o plano Troikista de destruição do contracto social pós 25 de Abril com um retorno de portugal a uma sociedade de estilo semi-feudal tem de ser aprovado no parlamento. O próprio orçamento de estado ainda será revisto na especialidade e necessita de ser novamente aprovado… Há reuniões no Ministério das finanças… Há os Hotéis onde a Troika se hospeda (paga a peso de ouro pelo povo português!!! estamos a falar de centenas de milhões de euros)… Há as moradias dos deputados e governantes deste país… Enfim momentos e locais para se obstaculizar de forma substantiva a acção deste governo não faltam.

Deixem-me ser claro, violência gratuita contra a bófia não leva a lado nenhum, se sim, na Grécia as coisas já teriam virado… Mas o problema não é da violência no genérico… A confrontação para atingir um objectivo e alvo específico, não só é importante, como necessária! Por exemplo: Impedir a saída de deputados do parlamento; “cercar” a residência do primeiro ministro ou o ministério das finanças; confrontar governantes; impedir/cercar reuniões… Aquilo que me parece é que muitos daqueles encapuçados na Grécia vão para as manifestações simplesmente para lutarem contra a polícia… isso é uma estupidez… A polícia não é o inimigo, pode é ser um obstáculo!!! Se as massas confrontarem de forma mais “energética” uma reunião de ministros ou uma sessão no parlamento e a polícia em vez de defender o povo e se virar contra os corruptos, decidir agir como força mercenária do IV Reich, então são um obstáculo à luta popular… Então são um mero gang de mercenários e não uma força de segurança pública ao serviço do povo e da nação. O hino do corpo de intervenção começa assim “Nós seremos simples e serenos, protegendo os fracos e pequenos”, continua “Nós somos deste Povo a espada,”… apenas se exige que este corpo haja em conformidade com o seu hino.

O confronto faz sentido se for em busca de um objectivo que vá para lá da mera confrontação, não se for algo gratuito. De qualquer das formas eventos como os de dia 15 são importantes, pois ajudam a criar uma tradição e neste caso em específico contribuíram para a debandada cobarde de 31 de Outubro.

As greves e os conflitos no local de trabalho são essenciais. Mas confinar o protesto mais “energético” apenas ao local de trabalho é renegar o princípio marxista do “primado da política”. A Greve de dia 14 de Novembro é um momento alto e decisivo da luta, sobretudo porque trás uma importante novidade… Aliás será uma jornada de luta ímpar até hoje na História. Trata-se da primeira greve geral pan-europeia! Mas já se viu que greves gerais de um dia, ou dois que sejam, por si só, não produzem a necessária viragem política. Este é também um importante ponto a reter. Ou seja, a Greve Geral 14N é um momento alto da luta e tod@s devemos contribuir para o seu sucesso, mas por si só, não resolve. Sendo uma componente importante, o comunismo e a revolução vão bem para lá do sindicalismo.

Derrotar o golpe de estado em curso

Não pode haver equívocos “”A refundação ou reforma do Estado é uma declaração de guerra. Se rasgarem a Constituição e avançarem para a destruição dos direitos sociais não resta qualquer caminho que o da insurreição popular.”  As políticas que estão a ser implementadas por este governo vão ao arrepio do prometido em campanha eleitoral, muitas das medidas tomadas são anti-constitucionais e algumas até já foram travadas pelo tribunal constitucional. Mas pior, o tal plano B para “cortar na despesa”, a “refundação passista“, o que se está a cozinhar pela Troika e cipaios locais em reuniões às escondidas, tudo isso é contrário à constituição e à actual república. Mesmo do ponto de vista formal, apenas uma nova constituição as poderia legitimar. Portanto, qualquer tentativa de prosseguir o rumo obstinado Passos-Relvas-Gaspar-Troika é “nada menos, nada mais” do que um golpe de estado. Todas as acções que visem impedir esse golpe de estado são legítimas, diria mais, são um dever de qualquer cidadão, seja ele polícia, militar ou civil.

Muito importante!!!

Dia 10 de Novembro há a manifestação da família militar, já há vários eventos de solidariedade popular com esta acção. Quanto mais gente se juntar melhor, este é um protesto fundamental.

Nota histórico-motivadora

Par son courage, dans la plaine de Valmy,
L’armée du peuple a vaincu l’ennemi
Et repoussé les armées étrangères
Qui voulaient nous faire la guerre
A l’appel du Roi

Marcha Heróica em memória dos Heróis de Valmy… Travada a 20 de Setembro de 1792 a vitória dos exércitos revolucionários, foi uma das mais importantes batalhas da história… e não apenas batalhas, foi um dos mais relevantes eventos da história mundial… Dia 22 de Setembro de 1792 era instaurada a a 1ª República Francesa. O mundo nunca mais seria como antes e ainda bem!!!

Soldats, soldats, ce jour de gloire nous fait entrer dans l’histoire
Soldats, soldats, c’est la victoire de notre révolution

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18 respostas a Reuniões Governo/FMI são “guerra aberta contra Portugal” – Equacionando a resposta insurrecional

  1. “Deixem-me ser claro, violência gratuita contra a bófia não leva a lado nenhum, se sim, na Grécia as coisas já teriam virado…” Subscrevo inteiramente, acrescentando o seguinte relativamente aos ataques aos eventos governamentais.

    1.º Deve ser criado um grupo de protesto dinâmico de pelo menos 100 pessoas, porque sem ele os abutres vão continuar a andar à vontade, já que as manifestações que correntemente se fazem requerem tempo e são facilmente contornáveis com um simples mudança de horário das atividades governamentais;
    2.º Este grupo deve ter como actividade a mobilização para todos os eventos governamentais que vão ocorrer de forma dinâmica e imediata. Por exemplo, reuniões com a Troika, reuniões particulares entre CDS e PSD, visitas de figurões como o caso do Durão Barroso, enfim, situações que por serem de carácter esporádico carecem de tal dinamismo;
    3.º Por fim, deve ter uma mensagem importante a comunicar em tais momentos para atrair aderentes, para além das mensagens, o ideal seria ter um meio de comunicação um site ou qualquer coisa que desse para ser reconhecido quanto às suas acções, resumindo assumir uma identidade, identidade essa que fosse aberta à participação popular.

    Resumindo, um movimento popular que se dedicasse à perseguição deste governo é essencial para que as coisas não fiquem na mesma, iria gerar muita confusão, e tal grupo ficaria debaixo dos holofotes das forças reacionárias e sujeito a certas surpresas, mas tal só prova a importância de tal movimento! Se não houverem este movimentos de acção o povo não tem onde se agarrar e actualmente esse é o principal problema!

    Até já tenho um nome MPAT, Movimento Popular Anti Troika, porque se Portugal está a ser agredido interessa identificar quem agride sem equívocos.

  2. Graza diz:

    De facto: “Golpe de Estado”. É que também de facto os golpes de Estado já não têm a configuração que tinham, residem nesses formatos antigos ainda, nos países abaixo do limiar dos em-vias-de-desenvolvimento, porque nas outras economias já têm outros styles. O neo-liberalismo que triunfou está a encarregar-se de cozinhar o formato de cada um consoante o modelo a que tem de adaptar-se. Entre nós está a envolver estras trapalhadas todas para deixar todos como baratas tontas. O Cavaco por exemplo deve estar a querer voltar para o Poço, o Boliqueime, tão atarantado que anda.

  3. Luis f diz:

    “Há os Hotéis onde a Troika se hospeda (paga a peso de ouro pelo povo português!!! estamos a falar de centenas de milhões de euros”

    Centenas? Milhares de milhões…

    • franciscofurtado diz:

      Tem razão, mas estava me a referir em específico ao que o estado Português paga aos membros da Troika em “comissões” pelo trabalho de “supervisão” e “consultadoria” que faz… Não aos juros pagos, até pelo dinheiro que não é transferido!

  4. Nuno Cardoso da Silva diz:

    Escrevi noutro sítio – e as pessoas riram-se – que era preciso juntar três pessoas tão diferentes como Ramalho Eanes, Vasco Lourenço e Otelo Saraiva de Carvalho, para reencontrar uma legitimidade (a do 25 de Abril) que possa contrariar, com êxito, a pseudo-legitimidade democrática deste governo. E com isso trazer para a rua a única força que pode provocar uma ruptura sem cair no caos. Infelizmente os movimentos de massas são bons para destruir o que está mal, mas não servem para construir seja o que for em sua substituição. Isso fazem, a coberto dos movimentos de massas mas sem lhes pedir a opinião, as estruturas militantes – e supremamente minoritárias – de alguns partidos ou centrais sindicais. Com resultados que normalmente são desastrosos para quem quer mais liberdade, mais democracia e mais justiça. Na falta de soluções ideias, teremos de optar pelas menos más. Ou, como diz o ditado, “o óptimo é inimigo do bom”…

  5. Rocha diz:

    É de uma enorme estupidez as atitudes daquelas pessoas daqui do blog e de outras paragens que querem partir para a provocação e agressão gratuita contra a polícia.

    É de notar que tanto como polícias como militares têm participado diversas vezes de manifestações e greves de zelo (pelo menos) nos últimos meses, mostrando-se várias vezes solidários com os protestos anti-Troika. Além disso é clara uma mudança de atitude da polícia à medida que os protestos dos seus sindicatos e da classe trabalhadora em geral se tornam mais convergentes.

    É curioso que haja quem a partir de inflamadas retóricas esquerdistas não goste desta situação. Preferiam polícias que tratam manifestantes como “terroristas” como no Estado Espanhol ou preferiam polícias completamente infiltradas pelos nazis como na Grécia?

    Curioso não é? Afinal o que esperavam de uma invasão das escadas do parlamento ao fim da tarde? Um grande espalhafato para depois se poder destroçar o movimento como turba de vândalos e rufias? Talvez haja quem queira ter polícias como na Grécia e Espanha…

    O cartaz que aqui publicas é bem mais inteligente e de esquerda face à situação concreta do nosso país: povo, polícias e militares TODOS em força na rua!

    A classe trabalhadora já tem inimigos suficientes não precisa de inventar mais alguns só para se entreter.

    • franciscofurtado diz:

      Rocha responde-me só ao seguinte, o que é que achas da acção da polícia nestes casos (Vê os vídeos)

      Deixa-me dizer-te que hostilizar gratuitamente a polícia é uma estupidez, mas achar que um polícia do corpo de intervenção é um trabalhador tal qual um estivador ou funcionário de escritório é auto-ilusão, e perigosa… Sim não precisamos de inventar mais inimigos, mas também não inventemos amigos e aliados onde eles não estão.

      Acredito que sectores da polícia, aliás, até os pus neste video, estão com a “malta”… E mesmo certo indivíduos devem sentir um conflito de lealdade, devem estar divididos…Mas daí até achar que são todos aliados vai uma grande distância. Ao longo dos vários posts que tenho aqui escrito acho que tenho transmitido a linha justa. É preciso o pau e a cenoura, eles também só respeitam quem temerem, é tão simples quanto isso.

      Aliás quero ver o que dirás Rocha quando a 14 de Novembro a polícia atacar os piquetes… Só seremos respeitados se formos temidos também. Na relação com a bófia é preciso muita, muita dialéctica… Acho que se deve fazer o máximo esforço para conquistar esses sectores e dividi-lo, mas:
      – Muita da contenção deve-se ao facto de terem ordens explícitas para não actuarem, o governo quer evitar ao máximo as imagens “estilo grécia”, reparas-te que mesmo o ataque (foi um bocado isso que aconteceu.., parece-me) à residência do PM/bófia a 15 de outubro não foi muito divulgado??? E que a acção da bófia foi surpreendentemente suave??? Porquê? Porque têm ordens para não causar imagens de cabeças rachadas a escorrer sangue…
      – Se a bófia é tão amiga do povo então o que tem a fazer é semelhante a isto. Algum dia terá de ser e quanto mais cedo melhor…
      – Reforço que se deve tentar ao máximo cativá-los, mas isso não é só com festinhas, acho que a malta na manif devia cantar o hino do CI e devia fazer apelos, como faz!!!! para se juntarem à malta…

  6. Jose Manuel Vicente Lebrinhas diz:

    caros(a) amigos(a) e camaradas, li aqui alguns comentários e concordo quase na totalidade com algumas coisas,mas julgo que poderemos e deixava aqui uma sugestão, que era fazermos vigílias junto as cedes do ps,cds e psd não com recurso há violência,julgo que poderia ser um ponto de partida para eles sentirem que sabemos que são eles os coveiros do país,gostava de ouvir outras sugestões para esta ideia ou outras.

    • franciscofurtado diz:

      Uma boa ideia seria convocar uma manif/concentração para a sede do CDS ou PSD num dia em que tivessem alguma reunião, tipo conselho nacional ou coisa assim…

  7. vissarionovitch diz:

    “Pessoal!!! Não podemos permitir que o mesmo aconteça em Portugal!!!”
    Porquê esta aversão à palavra “camaradas”?

    • franciscofurtado diz:

      Bem apanhado… Como deve ter reparado a palavra até está no parágrafo acima mas não a bold.

      Na primeira versão pus Camaradas, mas depois mudei para Pessoal. Porquê? Porque estando a bold e em destaque não queria afastar potencial leitores com palavras que soem a cliché ou cassete gasta. É que muito mais do que a propostas radicais (políticas e de acção), aquilo a que muita malta tem aversão é a tudo o que soe a cassete… infelizmente há muitos preconceitos na cabeça de muita boa gente que tem de estar do nosso lado…

      Mas aceito a crítica, quem se “enoja” com a palavra camarada não merece lá muito respeito, verdade seja dita…

  8. marta diz:

    desculpem lá, mas isto tudo é discutido aqui na caixa de comentários do blog? brincamos às insurreições, ó quê? ou é literário?

  9. Nuno Cardoso da Silva diz:

    “Escrevi noutro sítio – e as pessoas riram-se – que era preciso juntar três pessoas tão diferentes como Ramalho Eanes, Vasco Lourenço e Otelo Saraiva de Carvalho, para reencontrar uma legitimidade (a do 25 de Abril) que possa contrariar, com êxito, a pseudo-legitimidade democrática deste governo. E com isso trazer para a rua a única força que pode provocar uma ruptura sem cair no caos. Infelizmente os movimentos de massas são bons para destruir o que está mal, mas não servem para construir seja o que for em sua substituição. Isso fazem, a coberto dos movimentos de massas mas sem lhes pedir a opinião, as estruturas militantes – e supremamente minoritárias – de alguns partidos ou centrais sindicais. Com resultados que normalmente são desastrosos para quem quer mais liberdade, mais democracia e mais justiça. Na falta de soluções ideias, teremos de optar pelas menos más. Ou, como diz o ditado, “o óptimo é inimigo do bom”…”

    • franciscofurtado diz:

      “Na falta de soluções ideias, teremos de optar pelas menos más. Ou, como diz o ditado, “o óptimo é inimigo do bom”…”

      Isto é o quê??? Nuno, a fim do feudalismo e do absolutismo implicou, pelo menos: a Revolução Inglesa de 1640, a Revolução Americana de 1775-79 e a Revolução Francesa 1789-93.

      O estado social e a democracia social só aconteceram porque houve uma Revolução Russa e uma segunda guerra mundial (antes disso nem existia sufrágio universal na maioria dos países supostamente ocidentais, aliás antes da II guerra a maioria dos países europeus eram ditaduras mais ou menos fascistas).

      Qualquer destes eventos têve um primeiro momento de felicidade e euforia…a parte do movimento de massas, e uma segunda parte mais hardcore… Mas o terror da revolução francesa e outras coisas semelhantes noutras revoluções, não foram delírios de fanáticos… foram uma necessidade histórica para derrotar a reacção.

      Aconselho Zizeck e a seguinte lista de documentários filmes:

      Tudo tem um custo. A Liberdade, Igualdade e Fraternidade também…

      • Nuno Cardoso da Silva diz:

        Francisco,
        O que arde cura, dizem, mas será que tudo o que cura tem de arder?… Confesso que passo bem sem a “virtude” de Robespierre que exigia o corte de alguns milhares de cabeças, um pouco aleatoriamente.

        O que eu sei é que derrubar este governo, e até este sistema, pode não ser o mais difícil. Complicado mesmo é ocupar o espaço que se esvazia, com qualquer coisa que funcione moderadamente bem. E não são as “massas” que vão conseguir fazer isso, e as “vanguardas” que as gostam de manipular merecem-me muito pouca confiança. O trio que referi seria uma maneira de criar uma transição sem excessiva desordem, dando tempo a que se estruturasse uma alternativa sem dar oportunidade a que se repetisse a tentativa de perpetuação de certos grupos no poder, mesmo se nos quisessem convencer que o faziam em nome do “proletariado”. E é por saberem isso que esses grupos não querem nem ouvir falar nos velhos homens de Abril…

        E é por isso que eu, que nem gosto de nenhum deles, não me importava de os ver assumir a transição. É que eu não quero ter de escolher entre a falta de vergonha (o que temos hoje) e a falta de liberdade (que teríamos com algumas das propostas de amanhã)…

        • franciscofurtado diz:

          Nuno, a questão é que qualquer governo que acabe com a “pouca vergonha” irá por em causa fortíssimos interesses, nomeadamente da oligarquia que vive das PPPs, da sobre-exploração do trabalho e de todas as negociatas e saque generalizado ao bem público…
          Todos os exemplos históricos que temos de governos que fizeram isso dizem-nos que estes seriam confrontados com uma fortíssima reacção… Para derrotar essa reacção será necessário o “terror revolucionário” robsperriano? Espero que não, mas engana-se quando afirma que esse terror era aleatório, isso é falso, a França foi atAcada por todas as potências europeias (até portugal…) aquando da revolução, comé que se haviam de resistir, ou se rendiam ou era a guerra total e nesse nível de confronto é óbvio que alguns inocentes serão apanhados no fogo cruzado…
          Na Venezuela, não tem sido necessário o “terror”, mas mesmo assim o Chaves ainda apanhou com um golpe de estado em cima e inúmeras acções de sabotagem… No caso da Argentina e da Islândia, que tomaram algumas medidas positivas, a reacção foi mais mansa… Mas Islândia é o que é na cena mundial e a Argentina teve muito apoio e a viragem não foi assim tão profunda… mesmo assim lhe digo que se em Portugal tivéssemos um governo que fizesse algo semelhante ao que aconteceu na Islândia ou na Argentina já não era nada mau… Numa situação dessas o tom dos meus posts seria atenuado, a não ser, lá está, no caso de haver uma avalanche reaccionária contra esse governo… Nesse caso Ropspierre forever!

          A análise política, a ciência (ciência??? a arte) política, o julgamento político, sem enquadramento e perspectiva histórica é completamente estéril e desprovida de rigor…

          Já agora, sei que a discussão não é comigo, mas devo lhe dizer que o instrumento dos referendos devia ser bastante mais utilizado e não percebo bem porque é que uma certa esquerda tem aversão a isso…

    • Rocha diz:

      Pelo menos a CGTP e partidos de esquerda como o PCP são organizações democráticas de com muitos milhares de filiados que tomam parte nas suas decisões.

      Se o Nuno acha mais democrático entregar o poder a uma troika de queridos líderes messiânicos como Eanes, Vasco Lourenço e Otelo como se atreve a falar em nome de “quem quer mais liberdade, mais democracia e mais justiça”.

      Otelo é um personagem absolutamente patético, tanto manda bojardas que vem aí mais um golpe militar como se diz arrependido de ter feito o 25 de Abril

      Vasco Lourenço, é um homem deste regime a 100% por mais lágrimas de crocodilo que venha a público verter. Foi um dos grandes responsáveis pelo 25 de Novembro que criou todas as bases do actual regime PS-PSD-CDS.

      Eanes foi o comandante supremo do regime que colocou em ordem as forças armadas, purgando e esmagando a “esquerda militar” e que preparou tanto as forças armadas como toda a máquina do Estado para ser entregue aos seus actuais detentores os partidos do arco do poder PS-PSD-CDS, ou, como lhe chamam os comunistas, a Troika nacional.

      Mas mais do que o perfil dos três personagens importa aqui denunciar que se fale em nome da liberdade, democracia e justiça, de legitimidade do 25 de Abril (!!!), colocando como salvadores da pátria 3 individualidades enquanto se despreza e ofende a honra de todas as organizações políticas e sociais de massas que colectivamente – e não individualmente – essas lutam diariamente por liberdade, demcracia e justiça.

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